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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Concentrações e fluxos de nutrientes no gotejo e escorrimento do tronco de Fraxinus angustifolia Vahl]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The effect of the ash-tree (Fraxinus angustifolia Vahl) crown on characteristics of throughfall and stemflow solutions was assessed in wet pastures located in north eastern Portugal. The amounts de gross rainfall, throughfall and stemflow were measured continuously and samples were periodically collected to determine pH, dissolved organic C (DOC) and N (DON), and nutrients. The annual fluxes of DOC, DON, Cl, K, Na, Ca, Mg and P in gross rainfall were, respectively, 3.93, 0.92, 0.20, 0.06, 1.81, 2.40, 1.11, 1.16, 0.29 and 0.06 g m-2, while those regarding throughfall were 4.42, 0.20, 1.82, 1.82, 0.31, 0.54, 0.62 and 0.20 g m-2; the flux of N-NH4+ was nil and that of N-NO-3 was negative (-0.03 g m-2). The fluxes in relation with stemflow were small if expressed on a tree crown projection area basis, but can be much greater if the actual area affected is considered. The amounts and distribution of nutrients turned to the soil by throughfall and stemflow may lead to soil chemical characteristics differentiation beneath tree crowns.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Freixo]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"> <b>Concentra&ccedil;&otilde;es e fluxos de nutrientes no gotejo    e escorrimento do tronco de <i>Fraxinus angustifolia</i> Vahl </b></p>     <p align="center"><b>Nutrient concentrations and fluxes in the <i>throughfall</i> and    <i>stemflow</i> of <i>Fraxinus angustifolia</i> Vahl </b></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center">Ermelinda Pereira<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>,    Manuel Madeira<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>, Francisco Gon&ccedil;alves    de Abreu<sup><a href="#2">2</a></sup> </p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center"></p>     <p align="center"> <b>RESUMO</b> </p>     <p> Avaliou-se a concentração e os fluxos de nutrientes no gotejo e no escorrimento    do tronco de freixo (<i>Fraxinus angustifolia</i> Vahl), num lameiro do Nordeste    de Portugal. A precipitação bruta, a precipitação sob coberto (<i>throughfall</i>)    e o escorrimento do tronco (<i>stemflow</i>) foram objecto de monitorização    e amostras foram colhidas periodicamente para determinação do pH, dos teores    de carbono (COD) e azoto (NOD) orgânicos dissolvidos e de nutrientes. Os fluxos    anuais de COD, NOD, Cl, K, Na, Ca, Mg e P na precipitação bruta foram, respectivamente,    3.93, 0.92, 0.20, 0.06, 1.81, 2.40, 1.11, 1.16, 0.29 e 0.06 g m<Sup>-2</Sup>,    enquanto no gotejo foram de 4,42, 0,20, 1,82, 1,82, 0,31, 0,54, 0,62, 0.20 g    m<Sup>-2</Sup>; o fluxo de N-NH<Sub>4</Sub><Sup>+ </Sup>foi nulo e o de N-NO<Sup>-</Sup><Sub>3    </Sub>foi negativo (-0,03 g m<Sup><Sup>-</Sup><Sup>2</Sup></Sup>). A expressão    dos fluxos devido ao escorrimento do tronco variará com a área influenciada    por esta solução. A restituição de nutrientes ao solo pelo gotejo e pelo escorrimento    do tronco poderá contribuir para diferenciar as características do solo sob    a copa das árvores. </P>     <p> <b>Palavras-chave</b>: Freixo, gotejo, nutrientes, precipitação bruta, solo.  </P>     <p>&nbsp; </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"> <b>ABSTRACT</b> </p>     <p> The effect of the ash-tree (<i>Fraxinus angustifolia</i> Vahl) crown on characteristics    of <i>throughfall</i> and <i>stemflow</i> solutions was assessed in wet pastures located in    north eastern Portugal. The amounts de gross rainfall, <i>throughfall</i> and <i>stemflow</i>    were measured continuously and samples were periodically collected to determine    pH, dissolved organic C (DOC) and N (DON), and nutrients. The annual fluxes    of DOC, DON, Cl, K, Na, Ca, Mg and P in gross rainfall were, respectively, 3.93,    0.92, 0.20, 0.06, 1.81, 2.40, 1.11, 1.16, 0.29 and 0.06 g m<Sup>-2</Sup>, while    those regarding <i>throughfall</i> were 4.42, 0.20, 1.82, 1.82, 0.31, 0.54, 0.62 and    0.20 g m<Sup>-2</Sup>; the flux of N-NH<Sub>4</Sub><Sup>+ </Sup>was nil and    that of N-NO<Sup>-</Sup><Sub>3 </Sub>was negative (-0.03 g m<Sup>-2</Sup>).    The fluxes in relation with <i>stemflow</i> were small if expressed on a tree crown    projection area basis, but can be much greater if the actual area affected is    considered. The amounts and distribution of nutrients turned to the soil by    <i>throughfall</i> and <i>stemflow</i> may lead to soil chemical characteristics differentiation    beneath tree crowns. </P>     <p> <b>Key-words</b>: Ash-tree, gross rainfall, <i>throughfall</i>, nutrients,    soil. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p> <b>INTRODUÇÃO</b> </p>     <p> Os lameiros com árvores espaçadas constituem um sistema característico das    paisagens do Nordeste de Portugal. Esse sistema, como o montado (Nunes <i>et    al.