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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Eventos adversos na prestação de cuidados hospitalares em Portugal no ano de 2008]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The establishment of the World Alliance for Patient Safety by the World Health Organization in 2004, results from the increased concern about patient safety, with the occurrence of errors being recognized as a major public health problem and a threat to quality of health care. Objective, material and methods: Although the Portuguese reality is not yet studied in a systematic way, it is possible to approach the problem through the study of secondary data sources. Thus, based on the International Classification of Diseases, 9th Revision, Clinical Modification (996-999, E870-E876 and E878-879 subclasses), this research sought to know the extent of adverse events resulting from health care in Portuguese public hospitals, reported on the patient classification system Diagnosis Related Groups, during the year 2008. Results and discussion: Adverse events occurred in 2.5% of the hospital admissions and mainly as secondary diagnosis. 2.6% of the men and 2.4% of the women were harmed by adverse events during inpatient care. The individuals with adverse events were on average five years older than the individuals without adverse events. The length of stay was on average 4.14 times longer in the cases with adverse events when compared with the average length of stay in the remaining episodes. The costs related to adverse events totals about 4.436€ per hospital admission, bearing in mind the cost per hospitalization day within the National Health Service. After hospital discharge, the destination to another institution was 2.5 times more frequent among patients with adverse events, while the number of deaths was 2.44 times higher in this group when compared with the remaining individuals. It was also possible to verify that patients impaired by adverse events went home less frequently than the other patients. Adverse events occurred more in the Centro of Portugal Region (3.0%) and less in the Alentejo Region (1.7%). Conclusion: Adverse events seem to be related with longer length of stay, higher costs and higher mortality rates. Adverse events occurred mainly in older individuals and the difference between sex or region hospital was not substantial. The results of this study urgently requires a better knowledge of the real impact of adverse events in Portugal, namely through the Portuguese morbidity and mortality indicators.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P><B>Eventos adversos na prestação de cuidados hospitalares em Portugal no ano de  2008<SUP><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></SUP></B></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Ana Mansoa<SUP>a</SUP> <SUP><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></SUP>, Carlota Vieira<SUP>b</SUP> <SUP><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></SUP>, Paulo  Ferrinho<SUP>c</SUP>, Paulo Nogueira<SUP>d</SUP>, Luís Varandas<SUP>e</SUP></b></P>     <P><SUP>a</SUP>Serviço de Cirurgia Cardiotorácica, Hospital de Santa Marta,  Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE; Escola Superior de Enfermagem de  Lisboa, Lisboa, Portugal</P>     <P><SUP>b</SUP>Serviço de Medicina Física e Reabilitação, Hospital do Divino  Espírito Santo, EPE, Ponta Delgada, Açores; Alto Comissariado da Saúde, Lisboa,  Portugal</P>     <P><SUP>c</SUP>Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de  Lisboa, Lisboa, Portugal</P>     <P><SUP>d</SUP>Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge; Faculdade de  Medicina, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal </P>     <P><SUP>e</SUP>Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central,  EPE; Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa,  Lisboa, Portugal. <A href="mailto:varandas@ihmt.unl.pt">varandas@ihmt.unl.pt</A></P>     <p>&nbsp;</p>      <P><B>Resumo</B></P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Introdução: A criação pela Organização Mundial de Saúde da  World Alliance for Patient Safety em 2004, é resultado da preocupação crescente  face ao domínio da segurança do doente, sendo a ocorrência de erros reconhecida  como um grande problema de saúde pública e uma ameaça à qualidade dos cuidados  prestados. Objectivo, material e métodos: Tendo por base os códigos da  Classificação Internacional de Doenças, 9.ª Revisão, Modificação Clínica  (subclasses 996–999, E870–E876&nbsp;e E878–879), esta investigação procurou  conhecer a dimensão dos eventos adversos, decorrentes da prestação de cuidados  de saúde nos hospitais públicos de Portugal Continental, relatados no sistema de  classificação de doentes em Grupos de Diagnóstico Homogéneo, no ano de 2008.  