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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Dados objectivos sobre a produção científica do Hospital de S.João/Faculdade de Medicina no intervalo 1997-2011]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Dados objectivos sobre a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do Hospital de S.Jo&atilde;o/Faculdade de Medicina no intervalo 1997-2011.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Serafim Guimar&atilde;es<sup>1</sup> e Susana Leit&atilde;o (<i>Apoio log&iacute;stico</i>)</b></p>     <p><sup>1</sup> Professor Catedr&aacute;tico Em&eacute;rito da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Correspondendo ao pedido do Presidente do Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o do Hospital de S. Jo&atilde;o, Prof. Ant&oacute;nio Ferreira, aceitei organizar um “Observat&oacute;rio” destinado a inventariar a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica dessa unidade hospitalar, atrav&eacute;s do eco que as publica&ccedil;&otilde;es feitas originaram no mundo cient&iacute;fico, e referenciar os agentes respons&aacute;veis por essa produ&ccedil;&atilde;o. Contudo, a &iacute;ntima unidade org&acirc;nica e funcional que o Hospital de S. Jo&atilde;o constitui com a Faculdade de Medicina do Porto, tornava impratic&aacute;vel essa avalia&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o era s&oacute; porque havia elementos de cada uma das duas institui&ccedil;&otilde;es que d&atilde;o o bra&ccedil;o para executar tarefas comuns, mas era a coincid&ecirc;ncia das duas qualidades – hospitalar e universit&aacute;ria - nas mesmas pessoas. Em seu lugar, surgiu, assim, uma an&aacute;lise da produ&ccedil;&atilde;o do conjunto Hospital/Faculdade que, aos olhos de muita gente e aos meus, constituiu, desde sempre, uma entidade indissociavelmente unit&aacute;ria.</p>     <p>Este estudo n&atilde;o visa fazer propaganda da ci&ecirc;ncia. Faz-se hoje, a meu ver, excessiva propaganda da ci&ecirc;ncia e a ci&ecirc;ncia n&atilde;o existe para isso. Que se respeite, que se valorize, que se apoie, que o p&uacute;blico a reconhe&ccedil;a e que os ministros a considerem &eacute; justo e conveniente, mas sem que os cientistas entrem, abertamente, nesse jogo.</p>     <p> &Agrave; ci&ecirc;ncia baste-lhe dominar a vida moderna. Ningu&eacute;m duvida hoje que o futuro dos homens, pelo menos no que diz respeito ao seu bem-estar material, depende muito dos cientistas. E isso chega. N&atilde;o s&atilde;o precisos gritos nem foguetes. N&atilde;o contribui para a sua elevada dignidade ver nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social a ci&ecirc;ncia a competir com os detergentes para lavar roupa.</p>     <p>Como diz F. Hoveyda, o prest&iacute;gio da ci&ecirc;ncia &eacute; incontest&aacute;vel e torna-se evidente at&eacute; na linguagem de toda a gente que, sem dar por ela, o vai confirmando. Express&otilde;es como: <b>miopia</b> intelectual, <b>auscultar</b> a opini&atilde;o p&uacute;blica, fazer bombardeamentos <b>cir&uacute;rgicos,</b> estar no mesmo <b>comprimento de</b> <b>onda</b>, encontrar um <b>denominador comum</b> o que &eacute; sen&atilde;o a demonstra&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia dominadora da ci&ecirc;ncia.</p>     <p>Mas n&atilde;o gostar de ver cientistas em bicos de p&eacute;s n&atilde;o &eacute; o mesmo que defender que se esconda a ci&ecirc;ncia, que se omitam os seus &ecirc;xitos ou se calem os seus insucessos. &Eacute; preciso, &eacute; &uacute;til, &eacute; serio que se d&ecirc; conta, de forma objectiva e rigorosa, daquilo que ela nos vai dando e que se olhe com aten&ccedil;&atilde;o para os n&uacute;meros que a revelam, porque eles reflectem o potencial cient&iacute;fico de um Pa&iacute;s que &eacute;, hoje, justamente considerado o motor mais cred&iacute;vel do seu desenvolvimento e ainda porque, com a sua clareza, al&eacute;m de n&atilde;o mentirem, esses n&uacute;meros s&atilde;o uma base segura para estabelecer compara&ccedil;&otilde;es que devem ser feitas e consideradas, se n&atilde;o se quiser ser acusado de praticar injusti&ccedil;as ou de pactuar com elas, de exercer favoritismos, de ser agente de pecados de que nem sempre e f&aacute;cil lavar as m&atilde;os.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As publica&ccedil;&otilde;es que resultam do trabalho cient&iacute;fico e que o revelam constitu&iacute;ram sempre uma base fundamental, insubstitu&iacute;vel para a avalia&ccedil;&atilde;o do m&eacute;rito dos seus autores<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a></p>     <p> Quando h&aacute; cerca de 50 anos iniciei a minha carreira acad&eacute;mica, a grande maioria das publica&ccedil;&otilde;es que serviam para fazer a avalia&ccedil;&atilde;o de m&eacute;ritos cient&iacute;ficos e para classificar candidatos era feita em revistas nacionais. Ser autor de um trabalho publicado numa revista internacional era uma coisa rara que distinguia!