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<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2012.07.001</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tipologia de perfis socioprofissionais e a identificação profissional numa organização de saúde]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The organizations and health professionals have been experiencing a pack of structural, procedural and political changes. These changes may lead to a change in the professional identification and, consequently, cause impact in the working teams as well as in the organization. The aim of the study is to identify professional and social profiles and their relationship with professional identification. The research is based on a questionnaire applied to a sample of 190 health professionals working at private dialysis clinics in the Lisbon and Vale do Tejo area. The Multiple Correspondence Analysis was used to determine the professional and social profiles, with projection of the professional identification variable. The results show three idiosyncratic professional and social profiles, two of which distinguishable by the literary qualifications and the contractual bind to the health organization and a third one clearly evident by the age and seniority. However, there is no relation between these factors and professional identification.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Organização e administração]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Perfil socioprofissional]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></P>     <P><b>Tipologia de perfis socioprofissionais e a identificação profissional numa  organização de saúde</b></P>     <P><b>Typology of professional and social profiles and the professional identity at  a health organization</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Liliana Veríssimo<SUP>a,b,<a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a>, Ana Poeira<SUP>b,c</SUP> </b></P>     <P><SUP>a</SUP>Instituto de Ciências da Saúde–Universidade Católica Portuguesa  (ICS–UCP), Lisboa, Portugal</P>     <P><SUP>b</SUP>Serviço de Nefrologia e Transplantação Renal, Centro Hospitalar  Lisboa–Norte, EPE, Hospital de Santa Maria, Lisboa, Portugal</P>     <P><SUP>c</SUP>Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), Porto,  Portugal</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>RESUMO</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>As organizações e profissões de saúde têm vindo a sofrer um conjunto de  alterações estruturais, processuais e políticas. Estas alterações poderão  contribuir para uma alteração na identificação profissional e, consequentemente,  causar impactos nos grupos de trabalho e na organização. O estudo pretende  identificar perfis socioprofissionais e a sua relação com a identificação  profissional. Foi aplicado um questionário a uma amostra de 190 profissionais de  saúde a desempenhar funções em clínicas privadas de hemodiálise da região de  Lisboa e Vale do Tejo. Para a definição dos perfis socioprofissionais foi usada  a análise de correspondências múltiplas, com projeção suplementar da variável  identificação profissional. Os resultados evidenciam 3 perfis socioprofissionais  distintos, 2 deles diferenciados pelas habilitações literárias e pela vinculação  contratual à organização de saúde, e um terceiro grupo diferenciado pela idade e  antiguidade de serviço. Contudo, não se verifica uma relação entre estes e a  identificação profissional.</P>     <P><B>Palavras-chave:</B> Organização e administração, Recursos humanos em saúde, Perfil socioprofissional</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>ABSTRACT</B></P>     <P>The organizations and health professionals have been experiencing a pack of  structural, procedural and political changes. These changes may lead to a change  in the professional identification and, consequently, cause impact in the  working teams as well as in the organization. The aim of the study is to  identify professional and social profiles and their relationship with  professional identification. The research is based on a questionnaire applied to  a sample of 190 health professionals working at private dialysis clinics in the  Lisbon and Vale do Tejo area. The Multiple Correspondence Analysis was used to  determine the professional and social profiles, with projection of the  professional identification variable. The results show three idiosyncratic  professional and social profiles, two of which distinguishable by the literary  qualifications and the contractual bind to the health organization and a third  one clearly evident by the age and seniority. However, there is no relation  between these factors and professional identification.</P>     <P><B>Keywords: </B>Organization and administration. Health personnel. Socioprofessional profile.  </P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Introdução</B></P>     <P>As organizações de saúde são essencialmente compostas por pessoas que  contactam diariamente numa relação mútua de interesses na área de prestação de  cuidados de saúde. Os diferentes profissionais de saúde possuem determinados  atributos e saberes que os posicionam em díspares categorias. Cada vez é maior a  exigência teórico-prática destes profissionais e parece que as profissões já não  são o que eram na sua origem, apesar de manterem as mesmas designações. Veja-se  o exemplo da profissão de enfermagem, inicialmente exercida por freiras e  mulheres não qualificadas e agora por profissionais licenciados, mestres e  doutores. A crescente mudança organizacional e o fenómeno da globalização  trouxeram consigo maior exigência às organizações relativamente ao seu capital  humano. Tendo em conta este crescente tumulto de alterações e exigências nos  cuidados de saúde, desponta a inquietação sobre se a identificação do indivíduo  com a sua profissão permanecerá intacta. A identificação profissional influencia  os comportamentos dos profissionais de saúde para com os clientes, pelo que será  de extrema importância compreender o fenómeno em causa. Apesar dos diversos  estudos existentes sobre a formação da identidade profissional, são escassos os  que nos possibilitam a caracterização da identificação profissional dos  profissionais no contexto da saúde em Portugal. O presente estudo pretende  contribuir para o conhecimento nessa área, definindo perfis socioprofissionais e  sua relação com a identificação profissional.</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Quadro teórico</B></P>     <P>Os serviços de saúde têm sofrido grandes alterações devido à crescente  evolução técnica e social ocorrida nestas últimas décadas. A complexidade  técnica e a necessidade de reorganização dos cuidados de saúde conduziram a uma  maior exigência aos profissionais de saúde. De salientar a grande evolução na  profissão de enfermagem que, com o impulsionamento de Florence Nightingale e os  contributos dos modelos conceptuais e teorias de enfermagem, se torna  progressivamente numa disciplina. A reforma de Florence Nightingale veio  «constituir uma referência fundamental no sentido da construção de uma  identidade como grupo socioprofissional»<SUP>1</SUP> (p. 32).</P>     <P>A identificação profissional refere-se à autodefinição da pessoa em termos do  trabalho que faz e das características específicas atribuídas aos indivíduos que  realizam esse trabalho<SUP>2</SUP>. A identidade profissional é crucial para o  bom funcionamento de uma organização. Cada pessoa individual conhece o seu papel  dentro da organização e atua de acordo com este. A sua relação com os outros  profissionais na organização e com os clientes é condicionada por esta  identidade profissional.</P>     <P>De acordo com Abreu<SUP>3</SUP>, a identidade profissional forma-se,  principalmente, através de processos sociais e reconstitui-se a partir das  interações sociais<B>.</B> Estes processos sociais, nos quais se formam e  transformam as identidades, estão dependentes da estrutura social. De salientar  que o indivíduo possui uma identidade antes de adquirir uma habilitação  profissional, logo não podemos reduzir a construção da identidade social a  estatutos ou níveis de formação.</P>     <P>Abreu<SUP>3</SUP> (pag. 95) considera que quer a identidade social, quer a  identidade profissional «[…] não são definitivas nem estáticas – encontram-se em  permanente evolução. Evoluem ao longo da história e da vida e constroem-se  através de escolhas mais ou menos conscientes, que lhes vão conferir novas  orientações e significações». A identidade profissional reflete aquilo que o  indivíduo conceptualiza sobre o que é central e distintivo na sua profissão,  enquanto a identificação profissional reflete a perceção de pertença do  profissional à profissão<SUP>4</SUP>.</P>     <P>Nas organizações de saúde, todo o trabalho desenvolvido tem como objetivo  final servir o cliente nas suas necessidades. Os clientes são a razão de  existência destas organizações e dos respetivos profissionais. De acordo com  Rodrigues<SUP>5</SUP>, a identificação profissional influencia os comportamentos  dos profissionais de saúde em relação aos clientes. Segundo esta autora, os  comportamentos de ligação e de cooperação dos profissionais para com os clientes  são tão mais visíveis quanto maior a intensidade da identificação do  profissional com a organização e com a profissão que exerce.</P>     <P>Considerando a identificação profissional como um fator positivo nos  comportamentos dos profissionais de saúde para com os clientes, surge a  importância de compreender os fatores influenciadores dessa identificação e como  esta é caracterizada dentro dos diferentes grupos de profissionais de saúde.</P>     <P>No seu estudo, Rodrigues<SUP>5</SUP> identifica as habilitações literárias  como um preditor significativo da identificação profissional.</P>     <P>Também Duarte, Nunes e Martins<SUP>6</SUP> estudaram a identificação  profissional dos farmacêuticos e verificaram que os profissionais do sexo  masculino apresentavam menor identificação profissional do que as colegas do  sexo feminino, e que a idade tem uma relação direta com a identificação  profissional.