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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Caso II: adulto do sexo masculino, 20 anos, com diarreia não-sanguinolenta]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Hepatobiliary diseases are common extraintestinal manifestations of inflammatory bowel disease (IBD). In fact, abnormal liver biochemical tests are present in up to 30 percent of patients with IBD, do not appear to correlate with disease activity or severity and may be associated with a specific concomitant disease (autoimmune or not) or therapy. As a result, persistently abnormal liver biochemical tests should generally be carefully evaluated. Primary sclerosing cholangitis (PSC) is one of the more common hepatobiliary complications of IBD, particularly in patients with ulcerative colitis (UC), particularly extensive colitis. We describe a case of a 20-year male patient diagnosed with extensive ulcerative colitis and persistently elevated liver biochemical tests. During the workup the patient presented persistent cholestatic (gGT, ALP 3-4x ULN) and cytosolic liver injury (AST, ALT 2.5x ULN), with a predominance of cholestasis. His etiological workup revealed an elevated IgG and positive ANCAp. The liver biopsy performed did not show clear signs of an anatomo-clinical entity responsible for the hepatobiliary disease. The patient was treated with oral mesalamine, azathioprine and ursodeoxycholic acid (UDCA) with a partial response. A cholangio-MRI showed an extra-hepatic biliary stricture and the endoscopic retrograde cholangiopancreatography (ERCP) revealed a 3cm stricture and findings highly suggestive of intra-hepatic PSC. Biliary biopsies taken showed signs of atypia questioning the possible presence of malignancy, and subsequent optimization of therapy]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Diarreira não sanguinolenta]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Doença de Crohn]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Doença inflamatória intenstinal]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Caso II - adulto do sexo masculino, 20 anos, com diarreia n&atilde;o-sanguinolenta</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Susana Rodrigues<sup>1</sup>, Joanne Lopes<sup>2</sup>, Lu&iacute;s Tom&eacute;<sup>3</sup>, Susana Lopes<sup>1</sup>, F&aacute;tima Carneiro<sup>2</sup>,<sup>4</sup>, Guilherme Macedo<sup>1</sup>,<sup>4</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> Servi&ccedil;o de Gastrenterologia do Hospital de S&atilde;o Jo&atilde;o</p>     <p><sup>2</sup> Servi&ccedil;o de Anatomia Patol&oacute;gica do Hospital de S&atilde;o Jo&atilde;o</p>     <p><sup>3</sup> Servi&ccedil;o de Gastrenterologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra</p>     <p><sup>4</sup> Faculdade de Medicina da Universidade do Porto</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>As doen&ccedil;as hepatobiliares s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es extra-intestinais comuns da doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria intestinal (DII). As altera&ccedil;&otilde;es das provas hep&aacute;ticas poder&atilde;o estar presentes em at&eacute; 30 porcento dos doentes com DII, n&atilde;o parecendo estarem associadas com a actividade ou gravidade da doen&ccedil;a e podendo ser relacion&aacute;veis com doen&ccedil;a hep&aacute;tica espec&iacute;fica (autoimune ou n&atilde;o) ou medica&ccedil;&atilde;o concomitante. Neste sentido, altera&ccedil;&otilde;es persistentes das provas hep&aacute;ticas devem ser cuidadosamente avaliadas e integradas no contexto cl&iacute;nico do doente. A colangite esclerosante prim&aacute;ria (CEP) &eacute; uma das patologias hepatobiliares mais comuns na DII, particularmente nos casos de colite ulcerosa (CU), sobretudo na pancolite. Descrevemos um caso de um doente de 20 anos do sexo masculino diagnosticado com pancolite ulcerosa e altera&ccedil;&otilde;es persistentes das provas hep&aacute;ticas. Durante o estudo, o doente apresentou um padr&atilde;o misto de cit&oacute;lise com predomin&acirc;ncia colest&aacute;tica (GGT, ALP 3-4xLSN, AST, ALT 2.5x LSN). O estudo etiol&oacute;gico revelou uma IgG elevada e ANCAp positivo. A bi&oacute;psia hep&aacute;tica realizada n&atilde;o mostrou inequivocamente a entidade anatomopatol&oacute;gica respons&aacute;vel pelas altera&ccedil;&otilde;es hepatobiliares. O doente foi medicado com mesalazina oral, azatioprina e &aacute;cido ursodesoxic&oacute;lico (AUDC) com efeito parcial. A colangio-RM mostrou uma estenose biliar extra-hep&aacute;tica e a colangiopancreatografia retr&oacute;grada endosc&oacute;pica (CPRE) revelou uma estenose 3 cm e achados altamente sugestivos de CEP intra-hep&aacute;tica. As bi&oacute;psias da estenose da via biliar mostraram sinais de atipia pelo que se questiona a eventual presen&ccedil;a de malignidade, e consequente optimiza&ccedil;&atilde;o da proposta terap&ecirc;utica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: Diarreira n&atilde;o sanguinolenta; Doen&ccedil;a de Crohn; Doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria intenstinal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Hepatobiliary diseases are common extraintestinal manifestations of inflammatory bowel disease (IBD). In fact, abnormal liver biochemical tests are present in up to 30 percent of patients with IBD, do not appear to correlate with disease activity or severity and may be associated with a specific concomitant disease (autoimmune or not) or therapy. As a result, persistently abnormal liver biochemical tests should generally be carefully evaluated. Primary sclerosing cholangitis (PSC) is one of the more common hepatobiliary complications of IBD, particularly in patients with ulcerative colitis (UC), particularly extensive colitis. We describe a case of a 20-year male patient diagnosed with extensive ulcerative colitis and persistently elevated liver biochemical tests. During the workup the patient presented persistent cholestatic (gGT, ALP 3-4x ULN) and cytosolic liver injury (AST, ALT 2.5x ULN), with a predominance of cholestasis. His etiological workup revealed an elevated IgG and positive ANCAp. The liver biopsy performed did not show clear signs of an anatomo-clinical entity responsible for the hepatobiliary disease. The patient was treated with oral mesalamine, azathioprine and ursodeoxycholic acid (UDCA) with a partial response. A cholangio-MRI showed an extra-hepatic biliary stricture and the endoscopic retrograde cholangiopancreatography (ERCP) revealed a 3cm stricture and findings highly suggestive of intra-hepatic PSC. Biliary biopsies taken showed signs of atypia questioning the possible presence of malignancy, and subsequent optimization of therapy.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o Prof Guilherme Macedo (PGM):</b> “Gostaria de vos cumprimentar a todos, dar-lhes as notas de boas vindas e explicar em 3 minutos o que nos moveu para estar aqui. O que nos moveu, obviamente foi o convite generoso e irrecus&aacute;vel, mas sobretudo o pretexto de comunica&ccedil;&atilde;o, o pretexto de troca de informa&ccedil;&atilde;o, no fundo trazer para aqui aquela que &eacute; a nossa realidade da Gastrenterologia neste hospital, com o servi&ccedil;o de Anatomia Patol&oacute;gica. A grande raz&atilde;o para estarmos aqui, &eacute; pois um pretexto de comunica&ccedil;&atilde;o, um pretexto de ensino: o ensino &eacute; um movimento biun&iacute;voco de quem ministra informa&ccedil;&atilde;o e de quem e como a apreende.</p>     <p>Conhecem provavelmente este cavalheiro, doutras lides, mas este mesmo Kubrick dizia o que &eacute; para n&oacute;s um aforismo quase vital: A entrega total a um objectivo s&oacute; &eacute; exig&iacute;vel quando n&oacute;s damos esse testemunho. &Eacute; esse testemunho que os dois servi&ccedil;os v&ecirc;m dar, sobre o ensino ou sobre esta modalidade de partilha de conhecimento. Para n&oacute;s o ensino &eacute; um m&eacute;todo, em que se fornecem instrumentos cognitivos e psicoafectivos, duas palavras que n&oacute;s gostamos muito na nossa &aacute;rea, para veicular v&aacute;rias coisas: informa&ccedil;&atilde;o, experi&ecirc;ncia, vontade, compet&ecirc;ncia e entusiasmo, t&atilde;o caracter&iacute;sticas dos licenciados em medicina. Mas mais do que isso, queremos que os licenciados em medicina se tornem m&eacute;dicos. Uma pequena grande diferen&ccedil;a que implica compreender alguns processos que tamb&eacute;m se ensinam, processos esses que fazem transformar essas caracter&iacute;sticas em conhecimento, em maturidade, em motiva&ccedil;&atilde;o, em dedica&ccedil;&atilde;o e, sobretudo, muita paix&atilde;o.