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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2015.06.006</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ausência de formação em suporte básico de vida pelo cidadão: um problema de saúde pública? Qual a idade certa para iniciar?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Lack of training in Basic Life Support by the citizen: A public health problem? What is the right age to start?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Cardiopulmonary arrest is the main cause of death. The immediate initiation of Basic Life Support (BLS) protocol increases the likelihood of survival. The BLS training in Portugal, although recommended for all citizens, is in a very early stage. The early start of the BLS training in schools translates into adults with skills in resuscitation situations. This raises the question: to what age should the BLS training start? When started at the end of the first cycle, it presents itself as a very attractive and viable option, although it is not consensual among the scientific community that the BLS maneuvers recommended by the European Resuscitation Council are properly carried out.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Suporte básico de vida]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P align="right"><b>ARTIGO DE REVISÃO</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Aus&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o em suporte b&aacute;sico de vida pelo cidad&atilde;o: um problema de sa&uacute;de p&uacute;blica? Qual a idade certa para iniciar?</b></p>     <p><b>Lack of training in Basic Life Support by the citizen: A public health problem? What is the right age to start?</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ana Tavares <sup>a</sup><sup>, </sup><sup>b</sup>, Nuno Pedro <sup>a</sup><sup>, </sup><sup>b</sup><sup>, </sup><sup>c</sup><sup>, </sup><sup> * </sup>, Joaquim Urbano <sup>a</sup><sup>, </sup><sup>b</sup></b></p>     <p>a Servi&ccedil;o de Urg&ecirc;ncia Pedi&aacute;trica, Centro Hospitalar do Oeste, Caldas da Rainha, Portugal</p>     <p>b Servi&ccedil;o de Viatura M&eacute;dica de Emerg&ecirc;ncia e Reanima&ccedil;&atilde;o, Centro Hospitalar do Oeste, Caldas da Rainha, Portugal</p>     <p>c Heli 4, INEM, Santa Comba D&atilde;o, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>A paragem card&iacute;aca s&uacute;bita &eacute; a principal causa de morte. O in&iacute;cio imediato do protocolo de suporte b&aacute;sico de vida (SBV) aumenta a probabilidade de sobreviv&ecirc;ncia. A forma&ccedil;&atilde;o em SBV, em Portugal, embora seja recomendada a todos os cidad&atilde;os, encontra-se numa fase muito embrion&aacute;ria. O in&iacute;cio precoce da mesma nas escolas traduz-se em adultos com conhecimentos em situa&ccedil;&otilde;es de reanima&ccedil;&atilde;o. Coloca-se a quest&atilde;o: a partir de que idade se deve iniciar a forma&ccedil;&atilde;o? Quando iniciada no final do primeiro ciclo, apresenta-se como uma op&ccedil;&atilde;o bastante atrativa e vi&aacute;vel, embora n&atilde;o seja consensual entre a comunidade cient&iacute;fica que as manobras de SBV preconizadas pelo Conselho Europeu de Ressuscita&ccedil;&atilde;o sejam corretamente realizadas.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>Suporte b&aacute;sico de vida. Paragem cardiorrespirat&oacute;ria. Forma&ccedil;&atilde;o. Idade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Cardiopulmonary arrest is the main cause of death. The immediate initiation of Basic Life Support (BLS) protocol increases the likelihood of survival. The BLS training in Portugal, although recommended for all citizens, is in a very early stage. The early start of the BLS training in schools translates into adults with skills in resuscitation situations. This raises the question: to what age should the BLS training start? When started at the end of the first cycle, it presents itself as a very attractive and viable option, although it is not consensual among the scientific community that the BLS maneuvers recommended by the European Resuscitation Council are properly carried out.