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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Características Clínico-laboratoriais e Sobrevida em Doentes com Melanoma da Úvea]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Clinico-laboratorial Features and Survival in Patients with Uveal Melanoma]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Uveal melanoma occurs in the iris, the ciliary body and the choroid. It is the most common primary intra-ocular malignancy in adults. The etiology remains largely unknown, but several factors have been associated with increased risk for the development of uveal melanoma. Patients with uveal melanoma may be asymptomatic or symptomatic. The clinical manifestations depend on the size and location of the tumour. The ophtalmoscopic examination is usually sufficient for diagnosis. Ultrasonography is the most useful imagiological exam. The fine needle biopsy is useful when the diagnosis cannot be established with less invasive methods. The prognosis of patients with uveal melanoma depends on several clinical, histopathological, cytogenetic and molecular factors. The liver is the most common location and tends to be the first or single site of metastatic uveal melanoma. Despite improvements in the early diagnosis and in the efficacy of primary tumour treatment, the survival of patients with metastatic uveal melanoma remains ominous. There are recent advances in the pathogenesis that may prove to be important for the therapeutic and follow-up management of patients with uveal melanoma.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[melanoma da úvea]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[clínica]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[patologia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Caracter&iacute;sticas Cl&iacute;nico-laboratoriais e Sobrevida em Doentes    com Melanoma da &Uacute;vea<a href="#0">*</a> <a name="top0"></a></B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Diana Pinho Cruz, Jos&eacute; Manuel Lopes </p>     <p><I>Faculdade de Medicina da Universidade do Porto </I></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O melanoma da &uacute;vea ocorre na &iacute;ris, corpo ciliar e na cor&oacute;ide.    &Eacute; a neoplasia maligna intra-ocular prim&aacute;ria mais fre</B>quente    no adulto. A etiologia permanece em grande parte desconhecida, mas v&aacute;rios    factores t&ecirc;m sido associados a risco aumentado de desenvolvimento de melanoma    uveal. O doente com melanoma da &uacute;vea pode ser assintom&aacute;tico ou    sintom&aacute;tico. As manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas dependem    do tamanho e da localiza&ccedil;&atilde;o do tumor. O exame oftalmosc&oacute;pico    &eacute; geralmente su&#64257;ciente para o diagn&oacute;stico. A ecogra&#64257;a    &eacute; o exame imagiol&oacute;gico mais &uacute;til. A bi&oacute;psia aspirativa    com agulha &#64257;na &eacute; &uacute;til quando o diagn&oacute;stico n&atilde;o    pode ser estabelecido com m&eacute;todos menos invasivos. O progn&oacute;stico    do doente com melanoma da &uacute;vea depende de v&aacute;rios factores cl&iacute;nicos,    histopatol&oacute;gicos, citogen&eacute;ticos e moleculares. O f&iacute;gado    &eacute; local mais frequente de metastiza&ccedil;&atilde;o e tende a ser o    primeiro ou o &uacute;nico local de metastiza&ccedil;&atilde;o. Apesar dos avan&ccedil;os    no diagn&oacute;stico precoce e da e&#64257;c&aacute;cia do tratamento do tumor    prim&aacute;rio, n&atilde;o se tem observado melhoria na sobreviv&ecirc;ncia    dos doentes com melanoma uveal metast&aacute;tico. H&aacute; desenvolvimentos    recentes no esclarecimento da patog&eacute;nese que poder&atilde;o revelar-se    importantes na abordagem terap&ecirc;utica e seguimento dos doentes com melanoma    da &uacute;vea. </p>     <p><B>Palavras-chave:</B> melanoma da &uacute;vea; cl&iacute;nica; patologia;    gen&eacute;tica; progn&oacute;stico; tratamento. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Clinico-laboratorial Features and Survival in Patients with Uveal Melanoma</b></p>     <p>      Uveal melanoma occurs in the iris, the ciliary body and the choroid. It is the    most common primary intra-ocular malignancy   in adults. The etiology remains largely unknown, but several factors have been    associated with increased risk   for the development of uveal melanoma.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   Patients with uveal melanoma may be asymptomatic or symptomatic. The clinical    manifestations depend on the size   and location of the tumour. The ophtalmoscopic examination is usually sufficient    for diagnosis. Ultrasonography is   the most useful imagiological exam. The fine needle biopsy is useful when the    diagnosis cannot be established with   less invasive methods.</p>     <p>   The prognosis of patients with uveal melanoma depends on several clinical, histopathological,    cytogenetic and molecular   factors.</p>     <p>   The liver is the most common location and tends to be the first or single site    of metastatic uveal melanoma. Despite   improvements in the early diagnosis and in the efficacy of primary tumour treatment,    the survival of patients with   metastatic uveal melanoma remains ominous.</p>     <p>   There are recent advances in the pathogenesis that may prove to be important    for the therapeutic and follow-up   management of patients with uveal melanoma.</p>     <p> <b>Key-words</b>: uveal melanoma; clinical features; pathology; genetics;    prognosis; treatment.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>1. EPIDEMIOLOGIA E ETIOLOGIA </B></p>     <p><b>1.1. Epidemiologia</b></p>     <p>O melanoma da &uacute;vea &eacute; uma neoplasia melanoc&iacute;tica maligna    com origem no tracto uveal: &iacute;ris, corpo ciliar e cor&oacute;ide (<a href="#1">1</a><a name="top1"></a>).    &Eacute; a neoplasia maligna intra-ocular prim&aacute;ria mais frequente no    adulto (<a href="#2">2</a>). <a name="top2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A incid&ecirc;ncia anual do melanoma da &uacute;vea, ajustada &agrave; idade,    varia entre 2,9 e 7,9 casos por milh&atilde;o de habitantes nos Estados Unidos    da Am&eacute;rica e entre 2 e 10 casos por milh&atilde;o de habitantes na Europa    (<a href="#1">1-4</a>).<a name="top3"></a> Em Portugal, n&atilde;o existem dados    epidemiol&oacute;gicos publicados relativos a esta neoplasia (<a href="#5">5</a>).<a name="top5"></a>    S&atilde;o raras as publica&ccedil;&otilde;es de s&eacute;ries de melanomas    uveais em Portugal (<a href="#6">6</a><a name="top6"></a><a name="top7"></a>,<a href="#7">7</a>).  </p>     <p>H&aacute; controv&eacute;rsia na literatura sobre as varia&ccedil;&otilde;es    de incid&ecirc;ncia de melanoma uveal nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas (<a href="#4">4</a>,<a href="#8">8</a>).    <a name="top4"></a><a name="top8"></a> </p>     <p>A diferen&ccedil;a epidemiol&oacute;gica observada e o padr&atilde;o inconsistente    dos v&aacute;rios registos oncol&oacute;gicosinternacionais de incid&ecirc;ncia    ao longo dos anos podem ser explicados, pelo menos parcialmente, pela varia&ccedil;&atilde;o    na qualidade de registo, diagn&oacute;stico e tratamento do melanoma uveal (<a href="#8">8</a>).  </p>     <p>Embora o melanoma da &uacute;vea possa desenvolver-se em qualquer idade, &eacute;    extremamente raro na idade pedi&aacute;trica <a name="top9"></a>(<a href="#9">9</a>).    A idade m&eacute;dia aquando do diagn&oacute;stico situa-se entre os 55 e 65    anos (<a href="#2">2</a>,<a href="#10">10</a>).<a name="top10"></a> A incid&ecirc;ncia    &eacute; superior no g&eacute;nero masculino, aumenta com a idade e atinge um    valor m&aacute;ximo aos 70 anos (24,5 casos por milh&atilde;o no g&eacute;nero    masculino e 17,8 casos por milh&atilde;o no g&eacute;nero feminino) (<a href="#2">2</a>).    A incid&ecirc;ncia na popula&ccedil;&atilde;o caucasiana &eacute; cerca de oito    vezes superior &agrave; observada na popula&ccedil;&atilde;o negra (<a href="#1">1</a>).  </p>     <p>Estudos recentes descreveram que a incid&ecirc;ncia de melanoma uveal aumenta    com a latitude (<a href="#4">4</a>,<a href="#11">11</a>). <a name="top11"></a></p>     <p>Os melanomas da cor&oacute;ide, corpo ciliar e &iacute;ris constituem, respectivamente,    consoante as s&eacute;ries, 68,8%-90,6%, 4,5%-10% e 3-12% dos melanomas da &uacute;vea    (<a href="#12">12-15</a>). <a name="top15" id="top15"></a></p>     <p>Na altura do diagn&oacute;stico, os doentes com melanoma da &iacute;ris t&ecirc;m    em m&eacute;dia 40-47 anos, ou seja, idade inferior &agrave; dos doentes com    melanoma noutras localiza&ccedil;&otilde;es uveais (<a href="#13">13</a>,<a href="#14">14</a>).    <a name="top13"></a><a name="top14"></a> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>1.2. Etiologia</B></p>     <p>A etiologia do melanoma da &uacute;vea permanece em grande parte desconhecida.    V&aacute;rios factores t&ecirc;m sido associados a risco aumentado de desenvolvimento    de melanomas da &uacute;vea (<a href="#1">1</a>,<a href="#10">10</a>,<a href="#12">12</a>,<a href="#16">16</a>)<a name="top16"></a>.    Algumas caracter&iacute;sticas fenot&iacute;picas, tais como &iacute;ris clara    (nomeadamente azul ou cinzenta), pele clara e incapacidade/di&#64257;culdade    para bronzear aquando da exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; luz solar t&ecirc;m    sido associadas a risco aumentado de melanoma uveal (<a href="#1">1</a>,<a href="#12">12</a>,<a href="#16">16</a>).    A presen&ccedil;a de nevos uveais, s&iacute;ndroma do nevo displ&aacute;sico,    melanocitose ocular e oculod&eacute;rmica, neuro&#64257;bromatose tipo 1 e,    possivelmente, infec&ccedil;&atilde;o pelo v&iacute;rus daimunode&#64257;ci&ecirc;ncia    humana, gravidez e terap&ecirc;utica com estrog&eacute;nios ou com levodopa,    t&ecirc;m sido descritas como condi&ccedil;&otilde;es predisponentes para melanoma    da &uacute;vea (<a href="#1">1</a>,<a href="#10">10</a>). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dos factores ambientais, apenas a soldadura por arco el&eacute;ctrico foi descrita    como associada a risco aumentado de melanoma da &uacute;vea (<a href="#16">16</a>).  </p>     <p>A in&#64258;u&ecirc;ncia da exposi&ccedil;&atilde;o cr&oacute;nica &agrave;    radia&ccedil;&atilde;o solar na etiologia do melanoma uvealmant&eacute;m-se    controversa (<a href="#12">12</a>). Ao contr&aacute;rio do que acontece em melanomas    cut&acirc;neos, a luz ultravioleta foi descrita como factor de risco <I>minor    </I>no desenvolvimento do melanoma uveal (<a href="#16">16</a>). Contudo, h&aacute;    publica&ccedil;&otilde;es recentes que descrevem que o aumento da exposi&ccedil;&atilde;o    solar se associa a diminui&ccedil;&atilde;o da incid&ecirc;ncia de melanoma    da &uacute;vea (<a href="#4">4</a>,<a href="#11">11</a>). </p>     <p>Est&atilde;o descritos factores preditivos de transforma&ccedil;&atilde;o de    nevo em melanoma da cor&oacute;ide: dimens&atilde;o (risco maior com o aumento    da espessura), localiza&ccedil;&atilde;o posterior, pigmenta&ccedil;&atilde;o    laranja, presen&ccedil;a de l&iacute;quido subretiniano, sintomatologia visual    (diminui&ccedil;&atilde;o da acuidade visual ou defeitos do campo visual) e    &aacute;reas focais de hiper&#64258;uoresc&ecirc;ncia intensa na angiogra&#64257;a    com &#64258;uoresce&iacute;na (<a href="#10">10</a>). </p>     <p>O melanoma da &uacute;vea &eacute; raramente bilateral ou familiar (<a href="#17">17</a>)<a name="top17"></a>.    Os casos familiares representam cerca de 0,6% dos melanomas uveais, o que sugere    que a hereditariedade n&atilde;o desempenha um papel <I>major </I>no desenvolvimento    destes tumores (<a href="#1">1</a>,<a href="#18">18</a>)<a name="top18"></a>.    A maioria dos doentes com melanoma da &uacute;vea familiar n&atilde;o apresenta    todas as caracter&iacute;sticas t&iacute;picas da predisposi&ccedil;&atilde;o    heredit&aacute;ria para cancro, nomeadamente idade jovem, bilateralidade, e    tumores prim&aacute;rios m&uacute;ltiplos (<a href="#18">18</a>). </p>     <p>Devido ao n&uacute;meroinsu&#64257;ciente de fam&iacute;lias com mais de dois    indiv&iacute;duos afectados, &eacute; dif&iacute;cil distinguir entre padr&atilde;o    de hereditariedade polig&eacute;nico e de transmiss&atilde;o monog&eacute;nica    com penetra&ccedil;&atilde;o incompleta (<a href="#18">18</a>). &Eacute; igualmente    dif&iacute;cil avaliar o papel dos factores ambientais como causa de agrega&ccedil;&atilde;o    familiar de melanomas da &uacute;vea (<a href="#18">18</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>2. PATOLOGIA E GEN&Eacute;TICA </B></p>     <p><b>2.1. Caracter&iacute;sticas an&aacute;tomo-patol&oacute;gicas</b></p>     <p>Os melanomas coroideus podem ter padr&atilde;o de crescimento focal ou difuso    (<a href="#1">1</a>). O padr&atilde;o focal pode ser disc&oacute;ide, em forma    de cogumelo, ou in&#64257;ltrativo, com destrui&ccedil;&atilde;o dos tecidos    oculares e invas&atilde;o extra-escleral (Figura 1A-B) (<a href="#1">1</a>).  </p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/am/v23n2/23n2a03f1.jpg" width="499" height="471"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><I>Fig. 1 - A: Aspecto macrosc&oacute;pico de enuclea&ccedil;&atilde;o    de melanoma da cor&oacute;ide; B: Montagem de corte de melanoma da cor&oacute;ide    com forma de cogumelo; C: Melanoma da &uacute;vea com c&eacute;lulas epiteli&oacute;ides;    D: Melanoma da &uacute;vea com c&eacute;lulas fusiformes. </I></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p>O padr&atilde;o difuso &eacute; raro e caracteriza-se por descolora&ccedil;&atilde;o    irregular plana, extensa, cinzenta ou acastanhada (<a href="#19">19</a>).<a name="top19"></a>    Cerca de 40% dos melanomas da cor&oacute;ide esten-dem-se 3mm para o interior    do disco &oacute;ptico e/ou da f&oacute;vea (<a href="#12">12</a>). </p>     <p>Os melanomas do corpo ciliar s&atilde;o geralmente esf&eacute;ricos e t&ecirc;m    dois padr&otilde;es de crescimento: invas&atilde;o das estruturas da c&acirc;mara    anterior, com oblitera&ccedil;&atilde;o da raiz da &iacute;ris e dos &acirc;ngulos    de drenagem; ou con&#64257;gura&ccedil;&atilde;o em anel, envolvendo pelo menos    180&ordm; do corpo ciliar (<a href="#1">1</a>,<a href="#20">20</a>). <a name="top20"></a></p>     <p>Os melanomas da &iacute;ris t&ecirc;m padr&atilde;o de crescimento circunscrito    ou difuso (<a href="#13">13</a>). Os melanomas circunscritos s&atilde;o nodulares,    podem estender-se para a c&acirc;mara anterior ou posterior, e invadir o corpo    ciliar (<a href="#13">13</a>,<a href="#19">19</a>). </p>     <p>Os melanomas difusos constituem uma variante in-vulgar de melanoma da &uacute;vea    (<a href="#21">21</a>).<a name="top21"></a> S&atilde;o de&#64257;nidos como    tumores uveais prim&aacute;rios com padr&atilde;o de crescimento plano horizontal,    e espessura &le; 20% do di&acirc;metro basal (<a href="#21">21</a>). </p>     <p>Os melanomas da &uacute;vea podem apresentar extens&atilde;o extra-ocular atrav&eacute;s    de invas&atilde;o dos canais esclerais, por permea&ccedil;&atilde;o dos vasos    ciliares posteriores ou das veias vorticosas (<a href="#10">10</a><a name="top10"></a>,<a href="#12">12</a><a name="top12"></a>,<a href="#19">19</a><a name="top19"></a>).  </p>     <p>A classi&#64257;ca&ccedil;&atilde;o dos melanomas da &uacute;vea utilizada    actualmente &ndash; Classi&#64257;ca&ccedil;&atilde;o de <I>Callender </I>modi&#64257;cada    &ndash; estabelece dois padr&otilde;es citol&oacute;gicos de melan&oacute;citos    (fusiformes e epiteli&oacute;ides &ndash; Figura 1C-D) e tr&ecirc;s categorias    de melanomas (fusiforme, epiteli&oacute;ide e mista) (<a href="#13">13</a>).    <I>Callender </I>descreveu dois tipos de c&eacute;lulas fusiformes (A e B) (<a href="#1">1</a>).    