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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2014.06.004</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Qualidade de vida em pessoas idosas no momento de internamento hospitalar]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Aveiro Departamento de Ciências da Saúde ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Hospitalization is an event of high anxiety mainly for older persons, due to its association with health status deterioration and decrease of the quality of life. This study examines older person's quality of life at admission, considering the influence of socio-demographic, pathology and hospitalization duration variables. The sample comprises 250 participants (&#8805; 65 years old), 50.4% females. The Elderly Assessment System (EasyCare) was administered. Main findings show that: 27.6% of the participants are dependent in ADL and IDLA; 38.5% are dependent in IADL and independent in ADL; 39.6% are independent. The dependent tend to be older, with lower income, having lower education levels, being widowed, institutionalized, feeling more depressed and less satisfied with their residence; the independent tend to be less older, more satisfied with their housing conditions, able to manage their finances, with higher educational levels, married or divorced; and dependent moderates have intermediate values. Results suggest that the quality of life is influenced by life styles, what should be addressed during the hospitalization.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Qualidade de vida]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Qualidade de vida em pessoas idosas no momento de internamento hospitalar</B></P>     <P><B>Quality of life in older persons at the hospitalization admission</B></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Gorete Santos<SUP>a</SUP><SUP>, <a href="#c0">*</a><a name="topc0"></a>, </SUP>, Liliana Sousa<SUP>b</SUP><SUP>, </SUP> </B></P>     <P><SUP>a</SUP> Hospital Infante D. Pedro, EPE, Mestre em Gerontologia, Estudante do 2&deg; Ano do Programa Doutoral em Geriatria e Gerontologia</P>     <P><SUP>b</SUP> Sec&ccedil;&atilde;o Aut&oacute;noma de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de da Universidade de Aveiro, Departamento de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, Universidade de Aveiro, Aveiro, Portugal</P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>RESUMO</B> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>     <P>O internamento hospitalar &eacute; um momento de elevada ansiedade para pessoas idosas, pois associa-se &agrave; deteriora&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e qualidade de vida. Este estudo analisa a qualidade de vida de pessoas idosas no momento da admiss&atilde;o num internamento hospitalar, considerando vari&aacute;veis de natureza sociodemogr&aacute;ficas, patologia e tempo de internamento. A amostra compreende 250 participantes (&ge; 65 anos), 50,4% do sexo feminino. Administrou-se por entrevista o EasyCare (sistema de avalia&ccedil;&atilde;o de pessoas idosas). Os principais resultados indicam: 27,6% dos participantes s&atilde;o dependentes nas AVD e AIVD; 38,5% s&atilde;o dependentes nas AVID e pouco dependentes nas AVD; 39,6% s&atilde;o independentes. As pessoas idosas mais dependentes tendem a ter mais idade, menores rendimentos, menor escolaridade, ser vi&uacute;vos, viverem em institui&ccedil;&atilde;o, sentirem-se mais deprimidos e estarem menos satisfeitos com a sua resid&ecirc;ncia; os independentes s&atilde;o mais novos, tendem a estar mais satisfeitos com a sua habita&ccedil;&atilde;o e a gerir de forma aut&oacute;noma as suas finan&ccedil;as, apresentam maior escolaridade, s&atilde;o casados ou divorciados; e os dependentes moderados apresentam valores interm&eacute;dios. Os resultados sugerem que a qualidade de vida &eacute; influenciada por estilos de vida, indicando que durante o internamento hospitalar estes fatores sejam valorizados.</P>     <P> <B>Palavras-chave</B>: Qualidade de vida. Doen&ccedil;a. Envelhecimento. </P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>ABSTRACT</B> </P>     <P>     <P>Hospitalization is an event of high anxiety mainly for older persons, due to its association with health status deterioration and decrease of the quality of life. This study examines older person's quality of life at admission, considering the influence of socio-demographic, pathology and hospitalization duration variables. The sample comprises 250 participants (&ge; 65 years old), 50.4% females. The Elderly Assessment System (EasyCare) was administered. Main findings show that: 27.6% of the participants are dependent in ADL and IDLA; 38.5% are dependent in IADL and independent in ADL; 39.6% are independent. The dependent tend to be older, with lower income, having lower education levels, being widowed, institutionalized, feeling more depressed and less satisfied with their residence; the independent tend to be less older, more satisfied with their housing conditions, able to manage their finances, with higher educational levels, married or divorced; and dependent moderates have intermediate values. Results suggest that the quality of life is influenced by life styles, what should be addressed during the hospitalization.</P>     <p></P>     <P> <B>Keywords</B>: Quality of life. Disease. Aging. </P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B> </P>     <P>O envelhecimento populacional torna mais relevantes t&oacute;picos como a qualidade de vida (QV) em pessoas idosas. O interesse neste tema tem-se acentuado nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, com grande &ecirc;nfase na depend&ecirc;ncia/autonomia<SUP>1</SUP>. A QV &eacute; um constructo multidimensional, influenciado por fatores como estado de sa&uacute;de, rede social e familiar, situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e atividades de lazer<SUP>2</SUP>. A QV &eacute; subjetiva, pois trata-se da perce&ccedil;&atilde;o individual. As diferen&ccedil;as de QV entre pessoas idosas t&ecirc;m sido explicadas por estilos de vida, condi&ccedil;&otilde;es sociodemogr&aacute;ficas e caracter&iacute;sticas pessoais<SUP>3</SUP>.