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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Alterações climáticas na Europa: efeito nas doenças parasitárias humanas]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Climate Change in Europe: Impact on human parasitic diseases]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Instituto de Higiene e Medicina Tropical ]]></institution>
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<institution><![CDATA[,Laboratório associado Centro de Malária e Outras Doenças Tropicais  ]]></institution>
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Para a Europa, estima-se que os principais impactes das alterações no sistema climático global sejam a continuação do aumento da temperatura, o aumento do nível do mar e o aumento da intensidade e frequência de fenómenos meteorológicos extremos, tais como tempestades, ondas de calor, cheias e secas. A compreensão dos principais impactes das alterações climáticas nos diversos sectores da sociedade, a médio e longo prazo, é fundamental para o desenvolvimento de medidas de adaptação que permitam ao Homem precaver-se e minimizar esses impactes. Dada a importância do tema para o sector da saúde humana, o presente trabalho teve como principal objectivo fazer uma revisão da literatura científica, com vista a determinar quais os impactes da mudança global do clima nas doenças parasitárias humanas na Europa. Ao nível da saúde, estima-se que os principais impactes resultem do aumento da ocorrência de fenómenos extremos com consequências na taxa da mortalidade, do aumento da poluição atmosférica e consequente aumento de doenças cardio-respiratórias e do aumento da incidência de doenças infecciosas, principalmente de doenças transmitidas pela água e por vectores. O presente trabalho concentrou-se nestas duas últimas, analisando em particular as doenças parasitárias que se estima que venham a sofrer um impacte climático mais significativo: Criptosporidiose, Malária e Leishmaniose. Na sequência de episódios de pluviosidade intensa e de cheias prevê-se que o risco de doenças transmitidas pela água aumente, principalmente por surtos de Criptosporidiose. Na Europa, no entanto, as boas condições de saneamento básico e de abastecimento público actuais indicam que este risco se mantenha reduzido. Estima-se, igualmente, que o risco de doenças transmitidas por vectores venha a aumentar na sequência quer da alteração da distribuição geográfica dos vectores, quer da extensão do período de época de transmissão. As maiores preocupações para a Europa estão focadas na potencial reintrodução de Malária na Europa de Leste, na introdução do vector do Dengue no Sul da Europa, nomeadamente em Portugal, no aumento do risco de infecções por Leishmania e no aumento do risco de infecções transmitidas por carraças, como a Encefalite e Doença de Lyme. A Malária, pela sua história de endemismo recente na Europa e pela sua reintrodução em alguns países da Europa de Leste, tem sido motivo de preocupação. Com as alterações climáticas, estima-se que aumente o risco de transmissão de Malária na Europa de Leste e os casos de Malária de «aeroporto» na Europa Ocidental. A Leishmaniose Visceral, por ser endémica em alguns países da bacia mediterrânica, e face ao aumento da temperatura global, corre o risco de vir a estender os limites actuais da distribuição do vector e da doença para o Norte da Europa. Para além destes factores, a situação pode ser agravada pelo facto da Leishmaniose ser uma infecção oportunista importante em doentes infectados pelo VIH. Relativamente ao impacte das alterações climáticas nas doenças parasitárias em Portugal, a literatura existente aponta para que, nos casos em que as doenças são endémicas, o principal factor de risco seja a temperatura e, para aquelas que não o são, seja a introdução de vectores infectados. O risco actual de ocorrer transmissão de Malária em Portugal é muito baixo, estimando-se que no futuro, a não ser que haja introdução focal de vectores infectados, o risco se mantenha baixo. No caso da Leishmaniose, o risco actual de ocorrer transmissão em Portugal é médio, prevendo-se, no futuro, que se torne elevado devido ao aumento do número de dias com condições favoráveis à sobrevivência dos seus vectores e à possível expansão da distribuição geográfica dos mesmos no país. Apesar dos avanços conseguidos com o protocolo de Quioto, em termos de redução das emissões de gases com efeito de estufa este será pouco eficaz em evitar o aumento da temperatura nos próximos 50 anos, e como tal, torna-se crucial que as populações procurem adaptar-se a fim de minimizar os efeitos negativos que daí possam advir para a saúde e sociedade.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Earth’s climate is not constant and its natural changes obey to relatively well defined cycles. The abnormal increase that has recently been observed in temperature largely exceeds the natural climate changes from the last 1000 years. The most recent studies state that the causes of global warming are associated with the increase of anthropogenic emissions of greenhouse gases to the atmosphere. Future climate change scenarios indicate that the major impacts on Europe will be the increase of temperature, sea-level rise and higher frequency and intensity of extreme events, such as storms, heat waves, floods and droughts. In order to develop adaptation policies that allow an adequate prevention and minimize major climate change impacts it is fundamental to understand their impact on different sectors of society. Having in mind the importance to the human health sector, the aim of the present work was to review scientific literature in order to assess the impacts of climate change on human parasitic diseases in Europe. The main climate change impacts expected on health are associated with the occurrence of meteorological extreme events probably causing an increase of mortality, the intensification of air pollution with consequences on cardiorespiratory diseases, and the increase of infection diseases, especially water and vector-borne diseases. On the present work we focused on parasitic diseases that are estimated to suffer a more significant climate impact: Cryptosporidiosis, Malaria and Leishmaniasis. Following intense rainfall events and floods the risk of waterborne disease is estimated to increase mainly by Cryptosporidiosis outbreaks. Nevertheless, the good current sewage and public water supply conditions in Europe are expected to remain waterborne diseases at low risk. The risk of vectorborne diseases is also expected to increase due to vector geographic distribution changes and longer transmission seasons. The major concerns in Europe are focused on the potential re-introduction of Malaria on Eastern Europe, the introduction of Dengue vector on South of Europe, namely on Portugal, the increase of infection by Leishmania and on the increase of tick-borne diseases, like European Encephalite and Lyme disease. Due to a history of endemism and recent re-introduction in some Eastern Europe countries, Malaria is becoming a concern in Europe. It is expected that the Malaria risk of transmission increases on Eastern Europe and that «airport» Malaria cases increase on Western Europe. Due to current endemism situation of Visceral Leishmaniasis in the Mediterranean Region and global warming, the current limits of vector distribution and of the disease are expected to extend to North of Europe. Furthermore, this might be aggravated by the fact that Leishmaniasis is an opportunist infection among HIV patients. In Portugal it is estimated that air temperature will be the major determinant of endemic parasitic diseases whereas of non-endemic ones it will be the introduction of infected vectors. The current risk of Malaria transmission in Portugal is very low, and it is not expected to change in the near future, unless there would be a focal introduction of infected vectors. Leishmaniasis current risk of transmission in Portugal is medium. As both significant increase in days with favorable temperatures to vector survival and possible expansion of vector distribution in Portugal are expected, the risk of contracting Leishmaniasis may become higher in the country. Although the advances on reducing greenhouse gases emission achieved with Kyoto Protocol, this protocol will have low efficiency in avoiding the temperature increase of the next 50 years. Thus the development of adaptation policies to attenuate the negative impacts of climate change on human health is a major demand.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas na Europa: efeito nas doen&ccedil;as    parasit&aacute;rias humanas </b></p >     <p>&nbsp; </p >     <p><b>Patr&iacute;cia Abrantes<sup>1</sup>; Henrique Silveira<sup>2</sup></b></P >     <p>&nbsp;</P >     <p><sup>1</sup>Doutorada em Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas,    especialidade de Parasitologia pela Universidade Nova de Lisboa. Actualmente,    &eacute; bolseira de p&oacute;s-doutoramento no Instituto de Medicina Molecular,    Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. </P >     <p><sup>2</sup>Professor agregado no Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa e membro do Laborat&oacute;rio associado Centro de Mal&aacute;ria e Outras Doen&ccedil;as Tropicais. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Resumo</b></P >     <p>O clima da Terra n&atilde;o &eacute; constante e a sua varia&ccedil;&atilde;o    natural obedece a ciclos relativamente bem definidos. O aumento anormal da temperatura    que tem sido observado recentemente tem excedido largamente as varia&ccedil;&otilde;es    clim&aacute;ticas naturais dos &uacute;ltimos 1000 anos. Segundo os estudos    mais recentes, a origem do aquecimento global tem estado associada ao aumento    da emiss&atilde;o de gases com efeito de estufa resultantes da actividade antropog&eacute;nica.</B></P >     <p>Para a Europa, estima-se que os principais impactes das altera&ccedil;&otilde;es    no sistema clim&aacute;tico global sejam a continua&ccedil;&atilde;o do aumento    da temperatura, o aumento do n&iacute;vel do mar e o aumento da intensidade    e frequ&ecirc;ncia de fen&oacute;menos meteorol&oacute;gicos extremos, tais    como tempestades, ondas de calor, cheias e secas.