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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Qualidade e Satisfação com a Prestação de Cuidados na Patologia Avançada em Medicina Interna]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[For many chronically ill patients, hospitalization is an opportunity to reconsider treatment goals. We interviewed 33 patients [mainly women; men age: 74.3 (±11.2) years], suffering of advanced and chronic disease, admitted to a Internal Medicine ward, in order to gather information about the importance and satisfaction felt in several domains of care. Then, the treating physician selected those items felt to be the most important to the patient in question. Most patients had chronically advanced non-oncologic conditions, mainly heart and respiratory diseases (21.9%). The median Karnofsky and Katz scores were 30% and 1. More than 90% of patients were, at least, satis&#64257;ed with the quality of care; 40% were very satis&#64257;ed. While the items rated by patients/ families as &#8220;very important&#8221; in the de&#64257;nition of quality of care were receiving good diagnostic and prognostic information (93.8% of the answers), symptom control (90.9%) and having facilitated access to health team (90.9%), the correspondent doctors thought to be the good symptom management (88.5%), the accessibility to the health care system (34.6%) and communication about therapeutic options (30.8%) the most important factors. Patients/ families were more satis&#64257;ed with domains of care re&#64258;ecting information about therapeutic plan and the involvement in the decision process. Patients and medical team do not give the same importance to various domains of care. Patients privilege communicational aspects over the ones merely formal or related to the physical aspects of the wards. Patient-centred delivery of care allows to rede&#64257;ne goals of care and to promote satisfaction.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Qualidade e Satisfa&ccedil;&atilde;o com a Presta&ccedil;&atilde;o de Cuidados    na Patologia Avan&ccedil;ada em Medicina Interna</B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Rui Carneiro*, Elisabete Sousa&dagger;, Tiago Guerreiro&dagger;, Nelson Rocha* </P >     <p><I>*Servi&ccedil;o de Medicina 1, Hospital Geral de Santo Ant&oacute;nio, Porto;    &dagger;Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas Abel Salazar, Porto </I></P >     <p>&nbsp;</P >     <P   >Avali&aacute;mos a import&acirc;ncia e satisfa&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;das    a v&aacute;rios dom&iacute;nios da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de doentes    cr&oacute;nicos avan&ccedil;ados (crit&eacute;rios adaptados da <I>National    Hospice Organization</I>), admitidos num Servi&ccedil;o de Medicina Interna    durante um trimestre (22,9% do total de internamentos). Os m&eacute;dicos assistentes    foram questionados, quanto &agrave; import&acirc;ncia que presumiam que os seus    doentes atribu&iacute;am a cada um dos dom&iacute;nios explorados. A amostra    (n=33) foi na sua maioria do sexo feminino, com 74,3 (&plusmn;11,2) anos. Quase    75% apresentavam doen&ccedil;a n&atilde;o-oncol&oacute;gica, principalmente    card&iacute;aca e respirat&oacute;ria (21,9%, para cada um dos grupos). As medianas    de escala de <I>Karnofsky </I>e <I>Katz </I>foram de 30% e 1,0. Mais de 90%    estavam, no m&iacute;nimo, satisfeitos com os cuidados recebidos; 40% a&#64257;rmaram-se    muito satisfeitos. Aspectos mais valorizados na de&#64257;ni&ccedil;&atilde;o    da qualidade