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<article-id>S0871-018X2017000500030</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.19084/RCA16225</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Harmonização de metodologias de análise da própolis]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Harmonization of standard procedures for propolis analysis]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Instituto Politécnico de Bragança Centro de Investigação da Montanha ]]></institution>
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<fpage>281</fpage>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Propolis (bee glue) is a resinous bee hive product used by man since ancient times due to its pharmaceutical properties. The variability of its chemical composition, linked with the floral origin, requires the analysis of several quality parameters. Nevertheless, at the European level, in addition to the inexistence of legal requirements for quality control, there is also a lack of analytical procedures, despite the presence in the literature of several methodologies, which are often not comparable. The International Honey Commission, an worldwide network aiming to implement and develop new analytical methods for the control bee products and the establishment of quality standards, defined as a priority, within the propolis working group, the harmonization of analytical procedures for propolis quality evaluation, particularly in respect to ash, wax (using two alternative methods), balsamic content after extraction with ultrasonic or mechanical agitation as well as the analysis of its phenolic composition through the assessment of total phenolics, flavones/flavonols and flavanones/di-hydroflavonols. This collaborative study was engaged by 15 entities, including 14 laboratories and an international company working with propolis. According to the results obtained in our laboratory it is possible to draw a first evaluation on the applied methods, in particular the simplicity on the protocol implementation, with exception for the wax content, which proved to be laborious and non-adapted for routine analysis. Nevertheless, the wax values from both methodologies seems to agree, independently of its level in the samples. For the extraction procedure (balsamic content), the samples showed values between 43% and 70%, independent of the use of mechanical stirring or sonication, which shows the advantage of this second method, which enables a significant reduction in labor time, regardless of the absolute value. Overall, the results found for the tested protocols, for the different parameters, revealed a constant performance, besides de natural oscillation associated with the floral origin.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Própolis]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[harmonização de metodologias]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Comissão Internacional do Mel]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[estudo colaborativo]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Propolis]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[harmonization of methodologies]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[International Honey Commission]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[collaborative study]]></kwd>
</kwd-group>
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</front><body><![CDATA[ <p align = "right"><font face = "Verdana" size = "2"><b>ARTIGO</b></font></p>

    <p><font face = Verdana
size = 4><b>Harmonização de metodologias de análise da própolis</b></font></p>


    <p><font face = Verdana size = 3><b>Harmonization of standard procedures for propolis
analysis</b></font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2><b>Mélissa Lopes</b>,
<b>Luís F. Nunes</b>, <b>Soraia I. Falcão</b> e <b>Miguel Vilas-Boas</b>*</font></p>

    <p><font face
= Verdana size = 2><i>Centro de Investigação da Montanha (CIMO), Instituto Politécnico
de Bragança, Campus de Sta. Apolónia, 5300-253 Bragança, Portugal</i></font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2><i>(*E-mail: <a href = "mailto:mvboas@ipb.pt">mvboas@ipb.pt</a>)</i></font></p>

<hr noshade size = 1>

    <p><font face = Verdana size = 3><b>RESUMO</b></font></p>


    <p><font face = Verdana size = 2>A própolis é um produto da colmeia resinoso utilizado
pelo homem desde dos tempos antigos e explorado pelas suas propriedades farmacológicas.
A variabilidade da sua composição química, associada com a diversidade floral de
onde provém, requer a análise de diversos parâmetros de qualidade. Ao nível Europeu,
para além da inexistência de regulamentação que defina esses parâmetros de qualidade,
tão pouco se encontram estabelecidas as metodologias de análise deste produto, observando-se
uma variedade de métodos descritos na literatura, muitas das vezes não comparáveis.
<b></b></font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>A <i>International Honey
Commission</i> (IHC), uma rede mundial que visa o desenvolvimento de novos e eficazes
processos analíticos de controlo da qualidade dos produtos apícolas bem como a definição
de critérios de qualidade, através do seu grupo de trabalho da própolis, definiu
como prioritário a harmonização das metodologias de análise da qualidade da própolis,
particularmente o teor em cinzas, teor em ceras (utilizando duas metodologias alternativas),
conteúdo balsâmico após extração por ultrassons ou agitação mecânica, bem como a
análise da sua componente fenólica através da quantificação de fenóis totais, flavonas/flavonóis
e flavanonas/di-hidroflavonóis. Neste projeto colaborativo, participaram 15 entidades,
incluindo 14 laboratórios e uma empresa internacional de laboração de própolis.
</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>Os resultados obtidos no laboratório
da Escola Superior Agrária de Bragança permitem-nos efetuar uma primeira abordagem
da aplicação dos protocolos, concluindo-se da sua fácil implementação, com exceção
da avaliação do conteúdo em ceras, para o qual o procedimento se mostrou laborioso
e de implementação mais limitada em análises de rotina. Comparando os dois métodos
de análise de ceras, os valores obtidos demonstraram concordância, independentemente
do teor de cera nas amostras. </font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = Verdana size = 2>Relativamente
ao procedimento de extração (conteúdo balsâmico), as amostras revelaram valores
compreendidos entre 43% e 70%, independentemente do recurso à agitação mecânica
ou ultrassons, o que revela a vantagem deste segundo método, considerando a redução
significativa do tempo utilizado. </font></p>