Contudo, demonstrou-se ainexist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;a no progn&oacute;stico    entre os melanomas da &uacute;vea constitu&iacute;dos por c&eacute;lulas fusiformes    A ou c&eacute;lulas fusiformes B (<a href="#1">1</a>). </p>     <p>A classi&#64257;ca&ccedil;&atilde;o de <I>Callender </I>modi&#64257;cada causa    ainda alguma controv&eacute;rsia (<a href="#1">1</a>).Adistin&ccedil;&atilde;o    entre uma popula&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas de melan&oacute;citos fusiformes    e epiteli&oacute;ides pode ser dif&iacute;cil(<a href="#1">1</a>). Por outrolado,    ainda n&atilde;o foide&#64257;nida consensualmente a propor&ccedil;&atilde;o    de c&eacute;lulas epiteli&oacute;ides necess&aacute;ria para classi&#64257;car    melanomas uveais mistos (<a href="#1">1</a>,<a href="#13">13</a>). </p>     <p>A <I>American Joint Committee on Cancer </I>(AJCC) desenvolveu uma classi&#64257;ca&ccedil;&atilde;o    de estadiamento TNM (Tumor, Node, Metastasis) para os melanomas da &uacute;vea    (<a href="#22">22</a>)<a name="top22"></a>. Segundo a 6&ordf; edi&ccedil;&atilde;o    do TNM, a classi&#64257;ca&ccedil;&atilde;o do tumor prim&aacute;rio baseia-se    no di&acirc;metro basal, na maior espessura e na extens&atilde;o extra-ocular    dos melanomas da &uacute;vea (<a href="#22">22</a>). Alguns autores defendem    que o TNM pode ser melhorado com a inclus&atilde;o da extens&atilde;o para o    corpo ciliar e da dimens&atilde;o da extens&atilde;o extra-ocular nos crit&eacute;rios    de estadiamento (<a href="#22">22</a>). H&aacute; autores que defendem a inclus&atilde;o    da classi&#64257;ca&ccedil;&atilde;o do per&#64257;l de express&atilde;o g&eacute;nica    (classe 1 e 2, <I>vide infra</I>) no sistema de classi&#64257;ca&ccedil;&atilde;o    do melanoma da &uacute;vea (<a href="#23">23</a>). <a name="top23"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O grupo do <I>Collaborative Ocular Melanoma Study </I>(COMS) de&#64257;niu    uma classi&#64257;ca&ccedil;&atilde;o para a dimens&atilde;o dos melanomas da    cor&oacute;ide: pequenos (altura apical: 1-2,5 mm e di&acirc;metro basal: &le;5    mm); m&eacute;dios (altura apical: 2,5 &ndash; 10 mm e di&acirc;metro basal:    5 &ndash; 16 mm); e grandes (altura apical: &ge;10 mm e di&acirc;metro basal&ge;16mm)    (<a href="#10">10</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>2.2. Caracter&iacute;sticas gen&eacute;ticas (citogen&eacute;ticas e moleculares) &ndash; carcinog&eacute;nese e progress&atilde;o do melanoma da &uacute;vea </B></p>     <p>O melanoma da &uacute;vea caracteriza-se por m&uacute;ltiplas altera&ccedil;&otilde;es    gen&eacute;ticas (<a href="#17">17</a>). </p>     <p>As altera&ccedil;&otilde;es citogen&eacute;ticas detectadas nas c&eacute;lulas    dos melanomas da &uacute;vea n&atilde;o s&atilde;o aleat&oacute;rias: afectam    v&aacute;rios cromossomas espec&iacute;&#64257;cos, sendo os mais frequentes    o 1, 3, 6 e 8 (<a href="#24">24</a>). <a name="top24"></a></p>     <p>H&aacute; desenvolvimentos recentes no esclarecimento da patog&eacute;nese    dos melanomas uveais que poder&atilde;o revelar-se importantes no manuseamento    terap&ecirc;utico e no seguimento dos doentes com este tipo de tumores oculares.  </p>     <p>Na &#64257;gura 2 apresenta-se um modelo de progress&atilde;o proposto para    o melanoma da &uacute;vea (<a href="#25">25</a>). <a name="top25"></a></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/am/v23n2/23n2a03f2.jpg" width="634" height="478"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os eventos precocesincluem provavelmente desregula&ccedil;&atilde;o do ciclo    celular (<a href="#25">25</a>). Virtualmente todos os melanomas da &uacute;vea    t&ecirc;m altera&ccedil;&otilde;es na via do retinoblastoma (Rb) e na via da    p53 (tumor protein 53) (<a href="#17">17</a>). </p>     <p>Segundo o modelo proposto por <I>Landreville S et al, </I>as altera&ccedil;&otilde;es    iniciais nos melan&oacute;citos uveais desencadeiam mecanismos de supress&atilde;o    tumoral que conduzem &agrave; apoptose/senesc&ecirc;ncia (<a href="#25">25</a>).    Na maioria dos casos, as c&eacute;lulas alteradas s&atilde;o eliminadas ou evoluem    para nevo. Quando persistem os mecanismos alterados que bloqueiam a apoptose    e promovem a sobrevida das c&eacute;lulas, pode ocorrer a evolu&ccedil;&atilde;o    para melanoma (<a href="#25">25</a>). </p>     <p>As principais altera&ccedil;&otilde;es moleculares e citogen&eacute;ticas implicadas no desenvolvimento e progress&atilde;o do melanoma da &uacute;vea est&atilde;o sumariadas na Tabela 1. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">Tabela 1 - <b>Vias moleculares e altera&ccedil;&otilde;es citogen&eacute;ticas    implicadas no desenvolvimento e progress&atilde;o de melanomas da &uacute;vea    (<a href="#17">17</a>,<a href="#24">24-28</a>). <a name="top26" id="top26"></a></b></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/am/v23n2/23n2a03t1.jpg" width="697" height="984"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>As altera&ccedil;&otilde;es cromoss&oacute;micas e moleculares observadas diferem    quando se comparam os melanomas de &uacute;vea com os melanomas cut&acirc;neos    (<a href="#27">27</a>)<a name="top27"></a>. Os melanomas da &uacute;vea caracterizam-se    por monossomia 3 e ampli&#64257;ca&ccedil;&atilde;o do bra&ccedil;o longo do    cromossoma 8, que s&atilde;o altera&ccedil;&otilde;es raras nos melanomas cut&acirc;neos;    e, raramente, por muta&ccedil;&atilde;o som&aacute;tica do TP53 [Tumor protein    53 (gene)], do BRAF (v-raf murine sarcoma viral oncogene homolog B1) e da CDKN2    (INK4A) (Cyclin-dependent kinase inhibitor 2a), que s&atilde;o altera&ccedil;&otilde;es    comuns nos melanomas cut&acirc;neos (<a href="#27">27</a>). As muta&ccedil;&otilde;es    som&aacute;ticas do PTEN (phosphatase and tensin homolog) s&atilde;o raras nos    melanomas da &uacute;vea e infrequentes nos melanomas cut&acirc;neos (<a href="#27">27</a>).    A delec&ccedil;&atilde;o/transloca&ccedil;&atilde;o do bra&ccedil;o curto do    cromossoma 1 &eacute; infrequente nos melanomas da &uacute;vea e comum nos melanomas    cut&acirc;neos (<a href="#27">27</a>). </p>     <p>Os melanomas da &uacute;vea podem classi&#64257;car-se, segundo alguns autores,    em duas classes moleculares distintas, com base na an&aacute;lise do per&#64257;l    de express&atilde;o de tr&ecirc;s genes [por exemplo, PHLDA1 (pleckstrin homology-like    domain, family A, member 1), FZD6 (frizzled homolog 6 (Drosophila)) e ENPP2    (ectonucleotide pyrophosphatase/ phosphodiesterase 2]: classe 1 e a classe 2    (<a href="#29">29</a>). <a name="top29"></a></p>     <p>Os melanomas da classe 1 e da classe 2 t&ecirc;m baixo e alto risco de metastiza&ccedil;&atilde;o,    respectivamente (<a href="#29">29</a>). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A an&aacute;lise do per&#64257;l de express&atilde;o g&eacute;nica pode ser    realizada quer em amostras obtidas por bi&oacute;psia de agulha &#64257;na quer    em amostras de tumores arquivados em para&#64257;na (<a href="#25">25</a>,<a href="#29">29</a>,<a href="#30">30</a>).    <a name="top30"></a> </p>     <p>Estudos recentes subdividiram os melanomas da &uacute;vea em quatro subclasses    com signi&#64257;cado progn&oacute;stico (1A,1B,2A e 2B) (<a href="#25">25</a>).  </p>     <p>De acordo com este modelo, os melanomas classe 1A da &uacute;vea t&ecirc;m    express&atilde;o g&eacute;nica relativamente uniforme e aneuploidia m&iacute;nima    (<a href="#25">25</a>). </p>     <p>A progress&atilde;o tumoral caracteriza-se por acumula&ccedil;&atilde;o de    altera&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas (<a href="#25">25</a>). As c&eacute;lulas    tumorais podem adquirir um bra&ccedil;o curto do cromossoma 6 mantendo a &ldquo;assinatura&rdquo;de    express&atilde;o g&eacute;nica da classe 1 (classe 1B), ou adquirir um per&#64257;l    de express&atilde;o g&eacute;nica da classe 2, geralmente associado a perda    do cromossoma 3 (<a href="#25">25</a>). &Agrave; medida que os tumores da classe    2Aadquirem altera&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas e instabilidade gen&oacute;mica,    podem progredir para a classe 2B, associada a perda do bra&ccedil;o curto do    cromossoma 8 (<a href="#25">25</a>). </p>     <p>Os doentes com melanoma classe 1A da &uacute;vea apresentam uma maior sobreviv&ecirc;ncia    livre de met&aacute;stases, relativamente aos doentes com outras classes de    melanoma. Por sua vez, os doentes com melanoma classe 2B apresentam a menor    sobreviv&ecirc;ncia livre de met&aacute;stases (<a href="#25">25</a>). </p>     <p>A duplica&ccedil;&atilde;o do bra&ccedil;o curto do cromossoma 6 ocorre principalmente    nos melanomas da &uacute;vea sem met&aacute;stases, enquanto a monossomia 3    ocorre sobretudo nos melanomas metastizados(<a href="#25">25</a>).Estes dois    eventos gen&eacute;ticos s&atilde;o quase mutuamente exclusivos (<a href="#25">25</a>).    