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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Because the incidence of STI, unplanned pregnancy and several other sexual risk behaviours are increasing among youngsters, it is accepted that they are given high priority in intervention in what sexual and reproductive health is concerned. In order to promote healthy sexual attitudes and behaviours, it is crucial to implement a program of sexual education that aims at developing attitudes and skills in young people, hence enabling them to make well-informed decisions and feel confident about the choices they make. Material and methods: This HBSC/WHO research evaluated the role of sexual education for Portuguese adolescents and their knowledge and attitudes about HIV/AIDS. Structured self-reported questionnaires were responded within a classroom context by 3331 participants (1579 boys and 1752 girls), with an average age of 15 years. Results: The results show that there are inumerous risk and protection factors related to sex behavior. Conclusions: This suggests that sexual education should focus on preventive interventions, not only universal, including all teenagers and considering all the contexts in which they interact (the school professionals, family and peers), but also selective strategies delivered to targeted subgroups, once they are identified.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P><B>Educação sexual, conhecimentos, crenças, atitudes e comportamentos nos  adolescentes</B></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Lúcia Ramiro<SUP>a</SUP></b>, <b>Marta Reis<SUP>a</SUP></b>, <b>Margarida Gaspar de Matos  <SUP>a</SUP></b>, <b>José Alves Diniz<SUP>a</SUP></b>, <b>Celeste Simões<SUP>a</SUP></b></P>     <P><SUP>a</SUP>Projecto Aventura Social, Faculdade de Motricidade Humana,  Universidade Técnica de Lisboa; Centro da Malária e Outras Doenças Tropicais,  Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa,  Portugal. <A href="mailto:lramiro@fmh.utl.pt">lramiro@fmh.utl.pt</A></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Resumo</B></P>    <P>Introdução: O aumento das IST's, da gravidez não planeada e  de outros tantos riscos ligados à actividade sexual fazem com que os jovens  sejam considerados um grupo de intervenção prioritário em termos de saúde sexual  e reprodutiva. Para se promover atitudes e comportamentos sexuais saudáveis é  essencial a concretização de uma educação sexual que tenha como objectivo  desenvolver atitudes e competências nos jovens, permitindo que estes se sintam  informados e seguros nas suas escolhas. Material e métodos: Este estudo  (HBSC/OMS) avaliou o papel que 3331 adolescentes portugueses (1579 rapazes e  1752 raparigas), com uma média de idades de 15 anos, atribuem à educação sexual,  os seus conhecimentos e atitudes face ao VIH/SIDA. Usou–se um questionário de  auto–relato que foi aplicado às turmas em sala de aula. Resultados: Analisados  os resultados do estudo, verificou–se que quer os factores de risco quer os de  protecção em relação aos comportamentos sexuais de risco dos adolescentes são  inúmeros. Conclusões: Sendo assim, é crucial que a educação sexual abranja  intervenções do tipo preventivo de carácter universal, abrangendo toda a  população escolar e respectivos contextos de vida: escola, família e grupo de  pares, mas também intervenções mais específicas, em pequenos subgrupos  identificados como prioritários.</P>     <P><B>Palavras Chave:</B> Educação sexual. Comportamentos sexuais. Conhecimentos. Atitudes. Crenças.  VIH. SIDA. Jovens.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Sexual education, knowledge, beliefs, attitudes and behaviors in  adolescents</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Abstract</B></P>    <P>Introduction: Because the incidence of STI, unplanned  pregnancy and several other sexual risk behaviours are increasing among  youngsters, it is accepted that they are given high priority in intervention in  what sexual and reproductive health is concerned. In order to promote healthy  sexual attitudes and behaviours, it is crucial to implement a program of sexual  education that aims at developing attitudes and skills in young people, hence  enabling them to make well–informed decisions and feel confident about the  choices they make. Material and methods: This HBSC/WHO research evaluated the  role of sexual education for Portuguese adolescents and their knowledge and  attitudes about HIV/AIDS. Structured self–reported questionnaires were responded  within a classroom context by 3331 participants (1579 boys and 1752 girls), with  an average age of 15 years. Results: The results show that there are inumerous  risk and protection factors related to sex behavior. Conclusions: This suggests  that sexual education should focus on preventive interventions, not only  universal, including all teenagers and considering all the contexts in which  they interact (the school professionals, family and peers), but also selective  strategies delivered to targeted subgroups, once they are identified.</P>      <P><B>Keywords:</B> Sexual education. Sexual behaviour. Knowledge. Attitudes. Beliefs. HIV. AIDS.  Teenagers.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Educação sexual </B></P>     <P>A Educação sexual é a mais importante forma de prevenção de problemas ligados  à saúde sexual e reprodutiva dos jovens. Constitui um processo contínuo e  permanente de aprendizagem e socialização que abrange a transmissão de  informação e o desenvolvimento de atitudes e competências relacionadas com a  sexualidade humana e, portanto, promove atitudes e comportamentos saudáveis  <SUP>1-3</SUP>. O facto de os jovens terem actualmente muita facilidade em obter  informação não garante que estes escolham informação correcta e consequentemente  que as suas escolhas sejam as mais adequadas, por isso a educação sexual poderá  desempenhar um papel relevante na triagem desta informação, contribuindo para  que seja utilizada da melhor forma <SUP>4</SUP>. A educação sexual não deve  cingir-se a informações sobre os aspectos físicos do acto sexual, é essencial a  abordagem de outros aspectos, como os sentimentos e os afectos <SUP>5</SUP>.