</p>     <p>Sabem, obviamente, qual &eacute; a diferen&ccedil;a entre informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento. Mas &agrave;s vezes essa diferen&ccedil;a n&atilde;o &eacute; muito percept&iacute;vel ou muito n&iacute;tida nos nossos esp&iacute;ritos e para os m&eacute;dicos &eacute; fundamental perceber que tamb&eacute;m para compreender essa subtil diferen&ccedil;a h&aacute; um caminho a fazer-se. Se eu falar aqui, sobretudo &agrave; comunidade mais jovem, quem &eacute; o senhor Peter Gonzalez, vou ter alguma dificuldade. Algu&eacute;m sugere quem seja o senhor Peter Gonzalez, que &eacute; este cavalheiro? Ah, agora as meninas j&aacute; disseram - Bruno Mars, isso conhecem. Ora isto &eacute; dispor de informa&ccedil;&atilde;o, reconhecer uma foto medi&aacute;tica; obter conhecimento significa ter tido a curiosidade, ambi&ccedil;&atilde;o e procura de saber que uma informa&ccedil;&atilde;o imediatista pode ser completada com alguma coisa mais.</p>     <p>Muito importante tamb&eacute;m &eacute; o processo de passagem da experi&ecirc;ncia, pura e dura, para a maturidade. Como devem calcular este cavalheiro (Chesley Sullenberger) e muitos milhares de pilotos t&ecirc;m uma enorme experi&ecirc;ncia de voar, mas este piloto, na altura apropriada revelou uma outra caracter&iacute;stica de excel&ecirc;ncia, que foi a maturidade de seleccionar intuitivamente os riscos, e assim pousar no Hudson, indubitavelmente “against all odds”.</p>     <p>Entre vontade e motiva&ccedil;&atilde;o h&aacute; tamb&eacute;m alguma diferen&ccedil;a, porque os alunos t&ecirc;m muita vontade de aprender, muita vontade de fazerem coisas, mas n&atilde;o chega para definir os contornos duma motiva&ccedil;&atilde;o, a motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; um compromisso temporal. Sir Alex Ferguson (que como sabem n&atilde;o &eacute; nenhum medico famoso…) diz frequentemente que de facto nada contamina mais do que a vontade e o entusiasmo, &eacute; isso que faz mover as coisas e faz vencer obst&aacute;culos. Mas a nosso ver mais importante ainda que esta vontade e este entusiasmo &eacute; conseguir sustentar no tempo uma motiva&ccedil;&atilde;o, um <i>drive</i>, uma inten&ccedil;&atilde;o, e a isso chamamos paix&atilde;o. &Eacute; essa paix&atilde;o que n&oacute;s vamos ver aqui quanto estivermos a discutir o caso cl&iacute;nico concreto dum jovem, que tem a vossa idade e que anda, infelizmente pela sua doen&ccedil;a, a ser submetido a uma parafernalia de v&aacute;rias procedimentos, altamente complexos, exigentes e tecnologicamente muito avan&ccedil;ados, e que n&oacute;s vamos discutir aqui, sobre a sua oportunidade e aplicabilidade. O nosso pretexto de comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; esse: mostrar que na cl&iacute;nica h&aacute; muitos momentos que n&oacute;s temos, para al&eacute;m de muito estudo e trabalho solit&aacute;rio, pegar nos telefones, temos que calcorrear os corredores do Hospital, temos que falar uns com os outros, partilhar certezas e duvidas, para podermos servir bem, que &eacute; o nosso fundamento. Para demonstrarmos isso vou passar a palavra &agrave; <b>Dra. Susana Rodrigues (DSR)</b>, que &eacute; Interna do nosso Servi&ccedil;o de Gastrenterologia do Hospital de S&atilde;o Jo&atilde;o e para a <b>Dra. Joana Lopes (DJL)</b>, Especialista de Anatomia Patol&oacute;gica, para nos contarem… uma hist&oacute;ria. Trazerem a historia do percurso de vida dum rapaz, entre as varias decis&otilde;es cl&iacute;nicas que tivemos de tomar, que provavelmente alguns de v&oacute;s ir&atilde;o conhecer dentro de algum tempo, quando tamb&eacute;m tiverem de lidar com as nossas pr&oacute;prias inquieta&ccedil;&otilde;es e uma &acirc;nsia tremenda de excel&ecirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Dr&ordf; Susana Rodrigues</b>: O caso cl&iacute;nico corresponde a um jovem do sexo masculino, de 20 anos, natural de Paredes, estudante e residente em Lisboa.</p>     <p>A hist&oacute;ria deste doente, come&ccedil;a com uma refer&ecirc;ncia a diarreia sem sangue, com dor abdominal recorrente e emagrecimento de 2 a 3 kg no espa&ccedil;o de 6 meses. Neste contexto o doente foi referenciado no exterior para efectuar uma colonoscopia total. Mostrou mucosa do recto do c&oacute;lon direito com edema/eritema e &uacute;lceras, compat&iacute;veis com o diagn&oacute;stico endosc&oacute;pico de pancolite ulcerosa. Em rela&ccedil;&atilde;o aos antecedentes pessoais o doente n&atilde;o apresentava nenhuns antecedentes patol&oacute;gicos de relevo, referia apenas o consumo espor&aacute;dico de &aacute;lcool em festas da Faculdade, n&atilde;o apresentava hist&oacute;ria nenhuma de viagem recentes e como antecedente familiar importante, tinha a m&atilde;e com hist&oacute;ria de Doen&ccedil;a de Crohn.</p>     <p>Passamos agora a mostrar as imagens das bi&oacute;psias c&oacute;licas efectuadas no exterior.</p>     <p><b>Dr&ordf; Joanne Lopes</b>: Recebemos imagens dessa bi&oacute;psia c&oacute;lica efectuada num Laborat&oacute;rio do exterior. Vemos um fragmento de mucosa c&oacute;lica com expans&atilde;o do c&oacute;rion por fol&iacute;culos linf&oacute;ides; observam-se altera&ccedil;&otilde;es das criptas (encurtamento e espa&ccedil;amento irregular) (<a href="#f1">Fig 1</a>). H&aacute; sinais de actividade, com les&otilde;es de criptite, sem evid&ecirc;ncia, nestas imagens, de abcessos cr&iacute;pticos. Em &aacute;reas focais h&aacute; sinais de ulcera&ccedil;&atilde;o (traduzidas pela presen&ccedil;a de tecido de granula&ccedil;&atilde;o). O diagn&oacute;stico ent&atilde;o efectuado foi de les&otilde;es de recto-colite cr&oacute;nica com sinais de actividade e ulcera&ccedil;&atilde;o, compat&iacute;vel com doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria intestinal de tipo colite ulcerosa.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/am/v26n2/26n2a05f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: Deixe-me s&oacute; dizer colocar uma quest&atilde;o que gostaria de p&ocirc;r j&aacute; ao Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;, nosso “Special Guest Star” de hoje, &eacute; Prof. da Faculdade de Medicina de Coimbra, e Chefe de Servi&ccedil;o dos Hospitais da Universidade do Servi&ccedil;o de Gastroenterologia; a quest&atilde;o que eu gostaria de p&ocirc;r &eacute; se para j&aacute; estamos tranquilos, com um diagn&oacute;stico com base histol&oacute;gica de colite ulcerosa...chega para j&aacute;?!... (9:53)</p>     <p><b>Prof. Luis Tom&eacute;</b>: Em 1&ordm; lugar gostava de agradecer ao Sr. Prof. Guilherme Macedo pela gentileza do convite a participar nesta reuni&atilde;o, e cumprimentar o Sr. Prof. Sobrinho Sim&otilde;es, dizendo-lhe Sr. Prof. que eu n&atilde;o me lembro de ter tido oportunidade de estar sentado ao lado de um Pr&eacute;mio Pessoa... Deixe-me dizer tamb&eacute;m que, n&oacute;s em Coimbra tivemos um Prof. na Universidade de Direito, que tinha uma m&aacute;xima que marcou a vida social intelectual da cidade, dizia ele, “nada de altas cavalarias, nem de voos arriscados, fa&ccedil;a-se o trivial”. Evidentemente que esta observa&ccedil;&atilde;o que este Prof. de Direito proferiu conduziu a cidade de Coimbra a um inexor&aacute;vel decl&iacute;nio. Naturalmente eu n&atilde;o me revejo nela mas nem por isso arriscaria, aqui, alguma alta cavalaria. Quero portanto dizer que estou tranquilo acerca do diagn&oacute;stico e devo dizer que n&atilde;o preciso geralmente da histologia para fazer o diagn&oacute;stico. Por este contexto cl&iacute;nico que aqui temos com o aspecto endosc&oacute;pico descrito, as biopsias reputo-as de dispens&aacute;veis.</p>     <p>Mas, j&aacute; agora pergunto eu, essa circunst&acirc;ncia da m&atilde;e do doente ter um Doen&ccedil;a de Crohn que t&atilde;o assinalada &eacute; nessa sua introdu&ccedil;&atilde;o usando uma hist&oacute;ria cl&iacute;nica, acha que tem alguma relev&acirc;ncia? Acha que existe alguma tend&ecirc;ncia para alguma agrega&ccedil;&atilde;o familiar nas doen&ccedil;as inflamat&oacute;rias cr&oacute;nicas do intestino?</p>     <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: Quanto &agrave; biopsia...</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: Fic&aacute;mos todos muito mais tranquilos quando fazemos biopsia, e &eacute; recomendado ser sempre feita, at&eacute; porque tivemos algumas surpresas muito recentes, s&atilde;o raras, mas que podem fazer diferen&ccedil;a entre a vida e a morte e isso preocupa-nos naturalmente.</p>     <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: mas que surpresas foram essas j&aacute; agora?