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<article-id pub-id-type="doi">10.19084/rca.18099</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Características biométricas e fisiológicas de sementes de Echium plantagineumL. em diferentes épocas de colheita]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Biometric characteristics and physiological seeds of Echium plantagineum L. in different times of harvesting]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this work was to evaluate the biometric and physiological characteristics of diaspores (carcerulide: seeded seed fruit) of Echium plantagineum harvested at different times, and the influence of diaspores storage on seed germination and viability. A 5 x 2 factorial was used to evaluate fruit harvesting times (03/Oct, 18/Oct, 01/Nov, 15/Nov and 01/Dec) and dormancy break treatment (presence or absence). The diaspores were submitted to physiological quality evaluation through tests of germination, germination speed index and seed viability after each harvested and after storage for six months, as well as their biometric characterization. The fruits produced at the beginning of the reproductive period present have larger dimensions and larger mass, occurring seeds dormancy before fruit dispersal. There is variation in the germination of E. plantagineum seeds during the fruit harvesting periods, which may be related to genetic and environmental factors. Seed dormancy is broken with storage for six months and immersion in potassium nitrate (0.2%) for 12-h and gibberellic acid (500 mg L-1) for 48-h.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[ácido giberélico]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[diásporo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[flor-roxa]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[viability]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 

    <p align = "right"><font face = "Verdana" size = "2"><b>ARTIGO</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "4"><b>Características
biométricas e fisiológicas de sementes de <i>Echium plantagineum</i>L. em diferentes
épocas de colheita</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>Biometric characteristics and physiological
seeds of <i>Echium plantagineum</i> L. in different times of harvesting</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><b>Rodrigo Roso</b><sup>1,*</sup>, <b>Ubirajara Russi Nunes</b><sup>1</sup>,
<b>Caren Alessandra Müller</b><sup>1</sup>, <b>Juçara Terezinha Paranhos</b><sup>2</sup>, <b>Joner
Silveira Dalcin</b><sup>1</sup>, <b>Tiéle Stuker Fernandes</b><sup>1</sup> e <b>César Tiago Forte</b><sup>1</sup></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><i><sup>1</sup> Departamento de Fitotecnia, Universidade Federal de Santa Maria,
Santa Maria, Brasil</i></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><i><sup>2</sup> Departamento
de Biologia, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, Brasil</i></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><i>(*E-mail: <a href = "mailto:rodrigoroso@yahoo.com.br" target = "_blank">rodrigoroso@yahoo.com.br</a>)</i></font></p>

<hr noshade size = 1>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>RESUMO</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">O objetivo
deste trabalho consistiu em avaliar as características biométricas e fisiológicas
de diásporos (carcerulídeo: fruto concrescido com a semente) de <i>Echium plantagineum</i>
colhidas em diferentes épocas, e a influência do armazenamento dos diásporos na
germinação e viabilidade das sementes. Utilizou-se um fatorial 5 x 2 para avaliar
as épocas de colheita dos frutos (03/out, 18/out, 01/nov, 15/nov e 01/dez) e tratamento
de quebra da dormência (presença ou ausência). Os diásporos foram submetidos a avaliação
da qualidade fisiológica, através de testes de germinação, índice de velocidade
de germinação e viabilidade das sementes após cada colheita e depois do armazenamento
durante seis meses, bem como a caracterização biométrica dos mesmos. Os frutos produzidos
no início do período reprodutivo apresentam maiores dimensões e maior massa, ocorrendo
dormência das sementes antes da dispersão do fruto. Ocorre variação na germinação
das sementes de <i>E. plantagineum</i>no decorrer das épocas de colheita dos frutos,
podendo estar relacionada com fatores genéticos e ambientais. A dormência das sementes
é quebrada com o armazenamento durante seis meses e a imersão em nitrato de potássio
(0,2%) durante 12-h e ácido giberélico (500 mg L<sup>-1</sup>) durante 48-h.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = "Verdana" size = "2"><b>Palavras-chave</b>: ácido giberélico, diásporo, flor-roxa, nitrato
de potássio, viabilidade.</font></p>

