<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0870-9025</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Port. Sau. Pub.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0870-9025</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0870-90252012000200006</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2012.11.001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Perspetivas atuais sobre a proteção jurídica da pessoa idosa vítima de violência familiar: contributo para uma investigação em saúde pública]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Current perspectives on the legal protection of the elderly victim of family violen a contribution to public health research]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fonseca]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rita]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gomes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Inês]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Faria]]></surname>
<given-names><![CDATA[Paula Lobato]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gil]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Paula]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge Departamento de Epidemiologia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Centro de Estudos de Sociologia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Escola Nacional de Saúde Pública ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<volume>30</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>149</fpage>
<lpage>162</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0870-90252012000200006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0870-90252012000200006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0870-90252012000200006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A violência contra pessoas idosas em contexto familiar constitui um problema de saúde pública numa sociedade envelhecida. A dimensão do problema exige a realização de estudos que permitam um maior conhecimento deste fenómeno na sociedade portuguesa, justificando as intervenções de saúde como jurídico-penais. Este artigo apresenta uma abordagem terminológica dos conceitos, bem como uma operacionalização das condutas descritas face à legislação portuguesa. Considerando a complexidade deste fenómeno, entendeu-se pertinente a realização de uma análise de direito comparado, à luz do caso português. No âmbito dos ordenamentos jurídicos estudados, foram considerados aqueles que procuram acautelar os direitos sociais da pessoa idosa.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The violence against elderly people in the family context is a recognized problem of public health in an ageing society. The dimension of the problem requires the development of prevalence studies in order to deepen our knowledge about it in Portuguese society; in order to justify health intervention and legal framework. The aim of this article is to propose a terminological approach of the concepts and the operationalization of abusive conducts according to the Portuguese Law. Given the complexity of the phenomenon, a comparative law analysis was considered relevant in the light of Portuguese case. In addition, in the case of the international jurisdictions analyzed, we adopted those that better reflect the protection of the social rights of the elderly.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Pessoa idosa]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Violência]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Contexto familiar]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Direito comparado]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Elderly person]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Violence]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Family context]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Comparative law]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <P><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></P>     <P><B>Perspetivas atuais sobre a proteção jurídica da pessoa idosa vítima de  violência familiar: contributo para uma investigação em saúde pública</b></P>     <P><B>Current perspectives on the legal protection of the elderly victim of family  violen a contribution to public health research</B></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Rita Fonseca<SUP>a</SUP>, Inês Gomes<SUP>b</SUP>, Paula Lobato  Faria<SUP>c</SUP>, Ana Paula Gil<SUP>a</SUP>,<a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a> </B></P>     <P><sup>a</sup> Departamento de Epidemiologia, Instituto Nacional de Saúde Doutor  Ricardo Jorge, I.P., Lisboa, Portugal</P>     <P><sup>b</sup> CesNova – Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de  Lisboa, Lisboa, Portugal</P>     <P><sup>c</sup> Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa,  Lisboa, Portugal</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>RESUMO</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A violência contra pessoas idosas em contexto familiar constitui um problema  de saúde pública numa sociedade envelhecida. A dimensão do problema exige a  realização de estudos que permitam um maior conhecimento deste fenómeno na  sociedade portuguesa, justificando as intervenções de saúde como  jurídico–penais. Este artigo apresenta uma abordagem terminológica dos  conceitos, bem como uma operacionalização das condutas descritas face à  legislação portuguesa. Considerando a complexidade deste fenómeno, entendeu–se  pertinente a realização de uma análise de direito comparado, à luz do caso  português. No âmbito dos ordenamentos jurídicos estudados, foram considerados  aqueles que procuram acautelar os direitos sociais da pessoa idosa.</P>     <p><b>Palavras-chave:</b> Pessoa idosa, Violência, Contexto familiar, Direito comparado     <p>&nbsp;</p>     <P><B>ABSTRACT</B></P>     <P>The violence against elderly people in the family context is a recognized  problem of public health in an ageing society. The dimension of the problem  requires the development of prevalence studies in order to deepen our knowledge  about it in Portuguese society; in order to justify health intervention and  legal framework. The aim of this article is to propose a terminological approach  of the concepts and the operationalization of abusive conducts according to the  Portuguese Law. Given the complexity of the phenomenon, a comparative law  analysis was considered relevant in the light of Portuguese case. In addition,  in the case of the international jurisdictions analyzed, we adopted those that  better reflect the protection of the social rights of the elderly.</P>     <P><B>Keywords: </B>Elderly person. Violence. Family context. Comparative law. </P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Introdução</B></P>     <P>O fenómeno da violência, nas suas diferentes formas, é hoje reconhecido como  um problema de saúde, e de saúde pública em especial<SUP>1</SUP>. Esta conceção  surge na década de 80, face à constatação de que estes fenómenos, que  representam uma das principais causas de sofrimento humano<SUP>2</SUP>, podem  ser prevenidos se os fatores de risco que os potenciam forem conhecidos e  definida uma estratégia de intervenção pública. É neste âmbito que a atuação em  saúde pública se torna necessária, considerando o seu objetivo – assegurar a  promoção, proteção e melhoria da saúde dos indivíduos e das  populações<SUP>3</SUP> – bem como a abordagem multidisciplinar e baseada na  evidência<SUP>1</SUP>, as quais são fundamentais quando se trata de estudar e  compreender esta e outras realidades.</P>     <P>De entre as diversas formas de violência, a violência em contexto familiar  tem vindo a ganhar visibilidade social e jurídica, nomeadamente através da  adoção de regimes específicos de proteção de mulheres e de menores. Neste  sentido, a violência contra as pessoas idosas, que se traduz numa grave violação  dos direitos humanos<SUP>4</SUP>, não pode e não deve ser entendida como um  fenómeno isolado, considerando, em especial, o aumento dos relatos de episódios  verificados em contexto familiar<SUP>5</SUP>. Estes fenómenos, descritos por  Juan Muñoz Tortosa como <I>«un problema oculto y una de las últimas formas de  violencia interpersonal identificada como problema social»</I><SUP>6</SUP>, são  hoje generalizados e globalmente reconhecidos, sendo assumido e aceite que  ocorrem em «qualquer lugar, perpetrado por qualquer pessoa, ainda que  frequentemente se trate de um familiar»<SUP>7</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A dimensão do problema, de que se tem uma noção diminuta, atenta contra a  reserva da vida familiar em que ocorre, e os custos sociais, económicos e  individuais associados aos fenómenos de violência<SUP>8</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>9</SUP>, não só recomendam a realização de um maior número de estudos  que permitam o seu conhecimento e posterior prevenção, como colocaram a questão  da violência contra as pessoas idosas nas agendas políticas internacionais, e  lhe conferiram maior visibilidade social<SUP>10</SUP>, facto este potenciado  igualmente pelo envelhecimento demográfico das sociedades contemporâneas.</P>     <P>No entanto, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é necessário ir  mais além, considerando que as políticas adotadas não terão qualquer eficácia se  não forem efetivamente aplicadas, reconhecendo ainda a inexistência, na maioria  dos ordenamentos jurídicos, de um quadro legal próprio, adequado à proteção da  pessoa idosa vítima de maus tratos e violência<SUP>11</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>12</SUP>.</P>     <P>Na análise dos principais documentos emanados sobre o fenómeno da violência  pelos organismos internacionais, como sejam a OMS e a Organização das Nações  Unidas (ONU), identifica-se um primeiro problema: a ausência de uma matriz  conceptual clara entre as diferentes terminologias utilizadas, i.e.  violência/abuso/maus tratos. Esta heterogeneidade conceptual tem consequências  inevitáveis na forma como se avalia e se medem as diferentes formas de  violência, pelo que é importante procurar um quadro conceptual que permita  agregar consensos, tal como referem Paul e Larion ao afirmarem <I>«Es  imprescindible establecer acuerdos sobre la definición precisa del concepto de  malos tratos a los ancianos, sobre los límites del mismo y sobre las tipologías  en las que se concreta. […] No obstante, cualquier definición de este tipo de  problemas suele tener dificultades derivadas de una cierta vaguedad e  imprecisión que deja poco claros los límites del concepto y suele presentar  problemas de interpretación derivados de relativismos socioculturales y sesgos  de tipo profesional y personal»</I><SUP>10</SUP>. Um segundo problema detetável,  à partida, nesta área, refere-se à ausência de uma operacionalização da  tipificação criminal prevista na lei, havendo necessidade de «traduzir» os  crimes tipificados em condutas, de modo a agilizar a conformidade entre a lei  portuguesa e os resultados obtidos através da investigação sociológica e/ou  epidemiológica que se realiza no terreno.</P>     <P>Sendo certo que a penalização em sede criminal da violência familiar se  revela dissuasora e sancionatória, a verdade é que tal não impede que as pessoas  idosas vítimas de violência sofram muitas vezes danos graves sem os  denunciarem<SUP>10</SUP>, o que, <I>per si</I>, justifica uma análise mais  aprofundada daqueles dispositivos jurídico-penais, no âmbito do presente  artigo.</P>     <P>Face aos problemas descritos, este artigo visará, numa primeira parte, de  natureza teórica, identificar e analisar de forma crítica a terminologia em  conflito, no sentido de clarificar e, numa segunda parte, proceder a uma análise  de soluções normativas adotadas em outros ordenamentos jurídicos para as  situações de violência <I>sub judice</I>, de forma a podermos, em Portugal,  conhecer e ponderar a adoção de respostas legais que melhor acautelam os  direitos e interesses das pessoas idosas vitimas de violência em contexto  familiar.</P>     <P>Considerou-se ser fundamental, numa terceira parte de natureza mais  pragmática, propor uma matriz analítica que permita fazer a correspondência  entre os crimes tipificados na lei portuguesa e os conceitos operatórios  utilizados pela literatura especializada nesta área. Pretende-se construir um  modelo de análise que permita «medir» as condutas que irão ser alvo de avaliação  num estudo de prevalência a desenvolver no âmbito do projeto de investigação  financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia<sup><a href="#a">a</a></sup><a name="topa"></a>, denominado  «Envelhecimento e Violência (2011-2014)<sup><a href="#b">b</a></sup><a name="topb"></a>»</P>     <P>Este artigo pretende realizar um desafio de reflexão, ou seja, propor <I>«ex  novo»</I> um quadro operacional que faça corresponder à terminologia adotada na  literatura relativa a condutas de violência a linguagem jurídico-legal dos  crimes tipificados na lei portuguesa relevantes nesta área.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>A questão terminológica: os conceitos de «violência»/«abuso»/«maus  tratos»</B></P>     <P>Tal como mencionado, a primeira necessidade sentida sobre a problemática em  estudo no presente artigo foi a de clarificar a terminologia fundamental a  utilizar no mesmo, de forma a responder a questões como: <I>«De que se fala  quando se usa a expressão violência? O que é o abuso? O que são os maus tratos?  O que significa negligência?»</I></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Numa perspetiva sistemática em que se pretendiam integrar as diversas  abordagens presentes na literatura oriunda de entidades idóneas, recolheu-se  informação nos principais documentos internacionais relativos à temática da  violência contra pessoas idosas, em especial, dos documentos emanados da OMS,  ONU e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura  (UNESCO), entre outras.</P>     <P>Uma primeira incursão nestes textos permitiu-nos verificar a dificuldade na  identificação de uma matriz conceptual clara entre as diferentes terminologias  adotadas. De facto, o uso dos conceitos de «abuso» e «maus tratos» surge de uma  forma quase sinónima, tal como sucede na Declaração de Toronto de 2002, sobre  abuso de pessoas idosas<SUP>11</SUP>, ou no Relatório Mundial sobre Violência e  Saúde, que, nas suas múltiplas traduções, recorre a ambos os termos sem  distinção. Na versão em língua inglesa, o termo utilizado é <I>«elder  abuse»</I><SUP>1</SUP>, tal como se verifica na versão em italiano, que recorre  à expressão <I>«abuso sugli anziani»</I><SUP>13</SUP>. Já as versões em francês  e castelhano recorrem à expressão <I>«maltraitance»</I><SUP>14</SUP> e  <I>«maltrato</I>»<SUP>15</SUP>, como em língua alemã, que adota a expressão  <I>«Misshandlung alter Menschen»</I><SUP>16</SUP>. Nos próximos parágrafos  desenvolvem-se estas ideias em particular para cada um dos conceitos sob  análise.