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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Public health, as a social endeavor that aims to improve the health and well-being of communities and populations (Rychetnik et al., 2004), faces new challenges that arise from the ageing of the populations, the technological innovation of the health sector and the increasing demand for health care services. Because of the importance of health care services as determinants of health, the sustainability of the health care system is a major issue to be addressed in order to ensure a favorable trend of the health status for most of the countries. Among the strategies that have been suggested, we describe the CLINECS-based clinical practice (Portlzolt and Kaplan, 2006) and, within a community-based approach, the «chronic care model» (Wagner et al., 2001) - which consists on the integration of broader community resources into the chronic diseases planning and management processes. Public health has been lacking a useful conceptual framework (Turnock, 2004). The national reorganization of public health services in Portugal impels towards the discussion of a national public health conceptual framework. The framework to be adopted by the public health community should address the necessary balance between comprehensiveness and comprehensibility, in order to promote its acceptance by the public health stakeholders - including the general public. The author describes the model proposed by Donabedian regarding the health care quality («Donabedian’s triad»). The Donabedian’s triad is an important tool for the understanding of the several dimensions of public health (Turnock, 2004) particularly, as far as the functioning of the public health services is concerned. We discuss the role of the public health services according to a systemic conceptual framework and their positioning within the national health system in Portugal. Public health doctors must act as «health system’s doctors» and ensure the «surveillance» of the health system («systemic surveillance») in order to promote the equity, effectiveness and efficiency of the health care sector.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p ><b>Os serviços de saúde      pública e o sistema de saúde</b></p>        <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Lúcio Meneses de Almeida <sup>1</sup></b></p>       <p >&nbsp;</p>        <p ><sup>1 </sup>Médico especialista em saúde pública. Assessor da Administração    Regional de Saúde do Centro, IP (Unidade de Planeamento do Departamento de Saúde    Pública e Planeamento). Assessor do Delegado de Saúde Regional do Centro. </p>        <p > <b> &nbsp;</b></p>     <p > <b>Resumo</b></p>     <p > A Saúde Pública, enquanto comprometimento social na melhoria da saúde e bem-estar    das populações e comunidades (Rychetnik <i>et al.</i>, 2004), enfrenta novos    desafios decorrentes do envelhecimento da população, da inovação tecnológica    do sector da saúde e da procura crescente de cuidados de saúde.</p>        <p >Face à relevância dos cuidados de saúde enquanto determinantes de saúde, a    sustentabilidade dos sistemas de saúde assume-se como pressuposto fundamental    à manutenção de uma evolução favorável do nível de saúde da generalidade dos    países. Dentre as estratégias preconizadas, destacam-se a prática clínica baseada    no modelo CLINECS (Portlzolt e Kaplan, 2006) e, a um nível comunitário, a integração    dos recursos da comunidade no planeamento e gestão das doenças crónicas — «modelo    tridimensional» (Wagner <i>et al.</i>, 2001).</p>        <p >A Saúde Pública tem-se caracterizado pela ausência de um modelo conceptual    útil (Turnock, 2004). O contexto nacional de reestruturação dos serviços de    saúde pública torna pertinente a discussão de um modelo conceptual da Saúde    Pública nacional.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >O modelo a adoptar pela comunidade profissional de saúde pública deverá salvaguardar    o indispensável equilíbrio entre compreensividade/exaustividade e compreensibilidade<i>,</i>    tendo em vista a sua fácil adopção pelos diversos actores da Saúde Pública —    incluindo o público em geral.</p>        <p >O autor aborda o modelo «estrutura»/«processo<i>»/«outcomes» </i>proposto    por Donabedian no âmbito da qualidade dos cuidados de saúde («tríade de Donabedian»).    Este modelo afigura-se como um instrumento relevante para a compreensão da missão    da Saúde Pública nas suas diversas dimensões (Turnock, 2004) e, designadamente,    no que diz respeito ao funcionamento dos serviços de saúde pública.</p>        <p >É discutido o papel dos serviços de saúde pública à luz de um modelo conceptual    sistémico de Saúde Pública e a sua posição relativa no âmbito do sistema de    saúde nacional.</p>       <p > Os      especialistas em saúde pública deverão assumir o papel de «médicos do sistema      de saúde» e assegurar uma «vigilância sistémica» que promova a equidade, efectividade      e eficiência do sector.</p>        <p ><b>Palavras-chave</b>: Saúde Pública; sistema de saúde; organização de serviços;    doenças crónicas; capacitação em saúde.</p>        <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Public health services and the health care system</b></p>     <p ><b>Abstract</b></p>        <p > Public health, as a social endeavor that aims to improve the health and well-being    of communities and populations (Rychetnik <i>et al.,</i> 2004), faces new challenges    that arise from the ageing of the populations, the technological innovation    of the health sector and the increasing demand for health care services.</p>   Because of the importance of health care services as determinants of health,  the sustainability of the health care system is a major issue to be addressed  in order to ensure a favorable trend of the health status for most of the countries.  Among the strategies that have been suggested, we describe the CLINECS-based clinical  practice (Portlzolt and Kaplan, 2006) and, within a community-based approach,  the «chronic care model» (Wagner <i>et al.,</i> 2001) — which consists on the  integration of broader community resources into the chronic diseases planning  and management processes.     <p >Public health has been lacking a useful conceptual framework (Turnock, 2004).    The national reorganization of public health services in Portugal impels towards    the discussion of a national public health conceptual framework.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >The framework to be adopted by the public health community should address    the necessary balance between comprehensiveness and comprehensibility, in order    to promote its acceptance by the public health stakeholders — including the    general public.</p>   The author describes the model proposed by Donabedian regarding the health care  quality («Donabedian’s triad»). The Donabedian’s triad is an important tool for  the understanding of the several dimensions of public health (Turnock, 2004) particularly,  as far as the functioning of the public health services is concerned.     <p >We discuss the role of the public health services according to a systemic    conceptual framework and their positioning within the national health system    in Portugal.</p>       <p > Public      health doctors must act as «health system’s doctors» and ensure the «surveillance»      of the health system («systemic surveillance») in order to promote the equity,      effectiveness and efficiency of the health care sector.</p>        <p ><b>Keywords</b>: public health; health care system; health care services organization;    chronic diseases; health empowerment.</p>       <p >&nbsp;      </p>        <p ><b>Introdução</b></p>        <p > O século xx está indissociavelmente marcado por avanços notáveis do estado    de saúde das populações e, muito em particular, nos países e regiões mais desenvolvidos    do Globo. Os ganhos na esperança de vida à nascença no último século corresponderam,    em países como os Estados Unidos, a quase 30 anos e a mais de 22 anos no resto    do Mundo (Khaliq e Smego Jr, 2007).</p>        <p >Dos 30 anos de quantidade média de vida ganhos durante o século xx, apenas    5 anos (<i>i.e.,</i> menos de um quinto do total) são atribuíveis aos serviços    de saúde (Turnock, 2004).</p>        <p >Não obstante a sua relevância, a Saúde Pública é uma área de conhecimento    e intervenção mal compreendida pelo público em geral e mesmo pelos seus profissionais    (Turnock, 2004).</p>        <p >O envelhecimento global da população é, simultaneamente, uma das maiores conquistas    da Humanidade e um dos seus maiores desafios (WHO, 2002) pela sobrecarga assistencial    e comunitária decorrente das doenças crónicas e da incapacidade associada. A    elevada prevalência de idosos coloca Portugal como um dos países mais envelhecidos    do Mundo (Almeida, 2004a).</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Se considerarmos apenas a segunda metade do século xx, dos 7,5 anos de aumento    da esperança de vida observados durante este período, cerca de metade são atribuíveis    aos cuidados médicos e de saúde (Bunker, 2001) — fracção claramente superior    à estimada para todo o século xx.</p>        <p >Alguns autores consideram que uma vez supridas as necessidades básicas em    saúde (relacionadas com as condições de vida, nutrição e intervenções em saúde    pública — facto verificado na generalidade dos países e regiões mais desenvolvidos),    os cuidados médicos tornam-se o principal determinante da esperança de vida,    sendo seu impacte substancialmente maior do que o ambiente social ou os estilos    de vida (Bunker, 2001).