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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uns desistem, outros insistem: semelhanças e diferenças no discurso de profissionais de saúde face à obesidade]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Background: Recent studies indicate that healthcare providers, especially in primary healthcare, have negative beliefs and attitudes towards obese, which are negatively affecting their practices by not taking this issue as seriously as they should and, therefore, compromising the success of obesity treatment. However, data is not conclusive and quantitative research is not being able to clarify how health professionals' practices and roles are affected by the way they perceive obesity and obese people. Method: Semi&#8208;structured interviews about beliefs, attitudes and practices about obesity were conducted withe Portuguese general practitioners, nutritionists and nurses working in primary health care centers in the north of Portugal. Data was analyzed according to thematic analysis' procedures. Results: The main themes indicate that all groups are concerned about the obesity pandemic and have similar negative beliefs and attitudes toward obese, who are described as being unmotivated, noncompliant and demonstrating a passive coping and a lack of understanding about the gravity of their condition. General practitioners, due to patients' lack of compliance and success, feel frustrated, have lower expectations of efficacy and are negative about their role in the treatment, giving up in most of the cases. Nutritionists and nurses demonstrate an active role, are persistent, perceived themselves as being able to positively modify obese motivation and believe in the success of the interventions, which, however, are described as a constant struggle between them and the patients. It seems to exist communication problems between these three groups. Discussion: In order to achieve success, healthcare providers should be aware of how their beliefs and attitudes can influence their practices. Education and training concerning treatment options and communications skills should be improved as well as a bigger emphasis should be put on a multidisciplinary approach to obesity.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><B>Uns desistem, outros insistem: semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as no discurso de profissionais de sa&uacute;de face &agrave; obesidade</B></P>     <P><B>Some quit, others persist: similarities and disparities of healthcare providers&rsquo; speech concerning obesity</B></P>     <P><B>Filipa Teixeira<SUP>a</SUP><SUP>, </SUP><SUP><a href="#c0">*</a><a name="topc0"></a></SUP>, Jos&eacute; L. Pais&#8208;Ribeiro<SUP>a</SUP>, &Acirc;ngela Maia<SUP>b</SUP></B></P>     <p>&nbsp;</p>     <P><SUP>a</SUP> Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade do Porto, Portugal</P>     <P><SUP>b</SUP> Escola de Psicologia, Universidade do Minho, Portugal</P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>RESUMO</B> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <B>Introdu&ccedil;&atilde;o: </B>Investiga&ccedil;&otilde;es recentes no &acirc;mbito da obesidade sugerem que as cren&ccedil;as, atitudes e pr&aacute;ticas de v&aacute;rios profissionais de sa&uacute;de, principalmente ao n&iacute;vel dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, parecem estar a influenciar negativamente o comportamento destes t&eacute;cnicos no tratamento desta doen&ccedil;a, n&atilde;o lhe dando a devida import&acirc;ncia e contribuindo para a manuten&ccedil;&atilde;o das taxas de obesidade. As cr&iacute;ticas t&ecirc;m apontado para a primazia de investiga&ccedil;&otilde;es quantitativas e para a aus&ecirc;ncia de estudos comparativos com diferentes grupos de profissionais de sa&uacute;de.</P>     <P> <B>M&eacute;todo: </B>Neste estudo foram realizadas entrevistas semiestruturadas a m&eacute;dicos de fam&iacute;lia, nutricionistas e enfermeiros, a laborar em centros de sa&uacute;de dos distritos de Braga, Porto e Aveiro. As entrevistas foram transcritas e analisadas, segundo os princ&iacute;pios da <I>an&aacute;lise tem&aacute;tica.</I> </P>     <P> <B>Resultados: </B>Os 3 grupos apresentam cren&ccedil;as e atitudes negativas em rela&ccedil;&atilde;o aos obesos, que s&atilde;o descritos como desmotivados e passivos face ao tratamento, n&atilde;o aderindo na maioria das vezes, visto desvalorizarem a obesidade enquanto problema de sa&uacute;de. Os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia possuem baixas expectativas de sucesso, sentindo&#8208;se frustrados com a falta de ades&atilde;o, o que os leva a adotar uma postura passiva e resignada face ao tratamento. Os nutricionistas e enfermeiros percecionam&#8208;se como agentes ativos, considerando&#8208;se capazes de influenciar a motiva&ccedil;&atilde;o dos obesos; acreditam no seu sucesso, mas descrevem o processo como uma luta constante. H&aacute; v&aacute;rias refer&ecirc;ncias a problemas de comunica&ccedil;&atilde;o entre os 3 grupos de profissionais.</P>     <P> <B>Discuss&atilde;o: </B>Para uma maior efic&aacute;cia no tratamento da obesidade torna&#8208;se perempt&oacute;rio alertar os profissionais de sa&uacute;de para o impacto que as suas cren&ccedil;as poder&atilde;o exercer na pr&aacute;tica, refor&ccedil;ar a abordagem multidisciplinar e promover o aumento dos conhecimentos e de op&ccedil;&otilde;es de tratamento, e a melhoria da comunica&ccedil;&atilde;o entre os v&aacute;rios profissionais.</P>     <P> <B>Palavras&#8208;chave: </B> Obesidade. Cren&ccedil;as. Profissionais de sa&uacute;de. Cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios. Investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa. </P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>ABSTRACT</B> </P>     <P> <B>Background:</B> Recent studies indicate that healthcare providers, especially in primary healthcare, have negative beliefs and attitudes towards obese, which are negatively affecting their practices by not taking this issue as seriously as they should and, therefore, compromising the success of obesity treatment. However, data is not conclusive and quantitative research is not being able to clarify how health professionals&rsquo; practices and roles are affected by the way they perceive obesity and obese people.</P>     <P> <B>Method: </B>Semi&#8208;structured interviews about beliefs, attitudes and practices about obesity were conducted withe Portuguese general practitioners, nutritionists and nurses working in primary health care centers in the north of Portugal. Data was analyzed according to <I>thematic analysis</I>&rsquo; procedures.</P>     <P> <B>Results: </B>The main themes indicate that all groups are concerned about the obesity pandemic and have similar negative beliefs and attitudes toward obese, who are described as being unmotivated, noncompliant and demonstrating a passive coping and a lack of understanding about the gravity of their condition. General practitioners, due to patients&rsquo; lack of compliance and success, feel frustrated, have lower expectations of efficacy and are negative about their role in the treatment, giving up in most of the cases. Nutritionists and nurses demonstrate an active role, are persistent, perceived themselves as being able to positively modify obese motivation and believe in the success of the interventions, which, however, are described as a constant struggle between them and the patients. It seems to exist communication problems between these three groups.