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<article-id>S0870-90252012000200004</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2012.12.003</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uso de cenários estratégicos para planeamento de recursos humanos em saúde: o caso dos farmacêuticos comunitários em Portugal 2010-2020]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Instituto de Higiene e Medicina Tropica Unidade de Ensino e Investigação de Saúde Pública Internacional e Bioestatística]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: The planning of Human Resources for Health is especially important in an environment of political and economic uncertainty as it is today. For community pharmacists practice, an environment characterized by constant technological innovation and increasing empowerment of patients concerning health issues, as well as a shortage of primary care physicians and a Primary Health Care Reform that is currently taking place, may represent an opportunity to rethink the role that community pharmacists may play in the Portuguese Health System, accomplishing the paradigm shift from a product-centered to a service-centered model of practice, that these professionals are experiencing since the 90s. Method: As a tool of strategic thinking, prospective scenario analysis allows us to imagine and analyze different alternatives for community pharmacist's future. The design of the scenarios took place in three stages: the first two stages were scenario building workshops, for which we invited experts from practice and academic settings where the main tool for collecting information was the brainstorming technique. In the final stage, we built the final scenarios with the information obtained in the workshops and with the information collected in the scientific literature on community pharmacists’ role and factors influencing it. Results: This analysis allowed us to identify the critical uncertainties that will have more influence in the future for Portuguese community pharmacists, the «Legislative Environment» and «Ability to innovate and develop services». Resolving these uncertainties in a 2x2 matrix, we built our final scenarios that we named «Pharmacy-Mall», «e-Pharmacist», and «Reorganize or die». Conclusions: In these scenarios is clear that the future role of community pharmacists is dependent of pharmaceutical services provision, beyond the dispensing of medicines. These future community pharmacists will also have to gain new competencies in areas traditionally out of their scope such as management, leadership, marketing, information technologies, teamwork abilities and behavioral and communication techniques.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Planeamento recursos humanos da saúde]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Farmacêutico comunitário]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Análise de cenários]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></P>     <P><b>Uso de cenários estratégicos para planeamento de recursos humanos em saúde: o  caso dos farmacêuticos comunitários em Portugal 2010–2020</b></P>     <P><b>Use of strategic scenarios for health human resources planning: community  pharmacists case in Portugal 2010–2020</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>João Gregório<SUP>a</SUP> <sup><a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a>, Luís Velez Lapão<SUP>a</SUP> </b></P>     <P><SUP>a</SUP>Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde para Políticas  e Planeamento da Força de Trabalho da Saúde, Unidade de Ensino e Investigação de  Saúde Pública Internacional e Bioestatística, Instituto de Higiene e Medicina  Tropical, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>RESUMO</B></P>     <P><I>Introdução</I>: O planeamento de Recursos Humanos em Saúde assume especial importância numa  envolvente económica e política de grande incerteza como a atual. Para os  farmacêuticos comunitários, um ambiente com uma crescente inovação tecnológica e  maior capacitação dos cidadãos em questões de saúde, bem como a falta de médicos  e a reforma dos cuidados de saúde primários (CSP), pode apresentar uma  oportunidade para que estes profissionais alterem o seu papel no sistema de  saúde, consumando assim a mudança de paradigma a que a profissão assiste desde  os anos 90.</P>     <P><I>Método</I>: Enquanto ferramenta de pensamento estratégico, a análise de cenários  prospetivos permite analisar o futuro do farmacêutico comunitário, observando  várias alternativas. A construção dos cenários decorreu em 3 fases, as 2  primeiras em <I>workshops</I> de cenarização, onde utilizámos como técnica de  recolha de informação a técnica de <I>brainstorming</I>, e uma fase final, onde  fizemos evoluir os cenários temáticos destes <I>workshops</I> para cenários de  decisão, com base na informação recolhida nos <I>workshops</I> e na literatura  científica sobre o papel do farmacêutico comunitário e os fatores que o  influenciam.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Resultados</I>: Esta análise permitiu–nos identificar enquanto principais incertezas  críticas, isto é, as que terão maior influência no futuro do farmacêutico  comunitário português, o «Ambiente Legislativo» e a «Capacidade de Inovação de  Serviços». Resolvendo estas incertezas numa matriz 2&nbsp;x&nbsp;2,  construíram–se 3 cenários que denominámos «Pharmacy–Mall», «e–Pharmacist», e  «Reorganize or die».</P>     <P><I>Conclusões</I>: Nestes cenários fica evidente que a necessidade de farmacêuticos comunitários  no futuro estará dependente da prestação de serviços farmacêuticos para lá do  processo de dispensa de medicamentos. Estes futuros farmacêuticos terão de  adquirir mais competências em áreas tradicionalmente fora do seu âmbito, tais  como competências de gestão, liderança, marketing, tecnologias de informação,  aptidões para o trabalho em equipa e técnicas comportamentais e  comunicacionais.</P>     <P><B>Palavras-chave:</B>Planeamento recursos humanos da saúde, Farmacêutico comunitário, Análise de cenários, Inovação de serviços farmacêuticos, Portugal     <p>&nbsp;</p>     <P><B>ABSTRACT</B></P>     <P><I>Introduction</I>: The planning of Human Resources for Health is especially important in an  environment of political and economic uncertainty as it is today. For community  pharmacists practice, an environment characterized by constant technological  innovation and increasing empowerment of patients concerning health issues, as  well as a shortage of primary care physicians and a Primary Health Care Reform  that is currently taking place, may represent an opportunity to rethink the role  that community pharmacists may play in the Portuguese Health System,  accomplishing the paradigm shift from a product–centered to a service–centered  model of practice, that these professionals are experiencing since the 90s.</P>     <P><I>Method</I>: As a tool of strategic thinking, prospective scenario analysis allows us to  imagine and analyze different alternatives for community pharmacist's future.  The design of the scenarios took place in three stages: the first two stages  were scenario building workshops, for which we invited experts from practice and  academic settings where the main tool for collecting information was the  brainstorming technique. In the final stage, we built the final scenarios with  the information obtained in the workshops and with the information collected in  the scientific literature on community pharmacists’ role and factors influencing  it.</P>     <P><I>Results</I>: This analysis allowed us to identify the critical uncertainties that will  have more influence in the future for Portuguese community pharmacists, the  «Legislative Environment» and «Ability to innovate and develop services».  Resolving these uncertainties in a 2x2 matrix, we built our final scenarios that  we named «Pharmacy–Mall», «e–Pharmacist», and «Reorganize or die».</P>     <P><I>Conclusions</I>: In these scenarios is clear that the future role of community pharmacists is  dependent of pharmaceutical services provision, beyond the dispensing of  medicines. These future community pharmacists will also have to gain new  competencies in areas traditionally out of their scope such as management,  leadership, marketing, information technologies, teamwork abilities and  behavioral and communication techniques.</P>     <P><B>Keywords: </B>Human resources for health planning. Community pharmacists. Scenario  analysis. Pharmaceutical services innovation. Portugal. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><B>Introdução</B></P>     <P>O planeamento estratégico é basilar em saúde pública, revestindo-se de  especial importância para o planeamento de recursos humanos, a avaliação da  eficiência, a qualidade dos serviços e a pesquisa de soluções inovadoras para  problemas de saúde e do sistema de saúde<SUP>1</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>2</SUP><SUP>, </SUP><SUP>3</SUP>. O planeamento estratégico  devidamente utilizado é uma importante ferramenta de gestão<SUP>4</SUP>. É o  processo que determina o que uma organização quer ser no futuro, e como vai  fazer para chegar lá. É por isso muito mais determinista em comparação com o  pensamento estratégico que, em contraste com o planeamento, envolve intuição e  criatividade<SUP>5</SUP>. Um plano estratégico deve ajudar uma organização a  lidar com as contingências que surgem num ambiente dinâmico como o dos cuidados  de saúde e ajudar a estabelecer um posicionamento para o sucesso a longo prazo,  sendo particularmente útil para as organizações de saúde quando têm de lidar com  as alterações no padrão de prestação de cuidados<SUP>1</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>6</SUP>.</P>     <P>Os recursos humanos em saúde são um dos pilares essenciais de um sistema de  saúde, sendo neste momento o foco de atenção para o reforço desses mesmos  sistemas<SUP>2</SUP><SUP>, </SUP><SUP>7</SUP>. O planeamento de recursos humanos  em saúde pretende assegurar que o número e o tipo adequado de profissionais de  saúde estão disponíveis para prestar o tipo certo de serviços com a maior  eficiência possível<SUP>6</SUP>. A crescente importância dada ao papel  desempenhado pelos profissionais de saúde coloca-os numa posição de destaque na  definição de políticas de saúde pelos diferentes agentes de saúde pública a  nível global<SUP>2</SUP><SUP>, </SUP><SUP>8</SUP>.</P>     <P>Uma das questões que deve ser tida em conta no planeamento dos recursos  humanos da saúde é o ambiente no qual têm de exercer. Estes profissionais  enfrentam hoje em dia um ambiente caracterizado por uma crescente inovação  tecnológica, com tendência em focar os cuidados de saúde no doente, e maior  capacitação do utente em questões de saúde. No caso particular dos  farmacêuticos, a falta e o custo mais elevado de profissionais médicos, o  ambiente económico e político e a presente reforma dos cuidados de saúde  primários (CSP), contribui para neste momento existir uma oportunidade para  reflectir sobre o papel que o farmacêutico comunitário pode ter no sistema de  saúde. Vivendo-se um contexto de incerteza, em que é difícil fazer previsões, é  necessário analisar o problema do futuro do farmacêutico comunitário português  com base numa visão estratégica, permitindo observar várias alternativas, mesmo  as que à partida pareçam menos prováveis. Em tais condições pode-se recorrer ao  método de «Análise de Cenários Prospetivos», uma das ferramentas ao dispor dos  <I>policy-makers</I> na fase de pensamento estratégico aquando da elaboração do  planeamento a longo-prazo. A análise de cenários é uma ferramenta de grande  utilidade na planificação de recursos humanos, utilizando um método misto, que  enquadra técnicas qualitativas e quantitativas.</P>     <P>O objetivo da análise de cenários não é prever ou escrever o futuro, mas sim  melhorar a compreensão do ambiente no qual a organização está inserida e usar  essa compreensão para apoiar a tomada de decisão, tanto no presente como no  futuro<SUP>5</SUP><SUP>, </SUP><SUP>9</SUP><SUP>, </SUP><SUP>10</SUP>. A  organização pode determinar os objetivos que quer alcançar, usando a combinação  dos cenários para apoiar a realização do plano estratégico, antecipando  condicionantes e obtendo pistas sobre o seu posicionamento<SUP>9</SUP>. Esta  metodologia tem sido usada para a pesquisa de futuros de organizações e mesmo de  grupos profissionais como os farmacêuticos<SUP>11</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>12</SUP>.</P>     <P>Antes de iniciarmos a utilização deste método, recolhemos algumas questões  relevantes sobre a atividade destes profissionais, como o apoio ao  desenvolvimento dos cenários. Por exemplo, se nada se alterar, haverá ainda a  necessidade de um farmacêutico comunitário no futuro?; será possível encontrar  outro papel para o farmacêutico dentro do sistema de saúde?; de que forma pode o  farmacêutico ser integrado a participar mais na rede dos CSP?; o que pode  acontecer a um grande número de jovens profissionais qualificados, num mercado  cada vez mais saturado?</P>     <P>Para conferir maior objetividade a este processo, definimos como nossos  objetivos: analisar a evolução do futuro papel do farmacêutico comunitário em  Portugal, mediante a elaboração de 3 cenários alternativos, tendo em conta as  possibilidades de participação do futuro farmacêutico comunitário dentro do  sistema de saúde em Portugal, sobretudo dentro da rede de CSP; identificar as  forças motrizes de mudança e definir indicadores que assinalem as tendências  futuras, a fim de ajudar ao processo de tomada de decisão para o planeamento de  recursos humanos.