<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0870-9025</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Port. Sau. Pub.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0870-9025</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0870-90252010000200004</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A influência da satisfação profissional no absentismo laboral]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The influence of job satisfaction on job absenteeism]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Agapito]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sandra Marreiros]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sousa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Fernando Cardoso de]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
<xref ref-type="aff" rid="A04"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Hospital de Faro, E.P.E  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Faro ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,INUAF - Instituto Superior Dom Afonso III  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Loulé ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,UAlg - Universidade do Algarve CIEO - Centro de Investigação do Espaço e das Organizações ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A04">
<institution><![CDATA[,APGICO - Associação Portuguesa de Criatividade e Inovação  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>28</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>132</fpage>
<lpage>139</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0870-90252010000200004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0870-90252010000200004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0870-90252010000200004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Introdução: O presente artigo visa comprovar que a satisfação dos profissionais administrativos e auxiliares de acção médica, de uma instituição de saúde pública, difere de acordo com o seu grau de absentismo laboral percebido. Material e métodos: Um questionário adaptado da Escala de Satisfação Profissional, de Lima, Vala e Monteiro (1994), foi administrado a uma amostra de oportunidade de 200 sujeitos (77 administrativos e 123 auxiliares de acção médica). Resultados: A análise das respostas permitiu concluir que a satisfação profissional influenciava o absentismo laboral e verificou-se que tal não ocorria em todos os aspectos que compõem a satisfação profissional mas, fundamentalmente, nos relativos ao factor Satisfação fundamental, exclusivamente na Relação com os colegas, na categoria profissional dos Auxiliares de acção médica; e no factor Condições materiais, sobretudo nas Perspectivas de promoção, na categoria dos Administrativos. Conclusões: A particularização desta análise revelou duas populações significativamente diferentes quanto aos factores que afectavam o seu sentimento de satisfação, com implicações no absentismo, sugerindo, como recomendações, uma atenção suplementar à justiça distributiva e procedimental aplicada ao trabalho por turnos, nos primeiros, bem como à ligação entre o absentismo e o grau de satisfação com aspectos materiais, no caso dos segundos.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: This study aims at providing evidence that the job satisfaction of a sample of administrative personnel and medical assistants, in a public health institution, differs according with the degree of perceived job absenteeism. Material and methods: A questionnaire adapted from the Professional Satisfaction Scale (Lima, Vala & Monteiro, 1994), was administered to a sample of opportunity of 200 subjects (77 administrative personnel and 123 medical assistants). Results: The analyses of the answers allowed to conclude that job satisfaction influenced absenteeism, and this influence was not detected in every aspect of professional satisfaction but only in those related with the factor Fundamental satisfaction (only in Relationships with colleagues), in the category of Medical assistants; and in the factor Material conditions, especially in Promotion perspectives, in the category of Administrative personnel. Conclusions: The analyses revealed two different populations as to the factors which affected their feelings of satisfaction, in its relationship with absenteeism, suggesting, as recommendations, a particular attention to procedural and distributive justice to the job shift system in use, with the former, as well as to the connection between absenteeism and the degree of satisfaction with material aspects, in the later.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Satisfação profissional]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Absentismo laboral]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Job satisfaction]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Job absenteeism]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <P><b>A influência da satisfação profissional no absentismo laboral</b></P>      <P>&nbsp;</P>      <P>Sandra Marreiros Agapito<SUP>a</SUP>, Fernando Cardoso de Sousa <SUP>b</SUP> </P>      <P><SUP>a</SUP>Área de Gestão, Hospital Faro, Faro, Portugal</P>     <P><SUP>b</SUP>Instituto Superior Dom Afonso III, Loulé; Centro de Investigação  do Espaço e das Organizações (CIEO), Universidade do Algarve; presidente da  direcção da APGICO (Associação Portuguesa de Criatividade e Inovação), <A  href="mailto:cardoso_sousa@hotmail.com">cardoso_sousa@hotmail.com</A></P>      <P>&nbsp;</P>      <P><B>Resumo</B></P>     <P>Introdução: O presente artigo visa comprovar que a  satisfação dos profissionais administrativos e auxiliares de acção médica, de  uma instituição de saúde pública, difere de acordo com o seu grau de absentismo  laboral percebido.