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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Gravidez e Doença de Wilson: Revisão de 3 Casos Clínicos]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Centro Hospitalar de Coimbra Maternidade Bissaya Barreto Serviço de Ginecologia/Obstetrícia]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Wilson disease is an autosomal recessive inherited disorder, with an affected gene (ATP7B) located at chromosome 13. It has been shown to affect the copper transport leading to a hepatic accumulation and deposition in other organs, specially brains, kidneys and cornea. The worldwide prevalence of Wilson's disease is around 30 per million. Around 60-70% of all cases are diagnosed between the ages of 8 to 20 years old. Clinically the condition may present with hepatic, neurologic or psychiatric disease. The diagnosis is based on a high level of suspicion and on the combination of both clinical and laboratorial &#64257;ndings. The gold standard exam for Wilson's disease diagnosis is the liver biopsy with determination of hepatic copper levels. The treatment is lifelong pharmacological therapy or hepatic transplant. Currently there are three available drugs, penicillamine and trientine (chelating agents), and zinc. Tetrathiomolybdate is another chelating agent still under evaluation. The reproductive ability of women with Wilson disease has improved with the increasing ef&#64257;ciency of these therapies, and therefore pregnancy is becoming more common. It does not seem that the course of the disease is affected by pregnancy, but the problem remains on what is the most adequate therapy during gestation, as the safety of these drugs can not be assured during this period. The authors describe 3 cases of Wilson disease and pregnancy, followed at their centre and discuss the controversy around the use of these drugs for the treatment of the disease during pregnancy and lactation.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[doença de Wilson]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Gravidez e Doen&ccedil;a de Wilson </B></p>     <p><I>Revis&atilde;o de 3 Casos Cl&iacute;nicos </I></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Maria Geraldina Castro*, Rita Sousa&dagger;, Susana Marta&dagger;, Jorge Braga&dagger; </P >     <p><I>*Servi&ccedil;o de Ginecologia/Obstetr&iacute;cia da Maternidade Bissaya    Barreto, Centro Hospitalar de Coimbra; &dagger;Servi&ccedil;o de Ginecologia/Obstetr&iacute;cia,    Hospital Geral de Santo Ant&oacute;nio-Centro Hospitalar do Porto </I></P >     <p>&nbsp;</P >     <P   >A doen&ccedil;a de Wilson &eacute; uma doen&ccedil;a heredit&aacute;ria autoss&oacute;mica    recessiva que afecta o gene ATP7B, localizado no cro</B>mossoma 13. Caracteriza-se    por uma altera&ccedil;&atilde;o do transporte transmembranar do cobre, acumulando-se    este no f&iacute;gado e noutros &oacute;rg&atilde;os, principalmente c&eacute;rebro,    rins e c&oacute;rnea. A preval&ecirc;ncia mundial &eacute; de aproximadamente    30 casos por milh&atilde;o de habitantes. Cerca de 60 a 70% dos casos s&atilde;o    diagnosticados entre os 8 e os 20 anos de idade. Clinicamente, apresenta-se    como doen&ccedil;a hep&aacute;tica, neurol&oacute;gica ou psiqui&aacute;trica.    O seu diagn&oacute;stico &eacute; baseado num alto &iacute;ndice de suspei&ccedil;&atilde;o    e na combina&ccedil;&atilde;o de achados cl&iacute;nicos e laboratoriais. O    exame <I>gold standard </I>para o diagn&oacute;stico &eacute; a bi&oacute;psia    hep&aacute;tica com doseamento do cobre. O tratamento consiste na terap&ecirc;utica    farmacol&oacute;gica permanente ou no transplante hep&aacute;tico. Existem actualmente    tr&ecirc;s f&aacute;rmacos dispon&iacute;veis: a penicilamina e a trientina    (agentes quelantes) e o zinco. O tetratiomolibdato &eacute; um agente quelante    ainda em investiga&ccedil;&atilde;o. A capacidade reprodutiva das mulheres com    doen&ccedil;a de Wilson tem melhorado com o aumento da e&#64257;c&aacute;cia    destas terap&ecirc;uticas e, como tal, a gravidez torna-se mais frequente. Esta    parece n&atilde;o afectar o curso da doen&ccedil;a e o principal problema que    se coloca &eacute; a escolha da terap&ecirc;utica mais adequada durante a gesta&ccedil;&atilde;o,    dado que a seguran&ccedil;a destes f&aacute;rmacos na gravidez n&atilde;o est&aacute;    garantida. Os autores descrevem 3 casos de gr&aacute;vidas com doen&ccedil;a    de Wilson, vigiadas na sua institui&ccedil;&atilde;o, e discutem a controv&eacute;rsia    em torno do uso destes f&aacute;rmacos no tratamento da doen&ccedil;a durante    a gravidez e amamenta&ccedil;&atilde;o. </P >     <P   ><B>Palavras-chave:</B> doen&ccedil;a de Wilson; gravidez; disfun&ccedil;&atilde;o    hep&aacute;tica; trientina; penicilamina; zinco. </P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   ><B>Pregnancy and Wilson Disease</B> </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   >Wilson disease is an autosomal recessive inherited disorder, with an affected    