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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Erotonomia: Revisão bibliográfica a propósito de um caso clínico]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Erotomania: Bibliographic Review and Case Report]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The “Erotomania”, also known as Clérambault Syndrome, consists on the delirious conviction that one is loved by a person from a higher social status, with whom any close relationship is shared. It is a subtype of chronic delusional disorder in DSM-IV-TR with very low incidence and prevalence in females. It may present independently- primary form- or associated with psychotic symptoms such as schizophrenia and bipolar disorders- secondary form. The delusion remains constant and immutable- fixed from- or alters with the change of the loving object- recurrent form. With this work we intend to review the existing information in the literature regarding Erotomania and present an illustrative case history of the disease. Given the fact that it has not been reported in the literature any case of primary Erotomania, fixed form of delirium, covering all Ellis & Mellsop diagnostic criteria for the pure form of the disease, the authors considered its contribution to be pertinent.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Erotonomia: Revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica a prop&oacute;sito de um caso cl&iacute;nico</b></p>     <p><b>Erotomania: Bibliographic Review and Case Report</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Joana Calejo Jorge <sup>1</sup>, Ana Maria Cerqueira <sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1 </sup>Centro Hospitalar do Porto- Departamento de Psiquiatria da Inf&acirc;ncia e Adolesc&ecirc;ncia</p>     <p><sup>2 </sup>Hospital de Magalh&atilde;es Lemos- Servi&ccedil;o Porto</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#c0">Endere&ccedil;o para Correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A Erotomania, tamb&eacute;m conhecida por S&iacute;ndrome de Cl&eacute;rambault, consiste na convic&ccedil;&atilde;o delirante de que se &eacute; amado por uma pessoa de estatuto superior com quem n&atilde;o se partilha uma rela&ccedil;&atilde;o de proximidade. Constitui um subtipo da perturba&ccedil;&atilde;o delirante cr&oacute;nica no DSM-IV-TR, com muito baixa incid&ecirc;ncia e de predom&iacute;nio no sexo feminino. Pode apresentar-se de modo independente- forma prim&aacute;ria, ou associada a quadros psic&oacute;ticos como Esquizofrenia e Doen&ccedil;a Bipolar- forma secund&aacute;ria. O del&iacute;rio permanece constante e imut&aacute;vel- forma fixa, ou sofre altera&ccedil;&otilde;es com a mudan&ccedil;a do objecto amoroso- forma recorrente.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pretende-se, com este trabalho, rever a informa&ccedil;&atilde;o existente na literatura sobre a Erotomania e apresentar um caso cl&iacute;nico ilustrativo da doen&ccedil;a. N&atilde;o tendo sido relatado na literatura nenhum caso de Erotomania prim&aacute;ria, forma fixa do del&iacute;rio, com a totalidade dos crit&eacute;rios de diagn&oacute;stico de Ellis &amp; Mellsop para a forma pura da doen&ccedil;a, as autoras consideraram pertinente o seu contributo.</p>     <p><b>Palavras-chave: </b>erotomania, s&iacute;ndrome de De Cl&eacute;rambault, del&iacute;rio</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The “Erotomania”, also known as Cl&eacute;rambault Syndrome, consists on the delirious conviction that one is loved by a person from a higher social status, with whom any close relationship is shared.</p>     <p>It is a subtype of chronic delusional disorder in DSM-IV-TR with very low incidence and prevalence in females. It may present independently- primary form- or associated with psychotic symptoms such as schizophrenia and bipolar disorders- secondary form. The delusion remains constant and immutable- fixed from- or alters with the change of the loving object- recurrent form.</p>     <p>With this work we intend to review the existing information in the literature regarding Erotomania and present an illustrative case history of the disease.</p>     <p>Given the fact that it has not been reported in the literature any case of primary Erotomania, fixed form of delirium, covering all Ellis &amp; Mellsop diagnostic criteria for the pure form of the disease, the authors considered its contribution to be pertinent.</p>     <p><b>Key-words:</b> erotomania, De Cl&eacute;rambault syndrome, delusion.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>REVIS&Atilde;O DA LITERATURA</b></p>     <p><b>EVOLU&Ccedil;&Atilde;O HIST&Oacute;RICA</b></p>     <p>As manifesta&ccedil;&otilde;es da doen&ccedil;a mental nos relacionamentos interpessoais de car&aacute;cter amoroso sempre suscitaram interesse na hist&oacute;ria da humanidade, nomeadamente na Psiquiatria.</p>     <p>Desde os tempos de Hip&oacute;crates, Plutarco e Galeno at&eacute; &agrave; actualidade foram usados diferentes termos para descrever essas manifesta&ccedil;&otilde;es. S&atilde;o exemplo: <i>furor uterinus</i> (ninfomania), <i>melancolia er&oacute;tica </i>e <i>amor insanus</i> (erotomania).<sup>1</sup></p>     <p>Entre os autores dos s&eacute;culos XVI-XVIII que mais contribu&iacute;ram para a evolu&ccedil;&atilde;o da defini&ccedil;&atilde;o de Erotomania, salientam-se De Ferrand (1575-1623), Bartholomy Pardoux (1545-1611) e Esquirol (1772-1840).<sup>2</sup> Este &uacute;ltimo autor criou o conceito de <i>monomania er&oacute;tica</i> e definiu a Erotomania como um <i>del&iacute;rio de amor excessivo.</i><sup>3</sup></p>     <p>Identificam-se quatro fases distintas na evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do entendimento da doen&ccedil;a.<sup>3</sup></p>     <p>Desde a era cl&aacute;ssica at&eacute; finais do s&eacute;culo XVII, a Erotomania era vista como umadoen&ccedil;a do estado geral causada por um amor n&atilde;o correspondido<i>. </i>Numa segunda fase, a Erotomania caracterizou-se pela pr&aacute;tica excessiva de amor f&iacute;sico sendo a <i>ninfomania</i> o prot&oacute;tipo da doen&ccedil;a. Em 1820, Zeiler definiu a Erotomania como uma <i>loucura parcial</i> e marcou a terceira fase na hist&oacute;ria da doen&ccedil;a- a Erotomania enquanto manifesta&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a mental resultante de um amor n&atilde;o correspondido. Esta vis&atilde;o permaneceu durante cerca de um s&eacute;culo, sendo progressivamente desenvolvida e actualizada at&eacute; &agrave; quarta fase da hist&oacute;ria da Erotomania na qual vigora a actual defini&ccedil;&atilde;o de Erotomania- convic&ccedil;&atilde;o delirante de que se &eacute; amado por outra pessoa.