    <p><font face = Verdana size =
2>De uma forma geral, os resultados obtidos através dos métodos testados para os
diferentes parâmetros, para além de oscilarem de acordo com a sua origem botânica,
demonstram um desempenho constante independentemente da grandeza do valor absoluto.
</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2><b>Palavras-chave: </b>Própolis, harmonização
de metodologias, Comissão Internacional do Mel, estudo colaborativo.</font></p>

<hr noshade size = 1>

    <p><font face = Verdana
size = 3><b>ABSTRACT</b></font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>Propolis
(bee glue) is a resinous bee hive product used by man since ancient times due to
its pharmaceutical properties. The variability of its chemical composition, linked
with the floral origin, requires the analysis of several quality parameters. Nevertheless,
at the European level, in addition to the inexistence of legal requirements for
quality control, there is also a lack of analytical procedures, despite the presence
in the literature of several methodologies, which are often not comparable. </font></p>


    <p><font face = Verdana size = 2>The International Honey Commission, an worldwide
network aiming to implement and develop new analytical methods for the control bee
products and the establishment of quality standards, defined as a priority, within
the propolis working group, the harmonization of analytical procedures for propolis
quality evaluation, particularly in respect to ash, wax (using two alternative methods),
balsamic content after extraction with ultrasonic or mechanical agitation as well
as the analysis of its phenolic composition through the assessment of total phenolics,
flavones/flavonols and flavanones/di-hydroflavonols. This collaborative study was
engaged by 15 entities, including 14 laboratories and an international company working
with propolis.</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>According to the results
obtained in our laboratory it is possible to draw a first evaluation on the applied
methods, in particular the simplicity on the protocol implementation, with exception
for the wax content, which proved to be laborious and non-adapted for routine analysis.
Nevertheless, the wax values from both methodologies seems to agree, independently
of its level in the samples.</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>For
the extraction procedure (balsamic content), the samples showed values between 43%
and 70%, independent of the use of mechanical stirring or sonication, which shows
the advantage of this second method, which enables a significant reduction in labor
time, regardless of the absolute value.</font></p>

    <p><font face = Verdana size
= 2>Overall, the results found for the tested protocols, for the different parameters,
revealed a constant performance, besides de natural oscillation associated with
the floral origin.</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2><b>Keywords:</b> Propolis, harmonization of methodologies,
International Honey Commission, collaborative study.</font></p>

<hr noshade size = 1>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = Verdana size = 3><b>INTRODUÇÃO</b></font></p>

    <p><font face
= Verdana size = 2>A própolis é um material viscoso elaborado pelas abelhas, usado
como material de construção para selar as fissuras da colmeia, mas também para controlar
a contaminação biológica na colónia (Zhang <i>et al</i>., 2014). As abelhas preparam
esta substância recolhendo com as suas mandíbulas os exsudatos resinosos de rebentos,
folhas, flores, frutos, galhos e cascas de diferentes plantas presentes nas proximidades
da colmeia, às quais adicionam, já no interior da colmeia, cera e secreções salivares,
a fim de produzir a própolis (Falcão <i>et al</i>., 2013a). Esta mistura apresenta
um cheiro agradável e uma cor que pode variar entre o creme, amarelo, verde, vermelha,
castanho ou quase preto, dependendo muito da planta de onde provém a resina e da
sua conservação. Algumas amostras têm uma textura friável, dura, enquanto outras
exibem uma textura elástica e pegajosa.<sup></sup></font></p>