</p>     <p><b>Keywords: </b>Basic Life Support. Cardiopulmonary Arrest. Training. Age.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A paragem card&iacute;aca s&uacute;bita &eacute; a principal causa de morte na Europa. Segundo o Conselho Portugu&ecirc;s de Ressuscita&ccedil;&atilde;o<sup>1</sup>, a doen&ccedil;a cardiovascular representa cerca de 40% de todas as mortes antes dos 75 anos, com a morte s&uacute;bita por doen&ccedil;a coron&aacute;ria a representar mais de 60%. A mesma entidade refere que a morte s&uacute;bita de causa card&iacute;aca &eacute; frequente em Portugal<sup>2</sup>. Quando surge uma paragem card&iacute;aca e/ou respirat&oacute;ria, as hip&oacute;teses de sobreviv&ecirc;ncia para a v&iacute;tima variam em fun&ccedil;&atilde;o do tempo de interven&ccedil;&atilde;o<sup>3</sup>. A maioria das situa&ccedil;&otilde;es que provocam paragem cardiorrespirat&oacute;ria (PCR) ocorrem fora dos hospitais e longe do alcance dos profissionais de sa&uacute;de. Quer seja em casa, no trabalho, na estrada ou no decorrer de atividades desportivas e de lazer, o cidad&atilde;o comum &eacute; o primeiro interveniente. O seu papel &eacute; limitado e tempor&aacute;rio, mas primordial. A sua capacidade de avaliar rapidamente a urg&ecirc;ncia da situa&ccedil;&atilde;o e a aplica&ccedil;&atilde;o imediata dos conhecimentos s&atilde;o determinantes. As potencialidades de recupera&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas de mal-estar s&uacute;bito aumentam em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; rapidez com que as situa&ccedil;&otilde;es de urg&ecirc;ncia/emerg&ecirc;ncia s&atilde;o reconhecidas e adequadamente tratadas<sup>1,3,4</sup>. Preconiza-se o in&iacute;cio precoce de manobras de suporte b&aacute;sico de vida (SBV) pelo cidad&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O SBV define-se pela manuten&ccedil;&atilde;o da via a&eacute;rea perme&aacute;vel, da circula&ccedil;&atilde;o e respira&ccedil;&atilde;o de suporte sem o uso de equipamento, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o do equipamento de prote&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a primeira medida necess&aacute;ria para reverter com sucesso uma paragem card&iacute;aca. As manobras de reanima&ccedil;&atilde;o cardiorrespirat&oacute;ria permitem um fluxo de sangue pequeno, mas essencial, para o cora&ccedil;&atilde;o e c&eacute;rebro e aumentam a probabilidade de reverter a fibrilha&ccedil;&atilde;o ventricular (FV) com desfibrilha&ccedil;&atilde;o. O objetivo principal do SBV ser&aacute; permitir ganhar tempo at&eacute; &agrave; chegada de socorro mais diferenciado, capaz de instituir procedimentos de suporte avan&ccedil;ado de vida. Mas, o Conselho Portugu&ecirc;s de Ressuscita&ccedil;&atilde;o<sup>2</sup> refere que a cultura de emerg&ecirc;ncia m&eacute;dica em Portugal, nomeadamente ao n&iacute;vel de SBV, &eacute; incipiente. Bohn et al.<sup>5</sup>, numa revis&atilde;o da literatura, identificam como principais motivos para que os cidad&atilde;os n&atilde;o iniciem manobras de SBV: a falha no reconhecimento da PCR; a falta de conhecimentos sobre SBV; o medo de infe&ccedil;&atilde;o e o medo de fazer algo errado. Concluindo que, a principal raz&atilde;o de n&atilde;o se iniciarem manobras de SBV, &eacute; a v&iacute;tima manter uma respira&ccedil;&atilde;o ag&oacute;nica, n&atilde;o sendo interpretado como pr&eacute;-sinal de PCR, por quadro de respira&ccedil;&atilde;o n&atilde;o eficaz.</p>     <p>A evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica mais recente indica que o in&iacute;cio precoce de manobras de SBV em ambiente pr&eacute;-hospitalar &eacute; um fator primordial para o aumento das possibilidades de recupera&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima de PCR, com diminui&ccedil;&atilde;o de sequelas<sup>1</sup>. Para o Conselho Portugu&ecirc;s de Ressuscita&ccedil;&atilde;o<sup>1</sup> e Bohn et al.<sup>5</sup>, quando as manobras de SBV s&atilde;o iniciadas por algu&eacute;m que testemunha a PCR, a taxa de sobreviv&ecirc;ncia aumenta o dobro ou o triplo. Nesse campo, Valenzuela et al.