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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Caracterização da pessoa dependente no autocuidado: um estudo de base populacional num concelho do norte de Portugal]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Characteristics of a person who is dependent on self-care: A population based study in a region in the North of Portugal]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar de São João Unidade de Cuidados Intermédios de Medicina ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: In the world we live in today, as a result of the socio-demographic, economic and structural changes, dependency on self-care is becoming more and more important, and nowadays it is of great concern to the social health policies to identify the people in a dependency situation and to come up with solutions that are suitable to meet their needs. Objective: The aim of this study is to characterize and describe people dependent on self-care, integrated within a traditional family, within a private household, in a specific region in Northern Portugal. Material and methods: In a study of a quantitative, exploratory and descriptive correlation nature, and using a random, stratified and proportional probabilistic sampling technique, 2126 classic families were identified in Paços de Ferreira, in a "door-to-door" approach. 248 of them were found to have dependent members and 241 of these families accepted to take part in this research. Forms entitled "Families with Self-Care Dependent members" were used as instruments of data collection. Results: The results showed that the dependent people were mainly female and of a higher age group. As for the degree of dependency on self-care, it was shown that the higher percentage of dependent people who at least need someone's help, mostly include those who can take care of themselves: take their own medicine, feed themselves, get ready, bath or shower, get dressed and undressed, use a wheelchair, use the toilet, walk, move around, get up, and turn themselves around. As far as the degree of dependency is concerned, where global self-care is concerned, 7,9% of them were totally dependent without any kind of participation, 91,7% needed someone's help and 0,4% only needed equipment. Conclusion: The results, besides demonstrating that they need help to perform at least one of the activities inherent to each set of self-care tasks, also show that they are more likely to be exposed to a higher risk of compromising bodily processes. In view of the above, it is necessary to be aware of this reality, from an epidemiological point of view, in order to plan the proper care to meet their needs and to lead to improved health.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da pessoa dependente no autocuidado: um estudo de base populacional num concelho do norte de Portugal</b></P>     <P><b>Characteristics of a person who is dependent on self-care: A population based study in a region in the North of Portugal</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Olga Ribeiro<SUP>a</SUP><a href="#c0">*</a><a name="topc0"></a>, C&acirc;ndida Pinto<SUP>b</SUP></b> </P>     <P>a Unidade de Cuidados Interm&eacute;dios de Medicina, Centro Hospitalar de S&atilde;o Jo&atilde;o, P&oacute;lo S&atilde;o Jo&atilde;o, Porto, Portugal</P>    <P>b Unidade Cient&iacute;fico Pedag&oacute;gica: A Inf&acirc;ncia, a Adolesc&ecirc;ncia, a Experi&ecirc;ncia Parental, a Idade Adulta e o Envelhecimento (UCP - IAEPIAE), Escola Superior de Enfermagem do Porto, Porto, Portugal</P>     <p>&nbsp;</p>    <P> <B>RESUMO</B> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>     <P> <B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B>: No mundo atual, face &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es sociodemogr&aacute;ficas, econ&oacute;micas e estruturais, a depend&ecirc;ncia no autocuidado tem cada vez mais import&acirc;ncia, sendo hoje uma enorme preocupa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de sa&uacute;de e sociais a identifica&ccedil;&atilde;o das pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia e a cria&ccedil;&atilde;o de respostas ajustadas &agrave;s suas necessidades.</P>      <P> <B>Objetivo</B>: O presente estudo visa caracterizar as pessoas dependentes no autocuidado, integradas em fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas num concelho do norte de Portugal.</P>      <P> <B>Material e m&eacute;todos</B>: Num estudo de perfil quantitativo, explorat&oacute;rio, descritivo-correlacional e recorrendo a uma t&eacute;cnica de amostragem probabil&iacute;stica, aleat&oacute;ria, estratificada e proporcional, foram identificadas, numa abordagem do tipo &laquo;porta a porta&raquo;, 2.126 fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas do concelho de Pa&ccedil;os de Ferreira, das quais 248 integravam pessoas dependentes. Dessas, 241 fam&iacute;lias aceitaram participar na investiga&ccedil;&atilde;o. Como instrumentos de colheita de dados foram usados os formul&aacute;rios intitulados: <I>&laquo;Fam&iacute;lias que integram Dependentes no Autocuidado&raquo;.</I> </P>      <P> <B>Resultados</B>: Os resultados mostraram que as pessoas dependentes eram maioritariamente do sexo feminino e com um n&iacute;vel et&aacute;rio elevado. Relativamente ao grau de depend&ecirc;ncia nos dom&iacute;nios de autocuidado, os que apresentavam maior percentagem de pessoas dependentes que, no m&iacute;nimo, &laquo;necessitam de ajuda de pessoa&raquo; foram, por ordem decrescente, os autocuidados<I>: tomar medica&ccedil;&atilde;o</I>, <I>alimentar-se</I>, <I>arranjar-se, tomar banho</I>, <I>vestir-se e despir-se</I>, <I>usar cadeira de rodas</I>, <I>uso do sanit&aacute;rio</I>, <I>andar</I>, <I>transferir-se</I>, <I>elevar-se</I> e <I>virar-se</I>. No que diz respeito ao grau de depend&ecirc;ncia, face ao dom&iacute;nio do autocuidado global, 7,9% das pessoas eram totalmente dependentes, n&atilde;o participantes; 91,7% tinham necessidade de ajuda de pessoa e 0,4% s&oacute; necessitavam de equipamento.</P>      <P> <B>Conclus&atilde;o</B>: Os resultados obtidos, para al&eacute;m de evidenciarem a necessidade de ajuda de algu&eacute;m para executar, pelo menos uma das atividades inerentes a cada dom&iacute;nio de autocuidado, deixavam as pessoas dependentes propensas a um elevado risco de compromisso dos processos corporais. Face ao exposto, urge conhecer esta realidade, sob o ponto de vista epidemiol&oacute;gico, a fim de uma planifica&ccedil;&atilde;o de cuidados adequada &agrave;s necessidades, que possa conduzir a ganhos em sa&uacute;de.</P> </P>     <P> <B>Palavras-chave</B>: Dependente. Autocuidado. Depend&ecirc;ncia no autocuidado. Fam&iacute;lia. </P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>ABSTRACT</B> </P>     <P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <B>Introduction</B>: In the world we live in today, as a result of the socio-demographic, economic and structural changes, dependency on self-care is becoming more and more important, and nowadays it is of great concern to the social health policies to identify the people in a dependency situation and to come up with solutions that are suitable to meet their needs.</P>      <P> <B>Objective</B>: The aim of this study is to characterize and describe people dependent on self-care, integrated within a traditional family, within a private household, in a specific region in Northern Portugal.</P>      <P> <B>Material and methods</B>: In a study of a quantitative, exploratory and descriptive correlation nature, and using a random, stratified and proportional probabilistic sampling technique, 2126 classic families were identified in <I>Pa&ccedil;os de Ferreira</I>, in a "door-to-door" approach. 248 of them were found to have dependent members and 241 of these families accepted to take part in this research. Forms entitled "Families with Self-Care Dependent members" were used as instruments of data collection.