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<institution><![CDATA[,Associação BLC3 Centro Tecnológico e de Inovação Departamento de Agricultura e Tecnologias Alimentares]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Nonconforming apple, considered as a by-product in fruit production, is discarded due to its low calibre, presence of stains and deformations, among others. These apples do not match commercialization standards when sold as fresh fruit. However, due to their outstanding organoleptic characteristics, nonconforming apples should not be discarded, but instead considered as an added value product. The agro-alimentary processing of these fruits consists of a valuable alternative for taking advantage of these otherwise wasted food, in which dehydration methods have emerged as high profile options. The dehydration technique presents innumerous advantages, including an increase in shelf life and a reduction in product size, facilitating therefore its transport and storage. In this paper, a Life Cycle Assessment (LCA) is performed to analyse the environmental impact of the nonconforming apple disposal system, considering two scenarios: nonconforming apple sold to retail (C1) and subjected to a dehydration process in order to obtain snacks (C2). The evaluation of various parameters of environmental impact has shown that dehydration consists an excellent alternative method for the recovery and reuse of nonconforming apple. This scenario is translated by a less impact of the transport and storage phases on the different environmental parameters.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p><b>Avalia&ccedil;&atilde;o de ciclo de vida da ma&ccedil;&atilde; de refugo</b></p>     <p><b>Life Cycle assessment of nonconforming apple</b></p>     <p><b>T&acirc;nia I. B. Ribeiro<sup>*</sup>, Catarina A. S. Nunes e Jo&atilde;o M. S. A. Nunes</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>*</sup>Centro Tecnol&oacute;gico e de Inova&ccedil;&atilde;o, Departamento de Agricultura e Tecnologias Alimentares, Associa&ccedil;&atilde;o BLC3 &ndash; Plataforma para o Desenvolvimento da Regi&atilde;o Interior Centro, Av. Calouste Gulbenkian, n&ordm; 71 Zona Industrial, 3400-060 Oliveira do Hospital, Portugal. <i>E-mail: </i><a href="mailto:tania.ribeiro@blc3.pt">tania.ribeiro@blc3.pt</a>, author for correspondence</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>As ma&ccedil;&atilde;s de refugo, consideradas como um subproduto frut&iacute;cola, s&atilde;o descartadas devido ao seu calibre reduzido, manchas, deforma&ccedil;&otilde;es, entre outros. Estas frutas n&atilde;o correspondem aos padr&otilde;es necess&aacute;rios para serem comercializadas no estado fresco. Contudo, devido &agrave;s suas &oacute;timas caracter&iacute;sticas organol&eacute;ticas n&atilde;o deveriam ser desperdi&ccedil;adas, mas sim consideradas pelo seu potencial valor acrescentado. O processamento agroalimentar desta fruta apresenta-se como uma &oacute;tima alternativa de aproveitamento, e de entre os v&aacute;rios processos a desidrata&ccedil;&atilde;o tem sido destacada. A desidrata&ccedil;&atilde;o apresenta in&uacute;meras vantagens como maior tempo de prateleira e menor volume de produto, facilitando o seu transporte e armazenamento.</p>     <p>Neste artigo &eacute; aplicada a metodologia de ACV para avaliar os impactos ambientais do sistema de escoamento do refugo, em que s&atilde;o considerados dois cen&aacute;rios: a ma&ccedil;&atilde; de refugo vendida ao retalho (C1) e a ma&ccedil;&atilde; de refugo submetida ao processo de desidrata&ccedil;&atilde;o para a obten&ccedil;&atilde;o de snacks (C2). A avalia&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias categorias de impactos ambientais demonstrou que a desidrata&ccedil;&atilde;o se apresenta como uma excelente alternativa de valoriza&ccedil;&atilde;o e aproveitamento da ma&ccedil;&atilde; de refugo. Este cen&aacute;rio evidenciou-se pelo menor contributo em termos de impacto ambiental das fases de transporte e armazenamento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave: </b>ma&ccedil;&atilde;, ma&ccedil;&atilde; de refugo, an&aacute;lise de ciclo de vida, desidrata&ccedil;&atilde;o</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Nonconforming apple, considered as a by-product in fruit production, is discarded due to its low calibre, presence of stains and deformations, among others. These apples do not match commercialization standards when sold as fresh fruit. However, due to their outstanding organoleptic characteristics, nonconforming apples should not be discarded, but instead considered as an added value product. The agro-alimentary processing of these fruits consists of a valuable alternative for taking advantage of these otherwise wasted food, in which dehydration methods have emerged as high profile options. The dehydration technique presents innumerous advantages, including an increase in shelf life and a reduction in product size, facilitating therefore its transport and storage.