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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Efeito da temperatura, pH e vestígios de Hg2+ e Pb2+ na acti­vidade de desidrogenases e urease num solo da região de Évora]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Enzyme activities are often used as in­dicator of soil quality. This study reports on dehydrogenase (EC 1.1.1) and urease (EC 3.5.1.5) activities of a soil under Olea europaea L. from Évora region. Kinetic constants Km and Vmax were determined using p-iodonitrotetrazolium chloride (INT) and urea, respectively. Effects of pH, temperature and Hg2+ and Pb2+ traces on both activities were determined. Maximal activity was obtained at pH = 8.5 and 40ºC, Km = 0.5 mM and Vmax=5,4µmol min-1 g-1 , for dehydro­genase and at pH = 10 and 37 ºC, Km = 25.7 mM and Vmax = 2.0x10-2 µmol min-1 g-1, for urease. These activities were in­hibited by different concentrations of Hg2+, but only the urease activity was in­hibited by Pb2+. Results of this study are comparable to those reported in the litera­ture for these enzymes.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Efeito da temperatura, pH e vestígios de Hg</b><b><sup>2+ </sup></b><b>e    Pb</b><b><sup>2+ </sup></b><b>na acti­vidade de desidrogenases e urease num    solo da região deÉvora </b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>M. R. Martins<sup>1,2</sup>, F. Santos<sup>1</sup>, P. Candeias<sup>1 </sup>&amp;    J. Cruz-Morais<sup>1,2 </sup></b></p>       <p><b><i><sup>1 </sup></i></b><i>Departamento de Química, Universidade de Évora,    Rua Romão Ramalho, 7000-671 Évora, e-mail: <a href="mailto:cmorais@uevora.pt">cmorais@uevora.pt</a>;    </i></p>     <p><i><sup>2</sup>ICAM, Universidade de Évora, Apartado 94, 7002-554 Évora</i></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>RESUMO </b></p>      <p>As actividades das enzimas no solo são um importante indicador da sua qualida­de. Neste estudo procedeu-se à caracteri­zação da actividade enzimática de desi­drogenases (EC 1.1.1) e da urease (EC 3.5.1.5) de um solo sob <i>Olea europeae </i>L<i>. </i>da região de Évora. As constantes cinéti­cas K<sub>m</sub> e V<sub>máx</sub>, foram determinadas usando como substratos o cloreto de <i>p</i>­-iodonitrotetrazolio (INT) e a ureia, res­pectivamente. Foi avaliado o efeito nas referidas actividades provocado pelo pH, temperatura e vestígios de Hg<sup>2+ </sup>e de Pb<sup>2+</sup>. </p>      <p>As actividades máximas obtiveram-se a pH = 8,5 e 40 ºC, com K<sub>m</sub>= 0,5 mM e V<sub>máx</sub> = 5,4 µmol min<sup>-1 </sup>g<sup>-1</sup>, para a activida­de de desidrogenases e a pH = 10 e 37 ºC, com K<sub>m</sub> = 25,7 mM e V<sub>máx</sub> = 2,0x10<sup>-2 </sup>µmol min<sup>-1 </sup>g<sup>-1</sup>, para a urease. Estas acti­vidades foram inibidas por diferentes concentrações de Hg<sup>2+</sup>, mas apenas a acti­vidade da urease foi inibida pelo Pb<sup>2+</sup>. Estes resultados são comparáveis com os referidos na literatura para estes enzimas.</p>        <p><b>Palavras-chave: </b>Desidrogenases, Enzi­mas do solo, Qualidade do solo,    Urease. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Effect of temperature, pH and Hg</b><b><sup>2+ </sup></b><b>and Pb</b><b><sup>2+    </sup></b><b>traces in dehydrogenaseand urease activities of a soil from Évora    region </b></p>      <p><b>ABSTRACT </b></p>      <p>Enzyme activities are often used as in­dicator of soil quality. This study reports on dehydrogenase (EC 1.1.1) and urease (EC 3.5.1.5) activities of a soil under <i>Olea europaea </i>L. from Évora region. Kinetic constants Km and Vmax were determined using <i>p</i>-iodonitrotetrazolium chloride (INT) and urea, respectively. Effects of pH, temperature and Hg<sup>2+ </sup>and