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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Gestão integrada da doença renal crónica: análise de uma política inovadora em Portugal]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The implementation in Portugal of a model for integrated management of disease applied to the end-stage renal disease, from 2008 onwards, has completely restructured the way of providing care, as well as the payment and follow-up of patients under dialysis. This article describes the steps taken by the Ministry of Health, in terms of the planning, implementation and follow-up of the policy, with a particular focus on the importance of involving the various groups of interest, the leadership, as well as the capacity of negotiation and influence of the Government.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Política de saúde]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[End stage renal disease]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Gest&atilde;o integrada da doen&ccedil;a renal cr&oacute;nica: an&aacute;lise de uma pol&iacute;tica inovadora em Portugal</b></P>     <P><b>Integrated management of chronic kidney disease: Analysis of an innovative policy in Portugal</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><b>Anabela Coelho<SUP>a</SUP><a href="#c0">*</a><a name="topc0"></a>, Alexandre Diniz<SUP>b</SUP>, Zulmira Hartz<SUP>c</SUP>, Gilles Dussault<SUP>d</SUP> </b></P>     <P>a Divis&atilde;o de Gest&atilde;o da Qualidade, Departamento da Qualidade na Sa&uacute;de, Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de de Portugal, Lisboa, Portugal</P>    <P>b Departamento da Qualidade na Sa&uacute;de, Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de de Portugal, Lisboa, Portugal</P>    <P>c Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal</P>    <P>d Unidade de Sistemas de Sa&uacute;de, Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <P> <B>RESUMO</B> </P>     <P>     <P>A implementa&ccedil;&atilde;o em Portugal de um modelo de gest&atilde;o integrada da doen&ccedil;a aplicado &agrave; doen&ccedil;a renal cr&oacute;nica severa, desde 2008, reestruturou o modo de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, pagamento e acompanhamento dos doentes em di&aacute;lise. Este artigo descreve os passos desenvolvidos pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de no planeamento, implementa&ccedil;&atilde;o e acompanhamento da referida pol&iacute;tica, real&ccedil;ando-se a import&acirc;ncia do envolvimento dos diferentes grupos de interesse, a lideran&ccedil;a e a capacidade de negocia&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia do Estado neste processo.</P> </P>     <P> <B>Palavras-chave</B>: Pol&iacute;tica de sa&uacute;de. Gest&atilde;o da doen&ccedil;a. Doen&ccedil;a renal cr&oacute;nica severa. Hemodi&aacute;lise. </P>     <p>&nbsp;</p>    <P> <B>ABSTRACT</B> </P>     <P>     <P>The implementation in Portugal of a model for integrated management of disease applied to the end-stage renal disease, from 2008 onwards, has completely restructured the way of providing care, as well as the payment and follow-up of patients under dialysis. This article describes the steps taken by the Ministry of Health, in terms of the planning, implementation and follow-up of the policy, with a particular focus on the importance of involving the various groups of interest, the leadership, as well as the capacity of negotiation and influence of the Government.</P> </P>     <P> <B>Keywords</B>: Public policy. Health policy. Disease management. End stage renal disease. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P> <B>Coment&aacute;rio</B> </P>    <P>Portugal foi o primeiro pa&iacute;s do mundo a conceber e implementar um programa de gest&atilde;o de doen&ccedil;a renal cr&oacute;nica em todo o territ&oacute;rio nacional, assim, importa fazer a an&aacute;lise desta medida pol&iacute;tica, cujo modelo de coordena&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o de cuidados tenta responder aos desafios da medicina baseada na evid&ecirc;ncia, da efici&ecirc;ncia t&eacute;cnica e econ&oacute;mica, da melhoria cont&iacute;nua da qualidade dos cuidados de sa&uacute;de e da satisfa&ccedil;&atilde;o dos doentes.</P>    <P>A pol&iacute;tica de sa&uacute;de de gest&atilde;o integrada da doen&ccedil;a, aplicada &agrave; doen&ccedil;a renal cr&oacute;nica (DRC) de est&aacute;dio 5, demonstrou ser capaz de incrementar a qualidade dos cuidados, melhorar a partilha de risco entre os doentes, os prestadores de cuidados e o Estado, assim como garantir a sustentabilidade do sistema de sa&uacute;de.</P>    <p>&nbsp;</p>    <P> <B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B> </P>    <P>Na &uacute;ltima d&eacute;cada t&ecirc;m-se desenhado programas de gest&atilde;o da doen&ccedil;a cr&oacute;nica para melhorar a acessibilidade, efici&ecirc;ncia e a qualidade dos cuidados<SUP>1</SUP>. A gest&atilde;o da doen&ccedil;a cr&oacute;nica &eacute; uma pol&iacute;tica de melhoria da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de aos doentes cr&oacute;nicos<SUP>2</SUP> que desenvolve iniciativas multidisciplinares de coordena&ccedil;&atilde;o de cuidados, coopera&ccedil;&atilde;o entre setores, estratifica&ccedil;&atilde;o do risco da popula&ccedil;&atilde;o, melhoria dos processos de intera&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o entre doentes e prestadores<SUP>3</SUP> garantindo-se, assim, que aos grupos-alvo se ofere&ccedil;am cuidados custo-eficientes e de elevada qualidade<SUP>1,3,4</SUP>.</P>    <P>O modelo de gest&atilde;o integrada da doen&ccedil;a renal cr&oacute;nica (GIDRC) implementado em Portugal continental, desde 2008<SUP>5</SUP>, assenta nos princ&iacute;pios basilares dos modelos de gest&atilde;o da doen&ccedil;a cr&oacute;nica, incorporando: maior rigor na gest&atilde;o cl&iacute;nica, atrav&eacute;s de normas de atua&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e defini&ccedil;&atilde;o de perfis de cuidados; reorganiza&ccedil;&atilde;o do modelo de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados; financiamento espec&iacute;fico; sistema de informa&ccedil;&atilde;o partilhado para monitoriza&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o dos resultados e o envolvimento ativo dos prestadores e das associa&ccedil;&otilde;es de doentes<SUP>6</SUP>.</P>    <P>Este modelo, dirigido inicialmente &agrave; DRC, veio reestruturar por completo a rela&ccedil;&atilde;o contratual do Estado com os prestadores, o acompanhamento dos doentes e a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados na &aacute;rea da di&aacute;lise em Portugal<SUP>7</SUP>, tendo esta medida sido descrita como um exemplo a seguir por outros pa&iacute;ses<SUP>8</SUP>. O objetivo deste artigo &eacute; (i) descrever e analisar os processos de planeamento, negocia&ccedil;&atilde;o, implementa&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de GIDRC, desde o momento da sua conce&ccedil;&atilde;o at&eacute; ao presente, e (ii) identificar de forma cr&iacute;tica as &aacute;reas de decis&atilde;o pol&iacute;tica que podem ser alvo de reformula&ccedil;&atilde;o e melhoria.</P>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <B>Metodologia</B> </P>    <P>Para a concretiza&ccedil;&atilde;o dos objetivos propostos decidimos optar pela investiga&ccedil;&atilde;o fundamental com um desenho de estudo epidemiol&oacute;gico observacional descritivo que nos permita narrar a interven&ccedil;&atilde;o de forma detalhada respeitando as vari&aacute;veis &laquo;pessoa&raquo;, &laquo;tempo&raquo; e &laquo;espa&ccedil;o&raquo;, compreender o fen&oacute;meno em causa, bem como evidenciar a complexidade das intera&ccedil;&otilde;es sociais, econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas de forma din&acirc;mica e assim produzir informa&ccedil;&atilde;o &uacute;til ao decisor pol&iacute;tico<SUP>9,10</SUP>.