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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Síndrome de Gilles de La Tourette: Clínica, diagnóstico e abordagem terapêutica]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Medicina Departamento de Neurociências Clínicas e Saúde Mental]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Gilles de La Tourette syndrome (GTS) is a common condition, with symptoms typically emerging during childhood. This disorder encompasses a variable combination of motor and vocal tics, obsessive thoughts and compulsions, attention deficit hyperactivity disorder, and other important comorbidities, such as anxiety and depression. It is a benign but often disabling and stigmatizing condition. Patients are frequently misunderstood, and the disease misdiagnosed and undertreated. Accurate diagnosis remains founded on a skillful clinical observation and therapy is fundamental for quality of life improvements of both patients and their families. This manuscript presents an updated and practical clinical review, approaching symptoms, how to accurately explore them and diagnose the condition, as well as the several available therapeutic approaches. Deep brain stimulation is a last resort to keep in mind, which will also be focused in the text.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Síndrome de Tourette]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>S&iacute;ndrome de Gilles de La Tourette: Cl&iacute;nica, diagn&oacute;stico e abordagem terap&ecirc;utica</b></p>     <p><b>Gilles de La Tourett e Syndrome: Clinical Features, Diagnosis, and Therapeutic Approach</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ana Oliveira<sup>1,2</sup>, Jo&atilde;o Massano<sup>1,2</sup></b></p>     <p><sup>1</sup> Unidade de Doen&ccedil;as do Movimento e Cirurgia Funcional, e Servi&ccedil;o de Neurologia, Centro Hospitalar de S&atilde;o Jo&atilde;o, Porto</p>     <p><sup>2</sup> Departamento de Neuroci&ecirc;ncias Cl&iacute;nicas e Sa&uacute;de Mental, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto</p>     <p>&nbsp;</p> <a href="#c0">Endere&ccedil;o para Correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>A s&iacute;ndrome de Gilles de La Tourette (SGT) &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o frequente, com in&iacute;cio dos sintomas tipicamente na inf&acirc;ncia. Nesta doen&ccedil;a existe uma combina&ccedil;&atilde;o vari&aacute;vel de tiques motores e vocais, pensamentos obsessivos e compuls&otilde;es, perturba&ccedil;&atilde;o de hiperactividade com d&eacute;fice de aten&ccedil;&atilde;o e outras comorbilidades, como depress&atilde;o e ansiedade. &Eacute; uma doen&ccedil;a benigna mas frequentemente incapacitante e estigmatizante, sendo os doentes muitas vezes mal compreendidos e a doen&ccedil;a mal diagnosticada ou incorrectamente tratada. O processo de diagn&oacute;stico mant&eacute;m-se assente numa cuidadosa observa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e o tratamento &eacute; indispens&aacute;vel para a melhoria da qualidade de vida dos doentes e suas fam&iacute;lias. Este artigo apresenta uma revis&atilde;o cl&iacute;nica actualizada e pragm&aacute;tica sobre a SGT, nomeadamente os sintomas, a forma correcta de os explorar e de diagnosticar a doen&ccedil;a, bem como as variadas abordagens terap&ecirc;uticas a considerar. A estimula&ccedil;&atilde;o cerebral profunda &eacute; uma terap&ecirc;utica de fim de linha a ter conta, que ser&aacute; tamb&eacute;m abordada no texto.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-Chave</b>: S&iacute;ndrome de Tourette, tiques, perturba&ccedil;&atilde;o obsessiva-compulsiva, perturba&ccedil;&atilde;o de hiperactividade com d&eacute;fice de aten&ccedil;&atilde;o, anti-psic&oacute;ticos, estimula&ccedil;&atilde;o cerebral profunda</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Gilles de La Tourette syndrome (GTS) is a common condition, with symptoms typically emerging during childhood. This disorder encompasses a variable combination of motor and vocal tics, obsessive thoughts and compulsions, attention deficit hyperactivity disorder, and other important comorbidities, such as anxiety and depression. It is a benign but often disabling and stigmatizing condition. Patients are frequently misunderstood, and the disease misdiagnosed and undertreated. Accurate diagnosis remains founded on a skillful clinical observation and therapy is fundamental for quality of life improvements of both patients and their families. This manuscript presents an updated and practical clinical review, approaching symptoms, how to accurately explore them and diagnose the condition, as well as the several available therapeutic approaches. Deep brain stimulation is a last resort to keep in mind, which will also be focused in the text.</p>     <p><b>Keywords</b>: Tourette syndrome, tics, obsessive-compulsive disorder, attention-deficit hyperactivity disorder, antipsychotics, deep brain stimulation</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>A S&iacute;ndrome de Gilles de La Tourette (SGT) &eacute; uma doen&ccedil;a multifactorial do neurodesenvolvimento, com in&iacute;cio na inf&acirc;ncia, que foi descrita no s&eacute;culo XIX, em Fran&ccedil;a, por Georges Albert &Eacute;douard Brutus Gilles de la Tourette (1). Trata-se de uma doen&ccedil;a neurol&oacute;gica n&atilde;o degenerativa, mas potencialmente incapacitante, capaz de gerar grave disfun&ccedil;&atilde;o psicossocial e f&iacute;sica, nomeadamente devido aos tiques, estando frequentemente associada a uma diversidade de comorbilidades, cujas consequ&ecirc;ncias se adicionam e frequentemente sobrep&otilde;em &agrave;s dos tiques (2).