assistencial: (1) informa&ccedil;&atilde;o &agrave;cerca do diagn&oacute;stico    e progn&oacute;stico inerente &agrave; patologia (93,8%), (2) al&iacute;vio    sintom&aacute;tico (90,9%) e (3) acessibilidade aos m&eacute;dicos assistentes    (90,9%). Os m&eacute;dicos consideram o al&iacute;vio sintom&aacute;tico o principal    contributo para a qualidade assistencial (88,5%), seguido do acesso f&aacute;cil    aos cuidados de sa&uacute;de (34,6%) e da informa&ccedil;&atilde;o referente    &agrave; terap&ecirc;utica (30,8%), mais valorizada do que a discuss&atilde;o    progn&oacute;stica. Doentes/cuidadores a&#64257;rmaram-se mais satisfeitos relati</B>vamente    &agrave; &ldquo;informa&ccedil;&atilde;o referente ao tratamento&rdquo;, ao    &ldquo;envolvimento nas decis&otilde;es da equipa&rdquo; e menos satisfeitos    com a acessibilidade ao apoio m&eacute;dico. Doentes cr&oacute;nicos avan&ccedil;ados/cuidadores    e m&eacute;dicos n&atilde;o atribuem id&ecirc;ntica import&acirc;ncia &agrave;s    v&aacute;rias vertentes do cuidar. Os primeiros privilegiam aspectos relacionais    em detrimento aos hoteleiros. A presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de    centrada no doente adequa os objectivos e promove a satisfa&ccedil;&atilde;o    de utentes. </P >     <P   ><B>Palavras-chave:</B> cuidados paliativos; satisfa&ccedil;&atilde;o; qualidade.  </P >     <P   >&nbsp;</P >     <p><b>Quality and Satisfation with the Care of Chronically Seriously Ill Patients    in an Internal Medicine Ward </b></p>     <P   >For many chronically ill patients, hospitalization is an opportunity to reconsider    treatment goals. We interviewed 33 patients [mainly women; men age: 74.3 (&plusmn;11.2)    years], suffering of advanced and chronic disease, admitted to a Internal Medicine    ward, in order to gather information about the importance and satisfaction felt    in several domains of care. Then, the treating physician selected those items    felt to be the most important to the patient in question. Most patients had    chronically advanced non-oncologic conditions, mainly heart and respiratory    diseases (21.9%). The median Karnofsky and Katz scores were 30% and 1. More    than 90% of patients were, at least, satis&#64257;ed with the quality of care;    40% were very satis&#64257;ed. While the items rated by patients/ families as    &ldquo;very important&rdquo; in the de&#64257;nition of quality of care were    receiving good diagnostic and prognostic information (93.8% of the answers),    symptom control (90.9%) and having facilitated access to health team (90.9%),    the correspondent doctors thought to be the good symptom management (88.5%),    the accessibility to the health care system (34.6%) and communication about    therapeutic options (30.8%) the most important factors. Patients/ families were    more satis&#64257;ed with domains of care re&#64258;ecting information about    therapeutic plan and the involvement in the decision process. Patients and medical    team do not give the same importance to various domains of care. Patients privilege    communicational aspects over the ones merely formal or related to the physical    aspects of the wards. Patient-centred delivery of care allows to rede&#64257;ne    goals of care and to promote satisfaction. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   ><B>Key-words:</B> palliative care; quality and satisfaction of care. </P >     <P   >&nbsp;</P >     <p><B>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </B></p>    <p>O envelhecimento populacional multiplicou o n&uacute;mero de doentes com patologias cr&oacute;nicas avan&ccedil;adas, progressivas e debilitantes, cujo percurso se pauta por contactos cada vez mais frequentes com institui&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas, nomeadamente em ambiente de internamento. </P >     <p>Em 2004, em Inglaterra e Pa&iacute;s de Gales, mais de 85% dos cerca de 30    mil &oacute;bitos anuais de pessoas com idade superior aos 75 anos, ocorreu    fora do domic&iacute;lio. Mais de metade destas mortes foram hospitalares. Projec&ccedil;&otilde;es    para 2030 prev&ecirc;em uma duplica&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero anual    de &oacute;bitos, para esta faixa et&aacute;ria (<a href="#1">1</a><a name="top1"></a>).  </P >     <p>Para muitos doentes portadores de patologia cr&oacute;nica, a hospitaliza&ccedil;&atilde;o equivale a um momento de crise, consequente &agrave; altera&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o global, muitas vezes n&atilde;o totalmente revers&iacute;vel. Proporciona oportunidade para rede&#64257;ni&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia dos cuidados m&eacute;dicos prestados. A Medicina Interna, por de&#64257;ni&ccedil;&atilde;o uma disciplina hol&iacute;stica, &eacute; frequentemente respons&aacute;vel pelo acompanhamento no internamento, dos doentes em fase terminal de vida, momento complexo e desa&#64257;ante. </P >     <p>O respeito pela vontade e prefer&ecirc;ncias do doente terminal, na de&#64257;ni&ccedil;&atilde;o    dos objectivos terap&ecirc;uticos, &eacute; princ&iacute;pio basilar na aferi&ccedil;&atilde;o    da qualidade da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados m&eacute;dicos. Em Portugal,    e em especial na &aacute;rea da Medicina Interna, n&atilde;o h&aacute; informa&ccedil;&atilde;o    dispon&iacute;vel sobre a forma como a actua&ccedil;&atilde;o da equipa de sa&uacute;de    se intersecta com os objectivos pessoais dos doentes e fam&iacute;lias. Abrir    caminho na avalia&ccedil;&atilde;o desta problem&aacute;tica, foi a principal    motiva&ccedil;&atilde;o para a realiza&ccedil;&atilde;o deste documento. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>M&Eacute;TODOS </B></p>     <p>Foi feito um estudo prospectivo descritivo e transversal, em ambiente de internamento,    numa unidade de Medicina Interna, com uma lota&ccedil;&atilde;o de 46 camas    e integrada no Hospital Geral de Santo Ant&oacute;nio, hospital universit&aacute;rio,    vocacionado para tratamento de doentes agudos e doentes cr&oacute;nicos descompensados.    &Agrave; data do estudo ainda n&atilde;o haviam sido o&#64257;cialmente implementadas,    a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e n&atilde;o existia na institui&ccedil;&atilde;o    nenhuma equipa especialmente vocacionada para a pr&aacute;tica de cuidados paliativos.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No per&iacute;odo de tempo compreendido entre Mar&ccedil;o e Maio de 2007,    dos 174 doentes admitidos a internamento, 40 (22,9%) apresentaram crit&eacute;rios    de inclus&atilde;o no estudo, ou seja, permaneciam internados h&aacute; mais    de 5 dias e tinham doen&ccedil;a cr&oacute;nica, entendida como avan&ccedil;ada,    conforme os crit&eacute;rios constantes na tabela 1. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p>Tabela 1 -<B> Crit&eacute;rios de Admiss&atilde;o (<a href="#2">2</a>)<a name="top2"></a>.    </B></p>     <p><img src="/img/revistas/am/v23n3/23n3a01t1.jpg" width="399" height="872"></p>     