</P>     <P><I>Evolução do papel do farmacêutico comunitário no sistema de saúde</I></P>     <P>No início do século xx, o farmacêutico comunitário ou de oficina, era responsável pela  disponibilização, preparação e avaliação de fármacos que eram utilizados no  tratamento de diversas enfermidades. A sua principal obrigação era avaliar se os  produtos que vendia eram puros e devidamente preparados, embora o aconselhamento  sobre medicamentos e questões de saúde já fosse uma atividade expressiva. Este  papel de preparador e avaliador de fármacos começou a desaparecer, sobretudo nos  países mais industrializados, entre 1930 e 1970<SUP>13</SUP>, com a diminuição  da necessidade de preparação de medicamentos magistrais, à medida que cada vez  mais formas farmacêuticas iam sendo produzidas industrialmente.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Para acompanhar a inovação e o desenvolvimento das novas tecnologias  ocorreram, nestas últimas 4 décadas, mudanças de práticas nas farmácias,  afastando-se estas gradualmente do seu objetivo original de apenas providenciar  medicamentos à população, passando também a estar mais atentas ao doente, com  prestação de cuidados especializados e com disponibilização de  informação<SUP>14</SUP>. A atenção centrada no doente resultou na promulgação  dos princípios da prática clínica, serviços de informação e dos serviços  farmacêuticos enquanto novo paradigma da prática farmacêutica<SUP>14</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>15</SUP>. Estes traduzem-se em valor para os profissionais mas também  para o sistema de saúde, não só pelas potenciais poupanças que geram mas também  pelo potencial que apresentam em termos de melhoria da eficiência do sistema de  saúde<SUP>16</SUP><SUP>, </SUP><SUP>17</SUP>. Para além da dispensa de produtos  farmacêuticos, os serviços farmacêuticos podem incluir a informação, a educação  e a comunicação para promover a saúde pública, a disponibilização de informação  sobre medicamentos e aconselhamento, os serviços regulamentares e educação e a  formação de equipas<SUP>18</SUP>. No contexto da farmácia comunitária, os  serviços farmacêuticos também passaram a incluir outro tipo de serviços, tais  como as medições de parâmetros bioquímicos (glicemia, uricemia, colesterolemia,  etc.), as medições de tensão arterial, a determinação de índice de massa  corporal, os programas de gestão de doença, entre outros<SUP>13</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>19</SUP>.</P>     <P>Na perspetiva de um sistema de saúde onde existe carência de médicos e  enfermeiros nos CSP, a utilização do farmacêutico comunitário para prestação de  cuidados, particularmente para a monitorização terapêutica de doentes crónicos,  pode ajudar a minimizar o impacto desta situação. Os farmacêuticos comunitários  têm uma posição privilegiada dentro do sistema de saúde, pela sua acessibilidade  à população<SUP>20</SUP><SUP>, </SUP><SUP>21</SUP>. A sua formação permite-lhe  atuar ao nível da prevenção da doença e na recomendação e monitorização da  terapêutica para alcançar os efeitos clínicos desejados e diminuir os efeitos  adversos.</P>     <P>Atualmente, os farmacêuticos comunitários exercem a sua atividade num  ambiente onde não é fácil acompanhar os últimos desenvolvimentos tecnológicos,  onde os utentes estão cada vez mais e melhor informados, recorrendo com  frequência à Internet antes de irem ao médico ou consultarem um  farmacêutico<SUP>22</SUP>. Ao mesmo tempo, tanto a venda a retalho como a  dispensa de medicamentos a nível hospitalar começam já a procurar novas formas  de dispensa que não necessitem do envolvimento de um profissional caro como o  farmacêutico<SUP>14</SUP>. Entre as inovações que visam diminuir esse  envolvimento surge a prescrição eletrónica, sistemas de suporte à decisão  clínica, certificação de técnicos, robotização e diversas aplicações de  telefarmácia, incluindo supervisão farmacêutica à distância<SUP>15</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>23</SUP>.</P>     <P>A evolução do papel do farmacêutico comunitário está a ocorrer a um ritmo  lento, influenciada por inúmeros fatores externos e por barreiras que os  próprios profissionais apresentam (<a href="#f1">Figura 1</a>). Fatores como a pressão exercida  pelas alterações demográficas, a prevalência de doenças, as expectativas dos  doentes, os avanços tecnológicos e o aumento dos custos têm motivado uma mudança  para os cuidados preventivos, onde os medicamentos têm um papel essencial, assim  como conceitos como a qualidade, a segurança,a abordagem multidisciplinar, e a  relação custo-eficácia<SUP>24</SUP>.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a04f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>No entanto, existem resistências à intervenção do farmacêutico para lá da  dispensa de medicamentos. Um dos fatores que contribui para essa resistência é o  dilema em que o farmacêutico comunitário vive, entre o negócio e o  profissionalismo, entre os cuidados informais e profissionais<SUP>13</SUP>. O  farmacêutico comunitário é, aparentemente, o profissional de saúde cujo  vencimento está mais dependente da venda de um produto, o que leva a que os  farmacêuticos comunitários sejam vistos de forma ambígua pela população e por  outros profissionais de saúde, mantendo simultaneamente uma imagem de  comerciante e profissional de saúde<SUP>25</SUP><SUP>, </SUP><SUP>26</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>27</SUP>. Além disso, o facto de a aquisição das novas competências  ter sido feita de forma muito heterogénea, com a maioria dos farmacêuticos  comunitários ainda a limitar as suas atividades à dispensa de medicamentos, não  contribuiu para que esta imagem melhorasse<SUP>15</SUP>.</P>     <P><I>O farmacêutico comunitário português</I></P>     <P>Em Portugal, o farmacêutico comunitário é um membro da ordem dos  farmacêuticos (OF) que exerce a sua atividade profissional nas farmácias  comunitárias, também designadas de farmácias de oficina<SUP>28</SUP>.</P>     <P>Cerca de 2/3 dos farmacêuticos exercem a sua atividade no setor da farmácia  comunitária<SUP>29</SUP>. No final de 2009 existiam 7&nbsp;178 farmacêuticos  comunitários<SUP>30</SUP>. Destes, cerca de 65% têm idade inferior a 45 anos, e  80% são do sexo feminino<SUP>31</SUP>. O rácio de farmacêutico por farmácia é já  superior a 2 desde 2005<SUP>30</SUP>, tendo cada farmácia, em média, 6  trabalhadores<SUP>31</SUP>. O número de farmacêuticos a exercer a sua atividade  em farmácia comunitária aumentou 74% entre 2000 e 2009<SUP>30</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>32</SUP>, numa média de 340 novos profissionais por ano. Este aumento  pode ser explicado pelo aumento de novos diplomados na última década, fruto da  abertura de novos cursos de ciências farmacêuticas em diversas universidades.  Entre 2000 e 2007 houve um aumento de 43% no número de diplomados<SUP>33</SUP>,  numa média anual neste período de 702 novos diplomados. Atualmente, 9  universidades oferecem o curso de mestrado integrado em ciências farmacêuticas,  essencial para o acesso à profissão. No total ingressaram neste curso em 2010  cerca de 1&nbsp;114 alunos, um aumento de 6,5% em relação aos ingressos de  2008<SUP>34</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Uma das consequências do aumento de profissionais foi a maior distribuição  destes profissionais pelo território, tendo o número de farmacêuticos  comunitários por 100&nbsp;000 habitantes aumentado 67%, existindo hoje  aproximadamente 68 farmacêuticos comunitários por 100&nbsp;000  habitantes<SUP>30</SUP><SUP>, </SUP><SUP>32</SUP><SUP>, </SUP><SUP>33</SUP>.  Esta distribuição demonstra que a legislação relativa à instalação de farmácias  comunitárias proporcionou uma distribuição homogénea das farmácias pelo país, o  que obviamente levou a que exista também uma distribuição homogénea de  farmacêuticos comunitários<SUP>35</SUP>. Neste indicador, Portugal tem um melhor  resultado do que a média dos países da OCDE, estando acima de países como a  Holanda, o Reino Unido ou a Alemanha mas ainda distante de Espanha ou de  França<SUP>36</SUP>.</P>     <P>A fonte principal de remuneração dos farmacêuticos comunitários faz-se a  partir das margens de lucro fixadas pelo governo para os medicamentos de  prescrição obrigatória. Após diversas alterações, as margens atualmente em  vigor, definidas no Decreto-Lei 112/2011, são calculadas com base no preço de  venda ao armazenista (PVA) acrescidos de uma taxa, podendo variar entre os 27,9%  sem sobretaxa para medicamentos com PVA inferior a 5 euros, até a uma taxa fixa  de 10,35 euros para medicamentos de PVA superior a 50 euros. Estes medicamentos  representavam em 2009, 83% em volume e 93% em valor do mercado de medicamentos  no ambulatório<SUP>37</SUP>. A maioria dos medicamentos de prescrição é  comparticipada pelo Estado, tendo este sido responsável em média por cerca de  70% do PVP final destes medicamentos até 2009<SUP>30</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>32</SUP>.</P>     <P>Além das margens de lucro sobre os medicamentos e outros produtos, a  remuneração sobre serviços farmacêuticos constituiu-se recentemente como mais  uma fonte alternativa de remuneração para as farmácias e farmacêuticos. Na  ausência de regulação específica em Portugal, as farmácias foram implementando  serviços com o respetivo aconselhamento ao longo dos últimos 20  anos<SUP>19</SUP>. Foram também desenhados programas para irem ao encontro de  necessidades específicas da comunidade, como a recolha de embalagens e de  medicamentos usados, um programa de troca de seringas, de toma direta observada  de metadona, e programas de cuidados farmacêuticos e de gestão de terapêutica,  conseguindo a sustentabilidade dessa política com o apoio da Associação Nacional  das Farmácias (ANF)<SUP>19</SUP>. Estes serviços prestados nas farmácias, são  pagos pelos utentes, com exceção dos serviços gratuitos (ex. toma observada de  metadona) e do programa de cuidados farmacêuticos na diabetes, que foi pago a  75% pelo Estado português<SUP>38</SUP>. Em novembro de 2006, 262 farmácias  tinham implementado este programa, seguindo 1&nbsp;941 doentes, em média cerca  de 7 doentes por farmácia<SUP>19</SUP>. Este programa já não se encontra em  vigor, mas em outubro de 2009, 2 meses antes de o programa terminar, 405  farmácias tinham implementado o programa da diabetes seguindo em média 3  doentes<SUP>39</SUP>.</P>     <P>Em Portugal existiam em 2010, 2&nbsp;803 farmácias distribuídas pelo  território segundo os critérios de capitação e de distância definidos em  decreto-lei. O número de farmácias aumentou desde o início da década passada,  traduzindo-se num aumento de 9,5% em 10 anos, ou 24 novas farmácias em média por  ano<SUP>33</SUP>. Verifica-se que o crescimento do número de farmácias não  acompanhou o crescimento do número de profissionais que se verifica desde os  finais dos anos 90. Até agora, os novos farmacêuticos têm sido absorvidos pelas  farmácias existentes, com o número de farmacêuticos por farmácia a aumentar em  60% desde 2000<SUP>30</SUP>. Com o número de farmacêuticos por farmácia a  aproximar-se dos 3 e com as dificuldades financeiras que algumas farmácias  atravessam<SUP>40</SUP><SUP>, </SUP><SUP>41</SUP>, é natural que se reduzam as  contratações de novos farmacêuticos, o que poderá logicamente levar a um aumento  do desemprego entre os farmacêuticos.</P>     <P>Com todas as alterações que tem enfrentado ultimamente, e perante a atual  situação de saturação do mercado, o farmacêutico comunitário português  encontra-se num limbo onde começa a ver a sua função a perder importância, sendo  crucial que possa encontrar a melhor forma de fazer a transição para o seu novo  papel como prestador de cuidados de saúde.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Métodos</B></P>     <P>Para se construir os cenários para o futuro do farmacêutico comunitário  português, usou-se o método proposto por Lapão<SUP>42</SUP>, que condensa os 10  passos do procedimento descrito por Schoemaker<SUP>10</SUP> em 3 fases, nas  quais o envolvimento de uma equipa de cenarização é fundamental. As 2 primeiras  fases decorreram em 2 <I>workshops</I> temáticos que decorreram em 2&nbsp;dias  diferentes, com uma duração máxima de 3&nbsp;h: o primeiro é um <I>workshop</I>  de contextualização da análise de cenários para o problema em estudo, seguindo  de um segundo <I>workshop</I> para a seleção e validação dos primeiros cenários,  para na terceira fase se desenvolverem e analisarem os cenários finais. Os  critérios para a escolha da equipa foram baseados na experiência profissional e  académica, sendo o painel composto por 6 farmacêuticos (3 doutores em Farmácia  com funções docentes e de investigação, um mestre em Saúde Pública e  coproprietário de farmácia, um especialista em Farmácia Comunitária e um diretor  executivo de agrupamento de centros de saúde), um gestor especialista em  avaliação de fármacos e um especialista de cenarização, doutor em Engenharia de  Sistemas e Informática Médica. Nenhum dos farmacêuticos exerce atualmente  funções em organizações representantes dos profissionais, pelo que considerámos  não haver conflitos de interesse relevantes para este trabalho.</P>     <P>O procedimento inicia-se com a definição de um período de tempo para o qual  se querem imaginar os diversos cenários, e com a identificação das principais  forças de mudança que afetam o mundo e o país que terão impacto na questão em  estudo. A escolha do período de tempo mais adequado depende de diversos fatores,  tais como a evolução tecnológica ou o período político<SUP>10</SUP>. Escolheu-se  para este trabalho um período de 10 anos porque permite pensar em mais  alternativas para o futuro do farmacêutico comunitário, sendo suficientemente  curto para certos elementos predeterminados como os elementos demográficos,  conferindo alguma previsibilidade neste factor, enquanto incertezas críticas  como a evolução tecnológica ou o ambiente político tenderão a evoluir mais  rápida e imprevisivelmente durante este período.