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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
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<article-id>S0870-90252016000300003</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2016.05.004</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Adesão ao tratamento nas perturbações psiquiátricas: o impacto das atitudes e das crenças em profissionais de serviços de psiquiatria e saúde mental em Portugal: Parte I: aspetos conceptuais e metodológicos]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Treatment adherence in psychiatric disorders: The impact of the attitudes and beliefs of mental health professionals in psychiatry services in Portugal: Part I: Conceptual and methodological aspects]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction Among the chronic health diseases are psychiatric disorders and it is well established that within this population there is a particularly high prevalence of non-adherence to treatment. Methods Narrative review, of relevant literature. Results The majority of the research has focused primarily on the factors related to the patient that interfere with treatment adherence. However, there are studies that seem to indicate that the responsibility for increasing adherence is more related with the health professional than the patient. Conclusions Through the identification of factors associated with clinicians, we enable the development strategies to increase skills in mental health professionals and that may have an important role in the treatment of patients with psychiatric disorders.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Adesão ao tratamento]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Perturbações psiquiátricas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ades&atilde;o ao tratam</b><b>ento nas perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas: o impacto das atitudes e das cren&ccedil;as em profissionais de servi&ccedil;os de psiquiatria e sa&uacute;de mental em Portugal. Parte I: aspetos conceptuais e metodol&oacute;gicos</b></p>     <p><b>Treatment adherence in psychiatric disorders: The impact of the attitudes and beliefs of mental health professionals in psychiatry services in Portugal. Part I: Conceptual and methodological aspects</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ana Cardoso <sup>a</sup><sup>, </sup> Mitchell Byrne <sup>b</sup>, Miguel Xavier <sup>a</sup></b></p>     <p>a Departamento de Sa&uacute;de Mental, Centro de Estudos de Doen&ccedil;as Cr&oacute;nicas &ndash; CEDOC, NOVA Medical School, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal</p>     <p>b University of Wollongong, School of Psychology, Wollongong, Austr&aacute;lia</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#c0">Endereço para Correspondência</a><a name="topc0"></a>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Consideradas como um problema cr&oacute;nico de sa&uacute;de, as perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas apresentam uma elevada preval&ecirc;ncia em termos de n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o ao tratamento.</p>     <p><b>M&eacute;todos</b></p>     <p>Revis&atilde;o narrativa, n&atilde;o sistem&aacute;tica, da literatura relevante.</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>A maioria dos trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o tem incidido sobre os fatores relacionados com o doente que interferem na ades&atilde;o ao tratamento. No entanto, existem estudos que indicam que a responsabilidade para aumentar a ades&atilde;o est&aacute; mais relacionada com o profissional de sa&uacute;de do que com o doente.</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Atrav&eacute;s da identifica&ccedil;&atilde;o de fatores relacionados com os cl&iacute;nicos, pretendemos possibilitar o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias que poder&atilde;o ter um papel importante na ades&atilde;o ao tratamento dos doentes com perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas.</p>     <p><b>Palavras&#8208;chave</b>: Ades&atilde;o ao tratamento. Perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas. Profissionais de sa&uacute;de mental.  Atitudes. Cren&ccedil;as e otimismo terap&ecirc;utico.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p><b>Introduction</b></p>     <p>Among the chronic health diseases are psychiatric disorders and it is well established that within this population there is a particularly high prevalence of non&#8208;adherence to treatment.</p>     <p><b>Methods</b></p>     <p>Narrative review, of relevant literature.</p>     <p><b>Results</b></p>     <p>The majority of the research has focused primarily on the factors related to the patient that interfere with treatment adherence. However, there are studies that seem to indicate that the responsibility for increasing adherence is more related with the health professional than the patient.</p>     <p><b>Conclusions</b></p>     <p>Through the identification of factors associated with clinicians, we enable the development strategies to increase skills in mental health professionals and that may have an important role in the treatment of patients with psychiatric disorders.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords</b>: Treatment adherence. Psychiatric disorders. Mental health professionals. Attitudes. Beliefs and therapeutic optimism.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>A n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o ao tratamento: um problema de sa&uacute;de p&uacute;blica</b></p>     <p>A n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o ao tratamento nas doen&ccedil;as cr&oacute;nicas constitui um grave problema de sa&uacute;de p&uacute;blica e, provavelmente, uma das mais importantes causas de insucesso dos programas terap&ecirc;uticos, representando um problema comum partilhado por quase todas as doen&ccedil;as de evolu&ccedil;&atilde;o cr&oacute;nica, incluindo as perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas.</p>     <p>Em termos gerais, com o impacto das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas a aumentar, os servi&ccedil;os de sa&uacute;de est&atilde;o a ser desafiados a responder adequadamente &agrave;s novas exig&ecirc;ncias de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de novos modelos de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados &ndash; as autoridades de sa&uacute;de dos pa&iacute;ses industrializados est&atilde;o cada vez mais pressionadas para colocarem a preven&ccedil;&atilde;o e a gest&atilde;o de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas como uma das principais prioridades estrat&eacute;gicas para a pr&oacute;xima d&eacute;cada.</p>     <p>No entanto, embora a doen&ccedil;a cr&oacute;nica possa ser farmacologicamente trat&aacute;vel, a n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o ao tratamento &eacute; um problema mundial de magnitude impressionante<sup>1</sup>, com uma taxa m&eacute;dia estimada de n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o de cerca de 50%<sup>2</sup>. Al&eacute;m disso, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) afirma que &laquo;sem um sistema que aborde os fatores determinantes da ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica, os avan&ccedil;os da tecnologia biom&eacute;dica v&atilde;o deixar de realizar o seu potencial de forma a reduzir a carga das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas&raquo;<sup>1</sup>.