<p>&nbsp;</P >     <p>Os dados demogr&aacute;&#64257;cos relevantes e referentes &agrave; doen&ccedil;a    principal, s&atilde;o apresentados na tabela 2. O grau de depend&ecirc;ncia    inerente &agrave; patologia de base foi avaliado pelo &Iacute;ndice de Karnofsky    (<a href="#5">5</a>)<a name="top5"></a> e pelo &Iacute;ndice de Katz (<a href="#6">6</a>)<a name="top6"></a>.    O &Iacute;ndice de Karnofsky &eacute; uma escala num&eacute;rica cont&iacute;nua    entre os valores 0 e 100, em que a valores mais baixos correspondem maior grau    de debilidade global do estado de sa&uacute;de. O &Iacute;ndice de Katz de Independ&ecirc;ncia    para Actividades Quotidianas, expresso numa vari&aacute;vel n&uacute;merica    ordinal, de zero a seis, pretende caracterizar o grau de depend&ecirc;ncia de    adultos idosos nos dom&iacute;nios da realiza&ccedil;&atilde;o da higiene, cuidados    pessoais, transfer&ecirc;ncias, alimenta&ccedil;&atilde;o e contin&ecirc;ncia    es&#64257;ncteriana; valores mais baixos nesta escala implicam menor grau de    autonomia. </P >     <p>Tabela 2 - <B>Caracter&iacute;sticas gerais. </b></P >     <p><b><img src="/img/revistas/am/v23n3/23n3a01t2.jpg" width="388" height="504"></b></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Foi realizada uma entrevista directa a 33 doentes (82,5% da popula&ccedil;&atilde;o    eleg&iacute;vel) com capacidade an&iacute;mica para responder a, pelo menos,    tr&ecirc;s quartos do question&aacute;rio e sem d&eacute;&#64257;cits cognitivos    (n=16), caso contr&aacute;rio, aos respectivos cuidadores (n=17) (Figura 1).    O question&aacute;rio visava perceber a import&acirc;ncia relativa de v&aacute;rios    dom&iacute;nios da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados m&eacute;dicos na de&#64257;ni&ccedil;&atilde;o    da qualidade assistencial, bem como o correspondente n&iacute;vel de satisfa&ccedil;&atilde;o.    Uma escala simpli&#64257;cada de Likert, com tr&ecirc;s n&iacute;veis, foi usada    para avaliar o grau de import&acirc;ncia (&ldquo;nada importante&rdquo;; &ldquo;importante&rdquo;;    &ldquo;muito importante&rdquo;) e de satisfa&ccedil;&atilde;o (&ldquo;insatisfeito&rdquo;;    satisfeito&rdquo;; &ldquo;muito satisfeito&rdquo;). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/am/v23n3/23n3a01f1.jpg" width="359" height="436"></P >     
<p><I>Fig. 1 - Constitui&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o amostral.    </I></P >     <p>&nbsp;</P >     <p>Foi ainda calculado o &iacute;ndice de oportunidade de melhoria da presta&ccedil;&atilde;o    de cuidados, em condi&ccedil;&otilde;es id&ecirc;nticas a estudo anterior (<a href="#7">7</a><a name="top7"></a>),    considerando-se como oportunidade sempre que um doente/prestador de cuidados    considera estar menos que &ldquo;muito satisfeito&rdquo;, num item que considerou    como &ldquo;muito importante&rdquo;. O n&uacute;mero de oportunidades, em rela&ccedil;&atilde;o    ao n&uacute;mero total de doentes, constitui o &iacute;ndice de oportunidade    de melhoria da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados. </P >     <p>M&eacute;dicos assistentes, respons&aacute;veis pelo cuidado do doente nointernamento, responderam a um question&aacute;rio, inquirindo o cl&iacute;nico &agrave;cerca da import&acirc;ncia que presumia que o respectivo doente atribu&iacute;a aos v&aacute;rios dom&iacute;nios do cuidar. A taxa de resposta ao inqu&eacute;rito m&eacute;dico foi de 78,8% (n=26). </P >    <p>O inqu&eacute;rito foi conduzido por elementos externos &agrave; unidade e ao internamento, previamente treinados para a recolha de dados, por forma a n&atilde;o in&#64258;uenciarem respostas de doentes e familiares. </P >     <p>Foi constru&iacute;da uma base de dados no programa inform&aacute;tico SPSS    12.0 (SPSS para Windows, vers&atilde;o 12.0, SPSS Inc., Chicago, Estados Unidos    da Am&eacute;rica) e tratada para estat&iacute;stica descritiva e inferencial.    