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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2015.07.004</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sobrepeso e obesidade pediátrica: a realidade portuguesa]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar Leiria-Pombal Hospital de Santo André ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Purpose To describe and compare the prevalence of overweight and obesity using in a sample of Portuguese children and adolescents using three body mass index (BMI)-based criteria (Center for Disease Control and Prevention - CDC, World Health Organization-WHO and International Obesity Task Force-IOTF). Methods Cross-sectional descriptive study. Population sample composed by children and adolescents, who participated in a national screening, that took place in 17 Portuguese cities between 2007 and 2009, as part of a national screening for childhood obesity promoted by Ambulatory Pediatric Department of the Portuguese Pediatric Society. Weight and height were collected and BMI(kg/m²) was calculated according to the formula: weight(kg)/height(m)². Data were analyzed using the criteria established by the references applied. The kappa coefficients were calculated for the degree of agreement between criteria. Results 6175 children and adolescents were screened, mean age 8.3 years, 52% female. According to CDC criteria, the overall overweight and obesity prevalence was 18.7% and 13.4%. Applying WHO criteria, overweight and obesity prevalence were 20.5% and 14.9% respectively and 20.1% and 7.2% according to IOTF definitions. The IOTF criteria determined lower overall prevalence of obesity, showing less sensitivity in screening excessive weight. CDC and WHO criteria have proven to be more reproducible in the detection of overall obesity, which was translated by higher prevalence values. Conclusion The high rates of excessive weight in this study are consistent with literature data and justify the urgent implementation of preventive programs. Though in general there was a good agreement between the three criteria, the disparity of the results alerts for the need of careful use of references in assessment of nutritional status in pediatric populations, as well as its interpretation and comparison with literature data.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Obesidade]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sobrepeso e obesidade pedi&aacute;trica: a realidade portuguesa</b></p>     <p><b>Pediatric overweight and obesity: The Portuguese reality</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Carolina Viveiro <a href="#c0">*</a><a name="topc0"></a>, Sara Brito, Pascoal Moleiro</b></p>     <p>Servi&ccedil;o de Pediatria, Hospital de Santo Andr&eacute;, Centro Hospitalar Leiria-Pombal, EPE, Leiria, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Objetivo</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Determinar e comparar a preval&ecirc;ncia de sobrepeso e obesidade numa amostra de crian&ccedil;as e adolescentes portugueses, usando 3 crit&eacute;rios de refer&ecirc;ncia baseados no &iacute;ndice de massa corporal (IMC): <i>Center for Disease Control and Prevention</i> (CDC), Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) e <i>International Obesity Task Force</i> (IOTF).</p>     <p><b>M&eacute;todos</b></p>     <p>Estudo transversal descritivo. Amostra constitu&iacute;da por crian&ccedil;as e adolescentes, participantes num rastreio nacional, decorrido em 17 cidades portuguesas entre 2007-2009, no &acirc;mbito da Jornada Nacional de Rastreio de Obesidade Infantil, promovida pela sec&ccedil;&atilde;o de Pediatria Ambulat&oacute;ria da Sociedade Portuguesa de Pediatria. O peso e estatura foram obtidos e o IMC (kg/m<sup>2</sup>) calculado de acordo com a f&oacute;rmula: peso (kg)/estatura (m)<sup>2</sup>. Os dados foram analisados usando os crit&eacute;rios propostos pelas 3 refer&ecirc;ncias. O grau de concord&acirc;ncia foi calculado atrav&eacute;s do coeficiente <i>kappa</i>.</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>Rastrearam-se 6.175 crian&ccedil;as e adolescentes, 52% do g&eacute;nero feminino, idade m&eacute;dia 8,3 anos. Segundo os crit&eacute;rios do CDC, a preval&ecirc;ncia global de sobrepeso e obesidade foi 18,7 e 13,4%. A preval&ecirc;ncia de sobrepeso e obesidade segundo os crit&eacute;rios da OMS foi 20,5 e 14,9%, e da IOTF 20,1 e 7,2%.</p>     <p>Os crit&eacute;rios IOTF apresentaram preval&ecirc;ncias globalmente inferiores de obesidade, mostrando menor sensibilidade na sua dete&ccedil;&atilde;o. Os crit&eacute;rios da CDC e da OMS apresentaram um maior grau de reprodutibilidade na dete&ccedil;&atilde;o global da obesidade, traduzindo-se em valores de preval&ecirc;ncia mais elevados.