</p>        <p >Face ao custo crescente dos cuidados de saúde («explosão de custos»), a sustentabilidade    do sistema de saúde assume-se, pois, como um dos principais desafios da Saúde    Pública global.</p>        <p >A reorganização dos serviços de saúde pública em curso no nosso País (Fevereiro    de 2009) é contextualmente propícia à discussão de um modelo conceptual de Saúde    Pública à luz dos desafios enunciados.</p>        <p >O modelo a adoptar deverá salvaguardar o indispensável equilíbrio entre compreensividade/exaustividade    <i>(comprehensiveness)</i> e compreensibilidade <i>(comprehensibility),</i>    tendo em vista a sua fácil adopção pelos diversos actores da Saúde Pública —    incluindo o público em geral.</p>       <p >&nbsp;      </p>        <p ><b>Saúde Pública: definições e conceitos</b></p>     <p > A Saúde Pública, enquanto objectivo, existe desde as primeiras civilizações    quando os governantes assumiram a responsabilidade política de salvaguarda da    saúde das populações das primeiras cidades, designadamente através da construção    de sistemas de esgotos para drenagem de efluentes domésticos e aquedutos para    fornecimento de água ou através de intervenções ambientais como a drenagem de    pântanos (Almeida, 2004b).</p>        <p >Estas medidas tiveram como finalidade gerir o maior desafio de sempre da Humanidade:    a sedentarização (Almeida, 2004b). Além do risco acrescido de transmissão de    doenças infecciosas, a sedentarização resulta em impacte ambiental decorrente    da utilização dos solos e das diversas actividades humanas, sendo tanto maior    esse impacte potencial quanto maior a dimensão do aglomerado populacional (Almeida,    2004b).</p>        <p >Terá sido há cerca de 4000 anos que se iniciou o planeamento em saúde pública,    quando as primeiras cidades do Vale do Indo desenharam (e construíram) os primeiros    sistemas cobertos de esgotos (Rosen, 1993).</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Não obstante a Saúde Pública enquanto objectivo, remontar há milhares de anos    atrás, a sua emergência enquanto corpo organizado do conhecimento deu-se em    meados do século xix, tendo tido como um dos seus mais notáveis impulsionadores    o cirurgião John Simon (1816-1904), o primeiro Director-Geral da Saúde <i>(Chief    Medical Officer) </i>do Reino Unido (Pickstone, 2001).</p>        <p >A Saúde Pública pode ser definida de acordo com as suas diversas dimensões    que reflectem as suas diversas imagens societais (Turnock, 2004). De acordo    com Turnock (2004), são cinco as imagens societais da Saúde Pública — simultaneamente    suas dimensões: </p>       <p >• Saúde Pública como sistema social;</p>                 <p >• Saúde Pública como profissão;</p>                 <p >• Saúde Pública como método de intervenção (<i>i.e.,</i> corpo de conhecimento    teórico e prático);</p>                 <p >• Saúde Pública como serviço público, assegurado por agências e organismos    do Estado;</p>                 <p >• Saúde Pública como saúde do público (<i>i.e., </i>desfecho pretendido).</p>           <p >Atendendo a que a Saúde Pública integra o conhecimento oriundo das mais diversas    áreas, incluindo daquelas que são consideradas as suas ciências básicas (epidemiologia,    biostatística, ciências ambientais, ciências económicas e ciências comportamentais)    os seus profissionais divergem quer no que diz respeito à formação de base,    quer no que diz respeito às actividades desempenhadas (Turnock, 2004).</p>     <p >Não obstante a epidemiologia ser a área de conhecimento basilar da Saúde Pública,    um epidemiologista não é por inerência um seu actor; só o é quando dispõe da    capacidade para aplicar o conhecimento epidemiológico no controlo dos problemas    de saúde identificados (Almeida, 2008a). O valor máximo da epidemiologia só    é alcançado quando os seus contributos científicos são colocados ao serviço    da Saúde Pública e resultam na melhoria da saúde das populações (Koplan, Thacker    e Lezin, 1999).</p>        <p >A Saúde Pública consiste, antes do mais, numa prática (Turnock, 2004), ainda    que alicerçada na evidência científica. A sua natureza pluridisciplinar é, simultaneamente,    uma força e uma fraqueza: é uma fraqueza atendendo à ausência de cultura comum,    mas é uma força face à diversidade de determinantes de saúde e consequente necessidade    do concurso de diversas áreas do conhecimento e intervenção na resolução dos    problemas identificados (Turnock, 2004).</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Desta forma, mais do que um grupo profissional, a Saúde Pública deve ser entendida    como um «movimento» (Turnock, 2004). Trata-se duma perspectiva adequada se considerarmos    a natureza sistémica da Saúde Pública e a sua dimensão de desfecho pretendido    («saúde do público»).</p>        <p >O objectivo de reduzir a doença e manter a saúde das populações (Fee, 1991    cit. por Almeida, 2004b) decorre do comprometimento da sociedade na melhoria    da saúde e bem-estar das populações (Rychetnik <i>et al.</i>, 2004) mediante    a «externalização» dos benefícios do conhecimento científico ao maior número    possível de indivíduos (Turnock, 2004).</p>        <p >A Saúde Pública, enquanto prática, decorre da intersecção entre o conhecimento    disponível e os valores societais (aceitabilidade de um problema de saúde),    sendo a intervenção planeada quando, à luz do conhecimento e instrumentos tecnológicos    disponíveis, um determinado problema de saúde «atravessa» a fronteira do aceitável    face à sua vulnerabilidade técnica em determinada época ou contexto societal    (Turnock, 2004).</p>        <p >Assim, aquilo que é aceitável numa sociedade em determinado momento pode,    posteriormente, deixar de o ser em virtude dos ganhos científicos e tecnológicos    entretanto obtidos. Em contrapartida, países ou regiões diferentes podem ter    limiares de aceitabilidade diferentes relativamente ao mesmo problema de saúde    em função do respectivo nível de desenvolvimento científico e tecnológico.</p>        <p >Este carácter contextual inerente à Saúde Pública encontra-se expresso na    definição de Gonçalves Ferreira (1912-1994), uma das maiores referências da    Saúde Pública nacional, na sua obra «Saúde Pública: Higiene, Medicina Preventiva,    Medicina Social, Administração e Legislação Sanitária»: <i>«Não é fácil dar    uma definição sucinta e clara de Saúde Pública, porque o seu significado varia    com o período histórico e o grau de evolução da sociedade a que diz respeito.    Tem como característica essencial o estudo e a solução dos problemas que interessam    a saúde dos indivíduos integrados no meio em que vivem (...)»</i> (Ferreira,    1963).</p>        <p >Este Autor considera, na mesma obra, que a Saúde Pública tem como <i>«objectivo    essencial o estudo e resolução dos problemas de saúde que condicionam a saúde    dos indivíduos integrados no seu meio ambiente»</i> — definição que realça a    sua dimensão ecológica.</p>        <p >De facto, a Saúde Pública pode ser entendida como a procura de equilíbrio    entre os indivíduos e o seu ambiente (Wenzel, 1998). Esta perspectiva assenta    numa estratégia de salvaguarda da saúde mediante a gestão de riscos ao invés    da sua evicção, na maior parte das vezes não exequível. Pretende-se, assim,    uma «co-habitação» pacífica (mas dinâmica) entre o ambiente e os indivíduos    (Almeida, 2004b).</p>        <p >Os serviços de saúde pública exibem um fraco protagonismo social e mesmo desconhecimento    e falta de consideração por parte do público em geral, seu beneficiário primordial    (Turnock, 2004; Almeida, 2008a). Por outro lado, nem sempre a sua missão é clara    aos olhos dos seus profissionais, oriundos das mais diversas áreas do conhecimento,    com formações e práticas distintas mas com uma missão (aglutinadora) comum (Turnock,    2004).</p>        <p >A estratégia <i>major</i> de intervenção em Saúde Pública consiste na prevenção    (Turnock, 2004; Aschengrau e Seage III, 2008) que tem como resultado os não-acontecimentos    (Turnock, 2004). Tal explica, porventura, a fraca visibilidade dos serviços    de saúde pública e dos seus profissionais, uma vez que a causalidade entre uma    intervenção preventiva e o seu desfecho (não-acontecimento) é mais difícil de    evidenciar aos olhos do público em geral do que a relação causal entre uma intervenção    terapêutica e um desfecho favorável (tratamento ou cura) (Almeida, 2008a).</p>        <p >Os decisores políticos são actores essenciais da Saúde Pública não só porque    detêm os recursos mas porque os serviços de saúde pública, pela sua natureza,    dependem do poder político. A natureza política da Saúde Pública propicia conflitualidades    com o poder político de que dependem os seus serviços, quando estes identificam    necessidades de saúde e tornam, desta forma, os indivíduos e as comunidades    mais conscientes dessas mesmas necessidades (Turnock, 2004).</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Note-se, no entanto, que a acção política é necessária quer a nível do planeamento    (planeamento normativo), quer ao nível da alocação e disponibilização de recursos    e serviços.</p>        <p >Atendendo a que é obrigação dos governos zelar, de forma activa, pela protecção    da saúde dos seus cidadãos (Aschengrau e Seage III, 2008), a Saúde Pública e    o poder político estão «condenados» a ser parceiros.