Pb<sup>2+ </sup>traces on both activities were determined. </p>      <p>Maximal activity was obtained at pH = 8.5 and 40ºC, K<sub>m</sub> = 0.5 mM    and V<sub>max</sub>=5,4µmol min<sup>-1 </sup>g<sup>-1 </sup>, for dehydro­genase    and at pH = 10 and 37 ºC, Km = 25.7 mM and V<sub>max</sub> = 2.0x10<sup>-2 </sup>µmol    min<sup>-1 </sup>g<sup>-1</sup>, for urease. These activities were in­hibited    by different concentrations of Hg<sup>2+</sup>, but only the urease activity    was in­hibited by Pb<sup>2+</sup>. Results of this study are comparable to those    reported in the litera­ture for these enzymes.</p>     <p><b><i></i></b><b>Key-words: </b>Dehydrogenases, Soil enzyme, Soil quality,    Urease. </p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>INTRODUÇÃO </b></p>      <p>A qualidade do solo depende de proprie­dades físico-químicas e biológicas relacio­nadas com a sua textura, composição, humidade, pH, microrganismos e enzimas activos nele presentes, os quais podem ser influenciados pelo tipo de culturas, mobili­zação do solo e aplicação de xenobióticos, como produtos fitofarmacêuticos, poluentes de origem industrial, municipal ou outros. Os enzimas do solo têm um papel relevante na libertação dos nutrientes necessários ao crescimento microbiano e das plantas e na biotransformação de xenobióticos (Dick, 1998). As actividades enzimáticas do solo podem resultar de células activas (animais, plantas e microrganismos), células inteiras já mortas, detritos celulares ou, ainda, de complexos enzima-argila ou colóides húmi­cos (Taylor <i>et al.</i>, 2002). </p>      <p>As actividades enzimáticas de desidroge­nases (E.C. 1.1.1), fosfatases (EC 3.1.3.), arilsulfatase (EC. 3.1.6.1.), celulase (E.C. 3.2.1.4), &#946;-glucosidase (E.C. 3.2.1.21) e urease (E.C. 3.5.1.5) têm sido utilizadas, nalguns estudos, como indicadores da qua­lidade do solo. Desidrogenases, por exem­plo, são enzimas endocelulares, presentes apenas nas células viáveis e a sua actividade no solo está descrita como reflexo da activi­dade de microrganismos, incluindo bactérias e fungos, pelo que é frequentemente utiliza­da como indicador do metabolismo oxidati­vo microbiano em função do tipo, profundi­dade, conteúdo de matéria orgânica e poluentes do solo (Camiña <i>et al. </i>1998; Tra­sar-Cepeda <i>et al.</i>, 2000; Monkiedje <i>et al</i>., 2002; Taylor <i>et al.</i>, 2002; Sukul, 2006). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A urease é um enzima extracelular, tam­bém presente no interior das células, res­ponsável pela hidrólise da ureia no solo, com formação de ião amónio e carbonato. A sua actividade está correlacionada com o processo de mineralização do N no solo e a sua presença aqui é originada principalmen­te a partir de plantas e microrganismos (Marzadori <i>et al</i>., 1998; Sinsabaugh <i>et al</i>., 2000). </p>      <p>A acumulação de metais pesados no solo em quantidades elevadas é um dos factores de maior impacte nos seus processos bio­químicos. Alguns estudos mostram que a presença de metais pesados inibe a activida­de de diversos enzimas do solo (Mora <i>et al.</i>, 2005; Chaperon <i>et al.</i>, 2007, 2008). O grau de inibição das actividades enzimáticas do solo pelos metais pesados está estreitamente correlacionado com o tipo de solo (Brady &amp; Ray, 1999). Mora <i>et al. </i>(2005) refere que solos contaminados com os metais As, Cd, Cu, Mn, Pb e Zn apresentaram actividades enzimáticas de desidrogenases, arilsulfatase e &#946;-glucosidase muito baixas, as quais aumentaram após remediação “ <i>in situ</i>” (Sevilha, Espanha). Segundo Chaperon <i>et al. </i>(2007, 2008), a presença de Ag, Cu, Pb, Zn e Hg influenciou as actividades de desi­drogenases e da urease em solos de floresta (Canadá), dependendo da concentração, da presença simultânea de alguns destes metais e do tipo de solo. </p>      <p>Estudos de caracterização de actividades de desidrogenases e urease nos solos de Por­tugal são muito escassos, pelo que foi objec­tivo do presente estudo caracterizar a activi­dade enzimática de desidrogenases e da urease num solo da região de Évora (Alente­jo) e avaliar o efeito de Hg<sup>2+ </sup>e Pb<sup>2+</sup>, nessas actividades. A actividade de desidrogenases foi determinada pelo método de <i>von </i>Mersi &amp; Schinner (1991) modificado (Camiña <i>et al.