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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Saúde Pública]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Escola Nacional de Saúde Pública]]></publisher-name>
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<article-id>S0870-90252016000300008</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1016/j.rpsp.2016.07.002</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Literacia em saúde, dos dados à ação: tradução, validação e aplicação do European Health Literacy Survey em Portugal]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Health Literacy, from data to action: Translation, validation and application of the European Health Literacy Survey in Portugal]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Instituto Politécnico de Viseu Escola Superior de Saúde de Viseu Unidade de Enfermagem de Saúde Pública, Familiar e Comunitária]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the last few years, several studies have shown that inadequate health literacy levels can have significant implications in health outcomes, in the use of health care services and, consequently, in health costs. The concept of health literacy has changed from a purely cognitive definition to a definition that includes the personal and social components of the individual, assuming the ability to make informed decisions in their everyday life. This analytical cross sectional study aimed to translate and validate the European Health Literacy Survey (HLS-EU) to the Portuguese population. The HLS-EU-PT has been applied throughout the country, including the autonomous regions, through research of an academic network. Data collection was conducted by personal interview. The final sample was composed of 1004 individuals aged &#8805; 16 years. This study provided the assessment tool of literacy level for health in Portugal, so important in health management. The HLS-EU-PT is an adequate instrument to measure the health literacy levels of Portuguese population and shows comparable psychometric properties to versions used in the other countries. In Portugal, 61% of the surveyed population has general health literacy level problematic or inadequate, reaching the average of the nine countries in 49.2%. Concerning the Healthcare dimension, only 44.2% have a sufficient or excellent level of health literacy. In terms of disease prevention, about 45% of respondents reveal a sufficient or excellent level of health literacy, and the average stands at 54.5%. In Health Promotion dimension about 60.2% of the auscultated population has an health literacy level problematic or inappropriate, and the average stands at 52.1%. Therefore, it is fundamental and urgent to design and implement a National Strategy for Health Literacy.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Literacia em saúde]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Literacia em sa&uacute;de, dos dados &agrave; a&ccedil;&atilde;o: tradu&ccedil;&atilde;o, valida&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o do <i>European Health Literacy Survey</i> em Portugal</b></p>     <p><b>Health Literacy, from data to action: Translatio</b><b>n, validation and application of the European Health Literacy Survey in Portugal</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ana Rita Pedro <sup>a</sup><sup>, </sup> Odete Amaral <sup>b</sup>, Ana Escoval <sup>a</sup></b></p>     <p>a Departamento de Pol&iacute;ticas e Gest&atilde;o de Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de, Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal</p>     <p>b Unidade de Enfermagem de Sa&uacute;de P&uacute;blica, Familiar e Comunit&aacute;ria, Escola Superior de Sa&uacute;de de Viseu, Instituto Polit&eacute;cnico de Viseu, Viseu, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#c0">Endereço para Correspondência</a><a name="topc0"></a>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, diferentes estudos t&ecirc;m demonstrado que um n&iacute;vel inadequado de literacia em sa&uacute;de pode ter implica&ccedil;&otilde;es significativas nos resultados em sa&uacute;de, na utiliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de e, consequentemente, nos gastos em sa&uacute;de. O conceito de literacia em sa&uacute;de evoluiu de uma defini&ccedil;&atilde;o meramente cognitiva para uma defini&ccedil;&atilde;o que engloba as componentes pessoal e social do indiv&iacute;duo, assumindo&#8208;se como a capacidade de tomar decis&otilde;es fundamentadas no seu dia&#8208;a&#8208;dia.</p>     <p>O presente estudo transversal anal&iacute;tico teve como objetivo traduzir e validar para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa o <i>European Health Literacy Survey</i> (HLS&#8208;EU).</p>     <p>O HLS&#8208;EU&#8208;PT foi aplicado em todo o territ&oacute;rio nacional, incluindo as regi&otilde;es aut&oacute;nomas, atrav&eacute;s de investigadores de uma rede acad&eacute;mica. A recolha de dados foi realizada por entrevista presencial. A amostra final ficou constitu&iacute;da por 1.004 indiv&iacute;duos com idades &ge; 16 anos.</p>     <p>Este estudo disponibilizou o instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de literacia para a sa&uacute;de em Portugal, t&atilde;o importante na gest&atilde;o da sa&uacute;de.</p>     <p>O HLS&#8208;EU&#8208;PT apresenta&#8208;se como um instrumento adequado para aferir o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa e evidencia propriedades psicom&eacute;tricas compar&aacute;veis &agrave;s vers&otilde;es utilizadas nos outros pa&iacute;ses.</p>     <p>Em Portugal, 61% da popula&ccedil;&atilde;o inquirida apresenta um n&iacute;vel de literacia geral em sa&uacute;de problem&aacute;tico ou inadequado, situando&#8208;se a m&eacute;dia dos 9 pa&iacute;ses em 49,2%.</p>     <p>Relativamente &agrave; dimens&atilde;o cuidados de sa&uacute;de, apenas 44,2% apresenta um n&iacute;vel suficiente ou excelente de literacia em sa&uacute;de. No que respeita &agrave; preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, cerca de 45% dos inquiridos revela ter um n&iacute;vel suficiente ou excelente de literacia em sa&uacute;de, comparativamente com a m&eacute;dia dos 9 pa&iacute;ses, que nesta dimens&atilde;o apresenta o valor de 54,5%. Na dimens&atilde;o promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, 60,2% da popula&ccedil;&atilde;o auscultada apresenta um n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de problem&aacute;tico ou inadequado, sendo que a m&eacute;dia se situa nos 52,1%.</p>     <p>Assim, considera&#8208;se fundamental e urgente a conce&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia nacional de literacia em sa&uacute;de.</p>     <p><b>Palavras&#8208;chave</b>: Literacia em sa&uacute;de. Estudos de valida&ccedil;&atilde;o. Question&aacute;rios.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In the last few years, several studies have shown that inadequate health literacy levels can have significant implications in health outcomes, in the use of health care services and, consequently, in health costs. The concept of health literacy has changed from a purely cognitive definition to a definition that includes the personal and social components of the individual, assuming the ability to make informed decisions in their everyday life.</p>     <p>This analytical cross&#8208;sectional study aimed to translate and validate the European Health Literacy Survey (HLS&#8208;EU) to the Portuguese population.</p>     <p>The HLS&#8208;EU&#8208;PT has been applied throughout the country, including the autonomous regions, through research of an academic network. Data collection was conducted by personal interview. The final sample was composed of 1004 individuals aged &ge; 16 years.</p>     <p>This study provided the assessment tool of literacy level for health in Portugal, so important in health management.</p>     <p>The HLS&#8208;EU&#8208;PT is an adequate instrument to measure the health literacy levels of Portuguese population and shows comparable psychometric properties to versions used in the other countries.</p>     <p>In Portugal, 61% of the surveyed population has general health literacy level problematic or inadequate, reaching the average of the nine countries in 49.2%.</p>     <p>Concerning the Healthcare dimension, only 44.2% have a sufficient or excellent level of health literacy. In terms of disease prevention, about 45% of respondents reveal a sufficient or excellent level of health literacy, and the average stands at 54.5%. In Health Promotion dimension about 60.2% of the auscultated population has an health literacy level problematic or inappropriate, and the average stands at 52.1%.</p>     <p>Therefore, it is fundamental and urgent to design and implement a National Strategy for Health Literacy.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords</b>: Health Literacy. Validation studies. Surveys.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Enquadramento</b></p>     <p>Durante as &uacute;ltimas d&eacute;cadas tem crescido o interesse na literacia em sa&uacute;de enquanto conceito fundamental para um papel mais ativo por parte dos cidad&atilde;os em mat&eacute;ria de sa&uacute;de e de cuidados de sa&uacute;de<sup>1&ndash;3</sup>.</p>     <p>O conceito de literacia em sa&uacute;de surge em 1974 num artigo intitulado &laquo;Health education as social policy&raquo;, intimamente ligado &agrave;s quest&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de<sup>4</sup>, mas atualmente assume&#8208;se tamb&eacute;m como ferramenta fundamental para &laquo;navegar&raquo; nos sistemas de sa&uacute;de, cada vez mais complexos<sup>5</sup>.</p>     <p>O conceito literacia em sa&uacute;de, ao longo dos &uacute;ltimos anos, tem ganho destaque na agenda europeia para a sa&uacute;de<sup>6&ndash;8</sup>, evidenciando&#8208;se em diferentes publica&ccedil;&otilde;es oficiais de organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas europeias, como sejam o <i>White Paper</i> intitulado <i>Together for Health</i> da Comiss&atilde;o Europeia<sup>9</sup>, o <i>Vilnius Declaration on Sustainable Health Systems for Inclusive Growth in Europe</i><sup>10</sup>, o <i>Health 2020 strategy of the World Health Organization</i><sup>11</sup> e o <i>Health literacy: the solid facts</i><sup>12</sup>, da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS), baseado nos resultados do estudo <i>European Health Literacy Survey</i> (HLS&#8208;EU)<sup>13</sup>, financiado pela Comiss&atilde;o Europeia.