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<article-id pub-id-type="doi">10.19084/RCA18223</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Produção agroecológica e Segurança Alimentar e Nutricional (Brasil)]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Pelotas Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Produção Agrícola Familiar ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this work was to analyze the social representations about food produced by family farmers in the three municipalities of Rio Grande do Sul (Brazil), intended for school meals. We conducted qualitative research with in-depth interviews and twenty-three family farmers. Results were processed through content analysis. Social representations of farmers regarding a healthy food refer to the non-use of pesticides for do not harm the health of both the consumer and the producer. In these terms, such actions can contribute to the food and nutritional security of population.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[agricultura familiar]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[políticas públicas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[representações sociais]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[social representations]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 

    <p align = "right"><font face = "Verdana" size = "2"><b>ARTIGO</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "4"><b>Produção agroecológica e Segurança Alimentar e Nutricional (Brasil)</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>Agroecological production and Food and Nutrition Security (Brazil)</b></font></p>




    <p><font face = "Verdana" size = "2"><b>Shirley G. S. Nascimento</b><sup>1,*</sup>, <b>Cláudio Becker</b><sup>2</sup>, <b>Fernanda Novo da Silva</b><sup>1</sup>,
<b>Nádia Velleda Caldas<sup>3</sup></b> e <b>Mariana R. de Ávila</b><sup>1.</sup></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><i><sup>1</sup>Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Dom Pedrito, Brasil</i></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><i><sup>2</sup>Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), Santana do Livramento, Brasil</i></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><i><sup>3</sup>Programa de Pós-Graduação em Sistemas de Produção Agrícola Familiar da Universidade Federal
de Pelotas, Pelotas, Brasil</i></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><i>(*E-mail: <a href="mailto:shirley.altemburg@gmail.com">shirley.altemburg@gmail.com</a>)</i></font></p>

<hr noshade size = 1>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>RESUMO</b></font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = "Verdana" size = "2">O
objetivo deste artigo é analisar as representações sociais em torno aos alimentos
produzidos por agricultores familiares em três municípios do Rio Grande do Sul (Brasil),
destinados à alimentação escolar. Realizamos uma pesquisa qualitativa, com entrevistas
em profundidade com 23 agricultores familiares agroecologistas. Os resultados foram
processados através de análise de conteúdo. As representações sociais dos agricultores
em relação a um alimento saudável remetem ao não uso de agrotóxicos e que não faça
mal a saúde, tanto de quem consome quanto de quem produz. Nesses termos, tais ações
podem contribuir com a segurança alimentar e nutricional dos cidadãos.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><b>Palavras-chave</b>: agricultura familiar, políticas públicas, representações sociais.</font></p>

<hr noshade size = 1>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>ABSTRACT</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">The objective of this work was to analyze the
social representations about food produced by family farmers in the three municipalities
of Rio Grande do Sul (Brazil), intended for school meals. We conducted qualitative
research with in-depth interviews and twenty-three family farmers. Results were
processed through content analysis. Social representations of farmers regarding
a healthy food refer to the non-use of pesticides for do not harm the health of
both the consumer and the producer. In these terms, such actions can contribute
to the food and nutritional security of population.</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2"><b>Keywords</b>: family farming, public policies, social representations.</font></p>

