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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Carbono e nutrientes na biomassa aérea arbórea, vegetação sob coberto e solo numa cronossequência de povoamentos de pinhal bravo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Biomass and nutrient amounts accumulated in the above ground biomass along the rotation period of maritime pine stands of the Leiria National Forest were evaluated. Amounts of biomass and nutrients of understory were also assessed. Furthermore, mass and nutrients in organic soil layers, as well as nutrient amounts in mineral soil layers (up to 100 cm depth) were evaluated. A strong increment of above ground biomass and accumulated nutrients was observed along the rotation period, with maximum at the end. A similar increment of organic C and nutrients was also observed in the mineral soil layers in the later rotation stage, being mostly allocated to the top soil layers (0-20 cm). Organic C was equally distributed by the above ground biomass and mineral soil, while N and Ca were mostly allocated to the soil. Phosphorus was largely allocated to the organic soil layers and harvest residues, and Mg and K showed an intermediate pattern. Results suggest that system disturbances associated with stand exploitation (harvesting, log removal, harvest residues removal, microclimate changes) may provoke strong variations on the organic C stock and nutrient availability. Proper site management to avoid organic matter and nutrient losses are crucial to assure system sustainability.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"> <b>Carbono e nutrientes na biomassa a&eacute;rea arb&oacute;rea,    vegeta&ccedil;&atilde;o sob coberto e solo numa cronossequ&ecirc;ncia de povoamentos    de pinhal bravo </b></p>     <p align="center"><b>Carbon and nutrient amounts in aboveground biomass, understory    and soil in a pine stand chronosequence </b></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <P align="center"> Manuel Madeira<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>,    Ant&oacute;nio Fabi&atilde;o<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>,    Fernando P&aacute;scoa<sup><a href="#2">2</a></sup>, Maria do Carmo Magalh&atilde;es<sup><a href="#2">2</a></sup>,    Maria Cristina Cameira<sup><a href="#2">2</a></sup>, Carlos Ribeiro<sup><a href="#2">2</a></sup>,<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a></P>     <P align="center">&nbsp;</P>     <p align="center"> <b>RESUMO</b> </p>     <p> Avaliou-se a biomassa e a quantidade de nutrientes da parte aérea de povoamentos    de pinhal bravo da Mata Nacional de Leiria, com idades abrangendo o período    da respectiva revolução, bem como da vegetação sob coberto. A massa e nutrientes    das camadas orgânicas e a quantidade de nutrientes nas camadas minerais do solo,    até um metro de profundidade, foram também avaliadas. Observou-se um acréscimo    da biomassa da parte aérea e da quantidade de nutrientes ao longo da revolução,    com os máximos no final da mesma. Nas camadas minerais do solo, observou-se    semelhante acréscimo da quantidade de C orgânico e de nutrientes com o avançar    da revolução, sobretudo nas camadas superficiais do solo (0-20 cm). A quantidade    de C e nutrientes na vegetação sob coberto e nas camadas orgânicas representou    uma fracção muito inferior à acumulada nas componentes anteriores. O C orgânico    encontrase distribuído em proporção semelhante pelo solo e biomassa aérea, enquanto    o N e o Ca estão sobretudo acumulados no solo. O P apresenta-se em elevada proporção    nas camadas orgânicas e nos resíduos de abate; o Mg e o K apresentam situação    intermédia. Os resultados sugerem que as perturbações decorrentes da exploração    dos povoamentos (abate, exploração, remoção de biomassa e modificações de microclima)    provocam fortes variações na quantidade de C orgânico e nutrientes no sistema.    A gestão apropriada dos resíduos de abate e das camadas orgânicas é crucial    para minimizar a perda de matéria orgânica e de nutrientes e assegurar a sustentabilidade    do sistema. </P>     <p> <b>Palavras-chave</b>: pinheiro bravo, biomassa, carbono, nutrientes, Mata    de Leiria. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"> <b>ABSTRACT</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Biomass and nutrient amounts accumulated in the above ground biomass along    the rotation period of maritime pine stands of the Leiria National Forest were    evaluated. Amounts of biomass and nutrients of understory were also assessed.    Furthermore, mass and nutrients in organic soil layers, as well as nutrient    amounts in mineral soil layers (up to 100 cm depth) were evaluated. A strong    increment of above ground biomass and accumulated nutrients was observed along    the rotation period, with maximum at the end. A similar increment of organic    C and nutrients was also observed in the mineral soil layers in the later rotation    stage, being mostly allocated to the top soil layers (0-20 cm). Organic C was    equally distributed by the above ground biomass and mineral soil, while N and    Ca were mostly allocated to the soil. Phosphorus was largely allocated to the    organic soil layers and harvest residues, and Mg and K showed an intermediate    pattern. Results suggest that system disturbances associated with stand exploitation    (harvesting, log removal, harvest residues removal, microclimate changes) may    provoke strong variations on the organic C <i>stock</i> and nutrient availability.    Proper site management to avoid organic matter and nutrient losses are crucial    to assure system sustainability. </P>     <p> <b>Key-words:</b> maritime pine, biomass, carbon, nutrients, Leiria National    Forest. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p> <b>INTRODUÇÃO</b> </p>     <p> Os povoamentos de pinheiro bravo (<i>Pinus pinaster</i> Ait.) ocupam em Portugal    uma área de cerca de 710 000 ha (área de povoamentos puros, mistos dominantes    e jovens actualizada a 2005/2006 pelo Inventário Flores-tal Nacional, disponível    em <a href="http://www.afn.min-agricultura.pt/portal/ifn/ifn-resultadospreliminares-julho-2006" target="_blank">http://www.afn.min-agricultura.pt/portal/ifn/ifn-resultadospreliminares-julho-2006</a>),    distribuindo-se sobretudo pelas regiões NUT II Centro (cerca de 400 000 ha)    e Norte (192 000 ha). A sua ocorrência no litoral do País e, em especial, nos    sistemas dunares, reveste-se de grande significado ecológico, não só pelas funções    de estabilização destes sistemas, mas também por poderem considerar-se como    uma forma de restauro de um coberto presente naturalmente nestas áreas durante    e após a última glaciação (Aguiar <i>et al.