</P>     <P>Devis et al.<SUP>7</SUP> referem alguns estudos em que a idade pode ser um  fator chave para interpretar a evolução da identificação profissional. No  entanto, no campo da atividade física e desporto, a idade terá uma relação  inversa com a identificação profissional devido ao envelhecimento.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Vários autores descrevem o papel da formação e do trabalho na construção da  identidade profissional<SUP>8</SUP><SUP>, </SUP><SUP>3</SUP>, mas pouco  conhecemos sobre a identificação do indivíduo com a profissão que exerce e como  esta integração do eu pessoa e do eu profissional sofre afeções.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Metodologia</B></P>     <P>Nas organizações de saúde são imensas as profissões necessárias a uma boa  prática de cuidados de saúde. Atualmente, para um hospital funcionar  eficazmente, precisa de profissionais qualificados de diversas áreas, como, por  exemplo, gestores, administrativos, farmacêuticos, analistas, dietistas,  fisioterapeutas, médicos, enfermeiros, auxiliares de ação médica, etc.</P>     <P>Considerando que a identificação profissional influencia os comportamentos  dos profissionais para com os clientes, serão as profissões de maior contacto  com os mesmos as mais prolíficas para o estudo pretendido, nomeadamente médicos,  enfermeiros e auxiliares de ação médica.</P>     <P>Tendo em conta a dimensão dos hospitais centrais e a dificuldade em contactar  os profissionais desejados, realizou-se um estudo descritivo-exploratório com  profissionais de saúde que desenvolvem a sua atividade em clínicas privadas de  hemodiálise da região de Lisboa e Vale do Tejo. Foi pedida e deferida por  escrito a autorização do estudo.</P>     <P>O instrumento de colheita de dados aplicado foi um questionário que permitiu  caracterizar os profissionais de saúde quanto à sua situação sociodemográfica e  profissional, bem como avaliar o comportamento organizacional. Para medir a  variável identificação profissional, utilizou-se a escala de avaliação da  identificação organizacional<SUP>9</SUP><SUP>, </SUP><SUP>4</SUP> adaptada e  validada por Duarte, Nunes e Martins<SUP>6</SUP> para a identificação  profissional (Alpha de Cronbach=0,85). Trata-se de uma escala constituída por 2  itens que refletem a integração entre a identificação pessoal e a identificação  com a profissão, e na qual o indivíduo deve posicionar-se entre o 1 («De maneira  nenhuma integrado») e o 8 («Em larga medida integrado»).</P>     <P>O período de colheita de dados ocorreu nos meses de agosto e setembro de  2008. A distribuição e recolha dos questionários foram realizadas com a  colaboração dos enfermeiros chefe de cada clínica, garantindo-se a  confidencialidade dos profissionais e respetivas clínicas.</P>     <P>O número de respostas recebidas, validadas e utilizadas no estudo é de 190,  correspondendo a uma taxa de resposta de 37,7%.</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>Resultados</B></P>     <P>Observa-se uma estrutura etária claramente jovem, com 64,3% com idades  inferiores a 40 anos, e fortemente feminina relativamente ao conjunto (73,3%).  Relativamente à antiguidade, 47,3% dos inquiridos desempenham funções na empresa  entre 4 a 10 anos. No que respeita ao nível de escolaridade, uma parte  significativa (85,2%) dos inquiridos tem ensino superior. Tendo em conta a  profissão exercida nas clínicas, 73,7% dos 190 profissionais são enfermeiros,  16,8% são auxiliares de ação médica e 9,5% são médicos. Quanto ao vínculo  profissional, 29,6% dos sujeitos em estudo estão vinculados à organização. Os  restantes profissionais, que constituem a maioria (70,4%), são trabalhadores  independentes, sem qualquer vínculo à organização. Finalmente, 71,1% dos  inquiridos presta serviço noutra organização, valor que reflete a especificidade  deste contexto organizacional.</P>     <P>A identificação profissional, sendo avaliada através do grau de integração do  ser pessoa com o ser profissional, poderá sofrer alterações de acordo com a  profissão exercida, as habilitações literárias, a idade e o género, como já  sugerido por outros autores<SUP>5</SUP><SUP>, </SUP><SUP>6</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>7</SUP>, assim como poderá ser influenciada pelo local de trabalho ou  situação profissional do indivíduo. Desta forma, foram criados perfis  socioprofissionais que agrupam os indivíduos de acordo com as medidas em  análise.</P>     <P>Com o objetivo de identificar perfis socioprofissionais foi realizada uma  análise de correspondências múltiplas (ACM). Para o efeito, considerou-se os  indicadores de caracterização já anteriormente apresentados (género,  habilitações literárias, idade, duplo emprego, profissão, antiguidade e  vínculo), tendo sido selecionadas 2 dimensões. Não obstante, verifica-se que a  dimensão 1 é determinante com uma consistência interna bastante elevada (Alpha  de Cronbach=0,814), a dimensão 2 é igualmente importante com uma consistência  interna satisfatória (Alpha de Cronbach=0,598). Estas permitiram perceber a  especificidade das relações entre as categorias dos diversos indicadores e  identificar configurações distintas no que se refere aos perfis dos  trabalhadores.