</p>     <p>Tamb&eacute;m em Portugal a promo&ccedil;&atilde;o da literacia em sa&uacute;de dos cidad&atilde;os tem sido, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, identificada como o caminho para a melhoria dos cuidados de sa&uacute;de e assumida como uma preocupa&ccedil;&atilde;o na defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de sa&uacute;de, contemplada inclusivamente no Plano Nacional de Sa&uacute;de (PNS) 2012&#8208;2016<sup>14</sup>.</p>     <p>Apesar do conceito ter sido utilizado pela primeira vez nos anos 70, foi somente no final da d&eacute;cada de 90 que surgiram as primeiras defini&ccedil;&otilde;es do conceito e, desde ent&atilde;o, este tem vindo a evoluir. Evoluiu de uma defini&ccedil;&atilde;o relacionada com desempenho de determinadas tarefas, numa perspetiva completamente individual, para um conceito que contempla n&atilde;o s&oacute; a componente pessoal, mas tamb&eacute;m a componente social do indiv&iacute;duo, assumindo&#8208;se como a capacidade de tomar decis&otilde;es fundamentadas no seu dia&#8208;a&#8208;dia, assumindo as responsabilidades dessas decis&otilde;es.</p>     <p>Assim, em 1998, a OMS definiu literacia em sa&uacute;de como o conjunto de &laquo;compet&ecirc;ncias cognitivas e sociais e a capacidade dos indiv&iacute;duos para acederem &agrave; compreens&atilde;o e ao uso da informa&ccedil;&atilde;o, de forma a promover e manter uma boa sa&uacute;de&raquo;<sup>15</sup>.</p>     <p>No ano seguinte, um relat&oacute;rio do <i>Council of Scientific Affairs da American Medical Association</i>, datado de 1999, refere&#8208;se &agrave; literacia em sa&uacute;de como &laquo;a capacidade de ler e compreender prescri&ccedil;&otilde;es, bulas de medicamentos, e outros materiais essenciais relacionados com a sa&uacute;de requeridos para com sucesso ser poss&iacute;vel o funcionamento como doente&raquo;<sup>16</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>S&atilde;o Kickbusch et al., em 2005, que acrescentam &agrave; defini&ccedil;&atilde;o a componente social e de vida em sociedade, definindo literacia em sa&uacute;de como &laquo;a capacidade para tomar decis&otilde;es fundamentadas, no decurso da vida do dia&#8208;a&#8208;dia, em casa, na comunidade, no local e trabalho, na utiliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de sa&uacute;de, no mercado e no contexto pol&iacute;tico. &Eacute; uma estrat&eacute;gia de capacita&ccedil;&atilde;o para aumentar o controlo das pessoas sobre a sua sa&uacute;de, a capacidade para procurar informa&ccedil;&atilde;o e para assumir as responsabilidades&raquo;<sup>5</sup>.</p>     <p>De 2005 a esta parte outras defini&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sido preconizadas <sup>17&ndash;25</sup>, no entanto, nenhuma se revela t&atilde;o completa e integradora como a de Kickbusch et al.<sup>5</sup>, pelo que continua a ser a defini&ccedil;&atilde;o mais utilizada em trabalhos acad&eacute;micos.</p>     <p>De acordo com Nutbeam<sup>25</sup>, a literacia &eacute; vista usualmente como sendo constitu&iacute;da por 2 elementos fundamentais, as tarefas (<i>tasks</i>) e as compet&ecirc;ncias (<i>skills</i>). A literacia baseada nas tarefas refere&#8208;se &agrave; medida de acordo com a qual o indiv&iacute;duo consegue realizar determinadas tarefas, como ler um texto b&aacute;sico ou escrever frases simples. Por outro lado, a literacia baseada em compet&ecirc;ncias centra&#8208;se no n&iacute;vel de conhecimento e compet&ecirc;ncias que as pessoas devem ter para realizar tais tarefas.</p>     <p>O mesmo autor considera 3 tipos ou n&iacute;veis de literacia, designadas de funcional (ou b&aacute;sica), interativa (comunicacional) e cr&iacute;tica<sup>2</sup>.</p> <ul>       <li><i>Literacia funcional/b&aacute;sica</i>: compet&ecirc;ncias suficientes para ler e escrever, permitindo um funcionamento efetivo nas atividades do dia&#8208;a&#8208;dia.</li>       <li><i>Literacia interativa/comunicativa</i>: compet&ecirc;ncias cognitivas e de literacia mais avan&ccedil;adas que, em conjunto com as capacidades sociais, podem ser usadas para participar nas atividades no dia&#8208;a&#8208;dia, para obter informa&ccedil;&atilde;o e significados a partir de diferentes formas de comunica&ccedil;&atilde;o e aplicar essa nova informa&ccedil;&atilde;o.</li>       <li><i>Literacia cr&iacute;tica</i>: compet&ecirc;ncias cognitivas mais avan&ccedil;adas que, juntamente com as capacidades sociais, podem ser utilizadas para analisar criticamente a informa&ccedil;&atilde;o e usar esta informa&ccedil;&atilde;o para exercer maior controlo sobre as situa&ccedil;&otilde;es da vida.</li>     </ul>     <p>A import&acirc;ncia da literacia em sa&uacute;de como tema de investiga&ccedil;&atilde;o tem sido destacada num conjunto de estudos, que sugere que esta pode desempenhar um importante papel na manuten&ccedil;&atilde;o ou melhoria da condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, e que pode ser um elemento preditor pouco explorado de desigualdades em sa&uacute;de<sup>26&ndash;28</sup>.</p>     <p>Para al&eacute;m de a literacia em sa&uacute;de desempenhar um papel fundamental na transi&ccedil;&atilde;o do modelo biom&eacute;dico para o &laquo;<i>collaborative management</i>&raquo; (modelo colaborativo)<sup>29</sup>, os seus impactes incluem um melhor estado de sa&uacute;de, a redu&ccedil;&atilde;o dos custos de cuidados de sa&uacute;de, o aumento do conhecimento em sa&uacute;de e a utiliza&ccedil;&atilde;o menos frequente dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de<sup>30&ndash;33</sup>. De acordo com Baker<sup>34,35</sup>, estes resultados em sa&uacute;de s&atilde;o consequ&ecirc;ncia da aquisi&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos, de atitudes mais positivas, de uma maior autoefic&aacute;cia e de comportamentos de sa&uacute;de positivos associados a uma maior literacia em sa&uacute;de.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos &uacute;ltimos anos, v&aacute;rios estudos t&ecirc;m demonstrado que um n&iacute;vel inadequado de literacia em sa&uacute;de pode ter implica&ccedil;&otilde;es significativas, tanto na sa&uacute;de individual como coletiva, e na gest&atilde;o dos recursos e gastos em sa&uacute;de <sup>35&ndash;39</sup><sup>.</sup></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Literacia em sa&uacute;de e resultados em sa&uacute;de</b></p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o entre o n&iacute;vel de literacia e estado de sa&uacute;de da pessoa est&aacute; bem documentada na literatura cient&iacute;fica<sup>35&ndash;39</sup> &ndash; os indiv&iacute;duos com baixa literacia em sa&uacute;de apresentam menor probabilidade de: (i) compreender informa&ccedil;&atilde;o escrita e oral fornecida pelos t&eacute;cnicos de sa&uacute;de; (ii) serem capazes de navegar pelo sistema de sa&uacute;de para obter os servi&ccedil;os necess&aacute;rios; (iii) realizar os procedimentos necess&aacute;rios; e (iv) seguir indica&ccedil;&otilde;es prescritas.</p>     <p>Como consequ&ecirc;ncia, sabe&#8208;se hoje em dia que um n&iacute;vel inadequado de literacia em sa&uacute;de acarreta muitos custos para o sistema<sup>40&ndash;43</sup>.</p>     <p>Uma literacia em sa&uacute;de inadequada (quando comparada com uma literacia em sa&uacute;de adequada) est&aacute; fortemente ligada a um baixo conhecimento ou compreens&atilde;o quer dos servi&ccedil;os de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, quer dos pr&oacute;prios resultados em sa&uacute;de, e poder&aacute; estar tamb&eacute;m associada a uma probabilidade elevada de hospitaliza&ccedil;&atilde;o, uma elevada preval&ecirc;ncia e severidade de algumas doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, piores condi&ccedil;&otilde;es gerais de sa&uacute;de, e uma baixa utiliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de preven&ccedil;&atilde;o e rastreio de doen&ccedil;a<sup>44,45</sup>.</p>     <p>Um n&iacute;vel baixo literacia em sa&uacute;de tem vindo a ser identificado em diversos estudos como um fator de risco para diversas doen&ccedil;as<sup>46</sup>, nomeadamente: obesidade (um n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de inadequado tem sido associado a valores superiores de &iacute;ndice de massa corporal)<sup>47,48</sup>, diabetes<sup>49</sup>, doen&ccedil;as cardiovasculares<sup>50</sup> e cancro<sup>51</sup>. N&iacute;veis adequados de literacia em sa&uacute;de parecem resultar em melhorias na condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de das pessoas.</p>     <p>Estudos recentes destacam a rela&ccedil;&atilde;o entre um n&iacute;vel inadequado de literacia e taxas de mortalidade mais elevadas, sendo que o risco de mortalidade nos idosos &eacute; claramente superior em pessoas com uma baixa literacia em sa&uacute;de<sup>50</sup>. Os motivos para esta rela&ccedil;&atilde;o centram&#8208;se muito numa menor capacidade que os idosos t&ecirc;m para tomar os medicamentos corretamente, numa menor capacidade de interpretar os r&oacute;tulos e as mensagens de sa&uacute;de e na exist&ecirc;ncia de piores condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de geral neste grupo populacional<sup>52</sup>.</p>     <p>A literatura aponta para que os idosos, os doentes cr&oacute;nicos e aqueles que precisam de tomar medica&ccedil;&atilde;o regularmente (tidos como grupos mais vulner&aacute;veis), sejam os mais afetados pelos inadequados n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de e em quem se fazem sentir mais os efeitos de inadequada literacia em sa&uacute;de<sup>50,52</sup>.