</i>, 1998) e a da urease pelo método de Kandeler &amp; Gerber (1988) modificado. As constantes cinéticas, Km e Vmáx foram deter­minadas utilizando como substratos o p-iodonitrotetrazolio (INT) e a ureia, para desidrogenases e urease, respectivamente. Foi ainda avaliado o efeito da temperatura, pH e de vestígios de Hg<sup>2+ </sup>e Pb<sup>2+ </sup>nas referi­das actividades. </p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>MATERIAL E MÉTODOS </b></p>      <p>Estudou-se um solo do sudoeste de Portu­gal situado em Évora, Alentejo (38º36’N, 1º16’W) com cultura de olival (<i>Olea euro­peae </i>L.) em pousio, sem quaisquer trata­mentos com pesticidas, adubos ou fertilizan­tes, durante os últimos 10 anos. De acordo com a carta de solos 36 C dos Solos de Por­tugal, trata-se de um solo litólico, não húmi­co de rochas eruptivas (Pmg) (Cardoso, 1974). As amostras foram recolhidas entre os 5 – 15 cm de profundidade, secas ao ar, crivadas por tamiz de malha &lt; 2 mm e guardadas a 4ºC, para análise. </p>      <p>As principais características físico­químicas do solo foram determinadas de acordo com os métodos de referência para análises do solo (Carter, 1993; Rowell, 1994). Os dados da textura foram obtidos por sedimentometria com raios X (Sedi­graph, 5100), corrigidos para o método da análise mecânica, sem destruição de carbo­natos. O azoto total foi determinado pelo método de Kjeldahl, o azoto nítrico por potenciometria, utilizando um eléctrodo selectivo de iões, e o fósforo pelo método espectrométrico de Egner-Riehm (Green­berg <i>et al.</i>, 1992). A capacidade de troca foi determinada pelo método do acetato de amónio a pH = 7 (Rowell, 1994). O Ca<sup>2+ </sup>foi quantificado por espectrometria de absorção atómica em câmara de grafite e o Na<sup>+ </sup>e K<sup>+ </sup>por fotometria de emissão de chama (Rowell, 1994). </p>      <p>A actividade de desidrogenases foi deter­minada em 1 g de solo (p.s.) pelo método de <i>von </i>Mersi &amp; Schinner (1991) modificado por Camiña <i>et al. </i>(1998), utilizando como substrato o cloreto de 2-<i>p</i>-iodofenil-3-p­nitrofenil-5-feniltetrazolio (INT), que é con­vertido por desidrogenases em iodonitrote­trazólio-formazão (INTF). Este foi extraído com uma mistura de dimetilformamida e etanol, de modo a minimizar a adsorção do INTF aos minerais do solo (Camiña <i>et al.</i>, 1998) e quantificado a 490 nm (Taylor <i>et al</i>., 2002). Foi efectuado um ensaio em branco nas mesmas condições, tendo-se adi­cionado o substrato só após a adição da solução extractante. </p>      <p>A actividade da urease foi quantificada pelo método de Kandeler &amp; Gerber (1988) modificado, sendo o amónio libertado determinado pela reacção de Berthelot, na qual o salicilato de sódio reage com o ácido dicloroisocianúrico, na presença de nitro­prussiato de sódio, formando um complexo esverdeado em meio alcalino (Kandeler &amp; Gerber, 1988; Taylor <i>et al</i>., 2002). Neste ensaio, adicionou-se 1 g de solo (p.s.) a 0,5 mL de solução de ureia 720 mM e 4 mL de solução tampão borato 75 mM, pH 10 e incubação a 37 ºC (b.a.) durante 2 horas, sob agitação. A reacção foi terminada com a adição de 6mL de KCl/HCl pH ~ 2 e, após 30 minutos, procedeu-se à