<hr noshade size = 1>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>INTRODUÇÃO</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Assunto amplamente debatido na atualidade, a insegurança alimentar tem afetado
populações em todo mundo. Além de se discutir sobre a falta de alimentos, o temor
recai também sobre a qualidade do que se produz, gerando incertezas sobre a eficiência
e a qualidade dos grandes sistemas agroalimentares. Essa questão ganha mais força
quando assistimos a todo o momento notícias sobre crises alimentares que afetam
diversos setores da produção agrícola e que se tornaram amplamente conhecidos como
a doença da vaca louca, as intoxicações por dioxinas, as gripes aviária e suína
e a chamada crise dos pepinos espanhóis, apenas para citar alguns (Caldas <i>et
al</i>., 2012).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Diante desse cenário,
percebe-se a crescente preocupação das pessoas pela segurança alimentar e qualidade
dos produtos que consomem (Beck, 1998; Díaz Méndez e Gómez Benito, 2001; Callejo,
2005; Aguilar Criado, 2007). Este fato culmina com um movimento de busca por formas
alternativas de produção que (re)aproximam unidade de produção e consumo, agricultor
e consumidor, e que remetem à (re)construção de elos de confiança entre ambos, que
melhor assegura ao consumidor a qualidade dos alimentos.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Como consequência dessa situação emerge um estímulo para
a (re)conexão entre alimentação e segurança alimentar e nutricional, ou seja, emerge
uma preocupação com a origem e qualidade dos processos produtivos e dos alimentos
consumidos, bem como sobre os efeitos da alimentação sobre os consumidores. E, por
essa razão, no cenário brasileiro, diversas iniciativas (Grisa, 2012) são acionadas
com o propósito de resgatar ações que conduzam à segurança alimentar e nutricional
para além dos espaços cotidianos – que envolvem pequenas ações realizadas isoladamente
por consumidores e produtores para assegurar a compra e venda de alimentos saudáveis
– ganhando peso inclusive na esfera pública, através de mobilizações sociais que
se iniciaram na década de 1980. Este processo gerou um acúmulo conceitual e uma
base social que culminou com a criação de uma Política Nacional de Segurança Alimentar
e Nutricional no ano de 2006 (Maluf, 2009), que visava atender às necessidades alimentares
da população e atingir a autossuficiência nacional na produção de alimentos (Hirai
e Sacco dos Anjos, 2007).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Esta temática
passou a fazer parte da pauta de prioridades em nosso país e diversos componentes
começaram a ser-lhe incorporados. Como alude Valente (2006, p. 2), “o conceito de
Segurança Alimentar ampliava-se incorporando às esferas de produção agrícola e do
abastecimento as dimensões do acesso aos alimentos, das carências nutricionais e
da qualidade dos alimentos. Começava-se então a falar de Segurança Alimentar e Nutricional”.</font></p>