Resultados e discussão: Os resultados revelaram a ocorrência de eventos adversos  em 2,5% dos episódios de internamento hospitalar, surgindo na sua maioria como  diagnósticos secundários de internamento. A frequência de eventos adversos foi  ligeiramente superior nos indivíduos do sexo masculino (2,6%) quando comparada  com o sexo feminino (2,4%). A idade dos indivíduos com eventos adversos é em  média cinco anos superior à dos restantes indivíduos. O tempo de internamento  nos casos de eventos adversos foi em média 4,14&nbsp;vezes superior quando  comparado com o tempo médio de internamento dos restantes episódios. Foi  possível também estimar que os custos associados a eventos adversos correspondam  a cerca de 4.436&#128; por episódio de internamento, tendo como referência o custo  unitário total por dia de hospitalização no Serviço Nacional de Saúde. A  frequência de destino após alta para outra instituição com internamento foi  2,5&nbsp;vezes superior nos casos de eventos adversos, enquanto o número de  falecimentos foi 2,44&nbsp;vezes superior, quando comparados com os restantes  episódios de internamento. Verificou–se ainda que o destino após alta para o  domicílio foi menos frequente nos episódios com eventos adversos. As diferenças  de frequência de eventos adversos por região foram ligeiras, sendo superior na  região centro (3,0%) e inferior na região do Alentejo (1,7%). Conclusão: Os  dados sugerem que a ocorrência de eventos adversos possa estar associada a  períodos de internamento mais prolongados, maiores custos e maior mortalidade. A  frequência de eventos adversos foi maior em indivíduos mais velhos e a diferença  entre sexo ou região hospitalar não se mostrou substancial. Neste sentido, é  urgente conhecer o real impacto dos eventos adversos, nomeadamente em  indicadores como morbilidade e mortalidade dos portugueses.</P>     <P><B>Palavras chave:</B> Eventos adversos. Grupos de Diagnóstico Homogéneo. Cuidados hospitalares.  Qualidade. Segurança. Portugal.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Adverse events in Portuguese hospitals in 2008</B></P>     <P><B>Abstract</B></P>    <P>The establishment of the World Alliance for Patient Safety  by the World Health Organization in 2004, results from the increased concern  about patient safety, with the occurrence of errors being recognized as a major  public health problem and a threat to quality of health care. Objective,  material and methods: Although the Portuguese reality is not yet studied in a  systematic way, it is possible to approach the problem through the study of  secondary data sources. Thus, based on the International Classification of  Diseases, 9th Revision, Clinical Modification (996–999, E870–E876&nbsp;and  E878–879&nbsp;subclasses), this research sought to know the extent of adverse  events resulting from health care in Portuguese public hospitals, reported on  the patient classification system Diagnosis Related Groups, during the year  2008. Results and discussion: Adverse events occurred in 2.5% of the hospital  admissions and mainly as secondary diagnosis. 2.6% of the men and 2.4% of the  women were harmed by adverse events during inpatient care. The individuals with  adverse events were on average five years older than the individuals without  adverse events. The length of stay was on average 4.14&nbsp;times longer in the  cases with adverse events when compared with the average length of stay in the  remaining episodes. The costs related to adverse events totals about 4.436&#128; per  hospital admission, bearing in mind the cost per hospitalization day within the  National Health Service. After hospital discharge, the destination to another  institution was 2.5 times more frequent among patients with adverse events,  while the number of deaths was 2.44&nbsp;times higher in this group when  compared with the remaining individuals. It was also possible to verify that  patients impaired by adverse events went home less frequently than the other  patients. Adverse events occurred more in the Centro of Portugal Region (3.0%)  and less in the Alentejo Region (1.7%). Conclusion: Adverse events seem to be  related with longer length of stay, higher costs and higher mortality rates.  Adverse events occurred mainly in older individuals and the difference between  sex or region hospital was not substantial. The results of this study urgently  requires a better knowledge of the real impact of adverse events in Portugal,  namely through the Portuguese morbidity and mortality indicators.</P>      <P><B>Keywords:</B> Adverse events. Diagnosis Related Groups. Hospital health care. Quality.  Safety. Portugal.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Introdução </B></P>     <P>A qualidade tem sido reconhecida como um factor chave no acesso a serviços de  saúde efectivos e eficientes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que um  serviço de saúde de qualidade é aquele que organiza os recursos eficazmente  de&nbsp;modo a ir ao encontro das necessidades de saúde dos que mais precisam de  cuidados preventivos e curativos, de forma segura e sem  desperdício<SUP>1</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Ao mesmo tempo que os serviços de saúde se tornam cada vez mais complexos e  eficazes, novos desafios são também enfrentados pelos sistemas de saúde em  assegurar a qualidade e segurança dos cuidados<SUP>2</SUP>. Sendo da  responsabilidade de todos os <I>stakeholders</I><SUP>3</SUP>, a segurança dos  cuidados de saúde representa um importante problema de saúde  pública<SUP>4</SUP>, podendo ainda implicar um grande peso  económico<SUP>4</SUP>. O desconforto físico e psicológico sentido pelos doentes  lesados durante a prestação de cuidados de saúde, a perda de autoconfiança,  desmotivação e frustração dos profissionais, ou a diminuição de produtividade e  custos pessoais em cuidados de saúde que atingem desta forma a sociedade,  demonstram por si só a magnitude da importância desta  problemática<SUP>5</SUP>.