leitura da absor­vência a 690nm. Foi efectuado um ensaio em branco nas mesmas condições, tendo-se adicionado o substrato só após a adição da solução de KCl/HCl. Em todas as determi­nações enzimáticas, foram efectuados 4 replicados. </p>      <p>O efeito da temperatura nas actividades enzimáticas de desidrogenases e urease foi avaliado fazendo variar a temperatura de incubação do solo entre 20 -50 ºC e o pH entre 6,5 e 12, respectivamente, com base em estudos prévios e nos valores indicados na literatura para estes enzimas (Trevors, 1984; Kandeler &amp; Gerber, 1988; Subhani <i>et al.</i>, 2001; Taylor <i>et al.</i>, 2002). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As constantes cinéticas Km e Vmáx foram determinadas recorrendo à linearização de Lineweaver-Burk, usando INT (0,25 -1,25 mM) ou ureia (80 – 2560 mM) como subs­trato, para as actividades de desidrogenases e urease, respectivamente. </p>      <p>Os efeitos do Hg<sup>2+ </sup>e Pb<sup>2+ </sup>nas actividades enzimáticas de desidrogenases e urease do solo foram determinados adicionando à solução do solo, soluções de HgCl<sub>2</sub> (0,23­10,91 mM) e soluções de PbCl<sub>2</sub> (0,14 ­10,91 mM). Nos ensaios em que se obser­vou um efeito inibitório, procedeu-se à determinação dos valores de IC<sub>50</sub> (concen­tração que levou a uma diminuição de 50% na actividade enzimática, como resposta dos microrganismos sensíveis ao respectivo metal). </p>      <p>Para avaliação do efeito do Hg<sup>2+ </sup>e Pb<sup>2+ </sup>nas actividades enzimáticas de desidrogena­ses e urease, procedeu-se à análise de variância (ANOVA -One way) para um intervalo de confiança de 95 % (P &lt; 0,05), usando o programa SPSS<sup>® </sup>16.0 para Win­dows. </p>      <p>O efeito inibitório sobre as actividades de desidrogenases e urease provocado    por cada um dos metais em estudo foi determinado usando a correlação dose-resposta    para cada um dos metais adicionado ao solo. A Equação 1 foi utilizada para cálculo    da resposta da actividade enzimática (Greco <i>et al.</i>, 1995)</p>     <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a32e1.jpg" width="296" height="50"></p>        
<p>em que A<sub>2</sub> e A<sub>1</sub> são, respectivamente, as respostas máxima e mínima dos enzimas do solo obtidas com uma amostra controlo, p é o parâmetro de declive da curva dose­-resposta, X é a dose aplicada e log X<sub>0</sub> é a concentração que corresponde a 50 % da actividade enzimática. Este modelo não linear foi ajustado utilizando o Origin 7.1 (OriginLab<sup>® </sup>Corporation, 2003). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESULTADOS E DISCUSSÃO </b></p>      <p>O Quadro 1, mostra que o solo apresentou uma textura franco-argilosa, com pH    6,0, baixos valores de condutividade eléctrica e de matéria orgânica, valores    estes que se encontram dentro dos limites referidos para um solo do tipo litólico,    não húmico de rochas eruptivas (Pmg), como foi o caso do solo em estudo (Cardoso,    1974).</p>     <p>&nbsp;</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Quadro 1-</b>Principais características do solo em estudo</p>     <p><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a32q1.jpg" width="371" height="437"></p>     
<p>&nbsp;</p>        <p>Neste estudo, as actividades de desidro­genases e urease do solo, foram determina­das a diferentes valores de temperatura, uti­lizando um valor de pH de ensaio de 8,5 para desidrogenases e de 10,0 para a urease, valores estes seleccionados tendo em conta estudos prévios e também o que se encontra referido na literatura sobre o efeito do pH na actividade destes enzimas (Trevors, 1984; Kandeler &amp; Gerber, 1988). </p>      <p>Na Figura 1, estão representados os valo­res médio ± desvio-padrão da variação das actividades de desidrogenases e urease no solo em função da temperatura (Figura 1-A) e do pH (Figura 1-B). </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><a href="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a32f1.jpg" target="_blank">Figura 1</a> </b>-Representação    gráfica do efeito da temperatura (A) e do pH (B) nas actividades de desi­drogenases    e urease no solo em estudo.</p>     