</p>     <p>As consequ&ecirc;ncias da n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o s&atilde;o profundas e incluem resultados cl&iacute;nicos negativos, maior risco de reca&iacute;da, <i>stress</i> f&iacute;sico e emocional devido a sucessivos internamentos<sup>2</sup>, e aumento dos custos diretos e indiretos de sa&uacute;de<sup>3</sup>.</p>     <p>Embora os investigadores reconhe&ccedil;am a import&acirc;ncia da n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o como um problema de sa&uacute;de p&uacute;blica, as evid&ecirc;ncias sugerem que n&atilde;o tem sido dada a aten&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para o desenvolvimento e avalia&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias destinadas a melhorar a ades&atilde;o dos doentes ao tratamento<sup>4,5</sup>.</p>     <p>As consequ&ecirc;ncias da n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o ao tratamento est&atilde;o relacionadas com a falta de obten&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios esperados, com a deteriora&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o profissional/doente e com o aumento do custo financeiro, devido ao n&uacute;mero elevado hospitaliza&ccedil;&otilde;es e ao tempo prolongado de tratamento<sup>6,7</sup>.</p>     <p>Por&eacute;m, para que os doentes tenham boa ades&atilde;o, &eacute; importante que sintam algum benef&iacute;cio com isso, que tenham uma supervis&atilde;o familiar e uma boa rela&ccedil;&atilde;o com o m&eacute;dico que prescreve a terap&ecirc;utica, assim como com a restante equipa cl&iacute;nica. Por outras palavras, &eacute; importante que: (1) o tratamento v&aacute; ao encontro das necessidades dos doentes; (2) haja um envolvimento pleno e cooperante da parte da fam&iacute;lia; e (3) a rela&ccedil;&atilde;o profissional&#8208;doente seja positiva e o menos assim&eacute;trica poss&iacute;vel.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Devido &agrave; import&acirc;ncia em aprofundar estes aspetos, verifica&#8208;se que a investiga&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea tem motivado um interesse crescente, dadas as importantes repercuss&otilde;es que a falta de cumprimento do tratamento assume em termos de sa&uacute;de p&uacute;blica<sup>1,8&ndash;10</sup>. Estando perante condi&ccedil;&otilde;es cr&oacute;nicas, cuja evolu&ccedil;&atilde;o pode ser modificada com o tratamento, &eacute; fundamental fomentar uma ades&atilde;o adequada para que o tratamento seja realmente eficaz. Por esse motivo, considera&#8208;se que t&atilde;o importantes quanto os fatores relacionados com o doente e com o tratamento, s&atilde;o os fatores relacionados com os profissionais de sa&uacute;de, nomeadamente a n&iacute;vel do impacto que as atitudes e as cren&ccedil;as dos cl&iacute;nicos<sup>11,12</sup> podem ter na ades&atilde;o ao tratamento dos doentes.</p>     <p>Em Portugal, o Plano Nacional de Sa&uacute;de Mental (PNSM) 2007&#8208;2016 elegeu como uma das suas prioridades a reformula&ccedil;&atilde;o da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados a indiv&iacute;duos com perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas graves, nos quais a problem&aacute;tica da ades&atilde;o ao tratamento apresenta uma relev&acirc;ncia fulcral.</p>     <p>Neste artigo faz&#8208;se uma revis&atilde;o da tem&aacute;tica sobre os determinantes da ades&atilde;o ao tratamento nas perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas, incluindo fatores referentes aos doentes e aos profissionais de sa&uacute;de mental, e descreve&#8208;se o protocolo metodol&oacute;gico de um projeto implementado em Portugal, que teve como objetivo caracterizar os determinantes de ades&atilde;o ao tratamento em servi&ccedil;os p&uacute;blicos de psiquiatria e sa&uacute;de mental no nosso pa&iacute;s. Num pr&oacute;ximo artigo ser&atilde;o detalhadamente apresentados os resultados deste trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A ades&atilde;o ao tratamento nas perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas</b></p>     <p>O tema da ades&atilde;o ao tratamento nas perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas &eacute; cada vez mais relevante, pois as estimativas do incumprimento das prescri&ccedil;&otilde;es farmacol&oacute;gicas e n&atilde;o farmacol&oacute;gicas s&atilde;o, segundo a literatura, muito significativas. Este incumprimento minimiza a probabilidade de recupera&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos com perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas, aumenta a probabilidade de reca&iacute;das e o n&uacute;mero de hospitaliza&ccedil;&otilde;es, o que acarreta um aumento significativo dos custos no sistema de sa&uacute;de<sup>13</sup>.</p>     <p>Neste sentido, a ades&atilde;o ao tratamento nas perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas revela&#8208;se um desafio com que os profissionais de sa&uacute;de mental se deparam diariamente. N&atilde;o obstante, em virtude do estigma associado &agrave;s doen&ccedil;as mentais, o desafio colocado a estes profissionais revela&#8208;se ainda maior.</p>     <p>Com efeito, o estigma associado a estas perturba&ccedil;&otilde;es pode fazer com que a pessoa doente tenha limita&ccedil;&otilde;es nos seus direitos de cidadania, seja alvo de preconceitos, se isole, esteja relutante em procurar ajuda e, consequentemente, possa n&atilde;o aderir ao tratamento.</p>     <p>Para al&eacute;m do estigma, tamb&eacute;m a denega&ccedil;&atilde;o que alguns doentes fazem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a pode desencorajar a manuten&ccedil;&atilde;o do tratamento. Os estere&oacute;tipos, os preconceitos e a discrimina&ccedil;&atilde;o podem, assim, privar as pessoas com perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas de acederem a um tratamento mais r&aacute;pido e eficaz.</p>     <p>No que depende do pr&oacute;prio doente, reconhecer e aceitar a doen&ccedil;a pode fazer toda a diferen&ccedil;a, pois o tratamento passa a ser entendido como necess&aacute;rio e essencial para a melhoria da sua qualidade de vida, assim como da sua fam&iacute;lia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, apesar do sucesso do tratamento se encontrar diretamente relacionado com o modo como o doente aceita, compreende e integra a sua doen&ccedil;a, existem fatores relacionados com os profissionais de sa&uacute;de mental que devem ser perspetivados.</p>     <p>De uma maneira geral, pela probabilidade de interrup&ccedil;&atilde;o da terap&ecirc;utica se associar ao aparecimento de efeitos adversos, cabe aos profissionais de sa&uacute;de mental procurar esclarecer d&uacute;vidas e desmistificar eventuais cren&ccedil;as relacionadas com a doen&ccedil;a ou com o seu tratamento. Neste sentido, &eacute; fundamental que, para al&eacute;m do doente, o profissional de sa&uacute;de mental tenha um papel ativo e colaborante ao longo do processo de recupera&ccedil;&atilde;o da pessoa doente, permitindo o desenvolvimento de estrat&eacute;gias favorecedoras da ades&atilde;o.