</P>     <P>Se considerarmos a educação sexual a principal forma de prevenir  comportamentos de risco, seja promovendo os comportamentos preventivos, seja  alterando os comportamentos iniciais de risco, deve-se ter em conta a) a  importância da aquisição das competências cognitivas e comportamentais  necessárias (à implementação desses determinados comportamentos - ou à  capacidade de mudança desses outros), b) a avaliação da vulnerabilidade ao  risco e da motivação para a mudança e, ainda, c) os factores situacionais que  possam intervir na implementação desse comportamento/mudança, como são as normas  sociais, a pressão dos amigos (grupo de pares) e a influência do parceiro.</P>     <P>Mas a educação sexual, no âmbito da educação para a saúde, implica, também, a  consciencialização do desenvolvimento dos jovens por parte dos agentes  educativos envolvidos (de forma directa ou indirecta), como são as famílias,  escolas, comunidades, instituições, organizações não-governamentais, autarquias,  institutos públicos e particulares, locais de lazer e diversão.</P>     <P>Em Portugal, a implementação da educação sexual nas escolas tem originado,  nos últimos anos, um grande debate. </P>     <P>Em 1978, 1981 e 1984, a questão da despenalização do aborto dividiu a  população portuguesa. Apesar de esta não ter sido aceite nessa altura, esta  questão justificou a primeira legislação sobre educação sexual nas escolas.  Contudo, em 1985 a preocupação com a educação sexual voltou a sofrer uma  estagnação <SUP>6</SUP>. Em 1997, na sequência da identificação de vários  problemas e necessidades não resolvidos relativamente aos direitos sexuais e  reprodutivos da população, a educação para a sexualidade tornou-se obrigatória.  Entre 1995 e 1998, o Programa de Promoção e Educação para a Saúde e a Associação  para o Planeamento da Família criaram o Projecto "Educação Sexual e Promoção da  Saúde nas Escolas — Um Projecto Experimental". Até 2005 pretendeu-se fazer uma  generalização gradual desta experiência nas escolas portuguesas no sentido da  integração regular de projectos e actividades de Educação Sexual nos vários  níveis de ensino <SUP>7</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Em 2000, os Ministérios da Educação e da Saúde produziram as linhas  orientadoras da educação sexual em meio escolar <SUP>8</SUP>. Este documento foi  crucial pois apresentou, pela primeira vez, os valores essenciais que deviam (e  devem) orientar a educação sexual escolar em termos de política educativa, bem  como os principais objectivos da mesma, nos domínios dos conhecimentos, das  atitudes e das competências, potenciando a efectiva dinamização da educação  sexual em meio escolar.</P>     <P>Em 2005 foi criado um Grupo de Trabalho de Educação Sexual (GTES) que  determinou que a educação sexual seria abordada no âmbito de um programa de  promoção da saúde. De acordo com as recomendações deste grupo de trabalho, no  relatório final apresentado em 2007, os assuntos a abordar deviam envolver,  entre outros, o entendimento da sexualidade como uma das componentes mais  sensíveis da pessoa, no contexto de um projecto de vida que engloba valores e  uma dimensão ética, a compreensão dos aspectos relacionados com as principais  ISTs (incluindo o VIH/SIDA), a maternidade na adolescência e a interrupção  voluntária da gravidez, assim como aspectos relacionados com o uso de métodos  contraceptivos e preservativo para a prevenção da gravidez na adolescência e das  ISTs, respectivamente.</P>     <P>O Relatório final <SUP>3</SUP> das actividades deste grupo aponta para a  existência de um número significativo de escolas do ensino básico que já  dedicavam uma das novas áreas curriculares não disciplinares (Formação Cívica,  Área de Projecto ou Estudo Acompanhado) à Educação para a Saúde - e em que a  educação sexual está contemplada - e propõe a avaliação de um conjunto de  conteúdos considerados mínimos. Para facilitar a dinamização da educação sexual  em meio escolar, é proposto que o professor coordenador possa usufruir de uma  redução de três horas na componente lectiva. Mais recentemente o ministério  criou legislação (Lei n.º 60/2009) que estabelece a obrigatoriedade da aplicação  da ES em meio escolar, identificando uma carga horária mínima a ser aplicada a  cada nível de ensino, potenciando, assim, a implementação da mesma.</P>     <P>A promoção da saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes é um importante  contributo para a sua formação pessoal e social, e a sensibilização para a  importância da educação sexual como meio de promoção da saúde nas escolas tem  aumentado significativamente, dando origem à criação de um modelo de intervenção  para as escolas. É essencial que este modelo se desenvolva tendo em conta as  características próprias da adolescência e que se generalize às escolas de todo  o país, permitindo que se consigam obter ganhos na saúde dos nossos  adolescentes. </P>     <P><I><B>Estudo HBSC/OMS - Health Behaviour in School-aged Children: o  Comportamento Sexual dos Adolescentes Portugueses em 2006 </B></I></P>     <P>O estudo dos comportamentos relacionados com a saúde dos adolescentes e dos  factores que influenciam esses comportamentos é essencial para o desenvolvimento  de políticas de educação para a saúde e para programas de intervenção dirigidos  a adolescentes, pais e profissionais na área.