</P>     <P><I>O conceito de <I>«violência»</I></I></P>     <P>Começamos por apresentar os conceitos de violência formulados em 2002 por  organizações internacionais de impacto relevante nesta área, em que a primeira é  a OMS, na qual se define a «violência contra as pessoas idosas» como <I>«um ato  único ou repetido, ou a falta de uma ação apropriada, que ocorre no âmbito de  qualquer relacionamento onde haja uma expectativa de confiança, que cause mal ou  aflição a uma pessoa mais velha»</I><SUP>11</SUP>. Por sua vez, a ONU define  violência, em termos gerais, como <I>«todo o ato de natureza violenta que  acarreta, ou tem o risco de acarretar, um prejuízo físico, sexual, ou  psicológico; que pode implicar ameaças, negligência, exploração,  constrangimento, privação arbitrária da liberdade, tanto no seio da vida pública  como privada»</I><SUP>17</SUP>. Já a definição avançada pela 2.ª Assembleia  Mundial sobre Envelhecimento assemelha-se à adotada pela OMS: <I>«qualquer ato  único ou repetido, ou falta de ação apropriada que ocorra em qualquer relação,  supostamente de confiança, que cause dano ou angústia, a uma pessoa de  idade»</I><SUP>18</SUP>.</P>     <P>As três definições transcritas assentam em pressupostos comuns: <I>um ato ou  conduta</I>, variável de acordo com a sua natureza e tipo, <I>uma relação  interpessoal de confiança</I> e uma <I>consequência</I> que provoca um efeito,  obrigatoriamente traduzido num <I>dano físico e/ou mental</I>.</P>     <P>No Relatório Mundial sobre Violência e Saúde, a violência contra a pessoa  idosa adquire ainda uma maior abrangência quando é definida como <I>«o uso  intencional de força física ou poder, sob a forma de ameaça real, contra si  mesmo, contra outra pessoa, grupo ou comunidade, do qual resulte, ou exista a  probabilidade de resultar, uma lesão física ou psicológica, morte, atraso de  desenvolvimento, ou qualquer forma de prejuízo ou privação»</I><SUP>1</SUP>.  Nesta definição são abrangidos diversos subconceitos para densificar o conceito  principal, tais como o <I>ato de violentar</I>, a <I>veemência</I>, a  <I>irascibilidade</I>, o <I>abuso de força</I>, a <I>tirania</I>, a  <I>opressão</I>, bem como o <I>constrangimento</I> e a <I>coação</I>, não se  contemplando as situações em que não haja intencionalidade no agir. No relatório  aqui referido, a OMS considera ainda como forma de violência a <I>privação</I> e  a <I>negligência</I>, reconhecendo-se a necessidade <I>de desenhar uma  estratégia global para a sua prevenção, na qual foram definidas três grandes  áreas: negligência</I> (isolamento, abandono e exclusão social); <I>violação</I>  (direitos humanos legais e médicos) <I>e a privação</I> (eleição, tomada de  decisões, situação social, gestão económica e de respeito).</P>     <P>No que concerne à natureza dos atos, a OMS, no relatório aqui citado,  identifica quatro formas essenciais de violência: a física, a sexual, a  psicológica e a privação ou negligência. No entanto, no capítulo quinto,  dedicado à violência contra a pessoa idosa, às categorias referidas acresce a  violência financeira ou material, a qual contempla o uso <I>«ilegal e  impróprio»</I> do património da pessoa idosa<SUP>1</SUP>. Deste modo, e apesar  do uso generalizado do conceito de violência no referido relatório, no capítulo  destinado à pessoa idosa, a terminologia usada é o conceito de  <I>abuso</I><SUP>1</SUP>, pelo que se pode concluir essencialmente através da  leitura deste documento que não existe uma uniformidade oficial nos termos  utilizados.</P>     <P>No ponto seguinte, abordaremos o conceito de <I>abuso</I>, o qual, como  veremos, apresenta um significado diverso do conceito de <I>violência</I>.</P>     <P><I>O conceito de «<I>abuso</I>»</I></P>     <P>A problemática em torno dos conceitos em causa não é recente. No que se  refere ao conceito de «abuso», têm sido realizadas tentativas no sentido de se  encontrar uma definição capaz de agregar consensos, como a apresentada por  Loughlin e Duggan, em 1998, centrada em três ordens de definições a partir do  âmbito em que a temática é tratada: <I>legal definitions</I>, no âmbito de  processos de tomada de decisão em entidades de natureza pública;  <I>case-management</I>, nos processos associados à prestação de cuidados de  saúde, e por fim as definições para efeitos de investigação<SUP>19</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O termo «abuso de pessoa idosa», genericamente designado na literatura  internacional como <I>«elder abuse»</I> ou <I>«mistreatment</I>», encontra-se  definido no Relatório Mundial sobre Violência e Saúde, como a <I>«ação ou  omissão, intencional ou não, da qual resulta sofrimento desnecessário, lesão,  dor, a perda ou a violação dos direitos humanos, e consequentemente uma  diminuição da qualidade de vida do idoso</I>»<SUP>1</SUP>. Evidenciando-se aqui  uma primeira diferença face ao conceito de violência, diferença essa que se  traduz na admissibilidade de ausência de intenção.</P>     <P>De igual modo, o abuso poderá também revestir uma natureza multifacetada,  abrangendo diversos âmbitos: físico, sexual, psicológico ou financeiro, podendo  a intencionalidade subjacente ser mais ou menos consciente, desde que seja causa  suficiente e adequada para provocar danos temporários ou permanentes à pessoa  idosa vítima da conduta em questão. Já em 1995, a organização não governamental  inglesa <I>«Action on Elder Abuse»</I> sintetizava a noção de abuso contra  pessoa idosa como sendo o <I>«ato ou a repetição de atos, bem como omissão de  atuação adequada, nas situações em havendo uma relação de confiança, esta é  defraudada, daí decorrendo dano ou sofrimento para a pessoa idosa»</I>, os quais  se concretizam numa atuação que pode consubstanciar uma atuação de natureza  física, psicológica, financeira ou material<SUP>1</SUP>.</P>     <P>Uma outra similitude com o conceito de violência decorre das diversas formas  que o conceito de <I>abuso</I> pode também tomar, reconhecendo-lhe a OMS cinco  grandes categorias, em tudo idênticas às enunciadas no âmbito do conceito de  violência<SUP>1</SUP>, a saber: o abuso físico, psicológico ou emocional, o  abuso financeiro ou material, o abuso sexual e a negligência<SUP>11</SUP>.  Categorização esta que é igualmente adotada pela generalidade dos países  participantes no projeto <I>«The European Reference Framework Online for the  Prevention of Elder Abuse and Neglect Project»</I> (EUROPEAN)<SUP>20</SUP>.</P>     <P>Resta-nos abordar em seguida o conceito de <I>«maus tratos»</I>, o qual é  igualmente utilizado em sinonímia com os termos <I>«violência»</I> e  <I>«abuso»</I>.</P>     <P><I>O conceito de <I>«maus tratos»</I></I></P>     <P>Referimos anteriormente que, na definição apresentada pela OMS, os conceitos  de <I>violência</I> e de <I>abuso</I> se confundem, apresentando fronteiras  conceptuais de distinção tão ténue que se tornam difíceis de distinguir e de  gerar consensos. Idêntico problema se verifica quando falamos do conceito de  <I>«maus tratos</I>» ou <I>«mistreatment</I>», o qual surge associado ao termo  anglo-saxónico <I>«elder abuse</I>».</P>     <P>Como ilustração desta afirmação, basta ler na Declaração de Toronto de 2002,  a definição da OMS de «maus tratos a pessoas idosas», a qual é praticamente  sobreponível à própria definição que a mesma organização internacional faz de  «violência», i.e. <I>«qualquer ato isolado ou repetido, ou a ausência de ação  apropriada, que ocorre em qualquer relacionamento em que haja uma expectativa de  confiança, e que cause dano, ou incomodo a uma pessoa idosa. Estes atos podem  ser de vários tipos: físico, psicológico/emocional, sexual, financeiro ou,  simplesmente, refletir atos de negligência intencional, ou por  omissão»</I><SUP>11</SUP>.</P>     <P>No que se refere às diversas formas que o conceito de <I>«maus tratos</I>»  pode tomar, verificamos que são, uma vez mais, em tudo idênticas aos conceitos  de <I>«violência»</I>e de <I>«abuso»</I>, sendo que, ao incorporar o conjunto de  ações ou comportamentos que, uma vez infligidos a outrem, colocam em perigo a  saúde ou integridade física deste, admite tanto a forma física como psicológica.  Deste modo, por <I>«maus tratos físicos»</I>, entendem-se aqueles que afetam a  integridade física, tal como se verifica na violência ou abuso físico, os quais  abrangem as situações em que é «infligida dor ou lesão, coação física, ou  domínio induzido pela força ou por drogas»<SUP>1</SUP>, enquanto os «maus tratos  psíquicos» incluem as condutas que afetam a autoestima e as competências  sociais, potenciadoras de angústia mental<SUP>1</SUP>.</P>     <P>Traço comum à generalidade dos conceitos aqui analisados, é a necessidade de  proteção de alguém que se encontra numa situação de vulnerabilidade, fragilidade  ou dependência face a outrem, a quem incumbe o cuidado de zelar pela sua saúde,  bem-estar e integridade, mas cujo comportamento se apresenta, pelo contrário,  violento ou abusivo, causador de sofrimento e danos físico ou psíquicos.</P>     <P>As ténues fronteiras conceptuais entre violência, abuso e maus tratos geram  uma incerteza relativamente à existência de uma opção única quanto ao conceito a  utilizar. A este facto acresce um segundo problema que diz respeito a saber como  utilizar de forma correta os conceitos emanados pelos organismos internacionais  nos estudos de investigação epidemiológica e/ou sociológica a desenvolver em  cada país. Para além disso, existem especificidades culturais que não podem ser  ignoradas, tais como os ordenamentos jurídicos próprios de cada país, o que  torna mais complexa a análise e tem consequências em termos de comparabilidade  dos resultados. As especificidades do contexto cultural também moldam as  condutas de violência, devendo ser acauteladas no enquadramento normativo e  jurídico-legal de cada país. Esse facto levanta um novo problema, pois, quando  se analisam os fenómenos de violência, há que «operacionalizar» tais crimes,  traduzindo-os em condutas, de modo a criar uma correspondência terminológica que  permita realizar a investigação sem desfasamentos «semânticos», seja esta de  natureza epidemiológica ou sociológica.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Idêntica preocupação metodológica é seguida por Robert Cario, o qual recorre,  no entanto, ao termo «vitimização» para expressar de forma genérica as condutas  violentas das quais a pessoa idosa é vítima<SUP>21</SUP>. Estas condutas são  abordadas pelo autor a partir das diferentes terminologias do conceito de  «abuso», dispostas em cinco grandes categorias: abuso físico, psicológico ou  emocional, financeiro ou material, sexual e a negligência<SUP>21</SUP>.</P>     <P>É importante referir, no entanto, que a tipificação das condutas que se irão  apresentar neste artigo tem como base a tipologia proposta por  Pillemer<SUP>22</SUP>.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Proteção da jurídica da pessoa idosa</B></P>     <P>A Constituição da República Portuguesa (CRP) salvaguarda o reconhecimento da  dignidade da pessoa humana no seu artigo 1.°, bem como o direito à integridade  moral e física no artigo 25.°, direito este que se revela independentemente das  especiais circunstâncias de cada indivíduo. Para além destes direitos, é ainda  neste normativo que se encontram salvaguardados outros direitos fundamentais,  como sejam a proteção do direito à identidade pessoal, ao desenvolvimento da  personalidade, à capacidade, ao bom nome, à reserva da vida privada e familiar,  ou a proteção contra quaisquer formas de discriminação<SUP>23</SUP>. Idênticos  princípios encontram previsão na Constituição Espanhola, também aqui no âmbito  dos consagrados <I>«derechos y deberes fundamentales»</I><SUP>24</SUP> ou na  Constituição Italiana, tanto no âmbito dos <I>«principios fundamentales»</I>,  como das <I>«relaciones civiles»</I> e das <I>«relaciones  ético-sociales»</I><SUP>25</SUP>, apenas para referir alguns exemplos.</P>     <P>No que se refere especificamente à pessoa idosa, o artigo 72.° da CRP, sob a  epígrafe «terceira idade», determina que as «pessoas idosas têm direito à  segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário  que respeitem a sua autonomia pessoal e evitem e superem o isolamento ou a  marginalização social», bem como o direito à realização pessoal e a uma  participação ativa na vida da comunidade<SUP>23</SUP>.</P>     <P>Para além deste preceito, não se encontra, no ordenamento vigente, um quadro  específico de proteção à pessoa idosa, em especial àqueles que se encontram numa  situação de maior vulnerabilidade, conforme salientado no trabalho de Sandra  Rodrigues<SUP>26</SUP>. Existem alguns exemplos de iniciativas dispersas, como  no Plano Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas<SUP>27</SUP> ou a Rede de  Cuidados Continuados Integrados<SUP>28</SUP>, bem como preceitos de natureza  geral que acautelam a proteção de «pessoas especialmente vulneráveis em razão da  idade», sendo esta solução normativa adotada na generalidade dos ordenamentos  jurídicos aqui considerados, como veremos.</P>     <P><I>A proteção da vulnerabilidade e as obrigações familiares</I></P>     <P>O conceito de pessoa idosa não é unânime, em especial no que se refere ao  limite etário mínimo a partir do qual se considera que alguém passa a ser  incluído neste grupo. A OMS, relativamente ao conceito de velhice, considera que  esta reflete a fase da vida em que os indivíduos, face ao declínio físico em que  se encontram, já não conseguem desempenhar de forma independente as atividades  necessárias à sua vida familiar e de trabalho<SUP>1</SUP>.</P>     <P>Já a ONU, preconiza que o limite etário mínimo, quando nos referimos ao  conceito de pessoa idosa, deverá ser os 60 anos, por entender que este é aquele  que melhor espelha a realidade verificada num maior número de países,  nomeadamente no continente africano<SUP>17</SUP>. Ainda que esta opção não seja  consensual, a categoria dos idosos surge, numa perspetiva demográfica, como  aquela em que se incluem todos aqueles que possuem 65 ou mais anos, idade  associada socialmente à idade da reforma.