</p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o tem conduzido a algum progresso no entendimento de muitos aspectos da SGT, no entanto est&atilde;o ainda por esclarecer muitos dos mecanismos fisiopatol&oacute;gicos que lhe est&atilde;o subjacentes. Por exemplo, com excep&ccedil;&atilde;o de casos raros, a base gen&eacute;tica permanece indefinida (3). As altera&ccedil;&otilde;es anat&oacute;micas e neuronais subjacentes n&atilde;o est&atilde;o devidamente esclarecidas, embora as evid&ecirc;ncias dispon&iacute;veis sugiram a exist&ecirc;ncia de altera&ccedil;&otilde;es na fun&ccedil;&atilde;o dos circuitos fronto-subcorticais que envolvem os g&acirc;nglios da base (1).</p>     <p>Este artigo fornece uma vis&atilde;o geral actualizada da epidemiologia da SGT, descreve a sua apresenta&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, crit&eacute;rios de diagn&oacute;stico e estrat&eacute;gias de tratamento. Trata-se de um texto de &acirc;mbito cl&iacute;nico que pretende munir o leitor de dados pragm&aacute;ticos, facilitando a compreens&atilde;o desta doen&ccedil;a e as suas implica&ccedil;&otilde;es, bem como o processo de diagn&oacute;stico e as estrat&eacute;gias terap&ecirc;uticas mais adequadas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>EPIDEMIOLOGIA</b></p>     <p>A SGT ocorre em todo o mundo, em todas as ra&ccedil;as e etnias, em ambos os sexos e tanto em crian&ccedil;as como em adultos (1). Parece ser 50% menos prevalente em Afro-Americanos e em popula&ccedil;&otilde;es Africanas sub-saarianas, em compara&ccedil;&atilde;o com caucasianos (1). A preval&ecirc;ncia nos indiv&iacute;duos do sexo masculino &eacute; tr&ecirc;s a quatro vezes maior do que no sexo feminino (4); no entanto, a preval&ecirc;ncia estimada de tiques e SGT nas crian&ccedil;as tem uma variabilidade consider&aacute;vel e n&atilde;o se encontra bem estabelecida nos adultos. Foram reportadas estimativas da sua preval&ecirc;ncia em crian&ccedil;as com taxas at&eacute; 1%, variando geralmente entre 0,3-0,8% (4,5,6). Apesar desta elevada preval&ecirc;ncia, na pr&aacute;tica verifica-se uma baixa aflu&ecirc;ncia de doentes aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, provavelmente porque em muitos casos h&aacute; sintomas pouco incapacitantes, que n&atilde;o despertam no doente a necessidade de procurar ajuda m&eacute;dica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ETIOLOGIA, FISIOPATOLOGIA</b></p>     <p>A grande variabilidade nos fen&oacute;tipos da SGT e de outras perturba&ccedil;&otilde;es associadas a tiques sugere uma etiologia multifactorial prov&aacute;vel, bem como um amplo espectro de gravidade. In&uacute;meros factores ambientais e relacionados com o estilo de vida, tais como o tabagismo, stress, infec&ccedil;&otilde;es e disfun&ccedil;&atilde;o auto-imune, que poder&atilde;o surgir no per&iacute;odo pr&eacute;, peri ou p&oacute;s-natal, t&ecirc;m sido implicados no desenvolvimento da SGT; no entanto, o papel exacto desses factores permanece controverso e requer uma investiga&ccedil;&atilde;o mais aprofundada (1).</p>     <p>Existe uma forte evid&ecirc;ncia do papel da gen&eacute;tica no desenvolvimento da SGT, mas as altera&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas exactas permanecem desconhecidas na maioria dos casos (2)  . Estudos de fam&iacute;lias com SGT demonstraram que a incid&ecirc;ncia de tiques ou SGT &eacute; 10 a 100 vezes maior em familiares em primeiro grau de doentes com SGT, em compara&ccedil;&atilde;o com uma popula&ccedil;&atilde;o controlo (1, 7). A transmiss&atilde;o proveniente de ambos os progenitores parece existir em 25% dos casos (8). Uma eventual etiologia auto-imune p&oacute;s-infec&ccedil;&atilde;o estreptoc&oacute;cica permanece controversa (2).</p>     <p>As altera&ccedil;&otilde;es anat&oacute;micas e neuroqu&iacute;micas que fundamentam as manifesta&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas da SGT n&atilde;o s&atilde;o claras. No entanto, v&aacute;rios estudos t&ecirc;m sugerido que altera&ccedil;&otilde;es funcionais e estruturais nos circuitos em que os n&uacute;cleos da base est&atilde;o envolvidos, e em outros sistemas neuronais, desempenham um papel na complexa sintomatologia da doen&ccedil;a (9). Estudos com diferentes t&eacute;cnicas de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica (RM) e investiga&ccedil;&otilde;es electrofisiol&oacute;gicas que exploraram a inibi&ccedil;&atilde;o neuronal identificaram altera&ccedil;&otilde;es em &aacute;reas cerebrais a n&iacute;vel dos circuitos c&oacute;rtico-estriado-t&aacute;lamo-corticais, que geram uma desinibi&ccedil;&atilde;o dos sistemas motores e l&iacute;mbicos, desconhecendo-se, no entanto, ainda a altera&ccedil;&atilde;o subjacente com exactid&atilde;o (2,7). Em estudos que recorreram a PET foi demonstrada uma significativa liberta&ccedil;&atilde;o de dopamina em adultos com SGT ap&oacute;s uma prova terap&ecirc;utica com anfetamina, a n&iacute;vel do putamen, sugerindo uma disfun&ccedil;&atilde;o f&aacute;sica na transmiss&atilde;o de dopamina nestes doentes (10).</p>     <p>Estudos neuropatol&oacute;gicos em doentes com SGT demonstraram uma redu&ccedil;&atilde;o de at&eacute; 60% de interneur&oacute;nios GABA&eacute;rgicos e colin&eacute;rgicos no n&uacute;cleo caudado e no putamen, assim como uma diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de neur&oacute;nios GABA&eacute;rgicos no globo p&aacute;lido externo (GPe) e incremento significativo no globo p&aacute;lido interno (GPi), colocando a possibilidade de defeitos da migra&ccedil;&atilde;o neuronal durante o desenvolvimento do sistema nervoso central que levariam a altera&ccedil;&otilde;es na fun&ccedil;&atilde;o neuronal e dos circuitos dos g&acirc;nglios da base (1).