</p>     <p>In this paper, a Life Cycle Assessment (LCA) is performed to analyse the environmental impact of the nonconforming apple disposal system, considering two scenarios: nonconforming apple sold to retail (C1) and subjected to a dehydration process in order to obtain snacks (C2). The evaluation of various parameters of environmental impact has shown that dehydration consists an excellent alternative method for the recovery and reuse of nonconforming apple. This scenario is translated by a less impact of the transport and storage phases on the different environmental parameters.</p>     <p><b>Keywords</b>: apple, nonconforming apple, lifecycle assessment, dehydration</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O sector da fruticultura em Portugal tem verificado um forte crescimento a n&iacute;vel de produ&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o. Ao n&iacute;vel da exporta&ccedil;&atilde;o as &ldquo;frutas; cascas de citrinos; mel&otilde;es&rdquo; (mais 3,1%, ou seja, mais de 10 milh&otilde;es de euros) passaram para a 3&ordf; posi&ccedil;&atilde;o como principal grupo de produtos exportado em 2013. Os principais pa&iacute;ses de destino foram Espanha (33,1%), Fran&ccedil;a (18,2%), Pa&iacute;ses Baixos (10,0%) e Brasil (8,6%) (INE, 2013). Relativamente &agrave; produ&ccedil;&atilde;o observada em 2013, em Portugal as &aacute;rvores de fruto representam a maior fonte de produ&ccedil;&atilde;o de frutas (96,3%, em 2013), sendo que a categoria dos principais frutos frescos corresponde &agrave; produ&ccedil;&atilde;o mais intensiva (59,7%), onde a ma&ccedil;&atilde; se destaca com uma representatividade de 52,5% (INE, 2013).</p>     <p>A ma&ccedil;&atilde; &eacute; a esp&eacute;cie com maior peso na produ&ccedil;&atilde;o de frutos, representando 30,2% do volume total de frutas produzidas em Portugal, no ano de 2013. Nesse mesmo ano, a produ&ccedil;&atilde;o rondou as 287,3 mil toneladas, o que correspondeu a um aumento de 30,1% face ao ano anterior e de 16,7% face &agrave; m&eacute;dia do &uacute;ltimo quinqu&eacute;nio, posicionando este ano como o melhor da &uacute;ltima d&eacute;cada (INE, 2013). Embora o ano de 2013 tenha apresentado &oacute;timos resultados gra&ccedil;as &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de temperaturas amenas que se fizeram sentir na flora&ccedil;&atilde;o/vingamento dos frutos, esta forte depend&ecirc;ncia de fatores clim&aacute;ticos causa frequentemente redu&ccedil;&otilde;es significativas a n&iacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, no ano de 2012 verificou-se uma redu&ccedil;&atilde;o de 10,7% da produ&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel nacional face a 2011, devido a problemas de poliniza&ccedil;&atilde;o e vingamento provocados pelas baixas temperaturas ocorridas na fase de flora&ccedil;&atilde;o dos pomares de pom&oacute;ideas, que conduziram a um menor n&uacute;mero de frutos e a calibres irregulares (INE, 2012).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Aliado aos fatores clim&aacute;ticos necess&aacute;rios para um bom rendimento, outro fator que leva &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o da rentabilidade frut&iacute;cola &eacute; a exist&ecirc;ncia de v&aacute;rios crit&eacute;rios de padroniza&ccedil;&atilde;o, classifica&ccedil;&atilde;o e apresenta&ccedil;&atilde;o para o consumo de fruta fresca. A padroniza&ccedil;&atilde;o vigente leva a um aumento do n&uacute;mero de frutas descartadas devido ao calibre reduzido, manchas e deforma&ccedil;&otilde;es, entre outros defeitos. Esta fruta n&atilde;o conforme &eacute; assim considerada o refugo da produ&ccedil;&atilde;o frut&iacute;cola, ou seja, o subproduto. No Brasil, por exemplo, entre 2003 e 2004 aproximadamente 200 mil toneladas de ma&ccedil;&atilde;s foram descartadas, decorrente do rigoroso processo de sele&ccedil;&atilde;o e classifica&ccedil;&atilde;o comercial utilizada para satisfazer as exig&ecirc;ncias do consumidor (Martello <i>et al.</i>, 2010).</p>     <p>As ma&ccedil;&atilde;s de refugo n&atilde;o atingem os crit&eacute;rios m&iacute;nimos necess&aacute;rios para serem comercializadas no estado fresco nos mercados e grandes superf&iacute;cies, de acordo com Regulamento (CE) n.&ordm;1619/2001 da Comiss&atilde;o de 6 de Agosto, que estabelece a norma de comercializa&ccedil;&atilde;o aplic&aacute;vel &agrave;s ma&ccedil;&atilde;s e peras. Por&eacute;m, a venda de ma&ccedil;&atilde; de refugo com calibre reduzido pode ser efetuada em embalagens conjuntamente com ma&ccedil;&atilde;s que satisfa&ccedil;am os requisitos de calibre. No entanto, os frutos de refugo que n&atilde;o alcancem o calibre m&iacute;nimo previsto nunca podem ultrapassar 10% em n&uacute;mero ou em peso, e apenas podem apresentar uma varia&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima de 5 mm aqu&eacute;m desse calibre (Regulamento (CE) n.&ordm;1619/2001). Outro tipo de defeitos como ataques graves do encorti&ccedil;ado ou vidrado; les&otilde;es ligeiras ou fendas n&atilde;o cicatrizadas; vest&iacute;gios muito ligeiros de podrid&atilde;o e a presen&ccedil;a de parasitas vivos no fruto e/ou altera&ccedil;&otilde;es da polpa devidas aos parasitas s&atilde;o admitidas, no &acirc;mbito da toler&acirc;ncia da categoria II, no m&aacute;ximo de 2%, em n&uacute;mero ou em peso (Regulamento (CE) n.&ordm;1619/2001).