<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0871-3413</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Arquivos de Medicina]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Arq Med]]></abbrev-journal-title>
<issn>0871-3413</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[ArquiMed - Edições Científicas AEFMUP ]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0871-34132011000500010</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Dados Objectivos Sobre a Produção Científica do Hospital de S.João/Faculdade de Medicina no Intervalo 1997-2010]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Guimarães]]></surname>
<given-names><![CDATA[Serafim]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Leitão]]></surname>
<given-names><![CDATA[Susana]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Medicina ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<volume>25</volume>
<numero>5-6</numero>
<fpage>220</fpage>
<lpage>223</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0871-34132011000500010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0871-34132011000500010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0871-34132011000500010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>COMENTÁRIO</b></p>     <p><b>Dados Objectivos Sobre a Produção Científica do Hospital de S.João/Faculdade de Medicina no Intervalo 1997-2010 </b></p>     <p><b>Serafim Guimarães<sup>1</sup>, Susana Leitão </b>(Apoio logístico)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>1</sup><i> </i>Professor Catedrático Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <a href="#c0">Correspondência</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Correspondendo ao pedido do Presidente do Conselho de Administração do Hospital de S. João, Prof. António Ferreira, aceitei organizar um “Observatório” destinado a inventariar a produção científica dessa unidade hospitalar, através do eco que as publicações feitas originaram no mundo científico, e referenciar os agentes responsáveis por essa produção. Contudo, a íntima unidade orgânica e funcional que o Hospital de S. João constitui com a Faculdade de Medicina do Porto, tornava impraticável essa avaliação. Não era só porque havia elementos de cada uma das duas instituições que dão o braço para executar tarefas comuns, mas era a coincidência das duas qualidades – hospitalar e universitária -nas mesmas pessoas. Em seu lugar, surgiu, assim, uma análise da produção do conjunto Hospital/Faculdade que, aos olhos de muita gente e aos meus, constituiu, desde sempre, uma entidade indissociavelmente unitária.</p>     <p>Este estudo não visa fazer propaganda da ciência. Faz-se hoje, a meu ver, excessiva propaganda da ciência e a ciência não existe para isso. Que se respeite, que se valorize, que se apoie, que o público a reconheça e que os ministros a considerem é justo e conveniente, mas sem que os cientistas entrem, abertamente, nesse jogo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>À ciência baste-lhe dominar a vida moderna. Ninguém duvida hoje que o futuro dos homens, pelo menos no que diz respeito ao seu bem-estar material, depende muito dos cientistas. E isso chega. Não são precisos gritos nem foguetes. Não contribui para a sua elevada dignidade ver nos meios de comunicação social a ciência a competir com os detergentes para lavar roupa. Como diz F. Hoveyda, o prestígio da ciência é incontestável e torna-se evidente até na linguagem de toda a gente que, sem dar por ela, o vai confirmando. Expressões como: miopia intelectual, auscultar a opinião pública, fazer bombardeamentos cirúrgicos, estar no mesmo comprimento de onda, encontrar um denominador comum o que é senão a demonstração da influência dominadora da ciência.</p>     <p>Mas não gostar de ver cientistas em bicos de pés não é o mesmo que defender que se esconda a ciência, que se omitam os seus êxitos ou se calem os seus insucessos. É preciso, é útil, é serio que se dê conta, de forma objectiva e rigorosa, daquilo que ela nos vai dando e que se olhe com atenção para os números que a revelam, porque eles reflectem o potencial científico de um País que é, hoje, justamente considerado o motor mais credível do seu desenvolvimento e ainda porque, com a sua clareza, além de não mentirem, esses números são uma base segura para estabelecer comparações que devem ser feitas e consideradas, se não se quiser ser acusado de praticar injustiças ou de pactuar com elas, de exercer favoritismos, de ser agente de pecados de que nem sempre e fácil lavar as mãos.