</i>, 2007). Nas dunas terciárias    e paleodunas podem mesmo constituir habitats classificados no âmbito do Plano    Sectorial da Rede Natura 2000 (designadamente os Habitats 2180 – Dunas arborizadas    das regiões atlântica, continental e boreal e 2270 – Dunas com florestas de    <i>Pinus pinea</i> ou <i>Pinus pinaster</i> subsp. <i>atlantica</i>; cf. Plano    Sectorial da Rede Natura 2000 – Habitats Naturais, em <a href="http://www.icn.pt/psrn2000/caract_habitat.htm#habitats_2" target="_blank">http://www.icn.pt/psrn2000/caract_habitat.htm#habitats_2</a>).  </P>     <p> Nas regiões NUT III do Baixo Vouga, Baixo Mondego e Pinhal Litoral, que abrangem    em larga medida a faixa arenosa ocupada por esta espécie na região Centro, os    pinhais de pinheiro bravo ocupam uma área de cerca de 130 000 ha, localizando-se    no litoral cerca de 48 000 ha de Matas Nacionais, às quais corresponde uma área    florestada, maioritariamente por pinheiro bravo, de aproximadamente 30 000 ha    (Rego, 2001). Apesar da importância deste sistema no panorama florestal português,    ao contrário do observado para outras espécies (e.g. <i>Eucalyptus globulus</i>), são    reduzidos e/ou de âmbito limitado os estudos relativos aos povoamentos de pinheiro    bravo no que respeita à acumulação e distribuição de nutrientes da biomassa    e à acumulação de carbono e nutrientes no solo. </P>     <p> As plantações florestais exploradas intensivamente determinam a acumulação    de grandes quantidades de nutrientes na biomassa aérea e nas camadas orgânicas    durante a respectiva rotação, o que pode acarretar a transferência de elevadas    quantidades de nutrientes do solo (Fisher &amp; Binkley, 2000; Spangenberg <i>et al.</i>, 1996) e afectar as características do mesmo (Madeira <i>et al.</i>, 2007). As    plantações de eucalipto, as melhor estudadas em Portugal, são disso um bom exemplo    (Madeira <i>et al.</i>, 2007), dada a exploração intensiva em regime de talhadia (Jones    <i>et al.</i>, 1999; Shammas <i>et al.</i>, 2003) e a elevada quantidade de nutrientes alocada    nos respectivos resíduos de abate e camadas orgânicas (Madeira <i>et al.</i>, 1995;    Jones <i>et al.</i>, 1999). Este padrão depende naturalmente das espécies florestais    e da intensidade e regime da respectiva exploração, incluindo a duração da revolução    e as perturbações inerentes à instalação e exploração. Porém, não se conhecem    os padrões referentes ao pinheiro bravo, que tem crescimento muito mais lento    e é explorado em alto fuste e com revoluções muito mais longas (Correia &amp;    Oliveira, 2003), localizando-se as respectivas plantações em solos frequentemente    de textura muito grosseira e com baixa disponibilidade em nutrientes; além disso,    a massa das respectivas camadas orgânicas, devido à lentidão da decomposição    da folhada (Ribeiro <i>et al.</i> 2007), pode ser muito elevada e acumular grandes    quantidades de nutrientes. </P>     <p> Para fundamentar a gestão das áreas de povoamentos florestais e dos nutrientes    acumulados na respectiva biomassa e resíduos, com vista ao reforço da produtividade    e garantia da respectiva sustentabilidade, é crucial conhecer as quantidades    de nutrientes nas componentes do ecossistema (Smethurst &amp; Nambiar, 1990;    Proe &amp; Dutch, 1994; Spangenberg <i>et al.</i>, 1996; Nzila <i>et al.</i>, 2002). Além    disso, a remoção ou manutenção dos resíduos de abate é objecto de polémica devido    não só à relação entre a gestão dos resíduos e a qualidade do solo e a sustentabilidade,    mas também à necessidade urgente de novas formas de energia que possam substituir    os combustíveis fósseis (Cowie <i>et al.</i>, 2006; Stupak <i>et al.</i>, 2007). Urge ainda    conhecer a dinâmica da acumulação de carbono e a sua distribuição nas componentes    dos sistemas florestais para avaliar a eficiência e evolução do respectivo sequestro    (Lal <i>et al.</i>, 1998). </P>     <p> Neste contexto, desenvolveu-se um estudo para avaliar a quantidade e distribuição    do C orgânico e de nutrientes nas componentes do ecossistema pinhal bravo, considerando    uma cronossequência abrangendo todo o período da respectiva revolução. Para    o efeito, escolheu-se para área de estudo o Pinhal da Mata Nacional de Leiria,    devido à especificidade dos respectivos solos (arenosos e considerados pobres    em nutrientes) e ao período da revolução aí seguido ser muito longo (cerca de    80 anos; Suzana Gomes, com. pessoal). Foi também objectivo deste estudo avaliar,    por intermédio do conhecimento da distribuição mencionada, o efeito da remoção    do tronco comercial e dos resíduos de abate, no final da revolução, no <i>stock</i>    de nutrientes no solo. </P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>METODOLOGIA</b> </P>     <p> <b>Área de estudo </b></p>     <p> O estudo decorreu na Mata Nacional de Leiria, mais propriamente em parcelas    dos talhões 329, 300, 164 e 279, cujos povoamentos apresentavam 14, 25, 42 e    83 anos de idade, respectivamente. A área onde actualmente se situam estes talhões    já se encontrava arborizada em 1841 (Silva &amp; Batalha, 1859; Pinto, 1939).  </P>     <p> A precipitação média anual varia entre 710 e 909 mm, respectivamente em S.    Pedro de Muel e Marinha Grande (INMG, 1991); a precipitação máxima mensal ocorre    no mês de Dezembro (113 e 133 mm, respectivamente), ao passo que o período menos    pluvioso tem lugar durante os meses de Julho a Setembro, com precipitações mensais    que variam entre 7,7 e 35,3 mm. A temperatura média anual do ar é de 14,1-14,2    ºC, sendo a temperatura média mensal mais elevada nos meses de Julho e Agosto    (17,8 e 19,2 ºC, respectivamente em S. Pedro de Muel e Marinha Grande) e a mais    baixa no mês de Janeiro (9,9 ºC). A humidade relativa do ar (às 18 horas) é    elevada e também decresce de S. Pedro de Muel (84%) para a Marinha Grande (77%).  </P>     <p> As formações geológicas da área da Mata Nacional de Leiria são maioritariamente    modernas e correspondem essencialmente a dunas e areias de dunas (Morais, 1936;    Zbyszewski &amp; Torre de Assunção, 1965). O relevo varia desde aplanado a ondulado,    em função do movimento e evolução das dunas. Os solos da Mata Nacional de Leiria    foram objecto de vários estudos, sobretudo de natureza morfológica, tendo sido    generalizadamente classificados como Podzóis ou Solos Podzolizados (Azevedo,    1944; Cabrita, 1956; Oliveira, 1967; Cardoso <i>et al.