<p>&nbsp;</p>          <p>Os valores de temperatura para os quais se obteve a maior actividade de desidro­genases e urease foram, respectivamente, de 40ºC e de 37ºC (Figura 1-A). Estes valores estão muito próximos, no entanto, como se observa na referida figura, o efeito da tem­peratura foi muito mais acentuado para a actividade da urease do que para a activida­de de desidrogenases, o que poderá signifi­car que, sendo a urease um enzima predo­minantemente extracelular, estará menos protegido do que as desidrogenases face a alterações da temperatura ambiental (Dick, 1998; Nannipieri <i>et al.</i>, 2003). </p>      <p>Uma vez determinadas as temperaturas para as quais as actividades de desidrogena­ses e urease foram máximas, procedeu-se a um estudo do efeito da variação do pH sobre as actividades destes enzimas a essas tempe­raturas (40 ºC e 37 ºC, respectivamente). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os resultados deste estudo estão apresen­tados na Figura 1-B, mostrando que estes enzimas apresentaram um perfil semelhante de variação da actividade em função do pH do meio, o que poderá ser devido ao facto de, tanto nos microrganismos (desidrogena­ses), como no solo (urease), existirem sis­temas tampão que moderam o impacte da variação do pH do meio na actividade destes enzimas (Taylor <i>et al.</i>, 2002). </p>      <p>Para a actividade de desidrogenases, o valor máximo foi obtido a pH 8,5, enquanto que para a urease a actividade máxima foi obtida a pH 10,0, mostrando que, no solo em estudo, a actividade destes enzimas face ao pH seguiu um padrão de comportamento dentro do que está referido para estes enzi­mas (Dick, 1998; Taylor <i>et al.</i>, 2002). </p>      <p>Os parâmetros cinéticos das actividades de desidrogenases e urease foram determi­nados a 40ºC, pH = 8,5 e 37 ºC, pH = 10, respectivamente. Para este estudo foram usadas diferentes concentrações dos substra­tos ([S]) característicos destes enzimas e os correspondentes valores das velocidades inicias de reacção (V). Os valores das cons­tantes cinéticas, K<sub>m</sub> e V<sub>máx</sub> foram, então, determinados recorrendo à equação de Lineweaver-Burk: <b>1/V = {(K<sub>m</sub>/V<sub>máx</sub>). (1/[S]) + (1/V<sub>máx</sub>)} </b>(Equação 2.), a qual usa o inverso da equação de Michaelis-Menten (Tabatabay &amp; Bremner, 1971). Na Figura 2, V<sub>máx</sub> corresponde ao valor de 1/[S] =0 e K<sub>m</sub> ao valor de 1/V=0 da equação anterior. </p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b><img src="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a32f2.jpg" width="595" height="263"></b></p>      
<p><b>Figura 2 -</b>Representação gráfica de Lineweaver-Burk para determinação das constantes cinéticas Km e Vmáx da reacção de desidrogenases (A) e urease (B) do solo em estudo. </p>        <p>&nbsp;</p>      <p>Os valores obtidos foram, para as desi­drogenases, K<sub>m</sub> = 0,50 mM e V<sub>máx</sub> = 5,33 µmol min<sup>-1 </sup>g<sup>-1 </sup>e, para a urease, K<sub>m</sub> = 25,73 mM e V<sub>máx</sub> = 2,00x10<sup>-2 </sup>µmol min<sup>-1 </sup>g<sup>-1</sup>. Uti­lizando a equação de Michaelis-Menten os valores obtidos para as constantes cinéticas foram semelhantes (K<sub>m</sub> = 0,49 ± 0,17 mM; V<sub>máx</sub> = 5,31 ± 0,18 µmol min<sup>-1 </sup>g<sup>-1 </sup>para a actividade de desidrogenases, e K<sub>m</sub> = 