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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
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<article-id>S0870-90252016000100003</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2015.06.007</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Autovigilância da doença e qualidade de vida dos doentes diabéticos: estudo observacional em farmácias comunitárias]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Disease self monitoring and quality of life of diabetic patients: Observational study in community pharmacies]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Aim To describe co-morbidities and complications of the disease in patients with diabetes, and to characterize the frequency of self monitoring of the disease. To measure quality of life of these patients and identify possible factors associated to quality of life. Methods An observational study was carried out inviting 800 community pharmacies, with national coverage, to participate. Patients with at least one prescription, for personal use, of the therapeutic subgroup A10 of the ATC/DDD Classification of WHO were invited to answer two questionnaires. The factors potentially associated with quality of life were identified using logistic regression with propensity scores. Results A total of 211 pharmacies participated in the study (26.4%). Of the 1,479 patients recruited, 53.7% were female and had on average 64.1 years old. Neuropathy (27.3%), retinopathy (22.4%) and nephropathy (11.9%) were the more frequently reported complications associated with the disease. The majority referred doing auto-vigilance of the blood glucose values at least once or twice a month. About 28%, referred that had never or rarely done foot self monitoring and 27% had never visited an ophthalmologist. About 25% of all participants reported annual vigilance of blood glucose values and HbA1c. Blood glucose lowering drugs (excluding insulin) were used by more than 80% of the patients. The ADDQoL questionnaire was answered by 1,151 participants. The average score revealed a negative impact of the disease. Variables identified as more associated to this negative impact were: nephropathy (OR = 2.2 (95% confidence interval {95%CI}: 1.28-3.86)), insulin use (OR = 2.2 (95%CI: 1.35-3.50)), age (OR = 1.9 (95%CI:1.21-3.05)), retinopathy (OR = 1.8 (95%CI: 1.12-2.91)) and physical exercise (OR = 0.5 (95%CI: 0.33-0.83)). Conclusions The study results contributed for a better knowledge of co-morbidities, complications and self monitoring of the disease in diabetic patients. It was found that this disease has a negative effect in the quality of life of the patients, with significant more impact in the elderly patients and in insulin users, and lower impact in patients doing physical exercise. In this study, the propensity score model using nephropathy and retinopathy variables as potential confounders showed better predictive power.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Diabetes]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Autovigil&acirc;ncia da doen&ccedil;a e qualidade de vida dos doentes diab&eacute;ticos: estudo observacional em farm&aacute;cias comunit&aacute;rias</b></p>     <p><b>Disease self monitoring and quality of life of diabetic patients: Observational study in community pharmacies</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Zilda Mendes <sup>a</sup><sup>, </sup><a href="#c0">*</a><a name="topc0"></a>, Sandra Guedes <sup>a</sup>, Jos&eacute; Pedro Guerreiro <sup>a</sup>, Monica In&ecirc;s <sup>b</sup>, Ana Sousa <sup>a</sup>, Ana Miranda <sup>a</sup></b></p>     <p>a Centro de Estudos e Avalia&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de (CEFAR), Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Farm&aacute;cias, Lisboa, Portugal</p>     <p>b Pfizer, Porto Salvo, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Objetivos</b></p>     <p>O estudo, realizado em doentes diab&eacute;ticos, teve como objetivo descrever as comorbilidades e complica&ccedil;&otilde;es associadas &agrave; diabetes, e caracterizar a frequ&ecirc;ncia com que os doentes diab&eacute;ticos fazem autovigil&acirc;ncia da sua doen&ccedil;a. Adicionalmente, pretendeu-se caracterizar a qualidade de vida do doente diab&eacute;tico, bem como os fatores que a influenciam.</p>     <p><b>M&eacute;todos</b></p>     <p>Estudo observacional transversal. Foram convidadas a participar neste estudo 800 farm&aacute;cias, com cobertura geogr&aacute;fica a n&iacute;vel nacional. Utentes das farm&aacute;cias aderentes, com uma prescri&ccedil;&atilde;o para uso pr&oacute;prio de, pelo menos, um medicamento com indica&ccedil;&atilde;o para a diabetes (grupo A10 da classifica&ccedil;&atilde;o ATC da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS)), foram convidados a participar no estudo, atrav&eacute;s do preenchimento de 2 question&aacute;rios. A avalia&ccedil;&atilde;o dos fatores que influenciam a qualidade de vida foi efetuada atrav&eacute;s da modela&ccedil;&atilde;o em 2 fases utilizando <i>propensity scores.</i></p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Duzentas e onze farm&aacute;cias aceitaram participar no estudo (26,4%). Foram recrutados 1.479 doentes diab&eacute;ticos adultos, 53,7% do sexo feminino e com idade m&eacute;dia de 64,1 anos. Neuropatia (27,3%), retinopatia (22,4%) e nefropatia (11,9%) foram as complica&ccedil;&otilde;es associadas &agrave; diabetes mais frequentemente reportadas. Na maioria dos doentes, a autovigil&acirc;ncia da glicemia foi referida com frequ&ecirc;ncia superior a uma ou 2 vezes por m&ecirc;s. Em cerca de 28% dos casos, a autovigil&acirc;ncia dos p&eacute;s nunca ou raramente foi efetuada e 27% dos doentes declarou nunca ter feito uma consulta de oftalmologia. An&aacute;lises &agrave; glicemia e hemoglobina glicosilada foram realizadas anualmente em 25% dos participantes. A maioria dos doentes fazia terap&ecirc;utica com antidiab&eacute;ticos orais (ADO). O question&aacute;rio ADDQoL foi preenchido por 1.151 participantes. A pontua&ccedil;&atilde;o obtida revelou que o impacto ponderado da diabetes na qualidade de vida &eacute; percecionado como negativo. As vari&aacute;veis que influenciam a qualidade de vida foram: nefropatia (Odds Ratio (OR) = 2,2 (intervalo de confian&ccedil;a 95% {IC95%}: 1,28-3,86)), toma de insulina (OR = 2,2 (IC95%: 1,35-3,50)), idade (OR = 1,9 (IC95%: 1,21-3,05)), retinopatia (OR = 1,8 (IC95%: 1,12-2,91)) e exerc&iacute;cio f&iacute;sico (OR = 0,5 (IC95%: 0,33-0,83)).