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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Comportamento da população do concelho de Vizela no consumo de antibióticos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[To determine the level of antibiotics knowledge use and to identify the influence of characteristics, namely, personal, social, geographical, economics and contextual in the consumption frequency of these drugs are the objectives of this study. A cross-sectional survey was carried out in a probabilistic sample including 282 individuals of the Vizela’s region population during January and February 2008. A characterization of the sample through data descriptive analysis was carried out. Later, through a two variables analysis, the nature, personal, social, economic and contextual factors that presented statistic associations with the variables “antibiotics knowledge use” and “antibiotics consumption frequency” were identified. 282 individuals participated in this study, being 50,7% male and 49,3% female. Respondents are 15 years old or more. Most of those inquired are working (76,6%), have until the 3rd school degree (61,6%), and live in the city (73%). Tonsillitis’s treatment is the main reason for antibiotics consumption (37%). In agreement with the results there is no statistic association among the personal, social, geographical, economical and contextual characteristics, and the knowledge of antibiotics’ use. However, the procedure that the inquired adopts when he senses secondary effects reflects itself in the knowledge that he has about antibiotic administration. The masculine gender, the inactive and the respondents with less education are those that take antibiotics more frequently. A disease, flu or constipation has also an influence on the number of times that the inquired take antibiotics along the year.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Comportamento da popula&ccedil;&atilde;o do concelho de Vizela no consumo    de antibi&oacute;ticos</b></p >     <p>&nbsp;</p >     <p><b>Maria Ribeiro<sup>1</sup>; Isabel Pinto<sup>2</sup>; Cl&aacute;udia Pedrosa<sup>3</sup></b></P >     <p>&nbsp;</P >      <p><sup>1</sup>Professora adjunta do Instituto Polit&eacute;cnico de Bragan&ccedil;a. Colaboradora    da Escola Superior de Sa&uacute;de de Bragan&ccedil;a, docente da disciplina    de M&eacute;todos Estat&iacute;sticos e Epidemiol&oacute;gicos. </p >     <p><sup>2</sup>Assistente do 2.<Sup>o</Sup> tri&eacute;nio do Instituto Polit&eacute;cnico    de Bragan&ccedil;a. </p >     <p><sup>3</sup>T&eacute;cnica de Farm&aacute;cia de 2.<Sup>a</Sup> classe.  </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Resumo</b></P >     <p>Este estudo tem como objectivos determinar o n&iacute;vel de conhecimento no    uso de antibi&oacute;ticos e identificar a influ&ecirc;ncia de caracter&iacute;sticas,    designadamente, pessoais, sociais, geogr&aacute;ficas, econ&oacute;micas e contextuais    na frequ&ecirc;ncia de consumo destes medicamentos. Para atingir os objectivos    foi levado a cabo um estudo descritivo e transversal que teve como base a constru&ccedil;&atilde;o    de um question&aacute;rio, que foi posteriormente aplicado a 282 indiv&iacute;duos    da popula&ccedil;&atilde;o do Concelho de Vizela durante os meses de Janeiro    e Fevereiro do ano de 2008. Atrav&eacute;s de uma an&aacute;lise descritiva    dos dados fez-se a caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra. Posteriormente,    recorrendo &agrave; an&aacute;lise bivariada identificaram-se vari&aacute;veis    de natureza, pessoal, social, econ&oacute;mica e contextual, que apresentam    associa&ccedil;&otilde;es, estatisticamente significativas, com as vari&aacute;veis    &laquo;conhecimento do uso de antibi&oacute;ticos&raquo; e &laquo;frequ&ecirc;ncia    de consumo de antibi&oacute;ticos&raquo;. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Participaram neste estudo 282 indiv&iacute;duos, dos quais 50,7% s&atilde;o    do sexo masculino e 49,3% s&atilde;o do sexo feminino. Os inquiridos apresentam    idade igual ou superior a 15 anos. A maioria dos respondentes &eacute; activo    (76,6%), possui at&eacute; ao 3.<Sup>o</Sup> ciclo de escolaridade (61,6%),    e reside na cidade (73%). O tratamento de amigdalites &eacute; a principal raz&atilde;o    para o consumo de antibi&oacute;ticos (37%). De acordo com os resultados n&atilde;o    existe associa&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis de natureza, pessoal,    geogr&aacute;fica, social e econ&oacute;mica e o conhecimento do uso dos antibi&oacute;ticos.    No entanto, o procedimento que o inquirido tem ap&oacute;s ter sentido efeitos    secund&aacute;rios reflecte-se no conhecimento que o mesmo tem na administra&ccedil;&atilde;o    de antibi&oacute;ticos. O g&eacute;nero masculino, o inactivo e os inquiridos    com menor grau de escolaridade s&atilde;o aqueles que tomam antibi&oacute;ticos    com mais frequ&ecirc;ncia. A situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a, gripe    ou constipa&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m, tem influ&ecirc;ncia no n&uacute;mero    de vezes que o inquirido toma antibi&oacute;ticos ao longo do ano. </P >     <p><b>Palavras-chave:</b> consumo de medicamentos; antibi&oacute;ticos; resist&ecirc;ncias    bacterianas.</P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Antibiotics comsumption behaviour of the Vizela's region population</b></P >     <p><b>Abstract</b></P >     <p>To determine the level of antibiotics knowledge use and to identify the influence    of characteristics, namely, personal, social, geographical, economics and contextual    in the consumption frequency of these drugs are the objectives of this study.    