</P>     <P>Em Portugal n&atilde;o foram encontrados estudos sobre hospitaliza&ccedil;&atilde;o e QV. Contudo, a pesquisa internacional mostra que, principalmente nas pessoas idosas, na sequ&ecirc;ncia de um internamento hospitalar tende a ocorrer diminui&ccedil;&atilde;o da capacidade funcional e da perce&ccedil;&atilde;o de QV, associada &agrave; maior preval&ecirc;ncia de comorbilidades<SUP>4,5</SUP>. &Eacute; pertinente conhecer a QV das pessoas idosas no momento do internamento hospitalar para melhor planear os servi&ccedil;os e recursos durante o internamento, respondendo com mais efic&aacute;cia &agrave;s suas necessidades e caracter&iacute;sticas. Este estudo analisa a QV de pessoas idosas no momento de internamento hospitalar, considerando a influ&ecirc;ncia de vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas. Os resultados t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento de medidas que visem melhorar os cuidados aos clientes idosos durante o internamento hospitalar.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>Qualidade de vida, envelhecimento e hospitaliza&ccedil;&atilde;o</B> </P>     <P>O prolongamento da vida humana, que ocorre a n&iacute;vel mundial, &eacute; uma das maiores conquistas da humanidade, exigindo que os anos conquistados sejam acompanhados de QV<SUP>6&ndash;9</SUP>. O envelhecimento &eacute; um processo heterog&eacute;neo e complexo, normal, universal e inevit&aacute;vel, vivenciado de forma individual e singular<SUP>8</SUP>.</P>     <P>A QV &eacute; um conceito subjetivo, complexo e multidimensional, determinado pela perce&ccedil;&atilde;o individual e por fatores ambientais e biol&oacute;gicos (como idade, etnia, cultura e estatuto socioecon&oacute;mico). Trata-se de um conceito din&acirc;mico que varia ao longo do tempo, tendo em conta as aspira&ccedil;&otilde;es, ambi&ccedil;&otilde;es e perce&ccedil;&otilde;es individuais em cada momento da vida<SUP>10</SUP>. Neste estudo adota-se a defini&ccedil;&atilde;o da OMS (1994), que tamb&eacute;m &eacute; a defini&ccedil;&atilde;o utilizada no Programa Nacional para a Sa&uacute;de das Pessoas Idosas<SUP>11</SUP>. A QV<SUP>12</SUP> segundo a OMS <I>&laquo;&eacute; uma perce&ccedil;&atilde;o individual da posi&ccedil;&atilde;o na vida, no contexto do sistema cultural e de valores em que as pessoas vivem e relacionada com os seus objetivos, expectativas, normas e preocupa&ccedil;&otilde;es. &Eacute; um conceito amplo, subjetivo, que inclui de forma complexa a sa&uacute;de f&iacute;sica da pessoa, o seu estado psicol&oacute;gico, o n&iacute;vel de independ&ecirc;ncia, as rela&ccedil;&otilde;es sociais, as cren&ccedil;as e convic&ccedil;&otilde;es pessoais e a sua rela&ccedil;&atilde;o com os aspetos importantes do meio ambiente&raquo;.</I> Nesta defini&ccedil;&atilde;o prevalece a ideia de subjetividade (perspetiva individual), multidimensionalidade (v&aacute;rias dimens&otilde;es), umas positivas e outras negativas (para uma &laquo;boa&raquo; QV &eacute; necess&aacute;rio alguns elementos estarem presentes e outros ausentes), envolvendo influ&ecirc;ncia de fatores internos e externos (por exemplo, h&aacute;bitos e estilo de vida).</P>     <P>A QV nas pessoas idosas assume contornos espec&iacute;ficos, pois existem diferentes formas de ser idoso e diferentes padr&otilde;es de envelhecimento<SUP>10</SUP>. Nesta fase da vida a QV associa-se ao passado (principalmente aos estilos de vida adotados), ao presente (sobretudo na forma como se encara o envelhecimento) e &agrave;s perspetivas de futuro, mesmo que limitado (nomeadamente no sentido e projetos para os pr&oacute;ximos tempos de vida)<SUP>3,13,14</SUP>. Frequentemente, a QV nas pessoas idosas tem sido associada &agrave; (in)depend&ecirc;ncia funcional, pois o aumento da idade tende a ser acompanhado pela deteriora&ccedil;&atilde;o de capacidades funcionais e aumento de doen&ccedil;as que potenciam a depend&ecirc;ncia<SUP>9,15</SUP>. De sublinhar que nas pessoas idosas h&aacute; tend&ecirc;ncia para utilizar o estado de sa&uacute;de e QV como sin&oacute;nimos, contudo, a distin&ccedil;&atilde;o deve ser efetuada<SUP>16</SUP>: a QV pode ser consequ&ecirc;ncia do estado de sa&uacute;de, mas a sa&uacute;de &eacute; apenas um dos determinantes da QV. Al&eacute;m disso, outros aspetos influenciam a QV nos mais idosos, tais como<SUP>15</SUP>: rendimentos (por exemplo, as reformas baixas, insuficientes para enfrentar as necessidades, limitam a autonomia e diminuem a QV); reforma (pode levar &agrave; perda de pap&eacute;is sociais e diminui&ccedil;&atilde;o da autoestima); e o afastamento do meio (por exemplo atrav&eacute;s da institucionaliza&ccedil;&atilde;o ou sa&iacute;da da pr&oacute;pria casa para viver com um filho/a). Assim, a QV nas pessoas idosas depende da aquisi&ccedil;&atilde;o de atitudes e processos de <I>coping</I> que lhe permitam adaptar-se (capacidade adaptativa), encontrando formas (dentro das suas circunst&acirc;ncias) de permanecer envolvida com o seu meio<SUP>17</SUP>.</P>     <P>A QV nas pessoas idosas &eacute; relevante para compreender o processo de envelhecimento e para desenvolver estrat&eacute;gias que visem o bem-estar nesta fase de vida. Um internamento hospitalar, em qualquer idade, &eacute; um momento vivido com elevada ansiedade; torna-se mais complexo nos mais idosos pela associa&ccedil;&atilde;o &agrave; morte, depend&ecirc;ncia e doen&ccedil;a. Al&eacute;m disso, a hospitaliza&ccedil;&atilde;o tende a refor&ccedil;ar sentimentos negativos da pessoa idosa, principalmente porque fica mais fr&aacute;gil, ansiosa e com sensa&ccedil;&atilde;o de isolamento<SUP>18</SUP>. A literatura indica que, ap&oacute;s a alta hospitalar, principalmente as pessoas idosas tendem a apresentar decl&iacute;nio funcional e maior morbilidade e mortalidade nos meses seguintes<SUP>19</SUP>.