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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estratégias de estudo de alunos dos 5º e 7º anos e resultados em ciências]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Learning strategies of 5th and 7th form students and their results in sciences]]></article-title>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Strategies d’étude des élèves du 5éme et du 7éme et resultats en sciences]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,ISCTE - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study is part of a major study whose principal aim was finding whether or not there is effective learning in Science by watching scientific television programs about the nature (informal education) comparatively to Science classes (formal education). Within this goal and in terms of Sociology of Education, the learning process of the students has been analysed in both contexts (television and classroom), considering the influence of some fundamental social factors based, mainly, on the theory of Bourdieu & Passeron (s. d.). In this specific text we have analysed one of the axis resulting from the referred major study. Specifically, we have studied the learning process of the students considering the two principal ways of getting information for the study of Science whose efficacy the research wanted to compare and eventually other information resulting by using at home didactic resources (scientifique videos and films and scientifique revues and books). We have worked with 340 students of the 5th form and 311 students of the 7th form corresponding to a sample of the four schools of Olhão, Portugal.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Cette article fait partie d’un étude principal qui a eu comme première objectif celui de constater si le visionnement de documentaires scientifiques (éducation informelle) a ou non un rôle dans l’apprentissage des Sciences, en comparaison avec le procès d’apprentissage des Sciences en cours (éducation formelle). Avec cet objectif et dans une perspective sociologique, on a analysé l’apprentissage des élèves dans les deux contextes (télévision et classe), en contrôlant facteurs sociologiques importantes tels que la famille, le sexe, l’âge et la motivation à l’apprentissage des Sciences. Cette étude a été fondée principalement sur le modèle théorique de Bourdieu et Passeron (s. d.). Dans cette étude, on a analysé un des axes de la problématique principal. Ici, nous avons étudié les stratégies d’étude des élèves vers l’apprentissage des Sciences, constituées par les temps qu’ils affectent aux deux principales sources d’information, lesquelles l´étude voulait comparer (visionnement télévisée et apprentissage en cours), complémentairement a l’éventuel utilisation chez-soi d’autres sources didactiques (films et vidéos ou livres et revues scientifiques). Méthodologiquement on a travaillé avec une population de 340 élèves du 5éme et 311 élèves du 7éme dans les quatre écoles de Olhão, Portugal.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Aprendizagem em ciências]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Estratégias de estudo para ciências]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><b>Estrat&eacute;gias de estudo de alunos dos 5&ordm; e 7&ordm;    anos e resultados em ci&ecirc;ncias</b></p>     <p align="center">Paulo Coelho Dias</p>     <p align="center">Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias do Trabalho e da Empresa,    Portugal</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Resumo</b></p>      <p>Este artigo faz parte de um estudo maior, onde procur&aacute;mos comparar a    efic&aacute;cia da aprendizagem atrav&eacute;s do visionamento de document&aacute;rios    cient&iacute;ficos sobre a natureza (educa&ccedil;&atilde;o informal) por rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s aulas de ci&ecirc;ncias com um professor (educa&ccedil;&atilde;o formal).    Com base neste objectivo, e em termos da Sociologia da Educa&ccedil;&atilde;o,    o processo de aprendizagem dos alunos foi estudado em ambos os contextos (televis&atilde;o    e sala de aula), tendo em conta a influ&ecirc;ncia de algumas vari&aacute;veis    sociol&oacute;gicas fundamentais. O estudo &eacute; fundamentado, principalmente,    no modelo te&oacute;rico de Bourdieu e Passeron. Neste artigo em particular,    analis&aacute;mos um dos eixos decorrentes da problem&aacute;tica desenvolvida    nesse estudo. Aqui, estud&aacute;mos as <i>estrat&eacute;gias de estudo</i> dos alunos    para ci&ecirc;ncias, constru&iacute;das com base nos tempos dedicados &agrave;s    duas fontes principais de obten&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o    para ci&ecirc;ncias e cuja efic&aacute;cia pedag&oacute;gica de ambas o estudo    pretendia comparar, complementadas com a eventual utiliza&ccedil;&atilde;o em    casa de outros recursos did&aacute;cticos para ci&ecirc;ncias (filmes e v&iacute;deos    ou livros e revistas sobre ci&ecirc;ncias). Metodologicamente, trabalh&aacute;mos    com 340 alunos do 5&ordm; ano e 311 alunos do 7&ordm; ano, correspondentes a    uma amostra representativa das quatro escolas do Concelho de Olh&atilde;o.</p>     <p> </p>     <p><b>Palavras-chave</b></p>     <p>Aprendizagem em ci&ecirc;ncias; Estrat&eacute;gias de estudo para ci&ecirc;ncias</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Learning strategies of 5th and 7th form students and their results in sciences</b></p>      <p><b>Abstract</b></p>      <p>This study is part of a major study whose principal aim was finding whether    or not there is effective learning in Science by watching scientific television    programs about the nature (informal education) comparatively to Science classes    (formal education). Within this goal and in terms of Sociology of Education,    the learning process of the students has been analysed in both contexts (television    and classroom), considering the influence of some fundamental social factors    based, mainly, on the theory of Bourdieu &amp; Passeron (s. d.). In this specific    text we have analysed one of the axis resulting from the referred major study.    Specifically, we have studied the learning process of the students considering    the two principal ways of getting information for the study of Science whose    efficacy the research wanted to compare and eventually other information resulting    by using at home didactic resources (scientifique videos and films and scientifique    revues and books). We have worked with 340 students of the 5th form and 311    students of the 7th form corresponding to a sample of the four schools of Olh&atilde;o,    Portugal. </p>     <p> </p>     <p><b>Keywords</b></p>     <p>Science learning; Learning strategies for science</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Strategies d&#8217;&eacute;tude des &eacute;l&egrave;ves du 5&eacute;me et    du 7&eacute;me et resultats en sciences</b></p>      <p><b>R&eacute;sum&eacute;</b></p>      <p>Cette article fait partie d&#8217;un &eacute;tude principal qui a eu comme    premi&egrave;re objectif celui de constater si le visionnement de documentaires    scientifiques (&eacute;ducation informelle) a ou non un r&ocirc;le dans l&#8217;apprentissage    des Sciences, en comparaison avec le proc&egrave;s d&#8217;apprentissage des    Sciences en cours (&eacute;ducation formelle). Avec cet objectif et dans une    perspective sociologique, on a analys&eacute; l&#8217;apprentissage des &eacute;l&egrave;ves    dans les deux contextes (t&eacute;l&eacute;vision et classe), en contr&ocirc;lant    facteurs sociologiques importantes tels que la famille, le sexe, l&#8217;&acirc;ge    et la motivation &agrave; l&#8217;apprentissage des Sciences. Cette &eacute;tude    a &eacute;t&eacute; fond&eacute;e principalement sur le mod&egrave;le th&eacute;orique    de Bourdieu et Passeron (s. d.). Dans cette &eacute;tude, on a analys&eacute;    un des axes de la probl&eacute;matique principal. Ici, nous avons &eacute;tudi&eacute;    les strat&eacute;gies d&#8217;&eacute;tude des &eacute;l&egrave;ves vers l&#8217;apprentissage    des Sciences, constitu&eacute;es par les temps qu&#8217;ils affectent aux deux    principales sources d&#8217;information, lesquelles l&acute;&eacute;tude voulait    comparer (visionnement t&eacute;l&eacute;vis&eacute;e et apprentissage en cours),    compl&eacute;mentairement a l&#8217;&eacute;ventuel utilisation chez-soi d&#8217;autres    sources didactiques (films et vid&eacute;os ou livres et revues scientifiques).    M&eacute;thodologiquement on a travaill&eacute; avec une population de 340 &eacute;l&egrave;ves    du 5&eacute;me et 311 &eacute;l&egrave;ves du 7&eacute;me dans les quatre &eacute;coles    de Olh&atilde;o, Portugal. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> </p>     <p><b>Mots-cl&eacute;</b></p>     <p>Apprentissage de la Science; strat&eacute;gies d&#8217;&eacute;tudes pour la    Science</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Este estudo &eacute; parte integrante de uma investiga&ccedil;&atilde;o maior    (Dias, 2004), onde procur&aacute;mos comparar, do ponto de vista da aprendizagem    dos alunos de ci&ecirc;ncias, duas formas diferentes de veicular informa&ccedil;&atilde;o:    document&aacute;rios cient&iacute;ficos sobre a natureza, emitidos televisivamente    (tais como o <i>BBC Vida Selvagem</i>, o <i>National Geographic</i>, etc., do &acirc;mbito    da <i>educa&ccedil;&atilde;o informal</i>) e a aprendizagem em sala de aula com um    professor (<i>educa&ccedil;&atilde;o formal</i>). Por as unidades tem&aacute;ticas    abordadas nestas duas fontes de informa&ccedil;&atilde;o ora referidas apenas    serem iguais para os 5&ordm; e 7&ordm; anos do Ensino B&aacute;sico, foram esses    os dois anos que constaram do nosso estudo.</p>     <p>Numa altura em que a televis&atilde;o capta de forma avassaladora muitos dos    nossos jovens logo desde os primeiros anos de idade (Abelman, 1999; Alexander,    2001; Barroso, Pla, Ferrer &amp; Mazana, 1996; Benavente, 1989; Blurton, 2000;    Calvert, 1999; Carneiro, 1994; Dodd, 2000; Ferr&eacute;s, 1996a, 1996b; Lazar,    1992; Pinto, 2000; Seixas, 1997; UNESCO, 1998), n&atilde;o raramente para programas    mediocrizantes (Popper &amp; Condry, 1995; Baudrillard, 1991; Morin, 1998; Bourdieu,    1997; etc.), procur&aacute;mos neste estudo perscrutar o outro lado da quest&atilde;o,    onde a for&ccedil;a socializadora televisiva fosse usada em programas de excel&ecirc;ncia    cient&iacute;fica, como os que acima mencion&aacute;mos. Para dar prossecu&ccedil;&atilde;o    a este desiderato, iremos procurar identificar os tempos que os alunos disseram    dedicar em casa ao visionamento desses document&aacute;rios cient&iacute;ficos,    bem como o tempo de estudo formal para a disciplina de ci&ecirc;ncias. Complementarmente,    analisaremos tamb&eacute;m a utiliza&ccedil;&atilde;o em casa de certos recursos    did&aacute;cticos para ci&ecirc;ncias, tais como filmes e v&iacute;deos ou livros    e revistas, cuja conjuga&ccedil;&atilde;o permite identificar a <i>estrat&eacute;gia    de estudo</i> para a disciplina de ci&ecirc;ncias em termos das fontes de informa&ccedil;&atilde;o    usadas para esse fim. A inclus&atilde;o deste tipo de recursos decorre da circunst&acirc;ncia    de que o pr&oacute;prio visionamento televisivo pode ser visto como um outro    recurso informativo em casa, o qual, dada a sua grande ubiquidade, pode eventualmente    compensar os alunos com poucos recursos did&aacute;cticos em casa. </p>     <p>Neste processo, dado que muito daquilo que os alunos fazem decorre do seu contexto    familiar de origem, procuraremos verificar a influ&ecirc;ncia (se alguma) que    a fam&iacute;lia desempenha no &acirc;mbito da estrutura&ccedil;&atilde;o das    referidas <i>estrat&eacute;gias de estudo</i> dos alunos. Esta abordagem ser&aacute;    complementada, por um lado, com a medi&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia    da idade dos alunos na respectiva <i>estrat&eacute;gia de estudo</i> e, por outro,    na medi&ccedil;&atilde;o e procura de eventuais motiva&ccedil;&otilde;es desiguais    dos alunos para ci&ecirc;ncias em fun&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero, com    poss&iacute;veis consequ&ecirc;ncias nas referidas <i>estrat&eacute;gias de estudo</i>.</p>     <p>Teoricamente, para al&eacute;m das an&aacute;lises estrutural-deterministas    j&aacute; referidas (Bourdieu, 1980, 1987; Bourdieu &amp; Passeron, s. d.),    este estudo consubstancia-se nas teorias psicol&oacute;gicas de Reboul (1991)    em termos do pr&oacute;prio conceito de aprendizagem adoptado, em Ausubel (Moreira    &amp; Buchweitz, 1993) no que respeita ao processamento dessa mesma aprendizagem    e, concomitantemente, em Novak &amp; Gowin (1996), em torno da importante no&ccedil;&atilde;o    te&oacute;rica de mapa conceptual. A conceptualiza&ccedil;&atilde;o da aprendizagem    no campo das ci&ecirc;ncias, atrav&eacute;s da qual aferimos os n&iacute;veis    de aprendizagem alcan&ccedil;ados pelos alunos, decorreu de Glynn, Yeany &amp;    Britton (1991), de Lunetta (1991) e de Champagne &amp; Bunce (1991).</p>     <p> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Problem&aacute;tica</b></p>     <p>O tema central deste estudo &eacute; a compara&ccedil;&atilde;o de dois processos    diferentes de constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento para ci&ecirc;ncias,    a <i>aprendizagem formal</i> decorrente do contexto de sala de aula (ligada ao uso    do manual escolar e dos apontamentos), e a <i>aprendizagem informal</i> feita atrav&eacute;s    do visionamento de document&aacute;rios cient&iacute;ficos sobre a natureza.    Face a este desiderato, ser&atilde;o avaliados e comparados os resultados conseguidos    pelos grupos de alunos que disseram recorrer, no seu estudo, ao uso do manual    escolar e dos apontamentos, por um lado; face aos que disseram basear-se no    visionamento televisivo, por outro, usando essas duas fontes de informa&ccedil;&atilde;o    de forma exclusiva ou combinada. Nesse &acirc;mbito, porque constituem tamb&eacute;m    outras fontes de informa&ccedil;&atilde;o com eventual valor did&aacute;ctico-heur&iacute;stico    para a aprendizagem das ci&ecirc;ncias, ser&atilde;o ainda integrados e comparados    os n&iacute;veis de aprendizagem conseguidos pela utiliza&ccedil;&atilde;o em    casa de filmes e v&iacute;deos ou livros e revistas cient&iacute;ficos, tamb&eacute;m    eles usados de forma isolada ou combinada com as outras duas fontes de informa&ccedil;&atilde;o    ora referidas.