</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>As elevadas taxas de peso excessivo, neste estudo, s&atilde;o concordantes com a literatura e tornam premente a implementa&ccedil;&atilde;o de programas de preven&ccedil;&atilde;o. Apesar de, na generalidade, os 3 crit&eacute;rios apresentarem um n&iacute;vel de concord&acirc;ncia bom, a disparidade nos resultados obtidos alerta para a necessidade do uso criterioso das refer&ecirc;ncias na determina&ccedil;&atilde;o de par&acirc;metros de avalia&ccedil;&atilde;o do status nutricional em idade pedi&aacute;trica, bem como na sua interpreta&ccedil;&atilde;o e compara&ccedil;&atilde;o com a literatura.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Obesidade. Sobrepeso. Pediatria. &Iacute;ndice de massa corporal.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Purpose</b></p>     <p>To describe and compare the prevalence of overweight and obesity using in a sample of Portuguese children and adolescents using three body mass index (BMI)-based criteria (<i>Center for Disease Control and Prevention</i> - CDC, World Health Organization&ndash;WHO and International Obesity Task Force&ndash;IOTF).</p>     <p><b>Methods</b></p>     <p>Cross-sectional descriptive study. Population sample composed by children and adolescents, who participated in a national screening, that took place in 17 Portuguese cities between 2007 and 2009, as part of a national screening for childhood obesity promoted by Ambulatory Pediatric Department of the Portuguese Pediatric Society. Weight and height were collected and BMI(kg/m<sup>2</sup>) was calculated according to the formula: weight(kg)/height(m)<sup>2</sup>. Data were analyzed using the criteria established by the references applied. The kappa coefficients were calculated for the degree of agreement between criteria.</p>     <p><b>Results</b></p>     <p>6175 children and adolescents were screened, mean age 8.3 years, 52% female. According to CDC criteria, the overall overweight and obesity prevalence was 18.7% and 13.4%. Applying WHO criteria, overweight and obesity prevalence were 20.5% and 14.9% respectively and 20.1% and 7.2% according to IOTF definitions.</p>     <p>The IOTF criteria determined lower overall prevalence of obesity, showing less sensitivity in screening excessive weight. CDC and WHO criteria have proven to be more reproducible in the detection of overall obesity, which was translated by higher prevalence values.</p>     <p><b>Conclusion</b></p>     <p>The high rates of excessive weight in this study are consistent with literature data and justify the urgent implementation of preventive programs. Though in general there was a good agreement between the three criteria, the disparity of the results alerts for the need of careful use of references in assessment of nutritional status in pediatric populations, as well as its interpretation and comparison with literature data.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords: </b>Obesity. Overweight. Pediatrics. Body Mass Index.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A preval&ecirc;ncia de pr&eacute;-obesidade e obesidade em crian&ccedil;as e adolescentes tem vindo a aumentar a n&iacute;vel mundial a um ritmo alarmante, sobretudo nos pa&iacute;ses desenvolvidos e em alguns segmentos de pa&iacute;ses em desenvolvimento<sup>1,2</sup>. Dadas as graves e m&uacute;ltiplas repercuss&otilde;es desta patologia, tanto a curto como a m&eacute;dio e longo prazo, torna-se urgente a necessidade de implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de preven&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m o diagn&oacute;stico precoce e interven&ccedil;&atilde;o atempada.</p>     <p>O tema da obesidade pedi&aacute;trica tem sido motivo de grande pol&eacute;mica, pois as altera&ccedil;&otilde;es constantes na composi&ccedil;&atilde;o corporal e no peso, durante a inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia, tornam dif&iacute;cil o estabelecimento de uma classifica&ccedil;&atilde;o universal de obesidade para crian&ccedil;as e adolescentes<sup>3</sup>. Assim, embora seja inequ&iacute;voca a utiliza&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndice de massa corporal (IMC) em kg/m<sup>2</sup>, como par&acirc;metro antropom&eacute;trico recomendado pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) para a avalia&ccedil;&atilde;o do estado nutricional, t&ecirc;m sido usados diferentes crit&eacute;rios para a determina&ccedil;&atilde;o da obesidade<sup>1</sup>.</p>     <p>Em Portugal, a Dire&ccedil;&atilde;o Geral de Sa&uacute;de (DGS) recomendava a utiliza&ccedil;&atilde;o das curvas de percentis de IMC do <i>Centers for Disease Control and Prevention</i> (CDC) de 2000, que estavam inclu&iacute;das no Boletim de Sa&uacute;de Infantil e Juvenil (BSIJ) portugu&ecirc;s. Estas curvas t&ecirc;m como base as curvas de crescimento elaboradas pelo <i>National Center for Health Statistics</i> (NCHS) de 1977, associando-se dados de 5 estudos transversais (<i>National Health and Nutrition Examination Surveys &ndash; NHES II, III</i> e <i>NHANES I, II, III</i>) realizados entre 1963-1994, a n&iacute;vel da popula&ccedil;&atilde;o pedi&aacute;trica americana. Os pontos de corte adoptados pelo CDC definem o sobrepeso para IMC igual ou superior ao P85 e inferior ao P95, a obesidade para o P95 de IMC ou superior, e o baixo peso para IMC inferiores ao P5, de acordo com a idade e sexo<sup>3,4</sup> (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t1.jpg">tabela 1</a>).</p>     