</p>     <p>Em suma, para que a manuten&ccedil;&atilde;o do tratamento ocorra &eacute; necess&aacute;rio n&atilde;o s&oacute; avaliar o significado e as atitudes que o doente atribui &agrave; sua doen&ccedil;a e ao tratamento, mas tamb&eacute;m ter em considera&ccedil;&atilde;o as atitudes e as cren&ccedil;as dos pr&oacute;prios profissionais de sa&uacute;de mental e o impacto que podem ter na ades&atilde;o do doente ao tratamento.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Fatores que interferem com a ades&atilde;o ao tratamento nas perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas</b></p>     <p>A ades&atilde;o ao tratamento, medicamentoso ou n&atilde;o, &eacute; fundamental para o sucesso do plano de recupera&ccedil;&atilde;o institu&iacute;do pelo m&eacute;dico e equipa de sa&uacute;de mental. No entanto, por envolver elementos t&atilde;o diversos como os comportamentos de sa&uacute;de, as caracter&iacute;sticas do sistema de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, os fatores socioecon&oacute;micos e, ainda, todas as dimens&otilde;es relacionais de doentes e profissionais de sa&uacute;de, este conceito tem sido alvo de um interesse crescente por parte da comunidade cient&iacute;fica.</p>     <p>Uma abordagem que tem sido amplamente utilizada para investigar a n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica nas doen&ccedil;as cr&oacute;nicas consiste na avalia&ccedil;&atilde;o das atitudes e cren&ccedil;as dos doentes<sup>14,15</sup> e dos profissionais de sa&uacute;de<sup>11,16</sup>.</p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, os fatores que interferem com a ades&atilde;o ao tratamento t&ecirc;m sido alvo de diversas linhas de investiga&ccedil;&atilde;o, existindo atualmente uma evid&ecirc;ncia crescente de que as atitudes e as cren&ccedil;as, tanto dos doentes como dos profissionais de sa&uacute;de mental, se relacionam significativamente com a ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica nas perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas<sup>17</sup>.</p>     <p>Neste contexto, v&aacute;rios estudos avaliaram o impacto das atitudes e das cren&ccedil;as dos doentes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; medica&ccedil;&atilde;o antipsic&oacute;tica e a influ&ecirc;ncia de tais fatores na ades&atilde;o ao tratamento<sup>18,19</sup> &ndash; os resultados revelaram que as atitudes e cren&ccedil;as negativas dos doentes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; medica&ccedil;&atilde;o estavam associadas a n&iacute;veis reduzidos de ades&atilde;o, assim como a um pior progn&oacute;stico<sup>20</sup>.</p>     <p>Apesar dos fatores relacionados com os profissionais de sa&uacute;de n&atilde;o estarem t&atilde;o estudados, outros trabalhos t&ecirc;m revelado que as atitudes e as cren&ccedil;as dos cl&iacute;nicos poder&atilde;o ter tamb&eacute;m um papel crucial na ades&atilde;o dos doentes ao tratamento<sup>11</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um trabalho levado a cabo por Coombs &amp; Byrne<sup>21</sup> evidenciou que as cren&ccedil;as dos m&eacute;dicos psiquiatras acerca dos medicamentos psicotr&oacute;picos e o tipo de estrat&eacute;gias utilizadas para promover o cumprimento da prescri&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica podem influenciar a ades&atilde;o dos doentes ao tratamento.</p>     <p>De acordo com outros autores<sup>22&ndash;24</sup>, os fatores ligados ao psiquiatra (atitudes, cren&ccedil;as e intera&ccedil;&atilde;o com o doente) e ao tratamento (regimes posol&oacute;gicos complexos, efeitos adversos e intera&ccedil;&otilde;es medicamentosas) constituem, juntamente com as dimens&otilde;es referentes aos doentes (atitudes e cren&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o ao tratamento, falta de conhecimento sobre a doen&ccedil;a), os principais preditores para a n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o ao tratamento.</p>     <p>No seguimento destas constata&ccedil;&otilde;es, tem sido argumentada a necessidade de o profissional de sa&uacute;de mental tomar em considera&ccedil;&atilde;o a influ&ecirc;ncia das suas pr&oacute;prias cren&ccedil;as e atitudes no comportamento de ades&atilde;o ou n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o ao tratamento por parte dos doentes<sup>25</sup>. Dado que as atitudes e cren&ccedil;as dos profissionais de sa&uacute;de mental podem ser alteradas com sucesso<sup>26,27</sup>, justifica&#8208;se que sejam desenvolvidos programas integrados dirigidos a esses profissionais, que promovam a implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de ades&atilde;o mais eficazes.</p>     <p>O primeiro passo para o desenvolvimento de tais programas assenta na caracteriza&ccedil;&atilde;o detalhada dos fatores relacionados diretamente com os profissionais de sa&uacute;de mental, que poder&atilde;o ter impacto potencial na ades&atilde;o ao tratamento dos doentes com perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A import&acirc;ncia do papel do profissional de sa&uacute;de mental na ades&atilde;o ao tratamento de doentes com perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas</b></p>     <p>Apesar de se saber que a ades&atilde;o ao tratamento pode ser influenciada pelo m&eacute;dico<sup>28</sup>, nem todos os cl&iacute;nicos tentam melhorar ativamente a ades&atilde;o dos doentes, sendo escasso o recurso &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o por rotina de metodologias baseadas na evid&ecirc;ncia<sup>29&ndash;32</sup>.</p>     <p>Esta lacuna &eacute; extremamente importante, uma vez que, se as atitudes e as cren&ccedil;as dos cl&iacute;nicos forem negativas, &eacute; prov&aacute;vel que a capacidade de trabalhar eficazmente com os doentes para facilitar a ades&atilde;o esteja comprometida. Por outro lado, se um m&eacute;dico que trabalhe com doentes com hist&oacute;ria de n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o no passado estiver pessimista em rela&ccedil;&atilde;o ao tratamento que ele pr&oacute;prio prescreve, muito provavelmente obter&aacute; um resultado terap&ecirc;utico insuficiente.</p>     <p>Dos v&aacute;rios fatores atribu&iacute;veis aos profissionais de sa&uacute;de mental na literatura especializada, podem destacar&#8208;se 3 como os mais relevantes: rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, atitudes e cren&ccedil;as, e otimismo terap&ecirc;utico.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica</b></p>     <p>A fun&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de mental na promo&ccedil;&atilde;o da ades&atilde;o &eacute; vista como sendo influente, dada a rela&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca que partilham com os doentes. No entanto, a literatura sugere que estes prestadores de cuidados nem sempre est&atilde;o suficientemente sensibilizados, nem s&atilde;o encorajados a desempenhar esse tipo de papel por rotina<sup>1,16</sup>.</p>     <p>Em contrapartida, a evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica sugere que os doentes est&atilde;o a afastar&#8208;se progressivamente de um papel &laquo;passivo&raquo; na rela&ccedil;&atilde;o, o que poder&aacute; permitir de forma crescente a abordagem e compreens&atilde;o das suas atitudes relativamente ao processo terap&ecirc;utico, nomeadamente no que se refere aos motivos de n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o ao tratamento<sup>33</sup>.