</p>       <p >&nbsp;      </p>        <p ><b>Doença crónica e novo paradigma de cuidados de saúde</b></p>        <p > As doenças crónicas (ou de evolução prolongada) são um grupo heterogéneo    de doenças que emergem na meia-idade, estando associadas a padrões não-saudáveis    de consumo (Yach <i>et al.</i>, 2006). O tabagismo, o complexo dieta-actividade    física e o abuso de álcool são os factores de risco primordiais de doença crónica,    traduzidos em «riscos intermediários» como a hipertensão arterial ou a hiperglicemia    (Yach <i>et al.</i>, 2006).</p>        <p >As doenças crónicas caracterizam-se por um longo período de latência, factores    de risco comuns (actuando de forma independente mas sinérgica), ocorrência concomitante    de duas ou mais doenças  (co-morbilidade) e, não obstante a baixa «taxa» de    cura, uma elevada preventibilidade (Yach <i>et al.</i>, 2006).</p>        <p >Os principais determinantes das doenças crónicas são o envelhecimento, a urbanização,    o desenvolvimento económico e a globalização, sendo certo que o desenvolvimento    económico e a urbanização podem ser, igualmente, determinantes de saúde (Yach    <i>et al.</i>, 2006).</p>        <p >Nos EUA estima-se que quase 90% dos idosos padecem de, pelos menos, uma doença    crónica e destes, 25% padecem de quatro ou mais doenças crónicas, sendo que    estas doenças representam três quartos das despesas em saúde naquele país (Bodenheimer    e Grumbach, 2007).</p>        <p >Em 2006 os países da OCDE/OECD gastaram cerca de 9% do PIB em cuidados de    saúde — contra 7% em 1990 e 5% em 1970. Em idêntico ano o nosso País despendeu    10,17% do PIB em cuidados de saúde (OECD, 2007), valor superior ao do conjunto    dos países da OCDE e, em termos individuais, ao de países com indicadores de    saúde semelhantes.</p>        <p >Note-se que os gastos totais em saúde em Portugal em 1970 correspondiam a    apenas 3% do seu PIB, <i>i.e.,</i> consideravelmente menos do que em países    como a Itália ou a Espanha (Barros e Simões, 2007), pelo que a «explosão de    custos» verificada no nosso País desde então foi muito mais acentuada.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A «explosão de custos» verificada no sector da saúde nos últimos 40 anos (Zweifel    e Dreyer, 1997) é atribuível não só ao envelhecimento da população — simultaneamente    uma das maiores conquistas da Humanidade e um dos seus maiores desafios (WHO,    2002) — mas também à inovação tecnológica do sector hospitalar, à alteração    da estrutura familiar (institucionalização dos idosos) e às expectativas acrescidas    relativamente aos cuidados de saúde (Clewer e Perkins, 1998).</p>        <p >Os hospitais são unidades de saúde da maior relevância no sistema de saúde,    não só do ponto de vista financeiro (representam mais de 50% do total da despesa    em saúde) mas também do ponto de vista organizacional (McKee e Healy, 2000).</p>        <p >O sector hospitalar, hegemónico no sistema de saúde, faz uso das mais recentes    tecnologias e dispõe de profissionais altamente diferenciados, estando as instituições    hospitalares vocacionadas para a gestão de situações agudas, exigindo um volume    intensivo de recursos limitados a um período de tempo relativamente curto.</p>        <p >O controlo individual das doenças crónicas (efectividade) depende da adesão    à terapêutica, sendo esta condicionada pela qualidade da interacção médico-doente.    Quanto mais efectiva esta interacção («aliança terapêutica»), maior a satisfação    dos doentes e maior a probabilidade de adesão à terapêutica e desfecho clínico    favorável (Schillinger, Villela e Saba, 2007).</p>        <p >O modelo tradicional de cuidados de saúde assenta na prestação de cuidados    episódicos (terapêuticos) na sequência de doenças agudas (Dever, 2006), sendo    o doente remetido a um papel passivo, de receptor de cuidados médicos.</p>        <p >Os doentes constituem o recurso mais desvalorizado do sistema de saúde se    atentarmos ao facto de que, no que diz respeito às doenças crónicas, estes são    os mais importantes prestadores de cuidados (Bodenheimer e Grumbach, 2007).</p>        <p >As interacções utentes-profissionais de saúde transitaram de uma centralidade    no profissional de saúde para uma centralidade no cidadão. Enquanto que a abordagem    tradicional, centrada no profissional de saúde, tinha como pressuposto que a    informação disponibilizada era condição suficiente para alterar comportamentos    e tinha por objectivo a adesão às recomendações do prestador, a abordagem colaborativa    é baseada no conceito de auto-eficácia como «motor» de mudança, tendo como objectivo    aumentá-la (Bodenheimer e Grumbach, 2007).</p>        <p >O cidadão deixa de ser exclusivamente receptor ou destinatário de cuidados    para ser considerado, também, como (auto)prestador de cuidados — e, assim, se    evolui duma perspectiva dicotómica e exclusiva do sistema de saúde (prestadores    <i>versus</i> doentes) para uma perspectiva inclusiva e em <i>continuum.</i></p>        <p >Este <i>continuum</i> vai desde o auto-prestador estrito na doença (por exemplo,    mediante a prestação de auto-cuidados em situações clínicas banais) até ao receptor    estrito de cuidados de saúde (por exemplo em situações clínicas graves que impliquem    cuidados altamente diferenciados e em que a participação do doente no processo    de tomada de decisão não seja exequível).</p>        <p >No que diz respeito à gestão das doenças crónicas, o doente localiza-se no    intervalo entre estas duas situações extremas, variando a sua posição relativa    em função da gravidade e do grau de capacitação relativamente a essa doença.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Os cuidados domiciliados <i>(home-based care),</i> incluindo os cuidados de    longa duração, têm vindo a expandir-se rapidamente em todo o Mundo (WHO, 2000).    Tal pode ser explicado pelos seguintes factores (Tarricone e Tsouros, 2008):&nbsp;</p>        <p >• expectativas crescentes dos consumidores de saúde relativamente à escolha    de serviços <i>(«voice and choice»)</i>;</p>          <p >• alterações demográficas (envelhecimento acentuado da população);</p>                 <p >• alterações societais (fragmentação do núcleo familiar e emprego feminino);</p>                 <p >• alterações epidemiológicas (transição epidemiológica e prevalência das doenças    crónicas);</p>                 <p >• inovação tecnológica e científica (que tornam possível a prestação de cuidados    <i>high tech</i> em contexto domiciliar);</p>                 <p >• prioridades políticas (desinstitucionalização dos doentes e contenção de    custos).</p>           <p >Este será, porventura, um dos maiores desafios que os sistemas de saúde dos    países e regiões mais desenvolvidos vão ter de enfrentar nas próximas décadas:    assegurar a prestação de cuidados médicos de qualidade em meio domiciliar retornando,    desta forma, ao modelo baseado nas consultas domiciliares, de que os «Joões    Semana» foram os seus mais ilustres praticantes.</p>     <p >&nbsp;      </p>        <p ><b>Espectro de cuidados de saúde: da promoção da saúde aos cuidados diferenciados</b></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p > O espectro dos cuidados de saúde consiste em quatro estádios fundamentais    (Brown, 2006):</p>        <p >• Manter-se saudável <i>(staying healthy)</i>;</p>              <p >• Melhorar <i>(getting better)</i>;</p>                 <p >• Gerir a doença e incapacidade <i>(managing disease and disability)</i>;</p>                 <p >• Lidar com o fim de vida <i>(coping with end of life)</i>.</p>           <p >As funções básicas do sistema de saúde são as seguintes (Brown, 2006):&nbsp;</p>        <p >• Saúde Pública (<i>i.e.</i> melhoria do nível de saúde das populações);</p>     <p >• Auto-cuidados (incluindo auto-cuidados de saúde, auto-cuidados de emergência    e auto-gestão da doença crónica);</p>                 <p >• Cuidados primários (cuidados de primeiro contacto);</p>                 <p >• Cuidados diferenciados <i>(specialty care).</i></p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A Saúde Pública, enquanto comprometimento social, visa promover a saúde, prevenir    a doença e a morte prematura e, desta forma, prolongar a vida (com qualidade).    Trata-se, pois, de uma definição que enfoca no desfecho pretendido, decorrente    de esforços concertados da sociedade.</p>        <p >Os auto-cuidados <i>(self-care)</i> consistem nas acções empreendidas pelos    indivíduos tendo por finalidade a manutenção da saúde e a gestão de problemas    de saúde banais e doenças crónicas, sem que tal exclua a interacção com os profissionais    de saúde/equipa de cuidados de saúde e sua eventual intervenção (UK. National    Health Service, 2009).</p>        <p >Trata-se dos cuidados mais abrangentes, porque enquadráveis em todos os estádios    do espectro de cuidados — desde a promoção da saúde <i>(staying healthy)</i>    até à gestão do fim de vida.</p>        <p >Os cuidados de saúde primários, «porta de acesso» ao sistema de saúde, assentam    na continuidade e compreensividade, sendo prestados aos cidadãos em contexto    familiar e comunitário e tendo por missão satisfazer a maioria das necessidades    de saúde (USA. Institute of Medicine, 1996).