<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0871-018X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista de Ciências Agrárias]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. de Ciências Agrárias]]></abbrev-journal-title>
<issn>0871-018X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade de Ciências Agrárias de Portugal]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0871-018X2010000100005</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Efeito do controle do sob coberto e da fertilização no cresci­mento e concentração de nutrientes em pinheiro bravo (Pinus pinaster Ait.)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Effect of controlling competing vegetation and fertilization on maritime pine (Pinus pinaster Ait.) growth and nutrient concentration]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Xavier]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pires]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. L.]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,URZE - Associação Florestal da Encosta da Serra da Estrela  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Gouveia ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,UTAD - Universidade de Trás-os-Montes Departamento de Edafologia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Vila Real ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>33</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>41</fpage>
<lpage>49</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0871-018X2010000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0871-018X2010000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0871-018X2010000100005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Para determinar o interesse do controle da vegetação do sob coberto e da aplicação de N, P e K no crescimento e concentração de nutrientes em pinheiro bravo (Pinus pinas­ter Ait.) escolheu-se um pinhal com seis anos onde, em Julho de 2002, foram aplica­dos cinco tratamentos: testemunha (T); corte e remoção da vegetação (CR); corte, remo­ção da vegetação e fertilização (CRF); corte e destroçamento da vegetação (CD); corte, destroçamento da vegetação e fertilização (CDF). Entre 2002 e 2007, e em relação a todos os parâmetros dendrométricos considerados, altura, diâmetro, área basal e volume, verifi­cou-se que os acréscimos ocorridos no tra­tamento CDF foram superiores (p<0,05) aos dos outros tratamentos. Os menores cresci­mentos ocorreram na Testemunha e/ou no tratamento CR. Em geral, não houve dife­renças significativas entre os tratamentos CD e CRF. Os resultados indicam, assim, que a remoção da vegetação do sob coberto deverá ser considerada apenas se forem adi­cionados fertilizantes (tratamento CRF) a fim de se evitarem efeitos negativos no crescimento. A concentração de N, P e K nas agulhas só aumentou em 2003 e 2004 com a aplicação dos adubos, embora de forma não significativa.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[To study the interest of controlling the understory vegetation and the addition of N, P and K on the growth and nutrient concen­tration in maritime pine (Pinus pinaster Ait.), a field trial was established in a 6-year old pine forest. Five treatments were tested: control (T); cutting and removal of compet­ing vegetation (CR); cutting, removal of competing vegetation and fertilization (CRF); cutting and chipping of competing vegetation (CD); cutting, chipping of com­peting vegetation and fertilization (CDF). Between 2002 and 2007, growth in the CDF treatment was higher (p <0.05) than in the other treatments. The lowest growth oc­curred in control and/or in the CR treatment. In general, there were no differences between CD and CRF treatments. Therefore, these re­sults point out that removal of competing vegetation should be considered only if fertil­izers are added (CRF treatment) in order to avoid negative effects on pine growth. Ap­plying fertilizers increased N, P and K con­centrations only in 2002 and 2003, although the increase was not significant.