</p>     <p>Apesar da n&atilde;o conformidade deste subproduto frut&iacute;cola com as disposi&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; qualidade e calibre, estas frutas apresentam caracter&iacute;sticas favor&aacute;veis em termos de composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica, aroma e sabor, que a tornam numa &oacute;tima mat&eacute;ria &ndash; prima para a ind&uacute;stria de processamento alimentar.</p>     <p>O escoamento de refugos provenientes das produ&ccedil;&otilde;es frut&iacute;colas para a ind&uacute;stria de processamento agroalimentar apresenta-se como uma alternativa vantajosa na redu&ccedil;&atilde;o da carga do refugo, permitindo por outro lado responder &agrave; constante procura por frutas e seus derivados, em consequ&ecirc;ncia do aumento de consci&ecirc;ncia dos consumidores para a sa&uacute;de e da busca crescente por alimentos naturais e saud&aacute;veis (Chong <i>et al.,</i> 2013).</p>     <p>O sector agroalimentar &eacute; uma das &aacute;reas priorit&aacute;rias contidas nas pol&iacute;ticas europeias de produ&ccedil;&atilde;o e consumo sustent&aacute;veis (Comiss&atilde;o Europeia, 2008). De acordo com o regulamento europeu para a efici&ecirc;ncia dos recursos (Comiss&atilde;o Europeia, 2011), as metas mais importantes definidas para a agricultura no futuro pr&oacute;ximo consistem na redu&ccedil;&atilde;o de 50% na produ&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos, na preserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e dos ecossistemas, na redu&ccedil;&atilde;o do uso do solo, na melhoria da qualidade do solo e em uma maior independ&ecirc;ncia dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis. A desidrata&ccedil;&atilde;o representa uma op&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel de conserva&ccedil;&atilde;o e aproveitamento do refugo das produ&ccedil;&otilde;es frut&iacute;colas, consistindo adicionalmente numa excelente alternativa para evitar as poss&iacute;veis perdas que ocorrem no transporte da fruta para as superf&iacute;cies comerciais (Barrett <i>et al.</i>, 2011).</p>     <p>O processo de desidrata&ccedil;&atilde;o consiste essencialmente na redu&ccedil;&atilde;o do teor de &aacute;gua para um n&iacute;vel, em que a deteriora&ccedil;&atilde;o microbiana e a deteriora&ccedil;&atilde;o por rea&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas e enzim&aacute;ticas s&atilde;o minimizadas (Mrad <i>et al</i>., 2012). Isto &eacute; traduzido num aumento do tempo de vida &uacute;til da fruta, al&eacute;m da substancial redu&ccedil;&atilde;o de volume, facilitando o transporte e armazenamento (Vega-G&aacute;lvez <i>et al.</i>, 2012).</p>     <p>Considerando os diferentes derivados alimentares atualmente aceites pela sociedade como sumos, pur&eacute;s, conservas de fruta, compotas, a fruta desidratada tem sido alvo de elevado interesse e aceita&ccedil;&atilde;o por parte do consumidor (M&eacute;gias&ndash;P&eacute;rez <i>et al.</i>, 2014). A fruta desidratada pode ser considerada como um alimento de conveni&ecirc;ncia e de consider&aacute;vel valor nutricional, indo de encontro &agrave; maior procura de produtos saud&aacute;veis pelo mercado atual. Presentemente, existe um crescente interesse em alimentos que contenham compostos com efeitos ben&eacute;ficos para o bem-estar e sa&uacute;de (Corey <i>et al.</i>, 2013), e que paralelamente sejam de f&aacute;cil prepara&ccedil;&atilde;o e/ou prontos-a-consumir (Oikonomopoulou e Krokida, 2013).</p>     <p>Em compara&ccedil;&atilde;o com as frutas frescas, as frutas desidratadas apresentam vantagens nutricionais, em termos de energia total, densidade de nutrientes, teor em fibra e atividade antioxidante. A diferen&ccedil;a existente resulta de um aumento da concentra&ccedil;&atilde;o dos diferentes compostos, devida &agrave; perda de volume (Bennett <i>et al.</i>, 2011).</p>     <p>As t&eacute;cnicas de desidrata&ccedil;&atilde;o ocupam hoje em dia um lugar de relevo na ind&uacute;stria agroalimentar em todo o mundo (M&eacute;gias&ndash;P&eacute;rez <i>et al.</i>, 2014). Nos &uacute;ltimos anos, a presen&ccedil;a de frutas desidratadas no mercado tem aumentado consideravelmente (Vega &ndash; G&aacute;lvez <i>et al.</i>, 2012). Todavia, este crescimento tem-se verificado n&atilde;o s&oacute; para atender &agrave; procurados consumidores diretos, mas tamb&eacute;m para responder &agrave;s necessidades da ind&uacute;stria de processamento alimentar para a formula&ccedil;&atilde;o de novos produtos agroalimentares como <i>snacks</i>, cereais de pequeno-almo&ccedil;o, entre outros, que incluem a fruta desidratada como ingrediente (Vega&ndash;G&aacute;lvez <i>et al.</i>, 2012). Em termos econ&oacute;micos, em 2006 a produ&ccedil;&atilde;o de frutas desidratadas na Uni&atilde;o Europeia totalizou 1.700 milh&otilde;es de euros, correspondentes a 428 mil toneladas, verificando-se que o seu consumo foi avaliado em 2300 milh&otilde;es euros e 871 mil toneladas (M&eacute;gias&ndash;P&eacute;rez <i>et al.</i>, 2014). Pelos v&aacute;rios motivos indicados a desidrata&ccedil;&atilde;o tem sido considerada uma alternativa de valor acrescentado para o aproveitamento da fruta de refugo, e uma forte aposta no mercado portugu&ecirc;s.