</p>        <p >A sustentabilidade deste «sub-sistema» de saúde é um dos seus aspectos primordiais,    traduzida na prestação de cuidados eficientes, porque de baixo custo, resultantes    da assunção, pelos generalistas («<i>omnipracticiens»</i> em Francês e «<i>general    practitionners»</i> em Inglês), da função fundamental de referenciação de doentes    com situações clínicas complexas e que cursam com custos de diagnóstico e tratamento    elevados <i>(filtering role)</i> (Bodenheimer e Grumbach, 2007).</p>        <p >A carência de generalistas tem como consequência a procura, pelo público,    de especialistas para suprir as necessidades de saúde de nível primário (Bodenheimer    e Grumbach, 2007).</p>        <p >Os cuidados diferenciados estão, em termos institucionais, associados aos    hospitais, sendo percepcionados pelo público em geral como «expoentes máximos»    do sector da saúde. A hegemonia dos hospitais sobre o sistema de saúde decorre    da sofisticação tecnológica e da gestão de situações clínicas complexas e do    facto de entre os seus profissionais se encontrar a «élite» médica, com relacionamentos    políticos privilegiados (McKee e Healy, 2000).</p>        <p >Esta última característica explica a resistência às mudanças que afectam os    interesses destas instituições (McKee e Healy, 2000).</p>        <p >Se é um facto que foi a evolução tecnológica e a especialização profissional    associada que deram relevância societal aos hospitais, também é um facto que    essa mesma evolução poderá ditar a sua «sentença de morte» enquanto local prestador    de cuidados associados a tecnologias de saúde.</p>        <p >A telemedicina e a miniaturização de dispositivos tecnológicos, por exemplo,    tornaram possíveis cuidados diagnósticos diferenciados em locais remotos ou    a prestação de cuidados de saúde associados a tecnologia no domicílio. A evolução    tecnológica poderá inviabilizar os hospitais enquanto pólo tecnológico de saúde,    aglutinador de equipamento de elevados custos, e levar à criação de hospitais    virtuais (McKee e Healy, 2000).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;      </p>        <p ><b>Auto-cuidados e auto-gestão</b></p>        <p > Os auto-cuidados <i>(self-care)</i> consistem nas acções empreendidas pelos    indivíduos tendo por finalidade a manutenção da saúde e a gestão de problemas    de saúde banais e doenças crónicas (UK. National Health Service, 2009).</p>        <p >A auto-gestão <i>(self-management)</i> «diz respeito às tarefas diárias que    um indivíduo executa ou não para prevenir, controlar ou reduzir o impacte de    uma doença crónica» (Bodenheimer e Grumbach, 2007). Daqui se depreende que todos    os indivíduos fazem «auto-gestão»: o que os distingue depende da qualidade das    suas decisões, <i>i.e.</i> se são conducentes, ou não, à melhoria da sua saúde    ou a desfechos clínicos favoráveis (Bodenheimer e Grumbach, 2007).</p>        <p >Assim, podemos falar de auto-gestão «positiva» (ou «apropriada») quando as    atitudes e comportamentos empreendidos são conducentes à saúde (ex. adopção    e manutenção de estilos de vida saudáveis) e de auto-gestão «negativa» (ou «inapropriada»)    quando a tomada de decisão implica a adopção de comportamentos que acarretam    risco acrescido de doença ou acidente (riscos auto-impostos).</p>        <p >A auto-gestão apropriada pressupõe um conhecimento adequado da condição ou    doença que se pretende prevenir ou controlar e a auto-motivação necessária à    escolha e adopção de comportamentos salutogénicos (Bodenheimer e Grumbach, 2007).</p>        <p >No âmbito do auto-controlo das doenças crónicas temos, como exemplo, a monitorização    da glicemia capilar e a administração de insulina pelo diabético, e como exemplo    de gestão/tratamento de problemas de saúde banais, que não requerem, à partida,    intervenção profissional, as constipações ou os pequenos ferimentos e contusões.</p>        <p >Já o apoio à auto-gestão <i>(self-management support)</i> diz respeito às    intervenções educativas e de apoio tendo em vista aumentar as competências e    confiança <i>(self-efficacy)</i> dos doentes relativamente à resolução dos seus    problemas de saúde (USA. Institute of Medicine, 2003).</p>        <p >Desta forma, o apoio à auto-gestão consiste nas acções dos prestadores de    saúde tendo em vista capacitar indivíduos em termos de auto-gestão da sua doença    (Bodenheimer e Grumbach, 2007).</p>        <p >O apoio à auto-gestão implica as seguintes intervenções por parte do profissional    de saúde: auxiliar os doentes a tornarem-se informados sobre a sua condição    (mediante a provisão de informação e o treino de competências) e promover uma    atitude «activada», tornando o indivíduo o actor principal no que diz respeito    à prevenção e gestão apropriada da doença (Bodenheimer e Grumbach, 2007).</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >A literacia em saúde, definida como o grau de capacidade individual em obter,    processar e interpretar informação básica em saúde e em serviços de saúde —    incluindo a navegabilidade no sistema de saúde — vem substituir na sociedade    global da informação e conhecimento a tradicional «educação para a saúde» enquanto    estratégia de capacitação em saúde (Almeida, 2008b).</p>        <p >Existe uma relação directa entre literacia em saúde e o nível de saúde. Os    indivíduos com níveis limitados de literacia em saúde, quando comparados com    aqueles com níveis adequados, apresentam um pior nível de saúde, menor consumo    de cuidados preventivos, maiores taxas de hospitalização e maior probabilidade    de um controlo inapropriado da doença crónica (Paasche-Orlow e Parker, 2007).</p>        <p >A capacitação <i>(empowerment) </i>em saúde assume-se como um instrumento    estratégico de promoção da saúde numa sociedade global, encarando o cidadão    como o seu principal recurso (Almeida, Tereso e Pimentel, 2009).</p>        <p >Ao relacionar-se com os dois níveis «extremos» de prevenção em saúde — a prevenção    primordial (factores de risco associados a estilos de vida) e a prevenção quaternária    (prevenção da iatrogenia)<sup> </sup>— a capacitação em saúde contribui para    formar cidadãos informados na saúde e na doença (Almeida, 2005).</p>       <p >&nbsp;      </p>        <p ><b>Modelo CLINECS</b></p>        <p > Durante muitas décadas, a prática da medicina era norteada pelo prestígio    de um clínico ou de uma instituição: é a chamada medicina baseada na eminência    (<i>«eminence-based medicine) </i>(Watchter, 2008) à qual sucedeu a medicina    baseada na evidência (<i>«evidence-based medicine»)</i>.</p>        <p >A medicina baseada na <i>evidência</i> — ou, traduzindo mais propriamente,    a medicina baseada na <i>prova</i> (Almeida, 2005) — consiste na «utilização    conscienciosa e explícita da melhor evidência disponível para a tomada de decisão    relativa a doentes individuais» (Canada. CEBM, 2009).</p>        <p >Note-se que a EBM não é incompatível com a experiência e o julgamento clínicos,    bem pelo contrário; o que mudou foi o paradigma de identificação das melhores    práticas, em resultado da «explosão» de ensaios clínicos nas últimas décadas    (Watchter, 2008).</p>        <p >Assim, a EBM resulta da integração da melhor evidência científica disponível    com a <i>expertise</i> clínica, o conhecimento fisiopatológico e as preferências    do doente tendo em vista a tomada de decisão clínica (Greenberg <i>et al.</i>,    2005).</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Recentemente, a EBM evoluiu para uma perspectiva integradora com a economia    da saúde naquilo a que se chamou medicina baseada no valor (<i>«value-based    medicine), </i>sem que<i> </i>tenha feito a «ligação» entre a EBM e a prática    clínica diária (Portzsolt e Kaplan, 2006).</p>        <p >Portzsolt e Kaplan (2006) propuseram o conceito <i>CLINECS</i>, acrónimo que    resulta da fusão das disciplinas que contribuem para a avaliação de serviços    de saúde úteis (<i>i.e., </i>valorizados pelo doente ou outros elementos da    sociedade): prática clínica, epidemiologia clínica (validade, eficácia e efectividade    da intervenção), economia da saúde (eficiência, pagamentos e reembolsos), psicologia,    ética e filosofia (valor e justiça).</p>        <p >O valor é entendido como uma alteração percepcionada (pelo consumidor) e quantificável    do estado de saúde (Portzsolt e Kaplan, 2006).</p>        <p >Desta forma, a prática clínica deve transitar da prática baseada na evidência    científica (ou na prova) para a prática baseada não só na evidência científica    (obtida a partir da epidemiologia clínica) mas também na integração de elementos    de avaliação económica, psicológica e ética — culminando na valoração da intervenção    do ponto de vista do destinatário da intervenção.</p>       <p >&nbsp;</p>        <p ><b>Modelo de cuidados crónicos</b></p>        <p > O modelo de cuidados crónicos <i>(«Chronic care model»)</i> de Wagner e cols.    (2001) é um modelo tridimensional de prestação de cuidados de saúde aos doentes    crónicos, assente em três pilares ou dimensões fundamentais — a comunidade e    seus recursos, o sistema de saúde (incluindo o seu financiamento e o apoio à    auto-gestão) e a instituição prestadora — sendo os seus elementos individuais    interdependentes (Bodenheimer e Grumbach, 2007).</p>        <p >Este modelo tem como finalidade última a interacção satisfatória e de qualidade    entre doentes informados e «activados» e equipas preparadas e proactivas, visando    os melhores desfechos clínicos possíveis (Bodenheimer e Grumbach, 2007).