</P>     <P>O indicador género tem projeção próxima da origem, pelo que parece ser  relativamente indiferente ser homem ou mulher, no que se refere à identificação  dos lugares ocupados neste espaço social. Os outros indicadores apresentam  medidas de discriminação elevadas, pelo menos numa das dimensões, diferenciando  os indivíduos em análise. O indicador habilitações literárias, como elucida o  seu posicionamento diagonal na <a href="#f1">Figura 1</a>, é simultaneamente importante na  composição das 2 dimensões. Desta forma, as variáveis que remetem para a  situação profissional contribuem decisivamente para a estruturação da dimensão  1, enquanto que as variáveis que se destacam na dimensão 2 são as que remetem  para a situação de antiguidade profissional (<a href="#f1">Figura 1</a>).</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a05f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Analisando a disposição das categorias dos indicadores no plano definido  pelas 2 dimensões (<a href="#f2">Figura 2</a>), verifica-se que existe, na dimensão 1, uma relação  entre as habilitações de nível intermédio (ensino básico e secundário), a  profissão auxiliar de ação médica, com vinculação ao quadro e sem duplo emprego;  distinguindo-se da relação entre habilitações de nível superior (licenciatura),  a profissão enfermeiro, sem vínculo (prestação de serviços) e com duplo emprego.  Está-se perante 2 grupos cujos perfis são distintos.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a05f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Já na dimensão 2, há que salientar a disposição das categorias que remetem  para a antiguidade profissional, nomeadamente entre as categorias idade até 30  anos e tempo de serviço até 3 anos, distinguindo-se das categorias idade com  mais de 50 anos e tempo de serviço com mais de 10 anos. Existe uma distinção  entre os trabalhadores mais novos e, consequentemente, com menor tempo de  serviço e os trabalhadores mais velhos e com maior tempo de serviço. No entanto,  esta dimensão aproxima os 2 grupos profissionais diferenciados na dimensão 1,  porque eles partilham um traço comum, ou seja, representam os trabalhadores mais  novos e com menor tempo de serviço.</P>     <P>Os resultados da ACM e a análise conjugada das 2 dimensões permitiram  perceber a configuração topológica do espaço dos perfis socioprofissionais e  identificar diferentes combinações, indicando, assim, estar-se na presença de um  espaço no qual coexistem representações distintas<SUP>10</SUP>.</P>     <P>Constata-se, pelo plano, a existência de 3 configurações muito bem definidas,  cuja especificidade decorre das posições da situação profissional com a situação  da antiguidade profissional. Assim, os indivíduos posicionam-se segundo menor  antiguidade, os auxiliares de ação médica e os enfermeiros, sendo que as suas  posições estão em quadrantes adjacentes, e os indivíduos com maior antiguidade.  São indivíduos que partilham tendencialmente as mesmas características, levando  à caracterização de perfis distintos, mas que coexistem, com maior ou menor  proximidade, no mesmo espaço<SUP>10</SUP>.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Tipologia dos perfis socioprofissionais</B></P>     <P>Após a identificação das diferentes configurações que coexistem entre os  trabalhadores, e para uma caracterização mais detalhada dos seus perfis enquanto  grupos distintos, formalizou-se a tipologia agrupando os indivíduos através de  uma análise de <I>clusters</I>, tomando como referencial as 2 dimensões  estruturantes do espaço socioprofissional. As variáveis utilizadas como  <I>input</I> para a classificação foram as quantificações dos objetos  resultantes da ACM realizada anteriormente.</P>     <P>A projecção dos 3 tipos (<a href="#f3">Figura 3</a>) no plano da ACM torna evidente a  correspondência entre a configuração por ele sugerida e a tipologia obtida, dado  o posicionamento dos <I>clusters</I> nas nuvens de pontos que traduzem essas  mesmas configurações. Cada um dos <I>clusters</I> associa-se privilegiadamente a  um dos perfis anteriormente identificados, validando a solução sugerida pela  ACM.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a05f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Os vários perfis podem caracterizar-se da seguinte forma: </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>- Cluster 1 com 16,8% (profissionais com vínculo) – caracteriza-se pela  totalidade dos profissionais auxiliares de ação médica, associados a níveis de  escolaridade intermédios [sobretudo o ensino secundário (44,0%)]. Em termos de  idades dominantes, encontram-se aqui os jovens adultos (até 30 anos) e depois  idades mais intermédias. Todos os trabalhadores têm um vínculo com a  organização, com 72,6% pertencendo ao quadro. E praticamente a maioria (95,6%)  não tem duplo emprego.