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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação da espiritualidade dos sobreviventes de cancro: implicações na qualidade de vida]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The intersection between spiritual dimension and health has become a research area of increasing interest in the last years. Spiritual dimension is described as relevant in the meaning attributed to the suffering related to a chronic disease, and also as a hope resource. Cancer is a life threatening condition and even when physical symptoms become less important, spiritual issues raised during the disease process remains. This research paper aims to analyse the spirituality differences in a group of cancer survivor patients, according to clinic and socio-demographic variables, and assesses the correlation between spirituality and quality of life dimensions. Material and Methods: The participants were 426 patients who had suffered from an oncologic disease. They filled up a socio-demographic questionnaire, a spirituality scale and the QLQ-C30. Results: We found significant statistical differences between spirituality dimensions and socio-demographic and clinic variables. We noticed a significative although moderate value, between spirituality and quality of life. We can deduce that spirituality is faced as a notion related with quality of life, although conceptually distinct. Conclusions: This research results emphasise the relevance of a global perspective of the patient. Other research works developed in this area, will be needed in order to validate these results.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[espiritualidade]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p ><b>Avaliação da espiritualidade dos sobreviventes de cancro: implicações na    qualidade de vida</b></p>     <p >&nbsp;</p>        <p > <b>Cândida Pinto <sup>1</sup>; José Luís Ribeiro</b> <sup>2</sup></p>        <p >&nbsp;</p>       <p > <sup>1</sup>      Professora-coordenadora na Escola Superior de Enfermagem do Porto, licenciada      em Enfermagem (área de Saúde Infantil e Pediátrica), e doutorada em Psicologia      área de especialização Psicologia da Saúde pela Faculdade de Psicologia e      Ciências de Educação da Universidade do Porto.</p>       <p >       <sup>2</sup> Professor associado com agregação da Faculdade de Psicologia      e Ciências de Educação da Universidade do Porto.</p>       <p >&nbsp;</p>       <p ><b>Resumo</b></p>        <p >A interface entre a dimensão espiritual e a saúde tem vindo a tornar-se uma    área crescente na investigação nos últimos anos. A dimensão espiritual é descrita    como sendo relevante na atribuição de significado ao sofrimento provocado por    uma doença crónica, e também como um recurso de esperança face às mudanças no    estado de saúde. O cancro é uma das doenças que ameaça o sentido de integridade    da pessoa e, mesmo quando os sintomas físicos se tornam menos preocupantes,    as questões espirituais que surgiram no processo da doença permanecem.</p>     <p >Com o presente estudo pretendeu-se analisar as diferenças da espiritualidade    de acordo com as variáveis sócio-demográficas e clínicas num grupo de sobreviventes    de cancro; avaliar a correlação entre as dimensões da espiritualidade e a qualidade    de vida.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Material e método</b>: Participaram neste estudo 426 pessoas que tinham    tido uma doença oncológica. Os participantes preencheram um questionário sócio-demográfico,    a escala de espiritualidade, e o QLQ-C30.</p>     <p ><b>Resultados</b>: Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas    entre as dimensões da espiritualidade e as variáveis sócio-demográficas e clínicas.    Verificou-se um valor moderado, embora significativo entre a espiritualidade    e a qualidade de vida. Infere-se que a espiritualidade é vista como um conceito    único que está relacionado com a qualidade de vida, contudo permanece conceptualmente    distinto.</p>     <p ><b>Conclusão</b>: Os resultados deste estudo reforçam a relevância de uma    perspectiva integral do sujeito, quando objecto de cuidados de saúde. Torna-se    necessária o desenvolvimento de investigação futura no sentido de validar estes    mesmos resultados.</p>     <p ><b>Palavras-chave</b>: espiritualidade; sobreviventes de cancro; qualidade    de vida.