<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0871-3413</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Arquivos de Medicina]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Arq Med]]></abbrev-journal-title>
<issn>0871-3413</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[ArquiMed - Edições Científicas AEFMUP ]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0871-34132008000200001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ricardo Jorge Saúde Pública]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barros]]></surname>
<given-names><![CDATA[Henrique]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Medicina Serviço de Higiene e Epidemiologia]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2008</year>
</pub-date>
<volume>22</volume>
<numero>2-3</numero>
<fpage>39</fpage>
<lpage>39</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0871-34132008000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0871-34132008000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0871-34132008000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <P   align="justify" ><B>Ricardo Jorge </b></P >     <p   align="justify" ><b>Sa&uacute;de P&uacute;blica</b></p>     <p   align="justify" >&nbsp;</p>         <P   align="justify" >Henrique Barros </P >     <P   align="justify" ><I>Servi&ccedil;o de Higiene e Epidemiologia, Faculdade de Medicina da Universidade    do Porto </I></P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" >Ricardo Jorge, merece ser visitado como um marco e enquanto personagem em si.    Merece at&eacute; a repara&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica,    pois viveu essa forma poeticamente glosada de esta p&aacute;tria &#64258;agelar    os melhores - e, como sempre, &agrave; sombra p&oacute;stuma do seu brilho deixar    larvar muitos med&iacute;ocres. Mas, muito mais que isso, os 150 anos que simbolicamente    no seu nascimento se iniciam transportam as mudan&ccedil;as essenciais nos paradigmas    da sa&uacute;de, do ensino das pro&#64257;ss&otilde;es que &agrave; sa&uacute;de    respeitam e nos caminhos da investiga&ccedil;&atilde;o, que levaram a uma radical    mudan&ccedil;a na nossa forma de viver, de querer viver e de pensar a vida.  </P >     <P   align="justify" >A sa&uacute;de, vista sobretudo como a aus&ecirc;ncia de doen&ccedil;a, passou a ser percebida como o resultado de interac&ccedil;&otilde;es subtis entre hospedeiros que se acreditavam centrais - as pessoas - e agentes microbianos que invadiam fortalezas para as quais n&atilde;o se conheciam as estrat&eacute;gias de protec&ccedil;&atilde;o. Depois, foi a invas&atilde;o dos estilos de vida, a subtileza da passagem das vingan&ccedil;as divinas - as doen&ccedil;as como castigo por escolhas desconhecidas - para as &#64258;agela&ccedil;&otilde;es pessoais - porque escolhi um trabalho, uma alimenta&ccedil;&atilde;o, um parceiro(a) - agora posso morrer. Ah! E inventadas que foram as protec&ccedil;&otilde;es sociais perante a doen&ccedil;a - a&#64257;nal eram des&iacute;gnios de Deus - podem agora arder as ajudas no altar das v&iacute;timas culpadas das suas escolhas evit&aacute;veis: e j&aacute; n&atilde;o temos que pagar! </P >     <P   align="justify" >A sa&uacute;de p&uacute;blica - conceito de subtis resson&acirc;ncias - foi tamb&eacute;m    mudando radicalmente neste s&eacute;culo e meio. No limite, ao propor-nos vis&otilde;es    para o mundo em que desejamos viver e ao organizar respostas para os desa&#64257;os    que o desenho desse mundo sempre apresenta, a sa&uacute;de p&uacute;blica nunca    deixou de estar presente, desde que as pessoas se encontraram e organizaram    socialmente. Mas no tempo que nos interessa, viveu muito da passagem de um lugar    de autoridade (que por vezes teima em n&atilde;o ser ultrapassado) para um lugar    de g&eacute;nio e intelig&ecirc;ncia: o exerc&iacute;cio dif&iacute;cil de harmonizar    interesses e saberes e, ainda por cima, faz&ecirc;-lo de forma quanti&#64257;cada    e com mecanismos de avalia&ccedil;&atilde;o. At&eacute; para resultados que    nos invadem, como as mortes evit&aacute;veis ou as condi&ccedil;&otilde;es reconhecidamente    insalubres -f&iacute;sicas, intelectuais, econ&oacute;micas e sociais - em que    nos vemos obrigados a viver! Por isso, a ci&ecirc;ncia, com os seus instrumentos,    tomou o lugar da pol&iacute;cia sanit&aacute;ria (ainda que ela - a ci&ecirc;ncia    - continue por vezes a ser usada com a ligeireza do bast&atilde;o!) e a aventura    de se pertencer ao mundo da sa&uacute;de p&uacute;blica tornou-se muito mais    atraente e parte natural de um desa&#64257;o com o recato, a liberdade e o risco    do mundo universit&aacute;rio. </P >     <P   align="justify" >Mas o desa&#64257;o verdadeiro destes 150 anos cuja visita agora se inicia - porque foi imaginada como um envolver que culmina no dia da exposi&ccedil;&atilde;o a apresentar quando estiver habit&aacute;vel e habitada a casa do Instituto de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade do Porto - ser&aacute; compreender porque mudou tanto, mas s&oacute; na apar&ecirc;ncia, a nossa capacidade de conhecer e mudar o mundo na perspectiva que a sa&uacute;de p&uacute;blica nos prop&otilde;e: enquanto aventura social. A&#64257;nal somos visitados pelas mesmas doen&ccedil;as, mais graves at&eacute; na subtileza da fuga selectiva, conhecemo-las melhor mas isso resulta apenas numa &aacute;rea maior de desconhecimento que a cada peda&ccedil;o de sombra conquistado se segue maior e maior, na sua noite a visitar. E a nossa fun&ccedil;&atilde;o, sobretudo de cientistas, &eacute; promover excurs&otilde;es a essa noite desa&#64257;ante. E faz&ecirc;-lo bem, cada vez melhor! Inventamos a precau&ccedil;&atilde;o mas n&atilde;o descobrimos novos mundos, vamos mais depressa mas pelos mesmos caminhos, deslumbramo-nos ciclicamente com descobertas que a&#64257;nal devanecem fora da escala do laborat&oacute;rio. Os micr&oacute;bios perderam para a caixa negra do ambiente, o ambiente para a caixa colorida dos genes, no impasse vem a escolha pelas interac&ccedil;&otilde;es salvadoras e agora vamos descascando o conhecimento como uma cebola em busca do centro. Ganhamos anos de vida, muitos, mas n&atilde;o soubemos reparti-los. Verdadeiramente, estamos quase s&oacute; perigosamente mais perto uns dos outros, mais parecidos e portanto menos livres e ainda n&atilde;o percebemos se era esse o nosso destino. Primeira etapa: conhecer como aqui chegamos para pensar como sa&iacute;mos. E, claro est&aacute;, faz&ecirc;-lo como se deve: com trabalho criativo, competindo e cooperando. Mas diga-se, tamb&eacute;m porque chega de quixotismo, com os meios a que temos objectivamente direito e por isso j&aacute; cansa de pedir. Envergonha, at&eacute;. Mais 150 anos vir&atilde;o. Acreditamos que sim: para isso a sa&uacute;de p&uacute;blica contribuir&aacute;. E n&atilde;o esque&ccedil;am que algu&eacute;m se ir&aacute; lembrar disso. Em 150 anos! </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="right" >&nbsp;</P >     <P   align="right" >Porto, 7 de Maio de 2008 </P >      ]]></body>
</article>