<hr noshade size = 1>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>ABSTRACT</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">The objective of this work was to evaluate the biometric
and physiological characteristics of diaspores (carcerulide: seeded seed fruit)
of <i>Echium plantagineum</i> harvested at different times, and the influence of
diaspores storage on seed germination and viability. A 5 x 2 factorial was used
to evaluate fruit harvesting times (03/Oct, 18/Oct, 01/Nov, 15/Nov and 01/Dec) and
dormancy break treatment (presence or absence). The diaspores were submitted to
physiological quality evaluation through tests of germination, germination speed
index and seed viability after each harvested and after storage for six months,
as well as their biometric characterization. The fruits produced at the beginning
of the reproductive period present have larger dimensions and larger mass, occurring
seeds dormancy before fruit dispersal. There is variation in the germination of
<i>E. plantagineum</i> seeds during the fruit harvesting periods, which may be related
to genetic and environmental factors. Seed dormancy is broken with storage for six
months and immersion in potassium nitrate (0.2%) for 12-h and gibberellic acid (500
mg L<sup>-1</sup>) for 48-h.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><b>Keywords</b>: gibberellic acid, diaspores,
purple-flower, potassium nitrate, viability.</font></p>

<hr noshade size = 1>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>INTRODUÇÃO</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">O sucesso
da introdução de espécies caracterizadas como plantas daninhas em novos ambientes
envolve a capacidade de dispersão das sementes a longas distâncias, seguida pela
rápida multiplicação e expansão no território (Mahmood <i>et al</i>., 2016), mantendo
crescimento populacional positivo, adaptando-se às condições de heterogeneidade
ambiental (Araldi <i>et al</i>., 2013). Dentre os fatores que influenciam a sobrevivência
e adaptação às condições adversas destaca-se a eficiência reprodutiva, na qual a
maioria das plantas daninhas presentes nos ambientes agrícolas possui reprodução
sexuada, pela formação e disseminação de sementes (Araldi <i>et al</i>., 2013).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Naquele contexto se insere a espécie <i>Echium
plantagineum</i>L. (syn. <i>Echium lycopsis</i>L.) que pertence à família Boraginaceae,
popularmente conhecida como flor&#8209;roxa, soagem, chupa-mel, língua-de-vaca ou
soagem-viperina. É uma espécie herbácea, anual ou vivaz (hemicriptófito), nativa
da região do Mediterrâneo, considerada uma planta daninha importante na Austrália,
África do Sul, Canadá e na América do Sul (Weston <i>et al</i>., 2012), Portugal
(Vasconcelos <i>et al.,</i> 2004), estando presente na Região Sul do Brasil, causando
prejuízos em culturas agrícolas e pastagens, nestas devido à sua toxicidade para
os animais resultante da presença de alcalóides pirrolizidinas (equimina, equimidina)
(Vasconcelos <i>et al.,</i> 2004). Devido ao rápido crescimento, adaptação às variações
de temperatura e fotoperíodo, alta capacidade de competição, sistema radicular agressivo
e profundo com rápido crescimento, elevada produção de área foliar e sementes, dormência
e vários fluxos de emergência durante o ano, é considerada uma planta daninha problemática
(Piggin, 1976; Forcella <i>et al</i>., 1986; Konarzewski <i>et al</i>., 2012).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><i>Echium plantagineum</i>possui inflorescências
escorpioides, apresentando flores com ovário súpero, bicarpelar, gamocarpelar e
tetralocular (formação de uma parede secundária no ovário), com um óvulo por lóculo
e gineceu ginobásico, que na maturação do fruto, se separam ficando unidos pela
base do estilete (Souza e Lorenzi, 2012). Este tipo de gineceu forma frutos denominados
carcerulídeos (fruto seco indeiscente e unisseminado), cuja semente permanece unida
ao fruto (mericarpo), sendo a unidade de disseminação e propagação (Moreira e Bragança,
2010). Na inflorescência, a maturação dos frutos assim como a dispersão, ocorre
de forma irregular, da base para o ápice, possuindo a presença de frutos maduros
e flores na mesma inflorescência.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">A produção de semente em <i>E. plantagineum</i>pode-se estender por um período
considerável, por apresentar floração indeterminada, ocorrendo exposição a variações
ambientais durante o estádio reprodutivo, como disponibilidade hídrica, temperatura,