</p>     <p>O relat&oacute;rio da OMS<sup>1</sup> identifica claramente obst&aacute;culos ligados aos profissionais de sa&uacute;de mental, tais como lacunas na comunica&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, cren&ccedil;as negativas em rela&ccedil;&atilde;o ao tratamento, falta de ferramentas cl&iacute;nicas e comportamentais e, ainda, falta de conhecimento sobre estrat&eacute;gias de ades&atilde;o.</p>     <p>Numa revis&atilde;o (meta&#8208;an&aacute;lise) de 79 estudos, Martin et al.<sup>34</sup> constataram que a associa&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica com a ades&atilde;o ao tratamento era consistente, independentemente de outras vari&aacute;veis que possam ter influenciado essa rela&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Lecomte et al.<sup>35</sup> evidenciaram que as dificuldades na constru&ccedil;&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica se associaram significativamente a problemas de ades&atilde;o &agrave; medica&ccedil;&atilde;o e de envolvimento com os servi&ccedil;os. Por sua vez, Tunis et al.<sup>36</sup> verificaram que a rela&ccedil;&atilde;o positiva com o corpo cl&iacute;nico e o cumprimento de objetivos partilhados correspondiam a 2 fatores preditivos para a ades&atilde;o &agrave; medica&ccedil;&atilde;o antipsic&oacute;tica inicial, ao longo do primeiro ano.</p>     <p>Baseado num estudo de mapeamento de conceitos envolvendo doentes, cuidadores e profissionais, Kikkert et al.<sup>37</sup> relataram tamb&eacute;m uma influ&ecirc;ncia positiva sobre a ades&atilde;o ao tratamento caso os m&eacute;dicos se debru&ccedil;assem em explorar os aspetos positivos da medica&ccedil;&atilde;o, em melhorar o <i>insight</i>, e em promover uma rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica positiva com os doentes e cuidadores.</p>     <p>Com base numa outra revis&atilde;o da literatura, Masand &amp; Narasimhan<sup>38</sup> conclu&iacute;ram que uma rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico&#8208;doente deficit&aacute;ria corresponde a um fator de risco significativo para a n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o ao tratamento.</p>     <p>A import&acirc;ncia da qualidade da rela&ccedil;&atilde;o que &eacute; estabelecida entre a equipa cl&iacute;nica e os doentes parece estar tamb&eacute;m relacionada com as caracter&iacute;sticas de personalidade dos profissionais.</p>     <p>&Eacute; expect&aacute;vel que um profissional de sa&uacute;de mental que fa&ccedil;a uso de determinados tra&ccedil;os (e.g. assertivo, confiante, sereno, emp&aacute;tico, seguro, etc.) consiga estabelecer mais facilmente uma rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica de qualidade com o &laquo;seu&raquo; doente<sup>39,40</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A este prop&oacute;sito, Hersoug et al.<sup>41</sup> desenvolveram um estudo para investigar a qualidade terap&ecirc;utica de acordo com as caracter&iacute;sticas dos terapeutas, em planos de tratamento de longa dura&ccedil;&atilde;o (at&eacute; 120 sess&otilde;es). Os resultados indicaram que a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica tinha pior qualidade nos terapeutas que adotavam uma postura mais fria e distante durante as sess&otilde;es (dados avaliados em 201 doentes e em 61 terapeutas).</p>     <p>Ainda no que concerne &agrave;s perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas, um trabalho recente levado a cabo por Kvrgic et al.<sup>42</sup> analisou diversas vari&aacute;veis relacionadas &agrave; qualidade da rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica em doentes em ambulat&oacute;rio (o estudo incluiu 156 doentes com diagn&oacute;stico de esquizofrenia e perturba&ccedil;&atilde;o esquizoafetiva em fase de estabiliza&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a). Verificou&#8208;se que os sintomas cl&iacute;nicos, a dura&ccedil;&atilde;o do tratamento e a idade do terapeuta n&atilde;o estavam relacionados com a qualidade da rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, enquanto o estigma, o n&uacute;mero de reca&iacute;das e a falta de <i>insight</i> representavam fatores preditores que minavam a rela&ccedil;&atilde;o entre m&eacute;dico&#8208;doente.</p>     <p>Outros trabalhos refor&ccedil;am a ideia de que a qualidade da rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica que os profissionais de sa&uacute;de mental estabelecem com os doentes, bem como as estrat&eacute;gias de ades&atilde;o que utilizam, t&ecirc;m um impacto positivo no progn&oacute;stico das perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas<sup>10,43,44</sup>. Por essa raz&atilde;o, alguns autores t&ecirc;m vindo a estudar a qualidade da rela&ccedil;&atilde;o segundo perspetivas centradas fundamentalmente nos profissionais de sa&uacute;de mental<sup>10,44</sup>.</p>     <p>A associa&ccedil;&atilde;o entre ades&atilde;o ao tratamento e rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica nas perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas justifica o desenvolvimento de abordagens visando o fortalecimento a rela&ccedil;&atilde;o profissional&#8208;doente, representando esta rela&ccedil;&atilde;o um v&iacute;nculo suscet&iacute;vel de produzir resultados cl&iacute;nicos positivos<sup>45,46</sup>. De acordo com os dados da literatura, parece ser crucial que a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica estabelecida com estes doentes permita: (1) desmistificar as cren&ccedil;as relacionadas com a doen&ccedil;a e tratamento; (2) identificar os fatores relacionados com um <i>insight</i> reduzido; (3) esclarecer os benef&iacute;cios da ades&atilde;o ao tratamento; (4) ajudar o doente a lidar com os poss&iacute;veis efeitos secund&aacute;rios dos medicamentos; e (5) esclarecer d&uacute;vidas relacionadas com a doen&ccedil;a e tratamento<sup>47</sup>.</p>     <p>Ainda em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; import&acirc;ncia que a qualidade da rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica pode desempenhar nas perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas, um estudo desenvolvido por McCabe et al.<sup>48</sup> mostrou que uma comunica&ccedil;&atilde;o eficaz entre m&eacute;dico&#8208;doente, incluindo um entendimento comum, est&aacute; associada a uma melhor ades&atilde;o ao tratamento.</p>     <p>Finalmente, deve ser salientado que certas atitudes do prescritor, como o tipo de linguagem, o tempo dispensado na consulta, o acolhimento, o respeito pelas cren&ccedil;as e perguntas dos doentes, e a motiva&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio cl&iacute;nico, s&atilde;o tamb&eacute;m fatores amplamente citados na literatura como elementos preponderantes na ades&atilde;o ao tratamento<sup>49&ndash;52</sup>.</p>     <p>A an&aacute;lise global dos estudos acima mencionados confirma, assim, a import&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica na promo&ccedil;&atilde;o da ades&atilde;o ao tratamento de doentes com perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas<sup>45,53,54</sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Atitudes e cren&ccedil;as</b></p>     <p>As atitudes positivas, ou pelo menos n&atilde;o&#8208;estigmatizantes, para com os doentes com perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas s&atilde;o essenciais para o desenvolvimento da rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico&#8208;doente<sup>55</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tal como tem acontecido com as atitudes e as cren&ccedil;as dos doentes (Adams &amp; Scott, 2000<sup>56</sup>), tamb&eacute;m estes 2 fatores t&ecirc;m vindo a ser estudados nos m&eacute;dicos psiquiatras, devido ao facto de poderem ser importantes na previs&atilde;o da ades&atilde;o ao tratamento nas perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas<sup>57,58</sup>.