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<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2012.10.001</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho em enfermeiros portugueses: «ossos do ofício» ou doenças relacionadas com o trabalho?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: Work-related musculoskeletal disorders (WRMSD) are a worldwide health problem, particularly in health care professionals. A nationwide study was done focused on the characterization of work-related musculoskeletal symptoms in Portuguese registered nurses (RN) in order to establish a baseline methodology to manage/prevent WRMSD. Methods: All Nurses (RN) were invited to complete, in web platform, a questionnaire of 4 different topics: (i) socio-demographic data, (ii) fifteen anatomic areas of musculoskeletal symptoms, (iii) tasks identification and its relation with symptoms and (iv) health status characterization. Statistical analysis was based on descriptive statistics and associations with the &#967;2 test with a significance level of 5%. Results: A total of 2.140 RN answered the questionnaire (3.42% of all RN). Spine symptoms were among those most frequent symptoms (49% of RN referred in the last 12 months, 25% in the last 7 days) and their related work absence (5.51% of referrals). Other relevant indicators were symptoms intensity (19% were classified as high in the responding group) and symptoms frequency (33% of referrals were superior to 6 daily episodes). Associations between typical work tasks and complaints were found significant (p<0.05) with (i) drug administration, positioning, mobilization and patient transfer and hand-fist symptoms (&#967;2=9.089; P=.028; &#967;2=8.337; P=.040; &#967;2=9.599; P=.022; &#967;2=9.399; P=.024 respectively) and with (ii) bed hygiene and shoulder, elbow and hand-fist symptoms (&#967;2=8.853; P=.031; 8.317; P=.040; 9.599; P=.022 respectively). Discussion and conclusions: Work related musculoskeletal disorders in hospital nurses are most of times preventable, and they should not be commonly related to a normal work result. Workplace intervention in process, in temporal organization and in equipments could prevent WRMSD. Our descriptive study aims to evidence the elevated prevalence of WRMSD in RN and the certainty to develop occupational prevention programs in hospitals.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></P>      <P><b>Lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho em enfermeiros portugueses:   «ossos do ofício» ou doenças relacionadas com o trabalho?</b></P>      <P><b>Work related musculoskeletal disorders in Portuguese nurses: "part of the   job" or work–related diseases?</b></P>      <p>&nbsp;</p>      <P><b>Florentino Serranheira<SUP>a,b,<a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a></SUP>, Teresa Cotrim<SUP>c</SUP>, Victor   Rodrigues<SUP>d</SUP>, Carla Nunes<SUP>a,b</SUP>, António   Sousa–Uva<SUP>a,b</SUP> </b></P>      <P><SUP>a</SUP>Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa,   Lisboa, Portugal</P>      <P><SUP>b</SUP>Centro de Investigação da Malária e outras Doenças Tropicais –   Saúde Pública, Lisboa, Portugal</P>      <P><SUP>c</SUP>Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Técnica de Lisboa,   Lisboa, Portugal</P>      <P><SUP>d</SUP>Escola Superior de Enfermagem de Vila Real/CIDESD/Universidade de   Trás–os–Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal</P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P><B>RESUMO</B></P>      <P><I>Introdução</I>: As lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho (LMELT) constituem um   importante problema em todo o mundo, designadamente nos profissionais de saúde.   Realizou–se um estudo nacional de caraterização da sintomatologia   musculoesquelética ligada ao trabalho em enfermeiros portugueses na perspetiva   da sua prevenção.</P>      <P><I>Métodos</I>: Os enfermeiros portugueses foram convidados a preencher um questionário em   ambiente <I>web</I> com 4 dimensões: dados socio–demográficos, sintomas   musculoesqueléticos em 15 zonas anatómicas, identificação das tarefas e sua   relação com os sintomas e caracterização do estado de saúde. O estudo decorreu   entre julho de 2010 e fevereiro de 2011 e contou com a colaboração da Ordem dos   Enfermeiros. A análise estatística baseou–se em processos descritivos e em   associações com o teste do &#967;<SUP>2</SUP> com um nível de significância de   5%.</P>      <P><I>Resultados</I>: Responderam ao questionário 2&nbsp;140 enfermeiros (3,42% do total dos   enfermeiros portugueses). Destacam–se as queixas localizadas à coluna vertebral   (49% nos últimos 12 meses; 25% nos últimos 7&nbsp;dias) e o absentismo   relacionado (5,51%), igualmente nos últimos 12 meses. A intensidade dos sintomas   é elevada (19% dos respondentes) assim como a sua frequência (em 33% é superior   a 6 episódios diários). A relação entre as tarefas e as queixas é significativa   (p&lt;0,05), entre outros, com: (i) a administração de medicamentos, o   posicionamento mobilização e transferência do doente e os sintomas nos punhos e   mãos (&#967;<SUP>2</SUP>=9,089; p=0,028; &#967;<SUP>2</SUP>=8,337; p=0,040;   &#967;<SUP>2</SUP>=9,599; p=0,022; &#967;<SUP>2</SUP>=9,399; p=0,024 respetivamente) e   (ii) a higiene no leito e os sintomas localizados aos ombros, cotovelos e   punhos/mãos (&#967;<SUP>2</SUP>=8,853; p=0,031; &#967;<SUP>2</SUP>=8,317; p=0,040 e   &#967;<SUP>2</SUP>=9,599; p=0,022, respetivamente).</P>      <P><I>Discussão e conclusões</I>: As LMELT em enfermeiros são, em grande parte, preveníveis e, por isso, não   devem ser encaradas como «ossos do ofício». A intervenção sobre os locais, os   processos, a organização temporal e os meios de trabalho pode prevenir as LMELT.   O presente estudo, descritivo, revela uma elevada prevalência de sintomas de   LMELT em enfermeiros portugueses. Tal indicia a necessidade premente de   desenvolver programas de prevenção destas patologias em hospitais.</P>      <p><b>Palavras-chave:</b> Lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho, Enfermeiros, Saúde Ocupacional, Ergonomia, Saúde e Segurança do Trabalho</p>      <p>&nbsp;</p>      <P><B>ABSTRACT</B></P>      <P><I>Introduction</I>: Work–related musculoskeletal disorders (WRMSD) are a worldwide health   problem, particularly in health care professionals. A nationwide study was done   focused on the characterization of work–related musculoskeletal symptoms in   Portuguese registered nurses (RN) in order to establish a baseline methodology   to manage/prevent WRMSD.