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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2016.01.001</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Impacto das taxas moderadoras sobre a utilização de cuidados de saúde pediátricos: estudo aplicado a crianças em idade escolar na cidade de Coimbra]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study aims to assess the impact of moderating fees on utilisation of paediatric health care and the perspectives of parents regarding factors that influence demand. A questionnaire was developed; data was self&#8208;reported by parents of children aged 6&#8208;18. To assess the effects on utilisation we used the negative binomial model. The sample includes 203 children (109 exempt). Being exempt has a positive (negative) impact on utilisation due to illness (prevention); income and parents' education have mixed effects; the same happens to exempt*income-effects not significant. Based on the results obtained, moderating fees do not affect utilisation, raising the question on their justification.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Taxas moderadoras]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <P align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></P>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Impacto das taxas moderadoras sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de pedi&aacute;tricos: estudo aplicado a crian&ccedil;as em idade escolar na cidade de Coimbra</b></p>     <p><b>Impact of moderating fees on utilisation of paediatric health care: Study applied to school age children in the city of Coimbra</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Carlota Quintal <sup>a</sup><sup>, </sup><sup>b</sup><sup>, </sup> <sup> * </sup>, Helena Tavares <sup>a</sup>, &Oacute;scar Louren&ccedil;o <sup>a</sup><sup>, </sup><sup>b</sup></b></p>     <p>a Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal</p>     <p>b Centro de Estudos e Investiga&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este estudo pretende avaliar o impacto das taxas moderadoras na utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados pedi&aacute;tricos e a perspetiva dos pais sobre fatores condicionadores da procura.</p>     <p>Foi constru&iacute;do um question&aacute;rio; preenchido por pais de crian&ccedil;as entre 6&#8208;18 anos. Us&aacute;mos o modelo binomial negativo para avaliar os efeitos sobre utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados.</p>     <p>A amostra inclui 203 crian&ccedil;as (109 isentas). Ser isento tem efeito positivo (negativo) na utiliza&ccedil;&atilde;o por motivo doen&ccedil;a (preven&ccedil;&atilde;o); rendimento e escolaridade dos pais t&ecirc;m efeitos mistos; tal como isento*rendimento &ndash; efeitos n&atilde;o significativos.</p>     <p>Pelos resultados obtidos, as taxas moderadoras n&atilde;o afetam a utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados, questionando&#8208;se a justifica&ccedil;&atilde;o para a sua exist&ecirc;ncia.</p>     <p><b>Palavras&#8208;chave</b>: Taxas moderadoras. Risco moral. Cuidados pedi&aacute;tricos. Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This study aims to assess the impact of moderating fees on utilisation of paediatric health care and the perspectives of parents regarding factors that influence demand.</p>     <p>A questionnaire was developed; data was self&#8208;reported by parents of children aged 6&#8208;18. To assess the effects on utilisation we used the negative binomial model.</p>     <p>The sample includes 203 children (109 exempt). Being exempt has a positive (negative) impact on utilisation due to illness (prevention); income and parents&rsquo; education have mixed effects; the same happens to exempt*income&ndash;effects not significant.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Based on the results obtained, moderating fees do not affect utilisation, raising the question on their justification.</p>     <p><b>Keywords</b>: Moderating fees. Moral hazard. Paediatric care. Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>As taxas moderadoras (TM) correspondem a pagamentos efetuados pelo consumidor no momento da utiliza&ccedil;&atilde;o, cuja finalidade &eacute;, em teoria, moderar a procura, reduzindo o consumo excessivo de cuidados (fen&oacute;meno do risco moral). No entanto, ao introduzir um pagamento no momento da utiliza&ccedil;&atilde;o, tal poder&aacute; constituir uma barreira ao acesso aos cuidados de sa&uacute;de. Sendo a garantia deste acesso importante para toda a popula&ccedil;&atilde;o, no caso da sa&uacute;de infantil, a relev&acirc;ncia vem refor&ccedil;ada pelo impacto que esta tem no longo prazo. A sa&uacute;de infantil &eacute; um dos mais importantes fatores preditores do n&iacute;vel de sa&uacute;de e da produtividade na vida adulta, e a sa&uacute;de destes adultos ir&aacute; por sua vez afetar o bem&#8208;estar da gera&ccedil;&atilde;o seguinte<sup>1</sup>.</p>     <p>Em Portugal, na sequ&ecirc;ncia da crise econ&oacute;mico&#8208;financeira e do Memorando de Entendimento assinado entre o governo portugu&ecirc;s e o Fundo Monet&aacute;rio Internacional, o Banco Central Europeu e a Comiss&atilde;o Europeia, o regime das TM foi revisto em 2011, sendo reafirmado o seu papel de modera&ccedil;&atilde;o da procura, negando&#8208;se explicitamente qualquer rela&ccedil;&atilde;o com o financiamento do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de (SNS). As crian&ccedil;as at&eacute; aos 12 anos (inclusive) foram inclu&iacute;das no grupo dos isentos de pagamento. Assim, apesar de a partir de 2010 todos os menores de idade terem acesso &agrave; rede de cuidados pedi&aacute;tricos, para efeitos de isen&ccedil;&atilde;o de TM s&oacute; foram consideradas as crian&ccedil;as menores de 13 anos.</p>     <p>Perante esta situa&ccedil;&atilde;o, com o presente estudo pretende&#8208;se avaliar o impacto das TM em idade pedi&aacute;trica sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de, bem como aferir a perce&ccedil;&atilde;o dos pais sobre as taxas e sobre os fatores condicionadores da decis&atilde;o de procurar cuidados para os seus filhos. Uma vez que a isen&ccedil;&atilde;o do pagamento foi alargada a todos os menores em 2015, a pertin&ecirc;ncia dessa medida de pol&iacute;tica ser&aacute; discutida &agrave; luz da evid&ecirc;ncia obtida. Para atingir os objetivos propostos, foi constru&iacute;do e aplicado um question&aacute;rio em 2 escolas do ensino p&uacute;blico. Para estimar o impacto das taxas sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o, recorremos a um modelo de contagem (binomial negativo). Globalmente, n&atilde;o se encontrou evid&ecirc;ncia que sustente a exist&ecirc;ncia de TM.