</P>     <P>As taxas e dura&ccedil;&atilde;o de internamento hospitalar s&atilde;o superiores nas pessoas idosas, por compara&ccedil;&atilde;o com as observadas noutros grupos et&aacute;rios<SUP>20</SUP>. Alguns dados hospitalares portugueses indicam que mais de um ter&ccedil;o do total das altas hospitalares corresponde a pessoas com mais de 65 anos, sendo que cerca de 53% t&ecirc;m per&iacute;odos de internamento superiores a 20 dias<SUP>21</SUP>. Segundo Boltz e Harrington<SUP>22</SUP>, entre 2002-2017 haver&aacute; um aumento de 78% de internamentos hospitalares de pessoas idosas e de 16% nos restantes grupos et&aacute;rios. Cerca de metade dos internamentos tem como principais causas doen&ccedil;as do foro circulat&oacute;rio e respirat&oacute;rio<SUP>4,23&ndash;26</SUP>. Hayes<SUP>27</SUP> indica que em cada pessoa idosa independente tendem a existir 3 problemas cr&oacute;nicos, que s&atilde;o a principal causa de internamento hospitalar devido a descompensa&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a. Em Portugal os dados s&atilde;o similares, indicando que as principais causas de hospitaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o doen&ccedil;as dos aparelhos respirat&oacute;rios e circulat&oacute;rios.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Em Portugal n&atilde;o foram encontrados estudos sobre hospitaliza&ccedil;&atilde;o e QV. &Eacute; pertinente conhecer a QV das pessoas idosas quando chegam ao internamento hospitalar para poder planear servi&ccedil;os que respondam &agrave;s suas necessidades, vulnerabilidades e for&ccedil;as, mantendo ou refor&ccedil;ando a sua QV e minimizando o impacto da doen&ccedil;a e do internamento.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>Objetivos</B> </P>     <P>Este estudo analisa a QV da pessoa idosa no momento de admiss&atilde;o num internamento hospitalar, analisando a influ&ecirc;ncia de vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas, patologia e antecedentes cl&iacute;nicos. Os resultados s&atilde;o relevantes para o planeamento de medidas de promo&ccedil;&atilde;o da QV no &acirc;mbito dos cuidados &agrave;s pessoas idosas durante o internamento hospitalar.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>M&eacute;todos</B> </P>     <P>Foi adotada uma metodologia quantitativa, de caracter&iacute;sticas descritivas, comparativas e correlacionais. Este estudo foi aprovado pelo Conselho de &Eacute;tica (n.&deg; 762/CA) do Hospital Infante D. Pedro, E.P.E., em 14 outubro de 2009.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>Instrumentos</B> </P>     <P>No estudo utilizou-se o question&aacute;rio compreendendo v&aacute;rias quest&otilde;es e uma escala: i) dados socioecon&oacute;micos (sexo, idade, escolaridade, profiss&atilde;o anterior &agrave; reforma, local de resid&ecirc;ncia, diagn&oacute;stico ou motivo de internamento, data de internamento, tipo de apoio social recebido); ii) EasyCare, vers&atilde;o portuguesa validada em 2009<SUP>28</SUP>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P> <B><I>EasyCare</I> (sistema de avalia&ccedil;&atilde;o de idosos)</B> </P>     <P>O EasyCare foi desenvolvido no &acirc;mbito do programa European Prototype Care (EPIC), como um instrumento de r&aacute;pida e simples utiliza&ccedil;&atilde;o, para identificar m&uacute;ltiplas necessidades e avaliar diferentes dom&iacute;nios de QV em pessoas idosas (&ge; 75 anos). O instrumento foi constru&iacute;do com base noutras escalas: &iacute;ndice de Barthel; SF-36 Health Survey; Geriatric Depression Scale, Dukes OARS; IALD Scales; WHO-11 Counties Survey Instrument; Cognitive Impairment Test. A primeira vers&atilde;o (2002) foi validada para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa por Sousa, Galante e Figueiredo<SUP>1</SUP>; os resultados revelaram boas qualidades psicom&eacute;tricas. Em 2008, a Universidade de Sheffield, com representantes de outros pa&iacute;ses, reuniram para atualizar o instrumento. Surge a vers&atilde;o 2009, destinada a pessoas idosas com &ge; 65 anos de idade.</P>     <P>O EasyCare (2009) envolve 2 componentes: <I>EasyCare Standard</I> (dados sociodemogr&aacute;ficos, aspetos sensoriais, autocuidado, mobilidade, seguran&ccedil;a, condi&ccedil;&otilde;es de habita&ccedil;&atilde;o, situa&ccedil;&atilde;o financeira, atividade f&iacute;sica e sa&uacute;de mental e bem-estar); <I>EasyCare Supporting Instruments</I> (permite obter dados adicionais sobre cuidadores informais e medica&ccedil;&atilde;o). Neste estudo apenas se aplicou a componente <I>standard</I>. A valida&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica para Portugal foi efetuada por Sousa, Figueiredo e Guerra<SUP>9</SUP>. O EasyCare apresenta um sistema de pontua&ccedil;&atilde;o, em que valores mais elevados significam menor QV e maior incapacidade; a pontua&ccedil;&atilde;o pode variar entre um m&iacute;nimo de 4 e um m&aacute;ximo de 144. O EasyCare &eacute; administrado &agrave; pessoa idosa para obter a sua perce&ccedil;&atilde;o sobre as suas compet&ecirc;ncias. Assim, a principal limita&ccedil;&atilde;o &eacute; a impossibilidade de aplica&ccedil;&atilde;o a pessoas que n&atilde;o se possam exprimir (afasia ou outras altera&ccedil;&otilde;es da linguagem ou altera&ccedil;&otilde;es cognitivas).</P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>Procedimentos</B> </P>     <P>Neste estudo foi utilizada uma amostra n&atilde;o probabil&iacute;stica (intencional), sendo selecionadas pessoas idosas (&ge; 65 anos) internadas no servi&ccedil;o de Medicina 1, 2 e 3 do Hospital Infante D. Pedro, E.P.E. Este local foi escolhido intencionalmente por ser o local de trabalho da autora e por ser uma institui&ccedil;&atilde;o parceira da Universidade de Aveiro. Al&eacute;m disso, Nicolau et al.<SUP>29</SUP> analisaram a mortalidade e internamentos hospitalares por concelhos de Portugal Continental, verificando que o distrito de Aveiro apresenta uma das taxas mais elevadas de internamentos hospitalares do pa&iacute;s; optou-se pelo servi&ccedil;o de Medicina Interna porque apresenta as taxas de internamento mais elevadas de pessoas idosas.</P>     <P>O tamanho da amostra foi determinado ap&oacute;s pesquisa sobre o n&uacute;mero de doentes com &ge; 65 anos admitidos no servi&ccedil;o de Medicina Interna em 2009 (ano anterior &agrave; recolha dos dados), atrav&eacute;s do Gabinete de Gest&atilde;o de Informa&ccedil;&atilde;o do Hospital. Verificou-se o internamento de 391 pessoas idosas em 2009; uma amostra representativa<SUP>30</SUP> incluiria 196 participantes para um erro amostral de 5% e um n&iacute;vel de confian&ccedil;a de 95%; mas optou-se por 250 participantes, considerando a potencial morte experimental (este estudo faz parte de um projeto de investiga&ccedil;&atilde;o que analisa a influ&ecirc;ncia da hospitaliza&ccedil;&atilde;o na QV em 3 fases: admiss&atilde;o, alta e 6 meses ap&oacute;s o internamento).