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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação biogeoquímica dos solos e do medronheiro na área mineira da Panasqueira]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Panasqueira mine is one of the most im­portant mines in Portugal. Over the last cen­tury exploration of tungsten, copper and tin has contributed to produce many waste ma­terials that constitute tailings with huge di­mensions generating high visual and chemi­cal impacts. The objective of this work was to study the biogeochemical impact of min­ing on the soils and arbutus trees (Arbutus unedo L.) in this area. Soils developed on waste materials or hosted rocks are contaminated with (mg kg-1) As (922), Cd (3), Cu (215), Pb (77), W (138) and Zn (260). In plants, cadmium is the only element that exceeded the vege­tation tolerant limit, but none of the sampled plants showed visual signs of toxicity. Ar­butus tree seems to be tolerant to the high soil concentrations (total and available frac­tion) of the hazardous elements. Therefore arbutus trees can be used in phytostabiliza­tion as a soil remediation strategy. Further studies could also allow the use of their fruits for alcohol production.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Avaliação biogeoquímica dos solos e do medronheiro na área mineira da Panasqueira </b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>B. Godinho<sup>1</sup>, M.M. Abreu<sup>1 </sup>&amp; M.C. Magalhães<sup>2    </sup></b></p>        <p><i><sup>1 </sup>Dept. Ciências do Ambiente. Instituto Superior de Agronomia,    Universidade Técnica de Lisboa (UTLis­bon), Tapada da Ajuda 1399-017 Lisboa,    <a href="mailto:bertagodinho@gmail.com">bertagodinho@gmail.com</a>, <a href="mailto:manuelaabreu@isa.utl.pt">manuelaabreu@isa.utl.pt</a>;    </i></p>     <p><i><sup>2</sup>Dept. Química e CICECO. Universidade de Aveiro, Campos de Santiago,    3810-193 Aveiro, <a href="mailto:mclara@ua.pt">mclara@ua.pt</a> </i></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>RESUMO </b></p>      <p>As Minas da Panasqueira são uma das mais importantes minas em laboração em    Portugal. Ao longo de 100 anos de explora­ção de tungsténio, cobre e estanho    produzi­ram-se resíduos que foram amontoados à superfície, em escombreiras,    provocando impactos ambientais elevados. Este trabalho teve como objectivo o    estudo biogeoquími­co da envolvente das Minas da Panasqueira através da avaliação    de solos e plantas de medronheiro (<i>Arbutus unedo </i>L.). Os solos apresentam-se    contaminados (mg kg<sup>-1</sup>) em As (922), Cd (3), Cu (215), Pb (77), W    (138) e Zn (260). Nas plantas, apenas o cádmio ocorre em concentrações médias    (1,53 mg kg<sup>-1</sup>) acima do limite tolerável pela generalidade das plantas,    no entanto, nenhuma planta apresentava sinais de toxi­cidade. O medronheiro    parece ser tolerante às elevadas concentrações totais e da frac­ção disponível    (solução DTPA) desses ele­mentos nos solos, podendo por isso, ser usado em programas    de fitoestabilização e para aproveitamento dos frutos com o objectivo de produzir    aguardente.</p>      <p><b>Palavras-chave</b>: fitoestabilização, medro­nheiro, Panasqueira, solos contaminados, tungsténio. </p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Biogeochemistry evaluation of soils and arbutus trees in the Panasqueira    mine area &nbsp;</b></p>      <p><b>ABSTRACT </b></p>      <p>Panasqueira mine is one of the most im­portant mines in Portugal. Over the last cen­tury exploration of tungsten, copper and tin has contributed to produce many waste ma­terials that constitute tailings with huge di­mensions generating high visual and chemi­cal impacts. The objective of this work was to study the biogeochemical impact of min­ing on the soils and arbutus trees (<i>Arbutus unedo </i>L.) in this area. </p>      <p>Soils developed on waste materials or hosted rocks are contaminated with (mg kg<sup>-1</sup>) As (922), Cd (3), Cu (215), Pb (77), W (138) and Zn (260). In plants, cadmium is the only element that exceeded the vege­tation tolerant limit, but none of the sampled plants showed visual signs of toxicity. Ar­butus tree seems to be tolerant to the high soil concentrations (total and available frac­tion) of the hazardous elements. Therefore arbutus trees can be used in phytostabiliza­tion as a soil remediation strategy. Further studies could also allow the use of their fruits for alcohol production.</p>        <p><b>Key-words</b>: contaminated soils, Panasqueira, phytostabilization, arbutus    tree, tungsten.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>INTRODUÇÃO </b></p>      <p>Um grande número de metais e metalói­des são essenciais na construção das tecno­logias modernas e, muitos deles, têm estado associados ao desenvolvimento da civiliza­ção. Depósitos de minérios contendo aque­les elementos químicos, concentrados e con­finados a alguns locais da crusta terrestre, têm sido explorados desde a antiguidade, embora com maior intensidade nos dois últimos séculos, sem que, na maioria dos casos, tivessem sido tomadas medidas para minimizar impactos ambientais. A extrac­ção, transformação e uso destes elementos químicos tem levado, frequentemente, à sua dispersão no ambiente. Assim, na actualida­de existem áreas consideráveis que foram afectadas pela extracção e processamento de minérios e que por isso se apresentam con­taminadas. </p>      <p>Em Portugal existem cerca de 200 explo­rações mineiras abandonadas, onde são bem patentes as feridas deixadas na paisagem, como consequência da extracção e tratamento do minério e em que a contami­nação dos solos e águas subsistiu até aos nossos dias (Oliveira <i>et al</i>., 2002). Na actualidade, apenas duas explorações mineiras estão activas: as Minas de Neves Corvo situadas na Faixa Piritosa Ibérica e as Minas da Panasqueira, na zona centro do País. </p>      <p>As Minas da Panasqueira situadas na ver­tente sul da cordilheira montanhosa da Serra da Estrela, numa zona económica e social­mente deprimida da Beira Interior, são as maiores produtoras de concentrados de tungsténio da Europa (Cavey &amp; Gunning, 2006). Nestas minas são ainda explorados, mas em menor proporção, cobre e estanho. A extracção do minério tem ocorrido ao longo dos últimos 100 anos, durante os quais os resíduos produzidos foram sendo espalhados à superfície, em escombreiras de grande volumetria, provocando elevados impactos paisagísticos e químicos. Os mate­riais constituintes das escombreiras mais recentes das Minas da Panasqueira contêm concentrações médias (mg kg<sup>-1</sup>) muito ele­vadas de vários elementos ambientalmente gravosos (As: 7142, Cd: 56, Cu: 2501, Pb:172, Sn: 679, W: 5400, Zn: 1689) (Ávila <i>et al</i>., 2008). Estas escombreiras influenciam a qualidade das águas e dos sedimentos da ribeira do Bodelhão que também apresen­tam valores muito elevados daqueles ele­mentos (Ávila <i>et al</i>., 2008). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A transferência solo-planta dos elementos através, sobretudo de absorção radicular, faz parte do ciclo químico natural dos elemen­tos (Kabata-Pendias, 2004). No entanto, a análise da biodisponibilidade dos mesmos elementos nos solos permite avaliar a exis­tência de risco ambiental e o consequente risco para a saúde pública, por exemplo, se a absorção dos elementos por parte das plan­tas for excessiva, ou por contaminação das águas superficiais e subterrâneas. A avalia­ção da biodisponibilidade dos elementos é também um dos factores a considerar na possibilidade de implementação eficiente de programas de fitoestabilização das áreas contaminadas. </p>      <p>Assim, este trabalho teve como objectivo o estudo biogeoquímico da envolvente das Minas da