</P>     <P>Diversos estudos internacionais têm sido realizados na tentativa de avaliar a  dimensão real dos eventos adversos (EA), e datam dos anos 90&nbsp;os primeiros  dados que mostram o impacto social e económico destes eventos<SUP>6</SUP>.  Evidência internacional aponta para a ocorrência de EA entre 3% a 17% das  hospitalizações<SUP>6-8</SUP>, e segundo dados de Espanha<SUP>8</SUP>, Reino  Unido<SUP>9</SUP>, Austrália<SUP>10&nbsp;</SUP>e Brasil<SUP>6</SUP>, o período  de internamento devido a EA pode ser em média quatro a dez dias mais  prolongado.</P>     <P>O estudo realizado no Brasil teve como base a incidência de EA em hospitais  nacionais (7,6%) e dados administrativos recolhidos através do sistema de  pagamento prospectivo por procedimento. Os autores verificaram um aumento no  tempo médio de internamento de 4,6&nbsp;dias nos casos com EA. Com base em  valores médios por dia de internamento, a magnitude financeira dos EA naquelas  instituições foi estimada em R$1.212.363,30 (cerca de 530.110,756€), 2,7&nbsp;%  do valor total do reembolso recebido pelo total de internamentos realizados  nesse ano<SUP>6</SUP>. No estudo Australiano foi possível verificar um aumento  de custos, tempo de internamento e mortalidade nos indivíduos com EA, tendo-se  ainda concluído que a ocorrência de EA aumentava com a idade<SUP>10</SUP>.</P>     <P>Partindo do pressuposto que o desempenho dos hospitais portugueses é  semelhante ao dos hospitais analisados em estudos americanos de  <I>benchmarking</I><SUP>5</SUP>, estima-se que em Portugal existirão entre  16.063&nbsp;a 80.314&nbsp;episódios hospitalares de EA<SUP>11</SUP>&nbsp;e que  ocorram entre 1.330&nbsp;e 2.900&nbsp;mortes anuais resultantes de erros  cometidos por equipas que prestam cuidados médicos<SUP>12</SUP>. Estes valores  estimados têm uma relevância considerável nas causas de morte em Portugal, uma  vez que, se confirmados, representariam mais mortes que por acidentes de  transporte (1.039&nbsp;mortes no ano de 2009), ou por vírus da imunodeficiência  humana (VIH) (657&nbsp;mortes no ano de 2009)<SUP>13</SUP>. </P>     <P>A nível nacional, e de acordo com a OMS, existe pouca evidência científica no  domínio da segurança e qualidade dos cuidados, e a informação sobre EA é ainda  limitada e de difícil acesso<SUP>14</SUP>. Neste artigo propomo-nos o estudo da  dimensão de EA, decorrentes da prestação de cuidados de saúde nos hospitais do  Serviço Nacional de Saúde (SNS) de Portugal Continental, relatados no sistema de  classificação de doentes em GDH, no decorrer do ano de 2008.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Conceitos </B></P>     <P>Reconhecida como um dos pilares da qualidade dos cuidados, segurança do  utente pode ser definida como a prevenção da ocorrência de erros e EA durante o  curso dos cuidados médicos<SUP>2</SUP>. </P>     <P>Entende-se por erro um termo genérico que abrange todas as ocasiões em que  uma sequência planeada de actividades físicas ou mentais não consegue atingir o  fim pretendido, não podendo estas falhas ser atribuídas ao  acaso<SUP>15,16</SUP>. O erro cometido pelo profissional de saúde pode resultar  em EA<SUP>5,15</SUP>, definido como <I>"o efeito não desejado resultante da  intervenção dos cuidados de saúde ou da sua falta, e não da doença ou do estado  do doente"</I><SUP>12</SUP>.</P>     <P>Consideram-se complicações todas as situações novas de doença ou limitação  funcional não esperada, que surjam na sequência da instituição das terapêuticas  e não sejam imputáveis a situações independentes dos procedimentos  instituídos<SUP>15,17</SUP>. Por acidente entende-se um evento indesejável,  inesperado e não intencional, habitualmente com uma consequência  adversa<SUP>15</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O sistema de classificação de doentes em GDH tem como base as características  clínicas e demográficas dos doentes, permitindo agrupá-los em classes de consumo  idêntico de recursos hospitalares. Estando implementado em todos os hospitais de  agudos do SNS<SUP>18,19</SUP>, a sua adopção tem por objectivo garantir um  sistema de pagamento prospectivo dos hospitais<SUP>20</SUP>. </P>     <P>Quando a informação clínica de um episódio de internamento é estabelecida, é  identificado um diagnóstico principal e, eventualmente, outros diagnósticos que  acompanharam o principal - diagnósticos secundários. O diagnóstico principal  define-se como aquele que, depois do estudo do doente, é considerado responsável  pela sua admissão no hospital, tendo em vista a prestação de cuidados de saúde.  O registo de diagnóstico secundário ocorre quando o doente é portador de outros  diagnósticos associados ou quando estes ocorrem durante o  internamento<SUP>20,21</SUP>.</P>     <P>Tendo por base os códigos da Classificação Internacional de Doenças, 9.