</P>    <P>Assim sendo, atrav&eacute;s do modelo de <I>Walt e Gilson</I> (1994) procura-se analisar a pol&iacute;tica de forma detalhada caracterizando<SUP>9</SUP>:<UL>     <LI>    <P>-&laquo;contexto&raquo;, de acordo com fatores sist&eacute;micos que podem ter influenciado a decis&atilde;o pol&iacute;tica, a saber: fatores estruturais nacionais e internacionais, normalmente est&aacute;veis numa sociedade no curto prazo (como sejam a demografia, o tipo de sistema de sa&uacute;de ou as diretivas da Uni&atilde;o Europeia), fatores culturais e sociais (como sejam a religiosidade ou a forma como a sociedade se organiza), fatores situacionais e transit&oacute;rios (por exemplo, uma cat&aacute;strofe natural ou uma crise governamental)<SUP>9,11</SUP>;</P> </LI>     <LI>    <P>-os &laquo;atores&raquo;, que podem ser indiv&iacute;duos ou grupos reconhecidos como governamentais (por exemplo, organismos do governo central, regional ou local), n&atilde;o-governamentais (por exemplo, ordens profissionais ou associa&ccedil;&atilde;o de doentes), grupos de interesse e press&atilde;o (por exemplo, a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica ou os prestadores privados de cuidados) e <I>opinion makers</I> (com sejam os <I>media</I> e a universidade)<SUP>11</SUP>;</P> </LI>     <LI>    <P>-e o processo&raquo;, cujo conceito enquadra a forma como a pol&iacute;tica foi desenhada, negociada, implementada, disseminada e avaliada, pressupondo: a identifica&ccedil;&atilde;o do problema e da forma como foi incorporado na agenda pol&iacute;tica; a an&aacute;lise das partes envolvidas no desenho da pol&iacute;tica e a forma como foi comunicada aos interessados; a an&aacute;lise de &laquo;como&raquo; e &laquo;com que recursos&raquo; a pol&iacute;tica fora implementada (incentivos, san&ccedil;&otilde;es); e, finalmente, a avalia&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica e o acompanhamento das suas consequ&ecirc;ncias<SUP>10</SUP>.</P> </LI>     </UL> </P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Toda a informa&ccedil;&atilde;o aqui reconstitu&iacute;da foi recolhida atrav&eacute;s de estudo de caso, painel de peritos, inqu&eacute;ritos por question&aacute;rio, revis&atilde;o de literatura, an&aacute;lise de documentos t&eacute;cnicos, governamentais e legisla&ccedil;&atilde;o assim como por an&aacute;lise de artigos de imprensa e consulta de p&aacute;ginas <I>web</I> institucionais.</P>    <P>O estudo de caso realizado em 5 hospitais, durante o ano de 2007, permitiu conhecer a produ&ccedil;&atilde;o e a atividade cl&iacute;nica das seguintes tipologias de unidade de di&aacute;lise: hospitais com di&aacute;lise ambulat&oacute;ria, hospitais universit&aacute;rios com di&aacute;lise de doentes renais cr&oacute;nicos com complica&ccedil;&otilde;es e de hospitais com di&aacute;lise concessionada a entidade privada. A recolha de informa&ccedil;&atilde;o incidiu sobre os custos, atos cl&iacute;nicos e consumo de medicamentos.</P>    <P>O inqu&eacute;rito, por question&aacute;rio, realizado &agrave;s 5 Administra&ccedil;&otilde;es Regionais de Sa&uacute;de (ARS) em 2007 permitiu aferir os custos globais havidos com o tratamento dos doentes em hemodi&aacute;lise e identificar a pr&aacute;tica cl&iacute;nica das unidades privadas de di&aacute;lise, naquilo que era a prescri&ccedil;&atilde;o de meios complementares de diagn&oacute;stico e medicamentos.</P>    <P>O inqu&eacute;rito de avalia&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o do doente em hemodi&aacute;lise, realizado em 2009, foi distribu&iacute;do aos doentes diretamente pelas unidades de hemodi&aacute;lise. A resposta ao question&aacute;rio era an&oacute;nima e volunt&aacute;ria sendo a devolu&ccedil;&atilde;o do mesmo assegurada pelo pr&oacute;prio doente atrav&eacute;s de envelope de resposta sem franquia. O inqu&eacute;rito obteve uma taxa de resposta de 30% (2.720 respostas).</P>    <P>O painel de peritos consultado, em 2009, para aprecia&ccedil;&atilde;o do modelo GID envolveu representantes das seguintes entidades: Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de (DGS), Administra&ccedil;&atilde;o Central do Sistema de Sa&uacute;de (ACSS), ARS, programas nacionais de sa&uacute;de, bem como representantes das sociedades cient&iacute;ficas, ordens e associa&ccedil;&otilde;es profissionais.</P>    <p>&nbsp;</p>    <P> <B>Resultados</B> </P>    <P> <B>Contexto</B> </P>    <P>A Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa consagra que &laquo;todos t&ecirc;m direito &agrave; prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e o dever de a defender e promover&raquo; e que esse &laquo;direito &agrave; prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de &eacute; realizado atrav&eacute;s do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de&raquo; (abreviadamente, SNS)<SUP>12</SUP>. O SNS, criado em 1979, &laquo;universal, geral e tendencialmente gratuito&raquo;, possibilitou o acesso universal aos cuidados de sa&uacute;de, atrav&eacute;s de um financiamento do sistema assente, essencialmente, na coleta de impostos<SUP>13</SUP>.</P>    <P>A cria&ccedil;&atilde;o do SNS fez parte do processo de democratiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social do pa&iacute;s, permitindo uma not&aacute;vel cobertura da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa. Essa expans&atilde;o deu-se em contexto de grande fragilidade financeira e de inova&ccedil;&atilde;o de modelos de gest&atilde;o<SUP>14</SUP>. Assim, a incapacidade de prestar &laquo;todos os cuidados" a &laquo;todos&raquo; resolveu-se atrav&eacute;s da aquisi&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os ao setor privado, representando, atualmente, esse setor (convencionado) cerca de 10% do total dos custos do SNS<SUP>13</SUP>.</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O SNS &eacute; um importante &laquo;segurador p&uacute;blico de sa&uacute;de&raquo;, contando com cerca de 10 milh&otilde;es de &laquo;segurados&raquo; e uma oferta de servi&ccedil;os de 218 unidades hospitalares (116 p&uacute;blicas), 388 unidades de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios<SUP>15</SUP> e 5.948 camas em unidades de cuidados continuados<SUP>16</SUP>. O SNS empregava, em 2012, 128.526 trabalhadores, dos quais, 26.136 m&eacute;dicos e 40.283 enfermeiros<SUP>17</SUP>.</P>    <P>Apesar da dificuldade de documentar a realidade do pluriemprego, sabe-se que a pr&aacute;tica simult&acirc;nea da mesma atividade no setor p&uacute;blico e privado se verifica, especialmente, entre os m&eacute;dicos hospitalares, dos quais apenas 50% t&ecirc;m dedica&ccedil;&atilde;o exclusiva &agrave; institui&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica<SUP>18</SUP>.</P>    <P> <B>Doen&ccedil;a cr&oacute;nica</B> </P>    <P>Os progressos da economia e medicina, que aumentaram a esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida das popula&ccedil;&otilde;es, foram acompanhados tamb&eacute;m de novos fatores de risco, incluindo novos estilos de vida, menos saud&aacute;veis e promotores do desenvolvimento de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas<SUP>4,19</SUP>.</P>    <P>Em 2010, um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o europeia tinha, pelo menos, uma doen&ccedil;a cr&oacute;nica<SUP>20</SUP>. A este cen&aacute;rio associam-se inevit&aacute;veis implica&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas graves, relacionadas com a limita&ccedil;&atilde;o da capacidade de trabalho e produtividade, a reforma ou aposenta&ccedil;&atilde;o precoce, o elevado n&uacute;mero de baixas ou faltas ao trabalho, assim como o baixo rendimento escolar destes doentes cr&oacute;nicos<SUP>1</SUP>. Para al&eacute;m do peso da carga da doen&ccedil;a, no consumo das fam&iacute;lias e no produto interno bruto, estima-se que as despesas com os cuidados de sa&uacute;de, dirigidos &agrave;s doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, ocupem propor&ccedil;&otilde;es cada vez maiores nos or&ccedil;amentos p&uacute;blicos e privados<SUP>21,22</SUP>.