</p>     <p>Para Mardby et al.<sup>59</sup> &eacute; importante avaliar as cren&ccedil;as dos m&eacute;dicos psiquiatras em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; medica&ccedil;&atilde;o psicotr&oacute;pica e as atitudes em rela&ccedil;&atilde;o ao tratamento psiqui&aacute;trico, uma vez que estas poder&atilde;o influenciar na escolha do tratamento, na rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica e na ades&atilde;o do doente<sup>60&ndash;62</sup>.</p>     <p>Deane &amp; Byrne<sup>63</sup> e Cardoso et al.<sup>64</sup> partilham da mesma opini&atilde;o, real&ccedil;ando a extrema import&acirc;ncia do relacionamento que se estabelece entre o doente e os m&eacute;dicos psiquiatras em geral, especialmente no que diz respeito &agrave; transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es relativas ao tratamento, para que este possa ser seguido corretamente e sem interrup&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Os m&eacute;dicos psiquiatras (assim como, provavelmente, os outros profissionais de sa&uacute;de mental) e os doentes estabelecem, assim, uma rela&ccedil;&atilde;o na qual coexistem 2 n&iacute;veis de saber: cren&ccedil;as profissionais e cren&ccedil;as leigas, interagindo numa &laquo;d&iacute;ade&raquo; em que a comunica&ccedil;&atilde;o vai influenciar a ades&atilde;o, expetativas e decis&otilde;es do doente<sup>40</sup>. Este facto surge como uma grande problem&aacute;tica na ades&atilde;o ao tratamento, pois, tal como refere Hassan<sup>65</sup>, existe frequentemente um d&eacute;fice na comunica&ccedil;&atilde;o entre os m&eacute;dicos psiquiatras e os doentes. Este facto dificulta a exposi&ccedil;&atilde;o das opini&otilde;es relativamente ao tratamento por parte do doente, mantendo&#8208;se assim as falsas cren&ccedil;as que este tem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica e/ou ao tratamento, o que pode comprometer a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica.</p>     <p>Relativamente &agrave;s perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas, e refor&ccedil;ando o est&aacute; descrito acima, os resultados de um estudo conduzido por Day et al.<sup>66</sup>, com indiv&iacute;duos com diagn&oacute;stico de esquizofrenia e de perturba&ccedil;&atilde;o esquizoafetiva, indiciam que, para al&eacute;m do n&iacute;vel de <i>insight</i>, o tipo de rela&ccedil;&atilde;o estabelecido com a equipa cl&iacute;nica (nomeadamente com o m&eacute;dico prescritor) e a experi&ecirc;ncia durante o internamento podem influenciar o tipo de atitude que o doente adota posteriormente. Estes autores referem que a atitude do m&eacute;dico e restante equipa, durante o per&iacute;odo de admiss&atilde;o e internamento, representa um fator preponderante na forma como o doente aceita as recomenda&ccedil;&otilde;es que recebe, relativas &agrave; necessidade em manter o tratamento. Estes dados refor&ccedil;am a ideia de que o per&iacute;odo de internamento deve corresponder a um momento privilegiado, onde toda a equipa dever&aacute; dirigir esfor&ccedil;os no sentido de contribuir para a ades&atilde;o ao tratamento no per&iacute;odo p&oacute;s&#8208;alta.</p>     <p>Perkins et al.<sup>67</sup>, numa revis&atilde;o acerca de como as atitudes e as cren&ccedil;as dos m&eacute;dicos podem influenciar a pr&aacute;tica cl&iacute;nica, verificaram que estes 2 fatores correspondem, frequentemente, a preditores significativos do seu pr&oacute;prio comportamento enquanto cl&iacute;nicos. Os autores acrescentam que, dada a vasta literatura sobre a efic&aacute;cia de abordagens espec&iacute;ficas que visam aumentar a ades&atilde;o (e.g. Theory of Reasoned Action<sup>68</sup>; Theory of Planned Behavior<sup>69</sup>; Psychoeducation for caregivers<sup>70&ndash;72</sup>; Cognitive Behaviour Therapy<sup>73&ndash;75</sup>) e as dificuldades existentes na sua divulga&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o, existe uma necessidade premente de melhorar a forma&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dicos psiquiatras nestas interven&ccedil;&otilde;es. Os autores comentam ainda que estas abordagens podem ser utilizadas n&atilde;o apenas para aumentar os conhecimentos t&eacute;cnicos, mas tamb&eacute;m para atuar a n&iacute;vel das suas atitudes e cren&ccedil;as, possibilitando a identifica&ccedil;&atilde;o dos principais obst&aacute;culos associados ao comportamento desejado.</p>     <p>Para al&eacute;m dos m&eacute;dicos psiquiatras representarem um papel fundamental na ades&atilde;o ao tratamento do doente, tamb&eacute;m os enfermeiros, bem como outros profissionais de sa&uacute;de mental (ex: psic&oacute;logos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, assistentes sociais, etc.) ocupam um lugar privilegiado e n&atilde;o menos importante que o dos m&eacute;dicos.</p>     <p>Byrne et al.<sup>62</sup> estudaram os conhecimentos, as atitudes e as cren&ccedil;as dos enfermeiros (n = 64) em rela&ccedil;&atilde;o aos medicamentos antipsic&oacute;ticos no tratamento de doentes com perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas, a fim de identificar necessidades formativas. Este estudo sugeriu que a falta de conhecimentos sobre os medicamentos em geral estava associada &agrave;s atitudes e cren&ccedil;as dos enfermeiros. O conhecimento mais pobre estaria, assim, associado &agrave;s dificuldades destes profissionais em desenvolverem estrat&eacute;gias de melhoria da ades&atilde;o. Estes dados est&atilde;o de acordo com estudos anteriores que mostraram que a falta de conhecimentos, as atitudes e as cren&ccedil;as negativas podem deixar os enfermeiros relutantes em educar os doentes e promover a ades&atilde;o aos medicamentos antipsic&oacute;ticos<sup>76</sup>. Uma vez que v&aacute;rios estudos v&ecirc;m demonstrando que a psicoeduca&ccedil;&atilde;o pode aumentar a ades&atilde;o ao tratamento nas perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas<sup>77</sup>, &eacute; fundamental o desenvolvimento de iniciativas formativas dirigidas tamb&eacute;m aos profissionais de sa&uacute;de mental n&atilde;o&#8208;m&eacute;dicos, que incidam no desenvolvimento de conhecimentos e que procurem modificar atitudes e cren&ccedil;as negativas.</p>     <p>Estas iniciativas exigem um esfor&ccedil;o grande por parte dos formadores, com o intuito de proporcionar um aumento dos conhecimentos e, ao mesmo tempo, uma mudan&ccedil;a de atitudes atrav&eacute;s de programas educacionais<sup>16</sup>. Alguns desses programas t&ecirc;m sido bem&#8208;sucedidos<sup>26,78,27,79</sup>, e os resultados mostram que uma mudan&ccedil;a efetiva nas atitudes e cren&ccedil;as dos profissionais de sa&uacute;de mental pode aumentar a ades&atilde;o ao tratamento.