ª  Revisão, Modificação Clínica (CID-9-MC) (Classificação Internacional de Doenças,  2009)<SUP>21</SUP>, este estudo baseou-se na identificação dos EA relatados no  sistema de classificação de doentes em GDH, relacionados com complicações ou  acidentes de causa externa, conforme mencionados na base de dados consultada.  Entre os mais de 14.000&nbsp;códigos de GDH, um número considerável  encontrava-se relacionado com EA.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>População e métodos </B></P>     <P>Este foi um estudo descritivo e censitário das ocorrências de EA relatadas no  sistema de classificação de doentes na base de dados de GDH referentes aos  hospitais do SNS, no ano 2008, em Portugal Continental  (N&nbsp;=&nbsp;1.680.379&nbsp;episódios de internamentos).</P>     <P>Os critérios de inclusão centraram-se no registo de cada episódio de alta de  internamento, sinalizado na base de dados do sistema de classificação de doentes  em GDH, conforme procedimentos de prestação de cuidados codificados segundo  CID-9-MC. Não foi aplicado nenhum critério de exclusão.</P>     <P>A unidade de análise foi o episódio registado e não o indivíduo, visto que na  base de dados utilizada não constava uma identificação individualizada de âmbito  nacional, mas sim uma identificação por instituição hospitalar e episódio de  internamento.</P>     <P>Foram determinadas as classes e subclasses dos procedimentos de prestação de  cuidados, codificados segundo a CID-9-MC, correspondentes aos procedimentos  associados aos EA. Desse modo, foram considerados os EA relativos aos episódios  identificados em cada uma das três seguintes classes suplementares: </P>     <P>1. Códigos 996-999&nbsp; - Complicações de cuidados médicos e cirúrgicos, não  classificados noutra parte (classe suplementar das lesões e envenenamento);</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>2. Códigos E870-E876&nbsp;- Ocorrência de acidentes provocados aos utentes  durante a prestação de cuidados médicos e cirúrgicos (classe suplementar de  causas externas de lesões e envenenamento);</P>     <P>3. Códigos E878-E879&nbsp;- Complicações tardias causadas por procedimentos  cirúrgicos e outros procedimentos médicos, sem menção de acidente ao tempo do  procedimento (classe suplementar de causas externas de lesões e envenenamento).  </P>     <P>Tendo por base este reconhecimento, foram criados dois grupos de análise:  GESC (Grupo de Episódios Sem Código), caracterizado por todos os episódios de  internamento que não apresentaram quaisquer códigos correspondentes a EA  (n&nbsp;=&nbsp;1.639.188) e GECC (Grupo de Episódios Com Código), caracterizado  por todos os episódios de internamento em que surgiu pelo menos um código  correspondente a EA (n&nbsp;=&nbsp;41.191).</P>     <P>Procedeu-se à análise descritiva dos dois grupos, segundo idade, sexo,  região, localidade, instituição da ocorrência do episódio, destino pós-alta e  tempo de internamento em dias. À análise do GECC foi acrescentada a análise dos  códigos CID-9-MC (subclasses 996-999, E870-E876&nbsp;e E878-879).</P>     <P>Para efeito de tratamento dos dados utilizou-se o programa <I>Statistical  Package for Social Sciences</I> (SPSS<SUP>®</SUP>, versão 17.0) para  <I>Windows<SUP>®</SUP>, </I>recorrendo-se à estatística descritiva com cálculo,  sempre que justificável, de distribuições de frequências e de médias  aritméticas. Atendendo ao tipo de desenho de estudo, censitário, não se recorreu  a estatística inferencial.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Resultados </B></P>     <P>A percentagem da ocorrência de pelo menos um código referente a EA (GECC), no  total dos episódios de internamento hospitalar, foi de 2,5% (n&nbsp; =&nbsp;  41.191). Dos episódios de internamento em análise, 97,5% não apresentaram EA  (GESC, n&nbsp;=&nbsp;1.639.188).</P>     <P>Em ambos os grupos o sexo mais representado foi o feminino com 54,3%  (n&nbsp;=&nbsp;889.914) no GESC e 52,1% (n&nbsp;=&nbsp;21.444) no GECC. </P>     <P>A frequência de EA (GECC) observada foi de 2,6% nos homens e 2,4% nas  mulheres (tabela 1).</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="/img/revistas/rpsp/v29n2/29n2a04t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a> -<b> Episódios hospitalares relatados no ano de 2008 por destino após alta e sexo, segundo GESC e GECC</b></p>     
<p>&nbsp;</p>       <P>Os episódios relatados corresponderam a indivíduos com idades compreendidas  entre os zero e 111&nbsp;anos no GESC e 113&nbsp;anos no GECC, sendo a média de  idade de 53&nbsp;anos no GESC e 58&nbsp;anos no GECC.</P>     <P>O tempo de internamento dos episódios relatados foi em média de 3,5  (s&nbsp;=&nbsp;11,55) dias no GESC, enquanto aos registos do GECC correspondeu  um internamento de duração média 14,5 (s&nbsp;=&nbsp;25,56) dias.</P>     <P>"Para o domicílio" foi assinalado como o destino dos indivíduos após alta de  internamento com maior ocorrência no registo total dos episódios (GECC&nbsp;  +&nbsp; GESC), com 94,8% (n&nbsp; =&nbsp; 1.593.469). O destino "Para o  domicílio" foi menos frequente no GECC (88,6%) quando comparado com o GESC  (95%). Os segundo e terceiro destinos mais frequentes foram, respectivamente no  GECC e GESC, o "Falecimento" com 6,1% (n&nbsp;=&nbsp;2.498) e 2,5%  (n&nbsp;=&nbsp;41.085), e "Para outra instituição com internamento" com 4,3%  (n&nbsp;=&nbsp;1.782) e 1,7% (n&nbsp;=&nbsp;27.646). </P>     <P>A frequência de EA observada (GECC) foi maior nos destinos "Para outra  instituições com internamento" (6,1%) e "Falecimento" (5,7%) quando comparado  com o destino "Para o domicílio" (2,3%).