</p>     <p>Embora a evid&ecirc;ncia tenda a destacar as altera&ccedil;&otilde;es em sistemas dopamin&eacute;rgicos, outros desequil&iacute;brios de neurotransmiss&atilde;o ou metab&oacute;licos parecem prov&aacute;veis nos doentes com SGT, tais como nos sistemas serotonin&eacute;rgico, noradren&eacute;rgico, glutamat&eacute;rgico, GABA&eacute;rgico, colin&eacute;rgico e opi&oacute;ide. Al&eacute;m disso, existe uma evid&ecirc;ncia crescente da interac&ccedil;&atilde;o entre estes sistemas, particularmente entre o dopamin&eacute;rgico e serotonin&eacute;rgico (11).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>SINTOMATOLOGIA CL&Iacute;NICA</b></p>     <p>A SGT pode apresentar-se apenas como uma doen&ccedil;a do movimento ou como uma associa&ccedil;&atilde;o complexa de disfun&ccedil;&atilde;o motora e neurocomportamental (1). A cl&iacute;nica caracteriza-se por um conjunto variado de sintomas, entre os quais se destacam os tiques – movimentos (tiques motores) ou sons (tiques f&oacute;nicos ou vocais) breves, estereotipados, n&atilde;o r&iacute;tmicos, que surgem de forma abrupta e recorrente, geralmente precedidos por uma sensa&ccedil;&atilde;o premonit&oacute;ria (sensa&ccedil;&atilde;o de ansiedade ou mal-estar crescente) que alivia ap&oacute;s a sua execu&ccedil;&atilde;o (1, 12). Quase 90% dos adolescentes com SGT reportam a ocorr&ecirc;ncia de sensa&ccedil;&atilde;o premonit&oacute;ria, mas muitas crian&ccedil;as n&atilde;o se apercebem da sua exist&ecirc;ncia (12). Os tiques foram em tempos considerados movimentos involunt&aacute;rios, mas podem ser voluntariamente suprimidos, da&iacute; a tend&ecirc;ncia actual &agrave; designa&ccedil;&atilde;o de movimentos semi-volunt&aacute;rios, ou “<i>unvoluntary</i>” na terminologia angl&oacute;fona (13,14). O doente consegue impedir a execu&ccedil;&atilde;o dos tiques durante algum tempo, mas depois pode haver uma exacerba&ccedil;&atilde;o transit&oacute;ria dos mesmos (“<i>rebound</i>” ou “tempestade de tiques”) (14). Os tiques podem ser classificados como simples (envolvimento de um grupo muscular que gera um movimento discreto ou um som n&atilde;o articulado) ou complexos (envolvimento de v&aacute;rios grupos musculares que geram movimentos ou verbaliza&ccedil;&otilde;es coordenadas). Os tiques simples podem ocorrer de forma r&aacute;pida (tiques cl&oacute;nicos: pestanejar, abalos da cabe&ccedil;a, pesco&ccedil;o ou membros) ou lentamente (tiques dist&oacute;nicos e/ou t&oacute;nicos: blefarospasmo, rota&ccedil;&atilde;o cef&aacute;lica, postura an&oacute;mala sustentada do ombro ou tronco). Os tiques complexos incluem marcha bizarra, pontapear, saltar, rota&ccedil;&atilde;o corporal, arranhar, copropraxia (produ&ccedil;&atilde;o de gestos obscenos), ecopraxia (imita&ccedil;&atilde;o de gestos) (1). As vocaliza&ccedil;&otilde;es variam desde simples ru&iacute;dos at&eacute; coprol&aacute;lia (palavras obscenas), ecol&aacute;lia (repeti&ccedil;&atilde;o de palavras), e palil&aacute;lia (repeti&ccedil;&atilde;o de uma frase ou palavra com velocidade crescente). Muitos doentes tamb&eacute;m experienciam pensamentos e ideias bizarras, fixa&ccedil;&atilde;o de pensamento, rumina&ccedil;&otilde;es mentais, e fantasias sexuais perversas (3).</p>     <p>A gravidade, frequ&ecirc;ncia e n&uacute;mero de tiques pode flutuar durante a evolu&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica da SGT. Os tiques tendem a ocorrer em surtos e variam em gravidade, em ciclos que podem ir de semanas a meses. Podem ocorrer durante o sono, embora com uma gravidade menor em rela&ccedil;&atilde;o ao per&iacute;odo de vig&iacute;lia. S&atilde;o conhecidos factores de agravamento de tiques, tais como ansiedade e fadiga, e factores de al&iacute;vio como tarefas que requerem concentra&ccedil;&atilde;o e habilidade motora, incluindo apresenta&ccedil;&otilde;es musicais e desportivas e/ou realiza&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, que podem reduzir ou at&eacute; mesmo suspender temporariamente os tiques (1).</p>     <p>Os tiques costumam surgir na inf&acirc;ncia entre os 4 e os 6 anos de idade e tendem a agravar gradualmente, com pico frequentemente em torno dos 10-12 anos (1). Os tiques motores geralmente precedem o desenvolvimento de tiques vocais, e o aparecimento de tiques simples antecede geralmente o de tiques complexos (1,7). Os tiques tendem a diminuir a sua gravidade gradualmente durante a adolesc&ecirc;ncia e, pelos 18 anos, at&eacute; 85% (15) dos doentes experienciam uma marcada redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de tiques ou estes desaparecem (1,7). No entanto, h&aacute; uma pequena propor&ccedil;&atilde;o de doentes (estimada em cerca de 20%) que mant&eacute;m a longo prazo a mesma intensidade de tiques e, dentro deste grupo, alguns doentes podem ter um agravamento na idade adulta e desenvolver formas mais graves e debilitantes da doen&ccedil;a (7). Os tiques que surgem durante a vida adulta s&atilde;o frequentemente atribu&iacute;dos quer a re-emerg&ecirc;ncia de tiques da inf&acirc;ncia, quer a outros factores, como iatrogenia, trauma, acidente vascular cerebral, ou infec&ccedil;&atilde;o cerebral (16). No entanto, a causa mais comum de tiques de in&iacute;cio no adulto &eacute; a SGT, que pode remitir ap&oacute;s a puberdade e expressar-se novamente por tiques v&aacute;rios anos mais tarde (16). Muitas caracter&iacute;sticas dos tiques, incluindo a sua natureza flutuante (<i>waxing and waning</i>), a sensa&ccedil;&atilde;o irresist&iacute;vel premonit&oacute;ria de tique com al&iacute;vio ap&oacute;s a sua execu&ccedil;&atilde;o (12), e a capacidade de supress&atilde;o tempor&aacute;ria volunt&aacute;ria, podem levar ao diagn&oacute;stico err&oacute;neo de patologia de origem psicog&eacute;nica.