</p>     <p>Estudos recentes demonstram que a produ&ccedil;&atilde;o e consumo de alimentos correspondem entre 10 a 30% do impacto ambiental total de um indiv&iacute;duo (Stoessel <i>et al</i>., 2012). Para a obten&ccedil;&atilde;o de produtos sustent&aacute;veis &eacute; essencial avaliar o seu impacto ambiental e a utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos, considerando todo o seu ciclo de vida (Manfredi e Vignali, 2014). De tal forma, a Avalia&ccedil;&atilde;o do Ciclo de Vida (ACV) &eacute; uma ferramenta indispens&aacute;vel para analisar o impacto ambiental de um produto ao longo do seu ciclo de vida (Roy <i>et al.</i>, 2008). A metodologia de ACV &eacute; regulamentada pela ISO14040 - s&eacute;rie de padr&otilde;es internacionais (ISO14040, 2006). Este m&eacute;todo tem sido utilizado em muitos estudos para avaliar a sustentabilidade da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. Efetivamente os produtos agroalimentares e seus derivados t&ecirc;m sido frequentemente alvos de estudo (Roy <i>et al.</i>, 2009,Nemecek <i>et al.</i>, 2007). No entanto os estudos de ACV realizados t&ecirc;m avaliado sobretudo a fase de cultivo dos produtos vegetais, dado o seu impacto sobre o meio ambiente, nomeadamente pela utiliza&ccedil;&atilde;o de fertilizantes, pesticidas, &aacute;gua e energia (Goglio <i>et al.</i>, 2012, Cellura <i>et al.</i>, 2012, Abeliotis, <i>et al</i>., 2013). Contrariamente, o impacto associado &agrave; fase de processamento tem sido negligenciado. Poucos estudos t&ecirc;m-se focado nesta fase, a qual varia entre os diversos pa&iacute;ses dependendo do seu n&iacute;vel de industrializa&ccedil;&atilde;o (Karakaya e &Ouml;zilgen, 2011; Salomone e Ioppolo, 2012) e envolve a utiliza&ccedil;&atilde;o de eletricidade, g&aacute;s natural, <i>diesel </i>e o consumo de &aacute;gua. Al&eacute;m do mais, &eacute; importante considerar todas as causas de impactos ambientais de toda a cadeia de produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o, tais como o transporte e o ciclo de vida das embalagens (Manfredi e Vignali, 2014). No entanto, n&atilde;o existem estudos que avaliem o impacto da alternativa de valoriza&ccedil;&atilde;o de processamento do refugo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este estudo consiste na primeira an&aacute;lise de impacto ambiental do refugo da ma&ccedil;&atilde;, desde a sua sa&iacute;da do local de produ&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; sua coloca&ccedil;&atilde;o no mercado. Foram propostos dois cen&aacute;rios como destino do refugo de ma&ccedil;&atilde;: venda a retalho e a desidrata&ccedil;&atilde;o. O objetivo desta investiga&ccedil;&atilde;o consiste na aplica&ccedil;&atilde;o de uma metodologia de ACV para efetuar uma avalia&ccedil;&atilde;o comparativa das entradas e sa&iacute;das de massa e energia em cada etapa de produ&ccedil;&atilde;o, da ma&ccedil;&atilde; de refugo vendida ao retalho em superf&iacute;cies comerciais e da ma&ccedil;&atilde; de refugo desidratada para obten&ccedil;&atilde;o de <i>snacks</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Materiais e M&eacute;todos</b></p>     <p><i>M&eacute;todo de Avalia&ccedil;&atilde;o de Ciclo de Vida</i></p>     <p>O ACV consiste em quatro fases principais: defini&ccedil;&atilde;o do objetivo e &acirc;mbito, an&aacute;lise do invent&aacute;rio, avalia&ccedil;&atilde;o de impactos e interpreta&ccedil;&atilde;o (ISO 14044, 2006). Cada uma dessas fases encontra-se descrita abaixo com refer&ecirc;ncia ao caso de estudo em quest&atilde;o.</p>     <p><i>Defini&ccedil;&atilde;o do objetivo e &acirc;mbito</i></p>     <p>O caso de estudo envolve um sistema de escoamento de refugo da produ&ccedil;&atilde;o de ma&ccedil;&atilde; em que s&atilde;o exploradas duas alternativas com o intuito de aumentar a rentabilidade agr&iacute;cola. O objetivo proposto foi atingido atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de uma unidade funcional (UF), selecionando as fronteiras do sistema relevantes e determinando-se os requisitos de dados, conforme apresentados na <a href="/img/revistas/rca/v38n3/38n3a12f1.jpg" target="_blank">Figura 1</a>.</p>     
<p><i>Unidade Funcional</i></p>     <p>De acordo com a norma UNI EN ISO 14040, a unidade funcional (UF) &eacute; definida como a unidade de refer&ecirc;ncia por meio do qual o desempenho de um sistema de produto &eacute; quantificado numa avalia&ccedil;&atilde;o do ciclo de vida (ISO 14040, 2006). Esta unidade de refer&ecirc;ncia denomina-se &ldquo;funcional&rdquo;, uma vez que est&aacute; relacionada com a fun&ccedil;&atilde;o do sistema, e possibilita compara&ccedil;&otilde;es entre diferentes sistemas de produto que executam a mesma fun&ccedil;&atilde;o ou produtos semelhantes que executam diferentes fun&ccedil;&otilde;es (Mil&agrave; i Canals e Polo, 2003). A fun&ccedil;&atilde;o do sistema &eacute; analisar duas op&ccedil;&otilde;es distintas de aproveitamento do refugo de ma&ccedil;&atilde; comparando fruta fresca e fruta sujeita ao processo de desidrata&ccedil;&atilde;o. Neste contexto para que seja poss&iacute;vel a compara&ccedil;&atilde;o entre os diferentes cen&aacute;rios, definiu-se como unidade funcional 1 ha de explora&ccedil;&atilde;o de ma&ccedil;&atilde;.