Panasqueira, usando como espé­cie vegetal, o medronheiro (<i>Arbutus unedo</i>, L.) para possível aproveitamento na produ­ção de aguardente de medronho e em futu­ros programas de fitoestabilização. </p>        <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>MATERIAIS E MÉTODOS</b></p>      <p><b>Caracterização da área de estudo </b></p>      <p>As Minas da Panasqueira localizam-se no centro de Portugal, no distrito de Castelo Branco, ocupando o couto mineiro cerca de 19 km<sup>2</sup>. A boca da mina e as infraestruturas de exploração e processamento do minério situam-se na aldeia da Barroca Grande, a uma altitude média de cerca de 700 m. </p>      <p>Geotectonicamente as Minas da Panas­queira enquadram-se na Zona Centro-Ibérica e integram uma das províncias meta­logénicas estano-volfrâmicas mais impor­tantes da Europa, o denominado Arco de Estanho (Barroqueiro, 2005). Na área dominam os Xistos das Beiras que são atra­vessados por filões de quartzo mineraliza­dos. Estes filões contêm um grande número de minerais incluindo volframite, cassiterite e calcopirite em quantidades económicas e por isso são explorados (Thadeu, 1951). O sulfureto mais abundante é a arsenopirite estando também presentes em quantidades assinaláveis pirite, blenda e pirrotite (Corrêa de Sá <i>et al</i>., 1999). </p>      <p>A topografia da zona é irregular, com declives acentuados (entre 9 e &gt; 25 %), havendo por isso o predomínio de solos del­gados, embora nos vales mais largos ocor­ram solos aluvionares.</p>        <p><b>Solos e plantas </b></p>      <p>Para a realização deste trabalho procedeu­se à colheita, a jusante da aldeia da Barroca Grande, em meados de Abril de 2007, de amostras de solo e de medronheiro (<i>Arbutus unedo </i>L.). Esta espécie vegetal foi escolhida por ser abundante no local, apresentar um bom desenvolvimento vegetativo e ser uma das primeiras plantas a colonizar os solos desenvolvidos sobre as escombreiras. Segundo o Plano de Ordenamento Florestal da Beira Interior (DGRF, 2005) o medro­nheiro é uma das plantas com enquadra­mento possível na zona da Serra da Estrela, uma vez que sendo uma espécie tipicamente mediterrânica com elevada capacidade de resistência aos fogos é considerada de importância no panorama de ordenamento e enriquecimento florestal. Este arbusto cons­titui muitas vezes uma fonte de rendimento complementar pela produção de aguardente através da fermentação alcoólica dos seus frutos. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Colheram-se sete amostras de solos, das quais uma de referência, correspondendo a um solo não contaminado (PAN 1S), desen­volvido sobre xistos. Cinco amostras (PAN 2S, PAN 4S, PAN 5S, PAN 6S, PAN 7S) correspondem a solos desenvolvidos sobre escombreiras ou sobre rochas de subs­trato influenciadas pelas águas de escorrên­cia de escombreiras. A amostra (PAN 3S) foi colhida na superfície de inundação na margem esquerda da ribeira do Bodelhão. As amostras de solos correspondem à camada superficial (10-15 cm de profundi­dade). Os solos, com excepção da amostra PAN 3S, foram recolhidos na zona da rizos­fera dos medronheiros, cujas folhas e rami­nhos foram também colhidos.</p>        <p><b>Métodos </b></p>      <p>Os solos (fracção &#8804;2 mm) foram caracte­rizados relativamente aos parâmetros seguintes: pH (H2O) por potenciometria (relação solo:água de 1:2,5 (m/v); capacida­de de troca catiónica (CTC) e catiões de tro­ca (método de acetato de amónio a pH 7; análise granulométrica (Póvoas &amp; Barral, 1992); fósforo e potássio assimiláveis (Égner <i>et al</i>., 1960); azoto mineral (Keeney &amp; Nelson, 1982); carbono orgânico total (Tinsley, 1956); alumínio de troca (método do cloreto de potássio, Póvoas &amp; Barral, 1992); oxi-hidróxidos de ferro (totais e não cristalinos) (De Endredy, 1963; Schwert­mann, 1964, respectivamente); óxidos de manganês (Chao, 1972). </p>      <p>Determinaram-se as concentrações totais de 48 elementos químicos (Laboratórios    Actlabs, Canadá, <a href="http://www.actlabs.com/" target="_blank">http://www.actlabs.com/</a>),    por ICP/OES ou INAA após digestão com quatro ácidos (HCl, HNO3, HClO4 e HF).    