</P>      <P>Material e métodos: Um questionário adaptado da Escala de  Satisfação Profissional, de Lima, Vala e Monteiro (1994), foi administrado a uma  amostra de oportunidade de 200 sujeitos (77 administrativos e 123 auxiliares de  acção médica).</P>      <P>Resultados: A análise das respostas permitiu concluir que a  satisfação profissional influenciava o absentismo laboral e verificou–se que tal  não ocorria em todos os aspectos que compõem a satisfação profissional mas,  fundamentalmente, nos relativos ao factor Satisfação fundamental, exclusivamente  na Relação com os colegas, na categoria profissional dos Auxiliares de acção  médica; e no factor Condições materiais, sobretudo nas Perspectivas de promoção,  na categoria dos Administrativos.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Conclusões: A particularização desta análise  revelou duas populações significativamente diferentes quanto aos factores que  afectavam o seu sentimento de satisfação, com implicações no absentismo,  sugerindo, como recomendações, uma atenção suplementar à justiça distributiva e  procedimental aplicada ao trabalho por turnos, nos primeiros, bem como à ligação  entre o absentismo e o grau de satisfação com aspectos materiais, no caso dos  segundos.</P>       <P><B>Palavras-chave: </B>Satisfação profissional, Absentismo laboral</P>      <P>&nbsp;</P>      <P><b>The influence of job satisfaction on job absenteeism</b></P>      <P><B>Abstract</B></P>      <P>Introduction: This study aims at providing evidence that  the job satisfaction of a sample of administrative personnel and medical  assistants, in a public health institution, differs according with the degree of  perceived job absenteeism.</P>      <P>Material and methods: A questionnaire adapted from  the Professional Satisfaction Scale (Lima, Vala &amp; Monteiro, 1994), was  administered to a sample of opportunity of 200 subjects (77 administrative  personnel and 123 medical assistants).</P>      <P>Results: The analyses of the answers  allowed to conclude that job satisfaction influenced absenteeism, and this  influence was not detected in every aspect of professional satisfaction but only  in those related with the factor Fundamental satisfaction (only in Relationships  with colleagues), in the category of Medical assistants; and in the factor  Material conditions, especially in Promotion perspectives, in the category of  Administrative personnel.</P>      <P>Conclusions: The analyses revealed two different  populations as to the factors which affected their feelings of satisfaction, in  its relationship with absenteeism, suggesting, as recommendations, a particular  attention to procedural and distributive justice to the job shift system in use,  with the former, as well as to the connection between absenteeism and the degree  of satisfaction with material aspects, in the later.       <P><B>Keywords: </B>Job satisfaction, Job absenteeism</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>      <P><B>Introdução </B></P>      <P>Este artigo tem como finalidade demonstrar a influência da satisfação  profissional no absentismo laboral dos profissionais das categorias  administrativas e auxiliares de acção médica de uma instituição de saúde  pública.</P>     <P>No contexto dos recursos humanos afectos ao sector da saúde, em Portugal, em  particular ao nível do SNS, os sectores designados em 2006 por administrativo e  auxiliar de acção médica englobam os grupos sócio profissionais mais  representativos, conforme dados estatísticos do Ministério da Saúde. De acordo  com estes dados, estas duas categorias profissionais reuniam 35 % da totalidade  dos funcionários do SNS (10 % de administrativos e 25 % de auxiliares de acção  médica), o que demonstra a importância de manter o absentismo baixo, nestas duas  categorias, sob pena de repercussões negativas na qualidade dos serviços que se  prestam aos utentes e do normal funcionamento das instituições. </P>      <P>&nbsp;</P>      <P><I><B>Satisfação profissional </B></I></P>     <P>A satisfação no trabalho tem-se mostrado de grande interesse para os  investigadores, no âmbito da psicologia do trabalho, que tendem a centrar os  seus estudos sobre o desempenho profissional do trabalhador nas relações com  outras variáveis importantes, tais como a produtividade, o absentismo e o<I>  turnover</I>, constituindo a satisfação no trabalho numa das variáveis  dependentes mais importantes no âmbito da investigação organizacional  <SUP>1</SUP>.</P>     <P>Conforme indicado por Robbins <SUP>2</SUP>, podemos definir<I> satisfação  profissional</I> como uma atitude geral do indivíduo sobre o seu trabalho, que  consiste na diferença entre a quantidade de recompensas que recebe e a  quantidade que acredita que deveria receber. A satisfação profissional deveria  ser um dos objectivos legítimos de uma organização, não porque esteja comprovado  que os empregados satisfeitos sejam mais produtivos do que os insatisfeitos, mas  porque vai influenciar a qualidade de vida dos trabalhadores. Logo, as  organizações têm a responsabilidade de proporcionar aos seus empregados  trabalhos desafiantes e recompensadores, não só ao nível monetário, mas também  ao nível do crescimento profissional.</P>     <P>Segundo Vala e outros <SUP>3</SUP>, os factores que determinam a satisfação  profissional dos trabalhadores são as<I> perspectivas de promoção, organização e  funcionamento do departamento onde trabalham, relação com os colegas de  trabalho, remuneração que recebem, competência do superior imediato, trabalho  que realizam e condições de trabalho</I>, podendo cada um deles influenciar os  indivíduos de formas diferentes. Estes factores constituíram a escala de  satisfação profissional, utilizada para a construção do questionário que serviu  para a recolha de dados para este estudo.