</P>    <P>Em Portugal, o fen&oacute;meno do crescimento da doen&ccedil;a cr&oacute;nica veio salientar a natureza fragment&aacute;ria do setor de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de e refor&ccedil;ar o potencial papel da gest&atilde;o da doen&ccedil;a<SUP>6</SUP>, enquanto instrumento de coordena&ccedil;&atilde;o de cuidados, com impacte significativo na dura&ccedil;&atilde;o e qualidade de vida dos doentes<SUP>21</SUP>.</P>    <P>Os decisores, para enfrentarem as crescentes restri&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais, procuram novas metodologias de utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos em sa&uacute;de mais custo-efetivas, verificando-se, nos &uacute;ltimos anos, em v&aacute;rios pa&iacute;ses da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&oacute;mico (OCDE), a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas de abordagem da doen&ccedil;a cr&oacute;nica, centrados na efici&ecirc;ncia, qualidade e coordena&ccedil;&atilde;o efetiva dos cuidados<SUP>23</SUP>.</P>    <P>Essas iniciativas t&ecirc;m-se materializado, em Portugal, na reforma dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios e na reorganiza&ccedil;&atilde;o da rede hospitalar, &laquo;atrav&eacute;s de uma vis&atilde;o integrada e mais racional do sistema de presta&ccedil;&atilde;o, que permita maior equidade territorial e uma gest&atilde;o mais eficiente dos recursos&raquo;<SUP>24</SUP>. Destaca-se, dentro das principais medidas pol&iacute;ticas recentemente adotadas, o desenvolvimento do modelo de GID que, num contexto de grande conten&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, &eacute; capaz de atingir objetivos de efici&ecirc;ncia e qualidade, centrados na medicina baseada na evid&ecirc;ncia, e ser, igualmente, um instrumento de coordena&ccedil;&atilde;o de cuidados, socialmente aceit&aacute;vel<SUP>6,8,25,26</SUP>.</P>    <P> <B>Doen&ccedil;a renal cr&oacute;nica severa</B> </P>    <P>A DRC &eacute; caracterizada pela perda gradual e inexor&aacute;vel da fun&ccedil;&atilde;o renal. O n&iacute;vel mais avan&ccedil;ado da DRC, tamb&eacute;m designado de &laquo;severa&raquo; ou &laquo;est&aacute;dio 5&raquo;, exige que a substitui&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o renal seja assegura por hemodi&aacute;lise, di&aacute;lise peritoneal ou transplante renal<SUP>27</SUP>.</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Portugal apresenta, face &agrave; maioria dos pa&iacute;ses da Europa, uma das maiores taxas de incid&ecirc;ncia (226,5 novos casos por milh&atilde;o de habitantes [pmh]) e de preval&ecirc;ncia (1661,9 casos pmh) de DRC est&aacute;dio 5, sob tratamento de substitui&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o renal<SUP>1,28</SUP>.</P>    <P>A distribui&ccedil;&atilde;o destes doentes DRC em est&aacute;dio 5 por modalidade de tratamento, em Portugal, caracteriza-se pelo predom&iacute;nio da hemodi&aacute;lise face &agrave; di&aacute;lise peritoneal (94 <I>versus</I> 6%)<SUP>29</SUP>, o que acompanha a tend&ecirc;ncia da maior parte dos pa&iacute;ses europeus<SUP>30</SUP>.</P>    <P>Contudo, Portugal, com 54,5 transplantes pmh, ocupa o primeiro lugar no <I>ranking</I> dos pa&iacute;ses da OCDE com uma elevada preval&ecirc;ncia de doentes vivos com enxerto renal funcionante<SUP>1</SUP>.</P>    <P>A presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de hemodi&aacute;lise &eacute;, atualmente, assegurada, na sua quase totalidade (cerca de 90% dos doentes) por prestadores privados de sa&uacute;de. No territ&oacute;rio nacional 71,3% das unidades de di&aacute;lise s&atilde;o privadas, 25% s&atilde;o p&uacute;blicas e 3,7% s&atilde;o unidades dos hospitais p&uacute;blicos concessionadas a entidades privadas<SUP>31</SUP>. Cerca de 2,5% da despesa p&uacute;blica global em sa&uacute;de &eacute; com o pagamento da hemodi&aacute;lise, percentagem similar &agrave; de outros pa&iacute;ses da Europa<SUP>7</SUP>.</P>    <P> <B>A pol&iacute;tica de gest&atilde;o integrada da doen&ccedil;a</B> </P>    <P>A alternativa que se vislumbra &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de cuidados tradicional &eacute; o desenho de novas formas de coordena&ccedil;&atilde;o de cuidados<SUP>32</SUP> e a implementa&ccedil;&atilde;o de modelos inovadores de gest&atilde;o doen&ccedil;a<SUP>33</SUP> cujas diferen&ccedil;as se caracterizam em diversos par&acirc;metros apresentados na <a href ="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a10t1.jpg">Tabela 1</a>.</P>     
<P>A GID, como ve&iacute;culo importante e permanente de informa&ccedil;&atilde;o de apoio &agrave; decis&atilde;o pol&iacute;tica e &agrave; melhoria da sa&uacute;de dos portugueses, foi adotada, em 2008, como uma estrat&eacute;gia central e uma ferramenta de melhoria da qualidade e da efici&ecirc;ncia dos cuidados prestados<SUP>5</SUP>.</P>    <P>A pol&iacute;tica de GID, cujo modelo conceptual se apresenta na <a href ="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a10f1.jpg">Fig 1</a>, prev&ecirc;:<UL>     
<LI>    <P>-uma adequada gest&atilde;o cl&iacute;nica, atrav&eacute;s da produ&ccedil;&atilde;o de normas, da estratifica&ccedil;&atilde;o dos doentes por n&iacute;veis de risco e da cria&ccedil;&atilde;o de perfis de cuidados por patologia;</P> </LI>     ]]></body>
<body><![CDATA[<LI>    <P>-um novo modelo organizativo da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, no qual os doentes s&atilde;o orientados no sistema para que sejam tratados no n&iacute;vel de cuidados adequado de forma custo-efetiva;</P> </LI>     <LI>    <P>-um modelo de financiamento adaptado, que inclua o acompanhamento e monitoriza&ccedil;&atilde;o dos resultados obtidos pelas unidades prestadoras de cuidados;</P> </LI>     <LI>    <P>-a partilha de um sistema de informa&ccedil;&atilde;o modular, integrador de v&aacute;rios sistemas j&aacute; existentes, que apoiam a decis&atilde;o cl&iacute;nica (com alertas, <I>guidelines</I>, resultados cl&iacute;nicos, etc.), a decis&atilde;o pol&iacute;tica (com informa&ccedil;&atilde;o detalhada sobre a evolu&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica da doen&ccedil;a e seus custos) e a decis&atilde;o do pr&oacute;prio doente e fam&iacute;lia (informa&ccedil;&atilde;o sobre a doen&ccedil;a, prestadores de cuidados, etc.).</P> </LI>     </UL> </P>     <P> <B>Atores</B> </P>    <P>O anexo 1 sistematiza as entidades que mais ativamente estiveram envolvidas na conce&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o da medida pol&iacute;tica de GIDRC; as suas pretens&otilde;es e o n&iacute;vel de participa&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia.</P>    <P> <B>Processo</B> </P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>O processo de implementa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica GIDRC incluiu: identifica&ccedil;&atilde;o do problema, defini&ccedil;&atilde;o, implementa&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica a adotar.</P>    <P> <B>Identifica&ccedil;&atilde;o do problema</B> </P>    <P>Relativamente ao <I>sistema de informa&ccedil;&atilde;o</I>, at&eacute; 2007 n&atilde;o existia, a n&iacute;vel dos servi&ccedil;os centrais do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, qualquer registo sobre os doentes em di&aacute;lise<SUP>34</SUP>.</P>    <P>Quanto ao <I>financiamento</I>, o que existia, at&eacute; 2007, na &aacute;rea da di&aacute;lise, era o de &laquo;pagamento por ato&raquo;, ou seja, as unidades de di&aacute;lise faturavam aquilo que elas pr&oacute;prias prescreviam e ofereciam como servi&ccedil;o, a saber: sess&otilde;es de di&aacute;lise, medicamentos, exames complementares de diagn&oacute;stico, entre outros.