</P>      <P> <B>Results</B>: The results showed that the dependent people were mainly female and of a higher age group. As for the degree of dependency on self-care, it was shown that the higher percentage of dependent people who at least need someone's help, mostly include those who can take care of themselves: take their own medicine, feed themselves, get ready, bath or shower, get dressed and undressed, use a wheelchair, use the toilet, walk, move around, get up, and turn themselves around. As far as the degree of dependency is concerned, where global self-care is concerned, 7,9% of them were totally dependent without any kind of participation, 91,7% needed someone's help and 0,4% only needed equipment.</P>      <P> <B>Conclusion</B>: The results, besides demonstrating that they need help to perform at least one of the activities inherent to each set of self-care tasks, also show that they are more likely to be exposed to a higher risk of compromising bodily processes. In view of the above, it is necessary to be aware of this reality, from an epidemiological point of view, in order to plan the proper care to meet their needs and to lead to improved health.</P> </P>     <P> <B>Keywords</B>: Dependent. Self-care. Dependent on self-care. Family. </P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B> </P>    <P>A evolu&ccedil;&atilde;o social e cient&iacute;fica verificada ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas tem resultado num aumento da esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida e, concomitantemente, numa maior preval&ecirc;ncia de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, fatores que se t&ecirc;m traduzido num aumento significativo de pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia. Esta &eacute; uma realidade em Portugal, tal como em outros pa&iacute;ses ditos desenvolvidos, sendo que os cuidados a estas pessoas s&atilde;o maioritariamente prestados no seio familiar. <I>&laquo;A fam&iacute;lia surge, pois, como um elemento importante de solu&ccedil;&atilde;o e o cuidado fica, assim, socialmente dividido entre o Estado e a fam&iacute;lia</I>&raquo;<SUP>1</SUP>.</P>    <P>Apesar de existirem v&aacute;rias pol&iacute;ticas governamentais de apoio a pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia, a identifica&ccedil;&atilde;o dessas pessoas, do seu grau de depend&ecirc;ncia e dos cuidados b&aacute;sicos de que necessitam, n&atilde;o se encontram estudadas de forma a um efetivo aproveitamento dessas pol&iacute;ticas por todos aqueles que delas necessitam.</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Neste sentido, o estudo por regi&otilde;es permitir-nos-&aacute; fazer um diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o, fundamentando a implementa&ccedil;&atilde;o de medidas de interven&ccedil;&atilde;o concretas, at&eacute; porque &eacute; exatamente o grau de depend&ecirc;ncia que determina os cuidados que ser&atilde;o necess&aacute;rios<SUP>2</SUP>.</P>    <P>Na verdade, a avalia&ccedil;&atilde;o do tipo e grau de depend&ecirc;ncia no autocuidado &eacute; de extrema import&acirc;ncia, quer na avalia&ccedil;&atilde;o do estado de sa&uacute;de quer no planeamento dos cuidados. O conhecimento da depend&ecirc;ncia das pessoas em cada dom&iacute;nio de autocuidado, mais especificamente em cada atividade que o concretizam, permite n&atilde;o s&oacute; planear cuidados individualizados, mas tamb&eacute;m definir e implementar interven&ccedil;&otilde;es realistas e adequadas &agrave;s necessidades<SUP>3</SUP>.</P>    <P>Neste sentido, o presente estudo foi desenvolvido, no &acirc;mbito do mestrado<SUP>4</SUP>, sendo norteado pela seguinte quest&atilde;o: &laquo;Qual a depend&ecirc;ncia no autocuidado das pessoas dependentes integradas em fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas do concelho de Pa&ccedil;os de Ferreira-&raquo;.</P>    <P>Importa referir que o conceito de <I>fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas</I> &eacute; o definido pelo Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE), segundo o qual a fam&iacute;lia cl&aacute;ssica inclui &laquo;<I>a pessoa independente que ocupe uma parte ou a totalidade de um alojamento, ou o conjunto de pessoas que residem no mesmo alojamento e que t&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es de parentesco de direito ou de facto entre si, podendo ocupar a totalidade ou parte do alojamento</I>&raquo;<SUP>5</SUP>.</P>    <P> <B>A depend&ecirc;ncia no autocuidado</B> </P>    <P>O aumento da situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia est&aacute; relacionado fundamentalmente com 2 fatores: o aumento da esperan&ccedil;a de vida e consequente envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o, e a maior preval&ecirc;ncia das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas. O envelhecimento demogr&aacute;fico diz respeito ao aumento da propor&ccedil;&atilde;o das pessoas idosas na popula&ccedil;&atilde;o total, em detrimento da popula&ccedil;&atilde;o jovem e/ou da popula&ccedil;&atilde;o em idade ativa. A propor&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o mundial com 65 ou mais anos regista uma tend&ecirc;ncia crescente, tendo aumentado de 5,3% para 6,9% do total da popula&ccedil;&atilde;o entre 1960-2001, esperando-se que aumente para 15,6% em 2050<SUP>6</SUP>. <I>&laquo;Paralelamente ao aumento do n&uacute;mero global de idosos, emerge outro fen&oacute;meno, que consiste no aumento do n&uacute;mero dos muito idosos, com maior probabilidade de degrada&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e mental&raquo;</I><SUP>7</SUP>. Trata-se de um processo secund&aacute;rio de envelhecimento demogr&aacute;fico, por vezes apelidado como &laquo;o envelhecimento dos idosos&raquo; (<I>&laquo;the aging of the aged&raquo;</I>) e que est&aacute; a acontecer gradualmente e em todo o mundo. A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) aponta que em 2025 existir&atilde;o mais de 1,2 bili&otilde;es de pessoas com idade superior a 60 anos, em que os idosos com 80 ou mais anos constituem o grupo et&aacute;rio de maior crescimento<SUP>8</SUP>.</P>    <P>Neste seguimento, o envelhecimento demogr&aacute;fico e as consequentes altera&ccedil;&otilde;es no padr&atilde;o epidemiol&oacute;gico e na estrutura da sociedade portuguesa v&ecirc;m determinando novas necessidades em sa&uacute;de, para as quais urge organizar respostas mais adequadas<SUP>9</SUP>.</P>    <P>Para al&eacute;m disso, a par dessas mudan&ccedil;as sociodemogr&aacute;ficas, constatamos que a evolu&ccedil;&atilde;o dos progressos terap&ecirc;uticos, o desenvolvimento de t&eacute;cnicas mais sofisticadas e f&aacute;rmacos mais eficazes, a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas da popula&ccedil;&atilde;o, bem como a altera&ccedil;&atilde;o dos estilos de vida, se tem traduzido num aumento significativo de pessoas com doen&ccedil;as cr&oacute;nicas que vivem mais anos e em situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia<SUP>7</SUP>. Associado a isso, se considerarmos que &eacute; essencialmente na popula&ccedil;&atilde;o com mais de 65 anos que as limita&ccedil;&otilde;es na capacidade de autocuidado se encontram mais patentes, prev&ecirc;-se o agravamento da dimens&atilde;o do problema nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas<SUP>10</SUP>.</P>    <P>A par do envelhecimento e das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, tamb&eacute;m o n&uacute;mero significativo de acidentes rodovi&aacute;rios e de trabalho t&ecirc;m contribu&iacute;do para o aumento de pessoas dependentes no autocuidado.</P>    <P>&eacute; frequente a refer&ecirc;ncia ao autocuidado como um conjunto de atividades iniciadas e executadas pela pessoa, ao longo do ciclo vital, cujo objetivo &eacute; a manuten&ccedil;&atilde;o da vida, sa&uacute;de e bem-estar. Todos os indiv&iacute;duos adultos e saud&aacute;veis t&ecirc;m capacidade de se autocuidar. Por&eacute;m, quando por motivo de doen&ccedil;a, idade, estado de desenvolvimento, falta de recursos ou fatores ambientais a necessidade de autocuidado do indiv&iacute;duo &eacute; superior &agrave; sua capacidade de o realizar, ou seja, quando existe d&eacute;fice de autocuidado, pode necessitar de ajuda a fim de satisfazer as suas necessidades de autocuidado, podendo essa ajuda provir dos familiares, amigos ou profissionais<SUP>11</SUP>. Neste sentido, a pessoa dependente &eacute; aquela que durante um per&iacute;odo de tempo, mais ou menos prolongado, necessita de ajuda de outra pessoa ou de equipamento para realizar certas atividades da vida di&aacute;ria<SUP>12-14</SUP>.