</p>     <p>Em todo o caso, as altera&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas s&atilde;o frequentes na SGT. Estudos de preval&ecirc;ncia em v&aacute;rias popula&ccedil;&otilde;es demonstraram que cerca de 50-90% dos doentes desenvolvem graus vari&aacute;veis de pelo menos uma perturba&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica ou comportamental. As altera&ccedil;&otilde;es mais frequentes s&atilde;o a Perturba&ccedil;&atilde;o de Hiperactividade com D&eacute;fice de Aten&ccedil;&atilde;o (PHDA) e sintomas obsessivos e/ou compulsivos (com ou sem crit&eacute;rios para Perturba&ccedil;&atilde;o Obsessiva-Compulsiva). Outras altera&ccedil;&otilde;es que podem ocorrer s&atilde;o: ansiedade, depress&atilde;o, ins&oacute;nia, perturba&ccedil;&otilde;es de personalidade, redu&ccedil;&atilde;o da capacidade de controlo de impulsos, comportamentos de auto-agress&atilde;o, dificuldades de aprendizagem, redu&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o executiva, e outras altera&ccedil;&otilde;es do comportamento (1). A instala&ccedil;&atilde;o de altera&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas pode preceder o desenvolvimento de tiques, ocorrer simultaneamente, ou ap&oacute;s o aparecimento destes. Estas comorbilidades podem apresentar uma evolu&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica semelhante &agrave; dos tiques (1).</p>     <p>A PHDA surge na maioria dos casos antes dos tiques e apenas em cerca de um ter&ccedil;o das crian&ccedil;as surge posteriormente. Os sintomas de PHDA tendem a diminuir em 20% dos casos durante a adolesc&ecirc;ncia, mas mais tardiamente que os tiques (7). A persist&ecirc;ncia da PHDA e de sintomas obsessivos-compulsivos na idade adulta correlaciona-se com pior funcionamento psicossocial (7). Algumas caracter&iacute;sticas, como a perturba&ccedil;&atilde;o do humor e comportamento auto-agressivo, podem persistir ou agravar durante a idade adulta, independentemente da gravidade dos tiques (17).</p>     <p>Tirando os tiques, &eacute; de esperar que o restante exame neurol&oacute;gico seja normal, sendo muitas vezes necess&aacute;ria a observa&ccedil;&atilde;o especializada a fim de distinguir claramente tiques de distonia, coreia ou mioclonias – nem sempre a semiologia &eacute; f&aacute;cil de perceber e classificar. Por outro lado &eacute; indispens&aacute;vel dar aten&ccedil;&atilde;o a eventuais altera&ccedil;&otilde;es extra-neurol&oacute;gicas que podem apontar para outras causas (e.g. gota, hepatomegalia).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>DIAGN&Oacute;STICO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Encontram-se publicados v&aacute;rios esquemas de classifica&ccedil;&atilde;o e crit&eacute;rios de diagn&oacute;stico para SGT, incluindo os do <i>Manual de Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stica das Perturba&ccedil;&otilde;es Mentais, 4&ordf; edi&ccedil;&atilde;o texto revisto </i>(DSM-IV-TR) (18) e do <i>Tourette Syndrome Classification Group</i> (TSCG) (19).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"> <img src="/img/revistas/am/v26n5/26n5a03t1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INVESTIGA&Ccedil;&Atilde;O ADICIONAL</b></p>     <p>Raramente &eacute; necess&aacute;rio recorrer a uma extensa investiga&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de exames complementares de diagn&oacute;stico, excepto em situa&ccedil;&otilde;es de apresenta&ccedil;&atilde;o at&iacute;pica, havendo outras altera&ccedil;&otilde;es do movimento para al&eacute;m dos tiques e/ou havendo suspeita de causas secund&aacute;rias de tiques (7). Em todo o caso &eacute; sensato requerer estudo do cobre e ceruloplasmina no sentido de rastrear a doen&ccedil;a de Wilson (doen&ccedil;a de mau progn&oacute;stico se n&atilde;o tratada), e estudo formal das comorbilidades psiqui&aacute;tricas. Poder&aacute; eventualmente ser considerado, de acordo com a suspeita cl&iacute;nica: resson&acirc;ncia magn&eacute;tica cerebral, electroencefalograma, ecografia abdominal, &aacute;cido &uacute;rico s&eacute;rico (s&iacute;ndrome de Lesch-Nyhan), pesquisa de acant&oacute;citos em esfrega&ccedil;o de sangue perif&eacute;rico (coreia-acantocitose), testes gen&eacute;ticos seleccionados (doen&ccedil;a de Huntington, s&iacute;ndrome de Rett) (7,14). No entanto, estas s&atilde;o ocorr&ecirc;ncias raras. Como exemplo, na nossa experi&ecirc;ncia de cerca de 2 dezenas de casos de s&iacute;ndrome de Tourette, todos eles com sintomas significativos e incapacitantes, sentimos necessidade apenas de solicitar RM cerebral em dois doentes, e nunca foram requeridos estudos gen&eacute;ticos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>TRATAMENTO</b></p>     <p>As decis&otilde;es acerca do tratamento da SGT devem basear-se num processo de diagn&oacute;stico amplo e minucioso. Existe uma elevada variabilidade inter-individual dos sintomas, bem como flutua&ccedil;&otilde;es na gravidade dos tiques e comorbilidades, que dificultam a elabora&ccedil;&atilde;o de orienta&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas consensuais. Al&eacute;m disso, a incapacidade gerada n&atilde;o se correlaciona necessariamente com a gravidade dos tiques: alguns doentes com tiques graves experienciam um comprometimento ligeiro, enquanto noutros casos os tiques ligeiros podem associar-se a um sofrimento significativo (11).