</p>        <p >A criação de equipas pluridisciplinares (responsáveis por cuidados preventivos    e pela prestação de cuidados de rotina), a gestão de cuidados <i>(care management)</i>    e os cuidados planeados <i>(planned care) </i>são algumas das estratégias preconizadas    tendo por finalidade a gestão apropriada da sobrecarga assistencial decorrente    das doenças de evo­lução prolongada (Bodenheimer e Grumbach, 2007).</p>        <p >No caso da doença cardíaca, da diabetes e da asma, existe evidência obtida    por metanálise quanto à redução de custos associados quando da implementação    de programas de gestão de doenças crónicas, sendo esta redução tanto maior quanto    maior a gravidade da doença (Bodenheimer e Grumbach, 2007). Tal resultou, fundamentalmente,    da redução das taxas de hospitalização destes doentes (Krause, 2005).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;</p>        <p ><b>Saúde Pública como sistema</b></p>        <p > Um sistema é um conjunto de componentes individuais que operam de forma concertada    por forma a atingir os objectivos da totalidade (Churchman, 1968). Um sistema    é uma abstracção (não tem existência real), sendo os sistemas imaginados pelo    Homem para alcançar determinados objectivos (Durán, 1989).</p>     <p >Atendendo à interligação entre os elementos individuais de um sistema, qualquer    alteração sofrida por um componente individual afecta, de algum modo, a totalidade    do sistema; mesmo que tais alterações sejam imperceptíveis, são detectáveis    à luz da lógica que preside à organização do sistema (Durán, 1989).</p>        <p >O sistema de saúde inclui todas as acções que possam contribuir para a melhoria    da saúde e, desta forma, inclui todos os actores, instituições ou recursos que    executam acções em saúde (Murray e Evans, 2003).</p>        <p >A função da Saúde Pública, enquanto sistema social, consiste em assegurar    as condições necessárias à saúde dos indivíduos (USA. Institute of Medicine,    1988). Tendo em consideração os múltiplos determinantes de saúde, os serviços    de saúde e a tecnologia médica apenas podem assegurar a satisfação de necessidades    imediatas e individuais de saúde (USA. Institute of Medicine, 1988).</p>        <p >O sistema de saúde pública é afectado, nas suas múltiplas dimensões (missão,    estrutura, processo e resultados), pelo ambiente exterior — <i>i.e.,</i> pelo    meio social, económico e político em que se insere — tratando-se, desta forma,    de um sistema aberto (Handler, Issel e Turnock, 2001).</p>        <p >O «macro-contexto» é o nível supra-sistémico que tem implicações (directas    ou indirectas) no funcionamento do sistema de saúde pública, incorporando, designadamente,    as «forças» exteriores ao sistema de saúde pública e as preferências e valores    sociais relativamente aos produtos e serviços de saúde pública disponibilizados    (Handler, Issel e Turnock, 2001).</p>        <p >De acordo com Turnock (2004), as principais características da Saúde Pública    são as seguintes:</p>        <p >• <i>Baseada na justiça social</i> (distribuição equitativa de benefícios    e fardos colectivos);</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p >• <i>Natureza política</i> (serviços de saúde pública dependentes do poder    político enquanto agências e serviços do Estado);</p>              <p >• <i>Agenda dinâmica</i> (adequada a problemas emergentes);</p>                 <p >• <i>Ligação aos governos</i> (decorrente da sua natureza política e da obrigação    dos governos de zelar, de forma activa, pela saúde dos seus cidadãos);</p>                 <p >• <i>Baseada na Ciência</i> (ciências biomédicas e ciências sociais);</p>                 <p >• <i>Prevenção como estratégia</i> major (carácter prospectivo);</p>                 <p >• <i>Natureza pluridisciplinar</i> (ausência de cultura comum mas estratégias    colaborativas).</p>     <p >Em 1993, Van Dyke desenvolveu um modelo piramidal de avaliação do desempenho    de programas de saúde na área materna e infantil <i>(«health care pyramid»)    </i>que categorizava os serviços disponibilizados (Issel, 2009).</p>           <p >O modelo de Van Dyke foi adaptado pelo <i>US Public Health Service</i> (1994)    sob a designação de «pirâmide da saúde pública», apresentando quatro níveis    (Issel, 2009):</p>       <p >•        o nível inferior (base), correspondente à infra-estrutura do sistema        de saúde essencial ao seu funcionamento adequado – incluindo a liderança        e supervisão do sector, planeamento e avaliação, recursos humanos, recursos        tecnológicos e de informação e leis e regulamentação pertinente;</p>                 <p >•&nbsp;um nível intermédio-inferior, correspondente aos serviços de base populacional    (<i>i.e</i>., disponibilizados à população de uma área de influência determinada)    — é o caso dos programas de vacinação e dos programas de rastreio;</p>                 ]]></body>
<body><![CDATA[<p >• um nível intermédio-superior correspondente aos serviços de apoio <i>(«enabling    services»)</i> às intervenções em saúde (ex. programas na área social que facilitam    o acesso ou adesão a determinado serviço ou intervenção individual);</p>                 <p >• o nível superior (topo da pirâmide) correspondente aos serviços de saúde    directos, <i>i.e.,</i> que têm um efeito directo ou relativamente imediato sobre    a saúde dos indivíduos (ex. cuidados médicos).</p>           <p >O modelo piramidal, além de acentuar a relação hierárquica entre os diversos    níveis descritos, permite evidenciar o seu «impacte» relativo em termos de população    abrangida. Assim, o nível superior da pirâmide (serviços de saúde directos)    é aquele que diz respeito a uma menor proporção de indivíduos da população (Issel,    2009).</p>        <p >A existência de múltiplos determinantes de saúde, primariamente societais,    torna relevantes políticas de saúde em vez de políticas «sanitárias» (<i>i.e.,</i>    limitadas ao sistema de serviços de saúde), que evoluíram para o conceito de    «saúde em todas as políticas» <i>(«Health in All Policies»)</i> enunciado em    2006 durante a Presidência Finlandesa da União Europeia.</p>        <p >A saúde em todas as políticas (HiAP) é uma estratégia que consiste no reforço    da ligação entre as políticas de saúde e as políticas dos restantes sectores    da sociedade, tendo por objectivo melhorar a saúde, bem-estar e o desenvolvimento    económico através de intervenções planeadas e executadas fundamentalmente por    esses sectores (Ståhl <i>et al.</i>, 2006).</p>        <p >Trata-se, pois, de uma estratégia de gestão integrada dos determinantes societais    de doença, assente no sistema social enquanto construção teórica.</p>       <p >&nbsp;</p>        <p ><b>Os componentes do sistema de saúde pública</b></p>        <p > Avedis Donabedian foi uma das maiores referências mundiais em investigação    em qualidade em saúde e sistemas de saúde. Nascido em 1919 em Beirute e falecido    em 2000, este médico de saúde pública (MD pela Universidade Americana de Beirute    e MPH pela Universidade de Harvard), professor da Escola de Saúde Pública da    Universidade de Michigan, revolucionou o pensamento em sistemas de saúde (Frenk,    2000).</p>        <p >Em 1966, Donabedian introduziu os conceitos de estrutura, processo e resultado    <i>(outcome),</i> inaugurando o actual paradigma de avaliação da qualidade dos    cuidados de saúde (Frenk, 2000).</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >De uma forma simplificada, a «tríade de Donabedian» classifica as medidas    de qualidade na forma como os cuidados são organizados («estrutura»), no que    foi feito («processo») e no resultado sobre o doente <i>(«outcome»)</i> (Watcher,    2008).</p>        <p >O sistema de saúde pública apresenta os seguintes componentes (Handler, Issel    e Turnock, 2001; Turnock, 2004):&nbsp;</p>        <p >• Missão: inclui os objectivos <i>(goals)</i> em determinado momento ou período    de tempo e a forma como são operacionalizados a um nível conceptual (<i>i.e.,</i>    mediante um conjunto de funções-chave);</p>                <p >•        Capacidade estrutural (infra-estruturas): inclui os recursos (humanos,        físicos, materiais, fiscais e de informação), bem como as relações necessárias        a desempenhar as funções e serviços essenciais em saúde pública;</p>                 <p >• Processo<b> </b>(práticas e <i>outputs</i>): práticas ou processos necessários    e suficientes para assegurar a efectividade das funções e serviços essenciais    em saúde pública (ex. programas de saúde);</p>                 <p >• Resultados <i>(outcomes)</i>: correspondem às alterações no estado de saúde    dos indivíduos, comunidades ou populações, secundárias às intervenções <i>(outputs)</i>.    Fornecem informações sobre o desempenho global do sistema (<i>i.e.,</i> grau    de atingimento da sua missão, traduzido em termos de efectividade, eficiência    e equidade).</p>          <p >      &nbsp;Todos estes componentes são      afectados pelo macro-contexto, nível supra-sistémico que inclui as forças      e fenómenos da sociedade que afectam, directa ou indirectamente, o sistema      da saúde pública (Handler, Issel e Turnock, 2001).</p>        <p >A inclusão deste componente supra-sistémico evidencia a natureza dinâmica    e aberta do sistema de saúde pública, traduzido na interacção com um conjunto    de factores externos à sua missão (Handler, Issel e Turnock, 2001).</p>        <p >A literatura anglo-saxónica nem sempre é consistente no que diz respeito à    terminologia adoptada relativamente ao modelo de Donabedian: assim, em vez de    <i>outputs</i>, há autores como Fos e Fine (2005) que utilizam a expressão «<i>outcomes</i>    intermediários» ou de processo <i>(process outcomes)</i>, correspondendo os    «<i>outcomes</i> finais» ou de saúde <i>(final health outcomes)</i> aos resultados    finais.