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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A influência do marketing interno nas atitudes e comportamentos dos colaboradores: aplicação a uma organização de cuidados sociais e de saúde]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[We explore the relationship between the internal marketing (IM), job satisfaction, organizational commitment (OC) and job performance. Data collection was done through a questionnaire applied to the employees of an organization that provides social and health care, in northern Portugal. We used the structural equation models methodology. IM positively influences satisfaction with work remuneration and OC. Satisfaction has a positive impact on OC. OC positively influences job performance. There is no direct relationship between IM and performance. There is a negative relationship between satisfaction with work remuneration and job performance.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Marketing interno]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A influ&ecirc;ncia do marketing interno nas atitudes e comportamentos dos colaboradores: aplica&ccedil;&atilde;o a uma organiza&ccedil;&atilde;o de cuidados sociais e de sa&uacute;de</b></p>     <p><b>The influence of internal marketing in the attitudes and behaviors of employees: Application to a social and healthcare organization</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ana Rodrigues <sup>a</sup><sup>, </sup> Ana Queir&oacute;s <sup>a</sup>, Carlos Pires <sup>b</sup></b></p>     <p>a Departamento de Economia, Sociologia e Gest&atilde;o, Universidade de Tr&aacute;s&#8208;os&#8208;Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal</p>     <p>b Departamento de Matem&aacute;tica, Universidade de Tr&aacute;s&#8208;os&#8208;Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#c0">Endereço para Correspondência</a><a name="topc0"></a>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Exploramos as rela&ccedil;&otilde;es entre o marketing interno (MI), a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho, o comprometimento organizacional (CO) e o desempenho profissional. Os dados foram recolhidos atrav&eacute;s de um question&aacute;rio aplicado aos colaboradores de uma organiza&ccedil;&atilde;o que presta cuidados sociais e de sa&uacute;de, no norte de Portugal. Us&aacute;mos a metodologia de an&aacute;lise de modelos de equa&ccedil;&otilde;es estruturais. O MI influencia positivamente a satisfa&ccedil;&atilde;o com a remunera&ccedil;&atilde;o no trabalho e o CO. A satisfa&ccedil;&atilde;o tem um impacto positivo no comprometimento. O CO influencia positivamente o desempenho. N&atilde;o existe rela&ccedil;&atilde;o entre o MI e o desempenho. Verifica&#8208;se uma rela&ccedil;&atilde;o negativa entre a satisfa&ccedil;&atilde;o com a remunera&ccedil;&atilde;o no trabalho e o desempenho profissional.</p>     <p><b>Palavras&#8208;chave</b>: Marketing interno. Satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho. Comprometimento organizacional. Desempenho profissional. Cuidados sociais. Cuidados de sa&uacute;de.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>We explore the relationship between the internal marketing (IM), job satisfaction, organizational commitment (OC) and job performance. Data collection was done through a questionnaire applied to the employees of an organization that provides social and health care, in northern Portugal. We used the structural equation models methodology. IM positively influences satisfaction with work remuneration and OC. Satisfaction has a positive impact on OC. OC positively influences job performance. There is no direct relationship between IM and performance. There is a negative relationship between satisfaction with work remuneration and job performance.</p>     <p><b>Keywords</b>: Internal marketing. Job satisfaction. Organizational commitment. Job performance. Social services. Health care services.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Este estudo apresenta como tem&aacute;tica a an&aacute;lise da implementa&ccedil;&atilde;o do marketing interno (MI) em organiza&ccedil;&otilde;es que prestam cuidados sociais e de sa&uacute;de, e os resultados que advenham da sua utiliza&ccedil;&atilde;o, em termos de satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho, comprometimento organizacional e desempenho profissional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Desde a sua introdu&ccedil;&atilde;o, no in&iacute;cio dos anos 80, o MI tem vindo a despertar o interesse dos profissionais e acad&eacute;micos da &aacute;rea do marketing e de outras &aacute;reas<sup>1,2</sup>. O estudo sobre o conceito de MI na &aacute;rea da sa&uacute;de ainda &eacute; muito recente<sup>3,4</sup>, sendo importante a realiza&ccedil;&atilde;o de mais investiga&ccedil;&otilde;es nesta &aacute;rea, principalmente em Portugal<sup>3</sup>.</p>     <p>As organiza&ccedil;&otilde;es que prestam servi&ccedil;os sociais e de sa&uacute;de dependem fortemente das pessoas que a&iacute; trabalham. Trata&#8208;se de um setor intensivo em m&atilde;o&#8208;de&#8208;obra e com elevadas intera&ccedil;&otilde;es com os clientes, logo, o MI pode ser considerado como um fator crucial para o sucesso futuro deste setor<sup>5,6</sup>.</p>     <p>O MI &eacute; concetualizado como uma filosofia de gest&atilde;o consubstanciada na valoriza&ccedil;&atilde;o dos recursos humanos da organiza&ccedil;&atilde;o. Atrav&eacute;s dessa filosofia, estimula&#8208;se a motiva&ccedil;&atilde;o, mobiliza&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o dos membros organizacionais no sentido de disseminar valores orientados para a satisfa&ccedil;&atilde;o dos clientes (internos e externos) e facilitar a implementa&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as organizacionais. Tem sido proposto como um conjunto de comportamentos de gest&atilde;o &laquo;amigos&raquo; dos colaboradores, com diversas consequ&ecirc;ncias internas e externas para as organiza&ccedil;&otilde;es<sup>7</sup>. Ao n&iacute;vel interno, &eacute; reconhecido que o comportamento dos gestores para com os seus subordinados influencia as atitudes e comportamentos dos funcion&aacute;rios<sup>8</sup>, por exemplo, a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho<sup>4,9,10</sup>, o comprometimento organizacional<sup>5,9,10</sup> e o desempenho profissional<sup>11</sup>.</p>     <p>Os desafios colocados &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es do setor, bem como aos seus profissionais, em termos de mudan&ccedil;as constantes do ambiente organizacional e econ&oacute;mico, real&ccedil;am a necessidade de existir uma aten&ccedil;&atilde;o acrescida, por parte dos gestores e decisores p&uacute;blicos, com a valoriza&ccedil;&atilde;o dos seus recursos humanos. Neste contexto, a preocupa&ccedil;&atilde;o com a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho, o comprometimento organizacional e o desempenho profissional s&atilde;o determinantes para o desenvolvimento integrado dos cuidados que este tipo de organiza&ccedil;&otilde;es prestam.</p>     <p>O interesse pelo tema da satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho tem vindo a crescer e, nos &uacute;ltimos anos, muitos estudos t&ecirc;m tentado demonstrar a sua rela&ccedil;&atilde;o com o desempenho profissional<sup>12</sup>. No que respeita ao comprometimento organizacional, o mesmo tem sido utilizado como indicador para medir a efic&aacute;cia organizacional e, de forma eficiente, predizer o desempenho dos colaboradores<sup>13</sup>. De igual forma, o desempenho profissional tem sido um tema vastamente investigado em v&aacute;rias &aacute;reas do saber, devido &agrave; sua import&acirc;ncia para as organiza&ccedil;&otilde;es. &Eacute; algo que as organiza&ccedil;&otilde;es tentam promover, uma vez que o seu sucesso depende muito do desempenho dos seus colaboradores.