gene (ATP7B) located at chromosome 13. It has been shown to affect the copper    transport leading to a hepatic accumulation and deposition in other organs,    specially brains, kidneys and cornea. The worldwide prevalence of Wilson's disease    is around 30 per million. Around 60-70% of all cases are diagnosed between the    ages of 8 to 20 years old. </P >     <P   >Clinically the condition may present with hepatic, neurologic or psychiatric    disease. The diagnosis is based on a high level of suspicion and on the combination    of both clinical and laboratorial &#64257;ndings. The gold standard exam for    Wilson's disease diagnosis is the liver biopsy with determination of hepatic    copper levels. The treatment is lifelong pharmacological therapy or hepatic    transplant. Currently there are three available drugs, penicillamine and trientine    (chelating agents), and zinc. Tetrathiomolybdate is another chelating agent    still under evaluation. The reproductive ability of women with Wilson disease    has improved with the increasing ef&#64257;ciency of these therapies, and therefore    pregnancy is becoming more common. It does not seem that the course of the disease    is affected by pregnancy, but the problem remains on what is the most adequate    therapy during gestation, as the safety of these drugs can not be assured during    this period. The authors describe 3 cases of Wilson disease and pregnancy, followed    at their centre and discuss the controversy around the use of these drugs for    the treatment of the disease during pregnancy and lactation. </P >     <P   ><B>Key-words:</B> Wilson disease; pregnancy; hepatic dysfunction; trientine;    penicillamine; zinc. </P >     <P   >&nbsp;</P >     <p><B>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </B></p>     <p>A doen&ccedil;a de Wilson foi descrita pela primeira vez em 1912 por Kinnear    Wilson como&ldquo;degeneresc&ecirc;ncia lenticular progressiva&rdquo;, uma doen&ccedil;a    familiar, neurol&oacute;gica, fatal, acompanhada por doen&ccedil;a hep&aacute;tica    cr&oacute;nica e cirrose (<a href="#1">1</a>)<a name="top1"></a>. S&oacute;    d&eacute;cadas mais tarde foi descoberto o seu padr&atilde;o heredit&aacute;rio    autoss&oacute;mico recessivo e, em 1993, foi identi&#64257;cado o gene afectado    nesta patologia, o ATP7B (<a href="#2">2-5</a>)<a name="top2"></a>. Hoje em    dia foram j&aacute; descritas mais de 200 muta&ccedil;&otilde;es neste gene,    respons&aacute;veis pela doen&ccedil;a. Este gene, localizado no bra&ccedil;o    longo do cromossoma 13, codi&#64257;ca uma ATPase transportadora de cobre, expressa    essencialmente nos hepat&oacute;citos, actuando no transporte transmembranar    de cobre. A diminui&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o desta prote&iacute;na    provoca uma redu&ccedil;&atilde;o da excre&ccedil;&atilde;o hepatocelular do    cobre no l&iacute;quido biliar, resultando na acumula&ccedil;&atilde;o hep&aacute;tica    deste metal e les&atilde;o dos hepat&oacute;citos. O cobre &eacute; libertado    na corrente sangu&iacute;nea e deposita-se noutros &oacute;rg&atilde;os, principalmente    c&eacute;rebro, rins e c&oacute;rnea. A altera&ccedil;&atilde;o funcional da    prote&iacute;na ATP7B conduz tamb&eacute;m a uma falha na liga&ccedil;&atilde;o    do cobre &agrave; ceruloplasmina, pelo que o f&iacute;gado produz e secreta    apoceruloplasmina (ceruloplasmina sem cobre), com diminui&ccedil;&atilde;o dos    n&iacute;veis s&eacute;ricos de ceruloplasmina (<a href="#6">6</a>)<a name="top6"></a>.  </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>EPIDEMIOLOGIA </B></p>     <p>A preval&ecirc;ncia mundial da doen&ccedil;a de Wilson &eacute; de cerca de    30 casos por milh&atilde;o de habitantes, com aumento da incid&ecirc;ncia em    &aacute;reas de consanguinidade (<a href="#6">6</a>). A taxa de heterozigotos    para a doen&ccedil;a &eacute; de 1 caso por 100 habitantes, correspondendo a    uma frequ&ecirc;ncia do gene de 0,3 a 0,7% (<a href="#7">7</a><a name="top7"></a>).  </P >     <p>Apesar da doen&ccedil;a poder manifestar-se em qualquer idade, predomina nos    jovens, com 60 a 70% dos casos diagnosticados entre os 8 e os 20 anos, sendo    mais rara antes dos 3 e ap&oacute;s os 40 anos (<a href="#8">8</a><a name="top8"></a>).  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apresenta-se clinicamente como doen&ccedil;a hep&aacute;tica, doen&ccedil;a    neurol&oacute;gica progressiva ou doen&ccedil;a psiqui&aacute;trica. O envolvimento    hep&aacute;tico ocorre, em geral, antes dos 20 anos, com o pico entre os 10    e 13 anos, enquanto que o atingimento neurol&oacute;gico tende a surgir ap&oacute;s    os 20 anos de idade (<a href="#9">9</a><a name="top9"></a>). </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>CL&Iacute;NICA </B></p>     <p>A doen&ccedil;a de Wilson &eacute; progressiva e fatal se n&atilde;o for diagnosticada    e tratada precocemente. Existem tr&ecirc;s principais formas de manifesta&ccedil;&atilde;o    de doen&ccedil;a hep&aacute;tica: hepatite cr&oacute;nica activa, cirrose e    hepatite fulminante. A cirrose &eacute; a forma de apresenta&ccedil;&atilde;o    inicial mais comum. A fal&ecirc;ncia hep&aacute;tica fulminante, a forma de    apresenta&ccedil;&atilde;o mais rara, surge acompanhada de anemia hemol&iacute;tica    Coombs negativa e fal&ecirc;ncia renal aguda, que pode culminar com a morte    se n&atilde;o for efectuado um transplante hep&aacute;tico emergente (<a href="#6">6</a>).  </P >     <p>As manifesta&ccedil;&otilde;es neurol&oacute;gicas podem variar desde altera&ccedil;&otilde;es    motoras como tremor assim&eacute;trico (a mais comum), distonia, disartria,    espasticidade, perda da coordena&ccedil;&atilde;o motora, a altera&ccedil;&otilde;es    psiqui&aacute;tricas, nomeadamente de comportamento, afectivas, esquizofr&eacute;nicas    e cognitivas.</P >     <p>O atingimento oftalmol&oacute;gico traduz-se pelo aparecimento de an&eacute;is de Kayser-Fleischer, formados pela deposi&ccedil;&atilde;o de cobre na membrana de Descemet da c&oacute;rnea. Estes observam-se em mais de 90% dos doentes com doen&ccedil;a de Wilson sintom&aacute;tica e est&atilde;o quase invariavelmente presentes nos doentes com manifesta&ccedil;&otilde;es neurol&oacute;gicas. No entanto, apesar de &uacute;teis no diagn&oacute;stico, n&atilde;o s&atilde;o considerados patognom&oacute;nicos da doen&ccedil;a, excepto quando acompanhados de manifesta&ccedil;&otilde;es neurol&oacute;gicas. </P >     <p>Clinicamente, a doen&ccedil;a de Wilson pode ter tamb&eacute;m manifesta&ccedil;&otilde;es    m&uacute;sculo-esquel&eacute;ticas, hematol&oacute;gicas, renais, card&iacute;acas,    hormonais (Tabela 1). </P >     <p>Tabela 1 - <B>Manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas da doen&ccedil;a    de Wilson. </B></P >     <p><img src="/img/revistas/am/v23n4/23n4a03t1.jpg" width="600" height="452"></P >     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>DIAGN&Oacute;STICO </B></p>     <p>O diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a de Wilson baseia-se num alto &iacute;ndice    de suspei&ccedil;&atilde;o e na combina&ccedil;&atilde;o de achados cl&iacute;nicos    e laboratoriais. Os doentes sintom&aacute;ticos t&ecirc;m invariavelmente valores    de cobre urin&aacute;rio nas 24 horas superiores a 100 &micro;g (normal: 20-50    &micro;g). Os doentes com sintomatologia neurol&oacute;gica ou psiqui&aacute;trica    apresentam an&eacute;is de Kaiser-Fleischer. Estes est&atilde;o ausentes em    50% dos indiv&iacute;duos com atingimento hep&aacute;tico como forma de apresenta&ccedil;&atilde;o    ou pr&eacute;-sintom&aacute;ticos. Os n&iacute;veis s&eacute;ricos de ceruloplasmina    est&atilde;o diminu&iacute;dos em 80 a 90% dos doentes, no entanto, s&atilde;o    normais em 10 a 20% e os indiv&iacute;duos heterozigotos para o gene tamb&eacute;m    apresentam valores baixos de ceruloplasmina s&eacute;rica. O exame gold standard    para diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a de Wilson &eacute; a bi&oacute;psia    hep&aacute;tica com doseamento de dep&oacute;sitos de cobre, cujos valores s&atilde;o    superiores a 250 &micro;g/g de peso seco de tecido (normal: 20 a 50 &micro;g).    Os heterozigotos t&ecirc;m uma eleva&ccedil;&atilde;o ligeira deste valor, mas    nunca acima dos 200 &micro;g (Tabela 2) (<a href="#10">10</a><a name="top10"></a>).  </P >      <p>Tabela 2 - <B>Diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a de Wilson. </B></p>     <p><img src="/img/revistas/am/v23n4/23n4a03t2.jpg" width="595" height="196"></p>     
<p>&nbsp;</P >     <p>Actualmente, o diagn&oacute;stico gen&eacute;tico ainda n&atilde;o est&aacute;    dispon&iacute;vel, dado o elevado n&uacute;mero de muta&ccedil;&otilde;es do    gene que se manifestam com o fen&oacute;tipo desta doen&ccedil;a. No entanto,    quando &eacute; diagnosticado um caso &iacute;ndex numa fam&iacute;lia, a sua    muta&ccedil;&atilde;o &eacute; identi&#64257;cada e rastreada nos familiares    em primeiro grau do probando (<a href="#6">6</a>). </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>TRATAMENTO </B></P >     <p>O tratamento da doen&ccedil;a de Wilson passa pela terap&ecirc;utica farmacol&oacute;gica    durante toda a vida e pelo transplante hep&aacute;tico, que corrige o defeito    hep&aacute;tico subjacente, reservado para os casos severos (hepatite fulminante)    ou resistentes. A escolha dos f&aacute;rmacos e suas dosagens vai depender da    apresenta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica da doen&ccedil;a. Nos doentes sintom&aacute;ticos    ou com doen&ccedil;a activa a terap&ecirc;utica recomendada &eacute; com agentes    quelantes (penicilamina e trientina), uma vez que &eacute; necess&aacute;rio    remover o cobre acumulado nos tecidos. A penicilamina &eacute; o f&aacute;rmaco    utilizado com mais experi&ecirc;ncia, mas, actualmente, a trientina come&ccedil;a    a ser usada com mais frequ&ecirc;ncia, principalmente nos casos de doen&ccedil;a    neurol&oacute;gica descompensada (<a href="#6">6</a>). A terap&ecirc;utica