fotoperíodo e nutrientes (Piggin, 1976). Nessa espécie, e na maioria das plantas
daninhas, as primeiras flores emitidas produzem sementes o mais rápido possível
sendo dispersas mais cedo (Konarzewski <i>et al.,</i> 2012; Taghizadeh <i>et al</i>.,
2012). O tempo de desenvolvimento das sementes e as condições ambientais durante
a maturação na planta-mãe podem influenciar nos atributos físicos e fisiológicos
da semente, como tamanho, grau de dormência e quantidade de reservas, afetando a
velocidade de germinação e o sucesso da próxima geração (El-Keblawy e Al-Rawai,
2006). Dessa forma, uma mesma planta pode produzir sementes com diferentes tamanhos,
massa e grau de dormência no mesmo ciclo produtivo ou inflorescência.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">O tamanho das sementes está relacionado com
a profundidade à qual são capazes de germinar e emergir (Araldi <i>et al</i>., 2013).
De forma geral, sementes maiores possuem capacidade de emergir em maiores profundidades,
ao contrário de sementes pequenas que apresentam menor quantidade de reservas, e
a emergência restringe-se aos primeiros milímetros de solo. Nalgumas Brassicaceae
ocorre algo semelhante, por exemplo em <i>Raphanus raphanistrum</i>L. (Taghizadeh
<i>et al</i>., 2012).</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = "Verdana" size = "2">Nas plantas
daninhas, a dormência das sementes pode apresentar diferentes períodos, tendo como
causa diferentes mecanismos, que variam de acordo com a espécie e depende de estímulos
ambientais durante o processo de maturação das sementes, assim como aqueles predominantes
após a libertação da planta mãe (Vivian <i>et al</i>., 2008; Ali <i>et al.,</i>
2012). Existem dois tipos de dormência, a primária que é característica de uma semente
madura, que possui tegumento permeável à água, sendo induzida pelo ácido abscísico
(ABA) durante a fase de maturação enquanto ainda está presente na planta mãe, e
que permanece após a dispersão (Finch-Savage e Leubner-Metzger, 2006). E a secundária
que é imposta pelo tegumento impermeável, ou quando as condições ambientais não
são favoráveis para a germinação (Salvador <i>et al</i>., 2007). Na dormência primária
a planta libera as sementes já dormentes ao solo. Nesse caso, envolve o balanço
entre substâncias inibidoras e promotoras de germinação, como as hormonas ABA e
ácido giberélico (GA) (Bewley e Black, 1994). Para a quebra da dormência vários
métodos podem ser utilizados, entre os quais se destaca o tratamento das sementes
com compostos azotados (KNO<sub>3</sub>), hormonas (ácido giberélico), presença
ou ausência de luz e temperatura (Salvador <i>et al.,</i> 2007), e a duração e condições
de armazenamento das sementes, que podem atuar eliminando substâncias inibidoras
da germinação presente nas sementes (Pereira <i>et al.,</i>2011).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">O conhecimento de formas de sobrevivência
e adaptação das plantas daninhas a novos ambientes é importante para o estabelecimento
de estratégias de gestão eficientes. Características como massa, dimensões das sementes
e variações do grau de dormência, estão relacionadas com o sucesso reprodutivo,
viabilidade e persistência da espécie num sistema agrícola (Konarzewski <i>et al</i>.,
2012). Face ao exposto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar as características
biométricas e fisiológicas de frutos de <i>E. plantagineum</i>colhidos em diferentes
épocas, e a influência do período de armazenamento na germinação e viabilidade das
sementes.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>MATERIAL E MÉTODOS</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Os frutos de <i>E. plantagineum</i> foram colhidos manualmente,
nos meses de outubro a dezembro de 2015, numa parcela agrícola localizada no município
de Restinga Seca, RS (29° 51' 29&quot; S e 53° 31' 41&quot; O e altitude 72 m),
com histórico de infestação por essa planta daninha (± 20 plantas m<sup>-2</sup>).
A área da colheita caracteriza-se pelo cultivo de soja (<i>Glycine max</i> (L.)
Merrill) no verão e azevém (<i>Lolium multiflorum</i>L.) no inverno.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Os dados de temperaturas mínimas e máximas
do ar foram registados na estação meteorológica automática, e os dados de precipitação
foram medidos no local do ensaio (<a href = "#f1">Figura 1</a>).</font></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><a name = "f1"><img src = "/img/revistas/rca/v42n4/v42n4a17f1.jpg"></a></p>