</B></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A compreens&atilde;o dos principais impactes das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas    nos diversos sectores da sociedade, a m&eacute;dio e longo prazo, &eacute; fundamental    para o desenvolvimento de medidas de adapta&ccedil;&atilde;o que permitam ao    Homem precaver-se e minimizar esses impactes. </P >     <p>Dada a import&acirc;ncia do tema para o sector da sa&uacute;de humana, o presente    trabalho teve como principal objectivo fazer uma revis&atilde;o da literatura    cient&iacute;fica, com vista a determinar quais os impactes da mudan&ccedil;a    global do clima nas doen&ccedil;as parasit&aacute;rias humanas na Europa. </P >     <p>Ao n&iacute;vel da sa&uacute;de, estima-se que os principais impactes resultem    do aumento da ocorr&ecirc;ncia de fen&oacute;menos extremos com consequ&ecirc;ncias    na taxa da mortalidade, do aumento da polui&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica    e consequente aumento de doen&ccedil;as cardio-respirat&oacute;rias e do aumento    da incid&ecirc;ncia de doen&ccedil;as infecciosas, principalmente de doen&ccedil;as    transmitidas pela &aacute;gua e por vectores. O presente trabalho concentrou-se    nestas duas &uacute;ltimas, analisando em particular as doen&ccedil;as parasit&aacute;rias    que se estima que venham a sofrer um impacte clim&aacute;tico mais significativo:    Criptosporidiose, Mal&aacute;ria e Leishmaniose. </P >     <p>Na sequ&ecirc;ncia de epis&oacute;dios de pluviosidade intensa e de cheias    prev&ecirc;-se que o risco de doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua aumente,    principalmente por surtos de Criptosporidiose. Na Europa, no entanto, as boas    condi&ccedil;&otilde;es de saneamento b&aacute;sico e de abastecimento p&uacute;blico    actuais indicam que este risco se mantenha reduzido. </P >     <p>Estima-se, igualmente, que o risco de doen&ccedil;as transmitidas por vectores    venha a aumentar na sequ&ecirc;ncia quer da altera&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica dos vectores, quer da extens&atilde;o do per&iacute;odo de    &eacute;poca de transmiss&atilde;o. As maiores preocupa&ccedil;&otilde;es para    a Europa est&atilde;o focadas na potencial reintrodu&ccedil;&atilde;o de Mal&aacute;ria    na Europa de Leste, na introdu&ccedil;&atilde;o do vector do Dengue no Sul da    Europa, nomeadamente em Portugal, no aumento do risco de infec&ccedil;&otilde;es    por <I>Leishmania</I> e no aumento do risco de infec&ccedil;&otilde;es transmitidas    por carra&ccedil;as, como a Encefalite e Doen&ccedil;a de Lyme. </P >     <p>A Mal&aacute;ria, pela sua hist&oacute;ria de endemismo recente na Europa e    pela sua reintrodu&ccedil;&atilde;o em alguns pa&iacute;ses da Europa de Leste,    tem sido motivo de preocupa&ccedil;&atilde;o. Com as altera&ccedil;&otilde;es    clim&aacute;ticas, estima-se que aumente o risco de transmiss&atilde;o de Mal&aacute;ria    na Europa de Leste e os casos de Mal&aacute;ria de &laquo;aeroporto&raquo; na    Europa Ocidental. </P >     <p>A Leishmaniose Visceral, por ser end&eacute;mica em alguns pa&iacute;ses da    bacia mediterr&acirc;nica, e face ao aumento da temperatura global, corre o    risco de vir a estender os limites actuais da distribui&ccedil;&atilde;o do    vector e da doen&ccedil;a para o Norte da Europa. Para al&eacute;m destes factores,    a situa&ccedil;&atilde;o pode ser agravada pelo facto da Leishmaniose ser uma    infec&ccedil;&atilde;o oportunista importante em doentes infectados pelo VIH.  </P >     <p>Relativamente ao impacte das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas nas    doen&ccedil;as parasit&aacute;rias em Portugal, a literatura existente aponta    para que, nos casos em que as doen&ccedil;as s&atilde;o end&eacute;micas, o    principal factor de risco seja a temperatura e, para aquelas que n&atilde;o    o s&atilde;o, seja a introdu&ccedil;&atilde;o de vectores infectados. O risco    actual de ocorrer transmiss&atilde;o de Mal&aacute;ria em Portugal &eacute;    muito baixo, estimando-se que no futuro, a n&atilde;o ser que haja introdu&ccedil;&atilde;o    focal de vectores infectados, o risco se mantenha baixo. No caso da Leishmaniose,    o risco actual de ocorrer transmiss&atilde;o em Portugal &eacute; m&eacute;dio,    prevendo-se, no futuro, que se torne elevado devido ao aumento do n&uacute;mero    de dias com condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis &agrave; sobreviv&ecirc;ncia    dos seus vectores e &agrave; poss&iacute;vel expans&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica dos mesmos no pa&iacute;s. </P >     <p>Apesar dos avan&ccedil;os conseguidos com o protocolo de Quioto, em termos de redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de gases com efeito de estufa este ser&aacute; pouco eficaz em evitar o aumento da temperatura nos pr&oacute;ximos 50 anos, e como tal, torna-se crucial que as popula&ccedil;&otilde;es procurem adaptar-se a fim de minimizar os efeitos negativos que da&iacute; possam advir para a sa&uacute;de e sociedade. </P >     <P   ><b>Palavras-chave: </b>altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas; Europa; sa&uacute;de;    doen&ccedil;as parasit&aacute;rias; Mal&aacute;ria; Leishmaniose; Criptosporidiose.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   >&nbsp;</P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   ><b>Climate Change in Europe: Impact on human parasitic diseases</b></P >     <P   ><b>Abstract</b></P >     <p>The Earth&rsquo;s climate is not constant and its natural changes obey to relatively    well defined cycles. The abnormal increase that has recently been observed in    temperature largely exceeds the natural climate changes from the last 1000 years.    The most recent studies state that the causes of global warming are associated    with the increase of anthropogenic emissions of greenhouse gases to the atmosphere.  </P >     <p>Future climate change scenarios indicate that the major impacts on Europe will    be the increase of temperature, sea-level rise and higher frequency and intensity    of extreme events, such as storms, heat waves, floods and droughts. </P >     <p>In order to develop adaptation policies that allow an adequate prevention and    minimize major climate change impacts it is fundamental to understand their    impact on different sectors of society. Having in mind the importance to the    human health sector, the aim of the present work was to review scientific literature    in order to assess the impacts of climate change on human parasitic diseases    in Europe. </P >     <p>The main climate change impacts expected on health are associated with the    occurrence of meteorological extreme events probably causing an increase of    mortality, the intensification of air pollution with consequences on cardiorespiratory    diseases, and the increase of infection diseases, especially water and vector-borne    diseases. </P >     <p>On the present work we focused on parasitic diseases that are estimated to    suffer a more significant climate impact: Cryptosporidiosis, Malaria and Leishmaniasis.    Following intense rainfall events and floods the risk of waterborne disease    is estimated to increase mainly by Cryptosporidiosis outbreaks. Nevertheless,    the good current sewage and public water supply conditions in Europe are expected    to remain waterborne diseases at low risk. The risk of vectorborne diseases    is also expected to increase due to vector geographic distribution changes and    longer transmission seasons. The major concerns in Europe are focused on the    potential re-introduction of Malaria on Eastern Europe, the introduction of    Dengue vector on South of Europe, namely on Portugal, the increase of infection    by <I>Leishmania</I> and on the increase of tick-borne diseases, like European    Encephalite and Lyme disease. </P >     <p>Due to a history of endemism and recent re-introduction in some Eastern Europe    countries, Malaria is becoming a concern in Europe. It is expected that the    Malaria risk of transmission increases on Eastern Europe and that &laquo;airport&raquo;    Malaria cases increase on Western Europe. Due to current endemism situation    of Visceral Leishmaniasis in the Mediterranean Region and global warming, the    current limits of vector distribution and of the disease are expected to extend    to North of Europe. Furthermore, this might be aggravated by the fact that Leishmaniasis    is an opportunist infection among HIV patients. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>In Portugal it is estimated that air temperature will be the major determinant    of endemic parasitic diseases whereas of non-endemic ones it will be the introduction    of infected vectors. The current risk of Malaria transmission in Portugal is    very low, and it is not expected to change in the near future, unless there    would be a focal introduction of infected vectors. Leishmaniasis current risk    of transmission in Portugal is medium. As both significant increase in days    with favorable temperatures to vector survival and possible expansion of vector    distribution in Portugal are expected, the risk of contracting Leishmaniasis    may become higher in the country. </P >     <p>Although the advances on reducing greenhouse gases emission achieved with Kyoto    Protocol, this protocol will have low efficiency in avoiding the temperature    increase of the next 50 years. Thus the development of adaptation policies to    attenuate the negative impacts of climate change on human health is a major    demand. </P >     <P   ><b>Keywords:</b> climate change; Europe; health; parasitic diseases; Malaria;    Leishmaniose; Criptosporidiose. </P >     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b></p>     <p></B>A compreens&atilde;o dos principais impactes das altera&ccedil;&otilde;es    clim&aacute;ticas na sa&uacute;de humana a m&eacute;dio e longo prazo &eacute;    fundamental para o desenvolvimento de medidas de adapta&ccedil;&atilde;o que    permitam ao Homem precaver-se e minimizar esses impactes. </P >     <p>Neste sentido, no presente trabalho pretendeu-se fazer uma revis&atilde;o da    literatura cient&iacute;fica, com vista a determinar quais os impactes nas doen&ccedil;as    parasit&aacute;rias humanas na Europa resultantes da mudan&ccedil;a global do    clima. Tendo em conta o vasto n&uacute;mero de doen&ccedil;as parasit&aacute;rias,    a presente revis&atilde;o incidir&aacute; naquelas cujo impacte das altera&ccedil;&otilde;es    clim&aacute;ticas se estima que venha a ser mais significativo.