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Taxas moderadoras: modera&ccedil;&atilde;o versus barreira</b></p>     <p>As TM correspondem a pagamentos diretos realizados pelos consumidores no momento da utiliza&ccedil;&atilde;o dos cuidados de sa&uacute;de. O argumento te&oacute;rico para a exist&ecirc;ncia de TM nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de reside nas especificidades do setor da sa&uacute;de, em concreto, na incerteza quanto ao momento e ao valor dos cuidados de sa&uacute;de que cada consumidor necessita. &Eacute; esta incerteza que est&aacute; na origem dos seguros de sa&uacute;de<sup>2</sup>. Os seguros de sa&uacute;de devem aqui ser entendidos como um conceito amplo, no sentido da transfer&ecirc;ncia de responsabilidades financeiras para terceiros e distribui&ccedil;&atilde;o dos riscos individuais por um coletivo. Inclui, assim, o seguro p&uacute;blico e o seguro privado. Em qualquer dos casos, a presen&ccedil;a do seguro diminui o pre&ccedil;o a pagar pelo consumidor, o que pode motivar uma altera&ccedil;&atilde;o de comportamentos conduzindo a um aumento da procura de cuidados. Este fen&oacute;meno &eacute; designado por risco moral &ndash; &laquo;quando 2 partes se envolvem num contrato em condi&ccedil;&otilde;es de simetria de informa&ccedil;&atilde;o, mas posteriormente uma delas realiza uma a&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o &eacute; pass&iacute;vel de ser escrita num contrato, que influencia o valor da transa&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup>3</sup>. O risco moral &eacute; tamb&eacute;m denominado por &laquo;abuso do segurado&raquo;, sendo uma forma de comportamento racional j&aacute; que o consumidor depreende que os seus benef&iacute;cios s&atilde;o elevados, enquanto os custos de utiliza&ccedil;&atilde;o se repartem por todos os restantes agentes<sup>4</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na <a href="#f1">figura 1</a>, ilustramos o efeito do risco moral e da introdu&ccedil;&atilde;o de uma TM no caso de um cosseguro (percentagem do pre&ccedil;o paga pelo subscritor do seguro) de 0%. Nesta figura, temos no eixo vertical o pre&ccedil;o, P, e no eixo horizontal a quantidade, Q (de consultas, por exemplo). Admite&#8208;se uma procura el&aacute;stica em que a quantidade procurada depende do pre&ccedil;o e, por simplifica&ccedil;&atilde;o, admite&#8208;se um custo marginal (Cmg) constante, ou seja, o custo de uma consulta adicional &eacute; sempre o mesmo. A fun&ccedil;&atilde;o procura subjacente &agrave; curva da procura ilustrada na <a href="#f1">figura 1</a> pode ser representada pela express&atilde;o geral: Q<sub>D</sub> = A&#8208;BP; na <a href="#f1">figura 1</a>, se o pre&ccedil;o unit&aacute;rio for P<sub>1</sub>, a quantidade procurada ser&aacute; Q<sub>1</sub>. Esta &eacute; tamb&eacute;m a afeta&ccedil;&atilde;o eficiente de recursos, uma vez que o Cmg iguala o benef&iacute;cio marginal (isto &eacute;, o valor que o consumidor est&aacute; disposto a pagar por cada consulta &eacute; exatamente igual ao seu custo). Contudo, se as consultas forem gratuitas, a quantidade procurada passa a ser A (Q<sub>D</sub> = A, para P = 0). O excesso de procura (A&#8208;Q<sub>1</sub>) &eacute; ent&atilde;o identificado como risco moral.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n2/34n2a07f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A introdu&ccedil;&atilde;o de uma TM <i>t</i> (valor fixo por consulta) faz com que o valor suportado pelo consumidor passe a ser P + <i>t</i> e a express&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o procura passa a ser Q<sub>D</sub> = A&#8208;B<i>t</i>&#8208;BP. Para cada n&iacute;vel de pre&ccedil;os, a quantidade procurada &eacute; agora menor (a curva da procura desloca&#8208;se paralelamente para a esquerda); para P = 0 a quantidade procurada passa a ser A&#8208;B<i>t</i>. A TM surge deste modo como um meio para mitigar as consequ&ecirc;ncias do risco moral. Ou seja, o pagamento no momento de utiliza&ccedil;&atilde;o faz com que a decis&atilde;o de procurar cuidados tenha em linha de conta (pelo menos, em parte) os custos associados e n&atilde;o s&oacute; os benef&iacute;cios, pelo que o consumidor tende a moderar a procura, conduzindo &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o desnecess&aacute;ria de cuidados<sup>3</sup>.</p>     <p>O estudo emp&iacute;rico mais conhecido que procurou avaliar o fen&oacute;meno do risco moral &eacute; o RAND Health Insurance Experiment (RANDHIE), elaborado na d&eacute;cada de 1970, nos Estados Unidos. Os participantes neste estudo foram distribu&iacute;dos aleatoriamente por diferentes planos de seguros (com n&iacute;veis vari&aacute;veis de comparticipa&ccedil;&atilde;o nas despesas m&eacute;dicas) e acompanhados durante 5 anos para avaliar, nomeadamente, o efeito na utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados m&eacute;dicos. Este estudo concluiu que a procura de cuidados m&eacute;dicos responde ao pre&ccedil;o e estimou a elasticidade pre&ccedil;o da procura em valores entre 0,1&#8208;0,2<sup>5</sup>. Esta experi&ecirc;ncia permitiu tamb&eacute;m analisar o impacto da partilha de custos na utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de, sobre a procura de cuidados no grupo das crian&ccedil;as com idades inferior a 14 anos. Os resultados obtidos indicam que a utiliza&ccedil;&atilde;o <i>per capita</i> dos servi&ccedil;os m&eacute;dicos foi um ter&ccedil;o superior no grupo das crian&ccedil;as cujas fam&iacute;lias beneficiavam de um plano de cobertura total, relativamente ao grupo cujas fam&iacute;lias tinham um plano de cobertura que os obrigava ao pagamento de 95% das despesas m&eacute;dicas. Os resultados sugerem ainda que a utiliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em regime de ambulat&oacute;rio diminuiu &agrave; medida que a partilha de custos aumentou, nomeadamente a probabilidade de consulta m&eacute;dica anual, despesas anuais totais e n&uacute;mero de consultas anuais. Quando iam a uma consulta, as crian&ccedil;as do plano de cosseguro de 95% tinham menor probabilidade de consultar um pediatra (em oposi&ccedil;&atilde;o a um cl&iacute;nico geral) do que as crian&ccedil;as cujas fam&iacute;lias tinham taxas de cosseguro mais baixas<sup>5</sup>.