</p>     <p>A import&acirc;ncia das vari&aacute;veis descritas &eacute; reconhecida em diversos estudos; contudo, neste dom&iacute;nio, a sua an&aacute;lise tem vindo a ser feita predominantemente de forma isolada. O objetivo deste trabalho consiste em propor um modelo que permita integrar estas importantes vari&aacute;veis organizacionais e que avalie a influ&ecirc;ncia do MI na satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho e no comprometimento organizacional, e como estas se podem constituir como antecedentes do desempenho profissional. O estudo foi aplicado a uma organiza&ccedil;&atilde;o que presta servi&ccedil;os sociais e de sa&uacute;de, situada no norte de Portugal &ndash; a Santa Casa de Miseric&oacute;rdia de Felgueiras (SCMF).</p>     <p>No resto do artigo iremos enquadrar a investiga&ccedil;&atilde;o e expor as hip&oacute;teses subjacentes ao modelo proposto, explicitar os procedimentos metodol&oacute;gicos, descrever os resultados e discuti&#8208;los e apresentar as conclus&otilde;es, os contributos, as limita&ccedil;&otilde;es e propostas de trabalhos futuros.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Enquadramento te&oacute;rico e hip&oacute;teses de investiga&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p><b>Marketing interno</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O MI foi inicialmente proposto como uma solu&ccedil;&atilde;o para o problema de fornecer, de forma consistente, uma qualidade de servi&ccedil;o elevada<sup>14</sup>, tendo a sua origem na literatura sobre marketing de servi&ccedil;os<sup>15</sup>. Baseia&#8208;se na premissa de que uma organiza&ccedil;&atilde;o deve utilizar o conceito de troca interna (organiza&ccedil;&atilde;o&#8208;colaboradores) de forma eficiente antes de poder atingir com sucesso os seus clientes externos<sup>16</sup>.</p>     <p>O MI consiste numa ferramenta de gest&atilde;o que apresenta como base os colaboradores de uma organiza&ccedil;&atilde;o, os quais s&atilde;o encarados como clientes internos<sup>4</sup>. De acordo com Rafiq e Ahmed<sup>14</sup>, o MI &eacute; um &laquo;esfor&ccedil;o planeado, usando uma abordagem de marketing, para vencer as resist&ecirc;ncias organizacionais e integrar colaboradores em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o efetiva de estrat&eacute;gias corporativas e funcionais, com o objetivo de gerar a satisfa&ccedil;&atilde;o no cliente, atrav&eacute;s de um processo de cria&ccedil;&atilde;o de colaboradores motivados e focados no cliente&raquo; (p.454). Neste contexto, o MI &eacute; concetualizado como uma filosofia de gest&atilde;o consubstanciada na valoriza&ccedil;&atilde;o dos recursos humanos da organiza&ccedil;&atilde;o. Atrav&eacute;s dessa filosofia estimula&#8208;se a motiva&ccedil;&atilde;o, mobiliza&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o dos membros organizacionais no sentido de disseminar valores orientados para a satisfa&ccedil;&atilde;o dos clientes (internos e externos), e facilitar a implementa&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as organizacionais.</p>     <p>Foreman e Money<sup>17</sup> identificam 3 componentes do MI, a saber: 1) vis&atilde;o, a qual se relaciona com a comunica&ccedil;&atilde;o da vis&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o e a cren&ccedil;a dos funcion&aacute;rios na organiza&ccedil;&atilde;o; 2) recompensa, que corresponde aos itens associados ao sistema de recompensa dos colaboradores; e 3) desenvolvimento dos colaboradores, ou seja, as suas capacidades, conhecimentos e desempenho, &agrave; raz&atilde;o da realiza&ccedil;&atilde;o de suas tarefas; &agrave; flexibilidade para adequar as tarefas e &ecirc;nfase na comunica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em Portugal, s&atilde;o relativamente escassos os estudos sobre a aplica&ccedil;&atilde;o do MI em organiza&ccedil;&otilde;es que prestam servi&ccedil;os sociais e de sa&uacute;de. Alves, Azevedo e Wymer<sup>18</sup> conclu&iacute;ram que o estudo sobre conceito MI na &aacute;rea da sa&uacute;de, principalmente em Portugal, ainda &eacute; muito recente, sendo importante a realiza&ccedil;&atilde;o de mais estudos nesta &aacute;rea. Az&ecirc;do, Alves e Wymer<sup>3</sup> investigaram a aplica&ccedil;&atilde;o do marketing em organiza&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e constataram que, para compreendermos a real contribui&ccedil;&atilde;o do MI para estas organiza&ccedil;&otilde;es, este conceito necessita de mais investiga&ccedil;&otilde;es, especialmente porque neste tipo de organiza&ccedil;&otilde;es a falta de qualidade do servi&ccedil;o pode colocar em risco vidas humanas. Az&ecirc;do e Alves<sup>19</sup> refor&ccedil;am a ideia de escassez de estudos no &acirc;mbito destas organiza&ccedil;&otilde;es, tendo chegado &agrave; conclus&atilde;o que a perce&ccedil;&atilde;o dos colaboradores sobre as pr&aacute;ticas de MI &eacute; baixa; contudo, os autores argumentam que essas pr&aacute;ticas constituem uma ferramenta importante na estrat&eacute;gia de recursos humanos das organiza&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de estudadas, podendo contribuir para a concretiza&ccedil;&atilde;o de objetivos organizacionais, por exemplo, a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de de qualidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho</b></p>     <p>O interesse pela compreens&atilde;o do conceito de satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho existe h&aacute; muitas d&eacute;cadas, sendo um dos fen&oacute;menos mais estudados na literatura (por exemplo, nas &aacute;reas do comportamento organizacional, da psicologia e da gest&atilde;o). A sua relev&acirc;ncia fica demonstrada pela imensa quantidade de investiga&ccedil;&otilde;es que se debru&ccedil;aram (e debru&ccedil;am) sobre o assunto.</p>     <p>A satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho pode ser definida por um estado emocional positivo ou agrad&aacute;vel que prov&eacute;m das experi&ecirc;ncias vivenciadas no local de trabalho e avalia&ccedil;&atilde;o do mesmo<sup>20</sup>. Ou seja, no presente estudo &eacute; entendida como uma atitude individual acerca do trabalho, podendo ser definida como uma resposta positiva face ao trabalho em termos globais.</p>     <p>Sem d&uacute;vida que, independentemente do setor considerado, compreender o fen&oacute;meno da satisfa&ccedil;&atilde;o do ser humano no trabalho tem elevado valor para gestores e pesquisadores. No contexto dos profissionais do setor p&uacute;blico, Dominique&#8208;Ferreira<sup>21</sup> real&ccedil;a a natureza transversal da problem&aacute;tica satisfa&ccedil;&atilde;o, uma vez que a mesma integra v&aacute;rias componentes, nomeadamente, e no que diz respeito &agrave; gest&atilde;o estrat&eacute;gica do marketing p&uacute;blico, o MI. Dominique&#8208;Ferreira<sup>21</sup> refere que a satisfa&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de &eacute; um indicador do clima organizacional sendo, em &uacute;ltima an&aacute;lise, um &laquo;fator cr&iacute;tico de sucesso do desempenho dos elementos que constituem o sistema nacional de sa&uacute;de&raquo; (p. 189).