</p>       <p >&nbsp;</p>        <p ><b>Evaluation of cancer survivor's spirituality: implications on quality of    life</b></p>        <p ><b>Abstract</b></p>        <p > The intersection between spiritual dimension and health has become a research    area of increasing interest in the last years. Spiritual dimension is described    as relevant in the meaning attributed to the suffering related to a chronic    disease, and also as a hope resource. Cancer is a life threatening condition    and even when physical symptoms become less important, spiritual issues raised    during the disease process remains.</p>        <p >This research paper aims to analyse the spirituality differences in a group    of cancer survivor patients, according to clinic and socio-demographic variables,    and assesses the correlation between spirituality and quality of life dimensions.</p>        <p ><b>Material and Methods</b>: The participants were 426 patients who had suffered    from an oncologic disease. They filled up a socio-demographic questionnaire,    a spirituality scale and the QLQ-C30.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Results</b>: We found significant statistical differences between spirituality    dimensions and socio-demographic and clinic variables. We noticed a significative    although moderate value, between spirituality and quality of life. We can deduce    that spirituality is faced as a notion related with quality of life, although    conceptually distinct.</p>        <p ><b>Conclusions</b>: This research results emphasise the relevance of a global    perspective of the patient. Other research works developed in this area, will    be needed in order to validate these results.</p>        <p ><b>Keywords</b>: spirituality; cancer survivors; quality of life.</p>       <p >&nbsp; </p>        <p ><b>1. Introdução</b></p>     <p > A prevalência das doenças crónicas nos países ditos desenvolvidos vem evidenciar    a inoperância de uma abordagem centrada exclusivamente na doença, pois há que    perceber as consequências psicológicas, sociais e culturais no processo de gestão    da doença. É neste sentido, que começam a surgir vários estudos que abarcam    a dimensão espiritual dos indivíduos com doença crónica, nomeadamente o cancro    (Johnson, 2002; Laubmeier, Zakowski e Bair, 2004; Meraviglia, 2006).</p>        <p >Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamentos das doenças oncológicas terem    permitido um aumento considerável de sobreviventes, este tipo de doença continua    associado a uma representação social negativa (Powe e Finnie, 2003), o que leva    a questionar o significado da vida, dado o confronto com a hipótese de finitude.</p>       <p > É      neste âmbito que emerge a espiritualidade, como uma dimensão relevante do      ser humano e que a diferencia de outros seres vivos.</p>        <p >&nbsp;</p>     <p ><b>2. Espiritualidade/saúde</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p > Apesar da espiritualidade ser muitas vezes usada como sinónimo de religiosidade,    há a necessidade de encarar a espiritualidade de uma forma nova e adaptada aos    tempos actuais.</p>        <p >Assim, a religião ou religiosidade está habitualmente associada ao grau de    participação ou adesão às crenças e práticas de um sistema religioso (Mueller,    Plevak e Rummans, 2001). Por sua vez, a espiritualidade é um conceito mais amplo    que a religião, sendo considerada uma dimensão do ser humano que procura a atribuição    de significados através do sentido de relação com dimensões que transcendem    o próprio, experimentada por interconecções intrapessoais, interpessoais e transpessoais<i>    </i>(Reed, 1992 citado por Taylor, 2003).</p>        <p >Neste sentido, a espiritualidade é reconhecida hoje em dia como uma componente    essencial de uma prática holística, podendo ter um impacto significativo na    saúde. No entanto, apesar do crescente interesse nesta área, a prevalência de    um discurso positivista agnóstico dos saberes defendidos como «científicos»    alimenta ainda, no século XXI, a desconfiança face a outros paradigmas que comprovam    a sua relevância na compreensão do ser humano.</p>        <p >O <i>National Cancer Institute</i> (2006) define espiritualidade como os sentimentos    e crenças profundas, muitas vezes religiosas, incluindo um estado de paz, conexão    aos outros e as crenças sobre o significado e o propósito da vida. O cancro    é uma das doenças que ameaça o sentido de integridade da pessoa e, mesmo quando    os sintomas físicos se tornam menos preocupantes, as questões espirituais que    surgiram no processo da doença permanecem. Segundo Taylor (2003), mesmo quando    é dito às pessoas que o cancro está curado, muitas vezes continuam a questionar    Deus porque permitiu que isso lhes tivesse acontecido.