</P>     <P>- Cluster 2 com 25,3% (profissionais com antiguidade) – referente ao perfil  com maior antiguidade e concomitantemente mais velhos. Mais de metade (54,2%)  dos trabalhadores pertencentes a este <I>cluster</I> desempenha funções há mais  de 10 anos, sendo que mais de 2 terços possuem idades superiores a 40 anos  (21,7% com idades compreendidas entre 41 e 50 anos e 49,8% com mais de 50 anos).  É constituído apenas por enfermeiros (79,1%) e médicos (20,9%).</P>     <P>- Cluster 3 com 57,9% (profissionais sem vínculo) – é aquele que tem um maior  peso no total dos trabalhadores. Caracteriza-se por um predomínio de enfermeiros  (92,7%), mas em que os médicos também estão representados (7,3%). Neste  <I>cluster</I> todos têm um nível superior de habilitações literárias.  Caracteriza-se por a maioria possuir outro emprego (95,2%), sendo que 78,6% se  encontra a recibos verdes.</P>     <P>Conhecidos os perfis socioprofissionais, realizou-se outra ACM com projeção  suplementar da variável identificação profissional. Será de extrema importância  compreender se a identificação profissional está relacionada com os perfis  socioprofissionais, ficando a conhecer-se se determinado grupo de profissionais,  com determinadas características, apresenta uma maior integração entre o seu ser  e a sua profissão.</P>     <P>Relativamente à identificação profissional, os inquiridos situam-se em média  nos 6,42 pontos da escala, sendo que a maioria se posiciona acima da média, o  que revela uma grande integração profissional.</P>     <P>Como se constata na <a href="#f4">Figura 4</a>, a posição da identificação profissional reflete  a inexistência de associação aos perfis. Ela projeta-se muito próximo da origem,  parecendo ser indiferente o nível de identificação profissional para a  compreensão dos lugares ocupados pelos perfis socioprofissionais.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a05f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Verifica-se também, quando aplicado o teste One Way ANOVA, que o nível médio  de identificação profissional é igual nos 3 perfis socioprofissionais (p&gt;  0,05).</P>     <P>Neste contexto, poderá concluir-se pela não-sustentabilidade da tese de que  existem diferenças entre os perfis socioprofissionais no que respeita à  identificação profissional.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P><B>Discussão</B></P>     <P>De acordo com os resultados obtidos, podemos conceber 3 diferentes grupos de  profissionais de saúde: um grupo formado predominantemente por enfermeiros, sem  vínculo contratual e um nível de habilitações literárias superior (profissionais  sem vínculo); o grupo dos auxiliares de ação médica, com vínculo contratual à  empresa, mas com menor nível de habilitações literárias (profissionais com  vínculo); e o grupo formado por enfermeiros e médicos, sem vínculo contratual,  mas com maior antiguidade na empresa e um nível de habilitações literárias  superior (profissionais com antiguidade). Os 2 primeiros grupos identificados  são constituídos por profissionais mais jovens e com menor antiguidade na  empresa e no exercício da profissão.</P>     <P>Compreende-se então que os profissionais sem vínculo e os profissionais com  antiguidade possuem habilitações literárias que lhes permitem exercer funções  diferenciadas, associadas a uma maior responsabilidade perante o cliente e a sua  situação de saúde. Rodrigues<SUP>5</SUP> identifica as habilitações literárias  como um preditor significativo da identificação profissional, ao contrário dos  resultados aqui obtidos. Assim, importa denotar que estes resultados,  provavelmente, não são generalizáveis ao conjunto das clínicas de hemodiálise  portuguesas.</P>     <P>Segundo Duarte, Nunes e Martins<SUP>6</SUP>, a identificação profissional  está diretamente relacionada com a idade, no entanto, neste estudo, os  profissionais com antiguidade, e, concomitantemente, os mais velhos, não se  diferenciam dos restantes grupos.</P>     <P>Contudo, os resultados obtidos neste estudo denunciam profissionais com  identificação profissional elevada. Tendo em conta a especificidade das  profissões, que se baseiam numa filosofia de relação de ajuda, há consistência  de resultados, pelo que a empresa poderá, na sua estratégia de gestão,  considerar estes profissionais aliados essenciais para alcançar os seus  objetivos e superar as suas necessidades estratégicas.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Conclusão</B></P>     <P>A identificação profissional, de acordo com diversos autores, tem como  fatores preditivos as habilitações literárias<SUP>5</SUP>, a idade e o  género<SUP>6</SUP>.</P>     <P>Considerando o descrito na literatura, formaram-se 3 perfis  socioprofissionais distintos, 2 deles diferenciados pela situação profissional,  e um terceiro grupo diferenciado pela idade e antiguidade de serviço.