A fracção disponível dos elementos vestigiais (metais e arsénio) foi extraída    com DTPA 0,005 M (Lindsay &amp; Norvell, 1978) e as soluções de DTPA foram analisadas    por ICP (Laboratório Central de Análises, Uni­versidade de Aveiro). </p>      <p>As folhas e raminhos do medronheiro foram lavadas abundantemente com água corrente e no final com água destilada, secas em estufa a 60 ºC, moídas e enviadas para o Laboratório Actlabs, onde após redução a cinzas e digestão ácida (HNO3 e H2O2) foram analisados 60 elementos químicos, por leitura em ICP/MS. Todas as análises foram feitas em duplicado, com excepção das análises ao conteúdo elementar total nos solos e nas plantas, sendo o controlo analíti­co feito nos Laboratórios Actlabs. </p>      <p>O tratamento estatístico básico foi reali­zado no programa Excel do Windows,    ver­são Microsoft Office Excel 2003.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>RESULTADOS E DISCUSSÃO </b></p>      <p><b>Solos </b></p>      <p>Nos Quadros 1 e 2 apresentam-se os parâmetros de caracterização dos solos (pH    (H2O), análise granulométrica, carbono orgânico total, Fe nos oxi-hidróxidos    de fer­ro (totais e não cristalinos), Mn nos óxidos de manganês, CTC, catiões    de troca, P e K assimiláveis e N mineral).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="q1"></a><a href="#topq1">Quadro 1</a> -</b>Caracterização dos solos    na área mineira da Panasqueira – pH, granulometrica, C orgâni­co total, Fe nos    oxi-hidróxidos de ferro (cristalinos e não cristalinos) e Mn nos óxidos de manganês  </p>     <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a23q1.jpg" width="627" height="258"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="q2"></a><a href="#topq2">Quadro 2</a> -</b>Características dos    solos – CTC, catiões de troca, P e K assimiláveis e N mineral.</p>     <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a23q2.jpg" width="617" height="245"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Os solos apresentam pH em geral ácido (3,83 – 5,84) e textura franco-limosa. A maioria das amostras de solos tem valores de CTC (12,9 – 32,7 cmolc kg<sup>-1</sup>) considera­dos favoráveis à instalação de vegetação, os quais se podem atribuir em grande parte aos teores elevados de carbono orgânico (28,7 – 79,1 g kg<sup>-1</sup>). No geral, os solos apresentam valores baixos de alumínio de troca (0,12 – 0,59 cmolc kg<sup>-1</sup>), azoto mineral e fósforo assimilável, mas elevados valores de potás­sio assimilável. Todas as amostras apresen­tam valores muito elevados de óxidos de Fe totais (somatório das fracções cristalina e não cristalina), ocorrendo o claro domínio dos óxidos de Fe cristalinos relativamente aos óxidos de Fe não cristalinos. Os valo­res de óxidos de Mn são bastante variáveis de solo para solo (0,038 g kg<sup>-1 </sup>, PAN 1S e 1,71 g kg<sup>-1</sup>, PAN 3S).</p>        <p>No Quadro 3 apresentam-se os estatísticos básicos, na fracção &#8804;2 mm dos    solos, para o Al, As, Cd, Cu, Fe, Mn, Ni, Pb, W e Zn. Dos 48 elementos determinados,    estes foram seleccionados pela sua importância do ponto de vista da exploração    mineira e por se apresentarem em quantidades signifi­cativas. Apesar do Sn ser    um dos três metais (W, Cu e Sn) explorados nas Minas da Panasqueira não consta    do Quadro 3 por os valores nos solos serem inferiores ao limite de detecção    do aparelho analítico, que no Laboratório Actlabs é relativamente alto (ld =    100 mg Sn kg<sup>-1</sup>). </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><a name="q3"></a><a href="#topq3">Quadro 3</a> </b>– Estatísticos básicos    