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Este grupo etário tem vindo a aumentar de forma significativa na generalidade  dos países e na Europa em particular. Em Portugal, a população idosa residente  estimada em 2009 representava cerca de 17,9% da população portuguesa. Entre 2004  e 2009, a proporção de jovens decresceu de 15,6 para 15,2% da população  residente total, constatando-se um aumento da categoria das pessoas idosas de  17,0 para 17,9%<SUP>29</SUP>. De acordo com as projeções demográficas do  Instituto Nacional de Estatística (INE), até 2060, a percentagem de população  jovem no total da população diminuirá para 11,9%, aumentando a proporção de  idosas para 32,3%<SUP>29</SUP>.</P>     <P>Deste modo, a proteção da vulnerabilidade é hoje uma preocupação central nas  sociedades atuais, seja pela necessidade de adaptar as sociedades às  necessidades próprias deste grupo etário, como sejam as doenças crónicas  associadas à idade, ou outras de natureza social e cultural.</P>     <P>Neste sentido, alguns ordenamentos jurídicos incorporam atualmente regimes de  proteção da vulnerabilidade da pessoa idosa, como sucede no Brasil, onde, em  2003, a Lei n.° 10.471/2003 aprovou o Estatuto do Idoso<SUP>30</SUP>. Este  normativo, a par com a Lei n.° 8.842/94, de 4 de janeiro<SUP>31</SUP>, permitiu  criar um quadro referencial e normativo específico para a pessoa idosa, que  salvaguarda e procura garantir os seus direitos sociais, a sua autonomia, a sua  integração e participação, e que acautela os princípios da dignidade e qualidade  de vida subjacentes, que decorrem, aliás, do próprio preceito constitucional  brasileiro, o qual, no seu artigo 230.°, determina que a <I>«família, a  sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua  participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e  garantindo-lhes o direito à vida»</I><SUP>32</SUP>. Princípio este que se  encontra reforçado pelo artigo 229.°, no qual se consagra a reciprocidade das  relações familiares ao determinar que <I>«os pais têm o dever de assistir, criar  e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar  os pais na velhice, carência ou enfermidade»</I><SUP>32</SUP>.</P>     <P>Este facto remete para o significado jurídico das obrigações familiares,  contempladas no âmbito do direito civil. A lei prevê que as obrigações  familiares se estendam até à família alargada. O sentido da solidariedade  familiar traduz-se, como refere Paula Gil, nestes países, quer na perspetiva dos  cuidados, quer do ponto de vista económico<SUP>33</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>34</SUP>. É o caso de Portugal, onde o Código Civil prevê a obrigação  de alimentos, salvaguardando os direitos das pessoas idosas<SUP>35</SUP>. Esta  obrigação alimentar assenta no pressuposto de que existe um vínculo familiar e,  por isso, uma obrigação que se rege pelas normas da solidariedade familiar,  entendendo-se por pensão de alimentos <I>«tudo o que é indispensável ao  sustento, habitação e vestuário»</I><SUP>36</SUP>, traduzindo-se, na quase  generalidade das situações, em prestações pecuniárias mensais.</P>     <P>No que se refere aos indivíduos sobre os quais recai esta obrigação, o artigo  2009.°, no seu n.° 1, define as pessoas que estão vinculadas à obrigação de  prestação de alimentos: <I>«o cônjuge ou ex-cônjuge; os descendentes; os  ascendentes; os irmãos; os tios; durante a menoridade do alimentado; o padrasto  e a madrasta, relativamente a enteados menores que estejam, ou estivessem no  momento da morte do cônjuge, a cargo deste»</I><SUP>35</SUP>. No ordenamento  jurídico português, o não cumprimento desta obrigação encontra previsão nos  termos do artigo 250.° do Código Penal<SUP>37</SUP>. Também o Código Civil  italiano contempla preceitos de idêntica natureza, como decorre do disposto nos  artigos 315.°, 324.° e 433.°<SUP>37</SUP>.</P>     <P>A opção legislativa aqui enunciada espelha aquele que é o espectro normativo  europeu, presente no artigo 25.° da Carta dos Direitos Fundamentais da União  Europeia, e que consagra expressamente o direito das pessoas idosas a uma  existência condigna, bem como onera os Estados-Membros na sua  prossecução<SUP>39</SUP>, ónus este que se reflete nas soluções normativas  adotadas em alguns dos ordenamentos jurídicos vigentes.</P>     <P>Também em Espanha se verifica a consagração normativa do dever de cuidar  enquanto responsabilidade dos filhos face a progenitores em situação de  necessidade, nomeadamente por força do estatuído nos artigos 143.° e 144.° do  Código Civil espanhol, nos quais se adota uma solução normativa idêntica à  vigente entre nós<SUP>40</SUP>. Para além destes preceitos, é igualmente  possível encontrar outras iniciativas legislativas destinadas a proteger e  salvaguardar as situações de vulnerabilidade, em especial aquelas em que a  pessoa idosa se encontra numa situação de dependência, como resulta do regime  decorrente da entrada em vigor da <I>Ley n.° 39/2006, de 14 de Diciembre</I>,  que veio adotar o regime jurídico da <I>«promoción de la autonomía personal y  atención a las personas en situación de dependencia»</I><SUP>41</SUP>.</P>     <P>Também em Portugal a dependência, entendida como a ausência de autonomia face  aos atos necessários à satisfação das necessidades básicas da vida  quotidiana<SUP>41</SUP><SUP>, </SUP><SUP>42</SUP>, está protegida através do  complemento por dependência, atribuído a pensionistas dos regimes de segurança  social que se encontrem em situação de dependência<sup><a href="#c">c</a></sup><a name="topc"></a><SUP>42</SUP>.</P>     <P>De entre os países com um quadro normativo especifico de proteção da pessoa  idosa, destaca-se o Canadá, no qual existe um conjunto significativo de diplomas  cujo escopo é a proteção da pessoa idosa nas suas diferentes dimensões, os quais  podem ser agrupados, de acordo com a <I>Canadian Network for the Prevention of  Elder Abuse</I> (CNPEA), em quatro tipologias: <I>«family violence laws»,  «criminal law», «adult protection laws»</I> e <I>«adult guardianship laws»</I>.  Os regimes ínsitos no grupo <I>«family violence laws»</I> destinam-se a proteger  o bem-estar e a integridade física da pessoa idosa, num claro alargar do regime  jurídico inicial (violência doméstica), como forma de acautelar um certo sentido  de coerência entre a norma vigente e as condutas verificadas. Já a sanção de  condutas suscetíveis de jurisdição penal, são abrangidas pela <I>«criminal  law»</I>. Os dois restantes grupos de normativos (<I>«adult protection laws»¸e  «adult guardianship laws»</I>) destinam-se a proteger as pessoas idosas de  abusos e maus tratos, onerando os serviços sociais e de saúde com a  responsabilidade de assegurar e de encontrar as respostas mais adequadas, mais  do que sancionar o agressor, tal como sucede no âmbito do ordenamento  penal<SUP>43</SUP>.</P>     <P><I>A proteção da vulnerabilidade da pessoa idosa</I></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A cautela normativa de consagrar um regime civilístico adequado à salvaguarda  da pessoa idosa não encontra eco na generalidade dos ordenamentos penais, em que  a proteção da pessoa idosa vítima de violência, em contexto familiar, se  encontra explanada tanto nos regimes jurídico-penais gerais, como nos regimes de  proteção face à violência doméstica.</P>     <P>No caso português, como na generalidade dos ordenamentos jurídicos europeus,  a proteção da pessoa idosa, ainda que não apresentando um quadro normativo  específico<SUP>20</SUP>, encontra-se salvaguardada no âmbito do conceito de  «pessoa particularmente indefesa em razão da idade», conceito este cujo escopo  visa a proteção de situações de evidente fragilidade, vulnerabilidade ou  desamparo do individuo a proteger.</P>     <P>De facto, se atendermos ao preceito penal português, é possível encontrar nas  normas relativas ao agravamento de condutas tipificadas<SUP>37</SUP>, a  expressão <I>«pessoa particularmente indefesa em razão da idade»</I>. Ainda que  não se trate de uma ressalva exclusiva para as pessoas idosas, considerando  nomeadamente que neste âmbito se enquadram igualmente os menores, a verdade é  que nesta sede, tal como no IV Plano Nacional Contra a Violência  Doméstica<SUP>44</SUP>, esta referência sugere uma especial proteção da  vulnerabilidade daqueles que têm 60 ou mais anos.</P>     <P>De igual modo, a Lei n.° 112/2009, de 16 de setembro, que veio aprovar o  regime jurídico da prevenção da violência doméstica e da proteção e assistência  das suas vítimas, prevê, na alínea b) do seu artigo 2.°, as <I>«vítimas  especialmente vulneráveis»</I><SUP>45</SUP>, o que nos leva a concluir que, para  o legislador português, a idade avançada ou diminuta carece de igual tutela  normativa, por ser condição suficiente para o requisito de especial  vulnerabilidade e fragilidade, essas sim, especialmente protegidas à luz  daqueles preceitos, como veremos de seguida no âmbito do quadro criminal.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>A proteção jurídica da pessoa idosa vítima de violência</B></P>     <P><I>Breve análise de contributos normativos</I></P>     <P>Não obstante um reconhecimento crescente da necessidade de proteção da pessoa  idosa em situação de vulnerabilidade, da qual resultou a sua inclusão no âmbito  dos objetivos específicos da Lei n.° 38/2009, de 20 de julho<SUP>46</SUP>, a  verdade é que este reconhecimento não se traduziu, até ao momento, na adoção de  instrumentos jurídicos específicos.</P>     <P>Consideremos as diferentes formas que o fenómeno de violência contra pessoas  idosas assume, sem nos determos ainda na concretização das condutas enunciadas  pela diferente literatura especializada, e verificamos que, na sua generalidade,  a censurabilidade associada encontra previsão na norma penal geral, o que  poderá, <I>per si</I>, justificar a ausência de um enquadramento normativo  próprio para a proteção da pessoa idosa vítima de violência doméstica na  generalidade dos países<SUP>20</SUP>. Neste sentido, o esforço legislativo  realizado tem sido no sentido de fazer aprovar regimes específicos de proteção  às vítimas de violência doméstica, nos quais se incluem as mulheres e as pessoas  com <I>particular vulnerabilidade em razão da idade</I>, inserindo-se aqui, tal  como referido <I>infra</I>, as pessoas idosas<SUP>44</SUP>. Podemos então  inferir que o processo de reconhecimento da necessidade de proteção deste grupo  etário se faz entre nós a partir de uma apropriação da regra de proteção às  mulheres vítimas de violência doméstica. Como resulta da análise dos diferentes  documentos, podemos afirmar que idêntico processo veio a ocorrer ou está em  curso na generalidade dos países, em especial na Europa.</P>     <P>Vejamos a realidade espanhola, onde, como referido anteriormente, se veio a  promulgar um quadro normativo próprio para a salvaguarda das situações de  dependência. De facto, tal como afirma Juan Muñoz Tortosa, e no que se refere à  previsão de uma eventual tutela específica, esta decorre de uma extrapolação dos  textos legais de proteção às mulheres e aos menores<SUP>6</SUP>. Consideremos, a  título de exemplo, a <I>Ley Orgánica 1/2004, de 278 de Diciembre</I>, que veio a  dotar as medidas de <I>«protección integral contra la violencia de género»</I>,  visando a adoção e implementação de mecanismos e instrumentos aptos a proteger  as mulheres vítimas deste tipo de violência<SUP>47</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Também no Reino Unido se verifica, numa primeira análise realizada através do  repositório de legislação disponibilizado pelo governo inglês  (lesgislation.gov.uk), que a censurabilidade das situações de violência contra  pessoas idosas se encontra intimamente relacionada com os crimes de violência de  género e doméstica, bem como a regimes de proteção de menores, em especial no  âmbito do <I>«Family Law Act»</I> de 1996<SUP>48</SUP>.</P>     <P>Nos termos deste normativo, no qual se refere expressamente <I>«causing or  allowing the death of a child or a vulnerable adult»</I>, a proteção da pessoa  idosa resulta de um constructo normativo, do qual se fazem apelo a regimes tão  díspares como a proteção da saúde mental<SUP>49</SUP>, o direito da  família<SUP>48</SUP> ou a violência doméstica, esta última através da previsão e  sanção das diferentes formas de violência ocorridas no seio da família, onde se  inserem as agressões a pessoas idosas por familiares, como veio a acontecer em  2004, com a entrada em vigor do <I>«Domestic Violence, Crime and Victims  Act»</I><SUP>50</SUP>.</P>     <P>É, uma vez mais, da conjugação de preceitos de natureza  penal<SUP>51</SUP><SUP>, </SUP><SUP>52</SUP> e de proteção dos direitos  humanos<SUP>53</SUP><SUP>, </SUP><SUP>54</SUP> que surge a proteção da pessoa  idosa, decorrendo do texto do <I>«Family Law Act»</I> a clarificação do conceito  de <I>«vulnerabel adult»</I>, no qual se compreendem todos os indivíduos, com 16  ou mais anos, cuja capacidade de se proteger e salvaguardar de situações de  violência, abuso ou negligência, se encontra prejudicada por doença, deficiência  física ou mental, velhice ou qualquer outra forma<SUP>48</SUP>, sendo a solução  normativa adotada igualmente no sentido de proteger a vulnerabilidade e  fragilidade enquanto circunstâncias especiais que exigem tutela jurídica.</P>     <P>Traço comum dos ordenamentos aqui considerados, a ausência de uma  sistematização específica, consagrada em regime jurídico próprio<SUP>55</SUP>.  Já no que se refere ao ordenamento jurídico francês, afigura-se pertinente  destacar o papel conferido à proteção da vulnerabilidade no âmbito do seu  direito penal. Uma vez mais, o requisito <I>«particulière vulnérabilité due à  son age»</I>, encontra-se presente, sendo nesta sede que se inserem as pessoas  idosas, e não no âmbito de um regime de tutela específico de proteção desta  faixa etária, como refere Veron <I>«le code penal n’envisage pas les personnes  âgées comme une catégorie qu’il convient tout particulièrement de proteger,  comme une catégorie spécifique»</I><SUP>56</SUP>, tal como sucede nos  ordenamentos jurídicos anteriores.</P>     <P>Este requisito de vulnerabilidade surge então no direito penal francês com  uma dupla finalidade, o que, de certa forma, representa uma solução normativa  distinta das anteriormente referidas, tanto como circunstância agravante, como  elemento constitutivo de um crime específico<SUP>57</SUP>, o qual se torna  especialmente punido em atenção à qualidade da vítima, como sucede, a título de  exemplo, com o regime decorrente do artigo 223-3 do Código Penal francês,  relativo ao crime de abandono, <I>«Du délaissement d’une personne hors d’état de  se protéger»</I><SUP>58</SUP>, e cujo tipo não se preenche com a simples  negligência, antes exige um ato voluntário por parte de alguém que conhece a  vítima e a sua incapacidade para se proteger<SUP>56</SUP>. Idêntico preceito  encontra consagração no artigo 138.° do texto penal português<SUP>37</SUP>, como  veremos no âmbito da análise das condutas em estudo.