</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Os resultados do estudo s&atilde;o importantes para um melhor conhecimento das comorbilidades, complica&ccedil;&otilde;es e a forma como o doente faz a vigil&acirc;ncia da doen&ccedil;a. Verificou-se que esta doen&ccedil;a tem uma carga negativa para os doentes, principalmente nos que tomam insulina, sendo agravada com a idade e melhorando com a realiza&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico. Neste estudo, o modelo com <i>propensity scores</i>, utilizando como potenciais vari&aacute;veis de confundimento a presen&ccedil;a de nefropatia e retinopatia, revelou melhor poder preditivo.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Diabetes. Estudos observacionais. Qualidade de vida. <i>Propensity scores</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Aim</b></p>     <p>To describe co-morbidities and complications of the disease in patients with diabetes, and to characterize the frequency of self monitoring of the disease. To measure quality of life of these patients and identify possible factors associated to quality of life.</p>     <p><b>Methods</b></p>     <p>An observational study was carried out inviting 800 community pharmacies, with national coverage, to participate. Patients with at least one prescription, for personal use, of the therapeutic subgroup A10 of the ATC/DDD Classification of WHO were invited to answer two questionnaires. The factors potentially associated with quality of life were identified using logistic regression with <i>propensity scores.</i></p>     <p><b>Results</b></p>     <p>A total of 211 pharmacies participated in the study (26.4%). Of the 1,479 patients recruited, 53.7% were female and had on average 64.1 years old. Neuropathy (27.3%), retinopathy (22.4%) and nephropathy (11.9%) were the more frequently reported complications associated with the disease. The majority referred doing auto-vigilance of the blood glucose values at least once or twice a month. About 28%, referred that had never or rarely done foot self monitoring and 27% had never visited an ophthalmologist. About 25% of all participants reported annual vigilance of blood glucose values and HbA1c. Blood glucose lowering drugs (excluding insulin) were used by more than 80% of the patients. The ADDQoL questionnaire was answered by 1,151 participants. The average score revealed a negative impact of the disease. Variables identified as more associated to this negative impact were: nephropathy (OR = 2.2 (95% confidence interval {95%CI}: 1.28-3.86)), insulin use (OR = 2.2 (95%CI: 1.35-3.50)), age (OR = 1.9 (95%CI:1.21-3.05)), retinopathy (OR = 1.8 (95%CI: 1.12-2.91)) and physical exercise (OR = 0.5 (95%CI: 0.33-0.83)).</p>     <p><b>Conclusions</b></p>     <p>The study results contributed for a better knowledge of co-morbidities, complications and self monitoring of the disease in diabetic patients. It was found that this disease has a negative effect in the quality of life of the patients, with significant more impact in the elderly patients and in insulin users, and lower impact in patients doing physical exercise. In this study, the propensity score model using nephropathy and retinopathy variables as potential confounders showed better predictive power.</p>     <p><b>Keywords: </b>Diabetes. Observational studies. Quality of life. <i>Propensity scores</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A diabetes &eacute; uma doen&ccedil;a cr&oacute;nica, metab&oacute;lica, caracterizada por n&iacute;veis de glucose elevados e por complica&ccedil;&otilde;es microvasculares e macrovasculares, que aumentam a morbilidade e mortalidade prematura e que reduzem a qualidade de vida dos doentes. &Eacute; uma doen&ccedil;a com elevados custos para os sistemas de sa&uacute;de, para os indiv&iacute;duos, fam&iacute;lias, empresas e governos e com tend&ecirc;ncia a aumentar<sup>1,2</sup>.</p>     <p>Estima-se que, em 2035, o n&uacute;mero de diab&eacute;ticos a n&iacute;vel mundial possa atingir os 592 milh&otilde;es, em consequ&ecirc;ncia do envelhecimento populacional e da urbaniza&ccedil;&atilde;o<sup>3,4</sup>. A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) estima que a diabetes ser&aacute; a 7.<sup>a</sup> principal causa de morte em 2030<sup>2,4</sup>.</p>     <p>Em Portugal, a preval&ecirc;ncia de diabetes, em 2013, era de 13,0% na popula&ccedil;&atilde;o adulta com idades compreendidas entre os 20-79 anos, estimando-se que, em 2030, venha a aumentar para 15,2%<sup>5&ndash;7</sup>.</p>     <p>De acordo com a <i>International Diabetes Federation</i> (IDF), a vigil&acirc;ncia anual de diversos aspetos relacionados com o controlo da diabetes e das suas complica&ccedil;&otilde;es deve fazer parte dos cuidados b&aacute;sicos a prestar a estes doentes<sup>1</sup>. Os par&acirc;metros fisiol&oacute;gicos e bioqu&iacute;micos a serem considerados no controlo dos doentes diab&eacute;ticos incluem a glicemia, hemoglobina glicosilada (HbA1c), a press&atilde;o arterial, o colesterol e o peso. O controlo da doen&ccedil;a tem um impacto ben&eacute;fico nas complica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas da diabetes (neuropatia, retinopatia e nefropatia)<sup>1,8,9</sup>. O cuidado com os p&eacute;s, o rastreio de retinopatia e sinais precoces de doen&ccedil;a renal s&atilde;o algumas das interven&ccedil;&otilde;es custo-efetivas na gest&atilde;o da doen&ccedil;a<sup>4</sup>.</p>     <p>A retinopatia diab&eacute;tica &eacute; a complica&ccedil;&atilde;o mais comum da diabetes e a causa principal da perda de vis&atilde;o nos adultos entre os 20-74 anos<sup>1,10</sup>. Estima-se que 1% da cegueira mundial possa ser atribu&iacute;da &agrave; diabetes<sup>4</sup>. No estudo META-EYE, estimou-se uma preval&ecirc;ncia da retinopatia diab&eacute;tica de 34,6% (intervalo de confian&ccedil;a 95% (IC95%): (34,5-34,8)) na popula&ccedil;&atilde;o adulta com 20-79 anos de idade<sup>11</sup>.