</P>     <P>Para preparar as sessões de cenarização, foi previamente efetuada uma revisão  da literatura, com o objetivo de identificar as principais incertezas críticas e  forças de mudança, que proporcionou mais de 100 artigos sobre o papel do  farmacêutico comunitário e as tendências futuras. As análises quantitativas dos  números de profissionais tiveram por base os relatórios «Estatística do  medicamento», disponibilizados regularmente pelo INFARMED<SUP>30</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>32</SUP>, assim como dados consultados nos sítios da internet da OF e  da ANF<SUP>29</SUP><SUP>, </SUP><SUP>31</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Todos estes fatores foram explorados em equipa no decorrer dos  <I>workshops</I>, de modo a determinar quais serão as «forças motrizes», ou  seja, quais os fatores críticos que mais poderão moldar o futuro do farmacêutico  comunitário. São as diferentes combinações destas forças que originam diversas  histórias do futuro. O primeiro <I>workshop</I> iniciou-se com um pequeno  seminário de forma a introduzir as ideias da análise prospetiva de cenários, tal  como recomendado por Godet<SUP>5</SUP>, permitindo aos participantes dos  <I>workshops</I> tornarem-se mais familiarizados com o conceito e as ferramentas  deste tipo de análise. Ambos os <I>workshops</I> foram gravados para permitir  posterior análise de conteúdo, de modo a melhor detalhar os resultados  obtidos.</P>     <P>Aplicando este método conseguiu-se, na primeira fase, fazer um ponto da  situação do farmacêutico comunitário em Portugal, identificando as principais  tendências, os principais atores-chave <I>(stakeholders)</I> e as principais  incertezas, e fatores críticos com possível impacto no papel do farmacêutico  comunitário. Para iniciar essa definição, as principais incertezas e fatores  críticos são condensados em 2 incertezas críticas: as «forças motrizes» (ou  <I>driving forces</I>) dos cenários<SUP>43</SUP>. Estas forças motrizes  representam os fatores mais significativos que poderão influenciar o papel do  farmacêutico comunitário em Portugal, e é partir deles que se começam a desenhar  os primeiros cenários.</P>     <P>Na segunda fase, concebeu-se um papel para o farmacêutico comunitário em cada  um dos cenários, construídos estrategicamente em torno das «forças motrizes»,  testando a consistência e a plausibilidade dos primeiros cenários.</P>     <P>Numa terceira fase, já só com a participação dos autores deste estudo,  trabalhou-se o material recolhido para caracterizar cada um dos cenários,  fazendo-se evoluir os cenários encontrados nas fases anteriores para possíveis  cenários de decisão, e identificando pontos-chave, mais sensíveis, que poderão  influenciar a tomada de decisão dos diferentes actores-chave envolvidos. Para  tal, construiu-se uma narrativa e definiram-se indicadores para fazer a  monitorização e, se necessário, a atualização dos cenários. É nesta fase que se  consegue determinar e identificar mais facilmente as necessidades de futuras  investigações para amenizar as incertezas encontradas<SUP>10</SUP>.</P>     <P>Este estudo foi efetuado de acordo com as normas e código de ética em  investigação de serviços de saúde do Instituto de Higiene e Medicina Tropical,  Universidade Nova de Lisboa. O protocolo do estudo foi aprovado pelo comité de  ética deste Instituto (Parecer n.°: 7-2012-PN). Parte deste estudo tem sido  financiando pelo projeto «ePharmaCare» da Fundação para a Ciência e Tecnologia  (PTDC/CCI-CIN/122690/2010).</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Resultados</B></P>     <P>No decurso dos <I>workshops</I> de cenarização, foram abordados e debatidos  temas que poderão influenciar de forma significativa o papel do farmacêutico  comunitário no sistema de saúde português, com o objetivo de identificar  incertezas críticas e as respetivas «forças motrizes». No primeiro  <I>workshop</I> foram debatidos os fatores externos e internos bem como as  tendências atuais (mercado, número de farmacêuticos, etc.) levando os  participantes a partilharem as suas perceções sobre a posição do farmacêutico  comunitário no sistema de saúde em Portugal. Desta forma, encontrou-se o  conjunto de fatores que mais poderão contribuir para afetar a mudança do papel  do farmacêutico comunitário em Portugal e que de seguida se descrevem, tal como  foram discutidos nos <I>workshops</I>. Na <a href="#t1">Tabela 1</a>, apresentamos, de forma  sucinta, todos os fatores que foram enunciados.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a04t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Serviços farmacêuticos</I></P>     <P>Os serviços farmacêuticos surgiram como tema central nos <I>workshops</I> de  cenarização, tendo mesmo sido considerados o motor do desenvolvimento e  satisfação profissional e do potencial de diferenciação entre farmácias. Assumem  assim uma importância crescente, especialmente, desde a publicação do  Decreto-Lei 307/2007. A constatação de que todas as farmácias têm os mesmos  produtos levou os especialistas a concluir que, no futuro, a diferenciação entre  farmácias poderá ser feita pelo tipo de serviços prestados. A tendência poderá  passar por serviços mais sofisticados e que sejam remunerados. Ao valorizarem-se  os serviços, pretende-se que estes sirvam de âncora, tendo como objetivo a  fidelização dos utentes, mas sobretudo acrescentar valor à prestação do  farmacêutico.</P>     <P>A ideia do «centro comercial da saúde» emergiu na discussão como um cenário  plausível, mas que poderá acentuar o dilema da inconsistência de serviços entre  farmácias, verificada entre as farmácias que preferem a diferenciação pelos  serviços em detrimento da prática de descontos. Dentro deste tema, discutiu-se a  possibilidade de outros profissionais de saúde prestarem os seus serviços nas  farmácias ao mesmo tempo que os próprios farmacêuticos prestam os seus serviços  inovadores (como a consulta farmacêutica).</P>     <P>Para que o alargamento dos serviços farmacêuticos a todas as farmácias seja  exequível, poderão ser necessários incentivos às farmácias. Na perceção dos  especialistas, as farmácias não vão oferecer serviços que não sejam sustentáveis  economicamente. No entanto, mesmo estes podem não ser disseminados tão  rapidamente. O exemplo do «Programa de Cuidados Farmacêuticos da Diabetes», com  a diminuição do número médio de doentes seguidos por farmácia, demonstra que  pode não ser suficiente remunerar determinado serviço para que este seja aceite  pelas farmácias, além de que a predisposição dos utentes para o pagar pode  também ser um entrave à disseminação desse serviço.</P>     <P><I>Ambiente económico/situação financeira das farmácias</I></P>     <P>As farmácias são pequenas empresas privadas cuja atividade e rendimento estão  dependentes das margens estipuladas pelo governo para os medicamentos  comparticipados, da venda de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM)  e da venda de outros serviços. Para os especialistas, a situação financeira das  farmácias bem como o ambiente económico em Portugal terão impacto no papel que o  farmacêutico comunitário poderá desempenhar. Com a pressão que existe sobre o  preço dos medicamentos, fruto da conjuntura económica atual, é provável que se  continue a verificar a diminuição das margens de comercialização, asfixiando  financeiramente as farmácias.</P>     <P>No final da discussão deste tema, ficou a perceção de que quanto mais o  negócio for estrangulado, mais o ato clínico pode ter tendência a desaparecer,  no que será um balanço difícil de fazer, pelo que as farmácias devem procurar  outras fontes de financiamento. Estas passariam por vender mais produtos ou  cobrar mais serviços. Outra sugestão apresentada foi que a constante redução das  margens pode levar ao desaparecimento dos fornecedores grossistas, permitindo  que se reforcem as margens da indústria e das farmácias. No futuro poderão  ocorrer mudanças, potenciadas pelas sucessivas reduções de preços, o que poderá  trazer ao farmacêutico novos desafios a nível de gestão. Os especialistas  concordaram que os agrupamentos de farmácias que vêm surgindo já podem ser um  sinal dessa tendência de facilitação da gestão.</P>     <P><I>Vontade política</I></P>     <P>Em torno dos temas discutidos, surgiu recorrentemente o tema da vontade  política do governo em funções como um dos fatores com mais importância para o  papel que o farmacêutico comunitário pode desempenhar. A vontade política é  necessária à introdução de medidas que alterem a legislação vigente no setor da  farmácia, dependendo de inúmeros fatores, tais como as pressões de grupos  económicos, grupos profissionais ou a relação do partido de governo com os  principais atores-chave do setor, nomeadamente com a ANF. Além disso, a noção de  que pode começar a haver desemprego para os farmacêuticos dentro pouco tempo,  gerando mais instabilidade, levou os especialistas a considerar que uma  intervenção governamental neste setor será inevitável.</P>     <P>No entanto, o entendimento dos especialistas é que as recentes alterações  legislativas têm sido impulsionadas por pressões económicas, como se tem  verificado nos últimos anos em Portugal, com a liberalização da propriedade de  farmácia, a possibilidade de venda de medicamentos fora das farmácias e com as  sucessivas diminuições das margens de lucro, com o objetivo declarado pelos  vários governos de diminuir o peso do custo com medicamentos no orçamento de  Estado. Com as crescentes dificuldades orçamentais, é possível que ocorra uma  intervenção governativa no setor da saúde, não sendo as farmácias exceção. Pode  haver, nesta situação, uma tendência para a verticalização do setor tal como a  já verificada em alguns países, com propriedade e abertura liberalizada. As  crescentes dificuldades de financiamento do SNS podem também levar a alterações  mais ou menos profundas do sistema, não só na forma de financiamento, mas também  na forma de funcionamento e prestação de serviços.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Utentes</I></P>     <P>O comportamento dos utentes é um fator determinante pois as suas necessidades  e perceções podem influenciar a procura de serviços mais do que a procura de  medicamentos, dada esta ser uma procura que é induzida.</P>     <P>O entendimento dos especialistas é que os sucessivos aumentos do copagamento  dos medicamentos podem influenciar o público, levando-o a procurar as farmácias  com os preços mais baixos, independentemente dos serviços oferecidos, ou ainda  pressionando o governo para redução de margens de lucro e do preço dos  medicamentos nas farmácias. Na dimensão da participação dos utentes no processo  de tratamento, o entendimento é que a baixa literacia em saúde ainda é algo  prevalente em Portugal. A baixa literacia pode assim contribuir para travar a  extinção das farmácias no futuro mais próximo. Em relação à literacia  tecnológica, apesar de as primeiras experiências de venda de medicamentos pelas  farmácias na Internet não serem positivas, a perceção de que os portugueses  aderem com facilidade às novas tecnologias deixa no ar a possibilidade de no  futuro esta vir a ser uma área importante, com impacto na procura de  medicamentos e serviços.</P>     <P><I>Papel das organizações profissionais</I></P>     <P>Na opinião dos especialistas no primeiro <I>workshop</I>, as farmácias e os  farmacêuticos comunitários, apesar de interligados, são entidades distintas e  podem naturalmente ser independentes. A carreira de farmacêutico não necessita  de estar ligada à sobrevivência das farmácias, mas sim ao desenvolvimento do  profissional. Este desenvolvimento tem sido fomentado pela formação contínua  obrigatória, instituída nos estatutos da Ordem dos Farmacêuticos. Foi igualmente  abordada a necessidade de uma carreira farmacêutica, dado que os farmacêuticos  comunitários não têm evolução na carreira, pelo que o sítio onde trabalham  (urbano vs. rural) é o que acaba por influenciar o desenvolvimento das suas  capacidades.</P>     <P>Para os especialistas, as 2 entidades mais representativas do setor (ANF e  OF) poderão desempenhar um papel fundamental na definição do farmacêutico  futuro, apesar do previsível crescente antagonismo, tendo em conta que a maioria  dos associados da Ordem já não é proprietária de farmácia. Os especialistas  consideram que deve ser a Ordem o principal parceiro para as futuras negociações  com o SNS e não a ANF. No entanto, a perceção de que «o poder económico é que  manda», em referência à ANF, levou a conjeturar que será este o principal  <I>player</I> a ter em conta dentro das associações profissionais. A ANF defende  os interesses das farmácias, tendo nas últimas décadas favorecido o movimento de  um serviço centrado no medicamento para um serviço centrado nos utentes, isto é,  a ANF tem prestado maior atenção aos aspetos relacionados com a prestação dos  serviços farmacêuticos cognitivos em detrimento da dispensa de medicamentos. Os  especialistas consideraram que este movimento foi positivo para os  profissionais, constatando-se que grande parte do que tem sido feito pela  profissão foi obra da ANF, desde o desenvolvimento de software e a ajuda à  informatização das farmácias, o desenvolvimento de serviços e a aposta em  programas como a troca de seringas, a terapêutica de substituição com metadona e  os programas de cuidados farmacêuticos.</P>     <P><I>Cuidados de saúde primários</I></P>     <P>O tema dos CSP emerge no contexto da presente reforma e no impacto que esta  terá no mercado das farmácias e no papel que o farmacêutico comunitário poderá  vir a desempenhar. Com a evolução dos CSP, existe uma tendência para a  harmonização dos procedimentos clínicos, o que pode ter impacto na gestão das  farmácias. Além disso, pode também haver uma maior influência da prescrição  hospitalar na prescrição dos CSP.