</i> 1973). Porém, estudos    mais recentes revelam que na realidade são os Arenossolos (<i>sensu</i> WRB,    2006) os solos que aí predominam (Madeira <i>et al.</i>, 2007). </P>     <p> Do ponto de vista biogeográfico a Mata de Leiria insere-se no Sector Divisório    Português e no Distrito Costeiro Português (Costa <i>et al.</i>, 2002), sendo    as espécies <i>Erica cinerea</i>, <i>Halimium alyssoides</i>, <i>Halimium ocymoides</i>    e <i>Pseudarrhenatherum longifolium</i> consideradas como diferenciais da unidade    referida. A vegetação sob coberto na área da Mata de Leiria está representada    por inúmeras espécies herbáceas e arbustivas: <i>Arbutus unedo</i>, <i>Erica    umbellata</i>, <i>Caluna vulgaris</i>, <i>Phyllirea angustifolia</i>, <i>Smilax    áspera</i>, <i>Ulex australis</i> subsp. <i>velwitchianus</i> e <i>Stauracanthos    genistoides</i> são espécies características dos pinhais litorais (cf. bioindicadores    dos Habitats respectivos, em <a href="http://www.icn.pt/psrn2000/caract_habitat.htm#habitats_2" target="_blank">http://www.icn.pt/psrn2000/caract_habitat.htm#habitats_2</a>),    tendo-se também identificado nos locais estudados as espécies <i>Andryala integrifolia</i>,    <i>Funaria hygrometrica</i>, <i>Asphodelus lusitanicus</i>, <i>Holcus mollis</i>,    <i>Briza maxima</i>, <i>Lithodora prostrata</i>, <i>Cistus salvifolius</i>,    <i>Cladonia</i> sp., <i>Rubia peregrina</i>, <i>Crepis capillaris</i>, <i>Simethis    planifolia</i>, <i>Cytisus grandiflorus</i>, <i>Daphne gnidium</i> e <i>Erica    arborea</i>.</P>     <p>&nbsp; </P>     <p> <b>Amostragens</b> </p>     <p><i> Biomassa aérea da vegetação arbórea </i></P>     <p> As determinações de biomassa foram efectuadas em parcelas com 40x40 m<Sup>2</Sup>de    povoamentos de pinheiro bravo da Mata Nacional de Leiria, da classe de qualidade    de 20 m (povoamentos com altura dominante de 20 metros aos 50 anos). As parcelas    foram sempre delimitadas em áreas aplanadas para garantir a comparabilidade    dos resultados. As determinações foram efectuadas antes do desbaste, nas idades    em que o modelo de silvicultura adoptado o recomenda. Assim, as amostragens    efectuaram-se imediatamente antes dos desbastes aos 14, 25 e 42 anos, e durante    o corte final, aos 83 anos. Estimou-se a biomassa no momento do inventário (antes    do desbaste), a biomassa exportada pelo des-baste e a biomassa restante após    o desbaste. Determinou-se a concentração de nutrientes no lenho, casca, ramos    (do último ano, do penúltimo ano e restante parte dos ramos), agulhas (do último    ano, do penúltimo ano e restantes agulhas) e frutos (do último ano, do penúltimo    ano e restantes frutos) </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Para avaliação da biomassa seleccionaramse as árvores de acordo com as classes    de DAP e de altura total previamente definidas, utilizando-se uma suta e um    hipsómetro de grande sensibilidade. Foi abatida pelo menos uma árvore por classe    de diâmetro, obtendose a respectiva biomassa por amostragem directa. As árvores    seleccionadas (identificadas por um anel de tinta fluorescente a 1,30m de altura    e numeradas) eram isentas de malformações de fuste e copa e estavam em bom estado    fitossanitário. Após o abate determinaram-se os seguintes parâmetros: alturas,    medidas com fita métrica, total da árvore, do início da copa (primeiro ramo    vivo), do início da bicada (aos 7 cm de diâmetro), do cepo e da face inferior    de corte das amostras do tronco (rodelas), diâmetro do cepo (todas as medições    de diâmetro foram efectuadas sobre casca e sempre nos sentidos Norte-Sul e Este-Oeste,    sendo mais tarde efectuada a sua média quadrática), sobre casca e “sobre pau”    (por diferença para a espessura da casca, determinada em dois pontos com medidor    de espessura de casca), diâmetro do tronco a 1,30 m, sobre casca e “sobre pau”,    diâmetro do tronco de 2 em 2 m de altura, a partir de 1,30 m até aos 7 cm (bicada),    sobre casca e “sobre pau” (1,30 m, 3,30 m, 5,30 m, etc...), número de verticílos    (andares de ramos) e número de ramos por verticílo. </P>     <p> Colheram-se (e pesaram-se, se necessário) amostras das componentes da biomassa    da árvore ao longo do tronco da mesma e, em cada verticílo, foi seleccionado    o ramo que apresentava maior verticalidade (o mesmo método foi usado para a    bicada). Nesse ramo separaram-se as seguintes componentes: crescimentos do presente    ano, crescimentos do ano anterior e restante material. A primeira fracção colhida    foi a correspondente ao crescimento do ano em que se efectuou a amostragem.    Os materiais foram seccionados com tesoura de poda e embalados em sa-cos de    plásticos. Precedeu-se de igual modo para o crescimento do ano anterior e para    o restante material. Esta última fracção, devido à sua elevada quantidade, foi    pesada no local, colhendo-se uma sub-amostra de 10 kg, que foi acondicionada    em sacos de plástico. Procedimento semelhante foi seguido para a bicada. A colheita    de amostras do tronco da árvore (vulgo rodelas) efectuou-se em três pontos ao    longo do tronco: na base (ou no cepo), a meio da árvore e imediatamente acima    do último toro com aproveitamento. As rodelas tinham uma espessura mínima de    3 cm em todo o seu perímetro e foram acondicionadas em sacos de plástico. No    laboratório obtiveram-se os pesos secos a 85 ºC de todos os componentes da biomassa    arbórea. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><i> Biomassa da vegetação sob coberto </i></P>     <p> A avaliação da biomassa da vegetação espontânea (matos) foi efectuada em 15    locais (1x1m<Sup>2</Sup>), distribuídos aleatoriamente em cada uma das parcelas    de estudo (as mesmas utilizadas para o estudo da biomassa arbórea). A vegetação    herbácea e arbustiva localizada dentro do quadrado de 1x1 m<Sup>2 </Sup>foi    cortada junto à superfície do solo e colocada em saco de plástico. No laboratório    pesou-se o conteúdo do saco e retirou-se uma amostra de 200 g para obtenção    do peso seco a 85ºC. Após secagem, o material foi moído num moinho centrífugo,    reduzindo-se a dimensões inferiores a 0,5 mm. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><i> Camadas orgânicas </i></P>     <p> A massa das camadas orgânicas de cada uma das parcelas objecto de estudo foi    avaliada a partir de amostragens em 15 locais (1x1 m<Sup>2</Sup>) aleatoriamente    distribuídos, igualmente nas mesmas áreas em que se amostrou a biomassa da vegetação    espontânea. O material de cada local de amostragem foi seco a 85 ºC até peso    constante. Do material seco foi retirada uma subamostra representativa e que    foi moída num moinho centrífugo, sendo reduzida a partículas &lt;0,5 mm. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><i> Camadas minerais do solo </i></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> As camadas minerais do solo de cada parcela de estudo consideradas foram amostradas    também em 15 locais (os mesmos em que se amostrou as camadas orgânicas), até    à profundidade de 1 m. As amostragens incluíram amostras não disturbadas (para    determinação da massa volúmica aparente) e disturbadas (para determinação de    características químicas do solo). As amostragens incidiram sobre as profundidades    de 0-10, 10-20, 20-40, 40-60, 60-80 e 80-100 cm. Esta amostragem não seguiu    naturalmente a diferenciação do perfil do solo, dado que foi efectuada com fins    meramente quantitativos. </P>     <p> As amostras disturbadas foram secas a 45ºC e depois crivadas num crivo com    malha de 2mm. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b> Metodologia analítica </b></p>     <p> O teor de cinza nos materiais orgânicos foi determinado pela incineração de    1 g de amostra a 450 ºC, durante 6 horas. O teor de N total foi obtido pelo    método de Kjeldahl. Considerou-se que o teor de C orgânico desses materiais    era de 50%. O P, Ca, Mg e K foram extraídos a partir da cinza por digestão nitro-perclórica.    A determinação do P efectuou-se por colorimetria (Watanabe &amp; Olsen, 1965),    tendo os demais elementos sido determinados por espectrofotometria de absorção    atómica (EAA). </P>     <p> As metodologias utilizadas na caracterização das camadas minerais dos solos    são as descritas em Póvoas &amp; Barral (1992). O pH foi determinado numa suspensão    de solo em H<Sub>2</Sub>O e em KCl 1M (razão 1:2,5) por intermédio de um potenciómetro    Metrohm 605. O C orgânico foi determinado por via húmida pelo método descrito    por De Leenheer &amp; Van Hoven (1958). O teor de N total foi obtido pelo método    de Kjeldahl. As bases de troca foram extraídas por uma solução de acetato de    amónio 1M, ajustada a pH 7,0, e determinadas por EAA. O P e o K extraíveis foram    obtidos pelo método de Egnér-Riehm, sendo o P determinado por colorimetria e    o K por EAA.</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b> Cálculos e métodos estatísticos </b></p>     <p> O cálculo da biomassa arbórea (e respectivas componentes) por hectare foi    extrapolado a partir das árvores medidas e da distribuição do povoamento por    classes de diâmetro. A biomassa de cada árvore de cada classe de diâmetro foi    extrapolada para as árvores da mesma classe. A biomassa total por hectare foi,    assim, obtida pelo somatório da biomassa das árvores pertencentes a cada classe    de diâmetro. Quantificou-se também a quantidade de nutrientes por unidade de    área (ha) a partir da massa das componentes do ecossistema e da respectiva concentração    de nutrientes. Foram estabelecidas correlações entre as concentrações de carbono    e nutrientes do solo e a idade dos povoamentos. </P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>RESULTADOS E DISCUSSÃO </b></p>     <p><b> Biomassa e mineralomassa arbórea da parte aérea </b></P>     <p> O número de árvores apresentou um forte decréscimo com o avanço da idade dos    povoamentos, mas a biomassa da parte aérea aumentou sucessivamente com a idade    dos mesmos (Quadro 1). No termo da revolução (abate), aos 83 anos, não obstante    o reduzido número de árvores e a ligeira redução da área basal, a biomassa aérea    total era mais do dobro da estimada no povoamento com 42 anos de idade (Quadro    1). </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b><a name="q1"></a><a href="#topq1">Quadro 1</a></b> – Idade, densidade (DEN),    índice de qualidade (SI), altura dominante (HD), área basal (G), biomassa aérea    total (BA) (peso seco a 85ºC) e nutrientes acumulados na biomassa dos povoamentos    de pinheiro bravo dos talhões 329, 300, 164 e 279, imediatamente antes do desbaste    (talhões 329, 300 e 164) e do corte final (talhão 279). </P>     <p><img src="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a15q1.jpg" width="566" height="206"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p>No final da revolução, cerca de 78 % da biomassa da parte aérea correspondia    ao lenho (tronco comercial sem casca), enquanto aos ramos correspondia uma percentagem    de 11 % e as agulhas correspondiam apenas a 2,8% da biomassa total (<a name="topq3"></a><a href="#q3">Quadro    3</a>). A biomassa arbórea aérea (assim como a quantidade de carbono) no termo    da revolução era da ordem de grandeza da estimada para a primeira rotação de    plantações de eucalipto, com idades compreendidas entre os 4 e os 20 anos (Fabião,    1986; Madeira, 2007). </P>     <p> A diferença observada para a biomassa, ao longo da idade dos povoamentos,    também foi constatada para os nutrientes considerados. Com efeito, a quantidade    de N (424,8 kg ha<Sup>-1</Sup>) e de Ca (673,1 kg ha<Sup>-1</Sup>) era mais    do dobro no final da revolução, comparativamente à determinada para um período    de 42 anos. As diferenças observadas para o Mg, K e P foram ainda mais acentuadas    (Quadro 1). A quantidade de nutrientes foi também semelhante à estimada para    plantações de eucalipto (Cortez, 1996). </P>     <p> A quantidade de nutrientes na biomassa removida pelos desbastes representou    cerca de 25% da quantidade de nutrientes existente na biomassa no final da revolução    (Quadros 1 e 2). Trata-se pois de quantidade não negligenciável, indicando a    necessidade de ponderar sobre as consequências de manutenção do material de    desbaste na estação, no que toca à sustentabilidade do sistema. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </P>     <p> <b>Quadro 2</b> – Quantidade (kg ha<Sup>-1</Sup>) de nutrientes existentes    no material dos desbastes efectuados no povoamento de <i>P. pinaster</i> com    14, 25 e 42 anos de idade, </P>     <p><img src="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a15q2.jpg" width="462" height="121"></P>     