combinada    com agentes quelantes e zinco, baseada na associa&ccedil;&atilde;o dos mecanismos    de ac&ccedil;&atilde;o de bloqueio da absor&ccedil;&atilde;o do cobre e elimina&ccedil;&atilde;o    do seu excesso, est&aacute; ainda em estudo e a sua e&#64257;c&aacute;cia por    determinar. </P >     <p>Uma vez estabilizada a sintomatologia e as altera&ccedil;&otilde;es bioqu&iacute;micas,    dois a seis meses ap&oacute;s a terap&ecirc;utica inicial, podem ser usadas    doses de manuten&ccedil;&atilde;o, para preven&ccedil;&atilde;o da reacumula&ccedil;&atilde;o    do cobre. Os doentes assintom&aacute;ticos no momento do diagn&oacute;stico    podem ser tratados desde o in&iacute;cio com doses de manuten&ccedil;&atilde;o    de qualquer um dos f&aacute;rmacos. &Agrave; terap&ecirc;utica m&eacute;dica    deve ser acrescida uma dieta pobre em cobre, nomeadamente com evic&ccedil;&atilde;o    da ingest&atilde;o de mariscos, f&iacute;gado, chocolate e cogumelos. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Actualmente existem tr&ecirc;s f&aacute;rmacos dispon&iacute;veis no mercado    e um outro sob investiga&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>O <B>zinco </B>aumenta os n&iacute;veis de metalotionina, uma prote&iacute;na    intestinal com alta a&#64257;nidade para o cobre, que se liga a este no enter&oacute;cito    duodenal. Desta forma, a absor&ccedil;&atilde;o do cobre na circula&ccedil;&atilde;o    &eacute; reduzida e este &eacute; eliminado no <I>turnover </I>celular normal da    c&eacute;lula. Al&eacute;m disto, o zinco induz a metalotionina nos hepat&oacute;citos,    produzindo complexos n&atilde;o t&oacute;xicos no f&iacute;gado e reduzindo    os efeitos nocivos do cobre livre. O zinco est&aacute; indicado como terap&ecirc;utica    de primeira linha nos doentes pr&eacute;-sintom&aacute;ticos ou assintom&aacute;ticos,    durante a terap&ecirc;utica de manuten&ccedil;&atilde;o e nos doentes com envolvimento    neuro-psiqui&aacute;trico, uma vez que raramente provoca deteriora&ccedil;&atilde;o    neurol&oacute;gica. &Eacute; um f&aacute;rmaco bem tolerado, mas em 10 a 15%    dos casos provoca irrita&ccedil;&atilde;o g&aacute;strica, que pode ser resolvida    alterando a formula&ccedil;&atilde;o (para acetato, sulfato ou gluconato) ou    a hora de administra&ccedil;&atilde;o (<a href="#11">11</a><a name="top11"></a>).    No entanto, como os alimentos interferem na sua absor&ccedil;&atilde;o, deve    ser ingerido fora das refei&ccedil;&otilde;es. A dose terap&ecirc;utica &eacute;    de 150 a 200 mg por dia, distribu&iacute;da por tr&ecirc;s doses (Tabela 3).  </P >     <P   ><a name="t3"></a><a href="#topt3">Tabela 3</a> - <B>Terap&ecirc;utica da Doen&ccedil;a    de Wilson</B>. </P >     <P   ><img src="/img/revistas/am/v23n4/23n4a03t3.jpg" width="595" height="241"></P >      
<p>&nbsp;</P >     <p>A <B>penicilamina </B>mobiliza o cobre atrav&eacute;s da sua ac&ccedil;&atilde;o    quelante, formando complexos com este metal, que s&atilde;o depois excretados    na urina. Al&eacute;m disto, tamb&eacute;m induz a metalotionina a n&iacute;vel    hep&aacute;tico, promovendo o sequestro do cobre livre intracelular. A dose    inicial &eacute; de 1000 a 1500 mg por dia, dividida por duas a quatro doses,    1 hora antes ou 2 horas ap&oacute;s as refei&ccedil;&otilde;es. Pode ser iniciada    em doses mais baixas, 250 a 500 mg/dia, aumentando progressivamente, para uma    melhor tolerabilidade. Este f&aacute;rmaco induz uma de&#64257;ci&ecirc;ncia    de vitamina B6, pelo que deve associar-se 25 mg de piridoxina diariamente. Os    doentes hep&aacute;ticos podem notar uma melhoria cl&iacute;nica ap&oacute;s    6 a 8 semanas de tratamento, mas pode demorar 6 a 12 meses (<a href="#12">12</a><a name="top12"></a>).    Os efeitos adversos podem ocorrer em 10 a 20% dos doentes (<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>),    e podem ser precoces ou tardios. Os primeiros, que ocorrem at&eacute; &agrave;s    tr&ecirc;s semanas de tratamento, s&atilde;o as reac&ccedil;&otilde;es de hipersensibilidade    (febre, rash cut&acirc;neo, linfadenopatia e protein&uacute;ria) e a depress&atilde;o    medular com anemia apl&aacute;stica, neutropenia e trombocitopenia, que devem    levar &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o do f&aacute;rmaco. Durante o tratamento    est&aacute; recomendada uma monitoriza&ccedil;&atilde;o regular do hemograma    e da protein&uacute;ra devido aos efeitos adversos descritos. Os efeitos laterais    tardios podem ocorrer anos ap&oacute;s o uso da penicilamina e incluem atingimento    cut&acirc;neo (altera&ccedil;&otilde;es degenerativas, elastosis perforans serpiginosa)    ou altera&ccedil;&otilde;es imunol&oacute;gicas (reac&ccedil;&otilde;es lupus-like,    miastenia gravis, s&iacute;ndrome de Goodpasture). Uma deteriora&ccedil;&atilde;o    neurol&oacute;gica inicial, descrita em 20 a 50% dos doentes com apresenta&ccedil;&atilde;o    neurol&oacute;gica, pode surgir na terap&ecirc;utica com penicilamina, que deve    ser imediatamente substitu&iacute;da. </P >     <p>A <B>trientina</B>, tal como a penicilamina, &eacute; um quelante de cobre,    que promove a sua excre&ccedil;&atilde;o urin&aacute;ria e, como tal, pode ser    usada como alternativa &agrave; penicilamina. Parece ter um efeito quelante    um pouco mais fraco e provocar menos efeitos laterais. A dose inicial deve ser    de 1200 a 1800 mg/dia, dividida em duas a tr&ecirc;s doses di&aacute;rias e    a dose de manuten&ccedil;&atilde;o de 900 a 1200 mg/dia, ingerida fora das refei&ccedil;&otilde;es.    