</P>     <P>Durante o debate emergiram algumas ideias, dentro deste quadro, onde o  farmacêutico comunitário pudesse desempenhar um papel ativo dentro das unidades  de cuidados continuados (UCC). O farmacêutico poderia fazer uma gestão integrada  dos doentes, estando presente nas unidades de saúde familiar (USF), havendo, ou  não, ligação com as farmácias. Pode haver uma equipa de farmacêuticos, que pode  fazer a distribuição e entrega, com a intenção de poupar custos. Para o  farmacêutico comunitário poder integrar, de facto, a rede dos CSP, além das  alterações legislativas foi identificada a necessidade de melhorar os hábitos de  trabalho em equipa entre os profissionais de saúde envolvidos, nomeadamente, com  os médicos e os enfermeiros, sendo que esta relação é influenciada por diversos  fatores, como o <I>lobbying</I>, o ambiente de confiança e os fatores  culturais.</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Desenvolvimento dos cenários</B></P>     <P><I>Decisão de incertezas críticas e escolha dos cenários</I></P>     <P>A identificação das incertezas críticas que serão as forças motrizes da  mudança passou por questionar os especialistas no primeiro <I>workshop</I> sobre  quais os 2 fatores, entre os discutidos, que consideravam mais importantes para  o futuro do farmacêutico comunitário. Da votação emergiram como principais  incertezas críticas a organização/liberalização do SNS, a situação financeira  das farmácias, o tipo de utente, a vontade política e o desenvolvimento e  inovação tecnológica.</P>     <P>Considerámos que os fatores «vontade política» «organização/liberalização do  SNS», e «ambiente económico» iriam definir uma das forças motrizes que  designámos «Ambiente Legislativo». Este reflete a maior ou menor tendência para  a liberalização do sistema de saúde e mercado das farmácias. Este eixo reflete  também a situação económica do país, pois esta tem sido o motor para as  alterações legislativas que poderão alterar a forma de financiamento e de  funcionamento do SNS. A vontade política e as atitudes do governo então em  funções serão determinantes no modelo de financiamento que estará em vigor no  futuro. Assim, considerámos como extremos deste primeiro eixo um extremo onde o  ambiente macroeconómico está menos liberalizado, com poucas alterações  legislativas relativamente às atuais regras do setor; e um outro extremo em que  são introduzidas alterações no sentido de liberalizar a abertura e propriedade  das farmácias, e também o próprio SNS.</P>     <P>Esta decisão é suportada no facto de que a alteração legislativa que pode  produzir mais efeitos no mercado das farmácias é a liberalização de propriedade  e a instalação destes estabelecimentos, devido a uma diminuição da  regulamentação<SUP>44</SUP><SUP>, </SUP><SUP>45</SUP><SUP>, </SUP><SUP>46</SUP>.  Em Portugal, a posição da Autoridade da Concorrência sobre esta matéria, baseada  no estudo efetuado por Rodrigues et al.<SUP>44</SUP>, tem sido a base das  justificações políticas para as recentes alterações na regulamentação. Nesse  estudo, considera-se que as restrições à propriedade de farmácias estão a  restringir a «bolsa de talento», condicionando a inovação, o que cria entraves  ao surgimento de novas soluções que pudessem ser do agrado dos consumidores,  gerando uma potencial perda de eficiência. No entanto, relativamente à liberdade  de instalação, as evidências apontam que a atual legislação é a que melhor  garante a equidade de acesso<SUP>45</SUP><SUP>, </SUP><SUP>46</SUP>. A escolha  da melhor solução para a instalação de farmácias parece residir num equilíbrio  entre assegurar a equidade de acesso e melhorar a eficiência enquanto mantêm um  elevado nível de serviços<SUP>47</SUP>.</P>     <P>Em Portugal, tanto a ANF como a OF, têm defendido o modelo atual, em defesa  da independência das farmácias e dos farmacêuticos. Advogam que só o modelo de  unicidade entre propriedade e direção-técnica permite que a dispensa de  medicamentos seja feita com independência, sem pressões externas e com  qualidade, apesar de não existirem evidências que suportem esse  facto<SUP>45</SUP><SUP>, </SUP><SUP>48</SUP>. Assegurando a presença de um  farmacêutico na farmácia, assegura-se a qualidade da dispensa e prestação de  serviços, pois este está sujeito ao cumprimento de um código deontológico que  ajuda a proteger a sua atividade enquanto profissional de saúde independente,  tendo o doente como foco principal dos seus cuidados<SUP>49</SUP>.</P>     <P>Para definir a segunda força motriz, considerámos os fatores «situação  financeira das farmácias», «tipo de utente» e «desenvolvimento tecnológico» como  os que terão maior impacto no papel dos farmacêuticos comunitários, podendo  potenciar diferenciação entre farmácias. Essa diferenciação poderá ser  concretizada pela criação de serviços farmacêuticos. Assim designámos a segunda  força motriz de «capacidade de inovação de serviços». Esta «capacidade»  dependerá simultaneamente, da situação financeira das farmácias, da contínua e  rápida evolução tecnológica e da maior ou menor procura desses serviços pelos  utentes, caracterizados por um crescente envelhecimento, com maior prevalência  de doenças crónicas, mas também com uma crescente capacitação a nível de  informação e tecnologias. Como extremos deste eixo definiu-se um estado de pouco  desenvolvimento e inovação de serviços, por ausência de incentivos, de procura e  de condições financeiras das farmácias e no outro extremo, uma maior procura e  aposta na inovação e no desenvolvimento da prestação de serviços, devido à  necessidade de as farmácias se diferenciarem para aumentarem a captação de  clientes e assim a sua faturação. É certo que a existência de serviços  farmacêuticos diferenciados só se justificará se houver procura. Esta procura  pode ser induzida, tal como o é a procura por medicamentos, mas no caso dos  serviços farmacêuticos diferenciados, a barreira constituída pela imagem dupla  do farmacêutico que existe na opinião pública será uma das que tem de ser  vencida<SUP>14</SUP><SUP>, </SUP><SUP>27</SUP><SUP>, </SUP><SUP>50</SUP>. Também  a atitude dos farmacêuticos perante a mudança será um fator a ter em conta.  Roberts et al.<SUP>51</SUP> constatam, num estudo efetuado com farmacêuticos  australianos, a importância da motivação para a mudança. Reconhecer a existência  destas motivações e valores pessoais dos farmacêuticos poderá ser importante  para o sucesso de uma farmácia na implementação de serviços farmacêuticos  diferenciados, de forma sustentada.</P>     <P>Na ótica dos proprietários de farmácia, o interesse nos serviços  farmacêuticos só será aprofundado se estes se revelarem uma mais-valia em termos  económicos para a farmácia. Uma remuneração adequada pelos serviços  farmacêuticos prestados será essencial para assegurar que mais profissionais  adotem esta nova filosofia de trabalho<SUP>45</SUP><SUP>, </SUP><SUP>51</SUP>.  Contudo, a falta de rigor da larga maioria dos estudos já efetuados, sobretudo  no que concerne à avaliação económica, constitui um sério obstáculo para que  estes sejam remunerados pelos financiadores dos diferentes sistemas de  saúde<SUP>52</SUP>. Havendo demonstração das mais-valias económicas que os  serviços farmacêuticos diferenciados trazem, cabe aos farmacêuticos assegurar  que o nível de desenvolvimento e inovação é uniforme, precisando igualmente de  mostrar aos consumidores o valor desses serviços, contribuindo assim para a  equidade do sistema de saúde. Com esta base, será natural que os proprietários  de farmácias antevejam nos serviços farmacêuticos uma fonte de receitas a não  menosprezar, principalmente num contexto de dificuldades  económicas<SUP>53</SUP>.</P>     <P>Com as forças motrizes dos cenários definidas, podem construir-se os cenários  finais (<a href="#f2">Figura 2</a>), que de seguida se descrevem. Estas descrições constituem  histórias do futuro, hipóteses para o futuro da farmácia e do farmacêutico  comunitário, discutindo-se posteriormente as implicações nos profissionais e no  sistema de saúde. A escolha dos nomes para os cenários finais reveste-se de  especial importância, sendo crucial serem nomes marcantes para serem mais fáceis  de recordar. A escolha do inglês para nomear os cenários prende-se com o facto  de a tradução certa para alguns dos termos utilizados retirar impacto ao nome do  cenário.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a04f2.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><I>Cenário I – «Pharmacy-mall»</I></P>     <P>Neste cenário, considera-se como premissa que na sequência de alterações  económicas e legislativas ocorreu a liberalização total da propriedade e  instalação de farmácias. As alterações legislativas não abrangem a remuneração  das farmácias, continuando estas a ter como principal fonte de receitas as  margens de comercialização dos medicamentos. Não foram acionadas medidas para  incentivar o desenvolvimento de serviços, nem estes são remunerados pelo Estado.  Além disso, a procura de serviços farmacêuticos pelos utentes é baixa. Como  também melhoraram as margens de comercialização (com concentração horizontal e  vertical no setor), os proprietários das farmácias também não sentem a  necessidade de inovar, não apostando no desenvolvimento dos serviços,  mantendo-se um nível baixo de inovação de serviços farmacêuticos. Neste cenário,  há uma pressão maior na componente do produto e uma dependência grande da  política do proprietário. Poderão ainda surgir farmácias na Internet, não  necessitando nesse caso o utente de se deslocar à farmácia. Todo o processo de  dispensa está automatizado desde a prescrição – o médico envia a prescrição para  um servidor e o utente decide depois onde quer receber os medicamentos dessa  prescrição, se numa farmácia tradicional se em casa por correio ou estafeta.</P>     <P>Neste cenário, a acentuada redução da necessidade de farmacêuticos  comunitários, as dificuldades económicas e a introdução de farmácias  <I>online</I> teria como consequência uma diminuição das necessidades de  farmacêuticos comunitários, o que poderia conduzir a um aumento de desemprego  entre farmacêuticos. Outra consequência do excesso de farmacêuticos, poderá ser  que muitos irão escolher emigrar em busca de melhores oportunidades laborais,  melhores condições económicas e melhor satisfação profissional<SUP>54</SUP>.</P>     <P>O número de farmácias nas zonas urbanas de maior densidade populacional  tenderá a aumentar ligeiramente, mas a viabilidade das farmácias mais pequenas e  independentes e das farmácias das zonas rurais pode estar ameaçada. Como  consequência, o número total de farmácias tenderá a diminuir ao longo da década  (<a href="#f3">Figura 3</a>). Para melhorar a compreensão do que poderão ser os impactos dos  vários cenários foram incluídas (de acordo com a metodologia dos cenários) as  tendências associadas a cada cenário em 3 indicadores (<a href="#f4">Figura 4</a>, <a href="#f5">Figura 5</a>),  tendo por base a informação recolhida durante os <I>workshops</I> de  cenarização.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a04f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a04f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="f5"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a04f5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>A presença de um farmacêutico comunitário nas farmácias continuará a ser  obrigatória mas o trabalho de aconselhamento e dispensa iria ser realizado  sobretudo por técnicos de farmácia, ficando apenas reservado ao farmacêutico  aspetos de controlo e garantia de qualidade da dispensa. O número de  farmacêuticos por farmácia tenderá a diminuir (<a href="#f4">Figura 4</a>), e aumentar o número de  técnicos e auxiliares, devido à necessidade de conter custos.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Com o farmacêutico a ver desvalorizada a sua posição social, remuneração e  com o trabalho de aconselhamento e dispensa a ser realizado por técnicos de  farmácia, os farmacêuticos recém-diplomados deixariam de seguir esta via  profissional. As remunerações tendem a ser mais baixas e o facto de não exercer  a fundo a sua função clínica torna a opção por farmácia comunitária pouco  aliciante. Esta situação teria reflexos no número de farmacêuticos e na procura  dos cursos de ciências farmacêuticas (<a href="#f5">Figura 5</a>).</P>     <P>As competências necessárias ao desempenho do farmacêutico comunitário neste  cenário são relativas à supervisão da dispensa e à gestão de processos na  farmácia. Assim estes profissionais teriam de adquirir mais competências nos  aspetos de liderança, da gestão do espaço da farmácia, gestão de colaboradores,  aspetos regulamentares e farmacovigilância. Para os farmacêuticos que fossem  contratados por farmácias de venda <I>online</I> seria indispensável o domínio  das novas tecnologias de dispensa e das tecnologias de informação, pelo que  também seria necessário reforçar o ensino destas competências. Aspectos  relacionados com a prestação de serviços farmacêuticos não seriam tão  valorizados como hoje em dia, sendo mais valorizada a capacidade de gestão. Na  perspetiva da formação de novos profissionais seria necessária a adaptação do  2.° ciclo de estudos do curso de Ciências Farmacêuticas com mais componentes de  gestão e menos investimento na diferenciação do farmacêutico, pois podem surgir  cursos de Gestão que concorram com o farmacêutico para a área da gestão dos  processos da farmácia, o que poderá limitar ainda mais a ação do farmacêutico  comunitário à supervisão dos aspetos técnicos da dispensa de medicamentos.</P>     <P>Para os farmacêuticos, o cenário «<I>pharmacy-mall</I>» é aquele que menos  hipótese oferece de desenvolvimento profissional, além de representar uma  contração clara das necessidades dos farmacêuticos comunitários. Além disso, num  cenário onde surgem cadeias de farmácia mais orientadas para o lucro, emergem  conflitos entre o aconselhamento e os objetivos de negócio<SUP>27</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>55</SUP>, que teriam também consequências a nível da satisfação  profissional e condições laborais para os farmacêuticos, sendo previsível uma  degradação destes parâmetros.