</p>     <p>Destacam-se os autores Emil Kraepelin, em <i>Maniac-Depressive Insanity and Paranoia</i>, que considerou a Erotomania um subtipo da paranoia,<sup>4</sup> Sigmund Freud, que denominou a Erotomania por  <i>amor em excesso</i><sup>5</sup> e Bernard Hart (1921) que aplicou o termo <i>old maid’s insanity </i>para descrever o quadro erotoman&iacute;aco em mulheres idosas e solteiras com marcadas caracter&iacute;sticas persecut&oacute;rias.<sup>6,7</sup></p>     <p>Apesar dos importantes contributos destes autores, importa referir que foi a partir do psiquiatra franc&ecirc;s Gatian de Cl&eacute;rambault (1872-1934) que se desenhou o conceito de Psicose Passional, enquanto quadro de psicose distinto do del&iacute;rio interpretativo, baseado em processos ideativos precisos (“<i>o Postulado</i>”) com <i>“conceito director &uacute;nico” </i>e com caracter&iacute;sticas comuns entre si: afecto exaltado, predom&iacute;nio dos sentimentos, poder emocional e paix&atilde;o m&oacute;rbida. A Erotomania foi considerada, pelo autor, uma psicose passional, assim como os del&iacute;rios de reivindica&ccedil;&atilde;o e de ci&uacute;me.<sup>8</sup> Em 1921, Cl&eacute;rambault descreveu, pela primeira vez, o postulado essencial da doen&ccedil;a- convic&ccedil;&atilde;o delirante de uni&atilde;o amorosa com outra pessoa de estatuto superior a qual foi a primeira a apaixonar-se e a tentar a aproxima&ccedil;&atilde;o- e delineou as caracter&iacute;sticas associadas a esta premissa fundamental (“temas derivados”). Segundo o autor, a Erotomania podia ser um s&iacute;ndrome cl&iacute;nico sobreposto a outro, um s&iacute;ndrome prodr&oacute;mico ou uma entidade aut&oacute;noma.<sup>8</sup> Desde ent&atilde;o, a Erotomania ficou conhecida, na literatura francesa, por S&iacute;ndrome de Cl&eacute;rambault.</p>     <p>Importa distingui-lo do S&iacute;ndrome Kandinsky-Clerambault, muitas vezes confundido com o primeiro, apesar de diferentes e independentes.<sup>9</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A exist&ecirc;ncia do quadro como entidade nosol&oacute;gica aut&oacute;noma, tal como defendido por Cl&eacute;rambault, foi sempre controversa. Henry Ey, a partir da classifica&ccedil;&atilde;o de Psicose Delirante Cr&oacute;nica, aproximou-se de Cl&eacute;rambault, distinguindo o del&iacute;rio passional, enquanto psicose delirante cr&oacute;nica bem sistematizada, do qual a Erotomania seria um subtipo.<sup>10</sup></p>     <p>Nas classifica&ccedil;&otilde;es actuais, inicialmente denominada por psicose at&iacute;pica na DSM-III, surge como subtipo da perturba&ccedil;&atilde;o delirante cr&oacute;nica ou paran&oacute;ia na DSM-III-R, aproximando-se da vis&atilde;o Kraepeliniana. Actualmente, a condi&ccedil;&atilde;o est&aacute; inserida na CID-10<sup>10</sup> e no DSM-IV-TR<sup>11</sup> entre as Perturba&ccedil;&otilde;es Delirantes cr&oacute;nicas, neste &uacute;ltimo, como o subtipo erotoman&iacute;aco.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ASPECTOS CL&Iacute;NICOS E DIAGN&Oacute;STICO</b></p>     <p>A Erotomania &eacute; considerada uma condi&ccedil;&atilde;o rara mas desconhece-se a sua incid&ecirc;ncia exacta. Acredita-se que o seu diagn&oacute;stico possa ser subestimado, sendo a doen&ccedil;a erroneamente classificada dentro de patologias psic&oacute;ticas mais abrangentes.<sup>2,5,12</sup> De acordo com Pearce, a revolu&ccedil;&atilde;o sociocultural da &uacute;ltima metade do s&eacute;culo e a maior liberdade de express&atilde;o far&aacute; da Erotomania uma psicose ainda menos frequente no futuro.<sup>2</sup></p>     <p>A Erotomania pode manifestar-se em qualquer idade desde a adolesc&ecirc;ncia at&eacute; &agrave; idade avan&ccedil;ada<sup>13</sup> e predomina no sexo feminino, excepto em amostras forenses, em que o sexo masculino &eacute; o predominante.<sup>14</sup> N&atilde;o se associa a nenhuma faixa et&aacute;ria, ra&ccedil;a, cultura ou estado s&oacute;cio-econ&oacute;mico espec&iacute;ficos, existindo, na literatura, relatos de casos em todos os continentes terrestres.<sup>2</sup></p>     <p>A ocorr&ecirc;ncia intra-familiar &eacute; rara e o objecto de amor &eacute; geralmente do sexo oposto. Alguns casos de Erotomania entre homens e mulheres homossexuais j&aacute; foram relatados.<sup>15,16</sup></p>     <p>Est&aacute; descrita a presen&ccedil;a de associa&ccedil;&atilde;o familiar da doen&ccedil;a, n&atilde;o existindo, contudo, evid&ecirc;ncia de causa gen&eacute;tica.<sup>7</sup></p>     <p>Apesar da evid&ecirc;ncia de uma variabilidade intercultural do modo de apresenta&ccedil;&atilde;o, a Erotomania destaca-se por apresentar um quadro cl&iacute;nico transcultural.<sup>17</sup></p>     <p>Parafraseando Enoch e Ball, a Erotomania de Cl&eacute;rambault “<i>trata fundamentalmente de ser amado e n&atilde;o de amar</i>”.<sup>18</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Partindo do postulado inicial de Cl&eacute;rambault- “<i>C’est l’Objet qui a commenc&eacute; et qui aime le plus ou qui aime seul</i>“<i>, </i>definem-se os “<i>temas derivados</i>” do s&iacute;ndrome<sup>15</sup>: o objecto n&atilde;o pode ser feliz sem ele, o objecto n&atilde;o pode ter um valor completo sem ele, a convic&ccedil;&atilde;o de que o objecto est&aacute; livre pois o seu casamento n&atilde;o &eacute; v&aacute;lido, o estabelecimento de uma vigil&acirc;ncia ou de uma protec&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nuas do objecto, conversa&ccedil;&atilde;o indirecta com o objecto, aus&ecirc;ncia de impedimentos de qualquer ordem para o relacionamento, pelo contr&aacute;rio, consentimento universal do romance e o denominado comportamento paradoxal ou contradit&oacute;rio do objecto. Este &uacute;ltimo, o comportamento paradoxal, &eacute; essencial e est&aacute; sempre presente no quadro. Constitui uma interpreta&ccedil;&atilde;o delirante do doente em rela&ccedil;&atilde;o aos comportamentos de rejei&ccedil;&atilde;o por parte do objecto, sentindo-os como tentativas para p&ocirc;r &agrave; prova o seu amor, como resultado da abulia do objecto ou da influ&ecirc;ncia de pessoas que o tentam separar deste.