</p>     <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: foi ter descoberto que um individuo com uma colite ulcerosa trivial&iacute;ssima, aos olhos de todos, era afinal uma ameb&iacute;ase. Tratava-se de um senhor de ra&ccedil;a branca e que dizia que nunca tinha ido a lado nenhum, at&eacute; depois de n&oacute;s termos perguntado especificamente, n&atilde;o viajava para lado algum, mas afinal tinha vivido em Angola muitos anos… </p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;: </b>...colite ulcerosa febril...</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: H&aacute; muitas colites ulcerosas febris e essa &eacute; tamb&eacute;m a raz&atilde;o para precisarmos ter uma biopsia…</p>      <p><b>Dr&ordf; Susana Rodrigues</b>: em Fevereiro de 2009, ap&oacute;s a colonoscopia, o doente foi medicado no exterior, com 5-ASA oral 1000mg 3x dia.</p>     <p>Em Agosto de 2009, em an&aacute;lises de rotina, efectuado pelo m&eacute;dico assistente no exterior foram detectadas altera&ccedil;&otilde;es das provas hep&aacute;ticas, real&ccedil;ando-se a presen&ccedil;a de um padr&atilde;o misto de cit&oacute;lise com aumento das transaminases, (381 - 10 vezes o valor normal da ALT) e o aumento tamb&eacute;m dos par&acirc;metros da colestase no aumento da gGT e aumento da fosfatase alcalina, &plusmn; 1,5x normal.</p>     <p>Em Outubro de 2009, o doente iniciou corticoterapia com prednisolona 50mg pelo seu m&eacute;dico assistente, com a suspeita que o doente pudesse ter uma hepatite autoimune. Ap&oacute;s iniciar esta terap&ecirc;utica o doente em Janeiro de 2010 foi referenciado ao nosso Hospital, &agrave; nossa consulta de Hepatologia. Quando n&oacute;s o vimos em Janeiro de 2010 o doente estava medicado com 10mg de prednisolona e a fazer 5-ASA oral. Efectuou an&aacute;lises em Janeiro e vimos os resultados em Mar&ccedil;o de 2010, nesta altura o doente estava assintom&aacute;tico, medicado apenas com mesalamina oral e persistiam as altera&ccedil;&otilde;es das provas hep&aacute;ticas, mantinha cit&oacute;lise e a colestase, desta vez com valores de colestase mais marcados.</p>     <p>Foi efectuado um estudo das altera&ccedil;&otilde;es das provas hep&aacute;ticas num contexto do doente com colite ulcerosa; realizou uma ecografia abdominal, que mostrou esteatose hep&aacute;tica sem sinais de hipertens&atilde;o portal, nomeadamente, esplenomegalia ou dilata&ccedil;&atilde;o da veia porta, n&atilde;o tinha altera&ccedil;&otilde;es das vias biliares nem do p&acirc;ncreas. Foram pedidos marcadores v&iacute;ricos para Hepatite B, Hepatite C e HIV que foram negativos, no painel imunol&oacute;gico real&ccedil;o apenas positivo o aumento da imunoglobulina G, os auto-anticorpos pedidos anti-mitocondrial, anti-m&uacute;sculo liso, anti-nuclear e anti-LKM e ANCAs foram negativos e a electroforese das prote&iacute;nas s&eacute;ricas tamb&eacute;m foi normal.</p>     <p>Foi feito um despiste de doen&ccedil;as metab&oacute;licas, feito um doseamento da a1-antitripsina, ceruloplasmina, cin&eacute;tica do ferro, que foram todas normais, o perfil lip&iacute;dico do doente tamb&eacute;m era normal, as hormonas tiroideias, estavam dentro dos valores de normalidade, serologias eram negativas, para EBV, CMV, e s&iacute;filis. Foi tamb&eacute;m efectuado o estudo de coagula&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m normal. Est&aacute;vamos ent&atilde;o colocados perante um jovem com colite ulcerosa com altera&ccedil;&otilde;es das provas hep&aacute;ticas, pelo que colocamos a hip&oacute;tese de realiza&ccedil;&atilde;o de uma biopsia hep&aacute;tica. Pensamos em algumas hip&oacute;teses de diagn&oacute;stico, nomeadamente doen&ccedil;as hepatobiliares que podem estar associadas a doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria intestinal, &agrave; cabe&ccedil;a colangite esclerosante prim&aacute;ria, pela sua frequ&ecirc;ncia e com o facto do doente apresentar uma pancolite ulcerosa, colangiopatia autoimune, a hepatite autoimune, o envolvimento hep&aacute;tico por doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria intestinal, isto &eacute;, altera&ccedil;&otilde;es inespec&iacute;ficas que podem surgir no f&iacute;gado de um doente com doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria intestinal, como por exemplo, esteatose ou granulomas epiteli&oacute;ides ou at&eacute; dep&oacute;sitos de amil&oacute;ide. Tamb&eacute;m colocamos a hip&oacute;tese de haver uma doen&ccedil;a hepatobiliar concomitante com doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria, como por exemplo, esteatose simples, esteatohepatite ou toxicidade por 5-ASA.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b> Ter uma eleva&ccedil;&atilde;o de cerca de 2 x fosfatase alcalina, achas que isso &eacute; suficiente para diagnosticar uma colestase?</p>      <p><b>Dr&ordf; Susana Rodrigues</b>: Ele tem de facto um padr&atilde;o misto ele n&atilde;o tem s&oacute; uma colestase, ele tem cit&oacute;lise e colestase</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: Foi proposto que deveria haver um limiar quanto ao valor de fosfatase alcalina que se sobreponha ao normal, para se definir colestase e esse valor geralmente atribu&iacute;a-se o de 3 vezes. Mas por exemplo, a fosfatase alcalina de 180 tamb&eacute;m &eacute; colestase?</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: Se for de origem hep&aacute;tica e em 2 determina&ccedil;&otilde;es espa&ccedil;adas de 3 a 6 meses, &eacute;!.</p>     <p>. &Eacute; evidente que se for uma eleva&ccedil;&atilde;o transit&oacute;ria, haver&aacute; um crit&eacute;rio temporal tamb&eacute;m nesta avalia&ccedil;&atilde;o. Para um doente que neste perfil clinico, e que tem 2 ou 3 determina&ccedil;&otilde;es diferentes com fosfatase alcalina elevada que v&aacute; acima de 1.5x o normal, &eacute; evidente que estamos a considerar que tem uma colestase. A quest&atilde;o &eacute; que este doente n&atilde;o tem uma colestase isolada. Ter fosfatase alcalina elevada n&atilde;o significa no entanto, sempre, ter colestase. Uma gr&aacute;vida, normalmente, por ter uma estrutura a crescer que se chama sinciciotrofoblasto e outra estrutura que alberga que &eacute; o feto, tem fosfatase alcalina elevada</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: ...Neste caso porque o doente tem fosfatase alcalina elevada e gGT elevado importa mais a conjun&ccedil;&atilde;o das duas enzimas para definir esta colestase. J&aacute; agora, queria saber se faria bi&oacute;psia hep&aacute;tica</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: eu faria, neste contexto parece-me crucial.</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: .....eles discutem a possibilidade de ter uma colangite esclerosante, uma colangiopatia autoimune, uma hepatite autoimune embora n&atilde;o tenha auto-anticorpos, na exclus&atilde;o deste diagn&oacute;stico talvez precise da histologia, mas n&atilde;o tem auto-anticorpos, e o envolvimento hep&aacute;tico por doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria cr&oacute;nica quer dizer exactamente o qu&ecirc;?</p>      <p><b>Dr&ordf; Susana Rodrigues</b>: s&atilde;o altera&ccedil;&otilde;es inespec&iacute;ficas que podem surgir no contexto de doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria, como presen&ccedil;a de esteatose, ou granulomas epiteli&oacute;ides.</p>      <p><b>Plateia b): </b>Quando o Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute; disse que a hepatite autoimune est&aacute; completamente fora de parte, porque n&atilde;o tem anti-anticorpos, isso n&atilde;o &eacute; propriamente crit&eacute;rio de exclus&atilde;o... relativamente ao envolvimento hep&aacute;tico pela doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria intestinal, pode acontecer, que se tivermos granulomas, h&aacute; altera&ccedil;&otilde;es das provas hep&aacute;ticas</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: eu nunca vi nenhuma granulomatose hep&aacute;tica, com 330 de transaminases, n&atilde;o me lembro....</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: &eacute; verdade, no caso duma granulomatose isolada; o problema &eacute; que h&aacute; aqui um componente citol&iacute;tico que nos p&otilde;e tantas d&uacute;vidas, que devemos fazer bi&oacute;psia.</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: a medicina &eacute; feita de coisas simples e n&atilde;o de coisas complicadas, a granulomatose hep&aacute;tica &eacute; uma coisa complicada, n&atilde;o &eacute; prov&aacute;vel que este doente nos venha a aparecer com uma granulomatose ... mas vamos ver o que &eacute; isto...