</p>     <p>Assumiu-se que 1 hectare produz em m&eacute;dia 35 toneladas de ma&ccedil;&atilde;, em que 15% foi considerado refugo (5,25 toneladas) por apresentar deforma&ccedil;&otilde;es e um calibre reduzido. Na defini&ccedil;&atilde;o da UF atendeu-se ao facto do refugo de ma&ccedil;&atilde; se tratar de um subproduto agr&iacute;cola, e do sistema apresentado ter como objetivo a valoriza&ccedil;&atilde;o do refugo e o aumento da rentabilidade do sistema de produ&ccedil;&atilde;o frut&iacute;cola. Segundo Mil&agrave; i Canals <i>et al.</i> (2006), uma UF de base de massa &eacute; adequada quando se analisam est&aacute;gios agr&iacute;colas do ciclo de vida de uma fruta.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Fronteiras do sistema e considera&ccedil;&otilde;es</i></p>     <p>Foram modelados dois cen&aacute;rios. O Cen&aacute;rio 1 (C1) &eacute; o destino mais comum do refugo da ma&ccedil;&atilde;, embora n&atilde;o acolha toda a produ&ccedil;&atilde;o que apresente defeitos e de calibre reduzido, sendo esta por vezes doada para institui&ccedil;&otilde;es de solidariedade. No C1 considera-se que toda a fruta de refugo (5,25 toneladas) produzida por 1 hectare de produ&ccedil;&atilde;o de ma&ccedil;&atilde; &eacute; encaminhada para o mercado retalhista para venda em sacos de 1 kg de polietileno de alta densidade (PE-HD), sendo consideradas as fases de armazenamento e embalamento, incluindo todas as fases de transporte. O Cen&aacute;rio 2 (C2) consiste no encaminhamento da ma&ccedil;&atilde; de refugo para uma unidade de desidrata&ccedil;&atilde;o, em que o principal objetivo consiste na produ&ccedil;&atilde;o de <i>snacks</i> de ma&ccedil;&atilde; desidratada em por&ccedil;&otilde;es de 35g embaladas em polipropileno orientado (OPP). Neste cen&aacute;rio s&atilde;o consideradas as fases de armazenamento, desidrata&ccedil;&atilde;o, embalamento e todas as fases de transporte. A fase de consumo n&atilde;o &eacute; considerada devido &agrave; falta de dados e dificuldade em estimar o comportamento do consumidor (Manfredi e Vignali, 2014). As infraestruturas (instala&ccedil;&otilde;es e equipamentos) tamb&eacute;m n&atilde;o foram tidas em conta. Sendo ainda de referir que n&atilde;o foram considerados os impactos na fase de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, por se tratar de um sistema em que s&atilde;o avaliados cen&aacute;rios de valoriza&ccedil;&atilde;o de refugo.</p>     <p><i>Invent&aacute;rio de ciclo de vida </i></p>     <p>O invent&aacute;rio de ciclo de vida (ICV) quantifica todos os recursos utilizados, energia empregue e todas as emiss&otilde;es ambientais associados ao sistema avaliado (ISO 14040, 2006), pelo que s&atilde;o consideradas todas as entradas e sa&iacute;das relevantes para os processos que ocorrem durante o ciclo de vida de um produto. Os dados de processo para as diferentes etapas foram recolhidos atrav&eacute;s de dados publicados em revistas e jornais t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos e outros resultantes de invent&aacute;rio pr&oacute;prio. No caso da desidrata&ccedil;&atilde;o da ma&ccedil;&atilde;, os dados foram obtidos atrav&eacute;s do prot&oacute;tipo de desidrata&ccedil;&atilde;o, que utiliza uma fonte de energia de biomassa com um rendimento de 70%. No <a href="/img/revistas/rca/v38n3/38n3a12q1.jpg" target="_blank">Quadro 1</a> &eacute; descrito o invent&aacute;rio de ciclo de vida do escoamento da ma&ccedil;&atilde; de refugo para os dois cen&aacute;rios modelados. As sa&iacute;das dos diferentes cen&aacute;rios modelados s&atilde;o de 5,25 toneladas de ma&ccedil;&atilde; fresca em embalagens de 1kg para o C1 e no caso do C2 de 0,898 toneladas de ma&ccedil;&atilde; desidratada em embalagens de <i>snack</i> de 35g.</p>     
<p><i>M&eacute;todo de avalia&ccedil;&atilde;o do impacto</i></p>     <p>A fase de avalia&ccedil;&atilde;o de impacto &eacute; baseada nos dados recolhidos no ICV. Tendo em conta o consumo de energia e de mat&eacute;rias &ndash; primas e as emiss&otilde;es para o ambiente, efetuou-se a avalia&ccedil;&atilde;o de impacto com o objetivo de avaliar os potenciais impactos ambientais do sistema analisado (ISO 14040, 2006) devido &agrave; emiss&atilde;o para efluentes, emiss&otilde;es para o ambiente e consumo de recursos. Foram adotados tr&ecirc;s m&eacute;todos de avalia&ccedil;&atilde;o de impacto: <i>CML 2 Baseline2001</i>, CML 2001, <i>Cumulative Energy Demand</i>, CED e <i>Eco-indicador 99H</i>. O CML2001&eacute; uma metodologia de ACV desenvolvida pelo Centro de Ci&ecirc;ncias Ambientais da Universidade de Leiden, na Holanda. Referente a este m&eacute;todo foram consideradas as seguintes categorias de impacto: Potencial de Aquecimento Global para o horizonte temporal de 100 anos (<i>Global Warming Potential</i> &ndash; GWP100), Potencial de Oxida&ccedil;&atilde;o Fotoqu&iacute;mica (<i>Photochemical Oxidation Potential</i> &ndash; POP), Potencial de Destrui&ccedil;&atilde;o da Camada de Ozono (<i>Ozone Depletion Potential</i> &ndash; ODP), Potencial de Acidifica&ccedil;&atilde;o (<i>Acidification Potential</i> &ndash; AP), e Potencial de Eutrofiza&ccedil;&atilde;o (<i>Eutrophication Potential</i> &ndash; EP). O segundo m&eacute;todo utilizado &eacute; o CED (<i>Cumulative Energy Demand</i> - Exig&ecirc;ncia de energia cumulativa), publicado pelo Ecoinvente que calcula a energia utilizada por um sistema expresso em MJ (Manfredi e Vignali, 2014). O <i>Eco-indicador 99H</i> &eacute; um m&eacute;todo multif&aacute;sico cuja abordagem est&aacute; orientada para o dano, isto &eacute;, de acordo com a ISO corresponde ao ponto final no mecanismo ambiental. Neste m&eacute;todo, uma emiss&atilde;o identificada no ICV &eacute; convertida numa contribui&ccedil;&atilde;o para a categoria de impacto multiplicando-a por um fator equivalente (Goedkoop e Spriensma, 2000). As categorias de impacto s&atilde;o agrupadas em tr&ecirc;s categorias de dano: Sa&uacute;de Humana (SH); Qualidade do Ecossistema (QE) e Recursos (R).