</p>     <p>O tratamento deve iniciar-se com a educa&ccedil;&atilde;o do doente, da fam&iacute;lia e de outras pessoas importantes no processo terap&ecirc;utico acerca das caracter&iacute;sticas dos tiques, da influ&ecirc;ncia das comorbilidades na evolu&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica da doen&ccedil;a, das op&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas e objectivos a alcan&ccedil;ar. Geralmente pretende-se diminuir a frequ&ecirc;ncia e gravidade dos tiques, sobretudo os mais incomodativos, e n&atilde;o suprimi-los completamente (20). Esta abordagem pode ajudar os doentes e fam&iacute;lias a compreenderem a situa&ccedil;&atilde;o e a definirem expectativas adequadas, o que facilitar&aacute; o surgimento de estrat&eacute;gias para lidar com a doen&ccedil;a e a optimizar todo o plano terap&ecirc;utico (1).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>At&eacute; &agrave; data, n&atilde;o existe cura para a SGT, o tratamento &eacute; estritamente sintom&aacute;tico e muitas vezes desnecess&aacute;rio nas formas leves da doen&ccedil;a. Para as formas que provoquem repercuss&atilde;o significativa na vida do doente (ver abaixo) &eacute; poss&iacute;vel planificar terap&ecirc;uticas educacionais e comportamentais, interven&ccedil;&otilde;es farmacol&oacute;gicas e, em casos raros e seleccionados, tratamento neurocir&uacute;rgico atrav&eacute;s de estimula&ccedil;&atilde;o cerebral profunda (ECP), que se encontra em fase de investiga&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento, com resultados promissores, mas os dados actualmente dispon&iacute;veis s&atilde;o de interpreta&ccedil;&atilde;o complexa (1, 2). De notar que a intrincada apresenta&ccedil;&atilde;o de disfun&ccedil;&atilde;o motora, psiqui&aacute;trica e psicossocial aconselha uma abordagem multidisciplinar abrangente (1, 20).</p>     <p>O tratamento dos tiques pode ser considerado nas seguintes circunst&acirc;ncias (11,20):</p> <ul>     <li>Os tiques causam desconforto (dor ou les&atilde;o, frequentemente m&uacute;sculo-esquel&eacute;tica, e.g. fractura &oacute;ssea, feridas cut&acirc;neas)</li>     <li>Os tiques causam problemas sociais e/ou emocionais (isolamento ou estigmatiza&ccedil;&atilde;o social, <i>bullying</i>, ansiedade ou sintomas depressivos reactivos)</li>     <li>Os tiques causam interfer&ecirc;ncia funcional (limita&ccedil;&atilde;o na performance acad&eacute;mica por falta de concentra&ccedil;&atilde;o, ou dificuldade na escrita ou leitura)</li>     <li>Os tiques causam interfer&ecirc;ncia/perturba&ccedil;&atilde;o na sala de aula (geralmente por tiques vocais ou motores violentos)</li>     <li>Persist&ecirc;ncia da limita&ccedil;&atilde;o causada pelos tiques</li>     </ul>     <p><b>Tratamento farmacol&oacute;gico dos tiques</b></p>     <p>Uma vez tomada a decis&atilde;o de utiliza&ccedil;&atilde;o de f&aacute;rmacos para a supress&atilde;o dos tiques, podemos definir 2 n&iacute;veis de tratamento: o primeiro com f&aacute;rmacos n&atilde;o neurol&eacute;pticos (antipsic&oacute;ticos), menos agressivo mas com efic&aacute;cia provavelmente menor, usado em casos mais ligeiros; o segundo n&iacute;vel recorre a f&aacute;rmacos antipsic&oacute;ticos, provavelmente mais eficazes, mas &agrave; custa de efeitos adversos potencialmente mais graves. Recomenda-se, em primeiro lugar, o recurso aos f&aacute;rmacos de n&iacute;vel 1, e s&oacute; depois aos de n&iacute;vel 2. No entanto, o tratamento deve ser sempre seleccionado em fun&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica (20).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Podemos considerar ainda num “terceiro n&iacute;vel” f&aacute;rmacos menos usuais, como a tetrabenazina e a toxina botul&iacute;nica. No entanto, alguns autores defendem a utiliza&ccedil;&atilde;o de tetrabenazina como primeira alternativa aos antipsic&oacute;ticos (3), uma vez que esta n&atilde;o provoca os efeitos adversos tardios t&iacute;picos dessa classe de f&aacute;rmacos. A toxina botul&iacute;nica pode ser utilizada em tiques motores e vocais refract&aacute;rios, geralmente apenas em casos excepcionais. Tem um papel importante na redu&ccedil;&atilde;o dos sintomas premonit&oacute;rios. Deve ser considerada para o tratamento de um tique espec&iacute;fico, bem reconhecido, que causa disfun&ccedil;&atilde;o significativa, e n&atilde;o responde ao tratamento farmacol&oacute;gico mais usual (20).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t2"> <img src="/img/revistas/am/v26n5/26n5a03t2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O objectivo do tratamento n&atilde;o &eacute; suprimir completamente os tiques, mas minimizar os problemas psicol&oacute;gicos ou f&iacute;sicos que indicaram o in&iacute;cio da terap&ecirc;utica (20). Sempre que poss&iacute;vel deve recorrer-se &agrave; monoterapia e introduzir sempre cada f&aacute;rmaco em doses baixas, que ser&atilde;o gradualmente incrementadas, geralmente a cada 5-7 dias, tendo em conta efeitos ben&eacute;ficos e adversos. Ap&oacute;s v&aacute;rios meses de tratamento com sucesso (i.e. redu&ccedil;&atilde;o significativa de sintomas) poder&aacute; ser ponderada uma diminui&ccedil;&atilde;o gradual e lenta da dose, em geral numa fase em que h&aacute; menor ansiedade (e.g. f&eacute;rias de Ver&atilde;o no caso dos estudantes) (20).