</P>     <P>Para esta amostra foram definidos crit&eacute;rios de inclus&atilde;o e exclus&atilde;o. Os de inclus&atilde;o s&atilde;o: idade &ge; 65 anos, apresentar discurso coerente, orientado no tempo e no espa&ccedil;o, auto e halo psiquicamente. Os crit&eacute;rios de exclus&atilde;o s&atilde;o: d&eacute;fice cognitivo, debilidade intelectual com perda da cr&iacute;tica e capacidade de julgamento e capacidade de aprendizagem, altera&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o (i. e. afasia de express&atilde;o e compreens&atilde;o e atrasos significativos da linguagem), patologias associadas que alterem a capacidade cognitiva (por exemplo, s&iacute;ndrome de Down, doen&ccedil;a de Alzheirmer, doen&ccedil;a de Parkinson e doen&ccedil;as do foro psiqui&aacute;trico).</P>     <P>Os 250 question&aacute;rios foram administrados por entrevista no momento de admiss&atilde;o do doente no servi&ccedil;o; ap&oacute;s o acolhimento pelo profissional de servi&ccedil;o, os doentes eram contactados pela autora da investiga&ccedil;&atilde;o que pedia a sua colabora&ccedil;&atilde;o. As entrevistas decorreram no hospital, sempre em locais que respeitavam a privacidade, ap&oacute;s a assinatura do consentimento livre e esclarecido. A recolha de dados decorreu entre janeiro e agosto de 2010. A dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia das entrevistas foi de 30/40 minutos. As pessoas idosas, especialmente as que vivem s&oacute;s, necessitavam contar as suas hist&oacute;rias de vida, prolongando as entrevistas.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P> <B>Amostra</B> </P>     <P>A amostra &eacute; constitu&iacute;da por 250 participantes, 50,4% do sexo feminino (<a href="#t1">tabela 1</a>). A m&eacute;dia et&aacute;ria &eacute; de 79,63 anos (DP = 7,64), residindo 59,6%, em meio urbano. Quanto ao estado civil, 49,2% dos entrevistados s&atilde;o casados, 44,4% s&atilde;o vi&uacute;vos e 2,4% s&atilde;o divorciados. Observa-se que 41,6% vive em casal, 39,2% em fam&iacute;lia e 6% est&atilde;o institucionalizados. A maioria dos participantes encontra-se aposentada (62%). Em rela&ccedil;&atilde;o ao rendimento: 70% indica ser &laquo;suficiente&raquo; e 26,4% refere que &laquo;n&atilde;o chega para as necessidades&raquo;. Verifica-se predom&iacute;nio de baixa escolaridade, sendo a m&eacute;dia de 2,4 anos de escolaridade (DP = 2). Em rela&ccedil;&atilde;o ao apoio social: 85,2% &ndash; sem apoio; 7,2% &ndash; lar de idosos; 6,8% &ndash; apoio domiciliar.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v33n1/33n1a02t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>O diagn&oacute;stico cl&iacute;nico ou motivo de internamento (categorizados de acordo com os aparelhos do corpo humano) inclui: 36,8% &ndash; doen&ccedil;as respirat&oacute;rias (51,1% do sexo masculino); 18,8% &ndash; com multipatologias (51,1% do sexo feminino); 14,4% do aparelho neuro-hormonal (61,1% do sexo feminino); 11,6% do aparelho circulat&oacute;rio (62,06% do sexo feminino). Quanto aos antecedentes cl&iacute;nicos: 44% &ndash; mulitpatologias; 21,6% &ndash; aparelho circulat&oacute;rio; 9,2% &ndash; antecedentes cl&iacute;nicos relevantes (<a href="#t2">tabela 2</a>).</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v33n1/33n1a02t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <B>An&aacute;lise dos dados</B>     <p></P>     <P>A an&aacute;lise dos dados baseia-se na estat&iacute;stica descritiva, correlacional e classificat&oacute;ria, apoiada no uso do <I>software</I> SPSS vers&atilde;o 19.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>As vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas s&atilde;o apresentadas atrav&eacute;s da estat&iacute;stica descritiva. Come&ccedil;amos por analisar as qualidades psicom&eacute;tricas do EasyCare para a amostra em estudo. Procedeu-se &agrave; an&aacute;lise em componentes principais (com rota&ccedil;&atilde;o varimax) usando os 21 itens da escala (<a href="#t3">tabela 3</a>) recomendados pelos autores. Depois calculou-se a consist&ecirc;ncia interna atrav&eacute;s do &#945; de Cronbach.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v33n1/33n1a02t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P>Para estabelecer grupos de participantes no momento de admiss&atilde;o hospitalar procedeu-se &agrave; an&aacute;lise de <I>clusters</I> (K-means). Adotou-se uma solu&ccedil;&atilde;o de 3 <I>clusters</I>, por ser a mais ajustada aos resultados (<a href ="/img/revistas/rpsp/v33n1/33n1a02t4.jpg">tabela 4</a>). Em seguida analisou-se a exist&ecirc;ncia de alguma diferen&ccedil;a ou tend&ecirc;ncia diferenciadora dos <I>clusters</I> em termos de sexo, resid&ecirc;ncia, estado civil, &laquo;com quem vive&raquo;, situa&ccedil;&atilde;o profissional, diagn&oacute;stico, antecedentes cl&iacute;nicos e apoio social. Para tal procedeu-se ao c&aacute;lculo das frequ&ecirc;ncias esperadas que se comparam com as observadas, utilizando o &#967;<SUP>2</SUP> (qui-quadrado), que indica o desvio dos valores observados em rela&ccedil;&atilde;o ao valor esperado. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s vari&aacute;veis rendimento, escolaridade e idade calcularam-se as m&eacute;dias de cada <I>cluster</I>, existindo diferen&ccedil;as estatisticamente significativas em todas as vari&aacute;veis (<a href ="/img/revistas/rpsp/v33n1/33n1a02t6.jpg">tabela 6</a>). Em seguida analisou-se, calculando frequ&ecirc;ncias observadas e esperadas, como os <I>clusters</I> variam com as restantes quest&otilde;es do instrumento (<a href ="/img/revistas/rpsp/v33n1/33n1a02t7.jpg">tabela 7</a>). Efetuou-se a an&aacute;lise atrav&eacute;s de m&eacute;dias e compara&ccedil;&atilde;o com ANOVA das restantes quest&otilde;es do EasyCare (<a href ="/img/revistas/rpsp/v33n1/33n1a02t8.jpg">tabela 8</a>). Os pressupostos para a aplica&ccedil;&atilde;o desta ANOVA (normalidade e homogeneidade) foram cumpridos.</P>     