    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = "Verdana" size = "2">Na década seguinte, verifica-se que em diversos
países o consumo de alimentos ofertados através de políticas públicas, como é o
caso da alimentação escolar, passa a ser visto como prioridade (Kennedy, 1996).
Nesse contexto, também inicia-se o incentivo à educação alimentar para que a população
reflita e incorpore formas saudáveis de alimentação.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">A segurança alimentar corresponde a um tema que conquistou, no
Brasil, grande relevância desde o final dos anos 1990 e vem suscitando um amplo
debate tanto na perspectiva da atuação estatal (Feliciello e Garcia, 1996; Maluf
<i>et al.</i>, 1996; Belik <i>et al</i>., 2001), quanto no plano estritamente acadêmico.</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2">Mesmo havendo um movimento progressivo em relação
a este conceito, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002)
esse tema perde força, sendo resgatado com a chegada do governo Lula ao poder, em
2003.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Em estudos acadêmicos, a temática
é abordada como consequência do surgimento de um conjunto de questões que vão desde
a preocupação em torno da avaliação do impacto de políticas públicas de combate
à fome e à insegurança alimentar, até discussões mais recentes que tratam da ampliação
da produção de biocombustíveis e de supostas implicações sobre a oferta mundial
de alimentos (Graziano da Silva e Tavares, 2008; FAO, 2009). Nesses estudos citados,
a ênfase está posta em uma perspectiva multidimensional, especialmente a partir
do surgimento de programas e políticas públicas que colocam o acesso aos alimentos,
em quantidade e qualidade, culturalmente referenciados, como instrumento para a
conquista da cidadania e enfrentamento das desigualdades.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Nesse sentido, segurança alimentar e nutricional começam
a ser entendidos como uma ferramenta para fomentar a soberania alimentar do país,
com o incentivo aos mercados institucionais – Programa de Aquisição de Alimentos
(PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) – que favorecem, em grande
medida, os agricultores familiares.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Além do Brasil, destacam-se no cenário internacional iniciativas ocorridas na
Itália e no Japão, que preconizam a incorporação de ações de segurança alimentar
via políticas públicas de caráter inovador. No Japão, o Plano Nacional de Educação
Alimentar implementado em 2004, promoveu o Chisan-chisho que pode ser traduzido
como o incentivo à produção local de alimentos, visando incorporar a alimentação
tradicional das crianças nas escolas (Otsuki, 2011). Já na Itália, o governo fixou,
por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar, orientações claras à aquisição
de produtos locais como parte do processo de criação de uma identidade local (Morgan
e Sonnino, 2008).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">É na perspectiva
da construção de um novo padrão alimentar, voltado ao consumo de alimentos saudáveis,
produzidos localmente e com procedência conhecida, que o poder público tem concentrado
esforços em atuar no segmento de alimentação escolar em nosso país. Prova disto
são as transformações recentes ocorridas, no PNAE, na retórica e na legislação (Otsuki,
2011), que preconizam a reeducação alimentar nas escolas públicas brasileiras com
foco no consumo de alimentos saudáveis produzidos agroecologicamente.</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2">O PNAE surgiu, no Brasil, na década de 1950 (Belik
e Chaim, 2009), com a finalidade de suprir apenas 15% das necessidades alimentares
básicas das crianças durante o período escolar, perpassou pelos anos, e em 2009
sofreu significativas mudanças, como, por exemplo, a incorporação da percepção sobre
o caráter pedagógico da alimentação diante do processo ensino/aprendizagem (Stefanini,
1997; Bezerra, 2009). Na atualidade, possui como meta o direito à alimentação apropriada,
que atenda aos princípios nutricionais de convívio social e de respeito às culturas
alimentares. Deste modo, constitui uma das estratégias da vigente política de segurança
alimentar e nutricional do país para combater a fome, a desnutrição e os problemas
relacionados com as mudanças no padrão de consumo alimentar da população nas últimas
décadas.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">No Brasil, a legislação
traz uma grande novidade que faz alusão ao fato de que no mínimo 30% do orçamento
gasto com a alimentação escolar deve ser referente à aquisição de produtos oriundos
da agricultura familiar, preferencialmente, da produção orgânica e/ou agroecológica
(Brasil, 2009a). Deste modo, a legislação além de repercutir no destino da produção
agrícola familiar, interferiu também na forma como se deve proceder na alimentação
dos estudantes. Algumas destas modificações estão contidas especialmente no Inciso
I do Art. 2° da Lei 11.947 de 16 de junho de 2009, que estabelece:</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2">I - o emprego da alimentação saudável e adequada,
compreendendo o uso de alimentos variados, seguros, que respeitem a cultura, as
tradições e os hábitos alimentares saudáveis, contribuindo para o crescimento e
o desenvolvimento dos alunos e para a melhoria do rendimento escolar, em conformidade
com a sua faixa etária e seu estado de saúde, inclusive dos que necessitam de atenção
específica. (Brasil, 2009a, p. 1).</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = "Verdana" size = "2">Nesta perspectiva, é fundamental ressaltar outros aspectos cruciais como o fato
de que pela primeira vez a agricultura familiar é mencionada como forma social a
ser privilegiada. Com efeito, no Inciso V, Art. 2º da mesma lei, consta:</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2">V - o apoio ao desenvolvimento sustentável, com
incentivos para a aquisição de gêneros alimentícios diversificados, produzidos em
âmbito local e preferencialmente pela agricultura familiar e pelos empreendedores
familiares rurais, priorizando as comunidades tradicionais indígenas e de remanescentes
de quilombos (Brasil, 2009a, p.1).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">No marco da conquista de garantir a compra dos alimentos para alimentação escolar
da agricultura familiar, a região sul do Brasil movimenta-se de forma positiva possuindo
fortes laços com a produção agrícola familiar e trilhando um caminho progressivo
(Casalinho, 2003) em direção a sistemas saudáveis de produção.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">É mister reafirmar que as organizações da agricultura familiar
– como associações e cooperativas com gênese e vinculação ao Centro Apoio e Promoção
à Agroecologia (CAPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e/ou Movimento
dos Pequenos Agricultores (MPA) – que atuam na região de Pelotas, e que são atualmente
fornecedoras de produtos para alimentação escolar, têm uma história de lutas marcada
justamente pelo compromisso de contrapor-se ao padrão convencional de agricultura,
altamente tributário do uso de agrotóxicos e de adubos químicos, assumindo, no limite,
certos pressupostos filosóficos e ideológicos inerentes à agroecologia (Becker,
2010). Mesmo antes da aparição da Resolução nº 38, de 16 de julho de 2009 (Brasil,
2009b), algumas organizações sociais – como por exemplo, na região de estudo encontram-se
as ações da Cooperativa Sul Ecológica, da Associação de Agricultores Ecológicos
ARPA-SUL, da Cooperativa de Produtores Rurais COOPAR, da União de Associações UNAIC,
dentre outras – que já haviam assumido como princípio a entrega às escolas públicas
diversos produtos cujos processos de elaboração seguem rigorosamente um padrão de
produção identificado com os imperativos da sustentabilidade.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Compreender as representações sociais dos agricultores familiares
envolvidos na dinâmica desta nova cadeia agroalimentar preconizada pelo PNAE, bem
como, os pressupostos que regem os seus sistemas produtivos e, por conseguinte,
o seu trabalho, é um imperativo fundamental do nosso estudo.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Este artigo contempla, além da introdução, três seções.
A primeira faz a apresentação do universo de estudo, dos procedimentos metodológicos
e o marco teórico que fundamenta o trabalho. A segunda propõe um diálogo entre produção
agroecológica e segurança alimentar e nutricional. A terceira (conclusões) traz
as considerações a partir dos resultados do estudo.</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>MATERIAL E MÉTODOS</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><i>Universo de estudo,
procedimentos metodológicos e marco teórico da pesquisa</i></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Este estudo tem como universo empírico três municípios da
região sul do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, quais sejam, Canguçu, Cerrito
e São Lourenço do Sul, tal como ilustra a <a href = "#f1">Figura 1</a>. Foram entrevistados vinte e
três agricultores familiares agroecologistas que residem e fornecem alimentos ao
PNAE.</font></p>