</P>     <P>O HBSC/ OMS (<I>Health Behaviour in School-aged Children</I>) é um estudo  colaborativo da Organização Mundial de Saúde, realizado de 4 em 4 anos por uma  rede europeia de profissionais ligados à saúde e educação. Portugal participa  neste estudo desde 1994 através da equipa do Projecto Aventura Social da  Faculdade de Motricidade Humana.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Método </B></P>     <P><I><B>Participantes </B></I></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Como se pode ver na tabela 1, a amostra do estudo HBSC de 2006, realizado  pela equipa do Projecto Aventura Social, é constituída por 3331 adolescentes,  dos quais 47,4 % são rapazes e 52,6 % raparigas, com uma média de idades de 15  anos (<I>DP</I> = 1,34). A maioria dos adolescentes é de nacionalidade  portuguesa (96,5 %) e apresenta um baixo estatuto socioeconómico (68 %). No que  diz respeito ao ano de escolaridade, 52,2 % frequentam o 8.º ano e 47,8 %  frequentam o 10.º ano e estão distribuídos proporcionalmente pelas 5 regiões  educativas do Continente (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo,  Algarve). A amostra foi aleatória e tem representatividade nacional para os  jovens que frequentam estes graus de ensino, no ensino oficial <SUP>9</SUP>.</P>     <p>&nbsp;</p>     <p>Tabela 1 – Características demográficas da amostra (N = 3331)</p>     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a03t1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <P><I><B>Medidas </B></I></P>     <P>O instrumento de avaliação utilizado no estudo português é o adoptado no  estudo Health Behaviour in School-aged Children <SUP>10</SUP>. Do questionário,  que engloba um vasto conjunto de questões sobre comportamentos e estilos de vida  na adolescência, foram seleccionadas questões relacionadas com aspectos  sociodemográficos, comportamento sexual, e conhecimentos, crenças e atitudes  face ao VIH/SIDA. </P>     <P><I><B>Procedimento </B></I></P>     <P>A recolha de dados realizou-se em 2006, tendo sido seleccionados os 8.º e  10.º anos de escolaridade, distribuídos por 136 escolas públicas do ensino  regular. No sentido de se obter uma amostra representativa da população escolar  portuguesa das idades indicadas no protocolo internacional, foram seleccionadas  aleatoriamente escolas da lista nacional do Ministério da Educação,  estratificada por regiões do país (cinco regiões escolares: Norte, Centro,  Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve). De acordo com o protocolo de  aplicação do questionário Health Behaviour in School-aged Children (HBSC), a  técnica de escolha da amostra foi a "<I>cluster sampling</I>" em que o  "<I>cluster</I>" ou unidade de análise foi a turma. A administração dos  questionários realizou-se no contexto da sala de aula. O preenchimento dos  questionários foi supervisionado por um professor, ao qual era dirigida uma  carta relativa aos procedimentos para a sua aplicação. Antes do preenchimento,  os alunos foram informados que a resposta ao questionário era voluntária,  confidencial e anónima. O tempo de preenchimento do questionário situou-se entre  os 60 e os 90 minutos.</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Resultados </B></P>     <P>As análises e procedimentos estatísticos foram efectuados através do programa  Statistical Package for Social Sciences (SPSS, versão 18.0) para Windows.</P>     <P><I><B>Comportamento sexual </B></I></P>     <P>A maioria dos jovens afirma que nunca teve relações sexuais (77,3 %). Dos  jovens que referem ter iniciado a sua vida sexual, 27,4 % são rapazes e 18,6 %  são raparigas (tabela 2).</P>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#t2">Tabela 2</a><a name="topt2"></a> - Frequência de relações sexuais - Amostra (N = 3331)</p>     <p><img src="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a03t2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <P><I><B>Diferenças entre género para as questões relativas ao comportamento  sexual - Amostra que referiu já ter tido relações sexuais </B></I></P>     <P>Observou-se que, do total da amostra, 723 jovens já tinham iniciado a sua  vida sexual. Destes, 71,1 % referem ter tido a sua primeira relação sexual aos  14 anos ou mais tarde; 87,8 % usou contracepção na última relação sexual,  designadamente o preservativo (94,1 %), e a maioria mencionou nunca ter tido  relações sexuais sob o efeito do álcool ou drogas (85,9 %).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Os resultados mostraram que, apesar de, quer a maioria de rapazes (61 %),  quer de raparigas (83,8 %) terem tido a primeira relação sexual aos 14 aos ou  mais tarde, os rapazes (24,6 %) mais frequentemente que as raparigas (12,3 %)  iniciaram entre os 12 e os 13 anos; e as raparigas (83,8 %) mais frequentemente  que os rapazes (61 %) aos 14 anos ou mais tarde.</P>     <P>Quanto à utilização de método contraceptivo na última relação sexual, rapazes  (77,3 %) e raparigas (98,5 %) usaram-no, mas os rapazes (22,7 %) mais  frequentemente que as raparigas (1,5 %) não usaram.</P>     <P>Relativamente à escolha do método contraceptivo na última relação sexual,  rapazes (93,6 %) e raparigas (94,8 %) optaram pelo preservativo. No entanto, as  raparigas (55,1 %) mais frequentemente que os rapazes (36,8 %) optaram pela  pílula e os rapazes (6,5 %) mais frequentemente que as raparigas (0,8 %) optaram  pelo espermicida.</P>     <P>No que diz respeito às relações sexuais associadas ao consumo de álcool ou  drogas, existem mais rapazes (17,1 %) do que raparigas (10,4 %) a referir que  tiveram relações sexuais associadas ao consumo de álcool ou drogas (tabela  3).</P>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a03t3.jpg" target="_blank">Tabela 3</a> - Diferenças entre género para as questões relativas ao comportamento sexual - Amostra que referiu já ter tido relações sexuais (N = 723)</p>     