</p>     <p>O RANDHIE parece assim fundamentar a utiliza&ccedil;&atilde;o de taxas para moderar a procura, dada a sensibilidade desta &uacute;ltima face a varia&ccedil;&otilde;es dos pre&ccedil;os pagos pelo consumidor. Todavia, a evid&ecirc;ncia continua a ser relativamente escassa e algumas ressalvas s&atilde;o necess&aacute;rias neste ponto. Por um lado, o racioc&iacute;nio subjacente &agrave; an&aacute;lise da <a href="#f1">figura 1</a> assume que a iniciativa de procurar cuidados &eacute; do consumidor. Ora, no setor da sa&uacute;de, devido &agrave; assimetria de informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; rela&ccedil;&atilde;o de ag&ecirc;ncia que se estabelece entre o consumidor e o prestador de cuidados, muitas vezes a decis&atilde;o de procurar cuidados &eacute; influenciada ou mesmo determinada pelo prestador. Nestes casos, &eacute; discut&iacute;vel a introdu&ccedil;&atilde;o de taxas para moderar a procura. Por outro lado, h&aacute; que distinguir entre custo monet&aacute;rio e custo econ&oacute;mico. O consumo de cuidados m&eacute;dicos requer tempo e o tempo tem um custo de oportunidade<sup>3,6</sup>. Assim, em muitos casos no setor da sa&uacute;de, o custo de oportunidade &eacute; mais relevante do que o custo monet&aacute;rio. Novamente, a introdu&ccedil;&atilde;o de taxas para moderar a procura nestas situa&ccedil;&otilde;es pode ser discut&iacute;vel pela sua efic&aacute;cia reduzida. Acresce que n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil identificar claramente o que &eacute; consumo excessivo, fr&iacute;volo ou ineficiente<sup>7,8</sup>. A pr&oacute;pria iniciativa de procurar cuidados depende da aprecia&ccedil;&atilde;o que os consumidores fazem, quer sobre a sua necessidade, quer sobre o benef&iacute;cio dos cuidados a receber. As TM podem assim penalizar diferentemente, consoante o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de do utilizador<sup>9</sup>. Por fim, embora a g&eacute;nese das TM esteja assente na modera&ccedil;&atilde;o da procura e n&atilde;o no financiamento dos sistemas de sa&uacute;de, em muitos dos pa&iacute;ses atingidos pela recente crise econ&oacute;mica e financeira assistiu&#8208;se ao aumento dos copagamentos por parte dos utilizadores<sup>10</sup>. Esta tend&ecirc;ncia tem sido criticada precisamente por apresentar um fraco potencial para poupan&ccedil;as<sup>11</sup>, bem como porque a evid&ecirc;ncia sugere que a predisposi&ccedil;&atilde;o para procurar cuidados por parte de indiv&iacute;duos com poucos recursos financeiros pode diminuir como consequ&ecirc;ncia do aumento dos copagamentos<sup>10</sup>. Neste contexto, as TM poder&atilde;o constituir uma barreira ao acesso a cuidados de sa&uacute;de efetivos e necess&aacute;rios, ferindo os princ&iacute;pios da proporcionalidade dos pagamentos e da igualdade de acesso para igual necessidade<sup>12</sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Taxas moderadoras em Portugal</b></p>     <p>Em Portugal, as TM est&atilde;o previstas desde a cria&ccedil;&atilde;o do SNS, em 1979. A legisla&ccedil;&atilde;o posterior sempre foi mantendo a possibilidade destas taxas, nomeadamente a Lei de Bases da Sa&uacute;de (Lei 48/90 de 24 de agosto), at&eacute; que, em 1992, estas s&atilde;o efetivamente institu&iacute;das com o Decreto&#8208;Lei n.&deg; 54/92 de 11 de abril, aplicando&#8208;se a meios auxiliares de diagn&oacute;stico e terap&ecirc;utica, presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de nas consultas e nos servi&ccedil;os de urg&ecirc;ncia hospitalares e dos centros de sa&uacute;de. Mais tarde, em 2006, s&atilde;o introduzidas taxas para internamento e atos cir&uacute;rgicos em regime de ambulat&oacute;rio, tendo sido contudo revogadas em 2009 (o que vai de encontro &agrave;s reservas referidas na sec&ccedil;&atilde;o anterior sobre os casos em que a iniciativa da procura n&atilde;o parte do utilizador). O regime atual das TM, embora tendo j&aacute; sofrido diversas altera&ccedil;&otilde;es, data de 2011 (Decreto&#8208;Lei n.&deg; 113/2011, de 29 de novembro), altura em que foi revisto na sequ&ecirc;ncia da assist&ecirc;ncia financeira internacional a Portugal e do Memorando de Entendimento. Este regime entrou em vigor em janeiro de 2012. Apesar das restri&ccedil;&otilde;es financeiras e or&ccedil;amentais em que Portugal se encontrava, a revis&atilde;o do sistema de TM foi apresentada como uma &laquo;medida catalisadora da racionaliza&ccedil;&atilde;o de recursos e do controlo da despesa, ao inv&eacute;s de uma medida de incremento de receita, atendendo n&atilde;o apenas &agrave; sua diminuta contribui&ccedil;&atilde;o nos proveitos do SNS mas, acima de tudo, pelo car&aacute;cter estruturante que as mesmas assumem na gest&atilde;o, via modera&ccedil;&atilde;o, dos recursos dispon&iacute;veis, que s&atilde;o, por defini&ccedil;&atilde;o, escassos&raquo; (citando o pr&oacute;prio decreto). Efetivamente, em termos relativos, as TM n&atilde;o constituem uma fonte de financiamento relevante, sendo o seu peso no total das receitas do SNS pouco acima de 1%<sup>13</sup>.</p>     <p>Relativamente &agrave;s crian&ccedil;as e adolescentes, &eacute; de notar que apenas em 2010 foi assegurado o acesso por parte de todos os utentes at&eacute; aos 18 anos &agrave; rede de cuidados pedi&aacute;tricos do SNS, isto apesar de Portugal ter ratificado em 1990 a Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre os direitos da crian&ccedil;a, que a define como todo o ser humano com menos de 18 anos de idade, exceto se a lei nacional conferir a maioridade mais cedo. N&atilde;o obstante este alargamento no acesso aos cuidados pedi&aacute;tricos em 2010, no ano seguinte, aquando da revis&atilde;o do regime das TM, a isen&ccedil;&atilde;o do seu pagamento foi mantida somente para &laquo;as crian&ccedil;as at&eacute; aos 12 anos de idade, inclusive&raquo; (art. 4.&deg;, al&iacute;nea b). Apenas recentemente, com a &uacute;ltima altera&ccedil;&atilde;o ao regime das TM (Decreto&#8208;Lei n.&deg; 61/2015 de 22 de abril), surge ent&atilde;o a isen&ccedil;&atilde;o do pagamento para todos os utentes at&eacute; aos 18 anos, com a substitui&ccedil;&atilde;o da anterior reda&ccedil;&atilde;o do art. 4.