</P>    <P>Para a aferi&ccedil;&atilde;o dos custos globais com o tratamento dos doentes em di&aacute;lise foram inquiridas as ARS, as quais demonstraram, em 2006, ter uma despesa de 200 milh&otilde;es de euros para os cerca de 7.700 doentes (2.164/doente/m&ecirc;s), e realizado estudo de caso em v&aacute;rias unidades p&uacute;blicas e privadas de di&aacute;lise, atrav&eacute;s do qual se verificou grande disparidade nos custos, com uma varia&ccedil;&atilde;o de 2.000-20.000 &euro;/doente/ano<SUP>34</SUP>.</P>    <P> <I>No que respeita &agrave; gest&atilde;o cl&iacute;nica</I>, verificou-se, durante o estudo de caso, que as unidades de di&aacute;lise apresentavam diferen&ccedil;as significativas na tipologia e periodicidade dos seus protocolos terap&ecirc;uticos e de exames complementares de diagn&oacute;stico, que faturavam integralmente ao Estado.</P>    <P>Para al&eacute;m desta assimetria de prescri&ccedil;&atilde;o, para uma mesma tipologia de doentes, verificou-se, ainda, a repeti&ccedil;&atilde;o indiscriminada de exames complementares de diagn&oacute;stico sem qualquer objetividade cl&iacute;nica.</P>    <P>Quanto &agrave; <I>organiza&ccedil;&atilde;o de cuidados</I>, constatou-se que o doente em di&aacute;lise, por se deslocar v&aacute;rias vezes por semana &agrave; unidade de hemodi&aacute;lise, encontrava, nesse espa&ccedil;o, uma oportunidade para assegurar a vigil&acirc;ncia do seu estado de sa&uacute;de global. De acordo com um estudo realizado em 2009, 46% dos doentes hemodialisados recorriam, para cuidados gerais de sa&uacute;de, ao nefrologista da unidade de di&aacute;lise e que somente 7% dos doentes tinha recorrido, nos &uacute;ltimos 6 meses, ao centro de sa&uacute;de<SUP>35</SUP>. Esta discrimina&ccedil;&atilde;o involunt&aacute;ria dos doentes fazia com que os mesmos ficassem privados de integrar os programas nacionais de preven&ccedil;&atilde;o e controlo de doen&ccedil;as, pois toda a atividade de medicina preventiva era assegurada pelo nefrologista na unidade de di&aacute;lise, sem qualquer articula&ccedil;&atilde;o com o m&eacute;dico de fam&iacute;lia e centro de sa&uacute;de.</P>    <P> <B>Defini&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica</B> </P>    <P>O desenho da mencionada medida pol&iacute;tica foi despoletado a 9 de janeiro de 2007, quando &eacute; anunciado, atrav&eacute;s da comunica&ccedil;&atilde;o social, pela Associa&ccedil;&atilde;o de Prestadores de Di&aacute;lise (ANADIAL), que as suas unidades de hemodi&aacute;lise associadas n&atilde;o receberiam nenhum novo doente at&eacute; ser revisto o pre&ccedil;o por sess&atilde;o de di&aacute;lise, acordado com o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de em 2006<SUP>36,37</SUP>. A crise, que se perspetivava, entre o Estado portugu&ecirc;s e os prestadores de cuidados de di&aacute;lise privados, foi a &laquo;janela de oportunidade&raquo; para a implementa&ccedil;&atilde;o do primeiro projeto de GID.</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>A DGS ficou respons&aacute;vel por coordenar e orientar a implementa&ccedil;&atilde;o do modelo conceptual da GIDRC e envolver todos os atores mencionados na <a href="#t2">tabela 2</a><SUP>5</SUP>.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"> <img src="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a10t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Ao longo do processo de desenho do modelo de GIDRC v&aacute;rias foram as reuni&otilde;es de trabalho entre o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (DGS e ACSS) e os diferentes <I>stakeholders</I>, em sede de governo ou em f&oacute;runs cient&iacute;ficos alargados, procurando auscultar os principais intervenientes neste processo.</P>    <P>Esta abordagem integrada e global da DRC foi objeto de uma interven&ccedil;&atilde;o multidisciplinar e intersetorial<SUP>5</SUP> (<a href="#t2">tabela 2</a>).</P>    <P>Para garantia da qualidade e seguran&ccedil;a dos doentes foi acordado, entre os interessados, um conjunto m&iacute;nimo de metas e objetivos que os prestadores de cuidados teriam que cumprir para efeitos de pagamento, numa l&oacute;gica de <I>Pay for Performanc</I><SUP>8,25,26,38</SUP> e que, centralmente, era monitorizado pela Comiss&atilde;o Nacional de Acompanhamento da Di&aacute;lise (CNAD), constitu&iacute;da em 2008, atrav&eacute;s de um sistema de informa&ccedil;&atilde;o desenhado para o efeito, designado de Plataforma de Gest&atilde;o Integrada da Doen&ccedil;a<SUP>39</SUP>.</P>    <P>O acordo entre a ANADIAL e o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de celebrou-se a 18 de janeiro de 2008 e foi renovado a 31 de janeiro de 2011, com a inclus&atilde;o no pagamento por &laquo;pre&ccedil;o compreensivo&raquo; da componente dos acessos vasculares, at&eacute; ent&atilde;o suportada exclusivamente pelo SNS.</P>    <P>Em 2011, este pagamento por &laquo;pre&ccedil;o compreensivo&raquo; consubstanciava-se num valor m&eacute;dio por doente/semana de 547,94 &euro;<SUP>40</SUP>, para o qual se considerava um conjunto de atos cl&iacute;nicos, medicamentos, meios complementares de diagn&oacute;stico e a manuten&ccedil;&atilde;o dos acessos vasculares.</P>    <P>Neste projeto da GIDRC, o financiamento da presta&ccedil;&atilde;o por &laquo;pre&ccedil;o compreensivo&raquo; funcionou como um instrumento modelador da gest&atilde;o dos cuidados de sa&uacute;de, pois ao contr&aacute;rio do anterior, este passou a estar associado a uma carteira de servi&ccedil;os e a um conjunto de resultados de sa&uacute;de, ultrapassando-se, assim, alguns dos constrangimentos relacionados com o deficiente controlo dos custos e qualidade da atividade<SUP>35</SUP>.</P>    <P> <B>Avalia&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica</B> </P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Apesar do crescimento m&eacute;dio anual do n&uacute;mero de doentes em di&aacute;lise de cerca de 3%<SUP>41</SUP>, verifica-se que, ao longo dos anos de implementa&ccedil;&atilde;o da medida pol&iacute;tica, o controlo de custos foi progressivamente alcan&ccedil;ado, sem que a qualidade da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados e a seguran&ccedil;a do doente fossem amea&ccedil;adas<SUP>40</SUP>.</P>    <P>As metas e os objetivos negociados entre o Estado e os prestadores de cuidados de di&aacute;lise, para acompanhamento da qualidade da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, monitorizados semestralmente pela CNAD, apresentam, de 2009 a 2011, uma evolu&ccedil;&atilde;o francamente positiva. A taxa de mortalidade (<a href="#f2">fig. 2</a>) e a taxa de internamento hospitalar (com valores de 4,9% em 2009 e 4,4% em 2011) dos doentes em hemodi&aacute;lise t&ecirc;m vindo, progressivamente, a diminuir.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"> <img src="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a10f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Os par&acirc;metros de controlo da qualidade do tratamento, tais como, os valores de hemoglobina, do f&oacute;sforo s&eacute;rico, do eKt/V (par&acirc;metro que avalia a adequabilidade do tratamento dial&iacute;tico), encontram-se dentro dos valores estabelecidos pela DGS (<a href="#f3">fig. 3</a>) e de acordo com as melhores recomenda&ccedil;&otilde;es internacionais<SUP>38</SUP>.