</p>     <p>Nessa an&aacute;lise, tendo em conta aquilo que s&atilde;o os grandes contributos    te&oacute;ricos que t&ecirc;m sido desenvolvidos sobre este tema, colocam-se    algumas quest&otilde;es de base.</p>     <p>Podendo o contexto familiar condicionar muito do que s&atilde;o as aprendizagens    dos alunos, em que medida, ou at&eacute; que ponto, esse contexto poder&aacute;    igualmente interferir no conjunto dos processos de aprendizagem formal e informal    antes referidos?</p>     <p>De igual modo, e em fun&ccedil;&atilde;o da natureza pr&oacute;pria do acto    de aprender, em que medida a idade, o g&eacute;nero e os n&iacute;veis motivacionais    dos alunos poder&atilde;o interferir nesse mesmo conjunto de aprendizagens comparadas?</p>     <p> </p>     <p><b>Fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica</b></p>     <p>O contexto familiar tem sido apontado como um dos meios de socializa&ccedil;&atilde;o    que mais fortemente condiciona o desenvolvimento social das crian&ccedil;as,    nomeadamente tendo em conta as suas aprendizagens aut&oacute;nomas. Na verdade,    cada fam&iacute;lia desenvolve e faculta um determinado <i>habitus</i>. Este integra    uma gram&aacute;tica das pr&aacute;ticas dos agentes com um elevado n&iacute;vel    de estrutura&ccedil;&atilde;o e que, por ser estruturado, transfigura-se em    estruturante, na medida em que as regras e procedimentos nele integradas ser&atilde;o    progressivamente interiorizadas pelos mais novos que, no decurso da ac&ccedil;&atilde;o    social, tender&atilde;o a actualiz&aacute;-las, dando origem a um certo n&iacute;vel    de reprodutibilidade social (Bourdieu &amp; Passeron, s. d.). Este processo,    contudo, n&atilde;o &eacute; unilinear, o que deixaria os agentes sem qualquer    margem de autonomia. De facto, segundo as perspectivas construtivistas mais    actuais, a reprodutibilidade referida ser&aacute; sempre contingente em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; idiossincrasia dos agentes, porque os elementos estruturantes referidos    ser&atilde;o interiorizados caracteristicamente, determinando que os n&iacute;veis    de reprodutibilidade variar&atilde;o segundo eles. N&atilde;o obstante, ainda    assim, essa variabilidade n&atilde;o &eacute; total, como em muito pretendem    fazer crer certas correntes de pendor fenomenol&oacute;gico, uma vez que ela    fica condicionada aos elementos enformadores estruturais, porque muito daquilo    que &eacute; a &quot;autonomia idiossincr&aacute;tica&quot; dos agentes &eacute;,    tamb&eacute;m, constru&iacute;da atrav&eacute;s desses elementos estruturantes    n&atilde;o sendo, por isso, destrin&ccedil;&aacute;veis os dois n&iacute;veis    de an&aacute;lise (Berger &amp; Luckmann, 1987). Para exercer uma ac&ccedil;&atilde;o    estruturante t&atilde;o avassaladora o <i>habitus</i> de cada fam&iacute;lia resulta    da conjuga&ccedil;&atilde;o particular de determinados elementos estruturados    que, pela sua for&ccedil;a decisiva, adstrita, caso a caso a um determinado    <i>arbitr&aacute;rio cultural</i>, conduzem &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de formas    particulares de concep&ccedil;&atilde;o do mundo e, posteriormente, de ac&ccedil;&atilde;o    (Bourdieu, 1987; Bourdieu &amp; Passeron, s. d.). Assim, desde a codifica&ccedil;&atilde;o    lingu&iacute;stica socializada familiarmente (Bernstein, 1985), ao <i>capital cultural</i>    familiarmente facultado &#8212; que pode, por sua vez, determinar que algumas    crian&ccedil;as possuam, desde logo, um <i>mapa conceptual</i> mais rico do que outras    (Novak &amp; Gowin, 1996) onde podem, por consequ&ecirc;ncia, mais facilmente    alicer&ccedil;ar <i>aprendizagens significativas</i> sobre esses <i>conceitos subsun&ccedil;ores</i>    (Moreira &amp; Buchweitz, 1993) &#8212;, passando pela disponibiliza&ccedil;&atilde;o    diferencial de recursos did&aacute;cticos, cada fam&iacute;lia constitui, portanto,    um contexto &uacute;nico (embora com proximidades tendenciais para as fam&iacute;lias    da mesma classe) no &acirc;mbito do qual se processar&aacute; o desenvolvimento    de cada crian&ccedil;a e, nomeadamente, onde ser&aacute; desenvolvido o seu    processo de aprendizagem, como j&aacute; t&iacute;nhamos referido. </p>     <p>Neste &acirc;mbito, a diferencial disponibiliza&ccedil;&atilde;o de recursos    referida e a influ&ecirc;ncia familiar para o estudo interessam-nos particularmente    porque, por um lado, uma qualquer <i>estrat&eacute;gia de estudo</i> dos alunos fundamenta-se    e consubstancia-se na utiliza&ccedil;&atilde;o de determinados recursos, desde    logo livros e revistas ou filmes e v&iacute;deos e, por outro, porque a influ&ecirc;ncia    familiar para o estudo (parte integrante do <i>habitus</i> familiar) pode orient&aacute;-los    diferencialmente em termos do tipo de estrat&eacute;gia desenvolvida. Ao mesmo    tempo, o pr&oacute;prio visionamento de document&aacute;rios cient&iacute;ficos    sobre a natureza (como o <i>National Geographic</i>, o <i>BBC Vida Selvagem</i>, etc.) pode    ser considerado um recurso e, uma vez que mesmo nos meios mais pobres a presen&ccedil;a    da televis&atilde;o &eacute; ub&iacute;qua, ent&atilde;o ela pode constituir    um dos recursos did&aacute;cticos mais democr&aacute;ticos (Blurton, 2000; Lazar,    1988; Pinto, 2000), podendo, para as crian&ccedil;as mais desfavorecidas que    a usam, constituir um recurso alternativo aos v&iacute;deos e filmes sobre ci&ecirc;ncias    existentes em casa dos seus colegas mais favorecidos. Assim se percebe at&eacute;    que ponto a <i>estrat&eacute;gia de estudo</i> dos alunos para ci&ecirc;ncias, podendo    parecer decorrer exclusivamente dos seus dados idiossincr&aacute;ticos, nomeadamente,    da sua motiva&ccedil;&atilde;o para essa disciplina, n&atilde;o pode, ainda    assim, ser desligada do <i>habitus</i> familiar, porque muito do que s&atilde;o esses    dados idiossincr&aacute;ticos foram, por sua vez, constru&iacute;dos no contexto    da fam&iacute;lia.</p>     <p>Concomitantemente, h&aacute; estudos que atestam que as crian&ccedil;as mais    velhas conseguem processar melhor a informa&ccedil;&atilde;o televisionada,    beneficiando mais desse visionamento (Gunter, Furnham &amp; Griffiths, 2000),    o que poder&aacute; constituir um incentivo dos mais velhos comparativamente    aos mais novos para incluir nas respectivas <i>estrat&eacute;gias de estudo</i> o visionamento    dos document&aacute;rios cient&iacute;ficos enquanto fonte de informa&ccedil;&atilde;o    para ci&ecirc;ncias. Paralelamente, o g&eacute;nero pode assumir um duplo efeito    de condicionamento no &acirc;mbito das referidas <i>estrat&eacute;gias de estudo</i>,    cuja an&aacute;lise nos det&eacute;m: por um lado, alguns autores verificaram    que as alunas tendem a desempenhar melhor o <i>&quot;of&iacute;cio de aluno&quot;</i>   do que os seus colegas do g&eacute;nero masculino (Felouzis, 1997) o que, entre    outros aspectos, pode significar dissemelhan&ccedil;as na <i>estrat&eacute;gia    de estudo</i> dos dois g&eacute;neros; por outro, existe evid&ecirc;ncia emp&iacute;rica    que atesta que os rapazes e as raparigas s&atilde;o diferencialmente motivados    para as ci&ecirc;ncias no &acirc;mbito dos contextos de socializa&ccedil;&atilde;o,    o que tende a orientar os primeiros para as ci&ecirc;ncias e as segundas para    as letras (Calvert, 1999), o que, mais uma vez, pode ter reflexos em termos    do maior ou menor recurso ao visionamento de document&aacute;rios cient&iacute;ficos    enquanto parte integrante das fontes de informa&ccedil;&atilde;o para ci&ecirc;ncias.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> </p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p><b><i>Amostra</i></b></p>     <p>Constru&iacute;mos, de forma a dar prossecu&ccedil;&atilde;o ao nosso estudo,    uma amostra representativa dos alunos do Concelho de Olh&atilde;o, Distrito    de Faro. Para come&ccedil;ar, fizemos quest&atilde;o de incluir as quatro escolas    do Concelho, por existir uma elevada heterogeneidade entre elas, o que implicou    que as integr&aacute;ssemos a todas, de forma a evitarmos perder algum do particularismo    desse universo. Posteriormente, foram seleccionados 12 professores para o primeiro    ano de observa&ccedil;&atilde;o, sendo metade do 5&ordm; e a outra metade do    7&ordm; ano. A tiragem destes professores foi feita aleatoriamente. De cada    um desses professores retir&aacute;mos, tamb&eacute;m aleatoriamente, uma turma    para acompanhar ao longo do ano lectivo. No segundo ano de observa&ccedil;&atilde;o,    volt&aacute;mos a fazer uma nova tiragem aleat&oacute;ria de 12 professores    e de turmas, segundo o crit&eacute;rio que utiliz&aacute;ramos no ano anterior    e j&aacute; descrito. Desta forma, no conjunto dos dois anos, trabalh&aacute;mos    com uma amostra de 651 alunos, sendo 340 do 5&ordm; ano (52.6% do g&eacute;nero    masculino e 47.4% do g&eacute;nero feminino) e 311 do 7&ordm; (52.4% do g&eacute;nero    masculino e 47.6% do g&eacute;nero feminino).</p>     <p>A distribui&ccedil;&atilde;o de frequ&ecirc;ncias relativas aos n&iacute;veis    de escolaridade do pai foi a seguinte: 1&ordm; ciclo 62.5% para o 5&ordm; ano    (51.9% para o 7&ordm; ano); 2&ordm; Ciclo 10.1% para o 5&ordm; ano (11.3% para    o 7&ordm; ano); 3&ordm; Ciclo 9.3% para o 5&ordm; ano (14.2% para o 7&ordm;    ano); Secund&aacute;rio 6.7% para o 5&ordm; ano (15% para o 7&ordm; ano); Ensino    M&eacute;dio 6.7% para o 5&ordm; ano (5.2% para o 7&ordm; ano); Licenciatura    e mais 4.6% para o 5&ordm; ano (2.4% para o 7&ordm; ano).</p>     <p> </p>     <p><b><i>Plano de Observa&ccedil;&atilde;o</i></b></p>     <p>Em termos da constru&ccedil;&atilde;o do Plano de Observa&ccedil;&atilde;o,    de forma a evitarmos ir para o terreno com instrumentos previamente constru&iacute;dos    que, com grande probabilidade, condicionariam as nossas observa&ccedil;&otilde;es    (Delamont &amp; Hamilton, 1984; Hammersley, 1986, 1996; Shulman, 1989; Woods,    1986, etc.), desenvolvemos um processo de observa&ccedil;&atilde;o directa (Almeida    &amp; Pinto, 1994) de tipo naturalista (Estrela, 1995), que utiliz&aacute;mos    durante o primeiro ano de observa&ccedil;&atilde;o das aulas de cada professor    seleccionado. Esta informa&ccedil;&atilde;o foi sendo registada num di&aacute;rio    de campo (Albarello, Digneffe, Hiernaux, Maroy, Ruquoy &amp; Saint-Georges,    1997). No segundo ano de investiga&ccedil;&atilde;o, uma vez que este procedimento    anterior nos permitiu isolar as categorias mais relevantes a observar, partimos    para a observa&ccedil;&atilde;o dessas mesmas aulas mediante a utiliza&ccedil;&atilde;o    de uma grelha categorial do professor (que, decorrendo, como se disse, da nossa    observa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via, foi posteriormente adaptada de duas    fontes principais: Estrela &amp; Estrela, 1978; Postic, 1990), complementada    com uma grelha de sinais<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></sup> (baseada    em Estrela, 1995) para medir a quantidade e a qualidade da informa&ccedil;&atilde;o    veiculada pelo professor e pelos alunos.</p>     <p>Para a obten&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o respeitante a este    artigo em particular, constru&iacute;mos e aplic&aacute;mos aos alunos dois    question&aacute;rios semi-estruturados (Ghiglione &amp; Matalon, 1997) de forma    a identificarmos, pelas suas respostas, o tipo de estudo que os alunos faziam    para ci&ecirc;ncias, o gosto pela disciplina e outras vari&aacute;veis referentes    &agrave; sua caracteriza&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-demogr&aacute;fica.</p>     <p>Ao mesmo tempo, de forma a podermos avaliar a aprendizagem escrita dos alunos,    aplic&aacute;mos-lhes, no contexto de sala de aula, avalia&ccedil;&otilde;es    uniformes de conhecimentos (A1, A2 e A3), de forma a podermos comparar, com    um mesmo instrumento, o desempenho dos diferentes alunos dos diversos professores.    A medi&ccedil;&atilde;o do desempenho verbal dos alunos foi feita mediante a    aplica&ccedil;&atilde;o da j&aacute; referida grelha de sinais, tendente a medir    comunica&ccedil;&otilde;es verbais (adaptada de Estrela, 1995).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A compara&ccedil;&atilde;o da efic&aacute;cia de estudo dos diferentes alunos    em termos dos seus resultados em ci&ecirc;ncias foi a seguinte: os alunos foram    agrupados por grupos, em termos da informa&ccedil;&atilde;o que disseram ter    usado para responder &agrave;s nossas avalia&ccedil;&otilde;es: a) s&oacute;    aulas; b) aulas e visionamento televisivo; c) s&oacute; visionamento televisivo;    d) utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos did&aacute;cticos em casa.</p>     <p> </p>     <p><b><i>Cronologia</i></b></p>     <p>O estudo decorreu entre 25/10/1996 e 07/06/1998.</p>     <p> </p>     <p><b><i>Tratamento da informa&ccedil;&atilde;o recolhida</i></b></p>     <p>No que se refere ao tratamento da informa&ccedil;&atilde;o, em termos do estudo    maior donde retir&aacute;mos este artigo, constru&iacute;mos um <i>modelo causal</i>,    consubstanciado nas hip&oacute;teses que desenvolvemos, tendo como vari&aacute;veis    dependentes a aprendizagem dos alunos (medida nas avalia&ccedil;&otilde;es escritas,    o que deu origem a NNOTA1, NNOTA2 e NNOTA3 e na oralidade, com as vari&aacute;veis    IGO e PPART) e como vari&aacute;veis independentes a escolaridade do pai (N471),    a influ&ecirc;ncia familiar para o visionamento de document&aacute;rios cient&iacute;ficos    (N3), a posse de recursos did&aacute;cticos em casa (filmes e v&iacute;deos    (N4), por um lado e livros e revistas (N5), por outro), a profiss&atilde;o do    pai (APRO)<sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></sup>, a utiliza&ccedil;&atilde;o    no estudo dos recursos N4 e/ou N5 detidos (N7), o gosto por ci&ecirc;ncias (N8),    o tempo de visionamento dos document&aacute;rios cient&iacute;ficos (TEMPO),    o tempo de estudo formal para ci&ecirc;ncias (TRAB), a prefer&ecirc;ncia que    os alunos disseram ter entre a abordagem pedag&oacute;gica das aulas e a do    visionamento (PREF), o tipo de teste que os alunos fizeram (Tipo A1 e Tipo A2),    a fonte de informa&ccedil;&atilde;o na qual os alunos disseram ter-se baseado    para responder &agrave;s nossas avalia&ccedil;&otilde;es A1, A2 e A3 (FONTIN),    o tipo de professor (P), o g&eacute;nero (N45) e, por fim, a idade dos alunos    (N46). </p>     <p>Pela sua natureza, algumas destas vari&aacute;veis merecem um esclarecimento    adicional em termos da sua constru&ccedil;&atilde;o e/ou significado.