<p>&nbsp;</p>     <P> <B>Resultados</B> </P>     <P> <B>EasyCare: estudo das qualidades psicom&eacute;tricas</B> </P>     <P>Atrav&eacute;s da an&aacute;lise em componentes principais obteve-se uma solu&ccedil;&atilde;o de 3 fatores que explicam 66,2% da vari&acirc;ncia (<a href="#t3">tabela 3</a>).O c&aacute;lculo das contribui&ccedil;&otilde;es de cada item para cada fator permitiu obter a seguinte organiza&ccedil;&atilde;o fatorial (<a href="#t3">tabela 3</a>): fator 1 &ndash; Sentidos (itens que traduzem aspetos sensoriais); fator 2 &ndash; Atividades de vida di&aacute;ria (AVD) (itens que representam as atividades quotidianas de autocuidado); fator 3 &ndash; Atividades instrumentais da vida di&aacute;ria (AIVD) (itens que descrevem atividades necess&aacute;rias &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o ao ambiente, envolvendo capacidades cognitivas).</P>     <P>A consist&ecirc;ncia interna atrav&eacute;s do &#945; de <I>Cronbach</I> apresenta valores que variam: Sentidos (fator 1) = 0,55; AVD (fator 2) = 0,89; AIVD (fator 3) = 0,93. A consist&ecirc;ncia interna da escala global apresenta um valor muito satisfat&oacute;rio (&#945; = 0,93).</P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <B>Grupos de qualidade de vida</B> </P>     <P>Os grupos de participantes organizados por <I>clusters</I> (<a href ="/img/revistas/rpsp/v33n1/33n1a02t4.jpg">tabela 4</a>) foram classificados em: <I>cluster</I> 1 &ndash; dependentes (27,6%), envolve participantes dependentes nas AVD e AIVD; <I>cluster</I> 2 &ndash; dependentes moderados (32,8%), engloba pessoas dependentes nas AIVD e pouco dependentes nas AVD; <I>cluster</I> 3 &ndash; independentes (39,6%), inclui participantes independentes nas AVD e AVID e sem problemas sensoriais.</P>     
<P>Os resultados indicam distribui&ccedil;&otilde;es diferentes nas vari&aacute;veis (<a href ="/img/revistas/rpsp/v33n1/33n1a02t5.jpg">tabela 5</a>): estado civil (existem mais vi&uacute;vos e menos casados do que o esperado no grupo dos dependentes e dependentes moderados; existem menos vi&uacute;vos e mais casados no grupo dos dependentes); com quem vive (no grupo dos dependentes existem mais participantes a viver em fam&iacute;lia, institui&ccedil;&atilde;o e sozinhos, e menos a viver em casal do que o esperado; no grupo dos dependentes moderados existem menos a viver em institui&ccedil;&atilde;o do que o esperado; nos independentes h&aacute; mais participantes a viver em casal e menos a viver em fam&iacute;lia do que o esperado).</P>     
<P>Os resultados demonstram que quem &eacute; dependente tem uma m&eacute;dia et&aacute;ria superior, apresenta escolaridade inferior e tem os rendimentos mais baixos (<a href ="/img/revistas/rpsp/v33n1/33n1a02t6.jpg">tabela 6</a>). Os dependentes moderados apresentam valores interm&eacute;dios; os independentes s&atilde;o mais novos, t&ecirc;m escolaridade superior e os rendimentos mais elevados.</P>     
<P>Em rela&ccedil;&atilde;o aos problemas com a boca ou dentes (dom&iacute;nio &ldquo;Cuidar de Si&rdquo;) e com os p&eacute;s e com a pele (dom&iacute;nio &ldquo;Mobilidade&rdquo;) verifica-se que no grupo dos dependentes existem mais participantes do que o esperado com esses problemas; no grupo dos independentes existem menos do que o esperado (<a href ="/img/revistas/rpsp/v33n1/33n1a02t7.jpg">tabela 7</a>).</P>     
<P>No dom&iacute;nio &ldquo;Seguran&ccedil;a&rdquo; dentro e fora de casa verifica-se que nos dependentes existem menos participantes do que o esperado que sentem esse problema; no grupo dos independentes mais do que o esperado sente esses problemas.</P>     <P>No dom&iacute;nio &ldquo;Local de Resid&ecirc;ncia e Finan&ccedil;as&rdquo; verifica-se: i) quanto &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o com a resid&ecirc;ncia, nos dependentes h&aacute; mais do que o esperado que n&atilde;o est&atilde;o satisfeitos; nos independentes h&aacute; mais satisfeitos do que o esperado; ii) na gest&atilde;o financeira, entre os dependentes e dependentes moderados h&aacute; mais participantes do que o esperado que n&atilde;o consegue assegurar essa gest&atilde;o; nos independentes h&aacute; mais do que o esperado que consegue fazer essa gest&atilde;o.</P>     <P>No dom&iacute;nio &ldquo;Manter-se Saud&aacute;vel&rdquo; observa-se que: i) quanto ao exerc&iacute;cio regular, nos dependentes h&aacute; mais do que o esperado que n&atilde;o o faz; nos independentes h&aacute; mais do que o esperado a praticar exerc&iacute;cio regular; ii) sobre ficar com falta de ar em atividades regulares, nos dependentes h&aacute; mais do que o esperado que fica com falta de ar; nos dependentes moderados e independentes h&aacute; menos do que o esperado a revelar falta de ar. O consumo de tabaco e &aacute;lcool &eacute; referido por poucos participantes (respetivamente: 30 e 10).</P>     <P>No dom&iacute;nio &ldquo;Sa&uacute;de mental e Bem-estar&rdquo; os dados indicam que: i) quanto &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de atividades significativas, nos dependentes h&aacute; mais do que o esperado que n&atilde;o o faz; nos independentes h&aacute; mais do que o esperado que o faz; ii) sobre sentir-se s&oacute;, nos dependentes h&aacute; mais do que o esperado que se sente muitas vezes s&oacute;; nos dependentes moderados h&aacute; mais do que o esperado que se sente por vezes s&oacute;; e nos independentes h&aacute; mais que nunca ou por vezes se sentem s&oacute;s; iii) em rela&ccedil;&atilde;o a sentir-se deprimido e com pouco interesse em fazer coisas no &uacute;ltimo m&ecirc;s, nos dependentes h&aacute; mais do que o esperado a sentir; nos dependentes moderados e independentes h&aacute; mais do que o esperado a n&atilde;o sentir; iv) sobre preocupa&ccedil;&otilde;es com esquecimentos, nos dependentes h&aacute; mais do que o esperado que sente; nos independentes h&aacute; menos do que o esperado a sentir.</P>     <P>Os dados indicam que os dependentes (por compara&ccedil;&atilde;o com os outros 2 grupos) ca&iacute;ram (dom&iacute;nio &ldquo;Mobilidade&rdquo;) mais vezes nos &uacute;ltimos 12 meses, percecionam menos sa&uacute;de e no m&ecirc;s passado tiveram mais dores corporais (dom&iacute;nio &ldquo;Sa&uacute;de Mental e Bem-Estar&rdquo;). Os independentes apresentam os resultados mais favor&aacute;veis e os dependentes moderados os interm&eacute;dios (<a href ="/img/revistas/rpsp/v33n1/33n1a02t8.jpg">tabela 8</a>).