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a10f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Ainda no &acirc;mbito da qualidade da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados e considerando o &uacute;ltimo inqu&eacute;rito, dirigido aos doentes em hemodi&aacute;lise, realizado em 2009, real&ccedil;a-se a elevada satisfa&ccedil;&atilde;o dos doentes para com os profissionais de sa&uacute;de e condi&ccedil;&otilde;es da pr&oacute;pria unidade de di&aacute;lise (75% das classifica&ccedil;&otilde;es em &laquo;Bom&raquo; e &laquo;Muito Bom&raquo;), o elevado reconhecimento dos pr&oacute;prios, no que diz respeito a: (i) garantia de acesso a outros cuidados especializados (84% n&atilde;o tiveram problemas de acesso a outro m&eacute;dico especialista); (ii) transporte para realizar as sess&otilde;es de di&aacute;lise (90% tem o transporte assegurado pelo SNS); (iii) medicamentos e exames complementares de diagn&oacute;stico (100% suportado pelo SNS)<SUP>35</SUP>. Verifica-se, tamb&eacute;m, que mais de 2 ter&ccedil;os dos doentes (68%) sente-se devidamente esclarecido e envolvido na tomada de decis&atilde;o sobre a escolha de modalidade de di&aacute;lise<SUP>35</SUP>.</P>    <P>O modelo de GID e a experi&ecirc;ncia da GIDRC t&ecirc;m sido apresentados em v&aacute;rios <I>fora</I> cient&iacute;ficos nacionais e internacionais e em reuni&otilde;es cient&iacute;ficas e pol&iacute;ticas da Comiss&atilde;o Europeia, tendo a 11 de outubro de 2008 merecido o pr&eacute;mio inova&ccedil;&atilde;o <I>Casemix Innovation Prize</I><SUP>42</SUP>, de entre 93 projetos internacionais apresentados no <I>24th Patient Classification Systems International Working Conference - Casemix Beyond Funding: Contributions for Health Policy</I>.</P>    <P>Com o objetivo de avaliar o n&iacute;vel de penetra&ccedil;&atilde;o e aceita&ccedil;&atilde;o da medida pol&iacute;tica GID na pr&aacute;tica cl&iacute;nica e de gest&atilde;o das unidades de sa&uacute;de, a DGS, ACSS e a Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade Nova de Lisboa (ENSP/UNL) organizaram uma reuni&atilde;o de discuss&atilde;o estrat&eacute;gica, a 25 e 26 de junho de 2009, com a participa&ccedil;&atilde;o dos principais quadros de gest&atilde;o de topo de institui&ccedil;&otilde;es e &oacute;rg&atilde;os de sa&uacute;de ao n&iacute;vel nacional e com a presen&ccedil;a da <I>Kaiser Permanente</I> (seguradora de sa&uacute;de americana, fundada em 1945).</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Este evento, para al&eacute;m de privilegiar a sensibiliza&ccedil;&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o e envolvimento direto destes atores no processo de implementa&ccedil;&atilde;o na medida pol&iacute;tica, constituiu ainda uma oportunidade de valida&ccedil;&atilde;o do modelo estrat&eacute;gico de GID, no contexto nacional, por ausculta&ccedil;&atilde;o direta do painel de peritos convidado.</P>    <P>Das conclus&otilde;es da reuni&atilde;o com o painel de peritos, sobre o processo de implementa&ccedil;&atilde;o da medida GID, os autores constru&iacute;ram uma an&aacute;lise <I>SWOT</I> apresentada na <a href ="/img/revistas/rpsp/v32n1/32n1a10t3.jpg">Tabela 3</a>.</P>     
<P>O alargamento da medida pol&iacute;tica a outras patologias foi igualmente discutido e consensualizado em 2007, num painel <I>Delphi</I>, com peritos de reconhecido m&eacute;rito acad&eacute;mico e profissional na &aacute;rea da sa&uacute;de, um conjunto de patologias priorit&aacute;rias a integrar futuramente no modelo de GID<SUP>6,43</SUP>.</P>    <p>&nbsp;</p>    <P> <B>Discuss&atilde;o</B> </P>    <P>Em Portugal, como nos outros pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia, o envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; uma realidade e reflete n&atilde;o s&oacute; o sucesso das novas tecnologias de sa&uacute;de, como, tamb&eacute;m, a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas e da oferta de cuidados promotores de uma maior longevidade, comum aos pa&iacute;ses mais desenvolvidos<SUP>44</SUP>. A DRC, &agrave; semelhan&ccedil;a de outras doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, assume particular aten&ccedil;&atilde;o por parte da maioria dos pa&iacute;ses desenvolvidos.</P>    <P>Existem v&aacute;rios fatores explicativos para a elevada incid&ecirc;ncia e preval&ecirc;ncia da DRC de est&aacute;dio 5, sob tratamento de substitui&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o renal, em Portugal, a saber: (i) a acessibilidade garantida &agrave; di&aacute;lise a todos os doentes com DRC; (ii) a elevada taxa de transplanta&ccedil;&atilde;o de rim associada a melhores taxas de sobrevida (um doente transplantado continua a ser DRC est&aacute;dio 5); (iii) o aumento generalizado, na popula&ccedil;&atilde;o em geral, da esperan&ccedil;a m&eacute;dia de vida, acompanhado de uma crescente preval&ecirc;ncia de diabetes e hipertens&atilde;o arterial; (iv) o aumento de sobreviv&ecirc;ncia de doentes com patologia cardiovascular e neopl&aacute;sica, com sequela de DRC<SUP>1,45</SUP>.</P>    <P>Em Portugal, a modalidade de di&aacute;lise predominante &eacute; a hemodi&aacute;lise, como na maioria dos pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia<SUP>30</SUP>, no entanto, por falta de oferta do servi&ccedil;o p&uacute;blico, esta atividade &eacute; convencionada, desde 1980, na sua quase totalidade, ao setor privado.</P>    <P>Para estimular o incremento de outras modalidades de di&aacute;lise, a DGS tem desenvolvido alguns programas de incentivo &agrave; di&aacute;lise domicili&aacute;ria para promo&ccedil;&atilde;o da di&aacute;lise peritoneal.</P>    <P>A presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de, na Europa, n&atilde;o tem conseguido acompanhar as necessidades de cuidados dos doentes/popula&ccedil;&otilde;es com doen&ccedil;a cr&oacute;nica pois &eacute; um sistema reativo, dependente da iniciativa do doente, fragmentado, desorganizado, muitas vezes duplicado e com enfoque na agudiza&ccedil;&atilde;o ou complica&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a<SUP>21</SUP>.</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Por outro lado, os governos, fruto da conjuntura social e econ&oacute;mica atual, est&atilde;o cada vez mais comprometidos em demonstrar que a aloca&ccedil;&atilde;o dos dinheiros p&uacute;blicos &eacute; adequada e justa<SUP>46</SUP>. No entanto, essa <I>accountability</I> (gest&atilde;o eficiente e transparente) &eacute; dif&iacute;cil de demonstrar, pois a grande maioria das entidades p&uacute;blicas n&atilde;o consegue tomar decis&otilde;es com base na evid&ecirc;ncia ou em an&aacute;lise do impacte previsto<SUP>10</SUP>. Na g&eacute;nese dessa dificuldade est&atilde;o: (i) a aus&ecirc;ncia de bons sistemas de informa&ccedil;&atilde;o; (ii) o curto espa&ccedil;o de tempo para agir/reagir; (iii) a grande dificuldade em adaptar-se &agrave; mudan&ccedil;a; (iv) os compromissos ideol&oacute;gicos/valores p&uacute;blicos a defender; (v) a lideran&ccedil;a de diferentes atores com m&uacute;ltiplos interesses; (vi) os problemas com que se deparam, normalmente, complexos atendendo &agrave; natureza turbulenta do setor<SUP>10,47</SUP>.</P>    <P>Para al&eacute;m destas quest&otilde;es, constata-se, ainda, que o conte&uacute;do das medidas pol&iacute;ticas nem sempre incide sobre procedimentos ou t&eacute;cnicas baseados na evid&ecirc;ncia, mas, tamb&eacute;m, sobre aquilo que &eacute; concretiz&aacute;vel na altura da decis&atilde;o pol&iacute;tica<SUP>9</SUP>.</P>    <P>As pol&iacute;ticas que n&atilde;o conseguem interagir num contexto din&acirc;mico, incerto e em constante mudan&ccedil;a, como &eacute; atualmente o da sa&uacute;de<SUP>47</SUP>, correm o risco de n&atilde;o conseguirem atingir os seus prop&oacute;sitos e de se tornarem, rapidamente, capturadas e obsoletas<SUP>48</SUP>.</P>    <P>A pol&iacute;tica de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de di&aacute;lise, at&eacute; 2007, &eacute; um bom exemplo de uma pol&iacute;tica de sa&uacute;de reativa e n&atilde;o previsional da eventual monopoliza&ccedil;&atilde;o do mercado por parte das unidades privadas de di&aacute;lise, o que inevitavelmente veio a acontecer ao fim de alguns anos.