</p>        <p >O resultado de uma intervenção <i>(outcome)</i> pode ser distinguido em função    do seu âmbito individual <i>(end result)</i> e populacional <i>(impact)</i>    (Donabedian, 1974); outros autores consideram <i>outcome</i> como sinónimo de    efeito inicial na saúde e o impacte <i>(impact)</i> como o efeito a longo prazo    (Rossi, Freeman, Lispey, 1999 cit. por Issel, 2009).</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >À excepção dos processos, correspondentes às práticas ou serviços essenciais    em saúde pública, todas as outras dimensões do sistema de saúde (incluindo os    <i>outputs</i>) são relativamente fáceis de identificar e compreender (Turnock,    2004).</p>        <p >Trata-se de um aspecto crítico se atentarmos a que o processo <i>(throughput)    </i>corresponde à forma (ou «mecanismo») como os recursos <i>(inputs)</i> são    transformados em serviços <i>(«outputs»)</i>.</p>        <p >Face aos componentes do modelo acima descrito, temos como pressuposto fundamental    a definição prévia das funções básicas da Saúde Pública, bem como dos serviços    considerados essenciais. As funções essenciais dos serviços de saúde pública    nos Estados Unidos são as seguintes (Turnock, 2004):&nbsp;</p>        <p >• Diagnóstico da situação<b> </b><i>(assessment);</i></p>                 <p >• Desenvolvimento de políticas e programas de saúde <i>(policy development)</i>    — «tomada de decisão»;</p>                 <p >• Execução ou implementação <i>(assurance) </i>— <i>i.e.,</i> intervenção    sobre os determinantes negativos de saúde («instituição da terapêutica»).</p>          <p > Dentre      os dez serviços essenciais em saúde pública naquele país, de acordo com o      <i>US Public Health Service</i> (1994), destacam-se a monitorização do estado      de saúde da população (identificação de problemas de saúde), a investigação      de problemas e ameaças à saúde das comunidades, a informação, educação e capacitação      em saúde, o desenvolvimento de políticas e planos de apoio aos esforços da      comunidade, a avaliação da efectividade, acessibilidade e qualidade dos serviços      de saúde e fazer cumprir as leis e regulamentos de protecção e salvaguarda      da saúde (Turnock, 2004).</p>        <p >Cabe, ainda, aos serviços de saúde pública, promover o contacto (quando apropriado)    com os serviços de saúde e assegurar a prestação de cuidados de saúde quando    não estão, de outra forma, disponíveis (Turnock, 2004).</p>       <p >&nbsp;      </p>        <p ><b>Sistema de saúde pública em Portugal continental</b></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p > A reorganização da administração central do Estado levou à extinção, em Junho    de 2007, dos centros regionais de saúde pública, tendo as suas atribuições transitado    para os recém-criados departamentos de saúde pública das administrações regionais    de saúde (artigo 15.<sup>o</sup> do Decreto-Lei n.<sup>o</sup> 222/2007, de    29 de Maio).</p>        <p >Aqueles serviços regionais de saúde pública, criados em 1999, tinham como    missão assegurar a vigilância epidemiológica, a monitorização da saúde da população    e a promoção da saúde através de programas específicos de intervenção (número    1 do artigo 2.<sup>o</sup> do Decreto-Lei nº 289/99, de 29 de Setembro). As    suas atribuições incluíam a avaliação do impacte das intervenções em saúde e    o apoio técnico e funcional aos serviços locais de saúde pública (artigo 7.<sup>o</sup>    do Decreto-Lei n.<sup>o</sup> 289/99, de 29 de Setembro).</p>        <p >Não obstante o legalmente previsto no número 1 do artigo 6.<sup>o</sup> do    Decreto-Lei n.<sup>o</sup> 289/99, de 29 de Setembro («autonomia técnica e administrativa    e dotações próprias, orçamental e de pessoal»), os centros regionais de saúde    pública (CRSP) dependiam, em termos orçamental e de pessoal, das respectivas    administrações regionais de saúde (ARS), pelo que a sua integração nas ARS não    se traduziu em perdas funcionais naqueles sectores gestionários</p>        <p >Em 2008 é publicado o diploma que cria os agrupamentos de centros de saúde    (ACES), e consequentemente, um nível intermédio de serviços de saúde pública    — inexistente até então — correspondente às unidades de saúde pública (USP).</p>        <p >Estas unidades funcionais, de nível supra-local, «agregam» os profissionais    de saúde pública dos centros de saúde integrantes do respectivo ACES, tendo    a missão de «observatório» de saúde da área geodemográfica correspondente (artigo    12.<sup>o</sup> do Decreto-Lei n.<sup>o</sup> 28/2008, de 22 de Fevereiro).</p>        <p >Além deste modelo gestionário de âmbito populacional (<i>clusters</i> de centros    de saúde), existe um modelo gestionário que inclui, não só unidades de cuidados    primários de saúde, mas também unidades hospitalares de uma determinada área    de influência: são as unidades locais de saúde (ULS) pessoas colectivas de direito    público de natureza empresarial (artigo 4.<sup>o</sup> do Decreto-Lei n.<sup>o</sup>    183/2008, de 4 de Setembro).</p>        <p >Este modelo gestionário teve a sua «experiência-piloto» na ULS de Matosinhos,    criada ao abrigo do Decreto-lei n.<sup>o</sup> 207/99, de 9 de Junho (Decreto-Lei    n.<sup>o</sup> 183/2008).</p>        <p >Aguarda-se (Fevereiro de 2009) a publicação de um pacote legislativo relativo    à organização dos serviços de saúde pública e Autoridades de Saúde, bem como    a regulamentação das USP<sup><a name="top1"></a></sup><sup><a href="#1">1</a></sup>.</p>       <p >&nbsp;      </p>        <p ><b>Discussão e conclusões</b></p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p > As doenças crónicas e a incapacidade associada são um dos maiores problemas    da saúde pública mundial e resultam não só do envelhecimento da população mas    também da globalização de factores de risco relacionados com estilos de vida.</p>        <p >A valorização da qualidade de vida em detrimento da quantidade de vida, a    redução de custos associada (uma vez que boa parte, ou mesmo a totalidade, são    suportados pelas famílias) e a existência de tecnologia que possibilita a prestação    de cuidados domiciliados de qualidade deram significância aos cuidados domiciliados    <i>(home-based care)</i> no contexto dos sistemas de saúde e, consequentemente,    aos doentes e suas famílias enquanto «clientes» — e não meros «utentes».</p>        <p >Atendendo a que as doenças crónicas ou de evolução prolongada estão associadas    a riscos auto-impostos <i>(self-created risks)</i> e que o controlo destas doenças    assenta na adesão à terapêutica e na sua auto-gestão apropriada, o cidadão capacitado    na saúde e na doença revela-se como um recurso inestimável para o sistema de    saúde.</p>        <p >Um novo paradigma de cuidados de saúde, redireccionados para a gestão das    doenças de evolução prolongada e para os cuidados domiciliados, terá que valorar    o doente e a comunidade em que este se encontra inserido como recurso do sistema    de saúde: só assim se poderá assegurar a sua sustentabilidade.</p>        <p >A capacitação em saúde assume-se, pois, como uma estratégia da maior pertinência    visando dotar o sistema de saúde de parceiros activos na gestão da saúde (promoção    da saúde) e da doença (auto-cuidados). O modelo de cuidados crónicos preconiza    a integração da comunidade e seus recursos no planeamento e gestão das doenças    crónicas.</p>        <p >Os hospitais do futuro — presentemente «hegemónicos» financeira e estruturalmente    no sector da saúde — necessitarão de menos camas mas de mais blocos operatórios    e áreas afins (cirurgia de ambulatório), bem como de mais espaços destinados    à prestação de cuidados integrados para doenças frequentes (Waghorn, McKee,    Thompson, 1997).</p>        <p >A sua hegemonia enquanto local de concentração de tecnologia médica encontra-se    ameaçada pela evolução tecnológica (miniaturização) que permite deslocar, para    outros locais como os domicílios, equipamento sofisticado outrora só disponível    nos hospitais.</p>        <p >Por outro lado, os hospitais não estão vocacionados para a prestação de cuidados    de longa duração, mas antes para a gestão de situações agudas (incluindo as    decorrentes da agudização de doenças crónicas), requerendo uma abordagem intensiva    mas, necessariamente, limitada a períodos de tempo relativamente curtos.</p>        <p >A fraca visibilidade social da Saúde Pública — não obstante os ganhos em saúde    observados no último século estarem largamente associados a intervenções do    seu âmbito — resulta duma estratégia de intervenção essencialmente preventiva    (traduzida em «não-acontecimentos» de difícil nexo de causalidade) e do facto    de não fazer uso do arsenal tecnológico de outras especialidades (Almeida, 2008a).</p>        <p >A Saúde Pública enquanto sistema social está relacionada com a saúde do público    (resultado), na medida em que os resultados decorrem dos esforços concertados    da sociedade. Cabe ao sistema de saúde pública liderar o sector da saúde a um    nível estratégico (identificação de problemas e selecção de prioridades em saúde)    e participar na sua regulação, assegurando a liderança intelectual indispensável    à efectividade do processo regulatório (disponibilização de evidência em saúde    pública).