</P>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P> <B>Discuss&atilde;o</B> </P>     <P>Os dados revelam 3 grupos de QV: dependentes (27,6%), dependentes moderados (32,8%) e independentes (39,6%). O grupo dos dependentes tem idade mais elevada, rendimentos mais baixos e menor escolaridade; os independentes s&atilde;o mais novos, com rendimentos superiores e maior escolaridade (os dependentes moderados apresentam os valores interm&eacute;dios). Saliente-se que muitos dos participantes j&aacute; foram internados noutros momentos da sua fase idosa, pois este grupo et&aacute;rio apresenta taxas de internamento hospitalar mais elevadas que outros grupos et&aacute;rios<SUP>20</SUP>, mas alguns enfrentam o seu primeiro internamento. A idade, escolaridade e rendimentos s&atilde;o 3 vari&aacute;veis que, principalmente associadas, d&atilde;o informa&ccedil;&otilde;es relevantes sobre a situa&ccedil;&atilde;o da pessoa idosa: &eacute; expect&aacute;vel que pessoas mais velhas, com pouca escolaridade e baixos rendimentos apresentem maior depend&ecirc;ncia. Esta &eacute; uma tend&ecirc;ncia reiterada na literatura, demonstrando que as pessoas idosas de classes socioecon&oacute;micas mais baixas s&atilde;o mais vulner&aacute;veis, pois ao longo da vida viveram em condi&ccedil;&otilde;es mais dif&iacute;ceis e tiveram menos cuidado(s) com a sa&uacute;de<SUP>1</SUP>.</P>     <P>Tamb&eacute;m no contexto familiar existem diferen&ccedil;as entre os grupos: existem mais vi&uacute;vos entre os dependentes e dependentes moderados e mais casados ou divorciados nos independentes. Como os dependentes tendem a ser mais velhos, a probabilidade de serem vi&uacute;vos &eacute; mais elevada. Contudo, a literatura sugere que as pessoas casadas tendem a sentir-se mais capazes, porque se entreajudam enquanto casal; j&aacute; os vi&uacute;vos podem sentir-se um <I>fardo</I> e mais dependentes, pois sentem que recebem mais do que d&atilde;o (menor reciprocidade)<SUP>31</SUP>. Os dados indicam que os participantes a viver em institui&ccedil;&atilde;o tendem a ser mais dependentes, provavelmente indicando que a fam&iacute;lia cuida dos idosos enquanto est&atilde;o independentes ou moderadamente dependentes; mas optam pela institucionaliza&ccedil;&atilde;o quando a depend&ecirc;ncia aumenta e diminui a sua capacidade de prestar cuidados adequados<SUP>1</SUP>. A institucionaliza&ccedil;&atilde;o, na sequ&ecirc;ncia da doen&ccedil;a/depend&ecirc;ncia, &eacute; um dos principais medos das pessoas idosas quando s&atilde;o internadas; de facto, a alta hospitalar &eacute; muitas vezes acompanhada de institucionaliza&ccedil;&atilde;o ou apoio social (como servi&ccedil;o de apoio domiciliar). Os servi&ccedil;os hospitalares ter&atilde;o de durante o internamento promover a independ&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m ter&atilde;o de preparar a eventual ou prov&aacute;vel necessidade de apoio mais frequente. Esta situa&ccedil;&atilde;o tem de envolver a pessoa idosa internada e a fam&iacute;lia e exige dos profissionais de sa&uacute;de a capacidade de mediar decis&otilde;es.</P>     <P>Os profissionais de sa&uacute;de que acompanham o internamento hospitalar (principalmente enfermeiros e m&eacute;dicos) sabem que tendencialmente os idosos dependentes est&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es sociais mais desfavor&aacute;veis. Neste caso, destaque-se que estas pessoas tendem a delegar a gest&atilde;o financeira noutros (familiares ou institui&ccedil;&atilde;o); com frequ&ecirc;ncia fazem-no apressadamente no momento de hospitaliza&ccedil;&atilde;o, podendo n&atilde;o se salvaguardar e confiar em pessoas que os defraudam<SUP>32</SUP>. Embora seja complexo um profissional de sa&uacute;de estar atento a estas situa&ccedil;&otilde;es, &eacute; importante que em casos suspeitos envolvam um t&eacute;cnico de servi&ccedil;o social.</P>     <P>O grupo de dependentes est&aacute; menos satisfeito com a sua habita&ccedil;&atilde;o, principalmente os institucionalizados ou aqueles que foram viver para casa de familiares, ou seja, foram retirados da sua casa e n&atilde;o se sentem satisfeitos com a sua nova habita&ccedil;&atilde;o ou t&ecirc;m dificuldades de adapta&ccedil;&atilde;o. As pessoas idosas nutrem la&ccedil;os de afetividade pela sua casa, que representa/cont&eacute;m as recorda&ccedil;&otilde;es da sua vida, al&eacute;m disso, estar em casa associa-se a sentimentos de autonomia e independ&ecirc;ncia. Quando sentem insatisfa&ccedil;&atilde;o com a casa e s&atilde;o internados no hospital (local estranho e temido) &eacute; de prever per&iacute;odos de desorienta&ccedil;&atilde;o que com frequ&ecirc;ncia acarretam quedas<SUP>33</SUP>. Neste caso, a apresenta&ccedil;&atilde;o do local &eacute; fundamental, explicando porque um contexto hospitalar apresenta certas caracter&iacute;sticas, que garantem a qualidade dos cuidados.</P>     <P>Os dependentes tendem a fazer menos exerc&iacute;cio f&iacute;sico, a ter mais falta de ar nas atividades quotidianas e mais problemas com a boca/dentes, p&eacute;s e pele. No internamento hospitalar isto representa mais cuidados de sa&uacute;de, logo &eacute; necess&aacute;rio disponibilizar mais recursos.</P>     <P>Os dependentes n&atilde;o realizam atividades importantes para si e sentem-se mais deprimidos. O contexto de hospitaliza&ccedil;&atilde;o tende a refor&ccedil;ar estas situa&ccedil;&otilde;es (mesmo em pessoas n&atilde;o dependentes no momento da hospitaliza&ccedil;&atilde;o), pelo que o diagn&oacute;stico deve ir al&eacute;m da patologia, envolvendo outras esferas da vida. Durante o internamento hospitalar a pessoa idosa v&ecirc; (ou pelo menos antev&ecirc;) transforma&ccedil;&otilde;es na sua vida, ocasionando momentos de fragilidade emocional<SUP>34</SUP>. &Eacute; importante os profissionais de sa&uacute;de identificarem situa&ccedil;&otilde;es que provocam desconforto, procurando minimiz&aacute;-las.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>Limites e perspetivas de pesquisa</B> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Ser&aacute; relevante comparar os resultados entre a admiss&atilde;o e alta hospitalar para compreender a influ&ecirc;ncia da hospitaliza&ccedil;&atilde;o na QV. Tamb&eacute;m seria pertinente perceber as rela&ccedil;&otilde;es familiares e a hist&oacute;ria de vida de cada utente para analisar o impacto na QV. Al&eacute;m disso, ser&aacute; relevante complementar com a perspetiva dos familiares e profissionais de sa&uacute;de. Como limita&ccedil;&atilde;o do estudo, &eacute; importante referir a amostra. O EasyCare &eacute; um instrumento de perce&ccedil;&atilde;o individual sobre a QV e neste estudo obteve-se a perce&ccedil;&atilde;o das pessoas idosas capazes de responder ao question&aacute;rio. Um pr&oacute;ximo estudo poder&aacute; incluir utentes mais dependentes. Este estudo &eacute; quantitativo, por isso outra pesquisa poder&aacute; complementar com uma abordagem qualitativa, para perceber melhor o significado da QV dos participantes.