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[azoto]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[fósforo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[pinhal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[potássio]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[nitrogen]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[phosphorus]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[pine forest]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[potassium]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;<b>Efeito do controle do sob coberto e da fertilização no crescimento    e concentração de nutrientes em pinheiro bravo (<i>Pinus pinaster </i>Ait.)    </b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>R. Xavier<sup>1 </sup>&amp; A. L. Pires<sup>2 </sup></b></p>      <p><b><i><sup>1</sup></i></b><i> URZE - Associação Florestal da Encosta da Serra    da Estrela, 6290-361 Gouveia, e-mail: <a href="mailto:rui.a.xavi@gmail.com">rui.a.xavi@gmail.com</a>;    </i></p>     <p><i><b><sup>2</sup></b>Dep. Edafologia, UTAD, 5000-911 Vila Real, e-mail: <a href="mailto:alpires@utad.pt">alpires@utad.pt</a></i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO </b></p>      <p>Para determinar o interesse do controle da vegetação do sob coberto e da aplicação de N, P e K no crescimento e concentração de nutrientes em pinheiro bravo (<i>Pinus pinas­ter </i>Ait.) escolheu-se um pinhal com seis anos onde, em Julho de 2002, foram aplicados cinco tratamentos: testemunha (T); corte e remoção da vegetação (CR); corte, remoção da vegetação e fertilização (CRF); corte e destroçamento da vegetação (CD); corte, destroçamento da vegetação e fertilização (CDF). </p>      <p>Entre 2002 e 2007, e em relação a todos os parâmetros dendrométricos considerados, altura, diâmetro, área basal e volume, verificou-se que os acréscimos ocorridos no tratamento CDF foram superiores (p&lt;0,05) aos dos outros tratamentos. Os menores crescimentos ocorreram na Testemunha e/ou no tratamento CR. Em geral, não houve diferenças significativas entre os tratamentos CD e CRF. Os resultados indicam, assim, que a remoção da vegetação do sob coberto deverá ser considerada apenas se forem adicionados fertilizantes (tratamento CRF) a fim de se evitarem efeitos negativos no crescimento. A concentração de N, P e K nas agulhas só aumentou em 2003 e 2004 com a aplicação dos adubos, embora de forma não significativa. </p>      <p><b>Palavras-chave</b>: azoto, fósforo, pinhal, potássio </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Effect of controlling competing vegetation and fertilization on maritime    pine (<i>Pinus pinaster</i> Ait.) growth and nutrient concentration </b></p>      <p><b>ABSTRACT </b></p>      <p>To study the interest of controlling the understory vegetation and the addition of N, P and K on the growth and nutrient concentration in maritime pine (<i>Pinus pinaster </i>Ait.), a field trial was established in a 6-year old pine forest. Five treatments were tested: control (T); cutting and removal of competing vegetation (CR); cutting, removal of competing vegetation and fertilization (CRF); cutting and chipping of competing vegetation (CD); cutting, chipping of competing vegetation and fertilization (CDF). </p>      <p>Between 2002 and 2007, growth in the CDF treatment was higher (p &lt;0.05) than in the other treatments. The lowest growth occurred in control and/or in the CR treatment. In general, there were no differences between CD and CRF treatments. Therefore, these results point out that removal of competing vegetation should be considered only if fertilizers are added (CRF treatment) in order to avoid negative effects on pine growth. Applying fertilizers increased N, P and K concentrations only in 2002 and 2003, although the increase was not significant. </p>      <p><b>Key-words – </b>nitrogen, phosphorus, pine forest, potassium </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>INTRODUÇÃO </b></p>      <p>O pinheiro bravo é a segunda espécie dominante em Portugal, ocupando cerca de 23% da área florestal (DGF, 2007). Em geral, os pinhais estão instalados em solos com baixo nível de fertilidade e, apesar do pinheiro ser uma espécie relativamente bem adaptada a esse tipo de solos há, no entanto, estudos que demonstram que a adição de fertilizantes, principalmente os que contêm azoto (N), fósforo (P) e potássio (K), tem efeitos positivos no seu crescimento. Em Portugal, as primeiras experiências acerca da fertilização do pinheiro bravo começaram com o estabelecimento de ensaios na