</P>     <P>Quanto às circunstâncias de agravamento, a vulnerabilidade surge como um  requisito face a uma conduta condenável <I>per si.</I> Como refere Veron, aqui  não se trata de sancionar a simples negligência, antes refere que estamos na  presença de atos voluntários, cometidos por um agente conhecedor das  circunstâncias em que a vítima se encontra<SUP>56</SUP>. Isso mesmo decorre dos  parágrafos do artigo 222-3 do referido código, em especial dos parágrafos 2.° e  3.°, os quais determinam <I>«Sur une personne dont la particulière  vulnérabilité, due à son âge, à une maladie, à une infirmité, à une déficience  physique ou psychique ou à un état de grossesse, est apparente ou connue de son  auteur; 3.° Sur un ascendant légitime ou naturel ou sur les père ou mère  adoptifs»</I>. Verificadas as circunstâncias aqui referidas, a sanção não será  de 15 anos, nos termos do artigo 222-1, mas de 20 anos<SUP>58</SUP>.</P>     <P>Ainda nesta sede, importa referir que, para além dos crimes contra a pessoa,  o Código Penal francês considera igualmente o requisito de <I>«particulière  vulnérabilité»</I> para agravar as sanções a aplicar aos crimes contra o  património destes indivíduos<SUP>58</SUP>.</P>     <P>Para além desta especificidade, também neste âmbito se considera que o quadro  normativo oferece as necessárias medidas de proteção, ainda que não contemple,  como já referido anteriormente, uma tutela específica. De forma distinta, o  quadro normativo canadiano. De facto, no direito criminal canadiano, ainda que  existam soluções normativas diferentes de província para província, como refere  a CNPEA, tem vindo a ser desenvolvido um esforço nacional, no sentido de melhor  adaptar o quadro legal ao fenómeno da violência contra as pessoas idosas,  nomeadamente no que se refere à necessidade de identificar barreiras e soluções  para a sua implementação.</P>     <P>De entre os principais obstáculos encontrados para uma efetiva implementação  da legislação de proteção à pessoa idosa, a CNPEA identifica um conjunto de  situações, como seja a reduzida preparação ou formação dos diferentes  profissionais envolvidos, tanto no que se refere à identificação de situações de  violência contra pessoas idosas, como nas técnicas de intervenção, recolha de  informação e registo. A estas acresce um enquadramento normativo ainda pouco  vocacionado para lidar com este tipo de vítimas, bem como com as suas  necessidades, seja ao nível dos serviços, dos tribunais e dos próprios  profissionais, como dos advogados, verificando-se uma tendência para considerar  que estas situações se tratam de problemas do setor da saúde. Ainda segundo a  informação disponibilizada pela CNPEA, verifica-se um desconhecimento ao nível  da generalidade da comunidade, no que se refere ao impacto que o abuso  representa na vida destes indivíduos<SUP>59</SUP>.</P>     <P>O esforço legislativo realizado neste país e a importância que esta  problemática assume encontram-se espelhados em diversos planos e programas  provinciais e nacionais de proteção e combate ao fenómeno de violência contra  pessoas idosas, bem como em opções estratégicas nacionais<SUP>60</SUP>, e  iniciativas legislativas, tanto de âmbito criminal, como assistencial, já aqui  enunciadas.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Verifica-se, com base no enunciado nesta secção, que, apesar do  reconhecimento da importância dos fenómenos de violência contra pessoas idosas,  estas não possuem um quadro normativo especifico, antes se verifica a sua  inclusão no âmbito dos regimes jurídicos de proteção da violência doméstica e  dos maus tratos, que abordaremos nos parágrafos seguintes.</P>     <P><I>Nota sobre o regime da violência doméstica e dos maus tratos contra pessoa  idosa</I></P>     <P>Em Portugal, as sucessivas revisões da norma penal vieram a consagrar a opção  internacionalmente adotada de autonomização dos crimes de violência doméstica e  de maus tratos. Neste sentido, é do texto dos artigos 152.° e 152.°-A que  decorrem os requisitos e tipificação dos referidos crimes<SUP>37</SUP>.</P>     <P>A tipificação destas condutas, surgida na reforma penal de 1982, resulta da  inclusão do crime de violência doméstica no quadro jurídico-penal português.  Posteriormente, veio esse mesmo regime a ser alargado às situações de maus  tratos parentais, nomeadamente através da entrada em vigor da Lei n.° 7/2000, de  27 de maio<SUP>61</SUP>.</P>     <P>Foi apenas aquando da reforma do Código Penal de 2007 que se vieram a separar  os regimes dos crimes de violência doméstica e maus tratos, como refere Moreira  das Neves: <I>«Na reforma de 2007, o legislador procedeu a uma separação de  matérias que até então estavam sob a mesma epígrafe, tendo deixado no novo  artigo 152.°, agora epigrafado de «violência doméstica» (…) o crime de  maus-tratos sobre o cônjuge ou pessoa com que se mantenha relação análoga, ainda  que sem coabitação, a progenitor de descendente comum e às pessoa  particularmente indefesas com quem se coabite»</I>. Mais refere este magistrado,  em particular no que se refere ao crime de maus tratos, que este abrange <I>«as  demais condutas relativas a menores e pessoas particularmente  indefesas»</I><SUP>62</SUP>, como resulta, aliás, do texto do artigo  152.°-A<SUP>37</SUP>.</P>     <P>Entre as condutas aqui referidas, encontram-se aquelas que se traduzem numa  prática reiterada, e de continuidade, desde que apresentando uma gravidade  significativa, sendo exigível mais do que os maus tratos leves  isolados<SUP>63</SUP>. Quer isto dizer que, caso a conduta assuma uma especial  gravidade, onerada tanto pela especial relação existente entre o agressor e a  vítima, como pelo resultado, a mesma será tratada à luz do preceito em  causa.</P>     <P>No caso do crime de violência doméstica, a alteração à norma veio afastar a  obrigatoriedade da verificação da coabitação como elemento <I>sine qua non</I>  da tipificação, desde que se verifique a existência de uma das situações  descritas nas alíneas do n.° 1 do artigo 152.° do Código Penal<SUP>37</SUP>. No  que se refere ao crime de violência <I>«en el ámbito familiar»</I>, o preceito  espanhol, cuja conduta se encontra tipificada no artigo 153.°, ainda que  tratando a questão da violência de género, inclui, face à alteração normativa de  1995, a expressão <I>«o persona especialmente vulnerable que conviva con el  autor»</I>, encontrando-se deste modo a pessoa idosa em igualdade de tratamento  face às mulheres vítimas de violência doméstica, as quais se encontram em  situação de especial vulnerabilidade<SUP>64</SUP>.</P>     <P>Tal como sucedeu em Portugal, o crime de violência doméstica traduz-se numa  conduta em construção, que tem vindo a evoluir através das sucessivas alterações  legislativas. De acordo com Virginia Mayordomo, apenas após a aprovação da Ley  Orgánica 11/2003, de 29 de Septiembre, que aprova as <I>«medidas concretas en  materia de seguridad ciudadana, violencia doméstica e integración social de los  extranjeros»</I><SUP>65</SUP>, contempla-se a violência psíquica habitual como  conduta a sancionar»<SUP>66</SUP>. Um outro aspeto comum entre ambos os  ordenamentos, a exigência de que entre a vítima e o agressor exista uma relação  familiar e afim prévia. Já a <I>Ley Orgánica 1/2004</I>, que adota as  <I>«medidas de protección integral contra la violencia de  género»</I><SUP>47</SUP>, não contempla uma norma específica para pessoas  idosas, deixando de fora os menores e as pessoas idosas, quando o requisito de  especial vulnerabilidade não se encontre satisfeito. Também no caso inglês, já  aqui enunciado, a violência doméstica apresenta um regime próprio, também ele  composto, nomeadamente, pelos preceitos já aqui enunciados<SUP>48</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>50</SUP>. Opção normativa igualmente adotada por países como a  Áustria, que fez aprovar em 1997 e em 2009 legislação específica de proteção  contra a violência doméstica<SUP>67</SUP><SUP>, </SUP><SUP>68</SUP>, e a  generalidade dos países da região europeia, incluindo os ordenamentos do leste  europeu<SUP>20</SUP>.</P>     <P>No que se refere ao crime de maus tratos, exige o legislador a verificação de  uma especial relação entre as partes conflituantes, em especial quando sob o  agressor impede o ónus de guardar ou cuidar da vítima<SUP>69</SUP>, pelo que  alguns autores referem a especial perversidade subjacente às condutas aqui  tipificadas, as quais integram ofensas físicas e psicológicas, que afetam a  dignidade, a integridade, e até a própria saúde do indivíduo<SUP>70</SUP>,  considerando que o mesmo pressupõe a existência prévia de uma situação de  dependência e fragilidade conhecida pelo agente.</P>     <P>Já no Código Penal espanhol, o artigo 619.° determina <I>«</I>Serán  castigados con la pena de multa de 10 a 20&nbsp;d los que dejaren de prestar  asistencia o, en su caso, el auxilio que las circunstancias requieran a una  persona de edad avanzada o discapacitada que se encuentre desvalida y dependa de  sus cuidados»<SUP>64</SUP>. Preceito este que não encontra identidade no âmbito  do Código Penal português.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Veremos de seguida as condutas identificadas pela literatura à luz das  condutas tipificadas pelos ordenamentos penais.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Proposta de matriz de harmonização de condutas e conceitos</B></P>     <P>A investigação que se encontra na origem do presente artigo contempla a  realização de um inquérito junto da população com 60 e mais anos, no qual as  questões fossem claramente compreendidas por esta e que, simultaneamente, fossem  gerais o suficiente para abarcar condutas violentas que permitissem uma  identificação clara pelos inquiridos.</P>     <P>Esta situação origina, de forma óbvia, a impossibilidade de fazer coincidir  de forma total as condutas identificadas no inquérito com a tipificação dos  crimes que às mesmas se fazem corresponder. Queremos, com esta nota, esclarecer  a razão pela qual se juntam na mesma conduta, dois ou mais crimes cuja  tipificação no Código Penal se apresenta com elementos diversos (por exemplo,  burla e extorsão). Esta simplificação foi necessária para realizar a  correspondência conduta violenta/crime no âmbito da investigação que esteve na  base do presente artigo.</P>     <P>Deste modo, e tendo como ponto de partida o conceito já analisado de  <I>«violência»</I>, procurou-se encontrar uma sistematização das condutas, que  permitisse obter, como produto final, uma correspondência entre as condutas  «violentas» analisadas no projeto de investigação e os crimes tipificados no  Código Penal português. Este exercício baseou-se em cinco grandes grupos de  «violência», idênticos aos propostos pela Organização Mundial de Saúde, i.e., a  «violência física», a «violência psicológica», a «violência sexual», a  «violência financeira» e a «negligência». No que se refere à violência sexual,  que neste artigo se individualiza, é de referir que esta surge em alguns  documentos<SUP>21</SUP> como subcategoria da violência física.</P>     <P>Quanto ao conceito de «negligência» utilizado na <a href="#t1">Tabela 1</a>, é necessário  clarificar que este não é totalmente coincidente com o mesmo termo, na forma  como este é entendido pelo direito português. De facto, a conduta negligente,  tal como é analisada na investigação que dá corpo a este artigo, refere-se à  «negligência» como uma conduta «violenta», sem graduação na  gravidade/intencionalidade do comportamento, tipificada na literatura sobre a  temática dos maus tratos a pessoas idosas, sendo esta a «recusa ou não  cumprimento da obrigação de cuidar que impende sobre alguém que tem outrem a  cargo»<SUP>21</SUP>. Em direito, o conceito de «negligência», sendo uma figura  «clássica» nos Direitos Civil e Penal, refere-se já a uma graduação de elemento  volitivo do comportamento ilícito, identificando-se como «mera culpa», ou seja,  como uma omissão do dever de diligência<SUP>71</SUP> mas numa forma mitigada, em  que o dano (responsabilidade civil/direito civil) ou o crime (direito penal)  tiveram na sua base uma conduta não dolosa (não intencional).</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a06t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>As disposições normativas fundamentais para se apurar o sentido da noção  jurídica de «negligência» no direito criminal são os artigos 13.° a 15.° do  Código Penal. Destes, concluímos que o conceito de negligência neste ramo do  direito se define por contraposição ao conceito de dolo. De facto, no  supramencionado artigo 13.° podemos ler que «só é punível o facto praticado com  dolo ou, nos casos especialmente previstos na lei, com  negligência»<SUP>37</SUP>. O dolo vem, por sua vez, definido no artigo 14.° de  forma tripartida, isto é, como dolo direto («age com dolo quem, representando um  facto que preenche um tipo de crime, atuar com intenção de o realizar», cf. n.°  1 do referido artigo 14.°); dolo necessário («age ainda com dolo quem  representar a realização de um facto que preenche um tipo de crime como  consequência necessária da sua conduta», cf. n.° 2 do mesmo preceito) e dolo  eventual («quando a realização de um facto que preenche um tipo de crime for  representada como consequência possível da conduta, há dolo se o agente atuar  conformando-se com aquela realização», cf. n.° 3 do artigo 14.°). Quanto à  negligência, esta é tratada no artigo 15.° do Código Penal, no qual é definida  no seu n.°1 como a conduta de alguém que não procede «com o cuidado a que,  segundo as circunstâncias, está obrigado e de que é capaz»<SUP>37</SUP>, na  forma consciente se «representar como possível a realização de um facto que  preenche um tipo de crime mas atuar sem se conformar com essa realização»  (artigo 15.°, alínea a) ou inconsciente se «não chegar sequer a representar a  possibilidade de realização do facto» (artigo 15.°, alínea b)<SUP>72</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>No caso português, as expressões «violência física», «violência psicológica»,  «violência sexual», e «violência financeira», resultam de forma clara da  terminologia jurídica vigente. Assim, consideram-se integrantes do conceito de  <I>violência física</I> todos os atos e condutas que causem dano à integridade  física (corpo) e saúde dos indivíduos. Por sua vez, as ameaças e as condutas que  visam a humilhação, a diminuição psicológica, o isolamento e que prejudiquem a  saúde psicológica, a autodeterminação e o desenvolvimento individual  encontram-se inseridas no âmbito da <I>violência psicológica</I><SUP>70</SUP>.  