</P>     <P>A satisfação laboral é um indicador importante do clima organizacional e da  satisfação do cliente, sendo um elemento determinante na avaliação da qualidade  das organizações. Apesar da relação entre a satisfação e a qualidade das  organizações não ser linear, há quem aponte <SUP>4</SUP> a existência de uma  relação entre a satisfação e outras variáveis sócio-demográficas (profissão,  antiguidade, cargo ou função) e comportamentos ou intenções comportamentais,  nomeadamente, o<I> turnover</I>, o absentismo, o stress, entre outras. Esta  influência aparece particularizada noutros estudos como o de Herzberg e outros  <SUP>5</SUP>, que concluiu não haver diferenças na satisfação devidas ao sexo,  ou o de Santos <SUP>6</SUP>, sobre a ausência de influência das habilitações  literárias, ao contrário do que acontece com outras variáveis como a idade que,  para alguns autores, é considerada uma variável influente <SUP>6,7</SUP>, assim  como a segurança no trabalho <SUP>8</SUP>. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><I><B>Absentismo laboral </B></I></P>     <P>De acordo com Robbins <SUP>2</SUP>, o custo anual do absentismo laboral  estava estimado num valor superior a 40 biliões de dólares, nas empresas  norte-americanas, sendo que um dia de falta de um trabalhador representava um  custo médio de 100 dólares. Já na Alemanha, o absentismo nas empresas  industriais custava mais de 35,5 milhões de dólares por ano. Estes números  mostram bem a importância que reveste para as organizações manter o absentismo  baixo, sabendo nós que é difícil, se não impossível, para uma organização,  trabalhar normalmente e cumprir os seus objectivos se os seus trabalhadores não  comparecem ao trabalho.</P>     <P>Em Portugal, o sector da saúde pública é dos sectores económicos que  apresenta as maiores taxas de absentismo laboral, conforme nos mostram as  estatísticas oficiais, sendo as doenças não profissionais a causa mais  relevante, conforme relatórios do Departamento de Estudos, Prospectiva e  Planeamento, do Ministério da Segurança Social e do Trabalho <SUP>9</SUP>.</P>     <P>O<I> absentismo laboral</I> pode-se então definir como um fenómeno de  etiologia multifactorial <SUP>10</SUP>, caracterizado por ausências não  previstas ao trabalho, que têm reflexos directos ou indirectos nos custos das  empresas, sendo que, no sector da saúde, este fenómeno tem repercussões  negativas na qualidade dos serviços prestados aos utentes.</P>     <P>Para Mallada <SUP>11</SUP>, no seu estudo sobre a gestão do absentismo ao  trabalho nas empresas espanholas, o absentismo é toda a ausência de um indivíduo  ao seu posto de trabalho, nas horas que correspondem a um dia de trabalho,  dentro da jornada legal de trabalho, sendo que as férias e os feriados não são  considerados. Para além disso, considera que o absentismo é um fenómeno  sociológico, que tem directamente a ver com a atitude do indivíduo e da  sociedade perante o trabalho. Tudo o que proporcione uma atitude positiva e  adequada, tal como a integração, a satisfação e a motivação, faz com que ocorra  um absentismo menor; em contrapartida, tudo aquilo que deteriore a relação do  trabalhador com a organização, nomeadamente a estagnação da carreira, tarefas  monótonas e repetitivas, baixo salário e falta de reconhecimento, entre outros,  leva a um aumento do absentismo.</P>     <P>Uma vez que o combate ao absentismo laboral passa pela sua prevenção, é  necessário um conhecimento aprofundado das suas causas e relações. Tendo em  conta que o absentismo laboral numa unidade hospitalar pode pôr em causa a  qualidade dos serviços prestados e que a população em estudo representava 35 %  da totalidade dos funcionários do SNS, mostra-se pertinente o desenvolvimento de  estudos sobre o absentismo existente, nestas categorias profissionais  (administrativa e auxiliar de acção médica).</P>     <P>A literatura sobre as reacções comportamentais a condições organizacionais  adversas tem considerado, essencialmente, dois tipos de resposta por parte dos  trabalhadores de uma organização à insatisfação: o<I> turnover </I>e o  absentismo. Sobre este último, é de salientar a existência de estudos em que se  verificou existir uma relação efectiva entre a satisfação profissional e o  absentismo. Com efeito, Locke <SUP>12</SUP> verificou que existe uma relação  negativa e consistente entre a satisfação profissional e o absentismo, tal como  noutros estudos mencionados por Robbins <SUP>2</SUP>, bem como as relatadas por  Hackman e Lawler <SUP>8</SUP>, em que as faltas são consideradas como  consequências e efeitos da insatisfação. Outros autores, citados por Francês  <SUP>7</SUP>, referem a ausência de influência.</P>     <P>Com a realização deste trabalho procuramos verificar de que forma a  satisfação profissional pode influenciar o absentismo e quais os factores que  lhe estão relacionados. Assim, de forma a servir de linha de orientação para  este estudo, criámos a seguinte pergunta de partida:<I> A satisfação  profissional dos administrativos e auxiliares de acção médica, de uma  instituição de saúde pública, difere de acordo com o seu grau de absentismo  percebido? </I>A resposta positiva a esta pergunta constituiu a hipótese de  investigação.</P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Método </B></P>     <P><I><B>Sujeitos </B></I></P>     <P>De acordo com o<I> Balanço Social</I> de 2006, a população em estudo era  constituída por um total de 1971 funcionários de uma grande instituição de saúde  pública, distribuídos pelas diversas categorias profissionais, sendo as  categorias com mais indivíduos, a de enfermagem, seguida pelos serviços gerais  (incluía auxiliares de acção médica e de apoio e vigilância), médica e  administrativa.