</p>     <p>Contudo, a literatura tamb&eacute;m aponta para que os efeitos de um inadequado n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de nos resultados de sa&uacute;de podem ser atenuados atrav&eacute;s de apoio social ou pelas caracter&iacute;sticas do pr&oacute;prio sistema de sa&uacute;de<sup>52</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A literatura analisada sobre interven&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o de literacia para melhorar resultados em sa&uacute;de demonstra que existem v&aacute;rias interven&ccedil;&otilde;es com resultados significativos. Os programas de autogest&atilde;o de sa&uacute;de parecem ser efetivos na redu&ccedil;&atilde;o da preval&ecirc;ncia de algumas doen&ccedil;as, e o desenvolvimento de algumas plataformas e/ou materiais espec&iacute;ficos para promo&ccedil;&atilde;o da literacia em sa&uacute;de s&atilde;o efetivos e constituem&#8208;se estrat&eacute;gias eficientes para a autogest&atilde;o de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, nomeadamente diabetes, obesidade, asma e hipertens&atilde;o, e na ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica<sup>53&ndash;57</sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Literacia em sa&uacute;de e utiliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de</b></p>     <p>De acordo com a literatura, um n&iacute;vel inadequado de literacia em sa&uacute;de est&aacute; fortemente ligado a um baixo conhecimento ou compreens&atilde;o quer dos servi&ccedil;os de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, quer dos pr&oacute;prios resultados em sa&uacute;de, e poder&aacute; estar tamb&eacute;m associado a uma probabilidade elevada de hospitaliza&ccedil;&atilde;o<sup>58</sup>&ndash; com per&iacute;odos mais longos de internamento, mais exames de diagn&oacute;stico e baixa ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica medicamentosa &ndash; uma elevada preval&ecirc;ncia e severidade de algumas doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, piores condi&ccedil;&otilde;es gerais de sa&uacute;de, e uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de preven&ccedil;&atilde;o e rastreio<sup>44,45,59</sup>. De acordo com o Institute of Medicine (IOM), dos Estados Unidos da Am&eacute;rica (EUA), est&aacute; tamb&eacute;m negativamente relacionado com a autogest&atilde;o de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas como sejam a diabetes, a hipertens&atilde;o arterial, a asma, as doen&ccedil;as cardiovasculares e o v&iacute;rus da imunodefici&ecirc;ncia humana (VIH)/sida; e com a automonitoriza&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de<sup>33</sup>.</p>     <p>De acordo com um estudo levado a cabo pela <i>World Health Communication Associates</i>, cerca de 90% dos adultos norte&#8208;americanos tem dificuldades com o modo como a informa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de &eacute; facultada, e a maioria n&atilde;o consegue reconhecer e compreender os fatores de risco, agir em conformidade com a informa&ccedil;&atilde;o disponibilizada ou &laquo;navegar&raquo; no seu sistema de sa&uacute;de<sup>60</sup>.</p>     <p>Um estudo desenvolvido na <i>Medicare</i> concluiu que s&atilde;o os idosos que apresentaram n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de mais baixo, no que diz respeito &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de<sup>61</sup>.</p>     <p>Como referido anteriormente, o problema de um n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de baixo afeta v&aacute;rios aspetos dos cuidados de sa&uacute;de, particularmente no diz respeito &agrave; medica&ccedil;&atilde;o e &agrave; ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica. Estudos recentes destacam a rela&ccedil;&atilde;o entre um n&iacute;vel inadequado de literacia em sa&uacute;de e confus&otilde;es no que diz respeito &agrave; toma de medicamentos prescritos pelo m&eacute;dico, erros na medica&ccedil;&atilde;o, uma n&atilde;o compreens&atilde;o dos folhetos informativos<sup>33,62,63</sup>.</p>     <p>Podem ser prescritos medicamentos, mas sem a capacidade de compreender as instru&ccedil;&otilde;es de toma, as pessoas frequentemente cometem erros na toma dos medicamentos, que podem ser graves, o que leva a uma n&atilde;o correta ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica<sup>33</sup>.</p>     <p>Poucos doentes percebem na &iacute;ntegra para que serve a medica&ccedil;&atilde;o que toma, como a tomar, quais as intera&ccedil;&otilde;es que algumas combina&ccedil;&otilde;es de medicamentos podem ter e feitos adversos dessa medica&ccedil;&atilde;o. A bibliografia dispon&iacute;vel sobre o tema est&aacute; repleta de exemplos de &laquo;<i>gaps</i>&raquo; entre o que os doentes deveriam saber e aquilo que realmente demonstram saber, no que diz respeito &agrave; medica&ccedil;&atilde;o que tomam<sup>33,64</sup>. Uma das estrat&eacute;gias que tem vindo a ser adotada para melhorar a ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica e diminuir estas lacunas passa pela promo&ccedil;&atilde;o da literacia em sa&uacute;de, por forma a dar compet&ecirc;ncias &agrave; pessoa para participar ativamente na decis&atilde;o sobre a terap&ecirc;utica a fazer. Estudos que t&ecirc;m vindo a ser desenvolvidos no dom&iacute;nio da ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica demonstram que as pessoas pretendem cada vez mais sentir&#8208;se parte integrante na gest&atilde;o da sua sa&uacute;de, desejando ter mais informa&ccedil;&atilde;o e tornar&#8208;se elemento ativo na intera&ccedil;&atilde;o com os profissionais de sa&uacute;de<sup>65</sup>.</p>     <p>A literatura evidencia ainda que as estrat&eacute;gias de promo&ccedil;&atilde;o da literacia em sa&uacute;de no sentido de promover disgn&oacute;sticos precoces de determinadas doen&ccedil;as, nomeadamente o cancro, t&ecirc;m vindo a aumentar e a tornar&#8208;se mais efetivas ao longo dos &uacute;ltimos anos, com especial enfoque no rastreio do cancro coloretal, cancro de mama e de colo do &uacute;tero e cancro da pr&oacute;stata<sup>66,67</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Literacia em sa&uacute;de e custos para o sistema</b></p>     <p>A base de evid&ecirc;ncia para relacionar o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de e os custos para o sistema de sa&uacute;de &eacute; ainda limitada, pelo que &eacute; dif&iacute;cil determinar com precis&atilde;o o custo da literacia em sa&uacute;de, quer do ponto de vista individual quer do ponto de vista do sistema como um todo.</p>     <p>Contudo, e como consequ&ecirc;ncia do anteriormente exposto, que se traduz essencialmente numa utiliza&ccedil;&atilde;o ineficiente do sistema de sa&uacute;de, sabe&#8208;se hoje em dia que um n&iacute;vel baixo de literacia em sa&uacute;de acarreta muitos custos para o sistema<sup>40&ndash;43</sup>.</p>     <p>Um estudo levado a cabo pela <i>American Medical Association</i> aponta para que o custo de uma baixa literacia em sa&uacute;de represente uma perda econ&oacute;mica de 73 mil milh&otilde;es de d&oacute;lares por ano aos EUA<sup>43</sup>. Estima&#8208;se ainda que esta tenha um custo nacional, nos EUA, entre os 100&#8208;200 mil milh&otilde;es de d&oacute;lares anuais<sup>68,69</sup>.</p>     <p>Atrav&eacute;s de uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura, na qual foram analisados os custos associados a inadequados n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de, Eichler concluiu que, ao n&iacute;vel do sistema, os custos adicionais s&atilde;o equivalentes a cerca de 3&#8208;5% do or&ccedil;amento total da sa&uacute;de<sup>70</sup> e que, ao n&iacute;vel individual, cada pessoa com um n&iacute;vel baixo n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de gaste entre 143&#8208;7.798 d&oacute;lares a mais por ano em cuidados de sa&uacute;de.</p>     <p>Os problemas de sa&uacute;de relacionados com a obesidade nos EUA somam 9,1% dos gastos cl&iacute;nicos, cerca de 147 mil milh&otilde;es de d&oacute;lares &ndash; as despesas&#8208;extra consumidas no tratamento da diabetes e de outras doen&ccedil;as mais comuns numa popula&ccedil;&atilde;o com excesso de peso poderiam ser direcionadas para interven&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o de literacia em sa&uacute;de. Isto pode traduzir&#8208;se numa poupan&ccedil;a significativa de gastos na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados porque, em m&eacute;dia, um obeso consome mais 1.400 d&oacute;lares por ano do que uma pessoa com o peso adequado<sup>71</sup>.</p>     <p>N&atilde;o h&aacute; ainda evid&ecirc;ncia em Portugal sobre a quest&atilde;o dos custos individuais e para o sistema de inadequados n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o. Contudo, sabe&#8208;se que, sendo as situa&ccedil;&otilde;es de evolu&ccedil;&atilde;o prolongada &ndash; como o cancro, a diabetes e as doen&ccedil;as cardiovasculares &ndash; as mais prevalentes e mais dispendiosas para o sistema de sa&uacute;de, a literacia em sa&uacute;de pode assumir aqui um papel central na preven&ccedil;&atilde;o destas e na ades&atilde;o a planos de tratamento, uma vez diagnosticadas.</p>     <p>Especialmente nos &uacute;ltimos 5 anos, as institui&ccedil;&otilde;es, nomeadamente as autoridades de sa&uacute;de, t&ecirc;m vindo a investir em programas de gest&atilde;o da doen&ccedil;a, nomeadamente da doen&ccedil;a cr&oacute;nica, para melhorar a qualidade da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados e reduzir custos.</p>     <p>Ainda em 2011, o Decreto&#8208;Lei n.&deg; 124/2011 de 29 de dezembro, veio determinar que os programas de sa&uacute;de priorit&aacute;rios a desenvolver pela Dire&ccedil;&atilde;o Geral de Sa&uacute;de (DGS) seriam: (i) Programa Nacional para a Diabetes, (ii) o Programa Nacional para a Infe&ccedil;&atilde;o VIH/sida, (iii) o Programa Nacional para a Preven&ccedil;&atilde;o e Controlo do Tabagismo, (iv) o Programa Nacional para a Promo&ccedil;&atilde;o da Alimenta&ccedil;&atilde;o Saud&aacute;vel, (v) o Programa Nacional para a Sa&uacute;de Mental, (vi) o Programa Nacional para as Doen&ccedil;as Oncol&oacute;gicas, (vii) o Programa Nacional para as Doen&ccedil;as Respirat&oacute;rias e (viii) o Programa Nacional para as Doen&ccedil;as C&eacute;rebro&#8208;cardiovasculares.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais recentemente, no primeiro semestre de 2016, o Despacho n.&deg; 6401/2016 de 16 de maio determinou que, no &acirc;mbito do PNS, o desenvolvimento de programas de sa&uacute;de priorit&aacute;rios deveriam decorrer nas seguintes &aacute;reas: (i) preven&ccedil;&atilde;o e controlo do tabagismo, (ii) promo&ccedil;&atilde;o da alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel, (iii) promo&ccedil;&atilde;o da atividade f&iacute;sica, (iv) diabetes, (v) doen&ccedil;as c&eacute;rebro&#8208;cardiovasculares, (vi) doen&ccedil;as oncol&oacute;gicas, (vii) doen&ccedil;as respirat&oacute;rias, (viii) infe&ccedil;&atilde;o VIH/sida e tuberculos, (ix) hepatites virais, (x) preven&ccedil;&atilde;o e controlo de infe&ccedil;&otilde;es e de resist&ecirc;ncia aos antimicrobianos, e (xi) sa&uacute;de mental.