<p>Recentemente, a implementa&ccedil;&atilde;o do novo Programa Nacional de Sa&uacute;de Infantil e Juvenil, que entrou em vigor em junho de 2013, recomenda a ado&ccedil;&atilde;o de novas curvas padr&atilde;o de crescimento preconizadas pela OMS<sup>5</sup>. Estas curvas, publicadas em 2007, abrangem uma popula&ccedil;&atilde;o dos 5-19 anos de idade e constituem uma reconstru&ccedil;&atilde;o da refer&ecirc;ncia de crescimento previamente recomendada (NCHS/OMS 1977)<sup>6</sup>. Incluem dados originais do NCHS, suplementados com dados relativos ao padr&atilde;o de crescimento infantil at&eacute; aos 5 anos, baseados num estudo multic&ecirc;ntrico abrangendo as 6 principais regi&otilde;es do mundo (<i>WHO Multicenter Growth Reference Study</i> (MGRS))<sup>7</sup>. A extens&atilde;o das curvas permitiu uma adapta&ccedil;&atilde;o ao padr&atilde;o de crescimento da crian&ccedil;a e aos pontos de corte de sobrepeso e obesidade para o adulto, e representa um padr&atilde;o mais internacional, independente da etnia ou estatuto socioecon&oacute;mico<sup>6</sup>. Os valores limiares de IMC que definem o sobrepeso e obesidade s&atilde;o, respetivamente, o P85 e o P97<sup>6</sup> (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t1.jpg">tabela 1</a>).</p>     
<p>Em 2000, Cole et al. publicaram curvas de IMC elaboradas por extrapola&ccedil;&atilde;o dos pontos de corte definidos para os adultos para classifica&ccedil;&atilde;o de sobrepeso (25-30 kg/m<sup>2</sup>) e obesidade (&gt; 30 kg/m<sup>2</sup>), de acordo com a faixa et&aacute;ria e o sexo<sup>8</sup>. O mesmo grupo de autores, em 2007, publicou os pontos de corte para defini&ccedil;&atilde;o de baixo peso em crian&ccedil;as e adolescentes (&lt; 17 kg/m<sup>2</sup> aos 18 anos)<sup>9</sup>. Estas curvas foram constru&iacute;das a partir de estudos populacionais realizados em 6 pa&iacute;ses entre 1963-1993, sendo aplic&aacute;veis a crian&ccedil;as e adolescentes, de ambos os sexos, entre 2-18 anos de idade. Pelo seu car&aacute;ter internacional, estas curvas s&atilde;o recomendadas pela <i>International Obesity Task Force</i> (IOTF)<sup>8,9</sup> (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t1.jpg">tabela 1</a>).</p>     
<p>Perante a panor&acirc;mica atual, a Sec&ccedil;&atilde;o de Pediatria Ambulat&oacute;ria (SPA) da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) promoveu uma campanha de sensibiliza&ccedil;&atilde;o, a &laquo;Jornada Nacional de Rastreio da Obesidade Infantil&raquo;, com o intuito de promo&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos de vida saud&aacute;veis e preven&ccedil;&atilde;o das complica&ccedil;&otilde;es da obesidade infantil<sup>10</sup>. Foi efetuada a avalia&ccedil;&atilde;o estaturoponderal de crian&ccedil;as e adolescentes que se voluntariaram para o efeito, tendo-se procedido &agrave; referencia&ccedil;&atilde;o para o m&eacute;dico assistente dos casos detetados. A recolha de dados decorreu simultaneamente nas 17 cidades portuguesas participantes, em um dia de cada ano, de 2007-2009, em locais p&uacute;blicos de elevada aflu&ecirc;ncia. Contou-se com o apoio de profissionais ligados &agrave; pediatria para a realiza&ccedil;&atilde;o do rastreio e consciencializa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o para a problem&aacute;tica da obesidade<sup>10</sup>.</p>     <p>A aus&ecirc;ncia de unanimidade nos crit&eacute;rios indicados na literatura, para defini&ccedil;&atilde;o da obesidade em crian&ccedil;as e adolescentes, remete para a necessidade de estabelecer pontos de corte espec&iacute;ficos para cada popula&ccedil;&atilde;o. Sendo assim e aliado &agrave; escassez de dados acerca da preval&ecirc;ncia de obesidade no territ&oacute;rio nacional, o presente estudo tem como objetivos a determina&ccedil;&atilde;o da preval&ecirc;ncia de sobrepeso e obesidade numa amostra da popula&ccedil;&atilde;o pedi&aacute;trica nacional, segundo 3 crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o (CDC, IOTF 2000 e OMS 2007) e analisar as diferen&ccedil;as encontradas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Material e m&eacute;todos</b></p>     <p>Trata-se de um estudo transversal descritivo com vertente explorat&oacute;ria.</p>     <p>Amostra constitu&iacute;da por crian&ccedil;as e adolescentes dos 2 aos 18 anos de idade (exclusive), participantes na &laquo;Jornada Nacional de Rastreio da Obesidade Infantil&raquo;, promovida pela SPA da SPP, em 3 anos consecutivos (2007-2009) e em 17 cidades portuguesas.</p>     <p>Foram recolhidos dados individuais (idade em anos e sexo) e antropom&eacute;tricos (peso em quilogramas e estatura em metros), com c&aacute;lculo do IMC, segundo a f&oacute;rmula: peso (kg)/estatura (m)<sup>2</sup>. O peso foi obtido atrav&eacute;s de balan&ccedil;a digital calibrada. Para a sua medi&ccedil;&atilde;o, foi removido o vestu&aacute;rio exterior e cal&ccedil;ado. A estatura foi determinada com uma r&eacute;gua de parede, atrav&eacute;s do posicionamento do jovem com a nuca e regi&otilde;es gemelares apoiadas na parede, p&eacute;s completamente apoiados no ch&atilde;o e bra&ccedil;os estendidos ao longo do corpo. N&atilde;o foi efetuada subtra&ccedil;&atilde;o para aproxima&ccedil;&atilde;o ao peso real.</p>     <p>Os participantes foram classificados em 4 grupos (baixo peso, peso normal, sobrepeso e obesidade), de acordo com os pontos de corte de IMC definidos para cada uma das curvas de refer&ecirc;ncia utilizadas: CDC 2000, OMS 2007 e IOTF 2000.</p>     <p>Os pontos de corte definidos para as respetivas curvas de IMC encontram-se descritos na <a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t1.jpg">tabela 1</a>. O peso excessivo foi designado para o conjunto do sobrepeso e obesidade.</p>     