</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&eacute; consensual que ao longo do ciclo vital a pessoa oscila nas necessidades de autocuidado, nas capacidades da sua satisfa&ccedil;&atilde;o e nas necessidades de ajuda dos outros, quando pelas mais variadas raz&otilde;es, nos processos de transi&ccedil;&atilde;o, se altera a condi&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo ou do meio e da autonomia se caminha para a depend&ecirc;ncia.</P>    <P>Uma transi&ccedil;&atilde;o &eacute; normalmente precipitada por um evento ou &laquo;ponto de viragem&raquo;<SUP>15</SUP>. Na transi&ccedil;&atilde;o para a depend&ecirc;ncia esse ponto pode ser identificado como o in&iacute;cio de uma doen&ccedil;a ou um acidente, ou n&atilde;o ser poss&iacute;vel de reconhecer, quando falamos, por exemplo, num estado de depend&ecirc;ncia progressivo associado ao envelhecimento. Daqui se depreende que a situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia pode ser provocada pelo aparecimento de uma ou v&aacute;rias doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, ou ser o reflexo de uma perda geral das fun&ccedil;&otilde;es, atribu&iacute;vel ao processo de envelhecimento. Assim sendo, a passagem de uma situa&ccedil;&atilde;o de independ&ecirc;ncia para uma situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia no autocuidado poder&aacute; inserir-se no conceito de transi&ccedil;&atilde;o sa&uacute;de/doen&ccedil;a e/ou de desenvolvimento.</P>    <P>A depend&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; um fen&oacute;meno novo. Sempre existiram pessoas dependentes, contudo, atualmente, numa &eacute;poca verdadeiramente marcada por profundas transforma&ccedil;&otilde;es estruturais como o envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o, a mudan&ccedil;a do perfil das patologias, com maior incid&ecirc;ncia de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, as altera&ccedil;&otilde;es na estrutura familiar decorrentes da entrada das mulheres no mundo do trabalho, o fen&oacute;meno da depend&ecirc;ncia no autocuidado apresenta-se como um dos maiores desafios, n&atilde;o s&oacute; ao n&iacute;vel da sa&uacute;de, mas tamb&eacute;m ao n&iacute;vel social e pol&iacute;tico<SUP>13,16</SUP>. Os esfor&ccedil;os desenvolvidos ao longo dos &uacute;ltimos tempos, no sentido de dar respostas aos utentes na comunidade que carecem de cuidados continuados, t&ecirc;m sido incrementados, sendo, no entanto, ainda insuficientes para as necessidades sentidas por parte das popula&ccedil;&otilde;es.</P>    <P>Na verdade, com as dificuldades do sistema de sa&uacute;de e de prote&ccedil;&atilde;o social em dar resposta a todas as necessidades de cuidados da popula&ccedil;&atilde;o, foi atribu&iacute;da &agrave; fam&iacute;lia a responsabilidade dos cuidados a prestar aos seus membros em situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia<SUP>13</SUP>.</P>    <P>O problema &eacute; que, atualmente, as novas pol&iacute;ticas de sa&uacute;de denotam tend&ecirc;ncia para que o tempo do internamento hospitalar seja cada vez menor, o que conduz a altas precoces com pessoas no domic&iacute;lio ainda em fase de recupera&ccedil;&atilde;o das suas doen&ccedil;as ou em estadio terminal de vida, totalmente dependentes de outros<SUP>7</SUP>, nomeadamente dos membros da fam&iacute;lia. Estes est&atilde;o na maioria das vezes impreparados para responder &agrave;s necessidades do familiar dependente. Na sequ&ecirc;ncia dessa situa&ccedil;&atilde;o, vivenciam transi&ccedil;&otilde;es situacionais e/ou transi&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter organizacional, que importa equacionar numa resposta dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de.</P>    <P>Na atualidade, o facto de esta realidade n&atilde;o ser suficientemente conhecida tem dificultado uma planifica&ccedil;&atilde;o adequada &agrave;s verdadeiras necessidades da pessoa dependente, bem como da fam&iacute;lia que a integra. Neste contexto releva a necessidade de conhecer a realidade portuguesa, para que se possa trabalhar na constru&ccedil;&atilde;o de modelos de interven&ccedil;&atilde;o adaptados &agrave;s reais necessidades dos dependentes e fam&iacute;lias prestadoras de cuidados. Na verdade, a verifica&ccedil;&atilde;o desses dados &eacute; uma prioridade, pois s&oacute; com resultados objetivos ser&aacute; poss&iacute;vel realizar o diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o.</P>    <p>&nbsp;</p>    <P> <B>M&eacute;todo</B> </P>    <P>Foi delineado um desenho de investiga&ccedil;&atilde;o quantitativo, explorat&oacute;rio, de natureza descritiva-correlacional e de car&aacute;ter transversal. O contexto do estudo foi o concelho de Pa&ccedil;os de Ferreira, subdividido em 16 freguesias. A popula&ccedil;&atilde;o do estudo foi constitu&iacute;da pelas fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas residentes nesse concelho, &agrave; data dos censos de 2001.</P>    <P>Perante a impossibilidade de estudar a totalidade da popula&ccedil;&atilde;o, foi constitu&iacute;da uma amostra representativa da popula&ccedil;&atilde;o em estudo. Para determinar a dimens&atilde;o da amostra utiliz&aacute;mos a f&oacute;rmula publicada pela OMS de Lwanga e Lemeshow<SUP>17</SUP>, em que n = Z<SUP>2</SUP> p (1-p)/d.</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A t&eacute;cnica de amostragem usada foi <I>probabil&iacute;stica, aleat&oacute;ria, estratificada e proporcional</I>. Uma vez que, na investiga&ccedil;&atilde;o, pretend&iacute;amos estudar uma grande popula&ccedil;&atilde;o - as fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas residentes no concelho de Pa&ccedil;os de Ferreira e que esta popula&ccedil;&atilde;o se encontrava dividida em grupos com uma caracter&iacute;stica espec&iacute;fica - o local de resid&ecirc;ncia, os estratos utilizados foram as freguesias do concelho.</P>    <P>A proporcionalidade foi de acordo com a representa&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias de cada freguesia, em rela&ccedil;&atilde;o ao valor na popula&ccedil;&atilde;o total do concelho de Pa&ccedil;os de Ferreira.</P>    <P>Para conhecer a distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica das fam&iacute;lias (em cada freguesia), recorremos &agrave; Base Geogr&aacute;fica de Referencia&ccedil;&atilde;o de Informa&ccedil;&atilde;o<SUP>18</SUP> e a um sistema de informa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fico (SIG), <I>Quantum GIS</I>, para a sele&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica aleat&oacute;ria estratificada de subsec&ccedil;&otilde;es territoriais, onde se encontravam as fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas a amostrar, de acordo com a dimens&atilde;o pretendida em cada freguesia. Os <I>outputs</I> com as referidas subsec&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas, bem como com o n&uacute;mero de fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas a amostrar, depois de importados para o <I>Bing Maps</I>, facilitaram a recolha de dados no terreno.</P>    <P>Salientamos que o presente estudo est&aacute; inserido num projeto de base populacional, pois a amostragem probabil&iacute;stica a que se recorreu permite extrapolar os resultados para o concelho onde foi desenvolvida a investiga&ccedil;&atilde;o, concorrendo para um conhecimento epidemiol&oacute;gico das pessoas dependentes, integradas em fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas do nosso pa&iacute;s.</P>    <P>A estrat&eacute;gia adotada para contactar a amostra foi a desloca&ccedil;&atilde;o dos investigadores &agrave;s sele&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas definidas previamente, recolhendo dados &laquo;porta a porta&raquo;, at&eacute; se obter o n&uacute;mero de fam&iacute;lias determinado para a freguesia.