</P>    <P>A crise pol&iacute;tica instalada, em Portugal, entre o Governo e os prestadores privados de di&aacute;lise proporcionou um &laquo;meio de cultura&raquo; favor&aacute;vel &agrave; reestrutura&ccedil;&atilde;o da forma como se definia, revia, negociava e implementava a pol&iacute;tica de sa&uacute;de de regula&ccedil;&atilde;o da oferta de cuidados aos doentes em di&aacute;lise<SUP>7</SUP>.</P>    <P>A decis&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; um processo din&acirc;mico que, perante mudan&ccedil;as econ&oacute;micas, sociais e pol&iacute;ticas, encontra &laquo;janelas de oportunidade&raquo;, ou seja, encontra momentos oportunos para a tomada de decis&atilde;o em que se consegue, em simult&acirc;neo, o alinhamento de 3 fatores fundamentais: (i) reconhecimento, por parte dos pol&iacute;ticos e comunidade, do problema e sua integra&ccedil;&atilde;o na agenda pol&iacute;tica; (ii) desenho de eventuais solu&ccedil;&otilde;es, por parte de organismos p&uacute;blicos, academia, <I>think-tanks</I>, etc., que sejam t&eacute;cnica, cultural e eticamente aceit&aacute;veis, assim como economicamente vi&aacute;veis; (iii) clima pol&iacute;tico favor&aacute;vel &agrave; mudan&ccedil;a e &agrave; ado&ccedil;&atilde;o da nova pol&iacute;tica<SUP>47</SUP>.</P>    <P>De acordo com Swanson et al.<SUP>49</SUP>, o que torna uma pol&iacute;tica verdadeiramente adaptativa &eacute; o seu desenho e forma de implementa&ccedil;&atilde;o focada na capacita&ccedil;&atilde;o do homem e do seu ecossistema para lidar com o imprevisto. Esta forma inovadora de fazer pol&iacute;tica em Portugal, atrav&eacute;s de um modelo de gest&atilde;o da doen&ccedil;a, procurou desenhar um processo pr&oacute;-ativo, participado e adaptativo que, de acordo com os mesmos autores, respondesse &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es previamente previstas/antecipadas (garantindo a manuten&ccedil;&atilde;o da sua <I>performance</I>, atrav&eacute;s, por exemplo, da garantia da continuidade das sess&otilde;es de di&aacute;lise a todos os doentes) e &agrave;s n&atilde;o previstas (procurando integrar na agenda pol&iacute;tica assuntos emergentes, como sejam, por exemplo, a responsabiliza&ccedil;&atilde;o das unidades de di&aacute;lise para com os doentes que tratam, atrav&eacute;s de uma forma inovadora de financiamento da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados)<SUP>49</SUP>.</P>    <P>Portugal &eacute;, assim, identificado como o 1.&ordm; pa&iacute;s do mundo a conceber e implementar, &agrave; escala nacional, um modelo de GID, dirigido &agrave; DRC severa, capaz de incrementar a qualidade dos cuidados, melhorar a partilha de risco entre os doentes, os prestadores de cuidados e o Estado, assim como garantir a sustentabilidade do sistema de sa&uacute;de<SUP>8,25,26</SUP>.</P>    <P>Um dos mecanismos que os pol&iacute;ticos t&ecirc;m vindo a desenvolver para controlar os custos na sa&uacute;de &eacute; a atribui&ccedil;&atilde;o de um pagamento fixo por condi&ccedil;&atilde;o/doen&ccedil;a e per&iacute;odo, pois, em teoria, este incentivo financeiro melhora a coordena&ccedil;&atilde;o, transi&ccedil;&atilde;o de cuidados e reduz, por exemplo, as readmiss&otilde;es hospitalares<SUP>3</SUP>. Na pr&aacute;tica, o sucesso de alguns programas de gest&atilde;o da doen&ccedil;a tem sido comprometido por falta de incentivo financeiro<SUP>50</SUP>.</P>    <P>O pagamento dos prestadores de cuidados de sa&uacute;de por pre&ccedil;o compreensivo &eacute; uma modalidade inovadora de financiamento e tem sido visto como um bom exemplo de gest&atilde;o por parte de outros pa&iacute;ses<SUP>51</SUP>, pois abandona o &laquo;pagamento por ato&raquo;, causa de desperd&iacute;cio de recursos e incentivo &agrave; multiplica&ccedil;&atilde;o de atos m&eacute;dicos, eventualmente desnecess&aacute;rios<SUP>52</SUP>.</P>    ]]></body>
<body><![CDATA[<P>V&aacute;rios t&ecirc;m sido os relatos internacionais alusivos a esta pr&aacute;tica inovadora de gest&atilde;o da DRC real&ccedil;ando a partilha de risco como fator de garantia de sustentabilidade dos sistemas de sa&uacute;de, pela gest&atilde;o mais eficiente dos recursos, assim como a import&acirc;ncia de um acompanhamento rigoroso da qualidade e seguran&ccedil;a dos doentes<SUP>7,8,25,26</SUP>.</P>    <P>O projeto de GIDRC parece-nos, assim, ser um instrumento apropriado para no atual contexto prosseguir a efici&ecirc;ncia, a qualidade e a seguran&ccedil;a, bem como os novos desafios inerentes &agrave; pr&aacute;tica de uma medicina moderna.</P>    <P>Apesar dos ganhos econ&oacute;micos e financeiros, associados a programas de gest&atilde;o da doen&ccedil;a, n&atilde;o serem imediatos, os resultados finais em qualidade de vida e ganhos de sa&uacute;de s&atilde;o rapidamente observados<SUP>1,23,32</SUP>, tendo-se j&aacute; verificado a replica&ccedil;&atilde;o do modelo de GIDRC em Espanha<SUP>26</SUP> e, mais recentemente, em janeiro de 2011, nos EUA<SUP>53</SUP>.</P>    <P>Estas iniciativas de coordena&ccedil;&atilde;o de cuidados podem n&atilde;o ser <I>cost saving</I>, mas s&atilde;o uma ferramenta de garantia de <I>value for money</I> no sistema de sa&uacute;de<SUP>23</SUP>.</P>    <P>A medida GIDRC, apesar do seu curto per&iacute;odo de <I>follow-up</I>, parece demonstrar ser um instrumento de coordena&ccedil;&atilde;o de cuidados, partilha de risco e garantia da qualidade da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, pois, para al&eacute;m do progressivo controlo de custos tem, igualmente, demonstrado uma melhoria gradual dos indicadores de resultado, como sejam a mortalidade, o internamento hospitalar e os par&acirc;metros de monitoriza&ccedil;&atilde;o da qualidade, tais como a hemoglobina, o f&oacute;sforo s&eacute;rico e o eKt/V.</P>    <P>No tocante ao n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o dos doentes em di&aacute;lise pudemos verificar, como em outros estudos<SUP>54</SUP>, que a grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o se encontra globalmente satisfeita com a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados e com o comportamento dos profissionais de sa&uacute;de.</P>    <P>O relat&oacute;rio &laquo;Patient survey and analysis of renal care across the European Union&raquo;<SUP>55</SUP> veio real&ccedil;ar, a par dos nossos resultados, que os doentes em Portugal se consideram devidamente esclarecidos e envolvidos na tomada de decis&atilde;o sobre a escolha de modalidade de di&aacute;lise.</P>    <P>Com este modelo &eacute; reconhecido um papel relevante aos principais atores deste processo de cuidados, sendo garantido, por medidas <I>Win Win:</I> <UL>     <LI>    <P>-aos doentes: o acesso a todos os cuidados de que necessitem, uma presta&ccedil;&atilde;o de cuidados integrados, uma monitoriza&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua da qualidade dos cuidados e um papel ativo no processo de gest&atilde;o da sua doen&ccedil;a<SUP>56</SUP>.</P> </LI>     ]]></body>
<body><![CDATA[<LI>    <P>-aos prestadores de cuidados de di&aacute;lise: uma clarifica&ccedil;&atilde;o do modo de funcionamento do mercado possibilitando, atrav&eacute;s da informa&ccedil;&atilde;o de retorno sobre os seus resultados cl&iacute;nicos, uma melhoria da gest&atilde;o interna dos processos, o alcance de maiores n&iacute;veis efici&ecirc;ncia t&eacute;cnica e financeira, sem compromisso da qualidade dos cuidados e da seguran&ccedil;a do doente.</P> </LI>     <LI>    <P>-ao SNS: instrumentos de monitoriza&ccedil;&atilde;o, da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de aos doentes DRC em di&aacute;lise, fi&aacute;veis e permanentemente atualizados, que permitem, em tempo &uacute;til, responder &agrave;s necessidades de cuidados, reduzir as desigualdades de acesso, normalizar as pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas, focar os cuidados no doente em prol de mais ganhos de sa&uacute;de, contribuindo para a sustentabilidade do sistema.</P> </LI>     </UL> </P>    <P>Esta medida pol&iacute;tica foi alargada, posteriormente, a outras patologias, como sejam a esclerose m&uacute;ltipla e a obesidade de grau 3<SUP>6</SUP>, pretendendo-se, no futuro, vir a incluir a hipertens&atilde;o pulmonar arterial.</P>    <P>Poder&aacute; ser considerado como eventual limita&ccedil;&atilde;o, a esta an&aacute;lise de pol&iacute;tica, o fato de 2 dos autores, no estrito &acirc;mbito do cumprimento das suas fun&ccedil;&otilde;es enquanto dirigentes do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de/DGS, terem estado envolvidos na conce&ccedil;&atilde;o, implementa&ccedil;&atilde;o e monitoriza&ccedil;&atilde;o da medida pol&iacute;tica GIDRC.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>Considera&ccedil;&otilde;es finais</B> </P>    <P>Desta an&aacute;lise podemos retirar algumas li&ccedil;&otilde;es, como sejam:<UL>     ]]></body>