</p>        <p >Independentemente do prognóstico, após a fase activa da doença há que fazer    face a mudanças e transformações capitais desencadeadas pelo cancro e tratamentos,    que determinam como uma «paragem psíquica», constatando-se um «antes» e um «depois»    (Solana, 2005).</p>        <p >O «final da linha» da experiência de um cancro deve ser compreendido tendo    em consideração a dúvida que decorre da ameaça de qualquer diagnóstico oncológico,    a qual consequentemente induz a incerteza sobre a possibilidade de estar efectivamente    curado (Clayton, Mishel e Belyea, 2006; Ronson e Body, 2002).</p>        <p >Apesar de não se encontrarem consensos sobre o conceito de sobrevivente de    cancro, uma das referências mais actuais determina este conceito como a pessoa    a quem foi diagnosticado um cancro, e que já terminou os tratamentos previstos    (Feuerstein, 2007).</p>        <p >Neste âmbito, as necessidades espirituais de pessoas com cancro, identificadas    no estudo de Moadel <i>et al</i>. (1999), são: esperança; significado de vida;    recursos espirituais; paz de espírito e problemas relacionados com a morte e    o morrer. Por sua vez, a esperança é assumida como particularmente relevante    para quem enfrenta um cancro (Moadel <i>et al.</i>, 1999; Wonghongkul <i>et    al</i>., 2000), pelo que os próprios valores e crenças ajudam a construir a    esperança, a encontrar significado na própria vida. Neste sentido, a espiritualidade,    assumida como atribuição de significado à vida, mediatiza os efeitos do cancro    (Meraviglia, 2006).</p>        <p >Hoje existe um consenso de que a dimensão espiritual está relacionada com    a qualidade de vida dos doentes em geral, e os doentes do foro oncológico em    particular.</p>        <p >Assim, e no decurso do processo de formação (Pinto, 2008), foi desenvolvido    um trabalho de investigação com a finalidade de contribuir para o processo de    identificação e compreensão de variáveis psicossociais associadas à optimização    da saúde e qualidade de vida das pessoas que tiveram um cancro. Neste contexto    foi desenvolvida uma escala de avaliação da espiritualidade (Pinto e Ribeiro,    2007).Os itens dessa escala decorreram da combinação da análise do constructo    teórico, dos itens da dimensão espiritual do <i>Quality of Life — Cancer survivor    QOL — CS </i>(Ferrell, Dow e Grant, 1995) e da subescala da espiritualidade    do instrumento da <i>World Health Organization Quality of Life Questionnaire    </i>(WHOQOL) (Fleck <i>et al., </i>2003). Resultam ainda, do contacto/entrevistas    com pessoas que tiveram o cancro, tendo-lhes solicitado que descrevessem como    perspectivam a dimensão espiritual da vida e como a doença interferiu nessa    dimensão. De facto, uma grande parte das pessoas atribuiu o conceito de espiritualidade    à questão relacionada com a fé religiosa, fazendo menção a práticas ou devoções    específicas. Emerge neste sentido, como importante a dimensão vertical da espiritualidade    referida por Stoll (1989) citado por Tanyi (2002), que está relacionada com    a relação com o transcendente, com o divino. No entanto, intercruzando o discurso    das pessoas e o referencial teórico, aparece como igualmente significativo uma    perspectiva positiva da vida, pelo que características como esperança, optimismo,    satisfação/valorização da vida, foram os pressupostos na elaboração das questões    desta escala. Pode-se aqui inferir a dimensão horizontal referida por Stoll    (1989) e citada por Tanyi (2002), na qual a relação com os outros, com o meio    e consigo próprio pode reforçar a ligação e o sentido de vida.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Tivemos ainda como intuito a construção de uma escala simples e pequena, sem    redundâncias, que permitisse uma boa aceitação/compreensão das pessoas, que    evidenciam alguma dificuldade bem patente quando se procede à colheita de dados    em amostras clínicas.</p>       <p >&nbsp;</p>        <p ><b>3. Método</b></p>        <p ><b>3.1. Participantes</b></p>        <p > Foram inquiridos 426 sujeitos, tratando-se de uma amostra de conveniência,    sequencial, não probabilística. A colheita foi efectuada em consultas de <i>follow-up.    </i>Os critérios estabelecidos para a participação no estudo foram ter idade    igual ou superior a 18 anos, terem tido uma doença oncológica para a qual já    tinham terminado os tratamentos. A participação no estudo era voluntária, tendo    sido assegurado a confidencialidade dos dados.</p>        <p >A amostra é constituída por 31,9% de sujeitos do sexo masculino, e 68,1% feminino,    sendo que a idade apresenta os seguintes valores (M&nbsp;=&nbsp;51,1; DP&nbsp;=&nbsp;15,3).    