</P>    <P>Como instrumentos de colheita de dados, foram usados os formul&aacute;rios intitulados <I>&laquo;Fam&iacute;lias que integram Dependentes no Autocuidado&raquo;</I>, baseados numa investiga&ccedil;&atilde;o anterior<SUP>3</SUP>. Estes s&atilde;o constitu&iacute;dos por 2 partes: parte I - Inqu&eacute;rito Preliminar, e parte II - Formul&aacute;rio Prestador de Cuidados do Dependente (PCD).</P>    <P>A colheita de dados realizada nos domic&iacute;lios das fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas decorreu de acordo com o seguinte procedimento: realiza&ccedil;&atilde;o do inqu&eacute;rito preliminar; pedido de colabora&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria na investiga&ccedil;&atilde;o; informa&ccedil;&atilde;o sobre os objetivos da investiga&ccedil;&atilde;o e sobre a confidencialidade das respostas, garantindo-se o esclarecimento de quaisquer d&uacute;vidas; e, por fim, a aplica&ccedil;&atilde;o dos instrumentos. Em conson&acirc;ncia com os princ&iacute;pios definidos para a colheita de dados, os formul&aacute;rios foram, preferencialmente, aplicados aos membros da fam&iacute;lia prestadores de cuidados. Durante a aplica&ccedil;&atilde;o dos instrumentos de colheita de dados foi o investigador a fazer as quest&otilde;es, preenchendo ele pr&oacute;prio o formul&aacute;rio, de acordo com os dados fornecidos. Este tipo de administra&ccedil;&atilde;o permitiu, em simult&acirc;neo, esclarecer as perguntas e ter uma maior ades&atilde;o nas respostas. Para al&eacute;m disso, permitiu que alguns dados fossem documentados pelo investigador, ap&oacute;s o seu ju&iacute;zo cl&iacute;nico, nomeadamente nas quest&otilde;es que o exigiam.</P>    <P>A presente investiga&ccedil;&atilde;o cumpriu todos os requisitos legais e &eacute;ticos ao seu desenvolvimento, sendo que a sua realiza&ccedil;&atilde;o foi do conhecimento da comiss&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o de dados.</P>    <p>&nbsp;</p>    <P> <B>Resultados</B> </P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Antes da apresenta&ccedil;&atilde;o dos resultados obtidos parece-nos importante evidenciar os dados relativos &agrave; amostra do estudo. Neste sentido, e atendendo a que o objetivo foi identificar um sistema social particular (<I>fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas que integravam pessoas dependentes no autocuidado</I>), com base numa abordagem do tipo &laquo;porta a porta&raquo;, guiada pelo plano de amostragem j&aacute; definido, encontr&aacute;mos 2.126 fam&iacute;lias, das quais 11 recusaram participar no inqu&eacute;rito preliminar. Das 2.115 fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas que aceitaram responder ao inqu&eacute;rito preliminar, 248 integravam pessoas dependentes. Daqui se depreende que um valor percentual de 11,73% de fam&iacute;lias cl&aacute;ssicas do concelho de Pa&ccedil;os de Ferreira integravam pessoas dependentes no autocuidado. Das 248 fam&iacute;lias referidas, 7 recusaram participar na investiga&ccedil;&atilde;o. Por esse motivo, fic&aacute;mos com uma amostra de 241 fam&iacute;lias que integravam pessoas dependentes no autocuidado.</P>    <P>Os alojamentos onde viviam as fam&iacute;lias eram, maioritariamente, moradias (83,8%), cujas necessidades de repara&ccedil;&atilde;o eram de pequenas (33,6%) a m&eacute;dias (29,0%). Desses 241 alojamentos, s&oacute; 27,2% possu&iacute;am acessibilidade a pessoas com mobilidade comprometida e 52,1% aquecimento.</P>    <P>De entre as v&aacute;rias tipologias de fam&iacute;lias, sobressa&iacute;ram as com um n&uacute;cleo (61,9%), seguidas das fam&iacute;lias com 2 n&uacute;cleos (21,2%). &eacute; de destacar um n&uacute;mero significativo de fam&iacute;lias sem n&uacute;cleo (16,5%). Importa referir que, de acordo com o INE, o n&uacute;cleo familiar &eacute; entendido como o conjunto de 2 ou mais pessoas residentes numa fam&iacute;lia cl&aacute;ssica, entre as quais existe pelo menos um dos seguintes tipos de rela&ccedil;&atilde;o: casal, casal com filho(s), pai ou m&atilde;e com filho(s)<SUP>5</SUP>.</P>    <P>Apesar de n&atilde;o ter sido nossa pretens&atilde;o identificar prestadores de cuidados principais e secund&aacute;rios (at&eacute; porque n&atilde;o era disso que se tratava), houve situa&ccedil;&otilde;es em que os cuidados &agrave; pessoa dependente eram &laquo;partilhados&raquo; por 2 prestadores, sem que algum deles se assumisse como o principal. Assim, nas situa&ccedil;&otilde;es em que existiam 2 prestadores de cuidados foram identificados 2 perfis - o perfil 1 e o perfil 2.</P>    <P>Os prestadores de cuidados do perfil 1 (amostra constitu&iacute;da por 241 prestadores) eram, maioritariamente, do sexo feminino (89,6%), com uma idade m&eacute;dia de 56,33 anos, casados ou a viver em uni&atilde;o de facto (75,9%), com 1.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico (50,6%) e dom&eacute;sticos (33,6%) ou pensionistas/reformados (21,2%). Relativamente ao parentesco eram, predominantemente, filhos/filhas (42,7%) ou maridos/esposas (27,8%). Verificou-se que 89,4% coabitavam com a pessoa dependente.</P>    <P>Os prestadores de cuidados do perfil 2 (amostra constitu&iacute;da por 32 prestadores) eram tamb&eacute;m maioritariamente do sexo feminino (56,3%), com uma idade m&eacute;dia de 54,55 anos, casados ou a viver em uni&atilde;o de facto (87,5%), com o 1.&ordm; ou 2.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico (respetivamente 41,9 e 22,6%) e pensionistas/reformados (28,1%) ou vendedores (15,6%). Relativamente ao parentesco eram, predominantemente, pais (34,4%), filhos/filhas (21,9%) ou maridos/esposas (21,9%). Constatou-se que 71,9% coabitavam com a pessoa dependente.</P>    <P>Relativamente aos 241 dependentes (<a href="#t1">tabela 1</a>), eram, maioritariamente, do sexo feminino, com uma idade m&eacute;dia de 67,57 anos. No que se refere ao grupo et&aacute;rio, era na classe de idades superiores a 80 anos que se encontrava maior percentagem de pessoas dependentes. Importa referir que 6,2% tinham idade inferior a 18 anos.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"> <img src="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a05t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Quanto ao estado civil, constat&aacute;mos que, maioritariamente, eram casados ou vi&uacute;vos, e tendo em conta a pr&oacute;pria faixa et&aacute;ria, a quase globalidade encontrava-se na situa&ccedil;&atilde;o de pensionista/reformado. Nesta mesma linha interpretativa, o n&iacute;vel de literacia na presente amostra &eacute; muito baixo, sendo que a maioria n&atilde;o tinha qualquer n&iacute;vel de escolaridade, o que espelha bem a realidade portuguesa nesta faixa et&aacute;ria.</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Relativamente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o que originou a depend&ecirc;ncia (<a href="#t2">tabela 2</a>), destacamos como principais causas de depend&ecirc;ncia a doen&ccedil;a cr&oacute;nica e o envelhecimento. Em conson&acirc;ncia com o referido, a instala&ccedil;&atilde;o da depend&ecirc;ncia foi predominantemente gradual.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"> <img src="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a05t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>No que concerne ao tempo de depend&ecirc;ncia, obteve-se a m&eacute;dia de 11,5 anos, repartindo-se os maiores valores percentuais entre os tempos de depend&ecirc;ncia inferiores a 5 anos e entre 6-10 anos.</P>    <P>Quanto &agrave; necessidade de f&aacute;rmacos, prevaleceu o consumo de medicamentos em 97,5% dos dependentes, frequentemente em regime de polimedica&ccedil;&atilde;o. Importa ainda referir que 6,2% tiveram internamentos no &uacute;ltimo ano e 31,1% referiram epis&oacute;dios de recursos ao servi&ccedil;o de urg&ecirc;ncia.</P>    <P>Uma vez caracterizadas as pessoas dependentes, para se perceber o tipo e grau de depend&ecirc;ncia que as mesmas apresentavam, partimos dos dom&iacute;nios de autocuidado do instrumento de Avalia&ccedil;&atilde;o da Depend&ecirc;ncia no Autocuidado que integra o Formul&aacute;rio PCD, anteriormente referido. Cada um dos dom&iacute;nios de autocuidado estudados (<I>tomar banho</I>, <I>vestir-se e despir-se, arranjar-se, alimentar-se, uso do sanit&aacute;rio, elevar-se, virar-se, transferir-se, usar cadeira de rodas, andar</I> e <I>tomar medica&ccedil;&atilde;o</I>) concretiza-se atrav&eacute;s de indicadores, sendo cada um deles classificado em:<UL>     <LI>    <P> <I>&laquo;dependente, n&atilde;o participa&raquo;</I> - pessoa totalmente dependente, que n&atilde;o &eacute; capaz de realizar a atividade em an&aacute;lise;</P> </LI>     <LI>    <P> <I>&laquo;necessita de ajuda de pessoa&raquo;</I> - pessoa que realiza (inicia e/ou completa) a atividade em an&aacute;lise, necessariamente com ajuda de uma pessoa<I>;</I> </P> </LI>     ]]></body>
