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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Conhecimento de factores de risco e de profilaxia na transmissão da brucelose humana nos profissionais da pecuária na província do Namibe - Angola - 2009]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Knowledge of risk factors and prevention of human brucellosis transmission in the livestock professionals in the province of Namibe - Angola - 2009]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Fundação Oswaldo Cruz Escola Nacional de Saúde Pública ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Background: Human brucellosis is endemic, and a public health problem in Africa, including in Angola. The objective was to observe the levels of knowledge of risk factors and prevention in occupational transmission of brucellosis in livestock in the Province of Namibe (Angola) comparing the farmers with workers in slaughterhouses, municipal halls of slaughter and the slaughterhouse. Materials and methods: A cross-sectional study was conducted in November 2009, with application of a questionnaire on socio-demographics, knowledge of risk factors and prevention. All workers (N = 40) and a random sample of farmers (n = 130), controlled by the provincial Department of Livestock Namibe, were interviewed. Results: 60.8 % of professionals declared to ignore what brucellosis was. The creators demonstrated greater knowledge than the workers. No relevant difference was found as far as the prophylaxis is concerned. Conclusions: There is no association between knowledge and prophylaxis of human brucellosis.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P><B>Conhecimento de factores de risco e de profilaxia na transmissão da brucelose  humana nos profissionais da pecuária na província do Namibe – Angola – 2009</B></P>     <p>&nbsp;</p>      <P><b>Franco Cazembe Mufinda<SUP>a</SUP></b>, <b>Carlos Henrique Klein<SUP>b</SUP></b></P>     <P><SUP>a</SUP>Departamento Provincial de Saúde Pública e Controlo de Endemias,  Província do Namibe, Angola. <A href="mailto:mufinda@portugalmail.com">mufinda@portugalmail.com</A></P>     <P><SUP>b</SUP>Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de  Janeiro, Brasil</P>     <p>&nbsp;</p>      <P><B>Resumo</B></P>    <P>Introdução: A brucelose humana é endémica e problema de  saúde pública em África, inclusive em Angola. O objectivo do presente estudo foi  observar os níveis de conhecimento dos factores de risco e de profilaxia na  transmissão da brucelose nos profissionais da pecuária da Província do Namibe  (Angola), comparando os criadores de gado com os trabalhadores de talhos, salas  municipais de abate e matadouro. Material e métodos: Trata–se de um estudo  seccional, realizado em Novembro de 2009, com aplicação de questionário sobre  aspectos sócio–demográficos, conhecimento de factores de risco e de profilaxia.  Todos os trabalhadores (N = 40) e uma amostra aleatória dos criadores (n = 130),  controlados pelo Departamento Provincial da Pecuária do Namibe, foram  entrevistados. Resultados: 60,8 % dos profissionais declararam não ter ouvido  falar de brucelose. Os criadores demonstraram maior conhecimento do que os  trabalhadores. Quanto à profilaxia não há diferenças relevantes. Conclusões: Não  há associação entre conhecimento de factores de risco e profilaxia da brucelose  humana.</P>      <P><B>Palavras Chave:</B> Brucelose humana. Conhecimento de factores de risco. Profilaxia.</P>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Knowledge of risk factors and prevention of human brucellosis transmission in  the livestock professionals in the province of Namibe – Angola – 2009</B></P>     <P><B>Abstract</B></P>    <P>Background: Human brucellosis is endemic, and a public  health problem in Africa, including in Angola. The objective was to observe the  levels of knowledge of risk factors and prevention in occupational transmission  of brucellosis in livestock in the Province of Namibe (Angola) comparing the  farmers with workers in slaughterhouses, municipal halls of slaughter and the  slaughterhouse. Materials and methods: A cross–sectional study was conducted in  November 2009, with application of a questionnaire on socio–demographics,  knowledge of risk factors and prevention. All workers (N = 40) and a random  sample of farmers (n = 130), controlled by the provincial Department of  Livestock Namibe, were interviewed. Results: 60.8 % of professionals declared to  ignore what brucellosis was. The creators demonstrated greater knowledge than  the workers. No relevant difference was found as far as the prophylaxis is  concerned. Conclusions: There is no association between knowledge and  prophylaxis of human brucellosis.</P>      <P><B>Keywords:</B> Human Brucellosis. Knowledge of risk factors. Prophylaxis.</P>        <p>&nbsp;</p>     <P><B>Introdução </B></P>     <P>A brucelose é uma zoonose de grande importância económica em saúde pública.  Em países com um baixo nível sanitário, a enfermidade tem um carácter  profissional. Na espécie humana, a brucelose é considerada uma antropozoonose e  uma doença ocupacional <SUP>1</SUP>. Ela tem uma distribuição mundial com uma  alta taxa de morbilidade, 500,000 casos por ano e baixa mortalidade. Em  trabalhadores de matadouros, o contacto infeccioso tem como fonte as carcaças e  vísceras de animais e através da formação de aerossóis presentes neste ambiente  laboral <SUP>2-4</SUP>.