Em geral, os melanomas com monossomia 3 apresentam mais altera&ccedil;&otilde;es    cromoss&oacute;micas (aneuploidia) do que os melanomas com dissomia (<a href="#25">25</a>).  </p>     <p>A an&aacute;lise da express&atilde;o g&eacute;nica revela que os melanomas    uveais classe 1 s&atilde;o constitu&iacute;dos por melan&oacute;citos diferenciados,    semelhantes aos da &uacute;vea normal, com acentuada express&atilde;o de genes    da linha melanoc&iacute;tica e da crista neural (<a href="#23">23</a>,<a href="#25">25</a>).    A express&atilde;o destes genes est&aacute; diminu&iacute;da nos melanomas classe    2 da &uacute;vea, cujas c&eacute;lulas t&ecirc;m caracter&iacute;sticas transcripcionais    semelhantes &agrave;s das c&eacute;lulas estaminais ectod&eacute;rmicas e neurais    (<a href="#23">23</a>,<a href="#25">25</a>). </p>     <p>Globalmente, estas altera&ccedil;&otilde;es sugerem que os melanomas classe    1 da &uacute;vea, que n&atilde;o cursam com metastiza&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o    capazes de diferencia&ccedil;&atilde;o melanoc&iacute;tica, enquanto os melanomas    classe 2, que cursam com met&aacute;stases, caracterizam-se por bloqueio parcial    da diferencia&ccedil;&atilde;o melanoc&iacute;tica (<a href="#25">25</a>). </p>     <p>Os mecanismos de metastiza&ccedil;&atilde;o nos melanomas uveais permanecemlargamente    desconhecidos (<a href="#25">25</a>). Um estudo recente implicou a via do NF-kB    (nuclear factor kappa-light-chain-enhancer of activated B cells), mas o mecanismo    patog&eacute;nico desta via na metastiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute;    bem esclarecido (<a href="#27">27</a>,<a href="#28">28</a>). <a name="top28"></a></p>     <p>O HGF (Hepatocyte Growth Factor) e respectivo receptor, c-Met (hepatocyte growth    factor receptor), foram considerados factores importantes para o crescimento    das c&eacute;lulas do melanoma da &uacute;vea no f&iacute;gado (<a href="#24">24</a>).  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><B>3. APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O CL&Iacute;NICA </B></p>     <p>O doente com melanoma da cor&oacute;ide pode ser assintom&aacute;tico (a neoplasia    &eacute; detectada num exame oftalmol&oacute;gico de rotina) ou sintom&aacute;tico    (<a href="#19">19</a>). Os sintomas incluem: diminui&ccedil;&atilde;o da acuidade    visual, metamorfopsias, perda de campo visual, &ldquo;moscas volantes&rdquo;,    fotopsia ou, eventualmente, dor ocular (<a href="#12">12</a>,<a href="#19">19</a>).    <a name="top12"></a> </p>     <p>As manifesta&ccedil;&otilde;es do melanoma do corpo ciliar de</B>pendem do    tamanho e da localiza&ccedil;&atilde;o do tumor (<a href="#19">19</a>). Incluem    astigmatismo, subluxa&ccedil;&atilde;o do cristalino ou cataratas, descolamento    da retina e, eventualmente, uve&iacute;te anterior (<a href="#19">19</a>). </p>     <p>O melanoma da &iacute;ris caracteriza-se por um n&oacute;dulo, pigmentado ou    n&atilde;o, frequentemente com vasos sangu&iacute;neos na periferia (<a href="#19">19</a>).    Induz distor&ccedil;&atilde;o da pupila, ectr&oacute;pio da &uacute;vea e, ocasionalmente,    associa-se a cataratas localizadas (<a href="#19">19</a>). O tumor pode invadir    o &acirc;ngulo iridocorneano, causando glaucoma secund&aacute;rio e, em casos    avan&ccedil;ados, glaucoma neovascular (<a href="#13">13</a>,<a href="#19">19</a>).    O melanoma difuso da &iacute;ris manifesta-se geralmente com heterocromia (<a href="#13">13</a>,<a href="#19">19</a>).  </p>     <p>Cerca de 80% dos melanomas da &iacute;ris surgem na metade inferior da &iacute;ris    (<a href="#13">13</a>). Os melanomas da &iacute;ris tendem a ser detectados    mais precocemente que os restantes melanomas da &uacute;vea, provavelmente devido    ao facto das les&otilde;es pigmentadas da &iacute;ris serem geralmenteidenti&#64257;cadas    pelo doente ou familiares (<a href="#1">1</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>4. DIAGN&Oacute;STICO DIFERENCIAL</B></p>     <p>As seguintes entidades devem ser consideradas no diagn&oacute;stico diferencial    dos melanomas da cor&oacute;ide: nevo grande, melanocitoma, hipertro&#64257;a    cong&eacute;nita do epit&eacute;lio pigmentar da retina, hemorragia no espa&ccedil;o    subretiniano, melanoma cut&acirc;neo metast&aacute;tico, hemangioma da cor&oacute;ide,    met&aacute;stase, granuloma da cor&oacute;ide, esclerite posterior, e ampola    proeminente da veia vorticosa (<a href="#19">19</a>). </p>     <p>Os diagn&oacute;sticos diferenciais dos melanomas do corpo ciliar incluem:    s&iacute;ndroma de efus&atilde;o uveal, cisto iridociliar cong&eacute;nito e    outras neoplasias no corpo ciliar (melanocitoma, meduloepitelioma, met&aacute;stase,    adenocarcinoma, adenoma, neurilemoma e leiomioma) (<a href="#19">19</a>). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os diagn&oacute;sticos diferenciais dos melanomas da &iacute;ris incluem: nevo    da &iacute;ris, melanoma do corpo ciliar com extens&atilde;o atrav&eacute;s    da raiz da &iacute;ris, cisto da &iacute;ris, adenoma do epit&eacute;lio pigmentado    da &iacute;ris, adenoma de Fuchs,leiomioma, melanocitoma, met&aacute;stase e    sarcoidose (<a href="#14">14</a>,<a href="#19">19</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>5. DIAGN&Oacute;STICO E ESTADIAMENTO</B> </p>     <p><b>5.1. Diagn&oacute;stico </b></p>     <p>O exame oftalmosc&oacute;pico &eacute; geralmente su&#64257;ciente para o diagn&oacute;stico    de melanoma da &uacute;vea (<a href="#10">10</a>). A vis&atilde;o estereosc&oacute;pica    obtida com a oftalmoscopia binocular indirecta permite identi&#64257;car facilmente    o tumor (<a href="#12">12</a>). A detec&ccedil;&atilde;o, por oftalmoscopia,    dos melanomas uveais difusos planos pode ser dif&iacute;cil, mas a maioria dos    tumores da &uacute;vea apresenta relevo, frequentemente em forma de c&uacute;pula    e &eacute;, ocasionalmente, multilobado (<a href="#10">10</a>). </p>     <p>A ecogra&#64257;a &eacute; o exame imagiol&oacute;gico mais &uacute;til para    o diagn&oacute;stico, permitindo avaliar as dimens&otilde;es e de&#64257;nir    a extens&atilde;o intra e extra-ocular do tumor (<a href="#31">31</a>)<a name="top31"></a>.    &Eacute; particular-mente &uacute;til na detec&ccedil;&atilde;o do tumor quando    os meios s&atilde;o opacos (<a href="#10">10</a>). </p>     <p>As caracter&iacute;sticas ecogr&aacute;&#64257;cas t&iacute;picas do melanoma    da &uacute;vea s&atilde;o a presen&ccedil;a de cavidade ac&uacute;stica, escava&ccedil;&atilde;o    da cor&oacute;ide e sombreado orbit&aacute;rio (<a href="#31">31</a>). A con&#64257;gura&ccedil;&atilde;o    em forma de cogumelo, indicando que o tumor rompeu a membrana de <I>Bruch</I>,    &eacute; virtualmente patognom&oacute;nica de melanoma da cor&oacute;ide (<a href="#31">31</a>).    