</p>     <p>Em primeiro lugar, cabe referir que us&aacute;mos a vari&aacute;vel n&iacute;vel    de escolaridade do pai para medir a classe social dos alunos. Urge salientar    que a profiss&atilde;o do pai (APRO) seria uma outra vari&aacute;vel relevante    a ter em conta na determina&ccedil;&atilde;o da classe social de cada aluno.    No entanto, como obtivemos entre ela e a escolaridade do pai uma elevada correla&ccedil;&atilde;o    (*=0.82), assumimos esta &uacute;ltima vari&aacute;vel como agregando o essencial    das rela&ccedil;&otilde;es que estabelecer&iacute;amos com a profiss&atilde;o    do pai.</p>     <p>Para medirmos o tempo de visionamento dos document&aacute;rios cient&iacute;ficos    que os alunos disseram ter feito em suas casas (TEMPO), agreg&aacute;mos as    categorias das seguintes perguntas: 1 - Costumas ver o BBC Vida Selvagem?; 2    - Costumas ver outros do mesmo g&eacute;nero (<i>National Geographic, 100 % Natural,    &Aacute;frica Selvagem</i>, etc.)? Tratavam-se de perguntas previamente codificadas,    com quatro possibilidades de escolha: 'Nunca', 'Quase Nunca', 'Quase Sempre'    e 'Sempre'. Atrav&eacute;s dessa agrega&ccedil;&atilde;o constitu&iacute;mos    uma &uacute;nica vari&aacute;vel TEMPO, para tal tendo procedido do seguinte    modo: a) determin&aacute;mos o tempo de dura&ccedil;&atilde;o de cada um dos    programas em estudo. A dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de todos esses programas    era de 50 minutos (BBC, National Geographic e 100% Natural); b) verific&aacute;mos    que os dois primeiros (National Geographic e o BBC) eram transmitidos apenas    uma vez por semana, ao S&aacute;bado e ao Domingo, respectivamente, o que produziu    4 transmiss&otilde;es por m&ecirc;s. Por seu lado, o 100% Natural era transmitido    de 2&ordf; a 6&ordf; Feira, 5 vezes por semana e, consequentemente, 20 por m&ecirc;s;    c) aplic&aacute;mos aos dois primeiros programas um coeficiente de visionamento    1, dado que nada levava a crer que os alunos n&atilde;o assistissem &agrave;    sua transmiss&atilde;o at&eacute; ao fim. J&aacute; no que se refere ao 100%    Natural, aplic&aacute;mos um coeficiente de 0.(3), dado que o hor&aacute;rio    das aulas e os pr&oacute;prios testemunhos dos alunos nos levaram a crer que,    mesmo os mais ass&iacute;duos, nunca teriam conseguido ver mais do que 1/3 desses    programas devido &agrave; hora a que chegavam a suas casas; d) por forma a constituir    um &iacute;ndice de visionamento e, dado que cada uma das vari&aacute;veis referidas    previa uma escolha m&uacute;ltipla de vejo 'Nunca', 'Quase Nunca', 'Quase Sempre'    e 'Sempre', atribu&iacute;mos &agrave; 1&ordf; categoria referida o valor 0,    &agrave; segunda o valor 1/4, &agrave; terceira o valor 3/4 e &agrave; quarta    o valor 1; e) com base em todos os procedimentos anteriores constru&iacute;mos    uma vari&aacute;vel de intervalo (v&aacute;rios autores consideram este tipo    de escalas ordinais como sendo intervalares): para cada aluno <i>a posteriori</i> foi    o tempo de visionamento do(s) document&aacute;rio(s) que v&ecirc;, multiplicado    por 4 ou por 20 (conforme os casos e seguindo o crit&eacute;rio definido na    al&iacute;nea b), pelo coeficiente de visionamento (1 ou 1/3) e pelas categorias    das vari&aacute;veis iniciais: 0, 1/4, 3/4 ou 1. Assim, por exemplo, um aluno    que tivesse respondido que tinha visto 'Quase Sempre' o National Geographic    teria tido como tempo de visionamento: 50_4_1_0.75=150 (minutos mensais). Tivemos    de proceder deste modo por ser muito dif&iacute;cil colocar os alunos a fazerem    estas contas e determinarem eles qual o tempo efectivo de visionamento mensal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Paralelamente, para construirmos a vari&aacute;vel referente ao tempo de estudo    formal para ci&ecirc;ncias (TRAB), agreg&aacute;mos as respostas das perguntas    <i>Quanto tempo di&aacute;rio costumas estudar ci&ecirc;ncias (pelo manual escolar    e pelos apontamentos das aulas)?; Quanto tempo costumas estudar ci&ecirc;ncias    (pelo manual escolar e pelos apontamentos das aulas)?</i> A primeira destinada aos    alunos que disseram estudar todos os dias para ci&ecirc;ncias e a segunda para    os que disseram que n&atilde;o o faziam com essa regularidade, numa &uacute;nica    vari&aacute;vel TRAB, medida em minutos, com os valores intervalares 0-20, 20-40,    40-60, 60-80, 80-100, 100-200 e 200 <i>e</i>+.</p>     <p>Como j&aacute; dissemos, os alunos integrantes da nossa amostra foram avaliados    na escrita atrav&eacute;s de tr&ecirc;s avalia&ccedil;&otilde;es uniformes de    conhecimentos (A1, A2 e A3), cujas notas foram, respectivamente, NNOTA1, 2 e    3. Por sua vez, na oralidade, a qualidade e a quantidade das suas comunica&ccedil;&otilde;es    verbais foram medidas sistematicamente dando origem, respectivamente, ao &Iacute;ndice    Geral de Observa&ccedil;&atilde;o de Informa&ccedil;&atilde;o transmitida pelos    alunos (IGO) e &agrave; Percentagem de Aulas por n&oacute;s Assistidas em que    os Alunos Participaram (PPART).</p>     <p>Comecemos por ver, brevemente, a constru&ccedil;&atilde;o do &Iacute;ndice    Geral de Observa&ccedil;&atilde;o de Informa&ccedil;&atilde;o transmitida pelos    alunos (IGO). Numa planta de sala de aula, tal como sugerido por Estrela (1995),    fomos registando, para cada aluno, a totalidade das suas comunica&ccedil;&otilde;es    verbais, relacionadas com a mat&eacute;ria (program&aacute;ticas), ou n&atilde;o,    utilizando, para tanto, os diversos sinais da Grelha de Sinais proposta por    Estrela (<i>op. cit.</i>) ou por n&oacute;s criados especificamente para esse fim.    Aqui cabe referir brevemente que os sinais criados por esse autor n&atilde;o    permitiam separar, entre os diferentes tipos de comunica&ccedil;&otilde;es (perguntas,    respostas, exposi&ccedil;&otilde;es/explica&ccedil;&otilde;es espont&acirc;neas,    etc.), quais eram de natureza program&aacute;tica (ou seja, que se referiam    a conhecimentos/&quot;mat&eacute;ria&quot;) e quais eram de natureza diferente.    Por exemplo: O aluno faz uma pergunta sobre o regime alimentar de um animal,    ou d&aacute; espontaneamente uma explica&ccedil;&atilde;o sobre o revestimento    de um insecto (car&aacute;cter program&aacute;tico); um outro aluno pergunta    em que dia &eacute; a P&aacute;scoa, ou explica, por solicita&ccedil;&atilde;o    do professor, por que motivo um colega est&aacute; a faltar &agrave;s aulas    (car&aacute;cter n&atilde;o program&aacute;tico). Assim, tivemos que criar sinais    espec&iacute;ficos para medir cada um dos tipos poss&iacute;veis de comunica&ccedil;&otilde;es    program&aacute;ticas em sala de aula, para poder posteriormente avaliar o desempenho    de cada aluno e tamb&eacute;m do professor (situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o    analisaremos aqui). </p>     <p>Al&eacute;m de termos tido na constru&ccedil;&atilde;o de cada um desses sinais    a preocupa&ccedil;&atilde;o em indicar o n&iacute;vel de correc&ccedil;&atilde;o    da presta&ccedil;&atilde;o do aluno (fosse ela uma pergunta, uma resposta a    uma pergunta do professor, uma exposi&ccedil;&atilde;o/explica&ccedil;&atilde;o    a pedido do professor ou uma exposi&ccedil;&atilde;o/explica&ccedil;&atilde;o    espont&acirc;nea), isto &eacute;, se era parcialmente certa, certa ou errada,    procur&aacute;mos, igualmente, identificar se o tipo de comunica&ccedil;&atilde;o    iria para al&eacute;m das explica&ccedil;&otilde;es previstas no Manual Escolar,    complementando-as (situa&ccedil;&atilde;o indicada como sendo supra-program&aacute;tica    ou com acrescento), por nos interessar medir o valor dos contributos em fun&ccedil;&atilde;o    das fontes utilizadas pelos alunos ou se, pelo contr&aacute;rio, estava ao n&iacute;vel    do Manual. No primeiro caso, seria considerada supra program&aacute;tica e no    segundo program&aacute;tica. Por vezes, no final da aula, tivemos de recorrer    ao aux&iacute;lio do professor para lhe mostrar esses registos e perceber em    que categoria dever&iacute;amos inclu&iacute;-los. Exemplifiquemos. Numa determinada    aula, um aluno fez quatro perguntas, sendo tr&ecirc;s certas (uma com acrescento,    ou supra program&aacute;tica, e duas sem acrescento) e outra errada; apresentou    espontaneamente (sem ser solicitado pelo professor para faz&ecirc;-lo) uma exposi&ccedil;&atilde;o/explica&ccedil;&atilde;o    certa com acrescento (ou supra program&aacute;tica) sobre a mat&eacute;ria;    fez tr&ecirc;s exposi&ccedil;&otilde;es/explica&ccedil;&otilde;es &agrave; turma    (por solicita&ccedil;&atilde;o do professor), uma certa com acrescento, outra    parcialmente certa sem acrescento e outra errada. E, por fim, deu duas respostas    a perguntas do professor, uma parcialmente certa com acrescento, a outra certa    sem acrescento. Ent&atilde;o, atrav&eacute;s dos respectivos pesos expressamente    previstos na Grelha de Sinais j&aacute; referida<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></sup>,    esse aluno ter&aacute; participado nessa aula com um valor de participa&ccedil;&atilde;o    verbal de:</p>     <p>IGO=1x2+2x1+1x0+1x4+1x4+1x1+1x0+1x2+1x3=18</p>     <p>Por sua vez, para a determina&ccedil;&atilde;o de PPART fomos ver em quantas    das aulas por n&oacute;s assistidas (seis para cada turma do 5&ordm; ano e cinco    para cada turma do 7&ordm;) o aluno participou. Dividimos esse valor pelo n&uacute;mero    de aulas assistidas e multiplic&aacute;mos por 100. Assim, por exemplo para    o 5&ordm; ano, em que assistimos a seis aulas, se o aluno tivesse participado    numa &uacute;nica aula, a sua percentagem de participa&ccedil;&atilde;o teria    sido 1/6=0,66(6)x100=16.(6) -&gt;17%. Neste caso, n&atilde;o nos interessou    o valor da participa&ccedil;&atilde;o por aula, pois por cada aula em que interveio    contou, invariavelmente, 1. Imaginemos uma situa&ccedil;&atilde;o esclarecedora:    um aluno pode ter participado em todas as aulas (seis no 5&ordm; e cinco no    7&ordm; ano), ou seja, teve uma percentagem m&aacute;xima de participa&ccedil;&otilde;es:    PPART=100% (6/6x100 no 5&ordm; ano e 5/5x100 no 7&ordm; ano). No entanto, se,    no c&ocirc;mputo geral, n&atilde;o conseguiu produzir nenhuma comunica&ccedil;&atilde;o    informativa v&aacute;lida (deu respostas erradas, fez perguntas descontextualizadas,    etc.), ent&atilde;o ele ter&aacute; tido um total comunicacional informativo    m&iacute;nimo (IGO=0). Mediante PPART pretendemos ver a const&acirc;ncia participativa    ao longo do conjunto das aulas assistidas. Por sua vez, para medir a qualidade    e a quantidade dessas participa&ccedil;&otilde;es cri&aacute;mos o &Iacute;ndice    Geral de Observa&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o transmitida pelos    alunos (IGO). Por fim, cabe salientar que IGO apresentou, para o 5&ordm; ano,    valores entre 0 e 72 unidades inclusive. Por sua vez, para o 7&ordm; ano, esta    vari&aacute;vel IGO apresentou uma amplitude de valores compreendidos entre    0 e 70 inclusive. Ou seja, o intervalo de varia&ccedil;&atilde;o foi praticamente    o mesmo. (Para uma an&aacute;lise exaustiva sobre a constru&ccedil;&atilde;o    destas duas vari&aacute;veis, veja-se Dias, 2004). </p>     <p>Posteriormente, aplic&aacute;mos um teste F, entre as vari&aacute;veis de intervalo,    para comparar a vari&acirc;ncia existente dentro de cada grupo com a vari&acirc;ncia    entre grupos, no que concerne aos resultados (Bryman &amp; Cramer, 1996). Procedemos    de igual modo, para medir as associa&ccedil;&otilde;es entre as vari&aacute;veis    nominais e ordinais atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o de modelos loglineares.    Atrav&eacute;s destes dois procedimentos estat&iacute;sticos, modelos loglineares    e an&aacute;lise da vari&acirc;ncia, pudemos determinar as vari&aacute;veis    com rela&ccedil;&otilde;es estatisticamente significativas entre si. As restantes    ficaram representadas nos diagramas causais, mas sem liga&ccedil;&otilde;es    lineares, obviamente (Tipo A1, Tipo A2, PREF e N46). </p>     <p>Finalmente, desenvolvemos um estudo modelar de <i>path analysis</i> (Bravo, 1986;    Bryman &amp; Cramer, 1996) para determinar, mais concretamente, o peso de cada    vari&aacute;vel na aprendizagem (verbal e escrita) e para orientar com mais    precis&atilde;o o tipo de <i>modelo causal</i> v&aacute;lido entre as nossas vari&aacute;veis    em estudo. Neste tipo de an&aacute;lise, trabalh&aacute;mos com coeficientes    de regress&atilde;o estandardizados ou coeficientes beta (&szlig;), que nos    indicam os efeitos directos (causalidade) das vari&aacute;veis entre si, e com    os coeficientes de determina&ccedil;&atilde;o m&uacute;ltipla (R<sup>2</sup>), que nos    permitem compreender a percentagem de varia&ccedil;&atilde;o de cada vari&aacute;vel    dependente que &eacute; devida ao modelo (Bryman &amp; Cramer, 1996: 296).</p>     <p> </p>      <p><b>An&aacute;lise de dados</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>Tempo de estudo, Tempo de visionamento e utiliza&ccedil;&atilde;o em casa dos    recursos did&aacute;cticos dispon&iacute;veis</i></b></p>     <p>Atrav&eacute;s dos nossos dois modelos causais<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></sup>    conseguimos explicar, em m&eacute;dia, cerca de 70% das varia&ccedil;&otilde;es    observadas nas vari&aacute;veis respeitantes ao desempenho escrito dos alunos<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>    tendo, por isso, conseguido localizar-nos pr&oacute;ximo da <i>clausura do sistema</i>.    