</P>     <P>No que diz respeito à frequência relativa dos EA por Administração Regional  de Saúde (ARS), verificou-se que foi maior na ARS Centro (3%) e menor na ARS do  Alentejo (1,7%) (tabela 2).</P>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Tabela 2 - Distribuição de episódios hospitalares por ARS em 2008</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/rpsp/v29n2/29n2a04t2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>	     <P>Analisando os diagnósticos associados aos episódios no GECC, verifica-se que  os códigos referentes a EA surgiram maioritariamente como diagnósticos  secundários de internamento (tabela 3). Apenas a subclasse <I>complicações  de cuidados médicos e cirúrgicos, não classificados noutra parte</I> (códigos  CID-9-MC 996-999&nbsp; - classe das lesões e envenenamento) surgiu como  diagnóstico principal de internamento em 1% (n&nbsp;=&nbsp;16.823) dos episódios  relatados. Esta subclasse surgiu em 2% (n&nbsp;=&nbsp;33.984) do total de  episódios de internamento, ocorrendo entre uma (1,8%, n&nbsp;=&nbsp;30.089) e  nove vezes (&#8776;0%, n&nbsp;=&nbsp;1) por episódio.</P>       <p>&nbsp;</p>     <p><a href="/img/revistas/rpsp/v29n2/29n2a04t3.jpg" target="_blank">Tabela 3</a> -<b> Percentagem de eventos adversos como  diagnóstico principal e/ou secundário de internamento hospitalar relatados no ano de 2008 (n = 1.680.379)   </b>  </p>     
<p>&nbsp;</p>     <P>A segunda subclasse mais representada foi a subclasse <I>complicações tardias  causadas por procedimentos cirúrgicos e outros procedimentos médicos, sem menção  de acidente ao tempo do procedimento </I>(códigos CID-9-MC E878-E879&nbsp;-  classe suplementar de causas externas de lesões e envenenamento) que surgiu como  diagnóstico de internamento (secundário) em 2% (n&nbsp;=&nbsp;33.566) dos casos.  Esta subclasse surgiu no total de episódios de internamento entre uma (1,8%,  n&nbsp;=&nbsp;29.502) e catorze vezes (&#8776;0%, n&nbsp;=&nbsp;1).</P>     <P>A subclasse <I>ocorrência de acidentes provocados aos utentes durante a  prestação de cuidados médicos e cirúrgicos</I> (códigos CID-9-MC  E870-E876&nbsp;E879&nbsp;- classe suplementar de causas externas de lesões e  envenenamento) surgiu como diagnóstico de internamento (secundário) em 0,3%  (n&nbsp;=&nbsp;4.845) dos casos, com frequência de um código por registo de  episódio.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Discussão </B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A análise dos episódios relatados no sistema de classificação de doentes em  GDH, no ano de 2008, permitiu constatar a ocorrência de EA em 41.191 (2,5%) de  episódios de internamento, variando a frequência entre uma e catorze vezes  durante o mesmo episódio. Estes dados, que se referem só aos hospitais do SNS,  não contabilizando nem o sector hospitalar privado ou social, em franco  crescimento, nem o ambulatório, apoiam a estimativa de Van Lerberghe <I>et  al</I> segundo a qual ocorrem em Portugal entre 16.063&nbsp; e 80.314&nbsp;  episódios de EA<SUP>11</SUP>.Embora os dados não possam ser comparados devido à  tipologia de estudo utilizada, é ainda interessante nomear dois dos estudos  realizados nos Estados Unidos da América, um nos Estados de Colorado e  <I>Utah</I> e outro em <I>New York</I>, que revelaram a ocorrência de EA em,  respectivamente, 2% e 3% das hospitalizações<SUP>5</SUP>. </P>     <P>A idade dos indivíduos com EA foi em média cinco anos superior à dos  indivíduos sem EA. Resultados de outros estudos apontam para que os indivíduos  com EA sejam entre quatro a dez anos mais velhos do que os indivíduos sem  EA<SUP>6,10</SUP>. </P>     <P>O período de internamento no GECC foi em média 11&nbsp;dias mais prolongado  do que no GESC. Este aumento expressivo do tempo de internamento na instituição  hospitalar merece particular atenção, pelos custos directos e/ou indirectos  associados, e consequentes implicações para o indivíduo e  sociedade<SUP>11</SUP>. Estes resultados são ligeiramente superiores aos dos  estudos realizados em Espanha, Reino Unido e Austrália, nos quais a avaliação do  impacto dos EA permitiu identificar um aumento médio de período de internamento  entre seis a dez dias nos casos de EA<SUP>6,8-10</SUP>.Considerando o custo  unitário total por dia de episódio de hospitalização no SNS (custos directos e  indirectos), que segundo os últimos dados de contabilidade analítica  disponibilizados pela Administração Central de Sistema de Saúde (ACSS) foi de  403,31€ no ano de 2006<SUP>22</SUP>, é possível estimar que os custos associados  a EA correspondam a cerca de 4.436,41€ por episódio de internamento ou  182.740.164,31€ por ano. Estes dados estarão eventualmente subestimados, se  considerarmos a previsão de Rigby et al<SUP>23</SUP>, também citada pelo estudo  Brasileiro, segundo a qual se espera que os custos associados aos dias de  internamento posteriores ao episódio de EA possam ser mais elevados<SUP>6</SUP>.  