</p>     <p>Cl&eacute;rambault demonstrou uma evolu&ccedil;&atilde;o sistematizada do del&iacute;rio ao longo de 3 estados afectivos: estado de esperan&ccedil;a, ressentimento e rancor, sendo este &uacute;ltimo o mais importante e, de facto, o gerador do s&iacute;ndrome. As caracter&iacute;sticas do quadro s&atilde;o parcialmente influenciadas por factores individuais. Segundo o autor, quanto maior a componente imaginativa do del&iacute;rio, mais fraca &eacute; a sua componente afectiva.<sup>15</sup></p>     <p>Tal como j&aacute; referido, Cl&eacute;rambault considerou que a Erotomania podia ser uma entidade aut&oacute;noma ou uma condi&ccedil;&atilde;o associada a outra doen&ccedil;a mental.<sup>8</sup> Neste sentido, Cl&eacute;rambault descreveu duas formas da psicose: a forma pura ou prim&aacute;ria e a forma secund&aacute;ria. Na forma prim&aacute;ria, o del&iacute;rio erotoman&iacute;aco &eacute; a &uacute;nica manifesta&ccedil;&atilde;o psic&oacute;tica, n&atilde;o existem alucina&ccedil;&otilde;es e o in&iacute;cio &eacute; abrupto. A doen&ccedil;a &eacute; bem definida e com evolu&ccedil;&atilde;o cr&oacute;nica. A forma secund&aacute;ria est&aacute; associada a outras psicoses, geralmente a Esquizofrenia Paran&oacute;ide, sendo frequentes as ideias de grandeza, misticismo e persecut&oacute;rias. O in&iacute;cio &eacute; gradual, a doen&ccedil;a &eacute; difusa e mal definida. Existe a possibilidade de substitui&ccedil;&atilde;o do objecto de amor.<sup>5</sup></p>     <p>Seeman identificou duas formas distintas da psicose- a forma fixa e a forma recorrente. Na forma fixa, o objecto do amor &eacute; um indiv&iacute;duo an&oacute;nimo com quem o doente nunca teve nenhum contacto. O del&iacute;rio permanece imut&aacute;vel e tem um curso cr&oacute;nico. S&atilde;o doentes dependentes dos pais, sem vida sexual activa, submissos e sem auto-estima; s&atilde;o frequentemente diagnosticados como esquizofr&eacute;nicos. Na forma recorrente, o objecto do amor &eacute; um indiv&iacute;duo poderoso e reconhecido, sendo frequente a exist&ecirc;ncia de um contacto fortuito pr&eacute;vio. Ap&oacute;s as investidas amorosas sem sucesso, o doente aceita a impossibilidade do seu amor e repete outro ciclo com outro objecto. S&atilde;o doentes mais independentes, com uma vida sexual mais activa mas insatisfeita, mais impulsivos, ambiciosos e com melhor auto-estima. Est&aacute;, geralmente, associada &agrave; doen&ccedil;a bipolar e perturba&ccedil;&otilde;es da personalidade.<sup>19</sup></p>     <p>Embora tradicionalmente tidas como ausentes na forma prim&aacute;ria da Erotomania, as alucina&ccedil;&otilde;es t&aacute;cteis de ser-se tocado pelo objecto do del&iacute;rio amoroso foram descritas por Krafft-Ebing e, posteriormente, denominadas por Kraepelin de <i>dreamy hallucinations.</i><sup>7,20</sup></p>     <p>O quadro cl&iacute;nico da Erotomania pode persistir silencioso durante anos<sup>17</sup> sendo detectado apenas quando o doente apresenta comportamento violento ou de persegui&ccedil;&atilde;o do objecto do seu del&iacute;rio que culmina num processo criminal. A Erotomania tem sido cada vez mais relatada e estudada pela ci&ecirc;ncia forense, enquanto forma de persegui&ccedil;&atilde;o obsessiva. Na sua investiga&ccedil;&atilde;o forense, Meloy (1989) identificou a denominada <i>Erotomania borderline </i><sup>16,21</sup> que difere da Erotomania pela aus&ecirc;ncia do del&iacute;rio- o doente &eacute; capaz de reconhecer que n&atilde;o &eacute; correspondido mas apresenta uma perturba&ccedil;&atilde;o grave dos afectos que resulta na persegui&ccedil;&atilde;o potencialmente violenta do outro. Esta condi&ccedil;&atilde;o assemelha-se &agrave; <i>obsess&atilde;o simples, </i>uma das formas de persegui&ccedil;&atilde;o obsessiva de Zona et al. (1993).<sup>21,22</sup> Meloy (1999) descreveu, ainda, a exist&ecirc;ncia do fen&oacute;meno de triangula&ccedil;&atilde;o na persegui&ccedil;&atilde;o patol&oacute;gica- transfer&ecirc;ncia da energia inicialmente dirigida ao objecto amoroso para uma terceira pessoa que o doente considera um obst&aacute;culo ao seu amor.<sup>16</sup></p>     <p>Foram identificados como preditores do risco de viol&ecirc;ncia associada &agrave; Erotomania: o sexo masculino, baixo n&iacute;vel socio-econ&oacute;mico e a presen&ccedil;a de ci&uacute;me. Outros autores como Menzies et al. acrescentaram os seguintes factores: exist&ecirc;ncia de m&uacute;ltiplos objectos de amor e comportamento anti-social pr&eacute;vio &agrave; doen&ccedil;a.<sup>14</sup></p>     <p>Encontram-se, na literatura, refer&ecirc;ncias a casos de comportamentos predat&oacute;rios dirigidos a profissionais de sa&uacute;de e professores. Alguns autores defendem que estes grupos profissionais apresentam maior risco de serem envolvidos nos del&iacute;rios de Erotomania.<sup>16</sup></p>     <p>Est&atilde;o descritas as combina&ccedil;&otilde;es do S&iacute;ndrome de Cl&eacute;rambault com o de Capgras<sup>2, 12, 13, 16, 23</sup> o de Folie &agrave; deux<sup>2,12, 23</sup> e de Fregoli.<sup>16</sup></p>     <p>O conceito de Erotomania foi, desde sempre, alvo de tentativas de conceptualiza&ccedil;&atilde;o e inclu&iacute;do em diferentes diagn&oacute;sticos e n&atilde;o existem, de facto, guidelines espec&iacute;ficas de diagn&oacute;stico.<sup>24</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Taylor et al. (1983) apresentaram os seguintes crit&eacute;rios de diagn&oacute;stico: convic&ccedil;&atilde;o delirante de que o indiv&iacute;duo, geralmente uma mulher, &eacute; amada por um homem; contacto m&iacute;nimo ou inexistente com o objecto do seu amor; este &eacute; inating&iacute;vel; os comportamentos do homem s&atilde;o interpretados como protectores ou persecut&oacute;rios e, apesar do del&iacute;rio er&oacute;tico, a mulher permanece casta.