</P>      <P><I>Methods</I>: All Nurses (RN) were invited to complete, in web platform, a questionnaire of   4 different topics: (i) socio–demographic data, (ii) fifteen anatomic areas of   musculoskeletal symptoms, (iii) tasks identification and its relation with   symptoms and (iv) health status characterization. Statistical analysis was based   on descriptive statistics and associations with the &#967;<SUP>2</SUP> test with a   significance level of 5%.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P><I>Results</I>: A total of 2.140 RN answered the questionnaire (3.42% of all RN). Spine   symptoms were among those most frequent symptoms (49% of RN referred in the last   12 months, 25% in the last 7 days) and their related work absence (5.51% of   referrals). Other relevant indicators were symptoms intensity (19% were   classified as high in the responding group) and symptoms frequency (33% of   referrals were superior to 6 daily episodes). Associations between typical work   tasks and complaints were found significant (p&lt;0.05) with (i) drug   administration, positioning, mobilization and patient transfer and hand–fist   symptoms (&#967;<SUP>2</SUP>=9.089; <I>P</I>=.028; &#967;<SUP>2</SUP>=8.337;   <I>P</I>=.040; &#967;<SUP>2</SUP>=9.599; <I>P</I>=.022; &#967;<SUP>2</SUP>=9.399;   <I>P</I>=.024 respectively) and with (ii) bed hygiene and shoulder, elbow and   hand–fist symptoms (&#967;<SUP>2</SUP>=8.853; <I>P</I>=.031; 8.317; <I>P</I>=.040;   9.599; <I>P</I>=.022 respectively).</P>      <P><I>Discussion and conclusions</I>: Work related musculoskeletal disorders in hospital nurses are most of times   preventable, and they should not be commonly related to a normal work result.   Workplace intervention in process, in temporal organization and in equipments   could prevent WRMSD. Our descriptive study aims to evidence the elevated   prevalence of WRMSD in RN and the certainty to develop occupational prevention   programs in hospitals.</P>      <P><B>Keywords: </B>Work–related musculoskeletal disorders. Nurses. Occupational Health. Ergonomics. Occupational Health and Safety. </P>      <p>&nbsp;</p>      <P><B>Introdução</B></P>      <P>As lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho (LMELT), incluindo as   raquialgias, são descritas como um dos principais problemas da Saúde Ocupacional   dos profissionais de saúde, em particular dos enfermeiros<SUP>1</SUP><SUP>,   </SUP><SUP>2</SUP><SUP>, </SUP><SUP>3</SUP><SUP>, </SUP><SUP>4</SUP><SUP>,   </SUP><SUP>5</SUP><SUP>, </SUP><SUP>6</SUP><SUP>, </SUP><SUP>7</SUP><SUP>,   </SUP><SUP>8</SUP><SUP>, </SUP><SUP>9</SUP><SUP>, </SUP><SUP>10</SUP><SUP>,   </SUP><SUP>11</SUP>.</P>      <P>As condições de trabalho e as tarefas dos enfermeiros, principalmente em   contexto hospitalar, constituem-se como os principais determinantes da atividade   real de trabalho, condicionando todas as componentes de exposição aos fatores de   risco da atividade, designadamente ao nível postural, de repetitividade,   aplicação de força e de exposição a vibrações, que se encontram na génese das   LMELT<SUP>12</SUP><SUP>, </SUP><SUP>13</SUP>. Os enfermeiros realizam   frequentemente, durante as suas tarefas de prestação de cuidados de saúde aos   doentes/utentes, atividades que requerem posturas articulares extremas,   aplicações de força com as mãos/dedos, assim como exigências a nível da coluna   vertebral e, particularmente, da zona lombo-sagrada. Tais situações ocorrem,   entre outras tarefas diárias, na prestação de cuidados aos doentes,   designadamente durante a sua alimentação, a administração de medicamentos   intravenosos, as transferências e outras mobilizações, como o reposicionamento,   e na sua higiene. Em qualquer dessas situações observa-se, com frequência,   exposição a fatores de risco profissionais, designadamente elevadas solicitações   biomecânicas e fisiológicas que excedem as capacidades funcionais dos   trabalhadores, numa organização que não permite tempos de recuperação   suficientes e tempos de repouso adequados<SUP>14</SUP>.</P>      <P>A multifatorialidade etiológica das LMELT inclui, ainda, os fatores de risco   psicossociais e as condicionantes organizacionais, designadamente e entre   outros, aspetos relativos à satisfação profissional, ao suporte social e ao   estilo de liderança e gestão, como elementos importantes na génese das   LMELT<SUP>15</SUP>. As variáveis individuais, por bizarro que pareça, têm sido   insuficientemente (ou mesmo nada) valorizadas, o que tem conduzido a um menor   número de estudos nesse domínio, ainda que com relações claramente identificadas   e extremamente importantes<SUP>16</SUP><SUP>, </SUP><SUP>17</SUP>. Os estudos de   avaliação do risco não dão o suficiente relevo aos aspetos individuais   («individual risk assessment») dirigindo-se, muitas vezes, ao que podemos   denominar «trabalhador médio»<SUP>18</SUP>, figura que, de facto, não existe em   nenhuma situação concreta de trabalho.</P>      <P>A maioria dos estudos referidos, quer se trate de exposição a fatores de   risco da atividade, quer a condicionantes da atividade como os fatores de risco   psicossociais e organizacionais, foram efetuados com suporte em questionários   essencialmente de sintomas, com ou sem critério temporal, maioritariamente em   delineamentos metodológicos transversais (e/ou retrospetivos) e, frequentemente,   com insuficiente (ou mesmo ausente) caracterização da exposição.</P>      <P>Mantêm-se atuais as dúvidas sobre se (e quais) os níveis de intensidade e de   frequência da sintomatologia que dão origem a «doenças ligadas ao trabalho»,   isto é, se é possível diferenciar as queixas decorrentes das exigências físicas   a que os trabalhadores estão expostos na realização da atividade de trabalho,   das queixas das LMELT como doença profissional ou como doença relacionada com o   trabalho<SUP>19</SUP>. Tal resposta é, desde logo, difícil de obter, uma vez que   a denominação LMELT inclui um conjunto de situações clínicas muito diversas (e   diversificadas) que vão desde sintomas a quadros nosológicos e incluem doenças   profissionais, doenças relacionadas com o trabalho e, até, doenças agravadas   pelo trabalho, isto é, o já referido conceito de «doença ligada ao   trabalho».</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P>As LMELT afetam um substantivo número de enfermeiros, diminuindo a sua   qualidade de vida<SUP>20</SUP>, dão origem à redução da motivação e da   participação no trabalho, às restrições de realização das tarefas de enfermagem,   às transferências de serviço, ao absentismo e até ao abandono precoce da   profissão, com os decorrentes efeitos tanto a nível individual, como em aspetos   sociais e familiares<SUP>2</SUP>.