Não sendo possível avaliar a magnitude global de EA por indivíduo, ou mesmo a  sua relevância na despesa total da saúde, como proposto por outros  estudos<SUP>6,23</SUP>, estes dados sugerem um impacto importante dos EA na  despesa do SNS. </P>     <P>Embora não possamos afirmar que exista associação directa entre os EA e causa  de morte, foi possível constatar que 5,7% (n&nbsp;=&nbsp;2.498) dos indivíduos  afectados por pelo menos um EA faleceram no decorrer do internamento. Os dados  obtidos vão de encontro à previsão de Fragata e Martins para a realidade  nacional, segundo a qual ocorrerão entre 1.330&nbsp;e 2.900&nbsp;mortes anuais  devido a EA<SUP>12</SUP>, sendo estes valores superiores aos dos estudos  realizados em Espanha e na Austrália, nos quais a incidência de mortes em doente  com EA foi respectivamente de 4,4%<SUP>8</SUP>&nbsp;e 4,7%<SUP>10</SUP>.</P>     <P>A distribuição de registos por região não é homogénea, sendo maior a  frequência na ARS do Centro, seguida da ARS de Lisboa e Vale do Tejo. Estes  valores estão necessariamente condicionados, entre outros factores, pela  natureza e número de instituições hospitalares existentes em cada região e, pela  dimensão da população assistida. </P>     <P>O facto de os dados analisados corresponderem a Portugal Continental não  inviabiliza a existência de episódios provenientes de Regiões Autónomas e de  Países Africanos Lusófonos, num quadro de cooperação, nomeadamente no que diz  respeito a algumas especialidades cirúrgicas, não abrangidas pelos serviços de  saúde locais. </P>     <P>Os códigos reportados referentes a EA surgem maioritariamente como  diagnósticos secundários de internamento. Este é um dado muito relevante uma vez  que, já na fase posterior a este estudo, a Organização para a Cooperação e  Desenvolvimento Económico (OCDE) publicou um relatório em que apresenta sete  indicadores para a colheita de dados sobre segurança do doente a partir de bases  de dados administrativos hospitalares, indicadores essos largamente desenhados a  partir de diagnósticos secundários<SUP>24</SUP>. Podemos também especular que as  situações em que os EA aparecem como dignóstico principal são provavelmente  reinternamentos resultantes de EA detectados após alta num anterior  internamento, devendo esta hipótese ser testada num desenho de estudo  diferente.</P>     <P>Tendo este estudo resultado da análise de uma fonte secundária de dados (o  sistema de classificação de doentes em GDH), e não tendo sido a base de dados  criada com o objectivo de compreender o fenómeno dos EA, a análise foi  condicionada aos dados disponíveis, à sua organização e complexidade. Na base de  dados disponibilizada, a classificação de doentes em GDH é feita por episódios e  não por indivíduo, o que se revelou uma limitação deste estudo, não sendo  possível, por exemplo, analisar a ocorrência de episódios de reinternamento  associada a EA, a frequência de EA no mesmo indivíduo, ou mesmo os custos  associados a EA por indivíduo. </P>     <P>De salientar ainda que os hospitais têm um estrutura organizacional baseada  no centro operacional, uma vez que o profissional de saúde controla o seu  trabalho de forma autónoma<SUP>25</SUP>. Sendo da responsabilidade do  profissional caracterizar os episódios de internamento, os resultados deste  estudo encontram-se também condicionados pela cultura organizacional de  qualidade e gestão de risco dos hospitais, bem como pelos pressupostos e valores  que conduzem a instituição nas áreas de prestação de cuidados, formação e  investigação<SUP>12</SUP>. A distribuição não homogénea de especialidades  médicas e cirúrgicas por Hospitais e ARS deverá também ser considerada como um  factor influente no registo dos episódios de internamento.</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Conclusões </B></P>     <P>Trata-se de um estudo relevante sobre a realidade portuguesa, com base em  dados nacionais, que procurou avaliar a dimensão dos EA, decorrentes da  prestação de cuidados de saúde em contexto hospitalar, no decorrer do ano de  2008, em Portugal Continental. Embora utilizando fontes de dados secundárias,  permitiu estimar a dimensão do fenómeno em contexto nacional e estabelecer  comparações a nível regional.</P>     <P>Os resultados revelaram a ocorrência de EA em 2,5% dos episódios de  internamento hospitalar em Portugal no ano de 2008, surgindo na sua maioria como  diagnósticos secundários de internamento. </P>     <P>Os dados sugerem que a ocorrência de EA possa estar associada a períodos de  internamento mais prolongados, maiores custos e maior mortalidade. A frequência  de EA é maior em indivíduos mais velhos, e a diferença entre sexo ou região  hospitalar não se mostrou substancial. </P>     <P>Representando um custo de oportunidade importante, uma vez que o investimento  feito em meios de diagnóstico e tratamento como consequência de EA representa  uma diminuição do orçamento disponível na saúde, obrigando a uma reestruturação  dos recursos, torna-se essencial o desenvolvimento de estudos de avaliação de  custos directos e indirectos associados a EA, como medida efectiva de gestão de  qualidade.