A cross-sectional survey was carried out in a probabilistic sample including    282 individuals of the Vizela&rsquo;s region population during January and February    2008. A characterization of the sample through data descriptive analysis was    carried out. Later, through a two variables analysis, the nature, personal,    social, economic and contextual factors that presented statistic associations    with the variables &ldquo;antibiotics knowledge use&rdquo; and &ldquo;antibiotics    consumption frequency&rdquo; were identified. 282 individuals participated in    this study, being 50,7% male and 49,3% female. Respondents are 15 years old    or more. Most of those inquired are working (76,6%), have until the 3rd school    degree (61,6%), and live in the city (73%). Tonsillitis&rsquo;s treatment is    the main reason for antibiotics consumption (37%). In agreement with the results    there is no statistic association among the personal, social, geographical,    economical and contextual characteristics, and the knowledge of antibiotics&rsquo;    use. However, the procedure that the inquired adopts when he senses secondary    effects reflects itself in the knowledge that he has about antibiotic administration.    The masculine gender, the inactive and the respondents with less education are    those that take antibiotics more frequently. A disease, flu or constipation    has also an influence on the number of times that the inquired take antibiotics    along the year. </P >     <p><b>Keywords: </b>drugs consumption; antibiotics; bacterial resistances. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o </b></P >     <p>Os antibi&oacute;ticos s&atilde;o vulgarmente utilizados para melhorar uma    infec&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica e t&ecirc;m como finalidade eliminar    ou impedir o crescimento bacteriano. A sua utiliza&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es    terap&ecirc;uticas para as quais n&atilde;o est&atilde;o indicados tem um elevado    impacto no aumento do aparecimento de bact&eacute;rias resistentes (Caldeira    <I>et al., </I>2006) com consequ&ecirc;ncias importantes na redu&ccedil;&atilde;o    da efic&aacute;cia dos mesmos, no aumento da necessidade de consultas m&eacute;dicas,    exames complementares de diagn&oacute;stico, prescri&ccedil;&atilde;o de medicamentos    adicionais e mesmo de internamento hospitalar. De acordo com Hart e Kariuki    (1998) as infec&ccedil;&otilde;es bacterianas s&atilde;o extremamente comuns    e causam morbilidade e mortalidade substanciais na popula&ccedil;&atilde;o.    O conhecimento do consumo de antibi&oacute;ticos em &aacute;reas geogr&aacute;ficas    pequenas pode ajudar os m&eacute;dicos que nelas trabalham a melhorar a sua    utiliza&ccedil;&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria. Neste    contexto e considerando a actualidade do tema decidiu-se levar a cabo um estudo    emp&iacute;rico, no Conselho de Vizela, para saber qual o n&iacute;vel de conhecimento    da popula&ccedil;&atilde;o relativamente &agrave; administra&ccedil;&atilde;o    dos antibi&oacute;ticos e identificar factores que t&ecirc;m influ&ecirc;ncia    na frequ&ecirc;ncia do seu consumo. Ao longo da elabora&ccedil;&atilde;o deste    estudo enfrentaram-se alguns obst&aacute;culos que limitaram o seu desenvolvimento,    designadamente, a dimens&atilde;o da amostra que, apesar de ser representativa    da popula&ccedil;&atilde;o de Vizela, n&atilde;o p&ocirc;de ser de maior dimens&atilde;o    devido &agrave; limita&ccedil;&atilde;o de recursos f&iacute;sicos e financeiros    dispon&iacute;veis. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O trabalho est&aacute; dividido em cinco sec&ccedil;&otilde;es, na primeira introduz-se a tem&aacute;tica dos antibi&oacute;ticos, fazendo-se refer&ecirc;ncia aos objectivos, &agrave; justifica&ccedil;&atilde;o da escolha do tema e &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es que foram surgindo ao longo do trabalho. Na segunda sec&ccedil;&atilde;o faz-se o enquadramento te&oacute;rico do tema. Na terceira sec&ccedil;&atilde;o desenvolve-se a metodologia utilizada neste trabalho, faz-se refer&ecirc;ncia &agrave; popula&ccedil;&atilde;o de que &eacute; alvo este estudo, &agrave; amostra seleccionada, ao instrumento utilizado na recolha dos dados e ao tratamento estat&iacute;stico. Na quarta sec&ccedil;&atilde;o faz-se a apresenta&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise dos resultados. Por fim, na quinta e &uacute;ltima sec&ccedil;&atilde;o real&ccedil;am-se as principais conclus&otilde;es retiradas ao longo deste trabalho. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>2. Enquadramento te&oacute;rico</B></p>     <p>Segundo Betts e Reese (1990) durante toda a evolu&ccedil;&atilde;o da humanidade    muitos foram os relatos sobre as v&aacute;rias tentativas do uso de subst&acirc;ncias    e materiais com a inten&ccedil;&atilde;o de secar les&otilde;es supurativas,    curar febres, melhorar as dores, entre outras. Contudo, os medicamentos com    estrutura qu&iacute;mica conhecida revolucionaram a sa&uacute;de p&uacute;blica    e o exerc&iacute;cio da medicina assumindo um papel central na terap&ecirc;utica    contempor&acirc;nea (Nascimento, 2002). Sendo os antibi&oacute;ticos, depois    dos analg&eacute;sicos, os medicamentos mais consumidos pelas popula&ccedil;&otilde;es    (Maestre Vera, Prieto Prieto e Urqu&iacute;a Grande, 2005). </p>     <p>O termo inicial de antibi&oacute;tico, &laquo;antibiose&raquo;, foi proposto por Vuillemin em 1889 e foi empregue para classificar o processo de antagonismo dos seres vivos. Este termo aplicava-se para designar o processo natural de selec&ccedil;&atilde;o pelo qual um ser vivo destr&oacute;i um outro para assegurar a sua sobreviv&ecirc;ncia. Tal processo j&aacute; era conhecido desde o surgimento da era bacteriana, com a verifica&ccedil;&atilde;o de que certos germes n&atilde;o cresciam na presen&ccedil;a de outros, conforme assinalado por Pasteur e Joubert, em 1877, nas suas experi&ecirc;ncias com o bacilo do antrax (Waksman, 1947).  </P >     <p>Segundo Almeida (2005), o termo antibi&oacute;tico tornou-se sin&oacute;nimo do termo agente antibacteriano. Num sentido mais restrito, as subst&acirc;ncias antibacterianas s&atilde;o classificadas como antibi&oacute;ticos, quimioterap&ecirc;uticos ou agentes sint&eacute;ticos, e agentes semi-sint&eacute;ticos, dependendo se esses agentes s&atilde;o subprodutos de microrganismos (antibi&oacute;ticos) inteiramente sintetizados em laborat&oacute;rio (agentes quimioterap&ecirc;uticos ou sint&eacute;ticos) e/ou um h&iacute;brido dos dois (agentes semisint&eacute;ticos).  </P >     <p>Manuila, Lewalle e Nicoulin (2001) definem antibi&oacute;tico como uma subst&acirc;ncia com capacidade de interagir com microorganismos mono ou pluricelulares que causam infec&ccedil;&otilde;es no organismo. Se as primeiras subst&acirc;ncias descobertas eram produzidas por fungos e bact&eacute;rias, actualmente, s&atilde;o sintetizadas em laborat&oacute;rios farmac&ecirc;uticos e t&ecirc;m a capacidade de impedir ou dificultar a manuten&ccedil;&atilde;o de um certo grupo de c&eacute;lulas vivas. Um antibi&oacute;tico &eacute; uma subst&acirc;ncia que interfere com a capacidade das bact&eacute;rias funcionarem normalmente. Pode inibir o seu crescimento (antibi&oacute;tico bacteriost&aacute;tico) ou elimina-as (antibi&oacute;tico bactericida). Quando as bact&eacute;rias desenvolvem a capacidade de se defender do efeito de um antibi&oacute;tico adquirirem resist&ecirc;ncia aos antibi&oacute;ticos. Ao longo dos anos, as bact&eacute;rias patog&eacute;nicas (bact&eacute;rias que causam doen&ccedil;as) tornaram-se resistentes a muitos antibi&oacute;ticos convencionais devido ao seu uso abusivo ou incorrecto. Segundo Caldeira <I>et al.</I> (2002) a exposi&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es aos f&aacute;rmacos antimicrobianos resulta da sua larga utiliza&ccedil;&atilde;o, quer ao n&iacute;vel da ind&uacute;stria alimentar, que absorve cerca de 50% dos antimicrobianos dispensados na maioria dos pa&iacute;ses industrializados, quer sobretudo, do seu uso na medicina humana.</P >     <p>A resist&ecirc;ncia a antibi&oacute;ticos transformou-se num problema de sa&uacute;de p&uacute;blica &agrave; escala mundial (Duarte, 2005). O uso indiscriminado e exagerado destes medicamentos, quer na comunidade, quer no meio hospitalar, tem permitido a selec&ccedil;&atilde;o de estirpes resistentes que, por um lado, condicionam o sucesso terap&ecirc;utico e por outro, originam custos s&oacute;cio-sanit&aacute;rios e econ&oacute;micos muito elevados (Falc&atilde;o <I>et al., </I>2001). Portugal n&atilde;o foge &agrave; regra, e &eacute; considerado um dos pa&iacute;ses que apresenta maior taxa de resist&ecirc;ncia aos antibi&oacute;ticos, facto que se justifica, sobretudo, pela utiliza&ccedil;&atilde;o indevida destes medicamentos (Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral de Sa&uacute;de, 2007). A prescri&ccedil;&atilde;o de antibacterianos em Portugal tem aumentado progressivamente durante os &uacute;ltimos anos. Na pr&aacute;tica cl&iacute;nica existem claras indica&ccedil;&otilde;es de que se verifica utiliza&ccedil;&atilde;o indevida, principalmente, em infec&ccedil;&otilde;es virais habituais (Canhota e Mendes, 2001). De acordo com Caldeira <I>et al</I>. (2002) Portugal apresenta-se como um dos pa&iacute;ses com maior utiliza&ccedil;&atilde;o de antibi&oacute;ticos a n&iacute;vel da Uni&atilde;o Europeia. Em 1997 apresentava uma utiliza&ccedil;&atilde;o  <I>per capita</I> de 28 doses di&aacute;rias definidas (DDD) por 1000 habitantes, apenas ultrapassado pela Fran&ccedil;a (36 DDD//1000/ habitante/di&aacute;rias) e pela Espanha (32 DDD//1000/ habitante/di&aacute;rias) o correspondente a uma utiliza&ccedil;&atilde;o cerca de 38% superior &agrave; m&eacute;dia comunit&aacute;ria (21 DDD//1000/habitante/di&aacute;ria) e superior em cerca de 321% &agrave; Holanda, que foi o pa&iacute;s que registou menor &iacute;ndice de utiliza&ccedil;&atilde;o (Caldeira <I>et al., </I>2002).</P >     <p>Devido ao elevado impacto na sa&uacute;de p&uacute;blica, o problema das resist&ecirc;ncias bacterianas transformou-se numa preocupa&ccedil;&atilde;o priorit&aacute;ria para as entidades respons&aacute;veis, uma vez que as infec&ccedil;&otilde;es causadas por estes microorganismos resistentes est&atilde;o, normalmente, associados &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida, a uma maior mortalidade, ao aumento dos custos com a sa&uacute;de e, a internamentos hospitalares prolongados que necessitam de cuidados m&eacute;dicos, (Harrison e Svec, 1998), (Hart, 1998), (Richet, 2001), (G&oacute;mez <I>et al</I>., 2003) e (Duarte, 2005), tal como j&aacute; foi oportuno referir.  </P >     <p>De acordo com G&oacute;mez <I>et al</I>. (2003) e Ruiz Br&eacute;mon <I>et al.</I> (2000) de todos os factores que t&ecirc;m influ&ecirc;ncia no aparecimento de resist&ecirc;ncias bacterianas o consumo global de antibi&oacute;ticos &eacute; o mais significativo. Por&eacute;m, outros factores podem contribuir para o aparecimento de resist&ecirc;ncia aos antibi&oacute;ticos, designadamente, a automedica&ccedil;&atilde;o, que leva ao uso incorrecto da dose de antibi&oacute;tico; a prescri&ccedil;&atilde;o muitas vezes, desnecess&aacute;ria ou incorrecta; e a dissemina&ccedil;&atilde;o de bact&eacute;rias multiresistentes, sobretudo em ambientes hospitalares devido, essencialmente, &agrave; deficiente higiene das m&atilde;os do pessoal de sa&uacute;de, &agrave; transfer&ecirc;ncia de doentes entre hospitais com a importa&ccedil;&atilde;o de estirpes multi-resistentes e &agrave;s repetidas transfer&ecirc;ncias de doentes colonizados e ou infectados entre o hospital e os lares de acolhimento (Duarte, 2005).  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pastor Garcia, Eir&oacute;s Bouza e Mayo Iscar (2002) identificaram como factores que podem afectar o consumo de antibi&oacute;ticos a estrutura demogr&aacute;fica da popula&ccedil;&atilde;o e a sua distribui&ccedil;&atilde;o por idades. De acordo com os autores, os indiv&iacute;duos com idade inferior ou igual a 14 anos e superior ou igual a 65 anos s&atilde;o, potencialmente, maiores consumidores de antibi&oacute;ticos. Por outro lado, Pastor Garcia, Eir&oacute;s Bouza e Mayo Iscar (2002), e Garcia <I>et al.