</P>      <P>Em Portugal, entre diversas dificuldades de gestão de um problema da dimensão   das LMELT, encontra-se a ausência de uma base para a investigação em enfermeiros   portugueses. Tal circunstância determinou o principal objetivo do presente   estudo, de âmbito nacional, de identificação da sintomatologia   musculoesquelética ligada ao trabalho em enfermeiros inscritos na Ordem dos   Enfermeiros. Pretende-se, dessa forma, despertar a atenção da comunidade   científica para a necessidade de desenvolvimento de mais investigação em tal   domínio, contribuindo, assim, para uma mais eficaz gestão de tais riscos   profissionais<SUP>21</SUP>.</P>      <p>&nbsp;</p>      <P><B>População e métodos</B></P>      <P>O presente estudo foi feito com a colaboração da Ordem dos Enfermeiros (OE).   Foi dirigido a todos os enfermeiros portugueses aí inscritos (n=62&nbsp;566). O   estudo teve a duração de 8 meses, tendo decorrido entre julho de 2010 e   fevereiro de 2011, período em que a OE colocou (e manteve) um apelo à   participação no estudo no seu portal da <I>internet</I>. A participação   individual foi voluntária. Após acesso ao <I>banner</I> da OE, com a informação   sobre o estudo, existia um redirecionamento <I>(link)</I> para uma página da   <I>web</I> da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), onde cada enfermeiro   colocou o seu endereço pessoal de <I>email</I>, constituindo a base da   participação no estudo (um endereço válido correspondeu a uma inscrição). De   seguida, foi enviado para cada endereço de <I>email</I> um <I>link</I> de acesso   ao questionário do estudo no <I>«surveymonkey platform questionnaire»</I>. O   <I>link</I> permitiu a resposta única, no momento, ou faseada de cada   respondente, de acordo com a sua decisão pessoal. Garantiu-se, desde sempre, a   salvaguarda de dados pessoais e não existiu acesso a informação que permitisse   identificar o respondente, respeitando, dessa forma, o seu anonimato.</P>      <P>O questionário utilizado neste estudo é uma adaptação<SUP>22</SUP> do   questionário nórdico sobre lesões musculoesqueléticas (<I>Nordic musculoskeletal   questionnaire</I> – NMQ) cujos resultados variam entre 0 e 23% em divergência   com o mesmo respondente (fiabilidade) e apresentam 0 a 20% de discordância da   história clínica (validade), sendo tal considerado aceitável para um instrumento   de rastreio ou <I>screening</I><SUP>23</SUP>. Tem sido utilizado, numa versão   adaptada em Portugal, com resultados nesse intervalo para a fiabilidade e   validade<SUP>10</SUP><SUP>, </SUP><SUP>13</SUP><SUP>, </SUP><SUP>24</SUP><SUP>,   </SUP><SUP>25</SUP><SUP>, </SUP><SUP>26</SUP><SUP>, </SUP><SUP>27</SUP>.</P>      <P>O NMQ teve como principal objetivo, na sua génese, o desenvolvimento de um   método de estudo epidemiológico, utilizando um conjunto de questões   normalizadas, para a identificação das queixas ou sintomas musculoesqueléticos   em grupos profissionais<SUP>28</SUP>. Tem sido amplamente utilizado para avaliar   a presença de sintomas do foro musculoesquelético ligados à atividade de   trabalho, destacando-se, entre outros e a título de exemplo, o estudo realizado   em enfermeiros chineses<SUP>29</SUP>.</P>      <P>O questionário utilizado (em apêndice) está organizado em 4 grandes   dimensões: (I) caracterização sociodemográfica; (II) autorreferência de sintomas   de LMELT; (III) identificação das tarefas e sua relação com os sintomas; e (IV)   caracterização do estado de saúde.</P>      <P>O presente estudo, descritivo, objetiva conhecer os sintomas   musculoesqueléticos dos enfermeiros portugueses.</P>      <P>A análise estatística dos resultados foi efetuada com recurso ao   <I>software</I> «Statistical Package for Social Sciences (SPSS) vs. PASW   Statistics 18<SUP>®</SUP>».</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <P><B>Resultados</B></P>      <P>Não existiu qualquer propósito de representatividade da população e não se   pretendeu qualquer generalização dos resultados, que se referem apenas aos   respondentes a este estudo, já que dependeu exclusivamente da sua vontade a   adesão à resposta ao inquérito.</P>      <P>Responderam ao questionário de caraterização de sintomas de lesões   musculoesqueléticas ligadas ao trabalho 2140 enfermeiros (3,4% do total dos   enfermeiros portugueses). Trata-se de um grupo predominantemente do sexo   feminino (77,4%), dextro (93,7%), que tem um tempo médio na profissão de 13 anos   e trabalha, também em média, 40&nbsp;h semanais. Relativamente ao tipo de   horário praticado, o trabalho por turnos é maioritário (57,5%). Cerca de um   terço tem um segundo emprego (n=618) em clínicas privadas (30,4%), a larga   maioria a tempo parcial (n=593) e em horário de 20&nbsp;h semanais.</P>      <P>Dos respondentes, 26,4% (n=566) trabalha na região norte do país, 20,1%   (n=431) na região centro, 37,8% (n=809) na região de Lisboa e Vale do Tejo, 4,4%   (n=95) no Alentejo, 3,7% (n=80) no Algarve e 6,8% (n=145) nas Regiões Autónomas   (4,1% na Madeira e 2,7% nos Açores). Entre os respondentes, 0,7% (n=14) não   referiu a região onde trabalhavam.</P>      <P>Quase três quartos dos enfermeiros desempenham funções em hospitais (71,3%).   Os restantes encontram-se distribuídos pelos cuidados primários de saúde (21,5%)   e pelos cuidados continuados (3,0%), cuidados paliativos (0,4%), emergência   médica (0,6%) e INEM/VMER (0,4%), unidades de saúde móveis (0,2%), enfermagem do   trabalho (1,3%) e lares de terceira idade (1,3%).</P>      <P>Os enfermeiros que desempenham funções em hospitais (n=1&nbsp;396) fazem-no,   essencialmente, em serviços de: (I) Medicina Interna (21,3%); (II) Cirurgia   Geral (12,3%); (III) Pediatria (8,7%); (IV) Ortopedia (8,3%); e (V) Ginecologia   e Obstetrícia (6,9%).</P>      <P>As categorias profissionais dos enfermeiros variam entre «enfermeiro» (34,8%)   e «enfermeiro-supervisor» (1,4%). As categorias de «enfermeiro graduado»   (35,7%), «enfermeiro-especialista» (19%) e «enfermeiro-chefe» (9,0%) completam   as categorias profissionais.</P>      <P>Os enfermeiros referem sintomas de LMELT com elevada frequência que, em   algumas localizações, atingem valores acima dos 50% dos respondentes.   Destacam-se (<a href="#f1">Figura 1</a>), entre outros e nos últimos 12 meses, a presença de   sintomas nas zonas cervical (n=1014), dorsal (n=923), lombar (n=1257), ombros   (n=761) e punho/mão (n=602).</P>      <p>&nbsp;</p>  <a name="f1">  <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a10f1.jpg">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <P>A sintomatologia presente nos últimos 7&nbsp;dias, mais assertiva pela   proximidade das queixas autorreferidas, apresenta valores inferiores, ainda que   igualmente elevados, atingindo mais a coluna vertebral (região lombar: 632;   região cervical: 562; e região dorsal: 468). Também os ombros (n=389) e os   punhos e mãos (n=253) são regiões corporais frequentemente atingidas. De   destacar ainda o absentismo associado a essa sintomatologia e (eventuais) lesões   referidas nas zonas cervical (n=99), dorsal (n=78), lombar (n=177), nos ombros   (n=87) e nos punhos/mãos (n=72).</P>      <P>A sintomatologia localizada aos membros superiores, presença de queixas e   respetiva lateralidade, revela diferenças substantivas, por exemplo a nível dos   punhos/mãos, onde a prevalência no lado direito é muito superior (<a href="#f2">Figura 2</a>), o   que se relaciona, por certo, com o membro ativo e, por isso, com a solicitação   na atividade desempenhada. Nos membros inferiores identifica-se sintomatologia   sem predominância de lateralidade, ao contrário dos sintomas nos membros   superiores, destacando-se as queixas localizadas às articulações tibiotársicas,   eventualmente relacionadas com o tempo de permanência na posição de pé   (ortostatismo) e com as grandes distâncias percorridas, em particular, nas   unidades hospitalares.</P>      <p>&nbsp;</p>  <a name="f2">  <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a10f2.jpg">      