</P>     <P>Segundo Kunda<I> et al.</I> <SUP>5</SUP>, citando vários autores, a  prevalência da brucelose em África é a seguinte: 3 % no Malawi (Bernard, 1993);  2,27 % no Sudão (Mahmoud, 1991); 4,2 % na Etiópia (Tekelye-Bekele, 1989); 5,45  %-17,5 % no Kenya (Waghela, 1977; Ndarathi e Waghela, 1991); 9,5 % na Somália  (Wernery<I> et al</I>, 1979); 7 %-50 % na Nigéria (Eze, 1977); 37,9 %-61,8 % no  Egipto (Refai, 1990).</P>     <P>Em Angola, a brucelose acomete populações que se dedicam a criação de gado.  No Namibe, o estudo dos Médicos Sem Fronteiras <SUP>6</SUP> apontou taxa de  prevalência de 4,68 % de brucelose humana nos municípios de Bibala e Kamucuio e  outro em gados bovinos no Virei dirigido pelo departamento Provincial da  Pecuária apresentou 27,7 % de<I> Brucella bovis</I> <SUP>7</SUP>.</P>     <P>Namibe é uma província que se situa no Sudoeste da República de Angola. O  clima é árido e desértico. Tem uma densidade populacional de 21  hab/km<SUP>2</SUP>. A população é heterogénea e dedica-se principalmente à  pesca, pastorícia e agricultura <SUP>8</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O objectivo deste trabalho é identificar o nível de conhecimento dos factores  de risco envolvidos na transmissão da doença do animal para o homem em  matadouro, salas de abate, talhos e<I> sambos </I>(criações de animais) e  aspectos relacionados com a profilaxia da doença no homem.</P>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Material e métodos</B></p>     <P>A estratégia geral é de um estudo epidemiológico seccional <SUP>9</SUP>.</P>     <P>O instrumento de colecta de informações no campo consistiu num questionário  pré-codificado e padronizado com perguntas fechadas abordando variáveis  relacionadas com conhecimento e profilaxia da brucelose humana, além de questões  sócio-demográficas. As entrevistas foram realizadas no mês de Novembro de 2009.  O questionário apresentou perguntas aplicáveis a todo grupo dos profissionais da  pecuária e específicas para trabalhadores ou criadores. Estas últimas, foram  sobre profilaxia para os trabalhadores ("desinfecta as mãos no trabalho") e  sobre conhecimento, profilaxia. Para obter a compreensão foi necessária a  utilização do dialecto local, o Nhaneca-Umbi.</P>     <P>As questões sócio-demográficas se relacionaram com idade, sexo, naturalidade,  grau de educação formal, posição e inicio na actividade. A posição na actividade  foi dividida em três categorias: legado, empreendedor e contratado. Entende-se  por legado o indivíduo que herdou a actividade de seus ancestrais, empreendedor  aquele que inicia a actividade e o contratado aquele que é empregado. O início  da actividade foi dividido em três categorias: menor (menos de 12 anos),  adolescente (de 12 a 17 anos) e adulto (de 18 anos ou mais).</P>     <P>O conhecimento foi caracterizado de acordo com os aspectos que se relacionam  com "ouvir falar" da brucelose, com o reconhecimento da brucelose como  antropozoonose, suas formas de transmissão aos humanos, de prevenção, sua  transmissão pelo leite azedo ou materiais fecais de animais, a existência da  vacina animal e a necessidade de uso de equipamentos de biossegurança. O leite  azedo referenciado diz respeito ao fermentado ou não pasteurizado, conhecido por  "<I>Mahini</I>" em Nhaneca-Umbi, muito estimado e usado como condimento na  alimentação diária da população pastoril no sul de Angola.</P>     <P>Quanto à profilaxia, os trabalhadores foram inquiridos sobre o consumo de  leite azedo, a fervura do leite fresco e o contacto com excrementos de animais.  O leite fresco é o leite<I> in natura</I>, pós-ordenha, não fermentado e que não  sofreu fervura. Além disto, aos trabalhadores se inquiriu se desinfectavam as  mãos no trabalho, e aos criadores foi inquirido se tomavam medidas de protecção  no parto animal, e se separavam os animais que abortavam, por pelo menos um  mês.</P>     <P>Adicionalmente foram construídas variáveis para medição resumida do  conhecimento e da profilaxia. A do conhecimento foi baseada na combinação das  respostas às perguntas específicas sobre conhecimento, descritas acima. Esta  variável tem três categorias. A de conhecimento completo corresponde à  combinação de respostas correctas às oito perguntas correspondentes, enquanto  que a de nenhum conhecimento corresponde à combinação de todas respostas  incorrectas. A categoria intermediária, de conhecimento parcial, reúne aqueles  que responderam correctamente a pelo menos uma das questões. Também foram  construídos escores de conhecimento sobre factores de risco baseados em somas  simples, atribuindo-se um ponto à cada resposta correcta às oito perguntas sobre  conhecimento descritas acima.</P>     <P>Para resumir a medida de profilaxia foram combinadas as respostas  correspondentes às questões descritas acima, sobre profilaxia. Esta variável  também tem três categorias. A de nível de profilaxia completo corresponde à  combinação de respostas correctas às perguntas correspondentes, segundo o tipo  de profissional, enquanto que a de nenhum conhecimento corresponde à combinação  de todas respostas incorrectas. A categoria intermediária, de nível de  profilaxia parcial, reúne aqueles que responderam correctamente a pelo menos uma  das questões. Os escores de profilaxia foram construídos por somas simples,  atribuindo-se um ponto a cada uma das três questões comuns à trabalhadores e  criadores sobre profilaxia (consumo de leite azedo, fervura do leite fresco e  contacto com excrementos). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I><B>Amostragem </B></I></P>     <P>Para conhecer a população de referência do estudo (trabalhadores e criadores)  foram utilizados os relatórios do Departamento Provincial da Pecuária de 2005 e  2006, provenientes da Secretaria da Direcção da Agricultura e Desenvolvimento  Rural <SUP>7,10</SUP>. A população de referência são os profissionais da  pecuária, da Província do Namibe de Angola, divididos em dois grupos: os  trabalhadores de matadouro, talhos e salas de abate, e os criadores de animais  (gados bovino, caprino, ovino e suíno). Os trabalhadores, oficialmente  controlados pelo Departamento Provincial da Pecuária do Namibe até Setembro de  2009, constituíam um universo de 40 pessoas, enquanto que os criadores,  conhecidos pelo mesmo departamento, eram 377 indivíduos.</P>     <P>Planeou-se entrevistar todos os trabalhadores, portanto obter os parâmetros  populacionais das variáveis investigadas nos trabalhadores. Já em relação aos  criadores foi seleccionada uma amostra, de acordo com um processo de amostragem  aleatória simples, isto é, sem reposição <SUP>11</SUP>. Para uma estimativa de  15 % e um erro amostral admitido de 5 %, para um intervalo de confiança de 95 %,  o tamanho da amostra aleatória simples foi calculado em 130 criadores. A  selecção dos indivíduos foi feita utilizando-se uma tabela de números aleatórios  gerada pelo programa Epi Info <SUP>12</SUP>. Portanto, dos criadores foram  obtidas estimativas dos parâmetros populacionais. </P>     <P><I><B>Critérios de inclusão e exclusão </B></I></P>     <P>Para inclusão no estudo foram considerados somente os profissionais da  pecuária pertencentes ao sistema formal controlados pelo Departamento Provincial  da Pecuária do Namibe, tanto os trabalhadores como os criadores. Como critérios  de exclusão foram considerados não pertencentes à população de estudo os  profissionais do sistema informal, ou seja, os trabalhadores que praticavam o  abate clandestino e venda de carne em mercados informais e os criadores dos  desconhecidos pelo departamento de pecuária, geralmente nómadas. </P>     <P><I><B>Análise dos dados </B></I></P>     <P>O questionário foi produzido com Word XP <SUP>13</SUP> e informatizado com  Excel XP <SUP>14</SUP>. A análise foi feita com o programa Stata <SUP>15</SUP>.  As tabelas foram construídas cruzando os resultados das variáveis investigadas  de acordo com os grupos de profissionais da pecuária, trabalhadores e criadores.  Os percentuais correspondentes foram estimados para as categorias de cada  variável, inclusive os limites dos intervalos de confiança de 95 %. A estratégia  geral para confrontações entre os grupos consistiu nas comparações dos limites  dos intervalos de confiança, de 95 %, das estimativas obtidas para os criadores  com os parâmetros obtidos para os trabalhadores. Também foram obtidas  estimativas para o conjunto dos profissionais da pecuária utilizando-se as  ponderações correspondentes aos grupos (trabalhadores e criadores). Estas  ponderações correspondem aos inversos das fracções amostrais, que no caso dos  trabalhadores foi igual a 40/40 (= 1) e no caso dos criadores foi igual a  130/377 (&#8776;0,3448). Os limites dos intervalos de confiança de 95 % foram  construídos utilizando-se uma transformação logito de<I> p</I> (<I>ln  p/(1-p)</I>) para obter apenas valores entre os limites 0 e 100 %  <SUP>15</SUP>.</P>     <P>As diferenças de distribuições dos escores de conhecimento e de profilaxia  foram testadas com a estatística Mann-Whitney <SUP>16</SUP>. Para testar a  independência entre níveis de conhecimento e de profilaxia foi utilizado o teste  de qui-quadrado de Pearson, corrigido para o delineamento amostral, com  correcção de segunda ordem de Rao e Scott <SUP>17</SUP>, convertido para  estatística F <SUP>15</SUP>.</P>     <P><I><B>Aspectos éticos </B></I></P>     <P>A participação foi condicionada por consentimento livre e informado,  seguindo-se as orientações de Helsínquia e da CIOMS-2002 (Council for  International Organizations of Medical Sciences), referentes à pesquisa com  seres humanos, evitando qualquer tipo de dano físico ou moral conforme  observação do comité de ética da ENSP-FIOCRUZ na carta N.º 03/10-CEP/ENSP de 29  de Julho de 2010.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><B>Resultados </B></P>     <P>Todos os profissionais seleccionados para participar no estudo foram  entrevistados, portanto, não houve perdas por qualquer motivo, inclusive  rejeição.</P>     <P>A tabela 1 resume os achados dos indicadores sócio-demográficos. Os  trabalhadores têm um perfil etário mais jovem do que os criadores. Esta  observação é corroborada pela comparação das médias de idade que são de 36,9  anos nos trabalhadores e de 48,9 anos (IC 95 %: 47,2; 50,8) nos criadores. </P>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a11t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a> - Percentuais e intervalos de confiança de 95% de indicadores sócio-demográficos de trabalhadores e criadores da pecuária da Província do Namibe - Angola, 2009</p>     