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <B>Discussion: </B>In order to achieve success, healthcare providers should be aware of how their beliefs and attitudes can influence their practices. Education and training concerning treatment options and communications skills should be improved as well as a bigger emphasis should be put on a multidisciplinary approach to obesity.</P>     <P> <B>Keywords: </B> Obesity. Beliefs. Healthcare providers. Primary care setting. Qualitative study. </P>     <p>&nbsp;</p>     <P>A obesidade, considerada pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) uma das epidemias do s&eacute;culo XXI, &eacute; uma doen&ccedil;a cr&oacute;nica cuja preval&ecirc;ncia tem aumentado de forma dram&aacute;tica. Nas proje&ccedil;&otilde;es efetuadas, em 2008, pela OMS, cerca de 35% dos adultos, acima dos 20 anos de idade, possu&iacute;a excesso de peso e 11% eram obesos<SUP>1</SUP>. Em Portugal, os n&uacute;meros s&atilde;o igualmente elevados, estimando&#8208;se que mais de metade da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa apresente problemas de excesso de peso<SUP>2,3</SUP>. Nomeadamente, em 2008/2009, dos 9.447 participantes de um estudo realizado por Sardinha et al. (2012), 66,6% dos homens e 57,9% das mulheres, entre os 18 e os 64 anos de idade, tinham excesso de peso, dos quais 19,9%, em ambos os grupos, apresentavam obesidade.</P>     <P>Os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, com responsabilidades ao n&iacute;vel da promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de individual e comunit&aacute;ria, preven&ccedil;&atilde;o das doen&ccedil;as e diagn&oacute;stico e tratamento das mesmas, assumem um papel de destaque no combate &agrave; obesidade. Neste contexto, os profissionais de sa&uacute;de (PS) surgem como agentes primordiais na promo&ccedil;&atilde;o da mudan&ccedil;a comportamental e da ado&ccedil;&atilde;o de um estilo de vida saud&aacute;vel<SUP>4&ndash;6</SUP>. No entanto, estudos recentes indicam que os m&eacute;dicos de cl&iacute;nica geral e familiar (MCGF), enfermeiros e nutricionistas n&atilde;o parecem estar a empenhar&#8208;se devidamente nesta tarefa, apresentando uma a&ccedil;&atilde;o inconsistente e descoordenada, assim como cren&ccedil;as e atitudes negativas face &agrave; obesidade e aos obesos, que parecem estar a influenciar negativamente as suas pr&aacute;ticas. No entanto, n&atilde;o deixam de considerar a obesidade um problema grave de sa&uacute;de p&uacute;blica e uma doen&ccedil;a cuja interven&ccedil;&atilde;o faz parte das suas responsabilidades e dom&iacute;nio de a&ccedil;&atilde;o<SUP>7&ndash;10</SUP>.</P>     <P>A vasta literatura relativa &agrave;s cren&ccedil;as, atitudes e pr&aacute;ticas dos MCGF &eacute; un&acirc;nime quanto &agrave; exist&ecirc;ncia de conhecimentos e de compet&ecirc;ncias inadequados face &agrave; obesidade e seu tratamento, e de cren&ccedil;as ambivalentes e de atitudes negativas face aos obesos, que s&atilde;o descritos como desmotivados, pregui&ccedil;osos e com aus&ecirc;ncia de autocontrolo e de responsabilidade face ao tratamento. Estes profissionais consideram que lidar com o problema da obesidade n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, manifestam baixas expectativas de resultados quanto &agrave; perda de peso e sentem&#8208;se, muitas vezes, frustrados e pouco sucedidos, perspetivando o seu papel no tratamento da obesidade de uma forma negativa<SUP>11&ndash;13</SUP>.</P>     <P>Relativamente aos nutricionistas e enfermeiros, a literatura &eacute; bastante escassa e incoerente quanto &agrave;s perce&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas destes grupos no que diz respeito &agrave; obesidade. Todavia, a literatura existente aponta para a manifesta&ccedil;&atilde;o de cren&ccedil;as e atitudes negativas face aos obesos e &agrave; sua capacidade para perder peso<SUP>9,10,14,15</SUP>, n&atilde;o existindo ainda evid&ecirc;ncia clara quanto &agrave; forma como este pessimismo influencia as pr&aacute;ticas destes profissionais. Os nutricionistas tendem a considerar&#8208;se o grupo mais influente e melhor preparado para lidar com a obesidade e perda de peso, desejando, ainda assim, obter mais forma&ccedil;&atilde;o e compet&ecirc;ncias, principalmente em termos de estrat&eacute;gias motivacionais<SUP>9,14</SUP>. Contrariamente, os enfermeiros admitem falta de conhecimentos e compet&ecirc;ncias adequadas, embora n&atilde;o considerem que exista rela&ccedil;&atilde;o com os resultados das suas interven&ccedil;&otilde;es, visto percecionarem&#8208;se como capazes de motivar o doente para a mudan&ccedil;a do estilo de vida e perspetivarem o tratamento como sendo da responsabilidade do obeso<SUP>15,16</SUP>.</P>     <P>H&aacute; 2 limita&ccedil;&otilde;es principais que parecem transversais aos estudos realizados no &acirc;mbito desta tem&aacute;tica: por um lado, a escassez de estudos comparativos entre MCGF, nutricionistas e enfermeiros e, pelo outro, a primazia de estudos quantitativos considerados redutores quanto &agrave; compreens&atilde;o da vis&atilde;o dos PS face &agrave; obesidade, e &agrave; forma como percecionam o seu papel no tratamento desta doen&ccedil;a<SUP>16,17</SUP>. Em Portugal, n&atilde;o existem registos de estudos neste &acirc;mbito e, perante o aumento do n&uacute;mero de obesos, torna&#8208;se perempt&oacute;rio perceber como &eacute; que os PS est&atilde;o a lidar com este fen&oacute;meno e quais as suas implica&ccedil;&otilde;es para a pr&aacute;tica. Com o intuito de responder &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es identificadas na literatura, desenvolvemos uma investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa na qual, atrav&eacute;s da realiza&ccedil;&atilde;o de entrevistas semiestruturadas, pretendemos compreender, de forma sistem&aacute;tica, as cren&ccedil;as, atitudes e pr&aacute;ticas de MCGF, nutricionistas e enfermeiros relativamente &agrave; obesidade e aos obesos, em contexto de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>M&eacute;todo</B> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <B>Participantes e recolha de dados</B> </P>     <P>Ap&oacute;s a aprova&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o Nacional de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados e da Comiss&atilde;o de &Eacute;tica da ARS Norte, I.P., realiz&aacute;mos entrevistas semiestruturadas a MCGF, nutricionistas e enfermeiros da zona norte do pa&iacute;s, entre janeiro de 2011 e outubro de 2013. Tendo por base os pressupostos do m&eacute;todo de recolha e an&aacute;lise de dados escolhido, nomeadamente a <I>an&aacute;lise tem&aacute;tica</I><SUP>18</SUP>, constituiu&#8208;se uma amostragem te&oacute;rica, ou seja, os participantes foram selecionados por apresentarem caracter&iacute;sticas relevantes para a compreens&atilde;o do fen&oacute;meno em estudo. Nomeadamente, tinham de possuir especialidade em medicina geral e familiar ou licenciatura em nutri&ccedil;&atilde;o ou enfermagem; trabalhar numa unidade p&uacute;blica de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios (unidade de cuidados de sa&uacute;de personalizados, unidade de sa&uacute;de familiar, etc.); e ter, pelo menos, 2 anos de experi&ecirc;ncia profissional. Todavia, a an&aacute;lise das entrevistas dos nutricionistas apontou para a necessidade de se realizarem entrevistas a profissionais deste grupo que trabalhassem no setor privado, pelo que tiv&eacute;mos que incluir elementos deste contexto neste grupo. Os PS foram contactados atrav&eacute;s de informantes&#8208;chave, por via telef&oacute;nica e/ou mediante autoriza&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o dos coordenadores das institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. A constitui&ccedil;&atilde;o de uma amostragem te&oacute;rica pressup&otilde;e tamb&eacute;m que a recolha e an&aacute;lise de dados se processem de forma simult&acirc;nea, tendo em vista a procura da variabilidade e/ou aprofundamento dos conceitos emergentes na an&aacute;lise. Assim, ap&oacute;s as primeiras entrevistas e consequentes an&aacute;lises, recorreu&#8208;se &agrave; estrat&eacute;gia de <I>bola de neve</I> ou sele&ccedil;&atilde;o de participantes em cadeia, com o intuito de se aceder a mais institui&ccedil;&otilde;es e PS.