</p>     <p>A dete&ccedil;&atilde;o precoce, atrav&eacute;s de uma vigil&acirc;ncia regular, &eacute; essencial para a identifica&ccedil;&atilde;o dos doentes que podem beneficiar de terap&ecirc;utica a laser e prevenir a perda da vis&atilde;o<sup>1,12</sup>. &Eacute; recomendado que todos os diab&eacute;ticos tipo 2 e diab&eacute;ticos tipo 1, com mais de 12 anos, fa&ccedil;am rastreio visual no momento do diagn&oacute;stico e, posteriormente, pelo menos, anualmente<sup>13,14</sup>.</p>     <p>A neuropatia diab&eacute;tica atinge cerca de 50% dos diab&eacute;ticos tipo 2, tendo como consequ&ecirc;ncia mais frequente as ulcera&ccedil;&otilde;es nos p&eacute;s e as amputa&ccedil;&otilde;es, respons&aacute;veis por elevada morbilidade e incapacidade destes doentes<sup>15,16</sup>. Estima-se que cerca de 25% de todas as pessoas com diabetes tenha condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis ao aparecimento de les&otilde;es nos p&eacute;s. A frequ&ecirc;ncia do exame aos p&eacute;s deve ser feita, pelo menos, anualmente<sup>17,18</sup>. Cerca de 15% dos diab&eacute;ticos acabam por desenvolver &uacute;lceras nos p&eacute;s ao longo da vida<sup>19</sup>. A educa&ccedil;&atilde;o dos doentes para examinarem e cuidarem dos p&eacute;s reduz o risco de ulcera&ccedil;&atilde;o e outras complica&ccedil;&otilde;es<sup>1,16,19</sup>.</p>     <p>A nefropatia atinge cerca de 20-50% dos doentes com diabetes e &eacute; a principal causa de fal&ecirc;ncia renal. Dever&aacute; ser feito anualmente um rastreio da fun&ccedil;&atilde;o renal, que possibilite dete&ccedil;&atilde;o precoce e interven&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento da doen&ccedil;a<sup>1,10,20,21</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A obesidade &eacute; um fator de risco independente para a hipertens&atilde;o, dislipidemia e doen&ccedil;a cardiovascular (DCV), sendo esta a maior causa de mortalidade e morbilidade dos doentes diab&eacute;ticos<sup>9,10,22</sup>. A atividade f&iacute;sica regular e a perda de peso melhoram a sensibilidade &agrave; insulina e o controlo glic&eacute;mico, sendo parte integrante de programas de gest&atilde;o da diabetes<sup>8&ndash;10</sup>.</p>     <p>Um bom controlo lip&iacute;dico demonstrou diminuir o risco de doen&ccedil;a coron&aacute;ria de 25-55% e o risco de morte em 43%<sup>20</sup>.</p>     <p>A autovigil&acirc;ncia da glicemia faz parte da gest&atilde;o da doen&ccedil;a, sendo uma t&eacute;cnica que ajuda o doente a avaliar a resposta individual &agrave; terap&ecirc;utica e a alcan&ccedil;ar as metas de glicemia definidas. No caso de doentes diab&eacute;ticos com regime de v&aacute;rias inje&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias de insulina, poder&aacute; exigir testes 6-8 vezes ao dia, embora as necessidades individuais possam ser maiores, devendo ser adaptadas &agrave;s necessidades e objetivos de cada doente<sup>10</sup>. Por outro lado, a evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica sugere uma efetividade cl&iacute;nica limitada da autovigil&acirc;ncia da glicemia, em diab&eacute;ticos tipo 2 sujeitos a terap&ecirc;utica oral, ou apenas a dieta<sup>10,23</sup>.</p>     <p>O acompanhamento dos doentes diab&eacute;ticos por um farmac&ecirc;utico ou enfermeiro, em associa&ccedil;&atilde;o a interven&ccedil;&otilde;es dirigidas ao doente, j&aacute; demonstrou ter efeitos ben&eacute;ficos no controlo glic&eacute;mico<sup>24</sup>. A educa&ccedil;&atilde;o do doente permite que este seja envolvido na gest&atilde;o da sua doen&ccedil;a, melhorando o autocontrolo e a ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica. Pode ainda incentivar os doentes a modificarem o seu estilo de vida, nomeadamente no que se refere &agrave; dieta, cessa&ccedil;&atilde;o tab&aacute;gica e pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, ajudando no controlo glic&eacute;mico e atrasando, ou prevenindo, o desenvolvimento de complica&ccedil;&otilde;es<sup>15</sup>. A gest&atilde;o da diabetes requer a participa&ccedil;&atilde;o ativa dos doentes, sendo necess&aacute;rio monitorizar o seu impacto, por exemplo, ao n&iacute;vel da melhoria da qualidade de vida dos doentes.</p>     <p>Neste estudo, foi recolhida informa&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do doente sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o de antidiab&eacute;ticos, sobre complica&ccedil;&otilde;es e comorbilidades da doen&ccedil;a, e ainda informa&ccedil;&atilde;o sobre o impacto da doen&ccedil;a na qualidade de vida.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Objetivos</b></p> <ul>       <li>1) Caracterizar a vigil&acirc;ncia peri&oacute;dica da diabetes (autorreportada).</li>       <li>2) Caracterizar as comorbilidades e complica&ccedil;&otilde;es da diabetes.</li>       <li>3) Caracterizar a qualidade de vida do doente diab&eacute;tico, atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio espec&iacute;fico para avaliar a qualidade de vida do doente diab&eacute;tico &ndash; <i>Audit of Diabetes Dependent Quality of Life</i> (ADDQoL).</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>4) Determinar os fatores que influenciam a qualidade de vida do doente diab&eacute;tico.</li>     </ul>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Participantes e m&eacute;todos</b></p>     <p><b>Desenho do estudo</b></p>     <p>Estudo descritivo transversal, com aplica&ccedil;&atilde;o de 2 question&aacute;rios, um de preenchimento pelo farmac&ecirc;utico no momento do recrutamento e outro de autopreenchimento (ADDQoL).</p>     <p><b>Popula&ccedil;&atilde;o-alvo</b></p>     <p>Diab&eacute;ticos adultos com uma prescri&ccedil;&atilde;o para uso pr&oacute;prio de, pelo menos, um medicamento com indica&ccedil;&atilde;o para a diabetes (grupo A10 da classifica&ccedil;&atilde;o ATC da OMS).