    <p>&nbsp;</p>

<a name = "f1"><img src = "/img/revistas/rca/v42n1/v42n1a30f1.jpg"></a>

    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Cabe destacar que estes municípios possuem trajetórias diferentes
no que tange ao acesso ao programa. Este fato, conforme identificamos, se deve principalmente
a fatores como: a organização social para atender ao PNAE; parcerias com entidades
locais; clareza sobre o funcionamento do programa e, interesse em fomentar a agricultura
familiar local.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">O município de São
Lourenço do Sul, desde o ano de 2001, está imbuído do propósito de acesso a políticas
que contemplam as perspectivas do PNAE e, adquire parte significativa dos alimentos
que compõem a alimentação escolar da rede municipal de ensino de produtores da agricultura
familiar agroecológica. Opera com uma metodologia diferencial, a qual prima pelo
diálogo entre os agricultores e o poder público, a fim de contemplar o rol de produtos
locais, considerando e respeitando a sazonalidade. Assim, estabelece-se certa flexibilização
no fornecimento, contemplando a substituição de certos alimentos e a readaptação
de cardápios quando necessário.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">O
município de Cerrito, conforme informaram os nossos interlocutores, tem adquirido
em média 93% dos alimentos destinados a merenda escolar da agricultura familiar,
em que pese não haver priorização de que esses sejam produtos agroecológicos, se
observa uma movimentação por parte dos gestores municipais para que isto venha a
acontecer. Outro ponto interessante neste município é que o mesmo iniciou a compra
de alimentos da agricultura familiar antes mesmo da obrigatoriedade imposta pela
legislação, e este feito se deu através de iniciativas do órgão público municipal
em ação conjunta com a Empresa Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande
do Sul (EMATER) e com os agricultores.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Canguçu, por sua vez, diferentemente de Cerrito e São Lourenço do Sul, tem enfrentado
dificuldade para cumprir a compra de 30% de produtos oriundos da agricultura familiar,
como exigido por lei. Dentre os fatores limitantes está o fato de haver pouca interação
entre o órgão público municipal e a EMATER, assim como, por haver falta de clareza
em relação aos trâmites legais para efetivação da compra de alimentos. Inicialmente
este município recorreu às cooperativas de outras regiões do RS para cumprir com
o mínimo (30%) exigido pela legislação. Entretanto, no momento de realização dessa
pesquisa, não havia a aquisição de alimentos das cooperativas locais, inobservando
esse aspecto do PNAE. De todo o modo, fica explicito que não há articulação entre
as organizações da agricultura familiar local e os gestores para operacionalização
dos contratos, e tampouco se tem priorizado a compra de gêneros alimentícios produzidos
agroecologicamente.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">O <a href = "/img/revistas/rca/v42n1/v42n1a30q1.jpg" target = "_blank">Quadro 1</a> apresenta
dados sociodemográficas dos três municípios, que em maior ou menor medida, podem
contribuir para as dinâmicas de acesso às políticas públicas, como é o caso do PNAE.
Pareceu-nos fundamental investigar três municípios representativos<a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">[1]</a>
da agricultura familiar, mas com parâmetros distintos na compra de alimentos para
compor a merenda escolar, uma vez que a referida compra se configura como a mais
recente estratégia a nível federal para fomentar os sistemas de produção e consumo
locais.</font></p>