A ecogra&#64257;a de alta-frequ&ecirc;ncia &eacute; &uacute;til no diagn&oacute;stico    dos tumores da &iacute;ris e do corpo ciliar, permite avaliar a dimens&atilde;o    e extens&atilde;o, e detectar les&otilde;es c&iacute;sticas e s&oacute;lidas    (<a href="#12">12</a>). </p>     <p>O diagn&oacute;stico de melanoma da &uacute;vea &eacute; tamb&eacute;m evidenciado    com fotogra&#64257;a da c&acirc;mara anterior e do fundo ocular e, por vezes,    angiogra&#64257;a (<a href="#10">10</a>). A fotogra&#64257;a possibilita a documenta&ccedil;&atilde;o    das caracter&iacute;sticas do tumor e asimagens sequenciais facilitam a vigil&acirc;ncia    dos doentes com les&otilde;es pigmentadas de diagn&oacute;stico controverso    (<a href="#12">12</a>). </p>     <p>A angiogra&#64257;a com &#64258;uoresce&iacute;na &eacute; tamb&eacute;m utilizada    na caracteriza&ccedil;&atilde;o do melanoma uveal, embora sem qualquer padr&atilde;o    patognom&oacute;nico (<a href="#31">31</a>). A angiogra&#64257;a com verde indocianina    permite uma melhor visualiza&ccedil;&atilde;o da vasculatura tumoral, de&#64257;nindo    com mais precis&atilde;o, em alguns casos, as margens tumorais (<a href="#12">12</a>,<a href="#31">31</a>).  </p>     <p>A acuidade diagn&oacute;stica de melanoma da &uacute;vea obtida com os meios    de diagn&oacute;stico referidos &eacute; actualmente elevada, e, por isso, &eacute;    raro o recurso &agrave; bi&oacute;psia do tumor (<a href="#10">10</a>). Contudo,    a bi&oacute;psia aspirativa com agulha &#64257;na &eacute; &uacute;til quando    o diagn&oacute;stico n&atilde;o pode ser estabelecido com base em m&eacute;todos    menos invasivos (<a href="#19">19</a>). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outros m&eacute;todos imagiol&oacute;gicos, como a resson&acirc;ncia magn&eacute;tica    e tomogra&#64257;a computorizada s&atilde;o utilizados ocasionalmente, mas sem    acuidade de diagn&oacute;stico e de avalia&ccedil;&atilde;o da extens&atilde;o    extra-escleral do melanoma uveal superior &agrave;s obtidas com a ecogra&#64257;a    (<a href="#12">12</a>,<a href="#31">31</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>5.2. Estadiamento</B></p>     <p>O f&iacute;gado &eacute; local mais frequente de metastiza&ccedil;&atilde;o    observada, variavelmente, at&eacute; 93% dos casos de melanoma da &uacute;vea    metastizado; tende a ser o primeiro ou o &uacute;nico local de metastiza&ccedil;&atilde;o    (<a href="#32">32-35</a>).<a name="top32"></a> O pulm&atilde;o, o osso, a pele,    e o c&eacute;rebro s&atilde;o outros dos locais de metastiza&ccedil;&atilde;o    descritos (<a href="#32">32-35</a>). </p>     <p>A dissemina&ccedil;&atilde;o por via linf&aacute;tica dos melanomas uveais    &eacute; rara devido &agrave; aus&ecirc;ncia de drenagem linf&aacute;tica no    interior do olho (<a href="#25">25</a>). </p>     <p>A detec&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a metast&aacute;tica resulta do estudo    da fun&ccedil;&atilde;o hep&aacute;tica (doseamento de fosfatase alcalina, aspartato    aminotrasferase, alanina aminotransferase, desidrogenase l&aacute;ctica, &gamma;-glutamiltransferase)    e na avalia&ccedil;&atilde;oimagiol&oacute;gica tor&aacute;cica (radiogra&#64257;a    tor&aacute;cica) e hep&aacute;tica (ecogra&#64257;a abdominal) (<a href="#36">36</a>,    <a href="#37">37</a>, <a href="#38">38</a>). <a name="top36"></a><a name="top37"></a><a name="top38"></a></p>     <p>Num estudo de coorte retrospectivo de 46 doentes com melanoma da &uacute;vea    metastizado, a ecogra&#64257;a e os testes de fun&ccedil;&atilde;o hep&aacute;tica    realizados anualmente permitiram detectar a presen&ccedil;a de met&aacute;stases    hep&aacute;ticas assintom&aacute;ticas em cerca de 59% dos doentes (<a href="#37">37</a>).  </p>     <p>Estudos recentes descreveram que a osteopontina, a prote&iacute;na S-100&beta;,    a MIA (melanoma-inhibitory activity) e a citoqueratina 18 constituem biomarcadores    s&eacute;ricos sens&iacute;veis para o diagn&oacute;stico de melanoma da &uacute;vea    metast&aacute;tico (<a href="#39">39</a>). <a name="top39"></a></p>     <p>O protocolo do COMS recomenda seguimento anual dos doentes com diagn&oacute;stico    de melanoma da &uacute;vea, com exame f&iacute;sico de rotina, testes de fun&ccedil;&atilde;o    hep&aacute;tica e radiogra&#64257;a tor&aacute;cica (<a href="#32">32</a>,<a href="#38">38</a>).    Quando quaisquer destas avalia&ccedil;&otilde;es sugere metastiza&ccedil;&atilde;o,    s&atilde;o realizados outros procedimentos diagn&oacute;sticos, nomeadamente    tomogra&#64257;a computorizada ou outras t&eacute;cnicas de imagem e, se indicado,    bi&oacute;psia (<a href="#32">32</a>,<a href="#38">38</a>). Alguns autores recomendam    a realiza&ccedil;&atilde;o de ecogra&#64257;a abdominal quer aquando do diagn&oacute;stico    quer no seguimento dos doentes com melanoma da &uacute;vea (<a href="#32">32</a>).  </p>     <p>Segundo o protocolo de Leiden, o estadiamento deve incluir uma avalia&ccedil;&atilde;o    sist&eacute;mica (exame cl&iacute;nico e laboratorial), radiogra&#64257;a tor&aacute;cica,    testes de fun&ccedil;&atilde;o hep&aacute;tica (desidrogenase l&aacute;ctica    e &gamma;-glutamiltransferase), doseamento de prote&iacute;na S-100&beta; e    ecogra&#64257;a hep&aacute;tica (<a href="#38">38</a>). O seguimento dos doentes    com melanoma da &uacute;vea deve ser semestraleincluia realiza&ccedil;&atilde;o    de ecogra&#64257;a hep&aacute;tica, testes de fun&ccedil;&atilde;o hep&aacute;tica    (desidrogenase l&aacute;ctica e &gamma;-glutamiltransferase) e doseamento de    prote&iacute;na S-100&beta; (<a href="#38">38</a>). Perante suspeita de met&aacute;stases,    est&atilde;o indicados testes adicionais: tomogra&#64257;a computorizada e bi&oacute;psia    aspirativa com agulha &#64257;na (<a href="#38">38</a>). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><B>6. PROGN&Oacute;STICO</B></p>     <p>H&aacute; v&aacute;rios factores cl&iacute;nicos, histopatol&oacute;gicos,    citogen&eacute;ticos e moleculares relacionados com o progn&oacute;stico do    melanoma da &uacute;vea que est&atilde;o resumidos na Tabela 2 (<a href="#16">16</a>,<a href="#23">23</a>,<a href="#25">25</a>).  </p>     <p align="center">Tabela 2 -<b> Factores de progn&oacute;stico em melanomas da    &uacute;vea (<a href="#1">1</a>,<a href="#19">19</a>,<a href="#23">23-26</a>,<a href="#36">36</a>,<a href="#40">40</a>).    <a name="top40"></a> </b> </p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/am/v23n2/23n2a03t2.jpg" width="684" height="599"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A acuidade preditiva dos factores cl&iacute;nicos e histopatol&oacute;gicos    temlimita&ccedil;&otilde;es na decis&atilde;o cl&iacute;nicaindividualizada,    tanto para vigil&acirc;ncia como para indica&ccedil;&atilde;o de terap&ecirc;utica    sist&eacute;mica adjuvante num doente com risco de metastiza&ccedil;&atilde;o    elevado (<a href="#30">30</a>,<a href="#40">40</a>). </p>     <p>Por outro lado, o per&#64257;l de express&atilde;o g&eacute;nica parece correlacionar-se    com o risco de metastiza&ccedil;&atilde;o (<a href="#29">29</a>). Os melanomas    da classe 1 e da classe 2 apresentam baixo e alto risco de metastiza&ccedil;&atilde;o,    respectivamente (<a href="#29">29</a>). Num estudo realizado, os doentes com    melanomas da classe 1 e classe 2 apresentaram aos 92 meses, uma sobreviv&ecirc;ncia    de, respectivamente, 95% ou superior, e 30% (<a href="#16">16</a>,<a href="#30">30</a>,<a href="#36">36</a>).  </p>     <p>Noutro estudo recente, os melanomas classe 2 da &uacute;vea tinham valor preditivo    positivo e negativo de doen&ccedil;a metast&aacute;tica, respectivamente, 91,7%    e 86,7%, ou seja, superiores aos observados com factores cl&iacute;nicos, histopatol&oacute;gicos    e cromoss&oacute;micos (incluindo a monossomia 3, cujos valores preditivos positivo    e negativo eram, respectivamente, 62,5-77,8% e 61,5-70,6%) (<a href="#40">40</a>).  </p>     <p>O per&#64257;l de express&atilde;o g&eacute;nica classe 2 parece ter acuidade    progn&oacute;stica para de&#64257;nir subpopula&ccedil;&atilde;o de doentes    com risco de doen&ccedil;a metast&aacute;tica elevado e que s&atilde;o candidatos    para terap&ecirc;utica sist&eacute;mica adjuvante (<a href="#23">23</a>,<a href="#30">30</a>,    <a href="#36">36</a>, <a href="#40">40</a>). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A avalia&ccedil;&atilde;o das altera&ccedil;&otilde;es do cromossoma 3 pode    ser uma alternativa nos casos em que a classi&#64257;ca&ccedil;&atilde;o do    per&#64257;l da express&atilde;o g&eacute;nica n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel    (<a href="#30">30</a>). </p>     <p>A monossomia 3 correlaciona-se com melanomas de c&eacute;lulas epiteli&oacute;ides,    padr&atilde;o de <I>mimetismo vasculog&eacute;nico</I>, grande dimens&atilde;o    basal e envolvimento do corpo ciliar (<a href="#1">1</a>,<a href="#16">16</a>).    Esta altera&ccedil;&atilde;o citogen&eacute;tica foi observada em cerca de 50-60%    de melanomas da &uacute;vea submetidos a enuclea&ccedil;&atilde;o (<a href="#27">27</a>,<a href="#41">41</a>)<a name="top41"></a>.    Mais de 50% de melanomas com monossomia 3 desenvolveram met&aacute;stases no    per&iacute;odo de 3 anos ap&oacute;s enuclea&ccedil;&atilde;o (<a href="#36">36</a>).  </p>     <p>Os rearranjos do bra&ccedil;o curto do cromossoma 1 ocorrem mais frequentemente    em melanomas do corpo ciliar, em melanomas de grande dimens&atilde;o, e em melanomas    da &uacute;vea metastizados<B>, </B>sugerindo uma associa&ccedil;&atilde;o entre    a presen&ccedil;a de altera&ccedil;&otilde;es do cromossoma 1 e progn&oacute;stico    reservado (<a href="#1">1</a>). </p>     <p>Parece existir uma associa&ccedil;&atilde;o entre a express&atilde;o de MMP2    (matrix metalloproteinase 2) e MMP9, o desenvolvimento de met&aacute;stases    e a diminui&ccedil;&atilde;o de sobrevida em melanomas uveais, mas estes resultados    necessitam de valida&ccedil;&atilde;o (<a href="#1">1</a>). </p>     <p>A presen&ccedil;a de c&eacute;lulas neopl&aacute;sicas em circula&ccedil;&atilde;o    parece ser um factor com potencial valor progn&oacute;stico em doentes com melanoma    da &uacute;vea (<a href="#30">30</a>,<a href="#42">42</a>,<a href="#43">43</a>).    <a name="top42"></a><a name="top43"></a> </p>     <p>Em doentes com melanoma da &uacute;vea metastizado, foram descritos factores    de progn&oacute;stico favor&aacute;vel: idade inferior a 60 anos, g&eacute;nero    feminino, primeiro local de met&aacute;stases no pulm&atilde;o ou nos tecidos    moles, intervalo livre de met&aacute;stases longo, e hist&oacute;ria de ressec&ccedil;&atilde;o    hep&aacute;tica ou de quimioterapia intra-hep&aacute;tica (<a href="#35">35</a>).    <a name="top35"></a> </p>     <p><I>Eskelin S et al </I>desenvolveram um modelo de progn&oacute;stico para doentes    com melanoma da &uacute;vea metastizado, agrupando-os em 3 grupos de sobreviv&ecirc;ncia    mediana estimada (< 6 meses; 6 - 11 meses; &ge;12 meses), com base no &iacute;ndice    de <I>Karnofsky</I>, no doseamento da fosfatase alcalina s&eacute;rica, e na    dimens&atilde;o da maior met&aacute;stase (<a href="#44">44</a>). <a name="top44"></a></p>     <p>Este modelo pode ter interesse na decis&atilde;o terap&ecirc;utica, mas necessita    de valida&ccedil;&atilde;o (<a href="#44">44</a>). </p>     <p>Num estudo realizado por <I>Kujala E et al </I>em 289 doentes com melanoma    da cor&oacute;ide e do corpo ciliar, a sobreviv&ecirc;ncia dos doentesincluindo    os casos com doen&ccedil;a metast&aacute;tica (estimada pelo m&eacute;todo de    <I>Kaplan-Meier</I>) foi de 68% aos 5 anos e 50% aos 15 anos (<a href="#45">45</a>).    <a name="top45"></a> </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>7. TRATAMENTO </B></p>     <p><b>7.1. Tratamento do tumor prim&aacute;rio </b></p>     <p>Existem v&aacute;rias op&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas para o tratamento do melanoma da &uacute;vea prim&aacute;rio, resumidas na tabela 3. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="#topt3">Tabela 3</a> <a name="t3"></a>- <B>Op&ccedil;&otilde;es    terap&ecirc;uticas em melanomas da &uacute;vea (<a href="#10">10</a>,<a href="#12">12</a>,<a href="#14">14</a>,<a href="#19">19</a>,<a href="#24">24</a>,<a href="#27">27</a>,<a href="#46">46</a>,<a href="#47">47</a>)</B>.    <a name="top46"></a><a name="top47"></a> </p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/am/v23n2/23n2a03t3.jpg" width="691" height="1494"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os principais factores que determinam a escolha do tratamento para o tumor    prim&aacute;rio s&atilde;o: idade, &iacute;ndice de <I>performance</I>, potencial    de vis&atilde;o, estado do olho adelfo, tamanho e localiza&ccedil;&atilde;o    do tumor (<a href="#46">46</a>). </p>     <p>O recurso &agrave; enuclea&ccedil;&atilde;o diminuiu substancialmente nas &uacute;ltimas    d&eacute;cadas com a emerg&ecirc;ncia de op&ccedil;&otilde;es mais conservadoras,    nomeadamente braquiterapia, radioterapia (RT) com part&iacute;culas carregadas,    termoterapia transpupilar e ressec&ccedil;&atilde;o local (<a href="#24">24</a>).  </p>     <p>O grupo COMS demonstrou que nos doentes com melanoma da cor&oacute;ide de tamanho    m&eacute;dio, a terap&ecirc;utica com braquiterapia ou com enuclea&ccedil;&atilde;o    permitia a mesma sobreviv&ecirc;ncia aos 5 anos: 82% e 81%, respectivamente    (<a href="#19">19</a>,<a href="#36">36</a>). Assim, tornou-se pr&aacute;tica    corrente nestes casos o recurso &agrave; braquiterapia ou &agrave; radioterapia    com part&iacute;culas carregadas (<a href="#10">10</a>,<a href="#36">36</a>).  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A taxa descrita de controlo local com braquiterapia tem sido superior a 90%    (<a href="#48">48</a>). <a name="top48"></a></p>     <p>O grupo COMS reportou um controlo local aos 5 anos de 90%, em doentes com melanoma    da cor&oacute;ide de tamanho pequeno e m&eacute;dio, tratados com braquiterapia    com iodo-125 (<a href="#49">49</a>)<a name="top49"></a>. </p>     <p>Um estudo realizado por <I>Ginderdeuren R et al</I>, em 98 casos de melanoma    de &uacute;vea submetidos a braquiterapia com estr&ocirc;ncio 90, revelou uma    taxa de controlo local ap&oacute;s 3, 5 e 10 anos, de respectivamente, 95%,    92%, e 90% (<a href="#50">50</a>). <a name="top50"></a></p>     <p>Um estudo realizado em 400 doentes com melanoma da &uacute;vea submetidos a    braquiterapia com pal&aacute;dio-103 revelou um controlo local de 96,7% (<a href="#51">51</a>).    <a name="top51"></a> </p>     <p>A regress&atilde;o tumoral inicia-se 1 a 2 meses ap&oacute;s o tratamento com    braquiterapia e continua durante v&aacute;rios anos. A resposta tumoral &agrave;    braquiterapia &eacute; geralmente gradual (<a href="#19">19</a>). </p>     <p>As complica&ccedil;&otilde;es do tratamento com braquiterapia dependem do tamanho    e da dist&acirc;ncia do tumor ao nervo &oacute;ptico e &agrave; f&oacute;vea    (<a href="#19">19</a>). A morbilidade resultante da irradia&ccedil;&atilde;o    excessiva do cristalino, nervo &oacute;ptico e m&aacute;cula inclui: cataratas,    papilopatia (com ou sem neovasculariza&ccedil;&atilde;o do disco &oacute;ptico)    e maculopatia. A braquiterapia pode causar edema macular cist&oacute;ide, exsudado    da retina, descolamento seroso da retina, atro&#64257;a corio-retiniana, oclus&atilde;o    da veia central da retina, retinopatia proliferativa, atro&#64257;a &oacute;ptica,    hemorragia do v&iacute;treo, necrose escleral, glaucoma secund&aacute;rio, glaucoma    neovascular, neovasculariza&ccedil;&atilde;o da &iacute;ris, estrabismo secund&aacute;rio    e recidiva local (<a href="#19">19</a>, <a href="#48">48</a>, <a href="#49">49</a>,    <a href="#52">52</a>).<a name="top52"></a> As complica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o    mais graves nos doentes diab&eacute;ticos. O edema macular cist&oacute;ide,    maculopatia isqu&eacute;mica, hemorragia do v&iacute;treo e neuropatia &oacute;ptica    s&atilde;o causas comuns de diminui&ccedil;&atilde;o da acuidade visual (<a href="#49">49</a>).  </p>     <p>Um estudo realizado pelo grupo COMS em 657 doentes submetidos a braquiterapia    com I-125 revelou que 57% dos doentes apresentam, ao &#64257;m de 3 anos, acuidade    visual de 20/200 (<a href="#51">51</a>). O estudo retrospectivo realizado por    <I>Finger P et al, </I>em 400 doentes com melanoma da &uacute;vea submetidos    a braquiterapia com pal&aacute;dio-103, revelou que 79% e 69% dos doentes apresentavam    acuidade visual de pelo menos 20/200 aos 5 anos e 10 anos, respectivamente (<a href="#51">51</a>).  </p>     <p>Outros estudos reportam que 33% a 65% dos doentes com melanoma da &uacute;vea    submetidos a braquiterapia apresentam uma acuidade visual de pelo menos 20/200    aos 5-10 anos (<a href="#50">50</a>, <a href="#51">51</a>). </p>     <p>A recidiva local ap&oacute;s braquiterapia foi descrita em 2,3 -19% dos casos,    consoante as s&eacute;ries (<a href="#46">46</a>, <a href="#48">48</a> e <a href="#51">51</a>).    A percentagem de enuclea&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria a braquiterapia    varia entre 3,5 - 26%, consoante as s&eacute;ries (<a href="#51">51</a>). </p>     <p>Nos melanomas coroideus grandes veri&#64257;cou-se n&atilde;o haver vantagem    de sobreviv&ecirc;ncia com o recurso &agrave; radia&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-enuclea&ccedil;&atilde;o    (<a href="#10">10</a>,<a href="#48">48</a>). Os doentes com melanomas grandes    da &uacute;vea s&atilde;o tratados apenas com enuclea&ccedil;&atilde;o (<a href="#10">10</a>,<a href="#48">48</a>).  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><I>Seguimento apenas com observa&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica </I></p>     <p>Num doente com melanoma da &uacute;vea e esperan&ccedil;a de vida limitada,    a observa&ccedil;&atilde;o pode ser uma op&ccedil;&atilde;o apropriada (<a href="#46">46</a>).  </p>     <p>A observa&ccedil;&atilde;o de les&otilde;es suspeitas na &iacute;ris inclui    a documenta&ccedil;&atilde;o por oftalmoscopiaindirecta, gonioscopia e fotogra&#64257;a    (<a href="#19">19</a>). O seguimento deve ser feito inicialmente ap&oacute;s    3-6 meses, posteriormente 6-9 meses, e depois anualmente (<a href="#19">19</a>).Ap&oacute;s    v&aacute;rios anos de seguimento de uma les&atilde;o quiescente pode observar-se    crescimento (<a href="#19">19</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>7.2. Tratamento de doen&ccedil;a metast&aacute;tica </B></p>     <p>Apesar dos avan&ccedil;os no diagn&oacute;stico precoce e da e&#64257;c&aacute;cia    do tratamento do tumor prim&aacute;rio, n&atilde;o se tem observado a melhoria    esperada na sobreviv&ecirc;ncia dos doentes com melanoma da &uacute;vea, ap&oacute;s    ocorr&ecirc;ncia de doen&ccedil;a metast&aacute;tica (<a href="#1">1</a>,<a href="#27">27</a>,<a href="#30">30</a>).  </p>     <p>O progn&oacute;stico dos doentes com melanoma da &uacute;vea metast&aacute;tico    &eacute; reservado, com sobreviv&ecirc;ncias medianas dos doentes variando entre    2-16 meses (<a href="#1">1</a>,<a href="#12">12</a>,<a href="#16">16</a>,<a href="#27">27</a>,<a href="#36">36</a>,<a href="#47">47</a>).  </p>     <p>Um estudo do grupo COMS descreveu uma mortalidade (propor&ccedil;&atilde;o    cumulativa) de 80% aos 12 meses, em doentes com melanoma da &uacute;vea que    desenvolveram met&aacute;stases hep&aacute;ticas (<a href="#34">34</a>). <a name="TOP34"></a></p>     <p>A ocorr&ecirc;ncia de micromet&aacute;stases (n&atilde;o detect&aacute;veis    clinicamente) antes do tratamento do tumor prim&aacute;rio parece explicar a    incapacidade actual de prevenir a doen&ccedil;a metast&aacute;tica que pode    manifestar-se meses ou anos mais tarde (<a href="#30">30</a>). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A presen&ccedil;a de doen&ccedil;a metast&aacute;tica clinicamente evidente    aquando do diagn&oacute;stico inicial &eacute; incomum (<a href="#1">1</a>,<a href="#12">12</a>,<a href="#24">24</a>).    Por&eacute;m, na maioria dos casos, a metastiza&ccedil;&atilde;o subcl&iacute;nica    pode j&aacute; ter ocorrido antes do diagn&oacute;stico do tumor prim&aacute;rio    (<a href="#1">1</a>,<a href="#24">24</a>). </p>     <p>Actualmente, n&atilde;o existe tratamento e&#64257;caz a longo prazo para o    melanoma da &uacute;vea metastizado (<a href="#12">12</a>,<a href="#16">16</a>).    De facto, o tratamento da doen&ccedil;a metast&aacute;tica &eacute; geralmente    considerado no &acirc;mbito de ensaios cl&iacute;nicos (<a href="#24">24</a>).  </p>     <p>A abordagem do doente com melanoma da &uacute;vea metastizado depende dos &oacute;rg&atilde;os    afectados (<a href="#47">47</a>). </p>     <p>As terap&ecirc;uticas regionais, como ressec&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica,    abla&ccedil;&atilde;o por radiofrequ&ecirc;ncia, quimioemboliza&ccedil;&atilde;o,    quimioinfus&atilde;o intra-arterial hep&aacute;tica e perfus&atilde;o hep&aacute;tica    isolada hipert&eacute;rmica, s&atilde;o utilizadas no tratamento de doen&ccedil;a    metast&aacute;tica con&#64257;nada ao f&iacute;gado (<a href="#47">47</a>).    As abordagens sist&eacute;micas utilizando quimioterapia,imunoterapia ou ambas    t&ecirc;m sido utilizadas quando h&aacute; metastiza&ccedil;&atilde;o extra-hep&aacute;tica    (<a href="#t3">Tabela 3</a>)<a name="topt3"></a> (<a href="#47">47</a>). </p>     <p>Foram descritos resultados encorajadores em doentes com met&aacute;stases con&#64257;nadas    ao f&iacute;gado (met&aacute;stases pequenas e est&aacute;veis) submetidos a    terap&ecirc;uticaslocais ou regionais: ressec&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica,    abla&ccedil;&atilde;o por radiofrequ&ecirc;ncia, quimioemboliza&ccedil;&atilde;o,    quimioinfus&atilde;ointra-arterialhep&aacute;-tica, perfus&atilde;o hep&aacute;tica    isolada hipert&eacute;rmica, isoladas ou combina&ccedil;&atilde;o (<a href="#12">12</a>,<a href="#19">19</a>,<a href="#36">36</a>,<a href="#47">47</a>).    Em doentes seleccionados, a ressec&ccedil;&atilde;o total de met&aacute;stases    hep&aacute;ticas solit&aacute;rias tem algum benef&iacute;cio na sobreviv&ecirc;ncia    dos doentes (<a href="#24">24</a>). </p>     <p>Arecidiva do tumor quer no f&iacute;gado quer noutros &oacute;rg&atilde;os    tem sido umalimita&ccedil;&atilde;oimportante para a ex&eacute;rese cir&uacute;rgica    de met&aacute;stases hep&aacute;ticas (<a href="#47">47</a>). </p>     <p>Embora alguns doentes com melanoma de &uacute;vea metastizado que respondem    &agrave; terap&ecirc;utica local/regional apresentem anos de sobreviv&ecirc;ncia,    o aumento na sobreviv&ecirc;ncia mediana veri&#64257;cado &eacute; de aproximadamente    um ano (<a href="#36">36</a>). </p>     <p>O melanoma da &uacute;vea metast&aacute;tico &eacute; altamente resistente    &agrave; quimioterapia sist&eacute;mica, sobretudo quando h&aacute; envolvimento    hep&aacute;tico (<a href="#24">24</a>,<a href="#47">47</a>). </p>     <p>Os f&aacute;rmacos utilizados no tratamento do melanoma cut&acirc;neo metast&aacute;tico    (dacarbazina, temozolamida, inter-fer&atilde;o-&alpha;, e interleucina-2) raramente    produzem respostas sustentadas nos doentes com melanoma da &uacute;vea metast&aacute;tico    (<a href="#24">24</a>,<a href="#47">47</a>). </p>     <p>A resist&ecirc;ncia dos tumores uveais a muitas das terap&ecirc;uticas actualmente    utilizadas &eacute; dependente, pelo me-nos em parte, de altera&ccedil;&otilde;es    da apoptose tumoral (<a href="#25">25</a>). Virtualmente, todos os melanomas    da &uacute;vea apresentam express&atilde;o constitutiva de Bcl-2, o que pode    explicar a resist&ecirc;ncia das c&eacute;lulas do melanoma da &uacute;vea &agrave;    quimioterapia citot&oacute;xica (<a href="#24">24</a>). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dados dispon&iacute;veis s&atilde;o actualmente insu&#64257;cientes para    recomendar qualquer protocolo de quimioterapia ou imunoterapia em doentes com    melanomas uveais metastizados (<a href="#27">27</a>). </p>     <p>Actualmente, est&atilde;o em curso m&uacute;ltiplos ensaios cl&iacute;nicos,    incluindo quimioterapia, imunoterapia, e terap&ecirc;utica dirigida a alvos    moleculares para o tratamento do melanoma da &uacute;vea metastizado (<a href="#16">16</a>,<a href="#24">24</a>).  