</p>     <p>Assim, destaca&#8208;se o facto de os programas selecionados como priorit&aacute;rios estarem maioritariamente relacionados com doen&ccedil;as cr&oacute;nicas ou com os seus fatores de risco, o que demonstra a import&acirc;ncia que estes problemas det&ecirc;m a n&iacute;vel nacional.</p>     <p>Reconhecendo a import&acirc;ncia que a literacia em sa&uacute;de pode ter neste &acirc;mbito, foi implementado, tamb&eacute;m em 2016, o Programa Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o para a Sa&uacute;de, Literacia e Autocuidados que pretende refor&ccedil;ar o papel do cidad&atilde;o no sistema de sa&uacute;de portugu&ecirc;s e fazer da informa&ccedil;&atilde;o, do conhecimento e da decis&atilde;o informada, ve&iacute;culos privilegiados desse refor&ccedil;o.</p>     <p>Contudo, &eacute; ainda insuficiente a evid&ecirc;ncia dispon&iacute;vel que relacione os custos associados &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o destes programas face &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de gastos e melhoria de cuidados que proporcionam.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Medir o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de</b></p>     <p>Tendo em considera&ccedil;&atilde;o o impacte dos n&iacute;veis de literacia na sa&uacute;de individual, coletiva e na utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos de sa&uacute;de dispon&iacute;veis, tornou&#8208;se imperativo o desenvolvimento de instrumentos de diagn&oacute;stico do n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es<sup>72&ndash;74</sup>.</p>     <p>Uma vez que as pessoas que apresentam n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de inadequados mostram dificuldades significativas no que diz respeito &agrave; compreens&atilde;o de prescri&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas, instru&ccedil;&otilde;es relacionadas com a sa&uacute;de e mesmo com a monitoriza&ccedil;&atilde;o de par&acirc;metros biom&eacute;tricos, e que revelam ainda taxas de hospitaliza&ccedil;&atilde;o mais elevadas, maiores custos com cuidados com sa&uacute;de e pior estado geral de sa&uacute;de, a avalia&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de &eacute; um aspeto fundamental para a sa&uacute;de p&uacute;blica<sup>75</sup>.</p>     <p>Dada a complexidade do conceito literacia em sa&uacute;de e a sua evolu&ccedil;&atilde;o concetual, na literatura est&atilde;o descritos v&aacute;rios instrumentos que se prop&otilde;e a avaliar o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de<sup>76&ndash;88</sup>. Os instrumentos mais amplamente utilizados s&atilde;o o <i>Test of Functional Health Literacy in Adults</i> (TOFHLA) e a sua vers&atilde;o reduzida S&#8208;TOFHLA, o <i>Rapid Estimate of Adult Literacy in Medicine</i> (REALM) e o <i>Newest Vital Sign</i> (NVS)<sup>34,89,90</sup>.</p>     <p>Contudo, estes instrumentos, como se t&ecirc;m centrado principalmente na avalia&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias cognitivas (capacidade de ler e, em alguns casos, de usar numeracia, nomeadamente para calcular dosagens para a toma de medicamentos) para aferir os n&iacute;veis de literacia das popula&ccedil;&otilde;es, revelam ser ainda insuficientes para a medi&ccedil;&atilde;o do grau de literacia em sa&uacute;de de uma forma que corresponda satisfatoriamente &agrave; defini&ccedil;&atilde;o mais atual.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Agrave; semelhan&ccedil;a de outros pa&iacute;ses europeus, desde cedo Portugal sentiu a necessidade de conhecer o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o, tendo para o efeito inclu&iacute;do num estudo de literacia em geral algumas quest&otilde;es relativas &agrave; sa&uacute;de. Esta primeira contribui&ccedil;&atilde;o efetiva para aferir o n&iacute;vel de literacia a n&iacute;vel nacional remonta a 1995, e revelou n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de baixos ou muito baixos<sup>91</sup>. Este estudo revelou tamb&eacute;m que s&atilde;o idosos, desempregados e dom&eacute;sticas que apresentam n&iacute;veis mais baixos de literacia.</p>     <p>Em 2014, quase 20 anos ap&oacute;s esta primeira iniciativa, foi aplicado em Portugal o HLS&#8208;EU<sup>13</sup> que, por ser um instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o multidimensional, permitiu perceber, de forma concertada, a capacidade das pessoas acederem, compreenderem, analisarem e utilizarem a informa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de nos dom&iacute;nios da utiliza&ccedil;&atilde;o dos cuidados de sa&uacute;de, da promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a.</p>     <p>Seguidamente, apresentam&#8208;se o instrumento, a sua valida&ccedil;&atilde;o para Portugal e os principais resultados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>European Health Literacy Survey</b></p>     <p>Tendo em conta a necessidade de desenvolver um instrumento que fosse capaz de aferir os n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de de uma forma mais pr&oacute;xima &agrave;s defini&ccedil;&otilde;es atuais do conceito, um grupo de peritos europeus, coordenados pela Universidade de Maastricht, juntou&#8208;se e deu origem ao cons&oacute;rcio <i>Health Literacy Survey&#8208;</i>EU, que visa o desenvolvimento, valida&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o nos diferentes pa&iacute;ses de um question&aacute;rio que consegue aferir os n&iacute;veis de literacia da sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o de forma muito pr&oacute;xima &agrave;s defini&ccedil;&otilde;es mais recentes do conceito<sup>13</sup>. O objetivo final deste projeto foi fazer o diagn&oacute;stico dos n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de das suas popula&ccedil;&otilde;es e poder compar&aacute;&#8208;los entre si, utilizando os seus resultados como suporte &agrave;s iniciativas de promo&ccedil;&atilde;o de literacia em sa&uacute;de, tornando&#8208;as mais dirigidas e adequadas &agrave;s necessidades reais das popula&ccedil;&otilde;es. Na primeira fase, integraram este projeto pa&iacute;ses como a Espanha, a Gr&eacute;cia, a Holanda, a Irlanda, a Alemanha, a Bulg&aacute;ria, a Pol&oacute;nia e a &Aacute;ustria.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>European Health Literacy Survey &ndash; Portugal</b></p>     <p>Dada a relev&acirc;ncia da problem&aacute;tica e da necessidade premente de elaborar o diagn&oacute;stico de literacia em sa&uacute;de em Portugal, a Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade Nova de Lisboa estabeleceu um acordo com os mentores e com a coordenadora do projeto europeu, de forma a ter a autoriza&ccedil;&atilde;o e o apoio necess&aacute;rios ao desenvolvimento do projeto estabeleceu uma parceria com a DGS/PNS, no sentido de se traspor os resultados do estudo para a realidade nacional e para as decis&otilde;es estrat&eacute;gicas no dom&iacute;nio da sa&uacute;de p&uacute;blica, e consolidou uma rede de colabora&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica nacional, designada como &laquo;Rede Acad&eacute;mica&raquo;, constitu&iacute;da por 12 escolas de sa&uacute;de ao n&iacute;vel nacional e regi&otilde;es aut&oacute;nomas: (i) Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade Nova de Lisboa; (ii) Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias e Tecnologias da Sa&uacute;de da Universidade de &Eacute;vora; (iii) Escola Superior de Sa&uacute;de do Instituto Polit&eacute;cnico de Portalegre; (iv) Escola Superior de Tecnologias da Sa&uacute;de do Instituto Polit&eacute;cnico do Porto; (v) Escola Superior de Sa&uacute;de do Instituto Polit&eacute;cnico de Viana do Castelo; (vi) Escola Superior de Sa&uacute;de do Instituto Polit&eacute;cnico de Viseu; (vii) Escola Superior de Sa&uacute;de do Instituto Polit&eacute;cnico de Beja; (viii) Centro de Estudos e Investiga&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de da Universidade de Coimbra; (ix) Escola Superior de Tecnologias da Sa&uacute;de do Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa; (x) Escola Superior de Enfermagem de Angra do Hero&iacute;smo da Universidade dos A&ccedil;ores; (xi) Centro de Compet&ecirc;ncia Tecnologias da Sa&uacute;de da Universidade da Madeira; e (xii) Escola Superior de Sa&uacute;de da Universidade do Algarve.</p>     <p>O desenvolvimento de uma &laquo;Rede Acad&eacute;mica&raquo; desta natureza, com a participa&ccedil;&atilde;o de escolas de sa&uacute;de de diferentes pontos do pa&iacute;s, possibilitou a recolha de dados ao n&iacute;vel micro, permitindo conhecer as caracter&iacute;sticas e especificidades das popula&ccedil;&otilde;es e possibilitando direcionar as interven&ccedil;&otilde;es a desenvolver para as reais necessidades das popula&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m desta mais&#8208;valia, a colabora&ccedil;&atilde;o destas escolas com experi&ecirc;ncia reconhecida no dom&iacute;nio da literacia em sa&uacute;de revela&#8208;se muito importante na partilha de experi&ecirc;ncias e m&eacute;todos, estimulando a possibilidade de beneficiarem mutuamente de aprendizagens e instrumentos, n&atilde;o s&oacute; para o projeto em curso, mas tamb&eacute;m para investiga&ccedil;&otilde;es futuras, consolidando desta forma a colabora&ccedil;&atilde;o interescolas. Esta iniciativa tamb&eacute;m se traduz numa influ&ecirc;ncia efetiva no sentido da cria&ccedil;&atilde;o de n&uacute;cleos locais de desenvolvimento de iniciativas de promo&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise de literacia em sa&uacute;de de &acirc;mbito local.</p>     <p>Desta parceria resultou o <i>primeiro estudo nacional de literacia em sa&uacute;de</i>, com uma amostra de 1.004 indiv&iacute;duos. Este estudo permitiu a compara&ccedil;&atilde;o dos resultados em Portugal com os resultados dos pa&iacute;ses onde o mesmo question&aacute;rio foi aplicado. Permitiu sobretudo perceber a capacidade das pessoas acederem, compreenderem, analisarem e utilizarem a informa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de para tomarem decis&otilde;es informadas que lhes permitam manter uma boa condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, prevenir doen&ccedil;as e procurar tratamento adequado em caso de doen&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Plano de investiga&ccedil;&atilde;o e m&eacute;todos</b></p>     <p><b>Objetivos do estudo</b></p>     <p>O estudo aqui descrito tem 2 objetivos fundamentais: <i>(i)</i> traduzir e validar para Portugal o HLS&#8208;EU<i>;</i> e <i>(ii)</i> fazer o diagn&oacute;stico do n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa pass&iacute;vel de ser comparado com o de outros pa&iacute;ses europeus, de forma a direcionar e alinhar melhor as estrat&eacute;gias e interven&ccedil;&otilde;es de literacia em sa&uacute;de a ser desenvolvidas n&atilde;o s&oacute; ao n&iacute;vel nacional, mas tamb&eacute;m ao n&iacute;vel europeu.