</P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>1. Altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas</B> </p>     <p>Desde sempre a Terra tem estado sujeita a varia&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas que se manifestam em ciclos relativamente definidos, variando entre per&iacute;odos glaciares frios e per&iacute;odos interglaciares relativamente quentes. A origem destas varia&ccedil;&otilde;es tem sido associada a causas naturais, como pequenas varia&ccedil;&otilde;es na &oacute;rbita da Terra em torno do Sol, varia&ccedil;&otilde;es na posi&ccedil;&atilde;o do eixo de rota&ccedil;&atilde;o da Terra, flutua&ccedil;&otilde;es na actividade solar e per&iacute;odos de maior actividade vulc&acirc;nica (Santos e Miranda, 2006).  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, nos &uacute;ltimos 100 anos, tem-se verificado um aumento anormal da temperatura, tanto no valor como na rapidez com que este tem ocorrido, excedendo largamente as varia&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas naturais dos &uacute;ltimos 1000 anos.  </P >     <p>Segundo a defini&ccedil;&atilde;o do <I>Quarto Relat&oacute;rio de Avalia&ccedil;&atilde;o do Painel Intergovernamental para as Altera&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas</I> (IPCC), entendem-se por altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas (AC) qualquer altera&ccedil;&atilde;o do clima ao longo do tempo, quer seja devido a variabilidade natural ou como resultado da actividade humana (Solomon <I>et al., </I>2007). De acordo com este relat&oacute;rio, a origem do aquecimento global observado a partir da segunda metade do s&eacute;culo XX tem estado associada &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o do efeito de estufa. Esta intensifica&ccedil;&atilde;o tem por base o aumento da emiss&atilde;o de gases com efeito de estufa resultante da actividade antropog&eacute;nica.  </P >     <p>Com a revolu&ccedil;&atilde;o industrial, a concentra&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica de gases com efeito de estufa (GEE) aumentou acentuadamente. Gases como o di&oacute;xido de carbono (CO<Sub>2</Sub>), o metano (CH<Sub>4</Sub>) e o &oacute;xido nitroso (N<Sub>2</Sub>O) s&atilde;o alguns dos GEE cuja concentra&ccedil;&atilde;o mais tem aumentado ao longo dos anos. Segundo dados do IPCC (2007a), a concentra&ccedil;&atilde;o global de di&oacute;xido de carbono aumentou de um valor pr&eacute;-industrial de 280 ppm (partes por milh&atilde;o) para 379 ppm em 2005, devendo-se este aumento principalmente &agrave; queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis &mdash; carv&atilde;o, petr&oacute;leo e g&aacute;s natural &mdash; e outras altera&ccedil;&otilde;es no uso dos solos, como a defloresta&ccedil;&atilde;o. O aumento global da concentra&ccedil;&atilde;o de metano e &oacute;xido nitroso ocorreu principalmente devido &agrave; agricultura, registando-se para o metano uma concentra&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica em 2005 que excede de longe a varia&ccedil;&atilde;o natural dos &uacute;ltimos 650 000 anos (Solomon <I>et al., </I>2007). </P >     <p>Como consequ&ecirc;ncia da intensifica&ccedil;&atilde;o do efeito de estufa, as diferentes vari&aacute;veis clim&aacute;ticas s&atilde;o afectadas, sendo projectadas v&aacute;rias altera&ccedil;&otilde;es no sistema clim&aacute;tico global. Para 2100, projecta-se um aumento da temperatura m&eacute;dia global entre os 1,4&deg;C e 5,8&deg;C relativamente &agrave; m&eacute;dia de 1961 e 1990, aumento este que ser&aacute; mais acentuado nas regi&otilde;es continentais do que nos oceanos, perturbando o actual regime de mon&ccedil;&otilde;es e as chuvas que lhe est&atilde;o associadas. Projecta-se ainda o aumento do n&iacute;vel m&eacute;dio do mar e o aumento da frequ&ecirc;ncia de fen&oacute;menos extremos, como ondas de calor ou de frio, epis&oacute;dios de precipita&ccedil;&atilde;o muito intensa e secas mais frequentes e severas, assim como ciclones tropicais mais intensos (Santos e Miranda, 2006).  </P >     <p>Como t&ecirc;m sido verificadas nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, algumas dessas tend&ecirc;ncias s&atilde;o j&aacute; evidentes, sendo inequ&iacute;voco o actual aumento das temperaturas m&eacute;dias globais do ar e do oceano, a ampla distribui&ccedil;&atilde;o global do degelo e o aumento do n&iacute;vel m&eacute;dio do mar por meio da expans&atilde;o t&eacute;rmica das camadas superficiais do oceano e da fus&atilde;o dos gelos das regi&otilde;es montanhosas (Solomon <I>et al</I>., 2007). </P >     <p>Dado que as AC de origem antropog&eacute;nica foram inevit&aacute;veis no s&eacute;culo XX e que os seus impactes sobre os sistemas naturais e sociais ser&atilde;o na maior parte dos casos negativos, torna-se urgente elaborar e p&ocirc;r em pr&aacute;tica respostas adequadas que minimizem esses efeitos. Essas respostas ter&atilde;o de passar inevitavelmente pela mitiga&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es actuais e futuras de GEE e por medidas de adapta&ccedil;&atilde;o que minimizem os impactes negativos das AC. </P >     <p>&nbsp;</p>     <p><B>2. Altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas na Europa</B> </p>     <p>Face a modelos matem&aacute;ticos que simulam o sistema clim&aacute;tico terrestre,    incluindo a atmosfera e os oceanos, tendo por base as interac&ccedil;&otilde;es    existentes entre os diversos processos f&iacute;sicos, qu&iacute;micos e biol&oacute;gicos    que determinam o clima, prev&ecirc;-se que quase todas as regi&otilde;es da    Europa sejam afectadas pelas AC, sendo previs&iacute;vel que os impactes negativos    sejam superiores aos positivos e que, duma maneira geral, se traduzam em diferen&ccedil;as    regionais mais acentuadas. </p>     <p>Como principais impactes negativos, &eacute; expect&aacute;vel a continua&ccedil;&atilde;o do aumento da temperatura, o aumento do risco de cheias r&aacute;pidas e de inunda&ccedil;&atilde;o da costa, o aumento de eros&atilde;o provocado por tempestades e aumento do n&iacute;vel do mar, o retrocesso dos glaciares nas regi&otilde;es montanhosas, bem como a redu&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea coberta por neve e a associada diminui&ccedil;&atilde;o do turismo de Inverno (Parry <I>et al.</I>, 2007). Relativamente aos ecossistemas terrestres e &agrave; sua biodiversidade, espera-se que haja, em geral, um deslocamento dos ecossistemas para Norte e para maiores altitudes e uma perda de biodiversidade mais acentuada no Sul do que no Norte da Europa, o que resultar&aacute; muito provavelmente numa diminui&ccedil;&atilde;o da capacidade de migra&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas &agrave;s AC (Santos e Miranda, 2006).  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No Sul da Europa, prev&ecirc;-se que as AC tornem as condi&ccedil;&otilde;es adversas (temperaturas altas e seca) mais rigorosas, que haja diminui&ccedil;&atilde;o da quantidade de &aacute;gua dispon&iacute;vel, de energia h&iacute;drica e do turismo de Ver&atilde;o, bem como o aumento de risco da degrada&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de devido a ondas de calor e ao aumento da frequ&ecirc;ncia de inc&ecirc;ndios (Parry <I>et al.</I>, 2007). </P >     <p>Para a Europa Central e de Leste, est&aacute; associada a diminui&ccedil;&atilde;o da pluviosidade de Ver&atilde;o, causando maior <I>stress </I>h&iacute;drico, o aumento de risco da degrada&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de devido a ondas de calor, diminui&ccedil;&atilde;o da produtividade florestal e o risco de aumento da frequ&ecirc;ncia de inc&ecirc;ndios das culturas (Parry <I>et al.</I>, 2007). </P >     <p>No Norte da Europa, prev&ecirc;-se, numa primeira fase, que os impactes sejam positivos, com a necessidade de gastar menos energia em aquecimento, com o aumento da produtividade das colheitas e com o crescimento florestal. No entanto, &agrave; medida que as AC se intensificarem, prev&ecirc;-se que os impactes negativos se sobreponham aos positivos, traduzindo-se em cheias de Inverno mais frequentes, ecossistemas em perigo e o aumento da instabilidade do solo (Parry <I>et al.</I>, 2007). </P >     <p>&nbsp;</p>     <p><B>3. Impacte das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas na sa&uacute;de </B> </p>     <p>As altera&ccedil;&otilde;es no clima global influenciam o funcionamento de muitos ecossistemas e das suas esp&eacute;cies, como tal, &eacute; expect&aacute;vel que as AC ao longo das pr&oacute;ximas d&eacute;cadas venham a ter consequ&ecirc;ncias na sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es humanas.  </P >     <p>Apesar de ser considerada uma prioridade para a investiga&ccedil;&atilde;o e para a elabora&ccedil;&atilde;o de medidas de ac&ccedil;&atilde;o do s&eacute;culo XXI,  ainda se sabe muito pouco sobre o potencial impacte das AC na sa&uacute;de humana.  </P >     <p>Do que se sabe, prev&ecirc;-se que, embora alguns desses impactes sejam positivos, como a diminui&ccedil;&atilde;o da mortalidade associada a invernos menos rigorosos (Langford e Bentham, 1995; Martens, 1997), os impactes negativos venham a exceder os positivos (McMichael e Githeko, 2001).  </P >     <p>Os principais impactes das AC na sa&uacute;de resultam da ocorr&ecirc;ncia de fen&oacute;menos extremos, como ondas de calor, cheias e secas, da polui&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica e da incid&ecirc;ncia de doen&ccedil;as infecciosas (Parry <I>et al., </I>2007). </P >     <p>Estima-se que a ocorr&ecirc;ncia de fen&oacute;menos extremos se traduzir&aacute; num aumento da taxa de morbilidade e mortalidade na Europa (Parry <I>et al., </I>2007). A ocorr&ecirc;ncia de ondas de calor est&aacute; associada ao aumento de casos de hipertermia e da taxa de mortalidade global, particularmente, quando a temperatura ultrapassa o limite fisiol&oacute;gico das popula&ccedil;&otilde;es e quando esse aumento &eacute; acompanhado pelo aumento de humidade. Em Agosto de 2003, a onda de calor que atingiu a Europa provocou um acr&eacute;scimo de 35 000 mortes (Kovats, Wolf e Menne, 2004; Borrell <I>et al., </I>2006; Fouillet <I>et al., </I>2006). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Altera&ccedil;&otilde;es de temperatura e humidade di&aacute;rias e sazonais podem ainda deteriorar a qualidade do ar, tornando as condi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis para o aumento da concentra&ccedil;&atilde;o de poluentes atmosf&eacute;ricos e de part&iacute;culas em suspens&atilde;o, como aeroalergenos (Beggs, 2004; Garcia-Mozo <I>et al., </I>2006). Face a estas condi&ccedil;&otilde;es, estima-se que um dos impactes previs&iacute;veis das AC venha a ser o aumento da incid&ecirc;ncia de doen&ccedil;as cardio-respirat&oacute;rias associadas &agrave; polui&ccedil;&atilde;o (Watson, Zinyowera e Moss, 1997; Parry <I>et al., </I>2007). </P >     <p>Outro dos impactes que se prev&ecirc; que ocorra ao n&iacute;vel da sa&uacute;de &eacute; o aumento da incid&ecirc;ncia de doen&ccedil;as infecciosas, nomeadamente, de doen&ccedil;as originadas pela deficiente qualidade da &aacute;gua e dos alimentos e de doen&ccedil;as transmitidas por vectores e roedores (Parry <I>et al., </I>2007). O potencial aumento destas doen&ccedil;as est&aacute; relacionado com a sensibilidade que os seus sistemas biol&oacute;gicos t&ecirc;m &agrave;s vari&aacute;veis clim&aacute;ticas (por exemplo, temperatura, precipita&ccedil;&atilde;o e humidade), as quais s&atilde;o condicionantes de factores como a distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e a din&acirc;mica do ciclo de vida dos seus agentes.  </P >     <p>Para prever a influ&ecirc;ncia das condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas futuras nas doen&ccedil;as infecciosas, torna-se crucial conhecer a rela&ccedil;&atilde;o existente entre as condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e a epidemiologia das doen&ccedil;as. Tendo em conta o vasto n&uacute;mero de doen&ccedil;as infecciosas, optou-se por, daqui em diante, fazer uma breve revis&atilde;o dos factores que se sabem condicionar as doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua e pelos vectores e analisar o previs&iacute;vel impacte das AC nestas doen&ccedil;as. </P > <B>Doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua </B>      <p>Uma elevada percentagem das doen&ccedil;as que afectam o Homem e que causam a sua morte est&aacute; associada &agrave; deficiente qualidade da &aacute;gua e de saneamento, sendo os principais afectados as sociedades mais desfavorecidas, os imuno-comprometidos e as crian&ccedil;as com idade inferior a 5 anos (Pr&uuml;ss e Havelaar, 2001).  </P >     <p>A exposi&ccedil;&atilde;o do Homem a infec&ccedil;&otilde;es associadas com    a qualidade da &aacute;gua ocorre pela ingest&atilde;o de &aacute;gua contaminada,    pelo contacto com &aacute;gua de deficiente qualidade em zonas de recreio ou    ainda pela comida e pode ter origem em v&aacute;rios agentes infecciosos, como    v&iacute;rus, bact&eacute;rias ou parasitas <I>(Tabela I).</I></P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b><a href="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a07q1.jpg" target="_blank">Tabela    I</a>    
<br>   Exemplo de doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua com import&acirc;ncia    cl&iacute;nica: agentes patog&eacute;nicos, modo de transmiss&atilde;o e sintomas    cl&iacute;nicos (adaptado de Hunter, 2003)</b></P >     <p>&nbsp;</P >     <p>Salvo quando por ac&ccedil;&atilde;o humana, a deteriora&ccedil;&atilde;o da    qualidade da &aacute;gua resulta, na maior parte dos casos, de varia&ccedil;&otilde;es    na precipita&ccedil;&atilde;o e na temperatura. A ocorr&ecirc;ncia de epis&oacute;dios    de pluviosidade intensa pode conduzir ao aumento do risco de cheias e &agrave;    consequente contamina&ccedil;&atilde;o de aqu&iacute;feros, &agrave; deteriora&ccedil;&atilde;o    da qualidade de &aacute;guas superficiais (podendo afectar a sa&uacute;de dos    que t&ecirc;m contacto com &aacute;gua em actividades de recreio) e ao aumento    da floresc&ecirc;ncia de organismos plant&oacute;nicos, consequ&ecirc;ncia do    aumento da concentra&ccedil;&atilde;o de nutrientes dispon&iacute;veis na &aacute;gua    (Reynolds, 1984 <I>in</I> Hunter, 2003; Albay, Matthiensen e Codd, 2005). O    aumento da temperatura est&aacute; associada &agrave; prolifera&ccedil;&atilde;o    de microorganismos plant&oacute;nicos, como as cianobact&eacute;rias (Am&eacute;,    del Pilar D&iacute;az e Wunderlin, 2003), e &agrave; multiplica&ccedil;&atilde;o    de agentes patog&eacute;nicos na comida, como, por exemplo, a contamina&ccedil;&atilde;o    com salmonelas, frequente nos meses de Ver&atilde;o (Kovats <I>et al</I>., 2004).  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alguns exemplos da forte rela&ccedil;&atilde;o que existe entre a pluviosidade intensa e surtos de doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua nos meses que se seguem aos epis&oacute;dios de chuva s&atilde;o j&aacute; vis&iacute;veis nos dias de hoje (Anon, 2000; Curriero <I>et al., </I>2001), provavelmente como consequ&ecirc;ncia da altera&ccedil;&atilde;o da epidemiologia dos seus agentes patog&eacute;nicos. Os epis&oacute;dios de pluviosidade intensa j&aacute; foram associados a uma maior probabilidade de detectar oocistos de <I>Giardia</I> ou <I>Cryptosporidium</I> na &aacute;gua dos rios (Atherbolt <I>et al., </I>1998), ao elevado n&uacute;mero de bact&eacute;rias presentes na &aacute;gua dos rios e das marinas (O&rsquo;Shead e Field, 1992; Crowther, Kay e Wyer, 2001) e ao crescimento de coliformes nos sistemas de distribui&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua (LeChevallier, Schulz e Lee, 1991).  </P >     <p>Nos pa&iacute;ses desenvolvidos, a incid&ecirc;ncia de doen&ccedil;as transmitidas    pela &aacute;gua ocorre predominantemente por surtos associados &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o    de abastecimentos de &aacute;gua privados e p&uacute;blicos (Craun, Calderon    e Nwachuku, 2002; Stanwell-Smith <I>et al., </I>2002 <I>in </I>Hunter, 2003),    na maioria dos casos por <I>Cryptosporidium</I> e <I>Campylobacter</I> (Hunter,    2003). Estes agentes patog&eacute;nicos, ao contr&aacute;rio de muitos outros    que se encontram restritos a determinadas regi&otilde;es tropicais (<I>e.g.    Vibrio cholerae, </I>v&iacute;rus da Hepatite E e <I>Schistosoma</I> sp.), encontram-se    geralmente distribu&iacute;dos por todas as regi&otilde;es do globo, pelo que    faz deles a causa mais comum de surtos associados ao abastecimento de &aacute;gua    (Meinhardt, Casemore e Miller, 1996; Stanwell-Smith <I>et al., </I>2002 <I>in</I>    Hunter, 2003). </P >     <p><B>Impacte das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas nas doen&ccedil;as    transmitidas pela &aacute;gua </B> </P >     <p>De acordo com as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas previstas at&eacute; ao final do s&eacute;culo XXI, parece prov&aacute;vel que o aumento da temperatura e da ocorr&ecirc;ncia de cheias e de secas regionais aumentem o risco de doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua (Watson, Zinyowera e Moss, 1997; Parry <I>et al., </I>2007).</P >     <p>No entanto, para a Europa, a manterem-se as condi&ccedil;&otilde;es de saneamento b&aacute;sico e de abastecimento p&uacute;blico actuais, prev&ecirc;-se que (a n&atilde;o ser que haja o risco de um colapso econ&oacute;mico) o risco de aumentarem as doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua seja ligeiro (Hunter, 2003). O maior risco pode advir de postos de abastecimentos privados de m&aacute; qualidade que, associado a epis&oacute;dios de pluviosidade intensa mais frequentes, possam deteriorar as condi&ccedil;&otilde;es j&aacute; existentes. Existe ainda alguma preocupa&ccedil;&atilde;o relativamente a popula&ccedil;&otilde;es da Europa de Leste que, por terem actualmente restri&ccedil;&otilde;es no acesso de &aacute;gua pot&aacute;vel em casa, possam estar sujeitas, no futuro, ao agravamento da qualidade de &aacute;gua motivada por mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas (Bartram <I>et al</I>., 2002). Em qualquer uma das situa&ccedil;&otilde;es mencionadas, prev&ecirc;-se que o maior risco na Europa esteja associado &agrave; ocorr&ecirc;ncia de surtos de Criptosporidiose (Watson, Zinyowera e Moss, 1997; Menne e Ebi, 2006).  </P >     <p>Aos factores acima descritos pode ainda acrescentar-se um poss&iacute;vel aumento    de doen&ccedil;as derivadas da utiliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua de zonas    de recreio associado com o crescente aumento de eutrofiza&ccedil;&atilde;o que    se tem observado na Europa (Ottesen e Lassen, 1997; Fastner <I>et al</I>., 1999;    Hunter, 2003; Peperzak, 2005). Tendo em conta que o maior impacte das AC nas    doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua na Europa se dever&aacute; &agrave;    infec&ccedil;&atilde;o por <I>Cryptosporidium</I>, seguir-se-&aacute; uma breve    descri&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a causada por este parasita. </P >     <p><B>Criptosporidiose</B> </P >     <p>A Criptosporidiose &eacute; uma doen&ccedil;a causada por um protozo&aacute;rio do g&eacute;nero  <I>Cryptosporidium</I>, que se aloja no aparelho gastrointestinal do hospedeiro (que podem ser mam&iacute;feros, aves, peixes ou r&eacute;pteis), provocando-lhe sintomas como diarreia, dores abdominais, perda de apetite, n&aacute;useas e v&oacute;mitos. Ao contr&aacute;rio dos restantes Apicomplexa, a transmiss&atilde;o deste parasita ocorre pelo estadio de oocisto e s&oacute; envolve um hospedeiro. </P >     <p>&Eacute; considerada uma amea&ccedil;a &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica, quer por ser uma das principais causas de doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua em diferentes pa&iacute;ses e pelas consequ&ecirc;ncias que causa na popula&ccedil;&atilde;o, especialmente em crian&ccedil;as e em indiv&iacute;duos imuno-comprometidos (Cacci&ograve; <I>et al.</I>, 2005), quer pela dificuldade em eliminar o parasita atrav&eacute;s dos meios usuais de desinfec&ccedil;&atilde;o (Campbell  <I>et al</I>., 1982). </P >     <p>A transmiss&atilde;o ocorre atrav&eacute;s do contacto com fezes contaminadas, tanto pelo contacto directo pessoa-a-pessoa ou zoon&oacute;tico ou, indirectamente, por &aacute;gua ou comida contaminada. Ap&oacute;s a ingest&atilde;o ou inala&ccedil;&atilde;o de oocistos (estadio infectante) pelo hospedeiro, o parasita invade as c&eacute;lulas epiteliais do aparelho gastrointestinal (ou de outros tecidos, como do aparelho respirat&oacute;rio) onde se multiplica, primeiro passando por uma fase esquizog&oacute;nica e de seguida, por uma fase de gametog&eacute;nese e de fertiliza&ccedil;&atilde;o. A partir do estadio de zigoto, o parasita diferencia-se em duas formas de oocistos diferentes, um, de parede fina, que permanece no hospedeiro e outro, de parede espessa, que &eacute; excretado do hospedeiro pelas fezes, estando assim apto para ser transmitido a um novo hospedeiro.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O facto do parasita ser constitu&iacute;do por uma parede externa muito resistente, permite-lhe sobreviver, por longos per&iacute;odos de tempo, fora do hospedeiro (no solo ou na &aacute;gua) em condi&ccedil;&otilde;es de temperatura mais extremas e ser insens&iacute;vel &agrave; desinfec&ccedil;&atilde;o por cloro (Smith, 1989).  </P >     <p>Apesar de parecer existir uma forte associa&ccedil;&atilde;o entre as vari&aacute;veis clim&aacute;ticas e a incid&ecirc;ncia de Criptosporidiose, esta rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; ainda muito bem compreendida, possivelmente fruto da escassez de estudos realizados sobre o tema.  </P >     <p>Na literatura existente, a Criptosporidiose tem sido relacionada com epis&oacute;dios clim&aacute;ticos extremos, em especial com o aumento da temperatura m&aacute;xima no Ver&atilde;o. No estudo realizado por Hu <I>et al</I>. (2007), a temperatura m&aacute;xima e a humidade relativa mostraram-se determinantes na transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a, coincidindo com os elevados picos de Criptosporidiose. Segundo Rose (1997), a maior preval&ecirc;ncia da doen&ccedil;a parece ocorrer nos meses quentes, frios ou em &eacute;pocas de chuvas, n&atilde;o sendo ainda compreendida a raz&atilde;o de tal heterogeneidade.  </P >     <p>A Criptosporidiose est&aacute; largamente distribu&iacute;da, sendo prevalente em cerca de 90 pa&iacute;ses distribu&iacute;dos pelos diferentes continentes (Cacci&ograve; <I>et al</I>., 2006). Das cerca de 7 esp&eacute;cies que infectam o Homem, <I>Cryptosporidium hominis</I> e  <I>Cryptosporidium parvum </I>s&atilde;o a principal causa de Criptosporidiose humana, provocando aproximadamente 90% dos casos (Cacci&ograve; <I>et al</I>., 2006). <I>Cryptosporidium hominis</I> &eacute; maioritariamente prevalente na Am&eacute;rica do Sul e do Norte, na Austr&aacute;lia e &Aacute;frica e  <I>C. parvum</I> &eacute; mais prevalente na Europa, especialmente no Reino Unido (Cacci&ograve; <I>et al.</I>, 2005). Usualmente a ocorr&ecirc;ncia de surtos de Criptosporidiose tem sido associada a institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e a lares de dia, a praticantes de desportos aqu&aacute;ticos em lagos e piscinas e a munic&iacute;pios com abastecimento, p&uacute;blico ou privado, de &aacute;gua contaminada.  </P >     <p>Na Europa, a infec&ccedil;&atilde;o encontra-se prevalente na popula&ccedil;&atilde;o em geral, atingindo valores pr&oacute;ximos dos 15% (Cacci&ograve; <I>et al.</I>, 2005). Segundo dados da <I>European Basic Surveillance Network,</I> em 2005, foram registados na Europa cerca de 7960 casos de Criptosporidiose, tendo a maior taxa de incid&ecirc;ncia ocorrido na Irlanda (Semenza e Nichols, 2007). Apesar do elevado n&uacute;mero de casos registados, &eacute; previs&iacute;vel que estes valores correspondam a uma subestima&ccedil;&atilde;o dos casos reais, dado serem referentes a apenas 60% dos pa&iacute;ses europeus. Para os restantes pa&iacute;ses (onde est&aacute; inclu&iacute;do Portugal), n&atilde;o existem dados dispon&iacute;veis, o que poder&aacute; reflectir, possivelmente, limita&ccedil;&otilde;es na monitoriza&ccedil;&atilde;o.  </P >     <p>Tal como referido anteriormente, prev&ecirc;-se, no futuro, que o risco de    Criptosporidiose possa aumentar, particularmente por transmiss&atilde;o indirecta    pela &aacute;gua, face ao previs&iacute;vel aumento de fen&oacute;menos extremos    na Europa, como epis&oacute;dios de pluviosidade intensa e cheias. Ao alterarem-se    os padr&otilde;es clim&aacute;ticos, podem tamb&eacute;m variar os limites geogr&aacute;ficos    do parasita, resultando num potencial aumento da exposi&ccedil;&atilde;o e risco    de infec&ccedil;&atilde;o para os humanos. Cr&ecirc;-se, no entanto, que este    risco seja ligeiro devido ao eficiente sistema de saneamento b&aacute;sico vigente    na Europa.</P >     <p><B>Doen&ccedil;as transmitidas por vectores </B></P >     <p>Do ponto de vista da entomologia m&eacute;dica, consideram-se vectores os artr&oacute;podes    hemat&oacute;fagos que asseguram a transmiss&atilde;o biol&oacute;gica (ou mec&acirc;nica)    activa de agentes patog&eacute;nicos entre diferentes hospedeiros vertebrados    (Rodhain e Perez, 1985). De uma forma geral, os representantes mais importantes    deste grupo s&atilde;o os mosquitos e as carra&ccedil;as e o modo mais significativo    de transmiss&atilde;o ocorre por transmiss&atilde;o biol&oacute;gica atrav&eacute;s    da alimenta&ccedil;&atilde;o do sangue do hospedeiro. Actualmente, as doen&ccedil;as    transmitidas por vectores est&atilde;o entre as doen&ccedil;as que causam maior    morbilidade e mortalidade. Estas podem ser causadas por uma grande variedade    de agentes patog&eacute;nicos, como v&iacute;rus, bact&eacute;rias e parasitas    <I>(Tabela II), </I>os quais se multiplicam no interior do vector e s&atilde;o    posteriormente transmitidos para o hospedeiro vertebrado na refei&ccedil;&atilde;o    sangu&iacute;nea seguinte.</P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b><a href="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a07q2.jpg" target="_blank">Tabela II</a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Exemplo de doen&ccedil;as transmitidas por vectores com import&acirc;ncia cl&iacute;nica:    agentes patog&eacute;nicos, vectores, distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica    e sintomas cl&iacute;nicos (adaptado de Hunter, 2003)</b></P >     <p>&nbsp;</P >     <p>Para que a transmiss&atilde;o ocorra com sucesso e a doen&ccedil;a se estabele&ccedil;a, factores como a abund&acirc;ncia dos vectores e dos seus hospedeiros, a preval&ecirc;ncia de agentes patog&eacute;nicos adaptados aos vectores e aos seus hospedeiros, o estado imunit&aacute;rio da popula&ccedil;&atilde;o humana e as condi&ccedil;&otilde;es ambientais locais s&atilde;o determinantes neste processo (WHO, 1990).</P >     <p>Est&aacute; bem estabelecido que as varia&ccedil;&otilde;es de temperatura, pluviosidade e humidade s&atilde;o factores cruciais na distribui&ccedil;&atilde;o espacial e temporal dos vectores e dos agentes patog&eacute;nicos (Parmesan <I>et al., </I>1999; Kuhn, Campdell-lendrum e Davies, 2002).</P >     <p>A temperatura &eacute; um factor cr&iacute;tico na distribui&ccedil;&atilde;o do vector, na medida em que acelera a sua taxa metab&oacute;lica, aumenta a taxa de crescimento da popula&ccedil;&atilde;o e a frequ&ecirc;ncia de refei&ccedil;&otilde;es sangu&iacute;neas (Mellor e Leake, 2000), mas tamb&eacute;m pode afectar a efici&ecirc;ncia pelo qual o vector transmite o agente patog&eacute;nico, influenciando o per&iacute;odo de incuba&ccedil;&atilde;o do agente patog&eacute;nico no vector e a extens&atilde;o da &eacute;poca de transmiss&atilde;o (Gubler <I>et al., </I>2001).</P >     <p>A pluviosidade, por seu lado, actua principalmente ao n&iacute;vel dos locais de criadouros dos vectores e dos habitats dos hospedeiros vertebrados (Gubler <I>et al., </I>2001. Na sequ&ecirc;ncia de epis&oacute;dios de pluviosidade intensa, o aumento de &aacute;guas superficiais pode proporcionar locais de criadouro para os vectores e, ao mesmo tempo, aumentar a densidade de vegeta&ccedil;&atilde;o e permitir assim a expans&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o de hospedeiros vertebrados. No caso de cheias, estas podem, por um lado, eliminar os habitats dos vectores e dos hospedeiros vertebrados e, por outro, &laquo;for&ccedil;ar&raquo; o contacto mais pr&oacute;ximo entre o hospedeiro vertebrado e o Homem. Em situa&ccedil;&otilde;es de pluviosidade fraca, tamb&eacute;m pode ocorrer o aumento de locais de criadouro dos vectores devido ao fluxo dos rios ficar mais lento (Gubler et al., 2001. Em condi&ccedil;&otilde;es relativamente h&uacute;midas, os habitats tornam-se mais favor&aacute;veis, contribuindo para o aumento da distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e da abund&acirc;ncia sazonal dos vectores.</P >     <p>As doen&ccedil;as transmitidas por vectores s&atilde;o, de uma forma geral, prevalentes nos tr&oacute;picos e nos subtr&oacute;picos, sendo relativamente raras nas zonas temperadas. Com as AC cr&ecirc;-se que esta situa&ccedil;&atilde;o seja alterada, podendo levar ao reaparecimento ou introdu&ccedil;&atilde;o generalizada de algumas doen&ccedil;as nas zonas temperadas. Este facto, juntamente com um conjunto de situa&ccedil;&otilde;es como o desenvolvimento de resist&ecirc;ncia a insecticidas e f&aacute;rmacos, a diminui&ccedil;&atilde;o de recursos para monitoriza&ccedil;&atilde;o, preven&ccedil;&atilde;o e controlo das doen&ccedil;as transmitidas por vectores, a deteriora&ccedil;&atilde;o das infra-estruturas de sa&uacute;de p&uacute;blica necess&aacute;rias para lidar com estas doen&ccedil;as, crescimento populacional sem precedentes, altera&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas agr&iacute;colas, defloresta&ccedil;&atilde;o e o aumento de viajantes podem agravar esta situa&ccedil;&atilde;o (Gubler, 1997).  </P >     <p>Tendo em conta a rela&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as transmitidas por    vectores com os factores clim&aacute;ticos e face &agrave;s evid&ecirc;ncias    actuais de que o clima est&aacute; a mudar, torna-se importante determinar qual    o impacte das AC nestas doen&ccedil;as. </P >     <p><B>Impacte das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas nas doen&ccedil;as    transmitidas por vectores </B> </P >     <p>De acordo com as actuais evid&ecirc;ncias e com os cen&aacute;rios de AC previstos para a Europa, o principal impacte nas doen&ccedil;as transmitidas por vectores parece traduzir-se na altera&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica dos seus vectores (<I>e.g</I>. carra&ccedil;as) e na extens&atilde;o do per&iacute;odo de &eacute;poca de transmiss&atilde;o, potenciando assim o risco de aumentar a transmiss&atilde;o destas doen&ccedil;as (Watson, Zinyowera e Moss, 1997; Lindgren e Gustafson, 2001; Kuhn <I>et al., </I>2005). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo o relat&oacute;rio do IPCC (1997; Parry <I>et al., </I>2007), as maiores preocupa&ccedil;&otilde;es para a Europa est&atilde;o focadas na potencial re-introdu&ccedil;&atilde;o de Mal&aacute;ria na Europa de Leste, na introdu&ccedil;&atilde;o do vector do Dengue, <I>Aedes albopictus</I>, em alguns dos pa&iacute;ses do Sul da Europa, nomeadamente Portugal, no aumento do risco de infec&ccedil;&otilde;es por  <I>Leishmania</I> e no aumento do risco de infec&ccedil;&otilde;es transmitidas por carra&ccedil;as, como de Encefalite Europeia e da Doen&ccedil;a de Lyme.  </P >     <p>No &acirc;mbito desta revis&atilde;o, ser&atilde;o de seguida abordadas mais    em pormenor as doen&ccedil;as parasit&aacute;rias transmitidas por vectores    cujos impactes previstos pelas AC se estima que possam vir a ser mais significativos    na Europa &mdash; a Mal&aacute;ria e a Leishmaniose. </P >     <p><B>Mal&aacute;ria </B></P >     <p>A Mal&aacute;ria &eacute; uma das principais causas de mortalidade no mundo, estimando-se que seja respons&aacute;vel pela morte de mais de um milh&atilde;o de pessoas por ano (WHO, 2006). A Mal&aacute;ria tem um ciclo de transmiss&atilde;o complexo, envolvendo tr&ecirc;s organismos: um hospedeiro vertebrado, um protozo&aacute;rio do g&eacute;nero <I>Plasmodium</I> e um mosquito vector do g&eacute;nero <I>Anopheles</I> que &eacute; respons&aacute;vel por transmitir a doen&ccedil;a entre hospedeiros vertebrados no acto de o picar para uma refei&ccedil;&atilde;o sangu&iacute;nea.  </P >     <p>A fase do ciclo de vida que ocorre no hospedeiro vertebrado (esquizogonia) inicia-se com a alimenta&ccedil;&atilde;o de um mosquito f&ecirc;mea infectado e a inocula&ccedil;&atilde;o de esporozo&iacute;tos para a corrente sangu&iacute;nea do hospedeiro. Uma vez no hospedeiro, alguns desses esporozo&iacute;tos v&atilde;o migrar e invadir os hepat&oacute;citos, iniciando assim uma fase de replica&ccedil;&atilde;o dos parasitas em merozo&iacute;tos invasivos. Ao se romperem os hepat&oacute;citos, os merozo&iacute;tos v&atilde;o invadir os gl&oacute;bulos vermelhos e iniciar uma fase de multiplica&ccedil;&atilde;o assexual, na qual os merozo&iacute;tos se diferenciam em trofozo&iacute;tos e estes em esquizontes. Este ciclo ocorre de uma forma peri&oacute;dica, sendo respons&aacute;vel pelos sintomas t&iacute;picos de uma infec&ccedil;&atilde;o de mal&aacute;ria, como picos de febre, seguidos por arrepios de frio e suda&ccedil;&atilde;o.  </P >     <p>Ap&oacute;s v&aacute;rias repeti&ccedil;&otilde;es do ciclo eritrocit&aacute;rio, alguns dos merozo&iacute;tos ir&atilde;o diferenciar-se em gamet&oacute;citos masculinos e femininos, estando assim aptos para serem ingeridos pelo mosquito na pr&oacute;xima alimenta&ccedil;&atilde;o.  </P >     <p>Uma vez no mosquito, inicia-se o desenvolvimento esporog&oacute;nico, fase onde ocorre a reprodu&ccedil;&atilde;o sexuada do parasita. Ap&oacute;s a matura&ccedil;&atilde;o dos gamet&oacute;citos no est&ocirc;mago do mosquito, ocorre a fertiliza&ccedil;&atilde;o. O zigoto formado diferencia-se num oocineto m&oacute;vel que atravessa o epit&eacute;lio do est&ocirc;mago, alojando-se entre este e a l&acirc;mina basal. A&iacute; diferenciar-se-&aacute; num oocisto, no qual ser&atilde;o produzidos no seu interior milhares de esporozo&iacute;tos. Com o rompimento do oocisto, os esporozo&iacute;tos ser&atilde;o libertados na hemolinfa e migrar&atilde;o posteriormente para as gl&acirc;ndulas salivares, onde estar&atilde;o aptos para serem nova-mente inoculados no hospedeiro vertebrado.  </P >     <p>A dura&ccedil;&atilde;o do ciclo de vida do parasita &eacute; espec&iacute;fico da esp&eacute;cie e depende de factores como a temperatura. No Homem existem quatro esp&eacute;cies do g&eacute;nero <I>Plasmodium</I> que podem causar Mal&aacute;ria, <I>Plasmodium falciparum</I>,  <I>Plasmodium vivax, Plasmodium ovale</I> e <I>Plasmodium malariae</I>, sendo a primeira a que causa as formas mais graves da doen&ccedil;a.  </P >     <p>A distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica da Mal&aacute;ria &eacute; muito vasta, sendo actualmente end&eacute;mica em 100 pa&iacute;ses de diferentes regi&otilde;es do mundo, como a &Iacute;ndia, Sudeste asi&aacute;tico, Am&eacute;rica Central e do Sul e, principalmente, na &Aacute;frica sub-sahariana. De entre os v&aacute;rios factores que est&atilde;o na origem desta distribui&ccedil;&atilde;o est&atilde;o factores clim&aacute;ticos como a temperatura, humidade e precipita&ccedil;&atilde;o, os quais influenciam os diferentes componentes do ciclo de vida e, por isso, s&atilde;o determinantes na distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e na sazonalidade da doen&ccedil;a. A temperatura &eacute; crucial no desenvolvimento do mosquito, na medida em que temperaturas mais elevadas podem encurtar a dura&ccedil;&atilde;o do ciclo gonotr&oacute;fico e do ciclo ovo-adulto e aumentar a sobreviv&ecirc;ncia da f&ecirc;mea (Rodhain e Perez, 1985). Da mesma forma, tamb&eacute;m a dura&ccedil;&atilde;o do ciclo esporog&oacute;nico do plasm&oacute;dio &eacute; encurtada pelo aumento da temperatura, o que aumenta a probabilidade do ciclo se completar no interior da f&ecirc;mea e de assim ocorrer transmiss&atilde;o. As temperaturas &oacute;ptimas para o desenvolvimento de  <I>Anopheles</I> variam de 20-27&deg;C e para o desenvolvimento do parasita entre 22-30&deg;C (22&deg;C para  <I>P. malariae</I>, 25&deg;C para <I>P. vivax</I> e 30&deg;C para <I>P. falciparum</I>). Nas condi&ccedil;&otilde;es em que a altitude seja superior a 3000 metros ou que a temperatura se mantenha abaixo dos 15&deg;C ou acima dos 38&deg;C, a transmiss&atilde;o fica comprometida. Se a humidade relativa for inferior a 52%, verifica-se uma redu&ccedil;&atilde;o not&aacute;vel no n&uacute;mero de picadas do mosquito (revisto em L&oacute;pez-V&eacute;lez e Moreno, 2005). Como referido anteriormente, a pluviosidade &eacute; crucial para a presen&ccedil;a de locais de criadouro do mosquito, atribuindo-se que a transmiss&atilde;o de Mal&aacute;ria se encontra dependente duma pluviosidade m&iacute;nima mensal entre 50 e 80 mm durante alguns meses consecutivos (Craig, Snow e Le Sueur, 1999). </P >     <p>No passado, a Mal&aacute;ria era end&eacute;mica em toda a Europa, atingindo uma taxa de mortalidade bastante elevada, sobretudo na It&aacute;lia, Espanha e Portugal. Em Portugal, era uma doen&ccedil;a comum, principalmente no Ver&atilde;o, chegando a atingir na d&eacute;cada de 1940, cerca de 70000 casos por ano devido a  <I>P. vivax</I> (revisto em Santos e Miranda, 2006). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir da segunda metade do s&eacute;culo XIX, a Mal&aacute;ria desaparece do Norte da Europa e come&ccedil;a a declinar no Centro, onde acaba por desaparecer no fim da Primeira Guerra Mundial. Cr&ecirc;-se que este decl&iacute;nio esteve maioritariamente associado &agrave; melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de drenagem, ao cultivo de zonas pantanosas e a novos m&eacute;todos usados na agricultura, uma vez que nesta altura n&atilde;o se assistiu a altera&ccedil;&otilde;es significativas do clima. Por esta altura, a Mal&aacute;ria continua prevalente no Sul da Europa, com a presen&ccedil;a de v&aacute;rias esp&eacute;cies de vectores competentes, abundantes locais de criadouro dos mosquitos, ver&otilde;es longos e condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas pouco desenvolvidas, condi&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias &agrave; sua transmiss&atilde;o. S&oacute; em 1975, com a aplica&ccedil;&atilde;o de uma campanha antimal&aacute;rica multifacetada, envolvendo o uso de DDT, &eacute; que a Mal&aacute;ria &eacute; declarada como oficialmente erradicada de todo o continente europeu (WHO, 1978).  </P >     <p>Nos anos 90 do s&eacute;culo XX, surgiram novos casos da doença nas novas  Repúblicas do Sul da ex-Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, importados pelas tropas presentes no Afeganist&atilde;o (revisto em L&oacute;pez-V&eacute;lez e Moreno, 2005). Actualmente, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; problem&aacute;tica na Turquia (20 905 casos aut&oacute;ctones registados em 1999), no Azerbaij&atilde;o e no Tajiquist&atilde;o, com a ocorr&ecirc;ncia de epidemias massivas, enquanto na Arm&eacute;nia, R&uacute;ssia, Turkmenist&atilde;o e Uzbequist&atilde;o s&atilde;o caracterizados por ocorrerem, esporadicamente, surtos da doen&ccedil;a (Sabatinelli, Ejov e Joergensen, 2001). Os restantes pa&iacute;ses da Europa, apesar de estarem fora da regi&atilde;o end&eacute;mica, t&ecirc;m vindo a registar, nos &uacute;ltimos anos, um aumento de casos de mal&aacute;ria importada e de &laquo;aeroporto&raquo;, atingindo os 13 000 casos de mal&aacute;ria importada durante o ano de 1999 (Sabatinelli, Ejov e Joergensen, 2001) e os 75 casos de Mal&aacute;ria de &laquo;aeroporto&raquo; no per&iacute;odo compreendido entre 1977-2000 (Mouchet, 2000).  </P >     <p>Face a esta situa&ccedil;&atilde;o e aos cen&aacute;rios clim&aacute;ticos    previstos para o futuro, com o aquecimento global e a ocorr&ecirc;ncia de epis&oacute;dios    de pluviosidade intensa, a Mal&aacute;ria tem sido fruto de alguma preocupa&ccedil;&atilde;o.    Estima-se que as AC aumentem o risco de re-introdu&ccedil;&atilde;o de Mal&aacute;ria    na Europa de Leste, a n&atilde;o ser que surjam novos pro-gramas de controlo    de vectores e/ou que os programas actuais sejam mantidos a funcionar eficientemente    (Kovats <I>et al., </I>1999). Quanto &agrave; Europa Ocidental e, dado que o    vector n&atilde;o se encontra actualmente infectado, o principal risco parece    estar limitado ao aumento de casos de Mal&aacute;ria de &laquo;aeroporto&raquo;,    associado ao aumento do turismo para pa&iacute;ses onde a Mal&aacute;ria &eacute;    end&eacute;mica (Watson, Zinyowera e Moss, 1997; Guilet <I>et al., </I>1998;    Kovats <I>et al., </I>1999). </P >     <p><B>Leishmaniose </b></P >     <p>A Leishmaniose &eacute; causada por parasitas do g&eacute;nero <I>Leishmania</I>    e &eacute; transmitida pela picada de d&iacute;pteros da sub-fam&iacute;lia    <I>Phlebotominae</I>. O parasita tem como reservat&oacute;rio animais silv&aacute;ticos,    o c&atilde;o e o Homem, existindo mais de 21 esp&eacute;cies de <I>Leishmania</I>    que infectam humanos. </P >     <p>A transmiss&atilde;o inicia-se com a picada de uma f&ecirc;mea infectada do g&eacute;nero <I>Phlebotomus,</I> no &laquo;Velho Mundo&raquo;, ou do g&eacute;nero <I>Lutzomyia,</I> no &laquo;Novo Mundo&raquo;, num hospedeiro vertebrado. Durante a refei&ccedil;&atilde;o sangu&iacute;nea s&atilde;o inoculados promastigotas na pele. Estes s&atilde;o fagocitados por macr&oacute;fagos e transformam-se em amastigotas. Os amastigotas multiplicam-se dentro da c&eacute;lula em diferentes tecidos (a depender da esp&eacute;cie de <I>Leishmania</I>), provocando les&otilde;es. Assim que uma nova f&ecirc;mea flebotom&iacute;neo se alimenta do hospedeiro infectado vai ingerir com a refei&ccedil;&atilde;o sangu&iacute;nea os macr&oacute;fagos infectados com amastigotas. Uma vez no est&ocirc;mago do insecto, os amastigotas v&atilde;o diferenciar-se em promastigotas, multiplicar-se e migrar para o prob&oacute;scis, estando assim preparados para serem transmitidos a um novo hospedeiro vertebrado na pr&oacute;xima refei&ccedil;&atilde;o sangu&iacute;nea.  </P >     <p>A infec&ccedil;&atilde;o humana por <I>Leishmania</I> pode resultar em formas diferentes de doen&ccedil;a, Leishmaniose Cut&acirc;nea (LC), Muco-cut&acirc;nea e Visceral (Kala-azar), dependendo da esp&eacute;cie de parasitas que a causa, da localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e da resposta imune do hospedeiro. A Leishmaniose Cut&acirc;nea &eacute; caracterizada por les&otilde;es cut&acirc;neas nas zonas onde o vector picou para se alimentar, a Muco-cut&acirc;nea por les&otilde;es secund&aacute;rias na mucosa nasal e bucal e a Leishmaniose Visceral &eacute; caracterizada por causar febre, perda de peso, anemia e hepato-esplenomegalia.  </P >     <p>A Leishmaniose Visceral encontra-se distribu&iacute;da por aproximadamente 88 pa&iacute;ses, estando estes, na sua maioria, localizados nos tr&oacute;picos e subtr&oacute;picos (WHO, 2000). Na Europa, a Leishmaniose Visceral &eacute; actualmente end&eacute;mica na bacia mediterr&acirc;nica, em pa&iacute;ses como Portugal, Espanha, Fran&ccedil;a, It&aacute;lia e Malta (WHO, 2000), sendo na maioria dos casos causada por <I>Leishmania infantum </I>e transmitida por <I>Phlebotomus perniciosus</I> e<I> Phlebotomus ariasi </I>(Rodhain e Perez, 1985). Atinge preferencialmente crian&ccedil;as e imuno-comprometidos, tendo-se tornado uma infec&ccedil;&atilde;o oportunista importante em doentes infectados pelo VIH (Dedet, Lambert e Pratlong, 1995; WHO, 2000).</P >     <p>Os surtos de Leishmaniose t&ecirc;m estado, muitas vezes, associados a movimentos populacionais (Mansour <I>et al., </I>1989), &agrave; disponibilidade de reservat&oacute;rios zoon&oacute;ticos (Ashford, 1997) e a modifica&ccedil;&otilde;es ambientais, como a defloresta&ccedil;&atilde;o (Molyneux, 1997). Tal como noutras doen&ccedil;as transmitidas por vectores, existe uma forte associa&ccedil;&atilde;o entre o clima e a transmiss&atilde;o de Leishmaniose, como s&atilde;o exemplo as epidemias de LC no Brazil entre 1986 e 1990 (Broutet <I>et al</I>., 1994) ou os surtos de 1985 e 1986 no Sud&atilde;o onde a forte pluviosidade ter&aacute; favorecido a reprodu&ccedil;&atilde;o dos insectos flebotom&iacute;neos (el-Safi e Peters, 1991).  </P >     <p>Os flebotom&iacute;neos s&atilde;o sens&iacute;veis a humidades baixas e a temperaturas extremas, ficando o seu desenvolvimento e sobreviv&ecirc;ncia comprometidos nestas condi&ccedil;&otilde;es. Estudos laboratoriais demonstraram que <I>P. ariasi</I> sobrevive bem a temperaturas compreendidas entre 5&deg;C e os 30&deg;C (Rioux <I>et al., </I>1985), enquanto <I>P. perniciosus</I> &eacute; activo a temperaturas compreendidas entre 15&deg;C e 28&deg;C (Casimiro  <I>et al., </I>2006). Sabe-se ainda, que a densidade do vector diminui em fun&ccedil;&atilde;o da altitude, sendo raramente observado em altitudes superiores a 600 ou 700 metros (A&ntilde;ez <I>et al., </I>1994) e que &eacute; fortemente influenciada pela pluviosidade (el-Safi e Peters, 1991).</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A temperatura &eacute; ainda crucial para o desenvolvimento do parasita no insecto, na medida em que temperaturas mais elevadas (dentro dos limites de toler&acirc;ncia) aceleram a matura&ccedil;&atilde;o do parasita e aumentam a probabilidade da f&ecirc;mea sobreviver tempo suficiente para que o desenvolvimento do parasita se d&ecirc; no seu interior. A temperatura mais favor&aacute;vel para o desenvolvimento de <I>L. infantum</I> nos vectores &eacute; de 25&deg;C (Santos e Miranda, 2006).</P >     <p>Na sequ&ecirc;ncia do aumento generalizado de Leishmaniose Visceral verificado    nos &uacute;ltimos 20 anos, em parte atribu&iacute;do na Europa ao aumento da    co-infec&ccedil;&atilde;o <I>Leishmania</I>/VIH (Kuhn <I>et al., </I>2005),    e face aos cen&aacute;rios clim&aacute;ticos previstos para o futuro, o interesse    por este problema tem sido renovado. Como previs&iacute;vel impacte das AC,    estima-se que, no futuro, os limites actuais da distribui&ccedil;&atilde;o do    vector e da doen&ccedil;a se estendam para o Norte da Europa, consequ&ecirc;ncia    do aquecimento global do clima acima dos limites actuais da distribui&ccedil;&atilde;o    da doen&ccedil;a (Watson, Zinyowera e Moss, 1997; Menne e Ebi, 2006).</P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>4. Impacte das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas em Portugal</B> </p>     <p>Em Portugal, a maior parte da investiga&ccedil;&atilde;o relacionada com as AC tem sido desenvolvida no &acirc;mbito do Projecto SIAM (<I>Scenarios, Impacts and Adaptation Measures</I>), o qual tem como principal objectivo avaliar os poss&iacute;veis impactes das AC e sugerir medidas de adapta&ccedil;&atilde;o multissectoriais para Portugal. O projecto foi dividido em duas fases, uma que decorreu entre 1999 e 2002 e que teve orienta&ccedil;&atilde;o nacional, constituindo o primeiro estudo de um pa&iacute;s do Sul da Europa onde se fez uma avalia&ccedil;&atilde;o deste tipo (Santos, Forbes e Moita, 2002) e outra, de orienta&ccedil;&atilde;o regional que incluiu tamb&eacute;m as regi&otilde;es Aut&oacute;nomas da Madeira e dos A&ccedil;ores e cujos resultados foram publicados em 2006 (Santos e Miranda).</P >     <p>No Projecto SIAM foi analisado o impacte das AC nos diferentes sectores socioecon&oacute;micos e biof&iacute;sicos de Portugal, nomeadamente, no da sa&uacute;de. Neste sector, foram identificados em Portugal, com base em programas de controlo e de monitoriza&ccedil;&atilde;o nacionais anteriores, cinco potenciais impactes das AC: aumento da mortalidade associada a ondas de calor, doen&ccedil;as associadas com a polui&ccedil;&atilde;o do ar, doen&ccedil;as transmitidas por vectores e roedores, doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua e pela comida e efeitos associados com a ocorr&ecirc;ncia de cheias e secas (Casimiro e Calheiros, 2002; Casimiro <I>et al., </I>2006).</P >     <p>Seguindo a mesma tend&ecirc;ncia da generalidade da Europa, tamb&eacute;m para Portugal a rela&ccedil;&atilde;o entre o aumento da mortalidade e ondas de calor tem sido evidente (Garcia, Nogueira e Falc&atilde;o, 1999; Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, 2007), estimando-se que, para o futuro, a taxa de mortalidade anual associada a ondas de calor na cidade de Lisboa aumente entre 5,8 e 15,1 (por 100 000) em 2020 e entre 7,3 e 35,6 em 2050 (Dessai, 2003). As doen&ccedil;as respirat&oacute;rias s&atilde;o outra causa de preocupa&ccedil;&atilde;o, dado que se verificam muitas vezes nas regi&otilde;es urbanas, limites de Di&oacute;xido de Azoto (No<Sub>2</Sub>) e de Ozono (O<Sub>3</Sub>) acima dos valores aceit&aacute;veis (Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, 2000) e que cerca de 16% da mortalidade global em Portugal ocorre por defici&ecirc;ncias respirat&oacute;rias (Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, 2001). Os restantes grupos de doen&ccedil;as (<I>e.g.</I>, transmitidas por vectores) foram considerados de potencial risco, na generalidade dos casos, pela sua hist&oacute;ria passada ou recente de endemismo e pela exist&ecirc;ncia de vectores competentes e de hospedeiros dispon&iacute;veis no pa&iacute;s (Casimiro  <I>et al</I>., 2006). </P >     <p>O estudo do impacte das AC nas doen&ccedil;as infecciosas, focou-se, numa primeira fase, em tentar estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o entre o clima e a actividade dos hospedeiros e/ou desenvolvimento dos agentes patog&eacute;nicos e, posteriormente, na aplica&ccedil;&atilde;o dessa rela&ccedil;&atilde;o a diferentes cen&aacute;rios clim&aacute;ticos. Os cen&aacute;rios para Portugal foram criados a partir de dois modelos regionais: um para a Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica (PROMES) e outro para a Europa (HadRM2), diferindo entre si no per&iacute;odo estimado e nas futuras concentra&ccedil;&otilde;es de CO<Sub>2</Sub>.  </P >     <p>Inserido nos cen&aacute;rios clim&aacute;ticos previstos para o Sul da Europa, as projec&ccedil;&otilde;es para Portugal indicam que, at&eacute; ao final do s&eacute;culo XXI, haja aumento da temperatura m&eacute;dia em todas as regi&otilde;es, aumento das temperaturas m&aacute;ximas de Ver&atilde;o, variando entre os 3&deg;C nas regi&otilde;es costeiras e os 7&deg;C no Interior, e que haja incremento da frequ&ecirc;ncia e intensidade de ondas de calor e da frequ&ecirc;ncia de dias com precipita&ccedil;&atilde;o intensa no Inverno (Casimiro  <I>et al., </I>2006; Santos e Miranda, 2006). </P >     <p>Face &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es previstas para Portugal, o risco para a sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es pode ser severo. Deste modo, como medida de adapta&ccedil;&atilde;o foi criado em 2004 um plano de conting&ecirc;ncia para as ondas de calor, articulado pelas institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis pelas &aacute;reas da Meteorologia, Protec&ccedil;&atilde;o Civil e Sa&uacute;de (Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, 2007). Mas at&eacute; ao momento, &eacute; o &uacute;nico exemplo concreto de uma medida de adapta&ccedil;&atilde;o ao impacte das AC.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ap&oacute;s se estabelecer a rela&ccedil;&atilde;o entre as condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas previstas para Portugal e a epidemiologia das doen&ccedil;as, nomeadamente, na densidade populacional dos vectores adultos e na potencial preval&ecirc;ncia dos organismos patog&eacute;nicos, obtiveram-se cen&aacute;rios de risco, indicativos do potencial impacte a curto e longo prazo, nestas doen&ccedil;as.