    
<p>&nbsp;</p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Foram realizadas cinco colheitas de frutos, que se iniciaram 15 dias
após o início da antese (DAIA), ou seja, quando mais de 50% das plantas se apresentavam
nesse estádio. As colheitas foram realizadas em 03/outubro, 18/outubro, 01/novembro,
15/novembro e 01/dezembro de 2015. Em cada data, colheram-se em plantas previamente
marcadas, apenas os frutos que apresentavam coloração escura e se desprendiam facilmente
da planta mãe, possuindo aparentemente maturidade fisiológica. Os mesmos passaram
por um processo de limpeza manual, secos à sombra durante cinco dias e armazenados
em sacos de papel Kraft em condição de laboratório (± 25 °C), até a realização dos
ensaios.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Após cada colheita,
os frutos passaram pela caracterização biométrica, sendo avaliado o comprimento,
a largura e a espessura, com auxílio de um paquímetro digital, em quatro repetições
de 20 diásporos por época de colheita. Determinou-se também o grau de umidade e
a massa de mil sementes conforme as Regras para Análise de Sementes (Brasil, 2009).</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = "Verdana" size = "2">Para avaliar a qualidade fisiológica inicial,
um lote de frutos foi de imediato submetido a testes de germinação das sementes
após cada colheita, e outro lote foi armazenado durante seis meses, para estudos
da quebra da dormência das sementes. Os ensaios foram organizados de forma fatorial
5 x 2, no qual o primeiro fator corresponde às épocas de colheita dos frutos, e
o segundo à realização ou não da quebra da dormência das sementes. Para isto, os
diásporos (carcerulídeo: fruto concrescido com a semente) foram imersos numa solução
de nitrato de potássio (0,2%) por 12-h, lavados em água corrente por 10 min, e submetidos
a imersão em solução de ácido giberélico (500 mg L<sup>-1</sup>) por mais 48-h,
sendo lavados novamente (Roso <i>et al.,</i> 2017).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Utilizou-se, para todos os ensaios de laboratório, o delineamento
experimental inteiramente casualizado (DIC), com quatro repetições de 50 diásporos.
Os ensaios foram realizados em câmara de germinação do tipo <i>Biochemical Oxigen
Demand</i> (B.O.D.) com fotoperíodo de 24-h e temperatura de 20 °C (Roso <i>et al.,</i>
2017). Os testes foram conduzidos em caixa de acrílico transparente do tipo gerbox
(11,0 x 11,0 x 3,5 cm), sob três folhas de papel germiteste umedecidas com água
destilada em quantidade equivalente a 2,5 x a massa do papel seco (Brasil, 2009).
A umidade do substrato foi monitorada diariamente, visando mantê-la adequada para
a germinação.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">As variáveis analisadas
foram germinação aos sete e 14 DAS (dias após a sementeira) e índice de velocidade
de germinação (IVG) durante 14 dias, considerando germinada quando ocorresse a protusão
da raiz primária (&#8805; 2 mm) conforme Bewley e Black (1994). A porcentagem de
germinação foi calculada pala equação G (%) = (N/A) x 100, onde, N = número de sementes
germinadas e A = número total de sementes postas para germinar. Já o IVG foi calculado
pela equação IVG = ((G1/N1) + (G2/N2) + (Gn/Nn)), onde, G = número de sementes germinadas
em cada contagem e N= número de dias da sementeira a cada contagem (Maguire, 1962).
Também foi avaliado o comprimento da raiz primária, parte aérea, total e massa seca
das plântulas aos 14 (DAS) de acordo com Nakagawa (1999).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">No final dos ensaios foi avaliada a viabilidade das
sementes que não germinaram através do teste de tetrazólio. Para isso, os diásporos
foram seccionados de forma longitudinal ao embrião e colocados em solução aquosa
de 2,3,5 trifenil cloreto de tetrazólio (0,1%) a 35 °C, por quatro horas, no escuro
(Brasil, 2009). Após o tratamento, foram lavados em água, e as sementes identificadas
como dormentes ou mortas pela interpretação da coloração rósea homogénea do endosperma.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Os dados foram submetidos à análise de variância
pelo teste F (p&lt;0,05) através do programa SISVAR (Ferreira, 2011). Os fatores
foram comparados pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. Para as variáveis
em porcentagem, os dados foram transformados por arco-seno &#8730;%/100.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>RESULTADOS E DISCUSSÃO</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Houve diferenças significativas (p&lt;0,05) para as características
biométricas dos frutos e massa de mil sementes de <i>E. plantagineum</i>, os quais
foram influenciados pelas épocas de colheita. Observou-se, de maneira geral, que
as variáveis comprimento, largura, espessura, e massa de mil sementes apresentaram
decréscimo nos valores no decorrer das épocas de colheita dos frutos. Na primeira
colheita, realizada em 03 de outubro, os parâmetros comprimento, largura e massa
de mil diásporos, apresentaram valores significativamente superiores aos das outras
épocas de colheita. Já a espessura de frutos foi significativamente superior na
segunda época de colheita, 18 de outubro, com 1,53 mm. Na última colheita (01 de
dezembro) observaram-se os menores parâmetros de comprimento, largura e espessura,
e massa de mil diásporos (<a href = "/img/revistas/rca/v42n4/v42n4a17q1.jpg" target = "_blank">Quadro 1</a>). Isso pode ter ocorrido pelo fato desta espécie
possuir floração indeterminada, de rácemos escorpioides, ocorrendo sequencialmente
a formação, maturação e dispersão dos frutos da base em direção ao ápice do rácemo,
durando esse processo aproximadamente 15 dias para cada fruto. De acordo com Taghizadeh
<i>et al.</i> (2012), neste tipo de desenvolvimento e crescimento vegetal pode ocorrer
maior direcionamento dos fotoassimilados produzidos para os primeiros frutos formados,
havendo competição pelos recursos dentro do rácemo, apresentando o crescimento dos
frutos restringido em direção ao ápice. A variação nas dimensões dos frutos e/ou
sementes em cada espécie representa uma estratégia de adaptação às necessidades
exigidas para a dispersão e emergência das plântulas, justificando o polimorfismo
da dimensão das sementes, privilegiando na estratégia de maior sucesso as dimensões
em vez da quantidade das mesmas (Araldi e<i>t al.</i>, 2013). Resultados obtidos
por Konarzewski <i>et al.</i> (2012) avaliando populações de <i>E. plantagineum
</i>em diferentes regiões da Austrália, indicam que em ambientes frios e úmidos
ocorre a produção de frutos menores, quando comparado a ambientes quentes e secos,
ocorrendo atuação do ambiente árido sobre a pressão de seleção de populações com
sementes maiores como forma de adaptação. Neste trabalho verificou-se aumento de
aproximadamente 5 °C na temperatura média entre a primeira (03 de outubro) e a última
colheita (01 de dezembro), e decréscimo na precipitação (<a href = "#f1">Figura 1</a>), podendo estes
fatores climáticos ter influenciado na variação das dimensões e massa dos frutos
ao longo das épocas de colheita.</font></p>