</p>     <p>Os f&aacute;rmacos dispon&iacute;veis em Portugal est&atilde;o listados em seguida (<a href="#t3">Tabela 3</a>), sendo os n&iacute;veis de evid&ecirc;ncia classificados em A (boa evid&ecirc;ncia de efic&aacute;cia e seguran&ccedil;a a curto prazo, proveniente de pelo menos 2 ensaios controlados e aleatorizados com resultados positivos), B (evid&ecirc;ncia razo&aacute;vel a partir de um ensaio controlado) e C (evid&ecirc;ncia m&iacute;nima proveniente de ensaios abertos ou experi&ecirc;ncia cl&iacute;nica acumulada). Todos estes f&aacute;rmacos s&atilde;o administrados por via oral, com excep&ccedil;&atilde;o da toxina botul&iacute;nica, que &eacute; administrada por via intramuscular.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t3"> <img src="/img/revistas/am/v26n5/26n5a03t3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Tratamento farmacol&oacute;gico:  PHDA, obsess&otilde;es e compuls&otilde;es, ansiedade e depress&atilde;o</b></p>     <p>Existem v&aacute;rias op&ccedil;&otilde;es farmacol&oacute;gicas dispon&iacute;veis para o tratamento destas altera&ccedil;&otilde;es. A PHDA tem sido tratada com f&aacute;rmacos denominados de “estimulantes”, que aumentam a neurotransmiss&atilde;o dopamin&eacute;rgica e noradren&eacute;rgica em circuitos frontais, aumentando desta forma os n&iacute;veis de aten&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o. Incluem-se neste grupo o metilfenidato e a atomoxetina. A clonidina &eacute; tamb&eacute;m uma op&ccedil;&atilde;o a considerar, uma vez que pode trazer um duplo benef&iacute;cio cl&iacute;nico sobre a PHDA e os tiques (1,13,20). Os resultados cl&iacute;nicos com este tipo de medicamentos t&ecirc;m sugerido que n&atilde;o h&aacute; um risco de aumento dos tiques (13,20), aconselhando-se uma subida gradual e lenta da dose, com monitoriza&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica apertada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As obsess&otilde;es e as compuls&otilde;es podem ser tratadas com inibidores selectivos da recapta&ccedil;&atilde;o da serotonina (SSRIs) como fluvoxamina, sertralina ou escitalopram, ou o antidepressivo tric&iacute;clico clomipramina (20). O perfil de tolerabilidade e seguran&ccedil;a &eacute; francamente favor&aacute;vel no primeiro grupo, pelo que dever&aacute; recair num destes f&aacute;rmacos a escolha inicial. Estes medicamentos s&atilde;o tamb&eacute;m utilizados no tratamento da depress&atilde;o. A ansiedade pode ser tratada a curto prazo com uma benzodiazepina (e.g. clonazepam), mas os SSRIs t&ecirc;m um perfil de tolerabilidade mais favor&aacute;vel a longo prazo.</p>     <p><b>Interven&ccedil;&otilde;es psicoeducacionais e psicoterap&ecirc;uticas</b></p>     <p>O primeiro passo na abordagem terap&ecirc;utica da SGT &eacute; fundamental e consiste na explica&ccedil;&atilde;o rigorosa e clara sobre o diagn&oacute;stico, a natureza da doen&ccedil;a e os sintomas, bem como o que se pode esperar acerca da evolu&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica, n&atilde;o esquecendo a prov&aacute;vel varia&ccedil;&atilde;o da gravidade dos tiques ao longo do tempo, a possibilidade de melhoria significativa e at&eacute; remiss&atilde;o dos sintomas com o passar do tempo (1,21). Devem ser envolvidos neste processo psicoeducacional, para al&eacute;m do pr&oacute;prio doente, a sua fam&iacute;lia e outras entidades significativas, como os professores, amas, etc. &Eacute; importante explicar que n&atilde;o h&aacute; cura dispon&iacute;vel para a doen&ccedil;a, mas que os tratamentos podem trazer melhorias sintom&aacute;ticas importantes, apesar de nem sempre ser necess&aacute;rio encetar interven&ccedil;&otilde;es farmacol&oacute;gicas, como explicitado anteriormente. As interven&ccedil;&otilde;es psicoeducacionais permitem ao doente afastar a incerteza do diagn&oacute;stico, diminuir a ansiedade, gerar conforto psicol&oacute;gico e criar estrat&eacute;gias que visam lidar com a situa&ccedil;&atilde;o de uma forma mais adaptativa (21). A partilha de experi&ecirc;ncias inter-pares em grupo de apoio ou associa&ccedil;&otilde;es de doentes pode ser tamb&eacute;m um aspecto terap&ecirc;utico importante.</p>     <p>Existem alguns dados que suportam a efic&aacute;cia de algumas interven&ccedil;&otilde;es psicoterap&ecirc;uticas, das quais a mais estudada &eacute; a chamada “revers&atilde;o de h&aacute;bitos”, que consiste num conjunto de t&eacute;cnicas que ajuda a que o doente se aperceba dos tiques e possa criar estrat&eacute;gias comportamentais que visam competir com a sua execu&ccedil;&atilde;o, impedindo-a desta forma. Existem v&aacute;rios ensaios controlados e estudos n&atilde;o controlados que sugerem efic&aacute;cia significativa desta terap&ecirc;utica na redu&ccedil;&atilde;o de tiques, efeito que poder&aacute; perdurar at&eacute; 10 meses ap&oacute;s a suspens&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o (21). No entanto, n&atilde;o foi ainda determinado quais as melhores t&eacute;cnicas espec&iacute;ficas a empregar na SGT. Outras t&eacute;cnicas psicoterap&ecirc;uticas t&ecirc;m sido utilizadas na SGT, nomeadamente a exposi&ccedil;&atilde;o com preven&ccedil;&atilde;o de resposta, relaxamento e <i>biofeedback</i>, mas as conclus&otilde;es relativamente &agrave; sua efic&aacute;cia s&atilde;o ainda mais dif&iacute;ceis de inferir.