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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tendências temporais da infeção pelo vírus da imunodeficiência humana em Portugal: 1984 - 2013]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this study was to evaluate time-trends of human immunodeficiency virus (HIV) infection in Portugal (1984-2013). Incidence (1984-2013), prevalence and mortality rates due to HIV (1988-2013) were computed. Joinpoint regression analyses were performed to estimate annual percent changes (APC) and respective 95% confidence interval (95%CI) for those parameters and to identify years (joinpoints) in which significant changes in time-trends occurred. Incidence rate increased until 1999 (men) and 2000 (women); then decreased until 2013, from 47 to 20/100,000 men and from 8 to 15/100,000 women; such decrease became significant since 2003 among men (APC=-3.1%; 95%CI:-4.3%;-1.9%) and 2000 among women (APC=-2.8%; 95%CI:-4.1%;-1.6% before 2010 and APC=-11.3%; 95%CI:-18.5%;-3.6% after 2010). Higher mortality rates occurred in 1996 and then decreased from 19 to 7/100,000 men and from 4 to 2/100,000 women; such decrease was significant since 2003 among men (APC=-7.1%; 95%CI:-8.6%;-5.6%) and 1996 among women (APC=-2.9%; 95%CI:-4.1;-1.7). Prevalence of infected people increased significantly, hitting 0.4% (men) and 0.2% (women) in 2013, but there was a downward trend in APC between joinpoints. Incidence rate described an evident decrease among injecting drug users (IDU) from 17 to 1/100,000 inhabitants during time-period 1997-2013. Among heterosexuals, such rate decreased from 12 to 8/100,000 from 2002 onwards but it steadily increased among men who have sex with men, hitting 8/100,000 in 2011 and then remained almost unchangeable. Portugal presented a favorable scenario concerning HIV infection control mainly due to the decrease in incidence among IDU.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>INVESTIGAÇÃO ORIGINAL</b></p>     <p><b>Tendências temporais da infeção pelo vírus da imunodeficiência humana em Portugal: 1984 – 2013</b></p>     <p><b>Time-trends in human immunodeficiency virus infection in Portugal: 1984-2013</b></p>     <p><b>António Nogueira<sup>1,2</sup>, Cristina Teixeira<sup>3</sup>, Catarina Ferreira<sup>1</sup>, Sara Ferreira<sup>1</sup>, Teresa Pinto<sup>1</sup>, Tânia Ribeiro<sup>1 </sup></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup>1</sup>Departamento de Tecnologias de Diagnóstico e Terapêuticas do Iinstituto Politécnico de Bragança, Bragança</p>     <p><sup>2 </sup>CITAB Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas, Universidade de Trás-os-montes e Alto Douro, Vila Real</p>     <p><sup>3 </sup>EPI – Unit, Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, Porto</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <a href="#c0">Correspondência</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Avaliaram-se tendências temporais da infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) em Portugal. Calcularam-se incidência (1984-2013), prevalência e mortalidade por VIH (1988-2013). Com modelos de regressão linear segmentada obteve-se percentagem de variação anual (%VA) e intervalo de confiança a 95% (IC95%) para esses parâmetros, identificando-se anos (pontos de inflexão) em que ocorreram mudanças significativas na tendência. A incidência aumentou até 1999 (homens) e 2000 (mulheres) e depois diminuiu de 47 para 20/100000 homens e de 15 para 8/100000 mulheres até 2013, com decréscimo significativo desde 2003 em homens (%VA=-3,1;IC95%:-4,3;-1,9) e 2000 em mulheres (%VA=-2,8;IC95%:-4,1;-1,6 até 2010 e %VA=-11,3;IC95%:-18,5;-3,6 após 2010). O pico para a mortalidade ocorreu em 1996, decrescendo de 19 para 7/100000 homens e de 4 para 2/100000 mulheres durante 1996-2013, com declínio significativo desde 2003 em homens (%VA=-7,1;IC95%:-8,6;-5,6) e 1996 em mulheres (%VA=-2,9%;IC95%:-4,1;-1,7). A prevalência aumentou significativamente até 2013 para 0,4% (homens) e 0,2% (mulheres), mas com redução gradual da %VA entre pontos de inflexão. O maior declínio da incidência observou-se em utilizadores de drogas injetáveis (UDI) decrescendo de 17 para 1/100000 habitantes durante 1997-2013. Em heterossexuais decresceu de 12 para 8/100000 durante 2002-2013 mas em homossexuais aumentou até 2011 estabilizando em 4/100000. Portugal apresenta progresso favorável relativamente ao controlo da infeção com redução drástica da infeção entre UDI.