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<institution><![CDATA[,ACES de Cascais Unidade de Saúde Familiar Marginal ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <P align="right"><b>EDITORIAL</b></P>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de: <i>patrim&oacute;nio de todos</i></b></p> 	     <p><b>National Health Service: A legacy for all</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>V&iacute;tor Ramos<sup>a</sup> </b></p> 	     <p><sup>a</sup>Unidade de Sa&uacute;de Familiar Marginal, ACES de Cascais, Cascais, Portugal</p>			     <p>&nbsp;</p>     <p>A Funda&ccedil;&atilde;o para a Sa&uacute;de - Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de (FSNS) realizou nos dias 27 e 28 de setembro de 2013 o 1.&deg; Congresso do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de - <i>SNS: patrim&oacute;nio de todos</i>. A iniciativa teve lugar na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa e foi, a todos os t&iacute;tulos, um acontecimento not&aacute;vel.</p>     <p>Foram recolhidos e organizados contributos para pensar o SNS do futuro, enquanto institui&ccedil;&atilde;o portuguesa capaz de se constituir como uma refer&ecirc;ncia europeia e global.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O congresso foi antecedido por v&aacute;rias iniciativas preparat&oacute;rias e ser&aacute; seguido por outras que ir&atilde;o aprofundar as reflex&otilde;es e debates iniciados. Ap&oacute;s 34 anos de vida, &eacute; como se o SNS estivesse a renascer agora buscando identidade, unidade de corpo e uma cultura organizacional pr&oacute;prias, partilhadas por todas as suas institui&ccedil;&otilde;es e profissionais.</p>     <p>Intriga-me o facto de n&atilde;o existir um &uacute;nico impresso, tabuleta, imagem log&oacute;tipo com a designa&ccedil;&atilde;o do SNS, seja a n&iacute;vel nacional, regional ou local. Apenas em 2 momentos, tanto quanto me lembro, se tentou alterar tal situa&ccedil;&atilde;o. A primeira foi em 1982, quando chegou a ser publicado o Boletim do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de, que traduzia o in&iacute;cio da constru&ccedil;&atilde;o de identidade e unidade - um pouco &agrave; semelhan&ccedil;a do que acontece com o servi&ccedil;o nacional de sa&uacute;de brit&acirc;nico (NHS). Este projeto n&atilde;o durou mais do que alguns meses. Mais tarde, em 2001, Carmen Pignatelli, ent&atilde;o Secret&aacute;ria de Estado Adjunta do Ministro da Sa&uacute;de, iniciou um projeto para que todos os hospitais e centros de sa&uacute;de se sentissem parte de uma mesma cultura organizacional com valores comuns. Perten&ccedil;a a um todo. E que todos os cidad&atilde;os reconhecessem e sentissem o SNS como seu. Foi lan&ccedil;ado um concurso p&uacute;blico para o arranque daquele projeto. Com a mudan&ccedil;a de Governo o projeto foi abandonado e os documentos evaporaram-se. Vinham a caminho os hospitais S.A.</p>     <p>Na minha perspetiva, desde o seu nascimento, em 1979, o SNS tem estado submetido a tens&otilde;es contradit&oacute;rias e oscilantes entre um polo mercantilista, em que a sa&uacute;de &eacute; vista como mercadoria e &aacute;rea de neg&oacute;cio, e um polo centrado no bem comum, no interesse p&uacute;blico, na solidariedade e na coes&atilde;o social. Paralelamente, prevalece uma inapropriada governamentaliza&ccedil;&atilde;o do SNS, agora patente nas novas receitas de medicamentos, encimadas pelo log&oacute;tipo &laquo;Governo de Portugal&raquo;.</p>     <p>O SNS necessita ter um estatuto renovado, que o autonomize do poder pol&iacute;tico e da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica comum. Deve ser participado e controlado pelos cidad&atilde;os o mais poss&iacute;vel. N&atilde;o pode continuar a acontecer que, de cada vez que muda o Governo, um servi&ccedil;o t&atilde;o complexo como este, com uma elevada componente t&eacute;cnico-cient&iacute;fica, esteja &agrave; merc&ecirc; de caprichos partid&aacute;rios. Isto aconteceu dezenas de vezes nas 3 d&eacute;cadas de vida do SNS. Estes caprichos incluem mudan&ccedil;as frequentes de rumo e de centenas de dirigentes nacionais, regionais e locais, alguns deles sem conhecimento do que est&aacute; verdadeiramente em causa, nem a experi&ecirc;ncia e as compet&ecirc;ncias que os servi&ccedil;os do SNS e todos os cidad&atilde;os mereceriam.</p>     <p>Identidade, cultura organizacional expl&iacute;cita e um dispositivo de governa&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica pr&oacute;prio e est&aacute;vel s&atilde;o requisitos para renovar e desenvolver o SNS e para lhe preservar a mem&oacute;ria e a intelig&ecirc;ncia. O pior que pode acontecer a um organismo vivo ou social &eacute; perder mem&oacute;ria e intelig&ecirc;ncia. E isso parece estar a acontecer com o SNS. Da&iacute; a import&acirc;ncia deste Congresso.</p>     <p>Para projetar o futuro do SNS e para o projetar no futuro parece-me necess&aacute;rio repensar o desenho, o estatuto e a governa&ccedil;&atilde;o do SNS. Explorar novos caminhos. A sa&uacute;de n&atilde;o pode ser vista como h&aacute; 20 ou 30 anos, porque tudo mudou entretanto. O SNS n&atilde;o deve estar sujeito a encontr&otilde;es de momento. &eacute; certo que os sistemas sociais t&ecirc;m uma evolu&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, um ADN e um contexto que, em certa medida, lhes determinam as possibilidades evolutivas e lhes conferem prote&ccedil;&atilde;o. Mas isso n&atilde;o basta. H&aacute; um trabalho de jardinagem que tem de ser feito continuadamente e isso &eacute; responsabilidade de todos, e do Governo tamb&eacute;m.</p>     <p>O SNS portugu&ecirc;s &eacute; um exemplo a n&iacute;vel internacional, com resultados que nos devem deixar orgulhosos. V&aacute;rios dos indicadores de sa&uacute;de comummente utilizados atingiram valores ao n&iacute;vel dos melhores do mundo e mesmo os gastos <i>per capita</i> s&atilde;o baixos relativamente &agrave; m&eacute;dia da OCDE. Devemos, indubitavelmente, estar orgulhosos e celebrar esses sucessos e, tamb&eacute;m, aprender com os erros e omiss&otilde;es e corrigi-los. Por isso, um dos objetivos deste 1.&deg; Congresso foi o de desenvolver um discurso e uma vis&atilde;o pr&oacute;prios de um SNS para o s&eacute;culo XXI, uma institui&ccedil;&atilde;o portuguesa que contribui para um pa&iacute;s empreendedor e pr&oacute;spero, atento ao bem-estar de todos.</p> </html>     ]]></body>
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