O grau de concord&acirc;ncia entre m&eacute;dico e doentes/cuidadores foi avaliado    pelo coe&#64257;ciente kappa, assumindo-se como n&iacute;vel de signi&#64257;c&acirc;ncia,    para os testes estat&iacute;sticos efectuados, o valor de 0,05. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>RESULTADOS </B></P >     <p><b>Import&acirc;ncia e satisfa&ccedil;&atilde;o com o cuidados prestados </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A tabela 3 mostra a distribui&ccedil;&atilde;o dos graus de import&acirc;ncia    e de satisfa&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;dos a cada elemento da presta&ccedil;&atilde;o    de cuidados. O &iacute;ndice de oportunidade para melhoria da presta&ccedil;&atilde;o    de cuidados est&aacute; igualmente listado e ilustrado gra&#64257;camente na &#64257;gura    2. </P >     <p>Tabela 3 - <B>Import&acirc;ncia e Satisfa&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da    aos v&aacute;rios dom&iacute;nios do cuidar (n&uacute;meros absolutos)</B>.  </P >     <p><img src="/img/revistas/am/v23n3/23n3a01t3.jpg" width="924" height="554">  </P >     
<p>&nbsp;</P >     <p><img src="/img/revistas/am/v23n3/23n3a01f2.jpg" width="695" height="317"></P >     
<p><I>Fig. 2 - &Iacute;ndice de Oportunidade para incremento da qualidade assistencial.    </I></P >     <p>&nbsp;</P >     <p>Os aspectos que mais contribu&iacute;ram para a de&#64257;ni&ccedil;&atilde;o    da qualidade da presta&ccedil;&atilde;o de cuidados dos doentes internados/cuidadores    foram (1) a transmiss&atilde;o correcta de informa&ccedil;&atilde;o quanto ao    diagn&oacute;stico e progn&oacute;stico associado &agrave; doen&ccedil;a, (2)    a promo&ccedil;&atilde;o do al&iacute;vio sintom&aacute;tico e (3) a acessibilidade    a apoio ou aconselhamento m&eacute;dico no domic&iacute;lio. Estes aspectos    apareceram referidos como &ldquo;muito importantes&rdquo;, positivamente destacados    relativamente a outros aspectos como a informa&ccedil;&atilde;o sobre o tratamento    a efectuar, a participa&ccedil;&atilde;o de doente/cuidadores na decis&atilde;o    da equipa e as quest&otilde;es relacionadas com a con&#64257;an&ccedil;a na    equipa m&eacute;dica/enfermagem, por sua vez, mais valorizados que as quest&otilde;es    hoteleiras e ligadas a cuidados religiosos. Directivas de &#64257;m de vida,    nomeadamente relacionadas com a decis&atilde;o de (n&atilde;o) reanima&ccedil;&atilde;o,    foram consideradas como &ldquo;nada importantes&rdquo; por mais de metade dos    doentes. O conforto f&iacute;sico do internamento foi mais valorizado pelos    cuidadores enquanto que os doentes valorizaram mais &ldquo;n&atilde;o se sentir    fardo para familiares/cuidadores&rdquo;. </P >     <p>Nenhum doente se mostrou completamente satisfeito com todos os dom&iacute;nios explorados e 50% dos doentes e 30% dos cuidadores estavam muito satisfeitos na aprecia&ccedil;&atilde;o global da qualidade assistencial. Doentes oncol&oacute;gicos mostraram menor satisfa&ccedil;&atilde;o que doentes cr&oacute;nicos n&atilde;o oncol&oacute;gicos (X<Sup>2</Sup>:4,15;p=0,03). Os doentes/cuidadores referiram estar &ldquo;muito satisfeitos&rdquo;, principalmente com a informa&ccedil;&atilde;o sobre a terap&ecirc;utica recebida (36,4%) e com a possibilidade de participar nas decis&otilde;es da equipa (36,4%). Doentes expressaram maior con&#64257;an&ccedil;a