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT </b></p>     <p>The aim of this study was to evaluate time-trends of human immunodeficiency virus (HIV) infection in Portugal (1984-2013). Incidence (1984-2013), prevalence and mortality rates due to HIV (1988-2013) were computed. Joinpoint regression analyses were performed to estimate annual percent changes (APC) and respective 95% confidence interval (95%CI) for those parameters and to identify years (joinpoints) in which significant changes in time-trends occurred. Incidence rate increased until 1999 (men) and 2000 (women); then decreased until 2013, from 47 to 20/100,000 men and from 8 to 15/100,000 women; such decrease became significant since 2003 among men (APC=-3.1%; 95%CI:-4.3%;-1.9%) and 2000 among women (APC=-2.8%; 95%CI:-4.1%;-1.6% before 2010 and APC=-11.3%; 95%CI:-18.5%;-3.6% after 2010). Higher mortality rates occurred in 1996 and then decreased from 19 to 7/100,000 men and from 4 to 2/100,000 women; such decrease was significant since 2003 among men (APC=-7.1%; 95%CI:-8.6%;-5.6%) and 1996 among women (APC=-2.9%; 95%CI:-4.1;-1.7). Prevalence of infected people increased significantly, hitting 0.4% (men) and 0.2% (women) in 2013, but there was a downward trend in APC between joinpoints. Incidence rate described an evident decrease among injecting drug users (IDU) from 17 to 1/100,000 inhabitants during time-period 1997-2013. Among heterosexuals, such rate decreased from 12 to 8/100,000 from 2002 onwards but it steadily increased among men who have sex with men, hitting 8/100,000 in 2011 and then remained almost unchangeable. Portugal presented a favorable scenario concerning HIV infection control mainly due to the decrease in incidence among IDU.</p>     <p><b>Key-words:</b> HIV infection, incidence, prevalence, time-trends, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdução</b></p>     <p>A incidência de infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) aumentou progressivamente desde 1981, altura em que foram diagnosticados os primeiros casos.<sup>1 </sup>Na Europa vivem atualmente cerca de 2,3 milhões de pessoas infetadas pelo VIH e, embora haja acentuadas discrepâncias geográficas, a incidência global reportada para 2011 na região europeia foi de 7,5 novos casos por 100.000 habitantes.<sup>2 </sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na Europa Ocidental, Portugal foi o país que apresentou durante anos consecutivos a situação mais desfavorável relativamente à incidência de infeção.<sup>2 </sup>Por este motivo, a epidemia por VIH foi considerada uma prioridade do Plano nacional de saúde, tendo havido múltiplas estratégias interventivas, integradas nos vários níveis de prevenção, como objetivo de reduzir o número de novos casos e aumentar a sobrevivência e a qualidade de vida dos indivíduos infetados em Portugal.<sup>3 </sup></p>     <p>Cada intervenção implementada para controlo da infeção por VIH tem um determinado grau de influência na incidência, prevalência e mortalidade atribuída à doença,originando mudanças na epidemiologia da infecção, que por sua vez suscitam novos desafios e exigem novas estratégias no âmbito da prevenção.<sup>4-6 </sup>Nestas circunstâncias, a monitorização das tendências temporais adquire particular importância em saúde pública.</p>     <p>O objetivo deste trabalho foi avaliar as tendências temporais das medidas de frequência da infeção por VIH, observadas nos últimos 30 anos em Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Métodos</b></p>     <p>Este estudo retrospetivo baseou-se em informação secundária sobre dados epidemiológicos da infeção por VIH e do Síndrome da Imunodeficiência Humana (SIDA) na população portuguesa entre 1984 e 2013. O número de novos casos de infeção por VIH foi obtido a partir de informação publicada pela Direção Geral de Saúde (DGS ).