da composição química total (fracção &#8804;2 mm) dos solos (n=7). Concentração    dos elementos expressa em mg kg<sup>-1</sup>, com excepção do Al, Fe e Mn em    g kg<sup>-1 </sup>. </p>     <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a23q3.jpg" width="623" height="173"></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Embora os solos apresentem valores ele­vados de Al e Fe, essas concentrações estão de acordo com os valores médios conside­rados normais para xistos, as rochas de substrato na zona de estudo. As concentra­ções em Mn nos solos desenvolvidos sobre escombreiras (PAN 4S, 6S e 7S) e no solo colhido no leito da ribeira (PAN 3S) ultra­passam os valores considerados normais para a crusta terrestre (Ferreira, 2004). </p>      <p>Os solos podem considerar-se contamina­dos pois que os valores totais (média    em mg kg<sup>-1</sup>) de Cu (215), Zn (260), Cd (2,9) As (922) e Pb (77) ultrapassam    os valores máximos admissíveis (VMA) segundo a Legislação Portuguesa (Decreto-Lei    n.º118/2006) e Canadiana (CCME, 1997) (Quadro 3). O tungsténio apresenta um    valor médio de 137,86 mg kg<sup>-1 </sup>que é muito supe­rior à gama de valores    (0,5 – 83 mg kg<sup>-1</sup>) considerados normais nos solos pela Agency for    Toxic Substances Disease Registry (2005). O mesmo se passa para o Cu, As, e    Pb, em que os valores considera­dos normais no solo (1 – 60 mg Cu kg<sup>-1    </sup>e 5 – 9 mg As kg<sup>-1</sup>, Varennes, 2003; 0,17 – 29 mg Pb kg<sup>-1</sup>,    Kabata-Pendias &amp; Pendias, 2001) são, em média, largamente ultrapas­sados.    As concentrações de Ni, apesar de elevadas quando comparadas com os valo­res    máximos admissíveis nos solos, estão dentro dos valores médios para xistos (70    mg kg<sup>-1</sup>), correspondendo por isso ao fundo geoquímico da região.  </p>      <p>No Quadro 4 apresentam-se os estatísticos básicos referentes à fracção disponível    (extraída com DTPA) de alguns elementos químicos nos solos. </p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="q4"></a><a href="#topq4">Quadro 4</a> -</b>Estatísticos básicos    referentes à fracção disponível dos elementos químicos nos solos (n=7) (extracção    com DTPA) da Panasqueira. Concentração dos elementos em mg kg<sup>-1 </sup>.</p>     <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a23q4.jpg" width="608" height="135"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A fracção disponível dos elementos rela­tivamente ao teor total dos mesmos    nestes solos (Figura 1) varia consoante o elemento, sendo relativamente importante    para o cobre e zinco (10,85 e 10,35 %, respectivamente), baixa para o manganês    (2,71 %), chumbo (1,85 %) e tungsténio (1,04 %) e muito bai­xa para o alumínio    (0,61 %), ferro (0,51 %) e arsénio (0,45 %). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a23f1.jpg" width="473" height="165"></p>     
<p><b>Figura 1 </b>– Relação percentual entre o conteúdo da fracção disponível    (DTPA) e o conteúdo total de alguns elementos químicos no solo.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p>A baixa percentagem relativa de As na forma disponível é indicação da sua baixa    perigosidade ambiental. Tal facto, deve-se, provavelmente, às elevadas concentrações    de óxidos e hidróxidos de ferro (<a name="topq1"></a><a href="#q1">Quadro 1</a>)    nestes solos, que são apontados como sendo bastante eficazes na imobilização    deste metalóide, em particular os óxidos e hidró­xidos de Fe não cristalinos    (El Khatib <i>et al</i>., 1984). Também o tungsténio associado à sua baixa solubilidade    se apresenta, relati­vamente à sua concentração total nos solos, pouco disponível,    não constituindo, aparen­temente, perigo ambiental. A baixa disponi­bilidade    do Pb pode estar associada quer aos os óxidos de ferro (Brown <i>et al</i>.,    2005), quer aos óxidos de manganês (Adriano, 1986), embora estes ocorram em    menor concentra­ção nestes solos (<a name="topq2"></a><a href="#q2">Quadro 2</a>).