que os seus cuidadores na rela&ccedil;&atilde;o de con&#64257;an&ccedil;a com a equipa sa&uacute;de. Um ter&ccedil;o dos doentes estava &ldquo;muito satisfeito&rdquo; com o al&iacute;vio sintom&aacute;tico conseguido em internamento, enquanto que 3% consideravam-se insatisfeitos quanto a este aspecto. Nenhum doente se encontrava insatisfeito quanto &agrave; aten&ccedil;&atilde;o dispensada &agrave;s quest&otilde;es religiosas. </P >     <p>Por outro lado, 6/15 doentes e 10/17 cuidadores encontravam-se insatisfeitos    com a acessibilidade a cuidados m&eacute;dicos, especialmente nos centrados    no domic&iacute;lio; cerca de 6,3% da popula&ccedil;&atilde;o em estudo estava    muito satisfeita com esta vertente dos cuidados m&eacute;dicos prestados. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P >     <p><B>A perspectiva de doentes/cuidadores e respectivos m&eacute;dicos assistentes </B></p>     <p>O al&iacute;vio sintom&aacute;tico e o f&aacute;cil acesso a cuidados m&eacute;dicos    centrados na comunidade/domic&iacute;lio, foram percebidos pela equipa m&eacute;dica    como os mais importantes dom&iacute;nios do cuidar, sendo classi&#64257;cados    como &ldquo;muito importante&rdquo; por 88,5% e 34,6% dos m&eacute;dicos respondentes    (Tabela 4). Cerca de 30,8% dos m&eacute;dicos presumiam que os seus doentes/cuidadores    valorizavam como &ldquo;muito importantes&rdquo; aspectos da presta&ccedil;&atilde;o    de cuidados relativos &agrave; informa&ccedil;&atilde;o relacionada com a terap&ecirc;utica    efectuada ou a efectuar e com a possibilidade de participar nas decis&otilde;es    da equipa. Metade dos m&eacute;dicos assistentes presumiam que os seus doentes    n&atilde;o prestavam qualquer import&acirc;ncia &agrave; informa&ccedil;&atilde;o    acerca do diagn&oacute;stico e progn&oacute;stico; menos de um quarto consideraram    que doentes valorizariam muito este aspecto (Tabela 4). </P >     <p>Tabela 4 - <B>Import&acirc;ncia que cada m&eacute;dico assistente presume para    o respectivo doente (n&uacute;meros absolutos; poder&atilde;o haver m&eacute;dicos    que n&atilde;o responderam a alguns dos itens). </b></P >     <p><img src="/img/revistas/am/v23n3/23n3a01t4.jpg" width="788" height="500"></P >     
<p>&nbsp;</P >     <p>Quando foi pedido aos m&eacute;dicos assistentes para seleccionar apenas os    tr&ecirc;s dom&iacute;nios mais importantes do cuidar para o doente/cuidador,    o &ldquo;al&iacute;vio sintom&aacute;tico&rdquo;obteve 23/26 das respostas,    seguido dos &ldquo;condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas do internamento&rdquo;    (13/26) e da &ldquo;necessidade de n&atilde;o se sentir uma sobrecarga para    os cuidadores&rdquo; (8/26). </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>DISCUSS&Atilde;O </B></p>     <p>Este estudo, embora de pequena dimens&atilde;o, representa um primeiro esfor&ccedil;o,    in&eacute;dito entre n&oacute;s, direccionado para o melhor entendimento dos    factores que mais directamente in&#64258;uenciam a qualidade assistencial de    doentes com patologia cr&oacute;nica avan&ccedil;ada. Mesmo em hospitais gerais,    tendencialmente vocacionados para o tratamento da patologia aguda, &eacute;    expressiva a percentagem de doentes admitidos com agudiza&ccedil;&otilde;es    de patologia cr&oacute;nica terminal. Este grupo de doentes requer das institui&ccedil;&otilde;es    uma aten&ccedil;&atilde;o particular ao conjunto das suas necessidades especiais.    