</P>     <P>As entrevistas foram realizadas no local de trabalho dos participantes, com uma dura&ccedil;&atilde;o entre 30&#8208;55 minutos. Obtiv&eacute;mos o consentimento informado de todos os participantes, assim como autoriza&ccedil;&atilde;o para grava&ccedil;&atilde;o &aacute;udio das entrevistas. Desenvolvemos um gui&atilde;o de entrevista provis&oacute;rio e igual para os 3 grupos (c.f.: <a href="#t1">tabela 1</a>), o qual continha inicialmente 9 quest&otilde;es de car&aacute;ter aberto, que foram sendo reformuladas &agrave; medida que a investiga&ccedil;&atilde;o e a an&aacute;lise de dados foi ocorrendo. Este processo repetiu&#8208;se at&eacute; alcan&ccedil;armos a satura&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica dos dados, isto &eacute;, at&eacute; novos dados deixarem de emergir das an&aacute;lises efetuadas. No final de cada entrevista, foi pedido aos PS que respondessem a um breve question&aacute;rio para recolha de informa&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica.</P>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v33n2/33n2a03t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <P> <B>An&aacute;lise dos dados</B> </P>     <P>Todas as entrevistas foram transcritas <I>verbatim</I> pelo mesmo investigador, tendo&#8208;se eliminado quaisquer dados de identifica&ccedil;&atilde;o dos participantes, salvaguardando&#8208;se o seu anonimato e a confidencialidade dos dados. As entrevistas foram analisadas segundo a ordem com que foram realizadas e com recurso ao <I>software</I> NVivo 10.</P>     <P>Para a an&aacute;lise dos dados, a escolha reca&iacute;u sobre o m&eacute;todo da <I>an&aacute;lise tem&aacute;tica</I><SUP>18</SUP>, por permitir obter, de forma rigorosa e sistem&aacute;tica, uma compreens&atilde;o aprofundada e alargada da perce&ccedil;&atilde;o e do significado que os PS atribuem &agrave; obesidade, aos obesos e ao seu papel na gest&atilde;o e tratamento desta doen&ccedil;a. A <I>an&aacute;lise tem&aacute;tica</I> &eacute; um m&eacute;todo de descri&ccedil;&atilde;o, an&aacute;lise e identifica&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es (ou temas), que se processa atrav&eacute;s do desenvolvimento de um sistema de codifica&ccedil;&atilde;o dos dados, que procura encontrar temas centrais, relacionando&#8208;os e hierarquizando&#8208;os desde um n&iacute;vel mais descritivo at&eacute; um n&iacute;vel mais interpretativo<SUP>18,19</SUP>. Desta forma, adotando a <I>ideia</I> como unidade de an&aacute;lise, um dos investigadores iniciou a an&aacute;lise com a decomposi&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do das primeiras entrevistas, desenvolvendo um sistema de codifica&ccedil;&atilde;o que foi, posteriormente, discutido e refinado com os restantes membros da equipa. Este sistema inicial serviu de base para as an&aacute;lises seguintes, o qual, com recurso ao m&eacute;todo de compara&ccedil;&atilde;o constante, foi sendo reformulado &agrave; medida que a recolha e an&aacute;lise dos dados foram progredindo, simultaneamente, e novos temas foram emergindo. A cofidica&ccedil;&atilde;o e agrupamento dos dados, e a identifica&ccedil;&atilde;o de temas e de rela&ccedil;&otilde;es entre estes, foram evoluindo para um sistema cada vez mais hierarquizado e interpretativo, at&eacute; se atingir a satura&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica dos dados. Diferen&ccedil;as de interpreta&ccedil;&atilde;o foram sendo discutidas pela equipa, at&eacute; identificarmos os temas centrais, ou chave, que englobassem e relacionassem todos os dados. As an&aacute;lises e os processos de tomada de decis&atilde;o foram registados em memorandos ao longo de toda a investiga&ccedil;&atilde;o.</P>     <p>&nbsp;</p>     <P> <B>Resultados</B> </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <B>Caracter&iacute;sticas dos participantes</B> </P>     <P>A amostra foi constitu&iacute;da por 44 PS, nomeadamente 16 MCGF (7 homens e 9 mulheres), 12 enfermeiros (3 homens e 9 mulheres) e 16 nutricionistas (2 homens e 14 mulheres), dos quais 9 trabalhavam no setor p&uacute;blico, 6 no setor privado e um em ambos os setores. O conjunto dos 3 grupos de profissionais apresenta uma m&eacute;dia de 41,13 (<I>DP</I> <I>=</I> 9,60) anos de idade e de 16,38 (<I>DP</I> <I>=</I> 7,61) anos de experi&ecirc;ncia profissional. Vinte e oito profissionais apresentavam peso normal, 13 excesso de peso e 3 obesidade grau I, sendo que a m&eacute;dia de &iacute;ndice de massa corporal (IMC) corresponde a 24,12 kg/m<SUP>2</SUP> (<I>DP</I> <I>=</I> 1,48). Do grupo dos homens, 2 j&aacute; tiveram problemas de peso no passado, 2 afirmaram ter problemas de peso no presente e 6 n&atilde;o consideram ter um peso adequado. Do grupo das mulheres, 12 referiram ter tido problemas de peso no passado, 9 referiram ter problemas de peso atualmente e 23 n&atilde;o consideram ter um peso adequado. Outras caracter&iacute;sticas dos PS s&atilde;o descritas na <a href ="/img/revistas/rpsp/v33n2/33n2a03t2.jpg"target="_blank">tabela 2</a>.</P>     
<P> <B>Semelhan&ccedil;as tem&aacute;ticas entre os 3 grupos de profissionais</B> </P>     <P> <B>Obesidade enquanto problema de sa&uacute;de p&uacute;blica:</B> todos os profissionais encontram&#8208;se preocupados com aquilo que muitos designam por &laquo;flagelo da obesidade&raquo; e com as consequ&ecirc;ncias que esta doen&ccedil;a acarreta, principalmente, em termos f&iacute;sicos, visto aumentarem a gravidade do problema e representarem um aumento de custos com a sa&uacute;de. Os participantes consideram que, em Portugal, a popula&ccedil;&atilde;o geral ainda n&atilde;o est&aacute; sensibilizada para esta quest&atilde;o, sendo necess&aacute;rias mais campanhas e iniciativas pol&iacute;ticas direcionadas &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de. No entanto, mencionam verificar mudan&ccedil;as positivas, transversais a todas as idades e contextos (rural e urbano), princialmente no que diz respeito &agrave; pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico. Os participantes questionam&#8208;se quanto aos potenciais efeitos que a atual crise econ&oacute;mica poder&aacute; trazer a longo prazo, n&atilde;o sendo contudo un&acirc;nimes nas suas opini&otilde;es.</P>     <P> <B>Caracter&iacute;sticas dos obesos vs. exig&ecirc;ncias do tratamento:</B> os profissionais descrevem os obesos como doentes fortemente desmotivados para a perda de peso e passivos quanto &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as comportamentais; que n&atilde;o assumem a responsabilidade do tratamento e desculpabilizam&#8208;se constantemente, explicando a sua n&atilde;o ades&atilde;o e os seus fracassos com base em fatores externos (ex.: &laquo;&hellip; <I>tive um anivers&aacute;rio&hellip; &eacute; o trabalho&hellip; n&atilde;o tenho tempo&hellip;</I>&raquo;). Todos os participantes referem que os obesos apresentam problemas de autoestima, ansiedade e depress&atilde;o, que conduzem a uma ingest&atilde;o emocional, associada &agrave; perda de autocontrolo. Todos consideram que os obesos procuram um &laquo;milagre&raquo;, ou algo que os fa&ccedil;a perder peso sem realizarem sacrif&iacute;cios. Os profissionais referem ainda que estes doentes possuem muitos mitos acerca da alimenta&ccedil;&atilde;o e, devido &agrave;s in&uacute;meras tentativas e procura de ajuda para perda de peso, trazem consigo uma &laquo;bagagem informativa&raquo; que exige mais conhecimentos e compet&ecirc;ncias do profissional de sa&uacute;de. A maioria dos entrevistados considera que os obesos, de forma geral, n&atilde;o compreendem a problem&aacute;tica e gravidade da obesidade &laquo;<I>porque &eacute; uma doen&ccedil;a que n&atilde;o d&oacute;i&raquo;</I>. Na sequ&ecirc;ncia deste facto, os participantes consideram que a insatisfa&ccedil;&atilde;o corporal surge como o principal motivo para a perda de peso, embora seja o motivo mais comum nos jovens adultos. A partir da meia&#8208;idade, segundo os entrevistados, as motiva&ccedil;&otilde;es surgem associadas ao desenvolvimento de morbilidades.