<p>&nbsp;</p>     <P><I><B>Diferenças entre géneros para as questões relativas ao comportamento  sexual </B></I></P>     <P>Mais de metade dos alunos refere que a maioria dos jovens da sua idade nunca  teve relações sexuais (55,1 %) e que os jovens costumam iniciar a sua vida  sexual com 14 anos ou mais (80,2 %). A maior parte dos adolescentes refere que  quando os jovens têm relações sexuais é o casal que decide quando é a altura  (57,2 %), e que têm relações sexuais porque querem experimentar (53,4 %) e  porque estão apaixonados (49,9 %), que as principais razões para o uso do  preservativo são evitar a gravidez (80,9 %) e a transmissão do VIH/SIDA (73,3 %)  mas também de outras IST's (74,6 %). A maioria dos inquiridos refere que se  sentiria à vontade para conversar com o parceiro sobre o uso de preservativo (75  %), convencer o parceiro a usar preservativo (76,5 %), recusar ter relações  sexuais sem preservativo (69,8 %) e recusar ter relações se não quisesse (75,4  %).</P>     <P>Quando comparados os géneros, constata-se que os rapazes referem mais  frequentemente que os jovens da sua idade não tiveram relações sexuais (58,9 %)  e que têm a primeira relação sexual porque querem experimentar (56,5 %). As  raparigas referem mais frequentemente que quando os jovens têm relações sexuais  decidem os dois quando acham que é a melhor altura (61,2 %), que têm a primeira  relação sexual porque estão muito apaixonados (54,2 %) e porque namoram há muito  tempo (34,1 %).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Quando questionadas sobre as razões para o uso do preservativo, as raparigas  referem mais frequentemente que serve para evitar IST's (78,2 %) e o VIH/SIDA  (74,8 %).</P>     <P>Por outro lado, os rapazes sentem-se mais à vontade para falar com o parceiro  sobre o uso do preservativo (79 %). As raparigas referem que se sentem à vontade  para recusar ter relações sexuais se não quiserem (83 %) e recusar ter relações  sexuais sem o uso do preservativo (76,6 %); no entanto, sentem-se pouco à  vontade para convencer o parceiro a usar o preservativo (12,1 %) (tabela 4).  </P>      <p>&nbsp;</p>      <p><a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a03t4.jpg" target="_blank">Tabela 4</a>- Diferenças entre género para as questões relativas  ao comportamento sexual - Amostra (N = 3331)</p>     
<p>&nbsp;</p>     <P><I><B>Questões relativas à Educação Sexual </B></I></P>     <P>Como se pode observar na tabela 5, a maioria dos jovens refere que a educação  sexual serve para ajudar a ter mais informação (81,8 %) e tirar dúvidas (53,9  %). Estes jovens referem que se sentem à vontade para falar de educação sexual  com os amigos (85,4 %) e colegas (69,9 %), e pouco à vontade para falar com os  pais (61,5 %) e professores (73,3 %). </P>     <p>&nbsp;</p>      <p><a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a03t5.jpg" target="_blank">Tabela 5</a> - Diferenças entre género para as questões relativas à Educação Sexual - Amostra (N = 3331)</p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I><B>Diferenças entre géneros para as questões relativas à Educação Sexual  </B></I></P>     <P>As raparigas referem mais frequentemente que a educação sexual serve para ter  mais informação (83,4 %) e tirar dúvidas (59,5 %) do que os rapazes (80,1 % e  47,6 %, respectivamente). Quando questionadas sobre como se sentem a falar de  educação sexual, as raparigas referem mais frequentemente que os rapazes que se  sentem pouco à vontade para falar com os professores (75,3 %) e pais (65,3 %)  (71,1 % e 57,2 %, respectivamente). Os rapazes mencionam mais frequentemente que  as raparigas que se sentem à vontade para falar com os amigos (87,5 %) e colegas  (77,2 %) (83,6 % e 63,4 %, respectivamente). </P>     <P><I><B>Questões relativas a conhecimentos, crenças e atitudes face ao VIH  </B></I></P>     <P>Relativamente aos conhecimentos face ao VIH, a maior parte dos jovens refere  que uma pessoa pode ficar infectada pela partilha de seringas (89,8 %), através  da transmissão mãe/feto (80,2 %), com relações sexuais sem preservativo (86,7 %)  e transfusões de sangue (64,6 %). Sabem que uma pessoa aparentemente saudável  pode ser portadora de VIH (78,2 %), que não há transmissão do VIH através de  espirros (62,6 %), abraços (83,6 %), partilha de utensílios para comer e beber  (48,1 %) e que a pílula não previne a transmissão do VIH (67 %).</P>     <P>Quanto às crenças e atitudes face ao VIH, a maioria dos jovens menciona que  não corre risco de estar infectado pelo VIH (57,2 %), que não teve relações  sexuais sem usar preservativo (91,6 %) e não partilhou seringas (98,1 %). Grande  parte dos jovens concorda que deve ser permitido aos jovens infectados com VIH  frequentar a escola (69,3 %), que assistiriam a uma aula ao lado de um colega  com VIH (66,6 %) e que visitariam um amigo com VIH (80,6 %). Discordam que  deixariam de ser amigos de uma pessoa por esta ter VIH (74,5 %) e que as pessoas  com VIH deveriam viver à parte do resto da população (80,8 %).</P>     <P>No que diz respeito às fontes de informação sobre o VIH ou outras IST's, as  mais mencionadas pelos jovens são os programas de televisão (66,3 %), os  folhetos (65,8 %) e a Internet (65,8 %). </P>     <P><I><B>Diferenças entre géneros para as questões relativas a conhecimentos,  crenças e atitudes face ao VIH </B></I></P>     <P>No que se refere às diferenças entre os géneros, observou-se que as raparigas  apresentam mais conhecimentos, crenças e atitudes positivas face ao VIH, também  referem mais frequentemente que uma pessoa pode ficar infectada pelo VIH se  houver partilha de seringas (92,3 %), através da transmissão via mãe/feto (83,9  %), através de relações sexuais sem o uso do preservativo (91 %), transfusões de  sangue (68,5 %) e que uma pessoa aparentemente saudável pode estar infectada com  o vírus (81,7 %). Também são elas que afirmam mais frequentemente que uma pessoa  não fica infectada se abraçar alguém com VIH (87,2 %), que tomar a pílula não  protege a mulher de ficar infectada (69,2 %), e que não há transmissão através  de tosse ou espirros (65,4 %) nem através de partilha de utensílios de comer e  beber (51,6 %).