</p>     <p>Recorde&#8208;se que este fen&oacute;meno sustenta grande parte do sucesso de qualquer interven&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica<sup>50</sup>. No entanto, embora as atitudes e as cren&ccedil;as sobre o tratamento possam afetar a ades&atilde;o<sup>1,80&ndash;84</sup> nem todos os profissionais de sa&uacute;de mental n&atilde;o&#8208;m&eacute;dicos reconhecem a import&acirc;ncia em discutir estes 2 fatores com os doentes<sup>85</sup> e entender de que forma as suas pr&oacute;prias atitudes e cren&ccedil;as podem, tamb&eacute;m elas, influenciar a ades&atilde;o dos doentes ao tratamento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Otimismo terap&ecirc;utico</b></p>     <p>O otimismo pode ser entendido como uma caracter&iacute;stica cognitiva em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro, estimulado por resultados positivos, e capaz de atuar como agente motivador para alcan&ccedil;ar novas expetativas<sup>86</sup>. O otimismo &eacute;, igualmente, uma caracter&iacute;stica importante da personalidade, ligada &agrave; forma como o sujeito processa a informa&ccedil;&atilde;o relativa ao seu futuro. Normalmente, deve entender&#8208;se como uma caracter&iacute;stica ou tend&ecirc;ncia mais ou menos est&aacute;vel do indiv&iacute;duo, em circunst&acirc;ncias normais da vida, e que tende a prevalecer mesmo em circunst&acirc;ncias adversas<sup>87</sup>.</p>     <p>Relativamente aos profissionais de sa&uacute;de mental, esta caracter&iacute;stica &eacute; considerada como um fator importante na obten&ccedil;&atilde;o de resultados associados ao tratamento. O otimismo terap&ecirc;utico est&aacute; associado &agrave;s expetativas dos profissionais de sa&uacute;de mental em rela&ccedil;&atilde;o ao tratamento e ao progn&oacute;stico, facilitando o processamento de informa&ccedil;&atilde;o negativa, e promovendo o desenvolvimento de estrat&eacute;gias e compet&ecirc;ncias para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas<sup>88</sup>.</p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o sobre este tema, na &aacute;rea da sa&uacute;de mental, tem demonstrado que uma vis&atilde;o otimista est&aacute; associada a resultados mais positivos para a sa&uacute;de<sup>89&ndash;93</sup> e que o otimismo pode mesmo ser transferido para os doentes<sup>94</sup>. N&iacute;veis elevados de otimismo registados nos profissionais de sa&uacute;de mental podem mesmo vir a ter benef&iacute;cios para a sa&uacute;de dos doentes iguais aos superiores &agrave;s pr&oacute;prias cren&ccedil;as dos doentes, correspondendo tamb&eacute;m a um fator preditivo no progn&oacute;stico e na ades&atilde;o ao tratamento nas perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas<sup>95</sup>.</p>     <p>Embora as interven&ccedil;&otilde;es que visam o aprimoramento do otimismo tivessem indicado benef&iacute;cios claros para o doente<sup>91,96,97</sup> e para os pr&oacute;prios cl&iacute;nicos<sup>26</sup>, existe pouca literatura dispon&iacute;vel que explique o efeito que o otimismo terap&ecirc;utico exerce na pr&aacute;tica cl&iacute;nica, inclusive na &aacute;rea da sa&uacute;de mental, devido &agrave; aus&ecirc;ncia de medidas psicom&eacute;tricas validadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Investiga&ccedil;&atilde;o em Portugal</b></p>     <p>Em Portugal, desconhece&#8208;se a exist&ecirc;ncia de estudos que se tenham debru&ccedil;ado em avaliar o impacto que os fatores aqui descritos podem ter na ades&atilde;o ao tratamento dos doentes com perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas.</p>     <p>Devido &agrave; escassa literatura tamb&eacute;m publicada a n&iacute;vel internacional sobre este tema, desenvolveu&#8208;se um protocolo de investiga&ccedil;&atilde;o, no &acirc;mbito do programa de doutoramento da NOVA Medical School &ndash; Universidade Nova de Lisboa, que foi implementado nos &uacute;ltimos 2 anos em servi&ccedil;os p&uacute;blicos de psiquiatria e sa&uacute;de mental da Regi&atilde;o Metropolitana de Lisboa. Neste artigo descreve&#8208;se o protocolo de investiga&ccedil;&atilde;o, sendo os resultados do trabalho de campo publicados num pr&oacute;ximo artigo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Protocolo de investiga&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Objetivos do estudo &ndash; foram elencados os seguintes objetivos:</p> <ul>       <li>a) Relativamente aos indiv&iacute;duos com perturba&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica:       <ul>             <li>1. avaliar a ades&atilde;o ao tratamento;</li>             <li>2. identificar os fatores que afetam a ades&atilde;o;</li>             <li>3. identificar fatores preditores de n&atilde;o&#8208;ades&atilde;o;</li>             <li>4. avaliar o impacto das atitudes e das cren&ccedil;as na ades&atilde;o ao tratamento;</li>             <li>5. contribuir para a valida&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio sobre a perce&ccedil;&atilde;o do doente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a e ao tratamento (Perception Questionnaire for Psychosis<sup>98</sup>).</li>           </ul>   </li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>b) Relativamente aos profissionais de sa&uacute;de mental:       <ul>             <li>6. avaliar o otimismo terap&ecirc;utico;</li>             <li>7. avaliar as cren&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o ao tratamento;</li>             <li>8. identificar as estrat&eacute;gias de ades&atilde;o mais utilizadas pelos profissionais;</li>             <li>9. avaliar o impacto das atitudes e das cren&ccedil;as na ades&atilde;o ao tratamento;</li>             <li>10. contribuir para a valida&ccedil;&atilde;o de question&aacute;rios cren&ccedil;as (Medication Alliance Beliefs Questionnaire<sup>99</sup>), estrat&eacute;gias de ades&atilde;o (Difficulty Implementing Adherence Strategies<sup>62</sup>) e otimismo terap&ecirc;utico (Elsom Therapeutic Optimism Scale<sup>10</sup>).</li>           </ul>   </li>     </ul>     <p>Desenho do estudo &ndash; foi delineado um estudo transversal, observacional (n&atilde;o experimental), descritivo e anal&iacute;tico, composto por 2 amostras de conveni&ecirc;ncia &ndash; uma amostra constitu&iacute;da por indiv&iacute;duos com perturba&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica grave, e uma outra amostra composta por profissionais de servi&ccedil;os p&uacute;blicos de psiquiatria e sa&uacute;de mental.</p>     <p>Popula&ccedil;&atilde;o&#8208;alvo &ndash; foram consideradas como popula&ccedil;&otilde;es&#8208;alvo: 1) todos os indiv&iacute;duos com perturba&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica grave assistidos nos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de psiquiatria e sa&uacute;de mental selecionados para o estudo (Hospital S&atilde;o Bernardo, Set&uacute;bal; Hospital Garcia de Orta, Almada; Hospital S&atilde;o Francisco Xavier, Lisboa); e 2) todos os profissionais de sa&uacute;de mental que trabalhavam nesses servi&ccedil;os.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Crit&eacute;rios de inclus&atilde;o &ndash; foram adotados os seguintes crit&eacute;rios:</p> <ul>       <li>a) indiv&iacute;duos com perturba&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica: indiv&iacute;duos com idade compreendida entre 18&#8208;65 anos, com diagn&oacute;stico de esquizofrenia, perturba&ccedil;&atilde;o bipolar ou perturba&ccedil;&atilde;o esquizoafetiva, de acordo com os crit&eacute;rios da Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional das Doen&ccedil;as (CID&#8208;10 &mdash; Sec&ccedil;&atilde;o de Perturba&ccedil;&otilde;es Mentais e Comportamentais &mdash; Crit&eacute;rios de Diagn&oacute;stico para Investiga&ccedil;&atilde;o; OMS, 1993);</li>       <li>b) profissionais: profissionais de sa&uacute;de mental envolvidos na presta&ccedil;&atilde;o direta de cuidados aos doentes avaliados, com experi&ecirc;ncia na &aacute;rea das perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas graves.