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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Internamentos hospitalares associados à onda de calor de Agosto de 2003: evidências de associação entre morbilidade e ocorrência de calor]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Hospital admissions associated with August 2003 heat wave in Portugal: evidence of association between morbidity and heat wave occurrence]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Between 28 July and 15 August of 2003, occurred in Portugal a heat wave so intense that affected all districts of its mainland. The period with high temperatures lasted for nineteen (19) days. The Portuguese Heat Health Warning System (the ÍCARO surveillance system) identified the possibility of the occurrence of excess heat deaths, and the existence of significant effects on mortality was later recognized. Given the adverse health effects of heat waves, it seemed to be crucial to determine its effects also on morbidity. This study aimed to contribute to a better characterization of the effects of heat waves on human health, which result in hospital admissions. Excess hospital admissions during the period 28 July to 15 August 2003 was obtained based on the analysis of GDH groups databases (the Portuguese DRG database) from 2001 to 2003. The global estimated excess of hospital admissions during the heat wave in 2003 was 5%, representing an estimated 2576 hospital admission above the expected. For individuals aged 75 or more years, the hospital admissions that occurred in 2003 during the occurrence of heat wave were higher 28% and 25% relatively to 2001 and 2002, respectively. The estimated global surplus for this elder age group was 14%, which represents 1213 hospital admissions more than expected. When comparing the hospital admissions of 2003 with the 2001/2002 ones, the group of causes of hospital admissions that had a greater percentage increase during the heat wave was that of the diseases of the respiratory system, followed by the group of the endocrine, nutritional and metabolic diseases and immunity disorders and the group of the diseases of the genitourinary system. These results show evidence that there is indeed an impact heat occurrence in the patterns of morbidity, particularly in the number of hospital admissions in the population of Portugal Mainland in general and in the elder population in particular (75 years old and over). The 2003 heat wave occurred in the period (August) in which the number of hospital admissions is usually at its lowest values. Distributed by all hospitals, the estimated excess number of hospitalizations associated with the excessive heat has not had a particular expression in each hospital. The excess of hospital admissions estimated in the age group aged 75 years or more was at least 45% of all excess admissions (for all age’s population). In normal conditions, this age group is usually responsible for only about 15% of all hospital admissions.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Internamentos hospitalares associados &agrave; onda de calor de Agosto de 2003: evid&ecirc;ncias de associa&ccedil;&atilde;o entre morbilidade e ocorr&ecirc;ncia de calor  </b> </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Paulo Jorge Nogueira<sup>1</sup>; Ana Raquel<sup>2</sup>; Nunes Baltazar Nunes<sup>3</sup>; Jos&eacute;    Marinho Falc&atilde;o<sup>4</sup>; Paulo Ferrinho<sup>5</sup></b></P >     <p>&nbsp;</P >     <p><sup>1</sup> Mestre e licenciado em Probabilidades e Estat&iacute;stica, assistente convidado da Faculdade de Medicina de Lisboa &mdash; Instituto de Medicina Preventiva e exerce actividade de bioestatista e de investiga&ccedil;&atilde;o no Instituto Nacional de Sa&uacute;de Dr. Ricardo Jorge &mdash; Departamento de Epidemiologia.  </P >     <p><sup>2</sup>Mestre em Sa&uacute;de P&uacute;blica pela ENSP/UNL, docente da Universidade    Cat&oacute;lica Portuguesa e consultora externa da Organiza&ccedil;&atilde;o    Mundial de Sa&uacute;de. </P >     <p><sup>3</sup>Mestre em Probabilidades e Estat&iacute;stica e licenciado em Estat&iacute;stica    e Investiga&ccedil;&atilde;o Operacional e exerce actividade de bioestatista    e de investiga&ccedil;&atilde;o no Instituto Nacional de Sa&uacute;de Dr. Ricardo    Jorge &mdash; Departamento de Epidemiologia.</P >     <p><sup>4</sup>Epidemiologista, m&eacute;dico e chefe de servi&ccedil;o de Sa&uacute;de P&uacute;blica,    Instituto Nacional de Sa&uacute;de Dr. Ricardo Jorge &mdash; Departamento de    Epidemiologia. </P >     <p><sup>5</sup>Epidemiologista, professor catedr&aacute;tico de Sistemas de Sa&uacute;de da    Universidade Nova de Lisboa e subdirector do Instituto de Higiene e Medicina    Tropical. </P >     <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resumo </b></P >     <p>Entre 28 de Julho e 15 de Agosto do ano de 2003, ocorreu em Portugal uma onda    de calor muito intensa que afectou todos os distritos do Continente. O per&iacute;odo    com temperaturas muito elevadas durou dezanove (19) dias. O sistema de vigil&acirc;ncia    &Iacute;CARO identificou a possibilidade da ocorr&ecirc;ncia de excesso de mortalidade    associada ao calor, tendo a exist&ecirc;ncia de efeitos relevantes sobre a mortalidade    sido reconhecida posteriormente. Dadas as consequ&ecirc;ncias adversas para    a sa&uacute;de resultantes das ondas de calor, afigurou-se como fundamental,    determinar os seus efeitos face &agrave; morbilidade. Este estudo destinou-se    a contribuir para uma melhor caracteriza&ccedil;&atilde;o dos efeitos das ondas    de calor na sa&uacute;de humana, que se traduzem em internamentos hospitalares.  </P >     <p>O excesso de internamentos hospitalares durante o per&iacute;odo de 28 de Julho    a 15 de Agosto de 2003 foi obtido com base na an&aacute;lise das bases de dados    dos GDH (Grupos de Diagn&oacute;sticos Homog&eacute;neos) de 2001 a 2003. </P >     <p>A estimativa global de excesso de internamentos hospitalares no per&iacute;odo    da onda de calor (POC) de 2003 situou-se nos 5%, o que representa uma estimativa    de 2576 internamentos hospitalares a mais do que o esperado. Para os indiv&iacute;duos    com 75 ou mais anos, os internamentos hospitalares ocorridos em 2003 durante    o per&iacute;odo da ocorr&ecirc;ncia da onda de calor foram mais elevados, 28%    e 25%, relativamente a 2001 e 2002. A estimativa de excesso situa-se nos 14%,    o que representa um excesso de 1213 internamentos hospitalares a mais do que    o esperado. </P >     <p>Quando comparados o internamento hospitalar de 2003 com o de 2001/2002, o grupo    de causas de internamento hospitalar que registou um maior aumento percentual    durante a onda de calor foi o das Doen&ccedil;as do Aparelho Respirat&oacute;rio,    seguido do grupo das Doen&ccedil;as das Gl&acirc;ndulas End&oacute;crinas, Nutri&ccedil;&atilde;o    e Metabolismo e do grupo das Doen&ccedil;as do Aparelho Genitourin&aacute;rio.  </P >     <p>Os resultados apresentados mostram evid&ecirc;ncia de que existe de facto um impacto da ocorr&ecirc;ncia de ondas de calor nos padr&otilde;es de morbilidade, nomeadamente no n&uacute;mero de internamentos hospitalares na popula&ccedil;&atilde;o de Portugal continental em geral e na popula&ccedil;&atilde;o mais idosa em particular (75 e mais anos). A onda de calor de Agosto de 2003 ocorreu no per&iacute;odo em que o n&uacute;mero de internamentos hospitalares est&aacute; em regra no seu ponto mais baixo. O n&uacute;mero estimado de internamentos adicionais associados ao calor distribu&iacute;do por todos os hospitais n&atilde;o ter&aacute; tido particular express&atilde;o em cada um deles. O excesso de internamentos estimado no grupo et&aacute;rio dos 75 ou mais anos representa pelo menos 45% de todo o excesso de internamentos (para toda popula&ccedil;&atilde;o), num grupo et&aacute;rio que &eacute; apenas usualmente respons&aacute;vel por cerca de 15% dos internamentos. </P >     <p><b>Palavras-chave:</b> onda de calor; morbilidade; internamento hospitalar;    popula&ccedil;&atilde;o idosa. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Hospital admissions associated with August 2003 heat wave in Portugal: evidence    of association between morbidity and heat wave occurrence</b></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Abstract</b></P >     <p>Between 28 July and 15 August of 2003, occurred in Portugal a heat wave so    intense that affected all districts of its mainland. The period with high temperatures    lasted for nineteen (19) days. The Portuguese Heat Health Warning System (the    &Iacute;CARO surveillance system) identified the possibility of the occurrence    of excess heat deaths, and the existence of significant effects on mortality    was later recognized. Given the adverse health effects of heat waves, it seemed    to be crucial to determine its effects also on morbidity. This study aimed to    contribute to a better characterization of the effects of heat waves on human    health, which result in hospital admissions. Excess hospital admissions during    the period 28 July to 15 August 2003 was obtained based on the analysis of GDH    groups databases (the Portuguese DRG database) from 2001 to 2003. The global    estimated excess of hospital admissions during the heat wave in 2003 was 5%,    representing an estimated 2576 hospital admission above the expected. For individuals    aged 75 or more years, the hospital admissions that occurred in 2003 during    the occurrence of heat wave were higher 28% and 25% relatively to 2001 and 2002,    respectively. The estimated global surplus for this elder age group was 14%,    which represents 1213 hospital admissions more than expected. When comparing    the hospital admissions of 2003 with the 2001/2002 ones, the group of causes    of hospital admissions that had a greater percentage increase during the heat    wave was that of the diseases of the respiratory system, followed by the group    of the endocrine, nutritional and metabolic diseases and immunity disorders    and the group of the diseases of the genitourinary system. These results show    evidence that there is indeed an impact heat occurrence in the patterns of morbidity,    particularly in the number of hospital admissions in the population of Portugal    Mainland in general and in the elder population in particular (75 years old    and over). The 2003 heat wave occurred in the period (August) in which the number    of hospital admissions is usually at its lowest values. Distributed by all hospitals,    the estimated excess number of hospitalizations associated with the excessive    heat has not had a particular expression in each hospital. The excess of hospital    admissions estimated in the age group aged 75 years or more was at least 45%    of all excess admissions (for all age&rsquo;s population). In normal conditions,    this age group is usually responsible for only about 15% of all hospital admissions.  </P >     <p><b>Keywords:</b> heat waves; morbidity; hospital admission; elder population.  </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o </b></P >     <p>Devido &agrave;s projec&ccedil;&otilde;es das consequ&ecirc;ncias do aquecimento    global e o aumento da frequ&ecirc;ncia e intensidade das ondas de calor, a mortalidade    relacionada com o calor poder&aacute; atingir uma elevada relev&acirc;ncia em    sa&uacute;de p&uacute;blica nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas (Basu e Samet,    2002). V&aacute;rias doen&ccedil;as e outras consequ&ecirc;ncias para a sa&uacute;de    s&atilde;o sens&iacute;veis ao clima e conduzem a morbilidade e mortalidade    associada ao calor (Patz e Olson, 2006). </p >     <p>As ondas de calor constituem um importante problema de sa&uacute;de p&uacute;blica no que diz respeito ao s&eacute;rio potencial de impacto na sa&uacute;de de popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis, como os idosos, indiv&iacute;duos em situa&ccedil;&otilde;es de baixas condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, socioecon&oacute;mica, cultural e ambiental (De Martino, Vasselli e D&rsquo;Argenio, 2005) que de outra forma teriam uma maior esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida. A mortalidade associada ao calor afecta, principalmente, os idosos, as crian&ccedil;as, e pessoas acamadas e medicadas com certos f&aacute;rmacos (McGeehin e Mirabelli, 2001), as pessoas com doen&ccedil;as cardiovasculares e respirat&oacute;rias pr&eacute;-existentes (Michelozzi <I>et al., </I>2007, Rey <I>et al., </I>2007). Outros factores de risco incluem a inexist&ecirc;ncia de ar condicionado, falha na rede de transportes, viver sozinho, usar tranquilizantes e sofrer de doen&ccedil;a mental (Basu e Samet, 2002). Estudos na &aacute;rea da mortalidade associada ao calor t&ecirc;m demonstrado que o maior aumento da mortalidade ocorre na popula&ccedil;&atilde;o idosa (Conti <I>et al., </I>2005). </P >     <p>Geralmente, o efeito do calor na sa&uacute;de humana aparece alguns dias ap&oacute;s a exposi&ccedil;&atilde;o e verifica-se um agravamento da situa&ccedil;&atilde;o com o passar do tempo (Michelozzi <I>et al., </I>2007). </P >     <p>Um estudo franc&ecirc;s sobre o impacto das ondas de calor entre 1971 e 2003, registou um aumento da mortalidade em internamentos hospitalares na maioria das causas de doen&ccedil;as. Os maiores excessos foram observados em doen&ccedil;as do sistema cardiovascular, cancro, doen&ccedil;as do sistema respirat&oacute;rio, doen&ccedil;as mentais, doen&ccedil;as infecciosas, doen&ccedil;as das gl&acirc;ndulas end&oacute;crinas, nutri&ccedil;&atilde;o e metabolismo (Rey <I>et al., </I>2007). Existem estudos que indicam efeitos das altas temperaturas na morbilidade com um aumento dos internamentos hospitalares e nos atendimentos em servi&ccedil;os de urg&ecirc;ncias, para causas espec&iacute;ficas, em crian&ccedil;as e em indiv&iacute;duos com 75 e mais anos (Michelozzi <I>et al., </I>2007). Um estudo realizado no Reino Unido n&atilde;o revelou qualquer evid&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o entre internamentos hospitalares e altas temperaturas, embora houvesse uma evid&ecirc;ncia de aumento de internamentos para doen&ccedil;as renais e respirat&oacute;rias em crian&ccedil;as com menos de 5 anos, e para doen&ccedil;as respirat&oacute;rias em indiv&iacute;duos com 75 e mais anos (Kovats, Hajat e Wilkinson, 2004).  </P >     <p>A avalia&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as associadas ao calor &eacute; usualmente dif&iacute;cil, mas &eacute; importante identificar popula&ccedil;&otilde;es em risco e reduzir os efeitos relacionados com  o calor (Villamil Cajoto <I>et al., </I>2005). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A ocorr&ecirc;ncia da onda de calor na Europa de 2003, inserida naquele que foi considerado o Ver&atilde;o mais quente dos &uacute;ltimos 50 anos (De Martino, Vasselli e d&rsquo;Argenio, 2005), permitiu a demonstrar e evidenciar um impacto relevante deste tipo de evento na mortalidade ao n&iacute;vel europeu abrangendo uma grande &aacute;rea geogr&aacute;fica cont&iacute;gua.  </P >     <p>Em particular, Portugal Continental esteve sob o efeito de temperaturas elevadas entre 28/07 a 15/08. A avalia&ccedil;&atilde;o do impacto da onda de calor na mortalidade revelou uma estimativa de 1953 mortes adicionais (Nogueira <I>et al., </I>2005). A literatura cient&iacute;fica sugere que muitas mortes relacionadas com o calor ocorrem sem hospitaliza&ccedil;&atilde;o, em indiv&iacute;duos isolados e pessoas idosas. E existem algumas sugest&otilde;es de que os internamentos hospitalares aumentam igualmente durante ondas de calor. Em Portugal tal impacto em internamentos hospitalares n&atilde;o foi ainda evidenciado.  </P >     <p>Este trabalho teve como objectivo mostrar que a onda de calor de 2003 teve    um impacto mensur&aacute;vel em internamentos hospitalares em Portugal; descrever    o n&uacute;mero absoluto de internamentos hospitalares em excesso; e descrever    o impacto relativo por grupo et&aacute;rio, g&eacute;nero e por regi&otilde;es    geogr&aacute;ficas. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>2. Material e m&eacute;todos </B></p>      <p>2.1. Origem dos dados </p>     <p>Para a realiza&ccedil;&atilde;o do presente estudo foram usados dados di&aacute;rios    das temperaturas do ar e dados dos internamentos hospitalares. </p >     <p><B><I>2.1.1. Temperaturas </I></B></p >     <p>As temperaturas m&aacute;ximas do ar para os 18 distritos de Portugal Continental    foram obtidas atrav&eacute;s do Instituto de Meteorologia. O per&iacute;odo    de exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; onda de calor ocorreu entre 28 de Julho    e 16 de Agosto de 2003. </p >     <p><B><I>2.1.2. Internamentos hospitalares </I></B></p >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os efeitos da onda de calor 2003 foram estimados usando dados dos internamentos    hospitalares em estabelecimentos hospitalares do Servi&ccedil;o Nacional de    Sa&uacute;de de 2001 a 2003. </P >     <p><B>2.2. M&eacute;todos </B></p >     <p>Para estudar os efeitos da onda de calor nos internamentos hospitalares em    estabelecimentos hospitalares do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de, o    n&uacute;mero de internamentos ocorridos durante o per&iacute;odo de onda de    calor&nbsp; &mdash; 28 de Julho a 16 de Agosto (internamentos observados) foi    comparado com o n&uacute;mero de internamentos que ocorreriam, no mesmo per&iacute;odo    de tempo, se a onda de calor n&atilde;o tivesse ocorrido (internamentos esperados).  </P >     <p><B><I>2.2.1. Defini&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de dias com excesso de    calor </I></B></p >     <p>O n&uacute;mero de dias com excesso de calor (onda de calor) foi definido com    base nas temperaturas m&aacute;ximas observadas e nos valores do &iacute;ndice    &Iacute;CARO emitidos diariamente para o distrito de Lisboa e para as quatro    Regi&otilde;es<Sup><a href="#1">1</a></Sup> <a name="top1"></a>definidas para    fins de previs&atilde;o de efeitos da onda de calor (Paix&atilde;o e Nogueira,    2003). Na pr&aacute;tica, definiu-se o n&uacute;mero de dias com excesso de    calor como sendo o n&uacute;mero de dias que o &iacute;ndice-&Iacute;CARO local    (Lisboa ou regi&atilde;o) teve valores positivos. </p >     <p><I><b>2.2.2. Estimativa do excesso de internamentos </b></I></p >     <p>2.2.2.1. C&aacute;lculo das raz&otilde;es dos internamentos hospitalares entre    per&iacute;odos <I>(RIHP) </I>e n&uacute;mero relativo de internamentos hospitalares    entre per&iacute;odos &mdash; <I>RRIHP </I></P >     <p>O n&uacute;mero de internamentos hospitalares &eacute; um processo de contagem    sazonal n&atilde;o estacion&aacute;rio. Mostra mudan&ccedil;as r&aacute;pidas    no seu n&uacute;mero m&eacute;dio durante o Ver&atilde;o, onde alcan&ccedil;a    geralmente o seu valor mais baixo; e o seu n&uacute;mero total tem uma tend&ecirc;ncia    de aumento ao longo dos anos. </P >     <p>Se existe um efeito da ocorr&ecirc;ncia do calor nos internamentos hospitalares, ser&aacute; de esperar um aumento do padr&atilde;o usual nessa &eacute;poca do ano. Consequentemente &eacute; particularmente importante determinar correctamente o n&uacute;mero esperado de internamentos hospitalares se a onda de calor n&atilde;o tivesse ocorrido tendo em considera&ccedil;&atilde;o a sazonalidade habitual.  </P >     <p>Assim, &eacute; proposto um m&eacute;todo que usa per&iacute;odos de tempo equivalentes dentro do per&iacute;odo de Ver&atilde;o e entre diferentes anos. A considera&ccedil;&atilde;o de diferentes anos permite controlar para a tend&ecirc;ncia anual nos internamentos hospitalares e ter uma refer&ecirc;ncia para o padr&atilde;o sazonal habitual.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Aqui em particular, foram considerados para c&aacute;lculos os per&iacute;odos de tempo equivalentes no Ver&atilde;o de 2003 (ano do evento &mdash; com ocorr&ecirc;ncia da onda de calor) e nos ver&otilde;es de 2001 e de 2002 (ano de refer&ecirc;ncia &mdash; sem evento da onda de calor). Em termos gerais, o per&iacute;odo da onda de calor <I>(POC) </I>e os per&iacute;odos da compara&ccedil;&atilde;o <I>(PC) </I>foram considerados dentro de todos os anos (evento e refer&ecirc;ncia). Obviamente no ano de refer&ecirc;ncia (2001 e 2002) o  <I>POC </I>&eacute; apenas um per&iacute;odo de tempo equivalente sem o calor adicional e nenhuma mortalidade adicional prevista.  </P >     <p>As raz&otilde;es dos internamentos hospitalares entre per&iacute;odos s&atilde;o consideradas como o n&uacute;mero de internamentos hospitalares observados em <I>POC </I>dividido pelo mesmo n&uacute;mero no <I>PC, </I>isto é dentro da  razão do ano/ evento do Verão.</P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08f1.jpg" width="420" height="53"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>As raz&otilde;es relativas dos internamentos hospitalares entre per&iacute;odos    foram calculadas como a divis&atilde;o do valor de <I>RIHP </I>por ano do evento    pelo valor de <I>RIHP </I>por ano de refer&ecirc;ncia. </P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08f2.jpg" width="354" height="95"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>onde <I>N</I><Sub><Sub><I>P</I>[<I>s</I>]</Sub></Sub> &mdash; representa de    n&uacute;mero de admiss&otilde;es de hospital observadas no per&iacute;odo <I>P    </I>do ano <I>S. </I></P >     <p>Para c&aacute;lculos, usando as circunst&acirc;ncias indicadas acima, a f&oacute;rmula &eacute;:  </P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08f3.jpg" width="415" height="97"></P >     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>O <I>RRIHP </I>&eacute; uma medida relativa do impacto da onda de calor nos    internamentos hospitalares corrigido para a mudan&ccedil;a entre os per&iacute;odos    em que o evento (onda de calor) n&atilde;o ocorre. Consequentemente, <I>RRIHP    </I>representa uma estimativa corrigida de <I>RIHP </I>ap&oacute;s controlar    para a rela&ccedil;&atilde;o observada no ano de refer&ecirc;ncia, entre o n&uacute;mero    de internamentos ocorridos durante os dois per&iacute;odos (<I>POC </I>e <I>PC</I>)    em 2001-2002. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>2.2.2.2. Estimativas de intervalos de confian&ccedil;a </P >     <p>Para testar a hip&oacute;tese de um n&uacute;mero adicional significativo de    internamentos hospitalares assumiu-se que o n&uacute;mero de internamentos num    per&iacute;odo de tempo espec&iacute;fico segue uma distribui&ccedil;&atilde;o    de Poisson. Os intervalos de confian&ccedil;a a 95% para o excesso de internamentos    hospitalares para cada per&iacute;odo de compara&ccedil;&atilde;o foram obtidos    com os intervalos de confian&ccedil;a de 95% para <I>RIHP, </I>calculados atrav&eacute;s    do &laquo;m&eacute;todo exacto de Silcocks&raquo;, que usa a rela&ccedil;&atilde;o    entre as distribui&ccedil;&otilde;es de probabilidade beta e binomial (Silcocks,    1994). Nomeadamente, os limites de 95% de confian&ccedil;a s&atilde;o os valores    de <I>p, pL </I>&mdash; Limite inferior e <I>pU </I>&mdash; limite superior,    tal que <I>B</I>(<I>pL, O, E </I>+ 1) = 0,025 e que <I>B</I>(<I>pU, O </I>+    1, <I>E</I>) = 0,975. Definimos <I>O </I>&mdash; o n&uacute;mero de internamentos    observado; e <I>E </I>&mdash; o n&uacute;mero de internamentos esperado. Os    valores de <I>p </I>e os intervalos de confian&ccedil;a para medidas de <I>RRIHP    </I>foram calculados usando um teste do qui-quadrado, que aproxima a probabilidade    de observar valores <I>N</I> <sub><I>POC</I>[<I>S</I>]</sub> e <I>N <sub>PC</sub></I><sub>[<I>S</I>]</sub>,    em cada situa&ccedil;&atilde;o, sabendo que estas vari&aacute;veis aleat&oacute;rias    condicionais &agrave; sua soma, seguem uma distribui&ccedil;&atilde;o binomial    (Breslow e Day, 1987). Mais precisamente, </p >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08f4.jpg" width="424" height="111"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>onde</P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08f5.jpg" width="264" height="59"></P >     
<p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ou, equivalentemente, </P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08f6.jpg" width="214" height="52"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Donde o Intervalo de confian&ccedil;a para <I>RRIHP </I>100(1 &ndash; &alpha;)%    pode ser obtido da equa&ccedil;&atilde;o anterior, depois de calculados os limites    de confian&ccedil;a para &pi; cujas equa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o as seguintes:  </P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08f7.jpg" width="427" height="144"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>onde <I>F</I><sub>&alpha;<I>/2</I></sub>(&nu;<Sub>1</Sub>; &nu;<Sub>2</Sub>)    denota o quantil 1&ndash;<img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08f8.jpg" width="19" height="31">    da distribui&ccedil;&atilde;o <I>F </I>com os graus de liberdade &nu;<Sub>1</Sub>    e &nu;<Sub>2</Sub>. </P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>2.2.2.3. Per&iacute;odos da compara&ccedil;&atilde;o </p>     <p>O efeito estimado da onda de calor de 2003 nos internamentos hospitalares foi    desenvolvido com as seguintes compara&ccedil;&otilde;es: </p >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><I>a</I>) Do n&uacute;mero de internamentos no per&iacute;odo da onda de calor    (Jul<Sub>28</Sub>-Ago<Sub>16</Sub>) com o n&uacute;mero de internamentos nos    4 per&iacute;odos definidos para a compara&ccedil;&atilde;o em 2003 (Jun<sub>18</sub>-Jul<sub>7</sub>,    Jul<sub>8</sub>-Jul<sub>27</sub>, Ago<sub>17</sub>-Set<sub>5</sub> e Set<Sub>6</Sub>-Set<Sub>25</Sub>),    considerando as bases de dados de internamentos hospitalares do respectivo ano;    considerando o mesmo n&uacute;mero de dias e exactamente os mesmos dias &uacute;teis    dos per&iacute;odos em 2003 (as datas correspondentes foram deslocadas ligeiramente    em 2001 e 2002). </P >     <p><I>b</I>) Do n&uacute;mero de internamentos durante o per&iacute;odo da onda    de calor (Jul<Sub>28</Sub>-Ago<Sub>16</Sub>) e dos per&iacute;odos da compara&ccedil;&atilde;o    em 2003 com os per&iacute;odos hom&oacute;logos de 2001 e de 2002. </P >     <p>Avalia&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de internamentos hospitalares durante    o per&iacute;odo da onda de calor com os quatro per&iacute;odos de compara&ccedil;&atilde;o  </P >     <p>&nbsp; </P >     <p>N&Uacute;MERO DE INTERNAMENTOS OBSERVADOS (<I>O</I>) </P >     <P>O per&iacute;odo de refer&ecirc;ncia para a contagem dos internamentos    hospitalares observados (<I>O</I>) foi fixado em 20 dias (Jul<Sub>28</Sub>-Ago<Sub>16</Sub>).  </P >     <P   align="center">&nbsp;</P >     <p>N&Uacute;MERO DE INTERNAMENTOS ESPERADOS (<I>E</I>) </P >     <p>O c&aacute;lculo dos internamentos esperados (aqueles que ocorreriam durante    o per&iacute;odo de onda de calor (20 dias) se o excesso do calor n&atilde;o    tivesse ocorrido), foi obtido usando 4 per&iacute;odos de compara&ccedil;&atilde;o:  </P >     <p><I>P </I>&ndash; 2: Per&iacute;odo Jun<Sub>18</Sub>-Jul<Sub>7</Sub> &mdash;    precedente a <I>P </I>&ndash; 1, com dura&ccedil;&atilde;o de 20 dias. <I>P    </I>&ndash; 1: Per&iacute;odo Jul<Sub>8</Sub>-Jul<Sub>27</Sub> &mdash; precedente    &agrave; onda de calor, com 20 dias. <I>P </I>+ 1: Per&iacute;odo Ago<Sub>17</Sub>-Set<Sub>5</Sub>    &mdash; posterior &agrave; onda de calor, com 20 dias. <I>P </I>+ 2: Per&iacute;odo    Set<Sub>6</Sub>-Set<Sub>25</Sub> &mdash; posterior a <I>P </I>+ 1, com 20 dias.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todos os per&iacute;odos incluem o mesmo n&uacute;mero de dias da semana. O    n&uacute;mero esperado de internamentos hospitalares no per&iacute;odo da onda    de calor se esta n&atilde;o tivesse ocorrido foi calculado genericamente como:  </P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08f9.jpg" width="305" height="58"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Concretizado um pouco mais, </P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08f10.jpg" width="422" height="52"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>O n&uacute;mero esperado de internamentos hospitalares &eacute; ent&atilde;o    definido pelo n&uacute;mero de internamentos hospitalares observados durante    o per&iacute;odo de compara&ccedil;&atilde;o (no ano da ocorr&ecirc;ncia) multiplicada    pela raz&atilde;o entre per&iacute;odos na situa&ccedil;&atilde;o da refer&ecirc;ncia    (sem a onda de calor nesta situa&ccedil;&atilde;o particular). </P >     <p>A determina&ccedil;&atilde;o do excesso de internamentos hospitalares foi obtida com a diferen&ccedil;a <I>O </I>&ndash; <I>E, </I>para cada per&iacute;odo de refer&ecirc;ncia para compara&ccedil;&atilde;o.</P >     <p><B><I>2.2.3. Diagn&oacute;sticos principais de internamento (em grandes grupos)    </I></B></P >     <p>Para estudar os diagn&oacute;sticos principais de internamento para os anos    em estudo, foi usada a classifica&ccedil;&atilde;o internacional de doen&ccedil;as,    9.<Sup>a</Sup> revis&atilde;o (CID-9) <I>(Quadro I). </I></p >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p >     <p><b>Quadro I    <br>   Codifica&ccedil;&atilde;o das causas de internamento segundo a classifica&ccedil;&atilde;o    CID-9 (Grandes Grupos)</b></p >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08q1.jpg" width="548" height="320"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>As principais causas de internamentos hospitalares foram estudadas atrav&eacute;s da estimativa do aumento percentual do excesso de internamentos hospitalares em rela&ccedil;&atilde;o aos internamentos esperados, representada por  </P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08f11.jpg" width="158" height="48"></P >     