25,78 ± 0,27 mM; V<sub>máx</sub> = 2,00x10<sup>-2 </sup>± 0,03x10<sup>­2</sup>µmol min<sup>-1 </sup>g<sup>-1 </sup>para a actividade da urease), o que mostra que a equação de Lineweaver-Burk é aplicável neste caso. </p>      <p>Para as actividades de desidrogenases e urease, não se encontram descritos    na litera­tura estudos para este tipo de solos. Os resultados do presente estudo    mostram um valor de actividade de desidrogenases 10<sup>2 </sup>vezes mais elevado    do que os valores obti­dos em outros tipos de solo. Tal diferença poderá ter-se    devido ao facto de no nosso estudo existir uma flora microbiana mais abundante    do que no caso descrito na litera­tura (Taylor <i>et al. </i>2002; Roldán <i>et    al</i>, 2005), o que não foi estudado em ambos os casos; termos utilizado um    solo em pousio há 10 anos, pois a actividade de desidrogenases pode diminuir    significativamente com a fre­quência e profundidade da lavoura do solo (Roldán    <i>et al.</i>, 2005); termos utilizado o INT, pois a maioria dos estudos publicados    foram obtidos com TTC (cloreto de 3,5­trifeniltetrazónio) e com este substrato    os resultados são normalmente inferiores aos que se obtêm com INT (Trevors,    1984; Friedel <i>et al.</i>, 1994); ou, finalmente, termos usado uma mistura    extractante constituída por dimetilformamida/etanol, a qual permi­te quantificar    valores mais elevados, nomeadamente em solos com teores médios ou elevados de    argila (Camiña <i>et al.</i>, 1998), como no solo que estudámos. </p>     <p>Relativamente à urease, os valores de actividade que obtivemos são da mesma    ordem de grandeza de alguns descritos por outros investigadores, embora estes    valores também sejam dependentes do tipo de solo, profundidade e vegetação (Sinsabaugh    <i>et al</i>., 2000; Taylor <i>et al.</i>, 2002; Roldán <i>et al</i>., 2005).  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A velocidade máxima, V<sub>máx</sub>, mede a quan­tidade máxima de substrato    que é transfor­mado por uma quantidade fixa de enzima, por unidade de tempo,    o que nos permite determinar experimentalmente se uma determinada substância    é capaz de actuar modificando a actividade enzimática. Sabe­se que numerosas    substâncias com circula­ção ambiental são capazes de inibir a activi­dade de    desidrogenases, da urease e de outros enzimas, afectando os processos naturais    em que estes estão envolvidos e, consequentemente, a qualidade do solo. </p>     <p>No presente trabalho, depois de termos caracterizado as actividades de desidroge­nases    e urease do solo em estudo, através da determinação do seu V<sub>máx</sub> e    K<sub>m</sub>, proce­demos à avaliação do efeito de quantidades crescentes de    Hg<sup>2+ </sup>e Pb<sup>2+ </sup>sobre as activi­dades dos referidos enzimas,    tendo em vis­ta a determinação da concentrações efecti­vas para as quais se    obteria 50% de inibi­ção dessa actividade (IC50), parâmetro este que permite    comparar o efeito deletério dos xenobióticos sobre os microrganismos que lhes    são sensíveis. </p>     <p>O efeito de Hg<sup>2+ </sup>e Pb<sup>2+ </sup>nas actividades de desidrogenases    e da urease estão ilus­trados no Quadro 2., mostrando que o Hg<sup>2+ </sup>diminuiu    significativamente as actividades de desidrogenases e urease (P &lt; 0,05),    enquanto que o Pb<sup>2+ </sup>apenas diminuiu sig­nificativamente a actividade    da urease (P &lt; 0,05). </p>     <p>Nos estudos em que se observou uma correlação dose-resposta significativa (P&lt;0,05),    os valores de actividade foram analisados de acordo com a Equação 1, referida    anteriormente, tendo em vista o cálculo dos valores de IC<sub>50</sub>, e construíram­se    as curvas dose-resposta das actividades de desidrogenases e urease <i>versus    </i>concen­trações de Hg<sup>2+ </sup>ou Pb<sup>2+ </sup>, como ilustrado na    Figura 3. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b><a href="/img/revistas/rca/v33n1/33n1a32f3.jpg" target="_blank">Figura 3</a> </b>-Representação    gráfica das curvas dose-resposta das actividades de desidrogenases e urease    sensíveis à presença de Hg<sup>2+ </sup>e Pb<sup>2+</sup>. </p>      
