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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
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<article-id>S0870-90252012000200003</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2012.10.002</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sucesso na manutenção do peso perdido em Portugal e nos Estados Unidos: comparação de 2 Registos Nacionais de Controlo do Peso]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Successful weight loss maintenance in Portugal and in the USA: comparing results from two National Registries]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Técnica de Lisboa Faculdade de Motricidade Humana Laboratório de Exercício e Saúde]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this work is to compare participant characteristics and weight loss and weight loss maintenance strategies adopted by an initial cohort of the Portuguese Weight Control Registry (PWCR) with published results from the National Weight Control Registry's (NWCR). Sample includes 198 adults (age: 39.7±11.1 yr; BMI: 26.0±3.9kg/m²), 59% women, who voluntarily registered to the PWCR and completed one initial questionnaire including demographics, methods and strategies used to lose weight and/or to maintain weight, and a laboratory assessment. Individuals meeting inclusion criteria reported a weight loss of 17.4kg, maintained for an average of 29 months. The PWCR sample is younger, heavier, and more gender-balanced than the NWCR sample. Modifying both dietary intake and physical activity (PA) levels was the most common weight loss strategy in Portuguese individuals (82%), while 89% reported it in NWCR. To lose weight, 43% of all PWCR participants started to use stairs, 91% started to eat breakfast every day, 79% chose "better foods", 74% reported "limiting food quantities", and 86% frequently limit fat intake. To keep weight loss, PWCR individuals engaged weekly in 250minutes of moderate and vigorous physical activity and a weekly physical activity energy expenditure of 3422kcal (NWCR: 2621kcal). Other strategies were used: 69% chose "better foods" (NWCR: 92%), 87% frequently limiting fat intake (NWCR: 38%), 63% reported "limiting food quantities" (NWCR: 49%), 98% ate breakfast every day (NWCR: 78%), and 65% weighed themselves at least once a week (NWCR: 75%). Data from the first PWCR cohort show similarities with the larger US sample of successful maintainers but also some differences. This work discusses these differences.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Pré-obesidade]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></P>     <P><b>Sucesso na manutenção do peso perdido em Portugal e nos Estados Unidos:  comparação de 2 Registos Nacionais de Controlo do Peso</b></P>     <P><b>Successful weight loss maintenance in Portugal and in the USA: comparing  results from two National Registries</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Paulo Nuno Vieira<SUP>a</SUP>,<a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a>, Marlene N. Silva<SUP>a</SUP>, Sílvia R.  Coutinho<SUP>a</SUP>, Teresa C. Santos<SUP>a</SUP>, Inês Santos<SUP>a</SUP>,  Luís B. Sardinha<SUP>a</SUP>, Pedro J. Teixeira<SUP>a</SUP> </b></P>     <P><SUP>a</SUP>Laboratório de Exercício e Saúde, Faculdade de Motricidade  Humana, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, Portugal</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>RESUMO</B></P>     <P>O Registo Nacional de Controlo do Peso (RNCP) estuda as características dos  adultos portugueses com sucesso na manutenção do peso perdido. O presente  trabalho compara os comportamentos e estratégias usadas no RNCP com os  reportados por participantes do <I>National Weight Control Registry</I> (NWCR),  nos EUA.</P>     <P>Os 198 indivíduos da amostra (idade: 39,7±11,1 anos; IMC:  26,0±3,9kg/m<SUP>2</SUP>), 59% mulheres, completaram um questionário inicial,  que incluiu variáveis demográficas, estratégias de perda e de manutenção do  peso, atividade física e alimentação. Os indivíduos apresentaram uma perda do  peso média de 17,4kg e tempo médio de manutenção de 29 meses. Os participantes  no RNCP são, em média, mais novos e mais pesados do que os participantes no  NWCR.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Em ambos os registos, a alteração conjunta dos hábitos de atividade física e  de alimentação foi a estratégia de perda do peso mais usada (82 vs. 89%, no  NWCR). No RNCP, 43% das pessoas passou a subir escadas, 91% passou a tomar o  pequeno–almoço, 79% a selecionar os alimentos de forma diferente, 74% a reduzir  porções e 86% a reduzir a gordura nos alimentos. O dispêndio energético médio  com atividade física no RNCP é de 3 422 kcal/semana, correspondendo a cerca de  250min de atividade física moderada ou vigorosa (2&nbsp;621kcal/semana no NWCR),  sendo a ingestão calórica de cerca de 2&nbsp;200kcal/d (comparada com 1 379 no  NWCR). Outras estratégias de manutenção do peso foram: selecionar  conscientemente os alimentos (69 vs. 92% no NWCR), limitar alimentos ricos em  gordura (87 vs. 38%), limitar as porções (63 vs. 49%), tomar o pequeno–almoço  (98 vs. 78%) e automonitorizar o peso (65 vs. 75%).</P>     <P>Esta análise revela que as estratégias de perda e manutenção do peso adotadas  pelos participantes portugueses apontam globalmente no mesmo sentido que as  reportadas pela amostra americana. As diferenças detetadas são discutidas neste  artigo.</P>     <p><b>Palavras-chave</b>: Pré-obesidade, Obesidade, Perda do peso, Manutenção do peso perdido, Longo prazo, Determinantes</p>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>ABSTRACT</B></P>     <P>The aim of this work is to compare participant characteristics and weight  loss and weight loss maintenance strategies adopted by an initial cohort of the  Portuguese Weight Control Registry (PWCR) with published results from the  National Weight Control Registry's (NWCR).</P>     <P>Sample includes 198 adults (age: 39.7±11.1 yr; BMI:  26.0±3.9kg/m<SUP>2</SUP>), 59% women, who voluntarily registered to the PWCR and  completed one initial questionnaire including demographics, methods and  strategies used to lose weight and/or to maintain weight, and a laboratory  assessment. Individuals meeting inclusion criteria reported a weight loss of  17.4kg, maintained for an average of 29 months. The PWCR sample is younger,  heavier, and more gender–balanced than the NWCR sample.