</p>      <p><b>Dr&ordf; Joanne Lopes</b>: N&oacute;s recebemos um pedido de exame an&aacute;tomo patol&oacute;gico para uma bi&oacute;psia hep&aacute;tica,  devidamente preenchido, em que a informa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica era de pancolite ulcerosa, com um ano de evolu&ccedil;&atilde;o, com  sinais de cit&oacute;lise e colestase; havia hist&oacute;ria tamb&eacute;m de consumo espor&aacute;dico de &aacute;lcool. No exame  histol&oacute;gico observ&aacute;mos f&iacute;gado com expans&atilde;o dos espa&ccedil;os porta e septa&ccedil;&atilde;o fibrosa do  par&ecirc;nquima (<a href="#f2a">Fig. 2A</a>). Nos espa&ccedil;os porta observ&aacute;mos infiltrado linfocit&aacute;rio de densidade moderada com  pequenos agregados linf&oacute;ides. N&atilde;o se identificaram les&otilde;es fibro-obliterativas dos ductos biliares nem aspecto de fibrose em  “casca de cebola” (<a href="#f2b">Fig. 2B</a>). N&atilde;o se identificaram granulomas. Em hepat&oacute;citos peri-portais observou-se dep&oacute;sito de cobre. Em resumo, n&atilde;o observ&aacute;mos aspectos morfol&oacute;gicos t&iacute;picos de colangite esclerosante prim&aacute;ria. Contudo, a presen&ccedil;a de fibrose e acumula&ccedil;&atilde;o de cobre levaram-nos a levantar a hip&oacute;tese de perturba&ccedil;&atilde;o do fluxo biliar e a sugerir estudo imagiol&oacute;gico das vias biliares.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2a"> <img src="/img/revistas/am/v26n2/26n2a05f2a.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="f2b"> <img src="/img/revistas/am/v26n2/26n2a05f2b.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: As les&otilde;es em “casca de cebola” &agrave; volta dos ductos biliares, que disse que s&atilde;o caracter&iacute;sticas da colangite esclerosante, com que frequ&ecirc;ncia &eacute; que elas se encontram, que eu n&atilde;o me lembro de ter visto nunca nenhuma?</p>      <p><b>Dr&ordf; Joanne Lopes</b>: &Eacute; raro, mas geralmente &eacute; observado quando h&aacute; colangite esclerosante prim&aacute;ria com envolvimento dos pequenos ductos e ent&atilde;o a&iacute; a biopsia hep&aacute;tica, se tiver uma amostragem adequada, pode demonstrar este aspecto caracter&iacute;stico.</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: A Sr&ordf; Dr&ordf; j&aacute; viu? Casca de cebola ....</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Dr&ordf; Joanne Lopes</b>: j&aacute; vi</p>      <p><b>Plateia c)(Prof&ordf; F&aacute;tima Carneiro): </b>&Eacute; verdade que s&atilde;o raras as les&otilde;es em “casca de cebola”. Nesta biopsia havia alguns plasm&oacute;citos, mas a densidade era ligeira e as les&otilde;es de hepatite de interface e de actividade intralobular eram tamb&eacute;m discretas. Na hepatite auto-imune estas altera&ccedil;&otilde;es costumam ser acentuadas e coexistir com transforma&ccedil;&atilde;o acinar dos hepat&oacute;citos. Estes aspectos n&atilde;o estavam presentes neste caso.</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: outra coisa se ouve muito falar, mas eu tamb&eacute;m de facto n&atilde;o me lembro de ter vindo &agrave; m&atilde;o, &eacute; aquele fen&oacute;meno de que se descreve nos livros, nas hepatites auto-imunes, de emperipolesis.</p>      <p><b>Plateia c): </b>Trata-se de fen&oacute;menos de “piece-meal necrosis”, de necrose marginal. N&atilde;o foram observados nesta biopsia e costumam estar presentes na hepatite auto-imune.</p>      <p><b>Dr&ordf; Joanne Lopes</b>: A hepatite de interface costuma ser muito exuberante em situa&ccedil;&otilde;es de hepatite auto-imune; n&atilde;o era o caso.</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: Portanto em resumo a biopsia n&atilde;o ter&aacute; ajudado nada…</p>      <p><b>Dr&ordf; Joanne Lopes</b>: ajudou muito...</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo: </b>...pelo que mostrou e pelo que n&atilde;o mostrou</p>      <p><b>Dr&ordf; Susana Rodrigues</b>: Por apresentar um aumento de dejec&ccedil;&otilde;es, cerca de 1 a 2 vezes por dia e aumento da prote&iacute;na C reactiva, o marcador inflamat&oacute;rio, em Julho de 2010 foi submetido a uma ileocolonoscopia. A ileocolonoscopia mostrou mucosa com edema, congest&atilde;o e eros&otilde;es, ao longo de todo o c&oacute;lon com maior exuber&acirc;ncia no c&oacute;lon direito, e a mucosa ileal n&atilde;o mostrou qualquer tipo de les&atilde;o mas procederam-se a biopsias neste exame</p>      <p><b>Dr&ordf; Joanne Lopes</b>: Na mucosa ileal vemos que a arquitectura vilosit&aacute;ria est&aacute; preservada e n&atilde;o h&aacute;  evid&ecirc;ncia de altera&ccedil;&otilde;es inflamat&oacute;rias, &uacute;lceras/eros&otilde;es ou granulomas (<a href="#f3a">Fig. 3A</a>). Na  mucosa c&oacute;lica observaram-se altera&ccedil;&otilde;es inflamat&oacute;rias acentuadas e distor&ccedil;&atilde;o das criptas, que  est&atilde;o profundamente encurtadas (n&atilde;o atingindo o plano da muscular da mucosa) e se apresentam irregularmente espa&ccedil;adas.  (<a href="#f3b">Fig. 3B</a>). Observaram-se sinais acentuados de actividade, com permea&ccedil;&atilde;o do epit&eacute;lio glandular por  n&uacute;meros polimorfonucleares, com consituti&ccedil;&atilde;o de raros abcessos cr&iacute;pticos (<a href="#f3c">Fig. 3C</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3a"> <img src="/img/revistas/am/v26n2/26n2a05f3a.jpg">     
<p>&nbsp;</p>  <a name="f3b"> <img src="/img/revistas/am/v26n2/26n2a05f3b.jpg">     
<p>&nbsp;</p>  <a name="f3c"> <img src="/img/revistas/am/v26n2/26n2a05f3c.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em conclus&atilde;o, estes aspectos morfol&oacute;gicos s&atilde;o pr&oacute;prios de doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria intestinal do tipo colite ulcerosa.</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: duas observa&ccedil;&otilde;es. Em 1&ordm; lugar, para lhes dizer, usando uma express&atilde;o que usam no Norte do Pa&iacute;s &eacute; que estas imagens s&atilde;o uma categoria, e que os colegas da Anatomia Patol&oacute;gica s&atilde;o de facto uma categoria, isto parece ser tirado de livro. Em 2&ordm; lugar, por seguir muitas colangites esclerosantes que eu presumo que &eacute; aquilo que o que o doente tem, vejo que colites ulcerosas das colangites esclerosantes costumam ser mansas, ou seja n&atilde;o costumam ter esta coisa grave de ser necess&aacute;rio fazer mais colonoscopias, por vezes at&eacute; nos esquecemos que tem uma doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria intestinal, tem claramente uma actividade mais branda do que aquilo que nos est&aacute; aqui a ser mostrado. Portanto, eu come&ccedil;o a p&ocirc;r-me &agrave; defesa.</p>      <p><b>Plateia d)</b>: uma d&uacute;vida, aqui ele encontrava-se com suspens&atilde;o da terap&ecirc;utica?</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: esteve sempre sob terap&ecirc;utica…</p>      <p><b>Plateia d)</b>: portanto est&aacute; em terap&ecirc;utica e mantem les&otilde;es activas?</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: mantem les&otilde;es, discretas les&otilde;es endosc&oacute;picas, mas les&otilde;es histol&oacute;gicas, o que tamb&eacute;m &eacute; comum na doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria em que h&aacute; uma certa discrep&acirc;ncia, n&atilde;o h&aacute; uma correla&ccedil;&atilde;o directa entre o sil&ecirc;ncio cl&iacute;nico e a actividade histol&oacute;gica ou actividade endosc&oacute;pica.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Dr&ordf; Susana Rodrigues</b>: O doente tamb&eacute;m tinha sido referenciado de fora, n&oacute;s n&atilde;o t&iacute;nhamos tamb&eacute;m nenhuma avalia&ccedil;&atilde;o endosc&oacute;pica no nosso hospital, tamb&eacute;m &eacute; importante para n&oacute;s conseguirmos perceber.</p>     <p>Portanto, mantendo a suspeita de poss&iacute;vel colangite esclerosante prim&aacute;ria, uma vez que a biopsia foi de facto inconclusiva, solicitamos o apoio da Radiologia e pedimos uma colangioresson&acirc;ncia em Julho 2010. O relat&oacute;rio descreve uma dilata&ccedil;&atilde;o fusiforme da via biliar principal, na sua por&ccedil;&atilde;o extra-hep&aacute;tica atingindo o calibre m&aacute;ximo de 8mm. Este aspecto foi considerado inespec&iacute;fico e n&atilde;o sugestivo de colangite esclerosante prim&aacute;ria, podendo ent&atilde;o traduzir uma presen&ccedil;a de um pequeno quisto do col&eacute;doco.