</P>     <P>A amostra do presente estudo cifrou-se em 200 indivíduos, englobando 77  administrativos e 123 auxiliares de acção médica, representando 35 % e 30 %,  respectivamente, da população em estudo. Tratou-se, essencialmente, de uma  população do género feminino, com apenas 16 % pertencendo ao género  masculino.</P>     <P>Os inquiridos eram maioritariamente casados, com o ensino secundário e  complementar (37 % com o ensino básico e 3 % com licenciatura) e encontravam-se  na base das suas categorias profissionais (60 %). Dos restantes, 21 % dos  administrativos e 19 % dos auxiliares de acção médica possuíam já categoria  diferenciada. A maioria em estudo tinha mais de 16 anos de antiguidade (30 %),  com apenas 5 % dos indivíduos tendo entrado na organização há menos de 1 ano.  Setenta por cento pertenciam aos quadros permanentes da instituição e apenas 30  % eram contratados.</P>     <P>Relativamente ao absentismo, 53 % da amostra disse não ter faltado dia nenhum  ao trabalho, no ano de 2006. Quantos aos restantes, os motivos mais frequentes  das ausências relatadas deveram-se a doença do próprio (59 %), seguindo-se  motivos familiares e pessoais (23 %), e questões sociais, nomeadamente casamento  e nascimento, entre outros motivos (18 %). </P>     <P>&nbsp;</P>     <P><I><B>Procedimento </B></I></P>     <P>Duzentos sujeitos, correspondendo a cerca 10 % do efectivo da empresa e 35 %  da população em estudo, preencheram o questionário, elaborado com o objectivo de  determinar se a satisfação profissional influenciava o absentismo laboral. Este  questionário constituiu uma adaptação da<I> Escala de Satisfação  profissional</I>, de Lima, Vala e Monteiro <SUP>1</SUP>, constituída por oito  itens de resposta fechada em que se perguntava aos inquiridos o grau de  satisfação relativamente: às<I> Perspectivas de promoção, Organização e  Funcionamento do departamento onde trabalhava, Relação com os colegas de  trabalho, Remuneração que recebia, Competência do superior imediato, Trabalho  que realizava, Condições de trabalho e a Satisfação profissional no seu  todo</I>. Utilizou-se uma escala tipo<I> Likert</I>, de 5 pontos (1 = nada  satisfeito; 5 = muito satisfeito). Na última parte do questionário perguntava-se  se tinha faltado no ano anterior (sim ou não) e quais os motivos dessas  ausências (familiares, saúde ou sociais), juntamente com as questões relativas  às variáveis sócio-demográficas, também categorizadas (sexo, idade, estado  civil, habilitações, antiguidade, categoria profissional, nível na carreira e  tipo de vínculo).</P>     <P>O questionário foi distribuído a uma amostra de conveniência de 237  indivíduos (35 % da população), nas duas categorias profissionais em análise,  onde houve a preocupação de respeitar a proporção de elementos destas categorias  em cada um dos serviços da instituição (81 administrativos e 156 auxiliares de  acção médica). Dos 237, conseguiram-se obter 200 questionários correctamente  preenchidos (77 administrativos e 123 auxiliares de acção médica).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><B>Resultados </B></P>     <P>Fazendo uma análise descritiva dos resultados das respostas ao questionário,  verificou-se que as médias da escala de Satisfação profissional se situaram  próximo de 3,0, o que quer dizer que a amostra em estudo se encontrava  medianamente satisfeita, excepto nas<I> Perspectivas de promoção</I> (2,7) e  na<I> Remuneração</I> (2,4), ainda que com apreciável dispersão de opiniões (DP  &gt; 1). A média mais elevada foi a da<I> Relação com os colegas</I> (4,0),  seguida da<I> Competência do superior imediato</I> e do<I> Trabalho que  realizava</I>, ambos com 3,8.</P>     <P>Com o objectivo de identificarmos um conjunto menor de variáveis ou factores  e de forma a reduzir a complexidade da análise, com um mínimo de perda de  informação, recorremos ao estudo factorial da escala. Assim, após extracção dos  componentes principais e rotação<I> varimax</I>, foram obtidos dois factores (ou  componentes), com valores próprios (<I>eigenvalues</I>) superiores a 1, os quais  explicaram 55 % da variância total do questionário, conforme indicado na tabela  1. Desta forma, com apenas dois factores, conseguimos obter 54,5 % da informação  que se obteria com todos os 8 itens iniciais, o que vem em abono da validade de  constructo do questionário.</P>     <P>&nbsp;</P>     <p><b>Tabela 1</b></p>     <p><b>Saturações de cada item da escala de satisfação profissional, após rotação Varimax, e respectiva percentagem de variância explicada</b></p> <img src="/img/revistas/rpsp/v28n2/28n2a04t1.jpg">      