<p>A amostra foi estudada no seu conjunto global, tendo sido tamb&eacute;m efetuada a avalia&ccedil;&atilde;o individual por g&eacute;neros e segundo as faixas et&aacute;rias, tendo sido definidos 2 grupos (crian&ccedil;as e adolescentes).</p>     <p>O tratamento dos dados e determina&ccedil;&atilde;o de preval&ecirc;ncias foram efetuadas com recurso ao programa PASW Statistics 18<sup>&reg;</sup>, e a an&aacute;lise estat&iacute;stica segundo o teste de Chi-Square (&chi;<sup>2</sup>) e teste exato de Fisher e t de Student, com signific&acirc;ncias para &alpha; &lt; 0,05. Para se proceder &agrave; mensura&ccedil;&atilde;o da concord&acirc;ncia entre os crit&eacute;rios, no que diz respeito &agrave;s preval&ecirc;ncias de obesidade e sobrepeso globais, por g&eacute;nero e grupo et&aacute;rio, foi aplicado o coeficiente de <i>kappa</i> de Cohen. Este coeficiente mede a concord&acirc;ncia atrav&eacute;s da f&oacute;rmula: <i>kappa</i> = (Po-Pe)/(1-Pe), onde o Po representa a probabilidade observada de concord&acirc;ncia e o Pe representa a probabilidade esperada de concord&acirc;ncia aleat&oacute;ria. O coeficiente <i>kappa</i> tende para 0 quando a concord&acirc;ncia observada &eacute; igual &agrave; esperada e 1 quando a concord&acirc;ncia &eacute; perfeita.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resultados</b></p>     <p>Obteve-se uma amostra de 6.175 crian&ccedil;as e adolescentes, com idades compreendidas entre os 2 anos e um m&ecirc;s e os 17 anos e 11 meses, com uma m&eacute;dia de idade de 8 anos e 4 meses e mediana de 8 anos. Tal como se pode verificar na <a href="#t2">tabela 2</a>, mais de metade da amostra (56%) est&aacute; situada entre 4-10 anos. Quanto &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o por g&eacute;neros, houve um ligeiro predom&iacute;nio do g&eacute;nero feminino (52%).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Crit&eacute;rios <i>Centers for Disease Control and Prevention</i> 2000</b></p>     <p>De acordo com as curvas de percentis desta refer&ecirc;ncia, estimou-se uma preval&ecirc;ncia global de sobrepeso de 18,7% e de obesidade de 13,5%. Apurou-se igualmente uma preval&ecirc;ncia de peso normal de 65% e de baixo peso de 3% (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t3.jpg">tabela 3</a>).</p>     
<p>Analisando a amostra por g&eacute;neros, o g&eacute;nero masculino apresentou valores de preval&ecirc;ncia de 18,9 e 16%, respetivamente, para o sobrepeso e obesidade. No sexo feminino, evidenciaram-se valores de sobrepeso e obesidade de 18,5 e 11,1%, tal como se pode observar na <a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t3.jpg">tabela 3</a>. Foi encontrada uma diferen&ccedil;a estatisticamente significativa entre g&eacute;neros, no que diz respeito &agrave; categoria obesidade (p &lt; 0,05), com os rapazes a serem significativamente mais obesos que as raparigas.</p>     
<p>Analisando a amostra por grupos et&aacute;rios, verificou-se uma preval&ecirc;ncia de sobrepeso e obesidade de 20,2 e 15,9%, respetivamente, nas crian&ccedil;as (idade &lt; 10 anos), e de 14,8 e 7,1% nos adolescentes (idade &ge; 10 anos) (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t3.jpg">tabela 3</a>). Relativamente &agrave; preval&ecirc;ncia de peso normal e baixo peso estas foram, respetivamente, 60,2 e 3,6% nas crian&ccedil;as e 73,4 e 1,9% no grupo dos adolescentes (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t3.jpg">tabela 3</a>). Em todas as categorias foram encontradas diferen&ccedil;as estatisticamente significativas entre os 2 grupos (p &lt; 0,05).</p>     
<p><b>International Obesity Task Force 2000 e Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de 2007</b></p>     <p>Relativamente aos outros 2 crit&eacute;rios utilizados neste estudo, p&ocirc;de constatar-se que as preval&ecirc;ncias globais de obesidade e sobrepeso foram, respetivamente, 14,9 e 20,6% usando as curvas da OMS 2007, e 7,2 e 20,2% recorrendo ao IOTF 2000 (<a href="#f1">fig. 1</a>). Comparativamente com os dados obtidos utilizando as curvas de refer&ecirc;ncia do CDC 2000, foram encontradas diferen&ccedil;as estatisticamente significativas em ambas as categorias (p &lt; 0,05).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Analisando por g&eacute;neros, ao aplicar os crit&eacute;rios da IOTF 2000 foram observadas preval&ecirc;ncias de obesidade e sobrepeso de 6,3 e 20,5% no sexo feminino e de 8,1 e 19,6% no sexo masculino (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t3.jpg">tabela 3</a>). Recorrendo &agrave;s curvas da OMS 2007, as preval&ecirc;ncias encontradas de obesidade e sobrepeso foram, respetivamente, de 11,5 e 18,4% no sexo feminino e de 18,5 e 22,7% no sexo masculino (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t3.jpg">tabela 3</a>).</p>     