</P>     <P>Modifying both dietary intake and physical activity (PA) levels was the most  common weight loss strategy in Portuguese individuals (82%), while 89% reported  it in NWCR. To lose weight, 43% of all PWCR participants started to use stairs,  91% started to eat breakfast every day, 79% chose "better foods", 74% reported  "limiting food quantities", and 86% frequently limit fat intake. To keep weight  loss, PWCR individuals engaged weekly in 250minutes of moderate and vigorous  physical activity and a weekly physical activity energy expenditure of 3422kcal  (NWCR: 2621kcal). Other strategies were used: 69% chose "better foods" (NWCR:  92%), 87% frequently limiting fat intake (NWCR: 38%), 63% reported "limiting  food quantities" (NWCR: 49%), 98% ate breakfast every day (NWCR: 78%), and 65%  weighed themselves at least once a week (NWCR: 75%).</P>     <P>Data from the first PWCR cohort show similarities with the larger US sample  of successful maintainers but also some differences. This work discusses these  differences.</P>     <P><B>Keywords: </B>Overweight. Obesity. Weight loss. Weight loss maintenance. Long–term.  Determinants. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><B>Introdução</B></P>     <P>Quando se pensa em tratamento da obesidade, o sentimento que está mais  presente é o de pessimismo, visto que a maior dificuldade é a manutenção do peso  perdido a longo prazo. As intervenções têm atingido sucesso ao nível da perda do  peso, mas o mesmo já não sucede ao nível da sua manutenção, surgindo como dado  consistente o facto de o peso perdido pela maioria dos pacientes obesos ser  geralmente recuperado<SUP>1</SUP>. Apesar do limitado número de estudos e de  diferentes definições de manutenção do peso adotadas nas metodologias desses  estudos, estima-se que cerca de 20% dos participantes em programas de tratamento  tem sucesso na manutenção a longo prazo<SUP>2</SUP> e as recomendações para o  sucesso da perda do peso a longo prazo apontam para estratégias comportamentais  que incluam redução da ingestão calórica e aumento da atividade  física<SUP>3</SUP>. O estudo de variáveis preditoras da manutenção do peso  perdido é importante para compreender a etiologia da obesidade e para melhor  definir objetivos e alocar recursos de intervenções. Pode também contribuir para  avaliar a prontidão para a perda do peso de uma pessoa e identificar possíveis  variáveis associadas à perda do peso<SUP>4</SUP>.</P>     <P>Num estudo com cerca de 2000 adultos bem-sucedidos na manutenção do peso  perdido, concluiu-se que as estratégias mais eficazes para esse objetivo foram a  monitorização do peso corporal, planear as refeições, a contagem de calorias, o  registo da gordura ingerida, cozinhar por prazer, a inclusão da atividade física  na rotina diária e a realização de treino de força<SUP>5</SUP>. Numa revisão  alargada, cujo foco incidiu em potenciais fatores comportamentais e  psicossociais preditores de manutenção do peso perdido, verificou-se que a perda  do peso inicial mais elevada, automonitorização dos comportamentos, estilo de  vida ativo, refeições regulares incluindo pequeno-almoço, suporte social e  autoeficácia estão associados ao sucesso na manutenção do peso, definida como  intencional e mantida pelo menos por 6 meses<SUP>6</SUP>. Outros estudos  verificaram que, quanto maior a perda do peso inicial, melhor o resultado final  do tratamento<SUP>7</SUP> e que estratégias não saudáveis, como saltar refeições  e jejum prolongado, mesmo que conjugadas com outras estratégias saudáveis,  aumentam a probabilidade de recuperação do peso perdido<SUP>8</SUP>.</P>     <P>Um número reduzido de tentativas anteriores de dietas e uma elevada  automotivação são preditores de maior sucesso na perda do peso<SUP>9</SUP>. O  mesmo se verificou num estudo com mulheres portuguesas que também evidenciaram a  imagem corporal como preditor de sucesso na perda do peso<SUP>10</SUP>. No  controlo do peso a longo prazo, fatores motivacionais relacionados com o  exercício, especialmente a motivação intrínseca e a autoeficácia, desempenham um  papel importante<SUP>11</SUP>, assim como uma maior regulação autónoma para  permanecer no programa se associa a maiores perdas do peso e a maior adesão ao  exercício no longo prazo<SUP>12</SUP>. Os resultados do programa Promoção do  Exercício e Saúde na Obesidade (PESO)<SUP>13</SUP> mostraram que uma menor  alimentação emocional e um padrão de restrição alimentar flexível são fatores  críticos para a perda do peso, acentuando igualmente a importância de que para o  sucesso a longo a prazo se deva promover a motivação intrínseca e a autoeficácia  para o exercício<SUP>14</SUP>. Num outro trabalho do mesmo estudo longitudinal,  verificou-se que uma maior motivação autónoma e o exercício regular com  intensidade moderada ou vigorosa são mediadores da manutenção a longo  prazo<SUP>15</SUP>.</P>     <P>Para o desenvolvimento de intervenções de tratamento mais eficazes, assume  extrema importância perceber os fatores que influenciam e tornam possível o  controlo do peso no longo prazo. O <I>National Weight Control Registry</I>  (NWCR) estudou indivíduos americanos com sucesso na manutenção do peso perdido e  descreveu as características de mais de 6000 participantes. Nesta investigação  retrospetiva, indivíduos que perderam intencionalmente pelo menos 13,6kg (30  libras) do seu peso corporal e mantiveram o peso perdido pelo menos por um ano,  são considerados como tendo sucesso na manutenção do peso perdido. No grupo  inicial, com uma média de idades de 47 anos, sendo 80% mulheres, a média de peso  perdido reportada foi de 30kg e a duração média de peso mantido foi de 5,5  anos<SUP>16</SUP>. A adoção da atividade física revelou-se uma estratégia  essencial para os participantes deste estudo<SUP>17</SUP>. O nível médio de  atividade física realizado por estas pessoas pode ser considerado  elevado<SUP>18</SUP><SUP>, </SUP><SUP>19</SUP><SUP>, </SUP><SUP>20</SUP>,  situando-se acima das recomendações para o controlo do peso, que apontam para  uma duração de 150 a 250min semanais de atividade física moderada para prevenir  voltar a ganhar o peso, produzindo moderadas perdas do peso<SUP>21</SUP>. A  realização de mais de 250min semanais de atividade física moderada está  associada a reduções do peso clinicamente significativas, especialmente se  conjugada com moderada, mas não severa, restrição calórica<SUP>21</SUP>. Outras  estratégias, como a frequente automonitorização<SUP>22</SUP>, limitar o número  de horas por dia a ver televisão<SUP>23</SUP>, o consumo de uma dieta pobre em  gorduras<SUP>17</SUP>, tomar pequeno-almoço diariamente<SUP>24</SUP>, manter um  padrão alimentar consistente, sem alterações nas férias ou fins de  semana<SUP>25</SUP> e adotar níveis de desinibição alimentar  reduzidos<SUP>2</SUP> podem ajudar no sucesso da manutenção do peso.</P>     <P>O RNCP é o primeiro estudo em Portugal que caracteriza as pessoas com sucesso  na manutenção do peso perdido. Integrado neste projeto, o objetivo do presente  trabalho é analisar os programas e métodos de perda do peso adotados, assim como  as estratégias de manutenção do peso perdido que atualmente estes indivíduos  utilizam e comparar estes dados com os reportados pelos participantes americanos  do NWCR. As características demográficas dos participantes portugueses  encontram-se descritas em trabalho anterior<SUP>26</SUP>. Complementarmente, os  participantes no RNCP foram analisados quanto às suas características  comportamentais, como a atividade física formal e informal, e relativamente a  algumas variáveis nutricionais selecionadas.