Mata Nacional de Leiria e na Mata da Machada, em que se estudou a resposta desta espécie à adição de N, P e K (Oliveira, 1959). Dos nutrientes estudados, o P foi o que teve efeitos mais acentuados nos acréscimos de diâmetro, altura e volume. Chaperon (1986) refere também que o N e o K, quando aplicados individualmente, têm menor efeito que o P no aumento do volume lenhoso do pinheiro bravo embora os melhores resultados se obtenham, usualmente, quando os três nutrientes são aplica­dos conjuntamente. No vale do Tâmega, Marques (1987) e Alves (1998) indicam que os nutrientes melhor correlacionados com a qualidade das estações de pinheiro bravo foram o K, o P e o magnésio (Mg). </p>      <p>Os melhores resultados da fertilização obtêm-se, contudo, se outros factores não forem limitantes. Assim, entre outros factores, o acréscimo no crescimento está muito dependente do controle da vegetação do sob coberto (McColl &amp; Powers, 1984; Powers &amp; Reynolds, 1999; Rose &amp; Ketchum, 2002; Albaugh <i>et al</i>., 2003). Apesar de ser uma prática cultural ainda pouco usada pela maior parte dos produtores florestais, a sua utilização terá que aumentar não só porque diminui a competição pela luz, água e nutrientes (Powers &amp; Reynolds, 1999; Rose &amp; Ketchum, 2002; Albaugh <i>et al</i>., 2003), mas também porque contribui para diminuir a vulnerabilidade dos povoamentos aos fogos florestais (Savill <i>et al</i>., 1997; Fernandes <i>et al</i>., 2004). O controlo desta vegetação deverá de ser efectuado através de técnicas adequadas quer sob o ponto de vista económico quer sob o ponto de vista ambiental. As mais preconizadas passam pelo destroçamento no local ou a possível remoção para centrais de biomassa. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, e atendendo à exiguidade de dados experimentais que permitam também    determinar o interesse da fertilização juntamente com o do controle da vegetação    do sob coberto no crescimento de pinheiro bravo, em 2002 instalaram-se parcelas    experimentais num pinhal onde se testaram cinco tratamentos: testemunha (T);    corte e remoção da vegetação do sob coberto (CR); corte, remoção da vegetação    e aplicação de N, P e K (CRF); corte e destroçamento da vegetação (CD); corte,    destroçamento da vegetação e aplicação de N, P e K (CDF).</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>MATERIAL E MÉTODOS </b></p>      <p>Este estudo decorreu de Julho de 2002 a Fevereiro de 2007, num pinhal instalado em 1996 em Sameice, Seia (38º 48´ N, 23º 20´ O; altitude -450 m). O compasso de plantação deste pinhal foi 3 X 2,5m, o que corresponde a uma densidade de 1333 árvores por hectare. </p>      <p>Na área onde foi instalado o sistema experimental, a temperatura média anual é de 10º C e a precipitação média anual é de 1100 mm. Os solos são Cambissolos húmicos derivados de xistos, com textura franco arenosa. Outras propriedades do solo no início do estudo apresentam-se no Quadro 1. Os métodos laboratoriais utilizados na análise das terras encontram-se descritos em Xavier (2008). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Quadro 1</b>. Propriedades químicas do solo determinadas antes da instalação das parcelas experimentais (Abril, 2002) </p>      <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a04q1.jpg" width="610" height="82"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O sistema experimental incluiu cinco tratamentos: testemunha (T); corte e    remoção da vegetação do sob coberto (CR), que é o sistema usado tradicionalmente    na zona de estudo; corte, remoção da vegetação e aplicação de N, P e K (CRF);    corte e destroçamento da vegetação (CD); corte, destroçamento da vegetação    e aplicação de N, P e K (CDF). O corte da vegetação do sob coberto efectuou-se    com motoroçadora em Julho de 2002 e os nutrientes foram adicionados em Setembro    desse ano. O azoto foi aplicado localizadamente, 20 g de N por árvore (27 kg    de N ha<sup>-1</sup>), sob a forma de adubo azotado elementar, (Nitrolusal    20,5 %) enquanto que o P e o K foram distribuídos a lanço, 200 kg ha<sup>-1    </sup>de P2O5e K2O (88 kgP e166 kgK), soba forma de um adubo composto binário    0:20:20. Na mesma altura, dado as árvores apresentarem concentrações baixas    de Mg aplicaram­se, em todos os tratamentos, 300 g sulfato de magnésio 16% de    MgO a cada árvore. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os tratamentos foram aplicados em blocos casualisados com três repetições.    A área média das 15 parcelas experimentais é de 782 m<sup>2 </sup>e o número    médio de árvores por parcela é de 115. </p>     <p>Os parâmetros dendrométricos avaliados foram a altura (h), medida com vara    telescópica até 2006 e depois com um Vertex, o diâmetro a 20 cm (d20) e o diâmetro    à altura do peito (d), medidos com uma suta, a área basal (g) e o volume (v).    A medição da h, do d20 e do d foi efectuada na altura da instalação dos tratamentos    (Julho de 2002) em Março de 2003, em Janeiro de 2004 e em Fevereiro de 2006    e de 2007. Apesar de se terem medido todas as árvores das parcelas, na análise    estatística dos dados apenas se consideraram as medições efectuadas nas árvores    que estavam no interior das parcelas (deixaram-se duas linhas de bordadura entre    os diferentes tratamentos) e, destas, eliminaram-se todas as que estavam atacadas    por torcedora e/ou processionária e as árvores tortas. Assim, em média, a tratamento    estatístico efectuou-se com base em medições efectuadas em 60 árvores por parcela.  </p>     <p>Em Outubro de 2003 e em Janeiro de 2006 recolheram-se amostras de solo às profundidades    de 0-20 cm e de 20-40 cm. Em Dezembro de 2002, 2003 e 2006, em cerca de 20 árvores    de cada uma das parcelas, procedeu-se à recolha de agulhas, do terço superior    da copa, para análise foliar. As amostras foram secas a 60º C, moídas e analisadas    para determinação do N, P e K. Os métodos utilizados mas determinações efectuadas    quer na análise de solo quer na análise de plantas encontram-se descritos em    Xavier (2008).  </p>      <p>Dado que a altura e o diâmetro inicial das árvores não eram uniformes, a análise estatística efectuou-se com base nos acréscimos verificados em altura (ih), em diâmetro (id e id20), área basal (ig) e volume (iv), tendo-se utilizado o programa JMP5. O método de Tukey HSD (p &lt;0,05) foi o teste usado para a comparação das médias. O tratamento estatístico dos resultados das propriedades químicas do solo e da concentração em nutrientes das agulhas efectuou-se também com base nestes programas. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESULTADOS E DISCUSSÃO </b></p>      <p>Analisando os dados correspondentes à altura das árvores (Quadro 2), verificamos que os acréscimos ocorridos no tratamento CDF foram superiores (p &lt;0,05) aos dos outros tratamentos. Os menores (p &lt;0,05) acréscimos ocorreram na Testemunha até 2004. Em 2005, a altura média das árvores da Testemunha ultrapassou a altura da vegetação do sob coberto, pelo que nas medições efectuadas em Janeiro de 2006 já se notam os efeitos da menor competição e a partir dessa altura os acréscimos foram superiores (p &lt;0,05) aos do tratamento CR e semelhante aos ocorrido nos outros tratamentos. Genericamente não existiram diferenças significativas entre os tratamentos CRF e CD. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Quadro 2</b>. Altura inicial (2002), acréscimos anuais e cumulativos</p>      <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a04q2.jpg" width="627" height="175"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Martin &amp; Jokela (2004), num ensaio onde testaram a influência da fertilização    e do controlo químico de matos (separadamente e em conjunto) no crescimento    de <i>Pinus tadea </i>também obtiveram os melhores resultados quando efectuaram    o tratamento combinado da fertilização e do controlo de matos, seguido da fertilização,    do controlo de matos e por fim da testemunha. Cain (1999) ao comparar o controlo    só de invasoras lenhosas, só de herbáceas ou a remoção total de ambas, verificou    que não havia diferenças significativas durante os primeiros cinco anos no    crescimento de pináceas quando era realizado apenas o controlo de vegetação    herbácea ou da lenhosa. Mas, quando se procedia à remoção de ambas (herbáceas    e lenhosas) havia, logo a partir do segundo ano, diferenças significativas.  </p>     <p>Em todos os tratamentos, os acréscimos em altura obtidos no 1º ano do estudo    foram muito reduzidos (Quadro 2). Tal pode dever-se ao facto das primeiras medições    terem sido efectuadas em Julho, época em que já ocorreu a maior parte do crescimento    em altura. De acordo com Kramer &amp; Koslowsky (1972), mesmo em condições    climáticas favoráveis, o crescimento anual em altura pode completar-se logo    no início da estação de crescimento. O mesmo já não se passa em relação ao    diâmetro (Quadros 3 e 4). </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Quadro 3</b>. Diâmetro na base inicial (2002), acréscimos anuais e cumulativos </p>      <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a04q3.jpg" width="628" height="176"></p>        