</P>     <P>As raparigas mencionam mais frequentemente que visitariam um amigo infectado  com o VIH (85,5 %), que deve ser permitido aos jovens com VIH frequentar a  escola (73,8 %) e que eram capazes de assistir a uma aula ao lado de um colega  infectado (72,9 %) e discordam que as pessoas infectadas deveriam viver à parte  na sociedade (85,1 %) e que deixariam de ser amigas de uma pessoa por esta estar  infectada com VIH (81 %).</P>     <P>Relativamente à percepção de risco de infecção com VIH, as raparigas referem  mais frequentemente que não correm riscos (60 %) e que não tiveram relações sem  usar preservativo (93,7 %).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>No que diz respeito às fontes de informação sobre o VIH, as raparigas  recorrem mais aos folhetos (71,9 %), aos programas de televisão (69,8 %) e à  Internet (67,7 %) como fontes de informação (tabela 6).</P>     <p>&nbsp;</p>      <p><a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a03t6.jpg" target="_blank">Tabela 6</a>&nbsp; - Diferenças entre género para as questões relativas a conhecimentos, crenças e atitudes face ao VIH - Amostra (N = 3331)</p>     
<p>&nbsp;</p>     <P><B>Discussão </B></P>     <P>Os resultados obtidos permitem afirmar que a maioria não é sexualmente  activa, teve a sua primeira relação sexual aos 14 anos ou mais tarde, utilizou o  preservativo como contracepção na última relação sexual e nunca teve relações  sexuais associadas ao consumo de álcool e drogas. Na comparação entre géneros,  verifica-se que existe uma tendência dos rapazes para iniciar a vida sexual  antes das raparigas; são as raparigas quem mais refere ter utilizado  contraceptivos na última relação sexual e existem mais rapazes a referir que  tiveram relações sexuais associadas ao consumo de álcool e drogas (tabelas <a href="#topt2">2</a><a name="t2"></a>    e <a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a03t3.jpg" target="_blank">3</a>).</P>     
<P>Quando questionados sobre se a maioria dos outros jovens já teve relações  sexuais, a maioria dos jovens considera que os seus pares iniciaram a vida  sexual aos 14 anos de idade ou mais tarde, e são os rapazes que consideram que  os outros jovens iniciaram a vida sexual mais tarde que as raparigas. Mais de  metade dos jovens considera que a decisão de ter relações sexuais cabe aos dois  elementos do casal. Existem mais rapazes do que raparigas que consideram que é o  rapaz que toma a iniciativa. Para a maior parte dos jovens, a primeira relação  sexual surgiu por vontade de experimentar e também porque estavam apaixonados.  Na questão sobre as funções do preservativo, mais de metade dos jovens escolheu  em primeiro lugar a opção "evitar a gravidez". Em segundo lugar a opção  escolhida foi "evitar outras IST" e em terceiro lugar "evitar o VIH/SIDA".  <a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a03t4.jpg" target="_blank">Tabela 4</a></P>     
<P>Relativamente às diversas situações relacionadas com o uso do preservativo,  cerca de metade dos jovens da amostra refere que se sentiria muito à vontade a  conversar com o par sexual sobre o uso de preservativo; a convencer o par sexual  a usar preservativo; a recusar ter relações sexuais sem usar preservativo se o  par não quiser usar; e a recusar ter relações sexuais se não quiser. Verifica-se  que os rapazes sentem mais facilidade em conversar sobre o uso do preservativo e  as raparigas dizem sentir-se mais à vontade em recusar relações sexuais sem  preservativo. No que diz respeito à facilidade em recusar relações sexuais se  não quiser, são as raparigas que referem sentir-se mais à vontade para o fazer.  <a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a03t4.jpg" target="_blank">Tabela 4</a></P>     
<P>Mais de metade dos jovens considera que a educação sexual serve para obter  mais informação. A maior parte dos jovens prefere falar sobre educação sexual  com os amigos e os colegas, mostrando dificuldade em conversar com pais e  professores. No que diz respeito às conversas sobre educação sexual com os  amigos, são os rapazes quem se sente mais à vontade. Quanto às conversas sobre  educação sexual com os pais, são as raparigas quem se sente menos à vontade. No  que diz respeito à facilidade em conversar sobre educação sexual com os  professores, a percentagem de rapazes é significativamente superior à  percentagem das raparigas. <a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a03t5.jpg" target="_blank">Tabela 5</a></P>     
<P>Concluindo, grande parte dos jovens sabe identificar correctamente os modos  de transmissão do VIH. As raparigas têm mais respostas correctas. Quando  questionados sobre as crenças e atitudes face ao VIH/SIDA, a maioria dos jovens  apresenta crenças e atitudes positivas. As raparigas apresentam menos  preconceitos que os rapazes. <a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a03t6.jpg" target="_blank">Tabela 6</a></P>     
]]></body>