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados e Discuss&atilde;o</b></p>     <p>Os perfis ambientais dos diferentes meios de escoamento e valoriza&ccedil;&atilde;o de ma&ccedil;&atilde;s de refugo s&atilde;o apresentados nos <a href="/img/revistas/rca/v38n3/38n3a12q2.jpg" target="_blank">Quadros 2</a> e <a href="/img/revistas/rca/v38n3/38n3a12q3.jpg" target="_blank">3</a> para os diferentes cen&aacute;rios. Os resultados s&atilde;o apresentados em termos de impacto ambiental para os dois cen&aacute;rios modelados com o objetivo de compreender melhor os resultados do estudo de an&aacute;lise de impacto (<a href="/img/revistas/rca/v38n3/38n3a12f2.jpg" target="_blank">Figura 2</a>). Estes foram organizados dividindo o sistema em quatro fases: Transporte (inclui todas as desloca&ccedil;&otilde;es), Armazenamento, Desidrata&ccedil;&atilde;o e Embalagem, apresentando-se simultaneamente o valor total de impacto.</p>     
<p>De entre os cen&aacute;rios modelados, o C1 apresenta os maiores valores de impacto ambiental das v&aacute;rias categorias analisadas. A &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o verifica-se para a categoria QE analisada atrav&eacute;s do m&eacute;todo <i>Eco-indicador 99H</i>. A qualidade do ecossistema engloba as seguintes categorias de impacto: Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas; Radia&ccedil;&atilde;o; Destrui&ccedil;&atilde;o da Camada do Ozono; Ecotoxicidade e Acidifica&ccedil;&atilde;o/Eutrofiza&ccedil;&atilde;o. As categorias de impacto com maior express&atilde;o no sistema analisado, em ordem decrescente, s&atilde;o: CED, GWP 100, R, QE e AP. Os diferentes cen&aacute;rios foram analisados separadamente para estas categorias de impacto, de modo a que fosse poss&iacute;vel compreender quais as fases que apresentam maior contribui&ccedil;&atilde;o em termos de impacto nas categorias selecionadas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Impacto do escoamento do refugo de ma&ccedil;&atilde; para o mercado no estado fresco (C1)</i></p>     <p>As potenciais contribui&ccedil;&otilde;es do processo de obten&ccedil;&atilde;o de ma&ccedil;&atilde; de refugo no estado fresco em sacos de 1kg, em termos da unidade funcional de 1 hectare de explora&ccedil;&atilde;o de ma&ccedil;&atilde;s para o CED, GWP 100, R, QE e AP, s&atilde;o representadas para as diferentes fases do C1 na <a href="/img/revistas/rca/v38n3/38n3a12f3.jpg" target="_blank">Figura 3</a>.</p>     
<p>Ap&oacute;s distribui&ccedil;&atilde;o dos valores referentes ao impacto total pelas diferentes fases, &eacute; poss&iacute;vel observar que o armazenamento &eacute; a fase com maior contributo para as categorias estudadas no C1, contribuindo entre 49 e 72% para todos os impactos, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o da QE em que o contributo &eacute; de 34%. A fase de transporte representa a fase com maior contributo para a QE (61,10%). Relativamente &agrave; fase de embalamento, esta contribui com cerca de 5 a 13% para o impacto das v&aacute;rias categorias avaliadas.</p>     <p><i>Impacto do escoamento do refugo de ma&ccedil;&atilde; para a obten&ccedil;&atilde;o de snacks (C2)</i></p>     <p>Tal como para o C1, as potenciais contribui&ccedil;&otilde;es do C2 para a obten&ccedil;&atilde;o de ma&ccedil;&atilde; de refugo desidratada em sacos de 35 g, em termos da unidade funcional de 1 hectare de explora&ccedil;&atilde;o de ma&ccedil;&atilde;s encontram-se representadas na <a href="/img/revistas/rca/v38n3/38n3a12f4.jpg" target="_blank">Figura 4</a>.</p>     
<p>Ao contr&aacute;rio do verificado em C1, as fases com maior contributo para o impacto s&atilde;o a desidrata&ccedil;&atilde;o (40 &ndash; 87%) e o embalamento (48 &ndash; 59%). O embalamento apresenta maior contributo para as categorias de impacto CED e R, por sua vez, a desidrata&ccedil;&atilde;o apresenta maior impacto para as restantes categorias. O contributo do transporte varia entre 7 e 12%, e o armazenamento apresenta um contributo entre 3 e 18%.</p>     <p><i>Compara&ccedil;&atilde;o dos diferentes cen&aacute;rios em termos de avalia&ccedil;&atilde;o dos impactos</i></p>     <p>Os cen&aacute;rios modelados nesta an&aacute;lise de impacto revelaram-se &oacute;timas alternativas para o aumento do rendimento frut&iacute;cola. Contudo, a desidrata&ccedil;&atilde;o permite n&atilde;o s&oacute; aumentar o tempo de vida &uacute;til da fruta, como permite uma redu&ccedil;&atilde;o de volume substancial, que facilita o transporte e armazenamento (Vega-G&aacute;lvez <i>et al.