</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Tendo em vista a compreensão pelo público em geral e, mesmo, pelos seus praticantes    (profissionais) da missão e funcionamento da Saúde Pública, considera-se relevante    a adopção do modelo conceptual sistémico baseado na tríade de Donabedian — conforme    preconizado por Turnock.</p>        <p >Ao assumir-se como uma estratégia de clarificação da missão e funcionamento    da Saúde Pública, integrando as suas diversas imagens societais, o modelo conceptual    sistémico de saúde pública visa facilitar a compreensão, pelos seus profissionais    e pelo público em geral, de qual a missão dos serviços de saúde pública permitindo,    igualmente, a avaliação do seu desempenho.</p>        <p >O peso crescente dos cuidados médicos e institucionais de saúde como determinantes    de saúde nas sociedades em que se encontram satisfeitas as necessidades básicas    em saúde pública — como a alimentação adequada, o saneamento e a higiene pessoal    — implica um redireccionamento dos serviços e intervenções em saúde pública    para o sistema de serviços de saúde, tendo em vista assegurar a sua eficiência    e efectividade global e específica (equidade).</p>        <p >O papel de «triagem» <i>(filtering role)</i> dos médicos dos cuidados de saúde    primários, longe de ser menorizável, é da maior relevância para a sustentabilidade    do sistema de saúde, ao assegurar a prestação de cuidados de baixo custo à generalidade    dos doentes <i>(cost shifting) </i>e a referenciação das situações clínicas    complexas — que cursam com custos elevados — para os cuidados diferenciados<i>.</i></p>        <p >Atendendo a que os cuidados diferenciados são parte integrante e relevante    do sistema de saúde, a efectividade dos serviços de saúde pública implica um    posicionamento de topo, porque abrangente da totalidade do sistema de saúde.</p>        <p >Os médicos especialistas em saúde pública terão, assim, de reforçar as suas    competências em epidemiologia do planeamento/epidemiologia dos serviços de saúde    por forma a assumirem de forma efectiva a função de «médicos do sistema de saúde».</p>        <p >Tal não significa, no entanto, que sejam secundarizadas as competências tradicionais    relativas, designadamente, à vigilância em saúde pública das doenças transmissíveis    e à gestão das ameaças directas à saúde das populações.</p>        <p >A<b> </b>reforma em curso dos cuidados de saúde primários, ao criar unidades    de saúde pública a um nível de agrupamento, «reposicionou» estes serviços para    um nível geodemográfico superior sem que, no entanto e no caso dos ACES, os    deixe de enquadrar no nível primário de cuidados de saúde.</p>        <p >Este enquadramento sistémico não potencia a capacidade de intervenção dos    serviços de saúde pública ao nível do sistema de saúde e, muito em particular,    no que diz respeito ao sector hospitalar — tradicionalmente refractário a «intromissões»    do exterior ao que acresce, nestes casos, o facto de serem oriundas de um nível    de cuidados organizacionalmente inferior.</p>        <p >Tendo em consideração o exposto e a relevância do sector hospitalar no sistema    de saúde, deverão os serviços de saúde pública ultrapassar as fronteiras do    nível primário de cuidados de saúde — onde se encontram «acantonados» desde    há várias gerações — e estabelecer uma articulação funcional efectiva com o    sector hospitalar.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >O desenho de um modelo conceptual sistémico da Saúde Pública nacional baseado    na tríade de Donabedian está dependente da publicação, iminente à data de Fevereiro    de 2009, de regulamentação relativa aos serviços de saúde pública e autoridades    de saúde e consequente explicitação da missão e funções primordiais dos serviços    de saúde pública.</p>        <p >&nbsp;</p>       <p ><b> Referências      bibliográficas</b></p>        <!-- ref --><p >Almeida, L. M. — Envelhecimento e saúde pública : a promoção do «envelhecer    activo». <i>Anamnesis.</i> 13 : 126 (2004a) 34-37. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S0870-9025201000010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p >Almeida, L. M. — Medicina, sociedade e saúde pública : a evolução da saúde    pública/medicina comunitária ao longo dos tempos. <i>Anamnesis.</i> 13: 128    (2004b) 35-38. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000227&pid=S0870-9025201000010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p >Almeida, L. M. — Da prevenção primordial à prevenção quaternária. <i>Revista    Portuguesa de Saúde Pública. </i>23 : 1 (2005) 91-96. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000228&pid=S0870-9025201000010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p >Almeida, L. M. — Da saúde pública à saúde do público : reflexões em contexto    de mudança. <i>Revista da Ordem dos Médicos</i>. 96 (2008a) 24-26. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000229&pid=S0870-9025201000010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p >Almeida, L. M. — Globalização, saúde global e diplomacia em saúde pública    : reflexões de um médico de saúde pública no 60.<sup>o</sup> aniversário da    OMS. <i>Revista da Ordem dos Médicos</i>. 89 (2008b) 32-34. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000230&pid=S0870-9025201000010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p >Almeida, L. M.; Tereso, J. M.; Pimentel, J. P. T. — Programa regional de capacitação    em saúde «Informação para uma correcta decisão» (poster). In Fórum Nacional    de Saúde, 2, Lisboa, Centro de Reuniões da FIL (Parque das Nações), 10-11 Fevereiro    de 2009 — Actas. Lisboa : Alto Comissariado da Saúde, 2009. </p>        <p >Aschengrau, A.; Seage III, G. R. — Essentials of epidemiology in public health.    Boston : Jones and Bartlett Publishers, 2008. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >Barros, P. P.; Simões, J. A. — Portugal : health system review. <i>Health    Systems in Transition</i>. 9 : 5 (2007) 1-142. </p>        <p >Bodenheimer, T.; Grumbach, K. — Improving primary care : strategies and tools    for a better practice. New York : Lange Medical Books/McGraw-Hill, 2007. </p>        <p >Brown, K. — BC health guide program : an integrated self-care platform. [Em    linha]. In Conference, British Columbia, May 30 — CPHA 97th Annual Conference:    What Determines the Public’s Health. British Columbia: Public Health Association    of BC, 2006. [Consult. em 2009/02/20]. Disponível em <a href="http://www.phabc.org/modules.php?name=Presentations&pa=%20printpage&pid=27&NS" target="_blank">http://www.phabc.org/modules.php?name=Presentations&amp;pa=    printpage&amp;pid=27&amp;NS</a>. </p>        <p >BUNKER, J. P. — The role of medical care in contributing to health improvements    within societies. <i>International Journal of Epidemiology</i>. 30 : 6 (2001)    1260-1263. </p>        <p >CANADA. CEBM — Centre for Evidence-Based Medicine — Glossary of EBM terms.    [Em linha]. Toronto, Ontario : Centre for Evidence-Based Medicine, 2000. [Consult.    em 2009/02/20]. Disponível em <a href="http://www.cebm.utoronto.ca/glossary/index.htm#e" target="_blank">http://www.cebm.utoronto.ca/glossary/index.htm#e</a>.  </p>        <p >Churchman, C. — The systems approach. New York : Delta Books, Dell Publishing    Co. Inc., 1968. </p>        <p >Clewer, A.; Perkins, D. — Economics for health care management. London : Prentice    Hall, 1998. </p>        <p >decreto-lei n.<sup>o</sup> 286/99. D.R. I Série-A. 173 (99-07-27) 4690-4694    — Estabelece a organização dos serviços de saúde pública. </p>        <p >decreto-lei n.<sup>o</sup> 222/2007. D.R. I Série. 103 (2007-05-29) 3519-3523    — Aprova a orgânica das Administrações Regionais de Saúde, I. P. </p>        <p >decreto-lei n.<sup>o</sup> 28/2008. D.R. I Série. 38 (2008-02-22) 1182-1189    — Estabelece o regime da criação, estruturação e funcionamento dos agrupamentos    de centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >decreto-lei n.<sup>o</sup> 183/2008. D.R. I Série. 171 (2008-09-04) 6225-6233    — Cria a Unidade Local de Saúde do Alto Minho, E. P. E., a Unidade Local de    Saúde do Baixo Alentejo, E. P. E., e a Unidade Local de Saúde da Guarda, E.    P. E., e aprova os respectivos estatutos. </p>        <p >DECRETO-LEI n.<sup>o</sup> 81/2009. D.R. I Série. 65 (2009-04-02) 2058-2062    — Reestrutura a organização dos serviços operativos de saúde pública a nível    regional e local, articulando com a organização das administrações regionais    de saúde e dos agrupamentos de centros de saúde. </p>        <p >DECRETO-LEI n.<sup>o</sup> 82/2009. D.R. I Série. 65 (2009-04-02) 2062-2065    — Estabelece o regime jurídico da designação, competência e funcionamento das    entidades que exercem o poder de autoridades de saúde. </p>        <p >Dever, G. E. A. — Managerial epidemiology : practice, methods and concepts.    Boston : Jones and Bartlett Publishers, 2006. </p>        <p >Donabedian, A. — Concepts of health care quality : a perspective. Washington    DC : Institute of Medicine. National Academy of Sciences, 1974. </p>        <p >Durán, H. — Planeamento da saúde : aspectos conceptuais e operativos. Lisboa    : Departamento de Estudos e Planeamento da Saúde. Ministério da Saúde, 1989.  </p>        <p >Ferreira, F. A. G. — Saúde pública : higiene, medicina preventiva, medicina    social, administração e legislação sanitária. Porto : Livraria Fernando Machado,    1963. </p>        <p >Fos, P. J.; Fine, D. J. — Managerial epidemiology for health care organizations.    