&deg;, al&iacute;nea b) por, simplesmente, &laquo;os menores&raquo;. As justifica&ccedil;&otilde;es avan&ccedil;adas (no decreto) para esta altera&ccedil;&atilde;o passam pela obrigatoriedade de consultas m&eacute;dicas dos 15&#8208;18 anos estabelecida no Programa Nacional de Sa&uacute;de Infantil e Juvenil, e pelo est&iacute;mulo indireto ao aumento da natalidade. O decreto refere ainda que a isen&ccedil;&atilde;o se justifica com os objetivos de promover a sa&uacute;de junto daqueles que t&ecirc;m mais a ganhar em adotar h&aacute;bitos saud&aacute;veis, e de garantir a elimina&ccedil;&atilde;o de quaisquer constrangimentos financeiros no seu acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de assegurados pelo SNS. Deste modo, o argumento da modera&ccedil;&atilde;o da procura parece ser ultrapassado pela import&acirc;ncia estrat&eacute;gica reconhecida &agrave; sa&uacute;de infantojuvenil e pela preocupa&ccedil;&atilde;o com eventuais barreiras ao acesso.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Muito embora estejam identificadas as vantagens e poss&iacute;veis desvantagens das TM, patentes de resto nos sucessivos documentos legais, existe pouca evid&ecirc;ncia em Portugal sobre os efeitos das TM na procura de cuidados de sa&uacute;de, quer para o caso da popula&ccedil;&atilde;o em geral quer para o caso de crian&ccedil;as e adolescentes. Os dados que existem apontam no sentido de uma fraca modera&ccedil;&atilde;o da procura exercida pelas TM, conforme a seguir se resume.</p>     <p>Barros et al.<sup>14</sup> analisaram a utiliza&ccedil;&atilde;o efetiva de urg&ecirc;ncias num hospital de uma grande cidade, antes e depois do aumento das TM em 2012, tendo conclu&iacute;do que n&atilde;o se verificou uma redu&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa da utiliza&ccedil;&atilde;o de urg&ecirc;ncias em resultado do aumento das taxas. Com recurso a inqu&eacute;rito, estes autores apuraram ainda que nos casos em que os indiv&iacute;duos se sentiram doentes e n&atilde;o recorreram a cuidados de sa&uacute;de, 1% foi devido a falta de capacidade de pagamento da TM e 5,5% considerou que n&atilde;o valia a pena pag&aacute;&#8208;la. Concluem assim que as TM n&atilde;o funcionaram como uma barreira importante ao acesso a cuidados de sa&uacute;de necess&aacute;rios, embora tenham desencorajado o recurso a cuidados de sa&uacute;de quando o seu valor para o cidad&atilde;o era baixo.</p>     <p>Um estudo da Entidade Reguladora da Sa&uacute;de<sup>15</sup>, com o mesmo ano de publica&ccedil;&atilde;o que o anterior estudo, utilizando dados de uma amostra de prestadores de cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios e de cuidados hospitalares do SNS, e comparando dados de atividade nos anos de 2011 e 2012, concluiu que nos cuidados hospitalares n&atilde;o ocorreu qualquer varia&ccedil;&atilde;o estatisticamente relevante na utiliza&ccedil;&atilde;o de consultas de especialidade, enquanto a utiliza&ccedil;&atilde;o de urg&ecirc;ncias caiu, mas de forma uniforme em utentes isentos e n&atilde;o isentos, o que n&atilde;o pode ser atribu&iacute;do a um efeito de modera&ccedil;&atilde;o promovido pelas taxas. Em rela&ccedil;&atilde;o aos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;rios, houve uma redu&ccedil;&atilde;o das consultas mas de forma mais acentuada nos utentes isentos (efeito que pode dever&#8208;se &agrave; redu&ccedil;&atilde;o global do consumo de bens e servi&ccedil;os, sobretudo por parte dos isentos por insufici&ecirc;ncia econ&oacute;mica).</p>     <p>Especificamente em termos da procura de cuidados em idade pedi&aacute;trica, um estudo de 2012, com base em dados a n&iacute;vel nacional de epis&oacute;dios de urg&ecirc;ncia e em dados da Unidade Local de Sa&uacute;de de Matosinhos sobre epis&oacute;dios de urg&ecirc;ncia, consultas externas e consultas nos centros de sa&uacute;de, concluiu que as TM, que na altura eram pagas a partir dos 13 anos, n&atilde;o tinham impacto na procura de cuidados pedi&aacute;tricos nos servi&ccedil;os de urg&ecirc;ncia<sup>16</sup>. Neste estudo n&atilde;o foi tamb&eacute;m detetada descontinuidade da procura de cuidados a partir dos 13 anos no caso das consultas externas, ao contr&aacute;rio do que sucedeu nos cuidados prim&aacute;rios. A autora avan&ccedil;a como explica&ccedil;&otilde;es para estes resultados o facto de outros custos, como o tempo de espera e dist&acirc;ncia aos servi&ccedil;os, serem mais relevantes, sendo que nos cuidados prim&aacute;rios, por tratar&#8208;se de cuidados preventivos, seria expect&aacute;vel maior sensibilidade da procura ao pre&ccedil;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>M&eacute;todos</b></p>     <p><b>Constru&ccedil;&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio</b></p>     <p>Considerando os objetivos do presente estudo, foi constru&iacute;do um question&aacute;rio para a recolha de informa&ccedil;&atilde;o, tendo sido aplicado em 2 escolas p&uacute;blicas da cidade de Coimbra, uma do ensino b&aacute;sico/secund&aacute;rio e outra apenas com o 1.&deg; ciclo de ensino. A escolha destes locais para aplica&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio foi motivada pela inten&ccedil;&atilde;o de obter uma amostra heterog&eacute;nea quanto ao consumo de cuidados de sa&uacute;de, ou seja, que podia ou n&atilde;o ter utilizado cuidados de sa&uacute;de. Claramente, a sele&ccedil;&atilde;o de respondentes em servi&ccedil;os de sa&uacute;de, onde apenas incluir&iacute;amos os utilizadores de cuidados, n&atilde;o garantia a recolha de uma amostra heterog&eacute;nea no consumo. Tal como referido noutro estudo<sup>14</sup>, a avalia&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es em que deveria ter havido recurso a cuidados de sa&uacute;de mas tal n&atilde;o sucedeu n&atilde;o &eacute; pass&iacute;vel de ser realizada com recurso a dados de utiliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os, justificando&#8208;se deste modo tamb&eacute;m a op&ccedil;&atilde;o pelo question&aacute;rio. O per&iacute;odo de recolha de dados foi 28 de abril a 12 de maio de 2014, altura em que as TM ainda se aplicavam a crian&ccedil;as a partir dos 13 anos. Foram distribu&iacute;dos 465 question&aacute;rios, tendo como crit&eacute;rio o equil&iacute;brio entre o n&uacute;mero de crian&ccedil;as com idades at&eacute; 13 anos (isentas de pagamento) e o n&uacute;mero de crian&ccedil;as com idades igual ou superior a 13 anos. Considerada esta restri&ccedil;&atilde;o, a escolha das turmas em particular para a aplica&ccedil;&atilde;o dos question&aacute;rios foi uma decis&atilde;o do conselho diretivo, no caso da escola secund&aacute;ria; na escola b&aacute;sica, os question&aacute;rios foram administrados a todas as turmas. O question&aacute;rio destinava&#8208;se a ser preenchido por pais/encarregados de educa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as com idades compreendidas entre 6&#8208;18 anos, n&atilde;o isentos do pagamento de taxas por outro motivo que n&atilde;o a idade. Restri&ccedil;&otilde;es de tempo e financeiras condicionaram o processo amostral, quer no n&uacute;mero de unidades a incluir no estudo, quer na determina&ccedil;&atilde;o de regras que garantissem a aleatoriedade absoluta da amostra. Uma consequ&ecirc;ncia destes condicionamentos e do recurso a uma amostra de conveni&ecirc;ncia &eacute; a n&atilde;o inclus&atilde;o de crian&ccedil;as residentes em meio rural.