<sup>6</sup> salientam que a taxa de sobreviv&ecirc;ncia ap&oacute;s PCR diminui 7-10% por cada minuto sem SBV. Em concord&acirc;ncia com estes dados, o INEM<sup>3</sup> refere que a chegada de um meio de socorro ao local (ambiente pr&eacute;-hospitalar), ainda que muito r&aacute;pida, pode demorar tanto como 6 minutos. Salienta que as hip&oacute;teses de sobreviv&ecirc;ncia da v&iacute;tima ter&atilde;o ca&iacute;do de 98 para 11% se os elementos que presenciaram a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o souberem atuar em conformidade. Concluem que, em condi&ccedil;&otilde;es ideais, todo o cidad&atilde;o devia estar preparado para saber fazer SBV, de acordo com as recomenda&ccedil;&otilde;es do Conselho Europeu de Ressuscita&ccedil;&atilde;o (<i>guidelines</i> publicadas no ano de 2010)<sup>1,7</sup>.</p>     <p>Tendo em conta o que foi referido anteriormente, poderemos questionar: ser&aacute; a aus&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o em SBV pelo cidad&atilde;o um problema de sa&uacute;de p&uacute;blica? E em que idade se dever&aacute; iniciar esta forma&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o ser&aacute; a resposta a esta quest&atilde;o uma emerg&ecirc;ncia da comunidade?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Com que idade se deve iniciar a forma&ccedil;&atilde;o em suporte b&aacute;sico de vida?</b></p>     <p>A evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica identifica que o in&iacute;cio precoce da forma&ccedil;&atilde;o em SBV traz ganhos efetivos, com diminui&ccedil;&atilde;o da morbilidade e mortalidade por PCR em ambiente pr&eacute;-hospitalar<sup>8</sup>. Roppolo e Pepe<sup>9</sup> referem que, quantos mais cidad&atilde;os apresentarem forma&ccedil;&atilde;o em SBV, maior ser&aacute; a possibilidade de este ser realizado eficientemente, com aumento da sobrevida em contexto pr&eacute;-hospitalar. Para o Conselho Portugu&ecirc;s de Ressuscita&ccedil;&atilde;o<sup>2</sup>, ensinar SBV ao maior n&uacute;mero de pessoas poss&iacute;vel &eacute; um dos processos mais eficaz para salvar pessoas.</p>     <p>Nesse sentido, a American Heart Association<sup>10</sup> recomenda a incorpora&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o em SBV nas escolas. Esta recomenda&ccedil;&atilde;o deriva da opini&atilde;o que, ao longo do tempo, crian&ccedil;as com forma&ccedil;&atilde;o em reanima&ccedil;&atilde;o contribuem significativamente para o aumento de adultos com forma&ccedil;&atilde;o em SBV na comunidade. A mesma institui&ccedil;&atilde;o identifica esta estrat&eacute;gia como sendo de excel&ecirc;ncia, pois as escolas providenciam um acesso privilegiado a uma grande franja da popula&ccedil;&atilde;o. Em concord&acirc;ncia com este pressuposto, Colquhoun<sup>11</sup> preconiza que a forma&ccedil;&atilde;o em SBV fa&ccedil;a parte dos planos curriculares desde idades mais jovens, pois as escolas apresentam o perfeito ambiente para cativar os futuros cidad&atilde;os. O mesmo autor indica que j&aacute; s&atilde;o v&aacute;rios os pa&iacute;ses europeus onde o SBV faz parte dos planos curriculares, com destaque para a Noruega, que iniciou a inclus&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o em SBV nos curricula em 1961. O Conselho Portugu&ecirc;s de Ressuscita&ccedil;&atilde;o<sup>2</sup> refere que, al&eacute;m da Noruega, tamb&eacute;m o Reino Unido introduziu progressivamente o ensino de SBV nas escolas. Na mesma linha de pensamento, Bohn et al.<sup>5</sup> sugerem que a implementa&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o em SBV pode ser realizada nas escolas do primeiro ciclo, com um m&iacute;nimo de altera&ccedil;&atilde;o dos curricula.</p>     <p>Mas se introduzir esta mat&eacute;ria nos curricula &eacute; consensual entre os educadores, a idade para iniciar a forma&ccedil;&atilde;o &eacute; algo que se encontra em discuss&atilde;o, apresentando a justifica&ccedil;&atilde;o da maturidade intelectual e performance f&iacute;sica (capacidade de realizar compress&otilde;es card&iacute;acas externas e ventila&ccedil;&atilde;o assistida) como poss&iacute;veis pontos desfavor&aacute;veis a registar nestas idades.