</P>     <P>Todas estas caracter&iacute;sticas se op&otilde;em &agrave;quilo que os profissionais descrevem como sendo as exig&ecirc;ncias para um tratamento eficaz e bem&#8208;sucedido: possuir elevada motiva&ccedil;&atilde;o, determina&ccedil;&atilde;o, for&ccedil;a de vontade, esp&iacute;rito de sacrif&iacute;cio e autocontrolo, o que se traduz na ado&ccedil;&atilde;o de um papel ativo por parte do doente, o qual deve estar disposto a desconstruir barreiras (individuais e coletivas), empenhando&#8208;se nas mudan&ccedil;as comportamentais necess&aacute;rias para a ado&ccedil;&atilde;o de um estilo de vida saud&aacute;vel.</P>     <P> <B>Barreiras:</B> a desmotiva&ccedil;&atilde;o dos obesos, a falta de tempo na consulta e a aus&ecirc;ncia de recursos, como a falta de nutricionistas nas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, s&atilde;o as 3 principais barreiras comuns no discurso dos MCGF, nutricionistas e enfermeiros. Estes 2 &uacute;ltimos grupos mencionam ainda dificuldades de articula&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o entre PS, principalmente com os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia, os quais consideram n&atilde;o terem conhecimentos suficientes e n&atilde;o estarem devidamente sensibilizados para a problem&aacute;tica da obesidade.</P>     <P>Exemplos dos discursos quanto &agrave;s semelhan&ccedil;as dos 3 grupos de profissionais podem ser encontrados na <a href ="/img/revistas/rpsp/v33n2/33n2a03t3.jpg"target="_blank">tabela 3</a>.</P>     
<P> <B>Diferen&ccedil;as tem&aacute;ticas entre os 3 grupos de profissionais</B> </P>     <P> <B>Pr&aacute;ticas:</B> o discurso dos MCGF aponta para alguma relut&acirc;ncia relativamente a abordarem diretamente a problem&aacute;tica do excesso de peso, preferindo que seja o doente a introduzir a quest&atilde;o; demonstram preocupa&ccedil;&atilde;o quando o doente j&aacute; apresenta um IMC elevado mas, tendencialmente, abordam a quest&atilde;o do excesso de peso no contexto de comorbilidades como a diabetes ou a hipertens&atilde;o, fazendo&#8208;o com cuidado relativamente &agrave; linguagem que utilizam, pois consideram ser um tema sens&iacute;vel para os doentes e que pode ferir suscetibilidades. Pequenos aumentos de peso tendem a ser desvalorizados, mas pequenas perdas s&atilde;o refor&ccedil;adas positivamente. As recomenda&ccedil;&otilde;es para mudan&ccedil;as de estilo de vida prendem&#8208;se com a pr&aacute;tica regular de exerc&iacute;cio f&iacute;sico (ex.: caminhadas di&aacute;rias) e a diminui&ccedil;&atilde;o da ingest&atilde;o alimentar ou elimina&ccedil;&atilde;o de alimentos hipercal&oacute;ricos, mas poucos s&atilde;o aqueles que fornecem explica&ccedil;&otilde;es e materiais estruturados (ex.: planos alimentares e/ou di&aacute;rios de alimenta&ccedil;&atilde;o) quanto &agrave; forma de se proceder a essas altera&ccedil;&otilde;es. Os discursos indicam que estes profissionais s&atilde;o contra a prescri&ccedil;&atilde;o de f&aacute;rmacos que contribuam para a redu&ccedil;&atilde;o do peso, e apenas 2 participantes afirmaram recorrer ao uso de suplementos alimentares, embora esporadicamente. Os encaminhamentos para consultas de nutri&ccedil;&atilde;o s&atilde;o, muitas vezes, feitos com base em avalia&ccedil;&otilde;es subjetivas quanto &agrave; gravidade do excesso de peso e &agrave; motiva&ccedil;&atilde;o do doente ou quando a pessoa apresenta tentativas fracassadas de perda peso. Pelo contr&aacute;rio, encaminhamentos para consultas de obesidade s&atilde;o realizados sempre que poss&iacute;vel e quando o doente apresenta um IMC igual ou superior a 40 kg/m<SUP>2</SUP>, com hist&oacute;ria de insucessos repetidos.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>Os enfermeiros referem n&atilde;o sentir dificuldades ao abordar o doente quanto ao excesso de peso: apesar de tamb&eacute;m referirem cuidados na linguagem, consideram agir de forma natural pois, na maioria dos casos, &laquo;<I>as pessoas sabem que t&ecirc;m excesso de peso&hellip; sabem que est&atilde;o gordas&hellip;</I>&rdquo;<I>.</I> Contrariamente aos MCGF, demonstram&#8208;se preocupados com pequenos aumentos de peso, privilegiando uma abordagem preventiva que consideram ser mais facilitadora de mudan&ccedil;as do estilo de vida, j&aacute; que &laquo;<I>realizar pequenas altera&ccedil;&otilde;es &eacute; mais f&aacute;cil do que modificar h&aacute;bitos j&aacute; fortemente enraizados&raquo;.</I> </P>     <P>Estes profissionais promovem a educa&ccedil;&atilde;o e motiva&ccedil;&atilde;o do doente com recurso a <I>flyers</I>, apresenta&ccedil;&atilde;o de imagens e uso de met&aacute;foras para explicar a problem&aacute;tica e gravidade do excesso de peso e obesidade, e desconstruir mitos e expectativas irrealistas. Os enfermeiros entrevistados referem ser de extrema import&acirc;ncia o envolvimento dos familiares no processo de mudan&ccedil;a de estilo de vida.</P>     <P>Os nutricionistas tamb&eacute;m mencionam ter cuidados na linguagem. Contudo, dizem estar &agrave; vontade para abordar o excesso de peso, visto que o doente que recorre a esta consulta &laquo;<I>j&aacute; sabe para o que veio&raquo;.</I> Estes profissionais preocupam&#8208;se em avaliar expectativas quanto &agrave; forma e quantidade de perda de peso esperadas pelo doente; procuram perceber a hist&oacute;ria de evolu&ccedil;&atilde;o do peso e o contexto financeiro, laboral e familiar do indiv&iacute;duo. Na sua pr&aacute;tica, os nutricionistas recorrem a <I>flyers</I> informativos, imagens com a roda dos alimentos, di&aacute;rios alimentares para educarem e motivarem e estabelecem pequenos objetivos de perda de peso, mas somente ap&oacute;s os primeiros registos de mudan&ccedil;as comportamentais. O uso de planos alimentares varia de acordo com as caracter&iacute;sticas e necessidades do doente, mas, tendencialmente, recorrem a este instrumento na maioria dos casos, adequando&#8208;o ao contexto e dia&#8208;a&#8208;dia de cada doente. A rela&ccedil;&atilde;o que o indiv&iacute;duo apresenta com a comida, a motiva&ccedil;&atilde;o para a mudan&ccedil;a e o estado emocional do doente surgem como pontos essenciais para a prossecu&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o dos nutricionistas: ao constatarem a presen&ccedil;a de perturba&ccedil;&otilde;es, sugerem ao m&eacute;dico de fam&iacute;lia o encaminhamento para apoio psicol&oacute;gico, aquando da exist&ecirc;ncia deste servi&ccedil;o nas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. Caso contr&aacute;rio, aconselham o doente a procurar ajuda externa. Contudo, estes profissionais reconhecem que a sugest&atilde;o deste tipo de apoio representa um assunto sens&iacute;vel, que poder&aacute; comprometer a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. Salientam, assim, a necessidade de se efetuar uma abordagem cuidada e delicada, por forma a evitar preju&iacute;zos na rela&ccedil;&atilde;o profissional/doente.