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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Síndrome de Choque Tóxico Esta&#64257;locócico]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Staphylococcal Toxic Shock Syndrome]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa Serviço de Medicina ]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0871-34132009000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0871-34132009000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0871-34132009000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Os autores apresentam um caso clínico de Síndrome de Choque Tóxico Esta&#64257;locócico (SCTE) num puerpério cirúrgico de gravidez gemelar, com realce das particularidades clínicas e terapêuticas, tecendo algumas considerações teóricas actuais sobre este tema.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The authors present a clinical case of Staphylococcal toxic-shock syndrome in a surgical postpartum twin pregnancy and review the most up to date literature of such matter.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p></B><B>S&iacute;ndrome de Choque T&oacute;xico Esta&#64257;loc&oacute;cico</B>  </P >     <p>Carla Pina*, Isabela Carvalho&dagger;, Marc&iacute;lia Teixeira*, Gra&ccedil;a Rodrigues* </P >     <p><I>Servi&ccedil;os de *Ginecologia e Obstetr&iacute;cia e &dagger;Medicina, Centro    Hospitalar do T&acirc;mega e Sousa, Pena&#64257;el </I></P >     <p>&nbsp;</P >     <P   >Os autores apresentam um caso cl&iacute;nico de S&iacute;ndrome de Choque T&oacute;xico    Esta&#64257;loc&oacute;cico (SCTE) num puerp&eacute;rio cir&uacute;r</B>gico    de gravidez gemelar, com realce das particularidades cl&iacute;nicas e terap&ecirc;uticas,    tecendo algumas considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas actuais sobre este    tema. </P >     <P   ><B>Palavras-chave: </B>s&iacute;ndrome de choque t&oacute;xico; <I>Staphylococcus    aureus</I>. </P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   ><b>Staphylococcal Toxic Shock Syndrome</b></P >        <P   >The authors present a clinical case of Staphylococcal toxic-shock syndrome in      a surgical postpartum twin pregnancy and review the most up to date literature      of such matter. </P >       <P   ><B>Key-words: </B>toxic-shock syndrome; <I>Staphylococcus aureus</I><I>. </I></P >        ]]></body>
<body><![CDATA[<p   >&nbsp;     <p><B>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </B></p>     <p>O S&iacute;ndrome de Choque T&oacute;xico Esta&#64257;loc&oacute;cico (SCTE)    foi descrito pela primeira vez em 1978 (<a href="#1">1</a>) <a name="top1"></a>associado    a casos menstruais, isto &eacute;, secund&aacute;rio ao uso de tamp&otilde;es    altamente absorventes. </P >     <p>O SCTE &eacute; provocado essencialmente pela toxina-1 do S&iacute;ndrome de    Choque T&oacute;xico sendo produzida por 90100% das estirpes de <I>Staphylococcus    aureus </I>associados aos casos menstruais e por mais de metade das estirpes    respons&aacute;veis pelos casos n&atilde;o-menstruais<a name="top2"></a> (<a href="#2">2</a>,<a href="#3">3</a>).    <a name="top3"></a> </P >     <p>O <I>S. aureus </I>&eacute; um coco aer&oacute;bico, Gram-positivo, respons&aacute;vel    por v&aacute;rias infec&ccedil;&otilde;es, variando em gravidade desde foliculites    e abcessos cut&acirc;neos at&eacute; endocardite e bacteri&eacute;mia. O <I>S.    aureus </I>coloniza a pele e as mucosas de 30 a 50% de adultos e crian&ccedil;as    saud&aacute;veis (<a href="#4">4</a>). <a name="top4"></a></P >     <p>Para o diagn&oacute;stico desta rara entidade cl&iacute;nica, devemonos basear    nos crit&eacute;rios revistos em 1997 pelo <I>Centers for Disease and Prevention    </I>(CDC), que ainda se mant&ecirc;m actuais (Tabela1) (<a href="#5">5</a>).    <a name="top5"></a> </P >     <p>Aproximadamente metade dos casos de SCTE s&atilde;o n&atilde;o-menstruais,    ocorrendo em v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas, nomeadamente    em infec&ccedil;&otilde;es puerperais da ferida operat&oacute;ria, mastite,    septorinoplastia, sinusite, osteomielite, artrite, queimaduras, les&otilde;es    cut&acirc;neas, infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias por in&#64258;uenza    e enterocolite<a name="top6"></a> (<a href="#6">6</a>); entre todos estes casos,    93% envolvem mulheres. </P >        <p>A taxa de mortalidade do SCTE &eacute; de 5% (<a href="#7">7</a>)<a name="top7">.</a></P >     <p>&nbsp;</P >        <p><B>CASO CL&Iacute;NICO</B> </P >        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Doente de 30 anos, caucasiana, casada e natural de Paredes. Gesta 2 Para 3    (1&ordm; parto eut&oacute;cico; 2&ordm; parto dist&oacute;cico por cesariana    por gemelar e 1&ordm; feto em apresenta&ccedil;&atilde;o de pelve). </P >     <p>Antecedentes ginecol&oacute;gicos: menarca &ndash; 12 anos, interl&uacute;neos    regulares (28/28 dias); catam&eacute;nios &ndash; 5 dias. Coitarca &ndash; 20    anos. </p>     <p>Antecedentes pessoais e familiares irrelevantes. </P >    <p>Foi internada &agrave;s 38 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o, na v&eacute;spera da cirurgia, tendo a mesma ocorrido sem intercorr&ecirc;ncias. Teve alta ao 3&ordm; dia de puerp&eacute;rio, clinicamente bem. </P >    <p>Ao 6&ordm; dia de puerp&eacute;rio iniciou febre (Ta - 39&ordm;C), rash macular pruriginoso generalizado, astenia e mau-estar geral, com 3 dias de evolu&ccedil;&atilde;o, sintomatologia esta acrescida de dispneia, n&aacute;useas e dor abdominal no 3&ordm; dia, pelo que recorreu ao Servi&ccedil;o de Urg&ecirc;ncia (SU) do Centro Hospitalar T&acirc;mega e Sousa. </P >    <p>No SU, apresentou-se prostrada, muito queixosa, com febre (Ta - 39&ordm;C), hipotens&atilde;o (TA - 85/45 mm/Hg), taquicardia (FC - 145 bpm), taquipneia (FR - 48 ciclos/min), eritema n&atilde;o descamativo generalizado, com acentua&ccedil;&atilde;o nas regi&otilde;es abdominal, tor&aacute;cica,joelhos, palma das m&atilde;os e planta dos p&eacute;s. O exame abdominal revelou abd&oacute;men difusamente doloroso &agrave; palpa&ccedil;&atilde;o, globoso, com defesa e ru&iacute;dos hidra&eacute;reos intestinais diminu&iacute;dos; a ferida operat&oacute;ria n&atilde;o apresentava sinais in&#64258;amat&oacute;rios. O exame ginecol&oacute;gico e mam&aacute;rio n&atilde;o revelaram altera&ccedil;&otilde;es, com l&oacute;quios e involu&ccedil;&atilde;o uterina normais. </P >    <p>As principais altera&ccedil;&otilde;es dos exames laboratoriais foram: hemoglobina 16,9 g/dl, hemat&oacute;crito 47,4%,leuc&oacute;ci-tos 7,5x10<Sup>3</Sup>/&micro;l, neutr&oacute;&#64257;los 95,4%, plaquetas 90000/mm<Sup>3</Sup>, ureia 68 mg/dl, creatinina 2,2 mg/dl,AST 145 UI/L,ALT 151 UI/L, PCR 336,4 mg/dl e estudo da coagula&ccedil;&atilde;o normal. </P >    <p>A ecogra&#64257;a abdominal e p&eacute;lvica revelou a presen&ccedil;a de cavidade uterina virtual, l&iacute;quido livre em grande quantidade e distens&atilde;o marcada das ansas intestinais, com conte&uacute;do l&iacute;quido. </P >    <p>Atendendo &agrave; presen&ccedil;a de abd&oacute;men agudo, procedeu-se a laparotomia exploradora. Ap&oacute;s a remo&ccedil;&atilde;o dos agrafes, veri&#64257;cou-se a sa&iacute;da de exsudado purulento em elevada quantidade (enviado para exame cultural e teste de sensibilidade aos antibi&oacute;ticos). A cavidade abdominal e p&eacute;lvica encontrava-se preenchida com moderada quantidade de exsudado seroso, tendo-se procedido a lavagem abundante com soro &#64257;siol&oacute;gico (SF). </P >    <p>Esteve na Unidade de Cuidados Intensivos durante 3 dias, em ventila&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica assistida durante 24 horas. Foi-lhe efectuada &#64258;uidoterapia e suporte vasopressor com dopamina. Iniciou antibioterapia emp&iacute;rica com Clindamicina (600 mg 6/6 horas, endovenoso-ev) associado a tigecilina (50 ml em 100 cc SF, em duas doses, ev), durante 14 dias. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A doente apresentou boa evolu&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e anal&iacute;tica    (normaliza&ccedil;&atilde;o dos valores laboratoriais no &#64257;nal da 2&ordf;    semana), tendo-se isolado S. aureus sens&iacute;vel &agrave; meticilina no    sangue e no exsudado purulento. Teve alta ao 21&ordm; dia. </P >     <p>Cerca de 1 ano ap&oacute;s esta ocorr&ecirc;ncia, a doente encontra-se bem    e sem sequelas aparentes. </P >     <p><B>DISCUSS&Atilde;O</B> </P >    <p>Neste caso cl&iacute;nico, veri&#64257;camos a presen&ccedil;a de febre, hipotens&atilde;o, erup&ccedil;&atilde;o macular generalizada associados a envolvimento hematol&oacute;gico, renal e hep&aacute;tico. As hemoculturas con&#64257;rmaram a exist&ecirc;ncia de <I>S. aureus </I>meticilino-sens&iacute;vel. Segundo os crit&eacute;rios do CDC, re&uacute;nem-se os crit&eacute;rios necess&aacute;rios ao diagn&oacute;stico de SCTE. </P >    <p>Na presen&ccedil;a de uma doente em choque associado a abd&oacute;men agudo, foi urgente e inevit&aacute;vel a necessidade de iniciar antibioticoterapia e de efectuar laparotomia exploradora pela forte suspeita de cl&iacute;nica de abcesso intra-abdominal ou ent&atilde;o exclus&atilde;o de outras situa&ccedil;&otilde;es patol&oacute;gicas (ex: presen&ccedil;a de corpos estranhos intraabdominais, atendendo &agrave; cirurgia recente a que foi submetida). </P >     <p>Os sintomas e sinais de SCTE desenvolvem-se rapidamente, sendo em m&eacute;dia    2 dias nos casos p&oacute;scir&uacute;rgicos; contudo, j&aacute; foram descritos    casos ocorridos 65 dias ap&oacute;s a cirurgia (<a href="#8">8</a>). <a name="top8"></a></P >        <p>O diagn&oacute;stico do SCTE &eacute; baseado nos crit&eacute;rios do CDC (5)    (Tabela 1). Para cumprir os crit&eacute;rios, os doentes devem apresentar febre    >38,9&ordm;C, hipotens&atilde;o, eritema difuso e descamativo (este na convalescen&ccedil;a)    e envolvimento de, pelo menos, 3 sistemas org&acirc;nicos. Apesar de 80-90%    destas doentes apresentarem isolamento de <I>S. aureus </I>das feridas operat&oacute;rias    ou das superf&iacute;cies mucosas, o isolamento do agente n&atilde;o &eacute;    necess&aacute;rio parao diagn&oacute;stico do SCTE. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p   align="center" >Tabela 1 - <b>De&#64257;ni&ccedil;&atilde;o de S&iacute;ndrome de Choque T&oacute;xico    baseado nos crit&eacute;rios do CDC (1997)</b>. </p>     <p   align="center" ><img src="/img/revistas/am/v23n1/23n1a03t1.jpg" width="785" height="329"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>A apresenta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica &eacute; semelhante nos casos menstruais    ou n&atilde;o-menstruais; num estudo efectuado com pequena amostra, os SCTE    n&atilde;o-menstruais foram associados a in&iacute;cio mais precoce de rash    e febre, complica&ccedil;&otilde;es renais e do SNC e menos envolvimento musculo-esquel&eacute;tico.    As feridas operat&oacute;rias frequentemente apresentam aspecto normal devido    &agrave; menor reac&ccedil;&atilde;o in&#64258;amat&oacute;ria associada &agrave;    toxina tipo 1 do <I>S. aureus</I> (<a href="#9">9</a>). <a name="top9"></a></P >     <p>Embora a maioria dos casos de SCTE seja provocada por <I>S. aureus </I>meticilino-sens&iacute;veis,    a emerg&ecirc;ncia de <I>S. aureus </I>meticilino-resistentes (MRSA) &eacute;    uma realidade, particularmente devido &agrave; presen&ccedil;a de estirpes da    comunidade cada vez mais patog&eacute;nicas e, por outro lado, ao uso generalizado    e frequente de antibioterapia <a name="top10"></a>(<a href="#10">10</a>,<a href="#11">11</a><a name="top11"></a>).  </P >     <p>As altera&ccedil;&otilde;es laboratoriais re&#64258;ectem a presen&ccedil;a de choque e a fal&ecirc;ncia org&acirc;nica.Aleucocitose pode n&atilde;o estar presente, mas o n&uacute;mero total de neutr&oacute;&#64257;los maduros e imaturos geralmente excede 90%, com neutr&oacute;&#64257;los imaturos correspondendo a 25-50% do total. Trombocitopenia e anemia est&atilde;o presentes durante os primeiros dias, frequentemente acompanhados por tempo de protrombina e tromboplastina parcial activada prolongados. Outras altera&ccedil;&otilde;es laboratoriais que re&#64258;ectem fal&ecirc;ncia org&acirc;nica incluem: eleva&ccedil;&atilde;o da ureia e creatinina s&eacute;ricas, eleva&ccedil;&atilde;o dos testes da fun&ccedil;&atilde;o hep&aacute;tica e eleva&ccedil;&atilde;o da creatininafosfoc&iacute;nase (CPK). A maior parte dos testes laboratoriais volta ao normal 7 a 10 dias ap&oacute;s o in&iacute;cio da doen&ccedil;a. </P >     <P   align="left" >A pedra angular do tratamento do SCTE &eacute; o tratamento de suporte. Os doentes    necessitam de &#64258;uidoterapia intensiva (10 a 20 litros/dia) para manter    a perfus&atilde;o devido &agrave; presen&ccedil;a frequente de hipotens&atilde;o    refract&aacute;ria. Embora a press&atilde;o arterial possa melhorar apenas com    &#64258;uidoterapia, por vezes pode ser necess&aacute;rio o recurso a vasopressores.    &Eacute; obrigat&oacute;ria a exclus&atilde;o de materiais estranhos na vagina    (ex: tamp&otilde;es, esponjas contraceptivas) bem como a drenagem de qualquer    foco infeccioso. </P >     <p>Hemoculturas, culturas e teste de sensibilidade aos antibi&oacute;ticos da    vagina nos casos menstruais ou de material obtido a partir de um foco infeccioso    ou de ferida operat&oacute;ria nos casos n&atilde;o-menstruais s&atilde;o essenciais    devido &agrave; possibilidade da presen&ccedil;a de um microorganismo MRSA (<a href="#10">10</a>,<a href="#11">11</a>).  </P >     <p>Relativamente &agrave; antibioterapia, n&atilde;o h&aacute; consenso se os    antibi&oacute;ticos alteram o curso desta doen&ccedil;a; no entanto, a terap&ecirc;utica    anti-esta&#64257;loc&oacute;cica &eacute; necess&aacute;ria para a erradica&ccedil;&atilde;o    dos portadores e preven&ccedil;&atilde;o das recorr&ecirc;ncias. As recomenda&ccedil;&otilde;es    actuais s&atilde;o para iniciar tratamento emp&iacute;rico com clindamicina    (adultos: 600 mg 6/6horas, ev) associada a vancomicina (adultos: 30 mg/Kg/dia,    ev, dividido em 2 doses). Caso haja disponibilidade de cultura e teste de sensibilidade    aos antibi&oacute;ticos, deve administrar-se clindamicina associado &agrave;    oxacilina (2 g 4/4horas, endovenoso) ou tigecilina (50 ml em 100 cc SF, repartido    por duas doses/dia). Dever-se-&aacute; manter a vancomicina na presen&ccedil;a    de MRSA (<a href="#12">12</a>)<a name="top12"></a>, com dura&ccedil;&atilde;o    de tratamento entre 10 a 14 dias. </P >     <p>Apesar de n&atilde;o existirem estudos randomizados e controlados com o uso    de globulina imune endovenosa, est&aacute; recomendado o seu uso nos casos graves    de SCTE refract&aacute;rios &agrave; &#64258;uidoterapia, na dosagem de 400    mg/Kg em dose &uacute;nica (<a href="#13">13</a>)<a name="top13"></a>. N&atilde;o    se recomenda o uso de cortic&oacute;ides dado que n&atilde;o existem dados su&#64257;cientes    que ap&otilde;em esta pr&aacute;tica. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>CONCLUS&Otilde;ES </B></p>    <p>Embora o puerp&eacute;rio n&atilde;o receba a mesma aten&ccedil;&atilde;o que muitos outros aspectos da gravidez, a sua import&acirc;ncia permanece incontest&aacute;vel, atendendo a que 60% da mortalidade materna ocorre durante este per&iacute;odo, sendo a infec&ccedil;&atilde;o puerperal a complica&ccedil;&atilde;o mais frequente. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os factores de risco para o caso apresentado foram: a gravidez, a Diabetes Gestacional, o puerp&eacute;rio, o internamento hospitalar e a interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica. Os 3 primeiros contribu&iacute;ram pela imunosupress&atilde;o a que est&atilde;o associados, a interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica constituiu provavelmente a porta de entrada e o internamento hospitalar na prov&aacute;vel aquisi&ccedil;&atilde;o duma infec&ccedil;&atilde;o nosocomial. </P >     <p>Em suma, apesar de constituir uma entidade cl&iacute;nica rara, &eacute; necess&aacute;rio    ter presente os crit&eacute;rios diagn&oacute;sticos do CDC para que seja prontamente    diagnosticada e tratada atempadamente contribuindo, desta forma, para uma evolu&ccedil;&atilde;o    favor&aacute;vel e preven&ccedil;&atilde;o de sequelas e recorr&ecirc;ncias.  </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>REFER&Ecirc;NCIAS</B> </P >     <!-- ref --><p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a> -Todd J, Fishaut M, KapralF, Welch T.    Toxic-shock syndrome associated with phage-group-I Staphylococci. Lancet 1978;2:1116.  </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000057&pid=S0871-3413200900010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top2">2</a> <a name="2"></a>-Bergdoll MS, Crass BA, Reiser RF, et    al. A new staphylococcal enterotoxin, enterotoxin F, associated with toxic-shock-syndrome    Staphylococcus aureus isolates. Lancet 1981;1:1017. </P >     <p><a href="#top3">3</a><a name="3"></a> -Schlievert PM, Shands KN, Dan BB, et    al. Identi&#64257;cation and characterization of an exotoxin from Staphylococcus    aureus associated with toxic-shock syndrome. J Infect Dis 1981;143:509. </P >     <p><a href="#top4">4</a> <a name="4"></a>-Kluytmans J, van Belkum A, Verbrugh    H. Nasal carriage of Staphylococcus aureus: epidemiology, underlying mechanisms,    and associated risks. Clin Microbiol Rev 1997;10:505. </P >     <p><a href="#top5">5</a><a name="5"></a> -Centers for Disease Control and Prevention.    Case de&#64257;nitions for infectious conditions under public health surveillance.    MMWR Recomm Rep 1997;46(RR-10):1. </P >     <p><a href="#top6">6</a><a name="6"></a> -Kotler DP, Sandkovsky U, Schlievert    PM, Sordillo EM. Toxic shock-like syndrome associated with staphylococcal enterocolitis    in an HIV-infected man. Clin Infect Dis 2007;44:e121. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top7">7</a> <a name="7"></a>-Hajjeh RA, Reingold A, Weil A, et al.    Toxic shock syndrome in the United States: surveillance update, 1979-1996. Emerg    Infect Dis 1999;5:807. </P >     <p><a href="#top8">8</a><a name="8"></a> -Bartlett P, Reingold AL, Graham DR,    et al. Toxic shock syndrome associated with surgicalwoundinfections. JAMA 1982;247:1448.  </P >     <p><a href="#top9">9</a><a name="9"></a> -Kain KC, Schulzer M, Chow AW. Clinical    spectrum of non-menstrual toxic shock syndrome (TSS): comparison with menstrual    TSS by multivariate discriminant analyses. Clin Infect Dis 1993;16:100. </P >     <p><a href="#top10">10</a><a name="10"></a> -Durand G, Bes M, Meugnier H, et al.    Detection of new methicillin-resistant Staphylococcus aureus clones containing    the toxic shock syndrome toxin 1 gene responsible for hospital- and community-acquired    infections in France. J Clin Microbiol 2006;44:847. </P >     <p><a href="#top11">11</a> <a name="11"></a>-Fey PD, Said-Salim B, Rupp ME, et    al. Comparative molecular analysis of community- or hospital-acquired methicillin-resistant    Staphylococcus aureus. Antimicrob Agents Chemother 2003;47:196. </P >     <p><a href="#top12">12</a><a name="12"></a> -Andrews MM, Parent EM, Barry M, Parsonnet    J. Recurrent Nonmenstrual Toxic Shock Syndrome: Clinical Manifestations, Diagnosis,    and Treatment. Clin Infect Dis 2001; 32:1470. </P >          <p><a href="#top13">13</a> <a name="13"></a>-Keller MA, Stiehm ER. Passive immunity    in prevention and treatment of infectious diseases. Clin Microbiol Rev 2000;13:602.  </P >         <p>&nbsp;</P >          <P   ><B>Correspond&ecirc;ncia: </B></P >     <P   >Dr.&ordf; Carla Pina </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   >Servi&ccedil;o de Ginecologia e Obstetr&iacute;cia </P >     <P   >Centro Hospitalar do T&acirc;mega e Sousa, EPE </P >     <P   >Lugar do Tapadinho</P >     <P   > 4564-007 Pena&#64257;el </P >     <P   >e-mail: <a href="mailto:carlampina@gmail.com">carlampina@gmail.com</a></P >      ]]></body><back>
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