    
<p><font face = "Verdana" size = "2">Os resultados de germinação aos sete a 14 DAS, índice de velocidade de
germinação, comprimento de parte aérea, raiz, comprimento total de plântulas, massa
seca e sementes dormentes realizados após as colheitas dos frutos estão apresentados
nos <a href = "/img/revistas/rca/v42n4/v42n4a17q2.jpg" target = "_blank">Quadros 2</a> e <a href = "#q3">3</a>. De maneira geral houve diferenças significativas (p &lt; 0,05)
para todas as variáveis em função das épocas de colheita dos frutos, com exceção
no comprimento da parte aérea e sementes dormentes, as quais não apresentaram diferenças
significativas. Em todas as colheitas, as sementes que não foram submetidas a quebra
da dormência não apresentaram germinação. Nos tratamentos em que foi efetuada quebra
de dormência, observou-se que a colheita realizada no dia 18 de outubro se destacou
na germinação aos sete DAS, com 15%. Para as variáveis IVG e germinação aos 14 DAS
as colheitas de 03 e 18 de outubro e 15 de novembro apresentaram as maiores características,
com IVG de 1,7, 1,9 e 1,6 e germinação de 25, 24 e 25%, respectivamente (Quadro
2). O comprimento de raiz (RA) e comprimento total de plântulas (CT) nas colheitas
de 03 e 18 de outubro mostraram os maiores valores, com 2,3 e 1,9 cm para RA e 5,0
e 5,3 cm para CT, respectivamente. Já para massa seca, a colheita de 01 de dezembro
mostrou-se inferior, diferindo significativamente das outras colheitas.</font></p>