<sup>7</sup> O número de novos casos com diagnóstico de SIDA, o número de óbitos atribuídos à infeção por VIH, bem como as estimativas da população portuguesa para cada um dos anos em estudo foram extraídos da base de dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).<sup>8</sup></p>     <p>Para cada ano foi calculada a incidência de VIH e de SIDA, bem como a taxa de mortalidade atribuída à infeção. Os casos prevalentes, usados para o cálculo da prevalência de infeção para cada ano, foram obtidos somando os novos casos registados nesse ano com os novos casos registados nos anos anteriores e subtraindo os óbitos registados nesse ano e nos anos anteriores. Estes parâmetros foram calculados estratificando por género. Para cada ano da série foi também calculada a incidência de infecção no total da população de acordo com as vias de transmissão considerando quatro grupos: utilizadores de drogas injetáveis (UDI), homossexuais, heterossexuais e outras. Como a informação referente ao número de óbitos atribuídos à infeção nestá disponível apenas a partir de 1988, as tendências temporais da mortalidade e da prevalência são apresentadas para o período entre 1988 e 2013.</p>     <p>As medidas de frequência da doença foram analisadas utilizando modelos de regressão linear segmentada. A partir do declive obtido para cada segmento de reta, estimou-se a percentagem de variação anual (%VA). Entre segmentos de reta identificaram-se pontos de inflexão (<i>joinpoints</i>) que representam os anos em que houve modificação significativa da tendência temporal. Obtiveram-se medidas de tendência ao longo do tempo expressas em %VA negativa (diminuição) ou positiva (aumento) e respectivo intervalo de confiança a 95% (IC95%). Para esta análise recorreu-se ao <i>software Joinpoint</i>, versão 4.1.1.3 (<i>Statistical Research and Applications Branch, National Cancer Institute, Rockville, MD, EUA</i>). O nível de significância considerado foi de 0,05.</p>     <p>Utilizaram-se dados publicados pela DGS e INE, pelo que não houve necessidade de aprovação pela Comissão de Ética.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Resultados</b></p>     <p>Até 2013 registaram-se 48647 casos de infeção por VIH dos quais 39% são diagnósticos de SIDA e 73% dos infetados são homens. A prevalência estimada de infeção na população portuguesa no final de 2013 foi de 0,3% (0,4% em homens e 0,2% em mulheres).</p>     <p>A <b><a href="/img/revistas/am/v29n6/29n6a02f1.jpg" target="_blank">Figura 1</a> </b>descreve as variações da incidência de infeção por VIH e de SIDA e da mortalidade por VIH e na <b><a href="/img/revistas/am/v29n6/29n6a02t1.jpg" target="_blank">Tabela 1</a> </b>apresentam-se os pontos de inflexão (anos de mudança da tendência) e a %VA entre pontos de inflexão para cada parâmetro. Os três parâmetros descrevem curvas epidémicas com tendência crescente no início, revertendo no final da série. O padrão de variação é similar em homens e mulheres, embora com valores mais elevados em homens. No início da série temporal, os casos de SIDA representavam 50% do total de infetados, decrescendo para 23% em 2013. A incidência de infeção por VIH atingiu picos em 1999 nos homens e em 2000 nas mulheres e, desde então, diminuiu de 47 para 20/100.000 homens e de 15 para 8/100.000 mulheres. Os modelos de regressão revelaram tendência decrescente com significância estatística para este parâmetro a partir de 2003 e 2000 em homens e mulheres, respetivamente, com %VA a partir desses anos de -3,1 (IC95%: -4,3; - 1,9) em homens e de -2,8 (IC95%: -4,1; -1,6) até 2010 e de -11,3 (IC95%: -18,5; -3,6) após 2010 em mulheres. A incidência de SIDA apresentou o pico em 1999, decrescendo a partir desse ano de 20 para 4/100.000 ho-mens e de 4 para 2/100.000 mulheres. Os pontos de inflexão que marcam decréscimo com significância estatística para este parâmetro ocorreram em 2001 nos homens e em 1999 nas mulheres com %VA a partir dessesanos de -8,9(IC95%:-10,2;-7,6) e de -3,7 (IC95%:-5,2;-2,1), respetivamente. A mortalidade por VIH atingiu o pico em 1996 decrescendo a partir desse ano de 19 para 7 óbitos/100.000 homens e de 4 para 2 óbitos/ 100.000 mulheres. A tendência decrescente com significância estatística ocorreu a partir de 2003 nos homens (%VA=-7,1;IC95%:-8,6;5,6) e de 1996 nas mulheres (%VA=-2,9; IC95%: -4,1;-1,7).</p>      