<p><I>&nbsp;</I></P >     <p><B><I>2.2.4. Outras considera&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas e apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados  </I></B></p>     <p>Para finalidades de robustez, foram considerados dois anos, 2001 e 2002, para    serem usados como refer&ecirc;ncia. Assim, foi calculada a m&eacute;dia em cada    per&iacute;odo usando os valores do Ver&atilde;o de 2001 e 2002 (sem ocorr&ecirc;ncia    da onda de calor). </p >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os resultados apresentados mostram os n&uacute;meros de internamentos hospitalares por per&iacute;odos no ano do evento (onda de calor) e no ano de refer&ecirc;ncia.  </P >     <p>Para avalia&ccedil;&otilde;es finais dos efeitos da onda de calor em todas as idades e em 75 ou mais anos, os resultados apresentados s&atilde;o: </P >  	     <blockquote>        <p>&#9679 Os internamentos hospitalares observados em todos os cinco per&iacute;odos      de tempo considerados; </p>       <p>&#9679 Estimativa(s) de <I>RRIHP </I> </p>       <blockquote>          <p>&mdash; para todos os per&iacute;odos de compara&ccedil;&atilde;o; </p>         <p>&mdash; usando todos os períodos de comparação como um único período; </p>         <p>&mdash; obtido como a média das quatro estimativas individuais dos per&iacute;odos        de compara&ccedil;&atilde;o de RRIHP; </p>   </blockquote>       <p>&#9679 Estimativa de internamentos hospitalares esperados e excesso de internamentos      hospitalares</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>         <p>&mdash; em cada per&iacute;odo de compara&ccedil;&atilde;o; </p>         <p>&mdash; usando todos os períodos de comparação como um &uacute;nico per&iacute;odo;</p>         <p>&mdash; obtido a partir da m&eacute;dia de <I>RRIHP </I>e no valor m&eacute;dio        esperado. </p>   </blockquote> </blockquote>     <p>Somente um per&iacute;odo (<I>P </I>&ndash; 1) foi usado para estimar o excesso de internamentos hospitalares durante o per&iacute;odo da onda de calor em Portugal Continental, por sexo, e diagn&oacute;stico principal de internamentos hospitalares.  </P >     <p>O programa MS Access 2003, e MS Excel 2003 e R (<a href="http://www.r-project.org" target="_blank">www.r-project.org</a>)    foram usados para a an&aacute;lise de dados e c&aacute;lculos. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>3. Resultados</B></p>     <p><b>3.1. Temperaturas do ar </b></p>     <p>Durante o per&iacute;odo compreendido entre 28 de Julho e 16 de Agosto de 2003    Portugal Continental esteve exposto a temperaturas ambientais superiores &agrave;s    habituais para a &eacute;poca. As temperaturas m&aacute;ximas di&aacute;rias    para o per&iacute;odo de 27 de Julho a 18 de Agosto de 2003, dos distritos de    Portugal Continental constam do <I>Quadro II</I>. </p >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p >     <p><b>Quadro II    <br>   Temperaturas m&aacute;ximas di&aacute;rias entre 27 de Julho a 18 de Agosto    de 2003, por regi&atilde;o e distrito do Continente</b></P >     <p><b><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08q2.jpg" width="692" height="581"></b></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Verificou-se que o valor da temperatura come&ccedil;ou a aumentar a 28 de Julho, e mantiveram-se temperaturas elevadas at&eacute; dia 15 de Agosto. </P >     <p>Os distritos de Beja, Castelo Branco, &Eacute;vora, Portalegre foram os que tiveram mais dias consecutivos temperaturas iguais ou superiores 32&deg;C (20 dias para Beja e 18 dias para os restantes), seguidos de Bragan&ccedil;a, Guarda, e Vila Real com 17 dias consecutivos em que as temperaturas foram iguais ou superiores 32&deg;C. O distrito de Viseu esteve 16 dias consecutivos com temperaturas acima de 32&deg;C.  </P >     <p>Os distritos de Beja, &Eacute;vora, Santar&eacute;m e Set&uacute;bal, registaram durante 5 dias consecutivos temperaturas iguais ou superiores a 40&deg;C. Os distritos de Beja e &Eacute;vora registaram ainda dois per&iacute;odos n&atilde;o consecutivos de 3 e 4 dias com temperaturas iguais ou superiores a 40&deg;C. Portalegre e Santar&eacute;m registaram ainda dois per&iacute;odos de 2 e 3 dias com temperaturas iguais ou superiores a 40&deg;C.  </P >     <p>Oito distritos (Braga, Coimbra, Faro, Leiria, Lisboa, Santar&eacute;m, Set&uacute;bal e Viana do Castelo) tiveram pelo menos 12 dias n&atilde;o consecutivos com temperaturas acima desse valor. Somente os distritos de Aveiro e Porto apresentaram um menor n&uacute;mero de dias com temperaturas superiores a 32&deg;C. Aveiro foi mesmo o distrito menos quente s&oacute; com dois dias acima dessa temperatura.  </P >     <p>As temperaturas m&aacute;ximas registadas foram de 45&deg;C em Beja, &Eacute;vora e Santar&eacute;m, no dia 1 de Agosto <I>(Quadro II). </I></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A m&eacute;dia das temperaturas m&aacute;ximas em todos os distritos de Portugal    Continental, entre 2001 e 2003, encontram-se representadas na <I>Figura 1</I>.    Nesta representa&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica torna-se n&iacute;tida a exist&ecirc;ncia    do per&iacute;odo da onda de calor de Jul<Sub>28</Sub> &ndash; Ago<Sub>16 </Sub>no    ano de 2003, face aos restantes anos onde tal n&atilde;o se verificou. De facto,    o per&iacute;odo de 28/07 a 16/08 de 2003 foi em m&eacute;dia mais quente em    cerca de 5&deg;C do que o esperado. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 1    <br>   M&eacute;dia das temperaturas m&aacute;ximas, em graus cent&iacute;grados, registadas    nos cinco per&iacute;odos em estudo em todos os distritos de Portugal Continental,    nos anos de 2001 a 2003 </b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08i1.jpg" width="575" height="245"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p><b>Figura 2    <br>   Distribui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero total de internamentos nos 5 per&iacute;odos    estudados nos anos de 2001, 2002 e 2003</b></P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08i2.jpg" width="590" height="355"></P >     
<p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>3.2. Estimativas de excesso de internamentos hospitalares </B></P >     <p>O objectivo de obter estimativas de excesso de internamentos hospitalares foi    conseguido usando a compara&ccedil;&atilde;o de raz&otilde;es <I>(ratios) </I>de    internamentos observados, definida como as Raz&otilde;es <I>(ratios) </I>de    Internamentos nos Per&iacute;odos Estudados <I>(RIHP). </I>Os valores estimados    destas raz&otilde;es (ratios) foram obtidos para os quatro per&iacute;odos de    compara&ccedil;&atilde;o considerados (<I>P </I>&ndash; 1, <I>P </I>&ndash;    2, <I>P </I>+1 e <I>P </I>+ 2) para o ano de 2003 (ano de ocorr&ecirc;ncia do    evento) e os anos 2001-2002 (anos de refer&ecirc;ncia &mdash; sem ocorr&ecirc;ncia    da onda de calor).</P >     <p>O excesso relativo foi estimado pela relaç&atilde;o entre <I>RIHP </I>equivalentes, denominado como Raz&otilde;es <I>(ratios) </I>Relativas de Internamentos entre Per&iacute;odos Estudados  <I>(RRIHP). </I>Este procedimento gerou quatro estimativas distintas do risco de excesso de admiss&otilde;es hospitalares devido &agrave; ocorr&ecirc;ncia da onda de calor. A m&eacute;dia das quatro estimativas precedentes foi calculada e obteve-se somente uma estimativa deste risco. Foi obtida uma outra estimativa de  <I>RRIHP </I>usando os quatro per&iacute;odos considerados de compara&ccedil;&atilde;o como sendo um &uacute;nico.  </p>     <p>Em Portugal Continental, o n&uacute;mero total de internamentos nos per&iacute;odos    em estudo no ano de 2003 apresentam um aumento relativamente aos anos de 2001    e 2002, a partir do per&iacute;odo imediatamente anterior &agrave; onda de calor    e durante o per&iacute;odo da onda de calor. Foi estimado um excesso de 2578    internamentos hospitalares durante o per&iacute;odo de onda de calor em 2003,    correspondendo a um aumento de 5% do n&uacute;mero de internamentos previstos    <I>(Quadro III). </I></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro III    <br>   Excesso corrigido de internamentos hospitalares associados &agrave; onda de    calor de Agosto de 2003</b></p>     <p><b><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08q3.jpg" width="702" height="468"></b></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O n&uacute;mero total de internamentos em indiv&iacute;duos com 75 e mais anos, em Portugal Continental manteve-se acima dos n&iacute;veis verificados nos anos de 2001 e 2002  <I>(Figura 3). </I>Registou-se um pico durante o período da onda de calor em  2003, o que corresponde ao descrito na literatura sobre o tema, sobre o risco  acrescido a esta faixa etária. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 3    <br>   Distribui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero total de internamentos em indiv&iacute;duos    com 75 e mais anos, nos anos de 2001, 2002 e 2003</b></p>     <p><b><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08i3.jpg" width="643" height="399"></b></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para os indiv&iacute;duos com 75 ou mais anos o mesmo procedimento gerou um    excesso estimado das admiss&otilde;es 1211 de hospital durante o per&iacute;odo    onde a onda de calor 2003 ocorreu, correspondendo a um aumento de 14% do n&uacute;mero    de internamentos esperados <I>(Quadro IV). </I></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro IV    <br>   Excesso corrigido de internamentos hospitalares associados &agrave; onda de    calor de Agosto de 2003 em indiv&iacute;duos com 75 e mais anos</b></p>     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08q4.jpg" width="690" height="486"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>As estimativas de excesso de internamentos hospitalares por sexo nos indiv&iacute;duos com 75 e mais anos foram calculadas somente durante um per&iacute;odo de compara&ccedil;&atilde;o (<I>POC  </I>contra <I>P </I>&ndash; 1), a fim simplificar os c&aacute;lculos. </p>     <p>Uma estimativa revelou um excesso de 371 de internamentos hospitalares em indiv&iacute;duos    do sexo masculino e de 659 em indiv&iacute;duos do sexo feminino, no grupo et&aacute;rio    acima de 75 anos. Observou-se uma distribui&ccedil;&atilde;o de internamentos    hospitalares de 64% nos indiv&iacute;duos do sexo feminino e de 36% nos indiv&iacute;duos    do sexo masculino <I>(Quadro V).</I><B><I> </I></b>As estimativas do n&uacute;mero    absoluto de internamentos hospitalares em excesso de acordo com o sexo foram    realizadas no per&iacute;odo de compara&ccedil;&atilde;o (<I>POC </I>contra    <I>P </I>&ndash; 1) que origina uma estimativa mais baixa, como podem ser observadas    no <I>Quadro IV</I>. </p>     <p>&nbsp;</p> <B>      <p>Quadro V    <br>   Excesso corrigido de internamentos hospitalares associados &agrave; onda de    calor de Agosto de 2003 em indiv&iacute;duos com 75 e mais anos, por sexo</P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08q5.jpg" width="688" height="292"></p> </b>      
<p>&nbsp;</p>    <p>Tendo em conta que o grupo mais afectado em termos de internamentos durante o per&iacute;odo da onda de calor foi o grupo de indiv&iacute;duos com 75 e mais anos, considerou-se adequado desenvolver a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos internamentos verificados entre 28 de Julho e 16 de Agosto de 2003, por Regi&otilde;es de Portugal Continental. As v&aacute;rias Regi&otilde;es de Portugal Continental apresentaram diferentes aumentos de internamentos hospitalares para a classe et&aacute;ria de 75 e mais anos. As Regi&otilde;es que apresentaram maior excesso de internamentos para o sexo feminino, foram Lisboa e Vale do Tejo (1,22) e Centro (1,22), que representa um excesso estimado de 383 e 282 internamentos. Para os indiv&iacute;duos do sexo masculino, o maior risco de internamento hospitalar situa-se nas regi&otilde;es de Lisboa e Vale do Tejo (1,15) e Alentejo (1,18), representando um excesso de 195 e 39 internamentos, respectivamente.  </P >     <p>&Eacute; interessante notar que a estimativa global de excesso (1154,9) dada pela estratifica&ccedil;&atilde;o por regi&otilde;es, usando como o per&iacute;odo de compara&ccedil;&atilde;o o per&iacute;odo imediatamente anterior &agrave; onda de calor (<I>P  </I>&ndash; 1), &eacute; mais pr&oacute;xima das estimativas globais obtidas (1210,8, 1212,7 ou 1214,8) do que a estimativa obtida pelos internamentos totais dos indiv&iacute;duos com 75 ou mais anos ao comparar o per&iacute;odo da onda de calor com o per&iacute;odo  <I>P </I>&ndash; 1 (1028,6). </P > <B>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p>Quadro VI    <br>   Excesso corrigido de internamentos hospitalares associados &agrave; onda de    calor de Agosto de 2003 em indiv&iacute;duos com 75 e mais anos, por regi&atilde;o    de Portugal Continental</p>     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08q6.jpg" width="584" height="340"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Quadro VII    <br>   Excesso corrigido de internamentos hospitalares associados &agrave; onda de    calor de Agosto de 2003 em indiv&iacute;duos do sexo feminino com 75 e mais    anos, por regi&atilde;o de Portugal Continental</p>     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08q7.jpg" width="688" height="357"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Quadro VIII    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Excesso corrigido de internamentos hospitalares associados &agrave; onda de    calor de Agosto de 2003 em indiv&iacute;duos do sexo masculino com 75 e mais,    por regi&atilde;o de Portugal Continental</P >     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08q8.jpg" width="689" height="357"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>3.3. Diagn&oacute;sticos principais de internamento durante o POC </p> </b>      <p>No seguimento do estudo dos internamentos hospitalares associados &agrave; onda de calor de Agosto de 2003 (Jul<Sub>28</Sub>-Ago<Sub>16</Sub>), o estudo dos diagn&oacute;sticos principais de internamento proporciona um melhor conhecimento dos problemas de sa&uacute;de exacerbados durante epis&oacute;dios de calor.  </P ><B>     <p>&nbsp;</p>     <p><I>3.3.1. Todas as idades </I></p> </b>      <p>No que respeita ao total de internamentos hospitalares ocorridos entre 28 de    Julho e 16 de Agosto de 2003, as doen&ccedil;as do aparelho respirat&oacute;rio    foram o diagn&oacute;stico principal de internamento que registou um maior aumento    (43,4%), seguido das doen&ccedil;as das gl&acirc;ndulas end&oacute;crinas, nutri&ccedil;&atilde;o    e metabolismo (41,5%) e das doen&ccedil;as do aparelho genitourin&aacute;rio    (24,1%) <I>(Quadro IX). </I></P >     <p>&nbsp;</P >  <B>     <p>Quadro IX    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Diagn&oacute;sticos principais de internamento (em grandes grupos) realizados    durante o per&iacute;odo da onda de calor (Jul<sub>28</sub>-Ago<sub>16</sub>)    em 2003 e m&eacute;dia 2002-2001</P > </b>      <p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08q9.jpg" width="688" height="337"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>De referir que foram encontradas diferen&ccedil;as significativas para os diagn&oacute;sticos principais de internamento em grandes grupos assinalados a sombreado no  <I>Quadro IX</I>. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><I><b>3.3.2. Indiv&iacute;duos com 75 e mais anos</b> </I></p>     <p>Quando se trata dos indiv&iacute;duos com 75 e mais anos de idade, a ordem de diagn&oacute;sticos principais verificada foi semelhante ao padr&atilde;o para todas as idades, para os tr&ecirc;s diagn&oacute;sticos que tiveram um maior aumento durante a onda de calor em 2003  <I>(Quadro X). </I>As doen&ccedil;as do aparelho respirat&oacute;rio mantiveram-se em primeiro lugar (85,6%), em segundo lugar situaram-se as doen&ccedil;as end&oacute;crinas, nutri&ccedil;&atilde;o e metabolismo (66,8%) e em terceiro as doen&ccedil;as do aparelho genitourin&aacute;rio (60,0%) <I>(Quadro X). </I></P > <B>      <p>&nbsp;</P >     <p>Quadro X    <br>   Diagn&oacute;sticos principais de internamento (em grandes grupos) durante o    per&iacute;odo da onda de calor nos anos de 2003 e m&eacute;dia 2002-2001 para    indiv&iacute;duos com 75 e mais anos</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/rpsp/v27n2/27n2a08q10.jpg" width="688" height="362"></P >     
<p>&nbsp;</P > </b>      <p>Foram estatisticamente significativas as diferen&ccedil;as observadas para grupos de diagn&oacute;sticos principais de internamento em grandes grupos assinalados a sombreado no  <I>Quadro X</I>.</P ><B>     <p>&nbsp;</P >     <p>4. Discuss&atilde;o</p> </b>      <p>Entre 28 de Julho e 15 de Agosto de 2003 uma onda de calor de apreci&aacute;vel intensidade afectou o territ&oacute;rio do Continente.  </P >     <p>O estudo dos efeitos na mortalidade de anteriores ondas de calor, especialmente as de Junho de 1981, Julho de 1991 e Agosto de 2003 e os conhecimentos adquiridos constitu&iacute;ram os antecedentes para o estudo sobre os internamentos hospitalares associados &agrave; onda de calor de Agosto de 2003.  </P >     <p>Segundo o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, a investiga&ccedil;&atilde;o sobre os efeitos das Ondas de Calor na sa&uacute;de &eacute; fundamental como instrumento de apoio &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias e planos de interven&ccedil;&atilde;o, assim como a  colmatar lacunas no conhecimento e consolida&ccedil;&atilde;o deste (Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. DGS, 2007).  </P >     <p>Importa agora discutir alguns aspectos relevantes relacionados com os resultados obtidos. </P ><B>     <p>&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>4.1. Explica&ccedil;&otilde;es para o excesso de internamentos hospitalares  </P > </b>      <p>Poderia admitir-se que o excesso de internamentos em estabelecimentos hospitalares do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de teria, no todo ou em parte, origem n&atilde;o na onda de calor mas noutros fen&oacute;menos concomitantes.</P >     <p>Durante os meses de Ver&atilde;o, a popula&ccedil;&atilde;o do Continente aumenta apreciavelmente por influ&ecirc;ncia da presen&ccedil;a de elevado n&uacute;mero de turistas. Tamb&eacute;m a presen&ccedil;a de emigrantes portugueses e lusodescendentes em f&eacute;rias no Continente contribui para o aumento da popula&ccedil;&atilde;o. No entanto, pertencem predominantemente a grupos et&aacute;rios jovens ou de meia-idade, em regra saud&aacute;veis e pouco suscept&iacute;veis de falecer sob o efeito de uma onda de calor.  </P >     <p>A elevada sinistralidade rodovi&aacute;ria durante os meses de ver&atilde;o, poderia estar na origem do excesso de internamentos. Esta explica&ccedil;&atilde;o parece n&atilde;o se fundamentar, uma vez que os dados de acidentes de via&ccedil;&atilde;o com v&iacute;timas ocorridos em Agosto n&atilde;o sofreram altera&ccedil;&otilde;es significativas (2001: 3915 acidentes com v&iacute;timas (Portugal. Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna. Observat&oacute;rio de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria. DGV, 2002); 2002: 3961 acidentes com v&iacute;timas (Portugal. Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna. Observat&oacute;rio de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria. DGV, 2002); 2003: 4159 acidentes com v&iacute;timas (Portugal. Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna. Observat&oacute;rio de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria. DGV, 2003).  </P >     <p>Os fogos florestais ocorridos durante o per&iacute;odo da onda de calor poderiam tamb&eacute;m ter tido efeito sobre o n&uacute;mero de internamentos hospitalares. Um excesso de morbilidade poderia ocorrer devido a v&aacute;rias hipot&eacute;ticas causas como, por exemplo, terramoto, cheias ou outras cat&aacute;strofes naturais muito violentas, acidentes a&eacute;reos, ferrovi&aacute;rios, rodovi&aacute;rios ou mar&iacute;timos de grandes dimens&otilde;es, actos terroristas com graves consequ&ecirc;ncias ou epidemia de doen&ccedil;a. N&atilde;o h&aacute; conhecimento de que tenham ocorrido fen&oacute;menos desta natureza durante o per&iacute;odo em estudo. Nestas condi&ccedil;&otilde;es, considera-se que ocorreu um apreci&aacute;vel excesso de internamentos hospitalares num per&iacute;odo que come&ccedil;ou um dia ap&oacute;s o inicio da onda de calor e que se prolongou at&eacute; alguns dias depois dela ter terminado. Essa onda de calor &eacute; a explica&ccedil;&atilde;o mais plaus&iacute;vel para o excesso de morbilidade registado.  </P >     <p>A reduzida actividade gripal sazonal observada no Inverno de 2002/2003, poder&aacute; ter gerado um n&uacute;mero n&atilde;o habitual de indiv&iacute;duos suscept&iacute;veis &agrave; ocorr&ecirc;ncia de calor e consequentemente gerado um maior n&uacute;mero de internamentos hospitalares. </P ><B>     <p>&nbsp;</P >     <p>4.2. Explica&ccedil;&otilde;es para os resultados obtidos </p> </b>      <p>Sendo a grande onda de calor de Agosto de 2003 a primeira que ocorreu dentro do per&iacute;odo de recolha de dados dos Grupos de Diagn&oacute;stico Homog&eacute;neos (GDH), e sendo aceite que a exposi&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o a calor excessivo provoca altera&ccedil;&otilde;es na sa&uacute;de em geral e n&atilde;o apenas na mortalidade, faz sentido perscrutar naquela base de dados evid&ecirc;ncias do impacto do calor nos internamentos hospitalares.  </P >     <p>Os resultados apresentados mostram evid&ecirc;ncia de que existe de facto um impacto da ocorr&ecirc;ncia de ondas de calor nos padr&otilde;es de internamentos hospitalares, nomeadamente no n&uacute;mero de internamentos hospitalares na popula&ccedil;&atilde;o de Portugal continental em geral e na popula&ccedil;&atilde;o mais idosa em particular (75 e mais anos).  