    
<p>&nbsp;</p>

    <p><a name = "q3"><img src = "/img/revistas/rca/v42n4/v42n4a17q3.jpg"></a></p>

    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Ao avaliar a viabilidade das sementes pelo teste de tetrazólio, não se
observaram diferenças significativas entre as colheitas. No entanto, quando as sementes
não foram submetidas a quebra da dormência obtiveram-se maiores porcentuais de sementes
dormentes viáveis, quando comparado as com as sementes submetidas a quebra de dormência.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Esses resultados evidenciam que as sementes
de <i>E. plantagineum</i>apresentam dormência, com diferentes intensidades, dependendo
da época em que são formadas, com germinação variando entre 13 e 25%. Mesmo após
a quebra da dormência ocorreu baixa germinação e alta porcentagem de sementes dormentes
viáveis, em todas as épocas de colheita. A variação da germinação entre as épocas
de colheita dos frutos está relacionada com a intensidade da dormência, na qual
pode ter sido induzida por fatores ambientais, como umidade e temperatura, durante
o desenvolvimento das sementes (Wu e Owen, 2015).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Resultados semelhantes foram relatados por El-Keblawy e Al-Rawai
(2006) ao trabalhar com <i>Prosopis juliflora</i>(Sw.) DC. (Fabaceaea), os quais
encontraram variação da germinação em função de diferentes datas de colheita, atribuindo
aos fatores ambientais durante a formação das sementes e aos recursos disponibilizados
pela planta mãe, no qual sementes formadas no início do período reprodutivo tem
maior disponibilidade de recursos, podendo apresentar menor intensidade de dormência.
O mesmo tipo de comportamento foi observado em espécies como <i>Lamium amplexicaule</i>
L. (Lamiaceae), <i>Stellaria media</i>(L.) Vill. (Caryophyllaceae), <i>Capsella
bursa-pastoris</i> (L.) Medik. (Brassicaceae), <i>Thlaspi arvense</i> L. (Brassicaceae)
(Hill <i>et al</i>., 2014) e <i>Amaranthus tuberculatus</i>(Moq.) Sauer. (Amaranthaceae)
(Wu e Owen, 2015) também apresentaram diferentes intensidades de dormência em função
do período e das condições ambientais durante a formação e maturação das sementes.
A diferença na intensidade da dormência em função do período em que são produzidas
caracteriza uma estratégia evolutiva das plantas daninhas, distribuindo a germinação
ao longo do tempo, visando maximizar a probabilidade de sobrevivência das plântulas
(Menezes <i>et al.,</i>2013).</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Após
o armazenamento durante seis meses as sementes foram submetidas novamente a avaliação
da qualidade fisiológica, no qual a análise da variância, através do teste F, revelou
que houve efeito significativo dos fatores épocas de colheita e quebra da dormência,
e da interação entre eles para todas as variáveis (p&lt; 0,05). Verificou-se que
os diásporas colhidos a 18 de outubro e 01 de dezembro apresentaram valores significativamente
superior aos das outras datas para as variáveis germinação aos sete e 14 DAS e IVG,
independente de tratamento para quebra da dormência (<a href = "/img/revistas/rca/v42n4/v42n4a17q4.jpg" target = "_blank">Quadro 4</a>).</font></p>

    
<p><font face = "Verdana" size = "2">No entanto, observou-se que as sementes submetidas
à quebra da dormência apresentaram os maiores valores das variáveis estudadas em
todas as épocas de colheita, quando comparado às sementes sem tratamento para quebra
da dormência. Nas colheitas de 18 de outubro e 1 de dezembro, as sementes apresentaram
88 e 94% de germinação aos 14 DAS quando submetidas ao tratamento de quebra da dormência
e 45 e 41% sem tratamento, respectivamente. Nessas mesmas épocas de colheita observaram-se
maiores valores de germinação aos sete DAS, com 86 e 94% para sementes que passaram
por tratamento de quebra e 42 e 40% sem tratamento, respectivamente. Para IVG verificaram-se
valores de 16,3 e 16,8 com tratamento de quebra da dormência e 10,1 e 10,4 sem tratamento,
respectivamente. Os resultados de sementes dormentes viáveis indicam que nas colheitas
de 15 de outubro e 1 de dezembro houve menor porcentagem destas após a quebra da
dormência, com 8 e 3%, respectivamente. No entanto, quando não foi realizado o tratamento
de quebra da dormência os valorem ficaram próximos a 40% (<a href = "/img/revistas/rca/v42n4/v42n4a17q4.jpg" target = "_blank">Quadro 4</a>).</font></p>