Quanto à <I>violência sexual</I>, esta contempla as ações destinadas a obrigar  alguém a manter contacto sexual com outrem contra a sua vontade, nas suas  diferentes formas, recorrendo à intimidação, ameaça, violência física ou a  qualquer outra ação que diminua ou anule a vontade da pessoa alvo da mesma. Por  último, a <I>violência financeira</I> abrange as situações em que existem  condutas que têm como objetivo a obtenção de um determinado benefício ilegítimo,  de natureza financeira ou patrimonial.</P>     <P>Deve, no entanto, referir-se que estes diversos tipos de violência podem, no  caso do direito português, de acordo com o disposto nos artigos 152.° e 152.°-A  do Código Penal português, ser todos eles considerados como subsumíveis ao  «crime de violência doméstica», ou ao «crime de maus tratos», dependendo esta  diferença na designação apenas da existência (no caso da «violência doméstica»)  ou da não existência (no caso dos «maus tratos») de vínculo parental entre a  vítima e o agente agressor.</P>     <P>Definidas as dimensões da violência, foi possível verifica, um conjunto de  condutas que não encontram eco no âmbito do quadro jurídico-penal vigente entre  nós, e de que é exemplo a <I>apropriação do domicílio.</I> Para estas, ainda que  mantendo a sua identidade autónoma face às condutas tipificadas na lei,  considerou-se a sua inclusão no tipo de violência em que se inserem, como se  sistematiza na <a href="#t1">Tabela 1</a>, na qual se apresenta, de forma simplificada, a matriz  analítica das condutas face à tipificação decorrente do Código Penal, sem que,  no entanto, se proceda a um aprofundar da análise dos regimes, nomeadamente no  que refere ao requisito <I>dolo</I>.</P>     <P>Notas à <a href="#t1">Tabela 1</a>:</P>     <P>Há a destacar, em relação à tabela ora apresentada, as condutas de  <I>apropriação do domicílio</I>, e a <I>não comparticipação indevida nas  despesas domésticas</I> (i.e. quando tal tenha sido acordado e haja capacidade  de o cumprir por parte daquele que não contribui), pois estas condutas, não  obstante estarem identificadas na literatura como formas frequentes de violência  financeira contra pessoas idosas<SUP>22</SUP>, não encontram correspondência  enquanto condutas tipificadas, nem sanção jurídico-penal na generalidade dos  ordenamentos jurídicos considerados, a qual poderá resultar de um não  reconhecimento da sua dignidade penal, face aos bens juridicamente tutelados nas  restantes situações. A ausência de uma reflexão sócio-jurídica face ao tipo de  resposta mais adequada não nos permite inferir <I>ab initio</I>, de tal  opção.</P>     <P>Ainda uma nota relativa à negligência, prevista nos artigos 13.° e 15.° do  Código Penal. De acordo com este preceito, age com negligência aquele que não  atuar com o cuidado a que se encontra obrigado por força as circunstâncias em  que se encontra e de que é capaz, sendo elementos da negligência: a) a violação  do dever objetivo de cuidado (falta de cuidado); b) a previsão ou  previsibilidade do facto ilícito como possível consequência da conduta  (representação ou representabilidade do facto); e c) a não aceitação do  resultado<SUP>37</SUP>.</P>     <P>Consideremos agora os requisitos dos crimes de violência doméstica e de maus  tratos, previstos respetivamente nos artigos 152.° e 152.°-A do Código Penal  vigente, os quais se sistematizam na <a href="#t2">Tabela 2</a>.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a06t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Verificamos, com base na análise dos regimes jurídicos dos crimes de  violência doméstica e maus tratos, respetivamente previstos nos artigos 152.° e  152.°-A do Código Penal português, que os mesmos apresentam similitudes  consideráveis no que se refere aos bens jurídicos em causa<SUP>37</SUP>. De  facto, em ambos os regimes se visa proteger a dignidade, a integridade física e  psíquica, a liberdade, a autodeterminação, a honra da vítima, bem como a  vulnerabilidade e fragilidade<SUP>72</SUP>, como resulta reforçado na  autonomização do crime de violência doméstica, mais recente no nosso ordenamento  jurídico, até então tratado enquanto forma especial do crime de maus tratos.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Elemento distintivo das condutas aqui em confronto, a relação com o agente  agressor e o requisito de coabitação. Se, no crime de violência doméstica, a  ilicitude da conduta é especialmente conferida e agravada pela relação familiar,  parental ou de dependência existente entre a pessoa idosa e o agressor, já no  crime de maus tratos, esta decorre da violação de um dever de cuidar e de guarda  existente e reconhecido enquanto tal, que impende sobre o agressor, tal como  decorre do estatuído no preceito invocado<SUP>37</SUP>. No que se refere às  condutas observadas, as mesmas encontram-se sistematizadas na tabela síntese  seguinte (<a href="#t3">Tabela 3</a>).</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"> <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a06t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>As condutas aqui enunciadas consubstanciam os comportamentos referenciados  pela literatura<SUP>73</SUP><SUP>, </SUP><SUP>74</SUP><SUP>,  </SUP><SUP>75</SUP><SUP>, </SUP><SUP>76</SUP>, como sendo as formas de violência  contra pessoas idosas mais comuns. Foi igualmente possível identificar outras  situações que se inserem em condutas tipificadas no Código Penal, como sejam  situações de abandono (sancionado no âmbito do artigo 138.° do Código Penal), de  não cumprimento da obrigação de alimentos (previsto no artigo 250.°), de  importunação sexual (sancionado nos termos do artigo 170.°), de tratamentos  médico-cirúrgicos sem consentimento da pessoa idosa (previsto nos termos do  artigo 156.°) igualmente referido por Cario<SUP>21</SUP>. Para além destas  situações, mais comuns, são ainda referidas outras que ferem igualmente a esfera  dos direitos da reserva de vida privada da pessoa idosa.</P>     <P>Face a este quadro normativo, verifica-se que, tal como sucede na  generalidade dos ordenamentos jurídicos, as condutas que consubstanciam  situações de violência contra pessoas idosas encontram previsão e proteção nos  preceitos da lei penal geral, encontrando-se as situações de especial  vulnerabilidade em função da idade salvaguardadas por uma tutela de cuidado  idêntica à dos menores, centrando-se a questão da tipificação e sanção das  condutas nas situações identificadas pela literatura e que não têm previsão  legal, como seja a proteção do domicilio e a comparticipação nas despesas. Será  que, <I>per si</I>, a sua identificação justifica um quadro sancionatório  específico?Retomemos o exemplo canadiano, onde têm vindo a ser desenvolvidas  inúmeras iniciativas legislativas e políticas neste âmbito. Face ao trabalho já  realizado naquele país, tanto ao nível da investigação sobre a violência contra  pessoas idosas, como no campo normativo<SUP>59</SUP><SUP>, </SUP><SUP>77</SUP>,  enuncia-se um conjunto de questões a serem ponderadas, nomeadamente, sobre se o  quadro normativo genérico que tutela a generalidade dos indivíduos se afigura  adequado ou não de modo a garantir a proteção das pessoas idosas vítimas de  violência, ou se, antes pelo contrário, o problema requer e exige, como o  garantem os bens jurídicos envolvidos, a adoção de um regime jurídico próprio e  sobre se a adoção de um regime próprio não irá, no limite, criar uma situação de  discriminação daqueles indivíduos.</P>     <P>Para além destas considerações, importa ainda equacionar, como referem  aqueles autores, se, de entre as diversas formas de violência consideradas,  existem algumas que se cinjam, no que se refere às vítimas, a este grupo etário  ou se, pelo contrário, as condutas identificadas são suscetíveis de ocorrer fora  destas situações, o que não justificaria a aprovação de um regime normativo  próprio que acautele a especial condição das pessoas idosas, tal como referem  alguns autores<SUP>10</SUP><SUP>, </SUP><SUP>21</SUP>.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Conclusão</B></P>     <P>Tem sido entendimento da OMS a necessidade de promover mais estudos que  permitam em cada Estado conhecer melhor os fenómenos de violência contra as  pessoas idosas, sua caracterização e prevalência<SUP>8</SUP>, de forma a ser  possível agir ao nível da prevenção<SUP>11</SUP>.</P>     <P>No entanto, é necessário ir mais além, considerando que as políticas adotadas  não terão qualquer eficácia se não forem efetivamente aplicadas, sendo  inexistente, na maioria dos ordenamentos jurídicos, um quadro legal próprio,  adequado a este grupo específico de indivíduos. Sustenta-se ainda a necessidade  de disseminar boas práticas e promover a educação dos profissionais envolvidos e  da comunidade em geral no que se refere aos maus tratos e violência contra as  pessoas idosas<SUP>11</SUP><SUP>, </SUP><SUP>12</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Os diferentes ordenamentos jurídicos analisados reconhecem, no âmbito do seu  direito constitucional, o princípio da salvaguarda da dignidade e dos direitos  das pessoas idosas como um imperativo constitucional. Verifica-se, ainda, que os  ordenamentos civilísticos europeus reconhecem e oneram os descendentes no dever  de cuidar e guardar os seus ascendentes numa fase avançada do seu processo de  vida, por esta se poder caracterizar por uma especial vulnerabilidade e pela  incapacidade de continuar a subsistir de forma autónoma e independente,  nomeadamente no que se refere às atividades de vida diária, como sucede no  âmbito das designadas obrigações de alimentos.</P>     <P>O regime jurídico português não dispõe de um normativo específico de proteção  à pessoa idosa. No entanto, é possível verificar que a generalidade das condutas  identificadas pela literatura, com exceção da apropriação do domicílio e da  comparticipação previamente acordada e não cumprida, nas despesas domésticas, se  encontra prevista no Código Penal português, ou em normas avulsas, como sucede  no caso do regime jurídico de proteção das vítimas de violência doméstica, pelo  que, e como se conclui anteriormente, a maioria das formas de violência está  prevista no Código Penal.</P>     <P>Ainda no que se refere a especificidades resultantes dos estudos já  realizados, é de considerar a necessidade de um maior conhecimento relativamente  às situações de negligência, nomeadamente no que se refere às formas e  consequências, no sentido de equacionar a necessidade ou não de esta vir a ser  considerada, <I>per si</I>, uma conduta suscetível de sanção específica quando  estejam em causa vítimas, pessoas em situação de vulnerabilidade física e/ou  mental.</P>     <P>Considerando os diferentes enquadramentos normativos analisados, podemos  concluir que o regime de proteção da pessoa idosa vítima de violência e maus  tratos se encontra ainda, pelo menos em alguns países da União Europeia, numa  fase inicial de maturação. De facto, a atual proteção jurídica da pessoa idosa  vítima de violência surge associada ao percurso que abrange tanto o  desenvolvimento de regime de prevenção e combate da violência de género como da  proteção de menores, pelo que não será de estranhar que a tutela jurídica da  pessoa idosa surja atualmente no âmbito dos citados regimes jurídicos da  violência doméstica e da proteção de mulheres vítimas de violência.</P>     <P>A violência contra as pessoas idosas é hoje ainda encarada como um assunto  estritamente familiar, diluindo-se na esfera doméstica, como lugar de reserva e  intimidade, tornando-se, por isso, difícil o seu conhecimento e prova. A  dificuldade das próprias vítimas em denunciarem os atos de violência de que são  alvo, pelos próprios familiares, faz com as mesmas sintam culpa pelo laço de  parentesco, silenciando e isolando-se, levando, assim, a que o problema seja  ocultado na esfera familiar<SUP>34</SUP>.</P>     <P>Portugal apresenta um quadro normativo condizente com a tendência  internacional, representando o preceito constitucional e o reconhecimento da  dignidade humana o requisito primeiro, que se consubstancia num quadro penal,  ainda que genérico, com proteção adequada face às condutas identificadas, sendo  possível o seu enquadramento no âmbito dos crimes tipificados no ordenamento  penal, bem como em regimes avulsos, como sucede no âmbito do crime de violência  doméstica.</P>     <P>O momento presente impõe, neste sentido, considerar os estudos já realizados,  bem como a casuística nacional, com vista a atender às especiais características  e necessidades deste grupo de indivíduos, que, até 2050, deverá representar  cerca de 32% da população portuguesa<SUP>78</SUP>. Face aos novos cenários  demográficos que se perspetivam torna-se necessário equacionar a pertinência de  consagrar um regime tutelar especifico para as pessoas idosas, que seja mais  adequado às diferentes formas de vitimação identificadas nos estudos de  prevalência.</P>     <P>Assim, o percurso normativo até hoje realizado reflete a premência de uma  revisão, bem como a progressiva tomada de consciência política e social de que é  necessário intervir face à problemática da violência no espaço familiar.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Bibliografía</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>1. World Health Organization. World Report on Violence and Health.  [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2002 [consultado 12 Abr 2011].  Disponível em: <a href="http://whqlibdoc.who.int/publications/2002/9241545615_eng.pdf" target="_blank">http://whqlibdoc.who.int/publications/2002/9241545615_eng.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0870-9025201200020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>2. Perry I, Violen a public health perspective. Global Crime. 2009;10:4  [consultado 22 Oct 2009]. Disponível em:  <a href="http://dx.doi.org/10.1080/17440570903248395" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1080/17440570903248395</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0870-9025201200020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>3. Last J. A Dictionary of Public Health. Oxford: Oxford University Press;  2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0870-9025201200020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>4. World Health Organization, Active Ageing: a policy Framework. [Internet].  Geneva: World Health Organization; 2002 [consultado 12 Abr 2011] Disponível em:  <a href="http://whqlibdoc.who.int/hq/2002/who_nmh_nph_02.8.pdf" target="_blank">http://whqlibdoc.who.int/hq/2002/who_nmh_nph_02.8.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0870-9025201200020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>5. Cardoso JC, Segal UA. Family violence and elder abuse: an insight on  concepts and practices for caregivers. Rev da Faculdade de Ciências da Saúde.  