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro 4</b>. Diâmetro altura do peito inicial (2002), acréscimos anuais    e cumulativos</p>     <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a04q4.jpg" width="629" height="172"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O engrossamento inicia-se mais tarde e continua durante mais tempo que o crescimento    em altura (Kramer &amp; Koslowsky, 1972). </p>      <p>Em relação ao diâmetro na base (Quadro 3), verificamos que os acréscimos ocorridos no tratamento CDF foram superiores (p&lt;0,05) aos dos outros tratamentos. Os menores (p &lt;0,05) acréscimos ocorreram na Testemunha até 2004. Em 2006 e 2007 os acréscimos no tratamento CR foram já inferiores aos da Testemunha, embora sem diferenças significativas. Genericamente não existiram diferenças significativas entre os tratamentos CRF e CD. </p>      <p>No caso do diâmetro à altura do peito, os maiores (p &lt;0,05) acréscimos também se verificaram no tratamento CDF e os menores no tratamento CR (Quadro 4). Borders <i>et al. </i>(2004), em povoamentos de <i>Pinus taeda </i>com 15 anos, também verificaram que os maiores acréscimos em diâmetro à altura do peito ocorreram no tratamento combinado de fertilização e controlo de matos. </p>      <p>Miller <i>et al. </i>(1991), referem que, em geral, os diâmetros respondem melhor à diminuição da competição do que a altura. Esta pode mesmo ser maior como consequência da competição com os matos visto que compete directamente pela luz. </p>      <p>Em relação à área basal (Quadro 5), verificamos que no ano seguinte à instalação do sistema experimental, os tratamentos CD e CDF apresentavam diferenças significativas relativamente aos restantes tratamentos. A partir de 2006 os acréscimos em área basal da Testemunha ultrapassam os do tratamento CR (p &lt;0,05) e, não apresentavam diferenças significativas dos tratamentos CRF e CD. Em geral, os acréscimos ocorridos no tratamento CDF foram superiores (p &lt;0,05) aos dos outros tratamentos. Não existiram diferenças significativas entre os tratamentos CRF e CD nem entre a testemunha e o CR.</p>        <p>&nbsp;</p>      <p><b>Quadro 5</b>. Área basal inicial (2002), acréscimos anuais e cumulativos </p>      <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a04q5.jpg" width="629" height="176"></p>      
<p>&nbsp;</p>      <p>Em relação à área basal (Quadro 5), verificamos que, em geral, os maiores acréscimos ocorreram nos tratamentos CDF e os menores na Testemunha e no tratamento CR. Como o acréscimo em área basal depende do acréscimo em diâmetro, o acréscimo em área basal atinge sempre o seu máximo mais tarde que o acréscimo em diâmetro (Assmann, 1970). Martin &amp; Jokela (2004) obtiveram também os maiores acréscimos em área basal no tratamento combinado da fertilização e controlo de matos, seguido do tratamento fertilização, controlo de matos e por fim a testemunha. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tal como aconteceu com os parâmetros dendrométricos anteriores, os acréscimos em volume foram maiores no tratamento CDF e menores no tratamento CR (Quadro 6). Em relação ao efeito no volume do método de controlo da vegetação do sob coberto, remoção do local ou destroçamento, ocorreram diferenças significativas sendo o método do corte e destroçamento o que apresentou melhores resultados. O destroçamento da vegetação do sob coberto, além de diminuir em grande escala a regeneração da vegetação, evita a exportação dos nutrientes contidos nessas plantas e, a mais ou menos curto prazo, dependendo da velocidade de mineralização dos resíduos, a quantidade de elementos nutritivos disponíveis para as plantas tenderá a aumentar. A mineralização dos resíduos poderá ser mais ou menos rápida dependendo, entre outros factores, do tipo de infestante, nomeadamente se é herbácea ou lenhosa, e da sua quantidade (Tisdale <i>et al.