<body><![CDATA[<LI>    <P>i. incentivo da hemodi&aacute;lise no setor privado, desde 1980, criou a monopoliza&ccedil;&atilde;o da presta&ccedil;&atilde;o, sendo extremamente dif&iacute;cil reverter esta depend&ecirc;ncia a favor do setor p&uacute;blico, pois exigiria um investimento em infraestruturas extremamente elevado;</P> </LI>     <LI>    <P>ii. os pol&iacute;ticos, muitas vezes s&atilde;o ref&eacute;ns das medidas pol&iacute;ticas definidas no passado tendo grande dificuldade em reverter benef&iacute;cios, servi&ccedil;os ou incentivos atribu&iacute;dos anteriormente;</P> </LI>     <LI>    <P>iii. a crise pol&iacute;tica, instalada em 2007, devidamente contextualizada, discutida e trabalhada com todos os interessados, transformou-se numa verdadeira oportunidade de mudan&ccedil;a e melhoria do sistema, pois teve o forte comprometimento do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, profissionais, doentes e unidades de di&aacute;lise na procura de uma adequada reforma dos cuidados de sa&uacute;de, onde todos ficariam a ganhar <I>(Win Win);</I> </P> </LI>     <LI>    <P>iv. a medida pol&iacute;tica GIRDRC &eacute; uma pol&iacute;tica adaptativa, pois, atrav&eacute;s do exaustivo entendimento dos atores, contexto e processos, procurou responder ao meio envolvente de forma pr&oacute;-ativa;</P> </LI>     <LI> <I></I>     <P>v. a regula&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica cl&iacute;nica e o combate ao desperd&iacute;cio, garantidos atrav&eacute;s de medidas de GID orientadas para qualidade da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados e seguran&ccedil;a dos doentes, s&atilde;o cruciais em ambientes com elevado grau de incerteza e, particularmente, em momentos de grande constrangimento financeiro;</P> </LI>     ]]></body>
<body><![CDATA[<LI> <I></I>     <P>vi. a medida pol&iacute;tica GIDRC permite controlar os custos com a hemodi&aacute;lise, partilhar o risco com as unidades de di&aacute;lise, regular a pr&aacute;tica cl&iacute;nica, tornando-a eficiente e equitativa, envolver os doentes na gest&atilde;o da sua doen&ccedil;a e garantir a melhoria da qualidade da presta&ccedil;&atilde;o e dos resultados de sa&uacute;de;</P> </LI>     <LI>    <P>vii. reconhecimento internacional da medida pol&iacute;tica GIDRC, tem sido demonstrado atrav&eacute;s da replica&ccedil;&atilde;o da iniciativa em outros pa&iacute;ses, da atribui&ccedil;&atilde;o de um pr&eacute;mio internacional de inova&ccedil;&atilde;o e da participa&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rios &laquo;Peer Reviews&raquo; europeus;</P> </LI>     <LI>    <P>viii. com as metas e objetivos, permanentemente atualizados, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de pode definir planos de a&ccedil;&atilde;o focalizados, bem como criar mecanismos de preven&ccedil;&atilde;o, acompanhamento e monitoriza&ccedil;&atilde;o da evolu&ccedil;&atilde;o da DRC em Portugal;</P> </LI>     <LI>    <P>ix. a medida GI DRC deve alargar o seu n&iacute;vel de integra&ccedil;&atilde;o a outros n&iacute;veis de cuidados, como sejam a preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, atrav&eacute;s de um maior envolvimento dos m&eacute;dicos de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios e outros profissionais de sa&uacute;de, dos doentes e fam&iacute;lia;</P> </LI>     <LI>    <P>x. e por fim, s&atilde;o necess&aacute;rios estudos de investiga&ccedil;&atilde;o dirigidos &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o custo-efetiva da interven&ccedil;&atilde;o e aos resultados de sa&uacute;de alcan&ccedil;ados no longo prazo, assim como &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o do modelo conceptual GID, para apoiarem, de forma mais consistente, as eventuais futuras decis&otilde;es pol&iacute;ticas.</P> </LI>     ]]></body>
<body><![CDATA[</UL> </P>     <p>&nbsp;</p>    <P> <B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B> </P>     <P>1. Health at a Glance 2011: OECD indicators. OECD Publishing, (2011) </P>     <!-- ref --><P>2. R. Windt, G. Glaeske. Effects of a German Asthma Disease Management Program using sickness fund claims data. J Asthma. 2010;1-6&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S0870-9025201400010001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>3. Z. Eapen, S.D. Reed, L.H. Curtis, A.F. Hernandez, E.D. Peterson. Do heart failure disease management programs make financial sense under a bundled payment system-. Am Heart J. 2011;161:916-22&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0870-9025201400010001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>4. Health at a Glance 2012: OECD indicators. OECD Publishing, (2012) </P>     <P>5. Despacho n&ordm; 4325/2008. D.R. IIa S&eacute;rie 35. (2008-02-19) 6498-6503.</P>     <!-- ref --><P>6. A. Escoval, A. Coelho, J.A. Diniz, M. Rodrigues, F. Moreira, P. Espiga. Gest&atilde;o integrada da doen&ccedil;a: uma abordagem experimental de gest&atilde;o em sa&uacute;de. Rev Port Sa&uacute;de P&uacute;blica. 2010;tem&aacute;tico:105-15&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000181&pid=S0870-9025201400010001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>7. Ernst &amp; Young. Panorama da IRCT em Portugal. [S. l.]. Ernst &amp; Young, (2012) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0870-9025201400010001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>8. C.K. Bundling. Euro Style. Renal Business Today, (2008) </P>     <!-- ref --><P>9. G. Walt, L. Gilson. Reforming the health sector in developing countries: The central role of policy analysis. Health Policy Plan. 1994;353-70&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0870-9025201400010001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>10. G. Guess, P. Farnham. Cases in public policy analysis. Georgetown University Press, (2011) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S0870-9025201400010001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>11. G. Walt. Implementing health care reform: A framework for discussion. Critical challenges for health care reform in Europe., Open University Press, (1998) pp. 365-382&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0870-9025201400010001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>12. Lei Constitucional n&ordm; 1/2005. D.R. 155 (12-08-2005) 4642-86.</P>     <!-- ref --><P>13. P. Barros, S. Machado, J. Sim&otilde;es. Portugal: Health system review. Health Syst Transit. 