J&aacute; para a presta&ccedil;&atilde;o verbal dos alunos esse valor foi bastante    menor<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></sup>. Neste caso, os nossos    dois modelos localizaram-se longe da <i>clausura do sistema</i>, admitindo-se, por    isso, que outras vari&aacute;veis que n&atilde;o consider&aacute;mos fossem    igualmente relevantes para explicar o desempenho verbal dos alunos.</p>     <p>Paralelamente, em ambos os modelos, a <i>toler&acirc;ncia</i> entre as vari&aacute;veis    apresentou valores elevados, pelo que pudemos excluir a hip&oacute;tese de verificar-se    <i>multicolinearidade</i> entre elas.</p>     <p> </p>     <p><i>a) Tempo de estudo e resultados em ci&ecirc;ncias</i></p>     <p>Quer para o 5&ordm; quer para o 7&ordm; ano, a vari&aacute;vel que mais se    destacou em termos dos resultados dos alunos foi o tempo que estes dedicaram    ao estudo formal atrav&eacute;s do uso do manual escolar e dos apontamentos    das aulas (TRAB). Para o 5&ordm; ano, esta vari&aacute;vel definiu com os resultados    escritos dos alunos, NNOTA1, NNOTA2 e NNOTA3, um efeito directo, respectivamente,    de &szlig;=0.43, p&lt;0.00005 (&szlig;=0.58, p&lt;0.00005 para o 7&ordm; ano),    &szlig;=0.36, p&lt;0.00005 (&szlig;=0.52, p&lt;0.00005 para o 7&ordm; ano) e    &szlig;=0.33, p&lt;0.00005 (&szlig;=0.35, p&lt;0.00005 para o 7&ordm; ano).    Mormente, para o 5&ordm; ano, o tempo de estudo (TRAB) estabeleceu com a quantidade    e a qualidade da informa&ccedil;&atilde;o transmitida pelos alunos em sala de    aula (IGO) um efeito directo &szlig;=0.23, p&lt;0.05 (&szlig;=0.26, p&lt;0.05    para o 7&ordm; ano). Para o 5&ordm; ano, contudo, essa vari&aacute;vel n&atilde;o    estabeleceu qualquer efeito directo com a percentagem de participa&ccedil;&otilde;es    dos alunos nas aulas assistidas (&szlig;=0)<sup><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></sup>;    j&aacute; para o 7&ordm; ano, o referido efeito directo foi de &szlig;=0.34,    p&lt;0.0005.</p>     <p> </p>     <p><i>b) Tempo de visionamento e resultados em ci&ecirc;ncias</i></p>     <p>Quanto ao impacto do tempo de visionamento de document&aacute;rios cient&iacute;ficos    sobre a natureza (TEMPO), vari&aacute;vel cuja import&acirc;ncia o estudo pretendia    comparar face &agrave;s aulas, ele descreve padr&otilde;es diferentes de influ&ecirc;ncia    no aproveitamento dos alunos, consoante nos referimos ao 5&ordm; ou ao 7&ordm;    ano. Vejamos: a) para o 5&ordm; ano, definem-se efeitos directos e indirectos    &#8212; via a vari&aacute;vel Fonte de Informa&ccedil;&atilde;o (FONTIN) e via    uma rela&ccedil;&atilde;o de tipo n&atilde;o recursivo com a vari&aacute;vel    tempo de estudo (TRAB) &#8212; da vari&aacute;vel tempo de visionamento (TEMPO)    nos resultados escritos dos alunos (com excep&ccedil;&atilde;o de NNOTA2 em    rela&ccedil;&atilde;o &agrave; qual o tempo de visionamento n&atilde;o apresentou    efeito directo). Os valores desses efeitos directos foram, respectivamente,    para NNOTA1 e NNOTA3, &szlig;=0.18, p&lt;0.01 e &szlig;=0.17, p&lt;0.01. Paralelamente,    verifica-se um efeito indirecto do tempo de visionamento (TEMPO) atrav&eacute;s    da fonte de informa&ccedil;&atilde;o que os alunos disseram ter usado para responder    &agrave;s tr&ecirc;s provas de avalia&ccedil;&atilde;o escrita que lhes pass&aacute;mos:    A1, A2 e A3 (FONTIN). Esse efeito nas tr&ecirc;s notas obtidas nessas avalia&ccedil;&otilde;es    escritas (NNOTA1, NNOTA2 e NNOTA3) foi, respectivamente, de 0.0096<sup><a href="#8">8</a><a name="top8"></a></sup>,    0.0672 e 0.0432. Desta forma, o efeito total nos resultados escritos dos alunos    (soma do efeito directo com os efeitos indirectos resultantes de rela&ccedil;&otilde;es    recursivas, calcul&aacute;veis, portanto) &eacute;, respectivamente, de 0.1896,    0.0672 e 0.2132. </p>     <p>Os dados indicam &#8212; e era previs&iacute;vel &#8212; que a fonte de informa&ccedil;&atilde;o    na qual os alunos disseram ter-se baseado para responder &agrave;s nossas tr&ecirc;s    avalia&ccedil;&otilde;es (FONTIN) est&aacute; ligada &agrave; vari&aacute;vel    TEMPO. De facto, foram tendencialmente os alunos que disseram dedicar mais tempo    ao visionamento dos document&aacute;rios cient&iacute;ficos sobre a natureza    os que afirmaram que, para responder &agrave;s nossas tr&ecirc;s avalia&ccedil;&otilde;es,    se basearam neles e nas aulas ou somente neles. Mas, ent&atilde;o, como entender    que relativamente a NNOTA1 e NNOTA3 a rela&ccedil;&atilde;o entre TEMPO e estas    vari&aacute;veis permane&ccedil;a significativa, mesmo controlando FONTIN? Pensamos    que os alunos nem sempre t&ecirc;m consci&ecirc;ncia do verdadeiro impacto do    seu visionamento. V&ecirc;em os document&aacute;rios cient&iacute;ficos em an&aacute;lise    essencialmente por uma raz&atilde;o l&uacute;dica e n&atilde;o se apercebem    do impacto que esse visionamento tem na sua aprendizagem. Ao responderem aos    testes, n&atilde;o obstante utilizarem exemplos e explica&ccedil;&otilde;es    extra&iacute;das desses programas, atribuem-nas exclusivamente &agrave;s aulas    e, por esse facto, FONTIN n&atilde;o coincide com TEMPO. Os dados dispon&iacute;veis    apontam neste sentido. De facto, a maioria dos alunos que disseram ver frequentemente,    mas apenas por raz&otilde;es l&uacute;dicas, ao serem questionados sobre a fonte    informativa na qual se basearam para responderem &agrave;s perguntas do teste    afirmaram ser exclusivamente as aulas. Curiosamente, os seus testes evidenciavam    in&uacute;meros exemplos que n&atilde;o tinham sido dados a&iacute;, antes na    Televis&atilde;o, e eles, por verem por raz&otilde;es l&uacute;dicas, n&atilde;o    tinham disso consci&ecirc;ncia, quest&atilde;o que detalharemos melhor adiante.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por sua vez, a rela&ccedil;&atilde;o entre TEMPO e NNOTA 1, 2 ou 3 &eacute;    uma rela&ccedil;&atilde;o moderada pela vari&aacute;vel FONTIN<sup><a href="#9">9</a><a name="top9"></a></sup>.    Na verdade, o impacto da vari&aacute;vel tempo de visionamento (TEMPO) nos resultados    dos alunos n&atilde;o foi o mesmo segundo duas das categorias de resposta da    vari&aacute;vel fonte de informa&ccedil;&atilde;o na qual os alunos disseram    ter-se baseado para responder &agrave;s nossas tr&ecirc;s avalia&ccedil;&otilde;es    escritas, A1, A2 e A3 (FONTIN). De facto, foram os alunos que disseram usar    em simult&acirc;neo o visionamento televisivo e o estudo formal para ci&ecirc;ncias    (TRAB) os que conseguiram resultados mais elevados, superiorizando-se claramente    aos que disseram apenas basear-se na informa&ccedil;&atilde;o das aulas (manual    e apontamentos); pelo contr&aacute;rio, os alunos que afirmaram ter-se baseado    somente no visionamento de document&aacute;rios cient&iacute;ficos obtiveram    resultados muito baixos. A rela&ccedil;&atilde;o do tempo de visionamento (TEMPO)    nos resultados dos alunos (NNOTA1, 2 e 3), moderada pela vari&aacute;vel FONTIN,    podem ver-se na tabela abaixo para o 5&ordm; ano:</p>     <p align="center"> </p>     <p align="center"><b>Tabela 1 - Resultados m&eacute;dios segundo tr&ecirc;s fontes    de informa&ccedil;&atilde;o (5&ordm; ano)</b></p>     <div align="center"><img src="/img/revistas/rpe/v22n1/22n1a03t1.gif"> </div>     
<p></p>     <p>Para qualquer das notas escritas, veja-se como se superioriza de forma flagrante    a estrat&eacute;gia de estudo que cont&eacute;m como fontes de informa&ccedil;&atilde;o    o visionamento e as aulas cumulativamente (<i>estrat&eacute;gia formal e informal    televisiva</i>) comparativamente &agrave;quela que apenas usa as aulas (<i>estrat&eacute;gia    formal</i>). Por outro lado, avultam, tamb&eacute;m, os maus resultados obtidos    s&oacute; com o visionamento (<i>estrat&eacute;gia informal-televisiva</i>) e, mais    ainda, os resultados ainda piores para os alunos que disseram basear-se somente    nos recursos did&aacute;cticos que t&ecirc;m em casa (<i>estrat&eacute;gia informal-familiar</i>).    Este aspecto alerta para a inoper&acirc;ncia de um estudo n&atilde;o acompanhado    nestas idades, feito atrav&eacute;s dessas fontes de forma exclusiva.</p>     <p>Por sua vez, ainda para o 5&ordm; ano, o tempo de visionamento dos document&aacute;rios    cient&iacute;ficos apresentou um <i>efeito directo</i> na qualidade e na quantidade    de informa&ccedil;&atilde;o que cada aluno transmitiu em sala de aula (IGO),    atrav&eacute;s de um coeficiente &szlig;=0.32, p&lt;0.001. Ou seja, foram, tendencialmente,    os alunos que mais assistiram a esses document&aacute;rios os que apresentaram    melhores participa&ccedil;&otilde;es verbais em sala de aula (perguntas e/ou    respostas e/ou interven&ccedil;&otilde;es solicitadas pelo professor ou espont&acirc;neas).    Mormente, foram tamb&eacute;m esses alunos os que intervieram maior n&uacute;mero    de vezes ao longo das aulas por n&oacute;s assistidas (PPART), definindo-se    entre TEMPO e PPART um coeficiente &szlig;=0.29, p&lt;0.00005. </p>     <p>Para o 7&ordm; ano, &#8212; mostrando maior coer&ecirc;ncia entre as respostas    &agrave; pergunta sobre o tempo de visionamento dos document&aacute;rios cient&iacute;ficos    (TEMPO) e &agrave; quest&atilde;o sobre a fonte na qual os alunos se basearam    para responder &agrave;s nossas tr&ecirc;s avalia&ccedil;&otilde;es (FONTIN)    &#8212; n&atilde;o se verificou um efeito directo entre o TEMPO e os resultados    escritos dos alunos. O valor do efeito total do TEMPO nos resultados escritos    dos alunos (NNOTA1, NNOTA2 e NNOTA3) foi, respectivamente, de 0.0468, 0.0572    e 0.0572. Ou seja, como se pode ver, embora haja de facto uma rela&ccedil;&atilde;o    directa e positiva entre o tempo de visionamento dos document&aacute;rios em    estudo e as notas escritas dos alunos, essa influ&ecirc;ncia foi bastante menor    para o 7&ordm; ano do que o fora para o 5&ordm; ano, apresentando agora muito    pouca intensidade a rela&ccedil;&atilde;o entre ambas as vari&aacute;veis.</p>     <p>Vejamos, tal como fizemos para o 5&ordm; ano, a rela&ccedil;&atilde;o moderada    por FONTIN entre o tempo de visionamento (TEMPO) e os resultados dos alunos    (NNOTA1, 2 e 3):</p>     <p> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><b>Tabela 2 - Resultados m&eacute;dios segundo tr&ecirc;s fontes de informa&ccedil;&atilde;o    (7&ordm; ANO)</b></p>     <div align="center"><img src="/img/revistas/rpe/v22n1/22n1a03t2.gif"> </div>     
<p></p>     <p>Paralelamente, a vari&aacute;vel TEMPO n&atilde;o apresentou um <i>efeito directo</i>    na qualidade e na quantidade de informa&ccedil;&atilde;o transmitida pelos alunos    (IGO). O tempo de visionamento dos document&aacute;rios em estudo apenas se    revelou positivamente associado &agrave; percentagem de participa&ccedil;&otilde;es    dos alunos nas aulas por n&oacute;s assistidas (PPART)(&szlig;=0.19, p&lt;0.01).    Ora, o facto de haver uma percentagem de alunos que participa mais (PPART) quando    v&ecirc; mais tempo esses document&aacute;rios, sem correspond&ecirc;ncia directa    na qualidade e na quantidade dessas mesmas participa&ccedil;&otilde;es (IGO),    pode, afinal, revelar que muitas delas ser&atilde;o incorrectas ou, quando menos,    mal formuladas. O efeito de um visionamento n&atilde;o apoiado por um adulto    em casa ou pelo professor na aula pode voltar aqui a ser legitimamente questionado,    dada a inefic&aacute;cia a que conduz.</p>     <p> </p>     <p><b><i>Motiva&ccedil;&otilde;es para o visionamento (l&uacute;dicas ou formativas)    e aprendizagem</i></b></p>     <p>Numa aproxima&ccedil;&atilde;o algo mais anal&iacute;tica, compar&aacute;mos    o desempenho dos alunos que disseram ver os document&aacute;rios por quest&otilde;es    expl&iacute;citas de aprendizagem (dimens&atilde;o formativa) e os que disseram    faz&ecirc;-lo por fins eminentemente l&uacute;dicos (dimens&atilde;o l&uacute;dica).    Vejamos os resultados que conseguimos:</p>     <p> </p>     <p align="center"><b>Tabela 3 - Aprendizagem por tipo de visionamento (5&ordm; ano)</b></p>     <div align="center"><img src="/img/revistas/rpe/v22n1/22n1a03t3.gif"> </div>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>Curiosamente, no que se refere aos resultados das avalia&ccedil;&otilde;es    escritas, as diferen&ccedil;as entre o visionamento intencionalmente direccionado    para a aprendizagem e o visionamento orientado por quest&otilde;es essencialmente    l&uacute;dicas n&atilde;o apresentaram dissemelhan&ccedil;as muito grandes,    pelo menos t&atilde;o not&oacute;rias quanto, &agrave; primeira vista, se poderia    ser levado a pensar. De facto, elas foram para NNOTA1, NNOTA2 e NNOTA3, respectivamente,    0.56, 0.64 e 0.1. (valores). Al&eacute;m disso, especificamente no caso de NNOTA3,    quase n&atilde;o se verificou diferen&ccedil;a entre as duas modalidades de    visionamento.</p>     <p>Vejamos agora o que se passa relativamente &agrave;s participa&ccedil;&otilde;es    verbais dos alunos. Aqui h&aacute; a salientar dois aspectos interessantes:    1&ordm; o &iacute;ndice geral de observa&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o    transmitida pelos alunos (IGO) superiorizou-se para os alunos que disseram ver    explicitamente por raz&otilde;es formativas, face aos seus colegas que aludiram    para tal visionamento motiva&ccedil;&otilde;es l&uacute;dicas<sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a></sup>;    2&ordm; pelo contr&aacute;rio, em termos da percentagem de aulas por n&oacute;s    assistidas nas quais os alunos participaram (PPART), a tend&ecirc;ncia inverte-se:    s&atilde;o agora os alunos que disseram ver os document&aacute;rios cient&iacute;ficos    por raz&otilde;es l&uacute;dicas que, definindo uma diferen&ccedil;a de 14%,    se destacaram face aos seus colegas que disseram faz&ecirc;-lo visando a sua    forma&ccedil;&atilde;o. Cabe aqui salientar o seguinte: existe uma grande diferen&ccedil;a    entre participar nas aulas, conduzindo a um n&iacute;vel de participa&ccedil;&otilde;es    elevadas, e faz&ecirc;-lo de uma forma correcta. Parece, segundo os dados indicam,    que os alunos que visionam, orientados por objectivos l&uacute;dicos, conseguem    alguma informa&ccedil;&atilde;o mediante o seu visionamento televisivo o que    os leva a querer participar mais. No entanto, talvez devido ao seu n&iacute;vel    de aten&ccedil;&atilde;o durante os programas, acabam por importar para a sala    de aula muitos exemplos que n&atilde;o est&atilde;o correctamente percebidos,    da&iacute; a inefic&aacute;cia das suas participa&ccedil;&otilde;es. Esta conclus&atilde;o,    contudo, apenas pudemos confirm&aacute;-la para alguns dos alunos, pois inquirimo-los    directamente sobre esta discrep&acirc;ncia, ou seja, quanto &agrave; diferen&ccedil;a    entre a percentagem de participa&ccedil;&otilde;es e a sua efic&aacute;cia medida    por IGO. Noutros casos, fomos n&oacute;s que percebemos que eles procuraram    introduzir nos debates das aulas conclus&otilde;es oriundas da televis&atilde;o    e de outras fontes de informa&ccedil;&atilde;o, contributos esses reveladores    de uma incompreens&atilde;o das liga&ccedil;&otilde;es conceptuais mais relevantes.    A generaliza&ccedil;&atilde;o desta an&aacute;lise, contudo, parece-nos algo    abusiva, pois muitos dos alunos n&atilde;o identificaram claramente os motivos    desta discrep&acirc;ncia, talvez tamb&eacute;m por n&atilde;o saberem, permanecendo,    portanto, aqui, uma zona de penumbra que, por ora, n&atilde;o ficou cabalmente    explicitada. Para finalizar este ponto, cabe salientar o valor que o pr&oacute;prio    erro e que, portanto, estas comunica&ccedil;&otilde;es ineficazes podem ter,    desde que devidamente potencializadas pelo professor ou por algum aluno capaz    de corrigi-las ou alter&aacute;-las o suficiente para adequ&aacute;-las &agrave;    realidade cient&iacute;fica correcta.</p>     <p>Fa&ccedil;amos agora uma diferencia&ccedil;&atilde;o como aquela que acab&aacute;mos    de apresentar, mas para o 7&ordm; ano:</p>     <p align="center"> </p>     <p align="center"><b>Tabela 3 - Aprendizagem por tipo de visionamento (7&ordm;    ano)</b></p>     <div align="center"><img src="/img/revistas/rpe/v22n1/22n1a03t4.gif"> </div>     