<p>A <b><a href="/img/revistas/am/v29n6/29n6a02t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a> </b>apresenta os valores de prevalência de infeção por VIH na população portuguesa, bem como a %VA entre pontos de inflexão para este parâmetro. A prevalência apresentou um aumento estatisticamente significativo até 2013 atingindo valores de 423,6/100.000 homens e 183,6/100,000 mulheres, mas a %VA entre pontos de inflexão tornou-se gradualmente mais baixa ao longo do tempo, variando entre 43,2 (IC95%: 38,1; 48,5)e4,9(IC95%: 4,7%;5,0) nos homens e entre 51,5 (IC95%: 38,5; 69,0%) e 4,8 (IC95%:4,2;5,5) nas mulheres (<b><a href="/img/revistas/am/v29n6/29n6a02t2.jpg" target="_blank">Tabela 2</a></b>).</p>     
<p>Até final da década de 90 o número de infetados aumentou predominantemente em UDI que contribuíram para 50% ou mais dos casos diagnosticados. neste grupo, a incidência de infeção atingiu o pico em 1997 correspondendo a 17 novos casos/100.000 habitantes, a partir desse ano decresceu atingindo em 2013 o valor de 1 novo caso/ 100.000 habitantes e nesse ano a proporção de UDI no total de infetados passou a ser de 7%. Em heterossexuais, a incidência atingiu o pico em 2002 com 12 novos casos/100.000 e decresceu depois para 8 novos casos/100.000 habitantes em 2013, correspondendo atualmente a quase dois terços dos novos casos de infecção. A incidência de infeção em homessexuais aumentou ao longo de todo o período de tempo e estabilizou a partir de 2011 em 4 novos casos por 100.000 habitantes, correspondendo actualmente a 30% dos novos casos diagnosticados (<b><a href="/img/revistas/am/v29n6/29n6a02f2.jpg" target="_blank">Figura 2</a></b>).</p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>Discussão</b></p>     <p>Os resultados mostram um progresso favorável relativamente ao controlo da infeção na população portuguesa. Após um período inicial com aumento dramático da incidência de infeção, observou-se uma diminuição significativa deste parâmetro nos últimos anos e o mesmo sucedeu com a mortalidade atribuída à infeção. Embora a prevalência de infeção mantenha tendência crescente, a sua percentagem anual de incremento diminuiu ao longo do tempo.</p>     <p>A redução de incidência de infeção em Portugal observou-se a partir do final da década de 90, principalmente pelo decréscimo de novas infeções entre UDI. Com este padrão de variação, Portugal aproxima-se do padrão observado noutros países da Europa Ocidental onde houve declínio substancial da proporção de diagnósticos em UDI<sup>2</sup> explicado, em grande parte, pela implementação de programas específicos para evitar a partilha de seringas.<sup>9 </sup>Em Portugal foi implementado em 1993 o programa de troca de seringas que tem sido mantido.<sup>10</sup>Os resultados aqui apresentados refletem o sucesso deste programa, mas provavelmente também refletem a mudança de comportamentos no sentido da redução no consumo de drogas por via endovenosa reportada recentemente na população portuguesa.<sup>10 </sup>Atualmente a via predominante de transmissão da infeção na população portuguesa é o contacto sexual, correspondendo a cerca de 90% das infeções registadas nos últimos anos. mas, ao contrário do que sucede noutros países da Europa Ocidental onde a maior proporção de infeções é reportada em homossexuais,<sup>2 </sup>60% dos novos casos registados actualmente em Portugal ocorrem em heterossexuais. No entanto, a manter-se o declínio da incidência de infeção entre heterossexuais, observado nos últimos anos na população portuguesa, prevê-se que num futuro próximo, a transmissão da infeção predomine em homossexuais. nestas circunstâncias, a investigação recentemente conduzida na população portuguesa em torno da monitorização da incidência e de comportamentos de risco em homossexuais<sup>11,12 </sup>adquire grande valor no delineamento de estratégias preventivas.