<p>&nbsp;</p>      <P>A análise da sintomatologia musculoesquelética, na perspetiva da sua   intensidade e da sua frequência, revela a nível lombar queixas de intensidade   «elevada» e «muito elevada» da ordem de valores próximos dos 45% dos enfermeiros   sintomáticos e, desses, cerca de 65% referem-no com frequência superior a 6   vezes por dia. Tais valores correspondem a cerca de 26% da totalidade da   população respondente.</P>      <P>De uma forma geral, a referência a sintomatologia de intensidade «moderada» é   prevalente a nível da coluna vertebral, atingindo, tal como a frequência dessas   queixas (com frequência superior a 6 vezes por dia), cerca de um terço dos   enfermeiros sintomáticos (<a href="#f3">Figura 3</a>).</P>      <p>&nbsp;</p>  <a name="f3">  <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a10f3.jpg">      
<p>&nbsp;</p>      <P>Se forem analisados em detalhe os sintomas a nível do membro superior   constata-se, igualmente, uma frequência da intensidade «moderada» nos diversos   segmentos anatómicos, bem como uma referência à existência de queixas com   frequência superior a seis vezes por dia que atinge cerca de dois terços dos   enfermeiros portadores dessa sintomatologia (<a href="#f4">Figura 4</a>).</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>  <a name="f4">  <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a10f4.jpg">      
<p>&nbsp;</p>      <P>As tarefas diárias dos enfermeiros respondentes caraterizam-se por um   conjunto de intervenções (atividades) que, em média, ocupa cerca de 50% do tempo   de trabalho, destacando-se, entre outros, o trabalho informatizado (10,29%), os   procedimentos invasivos (9,28%), o tratamento de feridas (9,1%) e a   administração de medicação (9,47%) (<a href="#f5">Figura 5</a>).</P>      <p>&nbsp;</p>  <a name="f5">  <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a10f5.jpg">      
<p>&nbsp;</p>      <P>Destaque-se que os cuidados prestados no leito que, de uma forma geral,   apresentam algumas exigências físicas, abrangem aproximadamente um terço do   tempo de trabalho diário dos enfermeiros.</P>      <P>Relativamente à frequência de realização das diversas tarefas de enfermagem,   a análise dos resultados revela que o trabalho informatizado, a avaliação de   parâmetros fisiológicos, como a tensão arterial e a glicémia (25% cada), e a   administração de medicação (24%) são referidos como muito frequentes no   dia-a-dia do enfermeiro e por um importante número de respondentes (<a href="#f6">Figura 6</a>).   Igualmente de destacar são as diferenças entre o levante sem apoio de   equipamentos mecânicos (23,9% – «pouco frequente»; 9,18% – «frequente») e com   meios mecânicos (20,26% – «pouco frequente»; 1,17% – «frequente»). Os   procedimentos invasivos são a subatividade com maior referência na classificação   «pouco frequente» (30,16%) e o apoio no domicílio o menos referido (15,02%).</P>      <p>&nbsp;</p>  <a name="f6">  <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a10f6.jpg">      
<p>&nbsp;</p>      <P>A relação entre a presença de sintomas musculoesqueléticos e as diferentes   posições corporais adotadas ao longo do dia de trabalho em função das exigências   do trabalho, incluindo a mobilização, o levantamento e o transporte de   cargas/doentes, evidencia o esperável, isto é, os enfermeiros identificam,   claramente, as situações de trabalho em que as exigências físicas assumem maior   relação com a presença de sintomas musculoesqueléticos, designadamente a   mobilização, o levantamento e o transporte de cargas/doentes acima dos   20&nbsp;kg (<a href="#f7">Figura 7</a>).</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>  <a name="f7">  <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a10f7.jpg">      
<p>&nbsp;</p>      <P>A última dimensão do questionário, relativa à caracterização do estado de   saúde dos enfermeiros, evidencia que a maioria pratica regularmente algum tipo   de atividade física (50,8%), não fuma (81,7%), não bebe regularmente bebidas   alcoólicas (91,3%), não bebe café (73%) e não sofre de doenças crónicas (70,9%).   Relativamente aos que referem sofrer de alguma doença, destacam-se: a diabetes   (n=24), a hipertensão arterial (n=91), a osteoporose (n=18), as artroses (n=46)   e também as hérnias discais (n=111), as tendinites (n=61) e a síndrome do túnel   cárpico (n=28).</P>      <P>Cerca de dois terços dos enfermeiros não toma medicamentos regularmente   (67,3%). De entre os que se encontram medicados, destacam-se as terapêuticas com   calmantes (n=66) e com contracetivos orais (n=232).</P>      <P>Alguns enfermeiros (n=121) realizaram tratamentos de fisioterapia no último   ano. A maioria consulta o seu médico esporadicamente (n=1224), outros (n=647)   fazem-no periodicamente. No geral, dos enfermeiros que responderam a esta   questão, a maioria (n=600) recorre a serviços públicos, enquanto os restantes   (n=404) fazem-no nos serviços privados. No último ano, a larga maioria consultou   um médico (n=1606).</P>      <P>Observam-se associações, por vezes significativas, entre as variáveis   individuais<SUP>30</SUP>, a presença de sintomas a nível da coluna   vertebral<SUP>11</SUP> e a nível dos membros superiores (<a href="#t1">Tabela 1</a>) com as   tarefas típicas de enfermagem, ainda que, no caso do levante com meios   mecânicos, as relações sejam protetoras.</P>      <p>&nbsp;</p>  <a name="t1">  <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a10t1.jpg">      