</I> (1997) defendem que o consumo de antibi&oacute;ticos varia de acordo com a &aacute;rea geogr&aacute;fica. Normalmente, os indiv&iacute;duos que residem em meios rurais registam consumos de antibi&oacute;ticos inferiores aos registados nas zonas urbanas. Estes resultados contariam de alguma forma os achados de Ripoll Lozano, Jim&eacute;nez Arce e Pedraza Due&ntilde;as (2007). Estes &uacute;ltimos conclu&iacute;ram que o consumo de antibi&oacute;ticos &eacute; influenciado pelas caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas de cada regi&atilde;o, designadamente, a popula&ccedil;&atilde;o residente, o n&uacute;mero de habitantes por m&eacute;dico e o meio rural ou urbano. De acordo com os autores, as regi&otilde;es com menos popula&ccedil;&atilde;o e com menor n&uacute;mero de habitantes por m&eacute;dico registam um maior consumo de antibi&oacute;ticos. Contudo, o consumo nos meios rurais &eacute; mais do dobro do registado nos meios urbanos.  </P >     <p>Infec&ccedil;&otilde;es causadas por v&iacute;rus n&atilde;o respondem a antibi&oacute;ticos, estes s&oacute; t&ecirc;m efeitos positivos se a doen&ccedil;a for causada por uma infec&ccedil;&atilde;o bacteriana. De acordo com Duarte (2005) cerca de 80% das infec&ccedil;&otilde;es das vias respirat&oacute;rias s&atilde;o de origem viral, n&atilde;o se justificando, por isso, terap&ecirc;utica antibi&oacute;tica. Contudo, o consumo de antibi&oacute;ticos aumenta, consideravelmente, nos meses mais frios e quando se verificam picos do s&iacute;ndroma gripal (Pastor Garcia, Eir&oacute;s Bouza e Mayo Iscar, 2002) e (Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral de Sa&uacute;de, 2007). Estes medicamentos n&atilde;o s&atilde;o adequados para tratamento de infec&ccedil;&otilde;es virais e, em muitos casos podem, segundo a DGS (2007), ser mais prejudiciais do que ben&eacute;ficos. Marra <I>et al.</I> (2006) conclu&iacute;ram que a exposi&ccedil;&atilde;o a antibi&oacute;ticos durante o primeiro ano de vida constitui um factor de risco para o aparecimento e desenvolvimento de asma e de outras doen&ccedil;as cr&oacute;nicas pulmonares durante a inf&acirc;ncia. De acordo com os autores, a propens&atilde;o para sofrer de doen&ccedil;a asm&aacute;tica na inf&acirc;ncia &eacute; 2,9 vezes superior em beb&eacute;s que tomaram antibi&oacute;ticos antes de atingirem um ano de vida. Chung <I>et al</I>. (2007) conclu&iacute;ram que apesar do efeito do antibi&oacute;tico, para tratamento de infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias, em cuidados prim&aacute;rios, a curto prazo, ser transit&oacute;rio na crian&ccedil;a &eacute; suficiente para originar um elevado n&iacute;vel de resist&ecirc;ncia antibi&oacute;tica.  </P >     <p>Soto-P&eacute;rez de Celis e Roa Nava (2004) levaram a cabo uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre a automedica&ccedil;&atilde;o tendo como objecto de estudo a popula&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria da Cidade de Puebla. Os autores conclu&iacute;ram que o uso de antibi&oacute;ticos para o tratamento de patologias desconhecidas e inadequadas foi excessivo. Cerca de 20% dos jovens universit&aacute;rios utilizaram antibi&oacute;ticos para o tratamento de constipa&ccedil;&otilde;es e gripes e cerca de 7% utilizaram estes f&aacute;rmacos para o tratamento de diarreias. O consumo de antibi&oacute;ticos sem receita m&eacute;dica, geralmente aconselhado por amigos, parentes, vizinhos, meios de comunica&ccedil;&atilde;o e vendedores de farm&aacute;cia, foi muitas vezes potenciado por um conjunto de cren&ccedil;as associadas ao seu uso, sendo considerado, por muitos, como a ess&ecirc;ncia que origina curas milagrosas (Cellis e Nava, 2004).  </P >     <p>Um contributo importante nesta mat&eacute;ria foi dado por Coenen e Goossens (2007). Se at&eacute; ent&atilde;o a maioria dos investigadores tinha provado apenas a exist&ecirc;ncia de associa&ccedil;&atilde;o entre o consumo de antibi&oacute;ticos e o aparecimento de bact&eacute;rias resistentes, estes autores confirmaram a exist&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o causal entre estas vari&aacute;veis. Na opini&atilde;o dos autores, esta prova &eacute; fundamental para evitar que os m&eacute;dicos fa&ccedil;am a prescri&ccedil;&atilde;o de medicamentos inapropriada e incontrolada. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>3. Material e m&eacute;todos</B></p>     <p>O objectivo deste trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o, que tem por base    a aplica&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise de um question&aacute;rio, &eacute;    avaliar o grau de conhecimento da popula&ccedil;&atilde;o de Vizela, relativamente    ao uso de antibi&oacute;ticos. Para atingir este objectivo come&ccedil;ou-se    por fazer uma pesquisa bibliogr&aacute;fica acerca da tem&aacute;tica que permitiu    a constru&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio que viria, posteriormente,    a ser aplicado de forma directa aos inquiridos ao longo dos meses de Janeiro    e Fevereiro do ano de 2008. Para Gil (1999), a constru&ccedil;&atilde;o de um    question&aacute;rio consiste em traduzir os objectivos da pesquisa em quest&otilde;es    espec&iacute;ficas. Dado o grande n&uacute;mero de pessoas interrogadas, e o    posterior tratamento das informa&ccedil;&otilde;es, foram valorizadas neste    trabalho as perguntas do tipo fechado. O question&aacute;rio foi estruturado    em tr&ecirc;s partes. A primeira, inclu&iacute;a perguntas do foro individual    e pessoal. A segunda parte do question&aacute;rio, inclu&iacute;a perguntas    sobre a situa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica , social e econ&oacute;mica    