<p>&nbsp;</P>     <p> No final da revolução, a quantidade de carbono alocada no tronco (140,9 t    ha<Sup>-1</Sup>) era quase 80% do total acumulado na biomassa aérea (Quadro    3), como aliás sucede para a generalidade das espécies florestais (Fisher &amp;    Binkley, 2000); a proporção respeitante às agulhas, casca e ramos era apenas    de 2,8, 5,1 e 11,3%, respectivamente. A quantidade de nutrientes acumulada nas    agulhas era inferior à observada para a folhagem de muitas outras espécies,    nomeadamente folhosas (e.g. <i>E. globulus</i>; Madeira <i>et al.</i>, 2007),    e bastante inferior à existente no lenho e nos ramos. A casca, ao contrário    do constatado para outras espécies florestais do País (caso do <i>E. globulus</i>;    Cortez, 1996) apresentava uma quantidade insignificante de nutrientes, com particular    relevância para o Ca. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b><a name="q3"></a><a href="#topq3">Quadro 3</a></b> – Quantidade de C (t    ha<Sup>-1</Sup>) e de N, P, Mg e Mn (kg ha<Sup> –1</Sup>) nas componentes da    biomassa da parte aérea do povoamentos de <i>P. pinaster</i> com 83 anos de    idade. A percentagem de nutrientes em cada componente está indicada entre parêntesis.  </P>     <p><img src="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a15q3.jpg" width="570" height="132">  </P>     
<p>&nbsp;</P>     <p> Assim, no caso dos povoamentos de pinheiro bravo, a exportação de nutrientes    do sistema está em correspondência sobretudo com a remoção do lenho (a componente    económica mais valiosa) e dos ramos; a manutenção destes no sistema significa    a retenção de proporção apreciável de nutrientes acumulados na biomassa, nomeadamente    no que respeita ao fósforo. O Ca está sobretudo alocado no tronco (62,3%), ao    passo que o P se encontra sobretudo nos ramos (58,3%). O N, Mg e K encontravam-se    distribuídos em proporção aproximada entre o tronco e os ramos. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><b> Biomassa e nutrientes na vegetação sob coberto </b></p>     <p> A biomassa da parte aérea da vegetação sob coberto foi bastante apreciável    no povoamento mais jovem (8,6 t ha<Sup>-1</Sup>), isto é aos 14 anos, mas tendeu    a decrescer nos povoamentos mais velhos (4,5-5,4 t ha<Sup>-1</Sup>, respectivamente    aos 42 e 83 anos), apesar do decréscimo da densidade das árvores (Quadro 4).    A mesma tendência foi, aliás, também verificada para qualquer dos nutrientes    considerados. A biomassa observada ao longo da revolução foi muito mais elevada    do que a determinada no final da primeira e segunda rotação (respectivamente    aos 13 e 11 anos) em plantações de eucalipto (Carneiro <i>et al.</i>, 2007,    2008) em condições ecológicas similares, nas quais se atingiram valores médios    respectivamente de 1,04 e 1,84 t ha<Sup>-1</Sup>. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b><a name="q4"></a><a href="#topq4">Quadro 4</a></b> – Biomassa aérea (peso    seco a 85ºC) e quantidade de nutrientes da vegetação sob coberto dos povoamentos    com 14, 25 e 42 anos, antes de efectuados os respectivos desbastes, e com 83    anos, antes do corte final. </P>     <p><img src="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a15q4.jpg" width="434" height="122"></P>     
<p>&nbsp; </P>     <p>Deve no entanto referir-se que o padrão de variação da biomassa sob coberto    ao longo da vida do povoamento foi a normal em povoamentos com boa ocupação    do espaço aéreo, com um máximo na fase precoce do seu desenvolvimento, enquanto    o índice de área foliar das árvores é sub-óptimo, e novo acréscimo na fase final,    com menor densidade das árvores e, consequentemente, menor área foliar. As diferenças    observadas em relação às plantações de eucalipto podem atribuir-se ao ritmo    de crescimento mais rápido destas (Carneiro <i>et al.</i>, 2009) e, eventualmente,    a uma menor eficiência das agulhas de pinheiro na intercepção da radiação, quando    comparadas com as folhas mais largas dos eucaliptos. Em pinhais de <i>Pinus    elliotti</i> da Florida, Gholz &amp; Fisher (1982) assinalaram também máximos    de biomassa da vegetação sob coberto em idade mais tardia do povoamento do que    se tem observado em Portugal para plantações de eucalipto, nas quais a vegetação    espontânea atinge geralmente a maior biomassa antes dos 3 anos, com valores    máximos da ordem das 4-5 t ha<Sup>-1 </Sup>e decréscimo posterior (Fabião <i>et    al.</i>, 2002; Carneiro <i>et al.</i>, 2009). </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b> Massa e nutrientes das camadas orgânicas </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A massa (material isento de cinza) das camadas orgânicas no solo dos povoamentos    estudados aumentou claramente com a idade, variando de 9,3 t ha<Sup>-1</Sup>,    aos 14 anos, para 30,8 t ha<Sup>-1 </Sup>no final da revolução. Essa tendência    foi contrariada, porém, pelas determinações no povoamento com 42 anos; tal facto    deverá estar em correspondência com acções de remoção dos materiais orgânicos    da superfície do solo, o que urge averiguar para uma mais correcta interpretação    dos dados (Quadro 5). </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b>Quadro 5</b> – Quantidade (média ± 1 desvio padrão) de biomassa e de N,    P, Mg, Ca e K nos horizontes orgânicos de povoamentos de <i>P. pinaster</i>    com 14, 25, 42 e 83 anos, antes de efectuados os respectivos desbastes ou o    corte final. </P>     <p><img src="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a15q5.jpg" width="534" height="118"></P>     
<p>&nbsp; </P>     <p>A massa das camadas orgânicas aos 14 anos (8,6±3,0 t ha<Sup>-1</Sup>) era mais    baixa do que a observada em plantações de eucalipto, tanto na primeira como    na segunda rotação (Madeira <i>et al.</i>, 1995; Cortez, 1996; Jones <i>et al.</i>,    1999; Azevedo, 2000; Magalhães, 2000), isto é, até aos 11-12 anos de idade,    o que está em correspondência com a maior rapidez de crescimento desta segunda    espécie. A massa observada no final da revolução (83 anos) era muito mais elevada    (30,8 t ha<Sup>-1</Sup>), enquadrando-se no intervalo (23,5–52,4 t ha<Sup>-1</Sup>)    relatado para outros povoamentos de pinheiro bravo, no País, com 56-60 anos    (Cortez, 1996; Martins <i>et al.</i>, 2007). </P>     <p> A quantidade de nutrientes nas camadas orgânicas, como já foi referido para    a massa destas, também aumentou com a idade, atingindo, no termo da revolução,    quantidades bastante importantes, como no caso do N (218 kg ha<Sup>-1</Sup>)    e do Ca (223 kg ha<Sup>-1</Sup>); também neste caso a tendência foi contrariada    no povoamento com 42 anos de idade (Quadro 5). Não obstante a elevada duração    da revolução nos pinhais estudados, a quantidade de nutrientes acumulada nas    respectivas camadas orgânicas era da ordem de grandeza ou inferior à determinada    nas camadas orgânicas das aludidas plantações de eucalipto; aliás, a grande    diferença respeita ao Ca, cuja quantidade era claramente inferior à determinada    nas camadas orgânicas no final da primeira rotação de plantações de eucalipto    (Jones <i>et al.