</P>     <P>Os dados obtidos neste estudo indicam que é urgente conhecer o real impacto  dos EA, nomeadamente em indicadores como morbilidade e mortalidade dos  portugueses, como garantia de investimento efectivo na criação de serviços de  qualidade, reduzindo o desperdício e aumentando o bem-estar da população  atendida. </P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Bibliografía</B></P>     <!-- ref --><P>1. World Health Organization. Quality of care: a process for making strategic  choices in health systems. [Internet]. Copenhagen: WHO; 2008 [consultado 5 Dez  2009]. Disponível em: <A href="http://www.who.int/management/quality/assurance/QualityCare_B.Def.pdf" target="_blank">www.who.int/management/quality/assurance/QualityCare_B.Def.pdf</A>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0870-9025201100020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>2. World Health Organization, Regional Office for Europe. A brief synopsis on  patient safety. [Internet]. Copenhagen: WHO; 2010 [consultado 14 Mai 2011].  Disponível em: <A href="http://www.euro.who.int/__data/assets/pdf_file/0015/111507/E93833.pdf" target="_blank">www.euro.who.int/__data/assets/pdf_file/0015/111507/E93833.pdf</A>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0870-9025201100020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><P>3. Ballard KA. Patient safety: a shared responsibility. [Internet]. Online J  Issues Nurs. 2003;8(3):4 [consultado 22 ABr 2009]. Disponível em: <A href="http://www.nursingworld.org/MainMenuCategories/ANAMarketplace/ANAPeriodicals/OJIN/TableofContents/Volume82003/No3Sept2003/PatientSafety.aspx" target="_blank">www.nursingworld.org/MainMenuCategories/ANAMarketplace/ANAPeriodicals/OJIN/TableofContents/Volume82003/No3Sept2003/PatientSafety.aspx</A>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0870-9025201100020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><P>4. Council of the European Union. Council Recommendation of 9 June 2009 on  patient safety, including the prevention and control of healthcare associated  infections. [Internet]. Brussels: Council of the European Union; 2009  [consultado 5 Dez 2010]. Disponível em: <A href="http://ec.europa.eu/health/patient_safety/docs/council_2009_en.pdf" target="_blank">ec.europa.eu/health/patient_safety/docs/council_2009_en.pdf</A>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0870-9025201100020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><P>5. Institute of Medicine. To err is human: building a safer health system.  Washington: National Academy Press; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0870-9025201100020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>6. Porto SA, Martins M, Mendes W, Travassos C. A magnitude financeira dos  eventos adversos em hospitais no Brasil. Rev Port Saúde Publica. 2010;Vol  Tem(10):74–80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0870-9025201100020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>7. Baker RG, Norton PG, Flintoft V, Blais R, Brown A, Cox J et al. The  Canadian Adverse Events Study: the incidence of adverse events among hospital  patients in Canada. JAMC.2004;170:1678–86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0870-9025201100020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>8. Aranaz–Andrés JM, Aibar–Remón C, Vitaller–Murillo J, Ruiz–López P,  Limón–Ramírez R, Terol–García E, et al. Incidence of adverse events related to  health care in Spain: results of the Spanish National Study of Adverse Events. J  Epidemiol Community Health. 2008;62:1022–9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0870-9025201100020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>9. Vincent C, Neale G, Woloshynowych M. Adverse events in British hospitals:  preliminary retrospective record review. BMJ. 2001;322:517–9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0870-9025201100020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>10. Ehsani J, Duckett S, Jackson T. The incidence and cost of cardiac surgery  adverse events in Australian (Victorian) hospitals 2003–2004. Eur J Health Econ.  2007;8:339–46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0870-9025201100020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>11. Lerberghe WV, Richard F, Carrolo M, Ferrinho P. Dealing with medical  errors and iatrogenesis: professional culture and institutional response:  implications for a Portuguese national strategy. Arq Med. 2003;17:285–93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0870-9025201100020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>12. Fragata J, Martins L. Erro em medicina: perspectivas do indivíduo, da  organização e da sociedade. Coimbra: Livraria Almedina, 2004. ISBN: 9724023478.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0870-9025201100020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>13. Instituto Nacional de Estatística. Indicadores Óbitos (N.