    
<p><font face = "Verdana" size = "2"><i>Procedimentos Metodológicos</i></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Nossa imersão no campos de pesquisa se deu entre os meses
de fevereiro e dezembro de 2012, através de visitas para realização das entrevistas
em propriedades dos agricultores. Neste momento foi possível aproximação e observação
da realidade destes atores e suas famílias, ouvir sobre suas perspectivas, compreender
as dinâmicas que regem seu trabalho, sobre quais as representações que constroem
em torno do PNAE e da alimentação saudável e verificar suas estratégias de produção.</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2">O campo que deu origem a este artigo respalda-se
na pesquisa qualitativa, a qual permite levantar informações relevantes através
da percepção e observação das pessoas e dos espaços. Quando se adota a abordagem
qualitativa, assume-se um entendimento que se opõe à ideia de que um modelo único
de pesquisa pode dar conta de todas as especificidades que existem nas ciências
sociais e, leva-se em consideração a importância de distanciar pesquisador e objeto,
pois o pesquisador não pode fazer julgamentos nem permitir que seus preconceitos
e crenças contaminem a observação e a análise na pesquisa (Goldenberg, 1997).</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2">Utilizamos como técnica de investigação entrevistas
em profundidade, que tiveram como base um roteiro com questões abertas e fechadas
que, ao mesmo tempo em que possibilitaram a coleta de dados objetivos em relação
ao público alvo da pesquisa, também serviram para apreender aspectos subjetivos
expressos na fala dos entrevistados.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = "Verdana" size = "2">Através do roteiro foi possivel verificar quais as representações sociais que
os agricultores possuem acerca de alimento saudável? Como estes percebem a importância
de sua produção na promoção da segurança alimentar nas localidades em que operam?
Qual o efetivo papel do PNAE na conformação das questões atinentes a produção de
alimentos saudáveis e segurança alimentar?</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Com relação a esse aspecto, Cruz Neto (1996) afirma que através da entrevista,
seja de natureza individual e/ou coletiva, o pesquisador busca obter informes contidos
na fala dos atores sociais. Para esse autor, ela não significa uma conversa despretensiosa
e neutra, uma vez que se insere como meio de coleta dos fatos relatados pelos atores,
enquanto sujeitos-objeto da pesquisa, que vivenciaram uma determinada realidade
que está sendo focalizada.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Os dados
foram processados através da análise de conteúdo, foram criadas categorias de análise
que permitiram agrupar as respostas dentro do contexto estudado. Essa análise, que
conduz descrições sistemáticas, ajuda a reinterpretar as mensagens e a atingir uma
compreensão de seus significados em um nível que ultrapassa uma leitura simples
(Bardin, 2011).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Frente ao aparato
metodológico utilizado foi possível mergulhar no mundo das representações sociais
de nossos entrevistados e entender questões aparentemente ocultas, porém carregadas
de símbolos, como é o caso, da produção “limpa”, ou seja, sem agrotóxico. Da associação
desta à segurança alimentar e quem ela atinge e qual a real importância das políticas
públicas que estão para além da questão comercial e associada à valorização destes
atores.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>RESULTADOS E DISCUSSÃO</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><i>Representações sociais e seu papel no cotidiano dos agricultores familiares</i></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Neste apartado tratamos
de demonstrar como os agricultores familiares participantes da pesquisa expressam
as suas representações em relação à noção de alimento saudável. Da mesma forma,
apresentam-se questões atinentes aos hábitos alimentares ‘modernos’, à produção
destinada ao PNAE e aos elementos que interferem na segurança alimentar de suas
famílias e da sociedade. Além disto, exploram-se temas relativos à intervenção do
programa nas representações que os próprios agricultores possuem acerca de si mesmos
e enquanto membros de uma categoria singular na sociedade.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">A partir do contato com a realidade constatamos o quanto
os agricultores familiares têm clareza da importância de se produzir agroecologicamente,
seja para fornecer ao PNAE ou a outro canal de comercialização. Isto demonstra como
a produção saudável de alimentos está construída nas representações destes agricultores
e se configura com uma opção de vida. O <a href = "/img/revistas/rca/v42n1/v42n1a30q2.jpg" target = "_blank">Quadro 2</a> faz um recorte dos depoimentos
dos agricultores entrevistados que expressam esta questão.</font></p>