</i>, 2003), caracterizase na generalidade por uma estrutura espacial heterogénea,    permitindo diferenciar áreas claramente influenciadas pelas copas da árvores,    de outras onde os múltiplos efeitos destas, em caso de existir, se fazem notar    de forma débil e indirecta. Estudos em sistemas semelhantes relatam que as árvores    espaçadas podem levar à ocorrência de ilhas de fertilidade devido ao acréscimo    de <i>inputs</i> de resíduos orgânicos e de nutrientes que transferem para o solo via    queda de folhas, senescência das raízes, gotejo e escorrimento ao longo do tronco.    Segundo Gersper &amp; Holowaychuk (1970) e Seiler &amp; Matzner (1995), o escorrimento    do tronco e o gotejo podem determinar gradientes de humidade e de nutrientes    a partir do tronco das árvores e assumir um papel importante na diferenciação    espacial das características físicas e químicas do solo. </P>     <p> O papel da copa das árvores na modificação das características químicas da    precipitação tem sido documentado em vários estudos referentes a diversas espécies    florestais (Parker, 1983; Gauquelin <i>et al.</i>, 1992; Seiler &amp; Matzner, 1995;    Rodá <i>et al.</i>, 2002; Nunes <i>et al.</i>, 2003). O fluxo de nutrientes através do gotejo    é frequentemente atribuído à precipitação, deposição seca e lixiviação dos solutos    intracelulares da folhagem. No entanto, alguns nutrientes não mostram esse    enriquecimento porque são absorvidos pela folhagem e líquenes (Moreno <i>et al.</i>,    2001). A discriminação dos processos que ocorrem na copa torna-se importante,    uma vez que a deposição húmida e seca corresponde frequentemente a <i>inputs</i> externos    para o sistema, enquanto que a lixiviação representa a recirculação de nutrientes    dentro do sistema (Rodrigo <i>et al.</i>, 2003). </P>     <p> Em Portugal foram efectuados alguns estudos em sistemas florestais ou agroflorestais,    em que se analisou o contributo da precipitação e do gotejo no ciclo de nutrientes,    destacando-se os de Portela &amp; Pires (1995) num souto de Trás-os-Montes,    de Cortez (1996) e de Bispo (2002) em eucaliptais na área de Pegões; de Cortez    (1996) num pinhal na área da Companhia das Lezírias, bem como de Nunes <i>et    al.</i> (2003) em montados de <i>Quercus rotundifolia</i> Lam. no Sul de Portugal (região    de Évora). Nestes sistemas também foram estudados os efeitos do escorrimento    do tronco das árvores na variação espacial das características do solo (Cortez    <i>et al.</i>, 2004). Porém, nenhuma informação existe no respeitante ao freixo,    mormente quando se pretende analisar, em detalhe, o efeito da presença desta    espécie nos lameiros do Nordeste de Portugal. </P>     <p> Neste contexto, foi desenvolvido um estudo num lameiro localizado no Nordeste    de Portugal (região de Bragança) para avaliar o efeito das copas de freixo (i)    na intercepção da precipitação bruta e nas características químicas do gotejo    e do escorrimento do tronco e (ii) no fluxo de nutrientes para o solo e a sua    possível influência na diferenciação das características do mesmo. A informação    respeitante ao efeito na intercepção da precipitação bruta foi relatada em publicação    anterior (Pereira <i>et al.</i>, 2007). </P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b> MATERIAL E MÉTODOS </b></P>     <p> <b>Área experimental </b></p>     <p> O estudo experimental foi efectuado num lameiro localizado junto à aldeia    de Alfaião (41º 46’55’’N; 6º 24’51’’W; 510 m de altitude), pertencente ao concelho    de Bragança, no Nordeste de Portugal. Este lameiro tem uma área aproximada de    3 hectares e situa-se num pequeno vale assente em formações silúricas do complexo    vulcano silicioso (Pereira <i>et al.</i>, 2000), enquadrado numa paisagem de    relevo bastante ondulado. Os solos da área do lameiro correspondem a Fluvissolos    êutricos (FAO/UNESCO, 1988). O clima da região é do tipo mediterrânico, caracterizado    por elevada secura e temperatura no período estival, enquanto no Inverno é chuvoso    e muito frio. Em Bragança, que dista cerca de 12 km do local de estudo, a precipitação    média anual é de 741,1 mm (85,9 % no período de Outubro a Maio) e a temperatura    média anual de 11,9ºC (INMG, 1991). Na Figura 1 apresenta-se os valores mensais    da precipitação bruta e a média mensal da temperatura do ar ao longo do período    de estudo, constatando-se que durante parte deste (Novembro de 2000 a Março    de 2001) a precipitação foi muito superior à normal climatológica. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><img src="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a12f1.jpg" width="479" height="284"></P>     
<p><b>Figura 1</b> – Valores mensais da precipitação (P) e média mensal da temperatura    (T) do ar durante o período de estudo. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p> <b>Amostragens</b> </p>     <p> A quantificação da precipitação bruta e da precipitação sob coberto foi realizada    por intermédio de udómetros de pratos basculantes, modelo ARG 100 da <i>Environmental    Measurements</i>, fixos a um estrado de madeira e com a boca a 60 cm do solo.    