</P>     <P> <B>Conhecimentos e compet&ecirc;ncias:</B> os MCGF, independentemente da idade ou dos anos de experi&ecirc;ncia profissional, referem n&atilde;o ter recebido forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica espec&iacute;fica sobre a obesidade, e mencionam que as suas compet&ecirc;ncias foram sendo adquiridas atrav&eacute;s da pr&aacute;tica e de forma&ccedil;&otilde;es adicionais e/ou leituras que realizaram voluntariamente. Contudo, referem sentir&#8208;se preparados para efetuarem interven&ccedil;&otilde;es neste dom&iacute;nio, pois enquadram a obesidade no conjunto de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, como a diabetes ou a hipertens&atilde;o, para as quais receberam forma&ccedil;&atilde;o adequada. Apenas 2 participantes se mostraram dispon&iacute;veis para procurar esclarecimentos junto de nutricionistas. O grupo dos enfermeiros assemelha&#8208;se aos MCGF, contudo, mostra&#8208;se fortemente dispon&iacute;vel e interessado em colaborar com nutricionistas. Aqueles que j&aacute; realizaram trabalhos no &acirc;mbito da sa&uacute;de escolar apresentam mais conhecimentos e compet&ecirc;ncias para lidar com a obesidade infantil e nos adultos. Os nutricionistas elogiam a forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica recebida, que consideram ser adequada e suficiente para lidar com as quest&otilde;es da perda de peso. No entanto, desejam adquirir novos conhecimentos e compet&ecirc;ncias associadas &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias motivacionais.</P>     <P> <B>Perce&ccedil;&atilde;o do processo de mudan&ccedil;a:</B> os MCGF, na sua maioria, n&atilde;o acreditam na capacidade dos obesos em efetuar mudan&ccedil;as positivas no seu estilo de vida. Na sua interven&ccedil;&atilde;o persistem at&eacute; certo ponto, mas os sucessivos fracassos dos obesos levam&#8208;nos a sentirem&#8208;se frustrados e impotentes, e a considerarem a interven&ccedil;&atilde;o uma &laquo;<I>perda de tempo&raquo;</I>, o que se traduz numa falta de investimento no doente ou, quando poss&iacute;vel, no encaminhamento do mesmo para o servi&ccedil;o de nutri&ccedil;&atilde;o. Contrariamente, os enfermeiros e os nutricionistas, apesar de tamb&eacute;m se sentirem frustrados com os insucessos dos obesos, acreditam que a <I>persist&ecirc;ncia</I> das suas interven&ccedil;&otilde;es conduz a resultados positivos, mesmo que em pequenas propor&ccedil;&otilde;es. Estes 2 grupos concebem a mudan&ccedil;a como um <I>cont&iacute;numm</I>, em que o obeso, que no &iacute;nicio do processo se encontra num p&oacute;lo negativo e, portanto, est&aacute; desmotivado e n&atilde;o adere, consegue evoluir favoravelmente no sentido mais positivo, motivando&#8208;se e realizando as altera&ccedil;&otilde;es comportamentais necess&aacute;rias para a perda de peso e a ado&ccedil;&atilde;o de um estilo de vida saud&aacute;vel. No entanto, este processo evolutivo &eacute; descrito como uma <I>luta</I> constante com o doente, na qual &eacute; repetidamente necess&aacute;rio negociar expectativas, objetivos e altera&ccedil;&otilde;es a realizar, por forma a manter ou aumentar a motiva&ccedil;&atilde;o do obeso. Esta perce&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m ocorre nos nutricionistas que trabalham no setor privado; contudo, estes mencionam que o n&iacute;vel de motiva&ccedil;&atilde;o e ades&atilde;o dos obesos &eacute; um pouco mais elevado, o que &laquo;<I>facilita</I>&raquo; as negocia&ccedil;&otilde;es e aumenta as probabilidades de sucesso. Para alguns nutricionistas, os fracassos s&atilde;o percebidos como desafios, que os obrigam a analisar os erros, a procurar novas estrat&eacute;gias e novas abordagens, acreditando sempre nas suas compet&ecirc;ncias e no sucesso como algo pass&iacute;vel de ser alcan&ccedil;ado. Salienta&#8208;se que, dos nutricionistas entrevistados, 4 (2 no setor privado e 2 no setor p&uacute;blico) se op&otilde;em a esta forma de trabalho, aconselhando o obeso a abandonar a consulta quando observam falta de ades&atilde;o.</P>     <P> <B>Papel percebido:</B> apesar de todos os profissionais colocarem a responsabilidade do tratamento no obeso &ndash; &laquo;<I>Eu n&atilde;o posso fazer as mudan&ccedil;as por ele! Ele &eacute; que tem que se esfor&ccedil;ar por modificar os seus h&aacute;bitos&raquo; &ndash;</I>, os MCGF tendem a adotar um papel passivo, perspetivando&#8208;se como orientadores externos no processo de mudan&ccedil;a comportamental, sentindo, portanto,que nada podem fazer perante a n&atilde;o ades&atilde;o do doente. Os nutricionistas e os enfermeiros tendem a assumir um papel ativo ao acreditarem no sucesso das suas interven&ccedil;&otilde;es, percecionando&#8208;se como educadores e agentes capazes de potenciar e promover altera&ccedil;&otilde;es positivas no estilo de vida dos obesos, possuindo um papel decisivo na evolu&ccedil;&atilde;o positiva no <I>cont&iacute;numm</I> da mudan&ccedil;a descrito anteriormente.</P>     <P>Esta discrep&acirc;ncia de pap&eacute;is parece contribuir para dificuldades de articula&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o com os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia, os quais, na perspetiva dos nutricionistas e enfermeiros, n&atilde;o est&atilde;o devidamente sensibilizados para a problem&aacute;tica da obesidade.</P>     <P>Exemplos das diferen&ccedil;as nos discursos dos 3 grupos de profissionais podem ser encontrados na <a href ="/img/revistas/rpsp/v33n2/33n2a03t4.jpg"target="_blank">tabela 4</a>.</P>     
<P> <B>Discuss&atilde;o</B> </P>     <P>Reconhecendo que o conhecimento produzido depende grandemente das metodologias, t&eacute;cnicas e fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica inerente, considerou&#8208;se que a metodologia qualitativa seria a mais indicada para a execu&ccedil;&atilde;o deste estudo, por permitir obter, de forma rigorosa e sistem&aacute;tica, uma compreens&atilde;o aprofundada e alargada das perce&ccedil;&otilde;es e dos significados atribu&iacute;dos pelos PS &agrave; obesidade, o que dificilmente seria alcan&ccedil;ado atrav&eacute;s de outros m&eacute;todos de investiga&ccedil;&atilde;o<SUP>20</SUP>. A entrevista semiestruturada, pela sua versatilidade e facilidade de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s caracter&iacute;sticas do participante e das circunst&acirc;ncias do contexto, emergiu como o instrumento de elei&ccedil;&atilde;o para a obten&ccedil;&atilde;o, de forma aprofundada, de grandes quantidades de informa&ccedil;&atilde;o, possibilitando, assim, o desenvolvimento de novas ideias e de teorias acerca do fen&oacute;meno em observa&ccedil;&atilde;o<SUP>20</SUP>. Desta forma, o nosso estudo inova por explorar e comparar as cren&ccedil;as, atitudes e pr&aacute;ticas de 3 grupos diferentes de PS diretamente implicados no tratamento da obesidade, nomeadamente, MCGF, enfermeiros e nutricionistas, em contexto dos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, tendo&#8208;se verificado a exist&ecirc;ncia de semelhan&ccedil;as e diferen&ccedil;as nos discursos dos 3 grupos de participantes.