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>Conclus&otilde;es</B> </P>     <P>Este estudo foca a QV de pessoas idosas no momento de hospitaliza&ccedil;&atilde;o. Os dados permitem compreender melhor as caracter&iacute;sticas das pessoas idosas quando chegam a um internamento hospitalar, permitindo delinear a&ccedil;&otilde;es e estrat&eacute;gias de organiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os e a&ccedil;&atilde;o dos profissionais. O estudo indica 3 grupos de pessoas idosas no momento do internamento hospitalar: independentes, dependentes nas AVID e pouco dependentes nas AVD; dependentes. Este cen&aacute;rio demonstra que os servi&ccedil;os hospitalares v&atilde;o encontrar pacientes com diferentes necessidades pessoais e de cuidados, assim, h&aacute; que diferenciar a abordagem. Al&eacute;m disso, os resultados apontam para a influ&ecirc;ncia do estatuto socioecon&oacute;mico, n&iacute;vel educativo, estado civil e situa&ccedil;&atilde;o em que vivem (casa pr&oacute;pria, com familiares ou institui&ccedil;&atilde;o). Tamb&eacute;m estas circunst&acirc;ncias de vida devem ser consideradas durante o internamento e sobretudo na prepara&ccedil;&atilde;o da alta.</P>     <P>Os resultados refor&ccedil;am que estilos de vida, condi&ccedil;&otilde;es sociodemogr&aacute;ficas e caracter&iacute;sticas individuais s&atilde;o fatores preponderantes na perce&ccedil;&atilde;o da QV e do internamento hospitalar. Assim, &eacute; relevante que os profissionais de sa&uacute;de valorizem todas as dimens&otilde;es da QV para melhor estruturarem os servi&ccedil;os e cuidados hospitalares.        <p>&nbsp;</p>     <P> <B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B> </P>     <!-- ref --><P>1 Sousa L., Galante H., Figueiredo D. Qualidade de vida e bem-estar dos idosos: um estudo explorat&oacute;rio na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa. Rev Sa&uacute;de P&uacute;blica.. 2003;37:364-71.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0870-9025201500010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>2 Fernandez-Mayoralas G., P&eacute;rez F., Fl&oacute;res M.E., Salas B., Mart&iacute;n P., Forgaz J. El significado de la salud en la calidad de vida de los mayores. Portal Mayores (Informes Portal Mayores; 74), (2007) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0870-9025201500010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>3 Fonseca A. O envelhecimento bem-sucedido. Envelhecer em Portugal., Climepsi Editores, 2005. pp. 281-311.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0870-9025201500010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>4 Siqueira A., Cordeiro R., Perracini M., Ramos R. Impacto funcional da interna&ccedil;&atilde;o hospitalar de pacientes idosos. Rev Sa&uacute;de P&uacute;blica.. 2004;38:687-94.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0870-9025201500010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>5 Souza E. A import&acirc;ncia da fam&iacute;lia no tratamento do idoso hospitalizado. SOCESP.. 2011;21:29-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0870-9025201500010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>6 Pereira K., Alvarez A., Traebert J. Contribui&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es sociodemogr&aacute;ficas para a percep&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida em idosos. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol.. 2011;14:85-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0870-9025201500010000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>7 Trentini C. Qualidade de vida em idosos: a constru&ccedil;&atilde;o de uma escala de qualidade de vida para idosos. Faculdade de Medicina. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, (2004) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0870-9025201500010000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>8 Paschoal S. Qualidade de vida do idoso: constru&ccedil;&atilde;o de um instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do m&eacute;todo do impacto cl&iacute;nico. Faculdade de Medicina. Universidade de S&atilde;o Paulo, (2004) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0870-9025201500010000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>9 Fleck M., Lima A., Louzada S., Schestasky G., Henriques A., Borges V. Associa&ccedil;&atilde;o entre sintomas depressivos e funcionamento social em cuidados prim&aacute;rios &agrave; sa&uacute;de. Rev Sa&uacute;de P&uacute;blica.. 2002;36:431-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0870-9025201500010000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>10 Fleck M. A avalia&ccedil;&atilde;o de qualidade de vida: guia para profissionais da sa&uacute;de. Artmed, (2008) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0870-9025201500010000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>11 Portugal Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Sa&uacute;de. Programa nacional para a sa&uacute;de das pessoas idosas, Dire&ccedil;&atilde;o-Geral de Sa&uacute;de, (2004) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0870-9025201500010000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <P>12 Int J Ment Health.. 1994;23:24-56.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>13 P&aacute;scoa P. A import&acirc;ncia do envelhecimento activo na sa&uacute;de do idoso. Universidade Fernando Pessoa, (2008) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0870-9025201500010000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>14 Moniz J. A enfermagem e a pessoa idosa: a pr&aacute;tica de cuidados como experi&ecirc;ncia formativa. Lusoci&ecirc;ncia, (2003) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0870-9025201500010000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>15 Rocha N., Borges Z., Fleck M. Health status and quality of life: The effect of spirituality/religiosity/personal beliefs. Qual Life Res.. 2002;11:654.