<p>&nbsp;</p>     <P>Como o intervalo de confiança da média dos criadores não contém a média de  idade dos trabalhadores, pode-se concluir que há diferença estatisticamente  significativa entre os grupos de profissionais. No total dos entrevistados  predomina o sexo masculino, e não há diferença estatística significativa na  distribuição do sexo entre os grupos de profissionais da pecuária. A maioria dos  criadores nasceu no Namibe, ao passo que metade dos trabalhadores provém da  Huila.</P>     <P>Do total dos profissionais estima-se que apenas 6,3 % têm instrução formal de  nível médio. Há diferença estatística significativa entre criadores e  trabalhadores quanto ao nível de instrução formal, sendo os últimos mais  instruídos. Os trabalhadores iniciaram sua actividade na idade adulta enquanto  que metade dos criadores o fizeram ainda menores (diferença estatísticamente  significativa). Os trabalhadores pertencentes às categorias de legado e  empreendedor são proprietários de talhos enquanto os contratados actuam no  matadouro. Há diferença significativa na categoria de legado a qual pertencem  quatro quintos dos criadores e na de contratados a qual pertencem mais da metade  dos trabalhadores.</P>     <P>A tabela 2 resume os achados sobre o conhecimento dos factores de risco. O  nível de conhecimento básico aferido pela evocação da palavra brucelose  (<I>Katolotolo</I> em Nhaneca Umbi) foi baixo em ambos os grupos, mas há  diferença estatística significativa sendo que os criadores responderam "sim" 2,4  vezes mais do que os trabalhadores. No geral estima-se que dois quintos dos  profissionais da pecuária do Namibe já ouviram falar de brucelose. O  desconhecimento da brucelose como antropozoonose é generalizado. Entre os  criadores pouco mais de um terço reconhece que a doença pode ser transmitida  para animais e homens, e o mesmo acontece com um décimo dos trabalhadores  (diferença estatisticamente significativa).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a11t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a> - Percentuais e intervalos de confiança de 95% de respostas positivas a questões sobre conhecimento de factores de risco de brucelose de trabalhadores e criadores da pecuária da Província do Namibe - Angola, 2009</p>     
<p>&nbsp;</p>     <P>Quase três quartos dos profissionais da pecuária do Namibe não conhecem as  formas de transmissão da brucelose. O desconhecimento da prevenção sobre a  brucelose é quase total por parte dos trabalhadores e por metade dos criadores  (diferença estatisticamente significativa). A maioria dos profissionais da  pecuária do Namibe não reconhecem que o leite azedo transmite brucelose, apenas  um quarto conhecem esta forma de transmissão. Pouco mais de um quarto dos  criadores e menos de dez por cento dos trabalhadores reconhecem a relevância do  leite azedo (diferença estatisticamente significativa).</P>     <P>Pouco mais de um terço dos criadores e menos de dez por cento dos  trabalhadores reconhecem o papel dos materiais fecais (diferença  estatisticamente significativa). Cerca de um quarto dos criadores e menos de um  quinto dos trabalhadores reconhecem a importância da vacinação animal (diferença  estatisticamente significativa). O percentual de reconhecimento da necessidade  de uso de medidas de protecção é quase três vezes maior nos criadores do que nos  trabalhadores (diferença estatisticamente significativa).</P>     <P>A tabela 3 resume os achados sobre a profilaxia. Pouco mais de três quartos  dos profissionais da pecuária declararam consumir leite azedo. A diferença entre  trabalhadores e criadores é estatisticamente significativa, porém não é  relevante, porque ambos os percentuais são muito elevados. O percentual estimado  de fervura do leite fresco é baixo e a diferença entre trabalhadores e criadores  também é estatisticamente significativa, mas não é relevante porque ambos os  percentuais são muito baixos.</P>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a11t3.jpg" target="_blank">Tabela 3</a> - Percentuais e intervalos de confiança de 95% de respostas positivas a questões sobre profilaxia da brucelose de trabalhadores e criadores da pecuária da Província do Namibe - Angola, 2009</p>     
<p>&nbsp;</p>     <P>Estima-se que pouco menos de 30 % dos profissionais da pecuária não se expõe  ao contacto directo com excrementos de animais, sem diferença significativa  entre os grupos. Poucos trabalhadores desinfectam as mãos e nenhum dos criadores  usa rotineiramente medidas de protecção pessoal durante o parto animal ou separa  os animais que abortam, por um mês, de forma usual.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Nenhum dos trabalhadores possuía conhecimento completo dos factores de risco,  30,0 % de nenhum e os demais, 70,0 %, têm conhecimento de pelo menos um dos  factores. Quanto aos criadores, apenas 3 dos 130 entrevistados possuíam  conhecimento de todos os factores. Porém, 25,4 % não têm nenhum conhecimento e o  restante, 72,3 %, de pelo menos um dos elementos. Portanto, os dois grupos não  são diferentes quanto ao nível de conhecimento, pois não significância  estatística.</P>     <P>Entretanto, se cada resposta correcta aos oito elementos investigados quanto  ao conhecimento contribuir com um ponto para a formação de escores, observa-se  que as médias dos escores dos trabalhadores (de 0 a 8, as quantidades foram: 12,  18, 7, 3, 0, 0, 0, 0 e 0) e dos criadores (de 0 a 8, as quantidades foram: 33,  15,15, 16, 13, 13, 15, 7 e 3) foram 1,02 e 2,87, respectivamente. O teste de  Mann-Whitney para a diferença das distribuições de escores resultou na  estatística z = -3,999 e um <I>p-valor</I> = 0,0001. Portanto, a avaliação da  diferença entre as distribuições de escores permite supor que os criadores têm  mais conhecimento dos factores de risco do que os trabalhadores.