</P>     <P>A metodologia seguida no RNCP<SUP>26</SUP> baseou-se na que foi implementada  no NWCR<SUP>16</SUP>, tendo o recrutamento sido realizado através da publicidade  local e nacional, com recurso à imprensa escrita, rádio e televisão, e apenas no  caso do registo português com o recurso a um <I>website</I> desenvolvido para o  efeito. Em ambos os registos os participantes assinaram um acordo e  consentimento informado, tendo autorreportado o seu peso, altura e perda do  peso. Os critérios de inclusão no NWCR incluíam a perda do pelo menos 13,6kg (30  lbs) enquanto que no RNCP o valor de perda mínimo para entrada no estudo foi de  5kg. Outra diferença metodológica verifica-se no facto de os participantes do  NWCR preencherem questionários de <I>follow-up</I> anualmente e, no caso do  RNCP, a avaliação inicial foi repetida na íntegra um ano após a entrada no  estudo.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Métodos</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Amostra</I></P>     <P>De acordo com os critérios de inclusão neste estudo, os participantes do RNCP  têm mais de 18 anos, nos últimos 15 anos perderam pelo menos 5kg  intencionalmente e mantiveram o peso perdido pelo menos por um ano,  considerando-se manutenção do peso perdido uma variação inferior a 3% do novo  peso corporal. Indivíduos cuja redução do peso inicial induza a obtenção de um  índice de massa corporal inferior a 18,5kg/m<SUP>2</SUP> não foram incluídos no  RNCP por se considerarem valores potencialmente prejudiciais para a saúde. Os  198 indivíduos, 59% mulheres, que constituíram a amostra do presente trabalho,  apresentaram uma idade média de 40 anos, com um peso médio de 73,8kg  correspondente a um índice de massa corporal de 26,0kg/m<SUP>2</SUP>, tendo  registado uma perda do peso média de 17,4kg e um tempo médio de manutenção do  peso perdido de 29 meses. Destes 198 participantes que iniciaram o processo de  avaliação, uma subamostra de 139 indivíduos completou a avaliação inicial,  realizando um conjunto de testes de laboratório, incluindo a caracterização da  atividade física e da alimentação, informação que se expressa na <a href="#t1">Tabela 1</a>. Para  todas as restantes análises, utilizou-se a amostra completa (n=198). Não se  registaram diferenças estatisticamente significativas entre esta subamostra e a  totalidade dos participantes nas principais variáveis do estudo, especificamente  no peso atual (p=0,148), na perda do peso (p=0,602) e no tempo de manutenção do  peso perdido (p=0,620).</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a03t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Os participantes foram recrutados através do anúncio e divulgação do  <I>website</I> do RNCP na imprensa escrita, rádios e televisão, tendo sido  explicado detalhadamente o funcionamento do RNCP, na primeira avaliação  laboratorial, realizada em Lisboa e no Porto, após o que todos assinaram um  consentimento informado. A participação no RNCP implica 2 momentos de avaliação,  no momento inicial e após um ano de entrada no estudo. A participação no RNCP  está aberta em permanência, ou seja, o número de pessoas que se registam no  estudo e que iniciam o processo de avaliação está em permanente evolução. Neste  estudo, apenas se reportam os dados obtidos na avaliação inicial, recolhidos no  período de 2008 a 2010.</P>     <P><I>Instrumentos</I></P>     <P>Foram realizadas avaliações laboratoriais que contemplaram o preenchimento de  um questionário inicial (características demográficas, história do peso  corporal, estratégias de perda e de manutenção do peso), bem como a avaliação da  composição corporal (peso, altura e perímetro da cintura), da atividade física  (acelerometria e questionários sobre a atividade física do estilo de vida e de  lazer), da nutrição e alimentação (frequência alimentar) e de variáveis  psicossociais (p. ex. motivação e autoeficácia para a atividade física,  autoestima, qualidade de vida, imagem corporal, comportamento alimentar,  ansiedade e sintomatologia depressiva). Neste trabalho, iremos reportar as  estratégias de perda, as estratégias de manutenção e descrever parte das  variáveis avaliadas no laboratório. As secções seguintes descrevem os  instrumentos utilizados para avaliar cada um destes grupos de variáveis.</P>     <P><I>Estratégias de perda do peso</I></P>     <P>Os participantes foram questionados sobre a estratégia de perda do peso que  seguiram, devendo indicar se, para reduzir o peso, modificaram apenas a ingestão  calórica, apenas a atividade física ou ambos. Foi igualmente solicitado que  indicassem qual o tipo, onde e com quem efetuaram atividade física para perder  peso, bem como outras estratégias dos hábitos alimentares (p. ex., «reduziu  alimentos ricos em gordura?» ou «reduziu a porção de alimentos?») ou outros  comportamentos (p. ex., «passou a subir escadas?» ou «passou a pesar-se  regularmente?»), respondendo de acordo com uma escala de Likert de 5 pontos (de  «1-Nunca» a «5-Sempre»).</P>     <P><I>Efeito da perda do peso na qualidade de vida e bem-estar</I></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>As pessoas do RNCP indicaram qual o efeito da perda do peso registada na sua  qualidade de vida, no seu bem-estar físico e mental, no seu humor e nas suas  interações sociais, segundo uma escala de Likert de 5 pontos (de «1-Piorou  muito» a «5-Melhorou muito»).</P>     <P><I>Estratégias de manutenção do peso</I></P>     <P>Nesta secção, avaliou-se, de acordo com uma escala de Likert de 5 pontos (de  «1-Nunca» a «5-Sempre»), o que os participantes fazem atualmente para manter o  peso perdido, relativamente aos seus hábitos alimentares (p. ex., «seleciona os  alimentos?» ou «contabiliza as calorias?»), a outros comportamentos (p. ex.,  «pratica atividade física regularmente?» ou «estabelece objetivos concretos?»),  ao número de vezes que come por dia ou que se pesa numa balança.</P>     <P><I>Consistência no plano alimentar</I></P>     <P>Os participantes foram questionados se ao fim de semana e nas férias mantêm  um regime alimentar mais ou menos rigoroso do que, respetivamente, durante a  semana e durante o ano de trabalho, usando uma escala de Likert de 7 pontos (de  «1-Menos rigoroso ao fim de semana/férias» a «7-Mais rigoroso ao fim de  semana/férias»).</P>     <P><I>Comportamentos sedentários</I></P>     <P>Foi solicitado a todos as pessoas que indicassem o tempo que passam a ver  televisão, ao computador ou a uma secretária, num dia de semana e num dia de fim  de semana.