</p>     <p><b>Medronheiro </b></p>      <p>A descrição estatística da concentração total de elementos químicos nos raminhos    e folhas do medronheiro (<i>A. unedo</i>) consta do (Quadro 5). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro 5 -</b>Descrição estatística da concentração total de elementos químicos    nos raminhos e folhas do medronheiro (<i>Arbutus unedo</i>) colhidas na área    mineira da Panasquiera. Concentração dos elemen­tos em mg kg<sup>-1 </sup>.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a23q5.jpg" width="613" height="135"> </p>     
<p>&nbsp;</p>          <p>As amostras de medronheiro contêm valores de Ni considerados normais para as plantas (0,1 – 5 mg kg<sup>-1</sup>, Kabata-Pendias &amp; Pendias, 2001), com excepção da amostra PAN 5M que contêm 13 mg Ni kg<sup>-1 </sup>. As concentrações de W e Fe nas plantas anali­sadas estão abaixo do limite de detecção do aparelho analítico (0,5 mg kg<sup>-1 </sup>e 100 mg kg<sup>­1</sup>, respectivamente). Este facto parece indi­car que esta espécie, pelo menos em relação ao tungsténio, não absorve ou transloca este elemento, por ocorrer em valores muito bai­xos (relativamente ao total, Figura 1) na fracção disponível ou por esta espécie poder ser exclusora relativamente ao tungsténio. </p>      <p>A concentração de Pb na parte aérea desta espécie vegetal, encontra-se dentro    da gama dos valores de referência para as plantas (0,1 <b>– </b>10 mg kg<sup>-1</sup>,    Kabata-Pendias &amp; Pen­dias, 2001). No caso do As, esta espécie arbustiva    parece ser tolerante aos elevados teores totais deste elemento nos solos (média    922 mg kg<sup>-1</sup>), pois a translocação para a parte aérea é baixa (máximo    2 mg kg<sup>-1</sup>). De facto, embora a relação da fracção disponí­vel/total    de As seja baixa (0,45 %), o valor absoluto de ambas (<a name="topq3"></a><a href="#q3">Quadros    3</a> e <a name="topq4"></a><a href="#q4">4</a>) ultrapas­sa os valores considerados    tóxicos para a maioria das plantas (25 <b>– </b>100 mg kg<sup>-1 </sup>para    o As total e 2 mg kg<sup>-1 </sup>para o As solúvel no extracto de saturação,    Srivastava &amp; Gupta, 1996). O valor máximo de As ocorre na amostra PAN 2M,    correspondente ao solo situado numa vertente declivosa com influência das águas    de escorrência da escombreira mais recente. No entanto, nesta amostra ocorre    o mais baixo valor de As total (158 mg kg<sup>-1</sup>) e da fracção disponível    (0,66 mg kg<sup>-1</sup>) dos solos analisados, o que indica que tal acumulação    na planta poderá dever-se à absorção do As a partir das águas de escorrência    da escombreira. O facto de o elemento não ficar retido no solo é função da sua    elevada mobilidade e ainda à posição topográfica que o solo ocupa. </p>      <p>O manganês apresenta na espécie analisa­da, valores inferiores aos considerados    tóxi­cos para a maioria das plantas (500 mg kg<sup>-1 </sup>, Kabata-Pendias    &amp; Pendias, 2001). O valor médio de Cd (1,53 mg kg<sup>-1</sup>) no medronheiro    ultrapassa a gama de valores considerados toleráveis pelas culturas (0,05 –    0,2 mg kg<sup>-1 </sup>, Kabata-Pendias &amp; Pendias, 2001), ocorren­do o máximo    valor (4,94 mg kg<sup>-1</sup>) na amos­tra PAN 5M, apesar do solo correspondente    não ser o que contém maior teor total do elemento. Tal facto, deve estar associado    à absorção do elemento pela planta a partir das águas de lixiviação da escombreira,    situada acima do local de colheita, e que atravessam o solo PAN 5S. Estas águas    deverão conter teores elevados deste elemento. Apesar da elevada concentração    de Al (média 47,5 g kg<sup>-1</sup>) nas amostras de solo e na fracção disponível    (média 310 mg kg<sup>-1</sup>), não ocorrem valores muito eleva­dos nas