<p></p>     <p>No caso dos alunos do 7&ordm; ano, define-se uma clara separa&ccedil;&atilde;o    entre os resultados conseguidos mediante um visionamento orientado por motivos    l&uacute;dicos daquele que lhe corresponde mas motivado por uma vontade manifesta    de forma&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>De facto, ao contr&aacute;rio do que acontecera para o 5&ordm; ano, agora as    diferen&ccedil;as entre NNOTA1, NNOTA2 e NNOTA3 s&atilde;o not&oacute;rias,    respectiva-mente, de 1.28, 1.65 e 1.64 (valores). Tamb&eacute;m no que se refere    &agrave; informa&ccedil;&atilde;o verbal transmitida pelos alunos esta tend&ecirc;ncia    se verifica, havendo agora a registar uma diferen&ccedil;a de 6.99 unidades    contra as 5.67 que se tinham verifica-do para o 5&ordm; ano<sup><a href="#11">11</a><a name="top11"></a></sup>.    Por fim, cabe salientar que, embora mantendo-se a tend&ecirc;ncia para haver    uma percentagem de participa&ccedil;&otilde;es por parte dos alunos que disseram    ver os programas por raz&otilde;es l&uacute;dicas n&atilde;o correspondente    &agrave; efic&aacute;cia conseguida com tais participa&ccedil;&otilde;es, a    tend&ecirc;ncia agora atenuou-se, sendo at&eacute; ligeiramente superior para    os alunos que disseram ver os programas por motivos formativos (42.12%) face    aos seus colegas que disseram faz&ecirc;-lo ludicamente (41.9%).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> </p>     <p><i>c) Utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos did&aacute;cticos em casa e resultados    em ci&ecirc;ncias</i></p>     <p>Os dados indicam que a posse de recursos, quer filmes e v&iacute;deos (N4)    quer livros e revistas (N5), descreve um padr&atilde;o semelhante para o 5&ordm;    e para o 7&ordm; ano: em ambos os casos esses recursos n&atilde;o apresentaram    um <i>efeito</i> directo na aprendizagem dos alunos, uma vez que a vari&aacute;vel    que indica a sua utiliza&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o &#8212; utiliza&ccedil;&atilde;o    de recursos did&aacute;cticos no estudo (N7) &#8212; tamb&eacute;m n&atilde;o    apresentou um <i>efeito directo</i> sobre esses mesmos resultados. Embora para ambos    os anos de estudo em an&aacute;lise a vari&aacute;vel utiliza&ccedil;&atilde;o    de recursos (N7) surja associada (atrav&eacute;s de uma rela&ccedil;&atilde;o    de tipo n&atilde;o recursivo) ao gosto por ci&ecirc;ncias (N8) que tem efeito    directo nos resultados dos alunos, vari&aacute;vel que, mormente, define uma    rela&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m ela de tipo n&atilde;o recursivo com o tempo    de estudo para ci&ecirc;ncias (TRAB), vari&aacute;vel tamb&eacute;m ela muito    importante para a aprendizagem dos alunos, a verdade &eacute; que, para estes    dois anos de estudo, a utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos que n&atilde;o os    apontamentos das aulas ou o manual escolar &eacute; ainda muito pouco relevante    para a aprendizagem nesta disciplina.</p>     <p> </p>     <p><b><i>Tempo de estudo, tempo de visionamento, posse e utiliza&ccedil;&atilde;o de    recursos, no &acirc;mbito do contexto familiar dos alunos</i></b></p>     <p>Conforme podemos observar nos diagramas causais dos 5&ordm; e 7&ordm; anos,    o tempo de estudo para ci&ecirc;ncias pelos manual escolar e pelos apontamentos    das aulas (TRAB) &eacute; condicionado, por efeito directo, pelo n&iacute;vel    de escolaridade do pai (&szlig;=0.31, p&lt;0.00005, para o 5&ordm; ano e &szlig;=0.43,    p&lt;0.00005, para o 7&ordm; ano). Essa vari&aacute;vel &eacute; tamb&eacute;m    condicionada pela influ&ecirc;ncia familiar para o visionamento de document&aacute;rios    cient&iacute;ficos, com a qual estabelece um coeficiente &szlig;=0.43, p&lt;0.00005,    para o 5&ordm; ano (&szlig;=0.31, p&lt;0.00005, para o 7&ordm; ano). Este &uacute;ltimo    efeito directo evidencia uma correla&ccedil;&atilde;o que, pelo menos &agrave;    primeira vista, n&atilde;o esperar&iacute;amos. Na verdade, que rela&ccedil;&atilde;o    pode ter a influ&ecirc;ncia familiar para o visionamento televisivo sobre o    estudo que os alunos disseram fazer para ci&ecirc;ncias? Pensamos que essa rela&ccedil;&atilde;o    s&oacute; se torna compreens&iacute;vel se, ao inv&eacute;s de uma influ&ecirc;ncia    para o visionamento televisivo <i>stricto sensu</i>, essa influ&ecirc;ncia familiar    for algo mais abrangente, afectando, afinal, todo um conjunto de outras vari&aacute;veis    ligadas &agrave; aprendizagem dos alunos. A ser deste modo, ent&atilde;o, estar&iacute;amos    perante um efeito de influ&ecirc;ncia para o sucesso escolar <i>lato sensu</i>.    O conjunto de dados que iremos apresentando seguidamente permitir&aacute; dar    alguma credibilidade a esta hip&oacute;tese explicativa. Por outro lado, uma    vez que esta influ&ecirc;ncia familiar &eacute; tamb&eacute;m condicionada pelo    n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o do pai, ent&atilde;o esta &uacute;ltima    vari&aacute;vel acaba por assumir (por <i>efeito total</i>) um peso ainda mais    significativo nos tempos de estudo dos alunos. De facto, esse <i>efeito total</i>    &eacute; de 0.4433 para o 5&ordm; ano e de 0.5943 para o 7&ordm; ano<sup><a href="#12">12</a><a name="top12"></a></sup>.    Assim, o n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o do pai apresenta aqui um primeiro    forte n&iacute;vel de diferencia&ccedil;&atilde;o dos alunos entre si, a fazer    corresponder tempos mais elevados de estudo, tendencialmente, para os filhos    cujos pais s&atilde;o detentores de anos de estudo mais elevados e reciprocamente.</p>     <p>Por sua vez, o padr&atilde;o de condicionamento da fam&iacute;lia em termos    do tempo de visionamento dos document&aacute;rios cient&iacute;ficos em estudo    (TEMPO) &eacute; essencialmente igual a este que acab&aacute;mos de ver para    o tempo de estudo. Existe um <i>efeito directo</i> do n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o    do pai no tempo de visionamento (&szlig;=0.30, p&lt;0.00005 para o 5&ordm; ano    e &szlig;=0.34, p&lt;0.00005 para o 7&ordm; ano). Uma vez mais &#8212; e aqui    com toda a propriedade &#8212; a influ&ecirc;ncia familiar para o visionamento    dos document&aacute;rios cient&iacute;ficos apresentou tamb&eacute;m um <i>efeito    directo</i> sobre o tempo desse visionamento (&szlig;=0.35, p&lt;0.00005 para o    5&ordm; ano e &szlig;=0.24, p&lt;0.00005 para o 7&ordm; ano). Uma vez mais,    tal como antes, e por <i>efeito total</i>, a vari&aacute;vel n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o    do pai &eacute; a mais relevante: 0.4085 para o 5&ordm; ano e 0.4672 para o    7&ordm; ano. Ent&atilde;o, o n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o do pai    volta a estar implicado num segundo n&iacute;vel de diferencia&ccedil;&atilde;o    dos alunos entre si, a fazer corresponder tempos de visionamento mais elevados    (cujo impacto j&aacute; vimos ser relevante na aprendizagem dos alunos), tendencialmente,    para os filhos cujos pais s&atilde;o detentores de anos de estudo mais elevados,    sendo a rec&iacute;proca tamb&eacute;m verdadeira.</p>     <p>Paralelamente, a posse de ambos os tipos de recursos &eacute; condicionada    pela escolaridade do pai, que estabelece com a posse de filmes e v&iacute;deos    (N4) um <i>efeito directo</i> de &szlig;=0.57, p&lt;0.00005 para o 5&ordm; ano (&szlig;=0.20,    p&lt;0.00005 para o 7&ordm; ano) e com a posse de revistas e livros sobre a    natureza (N5) um <i>efeito directo</i> de &szlig;=0.60, p&lt;0.00005, tamb&eacute;m    para esse ano (&szlig;=0.60, p&lt;0.00005 para o 7&ordm; ano). Dada a natureza    da rela&ccedil;&atilde;o, nomeadamente, o facto de ser um <i>efeito directo</i> positivo    que o n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o do pai determina na posse de ambos    os recursos, ent&atilde;o a leitura que resulta &eacute; a seguinte: onde &eacute;    baixo esse n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m o &eacute;    a posse (tendencialmente simult&acirc;nea) de ambos os tipos de recursos e reciprocamente.    Assim, o n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o do pai apresenta aqui um terceiro    n&iacute;vel de diferencia&ccedil;&atilde;o dos alunos entre si. Por sua vez,    encontramos uma rela&ccedil;&atilde;o de tipo n&atilde;o recursivo entre a posse    de recursos e a influ&ecirc;ncia familiar para o visionamento televisivo. Tal    indica uma dupla leitura: por um lado, s&atilde;o as fam&iacute;lias que exercem    uma influ&ecirc;ncia mais elevada sobre os seus educandos para que vejam os    document&aacute;rios cient&iacute;ficos em estudo as que facultam mais recursos    did&aacute;cticos; por outro (dada a n&atilde;o recursividade da rela&ccedil;&atilde;o)    esta tamb&eacute;m pode ser lida como sendo as fam&iacute;lias que facultam    mais recursos as que mais influenciam para o visionamento dos document&aacute;rios    cient&iacute;ficos.</p>     <p>Por fim, a vari&aacute;vel utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos dispon&iacute;veis    no estudo (N7) define padr&otilde;es diferenciais para os 5&ordm; e 7&ordm;    anos. Para o 5&ordm; ano, essa vari&aacute;vel apresenta apenas um <i>efeito directo</i>    da vari&aacute;vel influ&ecirc;ncia familiar para o visionamento de document&aacute;rios    cient&iacute;ficos (N3). Esta vari&aacute;vel aparece a condicionar aquela mediante    um efeito &szlig;=0.56, p&lt;0.00005. </p>     <p>Para o 7&ordm; ano, a rela&ccedil;&atilde;o de influ&ecirc;ncia familiar para    o visionamento televisivo &eacute; consent&acirc;nea da que vimos para o 5&ordm;    ano, mas agora com um coeficiente &szlig;=0.51, p&lt;0.001. No entanto, no 7&ordm;    ano o modelo apresentou um <i>efeito directo</i> que dera estatisticamente n&atilde;o    significativo para o 5&ordm; ano. De facto, estabelece-se um <i>efeito directo</i>    entre a posse de livros e revistas sobre ci&ecirc;ncias (N5) e a sua utiliza&ccedil;&atilde;o    no estudo (N7) (&szlig;=0.12, p&lt;0.05). Ou seja, s&atilde;o, tendencialmente,    os alunos que mais possuem esse tipo de recursos os que mais disseram us&aacute;-los    no estudo. Desta forma, o n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o do pai (via    <i>efeito directo</i> atrav&eacute;s da influ&ecirc;ncia familiar) volta a estar    implicado no desempenho escolar dos alunos. Ao mesmo tempo, veja-se at&eacute;    que ponto ganha sentido a nossa assun&ccedil;&atilde;o anterior atrav&eacute;s    da qual fomos come&ccedil;ando a fazer corresponder &agrave; influ&ecirc;ncia    familiar para o visionamento de document&aacute;rios cient&iacute;ficos sobre    a natureza um efeito mais geral sobre as diferentes &aacute;reas do processo    de aprendizagem dos alunos. Os dados, efectivamente, apontam no sentido de que    s&atilde;o as fam&iacute;lias que mais exercem influ&ecirc;ncia para o visionamento    televisivo as que o fazem afinal tamb&eacute;m ao n&iacute;vel do tempo de estudo    e, por outro lado, s&atilde;o as que facultam mais recursos did&aacute;cticos    aos seus educandos, condicionando tamb&eacute;m a sua utiliza&ccedil;&atilde;o.    Ao mesmo tempo, por <i>efeito directo</i>, essa vari&aacute;vel de influ&ecirc;ncia    acaba por condicionar os resultados dos alunos, uma vez que eles dependem, quer    dos tempos de estudo quer de visionamento. Ora, uma vez que, como j&aacute;    temos vindo a explicitar, s&atilde;o tendencialmente as fam&iacute;lias onde    o n&iacute;vel de escolaridade do pai &eacute; mais elevado as que exercem uma    maior influ&ecirc;ncia sobre os seus educandos<sup><a href="#13">13</a><a name="top13"></a></sup>,    ent&atilde;o, globalmente (tomando em linha de conta o n&iacute;vel de escolaridade    do pai e a influ&ecirc;ncia familiar), as fam&iacute;lias dos alunos, atrav&eacute;s    de alguns elementos estruturantes do seu <i>habitus</i>, aparecem a condicionar as    <i>estrat&eacute;gias de estudo</i>, primeiro, e os resultados dos alunos, depois:    onde o n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o do pai &eacute; mais elevado    tamb&eacute;m o &eacute;, tendencialmente, a influencia familiar que, em conjunto,    determinam mais tempo de estudo, mais visionamento, maior disponibilidade de    recursos (para mais de forma essencialmente simult&acirc;nea), maior utiliza&ccedil;&atilde;o    desses recursos no estudo e melhores resultados, passando-se o inverso quando    os n&iacute;veis de instru&ccedil;&atilde;o do pai s&atilde;o mais baixos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> </p>     <p><b><i>Tempo de estudo, tempo de visionamento e utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos,    em fun&ccedil;&atilde;o da idade, do g&eacute;nero e do gosto dos alunos por    ci&ecirc;ncias</i></b></p>     <p>A idade dos alunos n&atilde;o definiu qualquer rela&ccedil;&atilde;o estatisticamente    significativa, quer com o tempo de estudo quer de visionamento, quer, ainda,    com a utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos.</p>     <p>Por seu lado, o g&eacute;nero dos alunos revelou-se uma vari&aacute;vel com    muito pouca capacidade explicativa em termos dessas tr&ecirc;s vari&aacute;veis.    De facto, para o 5&ordm; ano nem sequer existe qualquer tipo de rela&ccedil;&atilde;o    entre as vari&aacute;veis, quer por <i>efeito directo</i> quer indirecto. Pelo contr&aacute;rio,    para o 7&ordm; ano o g&eacute;nero dos alunos apresentou um <i>efeito directo</i> &uacute;nico    (<i>sem efeitos indirectos</i>) de &szlig;=0.20, p&lt;0.00005 no tempo de visionamento    dos document&aacute;rios cient&iacute;ficos (TEMPO): s&atilde;o tendencialmente    os rapazes que mais assistem a esse tipo de programas. Por outro lado, embora    exista uma ligeira tend&ecirc;ncia para as raparigas trabalharem mais do que    os seus colegas atrav&eacute;s do manual escolar e dos apontamentos das aulas    (TRAB), ainda assim a rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; estatisticamente    significativa.</p>     <p>O g&eacute;nero dos alunos tamb&eacute;m n&atilde;o se revelou estatisticamente    significativo em termos da utiliza&ccedil;&atilde;o em casa (N7) dos recursos    did&aacute;cticos disponibilizados pelas fam&iacute;lias (N4 e/ou N5). Por fim,    o g&eacute;nero dos alunos n&atilde;o apresentou qualquer correla&ccedil;&atilde;o    com o gosto para ci&ecirc;ncias (N8). Por seu lado, esta &uacute;ltima vari&aacute;vel,    o gosto dos alunos por ci&ecirc;ncias (N8), &#8212; uma vertente idiossincr&aacute;tica    por excel&ecirc;ncia &#8212; condiciona a estrat&eacute;gia de estudo dos alunos    a dois n&iacute;veis: quer para o 5&ordm; quer para o 7&ordm; ano, estabelece-se    uma dupla rela&ccedil;&atilde;o de tipo n&atilde;o recursivo entre o gosto por    ci&ecirc;ncias (N8) e a utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos did&aacute;cticos    dispon&iacute;veis (N4 e/ou N5) no estudo (N7), e entre essa vari&aacute;vel    e o tempo de estudo para ci&ecirc;ncias pelo manual escolar e pelos apontamentos    das aulas (TRAB). O conjunto dessas rela&ccedil;&otilde;es permite, pela sua    n&atilde;o recursividade, uma dupla leitura: a) ser&aacute; por os alunos gostarem    mais de ci&ecirc;ncias que mais usam os seus recursos ou ser&aacute; por possu&iacute;rem    mais recursos para essa disciplina que mais gostam dela; b) ser&aacute; por    os alunos gostarem mais de ci&ecirc;ncias que mais estudam para essa disciplina    e ser&aacute; por estudarem mais para essa disciplina que acabam por gostar    mais dela (previsivelmente por alcan&ccedil;arem melhores resultados com as    consequentes recompensas que da&iacute; decorrem, uma vez que os que mais estudam    dessa forma s&atilde;o os que alcan&ccedil;am os melhores resultados, como j&aacute;    vimos).</p>     <p>Em conjunto, esta an&aacute;lise permite perceber que, quer para a utiliza&ccedil;&atilde;o    em casa dos recursos dispon&iacute;veis no estudo (N7), quer para o aumento    dos tempos de estudo formais para ci&ecirc;ncias (TRAB), a vari&aacute;vel influ&ecirc;ncia    familiar (N3) &eacute; insuficiente para justificar as <i>estrat&eacute;gias</i> mais    ambiciosas (com n&iacute;veis de utiliza&ccedil;&atilde;o ou desse tipo de estudo    mais elevados), havendo que integrar em simult&acirc;neo o efeito gosto por    ci&ecirc;ncias (N8): &eacute; nas situa&ccedil;&otilde;es de efeito refor&ccedil;ado    entre a influ&ecirc;ncia familiar e o gosto dos alunos que se maximizam essas    fontes de estudo para ci&ecirc;ncias.</p>     <p> </p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p><b>Tempo de estudo, tempo de visionamento e utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos    did&aacute;cticos dispon&iacute;veis</b></p>     <p>O tempo de estudo feito para a disciplina de ci&ecirc;ncias atrav&eacute;s    do manual escolar e dos apontamentos das aulas &eacute; a vari&aacute;vel que    mais influencia os resultados escritos dos alunos, tanto no 5&ordm; como no    7&ordm; ano, com maior &ecirc;nfase neste &uacute;ltimo. J&aacute; em termos    dos seus resultados verbais em sala de aula, esta vari&aacute;vel, sendo importante,    &eacute;, no entanto, suplantada pelo efeito do visionamento de document&aacute;rios    cient&iacute;ficos, que apresentou valores de correla&ccedil;&atilde;o mais    elevados. Esta import&acirc;ncia em termos do visionamento foi mais acentuada    no 7&ordm; ano do que no 5&ordm;. Pensamos que tal facto decorra da circunst&acirc;ncia    dos alunos do 7&ordm;, comparativamente aos seus colegas do 5&ordm; ano, j&aacute;    terem um <i>mapa conceptual</i> (Novak &amp; Gowin, 1996) mais complexo e estruturado    onde podem, tamb&eacute;m comparativamente, ancorar mais proficientemente novos    conceitos oriundos do visionamento, ou seja, eles j&aacute; ser&atilde;o possuidores    dos <i>conceitos subsun&ccedil;ores</i> fundamentais para poderem distinguir o fundamental    do acess&oacute;rio e para conseguirem, assim, assimilar de forma mais eficaz    a informa&ccedil;&atilde;o que &eacute; transmitida atrav&eacute;s dos document&aacute;rios    e que, posteriormente, utilizam no &acirc;mbito dos debates em sala de aula,    como tantas vezes vimos acontecer. Mas esta situa&ccedil;&atilde;o, contudo,    apenas se verificou na oralidade. De facto, na escrita, o impacto do visionamento    dos referidos document&aacute;rios apenas foi relevante quando a <i>estrat&eacute;gia    de estudo</i> dos alunos combinou tempo de estudo formal e visionamento televisivo    em simult&acirc;neo (<i>estrat&eacute;gia formal e informal-televisiva</i>), situa&ccedil;&atilde;o    na qual os resultados conjuntos visionamento mais aulas se superiorizaram claramente    aos dos alunos que disseram ter-se baseado exclusivamente nas aulas (<i>estrat&eacute;gia    formal</i>). Pelo contr&aacute;rio, quando houve uma centra&ccedil;&atilde;o exclusiva    no visionamento desses document&aacute;rios (<i>estrat&eacute;gia informal</i>), os    alunos obtiveram resultados muito baixos, como, ali&aacute;s, aconteceu tamb&eacute;m    para os seus colegas que afirmaram ter baseado o seu estudo exclusivamente na    utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos did&aacute;cticos disponibilizados em    casa (<i>estrat&eacute;gia informal-familiar</i>). Pensamos que este facto, verificado    sobremaneira principalmente para o 5&ordm; ano, seja decorrente da ainda pouca    capacidade de selec&ccedil;&atilde;o que os alunos possuem neste n&iacute;vel    de ensino, faltando-lhes, nomeadamente, crit&eacute;rios que lhes ditem a pertin&ecirc;ncia    do que &eacute; fundamental face ao que &eacute; menos importante. Ao mesmo    tempo, aventamos como justifica&ccedil;&atilde;o para essa circunst&acirc;ncia    dois aspectos paralelos mas complementares: 1&ordm;) a exist&ecirc;ncia de um    n&iacute;vel de cultura geral ainda baixo por parte destes alunos, sabendo que    ela &eacute; essencial para a aprendizagem de not&iacute;cias atrav&eacute;s    da televis&atilde;o (Gunter, 1991; Gunter, Clifford &amp; Mcaller, 1997) e para    a aprendizagem das ci&ecirc;ncias, atrav&eacute;s da respectiva <i>orienta&ccedil;&atilde;o    de codifica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</i> (Morais, Peneda, Medeiros, Neves    &amp; Salgueiro, 1996); e, concomitantemente, 2&ordm;) a exist&ecirc;ncia de    um mapa conceptual ainda extremamente ex&iacute;guo, faltando provavelmente    a estes alunos conceitos subsun&ccedil;ores essenciais onde ancorar muita da    informa&ccedil;&atilde;o que obt&ecirc;m por via informal e, dessa forma, conseguindo    n&iacute;veis de aprendizagem muito baixos mediante esta <i>estrat&eacute;gia de    estudo</i> ou, dito de outro modo, n&atilde;o conseguindo uma <i>aprendizagem significativa</i>    na acep&ccedil;&atilde;o de Ausubel (Moreira &amp; Buchweitz, 1993). O que acontece    &eacute; o seguinte: para que a <i>ancoragem</i> referida por Ausubel possa acontecer,    parece-nos que (e a investiga&ccedil;&atilde;o desenvolvida aponta nesse sentido)    o aluno tem de ser orientado a identificar e a trabalhar com os pr&oacute;prios    conceitos que j&aacute; adquiriu. S&oacute; a&iacute;, ent&atilde;o, ele poder&aacute;,    n&atilde;o somente compreender melhor o seu processo de aprendizagem (meta-aprendizagem    e metacogni&ccedil;&atilde;o) como, tamb&eacute;m, estabelecer as associa&ccedil;&otilde;es    fundamentais entre conceitos, para conseguir as <i>aprendizagens significativas    (subordinada e superordenada)</i> preconizadas por Ausubel e que constituem o crit&eacute;rio    de aprendizagem prec&iacute;puo no campo das ci&ecirc;ncias (Glynn, Yeany &amp;    Britton, 1991; Lunetta, 1991; Champagne &amp; Bunce, 1991). Ora, a simples utiliza&ccedil;&atilde;o    de recursos (e, em alguns casos, o visionamento) n&atilde;o faculta os crit&eacute;rios    necess&aacute;rios que permitam nortear e organizar a <i>informa&ccedil;&atilde;o</i>    e esta acaba por n&atilde;o passar disso mesmo, ou seja, n&atilde;o se transforma,    atrav&eacute;s da ac&ccedil;&atilde;o dos alunos, numa verdadeira <i>aprendizagem</i>.    Aqui urge salientar que, apesar de, nesta fase, no 5&ordm; e no 7&ordm; ano,    o estudo ainda ser essencialmente marcado pela centra&ccedil;&atilde;o quase    exclusiva no manual e nos apontamentos das aulas, alguns dos professores cujas    aulas n&oacute;s acompanh&aacute;mos j&aacute; incentivavam os alunos a obterem    respostas para exerc&iacute;cios propostos por eles nas aulas mediante um estudo    em casa, por outros livros, enciclop&eacute;dias, etc. Para mais, muitos desses    professores fizeram quest&atilde;o, j&aacute; no 7&ordm; ano, de instar os alunos    a trazerem para a aula outros exemplos (embora limitados &agrave;s especifica&ccedil;&otilde;es    por si prescritas), para lev&aacute;-los a habituarem-se &agrave; pesquisa por    si mesmos e de forma a tornar as participa&ccedil;&otilde;es em sala de aula    mais animadas. Mas esta actividade foi sempre proposta em complementaridade    com o estudo mais formal, ou seja, nunca surgiu em detrimento desse tipo de    estudo. Este exemplo faz avultar, pelo menos nestes anos de estudo, a import&acirc;ncia    prec&iacute;pua do professor, entre outros m&uacute;ltiplos aspectos, para fornecer    as macro-sequ&ecirc;ncias e as macro-selec&ccedil;&otilde;es onde, depois, os    alunos (caso o professor assim o entenda e eles o fa&ccedil;am) possam integrar    conhecimentos conseguidos por outra via (Johnston, 1987; Ortega, 1993; Reboul,    1991).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> </p>     <p><b>Motiva&ccedil;&otilde;es para o visionamento (l&uacute;dicas ou formativas)    e aprendizagem</b></p>     <p>Conclu&iacute;mos que a aprendizagem atrav&eacute;s do visionamento televisivo    verificou-se n&atilde;o somente para os alunos que afirmaram que viam os document&aacute;rios    cient&iacute;ficos por quest&otilde;es eminentemente formativas, mas tamb&eacute;m    para os que disseram faz&ecirc;-lo por motivos l&uacute;dicos. No entanto, como    ali&aacute;s era previs&iacute;vel, os resultados avaliativos dos que afirmaram    fazer o visionamento com car&aacute;cter formativo superiorizaram-se face aos    outros, cujo visionamento foi de tipo l&uacute;dico, dando for&ccedil;a &agrave;    conclus&otilde;es dos estudos de alguns autores (Molen &amp; Voort, 1997; Salomon,    1983, 1984, cit. em Cennamo, 1993; Gunter et al., 2000; Grimes, 1990; Beentjes    &amp; Voort, 1997). Referindo-se especificamente a tal diferen&ccedil;a de desempenho,    Grimes (<i>op. cit.</i>), baseando-se numa vasta revis&atilde;o da literatura, explica    que v&aacute;rios investigadores verificaram que, quando se instru&iacute;a    um grupo de alunos para processar a informa&ccedil;&atilde;o de uma hist&oacute;ria    televisionada, estes aprendiam mais do que os seus colegas que apenas tinham    visto essa mesma hist&oacute;ria mas por divers&atilde;o. Os primeiros demonstraram    um maior investimento nessa tarefa e uma tamb&eacute;m maior afecta&ccedil;&atilde;o    de recursos cognitivos do que os segundos, o que poder&aacute; ter determinado    esse melhor desempenho. Grimes (<i>op. cit.</i>) acrescenta, ainda, que esse maior    esfor&ccedil;o de processamento poder&aacute; causar um n&uacute;mero mais elevado    de conex&otilde;es com informa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via, o que poder&aacute;    ser a causa da sua vantagem acrescida. Seja como for, n&atilde;o conseguimos    apurar de forma clara, atrav&eacute;s dos testemunhos dos alunos, a veracidade    desta hip&oacute;tese explicativa. </p>     <p> </p>     <p>Mormente, pudemos verificar ainda que, mesmo os alunos que afirmaram que o    visionamento n&atilde;o teve influ&ecirc;ncia na qualidade das suas respostas    &agrave;s nossas avalia&ccedil;&otilde;es, denunciando explicitamente n&atilde;o    terem conseguido qualquer aprendizagem por esse meio, tamb&eacute;m eles aprenderam    com o visionamento. De facto, ao analisarmos as suas respostas &agrave;s nossas    avalia&ccedil;&otilde;es, verific&aacute;mos que, afinal, muita da informa&ccedil;&atilde;o    l&aacute; constante n&atilde;o fora dada na aula e muitos dos exemplos eram    oriundos do visionamento. Uma primeira hip&oacute;tese explicativa para este    facto &eacute; a seguinte: pode ser que, quando n&atilde;o existe uma men&ccedil;&atilde;o    expl&iacute;cita &agrave; aprendizagem de algo, por exemplo, <i>Ireis aprender    o conte&uacute;do x da maneira Z</i>, o espectador, que pode ser reticente em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; aprendizagem (por uma atitude que funciona de uma forma estereotipada    e n&atilde;o decorrente de nenhuma anomalia espec&iacute;fica), n&atilde;o desenvolva    essas resist&ecirc;ncias ps&iacute;quicas &agrave; informa&ccedil;&atilde;o    e, consequentemente, capte uma maior quantidade de informa&ccedil;&atilde;o    do que aquela que conseguiria se tal visionamento fosse compelido, por exemplo.    