</P>     <P>Para os utentes, o maior benefício deste cenário é a maior equidade vertical,  com os preços dos medicamentos a diminuírem devido à maior  competição<SUP>46</SUP>. Para o sistema de saúde, este cenário pode trazer  poupanças em gastos com medicamentos, tal como observado nos países com um  modelo semelhante, tendo no entanto consequências a nível da acessibilidade ao  medicamento, sobretudo em meios rurais<SUP>45</SUP><SUP>, </SUP><SUP>46</SUP>.  Acautelando este pormenor, este é um cenário favorável para este ator-chave.</P>     <P><I>Cenário II – «e-Pharmacist»</I></P>     <P>Neste cenário, as alterações legislativas são ainda mais profundas. O  ambiente mais liberalizado, por pressão das instituições europeias e dos  mercados e pela necessidade premente de conter os custos com os medicamentos,  irá reflectir-se não só na instalação e propriedade de farmácias mas também numa  reforma do SNS, sendo este agora um sistema repartido em diferentes subsistemas  dependente da utilização de seguros, tanto públicos como privados. Essa  alteração permite a entrada de prestadores privados que operam num mercado mais  aberto, onde a prestação de serviços dos profissionais de saúde é  convenientemente remunerada pelas diferentes entidades financiadoras. Os  farmacêuticos comunitários estariam entre os profissionais mais requisitados  pelos diferentes subsistemas, pois a mais-valia dos serviços farmacêuticos  diferenciados teria sido demonstrada, não só a nível dos ganhos em qualidade de  vida, mas também a nível da segurança na utilização de medicamentos e na  poupança de recursos económicos com medicamentos e outras tecnologias de saúde.  Devido a esse reconhecimento, as terapêuticas mais avançadas que anteriormente  eram apenas dispensadas nas farmácias hospitalares, são agora dispensadas por  farmacêuticos comunitários. O desenvolvimento de mais serviços diferenciados é  incentivado, tornando-se o farmacêutico reconhecido como um profissional de  saúde essencial à boa gestão da saúde.</P>     <P>Com o Estado e as diferentes entidades financiadoras a remunerar os serviços,  o farmacêutico veria valorizada a sua prestação profissional, podendo até  exercer fora da farmácia pois teria condições para fazer uma gestão integrada  dos doentes sem estar dependente da fonte de receitas que são os medicamentos.  No entanto, muitos farmacêuticos comunitários continuariam a exercer dentro do  espaço da farmácia, dependendo a diversidade dos serviços existentes da política  de desenvolvimento e a prestação dos respetivos proprietários.</P>     <P>Também neste cenário tenderão a existir farmácias na Internet e a  possibilidade da dispensa de medicamentos ocorrer à distância, sob a  responsabilidade de um farmacêutico ou de outro profissional de saúde. A  inovação de serviços leva à entrada das novas tecnologias em força no mercado  dos cuidados de saúde. Os farmacêuticos comunitários continuarão na linha da  frente e agora gerem um espaço virtual, o gabinete electrónico, onde é possível  a interacção com o médico e com o utente, o acesso a alguma informação do  registo do doente e onde se faz a gestão da doença e da terapêutica. O  farmacêutico será o responsável por manter este gabinete a funcionar, pela  informação de saúde publicada e por estabelecer a comunicação entre o utente e o  médico. Também foi já implementado um sistema que permite ao farmacêutico fazer  a gestão da doença à distância, recolhendo a informação necessária (parâmetros  bioquímicos, efeitos adversos e adesão à terapêutica) sem o doente ter de  deslocar-se à farmácia.</P>     <P>A necessidade de farmácias comunitárias diminui. O número de farmácias, após  um ligeiro aumento inicial, poderá sofrer um decréscimo (<a href="#f3">Figura 3</a>), por  dificuldades económicas das farmácias mais pequenas e das que não conseguirem  adaptar-se ao novo paradigma. Apesar da diminuição do número de farmácias, a  necessidade de prestar serviços farmacêuticos diferenciados leva a que as  farmácias recrutem mais farmacêuticos. Iria assistir-se de início a uma maior  procura de farmacêuticos comunitários (<a href="#f4">Figura 4</a>), com formação adequada à  prestação de serviços. O número de outros profissionais estabilizaria, sendo que  a sua principal atividade seria a dispensa de medicamentos, assistida pelas  novas tecnologias de robotização e informação, de forma a deixar mais tempo  livre para o farmacêutico. No entanto, com a possibilidade de o farmacêutico ser  remunerado sem necessitar de vender medicamentos, haverá muitos profissionais  que optariam por exercer de forma independente.</P>     <P>Este ambiente seria favorável para o desenvolvimento profissional dos  farmacêuticos comunitários. É natural que com as novas responsabilidades e as  possibilidades de participação no sistema de saúde, o farmacêutico comunitário  se torne numa profissão com maior procura (<a href="#f5">Figura 5</a>) reflectindo-se no número de  diplomados que iriam optar por esta via profissional.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Desenvolvendo-se os CSP numa lógica de serviços, a necessidade de conter os  custos com os medicamentos pode impulsionar a integração deste novo farmacêutico  nos CSP. Este farmacêutico pode integrar a equipa do Agrupamento de Centros de  Saúde (ACES), de uma farmácia da zona, ou ser um profissional independente,  mantendo uma interligação com os outros profissionais, nomeadamente médicos e  enfermeiros, com os quais partilharia responsabilidades na gestão da doença.</P>     <P>No cenário «e-Pharmacist», as questões de empregabilidade que surgem com a  liberalização da propriedade de farmácia serão compensadas pela possibilidade de  o farmacêutico poder exercer de forma independente, com a remuneração assegurada  pelos serviços farmacêuticos. O desenvolvimento deste novo papel traria a  necessidade de adquirir novas competências. Para tal, além dos aspetos técnicos  relacionados com o uso de medicamentos, o farmacêutico comunitário terá de  dominar também outros aspectos da prestação de serviços nomeadamente, uma forte  formação em farmacoterapia, farmácia clínica e em gestão de programas de  cuidados farmacêuticos. Terá de ser um utilizador de tecnologias de informação,  como a Web 2.0, usada no auxílio à prestação dos serviços e na comunicação com  os utentes e com os outros profissionais de saúde envolvidos na gestão doença.  Seria fundamental promover-se uma maior cultura de trabalho em equipa entre o  farmacêutico e os restantes profissionais de saúde, dando apoio ao farmacêutico  comunitário para que este se integre nos CSP: terá de existir uma maior ligação  com o médico de família e colaboração na gestão do medicamento e da doença.</P>     <P>Para os utentes, este cenário pode revelar-se valioso. A gestão da doença e  da terapêutica, podendo ser efetuada à distância, pode implicar diminuição dos  custos associados à gestão da doença e redução de idas ao médico. A conveniência  da proximidade dos farmacêuticos é um dos fatores que atualmente influi na  satisfação com os seus serviços<SUP>38</SUP>, sendo provável que a melhoria da  acessibilidade, característica deste cenário, possa aumentar ainda mais a  satisfação dos utentes.</P>     <P>Para os sistemas de saúde, a integração dos farmacêuticos na rede de CSP iria  fazer entrar os custos dos cuidados farmacêuticos no orçamento. Mas a  diversidade de financiadores característica deste cenário, iria reconhecer os  ganhos em saúde e eficiência desta nova forma de atuação, sendo os custos com os  cuidados farmacêuticos compensados com reduções em outros custos relevantes para  o financiador. Além disso, um compromisso entre a contenção de custos com os  medicamentos e a qualidade é possível, e estes novos serviços em muito podem  contribuir para a qualidade dos cuidados de saúde<SUP>16</SUP>.</P>     <P><I>Cenário III – «Reorganize or die»</I></P>     <P>Neste cenário considera-se que o ambiente legislativo mantém-se pouco  alterado não existindo alterações na lei da propriedade de farmácia, na forma de  financiamento do SNS nem na forma de remuneração das farmácias. Assim, as  farmácias teriam de procurar outras fontes de financiamento para sobreviverem e  manterem lucros, ou constituir agrupamentos de farmácias para tentar diminuir os  custos. O desenvolvimento de serviços acontecerá apoiado na necessidade das  farmácias se diferenciarem umas das outras de modo a aumentarem a procura dos  seus serviços e produtos, fazendo assim face à redução das margens. Nem todas as  farmácias evoluirão no mesmo sentido, dependendo da vontade dos proprietários em  continuar independentes ou unirem-se a grupos já existentes. É provável que  surjam <I>franchises</I> de farmácias.</P>     <P>Algumas farmácias iriam apostar em serviços farmacêuticos, dando ênfase à  inovação e à introdução de soluções tecnológicas. Iriam recorrer a outros  profissionais para serviços que não sejam do âmbito do farmacêutico, como por  exemplo, nutricionistas para consultas de nutrição, enfermeiros para tratamentos  mais específicos (pé diabético, pensos, etc.) e outros profissionais  (psicólogos, podologistas, medicinas alternativas, etc.). Poderiam ser  estabelecidas parcerias com estes profissionais, dependendo o <I>mix</I> de  serviços da política que o proprietário quer para o seu espaço.</P>     <P>O número de farmácias tende a estabilizar (<a href="#f3">Figura 3</a>) pois a abertura de  farmácias iria continuar condicionada ao concurso público com os critérios agora  em vigor. A maioria das farmácias terá sítios na Internet mas, como não houve  alteração da legislação e a venda de medicamentos sujeitos a receita médica só  pode ser feita individualmente após o envio pelo utente da prescrição médica,  será um serviço pouco requisitado. Os sítios ficam vocacionados para a  comunicação com o utente e a venda de MNSRM e outros produtos de saúde e  bem-estar. Os farmacêuticos serão responsáveis pela produção de conteúdos para  esses sítios, adaptados à realidade socioeconómica de cada farmácia. Não sendo  necessários muitos farmacêuticos por farmácia, este cenário leva a uma  diminuição do ratio de farmacêuticos por farmácia (<a href="#f4">Figura 4</a>), sobretudo devido  aos constrangimentos económicos. O número de técnicos nas farmácias tenderá a  aumentar, sobretudo para a função de dispensa de medicamentos e de venda de  outros produtos. A procura do curso de ciências farmacêuticas pode diminuir  (<a href="#f5">Figura 5</a>), em parte devido à menor necessidade de farmacêuticos e em parte  devido à redução do apelo pela profissão, pois nem todos os diplomados têm  apetência para ser vendedores.</P>     <P>Uma outra tendência será o aumento a nível nacional de casos de integração  dos ACES em hospitais, criando unidades locais de saúde (ULS), com o intuito de  otimizar a gestão clínica e os custos. Esta situação pode promover a integração  dos serviços farmacêuticos dos hospitais com os comunitários, potenciando  mais-valias relativas à compra e distribuição de medicamentos com benefício para  o utilizador e para o financiador, mas com impacto a nível das farmácias da  região. Seria mais um fator a contribuir para o estrangulamento financeiro das  farmácias, mas que abriria mais oportunidades para os farmacêuticos  desenvolverem a sua atividade integrados nas ULS, com funções de gestão de  informação relativa ao uso dos medicamentos prescritos na ULS, controlando ainda  os custos das prescrições e podendo também proceder à dispensa de alguns  medicamentos. Esta situação traria a possibilidade de melhorar a relação com os  médicos.</P>     <P>Neste cenário o farmacêutico comunitário assume um papel mais comercial.  Seria o profissional responsável pela dispensa dos medicamentos mas otimizou  essa dispensa e deixou-a para os técnicos. Poderia ainda desenvolver e inovar a  prestação de serviços. Dado que muitos desses serviços não seriam da sua  responsabilidade, o farmacêutico comunitário (não proprietário) será apenas mais  um profissional dentro de um espaço de saúde. Será natural que venha a  especializar-se na venda de outros produtos (suplementos alimentares, produtos  de óptica, produtos de ortopedia, produtos de dermocosmética), necessitando de  adquirir mais competências nestas áreas, para assim ver reforçada a sua faceta  de vendedor. Simultaneamente, terá de cuidar dos aspectos relacionados com os  serviços farmacêuticos, procurando desenvolvê-los, continuando a assumir a  direção técnica e a responsabilidade pela dispensa de medicamentos. Num ambiente  em que a eficiência tem de ser máxima, situações como o stress relacionado com o  trabalho e «burn-out» podem começar a ocorrer entre os farmacêuticos, podendo-os  levar a abandonar a profissão<SUP>27</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Mais do que a competência técnica, será a relação com o cliente que terá um  maior peso neste cenário, pois a remuneração dos serviços é assegurada em  exclusivo pelos utentes, pelo que o marketing de serviços assumirá um papel  decisivo para se aumentar a procura. Deverá dedicar grande atenção a aspetos  relacionados com a venda de produtos de saúde e com aspetos relacionados com a  qualidade da dispensa dos medicamentos. As técnicas de venda ou de  <I>marketing</I> de produtos, e as técnicas comunicacionais serão importantes  para fidelizar clientes.</P>     <P>Para os utentes, este cenário não é muito vantajoso, pois começariam a ser  mais encarados como consumidores de produtos e serviços em detrimento de serem  encarados como utentes de um serviço de saúde. Nem todos teriam acesso aos  serviços farmacêuticos pois continuariam a depender da localização da farmácia  mais próxima, da política adotada pelos proprietários e da capacidade individual  para pagar pelos serviços farmacêuticos propostos em cada farmácia.</P>     <P>Para o sistema de saúde, a não integração deste farmacêutico comunitário na  rede de CSP limitaria os ganhos de eficiência associados aos cuidados  farmacêuticos. O facto de o financiamento destes serviços ser da exclusiva  responsabilidade do utente leva a que a equidade do sistema saia prejudicada.  