<body><![CDATA[<LI>    <P> <I>&laquo;necessita de equipamento&raquo;</I> - pessoa que &eacute; capaz de realizar a atividade em an&aacute;lise, apenas com aux&iacute;lio de equipamento adaptativo, n&atilde;o exigindo a colabora&ccedil;&atilde;o de pessoa<I>;</I> </P> </LI>     <LI>    <P> <I>&laquo;completamente independente&raquo;</I> - pessoa sem qualquer tipo de depend&ecirc;ncia na realiza&ccedil;&atilde;o da atividade em an&aacute;lise<I>.</I> </P> </LI>     </UL> </P>    <P>Importa sublinhar que, aquando da realiza&ccedil;&atilde;o de cada uma das atividades, atendendo ao grau de depend&ecirc;ncia apresentado, a pessoa pode necessitar da ajuda de outra, ou, em casos mais extremos, necessitar de substitui&ccedil;&atilde;o. Nesta &uacute;ltima situa&ccedil;&atilde;o, a pessoa n&atilde;o tem nenhum papel ativo no seu autocuidado (&laquo;dependente, n&atilde;o participa&raquo;), requerendo substitui&ccedil;&atilde;o em todas as suas atividades.</P>    <P>Apesar de as necessidades inerentes aos graus de depend&ecirc;ncia &laquo;dependente, n&atilde;o participa&raquo; e &laquo;necessita de ajuda de pessoa&raquo; serem diferentes, ambos refletem a necessidade de outra pessoa para a execu&ccedil;&atilde;o plena das atividades de autocuidado.</P>    <P>Neste contexto, se relativamente a cada atividade agruparmos as pessoas &laquo;dependentes, n&atilde;o participam&raquo; e as que &laquo;necessitam de ajuda de pessoa&raquo;, conseguimos perceber em quais atividades de autocuidado um maior n&uacute;mero de pessoas era dependente, no m&iacute;nimo de pessoa.</P>    <P>Uma vez conhecida a depend&ecirc;ncia em cada atividade de autocuidado procur&aacute;mos saber qual o grau de depend&ecirc;ncia das pessoas, face a cada dom&iacute;nio de autocuidado. Assim, de acordo com o grau de depend&ecirc;ncia, numa varia&ccedil;&atilde;o entre o <I>score</I> 1 &laquo;dependente, n&atilde;o participa&raquo; e o <I>score</I> 4 &laquo;completamente independente&raquo;, relativamente aos 241 dependentes, consider&aacute;mos:<UL>     <LI>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>dependente, n&atilde;o participa - pessoas dependentes que obtiveram <I>score</I> 1 em todos os itens;</P> </LI>     <LI>    <P>completamente independente - pessoas que obtiveram <I>score</I> 4 em todos os itens;</P> </LI>     <LI>    <P>necessita de equipamento - pessoas que n&atilde;o foram categorizadas, de acordo com os crit&eacute;rios anteriores, e que s&oacute; necessitavam de equipamento, ou seja, apresentavam uma m&eacute;dia de <I>scores</I> &ge; 3;</P> </LI>     <LI>    <P>necessita de ajuda de pessoa - as restantes pessoas que n&atilde;o foram categorizadas, de acordo com os crit&eacute;rios anteriores, ou seja, necessitavam de ajuda de pessoa, apresentando uma m&eacute;dia de <I>scores</I> &lt; 3.</P> </LI>     </UL> </P>    <P>Os resultados relativos aos diferentes dom&iacute;nios de autocuidado encontram-se na <a href="#t3">tabela 3</a>.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"> <img src="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a05t3.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P>Os resultados obtidos, tendo por refer&ecirc;ncia os diferentes dom&iacute;nios de autocuidado, mostraram-nos que uma parte substantiva dos dependentes necessitava de ajuda de pessoa para concretizar as atividades de autocuidado.</P>    <P>Como se pode constatar na <a href="#t3">tabela 3</a>, verific&aacute;mos que nos autocuidados - tomar banho, vestir-se e despir-se, arranjar-se, alimentar-se e tomar medica&ccedil;&atilde;o - mais de 50% das pessoas dependentes necessitavam de ajuda de pessoa para realizar o autocuidado.</P>    <P>No entanto, de modo a compreendermos a magnitude da problem&aacute;tica da pessoa dependente no autocuidado, ao agruparmos as pessoas &laquo;dependentes, n&atilde;o participam&raquo; e as que &laquo;necessitam de ajuda de pessoa&raquo;, obtivemos o valor percentual das pessoas dependentes que necessitavam, pelo menos, de ajuda de pessoa em cada dom&iacute;nio de autocuidado.</P>    <P>Assim, como se pode constatar na <a href="#f1">figura 1</a>, o dom&iacute;nio de autocuidado com maior percentagem de pessoas dependentes que, no m&iacute;nimo, necessitavam de ajuda de pessoa, est&aacute; relacionado com o tomar medica&ccedil;&atilde;o. Seguem-se os autocuidados alimentar-se, arranjar-se, tomar banho, vestir-se e despir-se, usar cadeira de rodas, uso do sanit&aacute;rio, andar, transferir-se, elevar-se e, por &uacute;ltimo, virar-se.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a05f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Por sua vez, os dom&iacute;nios de autocuidado com maior percentagem de pessoas que s&oacute; necessitavam de equipamento (<a href ="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a05f2.jpg">Fig.2</a>) para a sua concretiza&ccedil;&atilde;o eram os autocuidados relacionados com d&eacute;fices na mobilidade, como o andar, o elevar-se e o transferir-se. Deste modo, podemos depreender que, entre outros, o andarilho, a bengala e as canadianas, o transfer da cama e as grades de seguran&ccedil;a, bem como as barras de apoio, s&atilde;o equipamentos que facilitam a execu&ccedil;&atilde;o das atividades inerentes a esses autocuidados.</P>     
<P>Importa referir que nenhuma pessoa concretizava o autocuidado tomar medica&ccedil;&atilde;o com recurso apenas a equipamento.</P>    <P>De modo similar ao realizado face a cada tipo de autocuidado, procedemos &agrave; an&aacute;lise do n&iacute;vel de depend&ecirc;ncia, mas agora face ao dom&iacute;nio do autocuidado global (<a href="#f3">fig. 3</a>). Perante os resultados obtidos, verific&aacute;mos que a quase totalidade dos dependentes necessitavam, no m&iacute;nimo, de ajuda de pessoa para realizar, pelo menos, uma atividade de autocuidado.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a05f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Ap&oacute;s a an&aacute;lise descritiva, procedemos &agrave; an&aacute;lise inferencial, no sentido de identificarmos diferen&ccedil;as estat&iacute;sticas pass&iacute;veis de se revelarem importantes para o estudo.</P>    <P>Com recurso &agrave; an&aacute;lise da vari&acirc;ncia (ANOVA One-Way), pretend&iacute;amos indagar sobre a exist&ecirc;ncia de signific&acirc;ncia estat&iacute;stica entre a diferen&ccedil;a das m&eacute;dias das vari&aacute;veis em estudo e a depend&ecirc;ncia nos v&aacute;rios dom&iacute;nios de autocuidado. Por outro lado, recorrendo ao teste estat&iacute;stico <I>Qui-Quadrado</I>, procur&aacute;mos averiguar a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as na distribui&ccedil;&atilde;o das vari&aacute;veis. Dado o elevado n&uacute;mero de vari&aacute;veis envolvidas no estudo, para efeitos deste artigo apenas apresentaremos os resultados, cujos valores de p encontrados permitiram afirmar signific&acirc;ncia estat&iacute;stica entre as vari&aacute;veis (p &lt; 0,05), evidenciando-os num esquema apresentado na <a href="#f4">figura 4</a>.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a05f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Aquando do estudo da signific&acirc;ncia estat&iacute;stica entre as vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas da pessoa dependente e a depend&ecirc;ncia no autocuidado, verific&aacute;mos a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as estatisticamente significativas no caso das vari&aacute;veis <I>idade</I>, <I>estado civil</I> e <I>profiss&atilde;o</I>. Relativamente &agrave; idade, verific&aacute;mos que eram os <I>dependentes que necessitavam de ajuda de pessoa</I> para a realiza&ccedil;&atilde;o do autocuidado, os que apresentavam uma m&eacute;dia de idades mais elevada. No que concerne ao estado civil, foi nos casados ou nos que viviam em uni&atilde;o de facto e nos vi&uacute;vos que se constataram maiores percentagens de <I>dependentes que necessitavam de ajuda de pessoa.