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0870-9025201500010000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>16 Pa&uacute;l C., Fonseca A. Envelhecer em Portugal: psicologia, sa&uacute;de e presta&ccedil;&atilde;o de cuidados. Climepsi Editores, (2005) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0870-9025201500010000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>17 Lazarus R. Coping with aging: Individuality as a key to understanding. Clinical geropsychology., American Psychiatric Press, 1998. pp. 109-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0870-9025201500010000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>18 Carvalhais M., Sousa L. Comportamentos dos enfermeiros e impacto em doentes idosos em situa&ccedil;&atilde;o de internamento hospitalar. Rev Elect Enfermagem.. 2007;9:596-616.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0870-9025201500010000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>19 Ponzetto M., Zanocchi M., Maero B., Giona E., Franscisetti F., Nicola E. Post-hospitalization mortality in the elderly. Arch Gerontol Geriatr.. 2003;36:83-91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0870-9025201500010000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>20 Giacomini T., Wanderley K. Compreendendo o idoso e a sua viv&ecirc;ncia de interna&ccedil;&atilde;o hospitalar. Rev Kair&oacute;s. 2010;13:221-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S0870-9025201500010000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>21 Campos A. Reformas da sa&uacute;de: o fio condutor. Almedina, (2008) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S0870-9025201500010000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>22 Boltz M., Harrington C., Kluger M. Nurses Improving Care for Health System Elders (NICHE). Am J Nurs.. 2005;105:101-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S0870-9025201500010000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>23 Filho A., Matos D., Giatti L., Afradique M.E., Peixoto S., Lima-Costa M.F. Causas de interna&ccedil;&otilde;es hospitalares entre idosos brasileiros no &acirc;mbito do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de. Epidemiol Serv Sa&uacute;de.. 2004;13:229-38.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0870-9025201500010000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>24 Mathias T., Jorge M.H. Hospitaliza&ccedil;&atilde;o e mortalidade em idosos: um exerc&iacute;cio de an&aacute;lise comparativa. Ci&ecirc;nc Cuid Sa&uacute;de. 2005;4:25-36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0870-9025201500010000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>25 Britto S, Duarti C, Fonseca T, Silva J. Perfil clinico e epidemiol&oacute;gico de interna&ccedil;&atilde;o nacional, regional, estadual e municipal no ano de 2006: implica&ccedil;&otilde;es para o ensino e a pr&aacute;tica de enfermagem. In: 61&iquest; Congresso Brasileiro de Enfermagem - Transforma&ccedil;&atilde;o Social e Sustentabilidade Ambiental, 7 a 10 de dezembro de 2009, Centro de Conven&ccedil;&otilde;es do Cear&aacute;, Brasil. Cear&aacute;: Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Enfermagem; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0870-9025201500010000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</P>     <!-- ref --><P>26 Jobim E., Souza V., Cabrera M. Causas de hospitaliza&ccedil;&atilde;o de idosos em dois hospitais gerais pelo Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS). Acta Sci. Health.. 2010;32:79-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0870-9025201500010000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>27 Hayes K. Idosos. org. Segredos em enfermagem de urg&ecirc;ncia, Artmed, 2003. pp. 297-304.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0870-9025201500010000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>28 Sousa L., Figueiredo D., Guerra S., Marques A., Silvestre J., Pereira G. Caracterizar a qualidade de vida e as necessidades das pessoas idosas. Universidade de Aveiro, (2009) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0870-9025201500010000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>29 Nicolau R., Machado A., Falc&atilde;o J., Nunes B. An&aacute;lise da mortalidade e dos internamentos hospitalares por concelhos de Portugal Continental (2000-2004). Instituto Nacional de Sa&uacute;de Dr. Ricardo Jorge. Funda&ccedil;&atilde;o Merck Sharp &amp; Dohme, (2008) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0870-9025201500010000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>30 Krejcie R., Morgan D. Determining samples size for research activities. Educ Psychol Meas.. 1970;30:607-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0870-9025201500010000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>31 Ramos L. Epidemiologia do envelhecimento. Tratado de geriatria e gerontologia, Guanabara Koogan, 2002. pp. 72-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0870-9025201500010000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>32 Sousa L., Silva A., Santos L., Patr&atilde;o M. The family inheritance process: Motivations and patterns of interaction. Eur J Ageing.. 2010;7:5-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0870-9025201500010000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>33 Soares A. A s&iacute;ndrome de desorienta&ccedil;&atilde;o hospitalar. Med Int.. 1999;6:69-71.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0870-9025201500010000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>34 Soares N., Cust&oacute;dio M. Impactos emocionais da altera&ccedil;&atilde;o da rotina em idosos hospitalizados. Encon: R Psicol.. 2011;14:9-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0870-9025201500010000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <p></P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>Conflito de interesses</B> </P>     <P>Os autores declaram n&atilde;o haver conflito de interesses.</P>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><a href="#topc0">*</a><a name="c0"></a>Autor para correspondência:</i> Correio eletrónico: <a href="mailto:gorete@hotmail.com">gorete@hotmail.com</a></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <P>Recebido 9 de Fevereiro de 2013 .Aceito 3 de Junho de 2014</P>      ]]></body><back>
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