2<sup>nd</sup> edition. San Francisco : Jossey-Bass, 2005. </p>        <p >Frenk, J. — Obituary : Avedis Donabedian. <i>Bulletin of the World Health    Organization</i>. 78 : 12 (2000) 1475. </p>        <p >Greenberg, R. S. <i>et al</i>. — Medical epidemiology. New York&nbsp;: Lange    Medical Books/McGraw-Hill, 2005. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >HANDLER, A.; ISSEL, M.; TURNOCK, B. — A conceptual framework to measure performance    of the public health system. <i>American Journal of Public Health</i>. 91 :    8 (2001) 1235-1239. </p>        <p >Issel, L. M. — Health planning and evaluation : a practical, systematic approach    for community health. Boston : Jones and Bartlett Publishers, 2009. </p>        <p >khaliQ, A. A.; smego jr, r. a. — Global health : past, present and future.    In MARKLE, W. H.; FISHER, M. A.; SMEGO JR, R. A., ed. lit. — Understanding global    health. New York : McGraw-Hill Medical, 2007. 1-18. </p>        <p >Koplan, J. P.; Thacker, S. B.; Lezin, N. A. — Epidemiology in the 21<sup>st</sup>    century : calculation, communication and intervention. <i>American Journal of    Public Health</i>. 89 : 8 (1999) 1153-1155. </p>        <p >Krause, D. S. — Economic effectiveness of disease management programs. <i>Disease    Management</i>. 8 : 2 (2005) 114-134. </p>        <p >LEI n.<sup>o</sup> 81/2009. D.R. I Série.162 (2009-08-21) 5491-5495 — Institui    um sistema de vigilância em saúde pública, que identifica situações de risco,    recolhe, actualiza, analisa e divulga os dados relativos a doenças transmissíveis    e outros riscos em saúde pública, bem como prepara planos de contingência face    a situações de emergência ou tão graves como de calamidade pública. </p>        <p >McKee, M.; Healy, J. — The role of the hospital in a changing environment.    <i>Bulletin of the World Health Organization</i>. 78 : 6 (2000) 803-810. </p>        <p >Merson, M. H.; Black, R. E.; Mills, A. J., ed. lit. — International public    health : diseases, programs, systems and  policies. Boston : Jones and Bartlett    Publishers, 2006. </p>        <p >Murray, C. J. L.; Evans, D. B. — Health systems performance assessment : goals,    framework and overview. In Murray, C. J. L., Evans, D. B., ed. lit. — Health    systems performance assessment : debates, methods and empiricism. Geneva : WHO,    2003. 3-18. </p>        <p >UK. National Health Service — What is self care? London : NHS, 2009. [Em linha].    [Consult. em 2009/02/20]. Disponível em <a href="http://www.nhs.uk/yourhealth/Pages/Whatisselfcare.aspx" target="_blank">http://www.nhs.uk/yourhealth/Pages/Whatisselfcare.aspx</a>.  </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >OECD — ORGANIZATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AN DEVELOPMENT — A system for    health accounts : Joint OECD-Eurostat-WHO Health Accounts (SHA) Data Collection    (total health expenditure as % of GDP 2003-2006). Paris : OECD, [2007]. [Em    linha]. [Consult. em 2009/02/20]. Disponível em <a href="http://www.oecd.org/document/8/0,3343,en_2649_34631_2742536_1_1_1_1,00.html" target="_blank">http://www.oecd.org/document/8/0,3343,en_2649_34631_2742536_1_1_1_1,00.html</a>.  </p>        <p >Paasche-Orlow, M. K.; Parker, R. M. — Improving the effectiveness of patient    education : a focus on limited health literacy. In King Jr., T. E.; Wheeler,    M. B., ed. lit. — Medical management of vulnerable and underserved patients    : principles, practice and populations. New York : McGraw-Hill, 2007. 101-109.  </p>        <p >Pickstone, J. — Medicine, society and the state. In Porter, R., ed. lit. —    The Cambridge illustrated history of medicine. Cambridge : Cambridge University    Press, 2001. 304-341. </p>        <p >Porzsolt, F.; Kaplan, R. M. — «CLINECS» : strategy and tactics to provide    evidence of the usefulness of health care services from the patient’s perspective    (value for patients). In Porzsolt, F.; Kaplan, r. m., ed. lit. — Optimizing    health : improving the value of healthcare delivery. New York : Springer, 2006.    1-9. </p>        <p >Rosen, G. — A history of public health. Baltimore : John Hopkins University    Press, 1993. </p>        <p >Rychetnik, L. <i>et al</i>. — A glossary for evidence-based public health.    <i>Journal of Epidemiology &amp; Community Health</i>. 58 : 7 (2004) 538-545.  </p>        <p >Schillinger, D.; Villela, T. J.; Saba, G. W. — Creating a context for effective    intervention in the clinical care of vulnerable patients. In King Jr, T. E.;    Wheeler, M. B., ed. lit. — Medical management of vulnerable and underserved    patients : principles, practice and populations. New York : McGraw-Hill, 2007.    59-67. </p>        <p >Ståhl, T.<i> et al</i>. — Health in all policies : prospects and potentials.    Helsinki, Finland: Ministry of Social Affairs and Health, 2006. </p>        <p >Tarricone, R.; Tsouros, A. D. — Home care in Europe. Geneva : World Health    Organization, 2008. </p>        <p >Turnock, B. J. — Public health : what it is and how it works. 3<sup>rd </sup>edition.    Boston : Jones and Bartlett Publishers, 2004. </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p >USA. Institute of Medicine — The future of public health. Washington, DC :    National Academy Press, 1988. </p>        <p >USA. Institute of Medicine — Primary care : America’s health in a new era.    Washington DC : National Academies Press, 1996. </p>        <p >USA. Institute of Medicine — Priority areas for national education : transforming    health care quality. Washington, DC : National Academies Press, 2003. </p>        <p >Wachter, R. M. — Understanding patient safety. New York : McGraw-Hill Medical,    2008. </p>        <p >Waghorn, A.; McKee, M.; Thompson, J. — Surgical outpatients : challenges and    responses. <i>British Journal of Surgery</i>. 84 : 3 (1997) 300-307. </p>        <p >Wenzel, R. P. — Control of communicable diseases. In Wallace, R. B., ed. lit.    — Maxcy-Rosenau : last public health and preventive medicine. Stamford : Appleton    &amp; Lange, 1998.  69-71. </p>        <p >WHO — Active ageing : a policy framework. Geneva : World Health Organization,    2002. </p>        <p >WHO — Technical Report Series 898 : home-based long-term care. Geneva : World    Health Organization, 2000. </p>        <p >Yach, D. <i>et al</i>. — Chronic diseases and risks. In Merson, M. H.; Black,    R. E.; Mills, A. J., ed. lit. — International public health : diseases, programs,    systems and policies. Boston : Jones and Bartlett Publishers, 2006. 273-322.  </p>        <p >Zweifel, P.; Dreyer, F. — Health economics. New York : Oxford University Press,    1997. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p >&nbsp;      </p>        <p ><b>Notas</b></p>        <p ><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> Entretanto (Abril de 2009)    foi publicada legislação relativa à organização dos serviços operativos de saúde    pública (decreto-lei nº 81/2009) e às regras de funcionamento das entidades    que exercem o poder de autoridade de saúde (decreto-lei nº 82/2009) – ambos    os diplomas legais em vigor desde Julho de 2009.</p>     <p >Aquilo que poderemos designar de “funções e serviços essenciais” da Saúde    Pública nacional encontram-se discriminados no artigo 3º do decreto-lei nº 81/2009    de 2 de Abril. Aos serviços operativos de saúde pública (USP e departamentos    de saúde pública das ARS) incumbe, designadamente, a identificação das necessidades    de saúde das populações das respectivas áreas de intervenção, a monitorização    do seu estado de saúde e dos determinantes de saúde, a gestão de programas e    projectos em saúde pública (<i>eg.</i> vacinação, saúde escolar e saúde oral)    e a avaliação do impacte das intervenções em saúde, integrando, ainda, o poder    de autoridade de saúde. A coordenação da USP (serviço de saúde pública de âmbito    local) é assegurada, por inerência, pelo delegado de saúde (autoridade de saúde    de <i>nível</i> municipal); a direcção do serviço de saúde pública de âmbito    regional (departamento de saúde pública da ARS) é, analogamente, assegurada    pelo delegado de saúde regional (autoridade de saúde de <i>âmbito</i> regional).</p>     <p > Posteriormente (Agosto de 2009), foi publicada a Lei nº 81/2009 que estabelece    um sistema de vigilância em saúde pública e cria uma rede nacional de informação    epidemiológica (<i>web-based)</i> designada SINAVE (Sistema Nacional de Informação    de Vigilância Epidemiológica). Este diploma revoga a legislação relativa às    doenças transmissíveis de declaração obrigatória, com mais de 60 anos (Lei nº    2036 de 9 de Agosto de 1949), e introduz a notificação laboratorial (em tempo    real) destas doenças.</p>     <p > Ao prever a recolha/captura e processamento de dados relativos a <i>“fenómenos    insólitos, inesperados ou surtos de doenças transmissíveis de origem desconhecida”</i>    a Lei nº 81/2009 de 21 de Agosto integra o novo conceito da “informação epidemiológica”    <i>(epidemic intelligence)</i> tornando, desta forma, o sistema de saúde pública    nacional mais consistente com o novo paradigma de Saúde Pública pós-11 de Setembro    [de 2001] de gestão de ameaças ao invés da mera resposta a acontecimentos (proactividade    <i>versus</i> reactividade).</p>     <p >&nbsp;</p>        <p ><i>Submetido à apreciação: 12 de Março de 2009</i></p>     <p ><i>Aceite para publicação: 14 de Abril de 2010</i></p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Almeida]]></surname>
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