</p>     <p>Sendo a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho uma atitude individual acerca do trabalho, que influencia o comportamento individual e organizacional, &eacute; razo&aacute;vel pressupor que ter&aacute; implica&ccedil;&otilde;es significativas no contexto dos colaboradores de institui&ccedil;&otilde;es que prestam cuidados sociais e de sa&uacute;de, particularmente ao n&iacute;vel do comprometimento destes para com a organiza&ccedil;&atilde;o e do seu desempenho no trabalho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Comprometimento organizacional</b></p>     <p>O conceito de comprometimento organizacional tem ocupado um lugar proeminente em diversas tradi&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas. Com o prop&oacute;sito de se compreender os v&iacute;nculos estabelecidos pelos indiv&iacute;duos com as organiza&ccedil;&otilde;es onde trabalham, trata&#8208;se de um tema que tem sido objeto de ampla an&aacute;lise. A justifica&ccedil;&atilde;o para o grande interesse em estudar este tema reside nas expectativas sobre a import&acirc;ncia das consequ&ecirc;ncias que o comprometimento pode gerar (quer para os indiv&iacute;duos, quer para as organiza&ccedil;&otilde;es, quer, numa perspetiva mais alargada, para a sociedade em geral).</p>     <p>O comprometimento organizacional pode ser caraterizado como uma energia que fomenta a uni&atilde;o de todos os colaboradores, permitindo que estes funcionem como equipa trabalhando para concretiza&ccedil;&atilde;o dos objetivos da organiza&ccedil;&atilde;o<sup>22</sup>. Segundo os autores, o comprometimento &eacute; visto como uma atitude que reflete a natureza e a qualidade da liga&ccedil;&atilde;o entre um colaborador e uma organiza&ccedil;&atilde;o. Teoricamente, funcion&aacute;rios que est&atilde;o comprometidos sentem&#8208;se ligados &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o e est&atilde;o motivados para manter esse v&iacute;nculo. A defini&ccedil;&atilde;o dos autores comporta 3 componentes: o comprometimento afetivo, que reflete uma orienta&ccedil;&atilde;o afetiva do indiv&iacute;duo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o, decorrente de forte liga&ccedil;&atilde;o emocional e de um sentimento de identifica&ccedil;&atilde;o; o comprometimento de continuidade, o qual est&aacute; associado &agrave; consci&ecirc;ncia dos custos incorridos ao deixar a organiza&ccedil;&atilde;o, bem como da avalia&ccedil;&atilde;o das alternativas existentes; e o comprometimento normativo, que implica um sentimento de dever, lealdade ou obriga&ccedil;&atilde;o em permanecer no emprego.</p>     <p>Para as organiza&ccedil;&otilde;es, o comprometimento organizacional &eacute;, frequentemente, reconhecido como um fator cr&iacute;tico devido &agrave; influ&ecirc;ncia que exerce em vari&aacute;veis relacionadas com o trabalho (atitudes e comportamentos). O comprometimento organizacional tem sido reconhecido como importante preditor do <i>turnover</i>, do absentismo e do desempenho dos funcion&aacute;rios<sup>23</sup>. Logo, &eacute; fundamental que organiza&ccedil;&otilde;es que prestam cuidados sociais e de sa&uacute;de tenham consci&ecirc;ncia do comprometimento organizacional dos seus colaboradores, bem como das formas como desenvolv&ecirc;&#8208;lo e mant&ecirc;&#8208;lo. Ali&aacute;s, parece ser ainda mais relevante que este tipo de organiza&ccedil;&otilde;es o fa&ccedil;a, uma vez que o apoio dos recursos humanos constitui um elemento cr&iacute;tico para o sucesso na implementa&ccedil;&atilde;o das grandes mudan&ccedil;as a que t&ecirc;m sido sujeitas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Desempenho profissional</b></p>     <p>O desempenho no trabalho &eacute; uma vari&aacute;vel central na investiga&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica: &eacute; &laquo;a vari&aacute;vel crit&eacute;rio mais vastamente estudada nas literaturas sobre o comportamento organizacional e a gest&atilde;o de recursos humanos&raquo; (p. 587)<sup>24</sup>. Bendassolli<sup>25</sup> argumenta que a sua import&acirc;ncia reside na sua natureza comportamental que abrange dimens&otilde;es psicossociais, nomeadamente a individual, a interpessoal e a situacional.</p>     <p>Tendo em conta a existente diversidade de defini&ccedil;&otilde;es de desempenho, Viswesvaran e Ones<sup>26</sup> argumentam que se refere a um conjunto de a&ccedil;&otilde;es, comportamentos e resultados que levam o sujeito a ligar&#8208;se &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o e a contribuir para os objetivos da mesma.</p>     <p>Welbourney, Jonhnson e Erez<sup>27</sup> utilizam a teoria dos pap&eacute;is e a teoria da identidade para explicar o constructo de desempenho no trabalho. Os autores referem as limita&ccedil;&otilde;es associadas &agrave; maioria dos sistemas de medi&ccedil;&atilde;o do desempenho, uma vez que ignoram dimens&otilde;es do comportamento no trabalho que v&atilde;o mais al&eacute;m do que tem sido tradicionalmente inclu&iacute;do nos conte&uacute;dos de um trabalho espec&iacute;fico. Welbourney et al.<sup>27</sup> desenvolvem uma medida multidimensional do desempenho que &eacute; respons&aacute;vel pelos m&uacute;ltiplos pap&eacute;is que os colaboradores podem assumir no seu trabalho. Neste modelo s&atilde;o considerados 5 pap&eacute;is: trabalho; carreira; inova&ccedil;&atilde;o; equipa; e organiza&ccedil;&atilde;o. A dimens&atilde;o trabalho &eacute; definida como fazer as coisas especificamente relacionadas com a descri&ccedil;&atilde;o do trabalho; a dimens&atilde;o carreira engloba a obten&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias necess&aacute;rias para progredir na organiza&ccedil;&atilde;o; a dimens&atilde;o inova&ccedil;&atilde;o est&aacute; associada &agrave; criatividade e inova&ccedil;&atilde;o no trabalho e na organiza&ccedil;&atilde;o; a dimens&atilde;o equipa est&aacute; relacionada com o trabalho de equipa no sentido do sucesso da organiza&ccedil;&atilde;o; e a dimens&atilde;o organiza&ccedil;&atilde;o abrange o ir mais al&eacute;m do dever de preocupa&ccedil;&atilde;o para com a empresa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As organiza&ccedil;&otilde;es que prestam servi&ccedil;os sociais e de sa&uacute;de operam num ambiente de constantes desafios, os quais real&ccedil;am a import&acirc;ncia de analisar os n&iacute;veis de desempenho dos colaboradores destas organiza&ccedil;&otilde;es e os fatores que os influenciam. Por exemplo, nas unidades de sa&uacute;de encontram&#8208;se diversos profissionais das mais variadas &aacute;reas, que realizam as suas fun&ccedil;&otilde;es dentro de um sistema que, nos &uacute;ltimos tempos, tem sido afetado com diversas redu&ccedil;&otilde;es financeiras que limitam a sua atua&ccedil;&atilde;o<sup>28</sup>. A autora real&ccedil;a que, perante os desafios inerentes aos sistemas de sa&uacute;de a n&iacute;vel mundial e a complexidade associada &agrave;s estruturas das organiza&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de, &laquo;&eacute; imprescind&iacute;vel que os profissionais detenham um elevado desempenho profissional para melhor contribuir para atingir a miss&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o de servir o cliente&raquo; (p.40).</p>     <p>No contexto em an&aacute;lise, as vari&aacute;veis acima mencionadas t&ecirc;m vindo a ganhar import&acirc;ncia; contudo, indo ao encontro do objetivo deste trabalho, pretendemos integr&aacute;&#8208;las num modelo que avalie o potencial efeito do MI na satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho e no comprometimento organizacional, analisando tamb&eacute;m se estas vari&aacute;veis s&atilde;o preditoras do desempenho individual. Assim, propomos testar 6 hip&oacute;teses de investiga&ccedil;&atilde;o: a utiliza&ccedil;&atilde;o do MI influencia positivamente: a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho (H1), o comprometimento organizacional (H2) e o desempenho profissional (H3); a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho influencia positivamente o comprometimento organizacional (H4); a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho influencia positivamente o desempenho profissional (H5); o comprometimento organizacional influencia positivamente o desempenho profissional (H6). A <a href="#f1">figura 1</a> ilustra o modelo proposto.