</p>     <p>Por ser um question&aacute;rio distribu&iacute;do em meio escolar, foi necess&aacute;rio cumprir os requisitos da Dire&ccedil;&atilde;o Geral de Educa&ccedil;&atilde;o para a autoriza&ccedil;&atilde;o da sua aplica&ccedil;&atilde;o, bem como, obter autoriza&ccedil;&atilde;o dos conselhos pedag&oacute;gicos das escolas.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; estrutura e sec&ccedil;&otilde;es do question&aacute;rio, este era constitu&iacute;do por 3 grupos de quest&otilde;es: dados do filho/educando (idade, g&eacute;nero e estado de sa&uacute;de &ndash; conforme percecionado pelos pais); dados do agregado familiar (resid&ecirc;ncia, composi&ccedil;&atilde;o do agregado, n&iacute;vel de escolaridade dos pais, seguro de sa&uacute;de al&eacute;m do SNS e rendimento mensal l&iacute;quido &ndash; por escal&otilde;es) e utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de. Esta &uacute;ltima parte do question&aacute;rio inclu&iacute;a perguntas sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados m&eacute;dicos nos &uacute;ltimos 6 meses por motivo de doen&ccedil;a (n&uacute;mero de consultas, raz&otilde;es e se foi por iniciativa pr&oacute;pria ou por indica&ccedil;&atilde;o de terceiros &ndash; quem?). Nesta parte do question&aacute;rio tamb&eacute;m se procurava saber se, perante uma situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a, n&atilde;o houve recurso a servi&ccedil;os de sa&uacute;de e porqu&ecirc;. O question&aacute;rio inclu&iacute;a ainda uma pergunta sobre o n&uacute;mero de vezes que recorreu a servi&ccedil;os de sa&uacute;de nos &uacute;ltimos 6 meses por motivos de preven&ccedil;&atilde;o/promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de. Numa outra pergunta, e tendo em conta que os custos associados ao consumo de cuidados m&eacute;dicos v&atilde;o al&eacute;m do custo monet&aacute;rio, foram apresentados v&aacute;rios fatores (dist&acirc;ncia &agrave; unidade de sa&uacute;de, tempo de espera, dificuldade no transporte, hora da ocorr&ecirc;ncia e TM), perguntando&#8208;se qual o seu grau de import&acirc;ncia na decis&atilde;o de procurar cuidados, em caso de doen&ccedil;a ligeira ou moderada. Para avaliar o grau de import&acirc;ncia, usou&#8208;se uma escala de Likert com 4 n&iacute;veis: muito importante, importante, indiferente e pouco importante. Esta mesma escala foi tamb&eacute;m utilizada para perceber a import&acirc;ncia das TM para a decis&atilde;o de recorrer a um servi&ccedil;o de urg&ecirc;ncia hospitalar. A terceira sec&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio inclu&iacute;a ainda uma pergunta que visava obter o grau de concord&acirc;ncia com 4 afirma&ccedil;&otilde;es sobre TM: i) as TM s&atilde;o necess&aacute;rias para evitar a utiliza&ccedil;&atilde;o excessiva de cuidados de sa&uacute;de; ii) as TM s&atilde;o necess&aacute;rias para ajudar a financiar o SNS; iii) para muitas pessoas as TM s&atilde;o uma barreira ao acesso a cuidados de sa&uacute;de; iv) havendo TM, a isen&ccedil;&atilde;o do pagamento deve ser alargada at&eacute; aos 18 anos. Para captar o grau de concord&acirc;ncia usou&#8208;se uma escala de Likert com 5 pontos, desde o discordo plenamente at&eacute; ao concordo plenamente. A pergunta iii) foi inspirada em estudo pr&eacute;vio<sup>14</sup>, no qual os autores constataram que os inquiridos respondiam de forma diferente, consoante se referissem ao seu pr&oacute;prio comportamento ou ao das outras pessoas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>An&aacute;lise e vari&aacute;veis</b></p>     <p>Relativamente &agrave; an&aacute;lise de dados, inici&aacute;mos com uma an&aacute;lise explorat&oacute;ria dos dados recorrendo &agrave; estat&iacute;stica descritiva. Ap&oacute;s esta etapa descritiva, e para estimar o efeito de diversos fatores sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados (em caso de doen&ccedil;a e em caso de preven&ccedil;&atilde;o), especific&aacute;mos um modelo econom&eacute;trico que faz a regress&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o dos cuidados sobre um conjunto de vari&aacute;veis. A utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de foi medida recorrendo a 2 indicadores: 1) n&uacute;mero de consultas m&eacute;dicas nos 6 meses anteriores &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio por motivos de doen&ccedil;a e 2) n&uacute;mero de vezes que recorreu a servi&ccedil;os de sa&uacute;de nos 6 meses anteriores &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio por motivos de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de (incluindo consultas programadas de vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de infantil). A vari&aacute;vel indicadora da utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados no presente estudo &eacute; uma vari&aacute;vel inteira e n&atilde;o negativa, pelo que as especifica&ccedil;&otilde;es econom&eacute;tricas da fam&iacute;lia dos modelos de contagem s&atilde;o adequadas neste contexto. O modelo binomial negativo &eacute;, de entre estes, um dos mais utilizados nas aplica&ccedil;&otilde;es de economia da sa&uacute;de<sup>17&ndash;19</sup>.</p>     <p>Do conjunto de regressores usados, temos particular interesse na vari&aacute;vel &laquo;Isento&raquo; (impacto das TM) e na intera&ccedil;&atilde;o deste efeito com o rendimento (para averiguar se a influ&ecirc;ncia das taxas na utiliza&ccedil;&atilde;o depende de fatores socioecon&oacute;micos). A vari&aacute;vel &laquo;Isento&raquo; &eacute; uma vari&aacute;vel bin&aacute;ria que vale um se a crian&ccedil;a est&aacute; isenta do pagamento de TM (idade &lt; 13) e que vale 0 caso contr&aacute;rio. Claramente esta vari&aacute;vel &eacute; ex&oacute;gena, pois a isen&ccedil;&atilde;o depende de um limiar de idade n&atilde;o determinado pela crian&ccedil;a nem pelos pais desta. Esta caracter&iacute;stica de exogeneidade assegura que o estimador do efeito isen&ccedil;&atilde;o &eacute; consistente.