</i>, 2012), sendo verificada a diminui&ccedil;&atilde;o dos impactos destas fases no C2 em rela&ccedil;&atilde;o ao C1. Ao contr&aacute;rio do que acontece em C1, o armazenamento refrigerado das ma&ccedil;&atilde;s de refugo ocorre durante um per&iacute;odo de tempo bastante menor. Ap&oacute;s chegarem &agrave; unidade de processamento o refugo &eacute; apenas armazenado durante o tempo necess&aacute;rio para ser submetido &agrave; desidrata&ccedil;&atilde;o. Este menor tempo traduz-se numa redu&ccedil;&atilde;o substancial dos impactos do armazenamento, de 49 a 72% (C1) para 3 a 18% (C2).</p>     <p>Relativamente &agrave; fase de transporte, os menores impactos no C2 est&atilde;o relacionados com o menor n&uacute;mero de deslocamentos necess&aacute;rios e com o menor volume de produto final (0,898 toneladas). Pelo contr&aacute;rio, no C1 o escoamento total da ma&ccedil;&atilde; de refugo implica um maior n&uacute;mero de viagens.</p>     <p>O maior contributo para os impactos ambientais da fase de embalamento no C2 em rela&ccedil;&atilde;o ao C1 deve &ndash; se ao tipo de filme utilizado nas embalagens. A utiliza&ccedil;&atilde;o do polipropileno orientado na amostra desidratada vai de encontro &agrave;s maiores exig&ecirc;ncias de prote&ccedil;&atilde;o contra a humidade, oxig&eacute;nio, perda de cor e de aromas vol&aacute;teis. Durante o armazenamento e distribui&ccedil;&atilde;o a fruta desidratada est&aacute; exposta a uma grande variedade de condi&ccedil;&otilde;es ambientais como alta temperatura, humidade, oxig&eacute;nio e luz. Estas podem desencadear v&aacute;rios mecanismos de rea&ccedil;&atilde;o, conduzindo &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o da fruta e &agrave; perda de antioxidantes alterando de tal forma o produto que este possa ser rejeitado pelo consumidor ou mesmo tornar-se prejudicial (Henr&iacute;quez <i>et al.</i>, 2013). O polipropileno orientado apresenta maiores impactos ambientais que o polietileno de alta densidade em parte devido ao seu maior peso. Uma das estrat&eacute;gias para minimizar o impacto ambiental da embalagem envolve a redu&ccedil;&atilde;o na quantidade de material utilizado - embalagem mais fina (Barlow e Morgan, 2013). Outra op&ccedil;&atilde;o &eacute; a utiliza&ccedil;&atilde;o de filmes mais ecol&oacute;gicos, que sejam de materiais de base biol&oacute;gica, evitando como tal o uso de materiais produzidos a partir de recursos n&atilde;o renov&aacute;veis (Macedo <i>et al.</i>, 2013). Os filmes NatureFlex&reg; &agrave; base de celulose feita a partir da polpa de madeira renov&aacute;vel constituem uma excelente alternativa para a redu&ccedil;&atilde;o dos impactos ecol&oacute;gicos, permitindo adicionalmente o controlo da permeabilidade &agrave; humidade necess&aacute;rio em produtos desidratados (<a href="http://www.innoviafilms.com/" target="_blank">http://www.innoviafilms.com/</a>). A efici&ecirc;ncia dos filmes NaturFlex&reg; no embalamento de produtos secos como a granola apresentou resultados bastantes satisfat&oacute;rios em rela&ccedil;&atilde;o ao tempo de prateleira do produto (Macedo <i>et al.</i>, 2013). Como tal, estes filmes surgem como uma op&ccedil;&atilde;o vi&aacute;vel de forma a reduzir os contributos para os impactos ambientais da fase de embalamento verificada em C2.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O consumo de eletricidade e g&aacute;s natural s&atilde;o aspetos importantes a serem considerados em termos de impactos ambientais. Alguns estudos afirmam que a eletricidade proveniente de fontes n&atilde;o f&oacute;sseis, como os sistemas fotovoltaicos, podem representar uma economia significativa em compara&ccedil;&atilde;o com os sistemas tradicionais de produ&ccedil;&atilde;o de energia (Peng <i>et al.</i>, 2013). Neste sistema, a utiliza&ccedil;&atilde;o de uma fonte de energia de biomassa com um rendimento de 70% no prot&oacute;tipo de desidrata&ccedil;&atilde;o permitiu que os impactos ambientais fossem muito menos pronunciados. Por&eacute;m, a utiliza&ccedil;&atilde;o de um sistema combinado em que se recorra a sistemas fotovoltaicos e &agrave; biomassa poder&aacute; ser uma alternativa para reduzir significativamente os impactos ambientais da desidrata&ccedil;&atilde;o, cujo contributo &eacute; principalmente evidente na categoria QE.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>No sentido de avaliar as alternativas de escoamento de ma&ccedil;&atilde; de refugo existentes, foi efetuada uma an&aacute;lise de ciclo de vida considerando dois cen&aacute;rios: Ma&ccedil;&atilde; Fresca (C1) e Ma&ccedil;&atilde; Desidratada (C2). Ao aplicar a metodologia de ACV foram considerados os consumos energ&eacute;ticos e de mat&eacute;rias &ndash; primas, as emiss&otilde;es para o ambiente e o consumo de recursos, de modo a executar uma avalia&ccedil;&atilde;o dos potenciais impactos ambientais do sistema analisado. O cen&aacute;rio C2 apresentou um menor contributo para todas as categorias analisadas, a exce&ccedil;&atilde;o da categoria QE. Este maior impacto est&aacute; relacionado essencialmente com a fase de desidrata&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o existe no cen&aacute;rio alternativo. O recurso a pain&eacute;is fotovoltaicos poder&aacute; ser uma op&ccedil;&atilde;o para reduzir este impacto.