<p>&nbsp;</p>      <P>É ao nível dos punhos e mãos que se constatam associações com maior   significado entre a sintomatologia musculoesquelética e as tarefas de   enfermagem. Assim, observam-se associações significativas entre tais sintomas e   a administração de medicamentos (&#967;<SUP>2</SUP>=9,089; p=0,028) que se consideram   relacionados com uma atividade de elevada intensidade dos membros superiores, em   particular dos punhos, mãos e dedos, durante, entre outros, a utilização dos   sistemas de dose unitária e o esmagar dos diversos medicamentos a administrar   aos doentes com dificuldades de deglutição. O posicionamento e/ou mobilização do   doente (&#967;<SUP>2</SUP>=8,337; p=0,040), as transferências (&#967;<SUP>2</SUP>=9,399;   p=0,024) e o levante sem meios mecânicos (&#967;<SUP>2</SUP>=8,455; p=0,037) são   igualmente tarefas com substantivas exigências a nível dos punhos e mãos e, como   tal, com relações significativas com a presença de queixas   musculoesqueléticas.</P>      <P>A higiene no leito é, nos respondentes, a tarefa com maiores exigências a   nível dos membros superiores e isso é evidente pela relação estatística   significativa em todas as regiões: o ombro (&#967;<SUP>2</SUP>=8,853; p=0,031), o   cotovelo (&#967;<SUP>2</SUP>=8,317; p=0,040) e o punho mão (&#967;<SUP>2</SUP>=9,599;   p=0,022).</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <P><B>Discussão</B></P>      <P>Em matéria de saúde, higiene e segurança do trabalho (SHST), ou de Saúde   Ocupacional (SO), são reconhecidas, particularmente na Europa, as limitações   (individuais e sociais) que as lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho   colocam<SUP>31</SUP>. Tais aspetos adquirem, em ambiente hospitalar e em outras   unidades de saúde, uma dimensão ainda maior nos profissionais de   saúde<SUP>27</SUP>, designadamente no grupo profissional dos enfermeiros.</P>      <P>Em Portugal, o problema foi com frequência abordado no contexto das empresas   da indústria automóvel, ou em empresas desse universo. Tal atenção, na área da   Saúde Ocupacional em Unidades de Saúde, foi entre nós alvo de estudo nos   hospitais da cidade do Porto durante o ano de 2004<SUP>24</SUP>.   Internacionalmente, o problema tem vindo a ser descrito principalmente desde as   décadas de 1980 e de 1990<SUP>32</SUP><SUP>, </SUP><SUP>33</SUP><SUP>,   </SUP><SUP>34</SUP><SUP>, </SUP><SUP>35</SUP>, tendo assumido uma considerável   visibilidade e dimensão, que motivou inclusivamente a existência de campanhas   anuais europeias dedicadas à prevenção das LMELT.</P>      <P>A larga maioria dos estudos efetuados no contexto da prestação de cuidados de   saúde, designadamente envolvendo a enfermagem, tem recorrido a inquéritos por   questionário, em particular utilizando adaptações do Questionário Nórdico   Musculoesquelético (QNM)<SUP>23</SUP>.</P>      <P>Entre os principais resultados deste estudo, encontra-se a referência a   sintomas de LMELT presentes nos últimos 12 meses, nos últimos 7 dias e o   absentismo relacionado. Podendo os resultados ser influenciados pelos   respondentes, isto é, os enfermeiros que participaram voluntariamente no estudo   podem ser maioritariamente os mais queixosos por serem aqueles que apresentavam   uma motivação acrescida de resposta, de uma forma geral, as diferenças   observadas, relativamente a outros estudos nesse grupo de profissionais de   saúde, não são evidentes, destacando-se a prevalência de sintomatologia da   coluna vertebral, nos últimos 12 meses (<a href="#t2">Tabela 2</a>). Para as referências   sintomáticas relativas aos últimos 7 dias, constata-se uma maior amplitude de   variação entre os estudos que, no essencial, apresentam valores de menor   frequência em relação aos encontrados nos últimos 12 meses.</P>      <p>&nbsp;</p>  <a name="t2">  <img src="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a10t2.jpg">      
<p>&nbsp;</p>      <P>No presente estudo, a utilização de uma adaptação do QNM, com inclusão de   questões relativas a elementos de caraterização da sintomatologia,   designadamente da sua intensidade e da sua frequência por segmento corporal,   assim como a solicitação da perceção da relação das queixas com as principais   tarefas, pretendeu criar uma base de referência no estudo das LMELT em   enfermeiros portugueses. Tal poderá contribuir no futuro para, com base nesse   conhecimento, conseguir uma melhor gestão desse risco em Saúde Ocupacional.</P>      <P>Os resultados deste estudo permitem considerar que as relações entre sintomas   e tarefas de enfermagem são bem patentes, revelando um conjunto de sintomas   musculoesqueléticos ligados ao trabalho, de entre os quais se destacam as   regiões anatómicas dos punhos e mãos, com relações significativas com 5 tarefas   (administração de medicamentos, higiene no leito, posicionamento e mobilização   do doente, transferência do doente e levante sem meios mecânicos) frequentemente   realizadas pelos enfermeiros e, em particular, com a utilização frequente de   repetitividade e, também frequentemente, com aplicações de força.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Note-se, ainda, que as intensidades referidas da frequência de sintomatologia   a nível da ráquis são consideradas como elevadas em aproximadamente 19% dos   respondentes e com frequência superior a 6 vezes por dia em 33,26%, o que é   revelador da importância dessa sintomatologia.</P>      <P>É de destacar, igualmente, que a presença de sintomas nos últimos 12 meses a   nível da ráquis (49,75%), dos membros superiores (23,68%) e dos membros   inferiores (19,07%), assim como nos últimos 7 dias (25,89, 11,28 e 11,00%,   respetivamente) é indiciadora do nível das exigências físicas, em particular a   nível da coluna vertebral, solicitadas a esses profissionais de saúde.</P>      <P>Os sintomas, maioritariamente bilaterais, na região dos ombros (12,38%)   denotam também as exigências que são colocadas durante a realização das tarefas   de enfermagem e a intensidade elevada, referida por quase 40% dos respondentes,   torna ainda mais evidente a «valorização» dos sintomas autorreferidos.</P>      <P>Os resultados obtidos assumem também particular relevo quando a   sintomatologia de LMELT é referida com uma intensidade e/ou frequência elevadas   a nível cervical (17,06%; 32,66%), dorsal (13,41%; 28,83%) e lombar (26,45%;   38,27%), respetivamente.</P>      <P>Por fim, o retrato da repartição do tempo diário de trabalho dos enfermeiros   evidencia elementos da atividade eventualmente díspares do trabalho prescrito   (tarefas). As situações mais exigentes na perspetiva física (cuidados de   higiene, posicionamento, mobilização, transferência, transporte e levante do   doente) ocupam quase um quarto do tempo de trabalho (2 h diárias por   enfermeiro), o que, considerando a atividade real de trabalho, pode ser encarado   como uma atividade física intensa ou de elevada exigência neste grupo de   profissionais de saúde e com as repercussões a nível de sintomatologia   musculoesquelética observadas. Trata-se, de facto, de valores muito expressivos   de frequência de sintomas em prestadores de cuidados de saúde que importa ter em   consideração, qualquer que seja a perspetiva de gestão desses riscos.