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Quanto às características sociodemográficas e profissionais que diferenciam  os grupos profissionais, podemos concluir que são as apresentadas por outros  autores como características que influenciariam a identificação profissional.  Todavia, neste estudo não se verifica uma relação entre os perfis  socioprofissionais apresentados e a identificação profissional.</P>     <P>Pode concluir-se que as organizações de saúde, neste caso, as clínicas de  hemodiálise da região de Lisboa e Vale do Tejo, são compostas por 3 grupos de  profissionais de saúde distintos – os profissionais com vínculo, os  profissionais com antiguidade e os profissionais sem vínculo, que, apesar das  suas especificidades, apresentam elevada identificação profissional.</P>     <P>A discussão do trabalho e consequente comparação de resultados foi limitada  devido à falta de estudos sobre o tema em Portugal.</P>     <P>Seria interessante alargar o estudo a nível nacional, o que tornaria o  trabalho mais consistente na extrapolação dos resultados, assim como fazer uma  comparação entre profissionais que exercem funções em instituições públicas e  privadas.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Bibliografía</B></P>     <!-- ref --><P>1. Pimentel MH. Enfermagem: identidade e representações num contexto em  mudança: a perspetiva de 2 grupos de alunos. Revista Referência. 2000; 4:31–7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S0870-9025201200020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>2. Mael F, Ashforth B. Alumni and their alma mater: a partial test of the  reformulated model of organizational identification. J Organ Behav. 1992;  13:103–23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0870-9025201200020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>3. Abreu W. Identidade, formação e trabalho: das culturas locais às  estratégias identitárias dos enfermeiros. Coimbra: Formasau; 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0870-9025201200020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>4. Bartel C. Social comparisons in boundary –spanning work: effects of  community outreach on members’ organizational identity and identification. Admin  Sci Quart. 2001; 46:379–413.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0870-9025201200020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>5. Rodrigues M. Antecedentes e consequentes da identificação organizacional e  da identificação profissional: uma aplicação à Casa de Saúde da Idanha. Lisboa:  INGEG/ISCTE; 2008. Tese de Mestrado em Gestão dos Serviços de Saúde [não  publicada].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0870-9025201200020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>6. Duarte A, Nunes F, Martins L. Estudos e pareceres da ordem dos  farmacêuticos: responsabilidade social no setor das farmácias em Portugal.  Lisboa: Ordem dos Farmacêuticos, GEST–IN/ISCTE; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0870-9025201200020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>7. Devis J, Martos i Garcia D, Sparkes AC. Socialización y proceso de  construcción de la identidad profesional del educador físico de una prisión.  Revista de Psicología del Deporte. 2010; 19:73–88.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0870-9025201200020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>8. Beleza V, Pimentel D. Os impactos da formação profissional nas identidades  profissionais: o caso de uma empresa pública de serviços. Revista Sociologia –  Problemas e Práticas. 1996; 20:227–44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0870-9025201200020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>9. Bagozzi R, Bergami M. Self–categorization and commitment as distinct  aspects of social identity in the organization: conceptualization, measurement  and relation to antecedents and consequences. Brit J Soc Psychol. 2000;  39:555–77.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0870-9025201200020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>10. Carvalho H. Análise multivariada de dados qualitativos: utilização da ACM  com o SPSS. Lisboa: Edições Sílabo; 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0870-9025201200020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Conflito de interesses</B></P>     <P>Os autores declaram não haver conflito de interesses.</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><b>Agradecimentos</b></P>     <P>As autoras agradecem a todos os participantes deste estudo.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P>Recebido 5 Dezembro 2011. Aceito 31 Julho 2012 </P>     <p>&nbsp;</p>     <P><Sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></Sup>Autor para Correspondência: <a href="mailto:verissimo.lilianasilva@gmail.com">verissimo.lilianasilva@gmail.com</a></P>      ]]></body><back>
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