</li>       <li></li>     </ul>     <p><b>Dimens&otilde;es do estudo</b></p>     <p>Foram avaliadas as seguintes dimens&otilde;es:</p> <ul>       <li>a) indiv&iacute;duos com perturba&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica: caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas (idade, g&eacute;nero, escolaridade, profiss&atilde;o, estado civil, pessoas com quem vive, pessoas que ajudam a cumprir o tratamento); elementos cl&iacute;nicos (diagn&oacute;stico, fatores de risco, n&uacute;mero de internamentos, terap&ecirc;utica, regime de tratamento, tipo de tratamentos em curso, dura&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, consumo de subst&acirc;ncias, n&uacute;mero de tentativas de suic&iacute;dio, grau de satisfa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; informa&ccedil;&atilde;o transmitida pelo m&eacute;dico referente ao tratamento, grau de ades&atilde;o, cren&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; medica&ccedil;&atilde;o, perce&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a e psicopatologia).</li>       <li>b) profissionais: caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas (idade, g&eacute;nero, habilita&ccedil;&atilde;o mais elevada, profiss&atilde;o, tempo de servi&ccedil;o); outros elementos (n&uacute;mero de horas de forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica em estrat&eacute;gias de ades&atilde;o e desenvolvimento de compet&ecirc;ncias comunicacionais, n&uacute;mero de doentes em acompanhamento, n&uacute;mero de horas que passa com doentes que n&atilde;o aderem ao tratamento, otimismo terap&ecirc;utico, atitudes e cren&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o ao tratamento e estrat&eacute;gias de ades&atilde;o).</li>     </ul>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o:</p> <ul>       <li>a. Indiv&iacute;duos com perturba&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica:       <ul>             <li>1. question&aacute;rio de tipo semiestruturado para colheita de dados sociodemogr&aacute;ficos e cl&iacute;nicos, exclusivamente desenvolvido para o efeito;</li>             <li>2. Morisky Medication Adherence Scale<sup>100</sup> (vers&atilde;o portuguesa de Delgado &amp; Lima<sup>101</sup>);</li>             <li>3. Beliefs About Medicines Questionnaire<sup>102</sup> (vers&atilde;o portuguesa de Pereira &amp; Silva<sup>103</sup>);</li>             <li>4. Brief Psychiatric Rating Scale 4.0.<sup>104</sup> (vers&atilde;o portuguesa de Gusm&atilde;o, 1996);</li>             <li>5. Illness Perception Questionnaire for Psychosis<sup>98</sup> (vers&atilde;o portuguesa de Cardoso<sup>105</sup>).</li>           </ul>   </li>     </ul>     <p>O tempo de preenchimento dos 5 question&aacute;rios variou entre 45&#8208;60 minutos. A realiza&ccedil;&atilde;o do reteste para o IPQ foi prevista em todos os doentes que a isso se dispusessem, considerando&#8208;se um intervalo temporal entre o teste e o reteste n&atilde;o inferior a uma nem superior a 3 semanas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A tradu&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o original do IPQ (em ingl&ecirc;s) para a l&iacute;ngua portuguesa foi realizada pela autora e discutida num grupo&#8208;foco. Este grupo foi constitu&iacute;do por 8 profissionais de sa&uacute;de mental (3 enfermeiros, 3 psic&oacute;logos e 2 psiquiatras). O grupo&#8208;foco possibilitou a cria&ccedil;&atilde;o de uma vers&atilde;o adaptada &agrave; popula&ccedil;&atilde;o portuguesa. Esta vers&atilde;o preliminar foi aplicada num teste&#8208;piloto a 10 doentes internados no Hospital de S&atilde;o Bernardo, em Set&uacute;bal, o que possibilitou fazer os reajustes necess&aacute;rios.</p>     <p>Relativas aos profissionais de sa&uacute;de mental:</p> <ul>       <li>1. Medication Alliance Beliefs Questionnaire<sup>26</sup> &ndash; vers&atilde;o portuguesa de Cardoso<sup>106</sup>;</li>       <li>2. Difficulty Implementing Adherence Strategies<sup>62</sup> &ndash; vers&atilde;o portuguesa de Cardoso<sup>107</sup>;</li>       <li>3. Elsom Therapeutic Optimism Scale<sup>10</sup> &ndash; vers&atilde;o portuguesa de Cardoso<sup>108</sup>.</li>     </ul>     <p>O tempo de preenchimento dos 3 instrumentos variou entre 15&#8208;30 minutos. O reteste foi previsto em todos os cl&iacute;nicos que a isso se dispusessem, considerando&#8208;se um intervalo temporal entre o teste e o reteste n&atilde;o inferior a uma nem superior a 3 semanas.</p>     <p>A tradu&ccedil;&atilde;o das vers&otilde;es originais em l&iacute;ngua inglesa para a l&iacute;ngua portuguesa foi realizada pela autora e discutida num grupo&#8208;foco, tal como j&aacute; foi anteriormente descrito. A vers&atilde;o preliminar dos 3 instrumentos foi aplicada num teste&#8208;piloto a 10 profissionais de sa&uacute;de mental (5 psiquiatras e 5 enfermeiros) que, na altura do estudo, exerciam fun&ccedil;&otilde;es no departamento de psiquiatria dos hospitais S&atilde;o Bernardo (Set&uacute;bal) e Garcia de Orta (Almada). Subsequentemente, foi realizada a retrovers&atilde;o para ingl&ecirc;s com a colabora&ccedil;&atilde;o de 2 psic&oacute;logos e um enfermeiro bilingues e que n&atilde;o tiveram contacto pr&eacute;vio com os instrumentos. Esse procedimento foi feito para os 3 instrumentos aplicados aos profissionais de sa&uacute;de mental. A vers&atilde;o retrovertida foi submetida a an&aacute;lise pelo primeiro autor dos instrumentos originais (Mitchell Byrne). Ap&oacute;s a sua aprova&ccedil;&atilde;o, foi fixada a vers&atilde;o definitiva e iniciado o estudo de contribui&ccedil;&atilde;o para a valida&ccedil;&atilde;o dos 3 question&aacute;rios.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es: da teoria &agrave; pr&aacute;tica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma das barreiras mais significativas &agrave; efetividade do tratamento est&aacute; relacionada com a dificuldade do doente em seguir as recomenda&ccedil;&otilde;es do m&eacute;dico, ou de outro profissional de sa&uacute;de mental. Existe uma evid&ecirc;ncia crescente acerca dos determinantes de n&atilde;o ades&atilde;o ao tratamento (farmacol&oacute;gico, n&atilde;o farmacol&oacute;gico), nomeadamente no que se refere a fatores socioecon&oacute;micos e demogr&aacute;ficos do doente (atitudes, cren&ccedil;as e <i>insight)</i>, do tratamento (efeitos secund&aacute;rios, dura&ccedil;&atilde;o, aus&ecirc;ncia imediata de melhoria dos sintomas), da doen&ccedil;a (tipo, sintomas e grau de impacto) e dos profissionais de sa&uacute;de mental (qualidade da rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, atitudes, cren&ccedil;as e otimismo).</p>     <p>A baixa aceita&ccedil;&atilde;o social do tratamento psiqui&aacute;trico (estigma) tamb&eacute;m representa um fator importante, dado que a discrimina&ccedil;&atilde;o tem um impacto negativo sobre o curso da doen&ccedil;a, interferindo com a ades&atilde;o ao tratamento<sup>109&ndash;111</sup>.