Quanto aos dados clínicos, 38,9% tinham tido cancro da mama, 22,1% cancro hematológico,    16 % cancro do foro digestivo, 5,9% cancro urológico/ginecológico, e 17,1% outro    tipo de cancro. Tendo em conta a totalidade dos inquiridos, verificamos que    79,6% já tinham terminado os tratamentos há mais de um ano.</p>       <p >&nbsp;      </p>        <p ><b>3.2. Instrumentos</b></p>        <p > A escala de espiritualidade contém cinco itens que quantificam a concordância    do indivíduo com questões relacionadas com a dimensão da espiritualidade. As    respostas podem variar entre o «Não concordo» (1), «Concordo um pouco» (2),    «Concordo bastante» (3), «Plenamente de acordo» (4).</p>        <p >Da análise factorial resultaram duas sub-escalas, uma constituída por dois    itens que se referem a uma dimensão vertical da espiritualidade, a que denominamos    «Crenças» e outra constituída por três itens que se referem a uma dimensão horizontal    da espiritualidade, tendo sido denominada «Esperança/optimismo» (Pinto e Ribeiro,    2007).</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A cotação de cada sub-escala é efectuada através da média dos itens da mesma.    Exemplo:</p>        <p > Crenças&nbsp;=&nbsp;(Esp<sub>1</sub>&nbsp;+&nbsp;Esp<sub>2</sub>)/2;</p>        <p >Esperança/optimismo&nbsp;=&nbsp;(Esp<sub>3</sub>&nbsp;+&nbsp;Esp<sub>4</sub>&nbsp;+&nbsp;Esp<sub>5</sub>)/3.</p>        <p > Quanto maior o valor obtido em cada item, maior a concordância com a dimensão    avaliada.</p>        <p >Para a avaliação da qualidade de vida recorremos ao EORTC-QLQ-C30 <i>«European    Organization for Research and Treatment of Cancer Core Quality of Life Questionnaire»,    </i>que numa revisão bibliográfica efectuada se revelou um dos instrumentos    mais utilizados na população de doentes oncológicos independentemente da fase    da doença (Pinto e Ribeiro, 2006).</p>       <p >&nbsp;      </p>        <p ><b>4. Resultados</b></p>     <p > Os resultados estimados a partir da análise de significância estatística    levam-nos a inferir que quanto ao género <i>(Quadro I), </i>a espiritualidade    assume um valor superior para as mulheres, quer na dimensão das crenças, como    na da esperança/optimismo.</p>        <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro I </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Compara&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dias em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero    &#8212; escala da espiritualidade</b></p>     <p ><img src="/img/revistas/rpsp/v28n1/28n1a06q1.jpg" width="699" height="110"></p>       
<p >&nbsp;</p>       <p > A      isso não será alheio factores de ordem cultural, em que a dimensão religiosa/espiritual      é assumida como mais relevante pelas mulheres. Também as pessoas mais velhas      assim como as pessoas que se encontram na situação de reformados, a que estará      de algum modo associada a mais idade, apresentam médias superiores em relação      às crenças, pelo que se pode inferir que utilizam mais frequentemente esses      recursos. Estes resultados são também evidentes em estudos anteriores (Mcillmurray      <i>et al.,</i> 2003; Negreiros, 2003).</p>        <p >O estudo da correlação entre as dimensões da espiritualidade e a idade revelou    uma correlação baixa e positiva (<i>p&nbsp;&lt;</i>&nbsp;0,05) entre a idade    a dimensão das crenças, e uma correlação baixa mas negativa (<i>p&nbsp;&lt;</i>&nbsp;0,01)    entre a idade e a dimensão da esperança/optimismo <i>(Quadro II).</i></p>        <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro II </b></p>     <p ><b>Coeficiente de Pearson entre os resultados obtidos na escala da espiritualidade    e a idade</b></p>     <p ><b><img src="/img/revistas/rpsp/v28n1/28n1a06q2.jpg" width="225" height="121"></b></p>     
<p >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Apesar de na maioria das situações a espiritualidade nos idosos estar acoplada    à ideia de religiosidade, é natural e salutar, que com o avançar da idade, se    tente olhar a vida numa nova perspectiva, procurando dar-lhe um sentido, uma    integração da vida passada, longa, com o momento fugaz do presente e com o futuro    incerto e provavelmente curto (Negreiros, 2003).</p>        <p >Realizando a comparação de médias entre as componentes da escala da espiritualidade    e as habilitações literárias dos sujeitos inquiridos <i>(Quadro III) </i>verificam-se    diferenças estatisticamente significativas, ambas ao nível de <i>p</i>&nbsp;&lt;&nbsp;0,01.</p>       <p >&nbsp;</p>        <p ><b>Quadro III </b></p>     <p ><b>Compara&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dias em fun&ccedil;&atilde;o das habilita&ccedil;&otilde;es    liter&aacute;rias &#8212; escala da espiritualidade</b></p>     <p ><b><img src="/img/revistas/rpsp/v28n1/28n1a06q3.jpg" width="698" height="105"></b></p>     