</p>     <p>As publicações que resultam do trabalho científico e que o revelam constituíram sempre uma base fundamental, insubstituível para a avaliação do mérito dos seus autores.<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a></p>     <p>Quando há cerca de 50 anos iniciei a minha carreira académica, a grande maioria das publicações que serviam para fazer a avaliação de méritos científicos e para classificar candidatos era feita em revistas nacionais. Ser autor de um trabalho publicado numa revista internacional era uma coisa rara que distinguia! Com o alargamento do número de cultores dessa actividade e o incremento da consciencialização do significado da investigação ocorrido no nosso País, na década de setenta do século passado, cresceu o número de autores portugueses a publicarem, regularmente, em revistas internacionais. E, como consequência natural desta tendência e à medida que ela se foi generalizando, o padrão do êxito passou a ser o número dos trabalhos publicados em revistas arbitradas que compunham os curricula. Mas este critério, que ainda conta para alguns dos seus utilizadores, já não é muito convincente, porque há muita gente atenta que, com razão, olha mais para o índice de impacto das revistas em que as publicações são feitas, do que para o número total de páginas escritas. Porém, o índice de impacto de uma revista, sendo já um indicador de qualidade anunciador de um sucesso potencial, fica, ainda aquém de definir o justo mérito de cada um dos trabalhos que a integram, porque só revela uma média geral construída a partir de um somatório, mas diz pouco quanto ao valor de cada uma das publicações que contribuíram para essa média. Esse sucesso individual só pode ser avaliado pelo “consumo” que, a comunidade fizer de cada um desses trabalhos, e esse “consumo” só pode ser medido pelo número dos “consumidores”, explicitado no número de citações que esses trabalhos vierem a obter. Foi, portanto, o número de citações – último elo de uma cadeia que vai do “produtor ao utilizador” -o critério que adoptamos para observar o trabalho produzido pela unidade Hospital de S. João/Faculdade de Medicina do Porto.<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a></p>     <p>No fim deste primeiro exercício que, seguramente, contém falhas por defeito, não podemos deixar de nos impressionar com a realidade revelada pelo estudo. No último ano analisado, 2010, o número total de citações feitas dos trabalhos científicos publicados por autores do Hospital de S. João/ Faculdade de Medicina do Porto foi de 5084 o que significa que de 1,7 em 1,7 horas alguém, no Mundo, cita um trabalho saído desta Instituição Portuguesa. A que distância nos encontramos dos míseros 55 trabalhos anuais produzidos por todas as instituições do País (dois e meio por mês!) do meu primeiro olhar sobre este mundo!</p>     <p>Talvez alguém possa pensar que esta inventariação significa um trabalho semiinútil. Admito que haja quem assim pense. A esses lembro que é um trabalho que se adequa perfeitamente à semi-inutilidade de um jubilado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="/img/revistas/am/v25n5-6/25n5-6a10t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Correspondência: </a><a name="c0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Serafim Guimarães Faculdade de Medicina da Universidade do Porto Al. Prof. Hernâni Monteiro 4200-319 Porto. <i>Email:</i> <a href="mailto:sguimara@med.up.pt">sguimara@med.up.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas:</b></p>      <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> <i>Sempre que há autores portugueses em publicações oriundas de centros de outros países e em que os autores estrangeiros predominam, foi considerado autor principal o autor português no caso de ele ser único, ou aquele que é academicamente mais representativo, no caso de haver mais do que um. Nas publicações em que os autores são todos portugueses, considerámos autor principal o que possui grau académico mais elevado. Para evitar repetição na contagem das publicações, o autor principal é apresentado em negrito e só esse conta para o cômputo geral. </i></p>     <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup><i> Os dados aqui apresentados e que pecarão sempre por defeito, foram obtidos a partir do Web of knowledge do ISI. Mais recentemente, a Europa criou o seu próprio centro (Scopus) que cobre mais jornais do que o Web of knowledge de Philadelphia. Por isso, os números obtidos a partir desta nova fonte não coincidem com os doWeb. Se houver tempo e paciência continuaremos esta tarefa e passaremos a confrontar os dados fornecidos pelos dois centros. </i></p>        ]]></body>
</article>