</P>     <P><I>Dificuldade em perder ou manter o peso</I></P>     <P>Usando uma escala de Likert de 7 pontos (de «1-Extremamente fácil» a  «7-Extremamente difícil»), as pessoas indicaram a sua dificuldade em perder peso  e em manter o peso perdido. Foi calculada uma nova variável, subtraindo o valor  indicado para a dificuldade na manutenção ao valor da dificuldade de perda do  peso. Um valor positivo significa que essa pessoa tem mais dificuldade em perder  do que em manter o peso perdido, enquanto um valor negativo indica uma maior  dificuldade em manter o peso após a perda.</P>     <P><I>Composição corporal</I></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Todos os participantes foram pesados vestindo roupas leves e descalços, numa  balança (Seca, Hamburg, Germany), com aproximação ao valor de 0,01kg. Foi medida  a altura com aproximação aos 0,1cm com um estadiómetro (Seca, Hamburg, Germany)  e foi medido o perímetro da cintura de acordo com procedimentos  padronizados<SUP>27</SUP>. Adotou-se o perímetro da cintura acima das cristas  ilíacas, pois é aquele que está mais relacionado com a percentagem de gordura  corporal<SUP>28</SUP>.</P>     <P><I>Atividade física</I></P>     <P>A atividade física foi avaliada através do <I>Physical Activity  Questionnaire</I><SUP>29</SUP>, questionário validado para avaliar a atividade  física formal e informal<SUP>30</SUP> e constituído por 3 componentes relativos  a uma semana típica anterior: escadas subidas, distância percorrida a caminhar e  atividades desportivas formais. Os participantes reportaram a média do número de  degraus subidos diariamente, de quantos quilómetros diários percorreram  caminhando e listaram as atividades desportivas em que participaram na semana  anterior, indicando a frequência e a duração de cada uma dessas atividades.  Utilizando a codificação deste questionário<SUP>29</SUP>, foi estimado o  dispêndio energético semanal de cada uma das 3 componentes e o dispêndio  energético total semanal. Uma limitação deste questionário é não utilizar nenhum  fator de correção para o género ou peso corporal, assumindo uma pessoa de 68kg  no cálculo do dispêndio energético<SUP>19</SUP>.</P>     <P><I>Nutrição e alimentação</I></P>     <P>Foi utilizado um Questionário de Frequência Alimentar validado para a  população portuguesa<SUP>31</SUP>, retrospetivo de autopreenchimento e que  expressa a frequência com que cada alimento ou grupo de alimentos é ingerido e a  quantidade aproximada da porção ingerida. Este instrumento é um indicador  padronizado da frequência de consumo alimentar, o que permite entender a relação  entre a composição da dieta do indivíduo e a saúde. Para determinar a frequência  de ingestão de alimentos, os participantes indicaram uma resposta em 9 opções  possíveis: «consumo nulo do alimento», «1 a 3 vezes por mês», «1 vez por  semana’», «2 a 4 vezes por semana», «5 a 6 vezes por semana», «1 vez por dia»,  «2 a 3 vezes por dia», «4 a 5 vezes por dia» ou «mais de 6 vezes por dia». Para  conhecer a quantidade de cada alimento ingerido, os indivíduos indicaram se a  sua porção foi menor, igual ou maior do que a porção média indicada. Este  instrumento de avaliação foi desenvolvido pelo Serviço de Higiene e  Epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e foi validado  pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do  Porto<SUP>31</SUP>.</P>     <P><I>Análise estatística</I></P>     <P>As análises foram efetuadas usando o <I>Statistical Package for the Social  Sciences</I> (SPSS), versão 19, e as técnicas estatísticas utilizadas foram  medidas de tendência central, análise da variância e teste <I>t-student</I> de  amostras independentes para comparação entre géneros. Foi igualmente usado o  teste qui-quadrado para comparação de variáveis categóricas. Para todos os  testes foi definido o erro tipo I para &#945;=0,05.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Resultados</B></P>     <P>Os participantes no registo português são, em média, mais novos, 40 anos de  idade comparados com os 47 anos dos participantes no NWCR<SUP>16</SUP>, mais  pesados, índice de massa corporal de 26,0kg/m<SUP>2</SUP> comparado com  24,6kg/m<SUP>2</SUP> no NWCR, embora o registo português seja mais equilibrado  em termos de distribuição por género, sendo constituído por 59% de mulheres  comparado com cerca de 80% da amostra americana. Menos portugueses possuem  educação superior, 68% comparado com 82%, verificando-se igualmente um menor  número de casados ou a viver em união de facto na amostra do registo português,  54%, do que no registo americano, 64%. A análise detalhada das características  demográficas dos participantes portugueses encontra-se num trabalho que descreve  a implementação do RNCP<SUP>26</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>No RNCP, as pessoas reportaram uma perda do peso média de 17,4kg e um tempo  médio de manutenção do peso perdido de cerca de 2 anos e meio, enquanto no NWCR  se observaram valores mais elevados tanto para a perda do peso, 30kg, como para  a duração da manutenção, cerca de 5 anos e meio<SUP>16</SUP>. Em ambos os  registos, verificou-se que a alteração em conjunto dos hábitos de atividade  física e de alimentação foi a estratégia de perda do peso usada pela maioria, 82  e 84% respetivamente no RNCP e no NWCR (<a href="#f1">Figura 1</a>). Os restantes indivíduos  portugueses, 18%, indicaram ter alterado apenas a alimentação para perder peso  comparado com 10% dos americanos. Nenhum participante do RNCP indicou ter  perdido peso unicamente à custa de alterações da atividade física, o que foi  reportado por cerca de 1% dos participantes do NWCR<SUP>16</SUP>. Nestas  variáveis, não se registaram diferenças entre homens e mulheres do RNCP.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a03f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Na <a href="#f2">Figura 2</a> estão indicadas as estratégias de perda do peso adotadas pelos  participantes no RNCP em comparação com as do registo americano. Assim, para  perder peso, verificou-se que a maioria dos participantes dos 2 registos passou  a selecionar os alimentos, 79 comparado com 88% do NWCR<SUP>16</SUP>. A maior  parte das pessoas do RNCP, 77%, perderam peso por sua conta e, das restantes que  recorreram a um programa de tratamento, apenas 29% perdeu peso em programas de  grupo. Não houve diferenças entre homens e mulheres do RNCP.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a03f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>O efeito que a perda do peso produziu na vida dos participantes do RNCP é  semelhante ao que foi reportado pelos indivíduos do registo americano (<a href="#t2">Tabela 2</a>)<SUP>16</SUP>. De assinalar que cerca de metade dos participantes, 46% no RNCP  e 55% no NWCR, reportou uma melhoria no rendimento no trabalho. Apesar do efeito  positivo que a perda do peso tem em vários domínios da vida dos participantes,  alguns reportam que o tempo que passam a pensar em comida (33% no RNCP e 14% no  NWCR) e no peso (54% no RNCP e 20% no NWCR) aumentou, representando um efeito  negativo da redução do peso. Não se registaram diferenças entre homens e  mulheres do RNCP.