<sup>5</sup></p>     <p>Para os autores Ellis &amp; Mellsop (1985), o diagn&oacute;stico de Erotomania pura constitui-se por: convic&ccedil;&atilde;o delirante de comunica&ccedil;&atilde;o amorosa; o objecto do amor delirante &eacute; de estatuto superior; foi o primeiro a apaixonar-se; foi o primeiro a tentar aproximar-se e permanece fixo; curso cr&oacute;nico da doen&ccedil;a; in&iacute;cio s&uacute;bito, isto &eacute;, num per&iacute;odo inferior a 7 dias; o doente racionaliza o comportamento paradoxal do seu objecto do amor e aus&ecirc;ncia de alucina&ccedil;&otilde;es.<sup>25</sup></p>     <p> Revendo a literatura at&eacute; ent&atilde;o, os autores constataram que nenhum dos casos cl&iacute;nicos relatados satisfazia a totalidade dos seus crit&eacute;rios.</p>     <p>Gillet et al. adicionaram o crit&eacute;rio de diagn&oacute;stico de que a convic&ccedil;&atilde;o delirante ocorre sem obnubila&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia (in<i> clear consciousness</i>). A partir do estudo de 11 doentes aos quais foram aplicados os crit&eacute;rios de Ellis &amp; Mellsop, os autores evidenciaram a raridade do s&iacute;ndrome j&aacute; que nenhum doente apresentou um score de Erotomania pura superior a 80%. Os autores sugeriram que o diagn&oacute;stico de Erotomania pode ser feito apenas com base na presen&ccedil;a de uma convic&ccedil;&atilde;o delirante de comunica&ccedil;&atilde;o amorosa (um dos crit&eacute;rios de Ellis &amp; Mellsop), ap&oacute;s a exclus&atilde;o de outras perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas ou org&acirc;nicas.<sup>25</sup></p>     <p>Finalmente, a DSM-III-R incluiu a Erotomania dentro dos crit&eacute;rios diagn&oacute;sticos estandardizados de perturba&ccedil;&atilde;o delirante cr&oacute;nica. Apesar da exist&ecirc;ncia destes crit&eacute;rios, os crit&eacute;rios de Ellis &amp; Mellsop continuam a suscitar interesse na actualidade. Numa revis&atilde;o de 15 casos de Erotomania, Kennedy et al verificaram que estes crit&eacute;rios mant&ecirc;m-se v&aacute;lidos na avalia&ccedil;&atilde;o dos doentes com Erotomania.<sup>17</sup></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ETIOLOGIA</b></p>     <p>Tal como defendido por De Cl&eacute;rambault, a Erotomania pode ser secund&aacute;ria a psicoses prim&aacute;rias, sobretudo a Esquizofrenia e doen&ccedil;a bipolar, ou a estados org&acirc;nicos agudos ou cr&oacute;nicos. Existem relatos de casos de Erotomania resultantes de depress&atilde;o major mas tamb&eacute;m de infec&ccedil;&atilde;o pelo HIV<b>, </b>traumatismo cranioencef&aacute;lico, atraso mental, gravidez e altera&ccedil;&otilde;es endocrinol&oacute;gicas (doen&ccedil;a de Cushing e uso de contraceptivos orais), uso de anfetaminas e abuso de &aacute;lcool.<sup>26</sup> Outros casos de dem&ecirc;ncia de Alzheimer<sup>27</sup>, convuls&otilde;es e hemorragia subaracn&oacute;idea<sup>6</sup> tamb&eacute;m foram associados a quadros de Erotomania.</p>     <p>Ellis &amp; Mellsop (1985) aplicaram a sua defini&ccedil;&atilde;o operacional de Erotomania e constataram que a Erotomania na sua forma pura &eacute; demasiado rara aproximando-se da opini&atilde;o de Lehman (1980) que a negava como s&iacute;ndrome independente. Conclu&iacute;ram que a maioria dos casos de Erotomania diziam respeito a formas secund&aacute;rias a outras patologias psiqui&aacute;tricas, sendo a Esquizofrenia a mais frequente.<sup>25</sup></p>     <p>Ali&aacute;s, Hollender &amp; Callahan (1975) j&aacute; tinham sugerido que a Erotomania prim&aacute;ria era um subtipo de paran&oacute;ia e a Erotomania secund&aacute;ria um subtipo da Esquizofrenia Paran&oacute;ide.<sup>12</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar de geralmente associada &agrave; Esquizofrenia e doen&ccedil;a bipolar, encontra-se, na literatura, refer&ecirc;ncia &agrave; depress&atilde;o como a causa mais frequente da Erotomania secund&aacute;ria (Ghaziuddin 1991).<sup>16</sup></p>     <p>Neste sentido, os autores Signer &amp; Cummings (1987) defenderam que uma perturba&ccedil;&atilde;o do humor est&aacute; invariavelmente presente na Erotomania. Tal posi&ccedil;&atilde;o est&aacute; de acordo com a constata&ccedil;&atilde;o de Signer da presen&ccedil;a de indicadores de perturba&ccedil;&atilde;o afectiva com predom&iacute;nio de estados hipoman&iacute;acos nos casos descritos por Cl&eacute;rambault.<sup>15</sup></p>     <p>Atendendo &agrave; Erotomania pura ou prim&aacute;ria, tal como Cl&eacute;rambault defendia, encontra-se uma multiplicidade de explica&ccedil;&otilde;es etiopatog&eacute;nicas.</p>     <p>Tradicionalmente, a Erotomania foi explicada com base em factores psicodin&acirc;micos, como a homossexualidade, heterossexualidade e narcisismo. Freud encarava a Erotomania como uma manifesta&ccedil;&atilde;o de um centro de conflito da paran&oacute;ia resultante de processos de nega&ccedil;&atilde;o, deslocamento e projec&ccedil;&atilde;o.<sup>5</sup> Seeman, relativamente &agrave; forma recorrente da doen&ccedil;a descrita por si, aproximou-se da interpreta&ccedil;&atilde;o freudiana que implica a defesa contra desejos homossexuais e a tentativa de conferir poder e sucesso &agrave; pr&oacute;pria imagem corporal. J&aacute; na forma fixa da psicose, defendeu que o doente procurava uma defesa contra impulsos heterossexuais agressivos pois, inconscientemente, sabia da inatingibilidade de uma rela&ccedil;&atilde;o sexual.<sup>19</sup> Outros autores implicaram, tamb&eacute;m, o processo de afastamento de impulsos homossexuais nas causas da Erotomania. S&atilde;o exemplos Enoch et al. que defenderam a procura de uma figura paterna erotizada segura, est&aacute;vel e inating&iacute;vel associada &agrave; necessidade de o doente afastar de si os impulsos homossexuais.<sup>2</sup></p>     <p>Estando a Erotomania tipicamente associada a doentes pouco atraentes fisicamente e sexualmente inexperientes, Segal considerou a exist&ecirc;ncia de uma tentativa de diminui&ccedil;&atilde;o da inferioridade por compensa&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas, projectando constru&ccedil;&otilde;es delirantes narc&iacute;sicas em pessoas mais valorizadas socialmente.<sup>1</sup></p>     <p>Similarmente, atendendo &agrave; vida solit&aacute;ria e carente de afectos dos doentes, Kraepelin e Cl&eacute;rambault encararam a Erotomania como um mecanismo compensat&oacute;rio de frustra&ccedil;&otilde;es (Kraepelin) ou uma resposta ao orgulho sexual (Cl&eacute;rambault).<sup>1</sup></p>     <p>Hollender &amp; Callahan tamb&eacute;m enfatizaram o papel de uma procura narc&iacute;sica de alento para um ego, segundo os autores, deficit&aacute;rio devido a experi&ecirc;ncias vivenciais traum&aacute;ticas.