Nem todos os cidadãos que realmente necessitariam destes serviços teriam  disponibilidade financeira para os adquirir. A disponibilidade de mais  farmacêuticos pode levar à sua integração em serviços de saúde da ULS mas com  funções distintas dos farmacêuticos comunitários. Passariam a ter funções de  controlo de prescrições, definição de guidelines terapêuticas e disponibilização  de informação junto dos restantes profissionais de saúde, para obter poupanças  económicas no uso dos medicamentos e melhorar a eficiência do sistema de  saúde.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Desenvolvimento de indicadores para os cenários</B></P>     <P>A mais-valia da análise de cenários é estimular novas formas de pensar e de  debater o futuro. É importante deixar para trás velhos hábitos se realmente a  profissão quiser mudar, abordando o futuro com uma mente aberta. Os resultados  dos <I>workshops</I> de cenarização permitiram construir 3 cenários diferentes,  representando futuros plausíveis, baseados nas evidências observadas em vários  estudos nacionais e internacionais. Nenhum deles pretende representar o «futuro  real». A antecipação destes cenários permitirá preparar estratégias e estimular  a criação de novas formas de prática, numa sociedade em mudança.</P>     <P>Todos os cenários elaborados têm aspectos comuns que se prendem com a  evolução das competências dos técnicos de farmácia e com a evolução tecnológica,  que levam a uma diminuição da necessidade de farmacêuticos comunitários no  aconselhamento e dispensa. Na <a href="#t2">Tabela 2</a> resume-se as principais características e  implicações dos cenários, de forma a realçar os aspetos mais importantes a ter  em consideração para a elaboração de estratégias.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a04t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>A importância de dados empíricos sólidos para a elaboração de políticas,  decisão e monitorização do progresso dos recursos humanos de saúde rumo ao  desenvolvimento e reforço dos sistemas de saúde, está já amplamente  reconhecida<SUP>2</SUP>. Tendo em conta os fatores de mudança, as barreiras e as  tendências de evolução já identificadas, Zellmer<SUP>15</SUP> sugere indicadores  para que os líderes e os estrategas dentro da profissão e sistema de saúde  possam monitorizar a situação de implementação dos serviços farmacêuticos, como  nova pedra basilar da prática farmacêutica. Com base nestes indicadores,  definiu-se um conjunto de indicadores adaptados à realidade portuguesa atual e  futura, de modo a acompanhar a evolução do papel do farmacêutico comunitário em  Portugal (<a href="#t3">Tabela 3</a>). A informação recolhida nestes indicadores permitirá  elaborar as melhores estratégias para a profissão, encontrar o caminho para as  suas novas funções, levando em conta os fatores e as tendências externas,  identificando os principais <I>stakeholders</I> com quem terá de se relacionar e  de negociar para os fazer aceitar o farmacêutico comunitário como peça essencial  numa equipa de CSP.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t3"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a04t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P><B>Discussão de algumas implicações dos cenários</B></P>     <P>Da análise destes cenários, pode-se deduzir que no futuro, só haverá maior  necessidade de farmacêuticos comunitários se a prática de serviços farmacêuticos  for adotada. Como a dispensa de medicamentos é também um serviço farmacêutico,  esta continuará a ser uma responsabilidade do farmacêutico em todos os cenários,  mesmo que sejam outros profissionais a executar essa dispensa. Isto significa  que para o farmacêutico comunitário será essencial dominar vários aspetos  relacionados com os medicamentos, desde a molécula até às consequências da sua  aplicação.</P>     <P>Apesar de no imediato não ser crível que a profissão esteja ameaçada, parece  haver consenso, tanto nacional como internacionalmente, de que para o  farmacêutico comunitário continuar a justificar a sua existência terá de  encontrar um novo papel no futuro, provavelmente ligado à prestação de serviços  e aos cuidados farmacêuticos<SUP>24</SUP>. Outros autores<SUP>15</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>56</SUP> apontam no entanto, a falta de consenso dentro da profissão,  como um dos principais fatores impeditivos para a mudança de prática desejada  por muitos. Rosenthal et al.<SUP>57</SUP> sugerem que, «estando os factores já  identificados, e havendo diversos estudos que abordam formas de os remover,  estes fatores não serão barreiras mas apenas desculpas», deixando em aberto a  hipótese de ser o excesso de inércia dentro da profissão uma das barreiras mais  difíceis de ultrapassar. A discussão envolve todos os farmacêuticos, desde as  faculdades até às farmácias. Se no momento atual, os farmacêuticos comunitários  que já exercem a sua atividade têm um papel importante com as suas atitudes e  com a realização de mais investigação em contexto de prática, para o futuro a  preparação curricular será a que assumirá importância maior. Isto leva a um  debate entre as 2 correntes a nível académico, que ainda  decorre<SUP>24</SUP><SUP>, </SUP><SUP>58</SUP>.</P>     <P>As organizações representativas do setor, enquanto interlocutores da  profissão junto dos <I>policy-makers</I>, podem ter um papel essencial na  elaboração de estratégias que vão ao encontro dos desejos dos  profissionais<SUP>59</SUP><SUP>, </SUP><SUP>60</SUP>. Mas, sobretudo, é  importante que estes líderes baseiem as suas estratégias em factos do mercado  português. É necessário mais conhecimento para que estratégias mais sólidas  possam ser apresentadas aos <I>policy-makers</I>. Há aqui também um papel para  outras organizações, tais como as ligadas à investigação e ao ensino da  profissão<SUP>51</SUP><SUP>, </SUP><SUP>61</SUP>. As faculdades, além de  contribuírem para o desenho das melhores estratégias,também terão a  responsabilidade de dar formação a estes novos profissionais. Para que uma  prática centrada no doente se torne possível é essencial orientar os currículos  dos cursos para a prática clínica<SUP>24</SUP><SUP>, </SUP><SUP>61</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>62</SUP>, havendo, no entanto, a necessidade de equilibrar os  conteúdos clínicos e os conteúdos relacionados com os aspetos tecnológicos do  medicamento, de forma que o farmacêutico conheça o melhor possível as novas  terapêuticas com que terá de lidar para continuar a ser o especialista do  medicamento, único papel que de facto justifica a sua existência.</P>     <P>A inclusão do farmacêutico comunitário na equipa de saúde depende da  aceitação dos outros profissionais de saúde envolvidos, sobretudo dos médicos de  família. A relação com os médicos surge frequentemente como uma barreira à  mudança de práticas<SUP>63</SUP><SUP>, </SUP><SUP>64</SUP>. Se o farmacêutico  detetar problemas relacionados com os medicamentos, necessitará de intervir, o  que pode gerar conflitos com o médico<SUP>64</SUP>. Para melhorar esta relação,  é sugerido, por vários autores, concentrar esforços na mudança estratégica de  práticas, acordadas entre as 2 profissões, assim como em aspetos educativos  relacionados com os cuidados farmacêuticos<SUP>65</SUP>. Igualmente, a evolução  de competências dos enfermeiros, tomando por vezes o lugar que o farmacêutico  ocuparia na equipa de saúde, é uma ameaça que deve ser tida em  conta<SUP>66</SUP>. Se o farmacêutico quiser assumir a responsabilidade pela  gestão da doença terá também de adquirir novas competências, sem no entanto se  sobrepor às competências dos enfermeiros. Será necessário um maior diálogo entre  as 2 profissões e provavelmente uma maior partilha de conhecimentos desde a  faculdade, aproveitando a sinergia entre enfermeiros, farmacêuticos e farmácias  na prestação de serviços de saúde à comunidade.</P>     <P>Relativamente às necessidades de saúde, sabe-se que a prevalência de doenças  crónicas irá aumentar, e que estas são condições de saúde onde a prestação do  farmacêutico comunitário fora do âmbito da dispensa de medicamentos já  demonstrou ser uma mais-valia<SUP>67</SUP><SUP>, </SUP><SUP>68</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>69</SUP>. O futuro será caracterizado por utentes melhor informados,  que recorrerão mais vezes à automedicação tendo como fonte de informação  principal a Internet. Se o farmacêutico não se adaptar a este novo ambiente,  será considerado uma peça dispensável na equipa de saúde. É importante que o  farmacêutico comunitário tente alterar a sua imagem de vendedor de produtos de  saúde, se quiser ser considerado um profissional de saúde e assim ganhar  definitivamente a confiança dos utentes e tornar-se indispensável na equipa que  faz a gestão da terapêutica e da doença.</P>     <P>A evolução das tecnologias de informação está a ter um impacto muito  acentuado<SUP>14</SUP><SUP>, </SUP><SUP>70</SUP><SUP>, </SUP><SUP>71</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>72</SUP><SUP>, </SUP><SUP>73</SUP>. A utilização de soluções  tecnológicas para o processo de dispensa de medicamentos irá aliviar ainda mais  o farmacêutico para que possa assumir totalmente outras funções. É provável que  a introdução destas tecnologias enfrente algumas resistências, sobretudo pelos  profissionais mais antigos. Mas a mais-valia que apresentam em termos de  relacionamento com o sistema de saúde, médicos e utentes, leva a crer que esta  área pode ser muito importante para o farmacêutico comunitário do futuro, quer  como utilizador destas tecnologias quer ajudando ao seu desenvolvimento.</P>     <P>Na sequência da identificação das várias barreiras que limitam a mudança de  práticas, podem-se identificar facilitadores de mudança, elementos que  contribuem para ultrapassar essas barreiras e a agirem como agentes indutores da  mudança<SUP>51</SUP><SUP>, </SUP><SUP>74</SUP>. Entre os fatores promotores da  mudança das práticas podem-se encontrar a remuneração, a comunicação, a  liderança e a educação e a formação<SUP>51</SUP>. Destes fatores, aquele que  previsivelmente terá mais importância no futuro será a forma de remuneração dos  serviços farmacêuticos, sobretudo se considerarmos a situação atual, com  farmácias a operarem com margens negativas<SUP>41</SUP>. A forma de remuneração  que neste momento vigora, com base em margens e taxas fixas sobre a venda de  medicamentos, poderá dar lugar a uma remuneração por serviço, seguindo o exemplo  de países como o Reino Unido<SUP>45</SUP>, passando provavelmente por um momento  intermédio de remuneração mista, semelhante à que já vigora na  Bélgica<SUP>75</SUP>. No entanto, esta é uma alteração que carece de óbvias  alterações legislativas. Cabe aos farmacêuticos a iniciativa de separar a  remuneração da dispensa de medicamentos da remuneração dos serviços  farmacêuticos diferenciados, a fim de que os financiadores não percecionem  nenhum conflito de interesses entre a prestação dos 2 serviços. Contudo, os  farmacêuticos também devem reconhecer diferentes formas de remuneração pelos  serviços, desde o pagamento direto pelo utente até às diferentes formas de  pagamento dos financiadores, desde o SNS até às seguradoras da área da  saúde<SUP>76</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><B>Limitações do estudo e novas questões de investigação</B></P>     <P>A construção de cenários permite uma reflexão conjunta para apoiar o  desenvolvimento estratégico, a aprendizagem em equipa e o processo de tomada de  decisão. O mais importante não é prever o futuro mas sim construir cenários que  delimitem os futuros possíveis de forma apropriada e nos ajudem a decidir as  melhores estratégias<SUP>77</SUP>.</P>     <P>Apesar das limitações, este tipo de estudo reveste-se de grande utilidade  para gerar novas questões de investigação, que ajudam a elaborar estratégias  mais adequadas para uma mudança efetiva de práticas dos farmacêuticos  comunitários portugueses. Assim, após a elaboração destes cenários, surgem  algumas novas questões de investigação que poderão ser estudadas nos tempos mais  próximos, de forma a elaborar estratégias e a definir qual o papel que o  farmacêutico comunitário poderá ter no futuro: </P>     <P>• quais os serviços que os utentes esperam das farmácias;</P>     <P>• estão os currículos atuais adaptados à prática futura;</P>     <P>• quais as necessidades atuais e futuras dos farmacêuticos comunitários em  Portugal;</P>     <P>• qual a eficiência económica dos programas de cuidados farmacêuticos em  Portugal;</P>     <P>• qual o impacto da reorganização do setor das farmácias no mercado e no  papel do farmacêutico em Portugal;</P>     <P>• qual o impacto das medidas do memorando de entendimento no mercado das  farmácias;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>• que expectativas têm os atuais farmacêuticos comunitários para o seu  futuro;</P>     <P>• que impacto terá a remuneração por serviços em vez de produtos;</P>     <P>• que impacto terá um farmacêutico a exercer numa ULS, no âmbito dos CSP  e</P>     <P>• que novas tecnologias de informação poderão ser utilizadas e qual o seu  impacto.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Conclusão</B></P>     <P>A utilização da análise de cenários na fase de pensamento estratégico de uma  organização pode ser de grande utilidade para o planeamento dos recursos  humanos. Conseguem-se antever tendências futuras da necessidade de farmacêuticos  comunitários em 3 cenários distintos. Estes cenários podem contribuir para  melhor adequar estratégias, tanto na formação como na utilização deste  profissional no sistema de saúde e no mercado.