</p>     <p>Um aspeto positivo observado na população portuguesa é a redução gradual da proporção de indivíduos com diagnóstico de SIDA no total de infetados; esta proporção era de quase 50% até final da década de 90 e actualmente ronda 20%. Este aspeto demonstra o aumento progressivo do diagnóstico precoce da infeção, para o qual contribui o acesso universal ao teste implementado pelo serviço nacional de saúde, bem como o incentivo à adesão ao rastreio voluntário, particularmente em grupos de risco.<sup>13 </sup>Sabe-se que o conhecimento do estado serológico por indivíduos infetados leva à redução dos comportamentos de risco diminuindo o risco de transmissão e permite iniciar precocemente a terapêutica reduzindo a mortalidade.<sup>14 </sup>Por conseguinte, o acesso universal ao teste de diagnóstico pode não só explicar a redução dos novos casos com diagnóstico de SIDA, mas também a redução global da incidência de infeção, bem como o declínio da mortalidade relacionada que se observou nos últimos anos em Portugal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A redução consistente da mortalidade por VIH na população portuguesa reflete os benefícios do acesso universal à terapêutica anti-retrovírica implementado em Portugal na década de 90<sup>15 </sup>e posteriormente alterado para optimizar a monitorização da qualidade e equidade deste serviço, assegurando a sustentabilidade do sistema<sup>16</sup> A introdução da terapêutica anti-retrovírica combinada tem inquestionável benefício na redução da mortalidade e morbilidade associadas à infecção. no entanto, em paralelo, suscita novos desafios em matéria de prevenção,porque aterapêutica aumenta a sobrevivência dos indivíduos infetados conduzindo ao incremento da prevalência da infecção na população.<sup>4,5 </sup>Embora a percentagem de incremento anual para a prevalência de infecção na população portuguesa tenha diminuído nos últimos anos da série temporal, o incremento deste parâmetro mantém-se significativo, pressupondo necessidades acrescidas no que concerne a cuidados de saúde e apoio social para os indivíduos infetados.<sup>17 </sup></p>     <p>De acordo com os dados aqui apresentados, a prevalência estimada de infecção na população portuguesa foi de 0,3%. Deve ser realçado que este valor foi calculado com base em casos diagnosticados e, por isso, inferior à prevalência real, dado que 30% de todos os infetados por VIH permanecem sem diagnóstico.<sup>13 </sup>Além disso, a prevalência aqui reportada foi calculada para a população geral que é muito mais baixa do que a observada em grupos de risco. De facto, estudos conduzidos recentemente em Portugal reportam prevalências de 11% em homossexuais,<sup>12 </sup>19% em trabalhadores do sexo,<sup>18 </sup>de 7% em reclusos<sup>19</sup>, 6% em reclusas e 44% em reclusas UDI.<sup>20 </sup>Emerge a necessidade de investigação em torno da monitorização da incidência de infecção em subgrupos populacionais, o que não é possível com a informação utilizada neste trabalho.</p>     <p>Apesar do progresso favorável em relação ao controlo da infeção por VIH na população portuguesa, a incidência observada em 2013 foi de 13,6 por 100.000 habitantes (20,0 e 7,6 em homens e mulheres, respectivamente). Este valor é muito superior à incidência reportada em 2011 na Europa Ocidental que foi de 6,5 por 100.000 habitantes,<sup>2 </sup>realçando a necessidade de manter em Portugal as estratégias preventivas e monitorizar o impacto dessas estratégias abrindo caminho para a adaptação às mudanças observadas na epidemiologia da infeção.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Referências </b></p>     <!