</p>     <p><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o do instrumento</b></p>     <p>O HLS&#8208;EU &eacute; um instrumento para avaliar o n&iacute;vel literacia em sa&uacute;de. A op&ccedil;&atilde;o pelo referido instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o foi efetuada ap&oacute;s uma revis&atilde;o da literatura relativamente &agrave; tem&aacute;tica e por forma a possibilitar a inclus&atilde;o de Portugal no cons&oacute;rcio <i>Health Literacy Survey&#8208;EU</i>, coordenado pela Universidade de Maastricht.</p>     <p>Tendo em considera&ccedil;&atilde;o o processo de operacionaliza&ccedil;&atilde;o adotado na conce&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento do question&aacute;rio, cujo detalhe poder&aacute; ser consultado em S&oslash;rensen et al.<sup>92</sup>, apesar do referido instrumento aferir por autoperce&ccedil;&atilde;o, assume&#8208;se que este efetivamente avalia o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de e que segue a tend&ecirc;ncia descrita na literatura para avaliar este tipo de quest&otilde;es subjetiva<sup>6</sup>.</p>     <p>Este instrumento &eacute; composto por 47 quest&otilde;es, desenhadas de acordo com um modelo conceitual que integra 3 dom&iacute;nios muito importantes da sa&uacute;de &ndash; cuidados de sa&uacute;de (16 quest&otilde;es), promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de (16 quest&otilde;es) e preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a (15 quest&otilde;es) &ndash; e 4 n&iacute;veis de processamento da informa&ccedil;&atilde;o &ndash; acesso, compreens&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o &ndash; essenciais &agrave; tomada de decis&atilde;o (<a href="#f1">Fig. 1</a>). A combina&ccedil;&atilde;o destes dom&iacute;nios com os n&iacute;veis resulta numa matriz de an&aacute;lise de literacia em sa&uacute;de com 12 sub&iacute;ndices (<a href="#f2">Fig. 2</a>) que s&atilde;o operacionalizadas nas 47 quest&otilde;es do instrumento. Pretende&#8208;se que, atrav&eacute;s de uma escala de 4 valores (muito f&aacute;cil ao muito dif&iacute;cil), o indiv&iacute;duo refira o grau de dificuldade que sente na realiza&ccedil;&atilde;o de tarefas relevantes na gest&atilde;o da sua sa&uacute;de<sup>93</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a08f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a08f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Importa tamb&eacute;m referir que este &eacute; um instrumento que mede literacia em sa&uacute;de por autoperce&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><b>Adapta&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Para a tradu&ccedil;&atilde;o, adapta&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o do instrumento HLS&#8208;EU&#8208;PT, seguiu&#8208;se uma metodologia composta por 2 fases complementares: tradu&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o cultural do question&aacute;rio e valida&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica.</p>     <p>A adapta&ccedil;&atilde;o transcultural foi realizada com o objetivo de obter um instrumento equivalente ao desenvolvido no pa&iacute;s de origem; assegurando&#8208;se a equival&ecirc;ncia de conte&uacute;do e sem&acirc;ntica. Para esta adapta&ccedil;&atilde;o foi usado o m&eacute;todo tradu&ccedil;&atilde;o&#8208;retrovers&atilde;o de Hill e Hill<sup>94</sup>. O processo foi desenvolvido de acordo com os seguintes passos: tradu&ccedil;&atilde;o pelo investigador respons&aacute;vel e simultaneamente por tradutor independente; confronto das vers&otilde;es para elabora&ccedil;&atilde;o da primeira vers&atilde;o em portugu&ecirc;s; retrovers&atilde;o por tradutor independente, n&atilde;o conhecedor da vers&atilde;o inicial em l&iacute;ngua inglesa; confronto de vers&otilde;es (original e retrovertida) por grupo de peritos, com o objetivo de avaliar a identidade do conte&uacute;do dos itens; e adapta&ccedil;&atilde;o e corre&ccedil;&atilde;o dos termos t&eacute;cnicos por um m&eacute;dico.</p>     <p>Seguindo&#8208;se a realiza&ccedil;&atilde;o de um pr&eacute;&#8208;teste para avaliar a adequa&ccedil;&atilde;o e compreens&atilde;o dos itens da vers&atilde;o traduzida, adequa&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo de recolha de dados e elabora&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o final. Deste modo, e tamb&eacute;m para detetar problemas de ambiguidade ou de dificuldade de compreens&atilde;o, o pr&eacute;&#8208;teste foi realizado com uma amostra de 250 indiv&iacute;duos portugueses, com idade &ge; 16 anos, abordados aleatoriamente na rua e inquiridos por entrevista presencial, seguindo os passos descritos no ponto recolha de dados. Da sua an&aacute;lise resultou um conjunto de altera&ccedil;&otilde;es pouco significativas relacionadas com a interpreta&ccedil;&atilde;o de palavras concretas. Para a integra&ccedil;&atilde;o dos resultados do pr&eacute;&#8208;teste na reda&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o final do instrumento, utilizou&#8208;se a t&eacute;cnica de <i>focus group</i>, tendo sido este painel composto por 12 peritos em quest&otilde;es relacionadas com literacia em sa&uacute;de e participa&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o.</p>     <p><b>Amostra</b></p>     <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a da aplica&ccedil;&atilde;o do HLS&#8208;EU nos pa&iacute;ses que integraram o estudo numa fase inicial, para o HLS&#8208;EU&#8208;PT foi selecionada uma amostra de conveni&ecirc;ncia de cerca de 1.000 indiv&iacute;duos, recolhida no espa&ccedil;o p&uacute;blico, em diferentes locais e em diferentes per&iacute;odos do dia. Tendo em conta que a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa &eacute; de 10.626.008 indiv&iacute;duos e, por forma a respeitar uma distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica equitativa, a amostra foi calculada de acordo com a densidade populacional das unidades territoriais para fins estat&iacute;sticos (NUT), especificamente as regi&otilde;es da NUT II &ndash; regi&atilde;o Norte (n = 349), Centro (n = 224), Algarve (n = 44), Lisboa e Vale do Tejo (n = 265), Alentejo (n = 73), Regi&atilde;o Aut&oacute;noma dos A&ccedil;ores (n = 23) e Regi&atilde;o Aut&oacute;noma da Madeira (n = 16) &ndash; e estratifica&ccedil;&atilde;o por g&ecirc;nero; perfazendo uma amostra total de 1.004 indiv&iacute;duos com idades &ge; 16 anos (sendo 60% do sexo feminino).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A maior percentagem da amostra apresentava entre os 36&#8208;45 anos; como habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias, o secund&aacute;rio (36,3%); quase metade apresentava o estado civil de solteiro (49,6%); 53,9% s&atilde;o casais com filhos e 40,9% da amostra encontra&#8208;se empregada a <i>full&#8208;time</i> (<a href="#t1">tabela 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a08t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Recolha de dados</b></p>     <p>Ap&oacute;s o processo de tradu&ccedil;&atilde;o/retrovers&atilde;o que garantiu a equival&ecirc;ncia sem&acirc;ntica e cultural entre as vers&otilde;es original e em portugu&ecirc;s e a realiza&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;&#8208;teste, obteve&#8208;se um instrumento que, posteriormente, foi submetido a testes de valida&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Os dados foram colhidos entre os meses de mar&ccedil;o e maio de 2014 com recurso a entrevista presencial. O entrevistador iniciava a entrevista com uma introdu&ccedil;&atilde;o onde eram apresentados os objetivos e garantida a confidencialidade e anonimato. A aplica&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio foi feita ao n&iacute;vel regional por entrevistadores de cada uma das institui&ccedil;&otilde;es parceiras, tendo sido constru&iacute;da uma base de dados conjunta.</p>     <p>Antes do preenchimento do question&aacute;rio e ap&oacute;s o esclarecimento dos objetivos do estudo, foi entregue aos participantes um consentimento informado em duplicado que, depois de assinado, um ficava para o indiv&iacute;duo e outro para o investigador.</p>     <p>O instrumento HLS&#8208;EU original, como referimos anteriormente, &eacute; constitu&iacute;do por 47 quest&otilde;es agrupadas em 3 dom&iacute;nios e 4 n&iacute;veis de processamento da informa&ccedil;&atilde;o, permitindo categorizar grupos de literacia em sa&uacute;de de acordo com pontos de corte. De modo a garantir o c&aacute;lculo correto dos &iacute;ndices e assegurar a compara&ccedil;&atilde;o entre eles, os 4 &iacute;ndices calculados foram uniformizados numa escala m&eacute;trica vari&aacute;vel entre 0&#8208;50, na qual o 0 &eacute; o m&iacute;nimo poss&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de e o 50 o m&aacute;ximo poss&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de. Para os 4 n&iacute;veis foram identificados os seguintes pontos de corte: scores iguais ou inferiores a 25 pontos = literacia em sa&uacute;de inadequada; scores entre 25&#8208;33 pontos = literacia em sa&uacute;de problem&aacute;tica; scores entre 33&#8208;42 = literacia em sa&uacute;de suficiente; e scores entre 42&#8208;50 = literacia em sa&uacute;de excelente.</p>     <p>Ap&oacute;s a recolha dos dados, o tratamento estat&iacute;stico foi realizado atrav&eacute;s do software SPSS (vers&atilde;o 21.0).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resultados do estudo nacional de literacia em sa&uacute;de</b></p>     <p><b>Valida&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p><b>Consist&ecirc;ncia interna</b></p>     <p>A fiabilidade do instrumento, baseada no coeficiente de a<i>lfa de Cronbach</i>, na escala de 47 itens, foi de 0,96. Os valores do HLS&#8208;EU&#8208;PT para a literacia em geral e para os sub&iacute;ndices, analisados individualmente, s&atilde;o apresentados na <a href="#t2">tabela 2</a>, sendo os valores comparados com os outros pa&iacute;ses europeus onde o estudo foi realizado. Analisando a tabela, verificamos que os coeficientes de <i>alfa de Cronbach</i> classificam&#8208;se de muito bons, oscilando entre 0,90&#8208;0,96, para a vers&atilde;o portuguesa.