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de compress&otilde;es card&iacute;acas externas no adulto, o Conselho Portugu&ecirc;s de Ressuscita&ccedil;&atilde;o<sup>1</sup> refere que esta t&eacute;cnica permite gerar um fluxo de sangue que &eacute; cr&iacute;tico para o c&eacute;rebro e mioc&aacute;rdio, numa frequ&ecirc;ncia de 100 por minuto, com depress&atilde;o do esterno em cerca de 5 cm. Salienta que no caso das ventila&ccedil;&otilde;es desconhecem-se os valores ideais do volume corrente, com necessidade de evitar a hiperventila&ccedil;&atilde;o, quer pelo risco de induzir o v&oacute;mito, quer pelo aumento da press&atilde;o intrator&aacute;cica com diminui&ccedil;&atilde;o do retorno venoso e consequente diminui&ccedil;&atilde;o do d&eacute;bito card&iacute;aco<i>.</i> O r&aacute;cio deve ser de 30 compress&otilde;es seguidas de 2 ventila&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>No sentido de avaliar a efici&ecirc;ncia da realiza&ccedil;&atilde;o de compress&otilde;es tor&aacute;cicas por crian&ccedil;as, foram realizados alguns estudos. Maconochie et al.<sup>8</sup> e Jones et al.<sup>12</sup> comparam os resultados obtidos em 3 escal&otilde;es et&aacute;rios distintos: dos 9/10, 11/12 e dos 13/14 anos de idade. Conclu&iacute;ram que apenas as crian&ccedil;as com mais de 13 anos conseguiam realizar compress&otilde;es tor&aacute;cicas na profundidade recomendada &ndash; entre 38-51 mm &ndash;, mas as crian&ccedil;as mais jovens conseguiam aprender a posicionar corretamente as m&atilde;os sobre o peito da v&iacute;tima. Na mesma linha de pensamento, Jones et al.<sup>12</sup> referem que, embora as crian&ccedil;as mais novas n&atilde;o apresentem for&ccedil;a suficiente para executar as compress&otilde;es card&iacute;acas, executam corretamente a t&eacute;cnica da coloca&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os. Real&ccedil;am que estes aprendem a parte te&oacute;rica do SBV com a mesma qualidade que as crian&ccedil;as mais velhas. Nos estudos realizados por Roppolo e Pepe<sup>9</sup>, conclu&iacute;ram que s&oacute; as crian&ccedil;as com 13 ou mais anos conseguem realizar a massagem card&iacute;aca corretamente. Em 2009 Fleischhackl et al.<sup>13</sup>, num estudo realizado a alunos com m&eacute;dia de idade de 13 anos (&plusmn; 2 anos), com o objetivo de avaliar as compet&ecirc;ncias adquiridas ap&oacute;s forma&ccedil;&atilde;o em SBV, concluiu que as crian&ccedil;as a partir dos 9 anos mostram compet&ecirc;ncias para aprender eficientemente t&eacute;cnicas de SBV, com boa reten&ccedil;&atilde;o da parte te&oacute;rica, apresentando dificuldade em realizar corretamente as t&eacute;cnicas de massagem card&iacute;aca externas e insufla&ccedil;&otilde;es manuais em adultos. Para Berthelot et al.<sup>14</sup>, num estudo realizado a crian&ccedil;as de 10 e 12 anos, conclu&iacute;ram que as crian&ccedil;as n&atilde;o executaram corretamente as compress&otilde;es, mas conseguiram realizar insufla&ccedil;&otilde;es com volumes adequados, assim como uma frequ&ecirc;ncia de compress&otilde;es card&iacute;acas, conforme preconizado pela <i>American Heart Association.</i> Real&ccedil;am ainda que interiorizaram corretamente os passos e sequ&ecirc;ncia do SBV. Um outro estudo com a dura&ccedil;&atilde;o de 4 anos (prospetivo), realizado por Bohn et al.<sup>5</sup>, na Alemanha, refere que n&atilde;o existe diferen&ccedil;a entre compet&ecirc;ncias adquiridas nas idades de 10 e 13 anos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em fun&ccedil;&atilde;o dos resultados alcan&ccedil;ados, os estudos sugerem que as crian&ccedil;as do grupo et&aacute;rio mais jovem, n&atilde;o realizando corretamente a t&eacute;cnica de compress&otilde;es card&iacute;acas, poderiam utilizar o seu conhecimento para alertar e at&eacute; instruir os adultos sobre a t&eacute;cnica mais adequada para realiza&ccedil;&atilde;o de manobras de SBV, ao mesmo tempo que tomariam conhecimento da import&acirc;ncia destes <i>gestos que salvam</i> e da utiliza&ccedil;&atilde;o correta dos servi&ccedil;os de emerg&ecirc;ncia m&eacute;dica<sup>8,12&ndash;14</sup>.