</p>     <p>Na avalia&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, na consulta de hepatologia, entre Julho e Setembro de 2010 o doente estava assintom&aacute;tico, mantinha terap&ecirc;utica com 5 ASA oral, j&aacute; teria iniciado nesta altura, &aacute;cido ursodesoxic&oacute;lico com a presun&ccedil;&atilde;o que o doente poderia ter uma colangite esclerosante prim&aacute;ria, 250 mg 2 vezes por dia, mantinha o perfil misto anal&iacute;tico com transaminase aumentadas, cit&oacute;lise e com gGT e fosfatase alcalina aumentada, traduzindo colastase, foi feita pesquisa de marcadores tumorais CA 19,9 e CEA que foram normais e o doente aumentou a sua dose de &aacute;cido ursodesoxic&oacute;lico, uma dose terap&ecirc;utica 15mg/Kg/dia. Nesta altura em Agosto de 2010 o doente tamb&eacute;m iniciou terap&ecirc;utica imunosupressora com azatioprina uma vez que tinha uma actividade marcada na colonoscopia. Repetiu-se o estudo imunol&oacute;gico, o doente tinha um aumento da imunoglobina gama e desta vez veio uma positividade para os ANCAs que n&atilde;o se verificara anteriormente. Este quadro I serve para compararmos principalmente a hepatite autoimune com a colangite esclerosante prim&aacute;ria; existem algumas diferen&ccedil;as que s&atilde;o importantes como por exemplo, diferen&ccedil;as epidemiol&oacute;gicas, a hepatite autoimune &eacute; muito mais frequente nas mulheres do que nos homens, enquanto na colangite esclerosante prim&aacute;ria, h&aacute; um predom&iacute;nio masculino, embora ligeiro. As altera&ccedil;&otilde;es predominantes hep&aacute;ticas em termos anal&iacute;ticos na hepatite auto-imune &eacute; um padr&atilde;o de cit&oacute;lise com aumento das trasaminases, da ALT e da AST, na colangite esclerosante prim&aacute;ria h&aacute; principalmente colestase com aumento da gGT associada a um aumento de fosfatase alcalina. Em rela&ccedil;&atilde;o aos auto-anticorpos, na hepatite autoimune habitualmente temos anticorpos anti-nucleares positivos, os ANA, anti-m&uacute;sculo liso, anti-LKM e mais frequente pode aparecer os ANCAs perinucleares aumentados na colangite esclerosante prim&aacute;ria. Em termos histol&oacute;gicos como j&aacute; referimos, na hepatite autoimune principalmente pode acontecer les&otilde;es do tipo interface, e presen&ccedil;a de um predom&iacute;nio de c&eacute;lulas linfoplasmocit&aacute;rias. Na colangite esclerosante prim&aacute;ria, o que n&oacute;s esperamos &eacute; a presen&ccedil;a de fibrose e oblitera&ccedil;&atilde;o &agrave; volta da zona dos ductos biliares. Em termos de diagn&oacute;stico na hepatite autoimune existe um score internacional e v&aacute;rios par&acirc;metros, incluem a histologia e os autoanticorpos entre outros, na colangite esclerosante prim&aacute;ria &eacute; muito importante a presen&ccedil;a de uma colangiografia, seja ela por resson&acirc;ncia, seja por CPRE. Em termos terap&ecirc;uticos, habitualmente a terap&ecirc;utica da hepatite autoimune passa pela imunossupress&atilde;o com corticoterapia, prednisolona mais frequentemente associa&ccedil;&atilde;o com azatioprina ou outros imunossupressores. Na colangite esclerosante prim&aacute;ria embora seja controverso, neste momento, a maior parte dos especialistas prop&otilde;e o uso do &aacute;cido ursodesoxic&oacute;lico (um &aacute;cido biliar) nem que seja num contexto quimio-profil&aacute;ctico, porque estes doentes, tem um aumento risco de v&aacute;rios tipos de cancro, como vamos ver de seguida</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: Vamos parar um bocadinho agora nesta parte. O diagn&oacute;stico da hepatite autoimune, &eacute; de uma doen&ccedil;a muito heterog&eacute;nea, para a qual n&atilde;o existe marca bem definida n&atilde;o se tem um teste tal, nem um teste tal para fazer o diagn&oacute;stico, por isso a partir de 1993 foram desenvolvidos uma s&eacute;rie de scores, depois em 1999 chegaram &agrave; conclus&atilde;o que os aqueles scores n&atilde;o eram bem assim ( este score aqui de 15 corresponde a essa estratifica&ccedil;&atilde;o de 1999) mas em 2008 apareceu um novo score simplificado para o diagn&oacute;stico da hepatite autoimune que depende apenas de 4 items</p>      <p><b>Dr&ordf; Susana Rodrigues</b>: Isso est&aacute; validado?</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: o score &eacute; novo e sendo “fresco” talvez n&atilde;o possa corresponder muito bem &agrave;s exig&ecirc;ncias e de facto tem havido em algumas publica&ccedil;&otilde;es em que se compara os m&eacute;ritos do score de 2008 que depende s&oacute; de 4 par&acirc;metros com o score de 1999 que engloba 17 par&acirc;metros e chega-se &agrave; conclus&atilde;o que aparentemente o score de 2008 deixa passar algumas doen&ccedil;as que o score de 1999 n&atilde;o deixava passar. Para o nosso caso o valor m&aacute;ximo que podemos obter no score 2008 &eacute; 4 pontos, no diagn&oacute;stico exigem pelo menos 6, portanto este doente n&atilde;o tem de certo uma hepatite autoimune de acordo com esse score.</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: Logo, continuamos sem fugir da nossa ideia inicial, que &eacute; uma colangite esclerosante com um envolvimento citol&iacute;tico em que estamos a ver se conseguimos enquadrar numa destas entidades que &eacute; dif&iacute;cil, h&aacute; sobreposi&ccedil;&otilde;es como se v&ecirc;, entre crit&eacute;rios, entre autoanticorpos, entre altera&ccedil;&otilde;es anal&iacute;ticas etc, mas n&atilde;o so h&aacute; colangite esclerosante no contexto de uma doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria do intestino, colite ulcerosa, mas h&aacute; mais, porque h&aacute; altera&ccedil;&otilde;es vis&iacute;veis da via biliar como se viu na colangioresson&acirc;ncia que nos p&ocirc;s muitas d&uacute;vidas...</p>      <p><b>Plateia (Dr. Costa Maia):</b> de facto aquela resson&acirc;ncia, ou pelo menos aquele relat&oacute;rio e aquela imagem que puseram ali n&atilde;o &eacute; uma categoria, estamos de acordo. Eu n&atilde;o sei o que o relat&oacute;rio dizia ou as imagens o que mostravam em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; &aacute;rvore biliar intra-hep&aacute;tica que n&atilde;o tive oportunidade de ver ali, porque n&atilde;o se v&ecirc;. N&atilde;o percebo a que prop&oacute;sito &eacute; que vem a&iacute; ou pra que servem neste contexto marcadores tumorais. Ser&aacute; que &eacute; de pedir marcadores tumorais a este doente ou a outro doente nestas circunst&acirc;ncias?</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: Se calhar j&aacute; podemos dar resposta melhor daqui a pouco. Posso dizer j&aacute;, n&atilde;o est&aacute; indicado o pedido de marcadores tumorais neste contexto nesta fase: mas come&ccedil;amos a sentir algum desconforto neste doente concreto, porque h&aacute; altera&ccedil;&otilde;es biliares que n&atilde;o conseguimos compreender e a imagiologia n&atilde;o ajudou e portanto considerou-se que podia ter algum relevo um valor hist&oacute;rico, isto &eacute;, o valor em determinado momento da doen&ccedil;a, dispormos de valores de determinados marcadores tumorais.</p>      <p><b>Plateia (Dr. Costa Maia</b>):portanto esse &eacute; o valor de base para compara&ccedil;&atilde;o futura, &eacute; isso?</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: Correcto</p>      <p><b>Plateia (Margarida)</b>: foi posta a hip&oacute;tese de toxicidade de 5-ASA;gostaria de a perguntar se alguma vez se suspendeu, porque este doente tem feito sempre o 5-ASA e se alguns aspectos que foram descritos na bi&oacute;psia, nomeadamente a colestase, n&atilde;o podia ser interpretada num contexto de uma toxicidade </p>      <p><b>Dr&ordf; Joanne Lopes</b>: N&atilde;o foram identificadas altera&ccedil;&otilde;es relacion&aacute;veis com corticoterapia ou terap&ecirc;utica com azatioprina ou 5-ASA.</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: j&aacute; agora, sobre esse assunto, os aminossalicilatos podem dar fen&oacute;menos de esteatose que geralmente n&atilde;o se costumam acompanhar com altera&ccedil;&otilde;es t&atilde;o substanciais como temos aqui, uma vis&iacute;vel cit&oacute;lise, embora eu acho que a Sr&ordf; Dra faz uma observa&ccedil;&atilde;o cheia de sentido.