2009; 6:408–16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0870-9025201200020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>6. Tortosa J. Personas mayores y malos tratos. Madrid: Ediciones Pirámide;  2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-9025201200020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>7. Susskind S, Spencer C, Podnieks E, Shaw G. Elder abuse awareness community  guide tool kit. [Internet]. Vancouver: The International Network for the  Prevention of Elder Abuse; 2002 [consultado 12 Abr 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.inpea.net/images/weaad_community_guide_toolkit.pdf" target="_blank">http://www.inpea.net/images/weaad_community_guide_toolkit.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0870-9025201200020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>8. World Health Organization. Preventing violen a guide to implementing the  recommendations of the World Report on Violence and Health [Internet]. Geneva:  World Health Organization;2004 [consultado 12 Abr 2011]. Disponível em:  <a href="http://whqlibdoc.who.int/publications/2004/9241592079.pdf" target="_blank">http://whqlibdoc.who.int/publications/2004/9241592079.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0870-9025201200020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>9. Krug EG, Mercy JA, Dahlberg LL, Zwi AB. The world report on violence and  health. Lancet. 2002; 360:1083–8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0870-9025201200020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>10. Paul J, Larrion J. El maltrato a los mayores: algunas cuestiones  generales. En: Arzamendi J., editors. El maltrato de personas mayores: detección  y prevención desde un prisma criminológico interdisciplinar. Donostia: Hurkoa  Fundazioa; 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0870-9025201200020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>11. World Health Organization. The Toronto Declaration on the Global  Prevention of Elder Abuse. [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2002  [consultado 12 Abr 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.who.int/ageing/projects/elder_abuse/alc_toronto_declaration_en.pdf" target="_blank">http://www.who.int/ageing/projects/elder_abuse/alc_toronto_declaration_en.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0870-9025201200020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>12. World Health Organization. Missing voices: views of older persons on  elder abuse. [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2002 [consultado 12  Abr 2011]. Disponível em: <a href="http://whqlibdoc.who.int/hq/2002/WHO_NMH_VIP_02.1.pdf" target="_blank">http://whqlibdoc.who.int/hq/2002/WHO_NMH_VIP_02.1.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0870-9025201200020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>13. World Health Organization. Violenza e salute nel mondo: rapporto  dell’Organizzazione Mondiale della Sanità [Internet]. Quaderni di sanità  pubblica. Milano: CIS Editore; 2002 [consultado 23 Out 2011]. Disponível em:  <a href="http://whqlibdoc.who.int/publications/2002/9241545615_ita.pdf" target="_blank">http://whqlibdoc.who.int/publications/2002/9241545615_ita.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0870-9025201200020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>14. World Health Organization. Rapport mondial sur la violence et la santé  [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2002 [consultado 20 May 2011].  Disponível em: <a href="http://whqlibdoc.who.int/publications/2002/9242545619_fre.pdf" target="_blank">http://whqlibdoc.who.int/publications/2002/9242545619_fre.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0870-9025201200020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>15. Organización Panamericana de la Salud. Informe mundial sobre la violência  y la salud [Internet]. Washington: Organización Panamericana de la Salud; 2002  [consultado 20 May 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.paho.org/Spanish/AM/PUB/Violencia_2003.htm" target="_blank">http://www.paho.org/Spanish/AM/PUB/Violencia_2003.htm</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0870-9025201200020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>16. World Health Organization. Weltbericht Gewalt und Gesundheit. [Internet].  Copenhagen: World Health Organization Europe; 2003 [consultado 20 May 2011].  Disponível em:  <a href="http://www.who.int/violence_injury_prevention/violence/world_report/en/summary_ge.pdf" target="_blank">http://www.who.int/violence_injury_prevention/violence/world_report/en/summary_ge.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0870-9025201200020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>17. United Nations. World Population Ageing [Internet]. New York: Department  of Economic and Social Affairs: Population Division; 2010 [consultado 12 Abr  2011]. Disponível em:  <a href="http://www.un.org/0E3E3E65–6EB7–4DCE–A25F–155E6C8FC7D8/FinalDownload/DownloadId–94F0F3CEA52451D3D2D1712DE68DAB3A/0E3E3E65–6EB7–4DCE–A25F–155E6C8FC7D8/esa/population/publications/WPA2009/WPA2009–report.pdf" target="_blank">http://www.un.org/0E3E3E65–6EB7–4DCE–A25F–155E6C8FC7D8/FinalDownload/DownloadId–94F0F3CEA52451D3D2D1712DE68DAB3A/0E3E3E65–6EB7–4DCE–A25F–155E6C8FC7D8/esa/population/publications/WPA2009/WPA2009–report.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0870-9025201200020000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <!-- ref --><P>18. United Nations. World Assembly on Ageing II [Internet]. New York: United  Nations; 2002 [consultado 12 Abr 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.globalaging.org/waa2/documents/index.htm" target="_blank">http://www.globalaging.org/waa2/documents/index.htm</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0870-9025201200020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>19. Loughlin A, Duggan J. Abuse, neglect and mistreatment of older people: an  exploratoty study. [Internet]. Dublin: National Council on Ageing and Older  People; 1998 [consultado 15 May 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.ncaop.ie/publications/research/reports/52_ABUSE.pdf" target="_blank">http://www.ncaop.ie/publications/research/reports/52_ABUSE.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0870-9025201200020000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>20. Van Bavel M, Janssens K, Schakenraad W, Thurlings N. Elder Abuse in  Europe: background and position paper [Internet]. Utrecht: The European  Reference Framework Online for the Prevention of Elder Abuse and Neglect  (EuROPEAN); 2010 [consultado 15 May 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.globalaging.org/elderrights/world/2010/ElderAbuseinEurope.pdf" target="_blank">http://www.globalaging.org/elderrights/world/2010/ElderAbuseinEurope.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0870-9025201200020000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>21. Cario R. El mayor como víctima: ¿fin de un tabú?. En: Arzamendi J.,  editors. El maltrato de personas mayores: detección y prevención desde un prisma  criminológico interdisciplinar. Donostia: Hurkoa Fundazioa; 2006. 147–96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0870-9025201200020000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>22. Pillemer K. Prevalence of Elder Abuse Survey: final questionnaire.  Ithaca, NY: Cornell University; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0870-9025201200020000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <P>23. Constituição da República Portuguesa. Lei n.° 1/82, de 30 de Setembro,  com as alterações introduzidas pelas Leis n.° 1/89, de 8 de julho, 1/92, de 25  de novembro, 1/97, de 20 de setembro, 1/2001, de 12 de dezembro, 1/2004, de 24  de julho e 1/2005, de 12 de agosto. [Internet] Lisboa: Assembleia da República;  2005 [consultado 15 Abr 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx" target="_blank">http://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx</a>.  </P>     <P>24. La Constitución Española, diciembre de 1978. [Internet]. Boletín Oficial  del Estado [consultado 15 May 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.boe.es/aeboe/consultas/enlaces/documentos/ConstitucionCASTELLANO.pdf" target="_blank">http://www.boe.es/aeboe/consultas/enlaces/documentos/ConstitucionCASTELLANO.pdf</a>.  </P>     <P>25. Constituzione della Repubblica Italiana. [Internet]. Roma: Senato della  Republica; 2003 [consultado 15 May 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.senato.it/documenti/repository/costituzione.pdf" target="_blank">http://www.senato.it/documenti/repository/costituzione.pdf</a>. </P>     <!-- ref --><P>26. Rodrigues S. O cidadão idoso no sistema político português. Lisboa:  Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias; 2001. Dissertação elaborada  no âmbito do Curso de Mestrado em Ciência Política ministrado pela ULHT.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S0870-9025201200020000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>27. Ministério da Saúde. Plano Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas  [Internet]. Lisboa: Direcção–Geral de Saúde; 2004 [consultado 15 May 2011].  Disponível em:  <a href="http://www.min–saude.pt/NR/rdonlyres/1C6DFF0E–9E74–4DED–94A9–F7EA0B3760AA/0/i006346.pdf" target="_blank"> http://www.min–saude.pt/NR/rdonlyres/1C6DFF0E–9E74–4DED–94A9–F7EA0B3760AA/0/i006346.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S0870-9025201200020000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <P>28. Decreto–Lei n.° 101/2006. DR n.° 109. I Série–A. (6.6.06) 3856–3865. </P>     <!-- ref --><P>29. Carrilho MJ, Patrício L. A situação demográfica recente em Portugal. Rev  Estudos Demográficos. 2010; 48:101–45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0870-9025201200020000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <P>30. Lei n.° 10.741, de 1 de outubro de 2003. Aprova o Estatuto do Idoso  [Internet] [consultado 22 May 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.741.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.741.htm</a>. </P>     <P>31. Lei n.° 8.842, de 4 de janeiro de 1994. Dispoõe sobre a política nacional  do idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso [Internet] [consultado 22 May 2011].  Disponível em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8842.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8842.htm</a>. </P>     <P>32. Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988 [Internet]  [consultado 22 May 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm</a>. </P>     <!-- ref --><P>33. Saraceno C. Evolution de la famille, politiques familiales et  restructuration de la protection sociale: note remise à l’OCDE dans le cadre de  la réflexion intitulée «Horizon 2000: Les nouvelles priorités pour la politique  sociale». Paris: Organisation de Coopération et de Développement Économique;  1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S0870-9025201200020000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>34. Gil AP. Heróis do quotidiano: dinâmicas familiares na dependência.  Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação para a Ciência e a Tecnologia;  2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S0870-9025201200020000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <P>35. Lei n.° 23/2010. DR n.° 168. I Série A (2010.08.30). Altera o Código  Civil português. </P>     <!-- ref --><P>36. Bastos JR. Notas o Código Civil. Coimbra: Almedina; 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0870-9025201200020000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <P>37. Decreto–Lei n° 48/95. D.R. Iº Série–A. 63 (1995.03.15). Aprova o Código  Penal. </P>     <P>38. Código Civil. Gazzetta Ufficiale, n.° 79, del 4 Aprile 1942 [Internet]  [consultado 20 Jun 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.jus.unitn.it/cardozo/obiter_dictum/codciv/Codciv.htm" target="_blank">http://www.jus.unitn.it/cardozo/obiter_dictum/codciv/Codciv.htm</a>. </P>     <!-- ref --><P>39. União Europeia. Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. Jornal  Oficial da União Europeia. C/83/389. (2010.03.30).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000209&pid=S0870-9025201200020000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <P>40. R.D. de 24 de julio de 1889, aprueba el Código Civil Español[Internet]  [consultado 20 Jun 2011]. Disponível em:  <a href="http://noticias.juridicas.com/base_datos/Privado/cc.html" target="_blank">http://noticias.juridicas.com/base_datos/Privado/cc.html</a>. </P>     <P>41. Ley n.° 39/2006, BOE n° 299 (2006.15.12). Promoción de la autonomía  personal y atención a las personas en situación de dependencia. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>42. Gil A. Conciliação entre vida profissional e vida familiar: o caso da  dependência. Lisboa: Núcleo de Estudos e Conhecimento. Instituto da Segurança  Social; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000213&pid=S0870-9025201200020000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <P>43. The Canadian Network for the Prevention of Elder Abuse [Internet].  Vancouver, BC: Canada; 2011 [consultado Abr 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.cnpea.ca/about cnpea.htm" target="_blank">http://www.cnpea.ca/about cnpea.htm</a>. </P>     <P>44. Resolução do Conselho de Ministros n.° 100/2010. D.R. Ia Série. 243  (10.12.17). Aprova o IV Plano Nacional contra a Violência Doméstica. </P>     <P>45. Lei n.° 112/2009. D.R. Ia Série–A. 180 (09.09.16) 6550. Estabelece o  regime jurídico aplicável à prevenção da violência doméstica, à proteção e à  assistência das suas vítimas e revoga a Lei n.° 107/99, de 3 de agosto, e o  Decreto–Lei n.° 323/2000, de 19 de dezembro. </P>     <P>46. Lei n.° 38/2009. D.R. Ia Série. 138 (09.07.20) 4533. Define os objetivos,  prioridades e orientações de política criminal para o biénio de 2009–2011, em  cumprimento da Lei n.° 17/2006, de 23 de maio. (Lei Quadro da Política  Criminal). </P>     <P>47. Ley Orgánica 1/2004. BOE n.° 313 (04.09.29). Medidas de protección  integral contra la violencia de género. </P>     <P>48. Family Law Act, 1996, Public General Acts, 1996 c.27 [Internet]  [consultado 12 Jun 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.legislation.gov.uk/ukpga/1996/27/contents" target="_blank">http://www.legislation.gov.uk/ukpga/1996/27/contents</a>. </P>     <P>49. Mental Health Act, 2007, Public General Acts, 1996 c.27 [Internet]  [consultado 12 Jun 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.legislation.gov.uk/ukpga/2007/12/contents" target="_blank">http://www.legislation.gov.uk/ukpga/2007/12/contents</a>. </P>     <P>50. Domestic Violence, Crime and Victims Act, 2004, Public General Acts,  2004, C. 28 [Internet] [consultado 12 Jun 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.legislation.gov.uk/ukpga/2004/28/contents" target="_blank">http://www.legislation.gov.uk/ukpga/2004/28/contents</a>. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>51. Criminal Law Act, 1995, Public General Acts, 1995, c. 39 [Internet]  [consultado 12 Jun 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.legislation.gov.uk/ukpga/1995/39/contents" target="_blank">http://www.legislation.gov.uk/ukpga/1995/39/contents</a>. </P>     <P>52. Criminal Law Amendment Act, Public General Acts [Internet] [consultado 25  Jan 2012]. Disponível em:  <a href="http://www.legislation.gov.uk/all?title=CRIMINAL%20LAW%20ACT" target="_blank">http://www.legislation.gov.uk/all?title=CRIMINAL%20LAW%20ACT</a>. </P>     <P>53. Human Rights Act, 1998, Public General Acts, 1998, c. 42 [Internet]  [consultado 25 Jan 2012]. Disponível em:  <a href="http://www.legislation.gov.uk/ukpga/1998/42/contents" target="_blank">http://www.legislation.gov.uk/ukpga/1998/42/contents</a>. </P>     <P>54. Offences against the Person Act, 1861, Public General Acts, c.100  [Internet] [consultado 12 Jun 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.legislation.gov.uk/ukpga/Vict/24–25/100/contents" target="_blank">http://www.legislation.gov.uk/ukpga/Vict/24–25/100/contents</a>. </P>     <P>55. Social Services Directorate. Safeguarding Vulnerable Adults: Regional  Adult Protection Policy &amp; Procedural Guidance [Internet]. Ballynema: Social  Services Directorante; 2006 [consultado 20 Sep 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.hscboard.hscni.net/publications/LegacyBoards/001%20Regional%20Adult%20Protection%20Policy%20and%20Procedural%20Guidance%202006%20–%20PDF%20249KB.pdf" target="_blank">http://www.hscboard.hscni.net/publications/LegacyBoards/001%20Regional%20Adult%20Protection%20Policy%20and%20Procedural%20Guidance%202006%20–%20PDF%20249KB.pdf</a>.  </P>     <!-- ref --><P>56. Veron M. La protection des personnes âgées par la Loi pénal. Journal  International de Victimologie. 2007;6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000228&pid=S0870-9025201200020000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <P>57. Départment du Nord. Conseil Général [Internet]. Lille: Conseil Général du  Nord; 2011 [consultado 20 Jun 2011]. Disponível em:  <a href="http://lenord.fr/frontoffice/AfficheArticle.aspx?IdArticle=2154&amp;idArborescence=302" target="_blank">http://lenord.fr/frontoffice/AfficheArticle.aspx?IdArticle=2154&amp;idArborescence=302</a>.  </P>     <P>58. Code Pénal. Version consolidée au 3 février 2012 [Internet] [consultado  20 Jun 2012]. Disponível em:  <a href="http://www.legifrance.gouv.fr/affichCode.do?idArticle=LEGIARTI000006417175&amp;idSectionTA=LEGISCTA000006149814&amp;cidTexte=LEGITEXT000006070719&amp;dateTexte=20120220" target="_blank">http://www.legifrance.gouv.fr/affichCode.do?idArticle=LEGIARTI000006417175&amp;idSectionTA=LEGISCTA000006149814&amp;cidTexte=LEGITEXT000006070719&amp;dateTexte=20120220</a>.  </P>     <!-- ref --><P>59. Hall M. Developing an anti–ageist approach within law [Internet].  Ontario: Law Commission; July 2009 [consultado Jun 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.ontla.on.ca/library/repository/mon/24009/304765.pdf" target="_blank">http://www.ontla.on.ca/library/repository/mon/24009/304765.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000232&pid=S0870-9025201200020000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <P>60. Canadian Network for the Prevention of Elder Abuse. A draft framework for  a National Strategy for the Prevention of Abuse and Neglect of Older Adults in  Canada: a proposal [Internet]. Vancouver, CA: CNPEA. Public Health Agency of  Canada; August, 2007 [consultado May 2011]. Disponível em:  <a href="http://www.cnpea.ca/Strategy%20Framework%202007.pdf" target="_blank">http://www.cnpea.ca/Strategy%20Framework%202007.pdf</a>. </P>     <P>61. Lei n.° 7/2000. D.R. Ia Série–A. 123 (2000.05.27). Quinta alteração ao  Código Penal. </P>     <!-- ref --><P>62. Neves M. Violência doméstica: bem jurídico e boas práticas: Curso breve  de especialização sobre violência contra as pessoas. Lisboa: Centro de Estudos  Judiciários; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000236&pid=S0870-9025201200020000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>63. Matos A. Princípio da oportunidade no crime de maus tratos conjugais.  Lisboa: Faculdade de Direito. Universidade de Lisboa; 2003. Relatório de  mestrado para a cadeira de Direito Processual Penal apresentado na FDUL.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000238&pid=S0870-9025201200020000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <P>64. Ley Orgánica 10/1995, de 23 de noviembre, aprueba el Código Penal. BOE n°  281. (24/11/1995). </P>     <P>65. Ley Orgánica 11/2003, BOE n° 234. (30/09/2003), «de medidas concretas en  materia de seguridad ciudadana, violencia doméstica e integración social de los  extranjeros». </P>     <!-- ref --><P>66. Mayordomo V. La responsabilidad penal del maltratador. In: Arzamendi J.  editor. El maltrato de personas mayores: detección y prevención desde un prisma  criminológico interdisciplinar. Donostia: Hurkoa Fundazioa; 2006. p. 33–146.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000242&pid=S0870-9025201200020000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <P>67. Austrian Protection Against Violence Act. Bundesgesetzblatt. 1996;759.  </P>     <P>68. The Second Protection Against Violence Act, 2009. Bundesgesetzblatt.  2009;40. </P>     <!-- ref --><P>69. Magrinho P. Crimes de maus tratos. Lisboa: Faculdade de Direito.  Universidade de Lisboa; 2009. Relatório de estágio de mestrado em Ciências  Jurídico–Criminais apresentado na FDUL.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000246&pid=S0870-9025201200020000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>70. Faria PR. Comentário conimbricense ao Código Penal: comentário  Conimbricense do Código Penal. I. Coimbra: Coimbra Editora; 1999. p. 206.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000248&pid=S0870-9025201200020000600037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>71. Prata A. Dicionário Jurídico. I. Coimbra: Livraria Almedina; 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000250&pid=S0870-9025201200020000600038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>72. Albuquerque PP. Comentário ao Código Penal à luz da Constituição da  República Portuguesa e da Convenção Europeia dos Direitos do Homem. 2.ª ed.  Lisboa: Universidade Católica; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000252&pid=S0870-9025201200020000600039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>73. Pillemer K, Finkelhor D. The prevalence of elder abuse: a random sample  survey. Gerontologist. 1988; 28:51–7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000254&pid=S0870-9025201200020000600040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>74. Acierno R, Hernandez MA, Arnstadter AB, Resnick HS, Steve K, Muzzy W,  et–al. Prevalence and correlates of emotional, physical, sexual, and financial  abuse and potential neglect in the United States: the National Elder  Mistreatment Study. Am J Public Health. 2010; 100:292–7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000256&pid=S0870-9025201200020000600041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>75. Naughton , Drennan J, Treacy MP, Lafferty A, Lyons I, Phelan A, et–al.  Abuse and neglect of older people in Ireland: report on the national study of  elder abuse and neglect. Dublin: University College Dublin; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000258&pid=S0870-9025201200020000600042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>76. O’Keefe M, Hills A, Doyle M, McCreadie C, Scholes S, Constantine R,  et–al. UK study of abuse and neglect of older people: prevalence survey report.  London: National Centre for Social Research and King's College; 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000260&pid=S0870-9025201200020000600043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>77. En: Doron I., editors. Theories on Law and Ageing: the Jurisprudence of  Elder Law. Berlin: Springer; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000262&pid=S0870-9025201200020000600044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>     <!-- ref --><P>78. Instituto Nacional de Estatística. Dia Internacional do Idoso [Internet]  [consultado 20 Abr 2011]. Lisboa: INE; 2005. Disponível em: <a href="http://www.ine.pt" target="_blank">www.ine.pt</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000264&pid=S0870-9025201200020000600045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Conflito de interesses</B></P>     <P>Os autores declaram não haver conflito de interesses.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Financiamento</B></P>     <P>Este artigo faz parte do projeto «Envelhecimento e Violência (2011-2014)» –  PDTC/CS-SOC/110311/2009, financiado por <I>Foundation for Science and  Technology</I>.</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Recebido 12 Abril 2012. Aceito 5 Novembro 2012 </P>     <p>&nbsp;</p>     <P><Sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></Sup>Autor para Correspondência: <a href="mailto:ana.gil@insa.min-saude.pt">ana.gil@insa.min-saude.pt</a></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Notas</b></p>     <P><Sup><a name="a"></a><a href="#topa">a</a></Sup> O projeto <I>«Envelhecimento e Violência»</I> (2011-2014) é financiado pela  Fundação para a Ciência e Tecnologia (PDTC/CS-SOC/110311/2009) e tem como  entidade proponente o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I.P., e  como entidades parceiras o CESNOVA – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da  UNL, o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, I.P. (INMLCF;  I.P.), a Associação Portuguesa de Apoio à Vitima (APAV) e o Instituto da  Segurança Social I.P. (ISS, I.P.) e Guarda Nacional Republicana.</P>     <P><Sup><a name="b"></a><a href="#topb">b</a></Sup> Esta reflexão insere-se num projeto de investigação <I>«Envelhecimento e  Violência»</I> (2011-2014), que tem como objetivo identificar e caracterizar as  situações de violência (física, psicológica, financeira, sexual e de  negligência) a que se encontram sujeitas as pessoas com 60 e mais anos, em  contexto familiar, residentes em Portugal continental, de modo a estimar a  prevalência do problema e os fatores de risco que contribuem para a sua  ocorrência. A par do cálculo da prevalência do problema e a partir da  sinalização de vítimas provenientes das entidades parceiras, pretende-se  aprofundar o conhecimento sobre a vitimização, as condições de ocorrência, em  contexto familiar e os fatores de risco associados.</P>     <P><Sup><a name="c"></a><a href="#topc">c</a></Sup> Consideram-se em situação de dependência os pensionistas que não possam  praticar com autonomia os atos indispensáveis à satisfação das necessidades  básicas da vida quotidiana, nomeadamente os relativos à realização dos serviços  domésticos, à locomoção e cuidados de higiene, precisando da assistência de  outrem. Enquanto que, em Portugal, o complemento por dependência é dirigido aos  pensionistas que se encontram em situação de dependência, em Espanha as  prestações de apoio à dependência são extensivas a qualquer pessoa residente em  Espanha há mais de 5 anos. Assim, as políticas de apoio à dependência são  estruturadas para apoiar quem se encontra numa situação de dependência, como os  familiares que prestam apoio, ao contemplar diferentes modalidades de prestações  económicas (assistência pessoal, aquisição de serviços e cuidados  familiares)<SUP>38</SUP>.</P>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[World Report on Violence and Health]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Geneva ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[World Health Organization]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Perry]]></surname>
<given-names><![CDATA[I]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Violen a public health perspective]]></article-title>
<source><![CDATA[Global Crime]]></source>
<year>2009</year>
<volume>10</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Last]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Dictionary of Public Health]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[Active Ageing: a policy Framework]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Geneva ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[World Health Organization]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cardoso]]></surname>
<given-names><![CDATA[JC]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Segal]]></surname>
<given-names><![CDATA[UA]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Family violence and elder abuse: an insight on concepts and practices for caregivers]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev da Faculdade de Ciências da Saúde]]></source>
<year>2009</year>
<volume>6</volume>
<page-range>408-16</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Tortosa]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Personas mayores y malos tratos]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ediciones Pirámide]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Susskind]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Spencer]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Podnieks]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Shaw]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Elder abuse awareness community guide tool kit.]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Vancouver ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[The International Network for the Prevention of Elder Abuse]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[Preventing violen a guide to implementing the recommendations of the World Report on Violence and Health]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Geneva ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[World Health Organization]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Krug]]></surname>
<given-names><![CDATA[EG]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mercy]]></surname>
<given-names><![CDATA[JA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Dahlberg]]></surname>
<given-names><![CDATA[LL]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Zwi]]></surname>
<given-names><![CDATA[AB]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The world report on violence and health]]></article-title>