plantas    (média 116 mg kg<sup>-1</sup>), estan­do em regra dentro da gama (50 – 200 mg    kg<sup>-1</sup>) indicada por Srivastava &amp; Gupta (1996). </p>        <p>Nas plantas amostradas os teores de Cu (média 2,63 mg kg<sup>-1</sup>) são inferiores aos con­siderados tóxicos para as plantas (&gt; 20 mg kg<sup>-1</sup>), estando mesmo abaixo dos valores considerados suficientes ou normais (5 – 30 mg kg<sup>-1</sup>) (Kabata-Pendias &amp; Pendias, 2001). Ocorrem nas plantas valores relativamente elevados de Zn (média 155 mg kg<sup>-1</sup>), com um máximo na amostra PAN 5M de 570 mg kg<sup>-1 </sup>que é superior ao valor observado para a mesma amostra de solo (235 mg kg<sup>­1</sup>), indicando capacidade de acumulação deste elemento na planta. No entanto, as plantas de medronheiro não apresentavam nem sinais de toxicidade relativamente ao Zn ou ao Cd, nem de deficiência relativa­mente ao Cu. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>CONCLUSÕES </b></p>      <p>Os solos da envolvente das Minas da Panasqueira apresentam-se contaminados, como resultado da exploração mineira pas­sada e actual, devido à acumulação dos resí­duos do processamento do minério em escombreiras. No entanto, as percentagens relativas dos elementos na forma disponível em relação ao conteúdo total dos mesmos no solo são, no geral, baixas, podendo indi­car, a curto prazo, perigosidade ambiental relativamente reduzida. O medronheiro coloniza os solos contaminados desenvolvi­dos sobre a rocha de substrato e as escom­breiras, apresentando um bom desenvolvi­mento vegetativo. A concentração dos ele­mentos vestigiais na parte aérea da planta é muito baixa pelo que parece ser uma espécie tolerante aos elevados valores desses ele­mentos no solo podendo ser usado em pro­gramas de fitoestabilização das escombrei­ras. Além disso, como os raminhos e as folhas do medronheiro apresentam concen­trações baixas de elementos químicos peri­gosos para a saúde humana, os seus frutos poderão ser aproveitados para o fabrico de aguardente. No entanto, estes devem ser objecto de análise química futura e, caso esta tendência seja comprovada, poderá ser possível a execução de um projecto de implementação de uma destilaria de aguar­dente de medronho. Esta seria construída pela Junta de Freguesia de São Francisco de Assis e Barroca Grande, com o objectivo de rentabilizar um produto local e a criação de novos postos de trabalho, numa zona tão necessitada a nível económico. </p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>      <p>Agency for Toxic Substances and Disease Registry 2005. Toxicological Profile    for Tungsten. U.S. Department of Health Service. Disponível em: <a href="http://www.atsdr.cdc.gov/toxprofiles/tp186.pdf" target="_blank">http://www.atsdr.cdc.gov/toxprofiles/tp186.pdf</a>.    Acesso em: 10/2007.</p>      <p>Ávila, P. F., Ferreira da Silva, E., Salgueiro, A.R. &amp; Farinha, J. A. 2008. Geochemis­try and mineralogy of mill tailings im­pondments from the Panasqueira Mine (Portugal): implications for surrounding environment<i>. </i>Mine Water and the Envi­ronment, 27:210–224. </p>      <p>Barroqueiro, M. 2005. O declínio de Centros Mineiros Tradicionais no Contexto de uma Geografia Industrial em Mudança – As Minas de Aljustrel e da Panasqueira. Tese de Mestrado em Geografia Humana e Planeamento Regional e Local. Lisboa. </p>      <p>Brown, S., Christensen, B., Lombi, E., McLaughlin, M., McGrath, S., Colpaert, J. &amp; Vangronsveld, J. 2005. An inter-laboratory study to test the ability of amendments to reduce the availability of Cd, Pb, and Zn in situ. Environmental Pollution, 138: 34-45. </p>      <p>Cavey, G. &amp; Gunning, D. 2006. Panasqueira Mine – Distrito de Castelo Branco, Por­tugal. Updated Technical Report. Primary Metals Inc. Orequest. Castelo Branco. </p>      <p>CCME – Canada Council of Ministers of the Environment 1997. Canadian Environ­mental Quality Guidelines for the protec­tion of environmental and human health Winnipeg. </p>      <p>Chao, T. T. 1972. Selective dissolution of manganes oxides from soils and sedi­ments with acidified hydroxylamine hy­drochloride. Soil Science Society of America, 36: 762–768. </p>      <!