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a11f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Material e m&eacute;todos</b></p>     <p><b>Tipo de estudo, popula&ccedil;&atilde;o e amostra</b></p>     <p>Foi usada uma abordagem quantitativa, com base numa inquiri&ccedil;&atilde;o por question&aacute;rio aplicado presencialmente, o que permitiu explicar os objetivos do estudo, esclarecer as d&uacute;vidas existentes e evitar que existissem respostas por responder, devido &agrave; suscetibilidade dos temas em an&aacute;lise. A justifica&ccedil;&atilde;o para a utiliza&ccedil;&atilde;o de uma abordagem quantitativa reside nos objetivos inerentes &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o: a proposta e teste emp&iacute;rico de um modelo concetual que analise a influ&ecirc;ncia do MI em determinadas atitudes e comportamentos dos colaboradores. O estudo foi aplicado num &uacute;nico momento de tempo, tendo por isso uma natureza de corte transversal.</p>     <p>Tal como j&aacute; foi referido, o estudo foi aplicado a uma organiza&ccedil;&atilde;o (Miseric&oacute;rdia) que presta servi&ccedil;os sociais e de sa&uacute;de, situada no norte de Portugal: SCMF. A SCMF oferece 3 respostas sociais: o Lar Maria Viana (que se agrega uma casa de acolhimento para jovens do sexo feminino, um jardim&#8208;de&#8208;inf&acirc;ncia e uma creche), o Lar Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o (que acolhe idosos e presta apoio domicili&aacute;rio) e o Hospital Agostinho Ribeiro, que ser&aacute; analisado de uma forma mais relevante neste estudo. O hospital oferece &agrave; comunidade diversos servi&ccedil;os, nomeadamente o servi&ccedil;o de atendimento permanente, o servi&ccedil;o de medicina f&iacute;sica e de reabilita&ccedil;&atilde;o, o servi&ccedil;o de ambulat&oacute;rio ou consulta externa, entre outros.</p>     <p>Neste contexto, a popula&ccedil;&atilde;o em estudo &eacute; constitu&iacute;da pelos colaboradores desta institui&ccedil;&atilde;o, tendo em conta as diversas categorias profissionais existentes (enfermeiros, educadores, psic&oacute;logos, rececionistas, administrativos, auxiliares trabalhadores de servi&ccedil;os gerais), num total de 300 elementos.</p>     <p>Tendo em considera&ccedil;&atilde;o limita&ccedil;&otilde;es financeiras e temporais, opt&aacute;mos pela realiza&ccedil;&atilde;o de uma amostra por conveni&ecirc;ncia, tendo inquirido 150 colaboradores desta institui&ccedil;&atilde;o. Dos 150 question&aacute;rios entregues, recebemos um total de 135 preenchidos e v&aacute;lidos, sendo a taxa de resposta corrigida de 90%, e 45% quando considerada a dimens&atilde;o total da popula&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Instrumento de recolha de dados</b></p>     <p>No processo de desenvolvimento das escalas seguimos os procedimentos psicom&eacute;tricos sugeridos pela literatura. Os 4 conceitos ilustrados na figura 1 foram medidos a partir de escalas baseadas na literatura existente, com as devidas adapta&ccedil;&otilde;es ao setor a estudar (<a href="#t1">tabela 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a11t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Seguidamente, detalhamos a forma como cada conceito foi operacionalizado.</p>     <p>O conceito de MI foi operacionalizado a partir da escala criada por Foreman e Money<sup>17</sup>. Os autores desenvolvem uma operacionaliza&ccedil;&atilde;o deste conceito atrav&eacute;s de uma escala com 15 itens, utilizados para avaliar a extens&atilde;o das atividades de MI nas organiza&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Para medir a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho, utilizamos o instrumento fornecido no estudo de Iliopoulos e Priporas<sup>4</sup>, o qual assenta na escala proposta por Stamps e Piedmonte<sup>29</sup>. Apesar de o instrumento de medida da satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho de Stamps e Piedmonte<sup>29</sup> ser composto por 2 partes, Iliopoulos e Priporas<sup>4</sup> apenas usaram uma parte da escala, de forma a evitar a fadiga do respondente e no sentido de n&atilde;o tornar o question&aacute;rio muito grande. &Eacute; composta por 14 itens.</p>     <p>A operacionaliza&ccedil;&atilde;o do comprometimento organizacional foi feita a partir da escala de Meyer, Allen e Smith<sup>30</sup>, a qual agrega 3 dimens&otilde;es (comprometimento afetivo, comprometimento de continuidade e comprometimento normativo) e um total de 18 itens. Exemplos de itens para cada uma das dimens&otilde;es s&atilde;o: &laquo;ficaria muito feliz em passar o resto da minha carreira nesta institui&ccedil;&atilde;o&raquo;; &laquo;seria muito penalizador para mim, neste momento, abandonar esta institui&ccedil;&atilde;o, mesmo que eu o pudesse fazer&raquo;; e &laquo;sentir&#8208;me&#8208;ia culpado se deixasse esta institui&ccedil;&atilde;o agora&raquo;.</p>     <p>Nos instrumentos de medida do MI, satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho e comprometimento organizacional os itens foram avaliados a partir de uma escala de Likert de 5 pontos (1: &laquo;discordo totalmente&raquo;; 2: &laquo;discordo moderadamente&rsquo;&raquo;; 3: &laquo;n&atilde;o concordo nem discordo&raquo;; 4: &laquo;concordo moderadamente&raquo; e 5: &laquo;concordo totalmente&raquo;).</p>     <p>Por &uacute;ltimo, o desempenho profissional foi aferido com base na escala de Welbourney et al.<sup>27</sup>, apresentando 5 dimens&otilde;es (trabalho; carreira; inova&ccedil;&atilde;o; equipa; e organiza&ccedil;&atilde;o) e um total de 20 itens. Na resposta utiliz&aacute;mos uma escala em que 1: preciso melhorar muito, 2: preciso de algumas melhorias, 3: satisfat&oacute;rio, 4: bom, e 5: excelente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foram colocadas, tamb&eacute;m, quest&otilde;es que permitissem definir um perfil sociodemogr&aacute;fico dos respondentes: categoria profissional (enfermeiros, educadores, psic&oacute;logos; auxiliares; rececionistas; servi&ccedil;os gerais, cozinha, lavandaria e outros), tipo de servi&ccedil;o (hospital; outros servi&ccedil;os), tipo de v&iacute;nculo com a institui&ccedil;&atilde;o (quadro; contrato individual de trabalho a termo certo; contrato individual de trabalho a termo indeterminado; recibos verdes), antiguidade (na institui&ccedil;&atilde;o e no servi&ccedil;o), g&eacute;nero, idade e habilita&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias (ensino prim&aacute;rio/b&aacute;sico; ensino secund&aacute;rio; bacharelato/licenciatura/mestrado).