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&Agrave; semelhan&ccedil;a do que se verifica em outros estudos, tamb&eacute;m os MCGF, enfermeiros e nutricionistas portugueses n&atilde;o s&oacute; consideram a obesidade um grave problema de sa&uacute;de p&uacute;blica, como tamb&eacute;m apresentam cren&ccedil;as e atitudes negativas face &agrave; obesidade e aos obesos, salientando&#8208;se o pessimismo manifestado quanto &agrave; falta de ades&atilde;o dos obesos, &agrave; sua desmotiva&ccedil;&atilde;o para efetuarem mudan&ccedil;as no estilo de vida e, por sua vez, &agrave; incapacidade destes doentes em perder peso<SUP>9&ndash;11</SUP>. Tal como &eacute; referido por alguns autores, denota&#8208;se um discurso de responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos obesos, o qual parece advir das cren&ccedil;as manifestadas quanto &agrave;s causas da obesidade. Ou seja, ao atribu&iacute;rem aos obesos a responsabilidade pelo desenvolvimento da sua condi&ccedil;&atilde;o, consideram, de igual modo, que cabe a estes a solu&ccedil;&atilde;o do problema e a realiza&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as do estilo de vida para a perda de peso, destacando a necessidade destes doentes assumirem um papel ativo no tratamento da sua obesidade<SUP>12,16,21</SUP>. No entanto, apesar da semelhan&ccedil;a de cren&ccedil;as e atitudes entre os 3 grupos de profissionais face aos obesos, verificam&#8208;se diferen&ccedil;as na forma como estas influenciam as pr&aacute;ticas destes t&eacute;cnicos e a forma como percecionam o seu papel no tratamento desta doen&ccedil;a.</P>     <P>Alguns autores t&ecirc;m procurado explicar o comportamento dos PS tendo por base as dimens&otilde;es de alguns dos modelos de sa&uacute;de, como, por exemplo, o modelo de cren&ccedil;as de sa&uacute;de de Beker e Rosenstock ou a teoria do comportamento planeado de Ajzen<SUP>15,22</SUP>. No que diz respeito aos MCGF, a atribui&ccedil;&atilde;o da responsabilidade, em termos de causas e resolu&ccedil;&atilde;o do problema, aos obesos e a cren&ccedil;a na incapacidade destes doentes modificarem o seu comportamento conduzem &agrave; perce&ccedil;&atilde;o de aus&ecirc;ncia de controlo sobre os resultados das interven&ccedil;&otilde;es efetuadas. Esta perce&ccedil;&atilde;o associada &agrave;s cren&ccedil;as e atitudes negativas face aos obesos e &agrave; perce&ccedil;&atilde;o de baixa efic&aacute;cia, a qual &eacute; refor&ccedil;ada pela aus&ecirc;ncia de sucesso das interven&ccedil;&otilde;es, fazem com que estes profissionais demonstrem relut&acirc;ncia em abordar a quest&atilde;o da obesidade e em investir esfor&ccedil;os no tratamento da mesma. No entanto, os MCGF parecem enfrentar um dilema &eacute;tico: se por um lado, os fracassos repetidos e a falta de ades&atilde;o dos obesos contribuem para o desenvolvimento de baixas expectativas de sucesso e de efic&aacute;cia e de sentimentos de frustra&ccedil;&atilde;o e de impot&ecirc;ncia, que conduzem a uma vontade de desistir; pelo outro, a perce&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o na obesidade como parte integrante das suas fun&ccedil;&otilde;es, compele&#8208;os a atuar, mesmo que seja &laquo;<I>uma perda de tempo&raquo;</I>. &Agrave; semelhan&ccedil;a dos resultados do estudo de Sonntag et al.<SUP>12</SUP>, em que os MCGF adotam um papel passivo na abordagem da obesidade, percecionando&#8208;se como meros orientadores no apoio &agrave; perda de peso, tamb&eacute;m os participantes do nosso estudo tendem a adotar a mesma postura quanto ao seu papel na gest&atilde;o e tratamento da obesidade. Nomeadamente, a <I>resigna&ccedil;&atilde;o</I> surge como uma forma de resolu&ccedil;&atilde;o deste conflito, na qual estes profissionais fornecem informa&ccedil;&otilde;es gerais e vagas acerca da perda de peso &ndash; que se revelam muitas vezes ineficazes<SUP>10</SUP> &ndash; mas n&atilde;o investem os devidos esfor&ccedil;os para incentivarem os doentes a efeturarem mudan&ccedil;as no seu estilo de vida. Outras explica&ccedil;&otilde;es podem tamb&eacute;m contribuir para a compreens&atilde;o do discurso e resigna&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dicos de fam&iacute;lia. O aumento do n&uacute;mero de obesos, a perce&ccedil;&atilde;o da aus&ecirc;ncia de manuten&ccedil;&atilde;o a longo prazo do peso perdido e a aus&ecirc;ncia de conhecimentos e compet&ecirc;ncias adequadas para lidar com a problem&aacute;tica da obesidade, parecem contribuir para a perce&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o como algo dif&iacute;cil de realizar e parece refor&ccedil;ar as atitudes negativas destes profissionais. Note&#8208;se que estudos indicam que quanto maiores forem os conhecimentos, maiores s&atilde;o as cren&ccedil;as no sucesso das interven&ccedil;&otilde;es, assim como se verificam atitudes mais positivas face aos obesos<SUP>12,23,24</SUP>. De igual modo, a forma&ccedil;&atilde;o destes profissionais, caracterizada pelo predom&iacute;nio do modelo biom&eacute;dico, n&atilde;o se coaduna com a interven&ccedil;&atilde;o em doen&ccedil;as de cariz comportamental, como &eacute; o caso da obesidade, e contribui para a ado&ccedil;&atilde;o de uma pr&aacute;tica mais curativa do que preventiva<SUP>23,25,26</SUP>. O <I>focus</I> na obesidade, principalmente aquando do desenvolvimento de morbilidades, pode dever&#8208;se &agrave; maior prepara&ccedil;&atilde;o e experi&ecirc;ncia no dom&iacute;nio da cura e perce&ccedil;&atilde;o de poucas compet&ecirc;ncias quanto &agrave; preven&ccedil;&atilde;o<SUP>22,27</SUP>. Estes fatores traduzem&#8208;se numa perda de oportunidades de interven&ccedil;&atilde;o particularmente preocupante, perante a exist&ecirc;ncia de estudos que demonstram que os obesos tendem a valorizar mais e a sentirem&#8208;se mais motivados para alterar os seus h&aacute;bitos quando aconselhados pelo seu m&eacute;dico de fam&iacute;lia do que por outro profissional de sa&uacute;de<SUP>28,29</SUP>.</P>     <P>Relativamente aos enfermeiros e nutricionistas, apesar de tamb&eacute;m descreverem negativamente os obesos, de colocarem a &ecirc;nfase do tratamento nestes doentes e de considerarem a sua falta de motiva&ccedil;&atilde;o e ades&atilde;o como umas das principais barreiras &agrave; interven&ccedil;&atilde;o nesta problem&aacute;tica, persistem e manifestam cren&ccedil;as positivas quanto ao alcance de resultados sucedidos, o que se traduz na ado&ccedil;&atilde;o de um papel ativo e de compromisso no apoio &agrave; modifica&ccedil;&atilde;o comportamental. Utilizando tamb&eacute;m nestes profissionais os modelos de sa&uacute;de, parece&#8208;nos que uma das diferen&ccedil;as entre estes 2 grupos de profissionais e os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia reside na perce&ccedil;&atilde;o de efic&aacute;cia: &agrave; semelhan&ccedil;a de resultados de outros estudos, os enfermeiros e nutricionistas entrevistados consideram&#8208;se competentes e eficazes quanto ao tratamento da obesidade, o que contribui para cren&ccedil;as e expectativas de resultados mais positivas, as quais s&atilde;o refor&ccedil;adas por um maior n&uacute;mero de experi&ecirc;ncia de sucessos, principalmente no caso dos nutricionistas. Possuir mais conhecimentos na &aacute;rea da alimenta&ccedil;&atilde;o, como no caso dos enfermeiros ligados &agrave; sa&uacute;de escolar, ou dos nutricionistas que se consideram l&iacute;deres neste dom&iacute;nio, ter mais tempo na consulta para abordar a quest&atilde;o da obesidade, assim como a ado&ccedil;&atilde;o de uma abordagem centrada no paciente, com avalia&ccedil;&atilde;o do contexto biopsicossocial do doente e envolvimento da fam&iacute;lia no tratamento, poder&atilde;o tamb&eacute;m explicar as diferen&ccedil;as encontradas entre estes 2 grupos e os m&eacute;dicos de fam&iacute;lia<SUP>9,15</SUP>.