Sob o coberto de uma árvore de freixo, que apresentava uma altura total de 17,0    m, uma altura da copa de 14,7 m, um diâmetro do tronco à altura do peito de    0,4 m e uma área de projecção vertical da copa de 104,9 m<Sup>2</Sup>, instalaram-se    4 udómetros a cerca de 1,50 m do tronco, distribuídos segundo os eixos cardeais    principais (N, S, E, W); instalou-se um udómetro fora da influência da copa    da árvore para medir a precipitação bruta. Os udómetros foram ligados a um sistema    de registo e armazenamento de dados, modelo CR10 da marca <i>Campbell Scientific</i>,    programado para registar a precipitação acumulada horária e diária. Ao lado    de cada udómetro colocou-se um garrafão com capacidade de 5 L, ancorado ao solo    através de duas estacas de ferro, que suportava no topo um funil de polietileno    com 19 cm de diâmetro, para recolha da precipitação. O funil foi rodeado por    uma rede pontiaguda em torno da sua extremidade mais larga, de forma a evitar    que as aves nele se empoleirassem, e no seu interior foi colocado uma rede de    malha de 1mm para evitar a entrada de resíduos. Estes garrafões foram envoltos    por um saco de plástico preto de forma a evitar o desenvolvimento de algas.    No final do período de cada amostragem, normalmente de duas semanas, quantificaram-se    as precipitações acumuladas e recolheram-se amostras de água para processamento    analítico. Após a quantificação e colheita de amostras, em cada data de amostragem,    os udómetros foram lavados com água destilada, após o que se aplicou 1 mL de    clorofórmio para impedir o desenvolvimento de algas. </P>     <p> A colheita do escorrimento do tronco (ET) foi efectuada através de uma caleira    helicoidal de borracha colocada à volta do tronco da árvore de forma que a água    escorrida ao longo do tronco fosse conduzida para um recipiente, com uma capacidade    de 50 L. O volume de água medido via ET foi referido à área da projecção vertical    da copa da árvore. A estimativa da quantidade de ET que atingiu o solo foi também    calculada dividindo o volume obtido durante o período de estudo, pela suposta    área de contribuição, considerando um gradiente de distância (10, 25, 50, 100    e 150 cm) em relação ao tronco da árvore. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Para a comparação entre a concentração de nutrientes (e valores de pH) na    precipitação bruta, no gotejo e no escorrimento do tronco considerou-se, no    caso do gotejo, em cada data de amostragem, a média dos quatro locais de amostragem    (N, S, E, W) sob a copa da árvore. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b> Métodos analíticos </b></p>     <p> As soluções correspondentes à PB, GO e ET, após a sua chegada ao laboratório,    foram filtradas sob um sistema de vácuo, através de uma membrana de nitrato    de celulose com uma porosidade de 0,45 µm de diâmetro e em seguida armazenadas,    a uma temperatura de –18ºC, em câmara frigorífica até à realização das análises.  </P>     <p> Os teores de Ca e Mg nas soluções, após diluição das soluções com cloreto    de estrôncio, foram determinados por espectrofotometria de absorção atómica.    As determinações do K e Na foram efectuadas directamente nas soluções por fotometria    de emissão de chama. Os teores de P e de azoto orgânico dissolvido (NOD) foram    medidos num autoanalizador fluxo contínuo e o teor de carbono orgânico dissolvido    (COD) num autoanalizador de carbono (DOC). Os teores de N-NO<Sub>3</Sub><Sup>-</Sup>e    de NNH<Sub>4</Sub><Sup>+ </Sup>foram determinados por espectrofotometria de    absorção molecular, em autoanalizador automático de fluxo segmentado (Houba    <i>et al.</i>, 1994). A determinação do pH efectuouse directamente nas soluções utilizando    um potenciómetro da marca MetrohmHM. </P>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>Cálculos e métodos estatísticos </b></p>     <p> O cálculo dos fluxos de nutrientes devido à precipitação bruta, ao gotejo    e ao escorrimento do tronco foi determinado através do somatório do produto    do volume de cada solução pela concentração de nutrientes, correspondentes aos    vários eventos de precipitação considerados. A comparação estatística entre    a concentração de nutrientes na precipitação bruta, na precipitação sob coberto    e escorrimento do tronco efectuou-se por intermédio de testes não paramétricos    H de Kruskal-Wallis, dado não ter sido possível normalizar e homogeneizar as    variâncias das amostras. As diferenças foram consideradas significativas para    p&lt; 0,05. </P>     <p>&nbsp; </P>     <p><b>RESULTADOS E DISCUSSÃO </b></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b> Características das soluções </b></p>     <blockquote>       <p><i>Carbono e azoto orgânicos dissolvidos </i></p> </blockquote>     <p>A concentração média de carbono orgânico dissolvido (COD) na precipitação bruta    (PB, 4,5 mg L<Sup>-1</Sup>) foi baixa (Quadro 1) e inferior à registada por    Moreno <i>et al.</i> (2001) em quatro sítios, considerados não poluídos, na    Província de Salamanca (5,9 a 7,1 mg L<Sup>-1</Sup>), em Espanha, sugerindo    que na área do presente estudo não existirão fontes relevantes de emissão de    carbono. As concentrações de COD no gotejo e no escorrimento ao longo do tronco    (18,2 e 58,3 mg , respectivamente) foram significativamente mais elevadas do    que na PB. Estes acréscimos seguem o padrão observado no estudo de Moreno <i>et    al.</i> (2001) em <i>Quercus rotundifolia</i>, atribuindose a processos de lavagem    e lixiviação de constituintes orgânicos dos tecidos vegetais. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b><a href="#topq1">Quadro 1</a></b><a name="q1"></a> – Valores médios de pH    e das concentrações médias ponderadas de C (COD) e N (NOD) orgânicos dissolvidos    e de nutrientes na precipitação bruta (PB), no gotejo (GO) e no escorrimento    ao longo do tronco (ET) de freixo, entre Dezembro de 2000 e Junho de 2002. </P>     <p><img src="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a12q1.jpg" width="626" height="131"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p>A concentração de azoto orgânico dissolvido (NOD) no gotejo (2,4 mg L<Sup>-1</Sup>)    também foi significativamente maior do que na PB (0,9 mg L<Sup>-1</Sup>). Porém,    o enriquecimento observado para o NOD foi menos acentuado do que o estimado    para o COD, dado que a razão COD/NOD aumentou da PB (5,0) para o GO (7,6). A    razão COD/NOD na solução de ET também foi muito mais elevada (15,3) do que na    PB e GO, sugerindo uma maior lavagem e/ou lixiviação de C relativamente ao NOD.  </P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <i>Concentração de espécies iónicas </i></P>     <p> A concentração média ponderada de NH<Sup>+</Sup><Sub>4 </Sub>(12,8 µmolc L<Sup>-1    </Sup>na PB foi significativamente menor do que no GO e no ET (respectivamente,    49,7 e 24,9 µmolc L<Sup>-1</Sup>; Quadro 1), o que se atribui à deposição atmosférica    (húmida e seca), lavagem e lixiviação da copa das árvores (Moreno <i>et al.</i>,    2001). Os acréscimos observados corroboram os relatados por Bispo (2002) e Nunes    (2004) em estudos realizados no Sul de Portugal, em <i>E. globulus</i> e <i>Q.    rotundifolia</i>, respectivamente. Contrastam, porém, com os observados por    Moreno <i>et al.</i> (2001), em <i>Q. pyrenaica</i>, e por Rodrigo <i>et al.</i>    (2003) em <i>Q. ilex</i>, que observaram uma diminuição da concentração de NH<Sup>+</Sup><Sub>4    </Sub>no GO e que atribuíram à absorção deste catião pela folhagem e, possivelmente,    à retenção pela flora epífita. As concentrações de NH<Sup>+</Sup><Sub>4 </Sub>no    gotejo correlacionaram-se positivamente com as de NOD (r = 0,75; p&lt;0,001),    reflectindo um padrão de variação comum entre elas. </P>     <p> A concentração de NO<Sup>-</Sup><Sub>3 </Sub>na PB (3,9 µmolc L<Sup>-1</Sup>)    foi ainda mais baixa do que as relatadas em estudos efectuados em áreas distantes    de fontes antropogénicas, por Moreno <i>et al.</i> (2001) na Serra de Gata (entre    7,2 a 9,5 µmolc L<Sup>-1</Sup>), por Bispo (2002) na área de Pegões (29,0 µmolc    L<Sup>-1</Sup>) e por Rodrigo <i>et al.</i> (2003) próximo de Barcelona (7,9    µmolc L<Sup>-1</Sup>). Ao contrário do observado para o NH<Sup>+</Sup><Sub>4</Sub>,    o NO<Sup>-</Sup><Sub>3 </Sub>apresentou um ligeiro decréscimo de concentração    da PB para o GO, o que deverá estar em correspondência com a possível absorção    deste anião pela folhagem de freixo. Esta tendência está em acordo com o facto    da concentração de NO<Sub>3 </Sub><sup>-</sup> ter aumentado da solução de GO    para a de ET, embora as diferenças não tenham sido significativas (p&gt;0,05).    O acréscimo de concentração observado no ET em relação à PB, devido à lixiviação    e lavagem do tronco, foi também observado, no nosso País, em plantações de <i>E.    globulus</i> (Cortez, 1996) e em montados de <i>Q. rotundifolia</i> (Nunes,    2004), e na Europa Central em florestas de <i>F. sylvatica</i> (Meiwes <i>et al.</i>,    1998). </P>     <p> A concentração de Cl<Sup>-</Sup>observada na PB (42,0 µmolc L<Sup>-1</Sup>)    foi cerca de um terço da determinada por Bispo (2002) a 30 km da costa Atlântica    (135 µmolc L<Sup>-1</Sup>), atribuindo-se a diferença à grande distância da    área do presente estudo à costa Atlântica. De facto, as elevadas concentrações    de Cl<Sup>-</Sup>na atmosfera estão normalmente associadas à proximidade do    mar, diminuindo à medida que a distância à costa aumenta, e à direcção dominante    do ventos, os quais são responsáveis pela colocação em suspensão na atmosfera    deste aerossol (Attiwill &amp; Leeper, 1987; Aber &amp; Melillo, 2001). As concentrações    de Cl<Sup>-</Sup>aumentaram significativamente na solução do GO e ET em relação    à PB. Este aumento está em linha com resultados obtidos na península Ibérica    por Moreno <i>et al.</i> (2001) em <i>Q. pyrenaica</i>, por Bispo (2002) em <i>E. globulus</i> e    por Rodrigo <i>et al.</i> (2003) em <i>Q. ilex</i>, devendose à deposição seca no coberto    vegetal, dado considerar-se que o Cl<Sup>-</Sup>não é absorvido ou lixiviado    pelos tecidos vegetais (Attiwill &amp; Leeper, 1987). </P>     <p> As concentrações dos catiões básicos (Na<Sup>+</Sup>, K<Sup>+</Sup>, Mg<Sup>2+    </Sup>e Ca<Sup>2+</Sup>) também foram significativamente maiores no GO (113,8,    190,0, 114,9 e 145,6 µmolc , respectivamente) do que na PB (53,3, 37,2, 21,1    e 73,2 µmolc L<Sup>-1</Sup>, respectivamente). No ET, á excepção do Na<Sup>+</Sup>,    as concentrações destes catiões foram significativamente mais elevadas do que    no GO (<a href="#q1">Quadro 1</a><a name="topq1"></a>). Os maiores acréscimos    no gotejo corresponderam ao Mg<Sup>2+ </Sup>e ao K<Sup>+</Sup>, enquanto no    ET o acréscimo de concentração de K<Sup>+ </Sup>foi muito maior do que o dos    outros catiões básicos (Quadro 2). Este padrão reflecte o facto do K<Sup>+ </Sup>apresentar    uma grande mobilidade nos tecidos vegetais e, por isso, ser fortemente lixiviado    dos mesmos (Marschner, 1995). Os acréscimos de concentração dos catiões básicos    no GO e ET seguem, globalmente, a tendência observada por Portela &amp; Pires    (1995) em <i>C. sativa</i>, por Nunes (2004) em <i>Q. rotundifolia</i> e por    Moreno <i>et al.