</p>      <p><b>Dr&ordf; Susana Rodrigues</b>: em Dezembro de 2010, o doente estava assintom&aacute;tico, medicado com 5-ASA oral, &aacute;cido ursodesoxic&oacute;lico 500mg 2x por dia e azatioprina 125mg/dia, cerca de 2 mg/Kg/dia. Em termos do perfil hep&aacute;tico, mantinha o aumento da ALT, cerca de 4x/4,5x normal e mantinha o aumento discreto de fosfatase alcalina e aumento gGT cerca de 4x normal. Em Abril, o doente foi reavaliado, tinha aumentado a dose de azatioprina para um valor 2.5mg/Kg e tinha tido um ligeiro agravamento das an&aacute;lises de colestase em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s medidas anteriores e uma vez que a colangiorresson&acirc;ncia anterior ter sido inconclusiva em rela&ccedil;&atilde;o ao diagn&oacute;stico ou n&atilde;o de colangite esclerosante, foi proposto a realiza&ccedil;&atilde;o de nova colangioresson&acirc;ncia. Na 2&ordf; colangioresson&acirc;ncia realizada em Julho de 2011 descreve-se uma &aacute;rea focal de ectasia fusiforme da via biliar principal, distal ao ducto c&iacute;stico com cerca de 7mm de di&acirc;metro anteroposterior e uma extens&atilde;o de 2cm, afilando de forma progressiva, e n&atilde;o se identificava o n&iacute;vel obstrutivo, achado que poder&aacute; estar relacionado com quisto do col&eacute;doco. N&atilde;o h&aacute; descri&ccedil;&atilde;o da rarefa&ccedil;&atilde;o dos canal&iacute;culos biliares intra-hep&aacute;ticos. O doente foi ent&atilde;o submetido em Agosto de 2011 a uma CPRE (colangiopancreatografia retr&oacute;grada endosc&oacute;pica), um exame endosc&oacute;pico que combina endoscopia e a fluroscopia que tem como interesse diagn&oacute;stico neste caso, avaliar a anatomia das vias biliares, atrav&eacute;s da injec&ccedil;&atilde;o de contraste. Este colangiograma foi feito depois da insufla&ccedil;&atilde;o do bal&atilde;o e conseguimos ver uma ligeira dilata&ccedil;&atilde;o do ter&ccedil;o m&eacute;dio e proximal do col&eacute;doco com os ramos intra-hep&aacute;ticos com aspecto em ros&aacute;rio com &aacute;reas dilata&ccedil;&atilde;o/sacula&ccedil;&atilde;o bem como &aacute;reas de estenose, e claramente consegue-se observar uma rarefa&ccedil;&atilde;o dos canal&iacute;culos biliares terminais intra-hep&aacute;ticos. Foi feito durante esta CPRE, bi&oacute;psia da via biliar, e tamb&eacute;m, escovado da via bilar a n&iacute;vel do ramo intra-hep&aacute;tico direito.</p>      <p><b>Dr&ordf; Joanne Lopes</b>: A biopsia da papila de Vater era de pequenas dimens&otilde;es. N&atilde;o se observaram les&otilde;es de displasia ou de neoplasia invasora. Na citologia do escovado da via biliar observaram-se c&eacute;lulas c&uacute;bicas dispostas em monocamada, ocasionalmente com aumento da rela&ccedil;&atilde;o n&uacute;cleo-citoplasm&aacute;tica e com hipercromasia nuclear (<a href="#f4">Fig. 4</a>). Estes aspectos foram considerados inconclusivos, i.e. insuficientes para um diagn&oacute;stico suspeito de malignidade.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/am/v26n2/26n2a05f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: Neste ponto gostaria de recordar duas coisas: para j&aacute; estamos a contar uma hist&oacute;ria, hist&oacute;ria real, em tempo real de um jovem que tem a idade de muitos que est&atilde;o aqui e que tem uma doen&ccedil;a no intestino, uma doen&ccedil;a hepato-biliar, naquilo que n&oacute;s designamos, actualmente como a express&atilde;o clara daquilo que se descreve como eixo do f&iacute;gado e intestino. A verdade &eacute; que esta &eacute; uma doen&ccedil;a muito particular, a colangite esclerosante, de um risco adicional de complica&ccedil;&otilde;es a n&iacute;vel da &aacute;rvore biliar e este foi o problema que subitamente come&ccedil;amos a entroncar, quer dizer, se havia a d&uacute;vida de haver doen&ccedil;a autoimune de tipo colangite esclerosante, doen&ccedil;a como sabem autoimune de envolvimento hep&aacute;tico e biliar traduzida pela colestase bioqu&iacute;mica, a verdade &eacute; que n&atilde;o se exprime s&oacute; pela colestase bioqu&iacute;mica: h&aacute; algo na via biliar, que uma 1&ordf; colangioresson&acirc;ncia, imperfeita, deixa-nos desconfort&aacute;veis pelo que, n&atilde;o fazendo por rotina a CPRE na colangite esclerosante - por v&aacute;rios problemas que podemos discutir a seguir e ao contr&aacute;rio do que se fazia h&agrave; muitos anos atr&aacute;s, em que era mandat&oacute;rio, - n&oacute;s fazemos quando temos de esclarecer d&uacute;vidas na colangioresson&acirc;ncia ou quando temos suspeitas de que &eacute; preciso ir l&aacute; buscar alguma coisa, tentar ver se alguma coisa justifica aquela dilata&ccedil;&atilde;o. Aquela descri&ccedil;&atilde;o de facto deixou-nos muito desconfort&aacute;veis e na CPRE temos imagens que s&atilde;o quase “de livro” tamb&eacute;m, a “&aacute;rvore de inverno”, aquela imagem que vemos de rarefa&ccedil;&atilde;o dos ramos intra-hep&aacute;ticos e que resulta da injec&ccedil;ao sobre press&atilde;o mantendo a press&atilde;o elevada com pequeno bal&atilde;o insuflado endoluminal, colocado na via biliar distal pelo endoscopista (Dr Pedro Pereira). Isto tem um significado importante, porque a colangite esclerosante &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-maligna, de doen&ccedil;a oncol&oacute;gica a n&iacute;vel biliar.</p>     <p>Queres fazer algum coment&aacute;rio sobre isto?</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Prof. Luis Tom&eacute;</b>: O Prof. Guilherme Macedo diz bem, no sentido dos colegas mais novos terem isso presente, que a colangite esclerosante  &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-maligna, nas pr&oacute;prias vias biliares e a sua exist&ecirc;ncia tamb&eacute;m aumenta o risco de malignidade no c&oacute;lon nas colites ulcerosas. &Eacute; preciso que a colangite esclerosante tenha alguns anos de evolu&ccedil;&atilde;o e este rapaz que s&oacute; tem 20 anos, pelo que n&atilde;o me parece muito natural que tenha j&aacute; esta tem&iacute;vel complica&ccedil;&atilde;o…</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: …H&aacute; no entanto um grupo et&aacute;rio particular o grupo pedi&aacute;trico, sobretudo no in&iacute;cio da adolesc&ecirc;ncia, em que algumas formas de colangite esclerosante surgem nem sempre associadas a dados cl&iacute;nicos muito relevantes, mas com forte compromisso citol&iacute;tico e colest&aacute;tico bioqu&iacute;mico e que n&oacute;s s&oacute; detectamos isso se fizermos algumas an&aacute;lises nessa altura por qualquer outra raz&atilde;o; o que o Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute; diz pois &eacute; que &eacute; muito rara a colangite esclerosante nesta fase, num rapaz de 20 anos, a n&atilde;o ser - e n&oacute;s temos essa d&uacute;vida - que este jovem tenha, de facto, a doen&ccedil;a h&aacute; muitos anos.</p>      <p><b>Prof. Luis Tom&eacute;</b>: A colangite esclerosante que aparece nos jovens &eacute; geralmente aquilo que se chama colangite esclerosante dos pequenos ductos, ou seja, &eacute; mais normal de que seja da periferia dos ramos biliares e depois, como a gente sabe, com a evolu&ccedil;&atilde;o e o passar dos anos essa colangite esclerosante dos pequenos ductos acaba por dar manifesta&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o deste g&eacute;nero, mas antes de estenose marcada nas vias biliares de calibre mais importante. Agora eu fa&ccedil;o-te uma provoca&ccedil;&atilde;o, porque &eacute; que este doente n&atilde;o tem um Caroli com esta dilata&ccedil;&atilde;o da via biliar principal?</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: Caroli &eacute; uma m&aacute; forma&ccedil;&atilde;o das vias biliares e que se traduz por uma sacula&ccedil;&atilde;o qu&iacute;stica da via biliar. Foi um pouco para responder a isso que fomos l&aacute; para a CPRE na d&uacute;vida da temporalidade da doen&ccedil;a, d&uacute;vida da gravidade da doen&ccedil;a, porque a colangite esclerosante, n&oacute;s sabemos isso, em qualquer momento &eacute; uma doen&ccedil;a muito caprichosa, n&atilde;o &eacute; uma doen&ccedil;a que evolua com muita inflama&ccedil;&atilde;o, muitos anos e depois vem o colangiocarcinoma… n&atilde;o &eacute; assim, h&aacute; uma grande discrep&acirc;ncia no tempo entre a express&atilde;o cl&iacute;nica da colangite esclerosante e a sua gravidade oncobiol&oacute;gica n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida, sabemos isso e portanto pode surgir em qualquer momento. Este &eacute; o problema do seguimento destes doentes, e n&oacute;s s&oacute; chamamos para a hip&oacute;tese Caroli, outra condi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-maligna das vias biliares porque h&aacute; uma descri&ccedil;&atilde;o inicial, volto a dizer uma colangioresson&acirc;ncia imperfeita, que diz que ali h&aacute; uma dilata&ccedil;&atilde;o fusiforme, a via biliar principal est&aacute; um pouco dilatada, mas a CPRE tirou-nos do horizonte a malforma&ccedil;&atilde;o cong&eacute;nita da via biliar.</p>      <p><b>Prof. Luis Tom&eacute;</b>: estamos todos de acordo, ser&aacute; no fundo uma colangite esclerosante na sua fase inicial</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: certo, o grande problema aqui que n&oacute;s come&ccedil;amos a ficar cada vez mais desconfort&aacute;veis com alguns dados inconclusivos da citologia, n&atilde;o totalmente definidos para atipia, etc. o que nos levanta s&eacute;rios embara&ccedil;os, porque sabemos que na colangite esclerosante, de facto, de repente, podemos deparar com um colangiocarcinoma. Ali&aacute;s uma das solu&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas pode ficar gravemente comprometida porque j&aacute; se tendo o colangiocarcinoma avan&ccedil;ado inesperadamente isso compromete qualquer solu&ccedil;&atilde;o radical.