</P>      <p>&nbsp;</p>      <P><B>Conclusões</B></P>      <P>Os enfermeiros respondentes (n=2 140) evidenciam uma elevada prevalência de   queixas musculoesqueléticas ligadas ao trabalho, já que cerca de 98% referem   sintomatologia, pelo menos num segmento anatómico. Tal frequência de sintomas,   associada ao conhecimento de diversos elementos das respetivas situações reais   de trabalho (atividade de trabalho com intervenções da enfermagem), é reveladora   das exigências físicas que as organizações de saúde, nas quais os enfermeiros se   encontram a desempenhar funções (hospitais, centros de saúde, ou outras unidades   de saúde), acarretam para a realização da sua atividade diária.</P>      <P>Analisado de outro ângulo, sempre que as exigências físicas do trabalho   ultrapassem as capacidades e as limitações individuais, independentemente da   maior ou menor predisposição patológica que os profissionais de saúde possam ter   para essas patologias, existe fadiga. Tal efeito pode originar alterações do   estado de saúde dos enfermeiros, designadamente as LMELT, mas pode igualmente   influenciar a atividade de trabalho, em particular aspetos elementares da   qualidade da prestação de cuidados de saúde e, consequentemente, da segurança   dos doentes.</P>      <P>As queixas mais prevalentes nos últimos 12 meses situam-se na região lombar   (60,6%), seguindo-se a coluna cervical (48,6%) e a coluna dorsal (44,5%). A   nível dos membros superiores, as queixas mais prevalentes situam-se no punho   direito (12,76%). São os 2 segmentos anatómicos mais atingidos e, pelo menos   parcialmente, mais «vulneráveis» às exigências do trabalho de enfermagem.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Observam-se diversas associações estatisticamente significativas (p&lt;0,05)   entre as tarefas mais frequentes de enfermagem e a presença de sintomas de   LMELT, destacando-se a administração de medicamentos, o posicionamento   mobilização e transferência do doente e os sintomas nos punhos/mãos   (&#967;<SUP>2</SUP>=9,089; p=0,028; &#967;<SUP>2</SUP>=8,337; p=0,040;   &#967;<SUP>2</SUP>=9,599; p=0,022; &#967;<SUP>2</SUP>=9,399; p=0,024 respetivamente),   assim como a higiene no leito e os sintomas a nível dos ombros, cotovelos e   punhos/mãos (&#967;<SUP>2</SUP>=8,853; p=0,031; &#967;<SUP>2</SUP>=8,317; p=0,040;   &#967;<SUP>2</SUP>=9,599; p=0,022 respetivamente).</P>      <P>No sentido protetor, observa-se que o levante com meios mecânicos é também   estatisticamente significativo a nível dos ombros e cotovelos   (&#967;<SUP>2</SUP>=9,823, 0,020; &#967;<SUP>2</SUP>=7,915, 0,048, respetivamente), o que   representa uma diminuição da probabilidade de sintomas com a utilização de meios   mecânicos na tarefa de levante.</P>      <P>De uma forma geral, julga-se possível afirmar que as queixas dos enfermeiros   em Portugal não são particularmente distintas de outros países, tal como as suas   tarefas também não se consideram diferentes.</P>      <P>Assim, a análise da prestação de cuidados em enfermagem pode ser também vista   pelo lado do prestador e, em particular, num foco centrado sobre os efeitos da   atividade de trabalho no indivíduo<SUP>12</SUP>. Será importante, no futuro   analisar diferenças de sintomatologia entre as diversas tipologias de trabalho   dos enfermeiros, designadamente entre os que desempenham funções em meio   hospitalar e nos diferentes serviços, os que se encontram nos cuidados de saúde   primários e nos cuidados continuados e, por exemplo, aqueles que têm   pluriemprego, entre outros.</P>      <P>No essencial, a matriz multifatorial da etiologia das LMELT engloba fatores   profissionais que, dessa forma, lhe conferem a situação de «doença relacionada   com o trabalho»<SUP>39</SUP>.</P>      <P>A sintomatologia musculoesquelética e as doenças «relacionadas» com a   atividade dos enfermeiros decorrem, de facto, das condições de trabalho e da   organização em que essa atividade é prestada e, ainda, das suas próprias   características, capacidades e limitações pessoais (diferentes entre sexos e que   se alteram ao longo do tempo). Por exemplo, a nível hospitalar existe uma   elevada prevalência de sintomas de LMELT em enfermeiros<SUP>11</SUP>, o que   estará por certo associado às exigências colocadas no exercício da sua atividade   profissional.</P>      <P>Nesse contexto, é necessário intervir, em primeiro lugar, no trabalho,   modificando-o, por exemplo, através (i) da disponibilização de «ajudas técnicas»   como equipamentos de transferência de doentes que reduzam as exigências   (físicas) do trabalho e (ii) da introdução de algoritmos de decisão nas   mobilizações, transferências e levantes, entre outros. A perspetiva de encarar   estes aspetos das relações trabalho/doença numa vertente de «ossos do ofício» é   muito divergente da identificação de fatores de risco e da prevenção dos seus   efeitos centrada na melhoria das condições de trabalho na perspetiva da Saúde e   Segurança do Trabalho (e dos doentes) e da Ergonomia. Dito de outra forma,   aquela perspetiva considera o trabalho imutável e as doenças profissionais ou as   «doenças relacionadas com o trabalho» uma inevitabilidade, quando, de facto, não   o são numa outra (e diferente) perspetiva de prevenção.</P>      <P>A gestão desse risco em Saúde Ocupacional necessita de um diagnóstico de   situação para que se possa agir. É fundamental ter informação sobre as   condições, os meios e a organização de trabalho, assim como sobre os   profissionais de saúde e as suas características, capacidades e limitações, de   forma a adaptar o envolvimento ao homem, tornando a atividade menos penosa e   mantendo a qualidade da prestação de cuidados de saúde e a segurança dos   doentes. Se se preferir, ou por outras palavras, as LMELT em enfermeiros não são   uma fatalidade e podem, pelo menos parcialmente, ser preveníveis. Para tal, deve   existir consciência de que o trabalho não é, de facto, imutável e pode ser   melhorado na perspetiva da saúde e segurança de quem presta cuidados. Nesse   contexto, a intervenção sistémica e integrada (perspetiva da Ergonomia) atuando,   por um lado, sobre as condicionantes externas do trabalho, como os espaços, os   circuitos, os processos, a organização temporal, os equipamentos e os meios de   trabalho e, por outro, sobre o trabalhador (profissional de saúde), através da   formação e informação, pode transformar a atividade de trabalho de modo a   diminuir os efeitos negativos sobre a saúde de quem trabalha e aumentar a   segurança dos doentes. Tal metodologia de intervenção pode ainda, por certo,   contribuir para a prevenção das LMELT e contribuir, igualmente, para a melhoria   das situações de trabalho dos enfermeiros.