    <p><font face =
Verdana size = 2>Nas regiões temperadas, onde os rebentos de choupo são a principal
fonte para resina, a própolis apresenta uma composição rica em ácidos fenólicos
e flavonóides simples, bem como derivados metilados e/ou esterificados (Falcão <i>et
al</i>., 2010 e 2013a, b). Nas regiões tropicais, onde os choupos não são abundantes,
as abelhas procuram outras fontes florais alternativas para a produção da resina.
A própolis de regiões tropicais, em particular a própolis verde Brasileira, é objeto
de muitos estudos científicos devido à sua atividade biológica elevada, com uma
composição rica em derivados prenilados do ácido fenilpropanóico, como a artepilina
C e ácidos cafeoilquínicos (Kumazawa <i>et al</i>., 2005; Coelho <i>et al</i>.,
2017). O teor de compostos fenólicos vai-se refletir na sua elevada bioatividade
cuja variabilidade está relacionada com a sua origem fitogeográfica (Bankova, 2005;
Falcão <i>et al.</i>, 2014; Kujungiev <i>et al</i>., 1999).<sup></sup></font></p>


    <p><font face = Verdana size = 2>A recolha da própolis na colmeia é realizada através
da raspagem da resina colocada pelas abelhas sobre as paredes da colmeia para fixação
dos quadros ou através da colocação de redes específicas no interior da colmeia.
Estas redes possuem orifícios com diâmetros específicos, os quais induzem as abelhas
à sua selagem com própolis, podendo assim ser recolhido pelo apicultor. As épocas
de maior produção ocorrem na primavera e no outono, associado com as fases de maior
desenvolvimento da colónia e com a preparação para o inverno.</font></p>

    <p><font
face = Verdana size = 2>A variabilidade química desta mistura é muito elevada, e
por esta razão é frequentemente necessário avaliar a sua composição para aferir
o seu valor comercial (Falcão <i>et al</i>., 2013c).<sup> </sup>Deste modo, e para
permitir a comparabilidade entre amostras, é importante utilizar metodologias analíticas
padronizadas. Este projeto tem como objetivo definir internacionalmente metodologias
para avaliação de alguns parâmetros físico-químicos, com base num estudo colaborativo
realizado pelo grupo de trabalho da própolis da <i>International Honey Commission</i>,
IHC. Neste âmbito, participaram no ensaio 15 entidades de 11 países diferentes,
envolvendo 14 laboratórios de controlo de qualidade de produtos da colmeia e uma
empresa internacional com interesses na laboração de própolis. A sua participação
no ensaio focou-se na disponibilização de amostras, mas essencialmente na recolha
e homogeneização das diferentes própolis a ensaiar, bem como o seu seccionamento,
codificação e distribuição pelos laboratórios participantes.</font></p>

    <p><font
face = Verdana size = 2>Os parâmetros/métodos analíticos, objeto de harmonização,
definidos previamente no âmbito da última reunião do grupo própolis da IHC decorrida
na Croácia em 2014, foram os seguintes: teor em cinzas, teor de ceras, conteúdo
balsâmico (extração de compostos fenólicos), fenóis totais, flavonas/flavonóis e
flavanonas/ di-hidroflavonóis. </font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>A
definição dos protocolos a aplicar foi baseada num levantamento prévio dos procedimentos
usados em cada um dos laboratórios, os quais após discussão entre os participantes,
permitiu definir um conjunto de protocolos finais a aplicar por todos os participantes.
Para alguns parâmetros foram estabelecidos protocolos alternativos, os quais serão
alvo de análise e comparação de modo a estabelecer o método harmonizado. A execução
de todos os métodos e das alternativas foi facultativa, dependendo das disponibilidades
de equipamento dos diferentes laboratórios. </font></p>