<body><![CDATA[<P>Uma das limitações deste estudo é o facto de se reportar a dados recolhidos  em 2006. No entanto, é necessário ter em consideração que o mesmo é realizado de  4 e 4 anos, pelo que os dados apresentados são os mais recentes. Espera-se que  os dados recolhidos em 2010 possam vir a acrescentar mais conhecimento ao papel  da educação sexual na evolução dos conhecimentos, crenças, atitudes e  comportamentos nos adolescentes portugueses.</P>     <P>Acresce que não foi objecto de estudo as disparidades socioculturais da  população estudada, apesar da recolha ter sido efectuada em todas as regiões  educativas do Continente. </P>     <P><I><B>Comparação dos resultados do estudo do HBSC entre 2002 e 2006  </B></I></P>     <P>No geral, comparando os resultados de 2002 e 2006 não se verificam alterações  significativas nos principais comportamentos sexuais de risco, ou seja,  mantém-se a média na idade de início das relações sexuais bem como a percentagem  de adolescentes que já iniciou a sua vida sexual.</P>     <P>No entanto, há duas alterações significativas a registar. Por um lado,  verifica-se uma grande diminuição no número dos adolescentes sexualmente activos  que não usam preservativo nas relações sexuais; por outro lado, há uma  diminuição dos conhecimentos dos adolescentes face aos modos de transmissão do  VIH /SIDA.</P>     <P>O primeiro dado - menos adolescentes não usam preservativo nas relações  sexuais - sugere uma melhoria em termos de saúde sexual reprodutiva pois há  menos jovens a indicar esse comportamento de risco. Talvez essa melhoria se deva  à concretização cada vez mais frequente e sistemática da educação sexual, uma  vez que o ministério da educação tem procurado implementá-la através de  legislação e de uma parceria eficaz com o ministério da saúde.Também os  professores - agentes cruciais deste processo - consideram o tema da  contracepção e sexo seguro como um dos mais importantes da educação sexual, e  simultaneamente é dos temas em que se sentem mais confortáveis para abordar,  potenciando deste modo a probabilidade deste tema ser abordado  <SUP>11</SUP>.</P>     <P>Quanto ao segundo dado - diminuição dos conhecimentos dos adolescentes face  aos modos de transmissão do VIH/ SIDA - este parece sugerir um retrocesso em  termos de saúde sexual reprodutiva. Este tópico refere-se não só ao uso do  preservativo em todas as relações sexuais (questão que suscitou menos dúvidas  aos respondentes) mas, também, a outros meios de transmissão, como a partilha de  seringas e a transmissão vertical.Para além de avaliar os conhecimentos  correctos, também questiona crenças como a tosse, os espirros e os abraços  poderem ou não facilitar a transmissão do VIH/SIDA, ou se a toma da pílula  contraceptiva protege a mulher de infecção, por exemplo. Também em relação a  este tópico os professores apontam grande importância e referem sentir-se  confortáveis <SUP>11</SUP>, pelo que pode ter sido feito igual investimento em  termos de educação sexual. Apesar disso, reflecte um retrocesso em termos de  saúde sexual reprodutiva porquanto é comummente aceite pela comunidade  científica que quanto mais conhecimentos em relação aos comportamentos sexuais  de risco, maior a probabilidade de um indivíduo ter atitudes e comportamentos  sexuais preventivos. Contudo, no caso do VIH/SIDA em particular, alguns autores  têm avançado a explicação de que se está a generalizar a crença de que o  preservativo resolve tudo e que o seu uso não requer mais informações,  aceitando-se que seja esta a explicação da diminuição dos conhecimentos dos  adolescentes desta amostra face aos modos de transmissão do VIH/SIDA,  especialmente porque a maioria não usa substância injectáveis nem está  grávida.</P>     <P>Quanto à atitude de discriminação face a portadores de VIH e SIDA, esta  parece aumentar em 2006, confirmando a associação, já encontrada em 2002, entre  ignorância e discriminação.</P>     <P>Quanto às fontes de informação sobre sexualidade e VIH/SIDA, destacamos um  aumento significativo dos utilizadores das informações encontradas na Internet.  Este aumento pode ser encarado como evidência da massificação desta (nova) forma  de difusão de informação, sendo essencial que se assegure que os jovens sabem  identificar a informação correcta.</P>     <P>Analisando os resultados deste estudo nacional, verificamos que existem  múltiplos factores de risco e protecção, que determinam os comportamentos  sexuais de risco dos adolescentes. São vários os autores que referem a  necessidade de realizar a prevenção dos comportamentos sexuais de risco o mais  cedo possível, uma vez que vários estudos mostram que o envolvimento em  comportamentos de risco aumenta com a idade <SUP>12,13</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><B>Conclusão </B></P>     <P>A educação sexual é um processo contínuo e permanente de aprendizagem que  abrange a transmissão de informação e o desenvolvimento de atitudes e  comportamentos saudáveis <SUP>13</SUP>. Enquanto processo de aprendizagem, a  educação sexual começa na infância, em família, mas uma vez que os jovens passam  um tempo significativo na escola, esta constitui-se como um lugar privilegiado  para a sua concretização.</P>     <P>Assim, envolver os pais e os professores poderá ser determinante na protecção  para o envolvimento em comportamentos sexuais de risco, uma vez que estes  constituem elementos fundamentais na vida dos adolescentes.</P>     <P>Relativamente aos pais, alguns estudos sugerem que muitos pais mencionam  precisar de ajuda, quando se trata de falar sobre sexualidade, pois não sabem o  que dizer <SUP>14</SUP>; outros pais admitem não ter muitos conhecimentos  teóricos sobre este tipo de assunto <SUP>15</SUP>.</P>     <P>No que diz respeito à influência da escola, estudos realizados com  professores do ensino básico e secundário <SUP>11,16</SUP> mostraram que a maior  parte dos professores (cerca de 72 %) referiu não ter prática em educação sexual  em meio escolar, apesar de considerarem que possuem conhecimentos e atitudes  favoráveis à mesma, formação complementar na área e um grau de conforto  aceitável para dinamizarem actividades. Um resultado extremamente relevante  nestes dois estudos refere-se ao facto de apenas uma percentagem inferior a um  terço dos professores avaliados relatar ter intenção de se envolver na educação  sexual no futuro, sugerindo a necessidade de se reavaliar as condições  necessárias à implementação de programas de educação sexual em meio escolar no  nosso país.