<p>No que diz respeito aos grupos et&aacute;rios, utilizando os crit&eacute;rios da IOTF 2000 foram obtidas preval&ecirc;ncias de obesidade e sobrepeso de 8,6 e 21,1%, respetivamente, no grupo das crian&ccedil;as, e de 3,6 e 17,7% no grupo dos adolescentes (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t3.jpg">tabela 3</a>). De acordo com as refer&ecirc;ncias da OMS 2007, as preval&ecirc;ncias de obesidade e sobrepeso encontradas foram: 17,0 e 21,5% no grupo das crian&ccedil;as e 9,2 e 18,3% no grupo dos adolescentes (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t3.jpg">tabela 3</a>).</p>     
<p><b>Compara&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios</b></p>     <p>Analisando a <a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t3.jpg">tabela 3</a>, podemos observar que, em termos de sobrepeso, os diversos crit&eacute;rios apresentam preval&ecirc;ncias aproximadas em cada faixa et&aacute;ria. Contudo, observando a mesma categoria em cada faixa et&aacute;ria, mas em termos de g&eacute;nero, podemos verificar que as curvas de percentis da OMS 2007 apresentam valores de preval&ecirc;ncia mais baixos no sexo feminino, entre 3-5 anos (inclusive), contrariamente ao que se verifica no mesmo grupo et&aacute;rio, mas no sexo masculino, onde os valores de preval&ecirc;ncia de sobrepeso s&atilde;o superiores aos restantes crit&eacute;rios.</p>     
<p>No que diz respeito &agrave; obesidade, verificamos que as preval&ecirc;ncias determinadas, aplicando os crit&eacute;rios IOTF, s&atilde;o globalmente inferiores relativamente aos restantes crit&eacute;rios (<a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t3.jpg">tabela 3</a>). Nas faixas et&aacute;rias mais baixas (entre 3-5 anos, inclusive) registam-se valores de preval&ecirc;ncia de obesidade mais elevados usando as curvas da CDC 2000. Nas restantes faixas, os valores de preval&ecirc;ncia de obesidade s&atilde;o sempre superiores utilizando as curvas da OMS 2007, verificando-se, contudo, uma aproxima&ccedil;&atilde;o dos valores nas faixas et&aacute;rias mais elevadas (entre 14-17 anos, inclusive).</p>     
<p>Relativamente ao comportamento das curvas nos 2 g&eacute;neros, n&atilde;o se verificaram diferen&ccedil;as relevantes nas diferentes faixas et&aacute;rias no que respeita &agrave; obesidade.</p>     <p>A <a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t4.jpg">tabela 4</a> apresenta o grau de concord&acirc;ncia entre os crit&eacute;rios aplicados de acordo com o sexo e faixa et&aacute;ria. Os valores obtidos variaram entre 0,38-0,91, destacando-se concord&acirc;ncias mais fortes entre os crit&eacute;rios da CDC e OMS em todas as faixas et&aacute;rias na categoria da obesidade. De destacar ainda a grande concord&acirc;ncia entre os crit&eacute;rios da CDC e IOTF no grupo de adolescentes, no que diz respeito &agrave; categoria sobrepeso.</p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>A escassez de estudos nacionais nesta &aacute;rea, sobretudo desta amplitude em termos de faixa et&aacute;ria estudada, mas tamb&eacute;m em termos de dimens&atilde;o da amostra, torna este trabalho de extrema valia.</p>     <p>Os valores de preval&ecirc;ncia de obesidade e sobrepeso encontrados neste estudo s&atilde;o preocupantes, colocando Portugal num dos lugares cimeiros entre os pa&iacute;ses europeus, tal como os mais recentes estudos confirmam<sup>11</sup>.</p>     <p>No trabalho atual verificou-se uma maior preval&ecirc;ncia de obesidade no sexo masculino, quer em termos globais, quer transversalmente em quase todas as faixas et&aacute;rias, sendo esta diferen&ccedil;a estatisticamente significativa no nosso estudo. Contudo, em v&aacute;rios estudos internacionais, as diferen&ccedil;as entre g&eacute;neros, em termos de preval&ecirc;ncia de obesidade, t&ecirc;m sido inconsistentes, pelo que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel concluir se traduzir&atilde;o diferen&ccedil;as reais entre sexos ou apenas artefactos condicionados pelos enviesamentos das amostras<sup>3,12</sup>. Na literatura, diversos autores apontam igualmente para a menor sensibilidade dos sistemas de classifica&ccedil;&atilde;o de IMC na avalia&ccedil;&atilde;o da obesidade no g&eacute;nero feminino, condicionando uma dete&ccedil;&atilde;o mais tardia, embora com elevada especificidade para ambos os sexos<sup>13</sup>.