</p>     <p>Raskin &amp; Sullivan sugeriram que a psicose constitui uma fun&ccedil;&atilde;o adaptativa, protectora da depress&atilde;o e solid&atilde;o do doente ap&oacute;s uma perda significativa, conferindo seguran&ccedil;a e controlo face &agrave; perda ou amea&ccedil;as de perdas sucessivas.<sup>28</sup></p>     <p>Por sua vez, outros autores colocaram a hip&oacute;tese de a Erotomania resultar de um amor-pr&oacute;prio negado por um doente com personalidade narc&iacute;sica e projectado noutra pessoa.<sup>2, 15</sup> Esta posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi consensualmente aceite, acreditando-se ser pouco prov&aacute;vel um indiv&iacute;duo narc&iacute;sico negar o amor a si mesmo. Ali&aacute;s, Jordan<sup>2</sup> acrescenta que o amor-pr&oacute;prio est&aacute; muito poucas vezes implicado nos casos descritos na literatura.</p>     <p>Refer&ecirc;ncias na literatura apontam para a exist&ecirc;ncia de um processo de luto patol&oacute;gico no desenvolvimento do del&iacute;rio.<sup>23</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tal como referido por Berry (1980),<sup>29</sup> os doentes apresentavam uma rela&ccedil;&atilde;o insatisfat&oacute;ria e carente de confian&ccedil;a com as suas m&atilde;es. &Agrave; luz da vis&atilde;o Eriksoniana, a Erotomania pode ser vista como um produto de um relacionamento m&atilde;e-filho insuficiente ou adulterado de que resultam dificuldades em relacionamentos &iacute;ntimos, nomeadamente da vida conjugal.</p>     <p>Apercebendo-se das limita&ccedil;&otilde;es das teorias existentes para explicar as diferen&ccedil;as de g&eacute;nero entre os doentes, Brune aborda a Erotomania numa perspectiva evolucionista, encarando-a como uma variante patol&oacute;gica de estrat&eacute;gias sexuais que conferem maior garantia de fidelidade sexual e seguran&ccedil;a. A Mulher, pelo seu maior investimento parental (gesta&ccedil;&atilde;o e lacta&ccedil;&atilde;o, em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; insemina&ccedil;&atilde;o do homem) limitado temporalmente ao seu per&iacute;odo f&eacute;rtil, tende a procurar uma rela&ccedil;&atilde;o duradoira e segura com um parceiro mais velho e de estatuto superior, como garantia de maximiza&ccedil;&atilde;o da sua maternidade. Por sua vez, o Homem, numa tentativa de aproxima&ccedil;&atilde;o da maternidade, procura parceiras f&eacute;rteis e sexualmente atraentes.<sup>30</sup></p>     <p>As teorias evolucionistas explicam, ainda, o predom&iacute;nio do sexo masculino nas amostras forenses de doente com Erotomania a partir da hip&oacute;tese de que a incerteza da paternidade que assombra o homem possa fazer emergir sentimentos de inseguran&ccedil;a e ci&uacute;me.<sup>14</sup></p>     <p>Numa abordagem multifactorial, Doust e Christie (in<i> The Pathology of Love</i>, 1978) consideram que factores ambientais, psicol&oacute;gicos, farmacol&oacute;gicos e fisiol&oacute;gicos podem despoletar o del&iacute;rio em pessoas predispostas.<sup>23</sup></p>     <p>Recentemente, foi proposto que a aprendizagem atrav&eacute;s dos <i>media</i> influencia o desenvolvimento do del&iacute;rio- o denominado <i>Cynderella syndrome.</i><sup>5</sup></p>     <p>Finalmente, estudos neurofisiol&oacute;gicos sugeriram que a Erotomania parece estar associada a d&eacute;fices visuoespaciais e a d&eacute;fices na flexibilidade cognitiva. Os d&eacute;fices de funcionamento visuoespaciais ou les&otilde;es no sistema l&iacute;mbico, sobretudo dos lobos temporais, em associa&ccedil;&atilde;o ao isolamento afectivo e experi&ecirc;ncias amorosas ambivalentes, podem causar as interpreta&ccedil;&otilde;es delirantes da Erotomania por percep&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o anormais da realidade. Para a sua manuten&ccedil;&atilde;o pode contribuir a rigidez cognitiva resultante de funcionamento deficiente do sistema frontal-subcortical.<sup>31</sup></p>     <p>Anderson et al. salientaram o papel da disfun&ccedil;&atilde;o cerebral, em especial do hemisf&eacute;rio direito, no desenvolvimento da Erotomania.<sup>6</sup></p>     <p>Numa base neurobioqu&iacute;mica, a Erotomania pode resultar de um desequil&iacute;brio entre a dopamina e serotonina, assemelhando-se &agrave; Esquizofrenia.<sup>5</sup> Recentemente, um estudo descreveu a associa&ccedil;&atilde;o entre o in&iacute;cio do del&iacute;rio de Erotomania e o uso de doses elevadas do antidepressivo venlafaxina atrav&eacute;s da activa&ccedil;&atilde;o do sistema dopamin&eacute;rgico no sistema mesol&iacute;mbico (Adamou, Hale 2003).<sup>5</sup></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>TRATAMENTO E PROGN&Oacute;STICO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O tratamento da Erotomania assenta numa abordagem multidisciplinar.</p>     <p>No que diz respeito ao tratamento farmacol&oacute;gico, os medicamentos anti-psic&oacute;ticos s&atilde;o os mais frequentemente usados.</p>     <p>De um modo geral, apresentam uma resposta terap&ecirc;utica modesta atrav&eacute;s da redu&ccedil;&atilde;o da intensidade do del&iacute;rio e das ideias de refer&ecirc;ncia que o acompanham.<sup>1,12</sup>S&atilde;o &uacute;teis no controlo do comportamento permitindo um funcionamento adequado na comunidade.<sup>5</sup></p>     <p>Estudos evidenciaram o tratamento bem sucedido da psicose com risperidona, antipsic&oacute;tico at&iacute;pico que, em doses inferiores a 6mg/dia, apresenta menos efeitos laterais do que os antipsic&oacute;ticos tradicionalmente usados nas pertuba&ccedil;&otilde;es delirantes persistentes.<sup>7, 32</sup> A risperidona constitui, actualmente, o medicamento de primeira linha no tratamento da patologia.<sup>33</sup> Existem alguns relatos de boa resposta terap&ecirc;utica ao pimozide,<sup>7, 16, 17, 20, 32</sup> potente antipsic&oacute;tico mas com importantes efeitos laterais e aprovado apenas para tratamento de S&iacute;ndrome de la Tourette.</p>     <p>A electroconvulsivoterapia parece apresentar efic&aacute;cia quando combinada com outras modalidades terap&ecirc;uticas.<sup>1,5,16,26</sup></p>     <p>Relativamente &agrave;s terapias psicol&oacute;gicas, v&aacute;rios autores defendem que a psicoterapia individual n&atilde;o &eacute; eficaz neste tipo de doentes.