Os efeitos adversos descritos s&atilde;o a pancitopenia, raramente, e a anemia    siderobl&aacute;stica com siderose hep&aacute;tica, nos casos de de&#64257;ci&ecirc;ncia    de cobre por terap&ecirc;utica excessiva. Reac&ccedil;&otilde;es de hipersensibilidade    e altera&ccedil;&otilde;es renais n&atilde;o foram descritas. A frequ&ecirc;ncia    de deteriora&ccedil;&atilde;o neurol&oacute;gica &eacute; inferior &agrave;    da penicilamina (inferior 20%). </P >     <p>O <B>tetratiomolibdato de am&oacute;nio </B>&eacute; um f&aacute;rmaco ainda    sob investiga&ccedil;&atilde;o, que apresenta dois mecanismos de ac&ccedil;&atilde;o.    Quando tomado &agrave;s refei&ccedil;&otilde;es, liga-se ao cobre no l&uacute;men    intestinal, impedindo a sua absor&ccedil;&atilde;o. Fora das refei&ccedil;&otilde;es    &eacute; absorvido e promove a forma&ccedil;&atilde;o de complexos de cobre    e albumina, que s&atilde;o depois metabolizados no f&iacute;gado e excretados    na b&iacute;lis. Este f&aacute;rmaco foi proposto para o tratamento inicial    de doentes com apresenta&ccedil;&atilde;o neurol&oacute;gica da doen&ccedil;a    de Wilson (<a href="#14">14</a><a name="top14"></a>). Estes doentes parecem    apresentar deteriora&ccedil;&atilde;o neurol&oacute;gica mais raramente e cerca    de 15% apresentam efeitos laterais moderados, tais como, toxicidade medular    e eleva&ccedil;&atilde;o das enzimas hep&aacute;ticas, ambas transit&oacute;rias    e revers&iacute;veis com a suspens&atilde;o da droga. </P >     <p>Quando o tratamento &eacute; iniciado, deve ser realizada uma vigil&acirc;ncia apropriada da parte neurol&oacute;gica e hep&aacute;tica, com exame f&iacute;sico dirigido e testes bioqu&iacute;micos da fun&ccedil;&atilde;o hep&aacute;tica. Durante o uso de quelantes, a excre&ccedil;&atilde;o do cobre urin&aacute;rio durante 24 horas deve ser monitorizada (2 vezes no primeiro ano, depois anualmente), esperando-se um valor de 3 a 8 &micro;mol (200-500 &micro;g), indicativo de uma correcta ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica. No caso do uso de zinco, este valor dever&aacute; ser inferior a 1,2 &micro;mol (75 &micro;g). Durante todos os tratamentos devem ser medidos os n&iacute;veis de ceruloplasmina livre e de cobre s&eacute;rico, que permitem avaliar a e&#64257;c&aacute;cia terap&ecirc;utica. </P >     <p>O progn&oacute;stico dos doentes de Wilson com atingimento hep&aacute;tico    que aderem ao tratamento &eacute; excelente, mesmo quando a cirrose est&aacute;    presente no momento do diagn&oacute;stico (<a href="#6">6</a>). </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com a e&#64257;c&aacute;cia crescente destas terap&ecirc;uticas tamb&eacute;m    a capacidade reprodutiva das mulheres com doen&ccedil;a de Wilson foi melhorada    e, como tal, a gravidez &eacute; mais frequente. Esta parece n&atilde;o afectar    o curso da doen&ccedil;a e o principal problema que se coloca &eacute; qual a    terap&ecirc;utica mais adequada, uma vez que a seguran&ccedil;a destes f&aacute;rmacos    na gravidez n&atilde;o esta garantida (<a name="topt3"></a><a href="#t3">Tabela    3</a>). </P >     <p>Os autores descrevem 3 casos de doen&ccedil;a de Wilson e gravidez, vigiada    na sua institui&ccedil;&atilde;o, e discutem as controv&eacute;rsias do uso    dos medicamentos para o tratamento da doen&ccedil;a de Wilson durante a gravidez    e lacta&ccedil;&atilde;o. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>CASOS CL&Iacute;NICOS </B></p>     <p><b>Caso cl&iacute;nico n&ordm; 1</b> </p>     <p>Mulher de 39 anos, primigesta, com doen&ccedil;a de Wilson diagnosticada h&aacute; 1 ano, na sequ&ecirc;ncia de investiga&ccedil;&atilde;o familiar por diagn&oacute;stico da mesma patologia num irm&atilde;o. Apresentava hepatite cr&oacute;nica na bi&oacute;psia hep&aacute;tica, cobre hep&aacute;tico elevado (386,47 &micro;g/g peso seco), an&eacute;is de Kayser-Fleischer, ceruloplasmina baixa (9 mg/dL), cobre s&eacute;rico (7,3 &micro;mol/l) e urin&aacute;rio (2,142 &micro;mol/24 horas) elevados, pelo que iniciou terap&ecirc;utica com trientina. Efectuou estudo gen&eacute;tico, tendo sido identi&#64257;cadas duas muta&ccedil;&otilde;es do gene ATP7B, tamb&eacute;m encontradas no irm&atilde;o. Um ano depois &#64257;cou gr&aacute;vida e iniciou vigil&acirc;ncia pr&eacute;-natal &agrave;s 15 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o, estando medicada nessa fase com 1000 mg de trientina por dia, que manteve at&eacute; ao &#64257;nal da gravidez. </P >    <p>Foi efectuada vigil&acirc;ncia