</p>      <p><b>Dr&ordf; Susana Rodrigues</b>: o doente foi avaliado em Setembro de 2011, estava assintom&aacute;tico nesta altura, medicado com 5-ASA 3gr/dia, AUDC 500mg 2x/dia e azatioprina 150mg. Tinha havido uma ligeira melhoria anal&iacute;tica, com valores de fosfatase alcalina quase normal, uma gGT aumentada e uma ALT mais ou menos 3 a 4x normal. Foi proposta nova CPRE ao doente uma vez que resultados que pedimos do escovado biliar tinham sido inconclusivos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; presen&ccedil;a ou n&atilde;o da atipia.</p>     <p>A 2&ordf; CPRE realizada em Dezembro de 2011, &eacute; basicamente sobrepon&iacute;vel &agrave; anterior, conseguimos ver uma rarefa&ccedil;&atilde;o dos canal&iacute;culos biliares intra-hep&aacute;ticos e foi efectuado novamente escovado da via biliar.</p>      <p><b>Dr&ordf; Joanne Lopes</b>: Na citologia do escovado da via biliar, constitu&iacute;da por 7 l&acirc;minas, apenas se observaram agrupamentos de c&eacute;lulas epiteliais numa delas. Nestes grupos celulares observou-se sobreposi&ccedil;&atilde;o nuclear, anisocariose e refor&ccedil;o da membrana nuclear (<a href="#f5">Fig. 5</a>). Embora a citologia n&atilde;o seja conclusiva, achamos que estas altera&ccedil;&otilde;es s&atilde;o mais do que reactivas e transmitimos isso mesmo aos cl&iacute;nicos, salientando que estes grupos, apesar de raros, eram bastante problem&aacute;ticos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"> <img src="/img/revistas/am/v26n2/26n2a05f5.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: Essa citologia foi feita nalguma estenose?</p>      <p><b>Dr&ordf; Susana Rodrigues</b>: havia uma zona na &aacute;rea do ramo intra-hep&aacute;tico direito que n&atilde;o se conseguia progredir com o contraste. E foi por isso que foi pedido com esta informa&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;vel estenose maligna.</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: Os colangiocarcinomas, naturalmente podem surgir em alguma circunst&acirc;ncia, em qualquer estenose, mas &eacute; rar&iacute;ssimo que surja em primeiro lugar sem um certo tempo de evolu&ccedil;&atilde;o de uma colangite esclerosante, &eacute; rar&iacute;ssimo que surjam em doentes que n&atilde;o estejam com as bilirrubinas elevadas.Num transplante em doentes com colangite esclerosante, quando se vai visualizar no microsc&oacute;pio ao detalhe as vias biliares, uma percentagem significativa dos doentes em que n&atilde;o se imaginava que houvesse colangiocarcinoma tem de facto um colangiocarcinoma, em cerca de 1/5 dos doentes, 20%. Portanto nessas circunst&acirc;ncias em face a um meu doente de 29 anos que j&aacute; tinha uma hepatopatia avan&ccedil;ada comecei a fazer uma imensa press&atilde;o para que o doente fosse transplantado e a falar com franqueza, tinha um grande receio que tivesse que levar essa m&aacute; noticia ao doente, de que ele teria um colangiocarcinoma quando eu j&aacute; o sigo h&aacute; cerca de 10 anos, teria sido realmente uma grande in&eacute;rcia da minha parte se isso acontecesse. Felizmente ele foi transplantado e n&atilde;o tinha absolutamente nada, aquilo correspondia &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o da hepatopatia que costuma acontecer nas colangites esclerosantes. As citologias n&atilde;o d&atilde;o diagn&oacute;stico de colangiocarcinomas num 1/3 dos casos, quando muito, e tem falsos positivos: quando h&aacute; actividade inflamat&oacute;ria importante ali &agrave; volta aquelas c&eacute;lulas come&ccedil;am logo aparecer um pouco estranhas, portanto, a sua efic&aacute;cia &eacute; baixa. Se o m&eacute;dico acredita que o doente tem um colangiocarcinoma ou tem displasia, ele tem de o mandar transplantar nessa altura, n&atilde;o &eacute; preciso andar a perder tempo, sen&atilde;o &eacute; a vida do doente que se perde.</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: est&aacute;s portanto a dizer que h&aacute; transplantes profil&aacute;cticos?</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: Em certa medida, pois normalmente fazemos um transplante a uma colangite esclerosante para evitar que apare&ccedil;a um tumor… mas n&atilde;o &eacute; bem o caso que eles tem aqui, isto j&aacute; come&ccedil;a a ter algumas citologias meias equ&iacute;vocas, eu no meu caso concreto que vos estive a descrever tinha um doente com uma degrada&ccedil;&atilde;o acentuada nas provas hep&aacute;ticas. Uma degrada&ccedil;&atilde;o acentuada nas provas hep&aacute;ticas &eacute; uma indica&ccedil;&atilde;o imperiosa na colangite esclerosante para poder transplantar.</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: n&oacute;s n&atilde;o recomendamos transplanta&ccedil;&atilde;o neste caso concreto. J&aacute; vimos que colangite esclerosante &eacute; uma doen&ccedil;a caprichosa, e portanto tamb&eacute;m foge um pouco aos c&acirc;nones habituais de indica&ccedil;&atilde;o para transplanta&ccedil;&atilde;o, e tem crit&eacute;rios que tamb&eacute;m fogem ao comum para indica&ccedil;&atilde;o para transplanta&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m existem scores, mas na aus&ecirc;ncia de hipertens&atilde;o portal ficar&iacute;amos muito surpreendidos que este doente precisasse de transplante</p>      <p><b>Plateia (Dr. Costa Maia)</b>: Acho que este &eacute; um caso em que n&oacute;s n&atilde;o conseguimos negociar muito bem a informa&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel completamente e em seguran&ccedil;a, correlacionar a informa&ccedil;&atilde;o com uma decis&atilde;o. H&aacute; colangiocarcinomas aos 20 anos e n&oacute;s temos uma informa&ccedil;&atilde;o que nos diz que este doente tem uma colangite esclerosante, e temos uma informa&ccedil;&atilde;o que nos diz que este doente tem altera&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o s&oacute; explic&aacute;veis por altera&ccedil;&otilde;es reactivas… n&atilde;o temos outro rem&eacute;dio que n&atilde;o seja promover uma transplanta&ccedil;&atilde;o atempada neste doente.</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: Como v&ecirc;m &eacute; muito menos f&aacute;cil e linear do que parece &agrave; primeira investida…</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: Os tumores destes colangiocarcinomas antes de desenvolverem um aspecto da massa parenquimatosa s&atilde;o geralmente tumores que rodeiam o ducto tem antes um componente de estenose da via biliar, &eacute; por isso que &eacute; a estenose que nos preocupa.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Plateia</b>: neste caso n&atilde;o h&aacute; exist&ecirc;ncia de estenose?</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: obviamente que h&aacute; zonas de estenose quando se diz aspecto em ros&aacute;rio na CPRE. Por isso n&oacute;s estamos progressivamente a ser empurrados para o lado da transplanta&ccedil;&atilde;o neste doente sobretudo enquanto n&atilde;o dispusermos da possibilidade de explorar ainda com mais detalhe, por dentro, a pr&oacute;pria via biliar, ver as atipias, ver as displasias em tempo real, como desejamos poder faze-lo em breve no nosso hospital. O problema, n&atilde;o &eacute; da transplanta&ccedil;&atilde;o que &eacute; uma coisa fabulosa e fant&aacute;stica a seu tempo, mas n&atilde;o propriamente a melhor coisa para se dizer a algu&eacute;m que tem 22 anos, que est&aacute; assintom&aacute;tico, portanto &eacute; bom contextualizarmos isto, &eacute; a tal a dimens&atilde;o humana que tamb&eacute;m temos de ter e que nos faz &agrave;s vezes hesitar nalgumas decis&otilde;es, e isso n&atilde;o significa estar indeciso, significa atempar melhor uma decis&atilde;o...</p>      <p><b>Prof. Luis Tom&eacute;</b>: Eu acho que este doente n&atilde;o escapa a uma transplanta&ccedil;&atilde;o, o problema que est&aacute; aqui &agrave; nossa frente n&atilde;o &eacute; saber se ele escapa, porque eu estou convencido que com esta evolu&ccedil;&atilde;o que temos aqui &eacute; saber quando &eacute; que ela vai ter de ser feita e esse &eacute; que &eacute; o problema mais s&eacute;rio.</p>      <p><b>Prof. Sobrinho Sim&otilde;es:</b> Voc&ecirc;s, gastroenterologistas, t&ecirc;m um medo desproporcionado em termos de custo benef&iacute;cio para a canceriza&ccedil;&atilde;o… Ser&aacute; que o transplante se justifica pelo risco de canceriza&ccedil;&atilde;o ou porque existe uma doen&ccedil;a hep&aacute;tica grav&iacute;ssima?