<source><![CDATA[Lancet]]></source>
<year>2002</year>
<volume>360</volume>
<page-range>1083-8</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Paul]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Larrion]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[El maltrato a los mayores: algunas cuestiones generales]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Arzamendi]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[El maltrato de personas mayores: detección y prevención desde un prisma criminológico interdisciplinar]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Donostia ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Hurkoa Fundazioa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[The Toronto Declaration on the Global Prevention of Elder Abuse]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Geneva ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[World Health Organization]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[Missing voices: views of older persons on elder abuse]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Geneva ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[World Health Organization]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[Violenza e salute nel mondo: rapporto dell’Organizzazione Mondiale della Sanità]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Milano ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[CIS Editore]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[Rapport mondial sur la violence et la santé]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Geneva ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[World Health Organization]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Organización Panamericana de la Salud</collab>
<source><![CDATA[Informe mundial sobre la violência y la salud]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[Washington ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Organización Panamericana de la Salud]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>World Health Organization</collab>
<source><![CDATA[Weltbericht Gewalt und Gesundheit]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Copenhagen ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[World Health Organization Europe]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<label>17</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>United Nations</collab>
<source><![CDATA[World Population Ageing]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Department of Economic and Social Affairs: Population Division]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<label>18</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>United Nations</collab>
<source><![CDATA[World Assembly on Ageing II]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[United Nations]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<label>19</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Loughlin]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Duggan]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Abuse, neglect and mistreatment of older people: an exploratoty study]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Dublin ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[National Council on Ageing and Older People]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<label>20</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Van Bavel]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Janssens]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Schakenraad]]></surname>
<given-names><![CDATA[W]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Thurlings]]></surname>
<given-names><![CDATA[N]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Elder Abuse in Europe: background and position paper]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Utrecht ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[The European Reference Framework Online for the Prevention of Elder Abuse and Neglect (EuROPEAN)]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<label>21</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cario]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[El mayor como víctima: ¿fin de un tabú?]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Arzamendi]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[El maltrato de personas mayores: detección y prevención desde un prisma criminológico interdisciplinar]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>147-96</page-range><publisher-loc><![CDATA[Donostia ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Hurkoa Fundazioa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<label>22</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pillemer]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Prevalence of Elder Abuse Survey: final questionnaire]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Ithaca^eNY NY]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cornell University]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<label>26</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rodrigues]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O cidadão idoso no sistema político português]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<label>27</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Ministério da Saúde</collab>
<source><![CDATA[Plano Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Direcção-Geral de Saúde]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<label>29</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carrilho]]></surname>
<given-names><![CDATA[MJ]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Patrício]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A situação demográfica recente em Portugal]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Estudos Demográficos]]></source>
<year>2010</year>
<volume>48</volume>
<page-range>101-45</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<label>33</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Saraceno]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Evolution de la famille, politiques familiales et restructuration de la protection sociale: note remise à l’OCDE dans le cadre de la réflexion intitulée «Horizon 2000: Les nouvelles priorités pour la politique sociale»]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Organisation de Coopération et de Développement Économique]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<label>34</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gil]]></surname>
<given-names><![CDATA[AP]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Heróis do quotidiano: dinâmicas familiares na dependência]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação para a Ciência e a Tecnologia]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<label>36</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bastos]]></surname>
<given-names><![CDATA[JR]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Notas o Código Civil]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Almedina]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<label>39</label><nlm-citation citation-type="journal">
<collab>União Europeia</collab>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia]]></article-title>
<source><![CDATA[Jornal Oficial da União Europeia]]></source>
<year>2010</year>
<month>.0</month>
<day>3.</day>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<label>42</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gil]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Conciliação entre vida profissional e vida familiar: o caso da dependência]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Núcleo de Estudos e Conhecimento. Instituto da Segurança Social]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<label>56</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Veron]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[La protection des personnes âgées par la Loi pénal]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal International de Victimologie]]></source>
<year>2007</year>
<volume>6</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<label>59</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hall]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Developing an anti-ageist approach within law]]></source>
<year>July</year>
<month> 2</month>
<day>00</day>
<publisher-loc><![CDATA[Ontario ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Law Commission]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<label>62</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Neves]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Violência doméstica: bem jurídico e boas práticas: Curso breve de especialização sobre violência contra as pessoas]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos Judiciários]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<label>63</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Matos]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Princípio da oportunidade no crime de maus tratos conjugais]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Faculdade de Direito. Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<label>66</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mayordomo]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[La responsabilidad penal del maltratador]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Arzamendi]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[El maltrato de personas mayores: detección y prevención desde un prisma criminológico interdisciplinar]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>33-146</page-range><publisher-loc><![CDATA[Donostia ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Hurkoa Fundazioa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<label>69</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Magrinho]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Crimes de maus tratos]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Faculdade de Direito. Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<label>70</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Faria]]></surname>
<given-names><![CDATA[PR]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Comentário conimbricense ao Código Penal: comentário Conimbricense do Código Penal. I.]]></source>
<year>1999</year>
<page-range>206</page-range><publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Coimbra Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B38">
<label>71</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Prata]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Dicionário Jurídico. I]]></source>
<year>2011</year>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Livraria Almedina]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B39">
<label>72</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Albuquerque]]></surname>
<given-names><![CDATA[PP]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Comentário ao Código Penal à luz da Constituição da República Portuguesa e da Convenção Europeia dos Direitos do Homem]]></source>
<year>2010</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universidade Católica]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B40">
<label>73</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pillemer]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Finkelhor]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The prevalence of elder abuse: a random sample survey]]></article-title>
<source><![CDATA[Gerontologist]]></source>
<year>1988</year>
<volume>28</volume>
<page-range>51-7</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B41">
<label>74</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Acierno]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hernandez]]></surname>
<given-names><![CDATA[MA]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Arnstadter]]></surname>
<given-names><![CDATA[AB]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Resnick]]></surname>
<given-names><![CDATA[HS]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Steve]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Muzzy]]></surname>
<given-names><![CDATA[W]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Prevalence and correlates of emotional, physical, sexual, and financial abuse and potential neglect in the United States: the National Elder Mistreatment Study]]></article-title>
<source><![CDATA[Am J Public Health]]></source>
<year>2010</year>
<volume>100</volume>
<page-range>292-7</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B42">
<label>75</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Naughton]]></surname>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Drennan]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Treacy]]></surname>
<given-names><![CDATA[MP]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lafferty]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lyons]]></surname>
<given-names><![CDATA[I]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Phelan]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Abuse and neglect of older people in Ireland: report on the national study of elder abuse and neglect]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Dublin ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[University College Dublin]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B43">
<label>76</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[O’Keefe]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hills]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Doyle]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[McCreadie]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Scholes]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Constantine]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[UK study of abuse and neglect of older people: prevalence survey report]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[National Centre for Social Research and King's College]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B44">
<label>77</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Doron]]></surname>
<given-names><![CDATA[I]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Theories on Law and Ageing: the Jurisprudence of Elder Law]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Berlin ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Springer]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B45">
<label>78</label><nlm-citation citation-type="book">
<collab>Instituto Nacional de Estatística</collab>
<source><![CDATA[Dia Internacional do Idoso]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[INE]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