</P>     <P>Nenhum dos trabalhadores está totalmente protegido, segundo os elementos  positivos para profilaxia. Além disto, 47,5 % estão sem nenhuma protecção e os  demais, 52,5 %, estão parcialmente expostos a pelo menos um elemento negativo.  Quanto aos criadores, da mesma forma, nenhum está totalmente protegido. Além  disto, 53,1 % está sem nenhuma protecção e os demais, 46,9 %, estão parcialmente  expostos a pelo menos um elemento negativo. Os dois grupos não são diferentes  quanto aos elementos de profilaxia contra a brucelose, pois não significância  estatística.</P>     <P>Na comparação das distribuições dos escores formados pela soma de respostas  correctas aos elementos de profilaxia comuns a ambos os profissionais da  pecuária (não consumir leite azedo, ferver o leite fresco e não ter contacto com  excrementos de animais) observa-se que as médias dos escores foram muito  aproximadas, de 0,70 e 0,65, para trabalhadores (de 0 a 3, as quantidades foram:  19, 14, 7 e 0) e criadores (de 0 a 3, as quantidades foram: 69, 38, 22 e 1),  respectivamente. O teste de Mann-Whitney para a diferença das distribuições de  escores resultou na estatística z = 0,458 e um <I>p-valor</I> = 0,6467.  Portanto, não há evidência de diferença nas distribuições de escores entre  trabalhadores e criadores quanto ao nível de profilaxia.</P>     <P>Na tabela 4 comparam-se os níveis de profilaxia de acordo com os níveis de  conhecimento. Entre os de nível de conhecimento parcial, pouco menos da metade  se protegem com medidas parciais de profilaxia, enquanto que entre os de nenhum  conhecimento, pouco mais da metade se protege de forma parcial. O teste de  independência resultou em F = 1,8864 com p-valor = 0,1534. Portanto, não é  possível inferir que há associação entre os níveis de conhecimento e de  profilaxia.</P>     <p>&nbsp;</p>      <p><a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a11t4.jpg" target="_blank">Tabela 4</a> - Percentuais estimados e intervalos de confiança de 95% dos níveis de profilaxia segundo os níveis de conhecimento dos profissionais da pecuária da Província do Namibe, Angola - 2009</p>     
<p>&nbsp;</p>     <P><B>Discussão </B></P>     <P>Este trabalho é um estudo de observação seccional e como tal descreve a  situação relativa aos aspectos de comportamentos e atitudes, conhecimento dos  factores de risco na transmissão da brucelose humana e de profilaxia dos  profissionais da pecuária da província do Namibe da República de Angola, em  Novembro de 2009. Pelo carácter deste tipo de estudo existem certas limitações.  Primeiro, a restrição a observações em uma amostra de criadores pode resultar em  erros de estimativas. Segundo, a população de referência se limita aos  profissionais da pecuária do sector formal e controlados pelo Departamento  Provincial da Pecuária. Portanto, não é possível inferir sobre as condições dos  criadores nómadas e trabalhadores das salas de abate informais, que estão além  do olhar do sistema de vigilância sanitária. Terceiro, o questionário  padronizado e pré-codificado limita o escopo do estudo, não considerando  aspectos não contemplados no inquérito.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O estudo fez o recorte dos factores de risco que são reconhecidos pelos  profissionais da pecuária do Namibe tendo em consideração os hábitos locais,  excluindo aspectos tais como o consumo dos derivados de leite (queijo e  manteiga) e de legumes, por estes não serem observados na província. Os  relatórios de estudos da brucelose animal e humana realizados nos municípios de  Bibala, Kamucuio e Virei, da província do Namibe, indicaram a existência desta  doença nos animais e humanos com as respectivas taxas de prevalência de 27,7 %  em bovinos e 4,68 % em humanos <SUP>6,7</SUP>. Pelo seu carácter zoonótico,  torna-se de primordial importância a identificação e a eliminação das fontes de  infecção com a finalidade de bloquear a transmissão ao ser humano e a outros  animais susceptíveis <SUP>19</SUP>. O perfil etário dos profissionais da  pecuária do Namibe revela que estes são relativamente mais velhos do que a  população de Angola. Isto, porque, uma vez que 70,2 % tinham 40 anos ou mais,  enquanto que o mesmo só ocorria com 36,4 % dos adultos de Angola em 2004  <SUP>19</SUP>. Este perfil etário, dos profissionais da pecuária, se deve  principalmente aos criadores, a fracção mais numerosa. Como seria de esperar, o  predomínio de homens é quase absoluto entre os profissionais da pecuária. A  naturalidade dos criadores é predominantemente ligada a Província do Namibe,  enquanto que a maioria dos trabalhadores são oriundos de outras províncias, na  busca de melhores condições de vida, em movimento possivelmente ocasionado pela  guerra recente e pelo crescimento económico das regiões litorais, conhecido por  fenómeno da <I>litoralização</I>. O percentual de escolaridade dos profissionais  da pecuária (49,0 %) é próxima daquela estimada para todo o país em 2006 que foi  de 45,0 % <SUP>18</SUP>. A educação específica sobre as zoonoses deve começar na  infância especialmente, no grupo dos criadores. As actividades de criação de  animais começam na infância, pela educação tradicional no cuidado da riqueza,  representada pelos animais. A criação de animais é também produto do legado ou  herança. A forma de trabalho contratado é muito mais importante para os  trabalhadores do que para os criadores.