<sup>1, 2,5</sup> Terapias de suporte, tais como interven&ccedil;&otilde;es familiares, sociais e ambientais, parecem apresentar maior benef&iacute;cio.<sup>5,17</sup></p>     <p>Alguns doentes necessitam de ser temporariamente separados dos seus objectos de amor quer por hospitaliza&ccedil;&atilde;o quer por cumprimento de pena em estabelecimento prisional. Existem evid&ecirc;ncias de que a separa&ccedil;&atilde;o do objecto do del&iacute;rio amoroso pode constituir o &uacute;nico meio terap&ecirc;utico eficaz.<sup>1</sup></p>     <p>Tradicionalmente, a Erotomania prim&aacute;ria &eacute; geralmente descrita como uma condi&ccedil;&atilde;o cr&oacute;nica e refract&aacute;ria ao tratamento.<sup>5,25,26</sup></p>     <p>Kraepelin, Cl&eacute;rambault e a maioria dos autores da actualidade descreveram um car&aacute;cter persistente do del&iacute;rio.</p>     <p>Na literatura, est&atilde;o registados casos de longa dura&ccedil;&atilde;o, destacando-se um descrito por Cl&eacute;rambault com 37 anos de evolu&ccedil;&atilde;o. Encontram-se alguns relatos de casos de Erotomania prim&aacute;ria com um bom progn&oacute;stico.<sup>7</sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Salientam-se os autores Raskin e Sullivan, Enoch <i>et al.</i> e Seeman que identificaram um grupo de doentes com um alto funcionamento e um curso mais benigno, semelhante &agrave;s perturba&ccedil;&otilde;es afectivas.<sup>24</sup></p>     <p>De facto, a maioria dos casos de Erotomania secund&aacute;rios &agrave; Doen&ccedil;a Afectiva Bipolar apresenta padr&atilde;o cl&iacute;nico recorrente com manifesta&ccedil;&atilde;o dos sintomas na fase man&iacute;aca e remiss&atilde;o destes com o tratamento adequado. J&aacute; quando associados a diagn&oacute;sticos como Esquizofrenia ou Perturba&ccedil;&atilde;o Esquizoafectiva, o progn&oacute;stico &eacute; mau.<sup>20</sup></p>     <p>De um modo geral, a Erotomania prim&aacute;ria parece apresentar melhor resposta ao tratamento com neurol&eacute;pticos do que as outras perturba&ccedil;&otilde;es psic&oacute;ticas<sup>20</sup> e a literatura demonstra que a Erotomania n&atilde;o se associa de modo absoluto a um progn&oacute;stico sombrio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CASO CL&Iacute;NICO</b></p>     <p>A. sexo feminino, 51 anos de idade, ra&ccedil;a caucasiana, grande religiosidade, casada e com 2 filhos.</p>     <p>Senhora de aspecto muito fr&aacute;gil, emagrecida, com poucos dentes, roupas limpas mas de pouca qualidade e desactualizadas.</p>     <p>Com o patrim&oacute;nio adquirido ap&oacute;s o casamento alcan&ccedil;ou uma vida desafogada e reconhecimento social. Ao inv&eacute;s, na sua vida &iacute;ntima, sentia profunda infelicidade com um marido abusador e violento que, ao fim de alguns anos, delapidou todo o patrim&oacute;nio deixando todos na mis&eacute;ria.</p>     <p>Dada a precariedade econ&oacute;mica em que a fam&iacute;lia se encontrava, A. foi procurar emprego, pela primeira vez, aos 44 anos de idade, em f&aacute;bricas t&ecirc;xteis.</p>     <p>Teve v&aacute;rios empregos prec&aacute;rios e de pouca dura&ccedil;&atilde;o e a sua integra&ccedil;&atilde;o foi dif&iacute;cil, sentia-se despeitada e mal recebida pelas colegas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Porque necessitava de garantir a sua sobreviv&ecirc;ncia e a da sua fam&iacute;lia submeteu-se a ir trabalhar para uma empresa maior onde os insultos e a maledic&ecirc;ncia eram constantes.</p>     <p>&Agrave; hora do intervalo, de vez em quando, um dos patr&otilde;es, Sr. X, passava pelas empregadas, numa vistoria recatada. N&atilde;o lhes dirigia palavra e apenas baixava a cabe&ccedil;a como se de uma discreta v&eacute;nia se tratasse. A. sentia-se cumprimentada apesar de nunca lhe ter dirigido palavra ou retribu&iacute;do o cumprimento. As piadas brejeiras entre as mulheres trabalhadoras sobre este Sr. X proliferavam e A. tinha medo que pensassem que poderia ser mais uma das muitas amantes de que este homem tinha abastada fama.</p>     <p>Cerca de 1 m&ecirc;s depois, recebeu uma carta das Finan&ccedil;as, na qual lhe era dado um prazo de 15 dias para abandonar a casa de fam&iacute;lia, devido &agrave; execu&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vidas. Naquela altura, A. sentiu-se a mulher mais infeliz e sem o apoio do marido.</p>     <p>Um dia, recebeu um telefonema em casa. Ningu&eacute;m falou do outro lado da linha, mas A. teve a certeza de que era o Sr. X. N&atilde;o duvidou que era ele e estranhou: “<i>ent&atilde;o um homem com tanto dinheiro, interessado numa costureirinha?</i>”.</p>     <p>J&aacute; convencida de que o Sr. X estava apaixonado por si, envolveu-se num conflito com uma colega. Por este motivo, a doente teve de responder a um processo disciplinar da Administra&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Durante o interrogat&oacute;rio do processo disciplinar, cruzou-se duas vezes com o Sr. X. Na primeira vez, este ignorou a doente, apesar de A. o olhar fixamente. Despeitada, A. vingou-se acusando-o de ter todas as trabalhadoras como amantes. Na segunda vez, o Sr. X olhou-a nos olhos pausadamente. Para A., este olhar era diferente. A doente pensou: “<i>ser&aacute; que ele gosta de mim?</i>” A d&uacute;vida rapidamente se transformou numa certeza. “<i>Ele gosta mesmo de mim e quer casar comigo</i>”. E, admirava-se: “<i>como &eacute; que um homem daqueles, t&atilde;o rico, quer casar com uma costureirinha!</i>”</p>     <p>A. &eacute; despedida mas a liga&ccedil;&atilde;o entre os dois n&atilde;o termina.</p>     <p>Para A., o Sr. X. colocara escutas em todas as divis&otilde;es da sua casa com o objectivo de a controlar e de a orientar para o seu futuro. Sentia-se apaziguada e mantinha conversas com ele atrav&eacute;s das escutas. Apesar de nunca o ter ouvido, sabia exactamente o que ele queria e desejava para os dois, inclusiv&eacute; chegou a anunciar &agrave; fam&iacute;lia vezes sem conta que o Sr. X queria casar consigo e age em conformidade separando camas em casa.</p>     <p>A fam&iacute;lia da doente exigiu-lhe provas do que dizia e A. foi falar pela primeira vez com o Sr. X. Este, de forma indiferente e n&atilde;o permitindo que a doente falasse abertamente sobre o tema rematou de um modo simp&aacute;tico que j&aacute; sabia do que estava a falar o que a doente interpretou como uma confirma&ccedil;&atilde;o de que ele iria tomar todas as provid&ecirc;ncias para se casar consigo.