</P>     <P>No entanto, verificam&#8208;se incongru&ecirc;ncias no discurso dos enfermeiros e nutricionistas, o que corrobora as ambival&ecirc;ncias encontradas na literatura. Nomeadamente, apesar destes t&eacute;cnicos se sentirem competentes e eficazes, de adotarem um papel ativo e de acreditarem no sucesso das suas interven&ccedil;&otilde;es, manifestam cren&ccedil;as e expectativas negativas quanto aos resultados obtidos e &agrave; capacidade dos obesos serem bem&#8208;sucedidos. Esta discrep&acirc;ncia parece advir do facto de estes profissionais atribu&iacute;rem os fracassos ao comportamento dos obesos, e n&atilde;o &agrave;s suas caracter&iacute;sticas pessoais ou compet&ecirc;ncias profissionais, e de se sentirem impotentes face &agrave; incapacidade destes doentes assumirem o papel ativo que lhes &eacute; exigido para o alcance do sucesso desejado<SUP>15,16,27</SUP>. Este &uacute;ltimo fator parece igualmente explicar os sentimentos de frustra&ccedil;&atilde;o mencionados por estes 2 grupos, sendo que alguns autores acrescentam tamb&eacute;m a exist&ecirc;ncia de expectativas de resultados demasiado elevadas perante os esfor&ccedil;os e investimentos desenvolvidos<SUP>16</SUP>. No caso dos nutricionistas, esta discrep&acirc;ncia resulta numa perce&ccedil;&atilde;o do tratamento da obesidade como uma <I>luta</I> constante. Corroborando os dados de Chapman et al.<SUP>30</SUP>, estes t&eacute;cnicos negoceiam objetivos e estrat&eacute;gias com os obesos de modo a estar de acordo com as suas expectativas e cren&ccedil;as, procurando promover a ades&atilde;o e motiva&ccedil;&atilde;o destes doentes. Esta perce&ccedil;&atilde;o do tratamento como uma luta parece ser exacerbada pela falta de conhecimentos adequados em termos de estrat&eacute;gias motivacionais, bem como pela aus&ecirc;ncia de psic&oacute;logos nas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de que pudessem colaborar n&atilde;o s&oacute; neste dom&iacute;nio, como tamb&eacute;m na gest&atilde;o de perturba&ccedil;&otilde;es alimentares, de humor e de ansiedade<SUP>30</SUP>. De igual modo, os encaminhamentos realizados pelos m&eacute;dicos de fam&iacute;lia parecem aumentar o desafio e as tarefas dos nutricionistas. Estudos indicam que estes tendem a ser feitos de forma aleat&oacute;ria e subjetiva por parte dos MCGF, ou perante IMC j&aacute; muito elevados, a exist&ecirc;ncia de morbilidades associadas ou tentativas de perda de peso repetidamente fracassadas. No entanto, a aus&ecirc;ncia de t&eacute;cnicos desta especialidade nas institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e as longas listas de espera parecem explicar o comportamento dos MCGF<SUP>27,31</SUP>.</P>     <P>A necessidade de entrevistar nutricionistas no setor privado derivou da procura de diferen&ccedil;as na perce&ccedil;&atilde;o do processo de interven&ccedil;&atilde;o e das fun&ccedil;&otilde;es deste profissional no tratamento da obesidade, uma vez que as caracter&iacute;sticas do contexto de trabalho, os recursos dispon&iacute;veis e a forma de acesso aos doentes s&atilde;o diferentes. Al&eacute;m do mais, para os doentes com mais recursos econ&oacute;micos, este servi&ccedil;o surge como uma alternativa &agrave;s listas de espera no setor p&uacute;blico. No entanto, n&atilde;o se verificaram diferen&ccedil;as nestas dimens&otilde;es. Salienta&#8208;se apenas a maior disponibilidade quanto &agrave; frequ&ecirc;ncia e tempo dispensado para as consultas, e a descri&ccedil;&atilde;o um pouco mais positiva da motiva&ccedil;&atilde;o dos obesos. Carecem, contudo, estudos que permitam perceber se estes fatores se traduzem em resultados mais eficazes e que motivos o poder&atilde;o explicar, uma vez que a perce&ccedil;&atilde;o dos nutricionistas entrevistados n&atilde;o &eacute; un&acirc;nime e os dados na literatura s&atilde;o igualmente controversos<SUP>30,32</SUP>.</P>     <P>No que diz respeito aos enfermeiros e &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com os MCGF, a sua <I>persist&ecirc;ncia</I>, as cren&ccedil;as de sucesso, a perce&ccedil;&atilde;o de efic&aacute;cia e a abordagem de cariz preventivo parecem contribuir para as dificuldades de comunica&ccedil;&atilde;o e perce&ccedil;&atilde;o de falta de sensibilidade dos m&eacute;dicos de fam&iacute;lia. &Agrave; semelhan&ccedil;a dos nossos dados, h&aacute; estudos que demonstram que os enfermeiros sentem&#8208;se mais &agrave; vontade para introduzir o tema do excesso de peso do que os MCGF, embora ambos os grupos de profissionais considerem ser um assunto sens&iacute;vel, que pode ferir a suscetibilidade dos doentes e comprometer a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica<SUP>22</SUP>. Estes obst&aacute;culos contribuem para uma quebra de confian&ccedil;a destes doentes nos membros da equipa assistente, diminuindo as suas probabilidades de procura de ajuda ou de ades&atilde;o, diminuindo assim as hip&oacute;teses de interven&ccedil;&atilde;o junto deste grupo<SUP>7,33,34</SUP>.</P>     <P>Os dados obtidos com o presente estudo retratam as experi&ecirc;ncias e viv&ecirc;ncias de 3 grupos de PS, as quais refletem a complexidade de uma doen&ccedil;a que necessita de uma solu&ccedil;&atilde;o igualmente complexa. Por se tratar de um estudo qualitativo realizado na zona norte do pa&iacute;s, a generaliza&ccedil;&atilde;o dos dados fica comprometida. Todavia, o detalhe fornecido relativamente aos procedimentos utilizados para a realiza&ccedil;&atilde;o do estudo permite suplantar este obst&aacute;culo, fornecendo rigor e robutez ao mesmo. De igual modo, outro contributo deriva do facto de se ter alcan&ccedil;ado a satura&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica dos dados, conferindo, assim, consist&ecirc;ncia aos resultados alcan&ccedil;ados. No entanto, h&aacute; tipicidades do contexto portugu&ecirc;s que sugerem a necessidade de uma explora&ccedil;&atilde;o mais aprofundada. Compreender a perce&ccedil;&atilde;o e expectativas dos obesos face ao seu m&eacute;dico assistente e restante equipa aquando da procura de ajuda, e qual a satisfa&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;ada com a mesma e a compara&ccedil;&atilde;o com os resultados deste estudo, poder&aacute; revelar necessidades de interven&ccedil;&atilde;o e ajudar os PS a compreenderem melhor os seus doentes, bem como as suas expectativas face ao atendimento prestado. De igual modo, seria relevante perceber se fatores como o g&eacute;nero do PS, a idade, os anos de experi&ecirc;ncia profissional, bem como o seu peso e imagem corporal, influenciam o investimento e a interven&ccedil;&atilde;o no tratamento da obesidade e a ades&atilde;o destes doentes.</P>     <P>Os cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios constituem&#8208;se como a primeira porta de acesso para um tratamento eficaz da obesidade. No entanto, a investiga&ccedil;&atilde;o neste contexto reflete uma situa&ccedil;&atilde;o preocupante, na qual a preven&ccedil;&atilde;o, o diagn&oacute;stico e o tratamento da obesidade n&atilde;o parecem estar a ocorrer de forma adequada, com os PS a identificarem um conjunto de barreiras que n&atilde;o s&oacute; contribuem para a manuten&ccedil;&atilde;o dos casos de obesidade, como tamb&eacute;m refor&ccedil;am cren&ccedil;as, atitudes e pr&aacute;ticas negativas face aos doentes obesos. Para uma maior efic&aacute;cia no tratamento deste flagelo, torna&#8208;se perempt&oacute;rio o aumento de forma&ccedil;&atilde;o e de treino dos PS neste dom&iacute;nio, alertando&#8208;os para o impacto que as suas cren&ccedil;as poder&atilde;o exercer nas suas pr&aacute;ticas; a implementa&ccedil;&atilde;o de uma abordagem multidisciplinar nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, que promova a troca de conhecimentos entre PS e a melhoria da comunica&ccedil;&atilde;o entre os mesmos; e um aumento dos incentivos e uma maior sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos dirigentes de sa&uacute;de no sentido de priorizar a obesidade nas iniciativas e medidas a serem desenvolvidas futuramente.</P>     <P>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B> </P>     <!