Paralelamente a esta primeira hip&oacute;tese explicativa h&aacute; uma outra    poss&iacute;vel: esta aprendizagem n&atilde;o intencional pode ter decorrido    da circunst&acirc;ncia dos document&aacute;rios conseguirem ensinar porque s&atilde;o    l&uacute;dicos. Esta associa&ccedil;&atilde;o, a que chamar&iacute;amos sin&eacute;rgica,    parece-nos ser o factor mais determinante na capacidade did&aacute;ctica destes    document&aacute;rios cient&iacute;ficos: ao mesmo tempo que est&atilde;o a facultar    informa&ccedil;&atilde;o e a dar forma&ccedil;&atilde;o, estes programas televisivos    apelam &agrave; dimens&atilde;o l&uacute;dica, aspecto referido por v&aacute;rios    autores (Ferr&eacute;s, 1994; Masterman, 1993) e, especificamente, evidenciado    por Barroso, Pla, Ferrer e Mazana (1996), ao afirmarem que as fun&ccedil;&otilde;es    formativas e l&uacute;dicas s&atilde;o essencialmente indissoci&aacute;veis:    &quot;N&atilde;o podemos afirmar que existem programas que t&ecirc;m somente    uma fun&ccedil;&atilde;o, antes pelo contr&aacute;rio, na maioria dos casos    as fun&ccedil;&otilde;es aparecem misturadas&quot; (p. 27). Concordantemente,    Gunter et al. (1997) afirmam que: &quot;Existem poucas d&uacute;vidas de que    as crian&ccedil;as possam aprender atrav&eacute;s de programas informativos,    mesmo quando elas n&atilde;o faziam quest&atilde;o intencional de aprender dessa    forma&quot; (p. 19). Por fim, Trilla (1993) esclarece que &quot;os mass-media    geram aprendizagens importantes e efectivas sem qualquer media&ccedil;&atilde;o    pedag&oacute;gica: geram processos de educa&ccedil;&atilde;o informal. Da&iacute;,    n&atilde;o resulta nada dif&iacute;cil de extrair a consequ&ecirc;ncia de que    os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massas podem ser instrumentalizados    com efic&aacute;cia em fun&ccedil;&atilde;o de objectivos educacionais definidos&quot;    (p. 143).</p>     <p> </p>     <p><b>Tempo de estudo, tempo de visionamento, posse e utiliza&ccedil;&atilde;o de    recursos, no &acirc;mbito do contexto familiar dos alunos</b></p>     <p>O contexto familiar dos alunos apareceu fortemente implicado, quer na disponibiliza&ccedil;&atilde;o    de recursos e na sua posterior utiliza&ccedil;&atilde;o no estudo, quer nos    tempos de estudo formais para ci&ecirc;ncias (atrav&eacute;s do manual escolar    e dos apontamentos das aulas), quer, por fim, nos tempos de visionamento dos    document&aacute;rios cient&iacute;ficos. Na verdade, os alunos cujos pais eram    possuidores dos n&iacute;veis de estudo mais elevados foram aqueles que, tendencialmente,    apresentaram maior quantidade de ambos os tipos de recursos considerados (filmes    e v&iacute;deos, por um lado, e livros e revistas para ci&ecirc;ncias, por outro),    uma maior utiliza&ccedil;&atilde;o desses mesmos recursos (embora esta vari&aacute;vel    n&atilde;o tenha tido uma correla&ccedil;&atilde;o directa nos resultados dos    alunos) e tempos mais elevados de estudo formal e de visionamento, passando-se    o contr&aacute;rio para os outros alunos cujos pais apresentaram os n&iacute;veis    de instru&ccedil;&atilde;o mais baixos. Este triplo desfavorecimento destes    &uacute;ltimos face aos primeiros foi ainda acentuado pela circunst&acirc;ncia    de termos observado uma correla&ccedil;&atilde;o directa positiva entre o n&iacute;vel    de instru&ccedil;&atilde;o do pai e a influ&ecirc;ncia familiar para o visionamento    de document&aacute;rios cient&iacute;ficos. O facto de termos verificado que    esta &uacute;ltima vari&aacute;vel, mais do que medir exclusivamente a influ&ecirc;ncia    no visionamento dos referidos document&aacute;rios, aparecia, afinal, a condicionar    todas as outras vari&aacute;veis que vimos antes (a posse de recursos, a sua    utiliza&ccedil;&atilde;o, os tempos de estudo formal e de visionamento e, ainda,    os pr&oacute;prios resultados dos alunos), levou-nos a consider&aacute;-la uma    influ&ecirc;ncia mais gen&eacute;rica para o sucesso escolar. Ora, como se disse,    tamb&eacute;m esta influ&ecirc;ncia familiar para o sucesso escolar apareceu    positivamente correlacionada com a instru&ccedil;&atilde;o do pai. Assim, no    seu conjunto, estas duas vari&aacute;veis, directamente decorrentes do contexto    familiar dos alunos, apareceram a condicionar as respectivas <i>estrat&eacute;gias    de estudo</i> e, como correlato directo, a condicionarem tamb&eacute;m os seus resultados.    Estas conclus&otilde;es v&ecirc;m, assim, dar for&ccedil;a aos argumentos da    teoria estrutural determinista, na rela&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica que    estabelece entre o <i>habitus</i> familiar e o condicionamento dos resultados dos alunos.</p>     <p> </p>     <p><b>Tempo de estudo, tempo de visionamento e utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos,    em fun&ccedil;&atilde;o da idade, do g&eacute;nero e do gosto dos alunos por    ci&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A idade dos alunos &eacute; uma vari&aacute;vel irrelevante em termos da compreens&atilde;o    das respectivas <i>estrat&eacute;gias de estudo</i> (tempos de visionamento e de estudo    formal e utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos did&aacute;cticos disponibilizados    familiarmente). Assim, embora tenha sido demonstrado que as crian&ccedil;as    mais velhas processam melhor a informa&ccedil;&atilde;o do visionamento de programas    televisivos (Gunter <i>et al.</i>, 2000), tal n&atilde;o se revelou constituir uma    raz&atilde;o acrescida para que estas utilizem mais o referido visionamento    (inclu&iacute;do nas respectivas <i>estrat&eacute;gias de estudo</i>) face aos seus    colegas mais novos. Por seu lado, o g&eacute;nero dos alunos condicionou, embora    com pouco significado estat&iacute;stico, essas referidas <i>estrat&eacute;gias</i>:    os rapazes tendem a visionar mais os document&aacute;rios cient&iacute;ficos    do que as suas colegas que, por sua vez, tendem a estudar de forma mais formal    para a disciplina. Esta &uacute;ltima rela&ccedil;&atilde;o, contudo, resultou    n&atilde;o significativa estatisticamente. Estes dados &#8212; embora com a    validade estat&iacute;stica referida &#8212; v&ecirc;m, assim, dar alguma for&ccedil;a    &agrave;s conclus&otilde;es de um estudo de Felouzis (1997) no qual o autor    verificara que as alunas tendem a cumprir melhor do que os seus colegas o &quot;of&iacute;cio    de aluno&quot;, por via das respectivas <i>estrat&eacute;gias de estudo</i>. A utiliza&ccedil;&atilde;o    dos recursos did&aacute;cticos em casa tamb&eacute;m n&atilde;o surgiu associada    ao g&eacute;nero. Paralelamente, o g&eacute;nero dos alunos n&atilde;o estabeleceu    nenhuma associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa com os seus    n&iacute;veis motivacionais para a disciplina de ci&ecirc;ncias (nem por <i>efeito    directo, nem indirecto</i>).</p>     <p>Assim, uma vez que, como vimos, quer a idade quer o g&eacute;nero dos alunos    pouco influenciam as suas <i>estrat&eacute;gias de estudo</i>, ent&atilde;o o que mais    definitivamente pareceu condicion&aacute;-las foi a influ&ecirc;ncia familiar    que vimos antes e o gosto pela disciplina de ci&ecirc;ncias (que, num certo    sentido, mede a influ&ecirc;ncia do pr&oacute;prio aluno). Estes dois efeitos    de influ&ecirc;ncia, familiar e do gosto &#8212; dada a condi&ccedil;&atilde;o    <i>ceteris paribus</i> que subjaz aos modelos analisados &#8212; surgiram a funcionar    de forma por vezes cumulativa, outras complementar e outras, ainda, de sinal    contr&aacute;rio. Mas essas rela&ccedil;&otilde;es n&atilde;o foram detalhadas    neste estudo, pelo excesso de cruzamentos tabelares que implicariam. Em todo    o caso, foi poss&iacute;vel apurar que, na generalidade dos casos, cada um dos    efeitos &eacute; insuficiente <i>per se</i> para explicar as <i>estrat&eacute;gias de    estudo</i> mais ambiciosas (maior tempo de visionamento e/ou de estudo formal e/ou    de utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos), sendo, na maior parte dos casos, da    sua cumulatividade (efeito refor&ccedil;ado da influ&ecirc;ncia familiar e do    gosto por ci&ecirc;ncias do aluno) que se passou &agrave;s estrat&eacute;gias    melhores.</p>     <p>Neste artigo, tendo identificado os tempos que os alunos dedicaram a tr&ecirc;s    fontes de informa&ccedil;&atilde;o e a sua relev&acirc;ncia na aprendizagem    para ci&ecirc;ncias, n&atilde;o identific&aacute;mos a <i>forma</i> ou o <i>m&eacute;todo</i>    espec&iacute;fico usado para aprender atrav&eacute;s de cada uma delas (quest&atilde;o    de pendor muito mais anal&iacute;tico do que aquele que adopt&aacute;mos); identific&aacute;mos,    contudo, a relev&acirc;ncia da influ&ecirc;ncia familiar (para o sucesso escolar)    dos alunos, mas tamb&eacute;m n&atilde;o desvend&aacute;mos, em concreto, de    que forma se materializa essa influ&ecirc;ncia na estrutura&ccedil;&atilde;o,    consolida&ccedil;&atilde;o, acompanhamento (se algum) e desenvolvimento dessas    diferentes <i>estrat&eacute;gias de estudo</i> (quest&atilde;o que, uma vez mais, implicaria    um n&iacute;vel de an&aacute;lise muito mais anal&iacute;tico do que o adoptado).    Este aspecto complementar da nossa an&aacute;lise &eacute;, ainda assim, de    uma import&acirc;ncia n&atilde;o negligenci&aacute;vel, sabendo-se que, por    exemplo, o acompanhamento familiar do visionamento de sess&otilde;es educativas    transmitidas televisivamente aumenta a qualidade e a quantidade da informa&ccedil;&atilde;o    retida (Alexander, 2001; Barroso <i>et al.</i>, 1996; Buerkel-Rothfuss &amp; Buerkel,    2001), embora os estudo emp&iacute;ricos dispon&iacute;veis atestem que tal    visionamento acompanhado &eacute;, ainda assim, bastante raro (Abelman, 1999;    Alexander, 2001; Buerkel-Rothfuss &amp; Buerkel, 2001). Este e outros aspectos,    pela sua relev&acirc;ncia, esperamos poder vir a aprofund&aacute;-los em estudos    futuros.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a></sup> Vide Anexo I.</p>     <p><sup><a href="#top2">2</a><a name="2"></a></sup> Inicialmente, t&iacute;nhamos    uma vari&aacute;vel mais complexa (PRO), do cruzamento da profiss&atilde;o do    pai e da situa&ccedil;&atilde;o na profiss&atilde;o do mesmo, decorrente da    Classifica&ccedil;&atilde;o Nacional de Profiss&otilde;es (CNP-94). Por quest&otilde;es    de tratamento estat&iacute;stico, agreg&aacute;mos os dados e pass&aacute;mos    a trabalhar com uma escala da profiss&atilde;o do pai agregada (APRO).</p>     <p><sup><a href="#top3">3</a><a name="3"></a></sup> Vide Anexo I.</p>     <p><sup><a href="#top4">4</a><a name="4"></a></sup> Vide Anexo II.</p>     <p><sup><a href="#top5">5</a><a name="5"></a></sup> R2=0.705 para NNOTA1 no 5&ordm;    ano e R<sup>2</sup>=0.835 para NNOTA1 no 7&ordm; ano; R<sup>2</sup>=0.678 para NNOTA2 no 5&ordm; ano    e R<sup>2</sup>=0.690 para NNOTA2 no 7&ordm; ano; R<sup>2</sup>=0.751 para NNOTA3 no 5&ordm; ano e    R<sup>2</sup>=0.677 para NNOTA3 no 7&ordm; ano.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top6">6</a><a name="6"></a></sup> R<sup>2</sup>=0.370 para IGO no 5&ordm;    ano e R<sup>2</sup>=0.465 para IGO no 7&ordm; ano; R<sup>2</sup>=0.388 para PPART no 5&ordm; ano e    R<sup>2</sup>=0.598 para PPART no 7&ordm; ano.</p>     <p><sup><a href="#top7">7</a><a name="7"></a></sup> O facto de n&atilde;o existir    um <i>efeito directo</i> entre as vari&aacute;veis n&atilde;o implica que uma delas    n&atilde;o afecte a outra <i>tout court</i>. Tal &eacute; o que acontece aqui: existe    uma rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o recursiva entre o tempo de estudo para    ci&ecirc;ncias (TRAB) e o tempo de visionamento de document&aacute;rios cient&iacute;ficos    (TEMPO); mormente, existe uma rela&ccedil;&atilde;o desse tipo entre o tempo    de estudo para ci&ecirc;ncias e o gosto pela disciplina de ci&ecirc;ncias (N8).    Ora, como quer o visionamento dos document&aacute;rios quer o gosto por ci&ecirc;ncias    aparecem implicados na percentagem de participa&ccedil;&otilde;es dos alunos    (PPART), ent&atilde;o existem dois <i>efeitos indirectos</i> da vari&aacute;vel tempo    de estudo nessa mesma percentagem de participa&ccedil;&otilde;es. Contudo, uma    vez que ambas as rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o de tipo n&atilde;o recursivo,    n&atilde;o s&atilde;o cumpridos os requisitos de linearidade adstrita &agrave;    regress&atilde;o m&uacute;ltipla e, consequentemente, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel    (pelo menos pelos meios usados) determinar o coeficiente de regress&atilde;o    correspondente.</p>     <p><sup><a href="#top8">8</a><a name="8"></a></sup> 0.0096=0.48_0.02</p>     <p><sup><a href="#top9">9</a><a name="9"></a></sup> Alguns autores apresentam    uma rela&ccedil;&atilde;o moderada com uma seta interm&eacute;dia entre a seta    principal (veja-se, por exemplo, Bryman &amp; Cramer, 1996). No entanto, dado    tratar-se de um estudo de <i>path analysis</i>, preferimos adoptar setas separadas    conforme sugerido por Sierra Bravo (1986) para esse tipo de estudo.</p>     <p><sup><a href="#top10">10</a></sup><a name="10"></a> Em todo o caso, temos de    ter em conta que a escala de IGO variou, para o 5&ordm; ano, de 0 a 72 unidades,    pelo que a varia&ccedil;&atilde;o em an&aacute;lise &eacute; pouco expressiva.</p>     <p><sup><a href="#top11">11</a></sup><a name="11"></a> Tamb&eacute;m para o 7&ordm;    ano &eacute; v&aacute;lida a nota que introduzimos a relativizar estes resultados,    dado que a escala de IGO para este ano variou entre 0 e 70 unidades, pelo que    o incremento conseguido pelo visionamento formal face ao l&uacute;dico foi,    uma vez mais, muito t&eacute;nue.