A menor satisfa&ccedil;&atilde;o global sentida pela popula&ccedil;&atilde;o    oncol&oacute;gica refor&ccedil;a a ideia que os cuidados de sa&uacute;de devem    ser individualizados, centrados no doente. A cl&aacute;ssica rela&ccedil;&atilde;o    25%/75% de peso relativo de doentes oncol&oacute;gicos e n&atilde;o oncol&oacute;gicos,    descrita na popula&ccedil;&atilde;o geral de doentes cr&oacute;nicos avan&ccedil;ados,    foi tamb&eacute;m encontrada no nosso estudo (<a href="#8">8</a><a name="top8"></a>).  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar das opini&otilde;es dos cuidadores poderem n&atilde;o traduzir &#64257;elmente    o ponto de vista de doentes (caso tivessem capacidade cognitiva para se expressar)    (<a href="#9">9</a><a name="top9"></a>), parece evidente que doentes e suas    fam&iacute;lias esperam informa&ccedil;&atilde;o e acompanhamento das respectivas    institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. </P >     <p>M&eacute;dicos assistentes sobrevalorizaram a import&acirc;ncia dada pelos doentes/ prestadores &agrave; discuss&atilde;o sobre a terap&ecirc;utica, sendo claro que estes procuram mais informa&ccedil;&atilde;o sobre diagn&oacute;stico e progn&oacute;stico e acompanhamento centrado nos cuidados domicili&aacute;rios. </P >     <p>N&atilde;o deixa de ser um paradoxo o facto dos doentes desvalorizarem a import&acirc;ncia    da discuss&atilde;o sobre decis&otilde;es de &#64257;m de vida, tais como o    suporte vital, considerado item de menor import&acirc;ncia, o que determinou    um baixo &iacute;ndice de oportunidade. Este comportamento espelha o contexto    socio-cultural t&iacute;pico das sociedades modernas, e em especial da realidade    nacional, em que a morte &eacute; ainda repudiada e os cuidados de sa&uacute;de    s&atilde;o vistos com um forte pendor curativo, mesmo quando esta perspectiva    deixou j&aacute; de ser realista. Fried et al. demonstrou que os doentes s&atilde;o    capazes de realizar op&ccedil;&otilde;es quanto ao planeamento de directivas    de &#64257;m de vida ou respeitantes a outras op&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas,    se conseguirem perceber os factores relacionados com agressividade das interven&ccedil;&otilde;es    (por exemplo, o consumo de tempo em internamento e a invasividade dos procedimentos)    e o resultado esperado, nomeadamente quanto &agrave; capacidade funcional e    cognitiva, resultante das op&ccedil;&otilde;es adoptadas (<a href="#10">10</a>)<a name="top10"></a>.    Isto refor&ccedil;a a necessidade da aquisi&ccedil;&atilde;o de capacidades    t&eacute;cnicas e humanas por parte das equipas de sa&uacute;de, por forma a    permitir a discuss&atilde;o sobre o impacto esperado da doen&ccedil;a e dos tratamentos    nos v&aacute;rios aspectos bio-psico-sociais e espirituais de doentes e cuidadores.    No entanto, no nosso estudo, tal como no trabalho de Heyland et al., parece    ser mais importante que os doentes possam reconhecer quem &eacute; a equipa    respons&aacute;vel por eles, t&ecirc;-la dispon&iacute;vel e acreditar nas suas    capacidades e decis&otilde;es, do que ser directamente respons&aacute;vel nas    decis&otilde;es (<a href="#7">7</a>). </P >     <p>Melhores acessos a cuidados (centrados na comunidade/domic&iacute;lio), mais    informa&ccedil;&atilde;o diagn&oacute;stica e progn&oacute;stica, acesso a al&iacute;vio    sintom&aacute;tico e promo&ccedil;&atilde;o de con&#64257;an&ccedil;a na equipa,    surgem como prioridades estrat&eacute;gicas de melhoria da qualidade assistencial.    