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a03t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Os tipos de atividades físicas realizadas para perder peso estão ilustrados  na <a href="#f3">Figura 3</a>. A marcha é a atividade preferida dos participantes nos 2 registos  e, enquanto que, para os portugueses, a corrida é a segunda atividade  preferencial, os americanos optam pelo ciclismo<SUP>17</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a03f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Os participantes no RNCP preferem o ar livre para efetuar atividade física  (54%) e o ginásio (38%) enquanto que as pessoas do NWCR indicam preferir  realizar atividade física <I>indoor</I> (90%) comparado com apenas 13% dos  portugueses que indicam esta preferência. Perto de dois terços dos participantes  no registo português, 61% das mulheres e 68% dos homens, indicaram preferir  praticar atividade física sozinhos, enquanto que, no NWCR, a preferência recai  na companhia dos amigos (40 comparado com 13% no RNCP) e de um grupo ou equipa  (31 comparado com 18% no RNCP). Entre os portugueses, verificaram-se diferenças  significativas entre géneros no que respeita à preferência pela corrida  (p<I>&lt;</I>0,001), pelo ciclismo (p=0,006), com mais homens a adotar estas 2  atividades e pelas aulas de grupo (p=0,002), com mais mulheres a preferir este  tipo de atividade. Comparativamente com as mulheres, um maior número de homens  prefere realizar atividade física no exterior (71%, p=0,002) e <I>indoor</I>  (20%, p=0,039).</P>     <P>As estratégias de manutenção do peso perdido utilizadas pelas pessoas nos 2  registos estão descritas na <a href="#f4">Figura 4</a>. A atividade física regular é adotada como  estratégia por mais de dois terços dos indivíduos no RNCP, estratégia seguida  por 72% das pessoas do NWCR. Os participantes no registo português reportaram  outras estratégias de manutenção do peso, utilizadas pela maioria, em alguns  casos diferentes das usadas pelas pessoas do registo americano<SUP>16</SUP>,  como selecionar conscientemente os alimentos (69%, comparado com 92% no NWCR),  reduzir a quantidade de alimentos ricos em gordura (87 comparado com 38%),  limitar a quantidade de alimentos ingeridos numa refeição (63 comparado com 49%)  e contabilizar as calorias ingeridas (14 comparado com 36% no NWCR). Apenas 4%  dos participantes no NWCR indica que não toma esta refeição, enquanto que 78%  toma o pequeno-almoço todos os dias<SUP>24</SUP>. Esta estratégia ainda é mais  consensual entre os portugueses do RNCP, pois 98% reporta que não salta esta  refeição. A automonitorização do peso corporal é outra estratégia identificada  como muito importante: cerca de três quartos dos americanos integrantes no NWCR  monitorizam o seu peso pelo menos uma vez por semana e muitos deles fazem-no  diariamente<SUP>16</SUP>, enquanto que cerca de 65% dos participantes no RNCP  reportam que utilizam esta estratégia pelo menos uma vez por semana. Não se  registaram diferenças entre homens e mulheres do RNCP.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a03f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>A maioria dos portugueses com sucesso em manter o peso tem um padrão  alimentar menos rigoroso ao fim de semana e durante as férias, o que não  acontece com a maior parte das pessoas no registo americano (<a href="#f5">Figura 5</a>), cujo  padrão alimentar é mais consistente durante toda a semana e todo o  ano<SUP>25</SUP>. Outras características do padrão alimentar destas pessoas são  a redução do número de vezes que comem fora de casa por semana (2 a 3 vezes,  idêntico no NWCR) e efetuarem várias refeições e <I>snacks</I> por dia (5 a 6  vezes, comparado com 4 a 5 vezes no NWCR). No caso do estudo português, as  mulheres registam um número superior de refeições ou <I>snacks</I> por dia ao  dos homens (p=0,025).</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a03f5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>As características da atividade física e da alimentação dos portugueses e  americanos de sucesso no controlo do peso perdido estão expressas na <a href="#t1">Tabela 1</a>. O  dispêndio energético semanal com atividade física dos participantes no RNCP é de  3422kcal, correspondente a cerca de 250min semanais de atividade física moderada  ou vigorosa. Embora os resultados do registo português sejam um pouco  superiores, são consistentes com o que se observou no registo americano, em que  a estratégia fundamental para a manutenção do peso perdido foi a adoção de  elevados níveis de atividade física, cerca de 2621kcal despendidas por  semana<SUP>19</SUP>. A exemplo do que se passa no NWCR, os homens do registo  português atingem um dispêndio energético mais elevado do que as mulheres  (3812kcal/semana comparado com 3127kcal/semana, p=0,032), realizando mais  atividade física vigorosa (127min/semana comparado com 41min/semana efetuado  pelas mulheres, p&lt;0,001).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Os participantes do NWCR indicaram consumir uma dieta alimentar constituída  por aproximadamente 29% de energia proveniente de gordura, 19% de proteína e 49%  de hidratos de carbono<SUP>20</SUP>, semelhante à composição da dieta alimentar  das pessoas no RNCP, 32,8% de gordura, 19,2% de proteína e 49,3% de hidratos de  carbono. A quantidade total de energia consumida diariamente é bastante superior  nas pessoas do RNCP, 2 223kcal, comparada com 1 379kcal ingeridas pelas pessoas  do NWCR.</P>     <P>Tal como no registo americano, a maioria dos participantes do RNCP sentiu ser  mais fácil manter o peso perdido do que perder peso (<a href="#f6">Figura 6</a>). Analisando a  perceção dos participantes relativa à dificuldade em manter o peso perdido  (calculada subtraindo a dificuldade de manter à dificuldade de perder peso),  verificou-se que a maioria das pessoas sentiu ser mais fácil manter o peso ou de  igual dificuldade a perder peso, enquanto poucas pessoas (14% no RNCP e 25% no  NWCR) sentiram que manter o peso é mais difícil. Não se registaram diferenças  entre homens e mulheres do RNCP.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a03f6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P><B>Discussão</B></P>     <P>O objetivo principal do RNCP é identificar as características e estratégias  de sucesso na manutenção do peso perdido adotadas por portugueses a longo prazo.  