-- ref --><p>1. World Health Organization regional Office for Europe. European health for all database (HfA-DB). [Internet]. [cited 14th march, 2012]. Disponível em Url: <a href="http://data.euro.who.int/hfadb/"target="_blank">http://data.euro.who.int/hfadb/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140324&pid=S0871-3413201500060000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>2. Bozicevic I, Handanagic S, Lepej Sz, Begovac J. The emerging and re-emerging human immunodeficiency virus epidemics in Europe. Clinical microbiology and Infection. 2013;19:917-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140325&pid=S0871-3413201500060000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>3. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. Departamento de Doenças Infeciosas. Unidade de referência e Vigilância. Infecção VIH/SIDA: A situação em Portugal a 31 de Dezembro de 2011. Instituto nacional de saúde Doutor Ricardo Jorge [Internet] 2012 [cited 30th July, 2015]. Disponível em Url: <a href="http://repositorio.insa.pt/"target="_blank">http://repositorio.insa.pt</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140327&pid=S0871-3413201500060000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>4. Karon Jm, Fleming Pl, Steketee Rw, De Cock Km. HIV in the United states at the turn of the century: An epidemic in transition. American Journal of Public Health. 2001;91:1060-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140328&pid=S0871-3413201500060000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>5. Dourado I, Veras Ma, Barreira D, De Brito Am. AIDS epidemic trends after the introduction of antiretroviral therapy in Brazil. Revista de Saude Publica. 2006;40 suppl:9-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140330&pid=S0871-3413201500060000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>6. Brookmeyer R. Measuring the HIV/AIDS Epidemic: Approaches and Challenges. Epidemiologic reviews. 2010;32:26-37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140332&pid=S0871-3413201500060000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>7. Direção Geral de Saúde. Portugal, Infeção VIH, SIDA e tuberculose em números 2014 [Internet]. 2014 [cited 26th July 2015 Disponível em Url: <a href="http://pnvihsida.dgs.pt/estudos-e-estatisticas111111/relatorios1/portugal-infecao-vih-sida-e-ruberculose-em-numeros-2014.aspx"target="_blank">http://pnvihsida.dgs.pt/estudos-e-estatisticas111111/relatorios1/portugal-infecao-vih-sida-e-ruberculose-em-numeros-2014.aspx</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140334&pid=S0871-3413201500060000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>8. Instituto Nacional de Estatística. Available at: [Internet]. [cited 20th may, 2011]. Disponível em Url: <a href="http://ine.pt/"target="_blank">http://ine.pt/</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140336&pid=S0871-3413201500060000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>9. Wiessing l, Giraudon I. HIV in Portugal -the epidemic among injecting drug users. Arquivos de medicina. 2009;23:61-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140338&pid=S0871-3413201500060000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>10. Coordenção nacional para a Infeção HIV/SIDA. Programa “diz não a uma seringa em segunda mão” 2013. [Internet]. 2014 [cited 26th July, 2015]. Disponível em Url: <a href="http://pnvihsida.dgs.pt/programatrocaseringas/relatorios/programa-diz-nao-a-uma-seringa-em-segunda-mao-2013.aspx"target="_blank">http://pnvihsida.dgs.pt/programatrocaseringas/relatorios/programa-diz-nao-a-uma-seringa-em-segunda-mao-2013.aspx</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140340&pid=S0871-3413201500060000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>11. Meireles P, Lucas R, Martins A, Carvalho AC, fuertes r, Brito J, et al. The lisbon Cohort of men who have sex with men. Bmj Open. 2015;5(5).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140341&pid=S0871-3413201500060000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>12. Carvalho C, Fuertes R, Lucas R, Martins A, Campos Mj, Mendao L, et al. HIV testing among Portuguese men who have sex with men -results from the European MSM Internet Survey (EMIS). Hiv medicine. 