</p>     <p><b>Processo de recolha e an&aacute;lise dos dados</b></p>     <p>Procedemos &agrave; tradu&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o das escalas de medida, tendo sido realizado um pr&eacute;&#8208;teste no sentido de verificar a sua adaptabilidade &agrave; popula&ccedil;&atilde;o a estudar. A aplica&ccedil;&atilde;o do question&aacute;rio foi feita de forma pessoal e a recolha de dados decorreu no per&iacute;odo de outubro a dezembro de 2013. A recolha de dados s&oacute; foi realizada ap&oacute;s aceita&ccedil;&atilde;o do pedido de autoriza&ccedil;&atilde;o pela dire&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Para a an&aacute;lise dos dados recolhidos neste estudo utiliz&aacute;mos t&eacute;cnicas estat&iacute;sticas de natureza univariada, bivariada e multivariada, a partir da utiliza&ccedil;&atilde;o dos <i>softwares</i> estat&iacute;sticos adequados (programas IBM <i>Statistical Package for the Social Sciences</i> [SPSS] e Amos, ambos na vers&atilde;o 22 para Windows). Assim, foram realizados os seguintes procedimentos:</p> <ul>       <li>an&aacute;lise preliminar aos dados, no sentido de os eliminar de eventuais erros e preparar a base de dados para as an&aacute;lises seguintes (verifica&ccedil;&atilde;o de inexist&ecirc;ncia de erros, tratamento das n&atilde;o respostas, valores aberrantes, verifica&ccedil;&atilde;o dos pressupostos das t&eacute;cnicas estat&iacute;sticas a usar);</li>       <li>an&aacute;lise descritiva aos dados, tendo como objetivo descrever a amostra e analisar as principais caracter&iacute;sticas de cada uma das vari&aacute;veis que comp&otilde;em o modelo (an&aacute;lise univariada: m&eacute;dia, desvio padr&atilde;o, simetria, achatamento);</li>       <li>an&aacute;lise da consist&ecirc;ncia interna de cada constructo separadamente atrav&eacute;s do alfa de Cronbach, da correla&ccedil;&atilde;o de cada item com o total da escala e das correla&ccedil;&otilde;es entre os itens;</li>       <li>para an&aacute;lise do modelo te&oacute;rico e das rela&ccedil;&otilde;es entre os constructos utiliz&aacute;mos a modela&ccedil;&atilde;o de equa&ccedil;&otilde;es estruturais, recorrendo&#8208;se para o efeito o programa Amos, vers&atilde;o 22 para Windows. A op&ccedil;&atilde;o por esta t&eacute;cnica estat&iacute;stica ocorreu por ela permitir examinar as rela&ccedil;&otilde;es entre vari&aacute;veis, continuas e/ou discretas, combinando modelos de regress&atilde;o m&uacute;ltipla e an&aacute;lise fatorial<sup>31</sup>, permitindo testar a validade de modelos te&oacute;ricos que definem rela&ccedil;&otilde;es casuais, hipot&eacute;ticas entre vari&aacute;veis<sup>32</sup>.</li>     </ul>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resultados</b></p>     <p><b>Perfil da amostra</b></p>     <p>Na <a href="#t2">tabela 2</a> constam as principais informa&ccedil;&otilde;es que permitem definir o perfil sociodemogr&aacute;fico dos colaboradores que responderam ao question&aacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a11t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Conclu&iacute;mos que a maioria dos respondentes (90%) &eacute; do sexo feminino. Do total, 67% t&ecirc;m o ensino secund&aacute;rio completo e apenas 21% possuem o ensino superior. A idade m&eacute;dia dos respondentes &eacute; de 31,4 anos. Cinquenta e oito por cento dos respondentes exercem a sua atividade na resposta social hospital e, em m&eacute;dia, trabalham h&aacute; 6 anos na institui&ccedil;&atilde;o e h&aacute; 5 anos no mesmo servi&ccedil;o. No que diz respeito ao tipo de v&iacute;nculo, 54,8% dos inquiridos pertence ao quadro da organiza&ccedil;&atilde;o. Tendo em considera&ccedil;&atilde;o a categoria profissional, do total dos respondentes, 33% s&atilde;o &laquo;auxiliares&raquo; da institui&ccedil;&atilde;o, seguidos dos &laquo;trabalhadores de servi&ccedil;os gerais e rececionistas&raquo; (aproximadamente 25%), e 17,7% s&atilde;o &laquo;enfermeiros, educadores e psic&oacute;logos/assistentes sociais&raquo;.</p>     <p><b>An&aacute;lise descritiva</b></p>     <p>Ap&oacute;s a verifica&ccedil;&atilde;o preliminar dos dados, efetuamos uma an&aacute;lise descritiva de todas as vari&aacute;veis do modelo proposto.</p>     <p>Para o MI verificamos que a m&eacute;dia de todos os indicadores &eacute; de 3,60, variando entre 3,15 (&laquo;a institui&ccedil;&atilde;o recompensa os esfor&ccedil;os dos seus colaboradores que desempenham um servi&ccedil;o de excel&ecirc;ncia&raquo;) e 3,84 (&laquo;a institui&ccedil;&atilde;o comunica aos colaboradores a import&acirc;ncia das suas fun&ccedil;&otilde;es nos seus servi&ccedil;os&raquo;).</p>     <p>Comparativamente com os restantes constructos, a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho apresenta valores m&eacute;dios mais baixos, o que parece indicar a exist&ecirc;ncia de insatisfa&ccedil;&atilde;o no local de trabalho (m&eacute;dia global de 2,83).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para o comprometimento organizacional, verificamos que a m&eacute;dia de todos os indicadores &eacute; de 3,50. Das 3 dimens&otilde;es apresentadas, a que apresenta melhores resultados &eacute; o comprometimento afetivo (3,68), face ao de continuidade (3,55) e ao normativo (3,30).</p>     <p>No desempenho profissional, a m&eacute;dia de todos os indicadores &eacute; de 3,70. Das 5 dimens&otilde;es do desempenho, os maiores valores recaem na dimens&atilde;o &laquo;trabalho&raquo;, com um valor m&eacute;dio de 4.</p>     <p>No sentido de preparar os dados para a an&aacute;lise, procedemos a um escrut&iacute;nio da normalidade univariada, recorrendo a medidas de achatamento (<i>kurtosis</i>) e de assimetria (<i>skewness</i>) e identifica&ccedil;&atilde;o de eventuais valores aberrantes (<i>outliers</i>), tendo sido eliminados os valores causadores de perturba&ccedil;&atilde;o. Os valores obtidos (maior valor absoluto de simetria &eacute; 1,4 e de achatamento &eacute; 1,9) garantem a aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; normalidade multivariada, n&atilde;o pondo em causa a qualidade dos &iacute;ndices de ajustamento e das estimativas dos par&acirc;metros<sup>32</sup>.</p>     <p><b>Resultados do modelo de medida</b></p>     <p>A an&aacute;lise do modelo te&oacute;rico, e das rela&ccedil;&otilde;es entre os constructos, foi feita com recurso a modelos de equa&ccedil;&otilde;es estruturais, utilizando&#8208;se para o efeito o programa Amos, vers&atilde;o 22 para Windows. Para a constru&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o do modelo te&oacute;rico, seguimos os procedimentos propostos por Hair et al.<sup>34</sup>. O modelo de medida foi estimado pelo m&eacute;todo da m&aacute;xima verosimilhan&ccedil;a, assumindo a correla&ccedil;&atilde;o entre os constructos.</p>     <p>Considerando as recomenda&ccedil;&otilde;es de diversos autores da &aacute;rea<sup>33,34</sup>, efetu&aacute;mos uma an&aacute;lise das propriedades psicom&eacute;tricas das escalas de medida utilizadas (nomeadamente, a unidimensionalidade, fiabilidade e validez convergente e discriminante), a partir da an&aacute;lise fatorial confirmat&oacute;ria.</p>     <p>Efetuamos a an&aacute;lise da consist&ecirc;ncia interna de cada constructo separadamente atrav&eacute;s do alfa de Cronbach, das correla&ccedil;&otilde;es entre os itens e da correla&ccedil;&atilde;o de cada item com o total da escala. Durante este processo de depura&ccedil;&atilde;o alguns indicadores foram retirados: os itens cuja correla&ccedil;&atilde;o fosse inferior a 0,25 ou cuja elimina&ccedil;&atilde;o permitisse obter um alfa consideravelmente maior.</p>     <p>Para o MI a decis&atilde;o de reter todos os indicadores mostrou&#8208;se adequada.</p>     <p>O comportamento da escala da satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho mostrou algumas fragilidades e inconsist&ecirc;ncias, as quais, potencialmente, est&atilde;o relacionadas com a dificuldade sentida pelos respondentes na interpreta&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios itens em sentido reverso. Ap&oacute;s a an&aacute;lise das correla&ccedil;&otilde;es e do significado de cada quest&atilde;o, decidimos considerar unicamente os itens referentes &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o com a remunera&ccedil;&atilde;o no trabalho. Desta forma, para este estudo, a escala considerada refere&#8208;se &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o com a remunera&ccedil;&atilde;o no trabalho, apresentando um &iacute;ndice de consist&ecirc;ncia interna razo&aacute;vel (alfa de Cronbach = 0,771). No comprometimento organizacional apenas foram retirados 2 indicadores, e na escala do desempenho profissional todos os itens foram mantidos.