obst&eacute;trica quinzenal at&eacute; &agrave;s 27 semanas e depois semanal, at&eacute; ao &#64257;m da gesta&ccedil;&atilde;o. Realizou amniocentese &agrave;s 20 semanas por idade materna avan&ccedil;ada, cujo resultado foi normal (46,XY). Detectada brida amni&oacute;tica na ecogra&#64257;a das 21 semanas, que persistiu at&eacute; ao &#64257;nal da gesta&ccedil;&atilde;o, sem qualquer complica&ccedil;&atilde;o. </P >    <p>Durante a gravidez n&atilde;o surgiu sintomatologia de novo relativamente &agrave; doen&ccedil;a de Wilson. Analiticamente, apresentava ceruloplasmina baixa (15 mg/dL), cobre s&eacute;rico normal, cobre urin&aacute;rio adequado para doentes em tratamento com agente quelante (5,3 &micro;mol/24h) e fun&ccedil;&atilde;o hep&aacute;tica normal. </P >     <p>&Agrave;s 37 semanas realizou-se uma cesariana por rotura prematura de membranas    e apresenta&ccedil;&atilde;o p&eacute;lvica em prim&iacute;para, com extrac&ccedil;&atilde;o    de rec&eacute;m-nascido do sexo masculino, 2930 g de peso e &Iacute;ndice de    Apgar (IA) 9/10. O puerp&eacute;rio decorreu sem incidentes, mantendo a mesma    dose de trientina e com aleitamento materno. </P >     <p><B>Caso cl&iacute;nico n&ordm; 2 </B></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mulher de 29 anos, primigesta, com doen&ccedil;a de Wilson diagnosticada aos 16 anos, ap&oacute;s epis&oacute;dio de fal&ecirc;ncia hep&aacute;tica fulminante com hem&oacute;lise severa, encefalopatia hep&aacute;tica e ascite, que reverteu com terap&ecirc;utica m&eacute;dica. Apresentava an&eacute;is de Kayser-Fleischer, ceruloplasmina s&eacute;rica baixa, cobre urin&aacute;rio e hep&aacute;tico elevados. Inicialmente tratada com penicilamina, mas, ap&oacute;s quadro de febre e trombocitopenia, esta foi suspensa e iniciada trientina (750 mg/dia), com boa toler&acirc;ncia e sem efeitos laterais. </P >    <p>Iniciou vigil&acirc;ncia pr&eacute;-natal &agrave;s 14 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o, altura em que se encontrava medicada com trientina (750 mg/dia) e assintom&aacute;tica. Durante toda a gravidez apresentou ceruloplasmina baixa (inferior ao limite de detec&ccedil;&atilde;o), cobre urin&aacute;rio adequado para doente em tratamento (5,33 &micro;mol/dia) e fun&ccedil;&atilde;o hep&aacute;tica normal. No terceiro trimestre da gravidez a dose de trientina foi reduzida para 500 mg/dia. </P >    <p>A gesta&ccedil;&atilde;o cursou sem complica&ccedil;&otilde;es, com vigil&acirc;ncia obst&eacute;trica quinzenal at&eacute; &agrave;s 30 semanas e semanal at&eacute; &agrave;s 36 semanas, altura em que ocorreu rotura prematura pr&eacute;-termo de membranas (RPPM). Foi efectuada cesariana por falha de indu&ccedil;&atilde;o, tendo sido extra&iacute;do um rec&eacute;m-nascido saud&aacute;vel, do sexo masculino, 3400 g de peso e IA 9/10. O puerp&eacute;rio decorreu sem complica&ccedil;&otilde;es e a m&atilde;e amamentou a crian&ccedil;a. </P >    <p><B>Caso cl&iacute;nico n&ordm; 3 </B></p>    <p>Mulher de 35 anos, primigesta, com doen&ccedil;a de Wilson diagnosticada aos 31 anos, ap&oacute;s investiga&ccedil;&atilde;o familiar por diagn&oacute;stico da doen&ccedil;a numa irm&atilde;. Encontrava-se assintom&aacute;tica, com ceruloplasmina s&eacute;rica baixa (inferior ao limite de detec&ccedil;&atilde;o), cobre urin&aacute;rio elevado (5,9 &micro;mol/dia), cobre s&eacute;rico e fun&ccedil;&atilde;o hep&aacute;tica normais e bi&oacute;psia hep&aacute;tica com in&#64257;ltrado in&#64258;amat&oacute;rio e cobre hep&aacute;tico elevado. Iniciou terap&ecirc;utica com penicilamina (900 mg/dia) e piridoxina (20 mg/dia). Efectuou consulta pr&eacute;concepcional aos 32 anos. Iniciou vigil&acirc;ncia pr&eacute;-natal &agrave;s 6 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o e manteve terap&ecirc;utica com 900 mg/dia de penicilamina at&eacute; ao parto. Foi diagnosticada diabetes gestacional &agrave;s 29 semanas, que foi controlada com dieta. A gravidez decorreu sem outras complica&ccedil;&otilde;es. Os par&acirc;metros cl&iacute;nicos e anal&iacute;ticos da doen&ccedil;a de Wilson tamb&eacute;m se mantiveram est&aacute;veis. </P >     <p>Realizou-se cesariana &agrave;s 38 semanas por apresenta&ccedil;&atilde;o p&eacute;lvica    em prim&iacute;para, com extrac&ccedil;&atilde;o de um rec&eacute;m-nascido saud&aacute;vel,    do sexo masculino, 3450 g de peso, IA 9/10. Puerp&eacute;rio sem complica&ccedil;&otilde;es,    com aleitamento materno. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>DISCUSS&Atilde;O </B></p>     <p>Previamente &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o da penicilamina, as gesta&ccedil;&otilde;es    nas mulheres com doen&ccedil;a de Wilson eram infrequentes, devido &agrave;    redu&ccedil;&atilde;o da fertilidade provocada pela doen&ccedil;a. Actualmente,    com o diagn&oacute;stico e in&iacute;cio precoce da terap&ecirc;utica, as taxas    de fertilidade melhoraram (<a href="#15">15</a><a name="top15"></a>). Desta    forma, a gravidez na mulher com doen&ccedil;a de Wilson apresenta-se como um    desa&#64257;o. O objectivo da terap&ecirc;utica na gr&aacute;vida ser&aacute;    manter o controlo adequado da doen&ccedil;a, evitar a teratogenicidade no feto    e prevenir a interfer&ecirc;ncia na cicatriza&ccedil;&atilde;o da ferida operat&oacute;ria    no caso de cesariana. </P >     <p>Brewer e col. (<a href="#11">11</a>) relatam uma s&eacute;rie de 19 mulheres    tratadas com acetato de zinco durante 26 gesta&ccedil;&otilde;es, das quais    resultaram 24 crian&ccedil;as normais, uma com defeito card&iacute;aco cong&eacute;nito    e uma com microcefalia. Defendem, por isso, que o zinco &eacute; o agente de    escolha durante a gravidez, devido &agrave; sua seguran&ccedil;a para o feto    e que dever&aacute; ser mantido na dose de 50 mg, 3 vezes ao dia. Desconhecem-se    efeitos teratog&eacute;nicos em animais e humanos com este f&aacute;rmaco. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Scheinberg e Sternlieb (<a href="#16">16</a><a name="top16"></a>) relatam uma    s&eacute;rie de 18 mulheres tratadas com penicilamina durante 29 gesta&ccedil;&otilde;es,    das quais resultaram 29 crian&ccedil;as normais. </P >     <p>Sternlieb (<a href="#17">17</a><a name="top17"></a>) faz uma revis&atilde;o    de casos publicados de gr&aacute;vidas com doen&ccedil;a de Wilson, tratadas    com agentes quelantes. Recolheu 111 casos de mulheres tratadas com penicilamina,    durante 153 gesta&ccedil;&otilde;es, das quais resultaram 144 rec&eacute;m-nascidos    normais, 2 abortos terap&ecirc;uticos (um caso de hipertens&atilde;o portal    e varizes esof&aacute;gicas e outro caso de espinha b&iacute;&#64257;da), 2    abortos espont&acirc;neos e 3 rec&eacute;m-nascidos pr&eacute;-termo. Foi descrito    um caso de manosidose, um de fenda do palato e uma morte fetal in &uacute;tero.    Reuniu 17 casos de mulheres tratadas com trientina, durante 22 gesta&ccedil;&otilde;es,    das quais resultaram 19 rec&eacute;m-nascidos normais, tendo-se procedido a    um aborto terap&ecirc;utico e um dos fetos apresentava isocromossoma X. </P >     <p>A seguran&ccedil;a do uso da trientina durante a gravidez n&atilde;o est&aacute;    bem de&#64257;nida, uma vez que a sua experi&ecirc;ncia &eacute; mais limitada.    Estudos em animais sugerem uma potencial teratogenicidade deste f&aacute;rmaco.    A penicilamina pode ter efeito teratog&eacute;nico em animais e humanos, tais    como s&iacute;ndrome de c&uacute;tis laxa, micrognatia (<a href="#18">18</a><a name="top18"></a>)    e foi j&aacute; descrito um caso de embriopatia severa por penicilamina (<a href="#19">19</a><a name="top19"></a>).    No entanto, pensa-se que os efeitos teratog&eacute;nicos dos agentes quelantes    n&atilde;o se veri&#64257;cam nas doentes de Wilson, uma vez que as doses necess&aacute;rias    nesta patologia s&atilde;o inferiores &agrave;s dos doentes com cistin&uacute;ria    (<a href="#17">17</a>). </P >     <p>A <I>American Association for the Study of Liver Diseases </I>sugere que o    tratamento deve ser mantido durante a gesta&ccedil;&atilde;o e a dose deve ser    reduzida em 25 a 50% da dose pr&eacute;gestacional, particularmente no terceiro    trimestre, para permitir uma melhor cicatriza&ccedil;&atilde;o da ferida operat&oacute;ria,    no caso de ser necess&aacute;ria uma cesariana (<a href="#6">6</a>). A interrup&ccedil;&atilde;o    da terap&ecirc;utica associa-se a um alto risco de epis&oacute;dios hemol&iacute;ticos    com insu&#64257;ci&ecirc;ncia hep&aacute;tica, fal&ecirc;ncia hep&aacute;tica    fulminante e morte materna (<a href="#20">20</a><a name="top20"></a><a name="top21"></a>,<a href="#21">21</a>).    Portanto, parece que o risco de interromper a terap&ecirc;utica &eacute; substancialmente    maior do que o risco de teratogenicidade. </P >     <p>Tamb&eacute;m durante o aleitamento materno a terap&ecirc;utica da doen&ccedil;a    de Wilson dever&aacute; ser mantida, pois n&atilde;o t&ecirc;m sido descritos    efeitos nocivos para o beb&eacute;, apesar das concentra&ccedil;&otilde;es de    cobre e zinco noleite materno poderem estar reduzidas (<a href="#17">17</a>).  </P >     <p>Os tr&ecirc;s casos descritos neste artigo v&ecirc;m corroborar a import&acirc;ncia    da manuten&ccedil;&atilde;o da terap&ecirc;utica da doen&ccedil;a de Wilson.    N&atilde;o ocorreu qualquer agravamento materno da doen&ccedil;a nem nenhuma    complica&ccedil;&atilde;o na gravidez. De qualquer forma, seria importante a    realiza&ccedil;&atilde;o de estudos prospectivos para comparar a e&#64257;c&aacute;cia    e seguran&ccedil;a dos f&aacute;rmacos dispon&iacute;veis para o tratamento    da doen&ccedil;a de Wilson, durante a gravidez. </P >     <p>&nbsp;</P >     <p><B>REFER&Ecirc;NCIAS </B></p>     <!-- ref --><p><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>-Wilson SAK. Progressivelenticular degeneration:    a familial nervous disease associated with cirrhosis of the liver. Brain 1912;34:295-507.  </P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000081&pid=S0871-3413200900040000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top2">2</a> -<a name="2"></a>Bull PC, Thomas GR, Rommens JM, Forbes    JR, Cox DW. The Wilson disease gene is a putative copper transporting P-type    ATPase similar to the Menkes gene. Nat Genet 1993;5:327-37. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2">3</a> -Tanzi RE, Petrukhin K, Chernov I, Pellequer JL, Wasco    W, Ross B et al. The Wilson disease gene is a copper transporting ATPase with    homology to the Menkes disease gene. Nat Genet 1993;5:344-50. </P >     <p><a href="#top2">4</a> -Petrukhin K, Fischer SG, Pirastu M, Tanzi RE, Chernov    I, Devoto M et al. Mapping, cloning and genetic characterization of the region    containing the Wilson disease gene. Nat Genet 1993;5:338-43. </P >     <p><a href="#top2">5</a> -Yamaguchi Y, Heiny RE, Gitlin JD. Isolation and characterization    of a human liver cDNA as a candidate gene for Wilson disease. Biochem Biophys    Res Commun 1993; 197:271-7. </P >     <p><a href="#top6">6</a> -<a name="6"></a>Roberts EA, Scilsky ML.AASLD guideline:    a practice guideline on Wilson disease.Hepatology 2003;37:1475-88. </P >     <p><a href="#top7">7</a> -<a name="7"></a>Shar R et al. Wilson disease. Emedicine    (serialonline) 2007 May. Dispon&iacute;vel em: URL: <a href="http://www.emedicine.com" target="_blank">http://www.emedicine.com</a>  </P >     <p><a href="#top8">8</a> -<a name="8"></a>Sternlieb I. Wilson&rsquo;s disease.    Clin Liver Dis 2000;4:229-39. </P >     <p><a href="#top9">9</a> -<a name="9"></a>Hort&ecirc;ncio APB, J&uacute;nior CAA,    Lima JMC, Moreira DMQM, Moreira JO. Doen&ccedil;a de Wilson e gravidez. Relato    de caso. Rev Bras Ginecol Obstet 2001;23:329-32. </P >     <p><a href="#top10">10</a><a name="10"></a> -Brewer GJ. Wilson disease. Curr Treat    Options in Neurology 2000;2:193-204. </P >     <p><a href="#top11">11</a><a name="11"></a> -Brewer GJ, Johnson VD, Dick RD, Fink    JK, Kluin KJ. Treatment of Wilson&rsquo;s disease with zinc. XVII: treatment    during pregnancy. Hepatology 2000;31:364-70. </P >     <p><a href="#top12">12</a><a name="12"></a> -MediciV, Rossaro L. Wilson disease:    a genetic but treatable liver disorder. The HCV Advocate Medical Writer&rsquo;s    Circle (serial online) 2006 Aug. Dispon&iacute;vel em: URL: <a href="http://www.hvadvocate.org" target="_blank">http://www.hvadvocate.org</a>.  </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top13">13</a><a name="13"></a> -Ala A, Walker AP, Ashkan K, Dooley    JS, Schilsky ML. Wilson disease. Lancet 2007;369:397-408. </P >     <p><a href="#top14">14</a><a name="14"></a> -Brewer GJ et al. Treatment of Wilson    disease with ammonium tetrathiomolybdato: III. Initial therapy in a total of    55 neurologically affected patients and follow up with zinc therapy. Arch Neurol    2003;60:379-85. </P >     <p><a href="#top15">15</a><a name="15"></a> -Nunns D, Hawthorne B, Goulding P,    Maresh M. Wilson&rsquo;s disease in pregnancy. Eur J Obst & Gynecol Rep Biol    1995;62:141-3. </P >     <p><a href="#top16">16</a> <a name="16"></a>- Scheinberg IH, Sternlieb I. Pregnancy    in penicillamine &ndash; treated patients with Wilson&rsquo;s disease. N England    J Med 1975;293:1300-2. </P >     <p><a href="#top17">17</a> -<a name="17"></a>Sternlieb I. Wilson&rsquo;s disease    and pregnancy. Hepatology 2000;31:531-532. </P >     <p><a href="#top18">18</a> -<a name="18"></a>Kaplan MM. Treatment of Wilson disease.    UpToDate 2007. </P >     <p><a href="#top19">19</a> -<a name="19"></a>Pinter R, Hogge WA, McPherson E.    Infant with severe penicillamine embryopathy born to a woman with Wilson disease.    Am J Med Genet A 2004;128:294-8. </P >     <p><a href="#top20">20</a> - <a name="20"></a>20. Stimono N, Ishibashi H, Ikematsu    H et al. Fulminant hepatic failure during perinatal period in a pregnant woman    with Wilson&rsquo;s disease. Gastroenterol Jpn 1991;26:69-73. </P >     <P   ><a href="#top21">21</a> -<a name="21"></a>Das SK, Ray K. Wilson disease: an update.    Nat Clin Pract Neurol 2006;2:482-93. </P >     <P   >&nbsp; </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   ><b>Correspond&ecirc;ncia: </b></P >     <P   >Dr.&ordf; Maria Geraldina Castro </P >     <P   >Servi&ccedil;o de Ginecologia/Obstetr&iacute;cia </P >     <P   >Maternidade Bissaya Barreto </P >     <P   >Centro Hospitalar de Coimbra</P >     <P   > Quinta dos Vales </P >     <P   >3041-801 Coimbra </P >     <P   >e-mail: <a href="mailto:geraldinacastro@hotmail.com">geraldinacastro@hotmail.com</a>  </P >      ]]></body><back>
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<person-group person-group-type="author">
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<surname><![CDATA[Wilson]]></surname>
<given-names><![CDATA[SAK.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Progressivelenticular degeneration: a familial nervous disease associated with cirrhosis of the liver]]></article-title>
<source><![CDATA[Brain]]></source>
<year>1912</year>
<volume>34</volume>
<page-range>295-507</page-range></nlm-citation>
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