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a08t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Validade de crit&eacute;rio</b></p>     <p>A validade de crit&eacute;rio foi medida atrav&eacute;s da correla&ccedil;&atilde;o dos sub&iacute;ndices entre si, atrav&eacute;s do coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de <i>Pearson</i>, sendo que todos os resultados obtidos se situaram abaixo de 0,85, o que significa a n&atilde;o exist&ecirc;ncia de redund&acirc;ncia (<a href="#t3">tabela 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a08t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>M&eacute;dia e desvio&#8208;padr&atilde;o</b></p>     <p>Na <a href="#t4">tabela 4</a> apresentam&#8208;se a m&eacute;dia e o desvio&#8208;padr&atilde;o (DP) dos n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de, apresentando tamb&eacute;m os valores por sub&iacute;ndices, permitindo a compara&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses que validaram e aplicaram o question&aacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a08t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>N&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de comparando com a Europa</b></p>     <p><b>Literacia em sa&uacute;de geral</b></p>     <p>Em Portugal, cerca de 61% da popula&ccedil;&atilde;o inquirida apresenta um n&iacute;vel de literacia geral em sa&uacute;de problem&aacute;tico ou inadequado, situando&#8208;se a m&eacute;dia dos 9 pa&iacute;ses em 49,2%. Em pior situa&ccedil;&atilde;o que os portugueses s&oacute; se encontram os b&uacute;lgaros, que revelam que 62,1% da popula&ccedil;&atilde;o deste pa&iacute;s apresenta n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de problem&aacute;ticos ou inadequados. No polo oposto est&aacute; a Holanda, pa&iacute;s em que esta percentagem &eacute; de apenas 28,7% (<a href="#f3">Fig. 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a08f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Literacia em sa&uacute;de de cuidados de sa&uacute;de</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; na dimens&atilde;o cuidados de sa&uacute;de que se destacam os valores mais preocupantes, visto ser, dos 9 pa&iacute;ses, aquele onde se verificam os piores resultados. Apenas 44,2% apresenta um n&iacute;vel suficiente ou excelente de literacia em sa&uacute;de (<a href="#f4">Fig. 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a08f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Literacia em sa&uacute;de de preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a</b></p>     <p>No que respeita &agrave; preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, apenas cerca de 45% dos inquiridos revela ter um n&iacute;vel suficiente ou excelente de literacia em sa&uacute;de, comparativamente com a m&eacute;dia dos 9 pa&iacute;ses, que, nesta dimens&atilde;o, apresenta o valor de 54,5% (<a href="#f5">Fig. 5</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a08f5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Literacia em sa&uacute;de de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de</b></p>     <p>No que se refere &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, 60,2% da popula&ccedil;&atilde;o auscultada apresenta um n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de problem&aacute;tico ou inadequado. Comparativamente, a Bulg&aacute;ria apresenta, nesta dimens&atilde;o, um n&iacute;vel de promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de problem&aacute;tico ou inadequado de 70,3%, sendo que a Irlanda e a Holanda, os pa&iacute;ses com os melhores resultados a este n&iacute;vel, apresentam 40,6 e 36,3%, respetivamente. A m&eacute;dia situa&#8208;se nos 52,1% (<a href="#f6">Fig. 6</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a08f6.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A an&aacute;lise dos resultados deste estudo revela tamb&eacute;m que existem problemas de literacia em sa&uacute;de quando analisados os grupos com algumas caracter&iacute;sticas sociais espec&iacute;ficas. Nos 4 sub&iacute;ndices de literacia em sa&uacute;de analisados (capacidade de as pessoas <i>acederem, compreenderem, analisarem e utilizarem</i> a informa&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de), verifica&#8208;se uma tend&ecirc;ncia decrescente dos seus n&iacute;veis quando cruzados com os grupos et&aacute;rios &ndash; &agrave; medida que a idade aumenta o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de diminui.</p>     <p>Por outro lado, observa&#8208;se tendencialmente o inverso no que diz respeito ao n&iacute;vel de escolaridade &ndash; &agrave; medida que o n&iacute;vel de escolaridade aumenta os n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de tendem a ser superiores. S&atilde;o tamb&eacute;m os desempregados que apresentam os piores n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de, quando comparados com a popula&ccedil;&atilde;o ativa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>O HLS&#8208;EU&#8208;PT &eacute; o primeiro estudo que proporciona informa&ccedil;&atilde;o sustentada sobre os n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, compar&aacute;vel aos n&iacute;veis dos 8 pa&iacute;ses que fazem parte do cons&oacute;rcio europeu de literacia em sa&uacute;de. &Agrave; semelhan&ccedil;a dos outros pa&iacute;ses, a amostra foi constru&iacute;da tendo por base a metodologia do Eurobar&oacute;metro<sup>13,16</sup>.</p>     <p>Este estudo teve como objetivos fundamentais validar e adaptar culturalmente a vers&atilde;o original do HLS&#8208;EU para Portugal e, com base neste instrumento, avaliar o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, tendo em conta a sua capacidade para aceder, compreender, avaliar e utilizar informa&ccedil;&atilde;o reativa a cuidados de sa&uacute;de, preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a e promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de<sup>13</sup>.</p>     <p>No &acirc;mbito deste estudo, s&atilde;o ainda disponibilizados as normas e scores a utilizar aquando da aplica&ccedil;&atilde;o do instrumento vers&atilde;o portuguesa (HLS&#8208;EU&#8208;PT), possibilitando a defini&ccedil;&atilde;o de 4 n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de (inadequada; problem&aacute;tica; suficiente e excelente.). A interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados da escala deve ser no sentido de que quanto maior a pontua&ccedil;&atilde;o obtida, maior o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de apresentado pelo indiv&iacute;duo. Ap&oacute;s a an&aacute;lise dos itens, foram mantidas as 47 quest&otilde;es originais, pelo que o HLS&#8208;EU&#8208;PT se assemelha em termos de propriedades psicom&eacute;tricas com a escala original.</p>     <p>O valor do <i>alfa de Cronbach</i> revelado garante a fiabilidade da escala e &eacute; compar&aacute;vel ao encontrado, quer pelos autores originais quer pelos autores das vers&otilde;es de cada um dos pa&iacute;ses participantes no estudo, situando&#8208;se os valores entre 0,90&#8208;0,96 no &iacute;ndice geral de literacia em sa&uacute;de e nos respetivos sub&iacute;ndices. O mesmo acontece no que diz respeito &agrave; validade de crit&eacute;rio, aferida atrav&eacute;s do coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de <i>Pearson</i>, que situa todos os resultados obtidos abaixo de 0,85, o que significa que, apesar da dimens&atilde;o do question&aacute;rio, n&atilde;o existe redund&acirc;ncia<sup>95</sup>.</p>     <p>Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, temos assistido a um aumento da investiga&ccedil;&atilde;o e evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica sobre a tem&aacute;tica literacia em sa&uacute;de<sup>14</sup>. Com este gradual interesse, e dada a import&acirc;ncia da avalia&ccedil;&atilde;o da literacia em sa&uacute;de na popula&ccedil;&atilde;o em geral e em grupos de risco, denotou&#8208;se uma crescente pesquisa de instrumentos para medir a literacia em sa&uacute;de. Assim, os estudos referentes &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o da literacia em sa&uacute;de em diferentes pa&iacute;ses, atrav&eacute;s de um instrumento comum e adaptado culturalmente (HLS&#8208;EU), s&atilde;o fundamentais, por forma a aferir os n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o em causa, avaliar o diferencial que existe entre os pa&iacute;ses envolvidos relativamente aos cuidados de sa&uacute;de, preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a e promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e compar&aacute;&#8208;los entre si.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica tem demonstrado que os n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de variam de acordo com o contexto social e cultural. Assim, e de acordo com os dados da <a href="#t3">tabela 3</a>, a m&eacute;dia do &iacute;ndice de literacia geral variou entre 30,5 &plusmn; 9,2 na Bulg&aacute;ria e 37,1 &plusmn; 6,4 na Holanda; sendo que Portugal foi o segundo pa&iacute;s com uma m&eacute;dia mais baixa (31,5 &plusmn; 7). De salientar que Portugal foi, dos 8 pa&iacute;ses que constituem o cons&oacute;rcio <i>Health Literacy Survey&#8208;EU</i>, o pa&iacute;s que apresentou a m&eacute;dia mais baixa relativamente ao sub&iacute;ndice de literacia em cuidados de sa&uacute;de (32 &plusmn; 7,2); o segundo em rela&ccedil;&atilde;o ao sub&iacute;ndice literacia em preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a (31,8 &plusmn; 7,7); e o terceiro pa&iacute;s com uma m&eacute;dia mais baixa no sub&iacute;ndice literacia em promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de (31 &plusmn; 8,0). Estes &iacute;ndices comprovam que deve ser uma prioridade para as pol&iacute;ticas de sa&uacute;de a valida&ccedil;&atilde;o deste instrumento e a sua aplica&ccedil;&atilde;o na popula&ccedil;&atilde;o em geral e em grupos espec&iacute;ficos para a defini&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias baseadas num diagn&oacute;stico de situa&ccedil;&atilde;o. De acordo com o PNS 2012&#8208;2016, a promo&ccedil;&atilde;o da literacia em sa&uacute;de &eacute; uma prioridade nacional, pois constitui um caminho para a melhoria dos cuidados de sa&uacute;de, melhoria da qualidade de vida e do bem&#8208;estar individual e populacional<sup>51</sup>.