</P>     <P>A mudança gradual da prática farmacéutica levanta a hipótese de os  farmacêuticos comunitários poderem vir a assumir um novo papel dentro do sistema  de saúde. Idealmente, as 2 atividades, de dispensa e partilha de  responsabilidades pelos resultados da terapêutica, podem ser compatíveis e o  desenvolvimento deste novo papel pode ser equilibrado entre as 2 atividades. No  entanto, parece claro que não há futuro a longo-prazo na atividade de dispensa  para os farmacêuticos comunitários. Mesmo a atividade de aconselhamento que  acompanha a dispensa, com o recurso às tecnologias de informação está ameaçada.  O único futuro que aparenta ser sustentável a longo prazo é a prestação de  cuidados ao doente. A prestação de serviços farmacêuticos enquanto principal  atividade do farmacêutico dependerá da demonstração da real mais-valia para o  sistema de saúde e para os utentes mas está fortemente dependente de  significativas alterações legislativas, sobretudo no que concerne ao  financiamento destes serviços. Este novo paradigma de atuação do farmacêutico  poderá levá-lo a ser finalmente integrado no sistema de saúde em equipas  multidisciplinares de gestão de doença ou como gestor de informação nas ULS. Com  a crescente saída de novos profissionais das universidades, é muito provável  que, se nada se alterar, se esteja a formar profissionais em excesso para o  mercado nacional. Estes jovens, não encontrando saídas nas tradicionais áreas de  atividade do farmacêutico, serão forçados a emigrar em busca de novas  oportunidades, requerendo por vezes uma adaptação das competências adquiridas ao  longo da sua formação.</P>     <P>A mudança será mais efetiva se houver envolvimento dos profissionais. Os  farmacêuticos comunitários portugueses já demonstraram terem abraçado os  princípios deste seu novo papel, sendo provável que a mudança seja implementada  com o apoio da generalidade dos profissionais. O papel das organizações  profissionais mas também das faculdades será fundamental, enquanto  representantes dos profissionais junto do governo e <I>policy-makers</I>,  fazendo uso do conhecimento que possuem do mercado e da profissão para que com  um adequado planeamento estratégico se faça a transição para o modelo clínico.  Será preciso ainda uma liderança forte, com uma visão do futuro e uma capacidade  de planeamento estratégico, para influenciar tanto os <I>policy-makers</I> como  os profissionais na comunidade.</P>     <P>A curto prazo, as alterações propostas pelo memorando do acordo de  financiamento externo terão um impacto que importa conhecer na estabilidade e  situação financeira das farmácias, o que certamente terá implicações no emprego  de farmacêuticos e no seu desenvolvimento profissional. Mas também exigirá dos  profissionais que desempenham funções de gestão a aquisição de competências  nessa área. Com as alterações que se prevêem, surge uma oportunidade que pode  ser aproveitada para que este movimento de transformação das práticas  farmacêuticas na comunidade se concretize.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A mudança da profissão para o foco no doente, para a sua faceta mais clínica,  implica novas formas de trabalhar, de interagir com o doente e com os restantes  prestadores de cuidados. Nesta interação, as novas tecnologias de informação  poderão desempenhar um papel fundamental, abrindo a possibilidade ao  farmacêutico de ser o principal responsável pelo contacto com o utente. Além  disso, para que a filosofia dos serviços farmacêuticos seja sustentável é  necessário assegurar o financiamento dos serviços de acordo com as necessidades  dos utentes. De qualquer forma, a aquisição de competências comportamentais e  comunicacionais será fundamental para a melhoria contínua dos serviços  prestados.</P>     <P>A integração no sistema de saúde, nomeadamente nos CSP, é uma ambição dos  farmacêuticos comunitários que já implementaram os cuidados farmacêuticos em  ambulatório e que perceberam o seu potencial. A posição que os farmacêuticos  comunitários ocupam no sistema de saúde seria a ideal para funcionar como  principal ponto de acesso aos CSP. No entanto, a função desempenhada, com a  imagem de vendedor a estar muito presente, leva a que os outros profissionais  não valorizem a prestação do farmacêutico como profissional de saúde. Para que  isto se altere, é necessária uma nova aproximação aos restantes profissionais  envolvidos na gestão da doença, de modo a que todos em conjunto elaborem as  melhores estratégias que contribuam para a melhoria da eficiência do sistema  como um todo e para a melhoria dos cuidados ao doente.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Bibliografía</B></P>     <!-- ref --><P>1. WSHA. Governing board orientation manual: strategic planning. Washington,  DC: Washington State Hospital Association; 2011 [consultado 07 Mai 2011].  Disponível em:  <a href="http://www.whs–seattle.com/manual/strategicplanning.html#scenarioapproach" target="_blank">http://www.whs–seattle.com/manual/strategicplanning.html#scenarioapproach</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0870-9025201200020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>2. OMS. Manual para a monitorização e avaliação dos recursos humanos de  saúde: com aplicação dedicada aos países de rendimento baixo e médio. Genebra:  Organização Mundial da Saúde; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0870-9025201200020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>3. Ginter PM, Duncan WJ, Capper SA. Strategic planning for public health  practice using macroenvironmental analysis. Public Health Rep. 1991; 106:134–41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0870-9025201200020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>4. Mintzberg H. The fall and rise of strategic planning. Harv Bus Rev. 1994;  72:107–14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0870-9025201200020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>5. Godet M. The art of scenarios and strategic planning: tools and pitfalls.  Technol Forecast Soc Change. 2000; 65:3–22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0870-9025201200020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>6. Birch S, Kephart G, Murphy GT, O’Brien–Pallas L, Alder R, MacKenzie A.  Health human resources planning and the production of health: development of an  extended analytical framework for needs–based health human resources planning. J  Public Health Manag Pract. 2009; 15:S56–61.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0870-9025201200020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>7. Dussault G. Gestão dos recursos humanos e qualidade dos serviços de saúde.  Educ Med Salud. 1994; 28:478–89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0870-9025201200020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>8. Dussault G, Ferrinho P. A health workforce strategy for Portugal. Cah  Sociol Demogr Med. 2007; 47:235–40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0870-9025201200020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>9. Schoemaker PJH. Multiple scenario development: its conceptual and  behavioral foundation. Strateg Manag J. 1993; 14:193–213.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0870-9025201200020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>10. Schoemaker PJH. Scenario planning: a tool for strategic thinking. Sloan  Manag Rev. 1995; 36:25–40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0870-9025201200020000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>11. Leufkens H, Hekster Y, Hudson S. Scenario analysis of the future of  clinical pharmacy. Pharm World Sci. 1997; 19:182–5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0870-9025201200020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>12. Nørgaard LS, Colberg L, Niemann MR. The role of the Danish community  pharmacist: perceptions and future scenarios. Pharm World Sci. 2001; 23:159–64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0870-9025201200020000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>13. Anderson S. The state of the world's pharmacy: a portrait of the pharmacy  profession. J Interprof Care. 2002; 16:391–404.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0870-9025201200020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>14. Maddux MS, Dong BJ, Miller WA, Nelson KM, Raebel MA, Raehl CL, et–al. A  vision of pharmacy's future roles, responsibilities, and manpower needs in the  United States. American College of Clinical Pharmacy. Pharmacotherapy. 2000;  20:991–1020.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S0870-9025201200020000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>15. Zellmer WA. Pharmacy's future: transformation, diffusion, and  imagination. Am J Health Syst Pharm. 2010; 67:1199–204.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S0870-9025201200020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>16. Berenguer B, la Casa C, de la Matta MJ, Martín–Calero MJ. Pharmaceutical  care: past, present and future. Curr Pharm Des. 2004; 10:3931–46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0870-9025201200020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>17. Roughead L, Semple S, Vitry A. The value of pharmacist professional  services in the community setting: a systematic review of the literature  1990–2002. Adelaide: School of Pharmaceutical, Molecular and Biomedical  Sciences. University of South Australia; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S0870-9025201200020000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>18. Wiedenmayer K, Summers RS, Mackie CA, Gous AGS, Everard M. Developing  pharmacy practi a focus on patient care. Geneva: World Health Organization and  International Pharmaceutical Federation; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0870-9025201200020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>19. Costa S, Santos C, Silveira J. Community pharmacy services in Portugal.  Ann Pharmacother. 2006; 40:2228–34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0870-9025201200020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>20. Chisholm–Burns MA, Graff Zivin JS, Lee JK, Spivey CA, Slack M, Herrier  RN, et–al. Economic effects of pharmacists on health outcomes in the United  States: a systematic review. Am J Health Syst Pharm. 2010; 67:1624–34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S0870-9025201200020000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>21. Duarte A, Nunes F, Martins L. Responsabilidade social no sector das  farmácias em Portugal. Lisboa: Ordem dos Farmacêuticos; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S0870-9025201200020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>22. Santana S. Tendências na utilização da internet para questões de saúde e  doença em Portugal 2005–2007. Acta Med Port. 2009; 22:5–14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0870-9025201200020000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>23. Calabretto J–P, Warren J, Darzanos K, Fry B, editors. Building common  ground for communication between patients and community pharmacists with an  internet medicine cabinet. In: 35th Hawaii International Conference on System  Sciences (HICSS–35 2002), 7–10 January 2002, Big Island, HI, USA – Abstracts  Proceedings. Washington, DC: IEEE Computer Society; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0870-9025201200020000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>24. Benrimoj S, editor. Educating pharmacists to provide new pharmacy  services. In: European Association of Faculties of Pharmacy Annual Congress,  Lisbon, July 22, 2001 – New roles for pharmacy and pharmacists in Europe: a  challenge for education in pharmacy. Lisboa: Ordem dos Farmacêuticos; 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0870-9025201200020000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>25. Cavaco AM, Dias JP, Bates IP. Consumers’ perceptions of community  pharmacy in Portugal: a qualitative exploratory study. Pharm World Sci. 2005;  27:54–60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S0870-9025201200020000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>26. Muijrers PE, Knottnerus JA, Sijbrandij J, Janknegt R, Grol RP. Changing  relationships: attitudes and opinions of general practitioners and pharmacists  regarding the role of the community pharmacist. Pharm World Sci. 2003;  25:235–41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000216&pid=S0870-9025201200020000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>27. Resnik DB, Ranelli PL, Resnik SP. The conflict between ethics and  business in community pharmacy: what about patient counseling?. J Bus Ethics.  2000; 28:179–86.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000218&pid=S0870-9025201200020000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>28. O.F. Atribuições e intervenção. Lisboa: Ordem dos Farmacêuticos; 2010  [consultado 15 Mai 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.ordemfarmaceuticos.pt/scid//ofWebInst_09/defaultCategoryViewOne.asp?categoryId=1852" target="_blank">http://www.ordemfarmaceuticos.pt/scid//ofWebInst_09/defaultCategoryViewOne.asp?categoryId=1852</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000220&pid=S0870-9025201200020000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>29. O.F. Dados estatísticos, novembro 2009. Lisboa: Ordem dos Farmacêuticos;  2009 [consultado 15 Mai 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.ordemfarmaceuticos.pt/scid//ofWebInst_09/defaultCategoryViewOne.asp?categoryId=1914" target="_blank">http://www.ordemfarmaceuticos.pt/scid//ofWebInst_09/defaultCategoryViewOne.asp?categoryId=1914</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000222&pid=S0870-9025201200020000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>30. INFARMED. Estatística do medicamento 2009. Lisboa: Instituto Nacional da  Farmácia e do Medicamento; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000224&pid=S0870-9025201200020000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>31. ANF. Farmácia em Portugal. Lisboa: ANF; 2010 [consultado 15 Mai 2011].  