</p>     <p>Na <a href="#t3">tabela 3</a>, apresent&aacute;mos os itens do modelo ajustado e os respetivos coeficientes (padronizados e n&atilde;o padronizados), erros padr&atilde;o e os r&aacute;cios cr&iacute;ticos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a11t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A verifica&ccedil;&atilde;o da validade dos constructos foi feita analisando a validade fatorial, a validade convergente e a validade discriminante. Todos os itens t&ecirc;m coeficientes estandardizados superiores a 0,5, ficando por isso garantida a validade fatorial de cada constructo, confirmando que a especifica&ccedil;&atilde;o dos itens &eacute; correta<sup>32</sup>. A validade convergente foi avaliada pela vari&acirc;ncia m&eacute;dia extra&iacute;da (<a href="#t4">tabela 4</a>), cujos valores superiores ou iguais a 0,5 s&atilde;o indicadores de validade convergente adequada<sup>34</sup>. Efetuamos a verifica&ccedil;&atilde;o da validade discriminante comparando a raiz quadrada da vari&acirc;ncia m&eacute;dia extra&iacute;da de cada par de constructos, com os coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o entre esses constructos. Os valores das correla&ccedil;&otilde;es e da vari&acirc;ncia m&eacute;dia extra&iacute;da apresentados na <a href="#t4">tabela 4</a>, mostram que todos os constructos cumpriram estas condi&ccedil;&otilde;es, ficando garantida a sua validade discriminante.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a11t4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Relativamente &agrave; fiabilidade, ou consist&ecirc;ncia interna, dos constructos, os valores da fiabilidade comp&oacute;sita variam entre 0,817&#8208;0,939 (<a href="#t4">tabela 4</a>), os quais se situam acima de 0,7, que &eacute; o valor indicado por diversos autores<sup>32,34</sup> como o m&iacute;nimo para uma fiabilidade apropriada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados do modelo estrutural</b></p>     <p>Procedemos &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o da validade do modelo estrutural, examinando as rela&ccedil;&otilde;es entre as vari&aacute;veis latentes e testar as hip&oacute;teses postuladas. A qualidade do ajustamento do modelo estrutural pode ser aferida a partir de diversos &iacute;ndices. Os valores obtidos para os &iacute;ndices de ajustamento do modelo estrutural s&atilde;o semelhantes aos do modelo de medida: teste do qui&#8208;quadrado (<i>X</i><sup>2</sup><sub>(988)</sub> = 1.359,56; n = 135; p &lt; ,001), <i>X</i><sup>2</sup>/gl = 1,376, CFI = 0,903 e RMSEA = 0,053, garantindo uma boa qualidade de ajustamento do modelo estrutural.</p>     <p>Depois de analisar os valores obtidos, que indicam uma qualidade positiva do modelo e uma avalia&ccedil;&atilde;o fi&aacute;vel dos seus par&acirc;metros, segue&#8208;se a an&aacute;lise do poder explicativo das vari&aacute;veis (teste das hip&oacute;teses propostas). Na <a href="#t5">tabela 5</a> constam os valores dos coeficientes, erro padr&atilde;o e r&aacute;cio cr&iacute;tico para cada caminho hipotetisado no modelo estrutural. Real&ccedil;amos que, dada a limitada dimens&atilde;o da amostra, procurou&#8208;se desenvolver um modelo o mais parcimonioso poss&iacute;vel, de modo a consumir um menor n&uacute;mero de graus de liberdade. Ou seja, apenas consider&aacute;mos na nossa an&aacute;lise estrutural os relacionamentos dos conceitos te&oacute;ricos de 2.&ordf; ordem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="t5"></a> <img src="/img/revistas/rpsp/v34n3/34n3a11t5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Das 6 rela&ccedil;&otilde;es propostas no modelo estrutural, 4 foram suportadas pelos dados. Ou seja, existe uma influ&ecirc;ncia positiva e significativa entre o MI e a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho, na dimens&atilde;o satisfa&ccedil;&atilde;o com a remunera&ccedil;&atilde;o (H1: &beta; = 0,749; p = 0,001). Igualmente, o MI tem um efeito positivo e significativo no comprometimento organizacional (H2: &beta; = 0,654; p = 0,001). A influ&ecirc;ncia da satisfa&ccedil;&atilde;o no comprometimento revelou&#8208;se positiva e significativa (H4: &beta; = 0,395; p = 0,001), assim como a associa&ccedil;&atilde;o entre o comprometimento e o desempenho profissional (H6: &beta; = 0,215; p = 0,05).</p>     <p>Contrariamente ao esperado, 2 das rela&ccedil;&otilde;es propostas n&atilde;o foram suportadas: n&atilde;o existe rela&ccedil;&atilde;o direta e significativa entre o MI e o desempenho dos colaboradores (H3) e, apesar de significativa, n&atilde;o se verifica uma rela&ccedil;&atilde;o positiva entre a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho e o desempenho profissional (H5).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Ao estudar as pr&aacute;ticas de MI numa amostra de enfermeiros em hospitais p&uacute;blicos portugueses, Az&ecirc;do et al.<sup>3</sup> e Az&ecirc;do e Alves<sup>19</sup> conclu&iacute;ram empiricamente que os n&iacute;veis de perce&ccedil;&atilde;o que os enfermeiros detinham sobre essas pr&aacute;ticas eram baixos. Os autores argumentam que esse facto poder&aacute; ser preocupante dada a natureza dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, uma vez que o fator humano &eacute; crucial para a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de qualidade. Os resultados do nosso estudo indicam que o n&iacute;vel de MI da organiza&ccedil;&atilde;o analisada, com base nas perce&ccedil;&otilde;es dos colaboradores, &eacute; relativamente razo&aacute;vel (valor m&eacute;dio de 3,6 numa escala de 5 pontos). Consider&aacute;mos ser este um resultado relevante, tendo em conta que, tal como j&aacute; foi referido, os estudos sobre o MI na &aacute;rea dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de ainda s&atilde;o relativamente escassos<sup>3,4</sup>.</p>     <p>Um dos principais resultados deste estudo corresponde ao suporte da hip&oacute;tese que estabelece a exist&ecirc;ncia de um relacionamento positivo entre a implementa&ccedil;&atilde;o do MI e o n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o dos colaboradores. A confirma&ccedil;&atilde;o desta liga&ccedil;&atilde;o est&aacute; em conformidade com os resultados de estudos anteriores, produzidos em contextos ligados &agrave; sa&uacute;de<sup>9,10</sup>, bem como em outros setores<sup>35</sup>. O MI &eacute; importante para este tipo de organiza&ccedil;&otilde;es, tendo consequ&ecirc;ncias positivas na satisfa&ccedil;&atilde;o com a remunera&ccedil;&atilde;o no trabalho dos colaboradores.</p>     <p>A segunda hip&oacute;tese estabelece a liga&ccedil;&atilde;o positiva entre a aplica&ccedil;&atilde;o do MI e o comprometimento organizacional. Em setores n&atilde;o especificamente ligados &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de cuidados sociais e de sa&uacute;de, s&atilde;o j&aacute; v&aacute;rios os resultados que comprovaram esta liga&ccedil;&atilde;o<sup>35</sup>. Na &aacute;rea dos servi&ccedil;os sociais e de sa&uacute;de, de igual forma, Chang e Chang<sup>5,9</sup> chegaram &agrave; conclus&atilde;o que perce&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis de MI estavam associadas com um aumento nos n&iacute;veis de comprometimento organizacional. Neste contexto, o MI constitui uma ferramenta importante para aumentar o comprometimento organizacional dos colaboradores.