</p>     <p>Os resultados obtidos no estudo HLS&#8208;EU&#8208;PT sugerem que os scores de literacia em sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa variam de acordo com as 4 compet&ecirc;ncias base &ndash; aceder, compreender, avaliar e utilizar &ndash; e este facto &eacute; consistente com os resultados dos 8 pa&iacute;ses participantes no HLS&#8208;EU<sup>13</sup>.</p>     <p>Acresce o facto das dificuldades sentidas variarem de acordo com a dimens&atilde;o espec&iacute;fica. Por exemplo, aceder a informa&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de suscita mais dificuldade do que aceder a informa&ccedil;&atilde;o de preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a. Esta conclus&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; apresentada no estudo HLS&#8208;EU<sup>13</sup>. Isto pode evidenciar que o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de pode variar de acordo com a dimens&atilde;o, e tanto no HLS&#8208;EU como no HLS&#8208;EU&#8208;PT &eacute; not&oacute;rio. Contudo, no caso portugu&ecirc;s as diferen&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o grandes, a dimens&atilde;o que apresenta maior diferen&ccedil;a &eacute; a literacia em cuidados de sa&uacute;de, quando comparada &agrave; dimens&atilde;o literacia em promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de.</p>     <p>De acordo com Moritsugo, um n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de inadequado n&atilde;o &eacute; exclusivamente um problema individual mas um problema sist&eacute;mico, no qual deve ser assegurado que as estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o e programas dos cuidados de sa&uacute;de e das autoridades de sa&uacute;de est&atilde;o em conformidade as necessidades da comunidade<sup>96</sup>.</p>     <p>De acordo ainda com o mesmo autor, o sistema de sa&uacute;de tem um papel fundamental no desenvolvimento das compet&ecirc;ncias do cidad&atilde;o e da comunidade, no sentido da promo&ccedil;&atilde;o do seu n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de. Esta influ&ecirc;ncia do sistema de sa&uacute;de na pessoa pode ser avaliada pelos servi&ccedil;os que proporciona, pela forma como os profissionais de sa&uacute;de interagem com as pessoas, pela facilidade com que as pessoas &laquo;navegam&raquo; dentro do pr&oacute;prio sistema, e pelos sistemas de apoio que tem dispon&iacute;veis para ajudar as pessoas na procura de informa&ccedil;&atilde;o e de respostas de que necessita<sup>96</sup>.</p>     <p>Uma grande da parte da preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a centra&#8208;se na responsabilidade que o sistema de sa&uacute;de e os profissionais de sa&uacute;de t&ecirc;m no processo de comunica&ccedil;&atilde;o, para que as pessoas possam ouvir, compreender, apreender e atuar com base na evid&ecirc;ncia dispon&iacute;vel, e assim poderem tomar melhores decis&otilde;es e fazer melhores escolhas sobre a sua sa&uacute;de. Isto torna&#8208;se ainda mais cr&iacute;tico quando falamos de preven&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas<sup>96</sup>.</p>     <p>A literatura aponta para que o sistema de sa&uacute;de precisa de ser mais proactivo em dar resposta &agrave;s necessidades de literacia em sa&uacute;de no que diz respeito &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, direcionando mais as interven&ccedil;&otilde;es para o suprir das necessidades dos cidad&atilde;os<sup>97</sup>.</p>     <p>Destaca&#8208;se tamb&eacute;m deste estudo a exist&ecirc;ncia de subgrupos da amostra que evidenciam n&iacute;veis mais baixos de literacia em sa&uacute;de (em todas as dimens&otilde;es avaliadas), sugerindo a exist&ecirc;ncia de grupos vulner&aacute;veis, como sejam os mais velhos, os menos escolarizados e os desempregados e reformados. Tendo em conta as caracter&iacute;sticas sociodemogr&aacute;ficas da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, estes dados s&atilde;o muito preocupantes.</p>     <p>Quando falamos de escolaridade, &eacute; not&oacute;ria uma rela&ccedil;&atilde;o entre o grau de escolaridade e o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de, quanto mais elevado o grau de escolaridade, maior o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de. E este fen&oacute;meno verifica&#8208;se em todos os pa&iacute;ses que participaram no estudo<sup>13</sup>. Apesar dos esfor&ccedil;os e dos sucessos obtidos ao longo da &uacute;ltima d&eacute;cada, Portugal conta ainda com taxas de analfabetismo e de baixa escolaridade relativamente altas, sendo que, em 2011, a popula&ccedil;&atilde;o com 15 ou mais anos sem qualquer n&iacute;vel de ensino completo considerado &eacute; de 39,3%<sup>98</sup>. Contudo, este indicador, tendo em conta o fator geracional, deve ser olhado em 3 dimens&otilde;es: popula&ccedil;&atilde;o com 65 ou mais anos com uma propor&ccedil;&atilde;o de 32,3%, considerando o grupo et&aacute;rio dos 35&#8208;64 anos a propor&ccedil;&atilde;o representava 5,3% e apenas 1,7% para a popula&ccedil;&atilde;o entre 15&#8208;34 anos<sup>98</sup>.</p>     <p>Relativamente ao abandono escolar, Portugal regista uma descida acentuada entre 2004 (39,3%) e 2014 (17,4%), sendo que a m&eacute;dia dos 28 Estados Membro da Uni&atilde;o Europeia (UE&#8208;28) 11,1%, a Alemanha apresenta uma taxa de 9,5%, a &Aacute;ustria de 7%, a Bulg&aacute;ria de 12,9%, a Espanha de 21,9%, a Irlanda de 6,9%, Gr&eacute;cia 9% e a Pol&oacute;nia de 5,4%<sup>98</sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As taxas de escolaridade do n&iacute;vel de ensino superior (popula&ccedil;&atilde;o entre 30&#8208;34 anos) aumentaram de modo consistente, quer em Portugal quer em Espanha, no per&iacute;odo 2004&#8208;2013. O nosso pa&iacute;s registou um aumento mais acentuado (passou de 16,3% em 2004 para 30,0% em 2013), Espanha registou valores sempre superiores (passou de + &#8208;36% em 2004 para 42,3% em 2013), mesmo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; UE&#8208;28 (passou de + &#8208;26% em 2004 para 36,9% em 2013)<sup>98</sup>.</p>     <p>De acordo ainda com os dados do INE, no espa&ccedil;o de 10 anos, diminuiu fortemente a propor&ccedil;&atilde;o dos jovens que saem do sistema de ensino com t&iacute;tulos escolares mais baixos, at&eacute; 6 anos de escolaridade (os valores caem de 34,6 para 11,3% entre 2001&#8208;2011) e eleva&#8208;se significativamente a propor&ccedil;&atilde;o daqueles que saem da escola com diploma&ccedil;&atilde;o interm&eacute;dia e superior &ndash; de 52,1 para 62,5%, no caso dos possuidores de 9&#8208;12 anos de escolaridade; de 13,3 para 26,3%, no caso dos que saem do sistema com t&iacute;tulos de ensino m&eacute;dio, p&oacute;s&#8208;secund&aacute;rio ou superior. Apesar de o abandono escolar desqualificado (abandono da escola sem conclus&atilde;o da escolaridade obrigat&oacute;ria) continuar a fazer parte do panorama educativo portugu&ecirc;s, &eacute; ineg&aacute;vel que os jovens portugueses de hoje beneficiam de uma forma&ccedil;&atilde;o escolar mais longa e mais bem&#8208;sucedida<sup>98</sup>.</p>     <p>Estes dados, se os n&iacute;veis de literacia dependessem somente da escolaridade, refor&ccedil;ariam a ideia que daqui a 10 anos Portugal iria estar muito melhor posicionado face aos valores identificados em 2014. Mas ser&aacute; que vai, se tudo o resto se mantiver igual?</p>     <p>No que diz respeito &agrave; idade, quando correlacionadas as curvas, &agrave; medida que a idade aumenta, o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de tende a diminuir, o panorama portugu&ecirc;s tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; muito animador. Em 2014, a popula&ccedil;&atilde;o residente em Portugal era constitu&iacute;da por 14,4% de jovens, 65,3% de pessoas em idade ativa e 20,3% de idosos. Relativamente a 2013, Portugal apresentava uma das estruturas et&aacute;rias mais envelhecidas entre a UE&#8208;28: a propor&ccedil;&atilde;o de jovens atingiu 15,6% na UE&#8208;28, quando em Portugal era de 14,6%, verificando&#8208;se a maior propor&ccedil;&atilde;o de jovens na Irlanda (22,0%) e a mais baixa na Alemanha (13,1%)<sup>99</sup>.</p>     <p>A propor&ccedil;&atilde;o de pessoas com 65 e mais anos, em 2014, era 18,5% na UE&#8208;28 e 19,9% em Portugal, valor apenas ultrapassado pela Gr&eacute;cia (20,5%), Alemanha (20,8%) e It&aacute;lia (21,4%); a propor&ccedil;&atilde;o mais baixa verificou&#8208;se na Irlanda (12,6%). A Bulg&aacute;ria apresenta um valor semelhante a Portugal e os restantes pa&iacute;ses onde o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de foi avaliado tamb&eacute;m apresentam valores mais baixos que a m&eacute;dia da UE&#8208;28<sup>100</sup>.</p>     <p>Tendo em conta que o risco de mortalidade nos idosos &eacute; claramente superior em pessoas com uma baixa literacia em sa&uacute;de<sup>52</sup> e relacionando&#8208;o com a distribui&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria portuguesa, verificamos com alguma facilidade que estamos perante um problema s&eacute;rio que dever&aacute; ser tido em conta na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de sa&uacute;de.</p>     <p>A literatura n&atilde;o refere a situa&ccedil;&atilde;o perante o emprego como preditor do n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de, contudo, com base nos resultados obtidos, s&atilde;o os desempregados, seguidos dos reformados e os trabalhadores em <i>part&#8208;time</i> que, por esta ordem, apresentam os valores mais baixos de literacia em sa&uacute;de. Num pa&iacute;s cujas taxas de desemprego atingiram os 17% em 2013, apenas ultrapassado pela Gr&eacute;cia (27,5%), a Espanha (26,5%) e a Cro&aacute;cia (17,6%), no ano cuja m&eacute;dia da UE&#8208;28 foi 11% e a Alemanha e a &Aacute;ustria registaram os valores mais baixos, 5,4 e 5%, respetivamente, este &eacute; um indicador inquietante que merece ser aprofundado em estudos subsequentes<sup>101</sup>.</p>     <p>De modo geral, olhando para as caracter&iacute;sticas demogr&aacute;ficas e socioecon&oacute;micas que se constituem indicadores preditores do n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de de uma popula&ccedil;&atilde;o, e apesar de se reconhecer uma melhoria nestes ao longo dos &uacute;ltimos anos, percebemos porque &eacute; que Portugal, dos 9 pa&iacute;ses envolvidos no estudo, &eacute; dos que apresenta os piores n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de, sendo apenas ultrapassado pela Bulg&aacute;ria. Na dimens&atilde;o cuidados de sa&uacute;de &eacute; mesmo o pa&iacute;s com os piores resultados.