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>REFER&Ecirc;NCIAS </B></p>     <p><a name="1"></a><a href="#top1">1</a> -Mudhar HS, Parsons MA, Sisley K, Rundle    P, Singh A, Rennie IG. A critical appraisal of the prognostic and predictive    factors for uveal malignant melanoma. Histopathology 2004;45:1-12. </p>     <p><a href="#top2">2</a> -<a name="2"></a>Singh AD, Topham A. Incidence of uveal    melanoma in the United States: 1973-1997. Ophthalmology 2003; 110:956-61. </p>     <p><a href="#top3">3</a> -<a name="3"></a>Huerta C, Rodr&iacute;guez LA. Incidence    of ocular melanoma in the generalpopulation andin glaucoma patients. J Epidemiol    Community Health 2001;55:338-9. </p>     <p><a href="#top4">4</a> -<a name="4"></a>Virgili G, Gatta G, Ciccolallo L, Capocaccia    R, Biggeri A, Crocetti E, et al. Incidence of uveal melanoma in Europe. Ophthalmology    2007;114:2309-15. </p>     <p><a href="#top5">5</a> -<a name="5"></a>Pinheiro PS, Tycsynski JE, Bray F, et    al. Cancer in... Cancro em Portugal. Vol 38. Lyon: IARC Press Technical Publication;    2002. </p>     <p><a href="#top6">6</a> -<a name="6"></a>Borges J, Maia C, Moreira RJ, Ramires    H, Lopes JM. Melanomas do tracto uveal. Estudo retrospectivo (1978-1988) &ndash;    Caracter&iacute;sticas Cl&iacute;nicas. Acta Oftalmol&oacute;gica;2:70-7. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top7">7</a> -<a name="7"></a>Lopes JM, Carolina C, Ramires H, Salgado-Borges    J: Melanomas do tracto uveal: Estudo retrospectivo (1978-1988). II&ndash;Caracter&iacute;sticas    an&aacute;tomo-patol&oacute;gicas e&ldquo;follow-up&rdquo;.Acta Oftalmol&oacute;gica    1993;3:68-77. </p>     <p><a href="#top8">8</a> -<a name="8"></a>Stang A, Parkin DM, Ferlay J, J&ouml;ckel    KH. International uveal melanoma incidence trends in view of a decreasing proportion    of morphological veri&#64257;cation. Int J Cancer 2005; 114:114-23. </p>     <p><a href="#top9">9</a> -<a name="9"></a> Kanthan GL, Grigg J, Billson F, Kourt    G, Conway RM. Paediatric uveal melanoma. Clin Experiment Ophthalmol 2008;36:374-6.  </p>     <p><a href="#top10">10</a><a name="10"></a> -Abramson DH, Sche&#64258;er AC, Dunkel    IJ, McCormick B, Dolphin JW. Neoplasms of the Eye. In: Kufe W, Pollock E, Weichselbaum    R, Bast C, Gansler S, Holland F. Cancer Medicine. 6<Sup>th </Sup>ed. Vol. 2.    Spain: BC Decker; 2003. p1242-4. </p>     <p><a href="#top11">11</a><a name="11"></a> -Hu DN, McCormick, SA, Yu GP. Latitude    and incidence of ocular melanomas. Ophthalmology 2008;115:757. </p>     <p><a href="#top12">12</a><a name="12"></a> -Damato B. Developmentsin the management    of uvealmelanoma. Clin Experiment Ophthalmol 2004; 32:639-47. </p>     <p><a href="#top13">13</a><a name="13"></a> -Henderson E, Margo CE. Iris melanoma.    Arch Pathol Lab Med 2008;132:268-72 </p>     <p><a href="#top14">14</a><a name="14"></a> -Millodot M, Hendler K, Pe&rsquo;er    J. Iris melanoma: a case report and review. Ophthalmic Physiol Opt 2006;26:120-6.  </p>     <p><a href="#top15">15</a><a name="15"></a> -Wanner JB, Pasquale LR. Glaucomas    secondary to intraocular melanomas. Semin Ophthalmol 2006;21:181-9. </p>     <p><a href="#top16">16</a><a name="16"></a> -Shields CL. The hunt for the secrets    of uveal melanoma. Clin Experiment Ophthalmol 2008;36:277-80. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top17">17</a><a name="17"></a> -Harbour JW. Eye cancer: unique insights    into oncogenesis: the Cogan Lecture. Invest Ophthalmol Vis Sci 2006;47:1736-45.  </p>     <p><a href="#top18">18</a><a name="18"></a> -Kodjikian L, Nguyen K, Lumbroso L,    et al. Familial uveal melanoma: a report on two families and a review of the    literature. Acta Ophthalmol Scand 2003;81:389-95. </p>     <p><a href="#top19">19</a><a name="19"></a> -Kanski J. Ocular tumours and related    conditions. In: Kanski J. Clinical Ophthalmology A systematic approach. 6th    ed. China: Elsevier Butterworth Heinemann; 2007. p. 518-38. </p>     <p><a href="#top20">20</a><a name="20"></a> -V&aacute;squez LM, Pavlin CJ, McGowan    H, Y&uuml;cel Y, Simpson ER. Ring melanoma of the ciliary body: clinical and    ultrasound biomicroscopic characteristics. Can J Ophthalmol 2008;43:229-33.  </p>     <p><a href="#top21">21</a><a name="21"></a> -Demirci H, Shields CL, Shields JA, Eagle    RC Jr, Honavar S. Ring melanoma of the anterior chamber angle: a report of fourteen    cases. Am J Ophthalmol 2001;132:336-42. </p>     <p><a href="#top22">22</a><a name="22"></a> -Kujala E, Kivel&auml; T. Tumor, node,    metastasis classi&#64257;cation of malignant ciliary body and choroidal melanoma    evaluation of the 6<Sup>th </Sup>edition and future directions. Ophthalmology    2005;112:1135-44. </p>     <p><a href="#top23">23</a><a name="23"></a> -Chang SH, Worley LA, Onken MD, Harbour    JW. Prognostic biomarkers in uveal melanoma: evidence for a stem cell-like phenotype    associated with metastasis. Melanoma Res 2008;18:191-200. </p>     <p><a href="#top24">24</a><a name="24"></a> -Sato T, Han F, Yamamoto A. The biology    and management of uveal melanoma. Curr Oncol Rep 2008;10:431-8. </p>     <p><a href="#top25">25</a><a name="25"></a> -Landreville S, Agapova OA, Harbour JW.    Emergencing insightsinto the molecular pathogenesis of uvealmelanoma. Future    Oncol 2008;4:629-36. </p>     <p><a href="#top26">26</a><a name="26"></a> -Ehlers JP, Harbour JW. Molecular pathobiology    of uveal melanoma. Int Ophthalmol Clin 2006;46:67-80. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top27">27</a><a name="27"></a> -Triozzi PL, Eng C, Singh AD. Targeted    therapy for uveal melanoma. Cancer Treat Rev 2008;34:247-58. </p>     <p><a href="#top28">28</a><a name="28"></a> -Meir T, Dror R, Yu X, et al . Molecular    characteristics of liver metastases from uveal melanoma. Invest Ophthalmol Vis    Sci 2007;48:4890-6. </p>     <p><a href="#top29">29</a><a name="29"></a> -Onken MD, Worley LA, Ehlers, JP, Harbour,    JW. Gene expression pro&#64257;ling in uveal melanoma reveals two molecular    classes and predicts metastatic death. Cancer Res 2004;64:7205-9. </p>     <p><a href="#top30">30</a><a name="30"></a> -Harbour JW. Molecular prognosis testing    in uveal melanoma: has it &#64257;nally come of age? Arch ophthalmol 2007;125:1122-3.  </p>     <p><a href="#top31">31</a><a name="31"></a> -BakriSJ, Sculley L, SinghAD. Imaging    techniques for uveal melanoma. Int Ophthalmol Clin 2006;46:1-13. </p>     <p><a name="32"></a><a href="#top32">32</a> -Willson JKV, Albert DM, Diener-West    M, McCaffrey L, Moy CS, Scully RE. Assessment of metastatic disease status at    death in 435 patients with large choroidal melanoma in the Collaborative Ocular    Melanoma Study (COMS): COMS report no. 15. Arch Ophthalmol 2001;19:670-6. </p>     <p><a href="#TOP32">33</a> -Lorigan JG, Wallace S, Mavligit GM. The prevalence    and location of metastases from ocular melanoma: imaging studyin 110 patients.ARJAm    J Roentgenol1991;157:1279--81. </p>     <p><a href="#top34">34</a><a name="34"></a> -Diener-West M, Reynolds SM,Agugliaro    DJ, et al. Development of metastatic disease after enrollment in the COMS trials    for treatment of choroidalmelanoma.Arch Ophthalmol 2005;123:1639-43. </p>     <p><a href="#top35">35</a><a name="35"></a> -Rietschel P, Panageas KS, Hanlon    C, Patel A, Abramson DH, Chapman PB. Variates of survival in metastatic uveal    melanoma. J Clin Oncol 2005;23:8076-80. </p>     <p><a href="#top36">36</a><a name="36"></a> -Tsai T, O&rsquo; Brien JM. The future    promise and the current reality of genetic prognostication in patients with    uveal melanoma. Arch ophthalmol 2008;126:413-5. </p>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>Diana Pinho Cruz </p>     <p>Faculdade de Medicina da Universidade do Porto </p>     <p>Alameda Prof. Hern&acirc;ni Monteiro </p>     <p>4200-319 Porto </p>     <p>e-mail: <a href="mailto:dianampcruz@gmail.com">dianampcruz@gmail.com</a> </p>      ]]></body><back>
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<page-range>70-7</page-range></nlm-citation>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Melanomas do tracto uveal: Estudo retrospectivo (1978-1988). II-Características anátomo-patológicas e&#8220;follow-up&#8221;]]></article-title>
<source><![CDATA[Acta Oftalmológica]]></source>
<year>1993</year>
<volume>3</volume>
<page-range>68-77</page-range></nlm-citation>
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