</p>     <p><b>Recolha de informa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Foram convidadas a participar no estudo 800 farm&aacute;cias (30% do total de farm&aacute;cias associadas Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Farm&aacute;cias (ANF)), distribu&iacute;das aleatoriamente a n&iacute;vel nacional. A informa&ccedil;&atilde;o foi recolhida atrav&eacute;s de um question&aacute;rio de preenchimento por entrevista do farmac&ecirc;utico. Este instrumento inclu&iacute;a quest&otilde;es relacionadas com a caracteriza&ccedil;&atilde;o do doente, da doen&ccedil;a e sua autovigil&acirc;ncia, bem como da medica&ccedil;&atilde;o dispensada. O question&aacute;rio de qualidade de vida do doente diab&eacute;tico<sup>25</sup> foi entregue ao doente pelo farmac&ecirc;utico para autopreenchimento e devolvido posteriormente &agrave; equipa de investiga&ccedil;&atilde;o, utilizando um envelope pr&eacute;-pago. O question&aacute;rio incluiu 2 perguntas introdut&oacute;rias sobre a qualidade de vida em geral e sobre o impacto da diabetes na qualidade de vida, e 18 itens espec&iacute;ficos, com o objetivo de avaliar, na perspetiva do doente, o qu&atilde;o melhor seria a sua vida se n&atilde;o tivesse diabetes e qu&atilde;o importante s&atilde;o cada um desses aspetos da vida para o indiv&iacute;duo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>An&aacute;lise estat&iacute;stica</b></p>     <p>An&aacute;lise descritiva, incluindo o c&aacute;lculo de frequ&ecirc;ncias absolutas e relativas para as vari&aacute;veis nominais, e c&aacute;lculo de medidas de localiza&ccedil;&atilde;o e dispers&atilde;o para as vari&aacute;veis cont&iacute;nuas. Foi utilizado o teste de qui-quadrado para tabelas de conting&ecirc;ncia e ajustamento, ou o teste de Fisher para compara&ccedil;&atilde;o entre grupos. A perce&ccedil;&atilde;o do doente sobre a qualidade de vida foi calculada atrav&eacute;s da m&eacute;dia ponderada dos diversos dom&iacute;nios (<i>Average Weighted Index</i>). Todos os c&aacute;lculos de pontua&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia foram acompanhados do respetivo IC95%.</p>     <p>Para determinar os fatores que influenciam a qualidade de vida dos doentes diab&eacute;ticos, foi constru&iacute;do um modelo de regress&atilde;o log&iacute;stica com <i>propensity scores</i><sup>26&ndash;28</sup>. Na vari&aacute;vel dependente, os doentes foram divididos em 2 grupos, de acordo com a pontua&ccedil;&atilde;o obtida na escala de qualidade de vida (pontua&ccedil;&atilde;o positiva <i>versus</i> pontua&ccedil;&atilde;o negativa). Foi utilizado o teste Hosmer e Lemeshow para avaliar o ajustamento do modelo e, como medida de associa&ccedil;&atilde;o, calculados os odds ratio (OR), assim como os respetivos IC95%. A an&aacute;lise estat&iacute;stica dos dados foi realizada em SAS GUIDE V4.0.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Das 800 farm&aacute;cias convidadas, 211 (26,4%) aceitaram participar no estudo. A distribui&ccedil;&atilde;o regional das farm&aacute;cias participantes no estudo foi semelhante &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o nacional das farm&aacute;cias associadas da ANF (p = 0,2849).</p>     <p><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o dos doentes</b></p>     <p>A amostra foi constitu&iacute;da por 1.479 doentes diab&eacute;ticos adultos, 53,7% do sexo feminino e com idade m&eacute;dia de 64,1 anos (desvio padr&atilde;o = 12 anos; mediana = 66 anos). Cerca de 94% da amostra tinha mais de 45 anos (53,2% &ge; 65 anos e 40,6% entre 45-64 anos). A maioria dos doentes residia na regi&atilde;o de Lisboa (39,3%) e na regi&atilde;o Norte (36,3%). Cerca de 2/3 dos doentes tinham 4 ou menos anos de escolaridade (66,9%) e 62% encontravam-se reformados.</p>     <p>A maioria dos doentes tinha excesso de peso (IMC = 25-29,9 kg/m<sup>2</sup>) ou eram obesos (IMC &ge; 30 kg/m<sup>2</sup>), 44,8 e 36,2%, respetivamente. A maioria (93,1%) dos doentes referiu n&atilde;o ser fumador e 43,7% referiu fazer exerc&iacute;cio f&iacute;sico.</p>     <p><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a e vigil&acirc;ncia</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A maioria dos doentes identificou-se como diab&eacute;tico tipo 2 (n = 1.092; 74,4%) e 16,4% (n = 240) referiram n&atilde;o saber qual o seu tipo de diabetes. A maioria dos doentes reportou uma dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia da doen&ccedil;a de 12,4 anos, sendo superior nos doentes com diabetes tipo 1 (18,3 vs. 11,7 anos).</p>     <p>No que se refere ao acompanhamento da doen&ccedil;a por um profissional de sa&uacute;de, 80% dos doentes referiram ser acompanhados por um cl&iacute;nico geral, 25,6% por um endocrinologista, 4,4% por um nutricionista, 11,5% outro profissional de sa&uacute;de e 0,6% referiram n&atilde;o ter qualquer acompanhamento. Mais de 80% dos diab&eacute;ticos tipo 2 referiram serem acompanhados, pelo menos, pelo cl&iacute;nico geral, enquanto nos diab&eacute;ticos tipo 1, a percentagem foi inferior a 45% (p &lt; 0,0001).</p>     <p>No que respeita &agrave; autovigil&acirc;ncia da glicemia (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a03t1.jpg">tabela 1a</a>), 8,7% dos doentes n&atilde;o faziam autovigil&acirc;ncia e 73,0% dos casos faziam pelo menos uma vez por semana (98,4% diab&eacute;ticos tipo 1 vs. 71,6% diab&eacute;ticos tipo 2). Cerca de 46% dos doentes relataram realizar a autovigil&acirc;ncia dos p&eacute;s pelo menos semanalmente (56,3% diab&eacute;ticos tipo 1 vs. 45,8% diab&eacute;ticos tipo 2). A medi&ccedil;&atilde;o do peso e medi&ccedil;&atilde;o da tens&atilde;o arterial, na maioria dos doentes, n&atilde;o eram realizadas ou eram apenas realizadas ocasionalmente (78,7 e 60,9%, respetivamente).</p>     