</p>     <p>A <a href="#t1">Tabela 1</a> apresenta a designa&ccedil;&atilde;o e defini&ccedil;&atilde;o das vari&aacute;veis explicativas utilizadas na an&aacute;lise de regress&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n2/34n2a07t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da amostra</b></p>     <p>A amostra final inclui 203 crian&ccedil;as; foram recolhidos 208 inqu&eacute;ritos, sendo que 5 foram exclu&iacute;dos por existir isen&ccedil;&atilde;o do pagamento de TM por insufici&ecirc;ncia econ&oacute;mica &ndash; a taxa de resposta foi, assim, de 44,73%. Das 203 crian&ccedil;as, 82 (40,40%) s&atilde;o do sexo masculino, e 109 (53,70%) t&ecirc;m idade inferior a 13 anos. Em termos de isentos/n&atilde;o isentos obteve&#8208;se uma amostra relativamente equilibrada, conforme pretendido. O estado de sa&uacute;de, consoante percecionado pelos pais, &eacute; na maioria dos casos (86,2%) bom ou muito bom. No que diz respeito ao rendimento familiar, mais de metade da amostra (54,7%) apresenta um rendimento l&iacute;quido mensal acima de 1.500 &euro;. Tratam&#8208;se tamb&eacute;m de fam&iacute;lias residentes sobretudo em ambiente citadino (87,7%) e com elevado n&iacute;vel de escolaridade (cerca de metade dos pais completaram um n&iacute;vel de ensino superior). Maioritariamente, os agregados incluem uma (41,9%) ou 2 (46,8%) crian&ccedil;as e, no que diz respeito ao seguro de sa&uacute;de, repartem&#8208;se essencialmente pelo SNS em exclusivo (38,9%) e pelo subsistema ADSE (43,3%), suplementarmente ao SNS.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de</b></p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de, as raz&otilde;es apontadas para essa utiliza&ccedil;&atilde;o foram essencialmente rotina (44,6% das respostas) e por motivo de doen&ccedil;a s&uacute;bita (41,6% dos casos). Os centros de sa&uacute;de correspondem &agrave;s estruturas mais utilizadas pelos pais (82,8%), seguidos dos hospitais p&uacute;blicos (12,8%). A decis&atilde;o de procurar cuidados foi maioritariamente por iniciativa pr&oacute;pria (74,9%).</p>     <p>Especificamente em termos de utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados nos &uacute;ltimos 6 meses por situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a, 82,76% dos pais referiram que utilizaram cuidados de sa&uacute;de (39,4% correspondem a uma utiliza&ccedil;&atilde;o apenas, sendo a m&eacute;dia 2 vezes e o desvio padr&atilde;o 2,12). A <a href="#f2">figura 2</a> apresenta os utilizadores por idades, n&atilde;o se visualizando nesta an&aacute;lise diferen&ccedil;as entre a utiliza&ccedil;&atilde;o por crian&ccedil;as com menos e mais de 13 anos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n2/34n2a07f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>No caso da utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados preventivos, a m&eacute;dia obtida foi 1,49, sendo o desvio padr&atilde;o 1,86. Conforme mencionado atr&aacute;s<sup>16</sup>, pela sua natureza, esta utiliza&ccedil;&atilde;o pode ser mais influenciada pelo pre&ccedil;o. Apresenta&#8208;se por isso na <a href="#f3">figura 3</a> a distribui&ccedil;&atilde;o, por grupos et&aacute;rios, das crian&ccedil;as que n&atilde;o utilizaram cuidados de sa&uacute;de por motivo de preven&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m nesta situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sobressai um padr&atilde;o de (n&atilde;o) utiliza&ccedil;&atilde;o face ao ponto de corte dos 13 anos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n2/34n2a07f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como referido anteriormente, a decis&atilde;o de procurar cuidados de sa&uacute;de depende de diversos fatores, monet&aacute;rios e n&atilde;o monet&aacute;rios. A <a href="#f4">figura 4</a> mostra a import&acirc;ncia que cada fator tem para os pais no momento em que decidem procurar, ou n&atilde;o, cuidados de sa&uacute;de para os seus filhos. Para 3 quartos dos pais, a expetativa quanto ao tempo de espera &eacute; importante ou muito importante para esta decis&atilde;o. Este &eacute;, de resto, o fator que re&uacute;ne maior percentagem de respostas nos 2 n&iacute;veis de import&acirc;ncia mais elevados.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n2/34n2a07f4.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Como mostra a <a href="#f4">figura 4</a>, e tendo em conta a percentagem de respostas nas categorias &laquo;importante&raquo; ou &laquo;muito importante&raquo;, a seguir ao tempo de espera vem a dist&acirc;ncia &agrave; unidade de sa&uacute;de, depois a hora da ocorr&ecirc;ncia e em quarto surgem, ent&atilde;o, as TM. Em &uacute;ltimo lugar (com menor percentagem de respostas), temos as dificuldades de transporte. Como se constata, a import&acirc;ncia atribu&iacute;da &agrave;s TM n&atilde;o se destaca, pelo contr&aacute;rio, face aos outros fatores potencialmente condicionadores da procura. Por outro lado, apesar de se tratar de uma amostra de crian&ccedil;as que vivem principalmente na cidade, metade dos pais consideram ainda assim a dist&acirc;ncia &agrave; unidade de sa&uacute;de como um fator relevante. Focando especificamente no caso de um servi&ccedil;o de urg&ecirc;ncia hospitalar, a percentagem de pais que consideraram as taxas como importantes ou muito importantes para a decis&atilde;o de procurar cuidados foi superior (53,17%).</p>     <p>Perante a pergunta: &laquo;Nos &uacute;ltimos 6 meses houve alguma situa&ccedil;&atilde;o em que estando o seu filho doente n&atilde;o procurou cuidados de sa&uacute;de?&raquo;, 37 respondentes (18,2%) referiram que sim, sendo que a maioria destes (73%) optou por medicar a crian&ccedil;a por iniciativa pr&oacute;pria e 21,6% esperou que o estado de sa&uacute;de melhorasse.</p>     <p>Quanto aos resultados da an&aacute;lise de regress&atilde;o, a <a href="#t2">Tabela 2</a> mostra o impacto das vari&aacute;veis explicativas sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o, quer por motivo de doen&ccedil;a s&uacute;bita, quer por motivo de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n2/34n2a07t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A principal vari&aacute;vel de interesse, isento, apresenta um efeito positivo sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o no caso de doen&ccedil;a e um efeito negativo no caso de preven&ccedil;&atilde;o; contudo, em nenhuma situa&ccedil;&atilde;o o efeito &eacute; estatisticamente significativo. O rendimento, tal como a intera&ccedil;&atilde;o entre isento e rendimento, surgem com efeitos mistos e sem signific&acirc;ncia estat&iacute;stica. Em termos da escolaridade da m&atilde;e, possuir um n&iacute;vel do ensino b&aacute;sico ou secund&aacute;rio, comparado com ensino superior, parece ter impacto positivo na utiliza&ccedil;&atilde;o por motivo de doen&ccedil;a s&uacute;bita; j&aacute; no caso de preven&ccedil;&atilde;o, temos um efeito positivo e outro negativo. Todavia, tal como em todas as vari&aacute;veis anteriores, os efeitos n&atilde;o s&atilde;o estatisticamente significativos. Por fim, o estado de sa&uacute;de bom ou muito bom tem impacto negativo sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o, sendo significativo no caso da utiliza&ccedil;&atilde;o devido a doen&ccedil;a.