</P>     <P>Também os pares são identificados como muito influentes. Os estudos referem  que os amigos determinam as escolhas dos adolescentes no que diz respeito ao  comportamento sexual, à contracepção e ao uso do preservativo <SUP>17</SUP>.  Também a percepção da idade de início das relações sexuais dos pares pode ser um  factor importante a ter em conta, dada a influência da percepção do  comportamento dos outros.</P>     <P>Sendo assim, é indispensável que sejam criadas condições para uma maior  implicação das famílias na educação e relação com a escola, que os professores  aumentem o seu campo de competências e, especialmente, de intervenção, e que os  amigos tenham mais informação e comportamentos preventivos. Deste modo, a  realização de cursos de sensibilização para pais, de cursos de formação para  professores e formação interpares pode ajudar a aumentar o campo de intervenção  e, consequentemente, a promover a mudança. A disponibilização, na comunidade, de  Gabinetes de Esclarecimento, com abrangência em vários locais (como as escolas),  constituídos por equipas multidisciplinares, com recurso às tecnologias mais  recentes (principalmente a Internet), pode ajudar a implementação de campanhas  de prevenção para o esclarecimento e orientação dos jovens, nomeadamente  facultando informação sobre os métodos contraceptivos, entregando gratuitamente  preservativos e pílulas.</P>     <P>As intervenções têm de ter uma abordagem sistémica e, portanto, devem abarcar  os diferentes contextos de vida do adolescente, tal como tem sido proposto  recentemente <SUP>1-3</SUP>, em especial nas quatro áreas da saúde consideradas  prioritárias, que incluem a prevenção dos comportamentos sexuais de risco e das  IST's, VIH e SIDA.</P>     <P>Ao delinear possíveis intervenções, alguns autores apontam como estratégias  relevantes para o aumento da felicidade dos indivíduos e da percepção de  satisfação de vida a participação social activa, o aumento do número de  acontecimentos agradáveis na vida diária e o foco da atenção nos aspectos  agradáveis das vivências. Mais do que o número ou a variedade de actividades  agradáveis, é fundamental prevenir e acompanhar o adolescente; ajudá-lo a  descobrir-se, a conhecer-se e a comunicar; dotá-lo de competências para avaliar  o seu próprio desenvolvimento, os acontecimentos de vida, o contexto, a  sociedade e o mundo; trabalhar os seus recursos pessoais para lidar com os  desafios de uma existência indutora de stress; envolvê-lo em comunidades que o  integre, sejam criativas e promovam a saúde; despertar-lhe horizontes e ideais  de vida; acompanhá-lo nas opções e reflexões de vida; e desenvolver a sua  responsabilidade e solidariedade para com a comunidade.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>É ainda importante o reforço da autonomia, responsabilização e participação  social do adolescente e da importância destes factores na promoção da sua  saúde.</P>     <P>O grande desafio para pais e professores é estar presente, estar atento, mas  actuar responsabilizando, dando e exigindo, facilitando as tomadas de decisão,  promovendo uma reflexão pessoal sobre a vida, expectativas de futuro e opções de  vida associadas ao bem-estar.</P>     <P>Parece igualmente importante considerar aspectos determinantes, como são as  diferenças a nível de grupo relativamente a crenças e valores, conhecimentos,  necessidades utilitárias e afectivas, que poderão, por sua vez, constituir o  resultado de diferentes processos desenvolvimentais, educacionais, culturais e  sociais e nesse sentido a intervenção tem de ser também mais específica para não  excluir esses grupos.</P>     <P>Sendo assim, é crucial que a educação sexual incida em intervenções do tipo  preventivo de carácter universal, abrangendo toda a população escolar e  respectivos contextos de vida: escola, família e grupo de pares; mas também  intervenções mais específicas em pequenos subgrupos identificados como  prioritários.</P>     <P>Neste momento decisivo é urgente a aplicação das<I> lições</I> retiradas dos  estudos à vida real, que se espera longa e feliz dos jovens portugueses.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Bibliografia</B></P>     <!-- ref --><P>1. Sampaio D, coord. , Baptista MI, Matos MMG, Silva MO; Grupo de Trabalho de  Educação Sexual. Educação para a saúde: relatório preliminar. [Internet].  Lisboa: Direcção–Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular. Ministério  da Educação; 2005 [consultado 2 Jul 2007]. Disponível em:  <A href="http://www.dgidc.min–edu.pt/saude/Documents/Relatorio_Preliminar_ES_31–10–2005.pdf"target=_blank>http://www.dgidc.min–edu.pt/saude/Documents/Relatorio_Preliminar_ES_31–10–2005.pdf</A>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0870-9025201100010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>2. Sampaio D, coord. , Baptista MI, Matos MMG, Silva MO; Grupo de Trabalho de  Educação Sexual. Educação para a saúde: relatório de progresso. [Internet].  Lisboa: Direcção–Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular. Ministério  da Educação; 2007a [consultado 2 Jul 2007]. Disponível em: <A href="http://www.dgidc.min–edu.pt/saude/Documents/Relatorio_progressoGTES.pdf"target=_blank>http://www.dgidc.min–edu.pt/saude/Documents/Relatorio_progressoGTES.pdf</A>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0870-9025201100010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>3. Sampaio D, coord. , Baptista MI, Matos MMG, Silva MO; Grupo de Trabalho de  Educação Sexual. Educação para a saúde: relatório final, 2007b. [Internet].  