</p>     <p>Quando se analisa a terceira hip&oacute;tese, verific&aacute;mos que esta n&atilde;o encontra suporte nos dados. Ao contr&aacute;rio do esperado, os resultados permitem&#8208;nos concluir que o uso de t&eacute;cnicas de MI, embora influencie de uma forma positiva a satisfa&ccedil;&atilde;o e o comprometimento dos profissionais que prestam cuidados sociais e de sa&uacute;de, n&atilde;o exerce uma influ&ecirc;ncia direta no desempenho profissional. Assim, a liga&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre a implementa&ccedil;&atilde;o do MI e o desempenho &eacute; feita atrav&eacute;s das vari&aacute;veis mediadoras satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho e comprometimento organizacional. Acar, &#350;eker, Bayram e Acar<sup>36</sup> exploraram os relacionamentos diretos entre o MI e o desempenho dos colaboradores, bem como o efeito mediador do comprometimento nesta associa&ccedil;&atilde;o. Descobriram uma influ&ecirc;ncia direta e significativa entre os primeiros e um efeito mediador do comprometimento na rela&ccedil;&atilde;o MI&#8208;desempenho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente &agrave; quarta hip&oacute;tese, os resultados sustentam a sua confirma&ccedil;&atilde;o. Trata&#8208;se de uma conclus&atilde;o relevante, visto que possibilita concluir que a satisfa&ccedil;&atilde;o contribuiu positivamente para o comprometimento organizacional dos colaboradores. A confirma&ccedil;&atilde;o desta hip&oacute;tese est&aacute; em conson&acirc;ncia com resultados de investiga&ccedil;&otilde;es anteriores<sup>9,37</sup>. Quanto maiores os n&iacute;veis de satisfa&ccedil;&atilde;o (com a remunera&ccedil;&atilde;o no trabalho) dos profissionais que prestam cuidados sociais e de sa&uacute;de, mais elevados s&atilde;o os seus n&iacute;veis de comprometimento com a organiza&ccedil;&atilde;o em que prestam os seus servi&ccedil;os.</p>     <p>No que diz respeito &agrave; quinta hip&oacute;tese, apesar de se ter verificado um relacionamento significativo entre a satisfa&ccedil;&atilde;o com a remunera&ccedil;&atilde;o e o desempenho profissional, a dire&ccedil;&atilde;o desta associa&ccedil;&atilde;o ocorreu no sentido inverso ao esperado. Os resultados obtidos indicam que n&iacute;veis de satisfa&ccedil;&atilde;o (com a remunera&ccedil;&atilde;o no trabalho) inferiores est&atilde;o associados a n&iacute;veis de desempenho superiores. Algumas justifica&ccedil;&otilde;es podem ser apontadas no sentido de compreender este resultado, as quais poder&atilde;o relacionar&#8208;se com quest&otilde;es contextuais, com fatores espec&iacute;ficos &agrave; amostra e &agrave; institui&ccedil;&atilde;o em causa.</p>     <p>O facto de a rela&ccedil;&atilde;o obtida ser negativa pode estar relacionada com a situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica que o pa&iacute;s atravessa neste momento, uma vez que, dada a incerteza econ&oacute;mica, quanto maior a inseguran&ccedil;a no local de trabalho menos exigentes s&atilde;o os colaboradores, tendendo a apresentar um melhor desempenho<sup>4</sup>. Os processos de reestrutura&ccedil;&atilde;o presentes em muitas organiza&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave;s quest&otilde;es sociais e de sa&uacute;de em Portugal, aliados &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de crise e elevado desemprego, podem conduzir a que colaboradores sem v&iacute;nculos permanentes sejam menos exigentes quanto &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho.</p>     <p>No que respeita aos fatores espec&iacute;ficos, foi, de facto, detetado, na observa&ccedil;&atilde;o feita aquando da realiza&ccedil;&atilde;o da inquiri&ccedil;&atilde;o que, neste momento, os colaboradores desta institui&ccedil;&atilde;o d&atilde;o mais import&acirc;ncia &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o dos seus postos de trabalho do que ao rendimento que este lhes permite obter, devido &agrave; dificuldade que existe atualmente em encontrarem alternativas para poderem mudar de institui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Como foi dito, no processo de depura&ccedil;&atilde;o do modelo, a satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho ficou restringida &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o com a remunera&ccedil;&atilde;o. &Agrave; semelhan&ccedil;a dos resultados obtidos por Batista et al.<sup>38</sup>, para a organiza&ccedil;&atilde;o em an&aacute;lise a satisfa&ccedil;&atilde;o com a remunera&ccedil;&atilde;o poder&aacute; n&atilde;o constituir o fator principal que motiva os colaboradores a um melhor desempenho no trabalho. Recompensas n&atilde;o monet&aacute;rias, que facilitem a vida di&aacute;ria, podem ser, nesta organiza&ccedil;&atilde;o, mais relevantes como instrumento para conquistar os colaboradores e manter o seu desempenho<sup>39</sup>. A import&acirc;ncia que os colaboradores atribuem ao fator remunera&ccedil;&atilde;o &eacute; vari&aacute;vel. O facto de gostarem da sua profiss&atilde;o (mas n&atilde;o necessariamente da remunera&ccedil;&atilde;o que auferem) pode, tamb&eacute;m, estar na base do maior n&iacute;vel de desempenho.</p>     <p>Ao n&iacute;vel da escala usada para o desempenho profissional, a mesma foi baseada em apenas 5 pap&eacute;is que os colaboradores executam no trabalho, ou seja, podem n&atilde;o ter sido incorporados outros potenciais pap&eacute;is que afetem os seus comportamentos. Welbourney et al.<sup>27</sup> argumentam que, apesar do grande n&uacute;mero de estudos existentes, a pesquisa sobre satisfa&ccedil;&atilde;o no trabalho ainda tem de demonstrar uma rela&ccedil;&atilde;o consistente e significativa com o desempenho profissional. Os autores sugerem que deva ser dada devia import&acirc;ncia a outras componentes do desempenho, que n&atilde;o apenas as relacionadas com o trabalho espec&iacute;fico realizado. O n&uacute;mero de potenciais pap&eacute;is que os colaboradores poder&atilde;o desempenhar &eacute; ilimitado e as organiza&ccedil;&otilde;es tendem a diferir nos pap&eacute;is que consideram importantes para o sucesso individual<sup>27</sup>, logo, a escolha destes pap&eacute;is, e n&atilde;o de outros, poder&aacute; ter influenciado os resultados.</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o entre o comprometimento e o desempenho no setor em estudo ainda &eacute; relativamente escassa<sup>11</sup>. Mrayyan e Al&#8208;Faouri<sup>40</sup> analisaram o comprometimento para com a carreira e o desempenho profissional, concluindo que se tratam de conceitos complexos e interrelacionados que requerem investiga&ccedil;&otilde;es adicionais para que se consiga compreender, promover e manter estes fatores positivos num ambiente de trabalho. Neste contexto, a &uacute;ltima e sexta hip&oacute;tese do nosso estudo encontra suporte nos dados. Ou seja, os resultados sugerem que uma institui&ccedil;&atilde;o que trabalhe para o comprometimento dos seus colaboradores consegue obter melhores n&iacute;veis de desempenho profissional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Este estudo procurou contribuir para a literatura sobre o MI ao ampliar o conhecimento atual sobre o papel do MI no melhoramento da satisfa&ccedil;&atilde;o, comprometimento organizacional e desempenho dos colaboradores em organiza&ccedil;&otilde;es que prestam servi&ccedil;os sociais e de sa&uacute;de. Tal como j&aacute; foi referido, ainda s&atilde;o relativamente escassos os estudos que investigam os relacionamentos propostos no setor em causa. Por outro lado, ao se ter testado empiricamente o modelo proposto, foi real&ccedil;ada a import&acirc;ncia das vari&aacute;veis em an&aacute;lise na explica&ccedil;&atilde;o do desempenho profissional, o que pode ser considerado como um contributo para a literatura sobre gest&atilde;o de recursos humanos e comportamento organizacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um dos contributos deste estudo reside na an&aacute;lise da aplica&ccedil;&atilde;o do MI utilizando as perce&ccedil;&otilde;es dos colaboradores acerca das pr&aacute;ticas de marketing utilizadas. Uma grande parte das investiga&ccedil;&otilde;es aborda este conceito a partir das perce&ccedil;&otilde;es dos gestores e n&atilde;o de colaboradores que n&atilde;o se enquadrem em n&iacute;veis de gest&atilde;o. Por outro lado, o foco em determinadas categorias profissionais, como as de enfermagem e pessoal m&eacute;dico, tem sido predominante face a outras, o que n&atilde;o &eacute; o caso neste estudo.