<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0871-9187</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Port. de Educação]]></abbrev-journal-title>
<issn>0871-9187</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Investigação em Educação. Instituto de Educação da Universidade do Minho]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0871-91872011000100001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Editorial]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Antunes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Fátima]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dionísio]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria de Lourdes]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<volume>24</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>3</fpage>
<lpage>6</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0871-91872011000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0871-91872011000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0871-91872011000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>Editorial</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Fátima Antunes e Maria de Lourdes Dionísio</b></p>     <p>&nbsp;</p>        <p>Este primeiro número de 2011 da Revista Portuguesa de Educação reúne um conjunto    de textos que exprime bem a sua missão editorial: estudar a educação como campo    heterogéneo de políticas, discursos e práticas, cuja pluralidade exige uma correspondente    diversidade de abordagens e problemáticas, condição radical de produção de um    conhecimento científico relevante e capacitante da acção dos sujeitos e comunidades    no terreno educacional.</p>      <p>O percurso proposto é sustentado pelos diversos olhares a partir dos quais são abordadas as complexas missões atribuídas aos sistemas de ensino, oferecendo-nos um objecto de estudo poliédrico e caleidoscópico. Ainda que a saliência de tópicos como o sucesso académico sugiram tendências fundas destes nossos tempos, a natureza polifacetada e controversa dos projectos societais para a educação é também revelada pela investigação a que aqui se dá voz. A unidade do itinerário desenhado é uma pergunta imperfeita e uma construção inacabada, argumentada pelas editoras e partilhada em diálogos potenciais envolvendo autores e leitores.</p>      <p>A abrir este volume, Joana Cadima, Teresa Leal e Joana Cancela discutem a relevância dos processos interactivos na sala de aula para o desempenho escolar, mobilizando investigação recente e apresentando um modelo conceptual que se apoia num conceito multidimensional de qualidade. As autoras sublinham que constituindo a interacção entre professor e alunos uma componente crucial de dinamização da aprendizagem e desenvolvimento das crianças, a heterogeneidade de perspectivas de análise daquele objecto permite construir um conhecimento mais rico da sala de aula como espaço de intervenção educativa, ao lado da acção política, social e científica direccionada para a mudança social.</p>      <p>Paulo Coelho Dias apresenta também uma pesquisa empírica que procura relacionar características do professor, estratégias de estudo e resultados escolares dos alunos, mobilizando uma metodologia do processo-produto. Verificando a correlação entre nível relacional e resultados escolares, o autor discute a relevância da dimensão normativa para constituir o que refere como uma prática pedagógica eficaz, face à insuficiência, também revelada pela pesquisa apresentada, da dimensão relacional. Algumas estratégias pedagógicas aparecem, de acordo com os dados, como particularmente produtivas na sustentação da aprendizagem dos alunos. </p>      <p>A discussão em torno da construção de práticas democráticas de gestão das escolas, nas suas conexões com o discurso e a dimensão instituinte da cultura, constitui um dos diversos eixos da problemática que o artigo de Luciana Marques desenvolve a partir de uma pesquisa em três escolas pernambucanas. A especificidade dos processos gerados em cada contexto e as dimensões de singularidade cultural da instituição escolar são empiricamente apreendidas e mobilizadas para sustentar o argumento de que, de modos complexos e conflituais, mudanças dinamizadas nas práticas escolares podem constituir elementos de estímulo à democratização das sociedades. </p>      <p>Debater o cosmos educacional como &quot;espaço coletivo de culturas e conhecimentos&quot; em construção por