</P >     <p>Em Portugal, apesar das condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas actuais serem favor&aacute;veis &agrave; transmiss&atilde;o de Mal&aacute;ria por <I>P. vivax</I> e do vector competente <I>Anopheles atroparvus</I> ser abundante e estar largamente distribu&iacute;do (Gal&atilde;o  <I>et al</I>., 2002), o risco actual &eacute; muito baixo, pois n&atilde;o existem dados que indiquem que o mosquito esteja infectado com o parasita. Em termos futuros, os cen&aacute;rios de AC estimam um aumento do n&uacute;mero de dias com temperaturas m&eacute;dias adequadas para a sobreviv&ecirc;ncia de <I>A. atroparvus</I> (10-40&deg;C), <I>P. vivax</I> (14,5-35&deg;C) e de <I>P. falciparum</I> (16-35&deg;C) em Portugal (Casimiro  <I>et al., </I>2006). Mas, nova-mente, a n&atilde;o ser que haja infec&ccedil;&atilde;o dos vectores, as projec&ccedil;&otilde;es futuras indicam um risco muito baixo de contrair <I>P. vivax</I> e um risco quase nulo de contrair <I>P. falciparum</I>, tamb&eacute;m motivado pelo facto de  <I>A. atroparvus</I> ser experimentalmente refract&aacute;rio a estirpes de <I>P. falciparum</I> africanas (Ribeiro  <I>et al., </I>1989) e ter baixa antropofilia (Sousa <I>et al., </I>2001). Face &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es ambientais actuais serem favor&aacute;veis &agrave; sobreviv&ecirc;ncia dos fleb&oacute;tomos e &agrave; elevada preval&ecirc;ncia de Leishmaniose canina em v&aacute;rias regi&otilde;es de Portugal (Campino, 1998; Pires, 2000), o risco actual de ocorrer transmiss&atilde;o de Leishmaniose em Portugal &eacute; m&eacute;dio (Casimiro <I>et al., </I>2006). Como cen&aacute;rio futuro, prev&ecirc;-se que este risco se torne elevado devido ao aumento significativo de dias com temperaturas favor&aacute;veis para a actividade de  <I>P. pernicious</I> (15-28&deg;C) em todas as regi&otilde;es do pa&iacute;s  (Casimiro <I>et al., </I>2006).</P >     <p>Apesar de n&atilde;o ser mencionada como uma doen&ccedil;a que  possa vir a ser afectada pelas AC na Europa, o seu  poss&iacute;vel impacte na Schistosomose foi avaliado para  Portugal (Casimiro <I>et al., </I>2006), dada a sua hist&oacute;ria  de endemismo por <I>Schistosoma haematobium</I> na  regi&atilde;o do Algarve (Gr&aacute;cio, 1981). &Agrave; semelhan&ccedil;a  da Mal&aacute;ria, o risco actual de transmiss&atilde;o de  Schistosomose &eacute; muito baixo, o que est&aacute; associado  com o facto da doen&ccedil;a estar actualmente limitada a  casos importados e de, apesar das condi&ccedil;&otilde;es ambientais serem prop&iacute;cias &agrave; sua transmiss&atilde;o, o reservat&oacute;rio  n&atilde;o estar infectado (Casimiro <I>et al., </I>2006). Assumindo a introdu&ccedil;&atilde;o focal de uma popula&ccedil;&atilde;o de carac&oacute;is infectados com o parasita e um cen&aacute;rio futuro de  aquecimento global, &eacute; previs&iacute;vel que, com o aumento  do per&iacute;odo de temperaturas favor&aacute;veis para a sobreviv&ecirc;ncia do parasita (15-39&deg;C), a popula&ccedil;&atilde;o de carac&oacute;is infectados possa com o tempo expandir a sua  distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e assim, o risco de transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a em Portugal aumentar para o n&iacute;vel  m&eacute;dio (Casimiro <I>et al., </I>2006).  </P >     <p>Quanto &agrave; Criptosporidiose, apesar da import&acirc;ncia  real&ccedil;ada anteriormente, n&atilde;o se encontraram para Portugal dados sobre o poss&iacute;vel impacte das AC nesta  doen&ccedil;a e os dados encontrados sobre a sua epidemiologia s&atilde;o escassos, havendo apenas algumas refer&ecirc;ncias &agrave;s taxas de preval&ecirc;ncia em doentes com SIDA  em Lisboa (Matos, 2002). Uma das poss&iacute;veis raz&otilde;es  para a lacuna existente poder&aacute; estar relacionada com o facto de n&atilde;o ser uma doen&ccedil;a de notifica&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria no pa&iacute;s.  </P >     <p>Em resumo, prev&ecirc;-se que, de uma forma geral, as doen&ccedil;as que s&atilde;o    actualmente end&eacute;micas em Portugal, sejam mais sens&iacute;veis a varia&ccedil;&otilde;es    na temperatura, enquanto as que n&atilde;o s&atilde;o end&eacute;micas, sejam    mais suscept&iacute;veis &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o de vectores infectados.  </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>5. Considera&ccedil;&otilde;es finais </B></p>     <p>&Eacute; previs&iacute;vel que as medidas inclu&iacute;das no protocolo de Quioto para a redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de GEE venham a ter um efeito reduzido no aumento da temperatura projectado para os pr&oacute;ximos 50 anos (Parry <I>et al., </I>1998). Como tal, e tendo em conta que alguns dos efeitos das AC est&atilde;o j&aacute; presentes e que se prev&ecirc; que os impactes clim&aacute;ticos negativos na Europa sejam significativamente maiores que os positivos, as popula&ccedil;&otilde;es dever&atilde;o procurar adaptar-se para minimizar os efeitos que da&iacute; possam ocorrer ao n&iacute;vel da sa&uacute;de e da sociedade. </P >     <p>Ficou patente do trabalho de pesquisa efectuado que, apesar do efeito das AC na sa&uacute;de ser uma &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o priorit&aacute;ria, o conhecimento sobre este assunto &eacute; ainda muito limitado e que a literatura existente &eacute; escassa, dificultando em alguns casos uma an&aacute;lise pormenorizada dos temas.  </P >     <p>No que diz respeito &agrave;s doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua, verificou-se que o papel do clima na din&acirc;mica das doen&ccedil;as est&aacute; pouco aprofundado e que o impacte das AC a este n&iacute;vel na Europa est&aacute; muito pouco estudado. Na origem desta lacuna pode estar o facto das doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o de surtos espor&aacute;dicos, n&atilde;o constitu&iacute;rem actualmente um grave problema de sa&uacute;de p&uacute;blica na Europa face &agrave;s boas condi&ccedil;&otilde;es de saneamento b&aacute;sico e de abastecimento p&uacute;blico vigentes na maioria dos pa&iacute;ses europeus. No entanto, &eacute; de real&ccedil;ar que, apesar das boas condi&ccedil;&otilde;es actuais, os impactes negativos das AC previstos para a Europa e o aumento de indiv&iacute;duos imuno-comprometidos, os principais afectados por estas doen&ccedil;as, alertam para a possibilidade destas doen&ccedil;as poderem vir a tornar-se problem&aacute;ticas na Europa, devendo merecer assim mais aten&ccedil;&atilde;o das entidades respons&aacute;veis. &Eacute; neste sentido que se considera, no presente trabalho, que algumas das medidas futuras de mitiga&ccedil;&atilde;o destas doen&ccedil;as dever&atilde;o passar pela implementa&ccedil;&atilde;o de sistemas de monitoriza&ccedil;&atilde;o e de alerta precoce a serem disponibilizados &agrave;s autoridades de sa&uacute;de p&uacute;blica.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente &agrave;s doen&ccedil;as transmitidas por vectores, ficou patente da an&aacute;lise efectuada que o conhecimento existente sobre as doen&ccedil;as em causa e a sua poss&iacute;vel rela&ccedil;&atilde;o com o clima est&aacute; relativamente bem documentada, possivelmente motivada pelo impacto que estas t&ecirc;m em termos de sa&uacute;de p&uacute;blica e pela sua recente hist&oacute;ria de endemismo na Europa. Do ponto de vista das doen&ccedil;as parasit&aacute;rias transmitidas por vectores, a Mal&aacute;ria e a Leishmaniose s&atilde;o as que suscitam maior preocupa&ccedil;&atilde;o. A Mal&aacute;ria tem sido objecto de estudo, estando relativamente bem documentados os poss&iacute;veis impactes que possam advir das AC. Quanto &agrave; Leishmaniose, apesar da sua din&acirc;mica ser relativamente bem conhecida, ainda s&atilde;o poucos os estudos que relacionam o efeito das AC nesta doen&ccedil;a. No entanto, para ambos os casos, os estudos apontam para um impacte significativo com um consequente aumento do risco de transmiss&atilde;o.  </P >     <p>Na tentativa de colmatar algumas destas lacunas, o impacte das AC na sa&uacute;de come&ccedil;a j&aacute; a ser objecto de estudo de alguns projectos internacionais, como o Projecto <I>EDEN</I> (<I>Emerging Diseases in a changing European eNvironment</I>, http://www.edenfp6project.net). Este &eacute; um projecto financiado pela Comiss&atilde;o Europeia que re&uacute;ne a investiga&ccedil;&atilde;o levada a cabo em 24 pa&iacute;ses, incluindo Portugal, e que visa compreender o impacte das actuais mudan&ccedil;as ambientais sobre a difus&atilde;o de novas doen&ccedil;as, emergentes ou reemergentes, no territ&oacute;rio europeu.</P >     <p>Dentro do contexto europeu, os previs&iacute;veis impactes das AC em Portugal s&atilde;o bem conhecidos, em grande parte, gra&ccedil;as aos avan&ccedil;os significativos levados a cabo nos &uacute;ltimos anos pelo projecto SIAM e actual-mente pelo Projecto <I>EDEN</I>. &Agrave; semelhan&ccedil;a da restante situa&ccedil;&atilde;o europeia, a grande lacuna encontrada em Portugal prende-se com o efeito das AC nas doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua, para o qual n&atilde;o se encontraram estudos publicados. No caso particular da Criptosporidiose, esta lacuna &eacute; bem evidente, podendo estar relacionada com a dificuldade inerente em prever o impacte das AC na din&acirc;mica da doen&ccedil;a quando se sabe muito pouco sobre a preval&ecirc;ncia da doen&ccedil;a em Portugal. Como referido anteriormente, a Criptosporidiose n&atilde;o &eacute; de notifica&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria em Portugal e n&atilde;o integra as redes europeias de monitoriza&ccedil;&atilde;o <I>Med-Vet-Net</I> e <I>European Basic Surveillance Network</I> analisadas neste trabalho.  </P >     <p>Da presente revis&atilde;o ficou patente a necessidade de um conhecimento mais aprofundado sobre a din&acirc;mica das doen&ccedil;as transmitidas pela &aacute;gua e a sua rela&ccedil;&atilde;o com o clima e, no caso das doen&ccedil;as transmitidas por vectores, de uma incorpora&ccedil;&atilde;o eficiente da informa&ccedil;&atilde;o existente em sistemas de alerta precoce, o passo seguinte para que o Homem possa minimizar os impactes negativos das AC revistos neste trabalho.</P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   ><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas </b></P >     <P   >ALBAY, M.; MATTHIENSEN, A.; CODD, G. A. &mdash; Occurrence of toxic blue-green algae in the Kucukcekmece lagoon (Istanbul, Turkey). <I>Environmental Toxicology</I>. 20 : 3 (2005) 277-284. </P >     <P   >AM&Eacute;, M. V.; del PILAR D&Iacute;AZ, M.; WUNDERLIN, D. A. &mdash; Occurrence of toxic cyanobacterial blooms in San Roque Reservoir (C&oacute;rdoba, Argentina) : a field and chemometric study. <I>Environmental Toxicology</I>. 18 : 3 (2003) 192-201. </P >     <P   >A&Ntilde;EZ, N. <I>et al</I>. &mdash; Epidemiology of cutaneous leishmaniasis in Merida, Venezuela. III : altitudinal distribution, age structure, natural infection and feeding behaviour of sandflies and their relation to the risk of transmission. <I>Annals of Tropical Medicine and Parasitology</I>. 88 : 3 (1994) 279-287.  </P >     <P   >ANON &mdash; Waterborne outbreak of gastroenteritis associated with a contaminated municipal water supply, Walkerton, Ontario, May-June 2000. <I>Canada Communicable Disease Report</I>. 26 : 20 (2000) 170-173. </P >     ]]></body>
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