<P>&nbsp;</P>     <P>Aqui, o factor<I> Satisfação fundamental</I> refere-se ao conjunto dos itens  relacionados com a satisfação profissional, ao nível orgânico e social; o  factor<I> Condições materiais</I> comporta os itens relativos à satisfação com a  retribuição sobre o trabalho. Os valores da consistência interna de cada factor  (Alfa de Cronbach) são relativamente fracos (<I>Satisfação fundamental</I>,  0,74;<I> Condições materiais</I>, 0,60), o que se compreende devido ao reduzido  número de itens em cada factor.</P>     <P>Retomando a hipótese central desta investigação (a satisfação profissional  está relacionada com a taxa de absentismo laboral da população em estudo), e  partindo dos factores de satisfação anteriormente identificados, cruzámos com a  variável independente<I> Dias de falta no ano transacto</I>, tendo verificado a  existência de uma relação entre estas duas variáveis (p &lt; .01). Neste sentido  apurámos que, ao nível do factor<I> Satisfação fundamental</I>, os sujeitos que  disseram nunca ter faltado ao trabalho (N = 105) tinham uma média de 3,7,  superior aos que disseram ter faltado (N = 95; Média = 3,5). No factor<I>  Condições materiais,</I> verificámos que ambas as médias tinham valores  semelhantes (2,5; p &lt; .90).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Analisou-se, seguidamente, a influência das oito variáveis sócio-demográficas  consideradas no instrumento utilizado para recolha de informação. Destas, apenas  as<I> Habilitações literárias</I>, a<I> Categoria profissional</I> e o<I> Nível  na carreira</I> pareceram ter alguma influência sobre a satisfação. No entanto,  e uma vez que a finalidade do estudo tinha a ver com a relação entre o  absentismo e o grau de satisfação, desdobrámos a amostra entre os que disseram  não ter faltado no ano transacto e os que admitiram o contrário, colocando as  variáveis sócio-demográficas no papel de moderadoras.</P>     <P>Começámos por verificar (com valores do<I> Qui-Quadrado</I> sempre  significativos), que o cruzamento da percentagem de sujeitos que declararam ter  faltado era sempre inferior à oposta, relativamente às<I> Habilitações  literárias</I>,<I> Categoria profissional</I> e<I> Nível na carreira</I>,  excepto entre os<I> Administrativos diferenciados</I>, em que a percentagem de  declarações de falta era superior (57 %) às de ausência de falta.</P>     <P>Seguidamente e tal como mostram as tabelas 2, 3 e 4, no caso dos que disseram  não ter faltado, nenhuma das variáveis sócio-demográficas apresentou diferenças  quanto ao grau de satisfação, no factor<I> Satisfação fundamental</I>. No  entanto, ao colocarmos o factor<I> Condições materiais</I> como variável  dependente, apareceram diferenças significativas entre os graus relativos às<I>  Habilitações, Categoria e Nível na carreira.</I> Ainda dentro da fracção que  declarou não ter faltado, dissociámos este factor nos seus itens, para concluir  que a diferença se reportava, fundamentalmente, às<I> Perspectivas de  promoção</I>, no caso dos<I> Administrativos</I>, e à<I> Remuneração</I>, no  caso dos<I> Administrativos diferenciados</I>. Ainda relativamente às<I>  Perspectivas de promoção,</I> nos possuidores do<I> Nível básico</I> de  habilitações, a média da satisfação foi de 3,2, e de 2,2 (p &lt; .00) nos que  possuíam habilitações ao nível do<I> Secundário, complementar e superior</I>;  bem como entre os<I> Auxiliares de acção médica</I> (3,0) e os<I>  Administrativos</I> (1,9). De notar, entretanto, que, enquanto a quase  totalidade dos<I> Auxiliares</I> tinha apenas a habilitação básica, mais de dois  terços dos<I> Administrativos</I> possuía habilitação ao nível do secundário,  complementar ou superior.</P>     <P>&nbsp;</P>     <p><b>Tabela 2</b></p>     <p><b>Médias obtidas por nível de habilitações, em cada factor, e respectiva significância da diferença, nas condições de falta e não falta ao trabalho</b></p> <img src="/img/revistas/rpsp/v28n2/28n2a04t2.jpg">      
<P>&nbsp;</P>     <p><b>Tabela 3</b></p>     <p><b>Médias obtidas por categoria profissional, em cada factor, e respectiva significância da diferença, nas condições de falta e não falta ao trabalho</b></p> <img src="/img/revistas/rpsp/v28n2/28n2a04t3.jpg">      
<P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Tabela 4</b></p>     <p><b>Médias obtidas por nível na carreira, em cada factor, e respectiva significância da diferença, nas condições de falta e não falta ao trabalho</b></p> <img src="/img/revistas/rpsp/v28n2/28n2a04t4.jpg">      
<P>&nbsp;</P>     <P>Relativamente aos que declararam ter faltado, a ausência de diferença em  todas as variáveis sócio-demográficas, quanto ao grau de satisfação, no  factor<I> Satisfação fundamental</I>, deixou de se verificar quando dissociado o  factor nos seus itens (tabela 5), revelando a existência de diferença (p &lt;  .01) entre os<I> Auxiliares</I> (3,7) e<I> Administrativos</I> (4,1), no item<I>  Relações com os colegas</I>. Alteraram-se, também, as relativas ao factor<I>  Condições materiais</I>, deixando de haver diferença relativamente à<I>  Categoria profissional</I> (nem mesmo nas<I> Perspectivas de promoção</I>).  Relativamente às<I> Habilitações</I>, passou a haver diferença em todos os itens  do factor (tabela 6). Entre os que disseram ter faltado, o<I> Estado civil</I>  revelou-se igualmente importante, com os<I> solteiros</I> a mostrarem-se mais  satisfeitos (3,2) que os<I> casados</I> (2,2) mas só relativamente à<I>  remuneração</I> (p &lt; .03), como se compreende. Neste caso, e uma vez que a  distribuição do estado civil era homogénea nos vários grupos, a avaliação do  grau de satisfação parece não ter sido contaminada por outras variáveis.</P>     <P>&nbsp;</P>     <p><b>Tabela 5</b></p>       <p><b>Médias obtidas em cada item do factor “satisfação fundamental” dos indivíduos que declararam ter faltado ao serviço e respectiva significância da diferença</b></p> <img src="/img/revistas/rpsp/v28n2/28n2a04t5.jpg">      
<P>&nbsp;</P>     <p><b>Tabela 6</b></p>        <p><b>Médias obtidas por categoria profissional em cada item do factor “condições materiais” dos indivíduos que declararam ter faltado ao serviço e respectiva significância da diferença</b></p> <img src="/img/revistas/rpsp/v28n2/28n2a04t6.jpg">      
