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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Medicina Serviço de Higiene e Epidemiologia]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Acesso, Pr&aacute;ticas e Barreiras ao Teste VIH </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Cl&aacute;udia Carvalho </p>     <p><I>Servi&ccedil;o de Higiene e Epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade    do Porto </I></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B>: Os benef&iacute;cios decorrentes da identi&#64257;ca&ccedil;&atilde;o    precoce da infec&ccedil;&atilde;o pelo VIH s&atilde;o inequ&iacute;vocos, quer    do ponto de vista individual, ao permitir o encaminhamento adequado das pessoas    que vivem com a infec&ccedil;&atilde;o e o in&iacute;cio atempado de tratamento,    quer do ponto de vista comunit&aacute;rio, ao constituir pe&ccedil;a central    na estrat&eacute;gia de preven&ccedil;&atilde;o de novas infec&ccedil;&otilde;es.    Na Europa estimou-se que 15 a 38% dos diagn&oacute;sticos de infec&ccedil;&atilde;o    VIH eram tardios, estando esta propor&ccedil;&atilde;o aparentemente a aumentar    ou, na melhor das hip&oacute;teses, a manter-se. A UE de&#64257;niu como prioridade    alargar o acesso ao teste e reduzir a propor&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos    infectados n&atilde;o diagnosticados. Para isso &eacute; necess&aacute;rio compreender    o contexto actual de realiza&ccedil;&atilde;o do teste, de&#64257;nindo o acesso,    as pr&aacute;ticas e as barreiras. Com esse prop&oacute;sito, e no &acirc;mbito    de um estudo envolvendo cinco pa&iacute;ses europeus, foi aplicado um question&aacute;rio    a doentes com infec&ccedil;&atilde;o VIH seguidos em tr&ecirc;s centros hospitalares    nacionais. </p>     <p>Os <B>objectivos </B>foram: identi&#64257;car os locais de realiza&ccedil;&atilde;o    do teste, compreender quais as condi&ccedil;&otilde;es/contexto em que &eacute;    realizado, caracterizar as barreiras ao acesso, compreender a magnitude e identi&#64257;car    caracter&iacute;sticas associadas ao diagn&oacute;stico tardio. </p>     <p><B>Material e m&eacute;todos</B>: De Julho a Outubro de 2008 e de Janeiro a    Fevereiro de 2009 foi aplicado um question&aacute;rio volunt&aacute;rio e an&oacute;nimo    a doentes que frequentavam as consultas especializadas dos Hospitais de S&atilde;o    Jo&atilde;o, Joaquim Urbano e Santa Maria. Crit&eacute;rios de inclus&atilde;o:    idade superior a 17 anos e diagn&oacute;stico de infec&ccedil;&atilde;o VIH    h&aacute; menos de 3 anos. Crit&eacute;rio de exclus&atilde;o: primeira consulta.    A associa&ccedil;&atilde;o entre as caracter&iacute;sticas dos participantes    e o diagn&oacute;stico tardio (resultado principal) foi estimada atrav&eacute;s    do c&aacute;lculo de odds ratios (OR) e respectivos intervalos de con&#64257;an&ccedil;a    a 95% (IC 95%). </p>     <p><B>Resultados</B>: Preencheram o question&aacute;rio 301 doentes: 53% do Hospital    S&atilde;o Jo&atilde;o, 9% do Hospital Joaquim Urbano e 38% do Hospital Santa    Maria. Dos participantes, 68,7% eram homens; a idade mediana (percentil 25 &ndash;    percentil 75) foi 39 (31-50) anos; 18,2% n&atilde;o nasceram em Portugal. As    vias de transmiss&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o mais frequentes foram a    sexual, em 68,3% (heterossexual em 50,7%, HSH em 17,6%) e o consumo de drogas    endovenosas em 7,1%. No entanto 22% declararam desconhecer qual o modo de transmiss&atilde;o    da infec&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>O Centro de Sa&uacute;de / consulta de Medicina Geral e Familiar foi o local    de realiza&ccedil;&atilde;o do teste para 37,7%. Dos restantes, 17,7% foram    diagnosticados no contexto de internamento hospitalar, 11,7% no Servi&ccedil;o    de Urg&ecirc;ncia hospitalar, 10,3 % em consulta de infecciologia/venereologia,    3,0% num centro de aconselhamento e diagn&oacute;stico (CAD), 2,7% num centro    de atendimento a toxicodependentes e os restantes 17% em consultas de outras    especialidades, laborat&oacute;rios privados, servi&ccedil;os de sangue ou estabelecimentos    prisionais. N&atilde;o houve diferen&ccedil;as signi&#64257;cativas entre sexos.    A&#64257;rmaram ter feito o teste por iniciativa pr&oacute;pria 29,1% dos homens    e 16,7% das mulheres. Responderam ter um teste negativo anterior 34,0% dos homens    e 28,3% das mulheres. Os motivos apontados para a n&atilde;o realiza&ccedil;&atilde;o    de teste pr&eacute;vio ao que identi&#64257;cou a infec&ccedil;&atilde;o foram,    respectivamente, em homens e mulheres: baixa percep&ccedil;&atilde;o de risco    76,5% vs. 86,2%; di&#64257;culdades &ldquo;log&iacute;sticas&rdquo; 9,2% vs.    10,3%, medo pessoal/social 0,8% vs.1,7%, aus&ecirc;ncia de sintomas 8,4% vs.    1,7%. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A gratuitidade do teste foi con&#64257;rmada por 70,4% dos participantes e    todos a&#64257;rmaram ter tido facilidade no acesso ao local de teste. Negaram    ter recebido aconselhamento pr&eacute; teste 77,2%. Referiram ter-lhes sido    pedido consentimento expl&iacute;cito para a realiza&ccedil;&atilde;o do teste    44% dos participantes e 53,1% responderam desconhecer a possibilidade de recusa    do teste. </p>     <p>&Agrave; data do diagn&oacute;stico, 65.3% dos doentes apresentavam uma contagem    de linf&oacute;citos T CD4 inferior a 350/mm3 (o que foi considerado diagn&oacute;stico    tardio). </p>     <p>Os factores que se associaram signi&#64257;cativamente a um diagn&oacute;stico    tardio foram (ORs ajustados para idade, sexo e categoria de transmiss&atilde;o):    o sexo masculino (OR: 2,01 (IC95%:1,11-3,63)), a idade (OR (por ano):1,03 (1,00-1,05)),    realizar o teste por iniciativa m&eacute;dica (OR:1,92 (1,05-3,50)), realizar    o teste no hospital (OR:4,27 (1,99-9,17)), realiz&aacute;-lo por doen&ccedil;a    (OR:4,10 (2,12-7,92)). A realiza&ccedil;&atilde;o do teste por rotina ou tendo    como motivos a preocupa&ccedil;&atilde;o ou parceiro seropositivo foram factores    associados a um diagn&oacute;stico precoce. Quando questionados quanto a estrat&eacute;gias    que permitissem diagn&oacute;stico mais precoce, 57,5% dos doentes sugeriram    que os m&eacute;dicos deveriam testar todos os doentes, 55,5% que os testes    deviam ser rotina e 36,5% que devia haver mais campanhas de incentivo ao teste.  </p>     <p><B>Discuss&atilde;o: </B>Os locais onde mais frequentemente o teste foi proposto    foram o centro de Sa&uacute;de e o Hospital. Uma pequena propor&ccedil;&atilde;o    realizou o teste por iniciativa pr&oacute;pria. Relativamente ao contexto/condi&ccedil;&otilde;es    do teste, a maioria dos doentes teve acesso f&aacute;cil e gratuito ao teste,    mas s&oacute; uma minoria refere ter tido aconselhamento pr&eacute;vio e apenas    44% con&#64257;rmaram a exist&ecirc;ncia de um pedido expl&iacute;cito de consentimento,    dados que apontam para falhas de informa-&ccedil;&atilde;o/comunica&ccedil;&atilde;o    no momento do teste. A propor&ccedil;&atilde;o de doentes que nunca tinha feito    qualquer teste previamente ao que identi&#64257;cou a infec&ccedil;&atilde;o    foi de 68%. A baixa percep&ccedil;&atilde;o de risco foi apontada pelos doentes    como a principal barreira ao teste e cerca de 22% declararam desconhecer qual    o modo de transmiss&atilde;o da infec&ccedil;&atilde;o, revelando lacunas importantes    no conhecimento da infec&ccedil;&atilde;o pelo VIH. Na amostra estudada, o diagn&oacute;stico    de infec&ccedil;&atilde;o pelo VIH foi tardio em 65,3% dos casos, com previs&iacute;veis    repercuss&otilde;es graves a n&iacute;vel individual e das estrat&eacute;gias    de sa&uacute;de p&uacute;blica. Ser homem ou ter idade mais avan&ccedil;ada    foram factores que se associaram de forma signi&#64257;cativa a um diagn&oacute;stico    mais tardio. A realiza&ccedil;&atilde;o do teste por rotina ou tendo como motivos    a preocupa&ccedil;&atilde;o ou parceiro seropositivo foram factores associados    a um diagn&oacute;stico precoce. </p>     <p>As opini&otilde;es expressas pelos participantes como forma de promover o diagn&oacute;stico    precoce revelam uma cultura de responsabiliza&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica    e social que dever&atilde;o ser tidas em conta na de&#64257;ni&ccedil;&atilde;o    de novas estrat&eacute;gias. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B><I>Agradecimentos</i></b> </p>     <p><I>Aos m&eacute;dicos dos Servi&ccedil;os de Doen&ccedil;as Infecciosas dos    hospitais participantes: Dr. Rui Marques, Dr&ordf; Carmela Pinero, (HSJ), Prof.    Doutor Francisco Antunes, Dr&ordf; Manuela Doruana, Dr&ordf; Joana Fernandes,    Dr&ordf; Mariana Seidi, Dr. Tiago Marques (HSM), Doutor Rui Sarmento e Castro    (HJU), ao Dr. Diogo Costa e Dr&ordf; Raquel Lucas do Servi&ccedil;o de Higiene    e Epidemiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, &agrave;    Dr&ordf;Jessica Deblonde (Universidade de Ghant, B&eacute;lgica) e Prof. Henrique    Barros (Coordena&ccedil;&atilde;o Nacional para a Infec&ccedil;&atilde;o VIH/Sida,    Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, Portugal). </I></p>      ]]></body>
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