<p >&nbsp;</p>       <p > O      teste <i>post-hoc Scheffé </i>situa essa diferença na dimensão das crenças      entre os indivíduos com o 1.<sup>o</sup>      ciclo, que apresentam médias superiores estatisticamente significativas em      relação aos indivíduos com o secundário e frequência/formação superior. Já      em relação à dimensão da esperança/optimismo, os indivíduos com formação superior      (secundário e ensino superior) são os que apresentam médias superiores, estatisticamente      significativas em relação aos sujeitos com o 1.<sup>o</sup>      ciclo.</p>        <p >Tais resultados podem estar relacionados com o facto de as pessoas com mais    habilitações deterem mais informação, o que lhes permite percepcionar um maior    controlo, o que é citado em outros estudos (Holland <i>et al.,</i> 1999; Meraviglia,    2006). Por sua vez, as pessoas com menos formação refugiam-se mais na dimensão    vertical, passando o controlo de algo que lhes foge à própria capacidade de    controlo para uma força transcendente.</p>        <p >Em relação ao tipo de doença <i>(Quadro IV), </i>os resultados apontam para    diferenças estatisticamente significativas, sendo que as pessoas que tiveram    cancro do sistema hematológico são as que apresentam médias mais baixas a nível    das crenças, e médias mais altas a nível da esperança, e por sua vez as pessoas    sobreviventes de cancro da mama são as que apresentam médias superiores em relação    às crenças.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>        <p ><b>Quadro IV </b></p>     <p ><b>Compara&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dias em fun&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a    &#8212; escala da espiritualidade</b></p>     <p ><b><img src="/img/revistas/rpsp/v28n1/28n1a06q4.jpg" width="710" height="151"></b></p>        
<p >&nbsp;</p>     <p >Perante estes resultados podemos questionar-nos se para este resultado não    contribuirão mais factores demográficos como género e idade, do que o tipo clínico    de cancro. De facto, o cancro da mama na amostra dos inquiridos engloba só o    género feminino, que estão mais associadas à dimensão espiritual, nomeadamente    na sua componente religiosa, e por sua vez os sobreviventes de cancro hematológico    são genericamente os mais novos. Quanto ao tempo desde o fim dos tratamentos    <i>(Quadro V), </i>constata-se que a média referente às crenças diminui de uma    forma estatisticamente significativa, o que pode levar a inferir-se que o recurso    à dimensão espiritual/religiosa decresce ao longo do tempo, tal como é citado    em outros estudos (Carver <i>et al.,</i> 1993; Moadel <i>et al., </i>1999).</p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Quadro V </b></p>     <p ><b>Compara&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dias em fun&ccedil;&atilde;o do tempo    desde o fim dos tratamentos &#8212; escala da espiritualidade</b></p>     <p ><img src="/img/revistas/rpsp/v28n1/28n1a06q5.jpg" width="697" height="137"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>       <p > Verifica-se      que na maioria das situações oncológicas há o recurso a varias modalidades      terapêuticas, podendo existir combinações de tratamentos muito diversas. Constatamos      que a maior combinação de modalidades terapêuticas leva a médias superiores      estatisticamente significativas na dimensão da esperança/optimismo, como se      observa no <i>Quadro VI, </i>apresentando as pessoas que foram submetidas      a tratamentos multimodais uma média estatisticamente superior (teste <i>post-hoc      Scheffé</i>), em relação às pessoas submetidas a menos tratamentos, parecendo      reforçar a ideia que a complexidade dos tratamentos, e inerente maior agressividade      dos mesmos, potencia uma maior segurança sobre o controle da doença.</p>       <p >&nbsp;</p>        <p ><b>Quadro VI </b></p>     <p ><b>Compara&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dias em fun&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero    de tratamentos efectuados</b></p>     <p ><b><img src="/img/revistas/rpsp/v28n1/28n1a06q6.jpg" width="698" height="136"></b></p>     