</p>     <p><b>Perce&ccedil;&otilde;es dos pais sobre as taxas moderadoras</b></p>     <p>A &uacute;ltima parte do question&aacute;rio procurava saber a opini&atilde;o dos pais sobre o papel das TM. A <a href="#f5">figura 5</a> ilustra as respostas obtidas.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n2/34n2a07f5.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O papel moderador das taxas divide os pais, com 42,8% a concordar ou concordar plenamente que as taxas s&atilde;o necess&aacute;rias para esse fim, existindo exatamente a mesma percentagem de pais com a opini&atilde;o contr&aacute;ria. J&aacute; no que diz respeito ao papel de financiamento, existe uma maioria de pais que v&ecirc; as taxas com esse desempenho e muito menos discordam que as taxas servem para financiar o SNS. Apesar de apenas 41% dos pais terem considerado as TM como um fator importante ou muito importante para a decis&atilde;o de procurar cuidados (conforme <a href="#f4">figura 4</a>), uma esmagadora maioria (89,1% &ndash; <a href="#f5">figura 5</a>) v&ecirc; as taxas como uma barreira para muitas pessoas. Tamb&eacute;m a maioria concorda com o alargamento da isen&ccedil;&atilde;o at&eacute; aos 18 anos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Com base nos resultados obtidos neste estudo, a procura de cuidados de sa&uacute;de partiu sobretudo da iniciativa pr&oacute;pria dos pais, o que traduz um contexto prop&iacute;cio &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de taxas com fins de modera&ccedil;&atilde;o. No entanto, n&atilde;o se encontrou evid&ecirc;ncia de um comportamento distinto no grupo dos pagantes, comparado com os isentos. Adicionalmente, este resultado parece n&atilde;o ser sens&iacute;vel ao rendimento. Na eventualidade das taxas constitu&iacute;rem uma barreira ao acesso a cuidados, esperar&#8208;se&#8208;ia que rendimentos mais baixos tivessem um impacto negativo sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o. Mas este n&atilde;o foi um resultado consistente, nem mesmo no caso de cuidados preventivos onde se admite maior sensibilidade ao pre&ccedil;o. O mesmo ocorreu com as vari&aacute;veis de intera&ccedil;&atilde;o: estas vari&aacute;veis mostram o impacto do rendimento sobre o efeito da vari&aacute;vel &laquo;isento&raquo;. Assumindo que para rendimentos mais elevados o ser isento, ou n&atilde;o, tem pouca import&acirc;ncia, o expect&aacute;vel seria que em rendimentos baixos o efeito da isen&ccedil;&atilde;o fosse refor&ccedil;ado. Tal n&atilde;o sucedeu. Estes resultados poder&atilde;o ter sido condicionados pelo tamanho e composi&ccedil;&atilde;o da amostra, com uma sobre representa&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias com rendimentos elevados. Mas n&atilde;o &eacute; de excluir a possibilidade dos pais, de facto, serem menos sens&iacute;veis ao custo monet&aacute;rio quando se trata dos filhos. Esta possibilidade foi tamb&eacute;m avan&ccedil;ada no contexto do RANDHIE, onde se diz que os pais que se encontram numa situa&ccedil;&atilde;o de partilha de custos t&ecirc;m tend&ecirc;ncia a estar menos dispon&iacute;veis para reduzir o n&iacute;vel de cuidados de sa&uacute;de dos seus filhos do que o seu pr&oacute;prio. Comportamento este que &eacute; refor&ccedil;ado por quest&otilde;es sociais e de regulamenta&ccedil;&atilde;o como, por exemplo, a exig&ecirc;ncia das imuniza&ccedil;&otilde;es e a vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de na idade escolar<sup>5</sup>. Por outro lado, tal como em Barros et al.<sup>14</sup>, poder&atilde;o ainda existir diferen&ccedil;as entre as respostas sobre &laquo;n&oacute;s&raquo; e &laquo;os outros&raquo;. Esta hip&oacute;tese explicaria as diferen&ccedil;as encontradas entre a import&acirc;ncia das taxas para a decis&atilde;o de procurar cuidados para os filhos e a opini&atilde;o sobre o efeito barreira das taxas em geral e para &laquo;muitas pessoas&raquo;.</p>     <p>Neste estudo tamb&eacute;m n&atilde;o encontr&aacute;mos evid&ecirc;ncia de um efeito barreira relacionado com o n&iacute;vel de escolaridade (da m&atilde;e). Novamente, poder&aacute; dever&#8208;se ao facto dos n&iacute;veis de ensino superiores se encontrarem sobre representados na amostra. T&iacute;nhamos por objetivo expandir a amostra original, aplicando o question&aacute;rio em escolas de concelhos menos urbanos; no entanto, o alargamento da isen&ccedil;&atilde;o das TM para todos os menores anulou esta pretens&atilde;o. Contudo, tendo em conta os resultados obtidos noutros estudos<sup>14&ndash;16</sup>, que apontam para uma fraca modera&ccedil;&atilde;o da procura por parte das TM, &eacute; poss&iacute;vel que os nossos resultados n&atilde;o se alterassem significativamente com uma amostra diferente. Acresce que outras condicionantes para al&eacute;m das TM influenciam a decis&atilde;o de procurar cuidados (por exemplo, no caso de crian&ccedil;as residentes em meio rural, &eacute; admiss&iacute;vel que a import&acirc;ncia dos outros fatores como a dist&acirc;ncia ou a hora da ocorr&ecirc;ncia seja refor&ccedil;ada, mas nem tanto o papel das TM).</p>     <p>O estudo sofre assim das limita&ccedil;&otilde;es decorrentes da amostra mas, por outro lado, constituiu uma janela de oportunidade para avaliar o impacto das TM na utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados pedi&aacute;tricos, n&atilde;o sendo atualmente replic&aacute;vel.</p>     <p>Por fim, &eacute; importante salientar que, apesar de n&atilde;o se ter encontrado evid&ecirc;ncia de um impacto significativo das TM sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados, a exist&ecirc;ncia de taxas &eacute; suscet&iacute;vel de gerar iniquidades ao n&iacute;vel do financiamento, onerando mais quem tem menos rendimentos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No presente estudo n&atilde;o se encontrou evid&ecirc;ncia de um efeito modera&ccedil;&atilde;o das TM sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de pedi&aacute;tricos, sugerindo que estas n&atilde;o cumpriam o papel que teoricamente justificam a sua aplica&ccedil;&atilde;o. Por outro lado, n&atilde;o se encontrou evid&ecirc;ncia de um efeito barreira relacionado com o estatuto socioecon&oacute;mico dos pais, sendo este um aspeto positivo. Assim, e considerando que as TM nunca foram assumidas com objetivos de financiamento do SNS (tal &eacute; dito explicitamente no Decreto&#8208;Lei n.