</p>     <p>O estudo &eacute; significativo para organiza&ccedil;&otilde;es que prestam servi&ccedil;os sociais e de sa&uacute;de, pois pode ajud&aacute;&#8208;los a compreender algumas vari&aacute;veis organizacionais que desempenham um papel cr&iacute;tico no desempenho dos colaboradores. Esta investiga&ccedil;&atilde;o pode ajudar os gestores a perceber como os seus colaboradores reagem &agrave;s t&eacute;cnicas de MI aplicadas. Esta compreens&atilde;o revela&#8208;se fundamental, uma vez que influencia a satisfa&ccedil;&atilde;o, o comprometimento organizacional e o desempenho dos colaboradores. Desta forma, as pr&aacute;ticas de marketing no interior da institui&ccedil;&atilde;o devem ser continuamente refor&ccedil;adas.</p>     <p>Neste tipo de setor a elevada qualidade dos servi&ccedil;os prestados depende fortemente das atitudes e comportamentos dos colaboradores (os que est&atilde;o na linha da frente e os que est&atilde;o nos servi&ccedil;os de apoio). Tendo em conta o trabalho espec&iacute;fico dos colaboradores que atuam na &aacute;rea social e da sa&uacute;de, os gestores e profissionais do setor devem estar conscientes da import&acirc;ncia da ado&ccedil;&atilde;o de medidas que promovam melhorias na satisfa&ccedil;&atilde;o e no comprometimento organizacional. De um ponto de vista estrat&eacute;gico, ao melhor compreender as din&acirc;micas internas de marketing e os seus efeitos, gestores e profissionais de cuidados sociais e de sa&uacute;de podem, potencialmente, melhorar o seu relacionamento com os clientes externos. Isto representa uma oportunidade para melhorar a qualidade dos servi&ccedil;os prestados aos utentes/benefici&aacute;rios.</p>     <p>Algumas limita&ccedil;&otilde;es e propostas de estudos futuros podem ser apontadas. Uma das principais dificuldades deveu&#8208;se &agrave; suscetibilidade dos conceitos em estudo, a qual conduziu a alguma resist&ecirc;ncia inicial (por parte da institui&ccedil;&atilde;o e seus colaboradores) na participa&ccedil;&atilde;o no estudo. Al&eacute;m disso, no servi&ccedil;o de atendimento permanente do hospital n&atilde;o nos foi poss&iacute;vel obter respostas. Seria interessante saber como se comporta o modelo proposto num servi&ccedil;o em que a frequ&ecirc;ncia de trabalho difere de dia para dia e a press&atilde;o exercida &eacute; maior.</p>     <p>O estudo foi realizado com base numa amostra por conveni&ecirc;ncia feita a partir das perce&ccedil;&otilde;es dos colaboradores de uma &uacute;nica organiza&ccedil;&atilde;o, logo n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel a generaliza&ccedil;&atilde;o dos resultados. Estudos futuros poder&atilde;o ampliar a aplica&ccedil;&atilde;o do modelo, com base em outros procedimentos de amostragem e a outras organiza&ccedil;&otilde;es do setor. Por outro lado, as vari&aacute;veis do modelo foram todas medidas a partir das perce&ccedil;&otilde;es do mesmo informante chave. Seria pertinente verificar se o padr&atilde;o dos resultados obtidos se mant&eacute;m quando, por exemplo, o desempenho profissional &eacute; avaliado pelos supervisores/gestores.</p>     <p>Finalmente, uma outra limita&ccedil;&atilde;o residiu no reduzido n&uacute;mero de investiga&ccedil;&otilde;es sobre as tem&aacute;ticas em an&aacute;lise na &aacute;rea dos cuidados sociais e de sa&uacute;de, especialmente no que respeita ao MI. Embora algumas das conclus&otilde;es que se obtiveram com a realiza&ccedil;&atilde;o deste estudo j&aacute; tivessem sido consideradas em outros estudos semelhantes, tanto quanto se sabe, ainda n&atilde;o se tinha verificado se os resultados se mantinham quando aplicados neste setor, ao considerar as vari&aacute;veis estudadas de forma integrada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>1. Varey R.J., Lewis B.R. A broadened conception of internal marketing. Eur J Mark. 1999;33:926-44.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808316&pid=S0870-9025201600030001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>2. Chen Y.-C., Lin S. Applying importance&#8208;performance analysis for improving internal marketing of hospital management in Taiwan. IJBR. 2013;6:45-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808318&pid=S0870-9025201600030001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Az&ecirc;do D., Alves H., Wymer W. Internal marketing in Portuguese health care, public policy and administration. Public Policy Admin. 2012;11:641-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808320&pid=S0870-9025201600030001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Iliopoulos E., Priporas C.V. The effect of internal marketing on job satisfaction in health services: A pilot study in public hospitals in Northern Greece. BMC Health Serv Res. 2011;11:261-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808322&pid=S0870-9025201600030001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Chang C.S., Chang H.C. Perceptions of internal marketing and organizational commitment by nurses. J Adv Nurs. 2009;65:92-100.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808324&pid=S0870-9025201600030001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Mosahab R., Mahamad O., Ramayah T. Motivational orientation as an internal marketing tool in service training: A study of service delivery in a hospital. JSBM. 2011;6:93-100.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=808326&pid=S0870-9025201600030001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Financiamento</b></p>     <p>A realiza&ccedil;&atilde;o deste trabalho beneficiou do financiamento do projeto: UID/SOC/0411/2013/CETRAD.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Autoria</b></p>     <p>A. Rodrigues coordenou o estudo, desde a conce&ccedil;&atilde;o do projeto at&eacute; &agrave; an&aacute;lise dos dados e foi respons&aacute;vel pela reda&ccedil;&atilde;o de uma parte do manuscrito.</p>     <p>A. Queir&oacute;s colaborou em todas as etapas do estudo e foi respons&aacute;vel pela reda&ccedil;&atilde;o de uma parte do manuscrito.</p>     <p>C. Pires contribuiu na revis&atilde;o do manuscrito e nas an&aacute;lises estat&iacute;sticas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conflito de interesses</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os autores declaram n&atilde;o haver conflito de interesses.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido 7 de Fevereiro de 2015 <br />   Aceito 24 de Agosto de 2016</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#topc0">Autor para correspondência:</a><a name="c0"></a>     <p><a href="mailto:anarodri@utad.pt">anarodri@utad.pt</a></p>      ]]></body><back>
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