</P>     <P>O trabalho sobre a brucelose bovina e humana, realizado em matadouro  municipal de São Luís (Maranhão, Brasil) <SUP>20</SUP>, aferiu que 84,75 % já  tinham ouvido falar de brucelose e o mesmo percentual de trabalhadores sabia o  que é a brucelose. No presente estudo, no Namibe, obteve-se, respectivamente, os  seguintes resultados: 17,5 % e 10,0 % para as mesmas questões feitas aos  trabalhadores. Infelizmente o trabalho de São Luís não refere o grau de  escolaridade dos seus trabalhadores, mas relata que o matadouro estava sob  frequente inspecção oficial enquanto que o matadouro, as salas de abate e talhos  do Namibe têm tido inspecções educativas irregulares e insuficientes. Portanto,  este pode ser um dos motivos para maior sensibilização dos trabalhadores do  matadouro de São Luís em relação ao problema da brucelose. De qualquer modo, o  conhecimento geral dos profissionais da pecuária do Namibe sobre a brucelose é  muito incipiente, pois pouco mais de um terço ouviu falar da doença e sabe que é  uma zoonose.</P>     <P>Apenas pouco mais de um quarto dos profissionais reconheceram as formas de  transmissão da brucelose. Muito poucos apontaram o consumo de leite azedo como  forma de transmissão. O leite azedo (<I>Mahini</I>) é intimamente ligado a vida  nutricional da população pastoril do Namibe. O contacto com restos de animais  teve maior cotação. O desconhecimento da maioria aumenta o risco da contaminação  <SUP>21</SUP>.</P>     <P>Quanto ao conhecimento da prevenção contra a brucelose, o estudo observou de  novo que mais da metade dos profissionais a desconhecem. Mais de um terço dos  criadores referiu a vacina animal como meio de prevenção, provavelmente em  analogia a outras vacinas aplicadas em bovinos. Entretanto, a vacina contra a  brucelose nunca foi aplicada em Angola. Apesar da inexistência da vacina contra  a brucelose animal no Namibe, quase um quarto dos profissionais declararam ter  ouvido falar deste antígeno, ainda que um percentual maior (35,5 %) acredite  tratar-se de um meio eficaz de prevenção. Portanto, há uma razoável  sensibilidade dos profissionais, especialmente dos criadores, em relação à  necessidade de vacinação.</P>     <P>Os criadores de gado bovino são os potenciais consumidores de leite azedo na  sua alimentação diária. Entretanto, um percentual insuficiente dos profissionais  reconheceu que o leite azedo pode transmitir a brucelose.</P>     <P>Da mesma forma, mas em nível um pouco superior, houve reconhecimento de que o  contacto com os materiais fecais de animais transmitem brucelose. O  reconhecimento da necessidade do uso de medidas de biossegurança é insuficiente  no conjunto dos profissionais do gado. Mas o pior é que o grupo dos  trabalhadores, o que mais necessita de medidas de biossegurança, é o que menos  reconhece a sua necessidade. O estudo de São Luis observou que ninguém fazia uso  de máscara, nem de luvas e botas <SUP>20</SUP>, enquanto que em estudo sobre  factores de risco no Município de Correntes (Estado de Pernambuco, Brasil),  encontrou-se 73,2 % das pessoas sem fazer uso do equipamento de protecção  individual <SUP>22</SUP>. A observação directa dos trabalhadores do matadouro,  salas municipais de abate e talhos do Namibe mostrou que apenas alguns usavam  botas e quase todos o fato de protecção (ou macacão). Nenhum utilizava todas as  medidas de protecção recomendáveis. Isto é testemunho da fraca vigilância  sanitária em Angola.</P>     <P>Para sintetizar o grau de informação sobre o nível de conhecimento a respeito  de brucelose, combinaram-se em uma única variável os elementos: ouviu falar de  brucelose, que a brucelose é uma antropozoonose, como se transmite aos humanos,  suas formas de prevenção, sua transmissão pelo leite azedo ou materiais fecais  de animais, existência da vacina animal e necessidade de uso de equipamentos de  biossegurança. O conhecimento correcto de todos os elementos sobre conhecimento  investigados só foi registrado em 2,1 % dos profissionais. No outro extremo, do  conhecimento completamente equivocado, se posicionaram praticamente um quarto  dos profissionais o que revela que a maioria tem parcos conhecimentos sobre a  brucelose. Em relação aos pontos extremos do conhecimento, completo ou nenhum,  trabalhadores e criadores apresentam semelhanças, o que poderia ser justificado  pelo facto de terem a mesma base cultural tradicional, apesar de diferirem no  grau de instrução formal. Isto indica que a educação formal, dada na juventude,  não determina o conhecimento específico sobre brucelose e provavelmente sobre  outros agravos correlatos de saúde. Porém, ao observar os elementos específicos  do conhecimento, é possível verificar que os criadores parecem ter níveis  maiores do que os trabalhadores, pela comparação dos escores. Isto talvez se  explique pelo fato de que o cuidado dos animais pelos criadores é mais elevado.  Os animais representam valor social e económico mais importante na vida dos  criadores do que na dos trabalhadores.</P>     <P>Nas populações angolanas que vivem da pastorícia, com ênfase os povos  Kuvales, Mumuilas e outros Hereros, o leite azedo é o acompanhante principal  do<I> funji</I> (pirão de farinha de mandioca ou cereais) na sua ração diária.  