    <p><font face = Verdana size = 3><b>MATERIAL E MÉTODOS</b></font></p>



    <p><font face = Verdana
size = 2><i>Amostragem</i></font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>Para o
trabalho foram avaliadas 15 amostras de própolis, de origem diversa, disponibilizadas
pelos participantes. As amostram foram recolhidas por uma das entidades participantes,
a qual aplicou, individualmente a cada amostra, um processo de trituração e homogeneização,
seccionando o seu conteúdo em 14 alíquotas. Cada laboratório participante no ensaio
recebeu uma alíquota de cada amostra, devidamente codificada, a qual foi armazenada
a &#8209;20<sup>&#9702;</sup>C até posterior análise.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = Verdana size = 2><i>Cinzas</i></font></p>


    <p><font face = Verdana size = 2>Para a avaliação do teor de cinzas efetuou-se
uma incineração de 1&nbsp;g de própolis (A2) numa mufla a 600°C durante 3&nbsp;h,
até obter cinzas de cor branca ou cinzenta. Após a incineração colocou-se o cadinho,
previamente pesado (A1), em arrefecimento num exsicador, determinando-se de seguida
a sua massa. Posteriormente aplicou-se uma incineração adicional de 30 minutos,
repetindo-se o procedimento até obter um peso constante (A3). A quantidade de cinzas
é expressa em % e calculada através da seguinte fórmula: </font></p>

    <p><font
face = Verdana size = 2>% Cinzas = [(A3-A1)/(A2)]×100</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2><i>Ceras</i></font></p>


    <p><font face = Verdana size = 2>Para a determinação do teor de ceras foram testados
dois protocolos diferentes, possuindo cada um deles duas fases complementares. Para
a realização do primeiro procedimento utilizou-se um sistema de Soxhlet, extraindo-se
2&nbsp;g de própolis (W1) com éter de petróleo durante 6&nbsp;h, levando-se o extrato
à secura até peso constante (W2). </font></p>

    <p><font face = Verdana size =
2>Para o segundo procedimento aplicou-se um processo de extração por ultrassons,
colocando-se 2&nbsp;g de própolis (W1) em 100&nbsp;mL de éter de petróleo, durante
30 minutos. Após este período, arrefeceu-se a solução e filtrou-se, levando-se o
filtrado à secura até peso constante (W2). A quantidade de ceras em ambos os casos
é expressa em % e calculada através da seguinte fórmula:</font></p>

    <p><font
face = Verdana size = 2>% Wax1= (W2/W1)×100</font></p>

    <p><font face = Verdana
size = 2>Para ambos os protocolos anteriormente descritos foi aplicado um procedimento
completar, com o objetivo de remover do extrato etéreo substâncias pouco polares.
Com este objetivo adicionou-se ao resíduo seco obtido na primeira fase, 80&nbsp;mL
de metanol, levando-se a mistura à ebulição até se obter uma solução límpida com
um resíduo oleoso no fundo do balão, o qual solidifica com o arrefecimento. Em seguida,
com a solução quente, filtrou-se a fase metanólica através de um papel de filtro
previamente pesado (P1) para um matraz (M1), arrefecendo o matraz a 0ºC, e filtrando
o seu conteúdo através do mesmo papel de filtro. Após a secagem ao ar, o frasco
e o papel de filtro com o resíduo são transferidos para um exsicador até peso constante
(M2 e P2). A quantidade de ceras e é expressa em % e calculada através da seguinte
fórmula:</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>% Wax2= [(F2-F1)+(P2-P1)/W1)]×100</font></p>



    <p><font face = Verdana size
= 2><i>Conteúdo Balsâmico (extração fenólica)</i></font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face =
Verdana size = 2>Para a determinação do conteúdo balsâmico foram testados dois métodos
alternativos de extração: agitação mecânica e aplicação de ultrassons. Em ambos
as situações pesou-se 1&nbsp;g de própolis e adicionou-se em 30&nbsp;mL de etanol
a 70%. Num dos procedimentos a extração decorreu com agitação mecânica à temperatura
ambiente durante 24&nbsp;h. Após este período a mistura foi filtrada e o sólido
re-extraído nas mesmas condições. Para confirmar a ausência de fenóis no sólido
adicionou-se uma solução de FeCl<sub>3</sub> a 5% em metanol, sendo que o não desenvolvimento
de cor confirma a ausência destes compostos. Após a última extração, os filtrados
são combinados, perfazendo o volume final da solução a 100&nbsp;mL com etanol a
70%. Para o cálculo do conteúdo balsâmico retira-se uma alíquota do extrato evaporando-se
à secura, apresentando os resultados em percentagem. O processo de extração alternativo
é semelhante, diferindo apenas na colocação da amostra em banho de ultrassons, durante
um período de 20 minutos, em detrimento da agitação mecânica.</font></p>