</i> (2001) em <i>Q. pyrenaica</i>, estando associados à lixiviação    e lavagem das copas. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p> <b>Quadro 2 </b>– Razões entre as concentrações dos iões no gotejo (GO) e    na precipitação bruta (PB) e entre as observadas no escorrimento ao longo do    tronco (ET) e na preciptação bruta (PB). </P>     <p><img src="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a12q2.jpg" width="624" height="59"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p> A concentração de PO<Sub>4</Sub><Sup>3-</Sup>na PB (3,8 µmolc L<Sup>-1</Sup>)    afastou-se bastante da observada por Portela &amp; Pires (1995) em soutos (1,29    µmolc L<Sup>-1</Sup>) da região de Trás-os-Montes (Carrazedo de Montenegro),    e por Rodrigo <i>et al.</i> (2003) em dois locais no NE de Espanha (1,03 e 1,25    µmolc As elevadas concentrações de PO4 observadas ao longo do período de estudo    poderão estar relacionadas com fontes de emissão locais de partículas do solo    provenientes, sobretudo, da actividade agrícola, bem como da actividade da avifauna    (Ludwig, 2001). Comparativamente aos outros iões estudados, a concentração de    PO<Sub>4</Sub><Sup>3-</Sup>foi a que mais aumentou pela passagem da água da    chuva pela copa e tronco de freixo, sendo cerca de 13 vezes mais elevada no    GO e 24 vezes no ET (Quadro 2). O acréscimo de concentração de PO4<Sup>3-</Sup>no    ET em relação ao GO não corrobora o padrão observado por Portela &amp; Pires    (1995), por Cortez <i>et al.</i> (2004) e por Rodrigo <i>et al.</i> (2003) em    estudos com outras espécies florestais. Verificouse, ainda, que as concentrações    de PO<Sub>4</Sub><Sup>3-</Sup>no GO e ET se correlacionaram positivamente com    os teores de (r = 0,67, p&lt;0,01; r=062, p&lt;0,01), reflectindo semelhança    de comportamento na planta. Tal facto deverá estar em correspondência com o    elevado teor de P nas folhas verdes e folhas senescentes do freixo (Pereira,    2004), em que a razão N/P é inferior a 10, corroborando também as considerações    de Marschner (1995) acerca da mobilidade e lixiviação de P dos tecidos vegetais.    Aliás, a correlação positiva entre as concentrações PO<Sub>4</Sub><Sup>3-</Sup>e    de NOD no gotejo (r = 0,79; p&lt;0,001), reflectindo um padrão de variação comum,    também atestam a hipótese de elevada mobilidade do primeiro na folhagem do freixo.    Assim, as diferenças entre o freixo e as outras espécies, para além da concentração    e formas de P na folhagem, poderão dever-se às características morfológicas    de cada uma, nomeadamente a inclinação e densidade dos ramos, ou ainda características    locais que determinam a maior ou menor deposição das partículas do solo. Aliás,    segundo Levia &amp; Herwitz (2002) o ângulo de inclinação dos ramos determina    a maior ou menor concentração de nutrientes, que é atribuído ao tempo de contacto    da água da chuva com a superfície dos ramos. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><i> Valores de pH </i></P>     <p> O valor médio de pH da PB (7,0) foi bastante mais elevado do que os observados    em Portugal, em áreas também consideradas de reduzida influência antropogénica.    Com efeito, esse valor é, de facto, superior ao determinado por Cortez (1996)    e Bispo (2002) na área de Pegões (5,35-5,73) e Cortez (1996) na Companhia das    Lezírias (5,36), na área de Porto Alto; também foi superior aos observados por    Moreno <i>et al.</i> (2001), na Província de Salamanca (5,35 a 5,58), e por    Rodrigo <i>et al.</i> (2003) no NE de Espanha (6,58). É também mais elevado    do que o relatado por Nunes (2004) na região de Évora (6,16). Os elevados valores    de pH obtidos no presente estudo poderão ser justificados pelo baixo impacto    das acções antropogénicas na região no que se refere à actividade industrial.    Com efeito, as concentrações de NO<Sub>3 </Sub>e NH<Sub>4</Sub><Sup>+ </Sup>-iões    responsáveis pela acidez da precipitação e presentes em concentrações elevadas    em áreas sob forte influência antropogénica (Casartelli <i>et al.</i>, 2008)    - foram reduzidas e as concentrações de catiões básicos elevadas (<a href="#q1">Quadro    1</a>); aliás, o valor de pH referido também sugere que as concentrações de    SO<Sub>4</Sub><Sup>2-</Sup>devem ser diminutas. </P>     <p> Os valores médios de pH na solução do gotejo (7,8) aumentaram de forma significativa    (p&lt;0,05) em relação à PB, correspondendo a uma solução claramente alcalina;    tais valores seguindo a tendência observada por Cortez (1996) Moreno <i>et al.</i>    (2001) e Nunes (2004) em várias espécies florestais. A alteração do pH sob o    coberto depende da modificação do balanço entre espécies aniónicas e catiónicas,    devido à influência da deposição seca e da absorção ou lixiviação das mesmas    pelas copas, conforme os casos (Bispo (2002; Casartelli <i>et al.</i> 2008).    