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</front><body><![CDATA[ <p><B>Teste Volunt&aacute;rio do VIH/sida em Portugal, Acompanhado de Aconselhamento    e Referencia&ccedil;&atilde;o </b></p>     <p><I>Relev&acirc;ncia da Avalia&ccedil;&atilde;o Econ&oacute;mica </I></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Julian Perelman </p>     <p><I>Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica - Universidade Nova de Lisboa    </I></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, a avalia&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica tem-se    tornado um instrumento indispens&aacute;vel de decis&atilde;o na &aacute;rea    da sa&uacute;de. Esta import&acirc;ncia deve-se sem d&uacute;vida ao facto de    os or&ccedil;amentos p&uacute;blicos serem limitados e as necessidades em sa&uacute;de    m&uacute;ltiplas, o que obriga a fazer escolhas e identi&#64257;car prioridades.    A avalia&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica permite tornar mais objectivas estas    decis&otilde;es, atrav&eacute;s da compara&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica    de diferentes alternativas, sejam elas terapias, programas de preven&ccedil;&atilde;o    ou m&eacute;todos de diagn&oacute;stico, em termos dos seus custos e benef&iacute;cios,    permitindo destacar aquela que, para a sociedade no seu conjunto, apresenta    o maior valor acrescentado. </p>     <p>A problem&aacute;tica do VIH/sida n&atilde;o foge &agrave; necessidade de avalia&ccedil;&atilde;o    econ&oacute;mica. Assim, a partir dos anos 90, t&ecirc;m sido realizadas in&uacute;meras    avalia&ccedil;&otilde;es nesta &aacute;rea, centradas, na sua maioria, nos novos    f&aacute;rmacos e nos diferentes programas de preven&ccedil;&atilde;o, permitindo    desta forma orientar as pol&iacute;ticas de sa&uacute;de p&uacute;blica e de    &#64257;nanciamento das terapias. No entanto, pouca evid&ecirc;ncia existe no    que diz respeito &agrave; detec&ccedil;&atilde;o precoce, embora este seja hoje    em dia o tema mais debatido em Portugal e no estrangeiro. &Eacute; sobre a relev&acirc;ncia    da avalia&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica da detec&ccedil;&atilde;o precoce    do VIH/sida em Portugal que importa questionarmo-nos. Em particular, o tema    em debate &eacute; a avalia&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica do teste do VIH/sida    alargado a uma popula&ccedil;&atilde;o mais abrangente, volunt&aacute;rio mas    proposto sistematicamente pelo prestador de cuidados, e acompanhado de aconselhamento    e referencia&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Em termos cl&iacute;nicos e epidemiol&oacute;gicos, o argumento essencial a    favor de um teste alargado &eacute; o n&uacute;mero elevado de casos n&atilde;o    diagnosticados. Hamers e Phillips (<a href="#1">1</a><a name="top1"></a>) estimam    que 30% das infec&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o diagnosticadas na    Europa; em Portugal, 31% dos novos casos s&atilde;o detectados numa fase tardia    da doen&ccedil;a. O desconhecimento da sua pr&oacute;pria infec&ccedil;&atilde;o    &eacute; prejudicial para a pessoa infectada, que sofre maior morbilidade, pior    qualidade de vida e maior risco de morte prematura, e para a sociedade no seu    conjunto pois o comportamento de risco &eacute; maior nas pessoas que n&atilde;o    t&ecirc;m consci&ecirc;ncia da sua pr&oacute;pria infec&ccedil;&atilde;o. Assim,    o teste alargado &eacute; tamb&eacute;m invocado como uma das solu&ccedil;&otilde;es    para limitar a difus&atilde;o de uma doen&ccedil;a que, apesar do desenvolvimento    de terapias e&#64257;cazes, est&aacute; longe de ser controlada (Hamers e Phillips    referem que 760.000 pessoas viviam em 2007 com VIH/sida na Europa Ocidental    e Central, e Portugal era em 2006 o pa&iacute;s com a segunda taxa mais elevada    de novos casos de VIH na Uni&atilde;o Europeia). Assim, o norte-americano CDC    (Center for Disease Control) promove uma estrat&eacute;gia de teste mais agressiva,    alargando o teste &agrave;s pessoas que vivem em zonas de preval&ecirc;ncia    elevada, e n&atilde;o apenas &agrave;s pessoas de alto risco. Em Portugal, o    Plano Nacional de Preven&ccedil;&atilde;o e Controlo da Infec&ccedil;&atilde;o    VIH/sida 2007-2010 recomenda o acesso generalizado &agrave; detec&ccedil;&atilde;o    precoce com referenciamento, reconhecendo assim a import&acirc;ncia do alargamento    do rastreio. </p>     <p>Por outro lado, em termos econ&oacute;micos, esta estrat&eacute;gia implica    custos elevados, n&atilde;o apenas pela pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o    do teste, mas tamb&eacute;m pelos tratamentos que dever&atilde;o ser administrados    aos doentes assim detectados. Por isso, a proposta de um rastreio mais abrangente,    alargado a certas &aacute;reas ou a toda a popula&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o    pode ser considerada como uma solu&ccedil;&atilde;o, sem uma avalia&ccedil;&atilde;o    econ&oacute;mica pr&eacute;via. Desta forma, coloca-se a quest&atilde;o de avaliar    os valores acrescentados do teste alargado &ndash; os j&aacute; referidos ganhos    em sa&uacute;de &ndash; &agrave; luz dos custos que a sociedade no seu conjunto    dever&aacute; suportar para a sua implementa&ccedil;&atilde;o. Neste sentido,    sugerimos a realiza&ccedil;&atilde;o de uma avalia&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica    que considere, por um lado, os ganhos em sa&uacute;de da detec&ccedil;&atilde;o    precoce da forma mais abrangente poss&iacute;vel &ndash; anos de vida ganhos,    qualidade de vida, redu&ccedil;&atilde;o da transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a    &ndash; e, por outro lado, todos os custos associados &agrave; detec&ccedil;&atilde;o    precoce, incluindo os tratamentos e todas as suas consequ&ecirc;ncias. Apenas    com este tipo de estudos ser&aacute; poss&iacute;vel um debate objectivo, que    considere custos e benef&iacute;cios, sobre esta quest&atilde;o complexa, e    uma resposta &agrave;s perguntas sobre a quem se deve propor o teste, onde e    com que frequ&ecirc;ncia. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><B>REFER&Ecirc;NCIAS </b></p>     <!-- ref --><p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a> - Hamers FF, Phillips AN. Diagnosed and    undiagnosed HIV-infected populations in Europe. HIV Medicine 2008;9:6-12. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000015&pid=S0871-3413200900020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body><back>
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