Dois terços dos profissionais de gado confirmaram o consumo de leite azedo,  enquanto que o leite fresco só é fervido por um sétimo. Estas atitudes podem  potenciar o risco de infecção pela brucelose. Os estudos dos municípios de São  Luís <SUP>20</SUP> e de Correntes 22 observaram frequências relativas de consumo  de leite cru de 27,1 % e 78,6 %, respectivamente. Em outro estudo realizado no  Município de Araputanga, Mato Grosso-Brasil, encontrou-se o consumo de leite não  pasteurizado ou não fervido em 62,1 % das propriedades com criação de bovinos de  leite <SUP>23</SUP>.</P>     <P>O percentual de criadores em contacto com excrementos de animais, como era de  esperar, é bem maior do que o dos trabalhadores. Mas, mesmo estes têm contacto  frequente com excrementos o que significa que o risco de infecção é elevado no  conjunto dos profissionais.</P>     <P>Ainda mais, em relação aos trabalhadores são raros os que desinfectam as mãos  durante o trabalho. Por outro lado, o trabalho no matadouro de São Luís observou  que 98,3 % dos trabalhadores desinfectavam as mãos pelo menos antes das  refeições <SUP>20</SUP>. A pouca cultura de higiene básica de lavagem das mãos é  uma fonte real de exposição, uma vez que constitui via importante de transmissão  de<I> Brucella</I> sp. 24. A lavagem das mãos é atitude simples, mas capital na  redução do risco de infecção contra a brucelose, entretanto, a falta de água  canalizada e lavatórios em matadouro, salas de abate e talhos da Província do  Namibe favorece a contaminação contra brucelose.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Em caso de brucelose animal ou quando acontecem abortos, as autoridades  sanitárias orientam os criadores a separar os animais do rebanho durante um mês.  Apenas um quinto dos criadores usa medidas de protecção raras vezes durante o  parto e ainda é menor a fracção daqueles que raramente separam os animais que  abortam do restante do gado. Isto provavelmente se deve ao facto de que há  falhas na comunicação entre autoridades e criadores.</P>     <P>Para sintetizar o grau de informação sobre o nível de profilaxia para  brucelose combinaram-se em uma única variável os elementos: não consumir leite  azedo, ferver o leite fresco, não ter contacto com excrementos de animais e  desinfectar as mãos no trabalho (trabalhadores), e usar medidas de protecção  durante o parto, separar os animais que abortam (criadores). Não houve diferença  entre trabalhadores e criadores quanto à profilaxia que foi completamente  inexistente em pelo menos metade dos profissionais. Nenhum dos profissionais  observou todos os elementos de profilaxia investigados.</P>     <P>Não foi possível inferir que existe uma relação entre nível de conhecimento e  de profilaxia nos profissionais da pecuária da Província do Namibe da República  de Angola. Não houve significância estatística na associação, mas o que é  evidente e relevante é que os níveis de conhecimento e profilaxia são  inadequados. A situação ideal seria aquela em que todos os profissionais  tivessem níveis de conhecimento e de profilaxia completos, mas esta condição  está muito longe da realidade dos profissionais da pecuária do Namibe. Ainda  assim, se houvesse relação perfeita entre conhecimento e profilaxia, logicamente  todas as observações deveriam recair na diagonal da <a href="/img/revistas/rpsp/v29n1/29n1a11t4.jpg" target="_blank">Tabela 4</a></P>. Porém, não só isto não aconteceu, como se estimou que apenas 42,6 % das observações recaem na  diagonal correspondente à perfeita concordância entre conhecimento e profilaxia,  ocorrendo grande dispersão de observações fora da diagonal. Além disto, maior  percentual de profilaxia parcial foi observado entre os de nenhum conhecimento,  enquanto que entre os de conhecimento parcial foi verificado um percentual mais  elevado daqueles com nenhuma profilaxia. Este aparente paradoxo pode ter  ocorrido por artefacto, isto é, pelo menos em parte, sua explicação pode estar  relacionada com viéses de resposta, especialmente nas questões sobre  conhecimento, uma vez que o entrevistador é identificado como agente de  saúde.</P>     
<P>A brucelose é zoonose listada entre as doenças negligenciadas, segundo a  Organização Mundial de Saúde <SUP>25</SUP>, portanto da sua vigilância deveria  participar um sector da infraestutura responsável pela veterinária em saúde  pública. No Namibe este papel é desempenhado pelo Departamento Provincial de  Pecuária que se vê a braços com número reduzido de veterinários. Como resultado  desta precariedade, a brucelose não é diagnosticada, gerando uma percepção  errónea de que não é um problema relevante na província. Há um esforço por parte  do governo da província em recuperar o sector da pecuária para fortalecer a  economia. Entretanto, o controle da brucelose humana necessita da eliminação de  seu reservatório animal.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Conclusões e recomendações </B></P>     <P>Os procedimentos utilizados no tratamento dos produtos da pecuária da  Província do Namibe são rudimentares e obsoletos.</P>     <P>O nível de conhecimento dos factores de risco da brucelose humana dos  profissionais da pecuária da Província do Namibe é, de maneira geral,  insuficiente, ainda que em vários aspectos específicos os criadores tenham  demonstrado maior conhecimento do que os trabalhadores de matadouro, talhos e  salas de abate.</P>     <P>O nível de profilaxia contra a brucelose humana adoptado pelos profissionais  da pecuária da Província do Namibe também é, de maneira geral, insuficiente,  tanto por parte de criadores como trabalhadores.