</p>     <p>N&atilde;o nos podemos esquecer que literacia em sa&uacute;de n&atilde;o &eacute; um problema individual isolado, &eacute; um determinante sist&eacute;mico que deve ser analisado segundo uma vis&atilde;o hol&iacute;stica. Na defini&ccedil;&atilde;o de programas e iniciativas de promo&ccedil;&atilde;o de literacia em sa&uacute;de, h&aacute; que ter em conta n&atilde;o s&oacute; os aspetos ligados diretamente &agrave; sa&uacute;de, mas tamb&eacute;m os relacionados com as condi&ccedil;&otilde;es de vida. O mesmo se deve fazer quando se analisam e discutem dados relativos aos perfis de literacia em sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es, j&aacute; que estes s&atilde;o fortemente influenciados pelos indicadores sociais, demogr&aacute;ficos e econ&oacute;micos.</p>     <p>O diagn&oacute;stico do n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa permite direcionar e alinhar melhor a estrat&eacute;gia e interven&ccedil;&otilde;es de literacia em sa&uacute;de a serem desenvolvidas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cada vez mais, as estrat&eacute;gias de promo&ccedil;&atilde;o da literacia em sa&uacute;de devem ser inclu&iacute;das no discurso da sa&uacute;de em todos os n&iacute;veis &ndash; internacional, nacional e, em particular, ao n&iacute;vel local &ndash; e devem ser encaradas como investimentos s&oacute;lidos e sustent&aacute;veis, e de suporte &agrave; gest&atilde;o estrat&eacute;gica e &agrave; decis&atilde;o pol&iacute;tica na &aacute;rea da sa&uacute;de.</p>     <p>O presente estudo, como qualquer investiga&ccedil;&atilde;o, apresentou algumas limita&ccedil;&otilde;es comuns no desenvolvimento de estudos desta natureza, como sejam a extens&atilde;o do question&aacute;rio e o recurso a diferentes entrevistadores na aplica&ccedil;&atilde;o do instrumento.</p>     <p>No &acirc;mbito deste estudo foi utilizada a vers&atilde;o de 47 itens do instrumento, mas tendo em conta os custos associados &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o extensa do instrumento, e porque, muitas vezes, a conten&ccedil;&atilde;o de custos e de tempo se revela estrat&eacute;gia predominante no desenho de estudos desta natureza, considera&#8208;se que a utiliza&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o <i>Short</i> poder&aacute; ser, em algumas situa&ccedil;&otilde;es, uma alternativa v&aacute;lida, pelo que se sugere um novo estudo para aplica&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o <i>Short</i> do mesmo instrumento, com 16 itens.</p>     <p>Acrescenta&#8208;se o facto de a amostra estudada n&atilde;o poder ser vista como representativa da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa. Contudo, n&atilde;o se considera que estas limita&ccedil;&otilde;es tenham uma influ&ecirc;ncia negativa significativa nos resultados, dado que os objetivos <i>major</i> deste estudo s&atilde;o levantar pistas para estudos mais focados e aprofundados em determinadas &aacute;reas e levantar um conjunto de quest&otilde;es muito importantes, que &eacute; necess&aacute;rio ter em conta no desenvolvimento das pol&iacute;ticas de sa&uacute;de, em especial na defini&ccedil;&atilde;o das estrat&eacute;gias locais de sa&uacute;de.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>O HLS&#8208;EU&#8208;PT apresenta&#8208;se como um instrumento adequado para aferir o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa e evidencia propriedades psicom&eacute;tricas compar&aacute;veis &agrave;s vers&otilde;es utilizadas nos outros pa&iacute;ses.</p>     <p>Salienta&#8208;se ainda que a valida&ccedil;&atilde;o de um instrumento para avaliar o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de na popula&ccedil;&atilde;o portuguesa reveste&#8208;se de particular import&acirc;ncia, pois permite direcionar e melhorar as estrat&eacute;gias e interven&ccedil;&otilde;es de literacia em sa&uacute;de a serem desenvolvidas.</p>     <p>Com base nos dados apresentados, considera&#8208;se ainda que o HLS&#8208;EU&#8208;PT tem um grande potencial para identificar indiv&iacute;duos e grupos populacionais com n&iacute;veis de literacia em sa&uacute;de baixos, possibilitando uma melhor e mais direcionada defini&ccedil;&atilde;o de interven&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Considerando o n&iacute;vel de literacia em sa&uacute;de um determinante de sa&uacute;de, e porque a sua promo&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ocorre isolada do contexto, faz sentido a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos com o intuito de associar outros indicadores, como sejam o grupo et&aacute;rio, a escolaridade e a situa&ccedil;&atilde;o face ao emprego.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na sequ&ecirc;ncia do j&aacute; anteriormente referido, o reconhecimento da literacia em sa&uacute;de como caminho para a melhoria dos cuidados de sa&uacute;de e dos n&iacute;veis de sa&uacute;de em Portugal n&atilde;o &eacute; novo<sup>14</sup>. Muitos esfor&ccedil;os e iniciativas t&ecirc;m vindo a ser desenvolvidas neste &acirc;mbito, contudo n&atilde;o de forma integrada e coordenada. O trabalho de promo&ccedil;&atilde;o de literacia em sa&uacute;de em Portugal est&aacute; fragmentado, os grupos de trabalho est&atilde;o isolados e n&atilde;o existe uma concerta&ccedil;&atilde;o de objetivos e prioridades nacionais, nem t&atilde;o pouco uma partilha de abordagens metodol&oacute;gicas e experi&ecirc;ncias. Como consequ&ecirc;ncia, diminuem substancialmente as oportunidades de investigadores, profissionais de sa&uacute;de, organiza&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, cidad&atilde;os e decisores pol&iacute;ticos trabalharem em conjunto de forma concertada, com trabalhos orientados segundo prioridades nacionais, aprendendo uns com os outros, de acordo com as suas compet&ecirc;ncias e val&ecirc;ncias.</p>     <p>Assim, considera&#8208;se fundamental e urgente a conce&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia nacional de literacia em sa&uacute;de.</p>     <p>Tendo em especial aten&ccedil;&atilde;o que a literacia em sa&uacute;de n&atilde;o &eacute; um problema individual, mas antes um problema sist&eacute;mico<sup>96</sup>, que integra diferentes dimens&otilde;es e compet&ecirc;ncias, e fundamentando&#8208;a num conjunto de documentos que visam a elabora&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de atua&ccedil;&atilde;o nestes dom&iacute;nios<sup>17,102&ndash;106</sup>, prop&otilde;e&#8208;se que uma estrat&eacute;gia nacional de literacia em sa&uacute;de, abrangente e consistente, deva ter em conta os seguintes eixos estrat&eacute;gicos: incluir a literacia em sa&uacute;de no pr&oacute;prio sistema; assegurar o acesso e gest&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o eficiente; assegurar uma comunica&ccedil;&atilde;o efetiva; integrar a literacia em sa&uacute;de na educa&ccedil;&atilde;o; e garantir a sustentabilidade das iniciativas de promo&ccedil;&atilde;o de literacia em sa&uacute;de.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>1. Kickbusch I., Nutbeam D. Advancing health literacy: A global challenge for the 21st century. Health Promot Int. 2000;15:183-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=807806&pid=S0870-9025201600030000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Nutbeam D. Health literacy as a public health goal: A challenge for contemporary health education and communication strategies into the 21st century. Health Promot Int. 2000;15:259-67.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=807808&pid=S0870-9025201600030000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Chinn D. Critical health literacy: A review and critical analysis. Soc Sci Med. 2011;73:60-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=807810&pid=S0870-9025201600030000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Simonds S.K. Health education as social policy. Health Educ Monogr. 1974;2:1-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=807812&pid=S0870-9025201600030000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Kickbusch I., Wait S., Maag D. Navigating health: The role of health literacy. London: Alliance for Health and the Future. International Longevity Centre&#8208;UK, (2005) .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=807814&pid=S0870-9025201600030000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. S&oslash;rensen K., Pelikan J.M., R&ouml;thlin F., Ganahl K., Slonska Z., Doyle G., et al. Health literacy in Europe: Comparative results of the European health literacy survey (HLS&#8208;EU). Eur J Public Health. 2015;25:1053-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=807816&pid=S0870-9025201600030000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Kondilis B.K., Soteriades E.S., Falagas M.E. Health literacy research in Europe: A snapshot. Eur J Public Health. 2006;16:113.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=807818&pid=S0870-9025201600030000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conflito de interesses</b></p>     <p>Os autores declaram n&atilde;o haver conflito de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Os autores agradecem a todos os representantes das institui&ccedil;&otilde;es que comp&otilde;em a &laquo;Rede Acad&eacute;mica&raquo; a colabora&ccedil;&atilde;o neste estudo: Ana Pires, Carlos Pereira, Carla Nunes, Cl&aacute;udia Quaresma, Carlota Vieira, Dulce Cruz, Filipe Nave, Helena Jardim, Luis Miguel Gomes, Manuel Lopes, Felismina Mendes, Victor Assun&ccedil;&atilde;o, Pedro Lopes Ferreira, Mara Rocha, Rafaela Sousa e Rui Pimenta. A todos os investigadores/entrevistadores que colaboraram na recolha dos dados. Agradecem tamb&eacute;m a Constantino Sakellarides e a Isabel Andrade o apoio na revis&atilde;o do artigo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido 6 de Janeiro de 2016 <br />   Aceito 18 de Julho de 2016</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#topc0">Autor para correspond&ecirc;ncia:</a><a name="c0"></a>     <p><a href="mailto:rita.pedro@ensp.unl.pt">rita.pedro@ensp.unl.pt</a></p>      ]]></body><back>
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