do inquirido, nomeadamente, a localiza&ccedil;&atilde;o da resid&ecirc;ncia    do agregado familiar e a sua composi&ccedil;&atilde;o, a profiss&atilde;o, o    rendimento familiar e o n&iacute;vel de escolaridade do respondente. Finalmente,    a terceira parte continha perguntas sobre os antibi&oacute;ticos, designadamente,    a defini&ccedil;&atilde;o de antibi&oacute;tico, quem os prescreve, a administração    e para que efeitos se tomam estes medicamentos. </p>     <p>Relativamente &agrave; dimens&atilde;o da amostra, investigadores como Kotler e Armstrong (1991) consideram que, apesar das amostras maiores proporcionarem resultados mais cred&iacute;veis uma amostra constitu&iacute;da por pelo menos 1% da popula&ccedil;&atilde;o se afigura como uma amostra representativa. Neste estudo a amostra &eacute; constitu&iacute;da por 282 inquiridos dos 22595 habitantes que fazem parte da popula&ccedil;&atilde;o de Vizela (Portugal. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica, 2001). O programa inform&aacute;tico utilizado para armazenar, ordenar e tratar os dados foi o SPSS 16.0 <I>(Statistical Package for Social Sciences) </I>pelo facto de ter uma grande capacidade de armazenar dados e possuir uma grande variedade de testes para concretizar os objectivos definidos neste trabalho. Assim sendo, recorreu-se &agrave; estat&iacute;stica descritiva para caracterizar a amostra e &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de testes estat&iacute;sticos adequados para analisar a rela&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;veis.</P >     <p>&nbsp;</p>     <p><B>4. Resultados</B></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Participaram neste estudo 282 indiv&iacute;duos, dos quais 143 s&atilde;o do    sexo masculino (50,7%) e 139 s&atilde;o do sexo feminino (49,3%). Os inquiridos    apresentam idades superiores a 15 anos de idade predominando o intervalo de    idades dos 31 aos 35 anos com cerca de 18%; seguem-se as categorias de idades    igual ou superior a 50 anos e entre 36 a 40 anos de idade, com as mesmas percentagens    de 15,6%. O intervalo de idades menos representativo &eacute; o que varia entre    os 41 e os 45 anos com cerca de 6,4% dos respondentes <I>(Figura 1).</I></p>     <p>&nbsp;</P>     <p> <b>Figura 1    <br>   Categorias et&aacute;rias dos inquiridos</b></p>     <p><b><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f1.jpg" width="496" height="273"></b></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Em termos profissionais a maioria dos inquiridos &eacute; activo, cerca de 76,6%, ou seja, 216 indiv&iacute;duos num total de 282. Dos inquiridos que se encontram na situa&ccedil;&atilde;o de inactividade destacam-se os estudantes e os reformados, que representam cerca de 43,9% e 39,4% dos inactivos, respectivamente e, por fim, numa percentagem reduzida, os desempregados ou as dom&eacute;sticas (16,7% dos inactivos).  </p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias,    a grande maioria possui o 3.<Sup>o</Sup> ciclo de escolaridade, cerca de 29,4%    dos indiv&iacute;duos, segue-se o 1.<Sup>o</Sup> ciclo de escolaridade com 26,6%    e, com uma percentagem relativamente pequena, temos os indiv&iacute;duos que    possuem habilita&ccedil;&otilde;es a n&iacute;vel superior, cerca de 8,2% <I>(Figura    2). </I></P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 2    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias</b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f2.jpg" width="590" height="293"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>O rendimento familiar dos inquiridos varia de valores inferiores a 500 euros a valores superiores a 3001 euros, predominando, o intervalo de rendimento [501-1000] euros com cerca de 34,9% dos indiv&iacute;duos, seguido do intervalo de [1001-1500] euros  <I>(Figura 3). </I></P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 3    <br>   Rendimento do agregado familiar</b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f3.jpg" width="577" height="318"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>O agregado familiar dos respondentes &eacute; composto, maioritariamente, por    3 elementos com uma percentagem de 37,1%, ou seja, do total dos 282 indiv&iacute;duos    cerca de 104 tem um agregado familiar constitu&iacute;do por 3 elementos. De    registar a dimens&atilde;o do agregado familiar constitu&iacute;do por 4 elementos    com cerca de 32,8% dos indiv&iacute;duos. Apenas 16 dos 282 indiv&iacute;duos    apresentam um agregado familiar constitu&iacute;do por mais de 4 elementos <I>(Figura    4). </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 4    <br>   Dimens&atilde;o do agregado familiar</b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f4.jpg" width="641" height="327"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Tendo em conta, o n&uacute;mero de elementos menores de idade no agregado familiar,    verifica-se que 65,4% dos inquiridos apresentam, apenas, um elemento menor de    idade. Segue-se o agregado familiar com dois elementos que representa 32% do    total e, finalmente, o agregado familiar com tr&ecirc;s ou mais elementos menores    de idade, com apenas, 2,6% <I>(Figura 5).</I></P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 5    <br>   N&uacute;mero de elementos menores de idade no agregado familiar do inquirido</b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f5.jpg" width="674" height="286"></P >     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>A leitura dos resultados indica que, na sua maioria, os inquiridos residem    na cidade, cerca de 73%, 26,2% vivem em aldeias pertencentes ao concelho de    Vizela e apenas 0,4% dos indiv&iacute;duos vivem nas zonas lim&iacute;trofes    da cidade de Vizela <I>(Figura 6).