</p>     <p>Apesar de parecer haver um padr&atilde;o &agrave; escala global, que sugere que a preval&ecirc;ncia de obesidade &eacute; inferior nas crian&ccedil;as do que nos adolescentes, tem-se registado um aumento das taxas de sobrepeso e obesidade em crian&ccedil;as mais pequenas<sup>12</sup>. No nosso estudo, verificou-se igualmente uma maior preval&ecirc;ncia de obesidade no grupo et&aacute;rio das crian&ccedil;as, sobretudo entre 4-10 anos, o que levanta preocupa&ccedil;&otilde;es importantes em termos de sa&uacute;de, pois significa que a preval&ecirc;ncia da obesidade ir&aacute; aumentar no futuro e as repercuss&otilde;es desta patologia tender&atilde;o a ocorrer cada vez mais precocemente.</p>     <p>No que diz respeita ao sobrepeso, as preval&ecirc;ncias apresentaram uma maior uniformidade entre os 2 g&eacute;neros, correspondendo igualmente os valores mais elevados nesta categoria ao grupo das crian&ccedil;as.</p>     <p>O estudo <i>COSI &ndash; Portugal 2008/2009</i>, promovido pela <i>Plataforma Contra a Obesidade</i> da Dire&ccedil;&atilde;o Geral da Sa&uacute;de, que abrangeu 3.847 crian&ccedil;as com idades compreendidas entre 6-10 anos, constituindo uma amostra representativa nacional, estimou, com base nos crit&eacute;rios CDC 2000, uma preval&ecirc;ncia global de sobrepeso de 18,1% e de obesidade de 13,9%<sup>14</sup>. Quanto &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o por g&eacute;neros, apuraram-se preval&ecirc;ncias de obesidade e sobrepeso de 18,1 e 13,9% no sexo feminino e de 18,1 e 14,9% no sexo masculino<sup>14</sup>. Este estudo est&aacute; integrado numa iniciativa da <i>OMS &ndash; European Obesity Surveillance Initiative</i>, que constitui o primeiro Sistema Europeu de Vigil&acirc;ncia Nutricional Infantil<sup>14</sup>.</p>     <p>Comparando os dados do estudo <i>COSI &ndash; Portugal</i> com o presente trabalho e tendo em conta apenas os dados correspondentes &agrave;s mesmas faixas et&aacute;rias, conforme se pode observar na <a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t5.jpg">tabela 5</a>, as preval&ecirc;ncias estimadas neste estudo s&atilde;o superiores, sobretudo no que diz respeito ao g&eacute;nero masculino, onde as diferen&ccedil;as s&atilde;o mais d&iacute;spares.</p>     
<p>O estudo &laquo;Preval&ecirc;ncia de obesidade infantojuvenil em Portugal: associa&ccedil;&atilde;o com os h&aacute;bitos alimentares, atividade f&iacute;sica e comportamentos sedent&aacute;rios dos adolescentes escolarizados de Portugal continental&raquo; de 2008, que abrangeu 5.708 adolescentes dos 10-18 anos, estimou preval&ecirc;ncias de sobrepeso e obesidade, de acordo com os crit&eacute;rios de IOTF, de 22,6 e 7,8%, respetivamente<sup>15</sup>. Tamb&eacute;m na distribui&ccedil;&atilde;o por g&eacute;neros, o g&eacute;nero masculino apresentou valores mais elevados de obesidade e sobrepeso (22,9 e 8,8% versus 22,4 e 6,9%), comparativamente com o g&eacute;nero feminino. Fazendo a compara&ccedil;&atilde;o dos 2 estudos, &eacute; poss&iacute;vel constatar que o nosso trabalho apresentou valores substancialmente inferiores de sobrepeso e obesidade (17,7 e 3,6%), com base nos crit&eacute;rios da IOTF (tabelas <a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t3.jpg">3</a> e <a href ="/img/revistas/rpsp/v34n1/34n1a05t4.jpg">4</a>).</p>     
<p>Relativamente aos diversos crit&eacute;rios utilizados, verificou-se que, aplicando as curvas da OMS, as preval&ecirc;ncias de obesidade determinadas eram mais elevadas que as apuradas com os restantes crit&eacute;rios, sobretudo a partir dos 7 anos de idade. Abaixo dos 7 anos de idade, as curvas de refer&ecirc;ncia da CDC parecem apresentar maior sensibilidade, estimando preval&ecirc;ncias mais elevadas de obesidade, pelo que parecem permitir a identifica&ccedil;&atilde;o precoce de um maior n&uacute;mero de crian&ccedil;as e adolescentes com excesso de peso, reduzindo assim de complica&ccedil;&otilde;es metab&oacute;licas associadas a esta patologia, tal como j&aacute; havia sido referido na literatura<sup>16</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contrariamente, os crit&eacute;rios da IOTF apresentam preval&ecirc;ncias globalmente mais baixas de obesidade, pelo que aparentam ser mais conservadores na defini&ccedil;&atilde;o de obesidade e, de acordo com diversos estudos, apresentam menor sensibilidade na dete&ccedil;&atilde;o de obesos, comparativamente com as refer&ecirc;ncias da CDC<sup>17</sup>.</p>     <p>Assim, verificou-se que todos os crit&eacute;rios aplicados apresentam um n&iacute;vel de concord&acirc;ncia bom no que diz respeito &agrave; obesidade global (<i>kappa</i> &gt; 0,65). No entanto, as refer&ecirc;ncias CDC e da OMS parecem apresentar um maior grau de reprodutibilidade (<i>kappa</i> = 0,89). Esta concord&acirc;ncia entre os 2 crit&eacute;rios, no que diz respeito &agrave; obesidade, &eacute; mais forte ainda na faixa et&aacute;ria das crian&ccedil;as, onde o coeficiente se aproxima do um, em ambos os g&eacute;neros.</p>     <p>No que diz respeito ao sobrepeso global, todas as refer&ecirc;ncias apresentaram uma concord&acirc;ncia mais fraca, ainda que globalmente satisfat&oacute;ria. Contudo, &eacute; de ressaltar o bom n&iacute;vel de concord&acirc;ncia na faixa et&aacute;ria dos adolescentes, sobretudo no g&eacute;nero feminino, entre os crit&eacute;rios da CDC e da IOTF (<i>kappa</i> = 0,90). Tal como no estudo de Bueno et al. verificou-se uma fraca reprodutibilidade entre as 2 refer&ecirc;ncias na identifica&ccedil;&atilde;o do sobrepeso, na faixa et&aacute;ria das crian&ccedil;as do g&eacute;nero masculino (<i>kappa</i> = 0,38)<sup>18</sup>.