</P>     <P>Não há associação entre os níveis de conhecimento dos factores de risco e de  profilaxia da brucelose humana nos profissionais da pecuária da Província do  Namibe.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Portanto, são recomendações deste trabalho: a) elevar o conhecimento de  factores de risco e de profilaxia para brucelose a níveis adequados por meio de  educação, inspecções veterinárias, cumprimento de medidas de biossegurança e  fervura do leite; b) incrementar a vigilância sanitária animal e humana da  brucelose; e, c) incrementar políticas públicas de inclusão da brucelose como  doença prioritária, de aumento dos recursos humanos, de coordenação  interdisciplinar e de realização de estudos.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Bibliografía</B></P>     <!-- ref --><P>1. Doganay M, Aygen B. Humana brucellosis: an overview. Int J Infectious  Diseases. 2003;7:173–82.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0870-9025201100010001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>2. Freitas JA, Galindo GAR, Santos EJC, Sarraf KA, Oliveira JP. Risco de  brucelose zoonótica associado a suínos de abate clandestino. Rev. Saúde Públ Sao  Paulo. 2001;35:101–2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0870-9025201100010001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>3. Gonçalves DD, Teles PS, dos Reis CR, Lopes FM, Freire RL, Navarro IT.  Seroepidemiology and occupational and environmental variables for Leptospirosis,  Brucellosis and Toxoplasmosis in slaughterhouse workers in the Paraná State,  Brazil. Rev Inst Med Trop Sao Paulo. 2006;48:135–40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0870-9025201100010001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>4. Pappas G, Papadimitriou P, Akritidis N, Christou I, Tsianos EV. The new  global map of human brucellosis. Lancet Infect Dis. 2006;6:91–9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0870-9025201100010001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>5. Kunda, J, Cleaveland S, Fitspatric J, French N, Kambarage D, Shirima G, et  al. Brucellosis in Arusha and Manyara regions, Tanzania: a challenge to public  health. Tanzania Medical Journal. 2005;20:28–32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0870-9025201100010001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>6. Suiça. Médicos Sem Fronteiras. Relatório de estudo de Brucelose humana e  animal nos Municípios de Bibala e Kamucuio, Província do Namibe. Namibe: Médicos  Sem Fronteiras; 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0870-9025201100010001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> p. 5. </P>     <!-- ref --><P>7. Angola. Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. Departamento  Provincial dos Serviços de Veterinária. Relatório de actividades desenvolvidas  durante o ano de 2005. Namibe: Departamento Provincial dos Serviços de  Veterinária; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0870-9025201100010001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>8. Neto AB, Munana F, Bruno J, Santos F, Saraiva R. Plano de desenvolvimento  da Província do Namibe: estudos sectoriais: pecuária. Namibe: Governo da  Província do Namibe; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0870-9025201100010001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>9. Klein CH, Bloch KV. Estudos seccionais. Em: Medronho RA. Epidemiologia.  São Paulo: Atheneu; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-9025201100010001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>10. Angola. Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. Departamento  Provincial dos Serviços de Veterinária. Relatório de actividades desenvolvidas  durante o ano de 2006. Namibe: Departamento Provincial dos Serviços de  Veterinária; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-9025201100010001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>11. Cochran WG. Sampling techniques. New York: John Wiley &amp; Sons; 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0870-9025201100010001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>12. Dean JA, Coulombier D, Smith DC, Brendel KA, Arner TG, Dean AG. Epi Info:  version 6.04. Atlanta: Center for Disease Control; 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0870-9025201100010001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>13. Microsoft Corp. Word for Windows XP. Seattle, USA, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0870-9025201100010001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>14. Microsoft Corp. Excel for Windows XP. Seattle, USA, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0870-9025201100010001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>15. Stata Corp. Stata, Statistics and Data Analysis Software, v. 11.1.  College Station, Texas; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0870-9025201100010001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>16. Siegel, S. Estatística não–paramétrica. São Paulo: McGraw–Hill do Brasil;  1975.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0870-9025201100010001100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>17. Rao JNK, Scott, AJ. On chi–squared tests for multiway contingency tables  with cell proportions estimated from survey data. 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