    <p><font face = Verdana size = 2><i>Composição
fenólica total</i></font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>A determinação
da componente fenólica foi efetuada através da identificação colorimétrica do teor
em fenóis totais (método Folin-Ciocalteu) utilizando-se como padrão uma curva de
quantificação obtida para o ácido gálico, numa gama de concentrações 0.025 a 0.3&nbsp;mg.mL<sup>&#8209;1</sup>.
Inicialmente preparou-se uma solução diluindo 1,5&nbsp;mL do extrato em 10&nbsp;mL
de solvente. De seguida, retirou-se uma alíquota de 0,2&nbsp;mL desta solução e
misturou-se com 1,5&nbsp;mL de água e 0,4&nbsp;mL de reagente de Folin, completando-se
o volume com a adição de 0,6&nbsp;mL de carbonato de sódio a 20% e 2,3&nbsp;mL de
água desionizada, perfazendo um volume final de 5&nbsp;mL com água desionizada.
Após duas horas no escuro avaliou-se a quantidade de compostos fenólicos através
da medição da absorvância a 760&nbsp;nm, exprimindo-se o resultado em % de fenóis
(equivalentes de ácido gálico) por grama de própolis. O branco foi preparado nas
mesmas condições mas substituindo a quantidade de extrato por idêntica quantidade
de solvente.</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2><i>Flavonóides</i></font></p>

    <p><font face
= Verdana size = 2>O conteúdo em flavonóides foi avaliado através da aplicação do
método do cloreto de alumínio para a identificação de flavonas e flavonóis, e pela
complexação com 2,4-dinitrofenil-hidrazina (DNP), para a identificação de flavanonas
e di-hidroflavonóis.</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>Para a quantificação
de flavonas/flavonóis, preparou-se inicialmente uma solução diluída do extrato através
da dissolução de 1,5&nbsp;mL de extrato balsâmico em 10&nbsp;mL de solvente (etanol
a 70%). Posteriormente preparou-se uma nova solução diluindo 1&nbsp;mL da solução
anterior em 10&nbsp;mL de solvente e 0,5&nbsp;mL de AlCl<sub>3</sub> a 5%, ajustando-se
o volume final para 25&nbsp;mL. Após 30 minutos no escuro, a absorvância foi medida
a 425&nbsp;nm utilizando como branco uma solução preparada nas mesmas condições
mas utilizando 1&nbsp;mL de solvente em substituição da amostra. Os resultados foram
expressos em % de flavonas por grama de própolis, utilizando para a quantificação
uma reta de calibração de quercetina com concentrações entre 0,005 e 0,250&nbsp;mg.mL<sup>&#8209;1</sup>.</font></p>


    <p><font face = Verdana size = 2>Para a quantificação de flavanonas/di-hidroflavonóis
preparou-se previamente uma solução diluindo 1&nbsp;mL de extrato em 2&nbsp;mL de
DNP (1&nbsp;g de DNP em 2&nbsp;mL de ácido sulfúrico a 96% numa solução de 100&nbsp;mL
de metanol). De seguida aqueceu-se a solução em banho-maria, com agitação, a 50ºC
durante 50 minutos. Após arrefecimento, adicionou-se uma alíquota de 0,5&nbsp;mL
da solução anterior a 10&nbsp;mL de solvente, completando-se para um volume final
de 25&nbsp;mL. A quantidade de flavanonas/di-hidroflavonóis, expressa em percentagem,
foi determinada medindo a absorvância a 486&nbsp;nm e utilizando-se uma reta de
calibração de naringenina com concentrações entre 0,10 e 2,5&nbsp;mg.mL<sup>&#8209;1</sup>.
</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 3><b>RESULTADOS E DISCUSSÃO</b></font></p>