</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: o problema da colangite esclerosante &eacute; ainda outro, &eacute; que n&atilde;o &eacute; s&oacute; o medo de aparecer o cancro, n&atilde;o, &eacute; que o facto de aparecer o cancro nestes doentes pode proscrever, pode ser uma contra-indica&ccedil;&atilde;o, para a pr&oacute;pria transplanta&ccedil;&atilde;o. Esse &eacute; que &eacute; o drama nesta doen&ccedil;a em particular, &eacute; que quando se consegue detectar o colangiocarcinoma pode j&aacute; n&atilde;o ser poss&iacute;vel oferecer o transplante…</p>      <p><b>Plateia (Prof&ordf; F&aacute;tima Carneiro)</b>: no vosso entendimento, o conhecimento da hist&oacute;ria natural da colangite esclerosante leva a que seja inexor&aacute;vel o transplante e o que querem &eacute; poder faz&ecirc;-lo em tempo &uacute;til e n&atilde;o serem impedidos de o fazer porque entretanto apareceu o colangiocarcinoma, &eacute; isto?</p>      <p><b>Prof. Luis Tom&eacute;</b>: Prof&ordf; F&aacute;tima, a evolu&ccedil;&atilde;o deste doente antecipa com que este doente n&atilde;o consiga escapar a um transplante, antecipa, como o Prof. Guilherme assim disse e eu subscrevo muito as suas observa&ccedil;&otilde;es, a doen&ccedil;a &eacute; muito caprichosa, mas pela experi&ecirc;ncia que vamos acumulando, com o que se l&ecirc; e com aquilo que lidamos, &eacute; improv&aacute;vel que este individuo com esta actividade na sua doen&ccedil;a hep&aacute;tica v&aacute; conseguir escapar a um transplante; ele um dia destes vai ter estenose na via biliar principal, porque ele agora tem apenas aquele compromisso dos pequenos ductos e quando aparecer a estenose ent&atilde;o a nossa preocupa&ccedil;&atilde;o aumentar&aacute; ainda mais…</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: A CPRE mudou de facto a sua aplicabilidade no contexto da colangite esclerosante, mudou 2 vezes: no princ&iacute;pio, achamos que era menos importante fazer, havia risco de infec&ccedil;&atilde;o, havia estase, zonas esten&oacute;ticas, estase biliar, havia quase a promo&ccedil;&atilde;o de infec&ccedil;&atilde;o. Deixamos de fazer praticamente nesse contexto, depois voltou o 2&ordm; movimento, de reabilita&ccedil;&atilde;o da CPRE neste contexto: arranjar formas de ir l&aacute; ver o que se est&aacute; a passar, recolher fragmentos, saber se h&aacute; displasia, se n&atilde;o h&aacute; displasia. Obviamente a CPRE n&atilde;o &eacute; um exame para se fazer por rotina ou sequencialmente, tem de ser para responder a determinadas inquieta&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas. N&atilde;o sei se este doente far&aacute; alguma vez mais alguma CPRE, n&atilde;o posso dizer que n&atilde;o o far&aacute;, muitas n&atilde;o vai fazer seguramente, porque n&atilde;o &eacute; nossa postura, nem me parece razo&aacute;vel que ele o fa&ccedil;a. Apenas se tivermos dispon&iacute;vel a possibilidade de ver a via biliar e de electivamente procurar uma zona que de facto nos d&ecirc; o argumento final para a transplanta&ccedil;&atilde;o, s&oacute; nesse contexto &eacute; que n&oacute;s pensar&iacute;amos em voltar `CPRE</p>      <p><b>Dr&ordf; Susana Rodrigues</b>: vou s&oacute; recordar alguns aspectos da doen&ccedil;a: em cerca de 80% dos casos de colangite esclerosante h&aacute; uma doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria associada, com mais frequ&ecirc;ncia a pancolite ulcerosa; na maior parte dos casos existe atingimento intra e extra-hep&aacute;tico mas em mais ou menos 25% dos casos pode haver s&oacute; envolvimento intra-hep&aacute;tico e em menos de 6% dos casos pode haver atingimento s&oacute; extra-hep&aacute;tico; h&aacute; uma diferen&ccedil;a entre o envolvimento dos grandes e pequenos ductos como o Prof. Tom&eacute; disse e &eacute; mais frequente numa popula&ccedil;&atilde;o pedi&aacute;trica ver doen&ccedil;a de pequenos ductos na colangite esclerosante prim&aacute;ria. Tradicionalmente o exame “gold standard” &eacute; a CPRE embora com os riscos de pancreatite e colangite, a modalidade diagn&oacute;stica mais utilizada e preconizada &eacute; a resson&acirc;ncia.</p>     <p>Existe aumento de risco de colangiocarcinoma, do carcinoma colo-rectal nos doentes com doen&ccedil;a inflamat&oacute;ria intestinal, do hepatocarcinoma, carcinoma pancre&aacute;tico e carcinoma da ves&iacute;cula biliar nos doentes com colangite esclerosante prim&aacute;ria. Embora a terap&ecirc;utica mais utilizada &eacute; o AUDC n&atilde;o existe evid&ecirc;ncia que com este tratamento os doentes n&atilde;o tenham um avan&ccedil;o histol&oacute;gico, progress&atilde;o dafibrose, nem que aumente a sobrevida, nem que diminua a taxa de mortalidade, nem que exista uma diminui&ccedil;&atilde;o da taxa de necessidade de fazer transplante.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Portanto, em resumo temos um jovem de 22 anos com pancolite ulcerosa imunossuprimido com azatioprina dose 2.5 mg/kg, uma colangite esclerosante prim&aacute;ria com predom&iacute;nio intra-hep&aacute;tica na CPRE com uma histologia sugestiva de fibrose avan&ccedil;ada (na bi&oacute;psia tinha pontes porto-portais)e uma citologia das vias biliares que levantava a d&uacute;vida de atipia.</p>     <p>Perante isto, a proposta terap&ecirc;utica &eacute; a de manter o AUDC por uma quest&atilde;o quimioprofil&aacute;ctica, vigiar como qualquer doen&ccedil;a hep&aacute;tica colest&aacute;tica a densitometria &oacute;ssea. Teremos de efectuar colonoscopias anuais com pesquisa de displasia por causa do aumento do risco de carcinoma colo-rectal; &eacute; controversa autiliza&ccedil;&atilde;o dos marcadores tumorais CA19.9 e a colangioresson&acirc;ncia anuais, para vigiar estes doentes para o aparecimento de colangiocarcinoma e no futuro deveremos ter novas tecnologias, nomeadamente endomicroscopia confocal que permite uma visualiza&ccedil;&atilde;o de histologia em tempo real atrav&eacute;s do endosc&oacute;pico com utiliza&ccedil;&atilde;o de uma sonda o que neste caso pode ser extremamente &uacute;til.</p>      <p><b>Prof. Lu&iacute;s Tom&eacute;</b>: A maior parte dos doentes com colangite esclerosante morrem no contexto de hipertens&atilde;o portal e n&atilde;o de colangiocarcinoma, morrem com hepatopatia terminale em percentagem ainda assim reduzida, surge o colangiocarcinoma</p>      <p><b>Prof. Guilherme Macedo</b>: ainda que n&oacute;s tenhamos esta percep&ccedil;&atilde;o que a transplanta&ccedil;&atilde;o est&aacute; no horizonte, n&oacute;s n&atilde;o sabemos qu&atilde;o long&iacute;nquo &eacute; esse horizonte, da&iacute; a necessidade de eventualmente termos de esperar algum tempo; mesmo a indica&ccedil;&atilde;o para transplante &eacute; uma indica&ccedil;&atilde;o controversa e quando se p&otilde;e indica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o significa que vai ser transplantado na semana seguinte ou no dia seguinte, portanto h&aacute; aqui um intervalo de tempo que vai ter de ser gerido tamb&eacute;m com muita parcim&oacute;nia. Quando se prop&otilde;e algu&eacute;m para transplante, h&aacute; que contar com algum tempo de espera, vari&aacute;vel, imprevisivel... idealmente este doente deve ser acompanhado num Centro que tamb&eacute;m seja capaz de fornecer o resto do tratamento, que &eacute; a transplanta&ccedil;&atilde;o,  para n&atilde;o haver v&iacute;cios de comunica&ccedil;&atilde;ooulinguagem: porque h&aacute; perdas de informa&ccedil;&atilde;o quando h&aacute; muita comunica&ccedil;&atilde;o, esse &eacute; tamb&eacute;m um dos aspectos importantes, no acompanhamento destes doentes. Com o risco acrescido de carcinoma de c&oacute;lon e recto muitas vezes se p&ocirc;e a quest&atilde;o, por exemplo, se na transplanta&ccedil;&atilde;o se poder&aacute; ou n&atilde;o fazer sentido a colectomia, assunto muito discutido noutras ocasi&otilde;es e noutros contextos</p>      <p><b>Prof. Luis Tom&eacute;</b>: Para uma doen&ccedil;a n&atilde;o cl&aacute;ssica os crit&eacute;rios cl&aacute;ssicos dizem assim: quando 2 medi&ccedil;&otilde;es da bilirrubina total separadas por 6 meses forem superiores a 10mg/dl deve ser transplantado. H&aacute; portanto alguma adapta&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios r&iacute;gidos &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica destes doentes</p>      <p><b>Prof. Gulherme Macedo</b>: Vemos assim que a complexidade da situa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica deste jovem precisa ter uma abordagem integradora e algoritmizada. Um algoritmo heur&iacute;stico, de adapta&ccedil;&atilde;o constante e apropriada &agrave; variabilidade e mutabilidade que todos estes aspectos apresentam.</p>     <p>A condi&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica &eacute; desafiante e estimuladora, porque desafia a nossa capacidade cognitiva e racional, e estimula a nossa mais profunda sensibilidade humanista. Do equil&iacute;brio desta s for&ccedil;as resulta o comportamento medico mais adequado. Ao seu tempo e ao seu modo.</p>     <p>Felicidades para todos.</p>      ]]></body>
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