</p>     <p>Mas outras raz&otilde;es s&atilde;o apontadas para o in&iacute;cio precoce de forma&ccedil;&atilde;o em SBV. Maconochie et al.<sup>8</sup> salientam que os cursos devem ser ministrados, principalmente, a crian&ccedil;as a partir dos 10 anos, pois, nesta idade, desenvolvem um maior pensamento abstrato e t&ecirc;m maior capacidade de realizar as compress&otilde;es card&iacute;acas externas. Estes autores defendem a implementa&ccedil;&atilde;o nos curricula escolares de forma&ccedil;&atilde;o em SBV como uma necessidade, com dura&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de 3 horas seguidas por ano letivo. Um outro estudo, realizado por Hill et al.<sup>15</sup>, concluiu que as crian&ccedil;as entre 10-11 anos s&atilde;o capazes de realizar SBV com efici&ecirc;ncia, ap&oacute;s forma&ccedil;&atilde;o de 2 horas na escola. Indicam que, usando o r&aacute;cio de compress&otilde;es card&iacute;acas externas/ventila&ccedil;&atilde;o de 15:2, obt&ecirc;m melhores resultados que usando o r&aacute;cio 30:2. A American Heart Association<sup>10</sup> recomenda que a forma&ccedil;&atilde;o tenha entre 2-3 horas de dura&ccedil;&atilde;o. Para Bohn et al.<sup>5</sup>, a forma&ccedil;&atilde;o iniciada em idade escolar induz &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o da ansiedade no momento de ajuda, a probabilidade de errar e aumento do n&uacute;mero de a&ccedil;&otilde;es em reanima&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>E em Portugal?</b></p>     <p>A forma&ccedil;&atilde;o em SBV no ensino b&aacute;sico, em Portugal, ainda &eacute; um assunto que desperta pouca aten&ccedil;&atilde;o entre os respons&aacute;veis pedag&oacute;gicos e comunidade cient&iacute;fica. Na revis&atilde;o da literatura realizada para a elabora&ccedil;&atilde;o do artigo, nenhuma publica&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter cient&iacute;fica foi identificada. Mas este &eacute; um tema priorit&aacute;rio, emergente, como ficou provado recentemente, em 22 de fevereiro de 2013, pela aprova&ccedil;&atilde;o na Assembleia da Rep&uacute;blica de uma recomenda&ccedil;&atilde;o ao Governo, no sentido de introduzir no terceiro ciclo do ensino b&aacute;sico das escolas nacionais uma forma&ccedil;&atilde;o, de frequ&ecirc;ncia obrigat&oacute;ria, em SBV, com a dura&ccedil;&atilde;o total de 6-8 horas<sup>16</sup>. Embora nenhum estudo longitudinal tenha sido realizado para avaliar o impacto sobre o ensino nas escolas e o seu impacto em adultos<sup>10</sup>, o investimento inicial na forma&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ser uma prioridade. A forma&ccedil;&atilde;o nas escolas apresenta-se como alvo preferencial, que ir&aacute; no futuro ampliar o conhecimento da popula&ccedil;&atilde;o em geral na execu&ccedil;&atilde;o de manobras de SBV. Citando Fleischhackl et al.<sup>13</sup>: <i>&laquo;(&hellip;) If the goal of primary school training is to teach the basic skills of education and survival, that is reading, writing and arithmetic (the 3 Rs), perhaps as educators we need to take one giant step forward and introduce the fourth R&ndash;Resuscitation&raquo;.</i></p>     <p>Nesse sentido, apresentados os exemplos internacionais supracitados, com a vontade e interesse para o desenvolvimento de projetos de interven&ccedil;&atilde;o de cidadania, sugere-se a inclus&atilde;o de programas de SBV nos curricula escolares, a ter in&iacute;cio no final do primeiro ciclo.