</P>      <p>&nbsp;</p>      <P><B>Bibliografía</B></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>1. Warming S, Precht DH, Suadicani P, Ebbehoj NE. Musculoskeletal complaints   among nurses related to patient handling tasks and psychosocial factors––based   on logbook registrations. Appl Ergon. 2009; 40:569–76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0870-9025201200020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>2. Tinubu BM, Mbada CE, Oyeyemi AL, Fabunmi AA. Work–related musculoskeletal   disorders among nurses in Ibadan South–west Nigeria: a cross–sectional survey.   BMC Musculoskelet Disord. 2010; 11:12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0870-9025201200020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>3. Smith DR, Choe MA, Jeon MY, Chae YR, An GJ, Jeong JS. Epidemiology of   musculoskeletal symptoms among Korean hospital nurses. Int J Occup Saf Ergon.   2005; 11:431–40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0870-9025201200020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>4. Alexopoulos EC, Burdorf A, Kalokerinou A. Risk factors for musculoskeletal   disorders among nursing personnel in Greek hospitals. Int Arch Occup Environ   Health. 2003; 76:289–94.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0870-9025201200020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>5. Lorusso A, Bruno S, L’Abbate N. A review of low back pain and   musculoskeletal disorders among Italian nursing personnel. Ind Health. 2007;   45:637–44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0870-9025201200020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>6. Trinkoff AM, Brady B, Nielsen K. Workplace prevention and musculoskeletal   injuries in nurses. J Nurs Adm. 2003; 33:153–8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0870-9025201200020001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>7. Trinkoff AM, Lipscomb JA, Geiger–Brown J, Storr CL, Brady BA. Perceived   physical demands and reported musculoskeletal problems in registered nurses. Am   J Prev Med. 2003; 24:270–5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0870-9025201200020001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>8. Lipscomb J, Trinkoff A, Brady B, Geiger–Brown J. Health care system   changes reported musculoskeletal disorders among registered nurses. Am J Public   Health. 2004; 94:1431–5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0870-9025201200020001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>9. Gurgueira GP, Alexandre NMC, Filho HRC. Prevalência de sintomas   músculo–esqueléticos em trabalhadoras de enfermagem. Rev Lat Am Enfermagem.   2003; 11:608–13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0870-9025201200020001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>10. Fonseca R, Serranheira F. Sintomatologia músculo–esquelética   auto–referida por enfermeiros em meio hospitalar. Rev Port Saúde Pública. 2006;   6:37–44. Temático.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0870-9025201200020001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>11. Serranheira F, Cotrim T, Rodrigues V, Nunes C, Sousa–Uva A. Nurses’   working tasks and MSDs back symptoms: results from a national survey. Work.   2012; 41:2449–51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0870-9025201200020001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>12. Serranheira F, Uva A, Sousa P. Ergonomia hospitalar e segurança do   doente: mais convergências que divergências. Rev Port Saúde Pública. 2010;   10:58–73. Temático.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0870-9025201200020001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>13. Serranheira F, Uva A. Avaliação do risco de lesões músculo–esqueléticas:   será que estamos a avaliar o que queremos avaliar?. Saúde &amp; Trabalho. 2009;   7:69–88.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0870-9025201200020001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>14. Cail F, Aptel M, Franchi P. Les troubles musculosquelettiques du membre   supérieur – guide pour les préventuers. Paris: INRS; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0870-9025201200020001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>15. Lagerström M, Hansson T, Hagberg M. Work–related low–back problems in   nursing. Scand J Work Environ Health. 1998; 24:449–64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0870-9025201200020001000015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>16. En: Bernard B., editors. Musculoskeletal disorders and workplace factors:   a critical review of epidemiologic evidence for work–related musculoskeletal   disorders of the neck, upper extremity and low back. Cincinnati: NIOSH; 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0870-9025201200020001000016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->   </P>      <!-- ref --><P>17. National Research Council. Institute of Medicine. Musculoskeletal   disorders and the workpla low back and upper extremities. Washington, DC:   National Academy Press; 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0870-9025201200020001000017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>18. Uva AS, ed. lit. Trabalhadores saudáveis e seguros em locais de trabalho   saudáveis e seguros. Lisboa: Petrica Editores; 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0870-9025201200020001000018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>19. Hagberg M, Violante F, Bonfiglioli R, Descatha A, Gold J, Evanoff B,   et–al. Prevention of musculoskeletal disorders in workers: classification and   health surveillance – statements of the Scientific Committee on Musculoskeletal   Disorders of the International Commission on Occupational Health. BMC   Musculoskelet Disord. 2012; 13:109.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0870-9025201200020001000019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>20. Punnett L, Wegman DH. Work–related musculoskeletal disorders: the   epidemiologic evidence and the debate. J Electromyogr Kinesiol. 2004; 14:13–23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0870-9025201200020001000020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->   </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>21. Uva A. Diagnóstico e gestão do risco em saúde ocupacional. Lisboa: ACT –   Autoridade para as Condições de Trabalho; 2;2006:2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-9025201200020001000021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>22. Serranheira F, Uva A, Lopes F, editors. Lesões músculo–esqueléticas e   trabalho: alguns métodos de avaliação do risco Lisboa: Sociedade Portuguesa de   Medicina do Trabalho; 2008 (Cadernos Avulso; 5).