comunidades e redes colaborativas, potenciada pela &quot;enorme presença das tecnologias digitais&quot;, é o desafio prosseguido por Nelson de Luca Pretto. Abordando as políticas públicas brasileiras para o campo digital e argumentando para os professores um papel de &quot;liderança científica, cultural e ética&quot;, o autor constrói e fundamenta a questão que, no final do texto, polariza a sua discussão: como pode ser potenciado, em perspectiva democrática, o projecto educacional (labiríntico?) de sociedades contemporâneas, em face da pluralidade, agora dramaticamente aumentada, de dinâmicas (e possibilidades) de construção de saberes e sentidos que configuram ‘outras educações’?</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alexsandro da Silva e Artur Gomes de Morais questionam as irregularidades da mudança educacional, focando agora o ensino da gramática, observado a partir de manuais escolares brasileiros. Projectando um olhar que procura deixar-se sensibilizar pelos meandros e rugosidades das realidades educacionais, argumentam que o estudo revela &quot;tentativas de mudança em tempos de transição&quot;, que se manifestam, por exemplo, enquanto &quot;mudanças na estabilidade&quot; e &quot;estabilidades na mudança&quot;. A adopção de &quot;coerência pragmática&quot; coloca os professores novamente como actores cruciais para fazer e conhecer a mudança educacional: ‘transposição didática’, ‘construção original’ ou ‘acomodação’ entre o novo e o antigo, eis o debate lançado pelos autores em torno do ensino de &quot;gramática&quot; ou &quot;análise linguística&quot; na escola.</p>      <p>A sala de aula, agora quase metaforicamente configurada e reconstituída como ambiente de aprendizagem, ressurge pela mão de Margarida Pinheiro, Cláudia Sarrico e Rui Santiago para explorar relações, já prolongadamente debatidas, numa tradição científico-pedagógica aqui retomada no contexto do ensino superior, entre motivação, aprendizagem e resultados académicos. A educação profissional e os desafios (e inquietações) despertados por modelos inspirados em propostas de aprendizagem baseada em problemas ou em projectos (PBL), a questão da transferabilidade de competências, as perspectivas dos docentes e a satisfação dos estudantes, eis alguns dos tópicos explorados através da investigação discutida pelos autores. A produção do conhecimento, a conexão entre teoria e prática profissional, a autonomia e a iniciativa constituem aspectos em torno dos quais os autores procuram &quot;estimular o debate teórico&quot; e suscitar pistas de investigações futuras.</p>      <p>Em linha com a crescente focagem do campo educacional e das sociedades actuais no sucesso académico, João Paulo Saraiva e Luís Paulo Rodrigues fazem o balanço da investigação recente sobre as relações entre os domínios das aprendizagens cognitivas e o das aprendizagens motoras, para discutir a visão sociocultural dominante quanto à fundamentação de opções curriculares. Num estudo incidente sobre o impacto do ensino superior no desenvolvimento cognitivo do estudante, realizado numa instituição portuguesa, Emília Martins e Joaquim Ferreira discutem &quot;resultados contraditórios e aparentemente paradoxais&quot; na &quot;cognição epistémica (pensamento)&quot;, em contraste com subidas estatisticamente significativas no que respeita a &quot;realização cognitiva (raciocínio numérico e verbal) e académica (desempenho)&quot;. Os autores argumentam no sentido da integração destas preocupações na reflexão sobre o papel do ensino superior no desenvolvimento integral dos indivíduos, designadamente para interpelar as mudanças, também de modelos de formação, currículos e metodologias de ensino, que o Processo de Bolonha vem desencadeando.</p>      <p>As Notas de Leitura proporcionam a discussão crítica de dois trabalhos recentes de análise e balanço das tendências de mudança educacional, no quadro das reformas do Estado e das políticas públicas ao longo das últimas décadas, marcadas por dinâmicas de globalização e europeização das sociedades e sistemas políticos europeus e portugueses. Com a rubrica Publicações Recebidas encerramos este périplo de debate científico e académico de alguma da investigação e preocupações educacionais que vêm marcando o nosso viver comum. </p>      <p>Às comunidades e leitores do campo entregamos agora o fio de diálogo e confronto    críticos que, segundo entendemos, nos cumpre alimentar.</p>       ]]></body>
</article>