</p>     <p>Prevendo-se dificuldades no in&iacute;cio deste tipo de projetos, preconiza-se a institui&ccedil;&atilde;o de parcerias entre escolas, entidades locais e entidades com relevo na forma&ccedil;&atilde;o em SBV, com financiamento local, p&uacute;blico e privado. Como exemplo, temos o projeto inovador iniciado e desenvolvido a n&iacute;vel local no ano curricular 2013-2014, pelos profissionais do Centro Hospitalar do Oeste &ndash; Unidade de Caldas da Rainha, junto dos Agrupamentos Escolares D. Jo&atilde;o II, Ra&uacute;l Proen&ccedil;a, Rafael Bordalo Pinheiro e escolas prim&aacute;rias privadas das Caldas da Rainha, em parceria com a C&acirc;mara Municipal das Caldas da Rainha, Liga dos Amigos do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, Funda&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Cardiologia &ndash; Delega&ccedil;&atilde;o Centro e o Conselho Portugu&ecirc;s de Ressuscita&ccedil;&atilde;o, com o objetivo de formar em SBV todos os alunos do concelho a frequentarem o quarto ano (600 alunos). Prev&ecirc;-se que esta forma&ccedil;&atilde;o seja cont&iacute;nua ao longo dos anos e que v&aacute; aumentando de complexidade, &agrave; medida que os alunos v&atilde;o progredindo ao longo dos anos curriculares.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Ap&oacute;s an&aacute;lise e reflex&atilde;o da literatura, conclui-se que a inclus&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o em SBV nos curricula escolares no final primeiro ciclo &eacute; recomend&aacute;vel e exequ&iacute;vel. Embora os estudos referenciados demonstrem que nem sempre os alunos conseguem executar na plenitude todas as compet&ecirc;ncias do algoritmo do SBV, s&atilde;o um grupo preferencial, de f&aacute;cil acesso e motivado. Todas estas vantagens traduzem-se em ganhos quando adultos, na medida em que est&atilde;o mais despertos para a realiza&ccedil;&atilde;o de manobras de reanima&ccedil;&atilde;o, sempre que necess&aacute;rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como maior constrangimento/dificuldade, evidencia-se a dificuldade sentida em encontrar artigos cient&iacute;ficos/estudos da realidade portuguesa. &Eacute; premente realizar estudos com car&aacute;ter inovador sobre esta tem&aacute;tica. A idade em que se deve iniciar, m&eacute;todos de ensino e dura&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o &agrave;s crian&ccedil;as s&atilde;o algumas dimens&otilde;es a investigar sobre esta tem&aacute;tica. Mas outras mais existem, como quem dever&aacute; ser o respons&aacute;vel pela forma&ccedil;&atilde;o (Profissionais de sa&uacute;de? Os professores?), quem financia a forma&ccedil;&atilde;o, ou ainda estudos de car&aacute;ter prospetivo, avaliando o impacto da forma&ccedil;&atilde;o iniciada em crian&ccedil;as nos futuros adultos, e indicadores onde se reflita a morbilidade/mortalidade das PCR extra-hospitalares. A finalizar, considerando que <i>&laquo;as crian&ccedil;as de hoje s&atilde;o os adultos de amanh&atilde;</i>(sa, sd)&raquo;, todo o investimento bem feito ser&aacute; retribu&iacute;do no futuro, na esperan&ccedil;a que cada um de n&oacute;s receba o que de melhor hoje plantou. Nessa l&oacute;gica de pensamento, perspetivam-se adultos capazes e confiantes, com compet&ecirc;ncias elevadas na execu&ccedil;&atilde;o de manobras de SBV.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliografia</b></p>     <p>1. European Resuscitation Council. Guidelines for resuscitation 2010. Lisboa: Conselho Portugu&ecirc;s de Ressuscita&ccedil;&atilde;o. Coimbra: Associa&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de Infantil de Coimbra; 2010.</p>     <p>2. Conselho Portugu&ecirc;s de Ressuscita&ccedil;&atilde;o (homepage on the Internet). Porto: Conselho Portugu&ecirc;s de Ressuscita&ccedil;&atilde;o (atualizado 2010; citado 15 Ago 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://salvarvidas.com.pt/page/sobre-o-projecto" target="_blank">http://salvarvidas.com.pt/page/sobre-o-projecto</a>.</p>     <p>3. Manual de Suporte Avan&ccedil;ado de Vida. Edi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o comercializada. Lisboa: INEM, (2011) .</p>     <p>4. EPLS provider manual: Curso Europeu de Suporte de Vida Pedi&aacute;trico: Vers&atilde;o portuguesa. Porto: Grupo de Reanima&ccedil;&atilde;o Pedi&aacute;trica. Conselho Portugu&ecirc;s de Ressuscita&ccedil;&atilde;o, (2010) .</p>     <!-- ref --><p>5. Bohn A., Aken V., Mollhoff T., Wienked H., Kimmeyer P., Wild E., et al. Teaching resuscitation in schools: Annual tuition by trained teachers is effective starting at age 10: A four-year prospective cohort study. Resuscitation. 