    
<p><font face = "Verdana" size = "2">As representações
sociais são produzidas pelas interações e comunicações no interior dos grupos sociais,
refletindo a situação dos indivíduos no que diz respeito aos assuntos que são objeto
do seu cotidiano, como a questão dos alimentos consumidos não somente em seus domicílios,
como no âmbito das cantinas escolares que seus filhos frequentam (Jodelet,1984).</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2">O <a href = "#q3">Quadro 3</a> apresenta as principais referências
associadas à ideia de alimento saudável, segundo nossos entrevistados. Vale destacar
que as representações sociais dos agricultores em relação a um alimento saudável
remetem ao não uso de agrotóxicos, sem qualquer produto que faça mal à saúde dos
consumidores e agricultores e, que, igualmente, também não agridam a natureza. Nestes
termos, segundo a opinião dos entrevistados, estariam garantidas ações que conduzem
à segurança alimentar tanto de quem consome, quanto de quem os produz.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

<a name = "q3"><img src = "/img/revistas/rca/v42n1/v42n1a30q3.jpg"></a>

    
<p>&nbsp;</p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">As representações
expressas nos depoimentos de todos os atores entrevistados, remetem à ideia de que
‘se é bom para “eu” consumir’, ‘é bom para os outros também’. Este sentimento é
resultado da rede de confiança que os agricultores agroecologistas procuram estabelecer
com os consumidores de seus produtos (ver mais em Radomsky, 2006).</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2">Ademais, os depoimentos deflagraram a inquietação
dos entrevistados com o atual quadro de despreocupação com a condição das dietas
alimentares, principalmente das crianças. Os entrevistados asseveram que as crianças
não são completamente conscientes dos alimentos que ingerem e dos possíveis efeitos
que podem acarretar ao seu organismo. O excerto que segue retrata de forma incisiva
essa preocupação.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">[...] Não é raro
a gente ouvir dizer. Ah, tem que comer esses troços aqui com herbicida, com veneno
porque mata os vermes. É, eles sabem que mata os vermes, mas ele pode ser um verme
também, logo ali vai ser ele. Ninguém vai sobrar na vida [...] (Agricultor D, São
Lourenço, 58 anos).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Esta questão reforça as representações sociais
dos agricultores sobre a emergência do incentivo a sistemas de produção que garantam
a segurança alimentar da população, como é o caso do PNAE, que conecta a esfera
da produção à do consumo e ainda serve como instrumento para disseminar o tema da
alimentação saudável.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Para os entrevistados,
os consumidores pouco sabem sobre a procedência dos alimentos e o teor nutricional
dos mesmos, sendo eles muitas vezes enganados na hora de adquirir tais produtos:</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2">É, infelizmente, hoje em dia, 90% do que nós estamos
consumindo não é mais saudável, a maioria vem tudo com defensivos. Dizem defensivos,
mas a maioria é veneno direto. [...] Vai veneno... não dizem que é veneno, é defensivo
(Agricultor H, Cerrito, 68 anos).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">No rol destas discussões aflora outra questão
correspondente a uma falta de despreocupação em relação à qualidade da alimentação.
Conforme pode ser observado na percepção de nossos entrevistados, representações
que culminam na despreocupação com a alimentação se constroem no ambiente doméstico,
com as noções passadas pelos pais, as quais são reforçadas posteriormente pela escola,
ao não abordar adequadamente a educação alimentar. As crianças acabam se acostumando
a fazer refeições apenas com comidas processadas, desconhecem o tempo dos alimentos
– à sazonalidade inerente à produção agrícola – e o verdadeiro sabor que tem um
alimento in natura: o relato de um entrevistado explicita esta visão,</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2">Imagino eu que a maior parte seja assim, na correria
do dia a dia e é ali que muitas vezes entra o problema dos sabores artificiais,
que num primeiro momento ele é bom é prático, é ligeiro de se fazer uma comida,
não é tão ruim assim, mas pra saúde ele é danoso e muito dessa cultura se leva de
casa pra escola (Agricultor E, São Lourenço do Sul, 28 anos).</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = "Verdana" size = "2">Nesta
esfera, fica evidente o quanto se precisa avançar sobre os temas que envolvem segurança
alimentar. As expressões dos entrevistados em torno da produção de alimentos saudáveis
demonstram que o PNAE está para além de uma oportunidade de mercado, mas sim como
uma ponte para interligar a valorização dos produtos locais com a construção da
soberania alimentar.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Quando perguntados
sobre o fato das crianças receberem durante o período escolar uma alimentação diferenciada,
elaborada com produtos da agricultura familiar, os agricultores demonstraram estar
satisfeitos com esta situação, pois de alguma forma está se rompendo com o imperialismo
do consumo de alimentos supérfluos pelas crianças. O <a href = "/img/revistas/rca/v42n1/v42n1a30q4.jpg" target = "_blank">Quadro 4</a> revela parcela importante
das representações dos agricultores entrevistados em relação a este fato.</font></p>