2013;14:15-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140343&pid=S0871-3413201500060000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>13. Yazdanpanah Y, Perelman J, Dilorenzo MA, Alves J, Barros H, Mateus C, et al. Routine HIV screening in Portugal: Clinical Impact and Cost-Effectiveness. Plos One. 2013;8(12).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140345&pid=S0871-3413201500060000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>14. Perelman J, Alves J, Miranda AC, Mateus C, Mansinho K, Antunes F, et al. Direct treatment costs of HIV/AIDs in Portugal. revista de saude publica. 2013;47:865-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140347&pid=S0871-3413201500060000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>15. Infarmed. Despacho n.º 280/96, de 6 de setembro. Acesso aos medicamentos anti-retrovíricos, destinados ao tratamento da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) [Internet]. 1996. Disponível em Url: <a href="https://www.infarmed.pt/portal/page/portal/infarmed/legislacao/legislacao_farmaceutica_compilada/titulo_iv/110-i1_desp_280_96.pdf"target="_blank">https://www.infarmed.pt/portal/page/portal/infarmed/legislacao/legislacao_farmaceutica_compilada/titulo_iv/110-i1_desp_280_96.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140349&pid=S0871-3413201500060000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>16. Diário da república, 2.ª série — n.º 96 — 17 de maio de 2012 [Internet]. 2012. Disponível em Url: <a href="http://www.sg.min-saude.pt/nr/rdonlyres/B9EBB192-952E-4C97-94fD6B54A9f75A58/29226/1739517396.pdf"target="_blank">http://www.sg.min-saude.pt/nr/rdonlyres/B9EBB192-952E-4C97-94fD6B54A9f75A58/29226/1739517396.pdf</a>.</p>     <!-- ref --><p>17. Programa nacional de Prevenção e Controlo da Infeção VIH/SIDA 2011-2015. ministério da saúde. Portugal. [Internet]. 2011 [cited 2015, 17th July]. Disponível em Url: <a href="http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/a+saude+em+portugal/politica+da+saude/discussao/arquivo/programa+sida.htm"target="_blank">http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/a+saude+em+portugal/politica+da+saude/discussao/arquivo/programa+sida.htm</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140352&pid=S0871-3413201500060000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>18. Almeida A, Brasileiro A, Costa J, Eusebio M, Fernandes R. Prevalence of and factors mediating HIV infection among sex workers in lisbon, Portugal: the 5-year experience of a community organisation. Sexually transmitted infections. 2014;90(6):497.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140354&pid=S0871-3413201500060000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>19. Da Silva Marques Nm, Margalho R, Melo Mj, Saraiva Da Cunha Jg, Melico-Silvestre AA. Seroepidemiological survey of transmissible infectious diseases in a Portuguese prison establishment. Brazilian Journal of Infectious Diseases. 2011;15:272-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140356&pid=S0871-3413201500060000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>20. Barros H, Ramos E, Lucas R. A survey of HIV and HCV among female prison inmates in Portugal. Central European Journal of Public Health. 2008;16:116-20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=140358&pid=S0871-3413201500060000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Correspondência:</a><a name="c0"></a></p>     <p><b>Cristina Teixeira</b></p>     <p>Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico de Bragança, Av. D. Afonso V, 5300-121 Bragança. <i>Email:</i> <a href="mailto:cristina.teixeira@ipb.pt">cristina.teixeira@ipb.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Data de recepção / reception date: 15-09-2015 </b></p>     <p><b>Data de aprovação / approval date: 12-10-2015 </b></p>      ]]></body><back>
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