]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P>Resumindo a acção moderadora das variáveis sóciodemográficas entre o  absentismo e a satisfação: </P>     <P>&#151; Entre os que disseram não ter faltado, as diferenças de avaliação do grau  de satisfação parecem concentrar-se no item<I> Perspectivas de promoção</I>, com  a média mais negativa nos<I> Administrativos</I>, em geral com habilitações mais  elevadas e, sobretudo, nos<I> Administrativos diferenciados</I> (1,9), em claro  contraste (p &lt; .00) com os<I> Auxiliares diferenciados</I> (3,4). A maior  habilitação literária potencia as razões de menor satisfação mas parece não ser  suficiente, por si só, para provocar a falta ao serviço;</P>     <P>&#151; Entre os que afirmaram ter faltado, se exceptuarmos o<I> Estado civil</I>  como razão de falta e apesar da diferença relativa às habilitações se estender a  todos os itens do factor<I> Condições materiais</I>, é nas<I> Relações entre  colegas</I>, na categoria dos<I> Auxiliares</I> (sobretudo no nível de base) que  parece residir a razão mais forte de absentismo;</P>     <P>&#151; Um resultado obtido, de interpretação não totalmente clara, prende-se com o  facto dos sujeitos do nível<I> Administrativo diferenciado</I>, que disseram não  ter faltado, revelarem menos satisfação com as<I> Perspectivas de promoção</I>  (1,9) do que os que afirmaram ter faltado (2,5; p &lt; .02) quando, em  princípio, deveria ser exactamente ao contrário. No entanto, como já vimos, os  sujeitos deste nível foram os únicos em que a percentagem dos que disseram ter  faltado foi superior à dos que disseram não ter faltado.</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><B>Discussão </B></P>     <P>Com este estudo pretendemos contribuir para o desenvolvimento da investigação  sobre a satisfação profissional em meio hospitalar, através de uma pesquisa  sobre o impacto e influência desta no absentismo laboral.</P>     <P>Recordando a hipótese central desta investigação,<I> a satisfação  profissional difere de acordo com o grau de absentismo laboral (percebido) da  população em estudo</I>, podemos, assim, concluir que este objectivo foi  conseguido. Isto porque ficou provado, com esta investigação, feita através dos  200 questionários que, efectivamente, a satisfação profissional influencia o  absentismo laboral da amostra em estudo.</P>     <P>Recordemos, entretanto, que satisfação profissional é uma atitude geral do  indivíduo sobre o seu trabalho e consiste na diferença entre a quantidade de  recompensas que recebe e a quantidade em que acredita que deveriam receber  <SUP>2</SUP>; consideramos que a amostra em estudo estava menos satisfeita  relativamente à retribuição que auferia pelo seu trabalho, tanto ao nível da  remuneração como nas perspectivas de promoção. Se os indivíduos consideram que o  que recebem do seu trabalho não é equivalente às suas expectativas, tal provoca,  obviamente, insatisfação, com todas as suas consequências.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Todavia, a influência sobre o absentismo não se dava sempre, nem em todos os  aspectos que compõem a satisfação profissional mas, fundamentalmente, nos  relativos ao factor<I> Satisfação fundamental</I>, exclusivamente na<I> Relação  com os colegas</I>, na categoria profissional dos<I> Auxiliares de acção  médica</I>; e no factor<I> Condições materiais</I>, sobretudo nas<I>  Perspectivas de promoção</I>, na categoria dos<I> Administrativos</I>. As<I>  Habilitações literárias</I> influenciaram fortemente esta última relação, dado  que a maior parte dos<I> Auxiliares</I> possuía apenas o ensino básico, ao  contrário da quase totalidade dos seus colegas<I> Administrativos</I>.</P>     <P>Estas conclusões particularizam as relatadas nos estudos realizados por  Hackman e Lawler <SUP>8</SUP>, em que as faltas são consideradas como  consequências e efeitos da insatisfação, não apoiando, assim, as conclusões de  outros autores, citados por Francês (1980), sobre a ausência de influência.  Relativamente a cada uma das variáveis independentes utilizadas neste estudo,  verificou-se que o<I> sexo</I>, tal como em outros estudos elaborados relativos  a este tema, não apresentou qualquer diferença em termos de satisfação  <SUP>5</SUP>. Também não foi encontrada qualquer relação significativa com a  variável<I> idade</I> que, para alguns autores, é considerada uma variável  influente <SUP>6,7</SUP>, assim como aconteceu com a variável<I>  antiguidade</I>, ou mesmo com o<I> vínculo laboral</I>, não apoiando, assim, a  existência de uma relação significativa entre a segurança no trabalho e a  satisfação, encontrada por autores como Hackman e Lawer <SUP>8</SUP>. Repare-se,  no entanto, que todas as análises foram feitas dentro do objectivo da  investigação, que era relacionar satisfação com absentismo e não como  finalidades em si próprias, carecendo, assim, de prova suficiente.</P>     <P>A particularização da análise que realizámos revelou, fundamentalmente, que  estamos a lidar com duas populações significativamente diferentes quanto aos  factores que afectavam o seu sentimento de satisfação devendo, por isso, ser  analisadas separadamente. Assim, relativamente aos<I> Auxiliares de acção  médica</I>, trata-se de um grupo específico do meio hospitalar, que dantes  efectuava as tarefas menos diferenciadas da organização (ex. limpeza, segurança  das instalações), para as quais não era necessária nenhuma habilitação  particular &#151; daí a sua menor qualificação, em especial entre os elementos mais  antigos. Actualmente, sob a designação de<I> Assistentes operacionais</I>, esta  classe trabalha com outros profissionais em apoio à manutenção e limpeza de  equipamento clínico, transporte de doentes e outras tarefas elementares  relacionadas com os doentes, tendo deixado de executar tarefas de limpeza e  vigilância de instalações, que foram entregues a pessoal externo. Por outro  lado, a maior parte está confinada ao trabalho por turnos, sempre gerador de  algum conflito entre colegas e com as chefias, quando nem todos cumprem as suas  obrigações, por forma a garantir a continuidade do trabalho ao longo das 24  horas.