<p>As an&aacute;lises prescritas pelo m&eacute;dico (glicemia, HbA1c, colesterol, triglicer&iacute;deos, etc.) foram realizadas pelo menos uma vez por ano por cerca de 1/4 dos doentes e, pelo menos, 2 vezes por ano por cerca de 3/4 dos doentes (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a03t1.jpg">tabela 1b</a>). A vigil&acirc;ncia m&eacute;dica dos p&eacute;s nunca foi efetuada em 62,8% dos casos (35,8% diab&eacute;ticos tipo 1 vs. 64,9% diab&eacute;ticos tipo 2) e a consulta de oftalmologia nunca foi efetuada por 27,1% dos doentes (6,7% diab&eacute;ticos tipo 1 vs. 28,2% diab&eacute;ticos tipo 2). Com exce&ccedil;&atilde;o da medi&ccedil;&atilde;o da tens&atilde;o arterial, foram encontradas diferen&ccedil;as estatisticamente significativas nos h&aacute;bitos de vigil&acirc;ncia da doen&ccedil;a (autovigil&acirc;ncia ou vigil&acirc;ncia m&eacute;dica), sendo os diab&eacute;ticos tipo 1 os que mais frequentemente reportaram autovigil&acirc;ncia ou vigil&acirc;ncia aconselhada pelo m&eacute;dico.</p>     
<p><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o das comorbilidades e complica&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p>As comorbilidades associadas &agrave; diabetes foram avaliadas indiretamente atrav&eacute;s da medica&ccedil;&atilde;o concomitante &agrave; terap&ecirc;utica antidiab&eacute;tica. Cerca de 80% dos doentes estavam a tomar anti-hipertensores, 59,8% antidislipid&eacute;micos, 33,3% antiagregantes plaquet&aacute;rios, 20,7% antidepressivos e 10,8% anticoagulantes.</p>     <p>Relativamente &agrave;s complica&ccedil;&otilde;es relacionadas com a diabetes (retinopatia, nefropatia e neuropatia), mais de 5% dos doentes n&atilde;o sabiam se tinham alguma destas doen&ccedil;as (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a03t2.jpg">tabela 2</a>).</p>     
<p>A complica&ccedil;&atilde;o mais frequentemente reportada foi a neuropatia (27,3%), seguindo-se de retinopatia e nefropatia, 22,4 e 11,9%, respetivamente. Com exce&ccedil;&atilde;o da neuropatia, a propor&ccedil;&atilde;o de doentes com retinopatia e nefropatia foi significativamente superior nos diab&eacute;ticos tipo 1.</p>     <p><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da medica&ccedil;&atilde;o para a diabetes</b></p>     <p>Dos 1.479 doentes que integraram este estudo, 80,2% estavam a fazer terap&ecirc;utica exclusiva com antidiab&eacute;ticos orais (ADO), 10,4% tomavam apenas insulina e 9,4% estavam a fazer terap&ecirc;utica combinada de insulina e ADO.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No grupo de doentes apenas a tomar ADO, 23,9% tomavam apenas metformina (dose mediana di&aacute;ria = 1.700 mg), 13,6% tomavam metformina e gliclazida (dose mediana di&aacute;ria = 2.000 mg + 60 mg) e 11,1% tomavam apenas gliclazida (dose mediana di&aacute;ria = 60 mg). Comparativamente com a dose di&aacute;ria definida (DDD), as doses medianas utilizadas, situam-se em cerca de uma DDD de metformina (2.000 mg) e 1/2 da DDD de gliclazida (160 mg). Dos doentes a fazer terap&ecirc;utica combinada de ADO e insulina, cerca de 45% dos casos fazia insulina e metformina (dose di&aacute;ria mediana = 2.000 mg + 36 UI para a insulina isof&acirc;nica ou 46 UI para a insulina humana).</p>     <p><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida relacionada com a sa&uacute;de do doente diab&eacute;tico</b></p>     <p>Foram recepcionados 1.151 question&aacute;rios de qualidade de vida (ADDQoL) preenchidos, 77,8% do total de question&aacute;rios distribu&iacute;dos. N&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre os n&atilde;o respondentes e o total da amostra em estudo, no que respeita &agrave;s caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas e tipo de diabetes. A <a href="#f1">figura 1</a> representa a distribui&ccedil;&atilde;o das 2 primeiras quest&otilde;es do ADDQoL e m&eacute;dia ponderada de qualidade de vida, incluindo todos os dom&iacute;nios avaliados no question&aacute;rio. Verificou-se que a QV geral percecionada pelo doente se situou, em m&eacute;dia, no centro da escala (&laquo;Nem boa nem m&aacute;&raquo;). No entanto, quer a pontua&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia do impacto da diabetes na qualidade de vida (QV) geral quer a pontua&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia ponderada por dom&iacute;nio, foram negativas.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a03f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A <a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a03t3.jpg">tabela 3</a> mostra a an&aacute;lise detalhada de cada um dos 18 dom&iacute;nios do question&aacute;rio. De um modo geral, o impacto &eacute; negativo para a maioria dos dom&iacute;nios. Dos dom&iacute;nios considerados como mais negativos, destacam-se: &laquo;liberdade para comer o que quero, quando quero&raquo;; &laquo;prazer que a comida me proporciona&raquo;; &laquo;condi&ccedil;&otilde;es de vida&raquo;; &laquo;liberdade para beber o que quero, quando quero&raquo; e &laquo;as coisas que fisicamente poderia fazer&raquo;. A quest&atilde;o relacionada com a &laquo;depend&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o aos outros para fazer coisas que gostaria de fazer eu pr&oacute;prio&raquo; e as &laquo;preocupa&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro&raquo; foram as que obtiveram melhor pontua&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia, ainda assim muito pr&oacute;ximas do valor 0.</p>     
<p>A <a href="#t4">tabela 4</a> reporta os resultados do modelo de regress&atilde;o log&iacute;stica para identifica&ccedil;&atilde;o dos potenciais fatores que influenciam a QV dos doentes diab&eacute;ticos. Os doentes que tomam insulina, n&atilde;o fazem exerc&iacute;cio f&iacute;sico, t&ecirc;m retinopatia e t&ecirc;m nefropatia, apresentaram cerca de 2 vezes maior probabilidade de obter resultado negativo na pontua&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio de QV.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a03t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>No modelo inicial foram inclu&iacute;das todas as vari&aacute;veis em estudo.No modelo stepwise: <i>Goodness-of-fit test</i> = 7,6066 (p = 0,2684).AUC = 0,694; IC 95% (0,635; 0,753).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As vari&aacute;veis &laquo;Retinopatia&raquo; e &laquo;Nefropatia&raquo; foram identificadas como poss&iacute;veis fatores de confundimento. Com vista a reduzir o poss&iacute;vel vi&eacute;s de confundimento, foi especificado um novo modelo incluindo estas 2 vari&aacute;veis num <i>propensity score</i> (<a href="#t5">tabela 5</a>). O modelo ajustado melhorou bastante a estat&iacute;stica de ajustamento do modelo, mas a &aacute;rea sobre a curva (AUC) n&atilde;o mostrou altera&ccedil;&atilde;o significativa.