</I> Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; profiss&atilde;o, foi nos pensionistas/reformados que se registaram percentagens mais elevadas de <I>dependentes que necessitavam de ajuda de pessoa.</I> </P>    <P>No estudo da signific&acirc;ncia estat&iacute;stica entre as vari&aacute;veis de caracteriza&ccedil;&atilde;o da depend&ecirc;ncia e a depend&ecirc;ncia no autocuidado, verific&aacute;mos que as pessoas cuja depend&ecirc;ncia decorreu de uma doen&ccedil;a cr&oacute;nica e em que o modo de instala&ccedil;&atilde;o da depend&ecirc;ncia foi gradual, apresentavam valores superiores no que se reporta &agrave; necessidade de ajuda de pessoa.</P>    <P>Tamb&eacute;m a depend&ecirc;ncia foi significativamente superior nas pessoas com maior <I>consumo de medicamentos</I> e com refer&ecirc;ncia a <I>internamentos</I> e a <I>recursos ao servi&ccedil;o de urg&ecirc;ncia</I> no &uacute;ltimo ano<B>.</B> Verific&aacute;mos que foram os <I>dependentes que n&atilde;o participavam</I> os que apresentavam m&eacute;dias de internamento e m&eacute;dias de recursos ao servi&ccedil;o de urg&ecirc;ncia, no &uacute;ltimo ano, mais elevadas.</P>    <P>No estudo da signific&acirc;ncia estat&iacute;stica entre as vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas do prestador de cuidados e a depend&ecirc;ncia no autocuidado, verific&aacute;mos a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as estatisticamente significativas no caso das vari&aacute;veis <I>parentesco</I>, <I>coabita&ccedil;&atilde;o com a pessoa dependente</I> e <I>profiss&atilde;o</I>. Quando o prestador de cuidados era filho/filha verificavam-se valores mais elevados de <I>dependentes que necessitavam de ajuda de pessoa.</I> Nos casos em que o prestador de cuidados se assumia sem profiss&atilde;o remunerada, isto &eacute;, dom&eacute;stico, e coabitava com a pessoa dependente, esta apresentava maior depend&ecirc;ncia, necessitando de ajuda de pessoa.</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Na <a href="#f4">figura 4</a> explicitamos em diagrama os resultados significativos que emergiram do estudo.</P>    <p>&nbsp;</p>    <P> <B>Discuss&atilde;o</B> </P>    <P>O ambiente f&iacute;sico que rodeia a pessoa dependente pode exercer uma influ&ecirc;ncia positiva ou negativa no processo de depend&ecirc;ncia<SUP>8,19</SUP>.</P>    <P>No nosso estudo, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de alojamento, emergiram 2 resultados que podem obstaculizar os cuidados &agrave; pessoa dependente e a promo&ccedil;&atilde;o da sua autonomia. Por um lado, o facto de apenas 27,2% dos alojamentos possu&iacute;rem acessibilidade a pessoas com mobilidade comprometida, o que corrobora a ideia de que as barreiras arquitet&oacute;nicas constituem ainda hoje um dos principais fatores limitativos de uma vida social completa para pessoas com depend&ecirc;ncia<SUP>19</SUP>. Por sua vez, a inexist&ecirc;ncia de condi&ccedil;&otilde;es de aquecimento em praticamente metade dos alojamentos, pode potenciar mais depend&ecirc;ncia, aquando do tempo frio, pela maior perman&ecirc;ncia no leito.</P>    <P>Quanto ao tipo de fam&iacute;lia, as pessoas dependentes do estudo encontravam-se inseridas, maioritariamente, em fam&iacute;lias com um n&uacute;cleo (61,9%), que aquando da colheita de dados constat&aacute;mos serem constitu&iacute;das pela pr&oacute;pria pessoa dependente e pelo c&oacute;njuge. Isto remete-nos para um contexto em que a pessoa dependente &eacute; idosa, mas o prestador de cuidados tamb&eacute;m o &eacute;, e eventualmente tamb&eacute;m este com necessidades espec&iacute;ficas.</P>    <P>Relativamente aos prestadores de cuidados, emerge um perfil que veicula uma realidade social: maioritariamente mulheres (filhas, esposas, m&atilde;es), com um baixo n&iacute;vel de escolaridade.</P>    <P>Numa an&aacute;lise interpretativa entre a idade do prestador de cuidados e a sua escolaridade, n&atilde;o nos surpreende que, relativamente &agrave; profiss&atilde;o, os prestadores de cuidados do estudo, &agrave; semelhan&ccedil;a do que acontece noutros estudos<SUP>20-22</SUP>, sejam, na sua maioria, dom&eacute;sticos ou pensionistas/reformados, o que privilegia a conce&ccedil;&atilde;o tradicional de cuidar da pessoa dependente em contexto familiar.</P>    <P>Por sua vez, o perfil das pessoas dependentes &eacute; o j&aacute; evidenciado noutras investiga&ccedil;&otilde;es, nomeadamente idosos, com maior predomin&acirc;ncia do g&eacute;nero feminino, maioritariamente pensionistas/reformados. Embora a depend&ecirc;ncia n&atilde;o seja exclusiva da idade, indubitavelmente que &agrave; medida que a idade avan&ccedil;a aumentam as limita&ccedil;&otilde;es funcionais, que s&atilde;o muitas vezes agravadas pela coexist&ecirc;ncia de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas<SUP>23-25</SUP>.</P>    <P>Corroborando esta ideia, &eacute; consensual que a &laquo;depend&ecirc;ncia est&aacute; presente ao longo da vida, na inf&acirc;ncia, na juventude e na adult&iacute;cia, n&atilde;o sendo um atributo exclusivo da velhice, residindo a diferen&ccedil;a no facto de, na velhice, a depend&ecirc;ncia assumir um car&aacute;cter definitivo e permanente&raquo;<SUP>26</SUP>.</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Efetivamente no nosso estudo encontr&aacute;mos pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia numa amplitude et&aacute;ria dos 7-97 anos. Contudo, constat&aacute;mos um n&uacute;mero significativo de pessoas dependentes com idades superiores a 80 anos, ou seja, idosos da quarta idade. Verific&aacute;mos um predom&iacute;nio do g&eacute;nero feminino, o que est&aacute; em conson&acirc;ncia com a maior longevidade das mulheres. No entanto, as mulheres, apesar de viverem mais anos, t&ecirc;m uma esperan&ccedil;a de vida sem incapacidades bastante mais reduzida, quando comparada com a dos homens<SUP>27</SUP>.</P>    <P>No sentido de melhor compreendermos a situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia das pessoas, analis&aacute;mos o contexto situacional e os v&aacute;rios fatores que para ela concorrem. O envelhecimento e a doen&ccedil;a cr&oacute;nica foram na presente investiga&ccedil;&atilde;o os fatores que mais contribu&iacute;ram para a depend&ecirc;ncia. De facto, estima-se atualmente que 80% das pessoas com 65 ou mais anos sofrem, pelo menos, de uma doen&ccedil;a cr&oacute;nica e, para muitas, a presen&ccedil;a de 2 ou mais complica o estado de depend&ecirc;ncia<SUP>28</SUP>. Assim sendo, a passagem do estado de independ&ecirc;ncia para depend&ecirc;ncia inseriu-se, maioritariamente, no conceito de transi&ccedil;&atilde;o sa&uacute;de/doen&ccedil;a e/ou de desenvolvimento, relacionada com o envelhecimento.</P>    <P>Em conson&acirc;ncia com o referido, entendemos que a instala&ccedil;&atilde;o da depend&ecirc;ncia fosse predominantemente gradual, dado o car&aacute;cter insidioso e progressivo das situa&ccedil;&otilde;es de depend&ecirc;ncia, associadas &agrave;s doen&ccedil;as cr&oacute;nicas e ao envelhecimento. Tudo isto se conjuga na compreensibilidade de um tempo m&eacute;dio de depend&ecirc;ncia de 11,5 anos.</P>    <P>Quanto &agrave; necessidade de f&aacute;rmacos, no presente estudo prevaleceu o consumo de medicamentos na quase totalidade das pessoas dependentes. Os idosos s&atilde;o os maiores consumidores de f&aacute;rmacos<SUP>29</SUP>, uma vez que tamb&eacute;m &eacute; neste grupo et&aacute;rio que se verifica o predom&iacute;nio de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, a que se associam frequentemente regimes medicamentosos complexos.