<p >&nbsp;</p>       <p > Efectivamente      nos contextos da prática, constata-se muitas vezes que apesar de permanecerem      «vivas» as memórias do tempo em que decorreram os tratamentos, estes parecem      promover uma maior segurança sobre o controle da doença, logo associado a      uma maior esperança.</p>        <p >Com o objectivo de analisar as relações entre as múltiplas variáveis relativas    às dimensões funcionais da qualidade e as dimensões da espiritualidade, efectuamos    uma análise de correlações <i>(Quadro VII).</i></p>        <p >&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><b>Quadro VII </b></p>     <p ><b>Coeficiente de Pearson entre os resultados obtidos nas escalas do QLQ-C30    e as dimens&otilde;es da escala da espiritualidade</b></p>     <p ><img src="/img/revistas/rpsp/v28n1/28n1a06q7.jpg" width="394" height="207"></p>       
<p >&nbsp;</p>       <p > O      estudo correlacional entre as dimensões da qualidade de vida e as da espiritualidade      permitiu identificar que as escalas funcionais da qualidade de vida, e a escala      da saúde/qualidade de vida, se associam de forma baixa mas significativa com      a dimensão da esperança/optimismo. Poder-se-á inferir, perante estes resultados,      que uma perspectiva de vida positiva, o sentir esperança e sentido de vida      conduz a uma maior bem-estar, logo uma maior qualidade de vida (Büssing, Osterman      e Matthiessen<i>,</i> 2005; Meraviglia 2006; Moadel <i>et al.,</i> 1999).      Efectivamente este deve ser considerado o objectivo <i>major</i> nos cuidados      de saúde prestados às pessoas com doença oncológica (Feuerstein, 2007; Pimentel,      2006). Por sua vez, os sintomas, dispneia e insónia, associam-se negativamente      com o sentido da esperança, o que também se compreende dada a linear relação      entre a existência destes sintomas e o mal-estar, que condiciona o encontrar      um sentido positivo na existência.</p>        <p >A dimensão espiritual associada à dimensão vertical, crenças, aparece com    uma correlação negativa, embora muito baixa entre a função física e a função    emocional. Poder-se-á aqui inferir que a situação de doença que enfrentaram,    e as suas repercussões a nível funcional (físico e emocional), pode ter fragilizado    o valor da fé, levantado questões sobre a natureza de Deus, dúvidas acerca da    eficácia da oração, tal como é referido em outros estudos (Taylor <i>et al.,</i>    1999; Thuné-Boyle <i>et al.,</i> 2006). Estes resultados vêm de algum modo corroborar    o que é referido por Manning-Walsh (2005) segundo o qual, a dimensão religiosa    leva a uma adaptação emocional precária, provavelmente associada a uma perspectiva    «punitiva» de um deus que castiga.</p>       <p >&nbsp;</p>        <p ><b>5. Conclusão</b></p>     <p > Os estudos na área de oncologia têm-se focalizado nos processos biomédicos    referentes ao diagnóstico e tratamentos, e no âmbito das ciências sociais e    humanas no conhecimento das reacções adaptativas ao diagnóstico e tratamentos    assim como na fase final de vida, constatando-se um menor investimento na fase    pós-tratamento.</p>        <p >A isto está inerente o foco na patologia e no défice. As pessoas que tiveram    um cancro, na maioria das situações, não têm terapêutica na fase pós-aguda da    doença. Mas, como nos refere Ganz (2001), <i>«with some exceptions once a cancer    patient, always a cancer patient»</i> (241). Está associado a isto os efeitos    que decorrem do próprio cancro e dos tratamentos nas várias dimensões da pessoa,    que impõem a necessidade de uma vigilância específica nesta fase e até ao fim    da vida (Feuerstein, 2007). Preconiza-se uma vigilância da saúde que, para além    de orientada para a identificação precoce da recidiva (Beaver e Luker, 2005),    inclua informação, orientação e aconselhamento sobre as mudanças de estilo de    vida e comportamentos, apoio psicossocial e orientações específicas sobre os    efeitos colaterais reais e ou potenciais, de forma a prevenir ou minimizar os    seus efeitos obtendo «os ganhos em saúde». A pessoa que teve um cancro tem que    deter informação sobre como enfrentar eventuais mudanças que possam vir a surgir    em consequência da situação clínica que enfrentou, e deve ser orientada de que    forma pode contribuir para a sua própria saúde e sobrevida (Johansen, 2007).</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Por outro lado, há que referir também o reconhecimento crescente da espiritualidade    na gestão e adaptação de acontecimentos ameaçadores, e como condição fundamental    a uma abordagem globalizante do indivíduo mesmo na área de saúde (Portugal.    Ministério da Saúde. DGS, 2004).</p>        <p >A espiritualidade envolve sentimentos, significados e propósitos para a existência    do homem ao longo do seu trajecto de vida. Poderemos referir que a espiritualidade    é uma dimensão importante do homem que, a par da dimensão biológica, intelectual,    emocional e social, constitui aquilo que o diferencia na sua singularidade e    pessoalidade.