</p>     <p>Analisando a concord&acirc;ncia dos crit&eacute;rios por g&eacute;nero, de uma forma geral, documentou-se uma menor reprodutibilidade entre as refer&ecirc;ncias no g&eacute;nero masculino, ao contr&aacute;rio de alguns dados da literatura<sup>19</sup>.</p>     <p>Independentemente das diferen&ccedil;as de preval&ecirc;ncia encontradas entre os diversos m&eacute;todos, o n&iacute;vel concord&acirc;ncia entre a maioria dos crit&eacute;rios considera-se bom, tal como j&aacute; havia sido mencionado em outros estudos<sup>18,20</sup>. Contudo, estas diferen&ccedil;as de preval&ecirc;ncia entre os crit&eacute;rios devem ser tidas em considera&ccedil;&atilde;o, aquando da interpreta&ccedil;&atilde;o de estat&iacute;sticos referentes &agrave; preval&ecirc;ncia de sobrepeso e obesidade em idade pedi&aacute;trica, pois os resultados encontrados ser&atilde;o d&iacute;spares, podendo incorrer-se em erros aquando da compara&ccedil;&atilde;o de diferentes estudos epidemiol&oacute;gicos.</p>     <p>Para terminar, relativamente ao estudo atual, podem apontar-se algumas limita&ccedil;&otilde;es, nomeadamente o facto de terem sido utilizados instrumentos de medi&ccedil;&atilde;o e observadores diversos nas avalia&ccedil;&otilde;es antropom&eacute;tricas, e as condi&ccedil;&otilde;es de determina&ccedil;&atilde;o do peso e da estatura terem sido diferentes, uma vez que o rastreio foi realizado em locais p&uacute;blicos, em v&aacute;rias cidades portuguesas. De referir tamb&eacute;m que a amostra poder&aacute; ter sido condicionada pelos locais onde decorreram os rastreios, j&aacute; que se trataram de locais p&uacute;blicos e de ter sido dependente da participa&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria decrian&ccedil;as e adolescentes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Os valores de preval&ecirc;ncia de obesidade em Portugal s&atilde;o preocupantes, com todas as implica&ccedil;&otilde;es em termos de sa&uacute;de p&uacute;blica que da&iacute; adv&ecirc;m. Torna-se urgente, pois, a implementa&ccedil;&atilde;o de programas de preven&ccedil;&atilde;o e de monitoriza&ccedil;&atilde;o, para evitar o n&uacute;mero crescentes de crian&ccedil;as e adolescentes em risco.</p>     <p>O estudo atual confirma a dete&ccedil;&atilde;o mais precoce de obesidade, atrav&eacute;s dos crit&eacute;rios da CDC na popula&ccedil;&atilde;o pedi&aacute;trica at&eacute; aos 7 anos e da OMS nas restantes faixas et&aacute;rias, por compara&ccedil;&atilde;o com a IOTF.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A aus&ecirc;ncia de um m&eacute;todo estandardizado e universal, que permita a classifica&ccedil;&atilde;o do estado nutricional de crian&ccedil;as e adolescentes, conduz &agrave; obten&ccedil;&atilde;o de resultados d&iacute;spares consoante o crit&eacute;rio aplicado. Assim, s&atilde;o frequentes os erros na interpreta&ccedil;&atilde;o e compara&ccedil;&atilde;o de dados de diversos estudos, pelo que as diferentes refer&ecirc;ncias dever&atilde;o ser utilizadas de forma criteriosa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>1. WHO. Obesity: Preventing and managing the global epidemic: Report of a WHO consultation. World Health Organ Tech Rep Ser. 2000; 894:i-xii, 1-253.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802617&pid=S0870-9025201600010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Wang Y., Lobstein T. Worldwide trends in childhood overweight and obesity. Int J Pediatr Obes. 2006;1:11-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802619&pid=S0870-9025201600010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Sweeting H. Measurement and definitions of obesity in childhood and adolescence: A field guide for the uninitiated. Nutr J. 2007;6:32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802621&pid=S0870-9025201600010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Wang Y. Epidemiology of childhood obesity: Methodological aspects and guidelines: What is new?. Int J Obes Relat Metab Disord. 2004;28:S21-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802623&pid=S0870-9025201600010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>5. Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Dire&ccedil;&atilde;o Geral da Sa&uacute;de. Sa&uacute;de infantil e juvenil: Programa-tipo de atua&ccedil;&atilde;o. Lisboa: Dire&ccedil;&atilde;o Geral da Sa&uacute;de; 2013. (citado 10 Jun 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.dgs.pt/?cr=24430" target="_blank">http://www.dgs.pt/?cr=24430</a>.</p>     <!-- ref --><p>6. Onis M.D., Onyango A.W., Borghi E., Siyam A., Nishida C., Siekmann J. Development of a WHO growth reference for school-aged children and adolescents. Bull World Health Organ. 