    
<p><font face = "Verdana" size = "2">Outra
importante questão que observamos com este trabalho é que a maneira de produzir
dos agricultores não se modifica em razão de sua produção passar a ser destinada
às crianças nas escolas, pois continua sendo realizada como se fosse para o próprio
consumo. Esta é uma característica comum entre agricultores agroecológicos em razão
da maneira com que trabalham, como enfatizam outros estudos (Lovatto, 2007; Altemburg
<i>et al</i>., 2015).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Detectamos
também que o fato de ter acesso a um mercado seguro os incentiva e estimula a produzir
mais e assim constrói a perspectiva de aumentar suas rendas, garantindo a própria
manutenção familiar e da propriedade, ampliando sua autoestima, além de valorizar
e contribuir para a sua reprodução social.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">O <a href = "/img/revistas/rca/v42n1/v42n1a30q5.jpg" target = "_blank">Quadro 5</a> demonstra como a lógica familiar de organização do trabalho
não muda com o acesso destes agricultores ao programa de alimentação escolar, ao
contrário, só reforça seus sistemas de produção ao passo que significa uma garantia
de acesso seguro aos mercados locais.</font></p>

    
<p><font face = "Verdana" size = "2">Diante do
exposto percebe-se que nossos interlocutores, os agricultores familiares, têm claro
os princípios que regem seu trabalho, bem como, do relevante desempenho que possuem
junto da sociedade no que concerne a garantir a produção de alimentos de forma segura.
Mais expressivo torna-se este papel para eles ao saberem que seus produtos, por
força do PNAE, são entregues nas escolas locais. Neste grupo, as representações
sociais sobre a noção de alimento seguro e qualidade alimentar não sofrem influência
da agricultura moderna, o que estes compreendem é a importância do resgate do conhecimento
dos sistemas produtivos e a utilização de práticas tecnológicas que não agridam
a natureza e o homem, expressando os valores de cada agricultor no que faz.</font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2">Este fato reflete-se diretamente nas iniciativas
em imprimir uma nova dinâmica alimentar na atualidade, principalmente entre as crianças
e jovens em idade escolar. Deste modo, a efetivação de uma política pública específica
que atua simultaneamente no âmbito da produção e do consumo de alimentos saudáveis,
tem-se mostrado capaz de gerar novas expectativas entre os agricultores familiares,
fato constatado com nossos entrevistados. Assim sendo, o novo padrão alimentar almejado
parece-nos em condições de ser efetivamente alcançado à medida que se estreitem
os elos entre os principais atores sociais envolvidos, atuando, sobretudo, na forma
como estes se enxergam perante a sociedade.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>CONCLUSÕES</b></font></p>


    <p><font face = "Verdana" size = "2">Identificamos neste estudo que, para o grupo de
agricultores em questão, as representações sociais sobre alimento saudável estão
associadas aos alimentos produzidos sem o uso de agrotóxicos, que mantêm respeito
aos ciclos da natureza. Deste modo, não há prejuízos ao ambiente e à saúde, tanto
na esfera da produção, quanto do consumo.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Por meio das reflexões propostas neste artigo torna-se evidente que a agricultura
familiar agroecológica possui papel fundamental na concretização de formas sustentáveis
de produção. Este fato é resultado das representações sociais que possuem os agricultores
familiares agroecologistas sobre a importância da qualidade de seu trabalho, do
valor dos alimentos produzidos, do respeito ao ambiente e também do respeito aos
consumidores de seus produtos. Como mostraram os resultados, o que impulsiona este
tipo de produção não é o acesso aos mercados em si, embora sejam essenciais para
a manutenção das famílias agricultoras, mas, sobretudo, o compromisso social que
estes atores assumiram para si.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = "Verdana" size = "2">Evidencia-se
que as reformulações ocorridas no PNAE compactuaram para desencadear a promoção
da segurança alimentar nos municípios estudados, pois estimularam a valorização
da agricultura familiar agroecológica em esfera municipal, dando inclusive maior
visibilidade a este tipo de produção em um coletivo que anteriormente não ‘acessavam’,
não consumiam essa natureza de produtos (agroecológicos), como é precisamente o
caso dos alunos de escolas públicas.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Ainda é preciso avançar na consolidação deste programa dentro das próprias escolas,
pois segundo o que averiguamos, estas representam um dos pontos frágeis desta nova
cadeia agroalimentar. Outrossim, há que se constituir estruturas de governança e
de constituição de autonomia e autogestão que permitam que iniciativas desta natureza
não fiquem à revelia da força pública, ou da vontade política dos governos de todas
as esferas, mas, por outro lado, que passem a compor as estratégias locais de desenvolvimento.</font></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>Referências bibliográficas</b></font></p>