º) por Local de  residência (NUTS – 2002) e Causa de morte; Anual. [Internet]. Lisboa: INE; 2002  [consultado 14 Mai 2011]. Disponível em: <A href="http://www.ine.pt" target="_blank">www.ine.pt</A>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0870-9025201100020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>14. World Health Organization. Regional Office for Europe. Portugal health  system performance assessment. Copenhagen: WHO; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0870-9025201100020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>15. World Health Organization. The conceptual framework for the international  classification for patient safety: technical annex 2: glossary of patient safety  concepts and references. [Internet]. Copenhagen: WHO; 2009 [consultado 14 Mai  2011]. Disponível em: <A href="http://www.who.int/patientsafety/taxonomy/icps_technical_annex2.pdf" target="_blank">www.who.int/patientsafety/taxonomy/icps_technical_annex2.pdf</A>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0870-9025201100020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>16. Council of Europe, Committee of Experts on Management of Safety and  Quality in Health Care (SP–SQS). Glossary of terms related to patient and  medication safety. [Internet]. Brussels: Expert Group on Safe Medication  Practices; 2005. [consultado 5 Dez 2009]. Disponível em: <A href="http://www.who.int/patientsafety/taxonomy" target="_blank">www.who.int/patientsafety/taxonomy</A>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0870-9025201100020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <P>17. Portaria 45/2008. D.R. Iª Série. 10 (15–01–2008) 526:536. Aprova o  Regulamento do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).  Revoga a Portaria n.º 1450/2004&nbsp;de 25&nbsp;de Novembro. [Internet]  [consultado 14 Mai 2011]. Disponível em: <A href="http://dre.pt/pdf1sdip/2008/01/01000/0052600536.pdf" target="_blank">dre.pt/pdf1sdip/2008/01/01000/0052600536.pdf</A>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>18. Barros PB, de Almeida Simões, J. Portugal: Health system review.  Copenhagen: European Observatory on Health Systems and Policies. Health Systems  in Transition. 2007;9(5).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0870-9025201100020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>19. Mateus, C. Sistemas de classificação de doentes como instrumento de  gestão. In Simões, J. 30 anos do Serviço Nacional de Saúde: um percurso  comentado. Coimbra: Livraria Almedina; 2010. ISBN 9789724041100.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0870-9025201100020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>20. Administração Central do Sistema de Saúde, IP. Grupos de diagnóstico  homogéneos. [Internet]. Lisboa: ACSS, 2011 [consultado 14 Mai 2011]. Disponível  em: <A href="http://www.portalcodgdh.min–saude.pt" target="_blank">www.portalcodgdh.min–saude.pt</A>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0870-9025201100020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>21. Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças:  Modificação Clínica (CID–9–MC). 9.ª revisão. [Internet]. Copenhaga: OMS, 2009  [consultado 14 Mai 2011]. Disponível em: <A href="http://www.icd9data.com/2009/Volume1/default.htm" target="_blank">www.icd9data.com/2009/Volume1/default.htm</A>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0870-9025201100020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>      <!-- ref --><P>22. Administração Central do Sistema de Saúde. Contabilidade analítica 2006:  Hospitais do SNS [Internet]. Lisboa: ACSS, 2007 [consultado 3 Jun 2011].  Disponível em: <A href="http://www.acss.min–saude.pt/Portals/0/DownloadsPublicacoes/SNS/Info_gestao/Contab_Analitica_2006_Hospitais_SNS.pdf" target="_blank">www.acss.min–saude.pt/Portals/0/DownloadsPublicacoes/SNS/Info_gestao/Contab_Analitica_2006_Hospitais_SNS.pdf</A>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0870-9025201100020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>23. Rigby K, Clark RB, Runciman WB. Adverse events in health care: setting  priorities based on economic evaluations. J Qual Clin Pract. 1999;19:7–12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0870-9025201100020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>24. Organisation for Economic Co–operation and Development. Health care  quality indicators projects: Patient Safety Indicators Report 2009. [Internet].  Paris: OCDE; 2009 [consultado 4 Jun 2011]. Disponível em: <A href="http://www.oecd.org/dataoecd/56/31/44192992.pdf" target="_blank">www.oecd.org/dataoecd/56/31/44192992.pdf</A>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0870-9025201100020000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>      <!-- ref --><P>25. Bilhim J. Teoria organizacional: estruturas e pessoas. 2ª ed. Lisboa:  Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas; 2001. ISBN: 9729229937.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0870-9025201100020000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><I>Recebido em 8&nbsp;de Outubro de 2010</I></P>     <P><I>Aceite em 6&nbsp;de Setembro de 2011</I></P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Notas</b></p>     <P><SUP><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></SUP>Este estudo foi desenvolvido com financiamento atribuído pela comissão de  fomento de investigação em cuidados de saúde, Instituto Nacional de Saúde Doutor  Ricardo Jorge, I.P. - Ministério da Saúde (Projecto número 50/2007).</P>     <P><SUP><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></SUP>Estes autores contribuíram em partes iguais para este documento.</P>       ]]></body><back>
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