</I></P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 6    <br>   &Aacute;rea de resid&ecirc;ncia dos inquiridos</b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f6.jpg" width="600" height="248"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>&nbsp;</P >     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao uso de antibi&oacute;ticos, dos 282 inquiridos, 98,9% tomam ou j&aacute; tomaram antibi&oacute;ticos e cerca de 1,1% de indiv&iacute;duos diz nunca ter consumido estes f&aacute;rmacos. Para a maioria dos respondentes, cerca de 56,4%, um antibi&oacute;tico &eacute; um f&aacute;rmaco utilizado no tratamento simples de infec&ccedil;&otilde;es. Dos 282 indiv&iacute;duos inquiridos 63 (22,3%), dizem n&atilde;o saber o que &eacute; um antibi&oacute;tico, 37 dos indiv&iacute;duos (13,1%) afirmam que um antibi&oacute;tico &eacute; usado para infec&ccedil;&otilde;es provocadas por v&iacute;rus e s&oacute; uma pequena percentagem, 7,9% dos inquiridos, afirmam que um antibi&oacute;tico &eacute; usado para o tratamento de infec&ccedil;&otilde;es bacterianas.  </P >     <p>De acordo com a <I>Figura 7</I> a frequ&ecirc;ncia com que a maioria dos indiv&iacute;duos    toma antibi&oacute;ticos &eacute; de uma vez por ano (50,9%), 32,7% dos inquiridos    tomam este f&aacute;rmaco duas vezes no ano e 3,9% dos respondentes tomam antibi&oacute;ticos    mais do que quatro vezes no ano, ou seja, um valor relativamente pequeno, mas    um pouco preocupante na medida em que a toma de antibi&oacute;ticos em quantidade    e variedade pode aumentar o risco de resist&ecirc;ncia ao medicamento. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 7    <br>   Frequ&ecirc;ncia da toma de antibi&oacute;ticos/ano </b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f7.jpg" width="581" height="250"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>As principais raz&otilde;es que levam os inquiridos a consumir estes f&aacute;rmacos s&atilde;o, essencialmente, e por ordem de prioridade, para o tratamento de amigdalites cerca de 37%, para o tratamento de gripes, inflama&ccedil;&atilde;o nos dentes, dores de garganta, dores musculares, por 26% dos respondentes. Este f&aacute;rmaco &eacute;, tamb&eacute;m, usado para o tratamento das infec&ccedil;&otilde;es urin&aacute;rias por 18,5% dos indiv&iacute;duos, para o tratamento das otites por cerca de 11,7% e, uma pequena percentagem dos inquiridos utiliza este f&aacute;rmaco no tratamento de acne, cerca de 6,8% <I>(Figura 8). </I>A dispensa de antibi&oacute;ticos &eacute;, fundamentalmente, feita por receita m&eacute;dica para cerca de 96% dos inquiridos. No entanto, ocorrem casos em que os antibi&oacute;ticos s&atilde;o dispensados sem receita m&eacute;dica (4%), sendo estes fornecidos por farmac&ecirc;uticos em cerca de 90,9% dos casos e por t&eacute;cnicos de farm&aacute;cia (cerca de 9,1%).  </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 8    <br>   Efeitos para que toma o antibi&oacute;tico</b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f8.jpg" width="625" height="201"></P >     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>Tal como mostra a <I>Figura 9, </I>84% dos respondentes toma o f&aacute;rmaco at&eacute; ao fim, um aspecto importante, na medida em que, os antibi&oacute;ticos devem sempre ser tomados a horas, na dosagem e durante o tempo que o m&eacute;dico aconselha. Embora, exista uma percentagem, 16% dos indiv&iacute;duos, que afirmam n&atilde;o tomar o antibi&oacute;tico at&eacute; ao fim, o que se traduz num tratamento incorrecto que pode aumentar a probabilidade do aparecimento de bact&eacute;rias resistentes aos antibi&oacute;ticos.  </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 9    <br>   Prescri&ccedil;&atilde;o e toma do antibi&oacute;tico</b></P >     <p><b><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f9.jpg" width="623" height="218"></b></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>&Eacute; fundamental que a administra&ccedil;&atilde;o deste f&aacute;rmaco    seja feita correctamente, no entanto, surgem alguns dados que contrariam esta    teoria, uma vez que muitas das vezes os inquiridos esquecem-se da toma destes    medicamento <I>(Figura 10). </I>Os comportamentos mais comuns dos inquiridos    quando se esquecem de tomar o antibi&oacute;tico s&atilde;o, toma o f&aacute;rmaco    logo que se lembra e continua com as tomas seguintes (45,2%), outros simplesmente    n&atilde;o tomam nesse dia e continuam com as tomas seguintes (29,1%), existem    casos de alguns inquiridos que tomam logo que se lembram e alteram as tomas    seguintes (18.9%), e por fim, h&aacute; inquiridos que n&atilde;o tomam e param    definitivamente com o tratamento (7,8%). </P >     <p>&nbsp; </P >     <p><b>Figura 10    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Administra&ccedil;&atilde;o do antibi&oacute;tico</b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f10.jpg" width="616" height="243"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Os resultados que constam da <I>Figura 11</I> permitem concluir que dos 282 inquiridos, 253 n&atilde;o contribuem para a diminui&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de automedica&ccedil;&atilde;o. No entanto, cerca de 10% dos inquiridos guardam o f&aacute;rmaco quando n&atilde;o o tomam at&eacute; ao fim e por vezes dispensam-no a outras pessoas.  </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 11    <br>   Comportamento do inquirido</b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f11.jpg" width="618" height="238"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Tal como mostra a <I>Figura 11, </I>dos inquiridos que tomam ou j&aacute; consumiram    antibi&oacute;ticos cerca de 78,7% nunca sentiu efeitos secund&aacute;rios,    12,1% n&atilde;o sabem se alguma vez sentiram efeitos secund&aacute;rios e 9,2%    dos inquiridos j&aacute; sentiram efeitos. Para estes &uacute;ltimos, o procedimento    habitual &eacute; deixarem de tomar o antibi&oacute;tico e consultar o m&eacute;dico    logo que poss&iacute;vel (74,3%). No entanto, h&aacute; quem termine o tratamento    definitivamente (20,4%) <I>(Figura 12).