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t5"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a03t5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><i>Goodness-of-fit test</i> = 3,0360 (p = 0,8817).AUC = 0,697; IC 95% (0,641; 0,754).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Este estudo teve como objetivo principal contribuir para o melhor conhecimento das comorbilidades e complica&ccedil;&otilde;es da diabetes, caracterizar a vigil&acirc;ncia de alguns aspetos relacionados com o controlo da doen&ccedil;a e avaliar o impacto da doen&ccedil;a na qualidade de vida dos doentes.</p>     <p>Neste estudo, obteve-se uma amostra de 1.479 doentes, permitindo um erro m&aacute;ximo de 2,5%, no c&aacute;lculo das estimativas das propor&ccedil;&otilde;es. A distribui&ccedil;&atilde;o regional das farm&aacute;cias envolvidas no estudo foi semelhante &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o real do universo de farm&aacute;cias associadas da ANF, conferindo a este estudo dispers&atilde;o a n&iacute;vel nacional.</p>     <p>A percentagem de mulheres com diabetes foi superior &agrave; dos homens (46,4 vs. 53,7%) e no grupo et&aacute;rio acima dos 45 anos. Estas caracter&iacute;sticas s&atilde;o concordantes com os resultados obtidos no 4.&deg; Inqu&eacute;rito Nacional de Sa&uacute;de, onde a preval&ecirc;ncia de diabetes nas mulheres &eacute; maior que nos homens e crescente nos grupos et&aacute;rios mais avan&ccedil;ados<sup>29</sup>.</p>     <p>As modifica&ccedil;&otilde;es do estilo de vida devem ser as primeiras abordagens para prevenir ou atrasar o aparecimento da diabetes<sup>9,10,18</sup>. Em doentes com intoler&acirc;ncia oral &agrave; glucose, a institui&ccedil;&atilde;o de um regime composto por dieta e exerc&iacute;cio f&iacute;sico intensificados, j&aacute; mostrou diminuir a incid&ecirc;ncia de diabetes em cerca de 60%<sup>10,22</sup>. Na amostra em estudo, cerca de 80% dos doentes eram obesos ou tinham excesso de peso e a maioria (56,3%) referiu n&atilde;o fazer exerc&iacute;cio f&iacute;sico. Esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; extremamente importante, na medida em que mesmo pequenas altera&ccedil;&otilde;es de peso (5-10% do peso corporal) e pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico moderado (30 minutos di&aacute;rios) s&atilde;o suficientes para diminuir a incid&ecirc;ncia da diabetes e suas complica&ccedil;&otilde;es<sup>2</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A maioria dos doentes (62,8%) referiu nunca lhe ter sido realizada vigil&acirc;ncia dos p&eacute;s e 27,1% nunca consultou um especialista em oftalmologia. De salientar que, sendo um estudo de base populacional efetuado com recrutamento em farm&aacute;cias comunit&aacute;rias, n&atilde;o foi poss&iacute;vel validar atrav&eacute;s dos ficheiros cl&iacute;nicos do doente se houve efetivamente referencia&ccedil;&atilde;o para um especialista, principalmente no caso da oftalmologia, ou se o doente optou por n&atilde;o consultar o profissional de sa&uacute;de respetivo.</p>     <p>A frequ&ecirc;ncia de autovigil&acirc;ncia da glicemia encontrada neste estudo est&aacute; de acordo com as orienta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas, na medida em que, para a diabetes tipo 1, a mais-valia da autovigil&acirc;ncia da glicemia &eacute; indiscut&iacute;vel, mas para a diabetes tipo 2 o seu papel ainda n&atilde;o se encontra perfeitamente estabelecido<sup>10,18</sup>.</p>     <p>Apesar das orienta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas referirem que as an&aacute;lises ao sangue (glicemia, HbA1c, colesterol, trigliceridos, etc.) devem ser feitas anualmente<sup>1</sup>, apenas 25% dos doentes referiu fazer as an&aacute;lises com esta regularidade, sendo que, na maioria dos casos (&gt; 70%), as an&aacute;lises s&atilde;o feitas semestral ou trimestralmente, nomeadamente entre os diab&eacute;ticos do tipo 1. Ainda que existam, possivelmente, outros fatores que justifiquem esta discrep&acirc;ncia face &agrave;s orienta&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas, uma utiliza&ccedil;&atilde;o excessiva dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de n&atilde;o &eacute; de descartar. Por outro lado, n&atilde;o se pode excluir um sobrerreporte da frequ&ecirc;ncia de an&aacute;lises ao sangue feitas pelo doente, ou da sua realiza&ccedil;&atilde;o com outra finalidade, que n&atilde;o o controlo da diabetes.</p>     <p>No que se refere ao controlo da press&atilde;o arterial, a frequ&ecirc;ncia reportada pelos doentes &eacute; manifestamente reduzida, tendo em conta as vantagens que o controlo da press&atilde;o arterial tem no controlo das complica&ccedil;&otilde;es e comorbilidades da doen&ccedil;a<sup>1</sup>.</p>     <p>A maioria destes doentes (80,2%) estava a fazer terap&ecirc;utica exclusiva com ADO. Destes, 23,9% tomavam apenas metformina, 13,6% tomavam metformina e gliclazida e 11,1% tomavam apenas gliclazida. Em Portugal, nos &uacute;ltimos anos, o padr&atilde;o de utiliza&ccedil;&atilde;o dos ADO alterou bastante, tendo sido publicada, em 2011, pela Dire&ccedil;&atilde;o Geral de Sa&uacute;de, uma norma de orienta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica com vista ao controlo da despesa p&uacute;blica com medicamentos. Entre 2007-2012<sup>30</sup>, o consumo em DHD (DDD por 1.000 habitantes por dia) aumentou de 56,1 para 68,7 DHD. Grande parte deste aumento esteve relacionada com o consumo das novas associa&ccedil;&otilde;es de ADO e dos inibidores das dipeptil peptilase 4 (DPP4).