Os participantes neste estudo mostram que é possível perder grandes quantidades  de peso corporal e não voltar a recuperá-lo, contrariando a ideia comum de que  «ninguém tem sucesso na perda do peso a longo prazo». Pelo exemplo, dos  participantes no registo americano, à medida que o tempo vai decorrendo, a  manutenção do peso perdido torna-se mais fácil, pois, apesar do esforço que é  necessário, um período de manutenção entre 2 a 5 anos aumenta consideravelmente  a probabilidade de sucesso<SUP>2</SUP><SUP>, </SUP><SUP>17</SUP>.</P>     <P>Por comparação com o estudo norte-americano, que conta com cerca de 6000  participantes e de aproximadamente 95 milhões de adultos com obesidade (ou seja,  sensivelmente um participante por cada 16&nbsp;000 pessoas com obesidade), o  registo português terá já ultrapassado o número de participantes do seu  congénere americano, em termos relativos. Assim, em Portugal, estima-se que  cerca de 1&nbsp;000&nbsp;000 de adultos apresentem obesidade, com base em 14,3%  de prevalência<SUP>32</SUP> para uma população total de 10&nbsp;570&nbsp;000 e  uma percentagem de adultos de 67,3%. A amostra de aproximadamente 200  participantes atuais do RNCP indica que, por cada 5000 adultos com obesidade em  Portugal, existe um participante registado neste estudo (16&nbsp;000 para um no  NWCR).</P>     <P>A importância da atividade física no processo de controlo do peso está bem  expressa nos resultados reportados pelos participantes do RNCP. A exemplo do que  sucede com os participantes americanos, a marcha é a atividade preferida nos  participantes do registo português, optando a maioria por conjugar esta  atividade com outro tipo de exercício, o que contribui possivelmente para  aumentar a motivação e adesão ao exercício pois a variabilidade de mais do que  uma atividade pode evitar saturação e desinteresse em relação ao exercício  realizado. Apesar de não ser a atividade preferencial, tanto no registo  português como americano, existe um número considerável de pessoas que efetua  treino com cargas adicionais («treino de força»), o que constitui um sinal da  importância que este tipo de treino tem para o controlo do peso, uma vez que,  promovendo um aumento da massa muscular, conduz a um aumento do dispêndio  energético ao longo do dia<SUP>33</SUP>.</P>     <P>Os homens em ambos os registos reportam atividades com intensidades mais  vigorosas e maior dispêndio energético com atividade física do que as mulheres,  o que pode ser explicado pelo tipo de atividade escolhida, pois, enquanto os  homens preferem a corrida e o ciclismo, as mulheres optam pelas aulas de grupo.  Comparando com o NWCR, os resultados indicam que no registo português o volume e  dispêndio energético com atividade física são mais elevados do que no registo  americano. A maior percentagem de homens que integra o RNCP, cerca do dobro do  NWCR, pode ajudar a explicar este resultado, uma vez que atividades mais  vigorosas induzem dispêndios mais elevados. O dispêndio energético semanal  atinge, em média, um valor superior às orientações para indivíduos com  pré-obesidade ou obesidade que recomendam um gasto energético com atividade  física de, pelo menos, 2000kcal semanais com o objetivo de manter o peso perdido  no longo prazo<SUP>21</SUP>. Apesar de a maioria destas pessoas cumprir essa  orientação, existe um número considerável de pessoas, uma em cada 4, que  controlam o peso gastando pouca energia com atividade física e menos  participantes atingem as recomendações publicadas pela <I>International  Association for the Study of Obesity</I> em 2003 indicando 60-90min de atividade  moderada na maior parte dos dias da semana para prevenir a recuperação do peso  perdido<SUP>34</SUP>. Esta conclusão comprova os resultados obtidos no  NWCR<SUP>19</SUP>, sugerindo que fatores individuais como a energia ingerida,  quantidade de peso perdido, idade, género ou fatores genéticos possam ter uma  influência significativa no volume de atividade física necessária para manter o  peso.</P>     <P>Os valores dos macronutrientes reportados no RNCP estão de acordo com as  recomendações para adultos do <I>Institute of Medicine</I>, que descrevem uma  dieta constituída por 20 a 35% de gordura, 10 a 35% de proteína e 45 a 65% de  hidratos de carbono como saudável<SUP>35</SUP>. De referir que a comparação do  número total de calorias ingeridas, bem como da percentagem de ingestão dos  macronutrientes, tem em consideração as diferenças culturais existentes entre as  2 populações, uma vez que os questionários utilizados foram específicos para as  respetivas populações, i.e. validados para cada país<SUP>36</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>37</SUP>. No RNCP, a ingestão energética é mais elevada, existindo  uma maior limitação dos alimentos ricos em gordura embora com um consumo  superior de gordura, provavelmente pelo tipo de alimentação adotado pelos  portugueses, que tradicionalmente seguem a dieta mediterrânica, mais rica em  gordura. Também neste caso, a diferente constituição das amostras dos 2  registos, com a amostra portuguesa com um maior número de homens (41 comparado  com 20% no NWCR) poderá explicar a maior ingestão energética observada. Permitir  um padrão mais flexível pode evitar aborrecimentos e desistências em relação ao  seu regime alimentar, mas pode, por outro lado, aumentar o risco de exposição a  situações de alto risco, criando mais oportunidades de perda do controlo do peso  e aumentando a probabilidade de manter o peso perdido em 1,5  vezes<SUP>2</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O facto de a maioria das pessoas com sucesso na perda do peso a longo prazo  sentirem maior facilidade em manter o peso do que em perder peso pode causar  alguma surpresa, dada a noção generalizada de que a fase de manutenção é muito  mais difícil do que a fase de perda do peso, aliás comprovada pelo facto de  apenas 20% dos participantes em programas de tratamento ter sucesso na  manutenção a longo prazo<SUP>2</SUP>. Esta maior facilidade na fase de  manutenção poderá advir do facto de as pessoas terem internalizado os novos  comportamentos que adotaram. Por exemplo, a integração da atividade física na  rotina diária torna-se mais fácil com o decorrer do tempo e com a vantagem da  melhoria da condição física ser uma motivação acrescida para manter essa  regularidade.</P>     <P>Os resultados deste estudo, à semelhança do seu congénere  americano<SUP>17</SUP>, sugerem que as estratégias de perda e de manutenção são  muito diversificadas, indicando que não existe uma única forma ou caminho para  alcançar o objetivo de manter o peso perdido. No entanto, é de realçar que a  maioria das estratégias adotadas pelos participantes para perder peso se mantêm  na fase de manutenção, devendo o aconselhamento dos técnicos de saúde ser  orientado para estratégias que possam ser mantidas no longo prazo, contrariando  a ideia de que as estratégias usadas nas 2 fases do processo de combate à  obesidade devam ser distintas.