2012;83:619-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=804280&pid=S0870-9025201600010001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Valenzuela T., Roe D., Cretin S., Spaite D., Larsen M. Estimating effectiveness of cardiac arrest interventions: A logistic regression survival model. Circulation. 1997;96:3308-13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=804282&pid=S0870-9025201600010001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Lockey A., Georgiou M. Children can save lives. Resuscitation. 2013;84:399-400.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=804284&pid=S0870-9025201600010001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Maconochie I., Bingham B., Simpson S. Teaching children basic life support skills: Improve outcomes but implementation needs to be earlier and more widespread. BMJ. 2007;334:1174.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=804286&pid=S0870-9025201600010001400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>9. Roppolo L, Pepe P. Retention, retention, retention: Targeting the young in CPR skills training! Crit Care. 2009;13:185 (citado 7 Ago 2013). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://ccforum.com/content/13/5/185" target="_blank">http://ccforum.com/content/13/5/185</a>.</p>     <!-- ref --><p>10. Cave D.M., Aufderheide T.P., Beeson J., Ellison A., Gregory A., Hazinski M.F., et al. Importance and implementation of training in cardiopulmonary resuscitation and automated external defibrillation in schools: a science advisory from the American Heart Association. Circulation. 2011;123:691-706.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=804289&pid=S0870-9025201600010001400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. Colquhoun M. Learning CPR at school: Everyone should do it. Resuscitation. 2012;85:543-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=804291&pid=S0870-9025201600010001400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>12. Jones I., Whitfield R., Colquhoun M., Chamberlain D., Vetter N., Newcombe R. At what age can schoolchildren provide effective chest compressions? An observational study from the Heartstart UK schools training programme. BMJ. 2007;334:1201.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=804293&pid=S0870-9025201600010001400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13. Fleischhackl R., Nuernberger A., Sterz F., Schoenberg C., Urso T., Habart T., et al. School children sufficiently apply life supporting first aid: A prospective investigation. Crit Care. 2009;13:R127.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=804295&pid=S0870-9025201600010001400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>14. Berthelot S., Plourde M., Bertrand I., Bourassa A., Couture M.M., Berger-Pelletier &Eacute;., et al. Push hard, push fast: Quasi-experimental study on the capacity of elementary schoolchildren to perfom cardiopulmonary resuscitation. Scand J Trauma Resusc Emerg Med. 2013;21:41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=804297&pid=S0870-9025201600010001400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>15. Hill K., Mohan C., Stevenson M., McCluskey D. Objective assessment of cardiopulmonary resuscitation skills of 10-11-year-old schoolchildren using two different external chest compression to ventilation ratios. Resuscitation. 2009;80:96-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=804299&pid=S0870-9025201600010001400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>16. Resolu&ccedil;&atilde;o da Assembleia da Rep&uacute;blica n.&#8728; 33/2013. Di&aacute;rio de Rep&uacute;blica. 1.&ordf; S&eacute;rie. 53. (2013-03-15).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i><a href="#topc0">*</a><a name="c0"></a>Autor para correspondência:</i> Correio eletrónico: <a href="mailto:nfsmp1972@hotmail.com">nfsmp1972@hotmail.com</a></P>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido 3 de Setembro de 2014. Aceito 3 de Junho de 2015</p>      ]]></body><back>
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