</I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 12    <br>   Comportamento do inquirido quando apresenta efeitos secund&aacute;rios ao medicamento</b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f12.jpg" width="507" height="306"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>As resist&ecirc;ncias a estes f&aacute;rmacos t&ecirc;m sido uma problem&aacute;tica preocupante e actual. Cerca de 45,2% dos inquiridos reconhecem a exist&ecirc;ncia desta problem&aacute;tica, cerca de 39,5% n&atilde;o sabem simplesmente o que &eacute; a resist&ecirc;ncia das bact&eacute;rias aos antibi&oacute;ticos e 15,3% negam a exist&ecirc;ncia de resist&ecirc;ncias bacterianas  <I>(Figura 13). </I></P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 13    <br>   Resist&ecirc;ncias a antibi&oacute;ticos</b></P >     <p><b><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f13.jpg" width="630" height="236"></b></P >     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>Por fim, os resultados permitem concluir que quando o inquirido faz um tratamento    &agrave; base de antibi&oacute;ticos e n&atilde;o se sente melhor, normalmente,    opta por consultar o seu m&eacute;dico, cerca de 268 dos 282 indiv&iacute;duos,    o equivalente a 95% dos respondentes. No entanto, uma percentagem, ainda que    pequena, cerca de 2% afirmam nada fazer, atitude negativa e com efeitos quase    sempre perniciosos para quem tem este tipo de comportamento <I>(Figura 14).</I></P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 14    <br>   Para que efeitos usa o antibi&oacute;tico?</b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06f14.jpg" width="613" height="293"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Segundo Vairinhos (1995) a an&aacute;lise descritiva permite emitir hip&oacute;teses acerca do comportamento das popula&ccedil;&otilde;es de onde prov&ecirc;m os dados. No entanto, para provar se a hip&oacute;tese se verifica ou n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio desenvolver regras, que permitam, uma vez formulada uma hip&oacute;tese, decidir, correndo um determinado risco, se essa hip&oacute;tese &eacute; ou n&atilde;o aceit&aacute;vel, face &agrave; informa&ccedil;&atilde;o contida nos dados. De acordo com Bryman e Cramer (1990), a investiga&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis &eacute; um passo importante na explica&ccedil;&atilde;o de factos. De acordo com Murteira (1997) e Mello (1973) sempre que se pretenda verificar se existe ou n&atilde;o rela&ccedil;&atilde;o entre dois atributos, a hip&oacute;tese a ensaiar ser&aacute; a hip&oacute;tese da independ&ecirc;ncia ou a da n&atilde;o exist&ecirc;ncia de associa&ccedil;&atilde;o. Sendo assim para relacionar duas vari&aacute;veis nominais recorreu-se &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de tabelas de conting&ecirc;ncia e &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o  do teste do Qui-quadrado (&#967;<Sup>2</Sup>). As hipóteses a testar são as seguintes  (Maroco, 2007): </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>H<Sub>0</Sub>: As variáveis são independentes. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>H : As variáveis estão relacionadas. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>Para um n&iacute;vel de confian&ccedil;a de 95% a regra de decis&atilde;o consiste em rejeitar a hip&oacute;tese nula se  <I>p-value</I> for inferior ao n&iacute;vel de signific&acirc;ncia de 5%, concluindo-se que existe associa&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis. De acordo com Spiegel (1977) &eacute; frequente adoptar-se o n&iacute;vel de signific&acirc;ncia de 0,05 ou 0,01 para evitar erros do tipo I (rejeitar uma hip&oacute;tese quando ela deveria ser aceite) ou erros do tipo II (aceitar uma hip&oacute;tese quando ela deveria ser rejeitada). Assim a probabilidade de errar &eacute; de 5% (tem-se 95% de confian&ccedil;a) para n&iacute;veis de signific&acirc;ncia de 0,05.  </P >     <p>Neste trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o o estudo da rela&ccedil;&atilde;o de vari&aacute;veis teve como objectivo identificar vari&aacute;veis que t&ecirc;m influ&ecirc;ncia no conhecimento do uso do antibi&oacute;tico. Vari&aacute;veis tais como, o g&eacute;nero, a idade, a profiss&atilde;o, habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, rendimento do agregado familiar, dimens&atilde;o do agregado familiar, n&uacute;mero de menores existentes no agregado familiar, local de resid&ecirc;ncia e comportamentos do utente na administra&ccedil;&atilde;o de antibi&oacute;ticos. Por outro lado, pretende-se testar se a frequ&ecirc;ncia da toma dos antibi&oacute;ticos est&aacute; relacionada com caracter&iacute;sticas pessoais, sociais ou econ&oacute;micas do indiv&iacute;duo e com o desenvolvimento de resist&ecirc;ncias. </P >     <p>De acordo com os resultados, apresentados no <I>Quadro I, </I>n&atilde;o existe associa&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis de car&aacute;cter, pessoal, geogr&aacute;fico, social e econ&oacute;mico e o conhecimento do uso dos antibi&oacute;ticos. No entanto, o procedimento que o inquirido tem ap&oacute;s ter sentido efeitos secund&aacute;rios reflecte-se no conhecimento que o mesmo tem quanto &agrave; finalidade e administra&ccedil;&atilde;o do antibi&oacute;tico (<I>p-value  </I>= 0,009). Usualmente, aqueles que sentem efeitos secund&aacute;rios optam por consultar sempre o seu m&eacute;dico de fam&iacute;lia.  </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Quadro I    <br>   Rela&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;veis com a vari&aacute;vel conhecimento    do uso dos antibi&oacute;ticos</b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a06q1.jpg" width="623" height="360"></P >     