</i>, 1986). </p>      <p>Em estudos em que se examinaram isoladamente os efeitos da fertilização e do controlo da vegetação do sob coberto, verificou-se que o efeito da fertilização no crescimento só ultrapassou o do controle da vegetação quando o teor de água do solo não era limitante, mesmo em solos com baixa fertilidade (Powers &amp; Reynolds, 1999; Rose &amp; Ketchum, 2002). Quando a água não era factor limitante, qualquer um dos tratamentos deu bons resultados, embora se obtivessem maiores respostas quando os dois tratamentos eram aplicados conjuntamente (Powers &amp; Reynolds, 1999; Albaugh <i>et al., </i>2003; Borders <i>et al., </i>2004). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Quadro 6</b>. Volume inicial (2002), acréscimos anuais e cumulativos </p>      <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a04q6.jpg" width="640" height="174"></p>      
<p>&nbsp;</p>      <p>Os resultados das propriedades químicas dos primeiros 20 cm de solo determinadas    em 2003 e em 2006 apresentam-se no Quadro 7. Em 2003, a quantidade de P2O5 e    K2O, nos primeiros 20 cm de solo, aumentou (p &lt;0,05) com a adição dos adubos    (tratamentos CDF e CRF). Em 2006, apesar das quantidades destes elementos serem    ainda superiores, a diferença já não era significativa. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro 7</b>. Propriedades químicas do solo determinadas após a instalação    dos tratamentos</p>      <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a04q7.jpg" width="631" height="240"></p>      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>O destroçamento da vegetação do sob coberto pode aumentar a quantidade de nutrientes    disponíveis para a planta. Neste estudo, contudo, o eventual aumento da disponibilidade    em nutrientes não se reflectiu nos resultados da análise de terra. Tal pode    dever-se ao facto das espécies dominantes no sob coberto, serem do tipo lenhoso.    No pinhal em estudo, as espécies vegetação do sob coberto dominantes eram do    tipo lenhoso, tojo <i>(Ulex minor </i>Roth.) e urze roxa <i>(Calluna vulgaris    </i>(L.) Hull) sendo, assim, a sua mineralização menos rápida que a de vegetação    herbácea do sob coberto. </p>      <p>No Quadro 8 apresentam-se as concentrações em nutrientes nas agulhas colhidas    em 2002, 2003 e 2006. No ano da aplicação dos tratamentos, 2002, observou-se    que os teores de N das agulhas das árvores dos tratamentos CDF e CRF foram    significativamente superiores aos dos outros tratamentos. Em 2003 foram ainda    superiores, mas a diferença já não foi significativa. Em 2006, a concentração    de N foi semelhante em todos os tratamentos. Os teores de P e K, não apresentaram    diferenças significativas entre os vários tratamentos, apesar de, em 2002 e    2003, as concentrações serem maiores nos tratamentos onde estes nutrientes    foram aplicados. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro 8</b>. Concentração de N, P e K nas agulhas. </p>     <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a04q8.jpg" width="652" height="225"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Uma vez que não foi realizado nenhum tipo de controlo da vegetação do sob coberto após a instalação do sistema experimental, é provável que parte dos nutrientes adicionados ao solo, tenham sido absorvidos pela vegetação que entretanto se desenvolveu.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>CONCLUSÕES </b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com base nestes seis anos de recolha de informação podemos concluir que o tratamento    CR, que é o sistema usado tradicionalmente na zona de estudo, conduziu aos    menores crescimentos. Os melhores (p &lt;0,05) resultados foram obtidos tratamento    CDF. Em geral, não se verificaram diferenças significativas entre os tratamentos    CD e CRF. Os resultados indicam, assim, que a remoção da vegetação do sob coberto,    para por exemplo ser utilizada em centrais de biomassa, deverá ser considerada    apenas se forem adicionados fertilizantes (tratamento CRF) a fim de se evitarem    efeitos negativos no crescimento.