2011;13:1-156&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S0870-9025201400010001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>14. Observat&oacute;rio Portugu&ecirc;s dos Sistemas de Sa&uacute;de. O estado da Sa&uacute;de e a Sa&uacute;de do Estado, Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica, (2002) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S0870-9025201400010001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>15. Indicadores de infraestruturas e equipamentos. INE, (2012) </P>     <P>16. Relat&oacute;rio de monitoriza&ccedil;&atilde;o da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) - 1&ordm; Semestre 2012.: documento t&eacute;cnico. Unidade de Miss&atilde;o para os Cuidados Continuados Integrados, (2012) </P>     <P>17. Balan&ccedil;o Social Global Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de 2011: documento t&eacute;cnico. Administra&ccedil;&atilde;o Central do Sistema de Sa&uacute;de, (2012) </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>18. P. Ferrinho, A. Biscaia, I. Fronteira, F. Hip&oacute;lito, G. Dussault. Multiple employment in the health sector in Portugal. Cah Sociol Demogr Med. 2007;3:331-46&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S0870-9025201400010001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>19. Scaling up action against noncommunicable diseases: How much will it cost-. WHO, (2011) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S0870-9025201400010001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>20. Global status report on noncommunicable diseases 2010. WHO, (2011) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S0870-9025201400010001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>21. R. Busse, M. Bl&uuml;mel, D. Scheller-Kreinsen, A. Zentner. Tackling chronic disease in Europe: Strategies, interventions and challenges. Copenhagen: European Observatory on Health Systems and Policies. 2010;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S0870-9025201400010001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <P>22. The future of healthcare in Europe. [S. l.]. The Economist Intelligence Unit Limited, (2011) </P>     <P>23. Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&oacute;mico. Value for money in health spending. OECD Publishing, (2010) </P>     <P>24. Portal do Governo, (2011) </P>     <P>25. Portugal to introduce a bundled rate for hemodialysis treatment [S. l.]. Fresenius Medical Care, (2008) </P>     <P>26. Fresenius Medical Care awarded first contract for comprehensive dialysis care and performance-oriented reimbursement in Spain. [S. l.]. Fresenius Medical Care, (2011) </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>27. J. Sullivan. End stage renal disease economics and the balance of treatment modalities. J Service Science &amp; Management. 2010;3:45-50&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S0870-9025201400010001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>28. ERA-EDTA Registry Annual Report 2009. Academic Medical Center. Department of Medical Informatics, (2011) </P>     <P>29. Registo Nacional de Doen&ccedil;a renal cr&oacute;nica terminal da Sociedade Portuguesa de Nefrologia. Sociedade Portuguesa de Nefrologia, (2012) </P>     <P>30. USRDS 2011: annual data report: atlas of chronic kidney disease and end -stage renal disease in the United States. USRDS, (2011) </P>     <P>31. Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. Relat&oacute;rio de fluxos de doentes em di&aacute;lise 2012: documento t&eacute;cnico. Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, (2013) </P>     <!-- ref --><P>32. M. Rijken, N. Bekkema, P. Boeckxstaens, F.G. Schellevis, J.M. de Maeseneer, P.P. Groenewegen. Chronic disease management programmes: An adequate response to patient's needs-. Health Expect. 2012;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0870-9025201400010001000015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>33. N. Curry, C. Ham. Clinical and service integration: The route to improved outcomes. The King's Fund, (2010) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S0870-9025201400010001000016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>34. Memorando sobre gest&atilde;o integrada da doen&ccedil;a renal cr&oacute;nica e c&aacute;lculo de custos m&eacute;dios por doente: documento t&eacute;cnico. Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. Administra&ccedil;&atilde;o Central do Sistema de Sa&uacute;de, (2007) </P>     <!-- ref --><P>35. A. Coelho, H. S&aacute;, J.A. Diniz, G. Dussault. The integrated management for renal replacement therapy in Portugal. Hemodial Int. 2014;18:175-84&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S0870-9025201400010001000017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>36. Lusa.. Insuficientes renais contra fecho de centros privados de di&aacute;lise a novos doentes. Jornal P&uacute;blico. 2007;</P>     <P>37. Governo corta financiamentos. Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Prestadores de Cuidados de Sa&uacute;de, (2007) </P>     <P>38. Gest&atilde;o integrada da doen&ccedil;a renal cr&oacute;nica: metas e objectivos para monitoriza&ccedil;&atilde;o de resultados em di&aacute;lise. Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, (2008) </P>     <P>39. Despacho n<SUP>o</SUP> 3789/2008. D.R. 32. II<SUP>a</SUP> S&eacute;rie (14-02-2008) 5779-80.</P>     <P>40. Relat&oacute;rio de acompanhamento da actividade: hemodi&aacute;lise 2010: documento t&eacute;cnico. Administra&ccedil;&atilde;o Central do Sistema de Sa&uacute;de, (2011) </P>     <P>41. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. Relat&oacute;rio de fluxos de doentes em di&aacute;lise 2011: documento t&eacute;cnico., Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, (2011) </P>     <!-- ref --><P>42. Candeias A, Escoval A, Espiga P, Diniz A, Moreira F. Financing within the scope of the integrated disease management: "payment per comprehensive price". In: 24th Patient Classification Systems International Conference, Lisboa, 8-11 de Outubro 2008. Casemix beyond funding: contributions for health policy. Lisboa: PCSI; 2008. [consultado 13 Abr 2013]. Dispon&iacute;vel em: <A href="http://www.acss.min-saude.pt/%C3%81reaseUnidades/DepartamentoGest%C3%A3oeFinanciamentoPrestSa%C3%BAde/ArtigosResumos/tabid/452/language/pt-PT/Default.aspx" Target="blank">http://www.acss.min-saude.pt/%C3%81reaseUnidades/DepartamentoGest%C3%A3oeFinanciamentoPrestSa%C3%BAde/ArtigosResumos/tabid/452/language/pt-PT/Default.aspx</A>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000219&pid=S0870-9025201400010001000018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>43. Patologias a integrar, prioritariamente, em projectos da Gest&atilde;o Integrada da Doen&ccedil;a: documento t&eacute;cnico. Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, (2008) </P>     <!-- ref --><P>44. R. Bernd, E. Grundy, J.M. Robine, J. Cylus, J.P. Mackenbach, C. Knai. Ageing in the European Union. 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Creating adaptive policies: A guide for policy-making in an uncertain world., Sage, (2009) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000225&pid=S0870-9025201400010001000023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>49. D. Swanson, S. Barg, S. Tyler, H.D. Venema, S. Tomar, S. Bhadwal. Seven guidelines for policy-making in an uncertain world. Cap. 2. Creating adaptive policies: a guide for policy-making in an uncertain world., Sage, (2009) &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000226&pid=S0870-9025201400010001000024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P>50. H. Seow, C.O. Phillips, M.W. Rich, J.A. Spertus, H.M. Krumholz, J. Lynn. Isolation of health services research from practice and policy: The example of chronic heart failure management. J Am Geriatr Soc. 2006;535-40&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000227&pid=S0870-9025201400010001000025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P>51. Despacho n<SUP>o</SUP> 19109/2010. D.R. 249. II<SUP>a</SUP> S&eacute;rie (17-12-2010) 62547.</P>     <!-- ref --><P>52. P. Barros, J.P. Gomes. Os sistemas nacionais de sa&uacute;de da Uni&atilde;o Europeia: principais modelos de gest&atilde;o hospitalar e efici&ecirc;ncia no sistema hospitalar portugu&ecirc;s. Gabinete de An&aacute;lise Econ&oacute;mica. Faculdade de Economia. 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