</i>, 1999; Madeira <i>et al.</i>, 2007). </P>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>Massa volúmica e teor de carbono e nutrientes nas camadas minerais </b></p>     <p> Algumas das características relevantes dos solos das áreas de estudo estão    indicadas no Quadro 6. Os valores dos parâmetros respectivos indicam uma forte    variação com a idade dos povoamentos. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><a href="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a15q6.jpg" target="_blank">Quadro 6</a> – Valores    de pH(H<Sub>2</Sub>O), massa volúmica (MV) e teores de C e N (g kg<Sup>-1</Sup>),    valores da razão C/N, concentração debases de troca (cmol<Sub>c</Sub> kg<Sup>-1</Sup>)    e respectiva soma das bases (SB), e de P e K extractáveis (µg g<Sup>-1</Sup>)    e, no solo, às profundidades de 0-10, 10-20, 20-40, 40-60, 60-80 e 80-100 cm,    de povoamentos de <i>P. pinaster</i> com 14, 25, 42 e 83 anos de idade,. Os    valores são média ± 1 desvio padrão, n=15. </P>     
<p>&nbsp;</P>     <p>A massa volúmica aparente entre 20 e 100 cm de profundidade apresentou valores    elevados e semelhantes nos vários povoamentos considerados. Porém, os valores    na profundidade de 0-10 cm foram muito inferiores aos determinados nas camadas    subjacentes e, além disso, diminuíram com a idade dos povoamentos, decrescendo    de 1,33 g cm<Sup>-3</Sup>, no povoamento com 14 anos, para 0,88 g cm<Sup>-3    </Sup>no de 83 anos, o que está em correspondência com o acréscimo dos teores    de C orgânico (Quadro 6). Contudo no povoamento com 42 anos de idade verificou-se    um desvio a essa tendência, quiçá dependente de possíveis perturbações já referidas    a propósito das camadas orgânicas. </P>     <p>O teor de C orgânico na camada 0-10 cm aumentou significativamente com a idade    dos povoamentos (r=0,9856; p&lt;0,05), atingindo no respectivo termo da explorabilidade    os valores mais elevados; esta tendência indica que o teor do solo em C orgânico    e nutrientes é tanto mais elevado quanto maior for a longevidade dos povoamentos.    Este padrão significativo não se verificou no caso do N (p=0,1044); aliás, o    respectivo teor no povoamento com 42 anos era menor do que no de 25 anos, o    que parece corroborar a ocorrência de perturbações, já referidas a propósito    das camadas orgânicas que, aliás, têm reflexo na respectiva razão C/N, que era    mais elevada do que nos outros casos. </P>     <p> Os teores das bases de troca (Ca, Mg, K e Na), como relatado para o C orgânico,    também apresentaram um forte acréscimo ao longo da cronossequência estudada,    sobretudo até à profundidade de 20 cm. Os respectivos teores, na camada 0-10    cm, apresentaram uma forte correlação positiva com a idade dos povoamentos (r=0,9900;    p&lt;0,01; r=0,9883, p&lt;0,05; r=0,9918, p&lt;0,01; r=0,9541, p&lt;0,05, respectivamente    para o Ca, Mg, K e Na). O teor da soma de bases de troca na camada superficial    do solo (0-10 cm) aumentou consistentemente com a idade dos povoamentos (sobretudo    entre os 42 e 83 anos), sendo cerca de onze vezes maior aos 83 do que aos 14    anos (<a href="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a15q6.jpg" target="_blank">Quadro    6</a>). O teor de qualquer das bases de troca apresentou o mesmo padrão de variação,    mas esta foi um pouco mais acentuada no caso do K e do Na do que no do Ca. A    variação mencionada reduziu-se fortemente na camada seguinte (10-20 cm) e esbateu-se    nas restantes. </P>     
<p> Porém, os valores de pH nas camadas minerais do solo do povoamento com 14    anos eram mais elevados do que os determinados nos povoamentos com 25 e 42 anos,    em qualquer das camadas consideradas. Tal diferença poderá atribuir-se à acumulação    de matéria orgânica nos segundos, cuja acidez não terá sido compensada pela    acumulação de bases de troca. A diferença já não era tão acentuada no final    da revolução (83 anos), provavelmente devido à grande acumulação de bases de    troca que, entretanto, ocorreu na segunda metade da revolução. </P>     <p> Os teores de K e P extraíveis na camada superficial também apresentaram uma    forte correlação positiva com a idade dos povoamentos (respectivamente r=0,9636,    p&lt;0,05; r=0,9846, p&lt;0,05), seguindo o padrão observado para o C orgânico    e as bases de troca. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p> <b>Quantidade de carbono e nutrientes </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> As camadas minerais do solo, até à profundidade de 100 cm, continham no final    da revolução 10,8 kg C m<Sup>-2</Sup>, o que representa mais do dobro do determinado    no povoamento com 14 anos (Figura 1), corroborando a tendência de acumulação    de carbono na biomassa e na matéria orgânica do solo dos sistemas florestais    até à respectiva exploração (Lal <i>et al.</i>, 1998). Porém, a razão entre    o C do solo e o da biomassa variou com a idade dos povoamentos, sendo no final    da revolução de 0,76, ao pas-so que nas outras idades consideradas variou entre    1,48 e 1,59. O acréscimo de C orgânico até 20 cm de profundidade ocorreu até    aos 42 anos, mas continuou até aos 83 anos para a profundidade até 100 cm. O    acréscimo de C no solo pode atribuir-se à folhada acumulada superficialmente    e, sobretudo, às raízes finas das árvores e da vegetação sob coberto, que são    consideradas determinantes na acumulação de C orgânico nas camadas minerais    do solo (Ågren <i>et al.</i>, 1980; Harris <i>et al.</i>, 1980; Fogel,1983;    Persson, 1983; Santantonio &amp; Hermann, 1985). Esse padrão está em consonância    com os fortes acréscimos observados em plantações jovens de eucalipto, sobre    solos semelhantes, em resultado da maior quantidade e <i>turnover</i> de biomassa    radical correspondente às raízes finas (Katterer <i>et al.</i>, 1995; Madeira    <i>et al.</i>, 2002). </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><img src="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a15f1.jpg" width="639" height="340"></P>     
<p><b>Figura 1 </b>– Quantidade de C orgânico (t ha<Sup>-1</Sup>) e de N, P extraível    e de Ca, Mg e K (kg ha <Sup>–1</Sup>) extraíveis nas camadas minerais do solo,    até 20 e 100 cm de profundidade, de povoamentos de pinheiro bravo com 14, 25,    42 e 83 anos de idade. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p> O acréscimo de N no solo não foi tão gradual como o do C orgânico e observou-se    sobretudo entre os 14 e os 25 anos (Figura 1), até à profundidade de 20 cm.    Não obstante a acumulação de matéria orgânica, a variação da acumulação de N    entre os 25 e os 83 anos foi muito reduzida, sugerindo fortes limitações do    sistema em N, o que, aliás, está em correspondência com acréscimo da razão C/N    daquela (<a href="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a15q6.jpg" target="_blank">Quadro 6</a>). De facto, as fontes de N durante    a revolução foram apenas a deposição atmosférica e a eventual fixação simbiótica    do N atmosférico; a primeira deverá ser muito reduzida, como observado noutras    áreas próximas ao litoral (Bispo, 2002). </P>     