    <p><font face = Verdana
size = 2>Os resultados obtidos para as diferentes amostras, aplicando os protocolos
estabelecidos entre os participantes, são apresentados no <a href = "/img/revistas/rca/v40nspe/v40nspea29q1.jpg" target = "_blank">Quadro 1</a>. Estes resultados
permitiram avaliar a dificuldade na aplicação dos diferentes métodos em função das
caraterísticas específicas das amostras de própolis em análise e avaliar a sua aplicabilidade
em ensaios de rotina. Adicionalmente foi possível identificar a comparabilidade
e adequabilidade dos métodos para as situações em que foram testados protocolos
diferentes. Para a avaliação da reprodutibilidade e repetibilidade dos ensaios será
necessário efetuar a comparação dos resultados inter-laboratoriais.</font></p>

    
<p><font face = Verdana size = 2>A aplicação do protocolo de avaliação do teor
em cinzas revelou ser bastante robusto e simples, obtendo-se para as amostras valores
que oscilaram entre os 0,4 e os 3,2%. A repetibilidade destes ensaios é razoável
obtendo-se um desvio padrão relativo médio de 5%, o qual varia inversamente com
a quantidade de cinzas na amostra. </font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = Verdana size =
2>Para a avaliação do teor de ceras foram testadas as duas opções propostas (extração
por Soxhlet ou ultrassons), bem como realizada as duas fases de extração para cada
um dos protocolos ensaiados. Os teores em cera obtidos para as amostras apresentam
uma grande variabilidade característica de cada amostra, oscilando entre 12 e 44%
para a extração de Soxhlet e entre 10 e os 47% para a extração por ultrassons. O
mesmo se verificou para a segunda fase, com valores entre 2 e 7%, e 2 e 6% para
cada um dos referidos métodos, respetivamente. A precisão dos dois métodos de extração,
baseada no desvio padrão relativo das amostras, é adequada e bastante similar, aproximadamente
de 4% para a extração por Soxhlet e 3% para o procedimento por ultrassons. Já no
que se refere aos valores absolutos, verifica-se uma grande variabilidade obtendo-se,
na primeira fase, diferenças para a mesma amostra que oscilam entre os 11 e 46%.
Para a segunda fase, os resultados são também significativamente diferentes com
uma variação média entre os métodos de 25%. </font></p>

    <p><font face = Verdana
size = 2>Numa primeira análise, e comparando os níveis de cera obtidos por aplicação
da primeira e segunda fase de extração das ceras, é evidentemente necessário equacionar
a representatividade dos resultados e a sua validade, pois os teores determinados
pelas duas fases terão significados físicos distintos. Será importante, neste caso,
aferir a composição dos extratos e ponderar se os compostos eliminados com a segunda
extração em metanol devem ou não ser considerados no teor total de ceras. Por outro
lado, será também de equacionar a aplicabilidade da segunda fase de extração em
análises de rotina, dada a complexidade do procedimento. Considerando os dois processos
de extração, os resultados exclusivos de um laboratório permitem apenas concluir
que os valores obtidos pelos dois processos (Soxhlet ou ultrassons), não são equivalentes,
dadas as diferenças significativas encontradas entre ambos. </font></p>

    <p><font
face = Verdana size = 2>Para a avaliação do conteúdo balsâmico nas amostras de própolis
efetuaram-se dois protocolos alternativos: com agitação mecânica à temperatura ambiente
e agitação por ultrassons. Em ambas as situações, verificou-se o desenvolvimento
de cor com a aplicação de FeCl<sub>3</sub> a 5% após a primeira extração, pelo que
foi necessário repetir o procedimento três vezes, para todas as amostras. Os valores
obtidos para o conteúdo balsâmico das amostras de própolis, <a href = "/img/revistas/rca/v40nspe/v40nspea29q2.jpg" target = "_blank">Quadro 2</a>, variam entre
43 e 70%, para ambos os métodos, com valores de precisão elevados, apresentando
um erro relativo médio de 1%. Comparando os valores de cada amostra, obtidos pelos
dois métodos, o conteúdo balsâmico é muito semelhante, com uma diferença média relativa
de 3 a 4%, podendo-se considerar os métodos equivalentes. Com base nestes resultados,
e considerando o decréscimo significativo de tempo de análise sugere-se, como melhor
alternativa para análise de rotina, a aplicação do protocolo de extração por ultrassons.
</font></p>