</p>     <p>O cen&aacute;rio C2 revelou ser a melhor op&ccedil;&atilde;o tendo em conta o menor contributo das fases de transporte e armazenamento. Em contrapartida, no C1 existe uma maior necessidade de deslocamentos para que todo o refugo seja escoado, assim como um maior tempo de armazenamento devido &agrave; menor taxa de escoamento do produto fresco.</p>     <p>O tipo de filme utilizado no embalamento provoca um elevado impacto desta fase no cen&aacute;rio C2, o que implica processos de otimiza&ccedil;&atilde;o de forma a reduzir estes efeitos. A substitui&ccedil;&atilde;o de materiais produzidos a partir de recursos n&atilde;o renov&aacute;veis por mat&eacute;rias de base biol&oacute;gica, como os filmes NatureFlex&reg; poder&aacute; ser uma escolha vi&aacute;vel.</p>     <p>Em suma, o cen&aacute;rio da desidrata&ccedil;&atilde;o da ma&ccedil;&atilde; de refugo revelou menores impactos ambientais, apresentando-se como uma excelente alternativa para aumentar a rentabilidade agr&iacute;cola da produ&ccedil;&atilde;o frut&iacute;cola. Adicionalmente, a fruta desidratada apresenta-se como um produto de valor acrescentado, permitindo o fornecimento de nutrientes e compostos promotores de sa&uacute;de. A perecibilidade da fruta fresca condiciona o tempo de prateleira desta, assim como aumenta as poss&iacute;veis perdas ao longo de todo o sistema de escoamento. Deste modo, a fruta desidratada surge como um produto nutritivo de maior conveni&ecirc;ncia e durabilidade. Um estudo econ&oacute;mico poder&aacute; ser uma mais-valia, de modo a avaliar a rentabilidade dos dois cen&aacute;rios. Todavia, este estudo representa um ponto de partida de incentivo a um maior processamento de subprodutos frut&iacute;colas por t&eacute;cnicas de desidrata&ccedil;&atilde;o. Apresentando a desidrata&ccedil;&atilde;o como uma metodologia sustent&aacute;vel e economicamente vi&aacute;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Este estudo realizou-se com o apoio dos fundos estruturais da Uni&atilde;o Europeia, atrav&eacute;s do projeto IDT Empresas em Co-Promo&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Fruit ECO-Drying Line&rdquo;. QREN/COMPETE/AdI_23266/2012.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Abeliotis, K.; Detsis, V. e Pappia, C. (2013) - Life cycle assessment of bean production in the Prespa National Park, Greece. <i>Journal of Cleaner Production</i>, vol. 41, n. 1, p. 89-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S0871-018X201500030001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barlow, C.Y.; Morgan e D.C. (2013) - Polymer film packaging for food: An environmental assessment. <i>Resources, Conservation and Recycling</i>, vol. 78, n. 1, p.74-80&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S0871-018X201500030001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Barrett, D. M. e Lloyd, B. (2011) - Advanced preservation methods and nutrient retention in fruits and vegetables. <i>Journal of the Science of Food and Agriculture, </i>vol. 92, n. 1, p. 7-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0871-018X201500030001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bennett, L. E.; Jegasothy, H.; Konczak, I.; Frank, D.; Sudharmarajan eS.; Clingeleffer, P. R. (2011) - Total polyphenolics and anti-oxidant properties of selected dried fruits and relationships to drying conditions. <i>Journal of Functional Foods</i>, vol. 3, n. 2, p. 115-124.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0871-018X201500030001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cellura, M.; Ardente, F e Longo, S. (2012) - From the LCA of food products to the environmental assessment of protected crops districts: a case-study in the south of Italy. <i>Journal of Environmental Management,</i> vol. 93, n. 2, p.194-208.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0871-018X201500030001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Chong, C. H.; Law, C. L.; Figiel, A.; Wojdy&#322;o, A. e Oziemb&#322;owski, M. (2013) - Colour, phenolic content and antioxidant capacity of some fruits dehydrated by a combination of different methods. <i>Food Chemistry</i>, vol. 141, n. 4, p. 3889-3896.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0871-018X201500030001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Corey, M. E.; Kerr, W. L.; Mulligan, J. H. e Lavelli, V. (2011) - Phytochemical stability in dried apple and green tea functional products as related to moisture properties. <i>LWT - Food Science and Technology</i>, vol. 44, n. 1, p. 67-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0871-018X201500030001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>European Commission (2008) - Sustainable Consumption and Production and Sustainable Industrial Policy Action Plan. <i>COM/2008/397</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0871-018X201500030001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>European Commission (2011) &ndash; Road map to a Resource Efficient Europe. <i>COM/2011/571</i>.</p>     <!-- ref --><p>Goedkoop, M. e Spriensma, R. 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