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>AGRADECIMENTOS </b></p>      <p>O estudo foi suportado por verbas do projecto AGRO (8.1, nº 372) “Experimentação e demonstração de técnicas silvícolas e de gestão sustentável em pinhal bravo”. Agradecemos à URZE todo o apoio prestado, bem como ao Investigador J. Louzada, Prof. J. Bento, Sr. Carlos Brito e Sr. Carlos Fernandes do Dep. Florestal da UTAD e ao Sr. J. Rego do Dep. de Edafologia da UTAD. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>      <p>Albaugh, T.J., Allen H.L., Zutter, B. R &amp; Quicke, H.E. 2003. Vegetation control and fertilization in midrotation <i>Pinus taeda </i>stands in the southeastern United States. Ann. For. Sci., 60:619-624. </p>      <p>Alves, E.S. 1998. Avaliação da Qualidade das Estações Florestais a Partir de Propriedades Físicas do Solo. Povoamentos de Pinheiro Bravo no Vale do Tâmega. Tese de Mestrado, UTAD, Vila Real, Portugal. </p>      <p>Borders, B.E, Will, R.E., Markewitz, D., Clark, A, Hendrick, R., Teskey, O. &amp; Zhang, Y. 2004. Effect of complete competition control and annual fertilization on stem growth and canopy relations for a chronosequence of loblolly pine plantations in the lower coastal plain of Georgia. Forest Ecology and Management, 192:21-37. </p>      <p>Cain, M.D. 1999. Woody and herbaceous competition effects on stand dynamics and growth of 13-year-old natural, pre-commercially thinned loblolly and short-leaf pies. Canadian Journal of Forest Research, 29: 947-959. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Chaperon, H. 1986. La Culture du Pin Maritime en Aquitene. Afocel, Paris, França.</p>       <p>Fernandes, P.A.M., Loureiro, C.A., &amp; Botelho, H.S. 2004. Fire behaviour and severity in a maritime pine stand under differing fuel conditions. Ann. For. Sci., 61: 537-544. </p>      <!-- ref --><p>Kramer, P.J. &amp; Kozlowsky,T.T. 1972. Fisiologia das Árvores. Lisboa, 746p.    Fundação Caloust Gulbenkian.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0871-018X201000010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Martin, T.A. &amp; Jokela, E. J. 2004. Stand development and production Dynamics loblolly pine under a range of cultural treatments in north-central Florida USA<i>. </i>Forest Ecology and Management, 192: 39-58. </p>      <p>Marques, C.A.P. 1987. Qualidade das Estações Florestais. Povoamentos do Pinheiro Bravo no Vale do Tâmega. Dissertação de Doutoramento, UTAD, Vila Real, Portugal. </p>      <p>McColl, J. G. &amp; R. Powers, R.F. 1984. Consequences of forest management    on soil-tree relationship. In G.D. Bowen &amp; E.K.S. Nambiar (eds), Nutrition    of Plantation Forests, pp. 279-412. Academic Press. Londres, Grã Bretanha.  </p>      <p>Miller, J.H., Zutter, B.R. &amp; Zedaker, S.M. 1991. A regional study on the influence of woody and herbaceous competition on early loblolly pine growth. Southern Journal of Applied Forestry, 15(4): 169-179. </p>      <p>Oliveira, A.L.F. 1959. A fertilização em silvicultura. In Curso livre de Silvicultura. ISA. DGFA, Lisboa, Portugal. </p>      <p>Powers, F.P. &amp; Reynolds, P.E. 1999. Ten-year responses of ponderosa pine plantation to repeated vegetation and nutrient control along an environmental gradient. Can. J. For. Res., 29:1027-1038. </p>      <p>Rose, R. &amp; Ketchum, J.S. 2002. Interaction of vegetation control and fertilization on conifer species across the Pacific North­west. Can. J. For. Res., 32:136-152. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Savill, P., Evans, J., Auclair, D. &amp; Falck, F. 1997. Plantation Silviculture in Europe. Oxford University Press, Oxford. </p>      <p>Tisdale, S., Nelson, W. &amp; Beaton, J. 1986. Soil Fertility and Fertilizers    (4ª edição). MacMillan Pub. Company, Nova Iorque, E. U. A. </p>      <p>Xavier, R. 2008. Efeito do Controlo do Sob Coberto e da Fertilização no Crescimento    de Pinheiro Bravo. Dissertação de Mestrado em Eng, Florestal, UTAD, Vila Real.</p>        ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kramer]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Kozlowsky]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Fisio­logia das Árvores]]></source>
<year>1972</year>
<page-range>746</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Funda­ção Caloust Gulbenkian]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