</p>     <p>Com o alargamento do n&uacute;mero de cultores dessa actividade e o incremento da consciencializa&ccedil;&atilde;o do significado da investiga&ccedil;&atilde;o ocorrido no nosso Pa&iacute;s, na d&eacute;cada de setenta do s&eacute;culo passado, cresceu o n&uacute;mero de autores portugueses a publicarem, regularmente, em revistas internacionais. E, como consequ&ecirc;ncia natural desta tend&ecirc;ncia e &agrave; medida que ela se foi generalizando, o padr&atilde;o do &ecirc;xito passou a ser o n&uacute;mero dos trabalhos publicados em revistas arbitradas que compunham os <i>curricula</i>. Mas este crit&eacute;rio, que ainda conta para alguns dos seus utilizadores, j&aacute; n&atilde;o &eacute; muito convincente, porque h&aacute; muita gente atenta que, com raz&atilde;o, olha mais para o &iacute;ndice de impacto das revistas em que as publica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o feitas, do que para o n&uacute;mero total de p&aacute;ginas escritas.</p>     <p>Por&eacute;m, o &iacute;ndice de impacto de uma revista, sendo j&aacute; um indicador de qualidade anunciador de um sucesso potencial, fica, ainda aqu&eacute;m de definir o justo m&eacute;rito de cada um dos trabalhos que a integram, porque s&oacute; revela uma m&eacute;dia geral constru&iacute;da a partir de um somat&oacute;rio, mas diz pouco quanto ao valor de cada uma das publica&ccedil;&otilde;es que contribu&iacute;ram para essa m&eacute;dia. Esse sucesso individual s&oacute; pode ser avaliado pelo “consumo” que, a comunidade fizer de cada um desses trabalhos, e esse “consumo” s&oacute; pode ser medido pelo n&uacute;mero dos “consumidores”, explicitado no n&uacute;mero de cita&ccedil;&otilde;es que esses trabalhos vierem a obter.</p>     <p>Foi, portanto, o n&uacute;mero de cita&ccedil;&otilde;es – &uacute;ltimo elo de uma cadeia que vai do “produtor ao utilizador” - o crit&eacute;rio que adoptamos para <i>observar </i>o trabalho produzido pela unidade Hospital de S. Jo&atilde;o/Faculdade de Medicina do Porto<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>.</p>     <p>No fim deste primeiro exerc&iacute;cio que, seguramente, cont&eacute;m falhas por defeito, n&atilde;o podemos deixar de nos impressionar com a realidade revelada pelo estudo.</p>     <p>No ano de 2010, o n&uacute;mero total de cita&ccedil;&otilde;es feitas dos trabalhos cient&iacute;ficos publicados por autores do Hospital de S. Jo&atilde;o/Faculdade de Medicina do Porto foi de 5084 o que significa que de 1,7 em 1,7 horas algu&eacute;m, no Mundo, cita um trabalho sa&iacute;do desta Institui&ccedil;&atilde;o Portuguesa. A que dist&acirc;ncia nos encontramos dos m&iacute;seros 55 trabalhos anuais produzidos por todas as institui&ccedil;&otilde;es do Pa&iacute;s (dois e meio por m&ecirc;s!) do meu primeiro olhar sobre este mundo!</p>     <p>Talvez algu&eacute;m possa pensar que esta inventaria&ccedil;&atilde;o significa um trabalho semi-in&uacute;til. Admito que haja quem assim pense. A esses lembro que &eacute; um trabalho que se adequa perfeitamente &agrave; semi-inutilidade de um jubilado.</p>     <p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/am/v26n4/26n4a06t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/am/v26n4/26n4a06t2.jpg">     
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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/am/v26n4/26n4a06t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/am/v26n4/26n4a06t4.jpg">     
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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/am/v26n4/26n4a06t13.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <img src="/img/revistas/am/v26n4/26n4a06t14.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> Sempre que h&aacute; autores portugueses em publica&ccedil;&otilde;es oriundas de centros de outros pa&iacute;ses e em que os autores estrangeiros predominam, foi considerado autor principal o autor portugu&ecirc;s no caso de ele ser &uacute;nico, ou aquele que &eacute; academicamente mais representativo, no caso de haver mais do que um.</p>     <p>Nas publica&ccedil;&otilde;es em que os autores s&atilde;o todos portugueses, consider&aacute;mos autor principal o que possui grau acad&eacute;mico mais elevado. Para evitar repeti&ccedil;&atilde;o na contagem das publica&ccedil;&otilde;es, o autor principal &eacute; apresentado em negrito e s&oacute; esse conta para o c&ocirc;mputo geral.</p>     <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> Os dados aqui apresentados e que pecar&atilde;o sempre por defeito, foram obtidos a partir do Web of knowledge do ISI.</p>     <p>Mais recentemente, a Europa  criou o seu pr&oacute;prio centro (Scopus) que cobre mais jornais do que o Web of knowledge de Philadelphia. Por isso, os n&uacute;meros obtidos a partir desta nova fonte n&atilde;o coincidem com os doWeb. Se houver tempo e paci&ecirc;ncia continuaremos esta tarefa e passaremos a confrontar os dados fornecidos pelos dois centros.</p>      ]]></body>
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