</p>     <p><b>Neurocirurgia funcional: estimula&ccedil;&atilde;o cerebral profunda</b></p>     <p>Foi publicado em 1999 o primeiro relato de ECP no tratamento de SGT refract&aacute;ria (22). Existem neste momento pouco mais de 60 casos reportados na literatura cient&iacute;fica mundial (23,24), dos quais 93,6% obtiveram melhoria moderada dos tiques ap&oacute;s ECP (24). S&atilde;o no entanto necess&aacute;rios estudos aleatorizados e controlados com n&uacute;mero significativo de doentes para melhor aferi&ccedil;&atilde;o da indica&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica, benef&iacute;cios, efeitos adversos associados e o alvo cerebral que traga resultados mais satisfat&oacute;rios. Tal como acontece noutras patologias, foram reportados eventos adversos significativos relacionados com a cirurgia (hemorragia, infec&ccedil;&atilde;o) e com a estimula&ccedil;&atilde;o (seda&ccedil;&atilde;o, ansiedade, altera&ccedil;&atilde;o do humor) (24). V&aacute;rias &aacute;reas cerebrais t&ecirc;m sido usadas como alvo de ECP, incluindo o globo p&aacute;lido interno (GPi) &acirc;ntero-medial, n&uacute;cleo subtal&acirc;mico, complexo centromediano-parafascicular do t&aacute;lamo, n&uacute;cleo <i>accumbens</i> e bra&ccedil;o anterior da c&aacute;psula interna.(1) Permanece a d&uacute;vida acerca do alvo que poder&aacute; trazer mais benef&iacute;cios cl&iacute;nicos, mas os resultados dispon&iacute;veis sugerem que o GPi parece ser actualmente o mais vantajoso e merece investiga&ccedil;&atilde;o adicional futura neste &acirc;mbito.</p>     <p>O grupo de trabalho da <i>European Society for the Study of Tourette Syndrome</i> (ESSTS) publicou recentemente um documento de consenso que afirma que, &agrave; luz do conhecimento actual, a ECP deve ser apenas utilizada no tratamento de doentes com doen&ccedil;a grave e incapacitante apesar do tratamento m&eacute;dico e psicoterap&ecirc;utico, recomendando-se a sua realiza&ccedil;&atilde;o apenas em adultos e em contexto de estudos controlados (24).</p>     <p><b>Outros</b></p>     <p>Apesar de existirem alguns relatos de melhoria dos tiques em doentes tratados com canabin&oacute;ides, acupunctura, hipnose, suplementos diet&eacute;ticos e/ou medicamentos homeop&aacute;ticos, n&atilde;o existem actualmente evid&ecirc;ncias suficientes para recomendar qualquer destas interven&ccedil;&otilde;es como forma de tratamento da SGT (1). Do mesmo modo, n&atilde;o existem evid&ecirc;ncias suficientes para recomendar o recurso a estimula&ccedil;&atilde;o magn&eacute;tica transcraniana repetitiva no tratamento da SGT.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     <p>A SGT &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o frequente, clinicamente complexa, que pode implicar significativa incapacidade familiar e social. Os doentes s&atilde;o muitas vezes mal compreendidos e a situa&ccedil;&atilde;o nem sempre &eacute; bem diagnosticada, o que adiciona ainda mais dificuldades &agrave; situa&ccedil;&atilde;o em si, dado que os sintomas surgem geralmente numa fase da vida particularmente vulner&aacute;vel dos doentes. O diagn&oacute;stico &eacute; feito com base numa observa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica detalhada, que pode implicar alguma especializa&ccedil;&atilde;o, dada a complexidade e variedade dos sintomas potenciais. N&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rias geralmente investiga&ccedil;&otilde;es especializadas, pelo que o processo de diagn&oacute;stico acarreta baixo custo se conduzido por pessoas com experi&ecirc;ncia. A abordagem terap&ecirc;utica &eacute; multifacetada e multidisciplinar e implica estrat&eacute;gias psicoeducacionais, psicoterap&ecirc;uticas e farmacol&oacute;gicas. Em casos raros seleccionados, de gravidade elevada, refract&aacute;rios a todas as outras interven&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas, a ECP &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o a considerar, devendo o doente ser avaliado e tratado em centros com experi&ecirc;ncia neste &acirc;mbito.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <!-- ref --><p>1. McNaught KS, Mink JW. Advances in understanding and treatment of Tourette syndrome. Nat Rev Neurol 2011;7:667-676.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S0871-3413201200050000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>2. Singer HS. Tourette syndrome and other tic disorders. Handb Clin Neurol 2011;100:641-657.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S0871-3413201200050000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Jankovic J, Kurlan R. Tourette syndrome: evolving concepts. Mov Disord 2011;26:1149-1156.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S0871-3413201200050000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>4. Kurlan R, McDermott MP, Deeley C, et al. Prevalence of tics in school children and association with placement in special education. Neurology 2001;57:1383-1388.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S0871-3413201200050000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Prevalence of diagnosed Tourette syndrome in persons aged 6-17 years - United States, 2007. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2009;58:581-585.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S0871-3413201200050000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Scahill L, Sukhodolsky DG, Williams SK, Leckman JF. Public health significance of tic disorders in children and adolescents. Adv Neurol 2005;96:240-248.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S0871-3413201200050000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Cath DC, Hedderly T, Ludolph AG, et al. European clinical guidelines for Tourette syndrome and other tic disorders. Part I: assessment. Eur Child Adolesc Psychiatry 2011;20:155-171.