</p>     <p>No que se refere &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o da QV destes doentes, quer a pontua&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia do impacto da diabetes na QV, quer a pontua&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia ponderada por dom&iacute;nio, foram negativas. As situa&ccedil;&otilde;es identificadas como mais negativas foram as quest&otilde;es relacionadas com a alimenta&ccedil;&atilde;o, condi&ccedil;&otilde;es de vida e atividade f&iacute;sica. Os fatores identificados como tendo maior impacto na qualidade de vida do doente foram a toma de insulina, idade, exerc&iacute;cio f&iacute;sico, nefropatia e retinopatia. O modelo com <i>propensity scores</i> permitiu um ajustamento com maior valor preditivo, mas, do ponto de vista da interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados, foi muito semelhante ao modelo-base.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Os resultados deste estudo contribu&iacute;ram para melhorar o conhecimento da autovigil&acirc;ncia e vigil&acirc;ncia m&eacute;dica da diabetes em Portugal. A grande maioria dos participantes (&gt; 70%) fazia, pelo menos, uma vez por semana autovigil&acirc;ncia da glicemia. A medi&ccedil;&atilde;o do peso e medi&ccedil;&atilde;o da tens&atilde;o arterial, na maioria dos doentes, n&atilde;o eram realizadas ou eram apenas realizadas ocasionalmente. As an&aacute;lises prescritas pelo m&eacute;dico (glicemia, HbA1c, colesterol, triglicer&iacute;deos, etc.) eram realizadas pelo menos uma vez por ano por cerca de 1/4 dos doentes e, pelo menos, 2 vezes por ano por cerca de 3/4 dos doentes. A vigil&acirc;ncia m&eacute;dica dos p&eacute;s nunca foi efetuada em 62,8% dos casos e a consulta de oftalmologia nunca foi efetuada por 27,1% dos doentes. Em ambos os casos, a autovigil&acirc;ncia reportada por diab&eacute;ticos tipo 2 foi inferior aos diab&eacute;ticos tipo 1. A complica&ccedil;&atilde;o mais frequentemente reportada foi a neuropatia, seguindo-se de retinopatia e nefropatia. A utiliza&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio espec&iacute;fico para aferir a qualidade de vida do doente diab&eacute;tico permitiu identificar quais as &aacute;reas que o doente diab&eacute;tico mais valoriza, no que se refere &agrave; sua qualidade de vida. Os resultados deste estudo poder&atilde;o contribuir para uma melhor gest&atilde;o da doen&ccedil;a e dar prioridade a certas interven&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>A pontua&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia do impacto da diabetes na qualidade de vida foi percecionada como negativa, principalmente nos dom&iacute;nios relacionados com a alimenta&ccedil;&atilde;o e exerc&iacute;cio f&iacute;sico. Os fatores identificados como tendo impacto na QV foram: toma de insulina, idade, exerc&iacute;cio f&iacute;sico, nefropatia e retinopatia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliografia</b></p>     <p>1. International Diabetes Federation. Global guideline for type 2 diabetes. (Internet). Brussels: International Diabetes Federation; 2012. (consultado 2 Set 2014). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.idf.org/sites/default/files/IDF T2DM Guideline.pdf" target="_blank">http://www.idf.org/sites/default/files/IDF T2DM Guideline.pdf</a>.</p>     <!-- ref --><p>2. Global status report on noncommunicable diseases 2010. Geneva: World Health Organization, (2010) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802226&pid=S0870-9025201600010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. IDF Diabetes Atlas. 6 th ed. (Internet)., Brussels: International Diabetes Federation, (2013) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802228&pid=S0870-9025201600010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>4. WHO. Diabetes. Geneva World Health Organization; 2015. (Fact sheet; 312). (consultado 2 Sep 2014). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs312/en/" target="_blank">http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs312/en/</a>.</p>     <!-- ref --><p>5. Diabetes: factos e n&uacute;meros 2014: relat&oacute;rio anual do Observat&oacute;rio Nacional da Diabetes. Lisboa: Sociedade Portuguesa de Diabetologia, (2014) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802231&pid=S0870-9025201600010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>6. Shaw J.E., Sicree R.A., Zimmet P.Z. Global estimates of the prevalence of diabetes for 2010 and 2030. Diabetes Res Clin Pract. 2010;87:4-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802233&pid=S0870-9025201600010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Whiting D.R., Guariguata L., Weil C., Shaw J. IDF diabetes atlas: Global estimates of the prevalence of diabetes for 2011 and 2030. Diabetes Res Clin Pract. 2011;94:311-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802235&pid=S0870-9025201600010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Inzucchi S., Bergenstal R., Buse J., Diamant M., Ferrannini E., Nauck M., et al. Management of hyperglycemia in type 2 diabetes: A patient-centered approach: Position statement of the American Diabetes Association (ADA) and the European Association for the Study of Diabetes (EASD). (Internet). Diabetes Care. 2012;35:1364-79.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802237&pid=S0870-9025201600010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Nathan D.M., Buse J.B., Davidson M.B., Ferrannini E., Holman R.R., Sherwin R., et al. Medical management of hyperglycemia in type 2 diabetes: A consensus algorithm for the initiation and adjustment of therapy: A consensus statement of the American Diabetes Association and the European Association for the Study of Diabetes. (Internet). Diabetes Care. 2009;32:193-203.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802239&pid=S0870-9025201600010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Standards of medical care in diabetes 2013. (Internet). Diabetes Care. 2013;36(Suppl 1):S11-66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802241&pid=S0870-9025201600010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>11. Yau J.W.Y., Rogers S.L., Kawasaki R., Lamoureux E.L., Kowalski J.W., Bek T., et al. Global prevalence and major risk factors of diabetic retinopathy. (Internet). Diabetes Care. 2012;35:556-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802243&pid=S0870-9025201600010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>12. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. Norma 006/2011: diagn&oacute;stico sistem&aacute;tico e tratamento da retinopatia diab&eacute;tica. (Internet). Lisboa: Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de, (2011) .</p>     <p>13. National Institute for Health and Care Excellence. Type 1 diabetes: Diagnosis and management of type 1 diabetes in children, young people and adults: Guidance and guidelines. (Internet). 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Diabetes Metab Res Rev. 2012;28(Suppl 1):225-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802250&pid=S0870-9025201600010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>17. Boulton A.J.M., Armstrong D.G., Albert S.F., Frykberg R.G., Hellman R., Kirkman M.S., et al. Comprehensive foot examination and risk assessment: A report of the task force of the foot care interest group of the American Diabetes Association, with endorsement by the American Association of Clinical Endocrinologists. (Internet). 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London: National Institute for Health and Care Excellence, (2009) .</p>     <p>20. Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. Norma 008/2011: diagn&oacute;stico sistem&aacute;tico da nefropatia diab&eacute;tica. (Internet). Lisboa: Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de; 2011 (consultado 2 Sep 2014). Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.dgs.pt/ms/7/paginaRegisto.aspx?back=1&amp;id=19920" target="_blank">https://www.dgs.pt/ms/7/paginaRegisto.aspx?back=1&amp;id=19920</a>.</p>     <!-- ref --><p>21. Nephropathy in diabetes. (Internet). Diabetes Care. 2004;27:79S-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802258&pid=S0870-9025201600010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>22. Ryd&eacute;n L., Grant P.J., Anker S.D., Berne C., Cosentino F., Danchin N., et al. ESC Guidelines on diabetes, pre-diabetes, and cardiovascular diseases developed in collaboration with the EASD: The Task Force on diabetes, pre-diabetes, and cardiovascular diseases of the European Society of Cardiology (ESC) and developed in collaboration. (Internet). Eur Heart J. 2013;34:3035-87.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802260&pid=S0870-9025201600010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>23. Clar C., Barnard K., Cummins E., Royle P., Waugh N. Self-monitoring of blood glucose in type 2 diabetes: Systematic review. (Internet). Health Technol Assess. 2010;14:1-140 (consultado 2 Sep 2014).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802262&pid=S0870-9025201600010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>24. Renders C.M., Valk G.D., Griffin S.J., Wagner E.H., Eijk J.T., Assendelft W.J. Interventions to improve the management of diabetes in primary care, outpatient, and community settings: A systematic review. (Internet). Diabetes Care. 2001;24:1821-1833 (consultado 2 Sep 2014).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802264&pid=S0870-9025201600010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>25. Costa F.A., Guerreiro J.P., Duggan C. An Audit of Diabetes Dependent Quality of Life (ADDQoL) for Portugal: Exploring validity and reliability. (Internet). Pharm Pract. 2006;4:123-128 (consultado 2 Sep 2014).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802266&pid=S0870-9025201600010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>26. Hosmer D.W., Lemeshow S. Applied logistic regression. 2 nd ed., Hoboken, NJ: John Wiley &amp; Sons, (2000) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802268&pid=S0870-9025201600010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>27. Cepeda M.S. Comparison of logistic regression versus propensity score when the number of events is low and there are multiple confounders. (Internet). Am J Epidemiol. 2003;158:280-287 (consultado 2 Sep 2014).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802270&pid=S0870-9025201600010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>28. Patrick A.R., Schneeweiss S., Brookhart M.A., Glynn R.J., Rothman K.J., Avorn J., et al. The implications of propensity score variable selection strategies in pharmacoepidemiology: An empirical illustration. (Internet). 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Diabetes: an&aacute;lise de mercado dos antidiab&eacute;ticos orais, insulinas e dispositivos m&eacute;dicos destinados ao controlo da diabetes 2012 vs. 2011, no SNS. (Internet) (consultado 2 Sep 2014). Farm&aacute;cia Observat&oacute;rio. 2013;39:1-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802276&pid=S0870-9025201600010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&atilde;o haver conflito de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Financiamento</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este estudo foi financiado pelos Laborat&oacute;rios Pfizer. Zilda Mendes, Sandra Guedes, Jos&eacute; Pedro Guerreiro e Ana Sousa s&atilde;o colaboradores do CEFAR, contratado para a condu&ccedil;&atilde;o deste estudo e desenvolvimento deste artigo. Monica In&ecirc;s &eacute; colaboradora dos Laborat&oacute;rios Pfizer.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Um agradecimento especial a todos os farmac&ecirc;uticos que contribu&iacute;ram para a recolha desta informa&ccedil;&atilde;o. Agradece-se a Carla Torre, S&oacute;nia Romano e Marta Gomes os coment&aacute;rios a vers&atilde;o anterior do artigo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><a href="#topc0">*</a><a name="c0"></a>Autor para correspondência:</i> Correio eletrónico: <a href="mailto:zilda.mendes@anf.pt">zilda.mendes@anf.pt</a></P>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido 27 de Abril de 2015 . Aceito 30 de Junho de 2015</p>      ]]></body><back>
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<year>2010</year>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Management of hyperglycemia in type 2 diabetes: A patient-centered approach: Position statement of the American Diabetes Association (ADA) and the European Association for the Study of Diabetes (EASD)]]></article-title>
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