<p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A frequ&ecirc;ncia da toma de antibi&oacute;ticos est&aacute; relacionada com as vari&aacute;veis, conhecimento e uso de antibi&oacute;ticos (<I>p-value  </I>= 0,002), g&eacute;nero (<I>p-value </I>= 0,037), situa&ccedil;&atilde;o do  inquirido perante o mercado de trabalho (<I>p-value </I>= 0,022), escolaridade (<I>p-value </I>= 0,048), e o facto do inquirido estar com gripe ou constipado (<I>p-value </I>= 0,000). Isto significa que estas variáveis têm influência no número de  vezes que o inquirido toma antibióticos durante o ano. Geralmente, o género  masculino, o inactivo, sobretudo, reformados e os inquiridos com menor grau de  escolaridade são aqueles que tomam antibióticos com mais frequência. Por outro  lado, a situação de doença, gripe ou constipação também tem influência no número  de vezes que o inquirido toma antibióticos ao longo do ano. Sempre que o  inquirido está com gripe ou constipado tende a consumir, com mais frequência,  antibióticos. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>5. Conclus&otilde;es</B></p>     <p>Estudos sociol&oacute;gicos demonstram que a informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    &eacute;, por si s&oacute;, suficiente para a mudan&ccedil;a dos comportamentos    e destacam uma multiplicidade de factores que influenciam o comportamento humano    sendo, a percep&ccedil;&atilde;o do risco um elemento determinante para a mudan&ccedil;a    de atitudes. Neste contexto, &eacute; importante alertar as popula&ccedil;&otilde;es    e o pessoal de sa&uacute;de para as consequ&ecirc;ncias dos comportamentos de    risco, associados &agrave; frequ&ecirc;ncia do consumo de antibi&oacute;ticos    e &agrave; sua utiliza&ccedil;&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas    inadequadas e descontroladas. </p>     <p>A an&aacute;lise dos resultados permite concluir que a amostra &eacute; constitu&iacute;da por cerca de 282 indiv&iacute;duos. Destes, 143 s&atilde;o do sexo masculino e 139 s&atilde;o do sexo feminino. Foram inquiridos indiv&iacute;duos com idade iguais ou superiores a 15 anos, sendo a classe et&aacute;ria predominante a que inclui os indiv&iacute;duos com idades entre os [31-35] anos. A maioria dos inquiridos trabalha e reside na cidade.</P >     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; tem&aacute;tica dos antibi&oacute;ticos, verifica-se que a maioria utiliza estes f&aacute;rmacos para qualquer tipo de infec&ccedil;&otilde;es, ou seja, grande percentagem dos inquiridos n&atilde;o sabe, exactamente, para que efeito toma os antibi&oacute;ticos. A frequ&ecirc;ncia da toma de antibi&oacute;ticos, para a maioria, &eacute; de apenas uma vez por ano, um aspecto relevante a ter em conta, na medida em que, na opini&atilde;o de muitos investigadores, quanto maior a frequ&ecirc;ncia da toma de antibi&oacute;ticos, maior o risco de aparecimento de bact&eacute;rias resistentes a este f&aacute;rmaco. A principal raz&atilde;o apontada pelos inquiridos para a toma destes f&aacute;rmacos &eacute;, essencialmente, para o tratamento de amigdalites. No entanto, h&aacute; quem tome e associe os antibi&oacute;ticos &agrave; cura de gripes ou de constipa&ccedil;&otilde;es. A dispensa de antibi&oacute;ticos &eacute; feita, fundamentalmente, com receita m&eacute;dica. Contudo, existem casos, em que os antibi&oacute;ticos s&atilde;o dispensados sem receita m&eacute;dica, pelos farmac&ecirc;uticos e pelos t&eacute;cnicos de farm&aacute;cia. Os respondentes afirmam que, normalmente, tomam os antibi&oacute;ticos at&eacute; ao fim, no entanto, existe uma percentagem, ainda que residual, que n&atilde;o tem este comportamento, o que leva, a que o tratamento n&atilde;o seja feito de forma correcta, proporcionando condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis para o desenvolvimento de bact&eacute;rias resistentes a estes f&aacute;rmacos.</P >     <p>A an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;veis permitiu verificar que o comportamento do inquirido ap&oacute;s ter manifestado efeitos adversos ao medicamento est&aacute; relacionado com o seu conhecimento sobre o uso dos antibi&oacute;ticos. Por outro lado, a frequ&ecirc;ncia de consumo de antibi&oacute;ticos est&aacute; relacionada com vari&aacute;veis como o g&eacute;nero, a situa&ccedil;&atilde;o do inquirido perante o mercado de trabalho, a escolaridade e o facto do inquirido estar gripado ou constipado.  </P >     <p>Como s&iacute;ntese pode dizer-se que se cometem incorrec&ccedil;&otilde;es    na utiliza&ccedil;&atilde;o dos antibi&oacute;ticos, sobretudo pelo uso inadequado.    Situa&ccedil;&atilde;o preocupante que pode e deve ser corrigida sensibilizando    utentes e profissionais de sa&uacute;de para os riscos, na medida em que, as    resist&ecirc;ncias aos antibi&oacute;ticos tem aumentado ao longo dos anos,    levando a uma menor efic&aacute;cia destes f&aacute;rmacos e, consequentemente,    a uma terap&ecirc;utica, muitas das vezes, nociva. No entanto, os resultados    mostram que apesar dos inquiridos n&atilde;o terem conhecimentos suficientes    sobre os antibi&oacute;ticos, a grande maioria, tem em conta e segue a rigor    todas as recomenda&ccedil;&otilde;es do seu m&eacute;dico, minimizando desta    forma os riscos inerentes &agrave; automedica&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>&nbsp;</P > <B>     <p>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</P > </b>      ]]></body>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Monitorização do consumo de antibióticos nos serviços de cirurgia e de ortopedia de seis hospitais SA]]></article-title>
<source><![CDATA[Acta Médica Portuguesa]]></source>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Padrão de prescrição de antibacterianos sistémicos nos centros de saúde da Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></source>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Resistências aos antibióticos: um problema de saúde pública.]]></article-title>
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<year>2005</year>
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