    
<p><font face = Verdana size = 2>A
composição fenólica é um dos parâmetros mais relevantes para a valorização comercial
da própolis, pelo que a utilização de métodos rápidos de avaliação destes compostos
é fundamental. Para a quantificação do teor em fenóis foi utilizado a metodologia
de Folin-Ciocalteu, obtendo-se valores que oscilaram entre os 6 e os 21%, muito
semelhantes (diferenças relativas inferior a 10%) entre os extratos balsâmicos obtidos
por agitação mecânica e ultrassons. Esta semelhança foi também verificada para o
teor em flavonóides (4% para flavonas/flavonóis e um pouco superior para flavanonas/di-hidroflavonóis,
13%), confirmando uma vez mais a equivalência entre os dois protocolos de extração.
O método de Folin-Ciocalteu aplicado nas amostras de própolis de acordo com o protocolo
definido apresenta uma boa precisão com um erro relativo inferior a 3%. </font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>A análise de flavonas e flavonóis, apresentou
também um bom desempenho, com uma elevada precisão, verificada através de um desvio
médio relativo de 1%, para teores observados entre 1 e 9%. Para o conjunto de flavanonas
e di-hidroflavonóis, os teores são mais elevados, oscilando entre 7 e 17%. Para
este procedimento observou-se uma menor precisão, no entanto com valores para o
desvio médio relativo razoáveis e inferiores a 5%. </font></p>

    <p><font face = Verdana size = 3><b>CONCLUSÕES</b></font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>Os protocolos definidos através do ensaio colaborativo
da <i>International Honey Commission</i> para a análise de própolis demonstraram
ser de implementação simples, com exceção da avaliação do conteúdo em ceras, o qual
se mostrou laborioso e de implementação mais condicionada para análises de rotina.
Este procedimento foi também o que demonstrou pior desempenho em termos de precisão
dos resultados, reforçando a necessidade de melhorar o protocolo, bem como identificar
a composição dos extratos obtidos sem e com extração metanólica. </font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>Para os restantes métodos, a precisão dos resultados
é elevada, não demonstrando sensibilidade específica às caraterísticas e teores
das amostras de própolis.</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>Relativamente
ao procedimento de extração (conteúdo balsâmico), verificou-se uma semelhança elevada
nos resultados independentemente da aplicação de agitação mecânica ou ultrassons,
quer ao nível do teor global, quer na quantidade específica de fenóis ou flavonóides.
A concordância entre estes dois métodos permite sugerir como a alternativa mais
adequada, a aplicação de ultrassons em análises de rotina, particularmente pela
vantagem de uma redução significativa do tempo utilizado. </font></p>

    <p><font
face = Verdana size = 2>Futuramente será necessário analisar e comparar os resultados
obtidos nos restantes laboratórios e efetuar uma avaliação estatística das metodologias,
de forma a introduzir quaisquer alterações aos procedimentos e propor as metodologias
harmonizadas para análise de própolis.</font></p>

</br>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = Verdana size = 3><b>Referências bibliográficas</b></font></p>

    <!-- ref --><p><font face = Verdana size = 2>Bankova, V. (2005) - Recent trends and important developments
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<a href = "http://dx.doi.org/10.1093/ecam/neh059" target = "_blank">http://dx.doi.org/10.1093/ecam/neh059</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=672744&pid=S0871-018X201700050003000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font
face = Verdana size = 2>Coelho, J.; Falcão, S.I.; Vale, N.; Almeida-Muradian, L.B.
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face = Verdana size = 2>Falcão, S.I.; Freire, C. &amp; Vilas-Boas, M. (2013c) -
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    <p><font face = Verdana size = 2>Ao grupo de trabalho da própolis da <i>International
Honey Commission</i>, IHC. <b></b></font></p>

</br>

    <p><font face = Verdana size = 2>Recebido/received: 2016.12.22</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>Recebido em versão revista/received in revised form: 2017.03.20</font></p>

    <p><font face = Verdana size = 2>Aceite/accepted: 2017.03.21</font></p>

     ]]></body><back>
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