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S0871-3413201200050000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Hanna PA, Janjua FN, Contant CF, Jankovic J. Bilineal transmission in Tourette syndrome. Neurology 1999;53:813-818.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S0871-3413201200050000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>9. Leckman JF, Bloch MH, Smith ME, Larabi D, Hampson M. Neurobiological substrates of Tourette's disorder. J Child Adolesc Psychopharmacol 2010;20:237-247.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S0871-3413201200050000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Singer HS, Szymanski S, Giuliano J, et al. Elevated intrasynaptic dopamine release in Tourette's syndrome measured by PET. Am J Psychiatry 2002;159:1329-1336.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S0871-3413201200050000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>11. Roessner V, Plessen KJ, Rothenberger A, et al. European clinical guidelines for Tourette syndrome and other tic disorders. Part II: pharmacological treatment. Eur Child Adolesc Psychiatry 2011;20:173-196.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S0871-3413201200050000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Kwak C, Dat Vuong K, Jankovic J. Premonitory sensory phenomenon in Tourette's syndrome. Mov Disord 2003;18:1530-1533.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S0871-3413201200050000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13. Kurlan R. Clinical practice. Tourette's Syndrome. N Engl J Med 2010;363:2332-2338.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S0871-3413201200050000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>14. Edwards M, Quinn N, Bhatia K. Parkinson’s disease and other movement disorders. Oxford University Press, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S0871-3413201200050000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>15. Bloch MH, Peterson BS, Scahill L, et al. Adulthood outcome of tic and obsessive-compulsive symptom severity in children with Tourette syndrome. Arch Pediatr Adolesc Med 2006;160:65-69.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S0871-3413201200050000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>16. Jankovic J, Gelineau-Kattner R, Davidson A. Tourette's syndrome in adults. Mov Disord 2010;25:2171-2175.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S0871-3413201200050000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>17. Bloch MH, Leckman JF. Clinical course of Tourette syndrome. J Psychosom Res 2009;67:497-501.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S0871-3413201200050000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>18. Manual de diagn&oacute;stico e estat&iacute;stica das perturba&ccedil;&otilde;es mentais. DSM-IV-TR, 4&ordf; edi&ccedil;&atilde;o texto revisto. American Psychiatric Association. Climepsi Editores, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000121&pid=S0871-3413201200050000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>19. The Tourette Syndrome Classification Study Group. Definitions and classification of tic disorders. Arch Neurol. 1993;50:1013-1016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000123&pid=S0871-3413201200050000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>20. Singer HS. Treatment of tics and Tourette syndrome. Current Treatment Options in Neurology 2010;12:539–561.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S0871-3413201200050000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>21. Verdellen C, van de Griendt J, Hartmann A, Murphy T. European clinical guidelines for Tourette syndrome and other tic disorders. Part III: behavioural and psychosocial interventions. Eur Child Adolesc Psychiatry 2011;20:197-207.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S0871-3413201200050000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>22. Vandewalle V, van der Linden C, Groenewegen HJ, Caemaert J. Stereotactic treatment of Gilles de la Tourette syndrome by high frequency stimulation of thalamus. Lancet 1999;353:724.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S0871-3413201200050000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>23. Hariz MI, Robertson MM. Gilles de la Tourette syndrome and deep brain stimulation. Eur J Neurosci 2010;32:1128-1134.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S0871-3413201200050000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>24. Muller-Vahl KR, Cath DC, Cavanna AE, et al. European clinical guidelines for Tourette syndrome and other tic disorders. Part IV: deep brain stimulation. Eur Child Adolesc Psychiatry 2011;20:209-217.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S0871-3413201200050000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>25. Jimenez-Jimenez FJ, Garcia-Ruiz PJ. Pharmacological options for the treatment of Tourette's disorder. Drugs 2001;61:2207-2220.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S0871-3413201200050000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="c0"></a><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para Correspond&ecirc;ncia</a>     <p>Jo&atilde;o Massano</p>     <p>Endere&ccedil;o: Servi&ccedil;o de Neurologia, Centro Hospitalar de S&atilde;o Jo&atilde;o, Alameda Prof. Hern&acirc;ni Monteiro, 4200-319 Porto, Portugal</p>     <p>Telefone: +351-912413418</p>     <p>Fax: +351-225025766</p>     <p>Email: <a href="mailto:jmassano@med.up.pt">jmassano@med.up.pt</a></p>     ]]></body>
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