No caso do presente estudo poderá estar relacionado com a influência da lavagem    e lixiviação dos catiões básicos dos tecidos vegetais. </P>     <p> No presente estudo não foi observada a diminuição dos valores de pH na solução    do ET em relação à PB, como concluem os estudos de Cortez (1996) em <i>E. globulus</i>    e <i>P. pinaster</i> e de Moreno <i>et al.</i> (2001) em <i>Q. rotundifolia</i>.    Pelo contrário, observouse um aumento (p&lt;0,05) em cerca de 7 décimas em relação    à PB e um aumento não significativo em relação ao gotejo (p&gt;0,05) (<a href="#q1">Quadro    1</a>). Esta tendência corrobora aquela observada por Nunes (2004), em <i>Q.    rotundifolia</i>, e por Rodrigo <i>et al.</i> (2003) em <i>Q. ilex</i>. </P>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>Fluxos de nutrientes </b></p>     <p> Os fluxos anuais de alguns elementos provenientes da atmosfera (deposição    húmida e seca) diferem grandemente dos registados noutras regiões do País. Por    exemplo, os fluxos anuais de Na e Cl (1,11 e 1,81 g m<Sup>-2 </Sup>, respectivamente)    via precipitação bruta são menores do que os observados por Cortez (1996) e    Bispo (2002) na área de Pegões, o que reflecte a maior distância da área do    presente estudo ao oceano. Porém, os fluxos anuais de Ca, Mg e K (1,16, 0,29    e 2,40 g m<Sup>-2</Sup>, respectivamente), no presente estudo (Quadro 3), foram    maiores do que os observados por e Cortez (1996) e Bispo (2002) na área de Pegões    (0,47, 0,16 e 0,16 g m<Sup>-2 </Sup>, respectivamente). Entre essas diferenças    ressalta a inerente ao K, a qual poderá atribuirse a fontes (emissões) locais,    dado que a área de estudo está inserida numa paisagem de rochas xistosas, cujos    solos apresentam minerais (micas) com elevado teores de K. Os fluxos anuais    das formas minerais de N (0,26 g m<Sup>-2</Sup>) são menores do que as estimadas    noutras regiões do País (0,32-0,45 g m<Sup>-2</Sup>; Cortez, 1996), o que indica    claramente que o local de estudo está ao abrigo de fontes poluidoras; porém,    o fluxo anual de NOD (0,92 g m<Sup>-2</Sup>) foi cerca de 3,5 vezes superior    ao das formas minerais. </P>     <p>&nbsp; </P>     <p><b><a name="q3"></a><a href="#topq3">Quadro 3</a></b> – Fluxos anuais de carbono    (COD) e azoto (NOD) orgânicos dissolvidos e de nutrientes na PB, GO, ET e no    gotejo líquido (GL)* e valores das correspondentes precipitações em 2001. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a12q3.jpg" width="624" height="129">  </P>     
<p>&nbsp;</P>     <p>A devolução anual de Ca e Mg ao solo através gotejo (respectivamente de 0,55    e 0,62 g m<Sup>-2</Sup>) foi da ordem de grandeza da relatada para outras espécies    florestais do País (Cortez, 1996; Bispo, 2002), ao passo que a de K (1,85 g    m<Sup>-2</Sup>) foi muito mais elevada. A diferença respeitante ao K poder-se-á    parcialmente atribuir, à maior precipitação na área do presente estudo, e que    segundo esses mesmos autores é um factor com forte influência na quantidade    de nutrientes lixiviados e/ou lavados da copa. Sublinha-se que a quantidade    de K transferida anualmente para o solo via gotejo (cerca de 1,85 g m<Sup>-2</Sup>;    Quadro 3) é superior à quantidade devolvida pela folhada (1,62 g m<Sup>-2</Sup>;    Pereira, 2004), o que está em linha com o facto do ciclo do K incluir largas    perdas da copa das árvores por gotejo (Fisher &amp; Binkley, 2000) e este elemento    não estar estruturalmente ligado em moléculas orgânicas. Os resultados do presente    estudo indicam que o freixo (espécie caducifólia) - que não apresenta folhagem    durante o período em que ocorre a maior parte da precipitação -, também apresenta    forte influência na transferência de nutrientes para o solo via gotejo. No entanto,    estudos mais detalhados, tendo em conta as componentes da sua biomassa, são    necessários para avaliar a especificidade da espécie na translocação de nutrientes    para o solo. Similarmente ao relatado para muitas espécies florestais em ecossistemas    Mediterrâneos (Bellot &amp; Escarré 1991; Cortez, 1996; Bispo, 2002), o fluxo    anual de Ca pelo gotejo (0,55 g m<Sup>-2</Sup>), ao contrário do K, foi quase    10 vezes inferior ao fluxo devido à queda de folhada (5,1 g m<Sup>-2</Sup>;    Pereira, 2004). </P>     <p>Ao contrário do observado para os catiões básicos, o fluxo de N-NO<Sub>3 </Sub>e    N-NH<Sub>4</Sub><Sup>+ </Sup>(Quadro 3) decorrente do gotejo (após passagem    da precipitação bruta pela copa de freixo) foi negativo e nulo, respectivamente.    O fluxo negativo de N-NO<Sub>3</Sub><Sup>-</Sup>observado no presente estudo,    foi também assinalado por Moreno <i>et al.</i> (2001) em <i>Q. pyrenaica</i>,    por Rodrigo <i>et al.</i> (2003) em <i>Q. ilex</i>, por Avila <i>et al.</i>    (2002) em <i>Q. rotundifolia</i> e por Moro <i>et al.</i> (1996) e Simões <i>et    al.</i> (2009) em espécies arbustivas, em ecossistemas mediterrâneos com baixa    disponibilidade de N. Para Rodrigo <i>et al.</i> (2003), o balanço negativo    (absorção líquida na superfície das folhas e ramos) poderá resultar da absorção    destes iões (N-NO<Sub>3</Sub><Sup>-</Sup>e N-NH<Sub>4</Sub><Sup>+</Sup>) pelos    tecidos vegetais e, ainda, pela retenção destes pela flora epífita. Assim, os    resultados do presente estudo sugerem que a folhagem do freixo poderá actuar    como reservatório líquido para o N, indicando que o N proveniente da atmosfera    é retido no ecossistema e contribui para a acumulação de N na vegetação e no    solo, como sugerem Rodá <i>et al.