&deg; 113/2011, de 29 de novembro), n&atilde;o se encontra justifica&ccedil;&atilde;o para a exist&ecirc;ncia destas taxas. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s perce&ccedil;&otilde;es dos pais aferidas neste estudo, sobressaem as opini&otilde;es de que as taxas constituem uma barreira ao acesso para muitas pessoas e que a sua isen&ccedil;&atilde;o devia ser alargada a todos os menores. O conjunto destes resultados, e ressalvando as limita&ccedil;&otilde;es do estudo, suporta a decis&atilde;o, implementada em 2015, de isentar das TM todos os menores, independentemente dos argumentos formalmente avan&ccedil;ados no Decreto&#8208;Lei n.&deg; 61/2015 de 22 de abril e do seu fundamento, baseado, ou n&atilde;o, em evid&ecirc;ncia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>1. Currie J. Child health and mortality. The new Palgrave dictionary of economics., London: Macmillan, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805645&pid=S0870-9025201600020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> .</p>     <!-- ref --><p>2. Arrow K. Uncertainty and the welfare economics of medical care. Am Econ Rev. 1963;53:941-73.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805647&pid=S0870-9025201600020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Barros P.P. Economia da sa&uacute;de: conceitos e comportamentos. Coimbra: Almedina, (2013) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805649&pid=S0870-9025201600020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Pereira J. Economia da sa&uacute;de: gloss&aacute;rio de termos e conceitos. 4.<sup>a</sup> ed., Lisboa: APES, (2004) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805651&pid=S0870-9025201600020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Manning W., Newhouse J., Duan N., Keeler E., Benjamin B., Leibowitz, et al. Health insurance and the demand for medical care: Evidence from a randomized experiment. Am Econ Rev. 1987;77:251-77.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805653&pid=S0870-9025201600020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Grossman M. The human capital model of the demand for health. North Holland handbook of health economics., Amsterdam: Elsevier, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805655&pid=S0870-9025201600020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> .</p>     <!-- ref --><p>7. Thomson S., Foubister T., Mossialos E. Can user charges make health care more efficient?. BMJ. 2010;341:c3759.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805657&pid=S0870-9025201600020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Glied S., Smith P.C. The Oxford handbook of health economics. Oxford: Oxford University Press, (2011) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805659&pid=S0870-9025201600020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>9. Observat&oacute;rio Portugu&ecirc;s dos Sistemas de Sa&uacute;de. Relat&oacute;rio de Primavera 2013: duas faces da sa&uacute;de. Coimbra: Mar da palavra; 2013.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>10. Quaglio G.L., Karapiperis T., Van L., Arnold E., McDaid D. Austerity and health in Europe. Health Policy. 2013;113:13-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805662&pid=S0870-9025201600020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. Karanikolos M., Mladovsky P., Cylus J., Thomson S., Basu S., Stuckler D., et al. Financial crisis, austerity, and health in Europe. Lancet. 2013;381:1323-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805664&pid=S0870-9025201600020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>12. Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Dire&ccedil;&atilde;o Geral de Sa&uacute;de. Plano Nacional de Sa&uacute;de 2012&#8208;2016. Lisboa: DGS; 2012.</p>     <!-- ref --><p>13. Barros P.P. Health policy reforms in tough times: The case of Portugal. Health Policy. 2012;106:17-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805667&pid=S0870-9025201600020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>14. Barros PP, Afonso H, Martins B, Pereira D. Impacto das taxas moderadoras na utiliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de sa&uacute;de: vers&atilde;o 1. Lisboa: Nova School of Business and Economics. Universidade Nova de Lisboa; 2013. [consultado em 15 Mar 2014]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.acss.min-saude.pt/Portals/0/impacto-taxas-moderadoras-v3.pdf" target="_blank">http://www.acss.min-saude.pt/Portals/0/impacto-taxas-moderadoras-v3.pdf</a>.</p>     <p>15. Portugal. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Entidade Reguladora da Sa&uacute;de. O novo regime jur&iacute;dico das taxas moderadoras. Porto: ERS; 2013.</p>     <!-- ref --><p>16. Canedo M.A. How demand for medical care responds to user&#8208;charges: A quasi&#8208;experiment for Portugal. London: London School of Economics and Political Science, (2012) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805671&pid=S0870-9025201600020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>17. Cameron A.C., Trivedi P.K. Regression analysis of count data. Cambridge, UK, New York: Cambridge University Press, (1998) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805673&pid=S0870-9025201600020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>18. Cameron A.C., Trivedi P.K. Microeconometrics: Methods and applications. New York, NY: Cambridge University Press, (2005) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805675&pid=S0870-9025201600020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>19. Winkelmann R. Econometric analysis of count data. Berlin: Springer, (2003) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=805677&pid=S0870-9025201600020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&atilde;o haver conflito de interesses.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Autor para correspond&ecirc;ncia</i>: <a href="mailto:qcarlota@fe.uc.pt">qcarlota@fe.uc.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido 22 de Julho de 2015&nbsp; Aceito 9 de Janeiro de 2016</p>      ]]></body><back>
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