Tratar de doentes cr&oacute;nicos com patologia avan&ccedil;ada imp&otilde;e    o uso de novas abordagens, baseadas em pr&aacute;ticas de excel&ecirc;ncia na    capacidade comunicacional, para al&eacute;m da aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias    t&eacute;cnicas espec&iacute;&#64257;cas dirigidas ao controlo de sintomas.</P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>CONCLUS&Atilde;O </B></p>     <p>Cuidar de doentes terminais implica constru&ccedil;&atilde;o de um plano que    envolva question&aacute;rio dirigido directamente ao doente/cuidadores de modo    a adequar estrat&eacute;gias e aumentar a satisfa&ccedil;&atilde;o com os cuidados    recebidos. Uma vez que os m&eacute;dicos n&atilde;o t&ecirc;m a percep&ccedil;&atilde;o    exacta das prefer&ecirc;ncias de doentes/cuidadores, a inquiri&ccedil;&atilde;o    sistem&aacute;tica relativamente aos m&uacute;ltiplos aspectos relacionados    com o cuidar permite orientar a aten&ccedil;&atilde;o da equipa de sa&uacute;de    para os aspectos que v&atilde;o ao encontro das expectativas dos doentes. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>REFER&Ecirc;NCIAS </B></p>     <!-- ref --><p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a> -Gomes B, Higginson IJ. Where people    die (1974-2030): past trends, future projections and implications for care.    Palliat Med 2008;22:33-41. </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0871-3413200900030000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top2">2</a><a name="2"></a> -NationalHospice Organization (USA) Guideline    for determining prognosis for selected non-cancer diagnosis; 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o;    Vancouver, 1996. </P >     <p>3 -Anderson F, Downing GM, Casorso L, Lerch N. Palliative Performance Scale:    a new tool. J Palliat Care 1996;12:5-11. </P >     <p>4 -Bertlett J, Gallant J. Medical management of HIV infection. Johns Hopkins    Medicine Health Publishing group. 2004. </P >     <p><a href="#top5">5</a> <a name="5"></a>-Karnofsky D, Abelmann W, Craver L, Burchenal    J. The use of nitrogen mustard in the palliative treatment of cancer. Cancer    1948;1:634-56. </P >     <p><a href="#top6">6</a><a name="6"></a> -Katz S, Down TD, Cash HR, Grotz RC.    Progress in the development of the index of ADL. The Gerontologist 1970;10:20-30.  </P >     <p><a href="#top7">7</a> <a name="7"></a>-Heyland DK, GrollL D, Rocker G, et al..    End-of-Life Care in Acute Care Hospitals in Canada: a Quality Finish? J Paliat    Care 2005;21:142-50. </P >     <p><a href="#top8">8</a> <a name="8"></a>- Gomez-Baptiste X. Organizaci&oacute;n    de servicios y programas de cuidados paliativos. In: Gomez-Batiste X, Porta    J, Tuca A, Stjernsward J editores. Modelos de organizaci&oacute;n en cuidados    paliativos. Ar&aacute;n Ediciones, 2005, p. 70-96.</P >     <p> <a name="9"></a><a href="#top9">9</a> - Heyland DK, Dodek P, Rocker G, et    al. What matters most in end-of-life care: perceptions of seriously ill patients    and their family members. CMAJ 2006;174:627-33.</P >     <p> <a name="10"></a><a href="#top10">10</a> - Fried TR, Bradley E, Virginia R,    Towle P, Aloore H. Understanding the treatment preferences of seriously ill    patients. N Engl J Med 2002;346:1061-6.</P >     <p>&nbsp;</P >      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Correspond&ecirc;ncia</b>: </P >     <p>Dr. Rui Carneiro </P >     <p>Servi&ccedil;o de Medicina 1D </P >     <p>Hospital Geral de Santo Ant&oacute;nio</P >     <p> Largo Professor Abel Salazar, 1</P >     <p>4099-001 Porto </P >     <p>e-mail: <a href="mailto:ruicarneiro77@gmail.com">ruicarneiro77@gmail.com</a></P >      ]]></body><back>
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