</i> (2002) para florestas Mediterrâneas. A    absorção de N pela folhagem de freixo também pode ser devida à baixa razão N/P    (inferior a 10), a qual segundo Aerts &amp; Chapin (2000), está longe da óptima    da generalidade das plantas (15) e sugere limitação da nutrição em N. </P>     <p> Apesar das concentrações de quase todos os elementos analisados atingirem    os valores mais elevados no escorrimento do tronco, à semelhança do observado    por vários autores para outras espécies florestais (Bellot &amp; Escarre, 1991;    Moreno <i>et al.</i> 2001; Nunes <i>et al.</i>, 2003; Rodrigo <i>et al.</i>,    2003), as quantidades que atingem anualmente o solo são diminutas se forem expressas    por unidade de área da projecção vertical da copa da árvore <a name="topq3"></a>(<a href="#q3">Quadro    3</a>). Porém, se considerarmos que esse escorrimento apenas influencia as áreas    circunvizinhas ao tronco da árvore, as quantidades de nutrientes por unidade    de área serão então muito maiores, variando segundo um modelo exponencial negativo    com a distância ao tronco, como se pode observar na Figura 2. Assim, as quantidades    de nutrientes transferidas para o solo na proximidade do tronco poderão ser    muito superiores àquelas transferidas pelo gotejo; por exemplo, a quantidade    de K devolvido anualmente ao solo, se admitirmos que se distribui por uma coroa    circular de 25 cm de raio, pode atingir 4,7 g m<Sup>-2</Sup>, o que é muito    superior à quantidade devolvida por gotejo (1,85 g m<Sup>-2</Sup>), considerando    que a distribuição deste sob a copa é uniforme; porém, se considerarmos que    a solução de escorrimento se distribui por uma coroa circular com 1,5 m de raio,    as quantidades que atingem o solo são diminutas (Figura 2). A grande quantidade    de nutrientes devolvidos ao solo na vizinhança do tronco é corroborada pela    elevada concentração de K extraível observada no solo da proximidade do tronco    do freixo (Pereira, 2004) e doutras espécies de sistemas tipo savana (Nunes,    2004; Belsky <i>et al.</i>, 1989); com efeito, o primeiro autor observou teores    de K e P extraíveis muito maiores a 25 cm do tronco (275 e 35 mg kg<Sup>-1</Sup>,    respectivamente) do que no limite da projecção da copa da árvore (90 e 11 mg    kg<Sup>-1</Sup>, respectivamente). Ou seja, o escorrimento do tronco contribui    para o gradiente de fertilidade do solo da proximidade do tronco para a periferia    da copa da árvore. Por fim, sublinha-se a elevada quantidade de COD que é transferida    anualmente para o solo em redor do tronco da árvore (4,49 g m<Sup>-2</Sup>;    Figura 2). Este fluxo de compostos orgânicos solúveis deverá estimular a actividade    microbiana e influenciar o quociente metabólico e, por conseguinte, a dinâmica    do carbono no solo, como foi observado por Pérez-Bejarano <i>et al.</i> (2008)    para condições mediterrâneas. </P>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a12f2.jpg" width="633" height="453"></p>     
<p> <b>Figura 2</b> – Fluxos anuais médios de elementos pelo escorrimento do tronco,    segundo um gradiente de distância em relação ao tronco (considerando uma coroa    circular à volta do tronco da árvore com 0,1, 0,25, 0,50, 1,0 e 1,5 m de raio).  </P>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>CONCLUSÕES</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A deposição atmosférica (seca e húmida) foi mínima relativamente aos aniões    considerados acidificantes, enquanto as correspondentes ao Ca e K são muito    elevadas relativamente às determinadas noutros pontos do País. A passagem da    precipitação através da copa do freixo conduziu, em geral, a um aumento dos    valores de pH, dos teores de COD, NOD e de nutrientes, à excepção do NO3<Sup>-</Sup>,    da solução de gotejo e escorrimento ao longo do tronco, em relação à PB, devido    à lavagem e/ ou lixiviação dos tecidos vegetais. As elevadas quantidades de    nutrientes restituídas ao solo através destas soluções poderão contribuir para    a diferenciação das características químicas e físicas do solo sob copa. O presente    estudo, também sugere que os <i>inputs</i> de catiões básicos estão relacionados    com as condições do meio e que a quantidade de nutrientes devolvidos ao solo    pela espécie caducifólia, podem ser superiores aos relatados para espécies perenifólias.    Os resultados sugerem que a deposição atmosférica e o gotejo (e escorrimento    do tronco) podem contribuir para minimizar processos de acidificação. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p> <b>AGRADECIMENTOS</b> </p>     <p> O presente estudo foi realizado no âmbito dos Projectos “Influência das interacções    solo -vegetação herbácea -árvore na valorização de sistemas agro florestais    no Nordeste Transmontano” (PAMAF 8047) e “O freixo (<i>Fraxinus angustifolia</i>    Vahl) como elemento valorizador dos sistemas agro-florestal e florestal no Nordeste    Transmontano” (AGRO 207). Os autores agradecem ao Prof. João Coutinho a realização    das análises no laboratório de solos da UTAD, bem como às Engenheiras Ana Mafalda,    Sónia Beito e Ana Pinto a colaboração nas tarefas de campo. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p> <b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b> </p>     <p> Aber, J.D. &amp; Melillo, J.M. (2001) -<i>Terrestrial Ecosystems.</i> Academia    Press, London. </P>     <p> Aerts, R. &amp; Chapin, F.S. (2000) -The mineral nutrition of wild plants    revisited: A reevaluation of processes and patterns. <i>Advances in Ecological    Research</i> 30: 1-67. </P>     <p> Attwill, P. &amp; Leeper, G.W. (1987) -<i>Forest Soils and Nutrient Cycles.</i>    Melbourne University Press, Carlton.</P>     <p> Ávila, A.; Rodrigo, A. &amp; Roda, F. (2002) -Nitrogen circulation in a Mediterranean    holm oak forest, La Castanya, Montseny, northeastern Spain. <i>Hydrology and    Earth Systems Sciences </i>6: 551-557 </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Bellot, J., &amp; Escarré, A. (1991) Chemical characteristics and temporal    variations of nutrients in <i>throughfall</i> and <i>stemflow</i> of three species    in Mediterranean holm oak forest. <i>Forest Ecology and Management </i>41: 125-135  </P>     <p> Belsky, A.J.; Amundson, R.G.; Duxbury, J.M.; Riha, S.J.; Ali, A.R. &amp; Mwonga,    S.M. (1989) – The effects of trees on their physical, chemical and biologicalç    environment in a semi-arid savanna in Kenya. <i>Journal of Applied Ecology</i>    26: 1005-1024. </P>     <p> Bispo, R.M.B. (2002) -<i>Meteorologia da Camada Limite e Deposição Atmosférica    numa Superfície Vegetal (Eucalyptus globulus). </i>Dissertação de Doutoramento.    Instituto Superior de Agronomia, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa. </P>     <p> Casartelli, M.R.; Mirlean, N.; Peralba, M.C.; Barrionuevo, S.; Gómez-Rey,    M.X. &amp; Madeira, M. (2008) -An assessment of the chemical composition of    precipitation and <i>throughfall</i> in rural-industrial gradients in wet subtropics    (Southern Brazil). Environmental Monitoring and Assessment 144, 1: 105-116.  </P>     <p> Cortez, N.R.S. (1996) -C<i>ompartimentos e Ciclos de Nutrientes em Plantações    de Eucalyptus globulus Labill. ssp. globulus e Pinus pinaster Aiton.</i> Dissertação    de Doutoramento. Instituto Superior de Agronomia, Universidade Técnica de Lisboa,    Lisboa. </P>     <!-- ref --><p> Cortez, N.; Nunes, J. &amp; Madeira, M. (2004) -Efeito do escorrimento ao    longo dos troncos de Eucalyptus globulus, Pinus pinaster e <i>Quercus rotundifolia</i>    no padrão de variação espacial de propriedades do solo. <i>Revista de Ciências    Agrárias </i>27, 1: 470-480. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0871-018X200900020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> FAO (1988) - <i>FAO - UNESCO Soil Map of the World, Revised Legend, with corrections.</i>    World Resources Report 60, FAO, Rome (Reprinted as Technical Paper 20, ISRIC,    Wageningen, 1994). </P>     <p> Fisher, R. F. &amp; Binkley, D. (2000) – <i>Ecology and Management of Forest    Soils</i> (Third Edition). John Wiley &amp; Sons, Inc. New York. </P>     <p> Gauquelin, T.; Fromard, F.; Badri, W. &amp; Dagnac, J. (1992) - Apports d’éléments    minéraux au sol par l’intermédiaire de la litère, des pluies et des pluviolessivats    dans un peuplement à genévrier (<i>Juniperus thurifera</i> L) du Haut Atlas    occidental (Maroc). <i>Annals of Forest Science</i> 49: 599-614. </P>     <p> Gersper, P.L. &amp; Holowaychuk, N. (1970) - Effects of <i>stemflow</i> water    on a Miami Soil near a beech tree: II. Chemical properties. S<i>oil Science    Society American Proceedings</i> 34:786-794. </P>     ]]></body>
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(1995) - <i>Mineral Nutrition of Higher Plants.</i> Academic    Press, London. </P>     <p> Meiwes, K.J.; Merino, A. &amp; Beese, F.O. (1998) -Chemical composition of    <i>throughfall</i>, soil water, leaves and leaf litter in a beech forest receiving    long term application of ammonium sulphate. <i>Plant and Soil</i> 201: 217-230.  </P>     <p> Moreno, G.; Gallardo, J.F. &amp; Bussotti, F. (2001) -Canopy modification    of atmospheric deposition in oligotrophic Quercus pyrenaica forests of an unpolluted    region (central-western Spain). <i>Forest Ecology and Management </i>149: 47-60.  </P>     <p> Moro, M.J.; Domingo, F. &amp; Escarré, A. (1996) -Organic matter and nitrogen    cycles in a pine afforested catchment with a shrub layer of Adenocarpus decorticans    and Cistus laurifolius in south-eastern Spain. <i>Annals of Botany </i>78: 675-685  </P>     <p> Nunes, J.M.S.D. 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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p> <Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a> </Sup>Superior Agrária de Bragança,    Apartado 172, 5301-855 Bragança, Portugal – Tel: (+351) 273 303 384 – Fax: (+351)    273 325 405; e-mail: <a href="mailto:epereira@ipb.pt">epereira@ipb.pt</a>; </P>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a> </Sup>Instituto Superior de Agronomia,    Universidade Técnica de Lisboa, Tapada de Ajuda, 1349-017, Lisboa – Tel: (+351)    213 653 100; e-mail: <a href="mailto:mavmadeira@isa.utl.pt">mavmadeira@isa.utl.pt</a>  </P>     <p>&nbsp; </P>     <p> <b>Recepção/Reception: 2009.06.08 </b></P>     <p><b>Aceitação/Acception: 2009.07.08 </b></P>       ]]></body><back>
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