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0870-9025201200020001000022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>23. Kuorinka I, Jonsson B, Kilbom A, Vinterberg H, Biering–Sørensen F,   Andersson G, et–al. Standardised Nordic questionnaires for the analysis of   musculoskeletal symptoms. Appl Ergon. 1987; 18:233–7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0870-9025201200020001000023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>24. Serranheira F, Pereira M, Santos C, Cabrita M. Auto–referência de   sintomas de lesões músculo–esqueléticas ligadas ao trabalho (LMELT) numa grande   empresa em Portugal. Rev Port Saúde Pública. 2003; 2:37–48.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0870-9025201200020001000024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>25. Serranheira F. Lesões músculo–esqueléticas ligadas ao trabalho: que   métodos de avaliação do risco?. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa; 2007.   (Doutoramento em Saúde Pública. Especialidade em Saúde Ambiental e Ocupacional).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0870-9025201200020001000025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->   </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>26. Serranheira F, Uva A. WRULMSDs risk assessment: different tools,   different results¿ What are we measuring?. Med Segur Trab. 2008; 212:35–44. LIV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0870-9025201200020001000026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->   </P>      <!-- ref --><P>27. Serranheira F, Uva A, Espirito–Santo J. Estratégia de avaliação do risco   de lesões músculo–esqueléticas dos membros superiores ligadas ao trabalho   aplicada na indústria de abate e desmancha de carne em Portugal. Rev Bras Saúde   Ocup. 2009; 34:58–66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0870-9025201200020001000027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>28. Crawford JO. The Nordic Musculoskeletal Questionnaire. Occup Med. 2007;   57:300–1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0870-9025201200020001000028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>29. Smith DR, Wei N, Kang L, Wang RS. Musculoskeletal disorders among   professional nurses in mainland China. J Prof Nurs. 2004; 20:390–5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0870-9025201200020001000029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>30. Serranheira F, Cotrim T, Rodrigues V, Nunes C, Uva AS. Risco e fatores de   risco individuais de LMELT em enfermeiros. En: Soares C.G., Teixeira A.P.,   Riscos C.J., editors. Segurança e sustentabilidade. Lisboa: Edições Salamandra;   2012. 1085–97.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0870-9025201200020001000030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>31. Schneider E, Irastorza X, Copsey S, Verjans M, Eeckelaert L, Broeck V.   OSH in figures: work–related musculoskeletal disorders in the EU: Facts and   figures. Luxembourg: European Agency for Safety and Health at Work; 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0870-9025201200020001000031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>32. Lusted MJ, Carrasco CL, Mandryk JA, Healey S. Self reported symptoms in   the neck and upper limbs in nurses. Appl Ergon. 1996; 27:381–7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0870-9025201200020001000032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>33. Estryn–Behar M. Ergonomics and occupational health (III): the case of   hospital staff. Rev Enferm. 1996; 19:57–62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0870-9025201200020001000033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>34. Pottier M, Estryn–Behar M. Ergonomics and nursing work. Soins. 1981;   26:5–14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0870-9025201200020001000034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>35. Jensen RC. Back injuries among nursing personnel related to exposure.   Appl Occup Environ Hyg. 1990; 5:38–45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0870-9025201200020001000035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>36. Lagerström M, Wenemark M, Hagberg M, Hjelm EW. Occupational and   individual factors related to musculoskeletal symptoms in five body regions   among Swedish nursing personnel. Int Arch Occup Environ Health. 1995; 68:27–35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S0870-9025201200020001000036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->   </P>      <!-- ref --><P>37. Engels JA, van der Gulden JW, Senden TF, van’t Hof B. Work related risk   factors for musculoskeletal complaints in the nursing profession: results of a   questionnaire survey. Occup Environ Med. 1996; 53:636–41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0870-9025201200020001000037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>38. Ando S, Ono Y, Shimaoka M, Hiruta S, Hattori Y, Hori F, et–al.   Associations of self estimated workloads with musculoskeletal symptoms among   hospital nurses. Occup Environ Med. 2000; 57:211–6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0870-9025201200020001000038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </P>      <!-- ref --><P>39. Faria M, Uva A. Diagnóstico e prevenção das doenças profissionais:   algumas reflexões. J Soc Ciênc Méd Lisboa. 1988; 10:360–71. (CL:9).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0870-9025201200020001000039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->   </P>      <p>&nbsp;</p>      <P><B>Autoria</B></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Concepção, recolha, tratamento e análise de resultados e redação do   manuscrito: Florentino Serranheira, António Sousa-Uva.</P>      <P>Revisão do manuscrito: Teresa Cotrim, Victor Rodrigues.</P>      <P>Análise estatística dos resultados: Carla Nunes.</P>      <p>&nbsp;</p>      <P><B>Conflito de interesses</B></P>      <P>Os autores declaram não haver conflito de interesses.</P>      <p>&nbsp;</p>      <P><B>Apêndice. Material adicional</B></P>      <P>Pode consultar o material adicional para este artigo na sua versão eletrónica   disponível em <a href ="/img/revistas/rpsp/v30n2/30n2a10a1.pdf">Questionário</a>.</P>      
<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Recebido 18 Julho 2012. Aceito 15 Outubro 2012 </P>      <p>&nbsp;</p>      <P><Sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></Sup>Autor para Correspondência: <a href="mailto:serranheira@ensp.unl.pt">serranheira@ensp.unl.pt</a></P>       ]]></body><back>
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