</P>     <P>A categoria profissional dos<I> Administrativos</I>, actualmente designada  por<I> Assistentes técnicos</I>, desempenha tarefas mais diferenciadas e  exigentes ao nível de habilitações, que proporcionam aos seus agentes um  conhecimento dos procedimentos deste tipo de organizações, o que lhes confere  algum poder face aos restantes grupos profissionais. Apesar disso, vêem-se  limitados na sua remuneração e subida na carreira, uma vez que, mesmo que  adquiram habilitação superior, não podiam, na altura, ascender à categoria de<I>  Técnico superior</I>, sem se submeterem a concurso, em igualdade de  circunstâncias com outros técnicos qualificados, exteriores à organização. Na  sua quase totalidade, e ao contrário de todos os outros profissionais da  organização hospitalar, não estão sujeitos ao trabalho por turnos, o que diminui  a probabilidade de conflito entre eles.</P>     <P>Na posse desta informação, obtida através de entrevistas complementares com  quadros hospitalares, e com base nos resultados já relatados, podemos  estabelecer alguma análise diferenciada por categorias profissionais.</P>     <P>Assim, no caso dos<I> Auxiliares</I>, verificou-se que as suas razões de  menor satisfação, com implicações sobre o absentismo, tinham a ver com a<I>  Relação com os colegas</I>. Como já vimos, a maior habilitação e o estado civil  de casado, enquanto factores que contribuem para diminuir a satisfação, não  foram suficientes para influenciar a percepção do absentismo, nesta categoria  profissional. Esta deterioração da relação parece ter a ver, fundamentalmente,  com a questão do trabalho por turnos e do conflito que emerge sempre que o  funcionamento do sistema vem beneficiar uns em detrimento de outros.  Interessante este achado, pois nada indicava que as diferenças de percepção de  satisfação, ao nível da relação com os colegas, poderiam ocasionar algum efeito  sobre o absentismo, face à magnitude dos efeitos noutros aspectos.</P>     <P>Relativamente aos<I> Administrativos</I>, aparentemente mais libertos de  causas relativas a problemas relacionais, os factores do absentismo centraram-se  em aspectos de ordem material, tais como<I> As Perspectivas de promoção </I>e  a<I> Remuneração</I>. Aqui, a maior habilitação potenciou ainda mais a menor  satisfação quanto aos aspectos enunciados, originando um índice de faltas  declaradas maior do que na categoria dos<I> Auxiliares</I>, não apoiando as  conclusões de Santos <SUP>6</SUP>, relativas à ausência de associação entre as  habilitações literárias e a satisfação. No entanto, neste estudo, a habilitação  está agregada a outros factores que, cumulativamente, acabam por produzir  efeitos na variável dependente. Para além disso, esse maior índice de faltas  apareceu associado a um índice de satisfação superior ao dos que não faltavam.  Uma explicação possível, recolhida em entrevistas com quadros hospitalares, pode  ter a ver com o facto da falta ao serviço constituir uma forma de equilibrar a  menor satisfação, daí resultando um sentimento mais positivo em relação à  organização que o dos colegas que optam por não faltar.</P>     <P>Como limitações deste estudo, verificamos que, apesar do instrumento  utilizado ter revelado boas qualidades métricas, relativamente à capacidade  explicativa dos itens e ao seu agrupamento em factores, a consistência não foi  muito significativa (Alfa de Cronbach inferior a,74). Também não foi verificada  a estabilidade temporal através do teste-reteste. Contudo, o instrumento foi  sujeito a várias experimentações-piloto, sendo esta versão um produto que se  considera suficientemente testado. A articulação entre as variáveis dependentes  e independentes também se revelou interessante, reforçando a validade de  constructo do instrumento.</P>     <P>Outra das limitações foi o facto da amostra utilizada ter sido de  oportunidade e limitada a uma única instituição. Assim, não se pode garantir que  os resultados obtidos com estes grupos possam ser generalizados aos restantes,  bem como a outras organizações. Também, apesar do procedimento realizado ter  sido cuidado e extenso, devido ao facto de termos utilizado as chefias como  intermediários para entrega e devolução de questionários, podemos ter corrido o  risco de maior desejabilidade social nas respostas dadas. Isto por se perguntar  aos indivíduos o grau de satisfação relativamente ao superior hierárquico,  quando foi este que recebeu o questionário preenchido, o que poderá ter feito  com que os indivíduos se sentissem, de alguma forma, intimidados nas respostas  dadas. Contudo, todos os sujeitos da amostra ficaram submetidos às mesmas  circunstâncias. Da mesma forma, os índices de absentismo basearam-se nas  declarações dos próprios, tratando-se, assim, de uma percepção e não de um dado  real, com os naturais enviesamentos. No entanto, a recolha nominal dos índices,  a partir dos registos de pessoal, obrigaria a identificar os respondentes, com  efeitos ainda mais perniciosos sobre as respostas.</P>     <P>Finalmente, não tendo sido recolhida nenhuma medida de implicação  (<I>commitment</I>) com a organização, ficamos sem saber até que ponto a questão  principal das relações com os colegas está ligada com a ligação à empresa e, por  arrastamento, à produtividade, também relacionada com o absentismo.