</P>     <P>A importância da comparação dos 2 registos assenta no facto de se perceber se  as conclusões do NWCR podem ser total ou parcialmente aplicáveis à população  portuguesa. Os comportamentos e estratégias utilizadas em Portugal para perder e  manter o peso apontam globalmente no mesmo sentido que as reportadas pela  amostra americana, embora com algumas especificidades devido possivelmente a  diferentes normas socioculturais, como à popularidade de dietas específicas ou  ao envolvimento potenciador ou constrangedor da prática de atividade física.  Este facto pode explicar, por exemplo, o facto de os participantes portugueses  adotarem com mais frequência atividade ao ar livre e as pessoas do NWCR  preferirem o <I>indoor</I>, pois o clima mais ameno e a criação de  infraestruturas que possibilitem escolhas de prática de atividade física para  isso contribuem.</P>     <P>Embora não seja conhecida atualmente a prevalência em Portugal das pessoas  com sucesso em manter o peso perdido, este estudo conseguiu por si só e, até ao  momento, identificar um número considerável deste grupo de pessoas. Outro aspeto  positivo é a extensa bateria de avaliação psicossocial e comportamental. No  entanto, a amostra do RNCP é uma amostra selecionada, constituída por pessoas  voluntárias que se interessaram em participar, sendo esta uma limitação que este  estudo partilha com o seu congénere americano. Para além disso, desconhece-se a  representatividade desta amostra face ao universo representado, pelo que os seus  resultados e conclusões não podem ser generalizados para todas as pessoas que  estão a tentar perder peso ou que já o tenham conseguido. Outra limitação reside  na diferença no valor de perda do peso a atingir para cumprir o critério de  inclusão nos 2 registos e que pode condicionar os resultados encontrados,  nomeadamente o facto de o consumo energético médio ser superior no RNCP ao do  NWCR. Enquanto no NWCR os participantes necessitaram de uma perda mínima de  13,6kg, no RNCP a perda do peso mínima é de 5kg. Os critérios de inclusão  utilizados no registo português seguiram as orientações do NWC, tendo, no  entanto, sido ajustados à realidade portuguesa e descritos em pormenor no artigo  que se encontra em processo de submissão<SUP>26</SUP>, explicando a metodologia  de implementação do RNCP.</P>     <P>Apesar de as perdas do peso reportadas pelas pessoas do registo português  poderem ser consideradas bastante superiores às perdas do peso registadas pela  maioria das pessoas que tentam perder peso (p. ex., no Programa PESO, a média do  peso perdido do grupo de intervenção ao fim de 24 meses foi de 5,5% do peso  inicial<SUP>14</SUP>), é de realçar o valor dos ensinamentos que os indivíduos  do RNCP podem proporcionar, exemplificando que é real a possibilidade de perder  peso e de o controlar a longo prazo. A implicação mais forte destes resultados  poderá ser a de avaliar, em estudos experimentais, se as estratégias e  comportamentos demonstrados pelos participantes do RNCP serão eficazes na  promoção da manutenção do peso perdido em outros indivíduos que estejam a tentar  controlar o seu peso.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Bibliografía</B></P>     <!-- ref --><P>1. Jeffery RW, Wing RR, Sherwood NE, Tate DF. Physical activity and weight  loss: does prescribing higher physical activity goals improve outcome?. Am J  Clin Nutr. 2003; 78:684–9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0870-9025201200020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>2. Wing RR, Phelan S. Long–term weight loss maintenance. Am J Clin Nutr.  2005; 82:222S–5S.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0870-9025201200020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>3. Fried M, Hainer V, Basdevant A, Buchwald H, Deitel M, Finer N, et–al.  Interdisciplinary European guidelines on surgery for severe obesity. Obes Facts.  2008; 1:52–9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0870-9025201200020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>4. U.S. Department of Health and Human Services. Public Health Service.  National Institutes of Health. The practical guide: identification, evaluation,  and treatment of overweight and obesity in adults. Bethesda, MD: NIH. National  Heart, Lung, and Blood Institute; 2000. (NIH Publication number; 00–4084).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0870-9025201200020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>5. Kruger J, Blanck HM, Gillespie C. Dietary and physical activity behaviors  among adults successful at weight loss maintenance. Int J Behav Nutr Phys Act.  2006; 3:17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0870-9025201200020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>6. Elfhag K, Rössner S. Who succeeds in maintaining weight loss?: a  conceptual review of factors associated with weight loss maintenance and weight  regain. Obes Rev. 2005; 6:67–85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0870-9025201200020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>7. Barte JC, ter Bogt NC, Bogers RP, Teixeira PJ, Blissmer B, Mori TA, et–al.  Maintenance of weight loss after lifestyle interventions for overweight and  obesity, a systematic review. Obes Rev. 2010; 11:899–906.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-9025201200020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>8. Savage JS, Birch LL. Patterns of weight control strategies predict  differences in women's 4–year weight gain. Obesity (Silver Spring). 2010;  18:513–20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-9025201200020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>9. Teixeira PJ, Going SB, Sardinha LB, Lohman TG. A review of psychosocial  pre–treatment predictors of weight control. Obes Rev. 2005; 6:43–65.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0870-9025201200020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>10. Teixeira PJ, Palmeira AL, Branco TL, Martins SS, Minderico CS, Barata JT,  et–al. Who will lose weight?: a reexamination of predictors of weight loss in  women. Int J Behav Nutr Phys Act. 2004; 1:12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0870-9025201200020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>11. Teixeira PJ, Going SB, Houtkooper LB, Cussler EC, Metcalfe LL, Blew RM,  et–al. Exercise motivation, eating, and body image variables as predictors of  weight control. Med Sci Sports Exerc. 2006; 38:179–88.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0870-9025201200020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>12. Williams GC, Grow VM, Freedman ZR, Ryan RM, Deci EL. Motivational  predictors of weight loss and weight–loss maintenance. J Pers Soc Psychol. 1996;  70:115–26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0870-9025201200020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>13. Silva MN, Markland D, Minderico CS, Vieira PN, Castro MM, Coutinho SR,  et–al. A randomized controlled trial to evaluate self–determination theory for  exercise adherence and weight control: rationale and intervention description.  