</p>     <p>A vida em casa tornara-se insustent&aacute;vel e A. abandonou a casa. Decidiu ir para a casa da filha sempre com a expectativa de o Sr. X a ir buscar, a qual mant&eacute;m desde 2002.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>DISCUSS&Atilde;O</b></p>     <p>Partindo da revis&atilde;o da literatura, as autoras cr&ecirc;em que o caso cl&iacute;nico de A. se assume como um caso de Erotomania prim&aacute;ria, segundo Cl&eacute;rambault, e na forma fixa de Seeman. &Agrave; semelhan&ccedil;a do proposto por Seeman, a doente apresenta caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas pouco atraentes e aus&ecirc;ncia de uma vida sexual satisfat&oacute;ria, desenvolvendo o del&iacute;rio de que &eacute; amada sempre pelo mesmo homem. A sua baixa auto-estima suscita-lhe, inicialmente, d&uacute;vidas, mas rapidamente se convence de que fora escolhida pelo patr&atilde;o e nunca teve d&uacute;vidas de que este a amava.</p>     <p>A. v&ecirc; o seu mundo desmoronar-se. Assiste &agrave; delapida&ccedil;&atilde;o do seu patrim&oacute;nio, vive a deteriora&ccedil;&atilde;o do seu casamento, a sua imagem vai-se desgastando e, finalmente, inicia-se num ambiente hostil onde as agress&otilde;es constantes a magoam profundamente. Sozinha, insegura e fisicamente degradada, a doente encontra no seu mundo delirante uma protec&ccedil;&atilde;o e controlo face &agrave; amea&ccedil;a de outras perdas (Raskin &amp; Sullivan), um mecanismo compensat&oacute;rio das sucessivas frustra&ccedil;&otilde;es (Kraepelin) ou mesmo do seu orgulho sexual (Cl&eacute;rambault) e do sentimento de inferioridade iminentemente instalado (Segal).</p>     <p>Especulando acerca da fase de Cl&eacute;rambault em que se encontra a doente, parece estar-se perante a fase inicial do s&iacute;ndrome- fase de esperan&ccedil;a- dados os sentimentos de alegria, satisfa&ccedil;&atilde;o e protec&ccedil;&atilde;o que a doente manifesta em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; uni&atilde;o amorosa delirante. Da&iacute; a sua atitude predominantemente passiva e expectante em rela&ccedil;&atilde;o ao seu amor. Poder-se-&aacute; come&ccedil;ar a delinear algum sentimento de ressentimento em rela&ccedil;&atilde;o a comportamentos que a doente n&atilde;o consegue entender.</p>     <p>Atendendo aos crit&eacute;rios de diagn&oacute;stico de Ellis &amp; Mellsop para a forma pura da Erotomania, constata-se que o caso cl&iacute;nico apresentado os perfaz na sua totalidade, n&atilde;o tendo as autoras encontrado nenhum outro relato na literatura. A doente mant&eacute;m a convic&ccedil;&atilde;o delirante de uma comunica&ccedil;&atilde;o amorosa com o seu patr&atilde;o, algu&eacute;m socialmente superior, que se apaixonou por si e foi o primeiro a tentar uma aproxima&ccedil;&atilde;o- primeiro atrav&eacute;s de um telefonema e, posteriormente, de um sistema de escutas. Esta convic&ccedil;&atilde;o delirante permanece fixa e cr&oacute;nica ao longo do tempo e iniciou-se subitamente, em menos de 7 dias, tal como definido por Ellis &amp; Mellsop, assim que a doente foi trabalhar para a f&aacute;brica. N&atilde;o foi evidenciada actividade alucinat&oacute;ria. Finalmente, o comportamento paradoxal, essencial para Cl&eacute;rambault, t&atilde;o evidente quando a doente procura pela primeira vez o Sr. X. e interpreta delirantemente a sua resposta evasiva como uma confirma&ccedil;&atilde;o de que este iria tomar todas as provid&ecirc;ncias para se casar consigo.</p>     <p>A partir do aprofundamento da complexidade desta patologia rara e da ilustra&ccedil;&atilde;o de um caso cl&iacute;nico &uacute;nico na literatura, as autoras acreditam ter contribu&iacute;do para o melhor entendimento da Erotomania.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. Segal JH. Erotomania revisited: From Kraepelin to DSM-III-R. American Journal of Psychiatry. 1989;146:1261-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0871-3413201200050000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Jordan HW, Howe G. De Clerambault Syndrome (Erotomania): a review and case presentation. Journal of The National Medical Association. 1980;72(10):979-85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0871-3413201200050000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Berrios GE, Kennedy N. Erotomania: a conceptual history. History of Psychiatry. 2002;13:381-400.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0871-3413201200050000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>4. Sampaio TM, Andrade AG, Baltieri DA. S&iacute;ndrome de Cl&eacute;rambault: desafio diagn&oacute;stico e terap&ecirc;utico. Revista Psiquiatria RS. 2007;29(2):212-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0871-3413201200050000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Jordan HW, Lockert EW. Erotomania revisited: thirty- four years later. Journal of The National Medical Association. 2006;98(5):787- 93.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0871-3413201200050000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Anderson CA, Camp J, Filley CM. Erotomania after Aneurysmal Subarachnoid Hemorrhage: Case Report and Literature Review. The Journal of Neuropsychiatry and Clinical Neurosciences. 1998;10:330-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0871-3413201200050000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Kelly BD, Kennedy N, Shanley D. Delusion and desire: erotomania revisited. Acta Psychiatric Scandinavic. 2000;102:74-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0871-3413201200050000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Cl&eacute;rambault GG. Les d&eacute;lires passionnels. &Eacute;rotomanie, Revendication, Jalousie. Pr&eacute;sentation de malade. Bulletin de la Soci&eacute;t&eacute; Clinique de M&eacute;decine Mentale. 1921:61-71.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0871-3413201200050000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Lerner V, Kaptsan A, Witztum E. The Misidentification of Clerambault’s and Kandinsky-Clerambault’s Syndromes. Canadian Journal Psychiatry. 