Disponível em:  <a href="http://www.anf.pt/index.php?option=com_content&amp;task=blogcategory&amp;id=107&amp;Itemid=107" target="_blank">http://www.anf.pt/index.php?option=com_content&amp;task=blogcategory&amp;id=107&amp;Itemid=107</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S0870-9025201200020000400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>32. INFARMED. Estatística do medicamento 2004. Lisboa: Instituto Nacional da  Farmácia e do Medicamento; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000228&pid=S0870-9025201200020000400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>33. PORDATA. Dados estatísticos da área da saúde 2000–2009. 2011 [consultado:  2 Fev 2011]. Disponível em: <a href="http://www.pordata.pt/azap_runtime/?n=4" target="_blank">http://www.pordata.pt/azap_runtime/?n=4</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000230&pid=S0870-9025201200020000400033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>34. MCTES. Acesso ao Ensino Superior: índice de cursos. Lisboa 2011  [consultado 29 Mai 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.dges.mctes.pt/DGES/pt/Estudantes/Acesso/Genericos/IndicedeCursos/" target="_blank">http://www.dges.mctes.pt/DGES/pt/Estudantes/Acesso/Genericos/IndicedeCursos/</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000232&pid=S0870-9025201200020000400034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>35. Rodrigues A, Marques FB, Ferreira PL, Raposo V. Estudo do sector das  farmácias em Portugal. Coimbra: Centro de Estudos e Investigação em Saúde da  Universidade de Coimbra; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000234&pid=S0870-9025201200020000400035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>36. OECD. Health at a Glance 2009 – OECD Indicators. Paris: Organization for  Economic Co–Operation and Development; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000236&pid=S0870-9025201200020000400036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>37. INFARMED. Vendas de medicamentos não sujeitos a receita médica fora das  farmácias: Março 2011. Lisboa: Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento;  2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000238&pid=S0870-9025201200020000400037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>38. Guerreiro M, Cantrill J, Martins P. Acceptability of community  pharmaceutical care in Portugal: a qualitative study. J Health Serv Res Policy.  2010; 15:215–22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000240&pid=S0870-9025201200020000400038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>39. INFARMED. Farmácias com farmacêuticos tecnicamente habilitados a efectuar  o seguimento dos doentes nos moldes previstos no nível II de intervenção do  protocolo de colaboração da diabetes mellitus e número de doentes por farmácia.  Lisboa: Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento; 2009 [consultado 26 Jun  2011]. 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Publicado 29 Abr 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000244&pid=S0870-9025201200020000400040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>41. Barros PP, Martins B, Moura A. Evolução do setor das farmácias: revisitar  o estudo «A situação concorrencial no setor das farmácias» de 2005. GANEC: Nova  School of Business and Economics; 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000246&pid=S0870-9025201200020000400041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>42. Lapão LV, Thore S, editors. Prioritizing R&amp;D projects in the face of  technological and market uncertainty: Scenario planning in the telecommunication  business. In: 18th International Symposium on Forecasting, Edinburgh, 1998 –  Proceedings. Edinburgh: Napier University; 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000248&pid=S0870-9025201200020000400042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>43. Heijden K. Scenarios: the art of strategic conversation. 2nd ed.  Chicester: John Wiley &amp; Sons; 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000250&pid=S0870-9025201200020000400043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>44. Rodrigues V, Ribeiro T, Silva S, Vasconcelos H. A situação concorrencial  no sector das farmácias. Porto: Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada  – Universidade Católica Portuguesa; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000252&pid=S0870-9025201200020000400044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>45. Lluch M, Kanavos P. Impact of regulation of Community Pharmacies on  efficiency, access and equity: evidence from the UK and Spain. Health Policy.  2010; 95:245–54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000254&pid=S0870-9025201200020000400045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>46. Almarsdóottir AB, Morgall JM, Björnsdóttir I. A question of emphasis:  efficiency or equality in the provision of pharmaceuticals. Int J Health Plann  Manage. 2000; 15:149–61.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000256&pid=S0870-9025201200020000400046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>47. Mossialos E, Mrazek M, Walley T. Regulating pharmaceuticals in Europe:  striving for efficiency, equity and quality. En: Figueras J., Mckee M.,  Mossialos E., Saltman R.B., editors. European Observatory on Health Care  Systems. Maidenhead, Berkshire, UK: Open University Press, McGraw–Hill  Education; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000258&pid=S0870-9025201200020000400047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>48. Dobson RT, Perepelkin J. Pharmacy ownership in Canada: implications for  the authority and autonomy of community pharmacy managers. Res Social Adm Pharm.  2011; 7:347–58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000260&pid=S0870-9025201200020000400048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>49. Lluch M. Are regulations of community pharmacies in Europe questioning  our pro–competitive policies?. Eurohealth. 2009; 15:3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000262&pid=S0870-9025201200020000400049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>50. Cavaco AMN, Bates IP. Gauging Portuguese community pharmacy users’  perceptions. Primary Health Care Res &amp; Develop. 2007; 8:315–25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000264&pid=S0870-9025201200020000400050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>51. Roberts AS, Benrimoj SI, Chen TF, Williams KA, Hopp TR, Aslani P.  Understanding practice change in community pharmacy: a qualitative study in  Australia. Res Social Adm Pharm. 2005; 1:546–64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000266&pid=S0870-9025201200020000400051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>52. Van Mil JW, Schulz M, Tromp TF. Pharmaceutical care, European  developments in concepts, implementation, teaching, and research: a review.  Pharm World Sci. 2004; 26:303–11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000268&pid=S0870-9025201200020000400052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>53. Doucette WR, Kreling DH, Schommer JC, Gaither CA, Mott DA, Pedersen CA.  Evaluation of community pharmacy service mix: evidence from the 2004 National  Pharmacist Workforce Study. J Am Pharm Assoc (2003). 2006; 46:348–55.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000270&pid=S0870-9025201200020000400053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>54. Dussault G, Franceschini MC. Not enough there, too many here:  understanding geographical imbalances in the distribution of the health  workforce. Hum Resour Health. 2006; 4:12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000272&pid=S0870-9025201200020000400054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>55. Ferguson J, Ashcroft D, Hassell K. Qualitative insights into job  satisfaction and dissatisfaction with management among community and hospital  pharmacists. Res Social Adm Pharm. 2011; 7:306–16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000274&pid=S0870-9025201200020000400055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>56. Van Mil JW, Frokjaer B, Tromp TF. Changing a profession, influencing  community pharmacy. Pharm World Sci. 2004; 26:129–32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000276&pid=S0870-9025201200020000400056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>57. Rosenthal M, Austin Z, Tsuyuki RT. Are pharmacists the ultimate barrier  to pharmacy practice change?. Can Pharm J. 2010; 143:37–42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000278&pid=S0870-9025201200020000400057&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>58. Almeida A, editor. Educating pharmacists on novel pharmaceutical  products. In: European Association of Faculties of Pharmacy Annual Congress,  Lisbon, July 22, 2001 – New roles for pharmacy and pharmacists in Europe: a  challenge for education in pharmacy. Lisboa: Ordem dos Farmacêuticos; 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000280&pid=S0870-9025201200020000400058&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>59. Tsuyuki RT, Schindel TJ. Changing pharmacy practi the leadership  challenge. Can Pharm J. 2008; 141:174–80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000282&pid=S0870-9025201200020000400059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>60. Tsuyuki RT, Schindel TJ. Leading change in pharmacy practi fully engaging  pharmacists in patient–oriented healthcare. Edmonton: Centre for Community  Pharmacy Research and Interdisciplinary Strategies, University of Alberta; 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000284&pid=S0870-9025201200020000400060&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>61. Jungnickel PW, Kelley KW, Hammer DP, Haines ST, Marlowe KF. Addressing  competencies for the future in the professional curriculum. Am J Pharm Educ.  2009; 73:156.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000286&pid=S0870-9025201200020000400061&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>62. Fernandez–Llimos F, editor. Desenvolvimento de conceitos em «Cuidados  Farmacêuticos». In: IV Congresso Ibero–Americano de Ciências Farmacêuticas, 21 e  26 de Junho, Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Lisboa: Ordem dos  Farmacêuticos; 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000288&pid=S0870-9025201200020000400062&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>63. Paulino E, Guerreiro MP, Cantrill JA, Martins AP, da Costa FA, Benrimoj  SIC. Community pharmacists’ and physicians’ inter–professional work: insights  from qualitative studies with multiple stakeholders. Rev Port Clin Geral. 2010;  26:590–606.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000290&pid=S0870-9025201200020000400063&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>64. Edmunds J, Calnan MW. The reprofessionalisation of community pharmacy?:  an exploration of attitudes to extended roles for community pharmacists amongst  pharmacists and general practioners in the United Kingdom. Soc Sci Med. 2001;  53:943–55.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000292&pid=S0870-9025201200020000400064&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>65. Gallagher RM, Gallagher HC. Improving the working relationship between  doctors and pharmacists: is inter–professional education the answer?. Adv Health  Sci Educ Theory Pract. 2012; 17:247–57.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000294&pid=S0870-9025201200020000400065&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>66. Leese B. New opportunities for nurses and other healthcare  professionals?: a review of the potential impact of the new GMS contract on the  primary care workforce. 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Fox N, Ward K, O’Rourke A. The birth of the e–clinic: continuity or  transformation in the UK governance of pharmaceutical consumption?. Soc Sci Med.  2005; 61:1474–84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000304&pid=S0870-9025201200020000400070&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>71. Katz SJ, Moyer CA. The emerging role of online communication between  patients and their providers. J Gen Intern Med. 2004; 19:978–83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000306&pid=S0870-9025201200020000400071&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>72. Lam AY, Rose D. 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Disponível em:  <a href="http://www.css–almac.com/papers/Papers/Improving_Patient_Compliance_in_CTS.pdf" target="_blank">http://www.css–almac.com/papers/Papers/Improving_Patient_Compliance_in_CTS.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000310&pid=S0870-9025201200020000400073&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>74. Gastelurrutia MA, Benrimoj SI, Castrillon CC, de Amezua MJ,  Fernandez–Llimos F, Faus MJ. Facilitators for practice change in Spanish  community pharmacy. 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Hoboken, New Jersey: John  Wiley &amp; Sons; 1998. 422–31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000318&pid=S0870-9025201200020000400077&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Financiamento</B></P>     <P>Esta pesquisa foi parcialmente financiada pelo projecto  PTDC/CCI-CIN/122690/2010 da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><B>Conflito de interesses</B></P>     <P>Os autores declaram não haver conflito de interesses.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P>Recebido 4 Novembro 2011. Aceito 10 Dezembro 2012 </P>     <p>&nbsp;</p>     <P><Sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></Sup>Autor para Correspondência: <a href="mailto:jpgregorio@ihmt.unl.pt">jpgregorio@ihmt.unl.pt</a></P>      ]]></body><back>
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