-- ref --><p>Corrêa de Sá, A., Naique, R. &amp; Edmundo A. 1999. As Minas da Panasqueira: 100 anos de história mineira. Boletim das Minas, 36 (1): 3-22. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0871-018X201000010002400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Decreto-Lei n.º118/2006. Diário da Repúbli­ca, I Série-A n.º 118 de 21 de Junho de 2001: 4380-4388. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De Endredy, A.S. 1963. Estimation of free iron oxides in soils and clays by photo­lytic methods. Clay Mineralogy Bulletin, 9: 209-217. </p>      <p>DGRF, 2005. Plano Regional de Ordena­mento Florestal – Beira Interior Norte. Ministério da Agricultura do Desenvol­vimento Rural e das Pescas. </p>      <p>Égner, H, Riehm, H. &amp; Domingo, W.R. 1960. Untersuchhungen uber die chemiche boden: Analyse als grundlage fur die beurteilung der nahrston ffzustandes der boden. II. Chemiche extraktions, metehoden zur phosphor, und kaliumbestimmung. Kungl. Lantbrukshoegst, 26: 199-215. </p>      <p>El Khatib, E. A., Banner, O. L. &amp; Wright, R. J. 1984. Arsenite sorption and desorption in soils. Soil Science Society of Ameri­can Journal, 48: 1025-1030. </p>      <p>Ferreira, M. I. 2004. Atlas Geoquímico dos Solos de Portugal Continental. Tese de Doutoramento. Universidade de Aveiro, Departamento de Geociências. Aveiro. </p>      <p>Kabata-Pendias, A. 2004. Soil-plant tranfer of trace elements – an environmental is­sue. Geoderma, 122: 143-149. </p>      <p>Kabata-Pendias, A. &amp; Pendias, H. 2001. Trace Elements in Soils and Plants. 3<sup>rd</sup>edition.CRC Press. Boca Raton. FL. 431 pp. </p>      <p>Keeney, D. R. &amp; Nelson, D. W. 1982. Nitro­gen. Inorganic forms. In, A. L. Page (ed.) Methods of Soil Analysis. Part 2. Chemi­cal and Microbiological Properties.2<sup>nd </sup>ed. Soil Science of América, Madison, USA. </p>      <p>Lindsay, W.L. &amp; Norvell, W.A. 1978. De­velopment of DTPA soil test for zinc, iron, mangenese and copper. Soil Science Society of America Journal, 42: 421-428. </p>      <!-- ref --><p>Oliveira, J. M. S., Farinha, J., Matos, J. X., Ávila, P., Rosa, C., Canto Machado,    M. J. Daniel, F. S., Martins, L. &amp; Machado Leite, M. R. 2002. Diagnóstico    ambiental das principais áreas mineiras degradadas do País. Boletim das Minas.    Lisboa, 39 (2): 67-85. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0871-018X201000010002400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Póvoas, I. &amp; Barral, M.F. 1992. Métodos de Análise de Solos. Série de Ciências Agrá­rias. Instituto de Investigação Cientifica Tropical. Ministério do Planeamento e da Administração do Território, Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia. Lis­boa. </p>      <p>Schwertmann, U. 1964. Differenzierung der eisenoxides des bodens<i>. </i>Planzenernährung D&#971;ngung Bodenkund, 105 (3): 194-202. </p>      <p>Srivastava, P. C. &amp; Gupta, U. C. 1996. Trace elements in crop prodution. Science Publishers, Inc. USA. </p>      <!-- ref --><p>Thadeu, D. 1951. Geologia do Couto Minei­ro da Panasqueira. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, 32: 5­-64. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0871-018X201000010002400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Tinsley, J. 1956. The extraction of organic Science. Paris. 541-546<b>. </b>matter    from soils with formic acid. Tran-Varennes, A. 2003. Produtividade dos Solos    sactions International Congress of Soil e Ambiente. Escolar Editora, Lisboa.</p>         ]]></body><back>
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