2007;85:660-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802626&pid=S0870-9025201600010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Guerra A. As curvas de crescimento da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de. Acta Pediatr Port. 2009;40:41-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802628&pid=S0870-9025201600010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Cole T.J., Bellizzi M.C., Flegal K.M., Dietz W.H. Establishing a standard definition for child overweight and obesity worldwide: International survey. BMJ. 2000;320:1240.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802630&pid=S0870-9025201600010000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Cole T.J., Flegal K.M., Nicholls D., Jackson A.A. Body mass index cut offs to define thinness in children and adolescents: International survey. BMJ. 2007;335:194.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802632&pid=S0870-9025201600010000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>10. Prazeres T., Fonseca J.L. Rastreio da obesidade infantil: tr&ecirc;s anos de Jornadas Nacionais. ActaPediatr Port. 2010;41:122-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802634&pid=S0870-9025201600010000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. Jackson-Leach R., Lobstein T. Estimated burden of paediatric obesity and co-morbidities in Europe. Part 1. The increase in the prevalence of child obesity in Europe is itself increasing. Int J Pediatr Obes. 2006;1:26-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802636&pid=S0870-9025201600010000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Livingstone M.B. Childhood obesity in Europe: A growing concern. Public Health Nutr. 2001;4:109-16.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802638&pid=S0870-9025201600010000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13. Neovius M.G., Linne Y.M., Barkeling B.S., Rossner S.O. Sensitivity and specificity of classification systems for fatness in adolescents. Am J Clin Nutr. 2004;80:597-603.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802640&pid=S0870-9025201600010000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>14. Rito A.I., Paix&atilde;o E., Carvalho M.A., Ramos C. Childhood Obesity Surveillance Initiative: COSI Portugal 2008. Lisboa: Instituto Nacional de Sa&uacute;de Doutor Ricardo Jorge, (2010) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802642&pid=S0870-9025201600010000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>15. Ferreira J, Loureiro I, Carmo I. Preval&ecirc;ncia de obesidade infantojuvenil: associa&ccedil;&atilde;o com os h&aacute;bitos alimentares, actividade f&iacute;sica e comportamentos sedent&aacute;rios dos adolescentes escolarizados de Portugal Continental. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa. Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica; 2010. Tese de doutoramento em Sa&uacute;de P&uacute;blica.</p>     <!-- ref --><p>16. Vidal E., Carlin E., Driul D., Tomat M., Tenore A. A comparison study of the prevalence of overweight and obese Italian preschool children using different reference standards. Eur J Pediatr. 2006;165:696-700.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802645&pid=S0870-9025201600010000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>17. Zimmermann M.B., G&uuml;beli C., P&uuml;ntener C., Molinari L. Detection of over weight and obesity in a national sample of 6-12-y-old Swiss children: Accuracy and validity of reference values for body mass index from US Centers for Disease Control and Prevention and the International Obesity Task Force. Am J Clin Nutr. 2004;79:838-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802647&pid=S0870-9025201600010000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>18. Bueno M.B., Fisberg R.M. Compara&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o de sobrepeso e obesidade entre pr&eacute;-escolares. Rev Bras Saude Mater Infant. 2006;6:411-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802649&pid=S0870-9025201600010000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>19. Hajian-Tilaki K., Heidari B. A comparison between International Obesity Task Force and Center for Disease Control References in assessment of overweight and obesity among adolescents in Babol, Northern Iran. Int J Prev Med. 2013;4:226-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802651&pid=S0870-9025201600010000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>20. Dumith S.C., Junior J.C. Sobrepeso e obesidade em crian&ccedil;as e adolescentes: compara&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o baseados no &iacute;ndice de massa corporal. Rev Panam Salud Publica. 2010;28:30-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=802653&pid=S0870-9025201600010000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&atilde;o haver conflito de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><a href="#topc0">*</a><a name="c0"></a>Autor para correspondência:</i> Correio eletrónico: <a href="mailto:carolina.viveiro@gmail.com">carolina.viveiro@gmail.com</a></P>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido 9 de Setembro de 2013 . Aceito 6 de Julho de 2015</p>      ]]></body><back>
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