-- ref --><P>1 Obesity and overweight. [Em linha]. WHO, (2013) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799554&pid=S0870-9025201500020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>2 Sardinha L.B., Santos D.A., Silva A.M., Coelho-e-Silva M.J., Raimundo A.M., Moreira H., et al. Prevalence of overweight, obesity, and abdominal obesity in a representative sample of Portuguese adults. PLoS One.. 2012;7:e47883.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799556&pid=S0870-9025201500020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>3 Carmo I., Santos O., Camolas J., Vieira J., Carreira M., Medina L., et al. Overweight and obesity in Portugal: National prevalence in 2003&#8208;2005. Obes Rev.. 2008;9:11-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799558&pid=S0870-9025201500020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>4 Trindade I., Teixeira C. O psic&oacute;logo nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios. An&aacute;lise Psic. 1998;2:217-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799560&pid=S0870-9025201500020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>5 Maryon-Davis A. Weight management in primary care: How can it be made more effective?. Proc Nutr Soc.. 2005;64:97-103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799562&pid=S0870-9025201500020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>6 Miguel L.S., S&aacute; A.B. Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios em 2011&#8208;2016: refor&ccedil;ar, expandir. Alto Comissariado da Sa&uacute;de. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, (2010) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799564&pid=S0870-9025201500020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>7 Ogden J. The psychology of eating: From healthy to disordered behavior. Blackwell, (2011) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799566&pid=S0870-9025201500020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>8 Thuan J-F., Avignon A. Obesity management: Attitudes and practices of French general practitioners in a region of France. Int J Obes (Lond).. 2005;29:1100-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799568&pid=S0870-9025201500020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>9 Campbell K., Crawford D. Management of obesity: Attitudes and practices of Australian dietitians. Int J Obes Relat Metab Disord.. 2000;24:701-10.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799570&pid=S0870-9025201500020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <P>10 Brown I., Stride C., Psarou A., Brewins L., Thompson J. Management of obesity in primary care: Nurses&rsquo; practices, beliefs and attitudes. J Adv Nurs.. 2007;59:329-41.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>11 Teixeira F.V., Pais-Ribeiro J.L., Maia &Acirc;.C. Beliefs and practices of healthcare providers regarding obesity: A systematic review. Rev Assoc Med Bras.. 2012;58:254-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799573&pid=S0870-9025201500020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <P>12 Sonntag U., Brink A., Renneberg B., Braun V., Heintze C. GPs&rsquo; attitudes, objectives and barriers in counselling for obesity: A qualitative study. Eur J Gen Pract.. 2012;18:9-14.</P>     <!-- ref --><P>13 Epling J.W., Morley C.P., Ploutz-Snyder R. Family physician attitudes in managing obesity: A cross&#8208;sectional survey study. BMC Res Notes.. 2011;4:473.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799576&pid=S0870-9025201500020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>14 Barr S.I., Yarker K.V., Levy-Milne R., Chapman G.E. Canadian dietitians views and practices regarding obesity and weight management. J Hum Nutr Diet.. 2004;17:503-12.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799578&pid=S0870-9025201500020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <P>15 Hopp&eacute; R., Ogden J. Practice nurses&rsquo; beliefs about obesity and weight related interventions in primary care. Int J Obes Relat Metab Disord.. 1997;21:141-6.</P>     <!-- ref --><P>16 Jallinoja P., Absetz P., Kuronen R., Nissinem A., Talja M., Uutela A., et al. The dilemma of patient responsibility for lifestyle change: Perceptions among primary care physicians and nurses. Scand J Prim Health Care.. 2007;25:244-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799581&pid=S0870-9025201500020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>17 Budd G.M., Mariotti M., Graff D., Falkenstein K. Health care professionals&rsquo; attitudes about obesity: An integrative review. Appl Nurs Res.. 2011;24:127-37.</P>     <!-- ref --><P>18 Boyatzis R.E. Transforming qualitative information: Thematic analysis and code development. Sage Publications, (1998) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799584&pid=S0870-9025201500020000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>19 Braun V., Clarke V. Using thematic analysis in psychology. Qual Res Psychol.. 2006;3:77-101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799586&pid=S0870-9025201500020000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>20 Taylor B., Francis K. Qualitative research in the health sciences. Routledge, (2013) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799588&pid=S0870-9025201500020000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <P>21 Ogden J., Bandara I., Cohen H., Farmer D., Hardie J., Minas H., et al. General practitioners&rsquo; and patients&rsquo; models of obesity: Whose problem is it?. Patient Educ Couns.. 2001;44:227-33.</P>     <!-- ref --><P>22 Michie S. Talking to primary care patients about weight: A study of GPs and practice nurses in the UK. Psychol Health Med.. 2007;12:37-41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799591&pid=S0870-9025201500020000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>23 Visser F., Hiddink G., Koelen M., van J., Tobi H., van C. Longitudinal changes in GPs&rsquo; task perceptions, self&#8208;efficacy, barriers and practices of nutrition education and treatment of overweight. Fam Pract.. 2008;25:(Suppl 1)i105-11.</P>     <P>24 Campbell K., Engel H., Timperio A., Cooper C., Crawford D. Obesity management: Australian general practitioners&rsquo; attitudes and practices. Obes Res.. 2000;8:459-66.</P>     <P>25 Foster G.D., Wadden T.A., Makris A.P., Davidson D., Sanderson R.S., Allison D.B., et al. Primary care physicians&rsquo; attitudes about obesity and its treatment. Obes Res.. 2003;11:1168-77.</P>     <!-- ref --><P>26 Bocquier A., Verger P., Basdevant A., Andreotti G., Baretge J., Villani P., et al. Overweight and obesity: Knowledge, attitudes, and practices of general practitioners in France. Obes Res.. 2005;13:787-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799596&pid=S0870-9025201500020000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <P>27 Mercer S.W., Tessier S. A qualitative study of general practitioners&rsquo; and practice nurses&rsquo; attitudes to obesity management in primary care. Health Bull (Edinb).. 2001;59:248-53.</P>     <!-- ref --><P>28 Galuska D.A., Will J.C., Serdula M.K., Ford E.S. Are health care professionals advising obese patients to lose weight?. JAMA.. 1999;282:1576-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799599&pid=S0870-9025201500020000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     <!-- ref --><P>29 Tan D., Zwar N.A., Dennis S.M., Vagholkar S. Weight management in general practice: What do patients want?. Med J Aust.. 2006;185:73-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=799601&pid=S0870-9025201500020000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P>     ]]></body>
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