    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Aguilar Criado, E. (2007) - Productos locales,
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    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Altemburg,
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    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Beck, U. (1998) - <i>¿Qué es la globalización? falacias del globalismo,
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    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Becker, C. (2010) - <i>Mercados Institucionais e Agricultura
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    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Kennedy, E. (1996) - Healthy meals, healthy food
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25, n. 1, p. 56-60. <a href = "https://doi.org/10.1006/pmed.1996.0020" target = "_blank">https://doi.org/10.1006/pmed.1996.0020</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=713863&pid=S0871-018X201900010003100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Lovatto, P.B. (2007) - <i>A percepção de agricultores familiares
acerca da preservação e utilização de recursos naturais em propriedades rurais do
município de Santa Cruz do Sul, RS, Brasil</i>. 262 p. Santa Cruz do Sul, Dissertação
de Mestrado, Universidade de Santa Cruz do Sul.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=713864&pid=S0871-018X201900010003100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Maluf, R.S.J. (2009) - <i>Segurança Alimentar e Nutricional: Conceitos
fundamentais</i>. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 174 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=713866&pid=S0871-018X201900010003100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Maluf, R.S.; Menezes, F. &amp; Valente, F.L. (1996) - Contribuição
ao tema Segurança Alimentar no Brasil. <i>Revista Cadernos em Debate</i>, vol. 4,
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    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Morgan, K. &amp; Sonnino,
R. (2008) - <i>The School Food Revolution: Public Food and the Challenge of Sustainable
Development.</i> Routledge. ISBN-10: 9781849710862. 256 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=713870&pid=S0871-018X201900010003100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Otsuki, K. (2011) - Sustainable partnerships for a green
economy: A case study of public procurement for home-grown school feeding. <i>Natural
Resources Forum</i>, vol. 35, n. 3, p. 213-222. <a href = "https://doi.org/10.1111/j.1477-8947.2011.01392.x" target = "_blank">https://doi.org/10.1111/j.1477-8947.2011.01392.x</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=713872&pid=S0871-018X201900010003100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Radomsky, G.F.W. (2006) - As redes sociais da
economia local: um estudo de caso na Serra Gaucha. <i>Perspectiva Econômica</i>,
vol. 2, n. 2, p. 75-107.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=713873&pid=S0871-018X201900010003100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Stefanini,
M.L.R. (1997) - <i>Merenda escolar: história, evolução e contribuição no atendimento
das necessidades nutricionais da criança</i>. 105 f. Tese de Doutorado. São Paulo,
Universidade de São Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=713875&pid=S0871-018X201900010003100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Valente,
F.L.S. (2006) - <i>A evolução, conceito e o quadro da segurança alimentar dos anos
90 no mundo e no Brasil.</i> &lt;<a href = "https://www.sept.pr.gov.br/conselhos/consea/artigos" target = "_blank">www.sept.pr.gov.br/conselhos/consea/artigos</a>&gt;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=713877&pid=S0871-018X201900010003100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>Agradecimentos</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Os autores
agradecem ao CNPq e a CAPES pela concessão da bolsa de doutorado e de Auxílio à
Pesquisa, que possibilitaram a realização do estudo que fundamentou a elaboração
desse artigo.</font></p>

    <p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = "Verdana" size = "2">Recebido/received: 2018.07.23</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Recebido em versão revista/received in revised form: 2018.10.25</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Aceite/accepted: 2018.10.27</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Quando enfatizamos que estes municípios são
representativos estamos nos referindo ao fato de possuírem forte laço com a agricultura
familiar. Canguçu concentra o maior número de estabelecimentos familiares da região.
São Lourenço possui grande percentual dos seus agricultores envolvidos com a produção
agroecológica e Cerrito tem buscado através de iniciativas dos órgãos públicos locais
fomentar o capital social existente entre os agricultores familiares.</font></p>

     ]]></body><back>
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