Lisboa: Direcção–Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular. Ministério  da Educação; 2007b. [consultado 30 Set 2007]. Disponível em: <A href="http://www.dgidc.min–edu.pt/saude/Documents/GTES_RELATORIO_FINAL.pdf"target=_blank>http//www.dgidc.min–edu.pt/saude/Documents/GTES_RELATORIO_FINAL.pdf</A>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0870-9025201100010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>4. Piscalho I, Serafim I, Leal I. Representações sociais da educação sexual  em adolescentes. Em: Ribeiro J, Leal I, Dias M, editores. Actas do 3.º Congresso  Nacional de Psicologia da Saúde. Lisboa: ISPA; 2000. ISBN: 972–8400–24–1.  p.353–62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0870-9025201100010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>5. Aquilino ML, Bragadottir H. Adolescent pregnancy: teen perspectives on  prevention. MCN Am J Matern Child Nurs. 2000;25:192–7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0870-9025201100010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>6. Reis M. , Vilar D. A implementação da educação sexual na escola: atitudes  dos professores. Análise Psicológica. 2004;4: 737–45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0870-9025201100010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>7. Marques AM, Pereira A, Silva B, Vilar D, Cadete J, coord. Educação sexual  e promoção da saúde nas escolas: um projecto experimental: orientações técnicas  sobre educação sexual em meio escolar: contributos das Equipas do Projecto.  Lisboa: Programa de Promoção e Educação para a Saúde. Associação para o  Planeamento da Família. Direcção Geral da Saúde; 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0870-9025201100010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>8. Marques AM, Prazeres V, Pereira A, Vilar D, Forreta F, Cadete J. et al.  Educação sexual em meio escolar: linhas orientadoras. Lisboa: Ministério da  Saúde. Ministério da Educação; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0870-9025201100010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>9. Matos MG, coord. , Simões C, Tomé G, Gaspar T, Camacho I, Diniz JA, et al.  Equipa do Projecto Aventura Social &amp; Saúde. A saúde dos adolescentes  portugueses: hoje e em 8 anos: relatório preliminar do estudo HBSC. [Internet].  Lisboa: Faculdade de Motricidade Humana. UTL; 2006 [consultado 20 Dez 2006].  Disponível em: <A href="http://www.fmh.utl.pt/aventurasocial/pdf/Relatorio_nacional_2006.pdf"target=_blank>www.fmh.utl.pt/aventurasocial/pdf/Relatorio_nacional_2006.pdf</A>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0870-9025201100010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>10. Currie C, Hurrelmann K, Settertobulte W, Smith R, Todd J. Health and  health behavior among young people. Copenhagen: World Health Organization; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0870-9025201100010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>11. Ramiro L, Matos M. Percepções de professores portugueses sobre educação  sexual. Rev Saúde Pública. 2008;42:684–92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0870-9025201100010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>12. Matos MG, editor. Comunicação, gestão de conflitos e saúde na escola.  Lisboa: Edições FMH; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0870-9025201100010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>13. Matos M; Equipa do Projecto Aventura Social &amp; Saúde. A saúde dos  adolescentes portugueses: quatro anos depois. Lisboa: Edições FMH; 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0870-9025201100010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>14. Albert, B. With one voi America''s adults and teens sound off about teen  pregnancy. Washington, DC: National Campaign to Prevent Teen Pregnancy; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0870-9025201100010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>15. Eisenberg M, Bearinger L, Sieving R, Swain C, Resnick M. Parents''  beliefs about condoms and oral contraceptives: are they medically accurate?  Persps Sex Repro Health. 2004;36:50–7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0870-9025201100010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>16. Reis MH. A educação sexual nas escolas portuguesas: os professores como  actores na sua implementação. Lisboa: Universidade Lusófona de Humanidades e  Tecnologias; 2003. Dissertação de mestrado.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0870-9025201100010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>17. Kirby D. Understanding what works and what doesn''t in reducing  adolescent sexual risk–taking. Fam Plann Perspect. 2001;33:276–81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0870-9025201100010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Agradecimentos </B></P>     <P>Revisão linguística Célia Alves.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>À Equipa do Projecto Aventura Social da Faculdade de Motricidade Humana.</P>     <P>À Coordenação Nacional para a Infecção VIH/SIDA/Ministério da Educação/IDT -  Instituto da Droga e Toxicodependência.</P>     <P>Ao Health Behaviour in School-aged Children / Organização Mundial de  Saúde.</P>     <P>Ao Centro de Malária e Outras Doenças Tropicais/IHMT/ UNL.</P>     <P>À Fundação para a Ciência e a Tecnologia/Ministério da Ciência e do Ensino  Superior.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Conflito de interesse</B></P>     <P>Os autores declaram não haver conflito de interesse.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><I>Recebido em 8 de Março de 2010</I></P>     ]]></body>
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