<p>&nbsp;</p>        <p>A actividade de desidrogenases mostrou­se sensível à presença de Hg<sup>2+</sup>, com um valor de IC<sub>50</sub> de 0,249 ± 0,018 mM, mas não se mostrou significativamente sensível à presença de quantidades vestigiais de Pb<sup>2+ </sup>(P &gt; 0,05). Relativamente à actividade da urease, para concentrações até 1,4 mM de Hg<sup>2+ </sup>e 0,7 mM de Pb<sup>2+</sup>, observou-se um efeito potenciador desta actividade. No entanto, para concentrações mais elevadas destes metais observou-se uma diminuição da actividade da urease, com valores de IC<sub>50</sub> de 3,47 ± 0,17 mM e de 3,31 ± 0,45 mM, para o Hg<sup>2+ </sup>e para o Pb<sup>2+</sup>, respectivamente. </p>      <p>Os estudos referidos na literatura que mais se aproximam do aqui descrito foram    efectuados por Chaperon &amp; Sauvé (2007, 2008). Estes investigadores utilizaram    quantidades muito menores destes metais e outro tipo de solo com uma ocupação    dife­rente, tendo obtido valores de IC50 cerca de cem vezes inferiores aos que    obtivemos neste trabalho, o que pode querer significar que os enzimas do solo    que analisámos são muito mais estáveis à presença de Hg<sup>2+ </sup>e Pb<sup>2+    </sup>do que no caso referido. </p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>CONCLUSÕES </b></p>      <p>No trabalho que aqui apresentamos, dife­rentes concentrações de Hg<sup>2+ </sup>e Pb<sup>2+ </sup>produ­ziram, face a desidrogenases e urease, uma diminuição da actividade enzimática, mas em nenhum caso se obteve uma inibição total das referidas actividades. Isso mostra que num solo em pousio pode existir uma flora resistente à acção do Hg<sup>2+ </sup>e Pb<sup>2+ </sup>. Além disso, observou-se que o Pb<sup>2+ </sup>não ini­biu a actividade de desidrogenases, o que levanta a questão da flora microbiana do solo estudado ou de pelo menos uma parte importante da mesma, poder vir a ter inte­resse para beneficiar solos poluídos pelo Pb<sup>2+ </sup>em que esta actividade seja muito bai­xa. É neste sentido que os nossos estudos futuros se irão dirigir. </p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p>      <!-- ref --><p>Brady, N. W. &amp; Ray, R. 1999. The Nature and Properties of Soils, 12<sup>th </sup>Edition, MacMillan Publishing Co., New York. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0871-018X201000010003300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Camiña, F., Trasar-Cepeda, C., Gil-Sotres, F. &amp; Leirós, C. 1998. Measurement of de­hydrogenase activity in acid soils rich in organic matter. Soil Biology &amp; Bioche­mistry, 30: 1005-1011. </p>      <p>Cardoso, J. C. 1974. A Classificação dos Solos de Portugal – Nova Versão. Bole­tim de Solos, 17: 14-46. SROA, Secreta­ria de Estado da Agricultura, Lisboa. </p>      <p>Carter, M.R. 1993. Soil Sampling and Meth­ods of Analysis. Canadian Society of Soil Science, Lewis Publishers, CRC Press Inc., USA. </p>      <p>Chaperon, S. &amp; Sauvé, S. 2007. Toxicity in­teraction of metals (Ag, Cu, Hg, Zn) to urease and dehydrogenase activities in soils. Soil Biology &amp; Biochemistry, 39: 2329-2338. </p>      <p>Chaperon, S. &amp; Sauvé, S. 2008. Toxicity in­teractions of cadmium, copper, and lead on soil urease and dehydrogenase activity in relation to chemical speciation. Ecotoxicology and Environmental Safety, 70 (1): 1-9. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dick, R. P. 1998. Soil Enzymes Activities as Integrative Indicators of Soil Health. In C. Pankhurst, B. M. Doube &amp; V. V. S. R Gupta (eds.) Biological Indicators of Soil Health, pp.121-156. CAB International, New York, USA. </p>      <p>Friedel, J.K., Mölter K. &amp; Fischer W. R. 1994. Comparison and improvement of methods for determining soil dehydrogenase activity by using triphenyltetrazolium chloride and iodonitrotetrazolium chloride. Biology and Fertility of Soils, 18 (4): 291-296. </p>      <p>Greco, W.R., Bravo, G. &amp; Parsons, J.C. 1995. The search for synergy: a critical review from a response surface perspec­tive. Pharmacology Review, 47: 331-385. </p>      <p>Greenberg, A. E., Clesceri, L.S. &amp; Eaton, A.D. 1992. Standard Methods for the Ex­amination of Water and Wastewater, 18th edition. APHA, AWWA, WEF. USA. </p>      <p>Kandeler, E. &amp; Gerber, H. 1988. Short-term assay of soil urease activity using colori­metric determination of ammonium. Bi­ology and Fertility of Soils, 6: 68-72 </p>      <p>Marzadori, C., Miletti, S., Gessa, C. &amp; Ciurli, S. 1998. Immobilization of Jack Bean Urease on hydroxyapatite: urease immo­bilization in alkaline soils. Soil Biology &amp; Biochemistry, 30: 1485-1490. </p>      <p>Monkiedje, A., Ilori, M.O. &amp; Spiteller, M. 2002. Soil quality changes resulting from the application of the fungicides me­fenoxam and metalaxyl to a sandy loam soil. Soil Biology &amp; Biochemistry, 34: 1939-1948. </p>      <p>Mora, A. P., Calvo, J. J. O., Cabrera, F. E &amp; Madejón, E. 2005. Changes in enzyme activities and microbial biomass after “in situ” remediation of a heavy metal­contaminated soil. Applied Soil Ecology, 28: 125-137. </p>      <p>Nannipieri, P., Ascher, J., Ceccherini, M.T., Landi, L., Pietramellara, G. &amp; Renella, G. 2003. Microbial diversity and soil func­tions. European Journal of Soil Science, 54: 655-670. </p>      <p>Roldán, A., Salinas-García, J. R., Alguacil, M. M. &amp; Caravaca, F. 2005. Changes in soil enzyme activity, fertility, aggregation and C sequestration mediated by conser­vation tillage practices and water regime in a maize field. Applied Soil Ecology, 30: 11-20. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Rowell, D.L. 1994. Soil Science. Methods and Applications. Longman Scientific Technical, Harlow, England. </p>      <p>Sinsabaugh, R. L., Reynolds, H. &amp; Long, T. M. 2000. Rapid assay for amidohydrolase (urease) activity in environmental sam­ples. Soil Biology &amp; Biochemistry, 32: 2095-2097. </p>      <p>Sukul, P. 2006. Enzymatic activities and mi­crobial biomass in soil as influenced by metalaxyl residues. Soil Biology &amp; Bio­chemistry, 38: 320-326. </p>      <p>Taylor, J. P., Wilson, B., Mills, M. S. &amp; Burns, R. G. 2002. Comparison of mi­crobial numbers and enzymatic activities in surface soils and subsoils using various techniques. Soil Biology &amp; Biochemistry, 34: 387-401. </p>      <p>Tabatabai, M. A. &amp; Bremner, J. M. 1971. Michaelis Constants of soil enzymes. Soil Biology &amp; Biochemistry, 3: 317-323. </p>      <p>Trasar-Cepeda, C., Leirós, S., Seoane, S. &amp; Gil-Sotres, F. 2000. Limitations of soil enzymes as indicators of soil pollution. Soil Biology &amp; Biochemistry, 32: 1867­1875. </p>      <p>Trevors, J.T., 1984. Dehydrogenase activity in soil. A comparison between the INT and TTC assay. Soil Biology &amp; Bio­chemistry, 16: 673-674. </p>      <p>von Mersi, W. &amp; Schinner, F., 1991. An im­proved and accurate method for    deter­mining the dehydrogenase activity of soils with iodonitrotetrazolium chloride.    Biology and Fertility of Soils, 11: 216­-220.</p>         ]]></body><back>
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