</p>     <p>No sentido da minimiza&ccedil;&atilde;o do impacto deste fen&oacute;meno, os dados da literatura mostram que a aceitabilidade da doen&ccedil;a e do tratamento &eacute; maior quando o doente e a sua fam&iacute;lia recebem orienta&ccedil;&atilde;o e suporte, e quando lhes &eacute; permitido participar na planifica&ccedil;&atilde;o do tratamento<sup>112,113</sup>.</p>     <p>Mesmo que as terapias medicamentosas tenham revolucionado o tratamento das perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas, os &uacute;ltimos anos testemunharam uma consciencializa&ccedil;&atilde;o crescente, suportada por evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica, de que as interven&ccedil;&otilde;es psicossociais t&ecirc;m um impacto consider&aacute;vel sobre os resultados do tratamento nas doen&ccedil;as de foro psiqui&aacute;trico. Contudo, estas interven&ccedil;&otilde;es n&atilde;o devem limitar&#8208;se ao doente e, por conseguinte, tamb&eacute;m os familiares e/ou cuidadores de pessoas com perturba&ccedil;&atilde;o mental devem integrar o plano de tratamento.</p>     <p>O termo &laquo;ades&atilde;o&raquo; &eacute;, assim, extens&iacute;vel &agrave; participa&ccedil;&atilde;o ativa por parte dos familiares/cuidadores, pelo que dever&atilde;o ser considerados como parceiros importantes na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, estimulados a participar nesta presta&ccedil;&atilde;o, e a receber o treino e educa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;rios.</p>     <p>Segundo o PNSM 2007&#8208;2016, a an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o em Portugal aponta para uma reduzida participa&ccedil;&atilde;o de doentes e familiares nos diversos aspetos da planifica&ccedil;&atilde;o e presta&ccedil;&atilde;o de cuidados. Neste sentido, o plano recomenda a descentraliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental, de modo a permitir a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados mais pr&oacute;ximos das pessoas e a facilitar uma maior participa&ccedil;&atilde;o global das comunidades, dos doentes e das suas fam&iacute;lias.</p>     <p>No mesmo sentido, &eacute; necess&aacute;rio que haja um envolvimento pleno por parte da equipa cl&iacute;nica, e sejam desenvolvidos esfor&ccedil;os e aperfei&ccedil;oadas compet&ecirc;ncias que possibilitem responder aos fatores que diminuem a ades&atilde;o ao tratamento. Assim, os fatores que influenciam positivamente a ades&atilde;o ao tratamento devem ser identificados o mais precocemente poss&iacute;vel, no sentido de poderem vir a ser controlados e monitorizadas aquando da defini&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias, de modo a garantir bons n&iacute;veis de ades&atilde;o<sup>1,99,114&ndash;117</sup>.</p>     <p>De acordo com a literatura, n&atilde;o existe uma interven&ccedil;&atilde;o&#8208;padr&atilde;o capaz de isoladamente melhorar a ades&atilde;o de todos os doentes<sup>118&ndash;121</sup>, pelo que o sucesso das medidas adotadas depende, em grande parte, do profissional de sa&uacute;de mental que as pratica e da sua capacidade em adaptar as interven&ccedil;&otilde;es &agrave;s caracter&iacute;sticas individuais de cada doente<sup>124</sup>. No entanto, apesar da maioria dos profissionais de sa&uacute;de mental considerar que procura melhorar ativamente a ades&atilde;o dos doentes ao tratamento, a maior parte n&atilde;o possui qualquer forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica sobre esse assunto.</p>     <p>A revis&atilde;o da literatura refor&ccedil;a, pois, a necessidade de se aprofundarem as quest&otilde;es relacionadas com os profissionais de sa&uacute;de mental, na perspetiva do que podem representar na melhoria da ades&atilde;o ao tratamento.</p>     <p>Atualmente, existe j&aacute; alguma evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica que valoriza a promo&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias interpessoais e comunicacionais dos profissionais de sa&uacute;de mental, correlacionando&#8208;as com os n&iacute;veis de ades&atilde;o, mas centrada quase exclusivamente em pa&iacute;ses de raiz anglo&#8208;sax&oacute;nica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por esse motivo, &eacute; fundamental, em pa&iacute;ses como Portugal, o desenvolvimento de investiga&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria nesta &aacute;rea, que permita avaliar em termos locais o impacto que o otimismo e as mudan&ccedil;as de atitudes e cren&ccedil;as dos profissionais de sa&uacute;de mental podem representar na ades&atilde;o ao tratamento dos indiv&iacute;duos com perturba&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>1. Failure to take prescribed medicine for chronic disease is a massive, worldwide problem. Geneva: WHO, (2003) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=806840&pid=S0870-9025201600030000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Sokol C., McGuigan A., Verbrugge R., Epstein S. Impact of medication adherence on hospitalization risk and healthcare. Med Care. 2005;43:521-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=806842&pid=S0870-9025201600030000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Winnick S., Lucas D., Hartman A., Toll D. How do you improve compliance. Pediatrics. 2005;115:718-24.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=806844&pid=S0870-9025201600030000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Happell B., Manias E., Pinikahana J. The role of the inpatient mental health nurse in facilitating patient adherence to medication regimes. Int J Ment Health Nurs. 2002;11:251-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=806846&pid=S0870-9025201600030000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Kravitz L., Melnikow J. Engaging patients in medical decision making: The end is worthwhile, but the means need to be more practical. BMJ. 2001;323:584-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=806848&pid=S0870-9025201600030000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Valle A., Viegas C., Castro C., Toledo J. Ades&atilde;o ao tratamento. Rev Bras Cl&iacute;n Terap&ecirc;utica. 2000;26:83-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=806850&pid=S0870-9025201600030000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Jiang H., Stryner D., Friedman B., Andrews R. Multiple hospitalizations for patients with diabetes. Diabetes Care. 2003;26:1421-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=806852&pid=S0870-9025201600030000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Financiamento</b></p>     <p>O trabalho insere&#8208;se no programa de doutoramento da NOVA Medical School e &eacute; apoiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, atrav&eacute;s de uma bolsa de doutoramento (Ref.<sup>a</sup> SFRH/BD/76145/2011).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&atilde;o haver conflito de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido 6 de Maio de 2015 <br />   Aceito 25 de Maio de 2016</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#topc0">Autor para correspondência:</a><a name="c0"></a>     <p><a href="mailto:ana.cardoso@fcm.unl.pt">ana.cardoso@fcm.unl.pt</a></p>      ]]></body><back>
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<source><![CDATA[Failure to take prescribed medicine for chronic disease is a massive, worldwide problem]]></source>
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