</p>     <p><sup><a href="#top12">12</a><a name="12"></a></sup> Al&eacute;m disso, uma    vez que existe, tamb&eacute;m, uma influ&ecirc;ncia do n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o    do pai no tempo de visionamento (TEMPO) e que esta vari&aacute;vel estabelece    com o tempo de estudo (TRAB) uma rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o recursiva,    este <i>efeito indirecto</i> aumentaria ainda mais a influ&ecirc;ncia daquela vari&aacute;vel    no tempo de estudo dos alunos. O n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o do    pai apresenta ainda outros <i>efeitos indirectos</i> como, por exemplo, atrav&eacute;s    da posse de filmes e v&iacute;deos (N4) cujo impacto, por sua vez, se verifica    &#8212; tamb&eacute;m por rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o recursiva &#8212;    com o tempo de visionamento, etc.</p>     <p><sup><a href="#top13">13</a><a name="13"></a></sup> Uma vez mais, urge salientar    que um modelo causal deste tipo nos permite ler efeitos directos (ou seja, faculta-nos    coeficientes de correla&ccedil;&atilde;o na condi&ccedil;&atilde;o <i>ceteris paribus</i>,    ou seja, todo o resto constante), ent&atilde;o tal significa que, independentemente    do n&iacute;vel de escolaridade, ainda assim, h&aacute; fam&iacute;lias que    influenciam nos termos propugnados, no &acirc;mbito da rela&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o recursiva j&aacute; identificada. Contudo, como &eacute; quando o    n&iacute;vel de escolaridade do pai &eacute; mais elevado que tamb&eacute;m    o s&atilde;o o n&uacute;mero de fam&iacute;lias que exercem um n&iacute;vel    de influ&ecirc;ncia maior, como j&aacute; vimos, ent&atilde;o tal significa    que onde essa escolaridade &eacute; baixa, embora haja fam&iacute;lias que ainda    assim influenciam, elas s&atilde;o em n&uacute;mero muito menor do que quando    essa escolaridade do pai &eacute; elevada.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Abelman, Robert (1999). Preaching to the choir: profiling TV advisory ratings    users. <i>Journal of Broadcasting &amp; Electronic Media</i>, 43(4), pp. 529-550.</p>     <p>Albarello, Luc; Digneffe, Fran&ccedil;oise; Hiernaux, Jean-Pierre; Maroy, Christian;    Ruquoy, Danielle &amp; Saint-Georges, Pierre (1997). <i>Pr&aacute;ticas e M&eacute;todos    de Investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias Sociais.</i> Lisboa: Gradiva.</p>     <p>Alexander, Alison (2001). The meaning of television in the american family.    In J. Bryant &amp; A. Bryant (eds.), <i>Television and the American Family</i>. Lawrence    Erlbaum Associates Publishers, pp. 273-287.</p>     <p>Almeida, Jo&atilde;o F. &amp; Pinto, Jos&eacute; M. (1994). <i>A Investiga&ccedil;&atilde;o    nas Ci&ecirc;ncias Sociais.</i> Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a.</p>     <p>Barroso, Jos&eacute;; Pla, Jaume; Ferrer, Ricard &amp; Mazana, Jos&eacute;    (1996). <i>Aprende Conmigo. La Televisi&oacute;n en el Centro Educativo.</i> Madrid:    Ediciones de la Torre.</p>     <p>Baudrillard, Jean (1991). <i>A Sociedade de Consumo.</i> Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es    70.</p>     <p>Beentjes, Johanes &amp; Voort, Tom (1997). The impact of back-ground media    on homework performance: student&#8217;s perceptions and experimental findings.    In P. Winterhoff-Spurk &amp; T. Van der Voort (Eds.), <i>New Horizons in Media    Psychology: Research Cooperation and Projects in Europe.</i> Opladen, Germany: Westdeucher    Verlag, pp. 175-189.</p>     <p>Benavente, Ana (1989). Mudan&ccedil;a da escola e forma&ccedil;&atilde;o de    professores: audio-visuais, que contributo? In A. Benavente &amp; J. P. Ponte,    <i>A escola e os audio-visuais.</i> Lisboa: Dep. de Educa&ccedil;&atilde;o da FCUL,    pp. 26-51.</p>     <p>Berger, Peter &amp; Luckmann, Thomas (1987). <i>A Constru&ccedil;&atilde;o Social    da Realidade.</i> Petr&oacute;polis: Vozes.</p>     <p>Bernstein, Basil (1985). <i>Langage et classes sociales.</i> Paris: &Eacute;ditions    de Minuit.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Blurton, Craig (2000). New directions in education. In UNESCO, <i>World Communication    and Information 1999-2000 Report. Cap&iacute;tulo II.</i> Paris: DC, Autor. pp.    46-61.</p>     <p>Bourdieu, Pierre (1980). <i>Le Sens Pratique.</i> Paris: Les &Eacute;ditions de Minuit.</p>     <p>Bourdieu, Pierre (1987). <i>Choses Dites.</i> Paris: Les &Eacute;ditions de Minuit.</p>     <p>Bourdieu, Pierre (1997). <i>Sobre a Televis&atilde;o.</i> Oeiras: Celta Editora.</p>     <p>Bourdieu, Pierre, &amp; Passeron, Jean-Claude (s. d.). <i>A Reprodu&ccedil;&atilde;o.    Elementos para uma Teoria do Sistema de Ensino.</i> Lisboa: Vega Universidade.</p>     <p>Bravo, Sierra (1986). <i>&laquo;Path analysis&raquo; o An&aacute;lise de Senderos.</i>    Madrid: Fondo de Cultura Econ&oacute;mica.</p>     <p>Bryman, Alan &amp; Cramer, Duncan (1996). <i>An&aacute;lise de Dados em Ci&ecirc;ncias    Sociais. Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;s T&eacute;cnicas Utilizando o SPSS.</i>    Oeiras: Celta Editora.</p>     <p>Buerkel-Rothfuss, Nancy &amp; Buerkel, Rick (2001). Family mediation. In J.    Bryant &amp; A. Bryant (eds.), <i>Television and the American Family.</i> Lawrence    Erlbaum Associates Publishers, pp. 355-376.</p>     <p>Calvert, Sandra (1999). <i>Children&#8217;s Journeys through the Information Age.</i>    New York: McGraw-Hill.</p>     <p>Carneiro, Roberto (1994). A educa&ccedil;&atilde;o nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o    social. In AAVV, <i>A Educa&ccedil;&atilde;o e os Meios de Comunica&ccedil;&atilde;o    Social.</i> Lisboa: Actas do Semin&aacute;rio realizado entre 2 e 3 de Dezembro    de 1993, Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, pp. 93-113.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cennamo, Katherine (1993). Learning from video: factors influencing learner&#8217;s    preconceptions and invested mental effort. <i>Educational Technology Research and    Development</i>, Vol. 41(3), pp. 33-45.</p>     <p>Champagne, Audrey &amp; Bunce, Diane (1991). Learning-theory-based science    teaching. In S. M. Glynn; R. H. Yeany &amp; B. K. Britton (Eds.), <i>The Psychology    of Learning Science</i>. New Jersey: LEA.</p>     <p>Delamont, Sara &amp; Hamilton, David (1984). Revisiting classroom research:    a continuing cautionary tale. In S. Delamont (Ed.), <i>Readings on Interaction    in the Classroom.</i> London: Methuen.</p>     <p>Dias, Paulo (2004). <i>Aprendizagem em Ci&ecirc;ncias nos 2&ordm; e 3&ordm; Ciclos    do Ensino B&aacute;sico: Compara&ccedil;&atilde;o da Efic&aacute;cia do Visionamento    de Document&aacute;rios Cient&iacute;ficos sobre a Natureza com as Aulas de    Ci&ecirc;ncias, no &Acirc;mbito das Vari&aacute;veis Fundamentais.</i> Tese de Doutoramento    em Sociologia, especialidade de Sociologia da Educa&ccedil;&atilde;o. Lisboa:    Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas.</p>     <p>Dodd, Ingrid (2000). <i>As Crian&ccedil;as e os Novos Medias.</i> Lisboa: Deco.</p>     <p>Estrela, Albano (1995). <i>Teoria e Pr&aacute;tica de Observa&ccedil;&atilde;o    de Classes. Uma Estrat&eacute;gia de Forma&ccedil;&atilde;o de Professores.</i>    Porto: Porto Editora.</p>     <p>Estrela, Maria &amp; Estrela, Albano (1978). <i>A T&eacute;cnica dos Incidentes    Cr&iacute;ticos no Ensino.</i> Lisboa: Editorial Estampa.</p>     <p>Felouzis, Georges (1997). <i>L&#8217; Efficacit&eacute; des Enseignantes.</i> Paris:    PUF. </p>     <p>Ferr&eacute;s, Joan (1994). <i>V&iacute;deo y Educaci&oacute;n.</i> Barcelona: Paid&oacute;s.</p>     <p>Ferr&eacute;s, Joan (1996a). <i>Televisi&oacute;n y Educaci&oacute;n.</i> Barcelona:    Paid&oacute;s.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ferr&eacute;s, Joan (1996b). <i>Televisi&oacute;n Subliminal. Socializaci&oacute;n    Mediante Comunicaciones Inadvertidas.</i> Barcelona: Paid&oacute;s.</p>     <p>Ghiglione, Rodolphe &amp; Matalon, Benjamin (1997). <i>O Inqu&eacute;rito. Teoria    e Pr&aacute;tica.</i> Oeiras: Celta Editora.</p>     <p>Glynn, Shawn; Yeany, Russell &amp; Britton, Bruce (1991). A constructive view    of learning science. In S. M. Glynn; R. H. Yeany &amp; B. K. Britton (Eds.),    <i>The Psychology of Learning Science.</i> New Jersey: LEA.</p>     <p>Grimes, Tom (1990). Audio-video correspondence and its role in attention and    memory. <i>Educational Technology Research and Development</i>, 38, pp. 15-25.</p>     <p>Gunter, Barrie (1991). Responding to news and public affairs. In J. Bryant    &amp; D. Zillmann (Eds.), <i>Responding to the Screen: Reception and Reaction Processes.    Communication.</i> Hillsdale: Lawrence Erlbaum Associates, pp. 229-260.</p>     <p>Gunter, Barrie; Clifford, Brian &amp; McAller (1997). Learning from multitopic    science programmes on mainstream television. <i>Medienpsychologie</i>, 9, 1, pp. 1-23.</p>     <p>Gunter, Barrie; Furnham, Adrian &amp; Griffiths, Sarah (2000). Children&#8217;s    memory for news: A comparison of three presentation media. <i>Media Psychology</i>,    2, pp. 93-118.</p>     <p>Hammersley, Martin (1996). The mobilisation of pupil attention. In M. Hammersley    &amp; P. Woods (Eds.), <i>The Process of Schooling. A Sociological Reader.</i> Milton    Keynes: Open University Press.</p>     <p>Hammersley, Martyn (1986). Revisiting Hamilton and Delamont: A cautionary note    on the relation between 'systematic observation' and ethnography. In M. Hammersley    (Ed.), <i>Controversies in Classroom Research.</i> Milton Keynes: Open University Press,    pp. 44-48.</p>     <p>Johnston, Jerome (1987). <i>Electronic Learning. From Audiotape to Videodisc.</i>    New Jersey: Laurence Erlbaum Publishers.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Lazar, Judith (1988). <i>La T&eacute;l&eacute;vision: Mode d' Emploi pour l' &Eacute;cole.</i>    Paris: Les &Eacute;ditions ESF.</p>     <p>Lazar, Judith (1992). <i>Escola, Comunica&ccedil;&atilde;o, Televis&atilde;o.</i>    Porto: R&eacute;s Editora.</p>     <!-- ref --><p>Lunetta, Vincent N. (1991). Actividades pr&aacute;ticas no ensino da ci&ecirc;ncia.    <i>Revista de Educa&ccedil;&atilde;o</i>, Vol. II, n&ordm; 1, pp. 81 - 90.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S0871-9187200900010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Masterman, Len (1993). <i>La Ense&ntilde;anza de los M&eacute;dios de Comunicaci&oacute;n.</i>    Madrid: Ediciones de la Torre.</p>     <p>Molen, Juliette &amp; Voort, Tom (1997). Children&#8217;s recall of television    and print news: a media comparison study. <i>Journal of Education Psychology</i>, vol.    89, n.&ordm; 1, pp. 82-91.</p>     <!-- ref --><p>Morais, Ana M.; PENEDA, Dulce; MEDEIROS, Ana; NEVES, Isabel P.; REIS, Elisabeth    &amp; SALGUEIRO, F&aacute;tima (1996). Desenvolvimento cognitivo e aprendizagem    cient&iacute;fica: Influ&ecirc;ncia de factores de fam&iacute;lia e da escola.    <i>Revista Portuguesa de Educa&ccedil;&atilde;o</i>, 9, n&ordm; 2, pp. 1-28.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S0871-9187200900010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Moreira, Marco &amp; Buchweitz, Bernardo (1993). <i>Novas Estrat&eacute;gias de    Ensino e Aprendizagem. Os Mapas Conceptuais e o V&ecirc; Epistemol&oacute;gico.</i>    Lisboa: Pl&aacute;tano Edi&ccedil;&otilde;es T&eacute;cnicas.</p>     <p>Morin, Edgar (1998). <i>As Grandes Quest&otilde;es do Nosso Tempo.</i> Lisboa: Editorial    Not&iacute;cias.</p>     <p>Novak, Joseph &amp; Gowin, Bob (1996). <i>Aprender a Aprender.</i> Lisboa: Pl&aacute;tano    Edi&ccedil;&otilde;es T&eacute;cnicas.</p>     <p>Ortega, F&eacute;lix (1993). La crisis de los sistemas escolares. In M. Fuente    &amp; F. Ortega (Eds.), <i>Sociolog&iacute;a de la Educaci&oacute;n.</i> Barcelona:    Barcanova.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pinto, Manuel (2000). <i>A Televis&atilde;o no Quotidiano das Crian&ccedil;as.</i>    Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.</p>     <p>Popper, Karl &amp; Condry, John (1995). <i>Televis&atilde;o: Um Perigo para a    Democracia?.</i> Lisboa: Gradiva.</p>     <p>Postic, Marcel (1990). <i>Observa&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o de    Professores.</i> Coimbra: Livraria Almedina.</p>     <p>Reboul, Olivier (1991). <i>Qu' est-ce qu' Apprendre?.</i> Paris: PUF.</p>     <!-- ref --><p>Seixas, Maria (1997). &quot;Mesmo nos concursos a gente aprende coisas&quot;.    Televis&atilde;o e escola &#8211; Um conflito de universos e discursos. <i>Educa&ccedil;&atilde;o,    Sociedade &amp; Culturas</i>, n.&ordm; 8, pp. 21-43.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000217&pid=S0871-9187200900010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Shulman, Lee (1989). Paradigmas y programas de investigaci&oacute;n en el estudio    de la ense&ntilde;anza: una perspectiva contemporanea. In M. Wittrock (Org.),    <i>La Investigaci&oacute;n de la Ense&ntilde;anza. Enfoques, Teor&iacute;as y M&eacute;todos.</i>    Barcelona: Paid&oacute;s, pp. 9-91.</p>     <p>Trilla, Jaume (1993). <i>La Educaci&oacute;n fuera de la Escuela. &Aacute;mbitos    no Formales y Educaci&oacute;n Social.</i> Barcelona: Ariel</p>     <p>UNESCO (1998). <i>World Education Report 1998: Teachers and Teaching in a Changing    World.</i> Paris: DC, Autor.</p>     <p>Woods, Peter (1986). <i>Inside Schools. Ethnography in Educational Research.</i> London:    Routledge &amp; Kegan Paul.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><i>Recebido em Setembro/2007</i></p>     <p align="right"><i>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em Janeiro/2009</i></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Toda a correspondência relativa a este artigo deve ser enviada para: <a href="mailto:pgdias@sapo.pt">pgdias@sapo.pt</a>  </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Anexo I - Grelha de Sinais</b> (ver pdf)</p>      <p></p>     <p><b>Anexo II - Diagramas causais</b> (ver pdf)</p>       ]]></body><back>
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