</P>    <P>Os resultados encontrados relativamente ao autocuidado &laquo;tomar medica&ccedil;&atilde;o&raquo; em que a maioria das pessoas dependentes necessitavam, no m&iacute;nimo, de ajuda de pessoa, constitui um fen&oacute;meno relevante, quando se estuda a problem&aacute;tica da depend&ecirc;ncia no autocuidado e dos cuidados prestados aos dependentes no seio da fam&iacute;lia. As situa&ccedil;&otilde;es de polimedica&ccedil;&atilde;o encontradas, aliadas ao perfil dos cuidadores, tamb&eacute;m maioritariamente idosos e com baixo n&iacute;vel de literacia, podem configurar um problema de gest&atilde;o adequada do regime medicamentoso, que &eacute; preciso enquadrar nas pol&iacute;ticas de sa&uacute;de.</P>    <P>No que concerne &agrave; depend&ecirc;ncia por dom&iacute;nio de autocuidado, os resultados demonstraram elevados graus de depend&ecirc;ncia. Apesar de as altera&ccedil;&otilde;es na capacidade da pessoa para executar as atividades de autocuidado poderem estar relacionadas com limita&ccedil;&otilde;es resultantes do compromisso motor, sensorial ou cognitivo, ou da sua combina&ccedil;&atilde;o<SUP>30</SUP>, numa an&aacute;lise interpretativa dos resultados descritos constata-se que as atividades de autocuidado que apresentavam maior depend&ecirc;ncia s&atilde;o aquelas cuja execu&ccedil;&atilde;o exige maior amplitude e coordena&ccedil;&atilde;o do movimento, maior capacidade motora fina e grosseira, bem como maior destreza manual, for&ccedil;a muscular (nomeadamente nos membros superiores e inferiores) ou equil&iacute;brio corporal.</P>    <P>Do referido s&atilde;o exemplos os n&iacute;veis de depend&ecirc;ncia percentualmente elevados nos autocuidados alimentar-se, arranjar-se, tomar banho e vestir-se e despir-se. Para al&eacute;m disso, se focarmos a nossa aten&ccedil;&atilde;o nos autocuidados transferir-se, elevar-se e virar-se, fortemente influenciadores da capacidade dos dependentes sa&iacute;rem da cama, percebemos que cerca de um ter&ccedil;o das pessoas dependentes necessitavam no m&iacute;nimo, de ajuda de pessoa. Estes resultados confirmam uma depend&ecirc;ncia significativa e preocupante, pois, para al&eacute;m de estarem sujeitas aos problemas com elevado risco de compromisso dos processos corporais, precisam obrigatoriamente da ajuda de outra pessoa para a sua sobreviv&ecirc;ncia e bem-estar<SUP>3,7</SUP>. Quer isto dizer que estas pessoas, sem ajuda de outra, adquirem o estatuto de &laquo;acamados&raquo;, com todas as potenciais complica&ccedil;&otilde;es que da&iacute; possam resultar.</P>    <P>Acresce a esta situa&ccedil;&atilde;o que o papel assumido pelo prestador de cuidados &eacute;, muitas vezes, de agir pela pessoa dependente ou em substitui&ccedil;&atilde;o da mesma, em detrimento das a&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o da capacidade de autocuidado, negando inconscientemente, todas as oportunidades para desenvolver o potencial remanescente da pessoa dependente.</P>    <P>Para al&eacute;m disso, importa tamb&eacute;m referir que o comprometimento na execu&ccedil;&atilde;o das atividades de autocuidado pode ser atenuado/ultrapassado pela utiliza&ccedil;&atilde;o de equipamentos espec&iacute;ficos a cada tipo de autocuidado. Assim, configura-se a necessidade de cuidados de substitui&ccedil;&atilde;o, para as pessoas dependentes que n&atilde;o participam, e cuidados de complementaridade para aqueles que &laquo;necessitam de ajuda de pessoa&raquo;<SUP>31</SUP>.</P>    <P>Quanto ao valor percentual residual (0,4%) de dependentes que s&oacute; tinham necessidade de equipamento para a concretiza&ccedil;&atilde;o do autocuidado, levanta-se uma quest&atilde;o interessante: ser&aacute; este resultado reflexo da utiliza&ccedil;&atilde;o incipiente e deficit&aacute;ria dos equipamentos que poderiam ser &uacute;teis para a promo&ccedil;&atilde;o do autocuidado das pessoas dependentes-</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Na verdade, todos reconhecemos a import&acirc;ncia dos equipamentos adaptativos na execu&ccedil;&atilde;o das atividades de autocuidado, no entanto, o desconhecimento das possibilidades de equipamento existente ou a impossibilidade de o adquirir por limita&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas poder&atilde;o justificar a &laquo;n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o&raquo;, o que contribuir&aacute; para o aumento da depend&ecirc;ncia de pessoa.</P>    <P>Os resultados do presente estudo permitem um retrato epidemiol&oacute;gico de uma regi&atilde;o, que evidencia um problema de sa&uacute;de p&uacute;blica que &eacute; preciso equacionar nas pol&iacute;ticas de sa&uacute;de e na organiza&ccedil;&atilde;o dos cuidados de sa&uacute;de. A monitoriza&ccedil;&atilde;o e acompanhamento das pessoas dependentes no domic&iacute;lio, bem como o apoio e a orienta&ccedil;&atilde;o do familiar prestador de cuidados trariam indubitavelmente &laquo;ganhos em sa&uacute;de&raquo;, pela minimiza&ccedil;&atilde;o dos riscos associados &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia.</P>    <p>&nbsp;</p>    <P> <B>Conclus&atilde;o</B> </P>    <P>A identifica&ccedil;&atilde;o do perfil dos portugueses dependentes no autocuidado e integrados em fam&iacute;lias, pode <I>&laquo;tornar-se um importante vetor para a melhoria das respostas &agrave;s necessidades em cuidados de sa&uacute;de dos cidad&atilde;os&raquo;</I><SUP>3</SUP>. Tal conhecimento potenciar&aacute; a constru&ccedil;&atilde;o de modelos de interven&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de mais consent&acirc;neos com as reais necessidades da pessoa dependente e, consequentemente, das fam&iacute;lias prestadoras de cuidados.</P>    <P>As mudan&ccedil;as nas necessidades em sa&uacute;de que surgem da hegemonia das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas e do aumento da longevidade implicam necessariamente mudan&ccedil;as no exerc&iacute;cio dos profissionais de sa&uacute;de em geral, em particular dos profissionais de enfermagem.</P>    <P>Perante o contexto do atual paradigma da desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o, com tend&ecirc;ncia a altas precoces e consequentemente pessoas no domic&iacute;lio ainda em fase de recupera&ccedil;&atilde;o das suas doen&ccedil;as ou em estadio terminal de vida, totalmente dependentes de outros, imp&otilde;e-se o conhecimento das necessidades de sa&uacute;de.</P>    <P>O atendimento na comunidade, especificamente os cuidados domicili&aacute;rios, surgem como uma resposta aos novos desafios, prevenindo ou minimizando os efeitos delet&eacute;rios da depend&ecirc;ncia e das morbilidades que lhe est&atilde;o associadas.</P>    <P>Paralelamente, o conhecimento mais aprofundado, acerca dos v&aacute;rios fatores intervenientes, nomeadamente na depend&ecirc;ncia no autocuidado, poder&aacute; permitir uma abordagem mais proativa da problem&aacute;tica, favorecendo, no futuro, um campo de interven&ccedil;&otilde;es preventivas e de cuidados individualizados.</P>    <P>Neste contexto, o conhecimento produzido, se aplicado, poder&aacute; beneficiar a comunidade, mas tamb&eacute;m potenciar o aperfei&ccedil;oamento da pr&aacute;tica de enfermagem e a qualidade dos cuidados, uma vez que a caracteriza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o abre caminho aos enfermeiros para implementarem interven&ccedil;&otilde;es, dentro das suas compet&ecirc;ncias, que contribuam para aumentar o bem-estar dos clientes e suplementar/complementar as atividades de vida, relativamente &agrave;s quais a pessoa &eacute; dependente.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <P> <B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B> </P>     <!-- ref --><P>1. M. Lage. Avalia&ccedil;&atilde;o dos cuidados informais aos idosos: estudo do impacto do cuidado no cuidador informal. Universidade do Porto, Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas Abel Salazar, (2007) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0870-9025201400010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>2. C. Caldas. O autocuidado na velhice. 