BMC Public Health. 2008; 8:234.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0870-9025201200020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>14. Teixeira PJ, Silva MN, Coutinho SR, Palmeira AL, Mata J, Vieira PN,  et–al. Mediators of weight loss and weight loss maintenance in middle–aged  women. Obesity (Silver Spring). 2010; 18:725–35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0870-9025201200020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>15. Silva MN, Markland D, Carraça EV, Vieira PN, Coutinho SR, Minderico CS,  et–al. Exercise autonomous motivation predicts 3–yr weight loss in women. Med  Sci Sports Exerc. 2011; 43:728–37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0870-9025201200020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>16. Klem ML, Wing RR, McGuire MT, Seagle HM, Hill JO. A descriptive study of  individuals successful at long–term maintenance of substantial weight loss. Am J  Clin Nutr. 1997; 66:239–46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0870-9025201200020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>17. Wing RR, Hill JO. Successful weight loss maintenance. Annu Rev Nutr.  2001; 21:323–41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0870-9025201200020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>18. Catenacci VA, Grunwald GK, Ingebrigtsen JP, Jakicic JM, McDermott MD,  Phelan S, et–al. Physical activity patterns using accelerometry in the National  Weight Control Registry. Obesity (Silver Spring). 2011; 19:1163–70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0870-9025201200020000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>19. Catenacci VA, Ogden LG, Stuht J, Phelan S, Wing RR, Hill JO, et–al.  Physical activity patterns in the National Weight Control Registry. Obesity  (Silver Spring). 2008; 16:153–61.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0870-9025201200020000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>20. Phelan S, Wyatt HR, Hill JO, Wing RR. Are the eating and exercise habits  of successful weight losers changing?. Obesity (Silver Spring). 2006; 14:710–6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0870-9025201200020000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>21. Donnelly JE, Blair SN, Jakicic JM, Manore MM, Rankin JW, Smith BK.  American College of Sports Medicine Position Stand. Appropriate physical  activity intervention strategies for weight loss and prevention of weight regain  for adults. Med Sci Sports Exerc. 2009; 41:459–71.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0870-9025201200020000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>22. Butryn ML, Phelan S, Hill JO, Wing RR. Consistent self–monitoring of  weight: a key component of successful weight loss maintenance. Obesity (Silver  Spring). 2007; 15:3091–6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0870-9025201200020000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>23. Raynor DA, Phelan S, Hill JO, Wing RR. Television viewing and long–term  weight maintenan results from the National Weight Control Registry. Obesity  (Silver Spring). 2006; 14:1816–24.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0870-9025201200020000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>24. Wyatt HR, Grunwald GK, Mosca CL, Klem ML, Wing RR, Hill JO. Long–term  weight loss and breakfast in subjects in the National Weight Control Registry.  Obes Res. 2002; 10:78–82.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0870-9025201200020000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>25. Gorin AA, Phelan S, Wing RR, Hill JO. Promoting long–term weight control:  does dieting consistency matter?. Int J Obes Relat Metab Disord. 2004;  28:278–81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0870-9025201200020000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>26. Vieira PN, Silva MN, Mata JM, Coutinho SR, Santos TC, Sardinha LB, et–al.  Sucesso na manutenção do peso perdido em Portugal: dados preliminares do Registo  Nacional de Controlo do Peso. ENDO. 2008; 2:140.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0870-9025201200020000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>27. Lohman TG, Roche AF, Martorell R. Anthropometric standardization  reference manual. Champaign, IL: Human Kinetics Book; 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0870-9025201200020000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>28. Wang J, Thornton JC, Bari S, Williamson B, Gallagher D, Heymsfield SB,  et–al. Comparisons of waist circumferences measured at 4 sites. Am J Clin Nutr.  2003; 77:379–84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0870-9025201200020000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>29. Paffenbarger RS, Wing AL, Hyde RT. Physical activity as an index of heart  attack risk in college alumni. Am J Epidemiol. 1978; 108:161–75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0870-9025201200020000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>30. Pereira MA, FitzerGerald SJ, Gregg EW, Joswiak ML, Ryan WJ, Suminski RR,  et–al. A collection of Physical Activity Questionnaires for health–related  research. Med Sci Sports Exerc. 1997; 29:S1–205.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0870-9025201200020000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>31. Moreira P, Sampaio D, Almeida MD. Validity assessment of a food frequency  questionnaire by comparison with a 4–day diet record. Acta Med Port. 2003;  16:412–20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0870-9025201200020000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>32. Carmo I, Santos O, Camolas J, Vieira J, Carreira M, Medina L, et–al.  Overweight and obesity in Portugal: national prevalence in 2003–2005. Obes Rev.  2008; 9:11–9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0870-9025201200020000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>33. Donnelly JE, Smith B, Jacobsen DJ, Kirk E, Dubose K, Hyder M, et–al. The  role of exercise for weight loss and maintenance. Best Pract Res Clin  Gastroenterol. 2004; 18:1009–29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0870-9025201200020000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>34. Saris WH, Blair SN, van Baak MA, Eaton SB, Davies PS, Di Pietro L, et–al.  How much physical activity is enough to prevent unhealthy weight gain?: outcome  of the IASO 1st Stock Conference and consensus statement. Obes Rev. 2003;  4:101–14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0870-9025201200020000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>35. National Academy of Sciences. 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