<p> As quantidades das bases de troca, bem como do K extraível pelo método de    Egnér-Rihem, também aumentaram com a idade dos povoamentos, sugerindo um forte    efeito do ciclo de nutrientes da vegetação arbórea e do sub-coberto na acumulação    de nutrientes nas camadas minerais do solo. Ao invés do observado para o C orgânico    e o N, o acréscimo das bases de troca ocorreu ao longo da revolução tanto até    20 cm como até 100 cm de profundidade. Tal acréscimo deverá atribuir-se à alteração    dos minerais das diversas camadas minerais do solo, a que se deverá somar o    efeito dos “<i>inputs</i>” da atmosfera. O grande acréscimo da quantidade de Ca deverá    estar influenciado pelo elevado teor deste elemento relatado para as raízes    finas (diâmetro menor do que 2 mm) de pinheiro bravo, em povoamentos instalados    sobre solos semelhantes (Ribeiro e Madeira, 1994). </P>     <p>A quantidade de P extraível até 100 cm de profunfidade, pelo contrário, diminuiu    com a idade dos povoamentos, sugerindo a transferência, durante o período da    revolução, de grande parte da pequena quantidade de P disponível no solo para    a biomassa aérea e as camadas orgânicas. O aumento da proporção de P extraível    acumulada no solo até 20 cm de profundidade, de cerca de 10% aos 14 anos para    cerca de 50%, no final da revolução, corrobora essa transferência. </P>     <p> As variações mencionadas para a quantidade da matéria orgânica e dos vários    elementos minerais ao longo da revolução sugere que, aquando da exploração dos    povoamentos de pinhal bravo, ocorrerá um forte decréscimo de matéria orgânica    e nutrientes. Este padrão não pode ser explicado meramente pela remoção da biomassa    e dos resíduos de abate, pois as diferenças das quantidades de nutrientes na    biomasa e resíduos orgânicos entre os povoamentos mais jovens e os que se encontram    no termo da explorabilidade são muito menores do que as estimadas para os horizontes    minerais do solo. Tal facto deverá estar em correspondência com as perturbações    inerentes à exploração dos povoamentos (remoção de biomassa, camadas orgânicas,    perturbação das camadas superficiais do solo) e sobretudo com a forte modificação    das condições de temperatura do solo, o que, como tem sido relatado, tem forte    impacte nas condições de mineralização da matéria orgânica e na mobilidade de    nutrientes (Fisher &amp; Binkley, 2000); aliás, a textura grosseira (arenosa)    do solo – que se traduz por fraca protecção da MO do solo e reduzida capacidade    de retenção de nutrientes – constitui um factor facilitador dessa tendência.  </P>     <p>&nbsp; </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>Distribuição do C e nutrientes nas componentes do ecossistema </b></p>     <p>A distribuição de C orgânico e nutrientes sofre variações com a idade dos povoamentos.    Porém, neste estudo apenas se considera a distribuição no termo da explorabilidade,    dado a mesma dar indicações orientadoras fundamentais para a salvaguarda de    recursos da estação e para delinear os sistemas de gestão visando a sustentabilidade    do ecossistema. </P>     <p> No final da revolução a biomassa aérea continha maior proporção de C orgânico    (52,8%) do que o conjunto da vegetação espontânea (1,0%), camadas orgânicas    (5,7%) e camadas minerais do solo (40,5%) até um metro de profundidade (Figura    2). De acordo com as observações de Madeira <i>et al.</i> (2002) para plantações    de eucalipto, a proporção alocada nas camadas minerais do solo seria seguramente    maior se a biomassa subterrânea (a única componente que, de facto, não foi medida    no presente estudo) fosse considerada. De facto, se assumirmos que a biomassa    arbórea subterrânea atinge 20% da total, como é geralmente considerado (Keith    <i>et al.</i>, 1997), então a proporção de C orgânico no solo aumentaria para    47,5%; se considerarmos ainda o C das camadas orgânicas, então subiria para    52,6%. Esta percentagem é ligeiramente superior à relatada por Madeira <i>et    al.</i> (2002) para plantações de eucaliptos com seis anos de idade e instaladas    em solos semelhantes (50,9%) e por Fabião <i>et al.</i> (1987) para eucaliptais    com 12 anos de idade (51,8%); além disso, é ligeiramente inferior à percentagem    relatada por Malhi <i>et al.</i> (1999) para sistemas florestais de regiões    temperadas (56%). </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><img src="/img/revistas/rca/v32n2/32n2a15f2.jpg" width="343" height="201"></P>     
<p><b>Figura 2 </b>– Distribuição do carbono e dos principais nutrientes nos componentes    do sistema pinhal bravo, no termo da respectiva revolução, no Pinhal de Leiria.  </P>     <p>&nbsp;</P>     <p> O N, pelo contrário, estava na sua maior parte alocado nas camadas minerais    do solo (83,3%), sendo bastante reduzida a proporção nos resíduos de abate (10,2%)    e nas camadas orgânicas (5,2%), seguindo o padrão observado para as plantações    de eucalipto (Magalhães, 2000) e de outras espécies (Fisher &amp; Binkley, 2000).  </P>     <p> O Ca apresentou um padrão de distribuição semelhante ao azoto (79, 6% alocado    nas camadas minerais do solo). O Mg e o K, por seu turno, ocorreram em maior    expressão nos resíduos de abate (14,6 e 17,9 % respectivamente) do que no lenho    (11,3 e 10,4 %, respectivamente); porém, ainda assim, foi nas camadas minerais    do solo que se encontrou a maior proporção (63,4 e 64,0 %, respectivamente)    desses nutrientes. </P>     <p> Ao contrário dos nutrientes anteriores, o P sob forma extraível encontrou-se    no solo em proporção semelhante (36,8%, Figura 2) à que ocorreu nos resíduos    de abate (36,6%); uma proporção apreciável ocorreu no lenho (8,7%), mas ainda    assim inferior à observada nas camadas orgânicas (13,9%). Em suma, no sistema    em estudo, a retenção dos resíduos de abate e das camadas orgânicas na estação    é crucial para minimizar as perdas de P disponível e reduzir o recurso à aplicação    de fertilizantes. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A remoção de nutrientes da estação, no final da revolução, através do lenho    (<a name="topq1"></a><a href="#q1">Quadro 1</a>) corresponde, exceptuando o    Ca, a uma taxa anual inferior aos <i>inputs</i> da atmosfera estimados em áreas    próximas do litoral (Bispo, 2002). Aliás, ao contrário do observado para as    plantações de eucalipto (Madeira <i>et al.</i>, 2007), a remoção do lenho e    da totalidade dos resíduos de abate acarreta uma exportação que é da ordem de    grandeza ou ligeiramente superior a esses <i>inputs</i>. Assim, tendo em consideração    também as entradas devidas à alteração dos minerais do solo, expressas pelos    acréscimos de bases com o decorrer da revolução (<a name="topq4"></a><a href="#q4">Quadro    4</a>), os resultados do presente estudo sugerem que a remoção dos resíduos    de abate não acarretará perdas sensíveis de nutrientes disponíveis no sistema.  </P>     <p> Contudo, a remoção da biomassa deve ser equacionada no contexto de um sistema    em que, como já foi sublinhado, ocorrem grandes perdas de carbono e de nutrientes    devido à perturbação decorrente da exploração florestal, perdas essas facilitadas    pelas características do solo. Além disso, se a duração da revolução for reduzida    e aumentada a produtividade (Correia &amp; Oliveira, 2003) ocorrerão desequilíbrios    entre as entradas anuais e as necessidades das plantas, nomeadamente no caso    do P. Em tal cenário, as consequências sobre o <i>stock</i> de nutrientes do    solo serão mais acentuadas, sendo a apropriada gestão dos resíduos de abate    e dos nutrientes do solo fundamental para garantir a qualidade do solo e a sustentabilidade    do sistema. </P>     <p>&nbsp; </P>     <p> <b>CONCLUSÕES</b> </p>     <p> No final da revolução dos povoamentos de pinheiro bravo, a biomassa correspondente    às agulhas era muito baixa em comparação com a correspondente ao tronco e ramos    (cerca de 94%). O lenho e os ramos constituem o grande reservatório de nutrientes    na biomassa; a quantidade acumulada nos segundos é de ordem de grandeza ou superior    à acumulada no lenho. A quantidade de nutrientes acumulada nas camadas orgânicas    e vegetação espontânea é da ordem de grandeza da determinada tanto no lenho,    como nos ramos. Verificou-se um elevado acréscimo da quantidade de C orgânico    e nutrientes acumulados tanto na biomassa como no solo, sobretudo na segunda    metade do período da revolução. A acumulação de N e Mg no solo ocorreu em grande    parte até 20 cm de profundidade, enquanto a de C orgânico e Ca teve mais expressão    nas camadas restantes. O solo (incluindo as camadas orgânicas) constitui o principal    reservatório de nutrientes disponíveis, dependendo, por isso, da sua gestão    a fertilidade e a sustentabilidade do sistema; a retenção dos resíduos de abate    (sobretudo os ramos) constitui um factor adicional a esses objectivos. </P>     <p>&nbsp;</P>     <p> <b>AGRADECIMENTOS</b> </p>     <p> O presente estudo foi efectuado no âmbito do projecto PRAXIS XXI -/3.2/ FLOR/2123/95.    Os autores agradecem à Engenheira Susana Gomes, então administradora da Mata    Nacional de Leiria, as facilidades na selecção e utilização dos povoamentos,    ao pessoal do laboratório de solos do Instituto Superior de Agronomia os processamentos    analíticos, aos Bacharéis Paulo Marques e Luís Hilário, do Instituto Superior    de Agronomia, bem como às técnicas Rosinda Pato e Maria João Guimarães e aos    técnicos Jorge Bandeira e Fernando Santos, da Escola Superior Agrária de Coimbra,    o apoio nas amostragens, preparação de amostras e algumas tarefas laboratoriais.  </P>     <p>&nbsp; </P>     <p><b> REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Ågren, G.I.; Axelsson, B.; Flower-Ellis, J.G.K.; Linder, S.; Persson, H.;    Staaf, H. &amp; Troeng, E. (1980) -Annual carbon budget for a Scots pine. <i>In</i>:    T. Persson (Ed.) <i>Structure and Function of Northern Coniferous Forests. </i>Swedish    Natural Science Research Council. Stockholm. Pp. 307-314. </P>     <p> Aguiar, C.; Capelo, J. &amp; Catry, F. (2007) -Distribuição dos pinhais em    Portugal. <i>In</i>: J. S. Silva (Ed.) <i>Pinhais e eucaliptais: a floresta    cultivada. Col. Árvores e Florestas de Portugal</i>, 4, pp. 89-104. Fundação    Luso-Americana para o Desenvolvimento / Público / Liga para a Protecção da Natureza,    Lisboa. </P>     <p> Azevedo, A. A. (2000) –<i> Estudo da dinâmica do azoto e carbono em plantações    florestais intensivas. </i>Dissertação de Doutoramento. Instituto Superior de    Agronomia; Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa. </P>     <p> Azevedo,A. L. (1944) – Estudo de alguns perfis de solo da Mata Nacional de    Leiria. <i>Agros</i> 27, 3-6: 140-149. </P>     <p> Bispo, R.M.B. (2002) – <i>Meteorologia da camada limite e deposição atmosférica    numa superfície vegetal</i> (<i>Eucalyptus globulus</i>). Dissertação de doutoramento.    Instituto Superior de Agronomia, Universidade Técnica de Lisboa. Lisboa. </P>     <p> Cabrita, C.F.R. (1956) -<i>Contribuição para o estudo dos solos da mata nacional    de leiria. Sua cartografia parcial.</i> Relatório Final do Curso de Engenheiro    Silvicultor. Instituto Superior de Agronomia, Universidade Técnica de Lisboa.    Lisboa. </P>     <p> Carneiro, M.; Fabião, A.; Martins, M. C.; Cerveira, C.; Santos, C.; Nogueira,    C.; Lousã, M.; Hilário, L.; Fabião, André; Abrantes, M. &amp; Madeira, M. (2007)    - Species richness and biomass of understory vegetation in a <i>Eucalyptus globulus</i>    Labill. coppice as affected by slash management. <i>European Journal of Forest    Research</i> 126(4): 475-485. </P>     <p> Carneiro, M.; Fabião, A.; Martins, M. C.; Fabião, André; Abrantes da Silva,    M.; Hilário, L.; Lousã, M. &amp; Madeira, M. (2008)- Effects of harrowing and    fertilisation on understory vegetation and timber production of a <i>Eucalyptus    globulus</i> Labill. plantation in Central Portugal. <i>Forest Ecology and Management</i>    255: 591-597. </P>     <p> Carneiro, M.; Serrão, V.; Fabião, A.; Madeira, M.; Balsemão, I. &amp; Hilário,    L. (2009) -Does slash management influence biomass and nutrient accumulation    in understory vegetation of <i>Eucalyptus globulus</i> Labill. plantations in    a Mediterranean environment? <i>Forest Ecology and Management </i>257: 527-535.  </P>     <p> Cardoso, J.V.C.; Bessa, M.T. &amp; Marado, M.B. (1973) -Carta de Solos de    Portugal (1:1 000 000). <i>Agronomia Lusitana</i>, XXXIII (I-IV): 481-602 </P>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<p><b> Aceitação/Acception: 2009.09.15 </b></P>      ]]></body><back>
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