    
<p><font face = "Verdana" size = "2">Esses resultados evidenciam que o armazenamento
juntamente com a imersão das sementes em nitrato de potássio e ácido giberélico
foram eficientes na quebra da dormência, ocorrendo variação entre as épocas de colheita
que pode estar relacionada à intensidade da dormência.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Os resultados do <a href = "/img/revistas/rca/v42n4/v42n4a17q5.jpg" target = "_blank">Quadro 5</a> para comprimento da parte aérea,
raiz, comprimento total e massa seca de plântulas após seis meses de armazenamento
dos frutos apresentaram maior variabilidade entre as épocas de colheita e a quebra
da dormência. Isso pode ter ocorrido por se tratar de uma planta daninha que apresenta
diferentes intensidades de dormência em função do período em que são formadas.</font></p>

    
<p><font face = "Verdana" size = "2">Os resultados desse trabalho corroboram com
os encontrados por Piggin (1976), que ao trabalhar com sementes de <i>E. plantagineum</i>,
verificou que sementes recém colhidas apresentavam dormência, sendo esta quebrada
após permanecer um período armazenada em condição de laboratório ou enterradas no
solo. Várias outras espécies de plantas daninhas possuem quebra de dormência com
o armazenamento, como por exemplo<i> A. tuberculatus</i> no qual foram atribuídas
as causas da dormência a fatores genéticos e ambientais durante a formação das sementes
(Wu e Owen, 2015). De acordo com alguns autores, (El-Keblawy e Al-Rawai, 2006; Vivian
<i>et al</i>., 2008), durante o armazenamento ocorrem alterações físicas e químicas
nas sementes, que alteram a permeabilidade do tegumento, o equilíbrio entre substâncias
promotoras e inibidoras da germinação e proporciona maturação fisiológica do embrião.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">Em síntese, ficou evidente que
as plantas de <i>E. plantagineum</i>produzem frutos com diferentes tamanhos, massa
e intensidade de dormência das sementes ao longo do período de produção e maturação,
como estratégia de adaptação e sobrevivência ao ambiente, possibilitando a formação
de um banco de semente no solo e a distribuição da germinação ao longo do ano.</font></p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face = "Verdana" size = "3"><b>CONCLUSÕES</b></font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2"><i>Echium
plantagineum</i> produziu frutos com maior tamanho e massa no início do período
reprodutivo, ocorrendo dormência das sementes quando os frutos ainda estão ligados
à planta mãe.</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">As sementes de
<i>E. plantagineum</i> apresentaram variações de germinação em função das épocas
de colheita dos frutos, podendo estar relacionada a fatores genéticos e ambientais.
</font></p>

    <p><font face = "Verdana" size = "2">O armazenamento dos frutos durante
seis meses e a imersão em nitrato de potássio e ácido giberélico foram eficientes
na quebra da dormência e promoção da germinação das sementes de <i>E. plantagineum</i>.</font></p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><font face = "Verdana" size = "3"><b>Referências Bibliográficas</b></font></p>

    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Ali, H. H.; Tanveer, A. & Nadeem M.A. (2012) - Evolution
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    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Araldi, R.; Velini, E.D.; Gomes, G.L.G.C.;
Carbonari, C.A.; Alves, E. & Trindade, M.L.B. (2013) - Variação do tamanho de
sementes de plantas daninhas e sua influência nos padrões de emergência das plântulas.
<i>Planta Daninha</i>, vol. 31, n. 1, p. 117-126. <a href = "http://dx.doi.org/10.1590/S0100-83582013000100013" target = "blank">http://dx.doi.org/10.1590/S0100-83582013000100013</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=707683&pid=S0871-018X201900040001700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Bewley, J.D. & Black, M.
(1994) - <i>Seeds: physiology of development and germination.</i>2ª ed. New York:
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    <p><font face = "Verdana" size = "2">Brasil (2009)
<i>- Regras para análise de sementes.</i>Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Brasília: MAPA/ACS, 395p.</font></p>

    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">El-Keblawy, A. & Al-Rawai, A. (2006) -
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analysis system. <i>Ciência e Agrotecnologia</i>, vol. 35, n. 6, p. 1039-1042.
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    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Moreira,
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    <!-- ref --><p><font face = "Verdana" size = "2">Pereira, W.V.S.; Vieira,
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