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A onda de calor de Agosto de 2003 ocorreu no per&iacute;odo em que o n&uacute;mero de internamentos hospitalares est&aacute; em regra no seu ponto mais baixo. O n&uacute;mero estimado de internamentos adicionais associados ao calor rondar&aacute; um n&uacute;mero estimado de 2673, n&uacute;mero que distribu&iacute;do por todos os hospitais n&atilde;o ter&aacute; tido particular express&atilde;o no sector da sa&uacute;de em Portugal.  </P >     <p>&Eacute; not&oacute;rio que o efeito &eacute; sobretudo evidente na popula&ccedil;&atilde;o idosa (75 ou mais anos de idade), grupo em que &eacute; evidente um acr&eacute;scimo de internamentos associado ao excesso de calor. O excesso de internamentos, neste grupo et&aacute;rio, foi estimado em cerca de 1200 a 1600 um excesso de, pelo menos, 45% de todo o excesso de internamentos (para toda popula&ccedil;&atilde;o), num grupo et&aacute;rio que &eacute; apenas usualmente respons&aacute;vel por cerca de 15% dos internamentos.  </P >     <p>&Eacute; digno de nota o facto de, fora do per&iacute;odo da onda de calor, quer antes quer depois, no ano de 2003 o internamento de idosos foi em m&eacute;dia cerca de 2% mais elevado. Este facto dificultou a an&aacute;lise dos dados, mas a estrat&eacute;gia metodol&oacute;gica contornou este problema sendo os excessos estimados apresentados de forma relativizada tendo j&aacute; em conta o maior n&uacute;mero de internamentos que ocorriam em 2003 na popula&ccedil;&atilde;o idosa.  </P >     <p>Ser&aacute; importante identificar claramente que fen&oacute;meno est&aacute; na origem de um maior internamento da popula&ccedil;&atilde;o idosa, para que se perceba que outro fen&oacute;meno que n&atilde;o s&oacute; o calor ter&aacute; interferido na morbilidade da popula&ccedil;&atilde;o idosa, e em que sentido. Uma possibilidade para tentar obviar esta limita&ccedil;&atilde;o seria usar todo o conjunto de diagn&oacute;sticos associados a cada internamento e aplicar a mesma metodologia.  </P >     <p>Estas raz&otilde;es parecem indiciar que investiga&ccedil;&atilde;o adicional    relativa &agrave; letalidade associada aos internamentos hospitalares ocorridos    ter&aacute; de ser feita, para averiguar a exacta dimens&atilde;o do fen&oacute;meno    ocorrido. Estimativas mais exactas sobre a dimens&atilde;o dos efeitos na letalidade,    a sua distribui&ccedil;&atilde;o por outros grupos et&aacute;rios, por g&eacute;nero,    por regi&atilde;o e por causa ser&atilde;o averiguadas em investiga&ccedil;&otilde;es    futuras. </P >     <p>&nbsp;</P >      <p><B> Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></P >       <p>BASU, R.; SAMET, J. M. &mdash; Relation between elevated ambient temperature    and mortality : a review of epidemiologic evidence. <I>Epidemiologic Reviews</I>.    24 : 2 (2002) 190-202. </P >     <p>BRESLOW, N.; DAY, N. &mdash; Statistical methods in cancer research. Vol. II.    &mdash; The design and analysis of cohort studies. Lyon : International Agency    for Cancer Research, 1987 (IARC Scientific Publications; 82). </P >     <p>CONTI, S. <I>et al</I>. &mdash; Epidemiologic study of mortality during summer    2003 heat wave in Italy. <I>Environmental Research</I>. 98 : 3 (2005) 390-399.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>DE MARTINO, A.; VASSELLI, S.; D&rsquo;ARGENIO, P. &mdash; Strategies for protecting    the elderly from the health-risks of heat-waves : measures undertaken in Italy    in the summer of 2004. <I>Igiene e Sanita Pubblica</I>. 61 : 3 (2005) 293-312.  </P >     <p>KOVATS, R. S.; HAJAT, S.; WILKINSON, P. &mdash; Contrasting patterns of mortality    and hospital admissions during hot weather and heat waves in Great London, UK.    <I>Occupational and Environmental Medicine</I>. 61 : 11 (2004) 893-898.</P >     <p>McGEEHIN, M. A.; MIRABELLI, M. &mdash; The potential impacts of climate variability    and change on temperature-related morbidity in the United States. <I>Environmental    Health Perspectives</I>. 109 : Suppl 2 (2001) 185-189. </P >     <p>MICHELOZZI, P. <I>et al</I>. &mdash; Assessment and prevention of acute health    effects of weather conditions in Europe : the PHEWE project-background, objectives,    design.<I> Environmental Health</I>. 6 : 1 (2007) 12. </P >     <p>NOGUEIRA, P. J. <I>et al</I>. &mdash; Mortality in Portugal associated with the heat wave of August 2003 : early estimation of effect, using a rapid method.<I> Eurosurveillance</I>. 10 : 7 (2005) 313-317.  </P >     <p>PAIX&Atilde;O, E.; NOGUEIRA, P. &mdash; Efeitos de uma onda de calor na mortalidade.    <I>Revista Portuguesa de Sa&uacute;de P&uacute;blica</I>. 21 : 1 (2003) 41-54.  </P >     <p>PATZ, J. A.; OLSON, S. H. &mdash; Climate change and health : global to local    influences on disease risk. <I>Annals of Tropical Medicine and Parasitology</I>.    100 : 5-6 (2006) 535-549. </P >     <p>PORTUGAL. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. DGS &mdash; Plano de conting&ecirc;ncia    para ondas de calor 2007. Lisboa : Direc&ccedil;&atilde;o Geral de Sa&uacute;de,    2007. </P >     <p>PORTUGAL. Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o Interna. Observat&oacute;rio    de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria. DGV &mdash; Sinistralidade rodovi&aacute;ria    2002 : elementos estat&iacute;sticos. Lisboa : Direc&ccedil;&atilde;o-Geral    de Via&ccedil;&atilde;o, 2002. </P >     <p>PORTUGAL. Rodovi&aacute;ria. Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o    Interna. Observat&oacute;rio de Seguran&ccedil;a Rodovi&aacute;ria. DGV &mdash;    Sinistralidade rodovi&aacute;ria 2003 : elementos estat&iacute;sticos. Lisboa    : Direc&ccedil;&atilde;o-Geral de Via&ccedil;&atilde;o, 2003. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>REY, G. <I>et al. &mdash;</I> The impact of major heat waves on all-cause and    cause-specific mortality in France from 1971 to 2003. <I>International Archives    of Occupational and Environmental Health</I>. 80 : 7 (2007) 615-626. </P >     <p>SILCOCKS, P. &mdash; Estimating confidence limits on a standardized mortality    ratio when the expected number is no error free. <I>Journal of Epidemiology    and Community Health</I>. 48 (1994) 313-317. </P >     <p>VILLAMIL CAJOTO, I. <I>et al</I>. &ndash; Impacto de la ola de calor de 2003 en el Hospital de Riviera (A Corun&atilde;). <I>Anales de Medicina Interna (Madrid)</I>. 22 : 1 (2005) 15-20. </P ><B>     <p>&nbsp;</P > </b>     <p><b>Notas</b></P >     <p><Sup><a href="#top1">1</a> </Sup><a name="1"></a>Regi&otilde;es: Interior Norte    &mdash; composto pelos distritos Bragan&ccedil;a, Guarda, Vila Real e Viseu.    Litoral Norte &mdash; composto pelos distritos Viana do Castelo, Braga, Porto,    Aveiro, Coimbra e Leiria. Litoral Sul &mdash; composto pelos distritos Lisboa,    Santar&eacute;m e Set&uacute;bal. Interior Sul &mdash; composto pelos distritos    Castelo Branco, Portalegre, &Eacute;vora, Beja e Faro.</P >     <p>* Este trabalho teve o apoio do projecto ImpactE financiado pela FCG (Funda&ccedil;&atilde;o    Calouste Gulbenkian) </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><i>Submetido &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o: 03 de Julho de 2008</i></P >     <p><i> Aceite para publica&ccedil;&atilde;o: 13 de Fevereiro de 2009 </i></P >     ]]></body>
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<surname><![CDATA[PAIXÃO]]></surname>
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<surname><![CDATA[NOGUEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
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