2<SUP>a</SUP> ed., Rio de Janeiro, (2006) pp. 1117-1121&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0870-9025201400010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>3. H. Duque. O doente dependente no autocuidado: estudo sobre a avalia&ccedil;&atilde;o e ac&ccedil;&atilde;o profissional dos enfermeiros. Porto: Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa. Instituto de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de. 2009;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0870-9025201400010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>4. O. Ribeiro. Fam&iacute;lias com dependentes no autocuidado: um olhar sobre a pessoa dependente. Universidade do Porto, Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas Abel Salazar, (2011) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0870-9025201400010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>5. Programa de ac&ccedil;&atilde;o para os censos 2011. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica, (2010) </P>     <!-- ref --><P>6. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica. O envelhecimento em Portugal: situa&ccedil;&atilde;o demogr&aacute;fica e socioecon&oacute;mica recente das pessoas idosas. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica, (2002) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0870-9025201400010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>7. F. Petronilho. Prepara&ccedil;&atilde;o do regresso a casa. Coimbra, (2007) pp. 12-13&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0870-9025201400010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>8. Relat&oacute;rio sobre a sa&uacute;de do mundo. Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de, (2001) </P>     <P>9. Circular normativa n.&ordm;13/DGCG - programa nacional para a sa&uacute;de das pessoas idosas. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, (2004) </P>     <!-- ref --><P>10. R. Pereira. A reconstru&ccedil;&atilde;o da autonomia face ao autocuidado ap&oacute;s um evento gerador de depend&ecirc;ncia: estudo explorat&oacute;rio em meio hospitalar. Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, Instituto de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, (2008) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0870-9025201400010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>11. D. Orem. Nursing concepts of pratice. 6.<SUP>a</SUP> ed., St Louis, (2001) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0870-9025201400010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>12. F. Andrade. O cuidado informal &agrave; pessoa idosa dependente em contexto domicili&aacute;rio: necessidades educativas do cuidador principal. Universidade do Minho, Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o e Psicologia, (2009) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0870-9025201400010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>13. I. Ara&uacute;jo. Cuidar da fam&iacute;lia com um idoso dependente: forma&ccedil;&atilde;o em enfermagem. Universidade do Porto, Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas Abel Salazar, (2010) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0870-9025201400010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>14. M. Melo. Auto cuidado em doentes com hemiplegia: cuidados continuados de convalescen&ccedil;a. Universidade do Porto, Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas Abel Salazar, (2010) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S0870-9025201400010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>15. K. Schumacher, Meleis T A.. Transitions: a central concept in nursing. Image: Journal of Nursing Scholarship. 1994;26:119-27&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0870-9025201400010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>16. S. Lwanga, S. Lemeshow. Sample size determination in health studies. A pratical manual. World Health Organization, (1991) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S0870-9025201400010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>17. M. Botelho. Idoso que cuida de idosa. Universidade do Porto, Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas Abel Salazar, (2009) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0870-9025201400010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>18. Geirinhas J. BGRI - Base Geogr&aacute;fica de Referencia&ccedil;&atilde;o de Informa&ccedil;&atilde;o: conceitos e metodologias. Revista de Estudos Regionais. 2001;2:67-73.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S0870-9025201400010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>19. M. Monteiro. Viv&ecirc;ncias dos cuidadores familiares em internamento hospitalar: o in&iacute;cio da depend&ecirc;ncia. Universidade do Porto, Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas Abel Salazar, (2010) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S0870-9025201400010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>20. M. Pereira. Cuidadores informais de doentes de Alzheimer: sobrecarga f&iacute;sica, emocional e social e psicopatologia. Universidade do Porto, Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas Abel Salazar, (2007) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0870-9025201400010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>21. A. Oliveira. Cuidados informais ao idoso dependente: motivos e gratifica&ccedil;&otilde;es. Universidade de Aveiro, (2009) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0870-9025201400010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>22. L. Ricarte. Sobrecarga do cuidador informal de idosos dependentes no concelho de Ribeira Grande. Universidade do Porto, Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas Abel Salazar, (2009) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0870-9025201400010000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>23. D. Figueiredo. Cuidados familiares ao idoso dependente. Climepsi, (2007) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S0870-9025201400010000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>24. S. Paschoal. Autonomia e independ&ecirc;ncia. 2.<SUP>a</SUP> ed., S&atilde;o Paulo, (2007) pp. 609-621&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0870-9025201400010000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>25. C. Imagin&aacute;rio. O idoso dependente em contexto familiar: uma an&aacute;lise da vis&atilde;o da fam&iacute;lia e do cuidador principal. 2.<SUP>a</SUP> ed., Coimbra, (2008) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0870-9025201400010000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>26. M. Loureiro, A. Barata, C. Bonif&aacute;cio, C. Ferreira, C. Cardoso, P. Cardoso. As actividades de vida di&aacute;ria e ajudas t&eacute;cnicas nos grandes idosos: diagn&oacute;stico de situa&ccedil;&atilde;o. Geriatrics. 2007;3:50-8&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0870-9025201400010000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>27. Censos 2001: resultados definitivos: XIV recenseamento geral da popula&ccedil;&atilde;o: IV recenseamento geral da habita&ccedil;&atilde;o. INE, (2002) </P>     <!-- ref --><P>28. M. Louro. A pessoa doente e dependente: do hospital ao domic&iacute;lio. Revista de Investiga&ccedil;&atilde;o em Enfermagem. 2010;21:59-68&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0870-9025201400010000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>29. Amaral M, Vicente M. Grau de depend&ecirc;ncia nos idosos. Nursing. 2001;13(158)8-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0870-9025201400010000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>30. I. Nanda. Nursing diagnoses: definitions &amp; classification. NANDA International, (1999) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S0870-9025201400010000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>31. K. Schumacher. Reconceptualizing family caregiving: family-based illness care during chemotherapy. Res Nurs Health. 1996;19:261-71&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0870-9025201400010000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>    <P> <B>Conflito de interesses</B> </P>    <P>Os autores declaram n&atilde;o haver conflito de interesses.</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i><a href="#topc0">*</a><a name="c0"></a>Autor para correspond&ecirc;ncia</i>. <a href="mailto:olgaribeiro25@hotmail.com">olgaribeiro25@hotmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <P>Recebido 13 de Setembro de 2012. Aceito 10 de Julho de 2013</P>      ]]></body><back>
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