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Um comentário adicional sobre a parte metodológica merece-nos aqui algum  realce. Como se verificou, todas as variáveis incluídas no papel de  independentes (sócio-demográficas e grau de absentismo) foram categorizadas, o  que desaconselhou a utilização de modelos estatísticos com base na correlação e  na regressão. Da mesma forma, optou-se pela estatística univariada simples, em  prejuízo de modelos mistos ou multivariados. Optámos por esta abordagem  metodológica porque estávamos mais interessados em analisar pormenores sobre os  fenómenos e a população em causa, do que reunir provas irrefutáveis sobre a  hipótese formulada, daí não termos, também, executado uma revisão exaustiva da  literatura relativa ao tema. Considerámos, igualmente, utilizar as variáveis  sócio-demográficas para analisar, em pormenor, a relação proposta entre a  satisfação e o absentismo, ao invés de estabelecer análises complementares, fora  do objecto principal da investigação. Mantendo sempre presente o objectivo da  investigação, e utilizando comandos simples tipo<I> recode</I> ou<I> select  if</I> do software, sob a forma de tentativa-e-erro, definimos e redefinimos  dezenas de sub-problemas cuja solução poderia acrescentar algo ao problema  geral, até conseguir construir um modelo global que nos pareceu suficientemente  robusto. Apesar desta abordagem acabar por se tornar algo complexa e demorada,  estamos convictos que adiantámos caminho relativamente à forma de fazer uma  investigação destinada a tirar o maior partido possível dos dados disponíveis,  face à hipótese formulada.</P>     <P>Relativamente às conclusões e as limitações apresentadas, recomenda-se uma  investigação suplementar com amostras de instituições análogas, que possam  aprofundar as razões de eventuais conflitos entre colegas, entre os actuais<I>  Assistentes operacionais</I>, bem como sobre a ligação entre a satisfação  relativa aos aspectos materiais e o absentismo, no caso dos<I> Assistentes  técnicos</I>. A confirmarem-se estas conclusões, recomenda-se, igualmente, uma  atenção suplementar à justiça distributiva e procedimental aplicada ao trabalho  por turnos, nos primeiros, bem como à ligação entre o absentismo e o grau de  satisfação com aspectos materiais, no caso dos segundos. No conjunto de ambas as  categorias, também parece justificar-se uma reflexão sobre a relação entre a  aquisição de habilitações suplementares e a progressão na  carreira.</P>     <P>&nbsp;</P>     <p><B>Conflito de interesse </B></p>     <P>Os autores declaram não haver conflito de interesse. </P>     <P>&nbsp;</P>     <P><B>Bibliografía</B></P>     <P>1. Lima M, Vala J, Monteiro M. Culturas organizacionais. In: Vala MB,  Monteiro MB, Lima L, Caetano A, editors. Psicologia social e das organizações:  estudos em empresas portuguesas. Lisboa: Celta Editora; 1994. </P>     <P>2. Robbins S. Comportamiento organizacional: conceptos, controversias,  aplicaciones. 8ª ed. Mexico City: Prentice Hall; 1999. </P>     <P>3. Vala MB, Monteiro MB, Lima L, Caetano A, editors. Psicologia social e das  organizações: estudos em empresas portuguesas. Lisboa: Celta Editora; 1994. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>4. Graça L. A satisfação profissional: o melhor do SNS somos nós. [Internet].    Lisboa: Escola Nacional de Saúde Pública. Universidade Nova de Lisboa; 1999.    [cited 2006 Oct 10]. Available from: <a href="http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/textos26.html" target="_blank">http://www.ensp.unl.pt/luis.graca/textos26.html</a>.</P>     <P>5. Herzberg F, Mausner B, Peterson RO, Capwell DF. Job attitudes: review of  research and opinion. Pittsburgh: Psychological Services; 1957. </P>     <P>6. Santos J. Clima organizacional e satisfação profissional. Faro: Faculdade  de Ciências Humanas e Sociais. Universidade do Algarve; 2006. Dissertação de  Mestrado. </P>     <P>7. Francês R. Satisfação no trabalho e no emprego. Porto: Rés–Editora; 1980.  </P>     <!-- ref --><P>8. Hackman, J. R.; Lawler, E. E. Employee reactions to job characteristics.  Journal of Applied Psychology Monograph. 1971;55:259–86. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0870-9025201000020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>9. Departamento de Estudos, Prospectiva e Planeamento. As condições de  trabalho e o absentismo. Lisboa: Departamento de Estudos, Prospectiva e  Planeamento. Ministério da Segurança Social e do Trabalho; 2003. </P>     <P>10. Nunes F, Vala J. Cultura organizacional e gestão de recursos humanos. In:  Caetano A, Vala, J, editors. Gestão de recursos humanos: contextos, processos e  técnicas. 2ª ed. Lisboa: Editora RH; 2002. p.119–150. </P>     <P>11. Mallada JR. La gestion del ausentismo laboral en empresas españolas. [Internet].    Atenea: Publimatic; 2004. [cited 2006 Nov 10]. Available from: <a href="http://www.publimatic.com/hacecurerpo.php?d=nuevosrumbosnumart=24644&amp;numedi=2004%9601%9627&amp;seccion=documentos" target="_blank">http://www.publimatic.com/hacecurerpo.php?d=nuevosrumbosnumart=24644&amp;numedi=2004–01–27&amp;seccion=documentos</a>.</P>     <P>12. Locke E. The nature causes of job satisfaction. In: Dunnette M. Handbook  of industrial and organizational psychology. Chicago: Rand McNally College;  1976. </P>      <P>&nbsp;</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Recebido em 29 de Dezembro de 2009 </I></P>     <P><I>Aceite em 2 de Novembro de 2010 </I></P>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hackman]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lawler]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Employee reactions to job characteristics]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Applied Psychology Monograph.]]></source>
<year>1971</year>
<volume>55</volume>
<page-range>259-86</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