2001;46:441-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0871-3413201200050000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Organization W-WH. International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0871-3413201200050000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. ASSOCIATION AP. DSM-IV-TR: Manual de Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stica das Perturba&ccedil;&otilde;es Mentais fourth edition, Text Revision. ed. Lisboa2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0871-3413201200050000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Hollender MH, Callahan AS. Erotomania or De Clerambault Syndrome. Archives General Psychiatry 1975;32:1574-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S0871-3413201200050000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13. Mcguire B, Wraith A. Legal and psychological aspects of stalking: a review. The Journal of Forensic Psychiatry. 2000;11(2):316–27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S0871-3413201200050000100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>14. Brune M. Erotomanic Stalking in Evolutionary Perspective. Behavioral Sciences and the Law. 2003;21:83–8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S0871-3413201200050000100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>15. Signer S. "Les Psychoses Passionnelles” Reconsidered: A review of de Cl&eacute;rambault’s cases and Syndrome with respect to Mood disorders. Journal of Psychiatry and Neuroscience. 1991;16(2):81-90.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S0871-3413201200050000100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>16. Doksat MK, Aydin S, Savrun M. Favorable Response to Low Dose of Quetiapine in a Woman with Cannabis Abuse and Erotomania. Bull Clin Psychophamacol. 2002;12:89-91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S0871-3413201200050000100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>17. Kelly BD. Erotomania, Epidemiology and Management. CNS Drugs. 2005;19(8):657-69.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S0871-3413201200050000100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>18. Gramary A. A Sindrome de Cl&eacute;rambault revisitada. Revista Sa&uacute;de Mental. 2008;X(2):53-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S0871-3413201200050000100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>19. Seeman MV. Delusional Loving. Archives General Psychiatry. 1978;35:1265-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S0871-3413201200050000100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>20. Kennedy N, McDonough M, Kelly B. Erotomania revisited: Clinical course and treatment. Comprehensive Psychiatry. 2002;43(1):1-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S0871-3413201200050000100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>21. Mccann JT. Subtypes of stalking(obsessional following)in adolescents. Journal of Adolescense. 1998;21:667-75.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S0871-3413201200050000100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>22. Meloy JR. Stalking (Obsessional Following): A review of some preliminary studies. Aggression and Violent Behavior. 1996;I(2):147-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S0871-3413201200050000100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>23. Evans DL, Jeckel LL, Slott NE. Erotomania: A Variant of Pathological Mourning. Bull Menninger Clinic. 1982;46(6):507-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S0871-3413201200050000100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>24. Rudden M, Sweeney J, Frances A. Diagnosis and Clinical Course of erotomanic and other Delusional Patients. American Journal of Psychiatry. 1989;147:1261-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S0871-3413201200050000100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>25. Gillet T, Eminson SR, Hassanyeh F. Primary and secondary erotomania: clinical characteristics and follow-up. Acta Psychiatric Scandinavic. 1990;82:65-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S0871-3413201200050000100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>26. Arrojo M, et al. Response to Electroconvulsive Therapy in a case of Erotomania. Acta Esp Psiquiatrica. 2003;31(6):361-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S0871-3413201200050000100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>27. Drevets WC, Rubin EH. Erotomania and senile dementia of Alzheimer type. Br J Psychiatry. 1987;151:400-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S0871-3413201200050000100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>28. Raskin DE, Sullivan KE. Erotomania. American Journal of Psychiatry. 1974;131:1033-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S0871-3413201200050000100028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>29. Berry J, Haden P. Psychose passionnelle in successive generations. Br J Psychiatry. 1980;137:574-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S0871-3413201200050000100029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>30. Brune M. De Cl&eacute;rambault syndrome (erotomania) in an evolutionary perspective. Evolution and Human Behaviour. 2001;22:409-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S0871-3413201200050000100030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>31. Fujii DEM, Ahmed I, Takeshita J. Neuropsychologic implications in erotomania: Two case studies. Neuropsychiatry, neuropsychology and behavioral neurology. 1999;12(2):110-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S0871-3413201200050000100031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>32. Koic E, Dordevic V, Filakovic P. Erotomania treated with risperidone. Acta Clinic Croat. 2007;46(3):251-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S0871-3413201200050000100032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="c0"></a><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para Correspond&ecirc;ncia</a>     <p>Joana Calejo Jorge</p>     <p>Departamento de Psiquiatria da Inf&acirc;ncia e Adolesc&ecirc;ncia – Centro Hospitalar do Porto</p>     <p>Rua Prof. &Aacute;lvaro Rodrigues, 4149-003 Porto</p>     <p>E-mail: <a href="mailto:joanajgmail.com">joanajgmail.com</a></p>      ]]></body><back>
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