</p>        <p >Poderemos em termos de conclusão referir que a espiritualidade é uma dimensão    complexa e multidimensional da experiência humana, incluindo aspectos cognitivos    experienciais e comportamentais. Os aspectos cognitivos incluem a procura de    sentido, e significado na vida; os aspectos emocionais incluem os sentimentos    de esperança, os afectos, o conforto e o apoio. Os aspectos comportamentais    incluem a forma com a pessoa manifesta as suas crenças espirituais e a força    do seu estado de espírito.</p>        <p >Muitas pessoas encontram a espiritualidade na prática de uma religião ou na    sua relação com o divino. No entanto, outras encontram a espiritualidade na    sua ligação com os outros, com a natureza, na arte, ou através de um conjunto    de valores e princípios ou na busca de uma verdade científica, ou ainda no confronto    com uma doença como o cancro que leva as pessoas a enfrentar a própria finitude.    No presente estudo é esta dimensão horizontal da espiritualidade que é preditora    de uma melhor qualidade de vida. Tal como no estudo de Sawatzky, Ratner e Chiu    (2005), um valor correlacional moderado entre a espiritualidade e a qualidade    de vida. Poder-se-á inferir que a espiritualidade é vista como um conceito único    que está relacionado com a qualidade de vida, contudo permanece conceptualmente    distinto.</p>        <p >Apesar da evidência da dimensão espiritual na saúde das pessoas, devido a    constrangimentos de tempo e também em alguma dificuldade em gerir as necessidades    espirituais, estes aspectos são habitualmente negligenciados na abordagem da    pessoa que tem ou teve um cancro.</p>       <p >&nbsp;</p>        <p ><b>Referências bibliográficas</b></p>        <p >BEAVER, K.; LUKER, K. A. — Follow-up in breast cancer clinics : reassuring    for patients rather than detecting recurrence. <i>Psycho-Oncology. </i>14 :    2 (2005)<i> </i>94-101. </p>        <p >BÜSSING, A.; OSTERMAN, T.; MATTHIESSEN, P. — Role of religion and spirituality    in medical patients : confirmatory results with the SpREUK questionnaire. <i>Health</i>    <i>Quality of Life Outcomes. </i>3<i> </i>:<i> </i>10 (2005). [Consult. 20 Jan.    2005]. Disponível em <a href="http://www.hqlo.com/content/3/1/10" target="_blank">http://www.hqlo.com/content/3/1/10</a>.  </p>     <p >CARVER, C. S. <i>et al</i>. — How coping mediates the effect of optimism on    distress : a study of women with early stage breast cancer. <i>Journal of Personality    and Social</i> <i>Psychology</i>. 65 : 2 (1993) 375-390. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >CLAYTON, M. F.; MISHEL, M. H.; BELYEA, M. — Testing a model of symptoms, communication,    uncertainty, and well-being, in older breast cancer survivors.<i> Research in    Nursing &amp; Health. </i>29&nbsp;: 1 (2006) 18-39. </p>        <p >FERRELL, B. R.; DOW, K. H.; GRANT, M. — Measurement of the quality of life    in cancer survivors. <i>Quality of Life Research</i>. 4&nbsp;: 6 (1995) 523-531.  </p>        <p >FEUERSTEIN, M. — Defining cancer survivorship. <i>The Journal of Cancer Survivorship    : Research and Practice.</i> 1 : 1 (2007) 5-7. </p>        <!-- ref --><p >FLECK, M. P. <i>et al</i>. — Desenvolvimento do WHOQOL, módulo espiritualidade,    religiosidade e crenças pessoais. <i>Revista de Saúde Pública</i>. 37 : 4 (2003)    446-455. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0870-9025201000010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p >GANZ, P. A. — Late effects of cancer and its treatment. <i>Seminars in Oncology    Nursing. </i>17 :<i> </i>4 (2001) 241-248. </p>        <p >HOLLAND, J. C. <i>et al</i>. — The role of religious and spiritual beliefs    in coping with malignant melanoma. <i>Psycho-Oncology</i>. 8&nbsp;: 1 (1999)    14-26. </p>        <!-- ref --><p >JOHANSEN, C. — Rehabilitation of cancer patients : research perspectives.    <i>Acta Oncologica.</i> 46 : 4 (2007) 441-445. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0870-9025201000010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p >JOHNSON, P. G. — The use of humor and its influences on spirituality and coping    in breast cancer survivors. <i>Oncology Nursing Forum. </i>29 : 4 (2002) 691-695.  </p>        <p >LAUBMEIER, K. K.; ZAKOWSKI, S. G.; BAIR, J. P. — The role of spirituality    in the psychological adjustment to cancer : a test of the transactional model    of stress e coping. <i>International Journal of Behavioral Medicine. </i>1 :    1 (2004) 48-55. </p>        <p >MANNING-WALSH, J. — Spiritual struggle : effect on quality of life and life    satisfaction in women with breast cancer. <i>Journal of Holistic Nursing. </i>23    : 2 (2005) 120-140. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >McILLMURRAY, M. B. <i>et al.</i> — Psychosocial needs in cancer patients related    to religious belief. <i>Palliative</i> <i>Medicine. </i>17 : 1 (2003)<i> </i>49-54.  </p>        <p >MERAVIGLIA, M. — Effects of spirituality in breast cancer survivors. <i>Oncology    Nursing Forum. </i>33 : 1 (2006). Online Exclusive E1-E7. Disponível em <a href="http://www.ons.org/publications/journals/ONF/" target="_blank">http://www.ons.org/publications/journals/ONF/</a>.  </p>        <p >MOADEL, A. <i>et al</i>. — Seeking meaning and hope : self-reported spiritual    and existential needs among an ethnically-diverse cancer patient population.    <i>Psycho-Oncology</i>.<i> </i>8 : 5 (1999)<i> </i>378-385. </p>        <p >MULLER, P. S.; PLEVAK, D. J.; RUMMANS, T. A. — Religious involvement, spirituality,    and medicine : implications for clinical practice. <i>Mayo Clinic Proceedings.    </i>76 : 12 (2001) 1225-1235. </p>        <p >NATIONAL CANCER INSTITUTE — Spirituality. 2006. [Em linha] [Consult. 8 Nov.    2006]. Disponível em <a href="http://www.cancer.gov/Templates/db_alpha.aspx?CdrID=441265" target="_blank">http://www.cancer.gov/Templates/db_alpha.aspx?CdrID=441265</a>.  </p>       <!-- ref --><p> NEGREIROS, T. C. G. — Espiritualidade : desejo de eternidade ou sinal de      maturidade? <i>Revista Mal-Estar e Subjetividade</i>. 3 : 2 (2003) 275 -291.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0870-9025201000010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p >PINTO, C. — Jovens e adultos sobreviventes de cancro : variáveis psicossociais    associadas à optimização da saúde e qualidade de vida após o cancro. Porto :    Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, 2008.    Tese de Doutoramento (não publicada). </p>        <!-- ref --><p >Pinto, C.; RIBEIRO, J. L. P. — A qualidade de vida dos sobreviventes de cancro.    <i>Revista Nacional de Saúde Pública. </i>24 : 1 (2006) 37-56. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0870-9025201000010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p >Pinto, C.; RIBEIRO, J. L. P. — Construção de uma escala de avaliação da espiritualidade    em contextos de saúde. <i>Arquivos de Medicina</i>. 21 : 2 (2007) 47-53. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0870-9025201000010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p >PORTUGAL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. DGS — Plano Nacional de Saúde 2004-2010. Volume    II — Orientações estratégicas. Lisboa : Direcção-Geral da Saúde, 2004. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >POWE, B. D.; FINNIE, R. — Cancer fatalism : the state of science. <i>Cancer    Nursing. </i>26 : 6 (2003) 454-467.<i></i> </p>        <p >RONSON, A.; BODY, J. — Psychosocial rehabilitation of cancer patients after    curative therapy. <i>Support Care Cancer. </i>10 : 4 (2002) 281-291. </p>        <p >SAWATZKY, R.; RATNER, P. A.; CHIU, L. — A meta-analysis of the relationship    between spirituality and quality of life. <i>Social Indicators Research</i>.    72 : 2 (2005) 153-188. </p>        <!-- ref --><p >SOLANA, C. A. — Aspectos psicológicos en el paciente superviviente. <i>Oncologia.    </i>28 : 3 (2005) 151-163. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0870-9025201000010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p >TANYI, R. — Towards clarification of the meaning of spirituality. <i>Journal    of Advanced Nursing</i>. 39 : 5 (2002) 500–509. </p>        <p >TAYLOR, E. J. — Spiritual quality of life. In King, C. R.; Hinds, P. S. ed.    lit. — Quality of life : from nursing and patient perspectives<i>. </i>2<sup>nd</sup>    ed., Boston : Jones<i> </i>and Bartlett Publishers, 2003. 93-116. </p>        <p >TAYLOR, E. <i>et al</i>. — Spiritual conflicts associated with praying about    cancer. <i>Psycho-Oncology.</i> 8 : 5 (1999) 386-394. </p>        <p >THUNÉ-BOYLE, I. <i>et al</i>. — Do religious/spiritual coping strategies affect    illness adjustment in patients with cancer? : a systematic review of the literature.    <i>Social</i> <i>Science &amp; Medicine.</i> 63&nbsp;: 1 (2006) 151-164. </p>        <p >WONGHONGKUL, T. <i>et al</i>. — The influence of uncertainty in illness, stress    appraisal and hope on coping in survivors of breast cancer. <i>Cancer Nursing</i>.    23 : 6 (2000) 422- 429. </p>       <p >&nbsp;      </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p ><i>Submetido à apreciação: 9 de Março de 2009</i></p>     <p ><i> Aceite para publicação: 28 de Abril de 2009</i></p>      ]]></body><back>
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